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Mulheres

Que
Fizeram

UNIVERSIDADE FEDERAL DE
História

MINAS GERAIS | 2019


PERCURSOS FEMININOS
NA HISTORIOGRAFIA
BRASILEIRA
Nathália Aguiar Ferreira
Bianca do Prado Rogério
A historiografia
brasileira
A construção, a escrita e os estudos
que se fazem da história do Brasil
desde nossa formação nacional são o
que constituem a chamada
Historiografia Brasileira. Pensar a
história de nossa historiografia nos
permite refletir sobre as escolhas de
memória que foram tomadas, as
relações de poder que perpassam a
permanência de determinadas
narrativas e sobre como se deu, ao
longo da construção de nossa história,
o apagamento e o silenciamento de
importantes grupos e minorias que nos
constituem.
A escrita da
história É importante compreender que a
escrita da história possui uma função
legitimadora e que, mais do que
relatar experiências no tempo, ela
produz efeitos no próprio desenrolar
do desenvolvimento das sociedades.
Assim, é preciso olhar com
complexidade para as narrativas
históricas de nosso país, encará-las sob
o viés de sua interligação intrínseca
com a política e com os grupos
dominantes. Em resumo, é fundamental
para nós pensar a escrita da história
como uma complexa rede de disputas
pelo passado e pela memória.
Os estudos de A disciplina histórica é marcadamente

gênero uma das áreas mais retardatárias na


apropriação da categoria de análise
‘gênero’ e na própria inclusão das
Os estudos de gênero na historiografia
‘mulheres’. O modo como se fazia história,
brasileira apresentam-se como principalmente até o começo do século XX,
novidades ainda no final do século XX. privilegiava a narrativa das batalhas e
Encabeçados sobretudo por dos governantes e representava,
historiadoras brasileiras, as pesquisas sobretudo, a figura do homem branco
se aventuravam pela categoria ‘gênero’ ocidental. Esse recorte era pautado
e pela discussão das ‘mulheres’, principalmente pelos métodos e fontes
pensando suas incursões nos espaços históricas legitimados até então. De
públicos, a história da exclusão origens administrativas, diplomáticas e
feminina e os traços dessa presença, militares, as fontes escritas validadas
muitas vezes apagada, ao longo do refletiram, durante muito tempo, o
tempo. Esses estudos marcam a apagamento da história oral, dos
constituição de um novo campo de percursos femininos, da micro história e da
conhecimento histórico. história cotidiana das pessoas comuns.
“... gênero é um elemento constitutivo de

relações sociais fundadas sobre as diferenças

percebidas entre os sexos e o gênero é um

primeiro modo de dar significado às relações de

poder”. (SCOTT, Joan) ¹


A história das Os adventos das histórias social, cultural e

mulheres
das mentalidades propiciaram o avanço
da abordagem feminina como objeto e
como sujeito. Essas transformações que
marcaram a historiografia, associadas à
explosão do movimento feminista em torno
da segunda metade do século XX,
caracterizam o processo de emergência e
consolidação da História das Mulheres.
Porém, muitas contradições ainda
marcaram essa história feminina, visto a
multiplicidade de vivências possíveis
dentro da categoria ‘mulheres’. A
diferenciação do homem não era
suficiente para abranger as diferenças
existentes dentro da própria categoria.
Trilham-se, assim, novas abordagens para
se pensar as vivências comuns, de lutas,
resistências e sobrevivências de mulheres
ao longo do tempo.
“Historiadores de fama internacional, como Eric

Hobsbawm e Roger Chartier, além de outros, vêm

afirmando que a Revolução das Mulheres foi um

dos grandes acontecimentos do século XX, e que

a dominação de gênero permeia as relações.”

(PEDRO, Joana Maria) ²


Mulheres como
sujeitosA profissionalização de historiadoras
no campo da disciplina histórica possui
contornos próprios e que diferem
fundamentalmente dos percursos
masculinos dentro da academia. A
análise da trajetória de importantes
historiadoras brasileiras por meio da
categoria analítica de gênero nos
permite colocar em perspectiva o
apagamento de suas contribuições e
da influência de seus estudos dentro
da historiografia e até mesmo dentro
dos cursos universitários. Daremos
destaque mais adiante a alguns
percursos e contribuições promovidos
por grandes nomes femininos na
historiografia brasileira.
Grandes nomes Alice Canabrava
Angela de Castro Gomes

da Emilia Viotti da Costa


Maria Odila da Silva Dias
historiografia Margareth Rago
Miriam Moreira Leite
brasileira Rachel Soihet
Martha de Abreu Esteves
Mary Del Priore
Eni de Mesquita Samara, Leila
Algranti
Maria Lucia de Barros Mott de
Melo e Souza
Laura de Mello e Souza
Maria Izilda Santos de Matos
Temis Parente
Lídia Viana Possas
Joana Maria Pedro
Lená Medeiros de Menezes
Magali Engel
Suely Gomes Costa
Angela de
Castro Gomes
1966 – 1969: Graduação em História pela

Universidade Federal Fluminense. 

1974 – 1978: Mestrado em Ciência Política pelo

Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de

Janeiro (IUPERJ).  

1980 – 1987: Doutorado em Ciência Política pelo

Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de

Janeiro (IUPERJ).  

2010 – 2011: Pós-Doutorado pela Universidade de

Coimbra, Portugal. 
Atuou como professora, pesquisadora,

coordenadora, editora, dentre outros cargos em

inúmeras instituições importantes do cenário

intelectual brasileiro. 

Suas pesquisas são muito relevantes para as

áreas da História Política e da Historiografia,

mais especificamente sobre as temáticas de

história política no Brasil República, historiografia

e história dos intelectuais, Justiça do Trabalho, Um de seus trabalhos mais proeminentes é o livro

história da legislação trabalhista brasileira, “A invenção do trabalhismo", que publicou pela

história oral, memória e ensino de história, etc.  primeira vez em 1988. A obra possui imensa

relevância para se pensar o conceito de

trabalhismo, a constituição da classe

trabalhadora brasileira, a consolidação do

cidadão brasileiro e de seus direitos, além da

experiência da democracia em nossa país.


Alice Canabrava
De 1935 a 1937:  Cursa a graduação em

Geografia e História na Faculdade de Filosofia,

Ciências e Letras da Universidade de São Paulo

(USP). 

Em 1942: Conclui seu doutorado com seu

trabalho “O comércio português no Rio da

Prata”. 

Em 1946: Ingressa, como pesquisadora, na recém

surgida Faculdade de Ciências Econômicas e

Administrativas da USP.
Apesar das injustiças e obstáculos que precisou

superar, Alice Canabrava conquistou inúmeros

títulos e cargos, dos quais destacamos alguns: 

Canabrava foi a primeira mulher a se tornar

professora catedrática na Universidade de São

Paulo, foi diretora da Faculdade de Ciências

Econômicas e Administrativas da USP entre 1954

e 1957. Alcançou aos títulos de Professora


Sua tese de doutorado “O comércio português
Emérita da Faculdade e sócia honorária da
no Rio da Prata” é reconhecida no Brasil e no
Associação Brasileira de Pesquisadores em
exterior como vanguardista no campo das
História Econômica e foi uma das fundadoras da
pesquisas acadêmicas da História Econômica
ANPUH (anteriormente Associação Nacional dos
Brasileira. Seu método de pesquisa e de análise,
Professores Universitários de História, atual
muito detalhista no trabalho com as fontes, é
Associação Nacional de História) e da Revista
referência para a historiografia.
Brasileira de História.
Emília Viotti da
Costa
Em 1954: graduou-se em História pela

Universidade de São Paulo (USP).  Viotti foi professora na USP de 1964 a 1969 (ano

em que foi aposentada compulsoriamente pela

ditadura militar através do AI-5) e na


Em 1964: Obteve o doutorado também pela
Universidade de Yale, nos Estados Unidos, entre
Universidade de São Paulo (USP).
1973 e 1999, onde também foi diretora do

Programa de Estudos da Mulher e do Conselho

de Estudos Latino-Americanos. Dessas duas


Dentre muitos grandes marcos ao longo de sua
grandes universidades, recebeu o título de

vida, citamos alguns destaques:  professora emérita em 1999. Além disso, lecionou

em Tulane (New Orleans) e Illinois (Urbana-

Champaign) em seu período no exterior.


Algumas de suas principais obras são "Da

Senzala à Colônia", "Coroas de Glória, Lágrimas

de Sangue" e "Da Monarquia à República,

momentos decisivos”.  

Por esses e outros trabalhos, Emília Viotti tornou-

se um importante nome ao se pesquisar sobre

diversos campos de estudo da história e da

historiografia brasileiras, tendo destaque em

temas como a escravidão e a abolição,

influenciando inúmeros historiadores que

escreveram sobre essas temáticas nas últimas

décadas.
¹SCOTT, Joan. Gênero, uma categoria útil de http://memoria.cnpq.br/web/guest/pioneiras-

Referências análise histórica. Educação e Realidade, Porto

Alegre, 16(2) 5-22, jul/dez. 1990.


view/-/journal_content/56_INSTANCE_a6MO/10

157/2136445 

²PEDRO, Joana Maria. Relações de gênero como MARQUESE, Rafael Bivar. Estrutura e agência na

historiografia da escravidão: a obra de Emília


categoria transversal na historiografia
Viotti da Costa. In: FERREIRA, Antonio Celso;
contemporânea. Topoi. Rio de Janeiro, v. 12, n.
BEZERRA, Holien Gonçalves; LUCA, Tania Regina
22, p. 270-283, jan-jun. 2011.
de (orgs.). O historiador e seu tempo. São Paulo:

Unesp, 2008, p. 67-81. 


SOIHET, Rachel; PEDRO, Joana Maria. A

emergência da pesquisa da história das


https://anpuh.org.br/2015-01-20-00-01-
mulheres e das relações de gênero. Revista
55/noticias2/noticias-destaque/item/4445-

Brasileira de História. São Paulo, v. 27, n. 54, p. nota-de-falecimento-profa-emilia-viotti-da-

281-300, 2007. costa

http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visuali

zacv.do?id=K4787983A8  

https://cpdoc.fgv.br/equipe/AngelaCastro

https://www.fea.usp.br/economia/pessoas/prof

essores-emeritos/alice-piffer-canabrava

https://www.insper.edu.br/conhecimento/conju

ntura-economica/trajetoria-e-contribuicao-de-

alice-canabrava-para-historia-economica-do-

brasil-sao-debatidas-no-insper/