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AUTISMO:

PRIMEIROS PASSOS
DA ESTIMULAÇÃO

Autor: Thiago Araújo Lopes


Editora: Carla Fernandes Pimenta
Revisor Ortográfico: Gabriel Fernandes Pimenta
Arte da Capa: Luke Boaro
Diagramação: Jess B
Revisão Geral: Anderson Duarte Lima

Palavras-chave: Autismo. Intervenção Precoce. Orientação Social.


Sobre o autor

Fundador e Diretor do Instituto Farol, Também possui experiência fazendo


Centro de Excelência e Inovação em diagnóstico de crianças com autismo e
Autismo. Foi formador do modelo de outros transtornos do desenvolvimen-
Intervenção Precoce por 3 anos pelo to, n a r e g i ã o m e t r o p o l i ta n a d e
Mind Institute, pioneiro da implemen- Montreal, Canadá. 4 anos de experiên-
tação do modelo no Brasil e responsá- cia em coach parental baseado no
vel pela formação de 600 profissionais Modelo Denver, em centros públicos e
no Brasil, Canadá, EUA e outros países. privados de tratamento da Província
de Quebec, no Canadá. Seu canal do
Thiago Lopes tem mais de 10 anos de YouTube é um dos maiores canais
experiência internacional em interven- focados em autismo e suas postagens
ção precoce, 1 ano de experiência alcançam milhares de pessoas, trazen-
trabalhando diretamente na equipe de do informações científicas de qualida-
pesquisa e intervenção da Doutora de para pais e profissionais. ...........
Sally Rogers, criadora do Modelo
Denver, em Sacramento, Califórnia.

Para conhecer um pouco


mais sobre sua história,
assista a este vídeo:
Introdução

Dúvidas, angústias, incertezas e, ças com autismo e profissionais


principalmente, a sensação de que trabalham com o transtorno
inabilidade são sentimentos que do desenvolvimento. Seleciona-
surgem de forma intensa para mos quatro temas e nos debruça-
pais que recebem o diagnóstico de mos para destrinchá-los. ..................
autismo do filho. O que podemos
fazer? Como fazer? Estou fazendo Você vai encontrar alguns proce-
certo? São questionamentos dimentos eficazes para ensinar
frequentes, além da impressão competências básicas, o funciona-
simultânea de que apenas terape- mento do comportamento, pré-
utas e especialistas são capazes de requisitos dos objetivos de apren-
potencializar o desenvolvimento dizagem, dicas práticas e os princi-
da criança. ........................................ pais erros que cometemos. .........

Mas de acordo com a National Acreditamos na democratização


Research Council (2011) e Rogers do conhecimento e na importân-
(2012), as pesquisas mostram o cia de capacitar as pessoas com
oposto: a prática dos pais na conhecimento científico. Dessa
intervenção precoce dos filhos forma, nosso E-book objetiva
apresenta resultados muito ampliar o acesso à informação
positivos. O envolvimento dos através da difusão do saber por
pais ou responsáveis no trata- uma linguagem inteligível, além
mento potencializa o desenvolvi- de levar as pessoas a desenvolve-
mento das habilidades sociais e rem um raciocínio crítico. Ele
comunicativas, além de aumentar pe r m i te q u e p ro fi ss io n a i s e
a qualidade das interações. ............. familiares possam aprender
estratégias de ensino básicas
Por isso este e-book destina-se essenciais para as crianças com
principalmente para pais de crian- autismo. .,..............................................
Introdução

As estratégias de ensino que do desenvolvimento social no


iremos discorrer baseiam-se no autismo, aumentar a aprendiza-
Modelo Denver de Intervenção gem social e potencializar o
Precoce (ESDM). O ESDM é um desenvolvimento da criança em
método de intervenção naturalis- todas as esferas. ....................................
ta em que a aprendizagem é
pautada no afeto positivo, no Esperamos poder contribuir para
aumento da motivação da crian- um crescimento coletivo, que
ça e no desenvolvimento da terapeutas e família tenham
brincadeira. ............................................ acesso ao conhecimento científi-
co e possam, juntos, proporcionar
Além disso, a intervenção utiliza uma melhor qualidade de vida
os princípios da Análise Aplicada para os pequenos. Nessa perspec-
do Comportamento (ABA) e tiva, fazemos as palavras de Paulo
baseia-se nas pesquisas da área Freire, nossas palavras: .....................
da psicologia do desenvolvimen-
to, incluindo a comunicação
receptiva e expressiva, as compe- "Ensinar não é transferir conheci-
tências sociais e de jogo, o desen- mento, mas criar as possibilida-
volvimento cognitivo, as habili- des para a sua própria produção
dades motoras globais e finas, a ou a sua construção" .......................
imitação e os comportamentos
adaptativos. ...............................

Através da utilização do Modelo Aproveitem a leitura e mãos à


Denver de Intervenção Precoce obra! .......................................
torna-se possível minimizar os
efeitos da falha da comunicação e
CAPÍTULO I

ORIENTAÇÃO
SOCIAL
Orientação Social 7

I m ag i n e s e t ivé ss e m o s q u e aprendemos a fazer também a


aprender tudo em nossas vidas mesma coisa. Então, para estimu-
por tentativa e erro? Sem poder lar crianças com autismo, o fator
observar e imitar o outro, o pro- primordial no início do tratamen-
cesso de aprendizagem seria to é adotar técnicas que aumen-
muito mais di cil. Uma criança tem a orientação social. A crian-
com autismo observa muito mais ça precisa estar de volta ao ciclo
seu ambiente ou os objetos nele social, observar o outro, ter inte-
inseridos do que uma criança resse por ele, pelo que ele está
típica. As duas principais estraté- fazendo e, consequentemente,
gias de aprendizado das crianças tentar iniciar uma interação.
neurotípicas são a observação e a
imitação. ................................................. Ao tentar conseguir a orientação
social da criança, um erro muito
Dessa forma, as crianças com freqüente é tentar chamar a
autismo aprendem muito mais atenção através do nome. Se ela
sobre objetos do que sobre pesso- ainda não aprendeu a responder
as e como elas agem. Quando quando chamada pelo nome, as
temos orientação social, observa- tentativas não serão efetivas.
mos outras pessoas e vemos o Antes de desenvolver essa habili-
que elas estão fazendo, assim dade é essencial trabalhar a ori-
Orientação Social 8

entação social de diversas manei- Quando a criança está brincando


ras, como pré-requisito para que com um objeto, as pessoas têm a
ela consiga responder pelo nome tendência de instantaneamente
posteriormente de maneira mostrar como ela deveria estar
consistente. Inicialmente, é brincando, o que cria uma situa-
preciso identificar quais são os ção de oposição, em que ela é
interesses inatos daquela crian- atrapalhada de atingir os seus
ça e utilizá-los para direcioná-la próprios objetivos. ..........................
ao seu círculo social. ...........................

A atenção da criança está dirigida


para os seus interesses, dessa
forma, pode-se utilizar a atenção
que está voltada para um objeto
específico para atrair a atenção
dela e criar uma oportunidade de
aprendizagem relacionada à
orientação social. O objetivo é
fazer com que a criança, que
agora tem a atenção no objeto,
passe a ter atenção no outro. .........
Orientação Social 9

Isso não gera atenção nem orien- obter sua atenção. ................................
tação social, uma vez que muitas
vezes esses comandos excessivos As pessoas têm a tendência de
e a tentativa de comandar a brincar de forma funcional,
brincadeira geram aversividade, fazendo apenas a única ação
fazendo com que a criança tenda explícita do brinquedo, entretan-
a sair de perto. ....................................... to, as crianças entre dois e três
anos nem sempre brincam de
Para atrair a criança deve-se maneira sistemática, associando
primeiro entrar no seu mundo, o brinquedo a sua função especí-
observar o que ela gosta de fazer fica. ................................................
e analisar seus interesses. ..............
Por exemplo: ao brincar com
Assim, é possível juntar-se a ela blocos, a tendência inicial é
gradativamente, entrando no seu empilhá-los, porém, inúmeras
foco de interesse através dos atos variações podem ser feitas.
de jogo que ela gosta de brincar.
Posteriormente, deve-se inserir
variações que sejam atraentes Quando enfileirados, eles podem
para ela, que tirem sorrisos e servir como uma pista de carros.
consequentemente auxiliem a Uma guerra de blocos pode ser
Orientação Social 10

travada, ou apenas jogá-los Nada impede que a criança corra


dentro de um balde também pode com o bloco na mão e o jogue
ser divertido. ................................ dentro de um recipiente, volte
correndo e pegue outro bloco:
Colocar uma peça na cabeça e criar novas ações de jogo e desen-
fazer "Atchin", der-rubando-a em volver novas habilidades a partir
seguida, ou mesmo amassar os desse contexto altamente moti-
blocos de silicone, podem ser uma vador possibilita o desenvolvi-
variações possíveis. O ideal é mento de diversas situações de
entrar na brincadeira da criança. ensino. ..................................

Considere a situação: a criança Por exemplo, através dessa ação


está correndo com um bloco e o é possível ensinar uma habilida-
adulto a impede de fazer uma de de motricidade grossa ao
ação que ela gosta e solicita que arremessar os blocos no balde e,
ela os empilhe. Neste caso, as até mesmo, trabalhar um objetivo
oportunidades de aprendizagem de cognição contando quantos
não estão sendo aproveitadas e blocos foram colocados no recipi-
cria-se uma contingência de ente. ..................................................
ensino pouco motivadora. ..........
Orientação Social 11

Criar um vínculo de parceria de com a criança, trazer ela de volta


jogo e engajar a criança é funda- ao círculo social e adotar estraté-
mental para que ela tenha inte- gias que chamem sua atenção e
resse em interagir com outras potencializem a interação social.
pessoas. Caso ela não possua essa Alguns procedimentos que inten-
vontade e brincar sozinho seja sificam esse processo e podem ser
mais atrativo, ela terá dificulda- adotados são: narrar o que a cri-
des de desenvolver sua orienta- ança está fazendo, imitar suas
ção social. ............................................... ações, seguir sua liderança, fa-
zer sons vocais lúdicos e inserir
Reciprocidade não é necessaria- variações. ..............................................
mente obter o contato visual. Se a
criança observa as mãos ou o
corpo de seu parceiro de ativida-
des, ela já tem orientação social,
dessa forma, ela já possui um
potencial de aprendizado muito
maior. ........................................

É preciso sentar no chão e brincar


Reciprocidade não é
necessariamente
obter o contato visual.
Orientação Social 13

Se a criança sabe fazer uma


brincadeira e não tem vontade de
compartilhar com outras pesso-
as, ou se ela sabe brincar de empi-
lhar blocos, mas não observa nem
imita as ações dos seus pares,
suas oportunidades de aprendi-
zado e taxa de desenvolvimento
serão baixas e consequentemen-
te irá se instaurar uma cascata de
prejuízos. ..........................................

Assim, é essencial trabalhar a


orientação social da criança,
utilizando métodos eficazes de
intervenção. .........................................
Anotações
ENSINANDO
A CRIANÇA A
CAPÍTULO II

RESPONDER
PELO NOME
Ensinando a criança a responder pelo nome 16

Os pais de crianças com autismo ação entre o nome dele com quem
têm a tendência de chamar mais ele é. .................................................
frequentemente o nome do filho
esperando que a criança respon- Existe uma tendência natural de
da melhor. Essa estratégia, entre- repetir o nome da criança inúme-
tanto, muitas vezes resulta no ras vezes quando ela está fixada
efeito contrário. Quando chama- em um objeto, principalmente
mos a criança pelo nome e ela quando ela apresenta uma res-
está em paralelo praticando posta entre as tentativas. ............
outra ação ou observando algo,
torna-se di cil que ela realize o Aparentemente, essa resposta
processo de construção da associ- induz à conclusão de que a repeti-
ção, nesse caso, auxilia de alguma
forma o aprendizado à resposta
ao nome. .............................................

?!?
Ensinando a criança a responder pelo nome 17

Na verdade, a repetição enfraque- resposta que desejamos, qual


ce a associação entre o seu nome e seja, olhar na direção de quem
a resposta esperada (olhar). Essa chama. .....................................................
intercorrência acontece porque
não houve nenhuma consequên- Alguns profissionais da área do
cia nas ocasiões em que o coman- autismo adotam uma estratégia
do foi dado e ela não emitiu a que acaba sendo muitas vezes
resposta correta de olhar. ......... aversiva: chamar a criança e virar
o seu rosto na direção do adulto
Dessa forma, a criança entende com suporte sico na face. A
que quando alguém diz seu nome, criança comumente se opõe,
ela não precisará olhar, já que o como um reflexo, virando para o
sistema de reforçamento não lado. ......................................................
aconteceu de forma consistente.
Assim é necessário fazer força
Para ensinar o comportamento para que ela olhe, o que torna o
de resposta ao nome é primordial processo extremamente aversi-
que a criança associe seu nome à vo. Chamar pelo nome e utilizar
resposta desejada, ou seja, nessa esse tipo de suporte sico gera o
hora deve-se associar mais proxi- efeito negativo, uma vez que a
mamente o nome da criança à criança não desenvolve motiva-
Ensinando a criança a responder pelo nome 18

ção para responder a esse tipo de palhando sua brincadeira favori-


antecedente, pelo contrário, cria ta. ............................................................
aversão e começa a responder
cada vez menos quando chamada Crianças com com desenvolvi-
pelo nome. ............................................. mento típico olham com uma
frequência muito mais alta, o que
Quando objetiva-se chamar a resulta em associação mais fácil
atenção da criança e ela está entre o comando (escutar o
hiperfocada, brincando com seu nome) e a resposta adequada
objeto favorito, tende-se a cha- (olhar). Entretanto, a criança com
mar repetidas vezes o seu nome, au t i s m o n e m s e m p r e fa z a
esperando que ela olhe. .................... mesma associação, e chamar seu
nome repetidas vezes dificulta
Nesse momento ela está fazendo que ela realize o que quer. .......
exatamente o que ela quer, obser-
vando seu objeto de maior inte- Criar uma contingência motiva-
resse, logo, ela não tem motivação dora em que ela tenha o ganho,
suficiente para parar sua ação e por exemplo, de algum interesse
responder ao comando. Ao inter- secundário é uma estratégia
romper uma ação favorita cria-se muitas vezes efetiva para poten-
um contexto em que a criança cializar que a criança realize essa
interpreta que estamos atra- associação. .....................................
A questão central do autismo
envolve a motivação e o
engajamento social,
por isso é fundamental
associar o nome da criança
a um contexto positivo,
não a um contexto aversivo.
Ensinando a criança a responder pelo nome 20

A questão central do autismo Níveis de suporte..............


envolve a motivação e o engaja-
mento social, por isso é funda- A primeira estratégia está relacio-
mental associar o nome da crian- nada aos níveis de suporte. Ao
ça a um contexto positivo, não a chamar a criança pelo nome, é
um contexto aversivo. .................... eficaz a utilização do “least to
most”, ou seja, uma cadeia de
É comum que existam objetos ou suporte do menor para o maior
sons favoritos da criança, que nível. .....................................................
despertam a sua atenção. Assim, é
aconselhável utilizar esses recur- 1ª cadeia de suporte: para cha-
sos preferidos para atrair a aten- mar a criança recomenda-se
ção da criança, associando-os a segurar um objeto favorito -
estratégias pertinentes. Serão garantir antes que seja de fato um
elucidadas a seguir algumas objeto preferido e que ela possui
estratégias de como melhorar a grande interesse por ele é essenci-
resposta ao nome. .............................. al - objetivando estabelecer um
ganho secundário como reforço à
resposta adequada. ............................
Ensinando a criança a responder pelo nome 21

Deve-se chamar a criança pelo à criança, e ele é um de seus favo-


nome, ou seja, através do da ritos, a tendência da criança,
primeira cadeia de suporte que é mesmo que seja através da visão
a verbal, fora da vista dela. Caso periférica, é levantar a cabeça
ela não se vire e não responda ao para ver o objeto. Por isso, se
chamado é preciso aumentar o mesmo assim, na terceira vez, a
nível de suporte, mas, caso ela criança não responder, deve-se
olhe, deve-se entregar o objeto aplicar a terceira cadeia de supor-
favorito. .......................................... te. ..........................................................

2ª cadeia de suporte: para au- 3ª cadeia de suporte: consiste em


mentar o nível de suporte é bloquear o centro de atenção, ou
preciso agir de forma posicional, seja, se a criança está olhando
ou seja, a segunda cadeia consiste para baixo ou para um objeto
em colocar-se de frente para a específico, deve-se colocar o
criança. Caso ela não responda, é objeto de interesse na frente do
preciso se aproximar do jogo e seu centro de interesse. ...................
chamá-la novamente. .......................
O objetivo é que ela veja o objeto
É importante ressaltar que, favorito para que, em seguida, ele
quando um objeto está próximo seja levantado até a linha do
Ensinando a criança a responder pelo nome 22

olhar. Isso faz com que a criança Realizando o processo com con-
siga com os olhos o brinquedo e, sistència a criança irá entender
consequentemente, faça contato que, toda vez que ela responde ao
visual. Dessa forma, quando a nome, ela ganha um objeto de
criança fizer o contato visual, interesse ou algo que realmente
deve-se entregar o brinquedo. gosta. ............................................
Utilizar o objeto favorito potenci-
aliza e aumenta a possibilidade Nesse processo é essencial fazer
de a criança elevar o seu olhar e uma transição para que ele deixe
fazer contato visual. .......................... de olhar só quando há o estímulo
do objeto e comece a olhar tam-
bém quando não há um objeto
favorito. ..............................................

Se a criança responde somente


quando tem um brinquedo,
significa que ela ainda não
consolidou o aprendizado, ou
seja, ela não aprendeu a associar o
seu nome à resposta de olhar para
quem está chamando. ..................
Ensinando a criança a responder pelo nome 23

Quando a criança começar a de um objeto. Esse processo é


responder de forma consistente uma transição atencional, uma
com a presença de um estímulo vez que, ao invés de interesse por
favorito, deve-se iniciar o proce- objetos, a criança começa a ter um
dimento para que ela aprenda a interesse social, impactando no
r e s p o n d e r s e m u m o b j e to . desenvolvimento da observação,
imitação e, consequentemente,
Esse processo envolve a frequên- no aprendizado no geral. .................
cia da apresentação do estímulo:
a partir desse momento ele se É muito importante prestar
torna intermitente, ou seja, atenção aos comandos dados à
algumas vezes ele irá aparecer, criança para garantir um proces-
outras vezes não. Inicialmente, so de aprendizado bem consoli-
em dois terços das vezes deve-se dado. ..............................................
ter um objeto favorito e em um
terço das vezes não, atraindo a Para associar algo positivo ao
criança com alguma ação engra- nome da criança é imprescindível
çada. ................................................ não chamar a criança pelo nome
sem usar a estratégia adequada e,
Dessa forma é possível associar mesmo utilizando a estratégia
uma ação social positiva ao invés correta, deve -se evitar uma
Ensinando a criança a responder pelo nome 24

frequência elevada do antece- Se o comportamento de não olhar


dente do nome, uma vez que quando o objeto preferido é
pode-se gerar um excesso de frequente, mesmo com a certeza
aquisição, o que torna o processo de que aquele objeto é um objeto
aversivo. Ou seja, é essencial de interesse, pode ser que o
dosar o número de oportunida- comando da resposta ao nome
des de aprendizado ofertadas. está ocorrendo com uma alta
frequência. Desse modo a criança
Não se deve testar se a criança compreende que é melhor não
sabe responder ao nome chaman- olhar para não perder tempo,
do-a diversas vezes, mas sim tendo que deixar de fazer o que
ensiná-la a responder ao nome ela está com vontade de fazer.
quando chamada. ...............................
É essencial seguir sempre os
Caso a criança não olhe mesmo mesmos passos, garantindo
quando bloqueado o centro de fidelidade ao procedimento.
atenção com o objeto favorito,
significa que esse objeto não é tão É comum que se tente facilitar o
apreciado, ou que o foco de aten- processo, por exemplo, pulando
ção dela é mais importante do uma etapa caso a criança só olhe
que aquele objeto. ............................ quando alguém está de frente.
Ensinando a criança a responder pelo nome 25

Quando isso ocorre, a tendência é associe a resposta ao nome àque-


já iniciar de frente para a criança, le comportamento. .............................
porém, saltar um nível de suporte
não garante a autonomia do É importante ressaltar que esse
aprendizado. Por isso é importan- procedimento deve ser realizado
te começar com o menor suporte em um contexto favorável, ou
e aumentá-lo gradativamente. ..... seja, no momento de brincadeira
ou de interação social. ......................
Outro movimento comum que
prejudica a consistência do Deve-se evitar apenas chamá-la
procedimento é repetir múltiplas sem um contexto de aprendiza-
vezes o nome da criança em cada gem promissor, já que é necessá-
nível de suporte. Se a pessoa está rio associar esse tipo de interação
fora do centro de atenção da à algo positivo. ......................................
criança, deve-se chamá-la apenas
uma vez. .......................................

Isso deve ser feito da mesma


forma nas outras etapas de
suporte, garantindo que a criança
Anotações
IMITAR COM
CAPÍTULO III

OBJETO
Imitar com objeto 28

Uma habilidade absolutamente A imitação é uma habilidade


fundamental é a imitação. ....... fundamental para o aprendizado
Crianças pequenas aprendem em todas as esferas do desenvol-
por observação e imitação. A vimento. Especificamente, a
criança que não aprende a imitar imitação com objetos é muito
outras crianças ou imitar com- importante para que a criança
portamentos que ela vê no dia a possa aprender novas ações de
dia fica muito limitada no seu motricidade fina e ampliar sua
próprio aprendizado. ........................ gama de ferramentas para uma
melhor interação com outras
Crianças que observam e imitam crianças. .................................................
têm a possibilidade de aprender
novas habilidades e ações através
dos parceiros, das rotinas diárias,
dos encontros com as crianças na
escola, em casa ou em qualquer
outro ambiente. .................................
Imitar com objeto 29

Se a criança não é capaz de ter um colegas não irão buscá-la para


repertório amplo de jogo, quando brincar. Dessa forma, ela irá
ela começar a brincar com seus perder múltiplas oportunidades
pares na escola, ela deixará de ser de engajamento social e de apren-
um parceiro de interação interes- dizado de novas habilidades.
sa nte. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
O aprendizado da imitação
Por exemplo: se quatro crianças permite a aquisição de um reper-
estão brincando juntas com tório que no futuro será um
carrinhos, elas provavelmente repertório ocupacional ou até
irão fazer várias variações, como mesmo profissional. Se a criança
subir o carrinho na rampa, entrar não aprende a imitar, dificilmen-
na caixa como se fosse uma te ela será capaz de ter autonomia
garagem ou até mesmo arremes- no futuro, porque ela não vai
sar os carrinhos. Entretanto, por saber como se colocar à mesa,
não observar e imitar os colegas, a como fazer um sanduíche, ou
criança com autismo tende a outras ações cotidianas. ................
repetir a mesma ação sempre,
sem acompanhar os amigos. Sem a habilidade da imitação o
Consequentemente ela não se ensino torna-se sistemático e
torna um parceiro de jogo e os di cil, necessitando de apresen-
Imitar com objeto 30

tação etapa por etapa, como se desse procedimento, já que são


fosse um objetivo específico de inúmeras as atividades básicas
aprendizado. ....................................... que praticamos diariamente,
como lavar louça, passar pano e
Quando a criança crescer e se dobrar as roupas, além de ações
tornar um adulto que não apren- mais complexas, como estudar e
der a imitar para ensiná-lo a buscar um emprego. ........................
varrer a casa, por exemplo, será
necessário o ensino de cada etapa Sem a possibilidade de imitação e
separadamente. Primeiro será observação, o ensino de habilida-
preciso ensiná-lo como segurar a des de autonomia por meio da
vassoura e depois qual movmen- orientação direta, item por item,
to deve-se fazer através do supor- demoraria meses, ou até anos.
te sico total e ir esvanecendo o
suporte gradativamente, uma vez A imitação precisa ser consolida-
que, quando criança, ela não da, se possível, na infância, uma
aprendeu a imitar. ..................... vez que ela será uma habilidade
muito importante em todas as
Em contexto mais amplo torna-se outras fases da vida. Se a criança
inviável o ensinamento de diver- só aprende objetivos através de
sas habilidades diárias a partir planos de intervenção, dentro das
Imitar com objeto 31

horas de intervenção, o repertó- cesso de entrar no holofote da


rio que ela aprende será muito criança, tais como: narrar o que
pequeno. Então é preciso garantir ela está fazendo, fazer sons vo-
a imitação generalizada em cais lúdicos, estabelecer um po-
vários contextos para que essa sicionamento frontal e imitar o
criança, quando se tornar um que ela está fazendo (seja a ação
adulto, tenha um repertório funcional ou não). ..............................
amplo o suficiente e seja capaz de
imitar em novos contextos para R ea l i z a r e s s a a p r ox i m a ç ã o
estar sempre aprendendo. Dessa durante 30 segundos em média já
forma ela pode se tornar autôno- é suficiente para aumentar a
ma em seus processos de aprendi- orientação social da criança e
zado. ................................................ facilitar a ativação do processo de
imitação quando a pessoa fizer
Para ensinar a criança a imitar uma variação de jogo. .......................
com objetos é primordial seguir a
sua liderança, para que estabele- Depois de entrar na brincadeira
ça-se uma parceria de jogo e ela da criança deve-se fazer uma
tenha interesse em observar a variação sutil e voltar rapida-
pessoa com quem está brincando. mente a realizar a ação que ela
estava fazendo. ....................................
Algumas ações facilitam o pro-
O aprendizado da imitação permite
a aquisição de um repertório que no
futuro será um repertório ocupacional
ou até mesmo profissional.
Se a criança não aprende a imitar,
dificilmente ela será capaz de
ter autonomia no futuro.
Imitar com objeto 33

Por exemplo: se ela está brincan- Ou seja, deve-se fazer o processo


do de rolar o carro pra frente e de entrar no jogo da criança e em
para trás, pode-se rolar o carro seguida fazer uma variação de
rapidamente, fazendo um baru- três a quatro vezes para que ela
lho (vrummm) e subir no sofá, observe e aprenda a nova ação.
mas, em seguida, voltar à ação
inicial (rolar o carro para frente e Caso a criança comece a imitar de
para trás). De repente, deve-se forma espontânea, é preciso
fazer de novo a mesma variação continuar fazendo a mesma
(subir o carrinho no sofá) e voltar variação e brincar com a nova
ao tema inicial da brincadeira. ação proposta algumas vezes.
Entretanto, se a criança não
Muitas vezes a criança vai obser- entrar espontaneamente nessa
var a ação realizada e, depois de variação, deve-se aumentar o
algumas repetições, ela irá acabar suporte gradativamente, o que
imitando de forma espontânea. deve ser feito apenas quando ela
tiver motivação suficiente. .............
Apresentar a variação um núme-
ro repetido de vezes é importante A motivação é mensurada pelo
para dar consistência ao aprendi- engajamento da criança: se ela
zado. ....................................................... está de frente, participando,
Imitar com objeto 34

observando o que está sendo tempo, fazer um gesto que repre-


feito, prestando atenção na mão sente a ação, por exemplo, apon-
da pessoa ou partilhando sorri- tando para o bloco e em seguida
sos. Quando a criança tem moti- onde colocá-lo. .............................
vação, mas não realiza ação, deve-
se se aumentar o suporte, sem- Caso a criança não responda ao
pre do menos para o mais (least to segundo nível, realiza-se o tercei-
most). ....................................................... ro, suporte sico parcial, que é
pegar a mão da criança e começar
No caso da imitação com objetos a fazer o gesto, com o intuito de
deve-se utilizar a cadeia de supor- que ela termine a ação sozinha.
te sico. O primeiro nível de
suporte é o verbal: deve-se dizer Caso ela não continue sozinha,
qual ação a criança deve realizar, deve-se fazer a quarta e última
por exemplo, “Coloca o bloco”. etapa, o suporte sico total, em
que a pessoa faz o movimento
Se ela não seguir o comando, inteiro de colocar o bloco. Essa
deve-se passar para o segundo sequência não pode ser muito
nível, composto pelo suporte lenta, devendo haver em média
verbal e gestual, ou seja, deve dois segundos entre cada nível de
dizer “Coloca o bloco" e, ao mesmo suporte. ...........................................
Imitar com objeto 35

Realizar o aumento de suporte gesto. Deve-se sempre aumentar


com esse ritmo é muito importan- para o suporte sico parcial e
te para garantir que a hierarquia depois para o sico total caso
de suporte fique clara para a necessário. Ou seja, cada deman-
criança e garanta a consistência da é acompanhada por apenas
na realização da imitação. .............. um nível de suporte por vez.

Vale ressaltar também que não se É essencial, para a aplicação


deve repetir o mesmo nível de deum procedimento correto, não
suporte várias vezes. É preciso fazer múltiplas demandas conse-
evitar, por exemplo, pedir que a cutivas acompanhadas de um
criança coloque o bloco repetidas alto índice de suportes sicos
vezes sem, em seguida, fazer o totais. ..........................................
Imitar com objeto 36

A aplicação incorreta do nível de Essa administração é importante


suporte leva a criança a perder a para aumentar a motivação e
motivação e o ato de brincar se diminuir a frustração. Assim a
torna aversivo, o que dificulta o criança se mantém mais engajada
processo de aprendizado. Assim, nas atividades, aumentando as
é importante seguir a hierarquia oportunidades de aprendizado,
dos níveis de suporte de maneira as áreas do desenvolvimento
correta, fluida e sem repetir o trabalhadas e o tempo de perma-
mesmo suporte mais de uma vez nência nas atividades, diversifi-
seguida. ............................... cando seu repertório e o engaja-
mento com os próprios pares.
Durante a intervenção é impor-
tante sempre intercalar tarefas Para propor uma nova variação
de manutenção e aquisição, ou de jogo, é primordial que ela seja
seja, tarefas previamente adqui- repetida, para que a criança
ridas, que serão mais facilmente desenvolva a previsibilidade da
cumpridas pela criança, com ação, observe, entenda e planeje
novas atividades que exigem o qual o processo ela deverá fazer.
treino de novas habilidades e,
consequentemente, um maior Quando uma nova ação é apre-
processamento cerebral. ............... sentada, é comum que a criança
Imitar com objeto 37

não imite em sequência, por isso é nem-se efetivas é necessário uma


necessário aplicar os níveis de regularidade em sua aplicação.
suporte (verbal, gestual+verbal,
sico parcial e sico total) para Um erro comum é iniciar a cadeia
que ela aprenda. Entretanto, de suporte e não levá-la até o final
fazer esse procedimento apenas quando a criança apresenta
uma vez não é suficiente para a aversividade ao toque e, conse-
consolidação do aprendizado, por quentemente, se incomoda muito
isso as repetições em diferentes c o m o s u p o r te s i c o to ta l .
horários e diferentes contextos Quando o comando é dado a
são necessárias para que a crian- criança tem múltiplas oportuni-
ça generalize e aprenda de fato as dades de se engajar e fazer a ação
ações. ............................................. sem que seja necessário o suporte
sico total: três cadeias de
Caso a nova ação proposta seja suporte antecedem o último
muita aversiva, deve-se fazer algo nível. Por isso é importante fazer
mais simples para adequar as o suporte sico total até o final,
ações de jogo ao nível de desen- para garantir que a criança não
volvimento da criança. ..................... crie um sistema de evitamento e
compreenda com clareza como
Para que essas estratégias tor- funciona o aprendizado. ............
Anotações
ENSINAR
CAPÍTULO IV

A FALAR
Ensinar a falar 40

A criança mostra a capacidade de outras áreas, especialmente


conversar ou de fazer algumas naqueles que envolvem a sociali-
palavras muito precocemente. zação, como a comunicação e a
Por volta dos doze meses já é interação. Entretanto, a fala é
esperado que a criança pronuncie frequentemente uma das princi-
as primeiras palavras, assim, pais preocupações da família, e
quando é identificado que nessa essa é realmente uma questão
faixa etária ela não está dizendo muito importante, porque é
algumas palavras como papai, através da comunicação que a
mamãe, dá, de novo, água, comi- criança é capaz de exprimir suas
da, tetê e outras palavrinhas os necessidades, de demonstrar
pais iniciam as primeiras investi- seus interesses e de se comunicar
gações acerca das causas do com o mundo. ........................................
atraso de fala e comumente
buscam ajuda de profissionais. Frequentemente, algumas crian-
ças desenvolvem comunicação
O espectro do Autismo é mais do verbal, mas não têm a fala estabe-
que simplesmente uma dificulda- lecida de forma funcional, ou seja,
de de comunicação verbal. A alguns pré-requisitos de comuni-
criança que está no espectro do cação social não foram tão bem
Autismo tem dificuldades em trabalhados. ..............................
Ensinar a falar 41

A fala funcional é a capacidade na rotina da criança, logo, ela não


de estabelecer uma troca de irá precisar dizê-las com a cons-
mensagens com o interlocutor, ou tância necessária. Por isso é
seja, através da comunicação importante analisar quais são os
verbal passar uma mensagem interesses e desejos mais cons-
que gera um efeito no ambiente tantes como base de seleção das
ou na pessoa com quem se está palavras que serão alvo de ensino.
comunicando. ........................................
Diferentemente de “pirata” e
Ao selecionar as palavras-alvo “bomba”, são mais comuns o uso
para aprendizagem, deve-se levar de palavras como “água”, “mais”,
em consideração que é necessário “comida”, “sair”, assim como o
selecionar palavras que cotidia- nome de alguém ou de um objeto
namente terão uma função e favorito. A criança provavelmen-
utilidade claras. Isso faz com que te irá aprender a falar as palavras
elas sejam utilizadas com maior menos usuais como “pirata” e
frequência, o que auxilia na “bomba”, ter dicção e emitir o som
consolidação do aprendizado. específico daquelas palavras, mas
se elas não apresentarem uma
Algumas palavras, por exemplo, utilidade prática na vida da
“pirata” e “bomba”, não são usuais criança, o ganho será muito pe-
Ensinar a falar 42

queno , e a chance de que a crian- nesse caso, reforça-se a ação de


ça use essa palavra no dia a dia ou fala. ................................................
em outros contextos de forma
funcional é baixa. .......................... Quando a criança fala “água” e
consegue matar sua sede, quando
Para ensinar à criança suas ela fala “da” e ganha algum objeto
primeiras palavras é recomenda- ou quando fala “não” e consegue
do começar por uma função reduzir algum estímulo aversivo,
muito importante, qual seja, isto é, quando ela consegue
aquela que é a mais recompensa- demandar algo e receber um
dora para a criança. Geralmente a reforço em seguida, a frequência
função mais reforçadora para de vocalização aumenta, assim
uma criança é a demanda. ........... como aumentam as chances de
que ela queira falar mais para
Quando ela pede algo e imediata- obter o que quer. ................................
mente recebe o que estava dese-
jando, ela tem seu comportamen- Consequentemente, a primeira
to de vocalização reforçado e, função na linguagem que geral-
consequentemente, se sente mente é ensinada é a demanda: é
motivada a repetir a ação que a preciso ensinar a criança a pedir.
levou a ganhar o que queria - Em algumas intervenções é
Ensinar a falar 43

comum o ensino da nomeação tiva e eficaz. ....................................


dos elementos, como animais,
transportes, frutas, entretanto, Um dos pré-requisitos é garantir
algumas terapias negligenciam o que a criança compreenda a
ensino da solicitação. ..................... função da linguagem, isto é,
quando ela entenda a possibilida-
Muitas vezes a criança sabe de de trocar mensagens intencio-
nomear uma banana, mas não nalmente. Para trabalhar a fun-
sabe pedir uma quando deseja. ção da linguagem, um dos primei-
Nessas situações o ganho para a ros comportamentos que deve
criança é muito pequeno e a ser estimulado é o de olhar como
tendência de que ela reproduza a ato comunicativo. .......................
demanda de forma espontânea
em sua rotina fica muito reduzi-
da. ..........................................................

Estimular também os pré -


requisitos da linguagem verbal é
muito importante, uma vez que
eles são necessários para que a
criança fale de forma comunica-
Ensinar a falar 44

Geralmente, fazer algo engraça- de brinquedo, posso utilizá-lo


do, que chame atenção da criança, alterando a posição do objeto
ou ter em mãos um objeto favori- para facilitar um contato visual.
to facilita o aumento do contato Deve-se oferecer o objeto em
visual. .................................... questão para a criança e, quando
ela for em direção para pegá-lo, é
A partir dessas ações deve-se preciso trazer o objeto para a
utilizar uma cadeia de suporte linha do olhar. ..............................
para gerir a atenção da criança e
fazer com que ela consolide o Quando o ato de olhar acontece,
olhar como ato comunicativo. Ao entrega-se o objeto para a crian-
fazer o gesto engraçado ou segu- ça. Esse suporte posicional,
rar um objeto favorito da criança muitas vezes, garante que a
deve-se garantir que ela olhe. criança compreenda que, quando
ela olha no olho, ela ganha o que
Se, em uma distância socialmente quer. Não é recomendado come-
confortável, ela não direcionar o çar já com o objeto próximo aos
olhar, deve-se aumentar o supor- olhos, mas sim oferecendo-o para
te mudando de posição (suporte a criança e aguardando o contato
posicional). Se uma criança gosta visual. Caso ela não olhe, deve-se
muito de brincar com seu avião trazer o objeto para a linha do
Ensinar a falar 45

olhar, e, se ainda assim ela siga objeto que a criança quer e espe-
não olhando para o objeto, é rar o contato visual. Ao segurar o
preciso trazê-lo para perto dos objeto, a criança irá puxá-lo. É
olhos. Caso após estes passos a preciso então esperar aproxima-
criança ainda não olhe para o damente um segundo para ver se
objeto, uma estratégia possível, ela emite a resposta do contato
mas um pouco artificial e que visual. Caso ela não olhe, deve-se
envolve um controle ainda maior, fazer o mesmo procedimento das
é colocar o objeto atrás da cabeça escalas de suporte citados anteri-
da criança. ......................................... ormente. .....................................

Nesse contexto, se a criança, É primordial garantir que, imedi-


mesmo com os níveis de suporte, atamente após a criança olhar, ela
não olhar, não se deve entregar o receba o que estava querendo,
objeto de desejo. Esse procedi- para que ela compreenda que o
mento evita que a criança seja olhar dela garantiu a obtenção do
reforçada por não olhar. .................. objeto. ....................................

Outra estratégia para que a Esse mesmo processo também


criança use o olhar como ato pode ser aplicado para gestos e
comunicativo é segurar um para vocalizações, se de repente
Ensinar a falar 46

eu ofereço um objeto para criança a chorar ao invés de pedir, irá


e ela faz algum som ou vocaliza- chorar ao invés de falar e não
ção, deve-se entregar imediata- vocalizará com intenção. ............
mente o objeto. Dessa forma ela
compreende que a vocalização Assim que a criança aprende a
feita foi o que resultou na obten- usar o contato visual e as vocali-
ção do objeto. Isso se chama zações intencionais para se
vocalização intencional. ................ comunicar deve-se utilizar essas
vocalizações intencionais com
Muitas vezes a vocalização da uma maior frequência. Então
criança não é intencional, por quando a criança quer um objeto
isso, inicialmente, quando a deve-se colocá-lo fora do alcance
criança emite um som deve-se dela e, em seguida, falar o nome
entregar o objeto imediatamente. do objeto, para que ela possa
Assim, ela associa a emissão do vocalizar. ....................................
som ao ganho do objeto. Nesses
momentos é primordial que esse
som seja de voz e não uma recla-
mação, um grunhido ou um
choro, porque caso ela chore e
consiga o objeto ela vai aprender
Ensinar a falar 47

Por exemplo, se a criança quer dimento pode frustrar e desmoti-


obter a bola deve-se tirá-la do var a criança de emitir vocaliza-
alcance quando ela tentar pegá-lo ções, uma vez que o custo de
e em sequência dizer “Bola” resposta torna-se muito alto.
apenas uma vez. Se ainda assim Assim, algumas crianças acabam
ela não fizer nenhuma vocaliza- desistindo de tentar falar para
ção deve-se dizer novamente obter o objeto e mudam o seu foco
“Bola” e mesmo se ela não vocali- atencional. Dessa forma, segurar
zar, na terceira vez deve-se repe- o objeto durante dois turnos de
tir a palavra “Bola” em tom de aproximadamente dois segundos
confirmação, como se ela houves- e entregar no terceiro estimula a
se dito a palavra e entregar o criança a observar a articulação
objeto mesmo ela não vocalizan- da face e associar com mais
do. .......................................................... facilidade a vocalização à obten-
ção do objeto. .......................................
Algumas pessoas adotam o
procedimento de só entregar o Se entre algum desses turnos a
objeto quando a criança vocaliza criança emitir algum som de voz
o u fa l a a pa l av ra d e fato. (não necessariamente a palavra
Entretanto, aprender a falar é dita perfeitamente) deve -se
muito di cil e esse tipo de proce- entregar o objeto imediatamente,
Ensinar a falar 48

mesmo que concomitantemente A partir do momento em que a


ela esteja usando o alcance dirigi- criança usa o olhar como um ato
do ou apontando. ............................... comunicativo e vocaliza com
intenção com frequência deve-se
Uma vez que a criança está voca- utilizar o mesmo procedimento
lizando intencionalmente, não para refinar sílabas e, até mesmo,
demanda-se que ela vocalize cada palavras. ..........................................
vez que ela quer um objeto, por-
que dessa forma ela vai aprender Inicialmente a criança era refor-
que, ao invés de vocalizar ela deve çado (obtinha o objeto que que-
olhar para pessoa e ficar esperan- ria) sempre que emitia um som de
do que ela fale a palavra as três voz, entretanto, quando essa
vezes consecutivas. .................... habilidade já está mais consolida-
da é possível exigir uma vocaliza-
Para evitar que a criança fique ção um pouco mais precisa.
sob controle da repetição conse- Inicialmente aceitava-se quando
cutiva da palavra deve-se entre- ela fazia “Hãm” para ganhar um
gar o objeto em metade das vezes objeto, agora, quando ela emitir
quando ela solicita-lo com um esse som, não se deve entregar o
gesto. Na outra metade deve-se objeto em questão imediatamen-
incitar a vocalização intencio- te. Dessa forma é recomendado
nal. ..........................................
Ensinar a falar 49

entregar o objeto quando a crian- Gradualmente a criança vai


ça fizer uma aproximação da melhorando a pronúncia, até que
palavra em questão, por exemplo, ela consiga dizer a palavra com-
quando a criança quiser o avião e pleta para fazer uma demanda.
ela fizer “Hãn” não tem de se
entregar o objeto, mas se ela fizer Após aumentar a freqüência de
um som próximo como “Aão” palavras deve-se iniciar o proces-
entrega-se o objeto. ....................... so de incitar frases, sempre
utilizando o mesmo procedimen-
Qualquer pequena aproximação to. .....................................................
que chegue mais próximo da
palavra em questão do que a Em um contexto em que a criança
vocalização que a criança fazia ainda não compreendeu a função
antes pode-se entregar o objeto da linguagem, ou seja que ela
mais rapidamente. Caso ela ainda não utiliza com consistên-
continue a vocalizar da mesma cia o olhar, os gestos ou as vocali-
forma é preciso fazer as três zações para se comunicar o que
repetições da palavra e entregar ela não é recomendado simples-
na terceira. Esse mesmo procedi- mente ensinar a linguagem por
mento é utilizado para melhorar palavras. .................................................
a pronúncia. ............... ................
A fala funcional é a capacidade de
estabelecer uma troca de mensagens
com o interlocutor, ou seja, através
da comunicação verbal passar uma
mensagem que gera um efeito no
ambiente ou na pessoa com quem
se está comunicando.
Ensinar a falar 51

Mesmo que a criança seja capaz É importante ressaltar que essas


de falar palavras, se ela não situações de ensino devem acon-
compreendeu a função da lin- tecem em um contexto de apren-
guagem ela vai falar pouco fre- dizagem positivo, sem que acon-
quentemente e pouco funcional- teça um excesso de aquisição do
mente. Quando ela já compreen- ponto de vista da linguagem para
deu a função da linguagem deve- a criança e o processo se torne
se aumentar a freqüência de aversivo. ........................................
vocalizações intencionais e se
estas já estiverem consistentes é Assim, o desenvolvimento da
preciso iniciar o processo de linguagem a partir do processo de
refinamento das aproximações incitação verbal deve ocorrer a
vocais. ...................................... partir das brincadeiras, em uma
contingência motivadora. ..........
Em sequência é necessário incitar
palavras e, quando o uso das
palavras já estiver frequente e
funcional deve-se iniciar o desen-
volvimento da construção de
frases, sempre utilizando o
modelo verbal para que a criança
imite. ........................................
Anotações
Considerações finais

Lembre-se que o autismo é um


transtorno bastante complexo
que exige estudo, consistência e
acima de tudo, afeto. Este livro
traz uma base para que você Para outras dicas, acesse:
possa sistematizar um pouco
mais a estimulação de seu filho
Inscreva-se
ou paciente. Aprofunde-se em
conteúdos com solidez e embasa-
mento científico. ................................ Curta

Indicamos fortemente a leitura


Siga
do livro Autismo: Compreender
e Agir em Família, Sally J. Rogers,
Geraldine Dawson e Laurie A.
Muito Obrigado! :)
Vismara. ...............................................

ACESSE AQUI