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Gestão

Ambiental

UNIPAC ON-LINE

Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC


CONHEÇA A AUTORA

VIVIANE ALVES BARBOSA

Viviane Alves Barbosa é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de Juiz
de Fora e mestre em Ensino de Ciências pela Universidade Federal de Ouro Preto. Atua há 15
anos como professora de Biologia e Meio Ambiente e atuou como tutora presencial do curso de
Aperfeiçoamento em Educação Ambiental a distância, ofertado pela Universidade Federal de Minas
Gerais na Universidade Aberta do Brasil (UAB) de Conselheiro Lafaiete. Participou de alguns cursos
de Aperfeiçoamento em Educação à Distância na Universidade Federal de Minas Gerais. Participou
de vários congressos e eventos na área de Ciências e Educação e possui trabalhos publicados
nos anais dos eventos: “III Encontro Regional de Ensino de Biologia -Faculdade de Educação da
Universidade Federal de Juiz de Fora” e “2º Encontro Internacional de Educação em Ciências, 15
anos de Journal of Science Education, Universidade Federal da Integração latino-Americana, FPTI –
Fundação Parque tecnológico Itaipu (UNILA)”.
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO .................................................................................................................................................. 6
UNIDADE I - O ESTUDO DA GESTÃO AMBIENTAL .................................................................................... 7
1.1- EDUCAÇÃO PARA GESTÃO AMBIENTAL ............................................................................... 8
1.2- CONCEITO DE GESTÃO AMBIENTAL .................................................................................... 10
1.3- OBJETIVOS DA GESTÃO AMBIENTAL .................................................................................. 11
1.4- GESTÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS .......................................................................................... 12
1.5 GESTÃO DA ÁGUA ....................................................................................................................... 14
1.6- REVISÃO DO CONTEÚDO ........................................................................................................ 16

UNIDADE II - IMPACTOS AMBIENTAIS E INSTRUMENTOS ................................................................... 17


DE AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS
2.1- IMPACTO AMBIENTAL .............................................................................................................. 18
2.2- ACIDENTE AMBIENTAL ............................................................................................................ 20
2.3-AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS (AIA) .............................................................. 21
2.4- LICENCIAMENTO AMBIENTAL ............................................................................................... 23
2.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 24

UNIDADE III - MEIO AMBIENTE E SUSTENTABILIDADE ........................................................................ 25


3.1- O MEIO AMBIENTE .................................................................................................................... 26
3.2- DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .................................................................................... 28
3.3- CONSUMO RESPONSÁVEL OU CONSCIENTE ................................................................... 30
3.4- PRODUÇÃO RESPONSÁVEL ................................................................................................... 31
3.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 32

UNIDADE IV - NORMAS DE SAÚDE E SEGURANÇA ............................................................................... 33


OCUPACIONAL(SSO) E DE GESTÃO AMBIENTAL (SGAs)
4.1- O CRESCIMENTO DA PREOCUPAÇÃO ................................................................................ 34
COM OS IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS
4.2- NORMA DE SAÚDE E SEGURANÇA ..................................................................................... 35
OCUPACIONAL (SSO)
4.3- NORMA DE SISTEMAS DE GESTÃO AMBIENTAL (SGAS) .............................................. 37
4.4 SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO (SIG) ............................................................................. 39
4.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 40

UNIDADE V - LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA ............................................................................ 42


5.1- BREVE HISTÓRICO DA LEGISLAÇÃO ................................................................................... 43
AMBIENTAL BRASILEIRA
5.2- POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE ...................................................................... 45
5.3- SANÇÕES CRIMINAIS E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS .................................................. 47
5.4- SISTEMA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE (SISNAMA).................................................. 49
5.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 50
UNIDADE VI - QUESTÕES AMBIENTAIS GLOBAIS ................................................................................... 51
6.1- A DESTRUIÇÃO DA CAMADA DE OZÔNIO........................................................................ 52
6.2- O EFEITO ESTUFA ...................................................................................................................... 53
6.3- A CHUVA ÁCIDA ........................................................................................................................ 55
6.4- O CRESCIMENTO POPULACIONAL ...................................................................................... 56
6.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 58

UNIDADE VII - ENERGIA .................................................................................................................................. 59


7.1- FONTES DE ENERGIA NÃO RENOVÁVEIS ........................................................................... 60
7.2 FONTES DE ENERGIA RENOVÁVEIS OU ............................................................................... 61
ENERGIAS ALTERNATIVAS
7.3- IMPACTOS AMBIENTAIS NA EXPLORAÇÃO ...................................................................... 63
E USO DA ENERGIA
7.4 POLÍTICAS NACIONAIS DE ....................................................................................................... 64
CONSERVAÇÃO DE ENERGIA
7.5- REVISÃO DO CONTEÚDO ....................................................................................................... 66

UNIDADE VIII - BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO ............................................................................. 67


DA BIODIVERSIDADE
8.1- A BIODIVERSIDADE BRASILEIRA .......................................................................................... 68
8.2- ESPÉCIES BRASILEIRAS AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO .................................................... 69
8.3- CONVENÇÃO DA DIVERSIDADE BIOLÓGICA .................................................................... 70
(CDB) E METAS DE AICHI
8.4- ÁREAS PROTEGIDAS E UNIDADES DE CONSERVAÇÃO................................................. 72
8.5 REVISÃO DO CONTEÚDO ......................................................................................................... 75

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................................................................. 76


APRESENTAÇÃO
Especialmente nas últimas décadas, com a disseminação das tecnologias de informação e comunicação,
novas perspectivas se abriram para a educação, surgindo um tipo de ensino baseado nessas tecnologias. A
educação à distância ou on-line surge como um importante recurso educacional, no qual professores e alunos
estão separados física e espacialmente, mas interagindo via internet.
Além da mudança em nossa concepção de espaço da aprendizagem, na educação à distância ou on-line
há uma alteração também no tempo de aprendizagem, ampliando a compreensão de que o tempo é o tempo
de cada um. O aluno se torna mais autônomo e independente uma vez que pode programar seu tempo de
estudo, sendo este mais flexível.
Diante deste novo contexto, a UNIPAC implantou o sistema de ensino à distância ou on-line em algumas
disciplinas de seus cursos de graduação, ampliando desta forma a inclusão digital e a educação para a
interatividade.
Neste semestre você irá cursar a disciplina Gestão Ambiental no formato à distância ou on-line. Ao final
desta disciplina, você será capaz de:
• Compreender o conceito de gestão ambiental, seus objetivos e aplicações de acordo com as exigências
legais;
• Conhecer Sistemas de gestão ambiental;
• Conhecer e entender os instrumentos de gestão ambiental;
• Conhecer e compreender os impactos ambientais assim como os acidentes ambientais;
• Entender as ferramentas para avaliação dos impactos ambientais;
• Perceber a urgência na busca pelo equilíbrio entre o meio ambiente, a sociedade e a economia;
• Identificar ações que fazem a diferença para a conquista do desenvolvimento sustentável;
• Conhecer a aplicação das normas ISO;
• Conhecer as políticas públicas voltadas para o meio ambiente e gestão ambiental;

Entender que através da educação para a gestão ambiental, poderemos resolver problemas ambientais,
econômicos e sociais uma vez que os principais problemas são geralmente ocasionados por falta de consciência
e conhecimento da população.
O Portal UNIPAC Virtual é o ensino de qualidade da Universidade Presidente Antônio Carlos mais próximo
de você!
Desejamos-lhe bons estudos!

6
UNIDADE I
O ESTUDO DA GESTÃO
AMBIENTAL

7
Na unidade 1 discutiremos a educa-
ção para a Gestão Ambiental, o concei-
to e os objetivos da Gestão Ambiental, e
também a importância de um Sistema de
Gestão Ambiental nas empresas. Além
disso, trataremos da Gestão de resíduos
sólidos e Gestão da água.
Ao final desta unidade o aluno será ca-
paz de perceber que através da Educação
para a Gestão Ambiental poderemos bus-
car o equilíbrio entre o meio ambiente, a
economia e a sociedade. Além de com-
preender a importância de um Sistema de
Gestão Ambiental e de entender alguns
de seus instrumentos e aplicações.
Considerando que somos cidadãos
conscientes e responsáveis pela situação
que se encontra nosso planeta, espera-
mos que através da construção do co-
nhecimento, o aluno seja capaz de avaliar Figura 1.0: O Meio Ambiente.
criticamente e atuar na busca de ações,
tanto individuais quanto coletivas, para que tenhamos uma sociedade mais justa e sustentável.

“Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade
deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil,
o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante,
devemos reconhecer que no meio de uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida,
somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar
forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos
humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é
imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros,
com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.”

(Trecho da Carta da Terra, um dos documentos éticos mais consistentes dos últimos anos, assumido pela
Unesco, representa a nova consciência ecológica da humanidade.)

1.1- EDUCAÇÃO PARA


GESTÃO AMBIENTAL SAIBA MAIS

A educação para a gestão ambiental é uma das A Educação para gestão am-
correntes da educação ambiental que tem como obje- biental foi formulada em âmbito go-
tivo responder aos desafios de se trabalhar uma edu- vernamental no Brasil por José da
Silva Quincas e Maria José Gualda,
cação voltada para o exercício da cidadania, no sen-
educadores da Divisão de Educação
tido do desenvolvimento da ação coletiva essencial
Ambiental do Ibama. Em julho de 1995 foi
para o enfrentamento dos conflitos socioambientais. É
realizado em Brasília um seminário para ela-
uma proposta social reformista, que analisa a impor- boração de um curso de pós-graduação lato
tância da ação coletiva no fortalecimento da cidadania sensu, que contou com um documento para
(LAYRARGUES, 2012). introduzir o tema aos participantes, no qual
definem meio ambiente como fruto do traba-
lho dos seres humanos, conectando o meio
natural ao social. Este documento acabou

8
elaboração e implementação de políticas públicas.
influenciando a elaboração de diretrizes para Para Carvalho (1992), se a educação quer realmente
operacionalização do programa nacional de transformar a realidade, não basta apenas a mudança
educação ambiental (Ibama,1997) que faz a de comportamentos, mas é necessária a intervenção
abordagem de conteúdos que levem a cami- nas condições do mundo em que as pessoas habitam,
nhos políticos de superação dos conflitos sendo a ação política necessária, oposta a tendência
socioambientais. conformista e normatizadora dos comportamentos.

Fonte: Sociedade e Meio Ambiente: a educação Vários e importantes documentos internacionais,


ambiental em debate. enfatizam a importância da educação ambiental pela
(BRASIL & SANTOS, 2007) sua relação com o exercício da cidadania, o que de-
monstra o seu compromisso com a formação da cul-
tura democrática. Leonardi (1997) esclarece que a
cidadania está baseada na consciência do cidadão
A Conferência de Tbilisi, realizada pertencer a uma coletividade, algo que
em 1977, foi considerada o marco con- ultrapassa seu interesse individual que
ceitual definitivo da educação ambiental por ventura se ponha antes do interesse
e apresenta uma visão crítica da realida- coletivo.
de bastante pertinente, mostrando que a Enfim, a educação para gestão ambiental
causa atual da degradação ambiental tem não difere da educação ambiental, ela apenas avan-
sua raiz no sistema cultural da sociedade ça no que se refere ao desenvolvimento da
industrial, cujo paradigma é pautado no cidadania e democracia ambiental. É neste
mercado competitivo, utilitarista e economi- contexto que ela passa a ganhar progressi-
cista. Assim, fortemente atrelado aos as- vo destaque entre os educadores brasileiros.
pectos políticos, econômicos Layrarques (2012) afirma que não é por acaso que
e socioculturais, o documento 50,2% dos programas analisados pelo Levantamento
de Tbilisi afirma que o proces- Nacional de Projetos de Educação Ambiental ado-
so de educação ambiental deve tam projetos de participação comunitária
proporcionar a construção de valores ou que o novo universo vocabular am-
e a aquisição de conhecimentos e atitu- bientalista possui palavras como
des voltadas para a participação res- cidadania ativa, descentralização
ponsável na gestão ambiental. e gestão participativa. Não é por
De acordo com Layrargues (2012), acaso também que um dos consensos
a educação para a gestão ambiental da comunidade ambiental brasileira
deve enveredar-se pela delimitação das é de que só a democracia levará à
relações sociais, pela identificação dos sustentabilidade, por meio da cria-
conflitos de uso dos recursos naturais, pela ção e fortalecimento de órgãos como os

SAIBA MAIS
A Conferência de Tbilisi, foi realizada pela Unesco em 1977, na
antiga União Soviética, sendo organizada a partir de uma parceria
entre a UNESCO o Programa de Meio Ambiente da ONU, PNUMA.
Nesta conferência foram elaboradas definições, objetivos, princípios e
estratégias para a educação ambiental no mundo.
Recomendação nº 1: “Um objetivo fundamental da educação
ambiental é lograr que os indivíduos e a coletividade compreendam a
natureza complexa do meio ambiente natural e do meio ambiente criado
pelo homem, resultante da integração de seus aspectos biológicos, físicos, sociais,
econômicos e culturais, e adquiram os conhecimentos, os valores, os comportamentos
e as habilidades práticas para participar responsável e eficazmente da prevenção
e solução dos problemas ambientais, e da gestão da questão da qualidade do meio
ambiente”.

9
Conselhos de meio Ambiente e as instâncias participa- De acordo com
tivas consultivas, a exemplo das audiências públicas. Mancuso (2006), a
gestão ambiental en-
globa um conjunto de
programas, políticas e
práticas administrativas
LEITURA OBRIGATÓRIA: voltadas para a saúde e segu-
rança das pessoas e para a proteção do
“Educação como instrumento de gestão
meio ambiente, eliminando ou minimizan-
ambiental numa perspectiva transdisciplinar”.
do os danos ambientais decorrentes da
Disponível em: http://www.cchla.ufrn.br/rmnatal/
atividade humana. Era comum acreditarmos
artigo/artigo/artigo01.pdf
que seriam necessários investimentos altíssimos para
reduzir os impactos causados ao meio ambiente pelas
empresas, porém, com a gestão ambiental muitas em-
presas acabam lucrando com a conquista de um mer-
1.2- CONCEITO DE GESTÃO cado novo, ecologicamente consciente.

AMBIENTAL Segundo Rohrich e Cunha (2004), gestão am-


biental diz respeito ao conjunto de políticas e práticas
administrativas e operacionais que levam em conta
Nas últimas décadas, o problema ambiental vem a saúde e a segurança das pessoas e a proteção do
ganhando espaço na mídia e sendo muito discutido meio ambiente por meio da eliminação ou mitigação de
em todos os segmentos da sociedade. Temos que ter impactos e danos ambientais decorrentes do planeja-
consciência da importância da preservação do meio mento, implantação, operação, ampliação, realocação
ambiente e da forma como sua adequada gestão pode ou desativação de empreendimentos ou atividades, in-
melhorar nossa qualidade de vida e a produtividade cluindo-se todas as fases do ciclo de vida do produto.
das empresas. É inevitável que precisamos modificar Os impactos negativos provocados pelas indús-
nossos comportamentos e nossos hábitos, para que trias, se devem, fundamentalmente à inexistência de
possamos viver em uma sociedade onde o desenvolvi- um modelo de gestão ambiental, sendo urgente a cria-
mento sustentável e a preservação do meio ambiente ção de uma nova mentalidade nas empresas e em to-
sejam prioridade. Um processo de gestão ambiental das as camadas da sociedade. Este modelo de gestão
deve abranger uma mudança de consciência, para deve estar voltado para a gestão de pessoas e dos
que possamos adotar formas de viver o presente, pen- processos empresariais, inclusive o financeiro. É no-
sando no futuro. tória que as empresas são beneficiadas, quando apre-
É certo que os problemas ambientais não surgi- sentam projetos de gestão ambiental, pois melhoram
ram de um dia para outro, mas são consequências de sua imagem perante a sociedade, ao mercado externo
um acúmulo de ações irresponsáveis ao longo de mui- e aos órgãos governamentais.
tos anos. A partir de 1970 que os problemas ambien-
tais assumiram um significado diferente, ganhando
peso nas decisões das empresas. Hoje o grande
desafio é fazer com que estas empresas e organi-
zações respeitem o meio ambiente, compartilhan-
do objetivos comuns, pautados no entendimento
de que não deve haver conflito entre crescimento
econômico e preservação ambiental.
A gestão ambiental visa o uso de ações que
possam diminuir o impacto ambiental causado por
diversas atividades econômicas, desde a esco-
lha das melhores técnicas até o cumprimento da
legislação e a alocação de recursos humanos e
financeiros. A constante evolução da Legislação
Ambiental e de instrumentos de gestão ambiental,
tem contribuído muito para o aperfeiçoamento das
técnicas e procedimentos para melhor adequar os Figura 1.1: Sistema de Getão Ambiental. Fonte: http://in3.dem.ist.utl.pt/novovidro/ineti-ita/sga.html

grandes projetos de engenharia às exigências de


proteção ambiental.

10
1.3- OBJETIVOS DA GESTÃO São procedimentos simples de gestão ambiental
AMBIENTAL que melhoram o desempenho ambiental e econômico
de uma organização:

Os principais objetivos da gestão ambiental são: • Minimização do desperdício de energia durante a


produção;
• Buscar melhoria da qualidade ambiental dos servi-
ços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer • Minimização do desperdício de água na produção;
organização pública ou privada; • Minimização da perda de matéria-prima utilizada
• Estabelecer uma política ambiental; na produção;

• Identificar e controlar os impactos ambientais; • Minimização da quantidade de resíduos, produzi-


dos durante a produção;
• Aplicar métodos que visem a preservação da
biodiversidade; • Minimização da poluição gerada durante a
produção.
• Definir e documentar tarefas, responsabilidades e
procedimentos;
• Identificar, monitorar e cumprir requisitos legais; De acordo com a norma NBR-ISO 14.000, os ob-
jetivos da gestão ambiental são:
• Estabelecer objetivos, metas e medir desempenho
ambiental; • Implementar, manter e aprimorar um sistema de
gestão ambiental;
• Treinar funcionários e colaboradores externos ou
parceiros;
• Atender e evitar situações de emergência e riscos • Assegurar-se de sua conformidade com sua políti-
ambientais; ca ambiental definida;

• Identificar oportunidades de negócios ambientais; • Demonstrar tal conformidade a terceiros;

• Manter, em conjunto com a área de segurança do • Buscar certificação/ registro do seu sistema de
trabalho, a saúde dos trabalhadores; gestão ambiental por uma organização externa;

• Produzir produtos ou serviços ambientalmente • Realizar uma auto - avaliação e emitir auto – de-
compatíveis; claração de conformidade com esta Norma.

• Produzir mais com o menor impacto ambiental


possível;

SAIBA MAIS

O que é ISO? É a sigla de International Organization for Standardization,


ou em português: Organização Internacional para Padronização. É uma
entidade de padronização e normatização, foi criada em Genebra, na Suíça,
em 1947, com o objetivo de criar normas nos mais diferentes segmentos de
diversas áreas. Ficou popularizada pela série 9000, cujas normas tratam de
Sistemas para Gestão e Garantia da Qualidade nas Empresas.

O que é ISO 14001? A norma ISO 14001 é uma ferramenta criada


para auxiliar empresas a identificar, priorizar e gerenciar seus riscos ambientais como parte de
suas práticas usuais. A norma faz com que a empresa
dê uma maior atenção às questões mais relevantes
de seu negócio. A ISO 14001 exige que as empresas
se comprometam com a prevenção da poluição e com
melhorias contínuas, como parte do ciclo normal de
gestão empresarial.

11
• Cria metas importantes que irão contribuir para a
eliminação dos lixões;
LEITURA OBRIGATÓRIA:
Aplicação de programas de gestão • Institui instrumentos de planejamento nos níveis
ambiental: nacional, estadual, microrregional, intermunicipal
“Aplicação do Sistema de Gestão Ambiental e metropolitano e municipal;
(SIGA) na análise e seleção de áreas para a regulari-
zação ambiental de reservas legais em propriedades
• Impõe que os particulares elaborem seus Planos
da VALE S.A.”, publicado nos Anais do XV Simpósio
de Gerenciamento de Resíduos Sólidos.
Brasileiro de Sensoriamento Remoto - SBSR, Curitiba,
PR.

Disponível em: http://www.dsr.inpe.br/sbsr2011/file

s/p1240.pdf

“Sistema de Gestão Ambiental (SGA): uma aplicação


na reciclagem de papel com fibra de bananeira”, publica-
do na Revista Brasileira de Gestão e Desenvolvimento
Regional, v. 7, n. 2 (2011).

Disponível em: http://www.rbgdr.net/revista/index.php/ Figura 1.2: Resíduos Sólidos. Fonte: http://ecofuturoengenharia.com.br/gestao-de-


rbgdr/article/view/425/242 residuos-solidos-em-foz-do-iguacu/ Acesso em 10/11/2015

Além disso, a Lei de Política Nacional de Resíduos


Sólidos traz novos conceitos e novas ferramentas à
ACESSE: Legislação Ambiental Brasileira:
Vídeo corporativo SGA - Sistema de Gestão Ambiental • Gestão integrada de resíduos sólidos – inclui
- Grupo Positivo. Disponível em: ações voltadas para a busca de soluções para
os resíduos sólidos, incluindo os planos nacional,
estaduais, microrregionais, intermunicipais, muni-
https://www.youtube.com/watch?v=wIl3BX7g2XU cipais e os de gerenciamento. Estes devem tra-
tar de questões como coleta seletiva, reciclagem,
inclusão social e participação da sociedade civil.
Envolve também os resíduos de serviços de saú-
de, da construção civil, de mineração, de portos,
1.4- GESTÃO DE aeroportos, fronteira e industriais.
RESÍDUOS SÓLIDOS
• Responsabilidade compartilhada – oficializou a
A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional responsabilidade compartilhada de toda a so-
de Resíduos Sólidos (PNRS), contém instrumentos im- ciedade na gestão dos resíduos sólidos urba-
portantes para que o país possa enfrentar os principais nos. A cada setor foi atribuído diferentes papeis
problemas ambientais, sociais e econômicos decorren- com os seguintes objetivos: redução da geração
tes da grande produção e do manejo inadequado des- de resíduos sólidos; redução do desperdício de
tes resíduos. Esta lei: materiais; redução da poluição; redução dos da-
• Prevê a prevenção e a redução na geração de nos ambientais; estímulo ao desenvolvimento de
resíduos, através da prática de hábitos de consu- mercados, produção e consumo de produtos de-
mo sustentável, aumento da reciclagem e reutili- rivados de materiais reciclados e recicláveis.
zação dos resíduos sólidos além da destinação
adequada dos rejeitos; • Logística reserva – engloba diferentes atores so-
ciais na responsabilização da destinação ambien-
• Institui a responsabilidade compartilhada dos ge- talmente adequada dos resíduos sólidos. Gera
radores de resíduos: dos fabricantes, importado- obrigações para setor empresarial de realizar o
res, distribuidores, comerciante, o cidadão e titu- recolhimento de produtos e embalagens pós-con-
lares de serviço de manejo dos resíduos sólidos sumo além de reassegurar seu reaproveitamen-
urbanos; to no mesmo ciclo e garantir sua inserção em

12
outros ciclos produtivos. O sistema de logística A Política dos 5 R’s faz parte de um processo edu-
reserva é obrigatório para as seguintes cadeias: cativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos
Agrotóxicos, seus resíduos e embalagens; pilhas no cotidiano dos cidadãos. A questão chave é levar o
e baterias; pneus; óleos lubrificantes, seus resí- cidadão a repensar suas práticas e valores, reduzin-
duos e suas embalagens; lâmpadas fluorescen- do o consumo exagerado e o desperdício. Os 5 R’s
tes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista; significam:
produtos eletroeletrônicos e seus componentes; • Reduzir;
produtos comercializados em embalagens plásti-
cas, metálicas ou de vidro. • Repensar;
• Reaproveitar

• Inclusão social de catadores – proibiu o exercí- • Reciclar;


cio das atividades de catadores em lixões, pois • Recusar consumir produtos que gerem impactos
no Brasil muitas pessoas viviam daquilo que en- socioambientais significativos.
contravam no lixo. É necessário integrar estas
pessoas na cadeia de reciclagem e, desta forma,
promover a cidadania destes trabalhadores com
inclusão social e geração de emprego e renda.

Figura 1.3: Charge. Fonte: http://www.cpap.embrapa.br/ Acesso em 10/11/2015

De acordo com Brasil, Santos e Simão (2004), a


geração de resíduos, principalmente pelas indústrias,
gerou prejuízo para elas e para o meio ambiente.
Diante disto, passou-se a exigir uma política específi-
ca integrada ao gerenciamento de resíduos, que nada Figura 1.4: 5 R’s. Fonte: freepik.com

mais é do que um conjunto de ações que envolvam


desde a geração de resíduos, seu manejo, coleta, tra-
tamento e disposição adequada. As vantagens dessas práticas estão:

É importante destacar que as preocupações com • Na redução da extração dos recursos naturais;
a coleta, o tratamento e a destinação dos resíduos • Na redução dos resíduos e aumento de sua vida
sólidos, representa apenas uma parte do problema útil;
ambiental e vale lembrar que ela é precedida por uma
• Na redução dos gastos do poder público com o
outra ação impactante sobre o meio ambiente – a ex-
tratamento do lixo;
tração de recursos naturais.
• Na redução do uso de energia das industrias e
intensificação da economia local (sucateiros, ca-
tadores, etc).

A coleta seletiva é uma das ações mais impor-


tantes para a redução do volume de resíduos sólidos
gerados pela população e também pelas indústrias. A
implantação de um modelo de coleta seletiva pode ser
a primeira etapa para a implantação de um Sistema de
Gestão Ambiental em uma organização, que viabiliza
a obtenção de uma certificação ambiental da série ISO
14.000.

13
Existe um padrão de símbolos e cores utilizadas 1.5 GESTÃO DA ÁGUA
nos recipientes para a coleta seletiva. Não se sabe
qual o critério usado na criação dos padrões, mas a
diferenciação por cores é usada no mundo todo.

Figura 1.5: Água, uma necessidade mundial.

O Sistema de gestão da água ou dos recursos


hídricos tem como objetivo garantir a disponibilidade
deste precioso recurso às futuras gerações. O governo
brasileiro, consciente disto e da importância que tem a
correta gestão da água em âmbito nacional, assinou
diversos tratados e convenções internacionais, relacio-
LEITURA OBRIGATÓRIA: nados de forma direta ou indireta a este tema. Alguns
Leis e Planos de gerenciamento de resí- exemplos destes acordos são:
duos sólidos • Cúpula do Milênio;
Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010. • Agenda 21;
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
• Convenção de Ramsar;
ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm
• Protocolo de Quioto;
• Convenção da ONU sobre mudança do clima;
Plano de gerenciamento de resíduos sólidos do
Ministério do Meio Ambiente. • Combate à Desertificação, entre outros.
Disponível em: http://www.mma.gov.br/images/arqui-
vo/80063/Plano%20de%20Gerenciamento/Plano%20 No Brasil, na Constituição Federal de 1934, foi
de%20Gerenciamento%20do%20MMA_FINAL_ aprovado o Código de Águas, mas naquele momen-
PUBLICACAO.pdf to não havia muita preocupação com o meio ambien-
te ou com a escassez de água. Somente em 1997,
foi instituída uma legislação específica para tratar da
gestão das águas, a Lei de nº 9.433/97, que trata da
ACESSE: Política Nacional dos Recursos Hídricos, a qual ado-
Viver Ciência - Gerenciamento de resíduos tou um sistema de gestão integrada em concordância
sólidos com as discussões geradas nas diversas conferências
internacionais.
De acordo com Machado (2003), o Brasil tem um
https://www.youtube.com/watch?v=4sW_YV-ljr8
dos regimes jurídicos mais avançados do mundo em
relação à gestão das águas. A Lei 9.433/97 considera
a água como bem ambiental, recurso natural limitado
e dotado de valor econômico. Além disso, assegura
que sua gestão deve ser descentralizada e propor-
cionar usos múltiplos nas bacias hidrográficas. A Lei
das águas estabelece a Política Nacional de Recursos
Hídricos que trata da indenização por danos, respon-
sabilidade criminal, penal e administrativa em relação
as questões relativas à água.

14
A distribuição irregular, o mau uso e a poluição
dos recursos hídricos nos leva a preocupar com um
uso mais adequado e não abusivo, sob pena de com-
prometermos as futuras gerações. Além disso, a água LEITURA OBRIGATÓRIA:
em quantidade ou qualidade não adequada é fator de
Gestão da Água no Brasil
saúde pública, pois pode causar diversas doenças na
população. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/
images/0012/001298/129870POR.pdf
É notório que a produção industrial consome muita
água. Assim sendo, uma empresa, ao adotar um siste-
ma de gestão ambiental, deve preocupar-se em evitar
desperdícios de água, fazendo campanhas preventi-
vas e adotando medidas que minimizem a utilização ACESSE:
deste recurso, o que muitas vezes reverterá em lucros Indústria busca sustentabilidade na gestão da
para a empresa. Um outro problema ocasionado pelo água.
não tratamento dos efluentes líquidos das indústrias
é a poluição dos mananciais hídricos por substâncias
tóxicas. http://www.envolverde.com.br/especial-agua/
Neste contexto, gerenciar a água, é a base para o industria-busca-sustentabilidade-na-gestao-da-
sucesso de todos os empreendimentos industriais. As agua/
águas primárias captadas, os tratamentos de efluen-
tes, as águas de reuso, os lançamentos nos corpos
hídricos receptores, enfim, o balanço das matrizes
de água de uma indústria é indissociável do balanço Anotações
hídrico natural. Otimizar o uso do recurso, reduzindo
custos sociais, ambientais e econômicos, é um desafio _________________________________________
para a indústria moderna.
_________________________________________
Para que uma indústria possa desenvolver um
_________________________________________
bom plano de gestão hídrica, é necessário:

_________________________________________
• Conhecer os mananciais, os fluxos de água e os
balanços hídricos em seus processos produtivos; _________________________________________
• Incorporar na gestão dos negócios práticas vol-
_________________________________________
tadas ao uso racional da água e à conservação
dos recursos hídricos, considerando a correla-
_________________________________________
ção dos dados físico-ambientais com os dados
econômicos;
_________________________________________
• Identificar, quantificar e gerenciar os riscos asso-
ciados ao uso dos recursos hídricos ao longo da _________________________________________
cadeia produtiva para garantir a perenidade dos
negócios; _________________________________________
• Participar ativamente dos fóruns de recursos hí-
dricos, conhecer as condições locais e envolver- _________________________________________
se com demais usuários de água;
_________________________________________
• Assegurar e aprimorar a transparência na divul-
gação de informações sobre o uso da água e o
_________________________________________
lançamento de efluentes nos relatórios de susten-
tabilidade e para todas as partes interessadas;
_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

15
1.6- REVISÃO DO CONTEÚDO

• A educação para a gestão ambiental é uma das uma política específica integrada ao gerenciamen-
correntes da educação ambiental, que tem como to de resíduos, que nada mais é do que um con-
objetivo responder aos desafios de se trabalhar junto de ações que envolvam desde a geração de
uma educação ambiental voltada para o exercício resíduos, seu manejo, coleta, tratamento e disposi-
da cidadania, no sentido do desenvolvimento da ção adequada.
ação coletiva essencial para o enfrentamento dos
conflitos socioambientais.
• A Política dos 5 R’s faz parte de um processo edu-
cativo que tem por objetivo uma mudança de hábi-
• O processo de gestão ambiental deve abranger tos no cotidiano dos cidadãos, a questão chave é
uma mudança de consciência, para que possa- levar o cidadão a repensar suas práticas e valores,
mos adotar formas de viver o hoje, pensando no reduzindo o consumo exagerado e o desperdício.
amanhã. Os 5 R’s significam: Reduzir; Repensar; reaprovei-
tar; Reciclar e Recusar consumir produtos que ge-
rem impactos socioambientais significativos.
• A gestão ambiental visa o uso de ações que pos-
sam diminuir o impacto ambiental causado por
diversas atividades econômicas, desde a esco- • No Brasil, na Constituição Federal de 1934, foi apro-
lha das melhores técnicas até o cumprimento da vado o Código de Águas, mas naquele momento
legislação e a alocação de recursos humanos e não havia muita preocupação com o meio ambien-
financeiros. te ou com a escassez de água. Somente em 1997,
foi instituída uma legislação específica para tratar
da gestão das águas, a Lei de nº 9.433/97, que
• Os impactos negativos provocados pelas indús- trata da Política Nacional dos Recursos Hídricos,
trias, se devem, fundamentalmente à inexistência a qual adotou um sistema de gestão integrada em
de um modelo de gestão ambiental, sendo urgente concordância com as discussões geradas nas di-
a criação de uma nova mentalidade nas empresas versas conferências internacionais.
e em todas as camadas da sociedade. Este mode-
lo deve estar voltado para a gestão de pessoas e
dos processos empresariais, inclusive o financeiro. Anotações
_________________________________________
• Os principais objetivos da Gestão ambiental são:
Buscar melhoria da qualidade ambiental dos servi-
_________________________________________
ços, produtos e ambiente de trabalho de qualquer
organização pública ou privada; Estabelecer uma
_________________________________________
política ambiental; Identificar e controlar os impac-
tos ambientais; Aplicar métodos que visem a pre-
_________________________________________
servação da biodiversidade; Definir e documen-
tar tarefas, responsabilidades e procedimentos;
_________________________________________
Identificar, monitorar e cumprir requisitos legais;
Estabelecer objetivos, metas e medir desempenho
_________________________________________
ambiental; Treinar funcionários e colaboradores
externos ou parceiros; Atender e evitar situações
_________________________________________
de emergência e riscos ambientais; Identificar
oportunidades de negócios ambientais; Manter,
_________________________________________
em conjunto com a área de segurança do traba-
lho, a saúde dos trabalhadores; Produzir produtos
_________________________________________
ou serviços ambientalmente compatíveis; Produzir
mais com o menor impacto ambiental possível.
_________________________________________

• A geração de resíduos sólidos, principalmente pe- _________________________________________


las indústrias, gerou prejuízo para elas e para o
meio ambiente. Diante disto, passou-se a exigir _________________________________________

16
UNIDADE II
IMPACTOS AMBIENTAIS
E INSTRUMENTOS
DE AVALIAÇÃO DOS
IMPACTOS

17
Na unidade 2 apresentaremos o con-
ceito de Impacto Ambiental e de Acidente
Ambiental. Além disso, discutiremos so-
bre a Avaliação dos Impactos Ambientais
e suas ferramentas ou instrumentos.
Ao final desta unidade o aluno será
capaz de compreender os Impactos e os
Acidentes Ambientais, assim como os
elementos de avaliação destes impac-
tos, conscientizando-se da importância
destes procedimentos em um sistema de
gestão ambiental.
Considerando que somos cidadãos
conscientes e responsáveis pela situa-
ção que se encontra nosso planeta, es-
peramos que através da construção do
conhecimento, o aluno seja capaz de
Figura 2.0: Mina de ferro.
avaliar criticamente e atuar na busca de
ações, tanto individuais quanto coletivas,
para que tenhamos uma sociedade mais justa e sustentável.

“Chego à sacada e vejo a minha serra, a serra de meu pai e meu avô, de todos os Andrades
que passaram e passarão, a serra que não passa. Era coisa dos índios e a tomamos para enfeitar
e presidir a vida neste vale soturno onde a riqueza maior é sua vista e contemplá-la. De longe
nos revela o perfil grave. A cada volta de caminho aponta uma forma de ser, em ferro, eterna, e
sopra eternidade na fluência. Esta manhã acordo e não a encontro. Britada em bilhões de lascas
deslizando em correia transportadora entupindo 150 vagões no trem-monstro de 5 locomotivas - o
trem maior do mundo, tomem nota - foge minha serra, vai deixando no meu corpo e na paisagem
mísero pó de ferro e este não passa.”

(Carlos Drummond de Andrade – Drummond escreveu o poema em 1973, no qual lamentava a


desfiguração da sua Itabira pelos efeitos da mineração desenfreada)

2.1- IMPACTO AMBIENTAL - Conselho Nacional de Meio Ambiente - impacto am-


biental é:
“Qualquer alteração das propriedades físicas, quí-
Para que possamos entender melhor um Sistema
micas e biológicas do meio ambiente, causada por
de Gestão Ambiental, temos que entender o que é
qualquer forma de matéria ou energia resultante das
Impacto Ambiental, uma vez que a gestão ambiental
atividades humanas, que direta ou indiretamente afeta:
visa evitar ou minimizar a carga negativa que os im-
pactos provocam no meio ambiente, causando sobre- a) a saúde;
tudo danos ecológicos e econômicos. b) a segurança e o bem estar da população;
O impacto ambiental é qualquer alteração no meio c) as atividades sociais e econômicas;
ambiente, resultante de ações ou atividades humanas
d) a biota;
que afetam a saúde e a segurança das pessoas, as
atividades sociais e econômicas, a flora e a fauna de e) as condições estéticas e sanitárias do meio
uma região, as condições estéticas e sanitárias do am- ambiente;
biente e a qualidade dos recursos naturais. f) a qualidade dos recursos ambientais”.
Segundo a Resolução 001/86 do CONAMA

18
De que valeu, em suma, a suma lógica
Do máximo consumo de hoje em dia,
SAIBA MAIS Duma bárbara marcha tecnológica
E da fé cega na tecnologia?
O que é CONAMA? É o Conselho
Há só um sentimento que é de dó e de
Nacional do meio Ambiente, órgão con-
Malogro...
sultivo e deliberativo do Sistema nacio-
nal do Meio Ambiente – SISNAMA. Foi
instituído pela Lei 6.938/81, que dispõe É fogo... é fogo...
sobre Política Nacional do meio Ambiente, regu- É fogo... é fogo...
lamentada pelo Decreto 99.274/90.
O Conselho é um colegiado representativo Doce morada bela, rica e única,
de cinco setores: órgãos federais, estaduais e Dilapidada só como se fôsseis
municipais; setor empresarial e sociedade civil. A mina da fortuna econômica,
A fonte eterna de energias fósseis,
O que será, com mais alguns graus
Celsius,
De um rio, uma baía ou um recife,
Ou um ilhéu ao léu clamando aos céus,
se os
Mares subirem muito, em Tenerife?
Por sua vez, a NBR ISO 14001 define impacto am- E dos sem-água, o que será de cada
biental como sendo: súplica,
“Qualquer modificação do meio ambiente, De cada rogo
adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em
parte, das atividades, produtos ou serviços de É fogo... é fogo...
uma organização.” É fogo... é fogo...
O modelo de gestão ambiental adotado por uma
Em tanta parte, do ártico à Antártida
empresa não deve estar atento apenas aos possíveis
Deixamos nossa marca no planeta:
impactos ambientais negativos causados ao meio am-
Aliviemos já a pior parte da
biente e à sociedade, mas também à repercussão eco-
Tragédia anunciada com trombeta.
nômico-financeira que os mesmos podem represen-
O estrago vai ser pago pela gente toda
tar para a empresa e para a sociedade.
(REIS & QUEIROZ, 2004).
É foda! (É fogo)
É fogo! (É fogo)
OUÇA A MÚSICA: “É Fogo!”, de É fogo! (É fogo)
Lenine e Carlos Rennó e identifique os É a vida em jogo!
impactos ambientais.
É foda! (É fogo)
Éramos uma pá de apocalípticos,
É fogo! (É fogo)
De meros hippies, com um falso alar-
É fogo! (É foda!)
me...
É a vida em jogo!
Economistas, médicos, políticos
Apenas nos tratavam com escárnio.
Composição: Lenine / Carlos Rennó
Nossas visões se revelaram válidas,
E eles se calaram mas é tarde.
As noites tão ficando meio cálidas...
E um mato grosso em chamas longe
arde
O verde em cinzas se converte logo,
logo...
É fogo... é fogo...

Éramos uns poetas loucos, místicos


Éramos tudo o que não era são;
Agora são com dados estatísticos
Os cientistas que nos dão razão.

19
2.2- ACIDENTE AMBIENTAL 1976- Nuvem tóxica em Severo
Em Severo, cidade italiana perto de Milão, a
fábrica Hoffmann Roche liberou densa nuvem de uma
dioxina (Tetracloro Dibenzeno Dioxina – TCDD), um
desfolhante (agente laranja) altamente venenoso. Em
virtude do acidente ocorreram abortos e nascimento
de crianças sem cérebro (anencefalia) e com
deformações físicas. Mais ou menos 5.000 italianos
foram vítimas desse acidente.

1984- Bhopa

O vazamento de 25 toneladas de isocianato de
Figura 2.1: Acidente no Golfo do México.
Fonte: http://www.pipocadebits.com/2010/06/algumas-das-vitimas-do-vazamento-no.html metila ocorrido em Bhopal, Índia, causou a morte de
3.000 pessoas e a intoxicação de mais de 200.000. O
acidente foi causado por uma fábrica fornecedora da
Os acidentes ambientais são impactos ambientais Union Carbide
que fugiram ao controle das organizações. Um aciden-
te ambiental pode ser considerado uma situação de
risco à saúde ou mesmo morte dos funcionários em 1986- Chernobyl
atividades naquele momento ou mesmo da população
que vive próxima à organização envolvida. A ocorrên- Explosão do reator da Usina Chernobyl (na atual
cia de alguns acidentes de proporções catastróficas, Ucrânia), causada pelo desligamento do sistema de
tanto para os funcionários, como para o meio ambien- refrigeração com o reator ainda em funcionamento.
te e comunidades circundantes, chamou a atenção da Provocou um incêndio que durou uma semana,
importância do controle mais rigoroso de processos lançando na atmosfera um volume de radiação
industriais. cerca de 30 vezes maior que o da bomba atômica
Em virtude de grandes acidentes, muitas organi- de Hiroshima. Ocorreram 80 mortes e 2.000 pessoas
zações estão preocupadas cada vez mais em atingir e foram levadas aos hospitais. Supõe-se que o acidente
demonstrar o seu empenho em proteção ao meio am- provocou câncer em 135.000 pessoas no prazo de
biente e ao trabalhador, controlando riscos de aciden- cinco anos e continuará provocando nos próximos 150
tes e doenças provenientes de suas atividades. Tal ati- anos, por mutação genética nos descendentes.
tude se insere no contexto de uma legislação cada vez
mais exigente, do desenvolvimento de políticas eco-
nômicas, trabalhistas e previdenciárias, além de uma
1989- Exxon Valdez
crescente preocupação das partes interessadas em
O navio-tanque Exxon- Valdez, após sofrer uma
relação à responsabilidade social (SEIFFERT,2010).
colisão, foi responsável pelo vazamento no Alasca de
cerca de 44 milhões de litros de petróleo. Considerado
o pior da história dos Estados Unidos, poluiu água,
ilhas e praias da região. Morreram milhares de
animais.

2000- Acidente da Baía de


Guanabara
A partir de uma falha na operação de um duto
na Petrobras, houve o vazamento de 1,3 milhão
de litros de óleo, contaminando as águas da Baía
de Guanabara, no Rio de Janeiro. A contaminação
Figura 2.2: Cidade de Mariana destruida por vazamento de baarragem de minerios em Minas. atingiu praias da ilha de Paquetá e a Área de Proteção
Fonte: Greenpeace. Ambiental de Guapimirim.

20
2000- Nuvem tóxica em Severo 2.3-AVALIAÇÃO DOS IMPACTOS
AMBIENTAIS (AIA)
Ocorreu o vazamento de óleo pelo rompimento
de um duto sem válvula de segurança na área do ole-
oduto pertencente à Petrobras em São Francisco do
Sul (SC), provocando o derramamento de cerca de
4 milhões de litros de óleo bruto. Sua contaminação
estendeu-se por uma área grande, atingindo o Arroio
Saldanha, deste para o Rio Barigui e, em seguida,
para o Rio Iguaçu, formando mancha superior a 8 km.
Isto provocou a morte de cerca de 60% dos animais
atingidos.

2002- Prestige

O petroleiro Prestige, que pertence à firma grega
Maré Shipping, encalhou diante do literal da Galícia
Figura 2.3: Equilíbrio. Fonte: http://ecoworkambiental.wordpress.com/2011/08/
(noroeste da Espanha), vindo a afundar a 350 Km da Acesso em 20/11/2015
costa espanhola e derramamento no mar 20 mil tone-
ladas de óleo, segundo dados do Greenpeace. O va-
zamento prejudicou a indústria pesqueira da Galícia,
deixando na época 4.000 pescadores e 28 mil traba- A Avaliação dos Impactos Ambientais (AIA), foi
lhadores temporariamente sem trabalho e um número prevista na Lei 6.938, de 31 de agosto de 1981, Lei de
indeterminado de aves marinhas mortas ou cobertas Política Nacional de Meio Ambiente, mas foi utilizada a
de óleo. partir da resolução do CONAMA 001 de 1986.
De acordo com Reis e Queiroz (2004), esta ava-
liação, por ser um instrumento de Política Ambiental,
2015- Samarco é de competência de entidade pública e requer proce-
dimentos que assegurem o efetivo acompanhamento
Rompimento da barragem de rejeitos da minera- do processo de avaliação desde o início ou origem
dora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-aus- dos impactos. Ela deve ser sempre realizada anterior-
traliana BHP. Causou uma enxurrada de lama que mente à implantação da empresa ou atividade e deve
inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, considerar qual o risco ambiental eventualmente pro-
em Mariana, na Região Central de Minas Gerais. vocado ao meio ambiente, além de adotar medidas mi-
Sessenta bilhões de litros de rejeitos de mineração de tigadoras do impacto causado ao meio ambiente. Esta
ferro foram despejados ao longo de mais de 500 km na avaliação deve ter participação pública, envolvendo a
bacia do rio Doce, a quinta maior do país. O rio Doce sociedade, os responsáveis pelo impacto, o órgão li-
foi transformado em uma correnteza espessa de terra cenciador, o ministério público, etc.
e areia e o abastecimento de água de cerca de 500
mil pessoas foi suspenso. Toda a flora e fauna aquáti-
ca morreram e a força da lama ainda arrastou a mata
ciliar. SAIBA MAIS
ACESSE: O que são medidas mitigadoras?
E saiba mais sobre o acidente da Samarco em São ações capazes de diminuir o im-
Mariana Minas Gerais. pacto negativo, ou sua gravidade, não
compensando danos. A medida miti-
http://g1.globo.com/minas-gerais/
noticia/2015/11/barragem-de-rejeitos-se-rompe-
gadora tem objetivo de adotar medi-
em-distrito-de-mariana.html das para suprimir, atenuar, eliminar ou reduzir
as consequências prejudiciais de uma obra ou
atividade, enquanto a medida de compensação
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas- é utilizada quando não é possível mitigar um
noticias/2015/11/06/o-que-se-sabe-sobre-o- impacto.
rompimento-das-barragens-em-mariana-mg.htm

21
A Resolução do CONAMA nº001/86, prevê casos do National Environmental Protection Act (NEPA).
nos quais o Licenciamento Ambiental das atividades Segundo Dias (1999), em 1975, um grupo de 34 paí-
impactantes do meio ambiente exige EIA e RIMA. São ses de terceiro mundo elaborou um documento de pro-
alguns exemplos: teção ao meio ambiente, aprovado pela Assembleia
Geral das Nações Unidas, no qual foi prevista a neces-
• Ferrovias;
sidade de se elaborar um EIA. Naquele momento, o
• Aeroportos; Brasil manifestou-se contra esta necessidade, mas em
1981, a Lei 6.938 de 31 de agosto – Política Nacional
• Portos de terminais de minério, petróleo e pro- do Meio Ambiente – inclui a realização do EIA entre
dutos químicos; os seus instrumentos de avaliação de impactos am-

Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos, bientais. Em 1986, o EIA foi regulamentado através da
coletores e emissários de esgotos sanitários; Resolução CONAMA 001/86.

• Obras hidráulicas para exploração dos recursos


hídricos; O Estudo do Impacto Ambiental possui certas
características:
• Extração de minério e de combustível fóssil;

• Aterros sanitários;
1.
A AIA não é um documento eminentemente
• Usinas de geração de eletricidade; técnico científico. Deve ser considerado, tam-
bém, a sua vertente política. Engloba, portan-
• Distritos industriais e zonas estritamente to, o EIA e o RIMA e todo ritual do processo de
industriais; Licenciamento Ambiental, inclusive da participa-
• Projetos urbanísticos acima de 100 hectares, ção Pública;
entre outros.
2. A AIA é um documento destinado a proporcio-
nar a informação acerca do potencial impacto no
ambiente do projeto proposto;
SAIBA MAIS
O que é EIA? Estudo de Impacto 3. A AIA deve considerar: alternativas para o pro-
Ambiental. É um dos elementos da AIA, jeto de desenvolvimento proposto e métodos de
de caráter técnico científico, com a fi- redução do impacto e custos relacionados;
nalidade de subsidiar a autoridade am-
biental sobre o licenciamento ambiental
de uma obra, atividade ou empreendimento. 4. A AIA deve: proporcionar uma interligação entre
O que é RIMA? Relatório de Impacto ao Meio as partes a serem consultadas;
Ambiente. É um dos elementos da AIA, que re-
presenta o resumo do EIA, elaborado por espe-
cialistas, com a finalidade de subsidiar o público 5. A AIA é um mecanismo ou instrumento de prote-
em geral, sobre os impactos ambientais decor- ção ambiental. (REIS & QUEIROZ, 2004, p.19).
rentes da implantação de uma obra ou atividade
modificadora do meio ambiente.

A exigência destes dois elementos (EIA e RIMA),


cabe exclusivamente ao poder público. Entenda-se
como Poder Público o órgão Federal, representado
pelo IBAMA; os órgãos estaduais de controle ambien-
tal, as prefeituras municipais e o Ministério Público
Federal ou Estadual.
O Estudo do Impacto Ambiental teve sua origem
nos Estados Unidos. Foi aprovado e instituído em
1969, após aprovação pelo Congresso Americano

22
2.4- LICENCIAMENTO AMBIENTAL estabelecem procedimentos para o licenciamento
ambiental; e na Lei Complementar nº 140/11, que
fixa normas de cooperação entre as três esferas da
administração (federal, estadual e municipal) na de-
fesa do meio ambiente.
As etapas do Licenciamento ambiental são:
• Licença Prévia (LP) – deve ser solicitada na
fase de planejamento da implantação, alteração ou
ampliação do empreendimento.
• Licença Instalação (LI) – aprova os projetos
ou autoriza o início da obra ou empreendimento.
É concedida depois de atendidas as condições de
Licença Prévia.
• Licença de Operação (LO) – autoriza o iní-
cio do funcionamento da obra ou empreendimento.
É concedida depois de atendidas as condições da
Licença de Instalação.

Figura 2.4: Meio Ambiente.

O licenciamento ambiental é um dos instrumen-


tos da gestão ambiental, sendo um -procedimento
administrativo que tem como objetivo licenciar a
instalação, ampliação, modificação e operação de
atividades e empreendimentos que utilizam recur-
sos naturais ou que causam poluição e degradação
ambiental. Deve ser realizado pelo órgão ambiental
competente, podendo ser federal, estadual ou muni-
cipal, mas em alguns casos pode ser realizado tam-
bém pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Figura 2.5: Charge. Fonte: http://engenhariacivilemeioambiente.blogspot.com.br/
Acesso em 20/11/2015
Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Deve ser
realizado pelo Ibama quando se tratar de grandes
projetos, com o potencial de afetar mais de um esta-
do, como empreendimentos de geração de energia
e nas atividades do setor de petróleo e gás na plata-
forma continental.
LEITURA OBRIGATÓRIA:
São avaliados impactos causados pelo empre-
Cartilha de Licenciamento Ambiental –
endimento, tais como: seu potencial ou capacidade
Disponível em: http://www.mma.gov.br/estrutu-
de gerar poluentes, resíduos sólidos, emissões at-
ras/sqa_pnla/_arquivos/cart_tcu.PDF
mosféricas, ruídos e o potencial de risco de explo-
sões e incêndios. É importante lembrar que as licen-
ças ambientais estabelecem as condições para que Manual de Licenciamento Ambiental – Guia de pro-
a atividade ou o empreendimento cause o menor im- cedimentos passo a passo. Disponível em: http://www.
pacto possível ao meio ambiente. Por isso, qualquer mma.gov.br/estruturas/sqa_pnla/_arquivos/cart_sebrae.
alteração deve ser submetida a novo licenciamento, pdf
com a solicitação de Licença Prévia.
As bases legais do licenciamento ambiental es-
tão traçadas, principalmente, na Lei 6.938/81, que
dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente;
nas Resoluções do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (CONAMA) 001/86 e nº 237/97, que

23
2.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• O impacto ambiental é qualquer alteração no meio de atividades e empreendimentos que utilizam re-
ambiente, resultante de ações ou atividades huma- cursos naturais ou que causam poluição e degra-
nas que afetam a saúde e a segurança das pes- dação ambiental. Deve ser realizado pelo órgão
soas, as atividades sociais e econômicas, a flora ambiental competente, podendo ser federal, esta-
e a fauna de uma região, as condições estéticas e dual ou municipal, mas em alguns casos pode ser
sanitárias do ambiente e a qualidade dos recursos realizado também pelo Instituto Brasileiro do Meio
naturais. Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama). Deve ser realizado pelo Ibama quando se
tratar de grandes projetos, com o potencial de afe-
• Os acidentes ambientais são impactos ambientais tar mais de um estado, como empreendimentos de
que fugiram ao controle das organizações. Um geração de energia e nas atividades do setor de
acidente ambiental pode ser considerado uma si- petróleo e gás na plataforma continental.
tuação de risco à saúde ou mesmo morte dos fun-
cionários em atividades naquele momento ou mes-
mo da população que vive próxima à organização Anotações
envolvida.
_________________________________________

• A Avaliação dos Impactos Ambientais (AIA), foi _________________________________________


prevista como um dos instrumentos na Lei 6.938,
de 31 de agosto de 1981, a Lei de Política Nacional _________________________________________
de Meio Ambiente, mas foi utilizada a partir da re-
solução do CONAMA 001 de 1986. Por ser um ins- _________________________________________
trumento de Política Ambiental, é de competência
de entidade pública e requer procedimentos que _________________________________________
assegurem o efetivo acompanhamento do pro-
cesso de avaliação desde o início ou origem dos _________________________________________
impactos. Ela deve ser sempre realizada anterior-
mente à implantação da empresa ou atividade e _________________________________________
deve considerar qual o risco ambiental eventual-
mente provocado ao meio ambiente, além de ado- _________________________________________
tar medidas mitigadoras do impacto causado ao
meio ambiente. _________________________________________

_________________________________________
• EIA = Estudo de Impacto Ambiental. É um dos ele-
mentos da AIA, de caráter técnico científico, com
_________________________________________
a finalidade de subsidiar a autoridade ambiental
sobre o licenciamento ambiental de uma obra, ati-
_________________________________________
vidade ou empreendimento.

_________________________________________
• RIMA = Relatório de Impacto ao Meio Ambiente.
É um dos elementos da AIA, que representa o re- _________________________________________
sumo do EIA, elaborado por especialistas, com a
finalidade de subsidiar o público em geral, sobre os _________________________________________
impactos ambientais decorrentes da implantação
de uma obra ou atividade modificadora do meio _________________________________________
ambiente.
_________________________________________

• O licenciamento ambiental é um dos instrumen- _________________________________________


tos da gestão ambiental, sendo um procedimen-
to administrativo que tem como objetivo licenciar _________________________________________
a instalação, ampliação, modificação e operação

24
UNIDADE III
MEIO AMBIENTE E
SUSTENTABILIDADE

25
Na unidade 3 apresentaremos o conceito de meio ambiente e sustentabilidade, discu-
tiremos o desenvolvimento sustentável e também o consumo responsável ou conscien-
te e a produção responsável, que são fatores essenciais para a
sustentabilidade.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de per-
ceber que os problemas ambientais são também so-
ciais e que a sobrevivência das espécies depende
da preservação do meio ambiente e da mudan-
ça de valores, comportamentos e atitudes das
pessoas. Além de compreender
a urgência da busca do equilíbrio
entre meio ambiente, economia e
sociedade, para que possamos
ter um planeta sustentável.
Considerando que somos ci-
dadãos conscientes e responsáveis
pela situação que se encontra nosso
planeta, esperamos que através da cons- Figura 3.0: O cidado
com o meio ambiente.
trução do conhecimento, o aluno seja capaz de
avaliar criticamente e atuar na busca de ações, tanto in-
dividuais quanto coletivas, para que tenhamos uma socieda-
de mais justa e sustentável.

“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo
e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”

(Artigo 225 da Constituição Federal)

3.1- O MEIO AMBIENTE sociais e econômicas;


c) afetem desfavoravelmente a biota;

Na Política Nacional de Meio Ambiente, Lei nº d) afetem as condições estéticas ou sanitárias


6.938/1981, em seu artigo 3°, “Para os fins previstos do meio ambiente;
nesta Lei, entende-se por: e) lancem matérias ou energia em desacordo
com os padrões ambientais estabelecidos;

I) meio ambiente, o conjunto de condições, leis, IV) poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito
influências e interações de ordem física, química público ou privado, responsável, direta ou indire-
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em tamente, por atividade causadora de degradação
todas as suas formas; ambiental; e

II) degradação da qualidade ambiental, a alteração V) recursos ambientais: a atmosfera, as águas in-
adversa das características do meio ambiente; teriores, superficiais e subterrâneas, os estuários,
o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos
III) poluição, a degradação da qualidade am-
da biosfera, a fauna e a flora”.
biental resultante de atividades que direta ou
indiretamente:
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem- De acordo com a definição contida na norma NBR
-estar da população; ISO 14001/1996, item 3.2:

b) criem condições adversas às atividades “Meio ambiente é a circunvizinhança em que

26
uma organização opera, incluindo ar, água, solo, re- qualidade da vida humana no planeta.
cursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas Alguns autores afirmam que esta problemática é
inter-relações”. devida ao modelo atual de desenvolvimento socioe-
Já a Constituição Federal diz, em seu artigo 225: conômico e político da nossa sociedade, que visando
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologica- principalmente o lucro, causa a devastação ambien-
mente equilibrado, bem de uso comum do povo e es- tal, consequência quase inevitável desse modelo.
sencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao po- Para garantir o futuro do planeta precisamos pensar e
der público e à coletividade o dever de defendê-lo e agir no rumo da sustentabilidade e isto se torna cada
preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. dia mais necessário e urgente. Estas mudanças tão
desejadas, podem iniciar-se com um programa de
Com base nas definições acima, podemos enten- gestão ambiental adequado, que pode melhorar nos-
der a importância da preservação do meio ambiente sa qualidade de vida e também a produtividade das
para a sobrevivência das espécies, inclusive da espé- organizações.
cie humana. Vivemos em uma época em que o cená-
rio de degradação ambiental ameaça a continuidade Para Barboza et al (2009) precisamos discutir e
da vida no planeta e o futuro da humanidade depende propor soluções a serem implementadas já e em to-
das relações estabelecidas entre os seres humanos e dos os âmbitos, o que demanda a construção de uma
a natureza. nova cultura, marcada pela noção de sustentabilida-
de. Estas soluções não devem tratar apenas de redu-
Ao longo de sua história evolutiva, o ser humano, zir impactos, mitigar ou minimizar estragos, mas de-
tem sido o maior responsável pela destruição do meio vem propor uma mudança na forma de ver o mundo,
ambiente, mas nunca chegou tão longe. Devido às es- a nós mesmos e as nossas relações com os demais
colhas cotidianas voltadas para o acúmulo de riqueza seres vivos do planeta, sejam estes humanos ou não.
e para um falso progresso, estão causando impactos Para isso precisamos mudar nossos valores, atitudes,
na natureza e afetando direta e indiretamente a qua- comportamentos individuais e coletivos.
lidade de vida de todos os seres vivos. O desenvolvi-
mento e o crescimento de um país devem ser capa-
zes de assegurar o mínimo de qualidade de vida para
todas as pessoas e garantir maior proteção ao meio
ambiente.
Diante disto, o problema ambiental passa a ser
também um problema social. De acordo com Barboza
et al (2009), os seres humanos têm convertido bens
naturais em bens de consumo e sob este ponto de vis-
ta, pode-se entender que os problemas não são ape-
nas ambientais, mas socioambientais, pois dizem res-
peito ao impacto provocado no meio ambiente natural
pelas sociedades humanas em sua trajetória histórica
atual e, por sua vez, revertem em impactos sobre a

SAIBA MAIS
Socioambientalismo – Filosofia que preconiza a adoção de soluções aos proble-
mas e conflitos ambientais (físicas e naturais), buscando a defesa dos bens e direitos
sociais, coletivo e difusos, em relação ao meio ambiente, ao patrimônio cultural e aos
direitos humanos e dos povos. O Socioambientalismo é uma criação brasileira única
no cenário do ambientalismo internacional. (BRASIL & SANTOS, 2007).

Juliana Santilli, citando declarações da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, ao


analisar o período preparatório da Eco-92, menciona que: Uma das principais heranças dei-
xadas por Chico Mendes e o movimento dos seringueiros daquele período foi o exemplo de
que as questões social e ambiental caminham juntas, ainda mais quando se trata da realidade
brasileira. (Fonte: http://lfg.jusbrasil.com.br).

27
3.2- DESENVOLVIMENTO presentes sem comprometer a capacidade das gera-
ções futuras de suprir suas próprias necessidades.”
SUSTENTÁVEL

SAIBA MAIS
Comissão Brundtland – Comissão
Mundial sobre o meio Ambiente e
Desenvolvimento, chefiada pela pri-
meira ministra da Noruega, Gro Harlem
Brundtland, com o objetivo de estudar
e debater questões ambientais. A comissão
foi composta por ONGs e cientistas do mun-
do inteiro e o documento final desses estudos
chamou-se “Our Common Future” (Nosso futu-
ro comum) e foi apresentado em 1987. Com a
publicação deste documento, disseminou-se o
conceito de desenvolvimento sustentável, que
vinha sendo refinado desde os anos 70.

Figura 3.1: Sustentabilidade. Imagem: freepik.com

“Atingiu-se um ponto da história em que deve-


mos moldar nossas ações no mundo inteiro com
a maior prudência, em atenção às suas consequ- Para a Comissão Brundtland, o conceito de de-
ências ambientais. Pela ignorância ou indiferença senvolvimento sustentável deve fundamentar as políti-
podemos causar danos maciços e irreversíveis cas públicas, de modo que os objetivos do desenvolvi-
ao ambiente terrestre de que dependem nossa mento econômico e social sejam definidos em termos
vida e nosso bem-estar. Com mais conhecimento de sustentabilidade. O texto diz:
e ponderação nas ações, poderemos conseguir “O mundo deve desenhar, rapidamente, estraté-
para nós e para a posteridade uma vida melhor gias que permitam que as nações saiam de seu
em ambiente mais adequado às necessidade e es- processo de crescimento e desenvolvimento atual,
peranças do homem. São amplas as perspectivas geralmente destrutivo, em direção ao desenvolvi-
para a melhoria da qualidade ambiental e das con- mento sustentável. Isso vai exigir uma reorienta-
dições de vida. O que precisamos é de entusias- ção das políticas públicas em todos os países, tan-
mo, acompanhado de calma mental, e de trabalho to no que diz respeito ao próprio desenvolvimento
intenso, mas ordenado. Para chegar à liberdade e a seus impactos sobre o desenvolvimento de ou-
no mundo da natureza, o homem deve usar seu tras nações”
conhecimento para, com ela colaborando, criar um
(BRUNDTLAND, 1987, cap.2, parágrafo 27).
mundo melhor. Tornou-se imperativo para a huma-
nidade defender e melhorar o meio ambiente, tan-
to para as gerações atuais, como para as futuras, Portanto, é necessário que quando os governos
objetivo que se deve procurar atingir em harmonia e as organizações forem planejar e executar suas
com os fins estabelecidos e fundamentais da paz ações, devem considerar o equilíbrio entre os aspec-
e do desenvolvimento econômico e social em todo tos econômicos (crescimento e desenvolvimento da
mundo.” economia), sociais (atendimento das necessidades
humanas) e ambientais (capacidade de regeneração/
recuperação do ambiente natural).
Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente
Humano (item 6). De acordo com Pereira, Silva e Carbonari (2011),
a luz do desenvolvimento sustentável, os objetivos das
A Comissão Brundtland, formada pela Organização
políticas públicas devem ser:
das Nações Unidas com o objetivo de estudar a dete-
rioração do meio ambiente e as consequências des- • Revigorar e qualificar o crescimento, ou seja, mu-
ta deterioração para o desenvolvimento econômico e dar a lógica do crescimento econômico para o de-
social, definiu o desenvolvimento sustentável como senvolvimento sustentável.
o “desenvolvimento que satisfaz as necessidades • Proporcionar acesso sistêmico ao emprego,

28
alimentação, energia, água e saneamento básico. Nesta última perspectiva, a principal preocupação re-
• Manter o crescimento populacional em níveis sus- laciona-se com os impactos sobre o meio ambiente.
tentáveis de convivência num planeta com recur- Estudiosos afirmam que para uma sustentabilidade
sos escassos. ecológica deve-se reduzir a utilização de combustíveis
fósseis e a emissão de substâncias poluentes, além de
• Preservar as fontes de recursos naturais. adotar políticas de conservação de energia e recursos
• Promover tecnologias limpas com ênfase no ge- naturais, substituir produtos não renováveis por reno-
renciamento de riscos socioambientais. váveis e aumentar a eficiência dos recursos utilizados.
• Integrar aspectos sociais e ambientais à econo- Uma sociedade sustentável é aquela que não co-
mia, no processo de tomada de decisão. loca em risco os recursos naturais do qual depende,
como: água, solo, vida vegetal e ar. Portanto, o de-
senvolvimento sustentável é diferente do modelo tra-
Conforme já apresentado anteriormente, o tripé dicional de crescimento, que se baseia em aspectos
do desenvolvimento sustentável está fundamentado econômicos, como aumento da produção e consumo.
na dimensão econômica, ambiental e social e estes se Para Pereira, Silva e Carbonari (2011), o termo susten-
constituem nos pilares da sustentabilidade. Portanto, tabilidade tem sido amplamente utilizado para exprimir
as organizações sustentáveis devem ser capazes de ambições de continuidade, durabilidade ou perenida-
medir, documentar e reportar retorno positivo nas di- de, remetendo ao futuro da espécie humana. Trata-
mensões econômica, ambiental e social e quando isso se portanto de um conceito que possui como sentido
é possível o resultado positivo reflete no aumento do essencial a responsabilidade pelas condições de vida
valor da empresa. das futuras gerações, sendo que a responsabilidade
em relação ao futuro depende de mudanças e atitudes
efetuadas no presente.
Falar de desenvolvimento sustentável é falar de
Social coisas novas, é rever conceitos e atitudes. É falar de
biotecnologia, de tecnologias limpas, de mudanças
de padrões de produção e consumo, de reciclagem,
Suportável Equitável de reuso, de reaproveitamento e de outras formas de
Sustentável diminuir a utilização de matérias-primas, e ao mesmo
tempo reduzir os impactos causados pelos descartes
Ambiental Viável Econômico de substâncias e objetos no meio ambiente.

Figura 3.2: Tripé da Sustentabilidade. Disponível: http://sustentarte.org.br/novo/tripe-


da-sustentabilidade/ Acesso em 12/01/2016

LEITURA OBRIGATÓRIA:

O termo sustentabilidade é o termo mais disputa- Tratado de Educação para Sociedades


do na atualidade, desde que começou a se difundir, Sustentáveis e Responsabilidade Global:
na década de 1980, como parte da expressão “de- Disponível em: portal.mec.gov.br/secad/arqui-
senvolvimento sustentável”. Existem cerca de 80 de- vos/pdf/educacaoambiental/tratado.pdf
finições para desenvolvimento sustentável, que se ba-
seiam na definição dada pelo Relatório Brundtland. De
acordo com o Tratado de Educação para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Global, de 1992, o
conceito de sociedades sustentáveis inclui, além da
sustentabilidade ecológica, ambiental e demográfica,
os aspectos sociais, culturais, espirituais e políticos
capazes de garantir o bem-viver das pessoas, a cida-
dania e a justiça social.
Em consonância com o parágrafo anterior, alguns
autores afirmam que na literatura encontramos mui-
tas definições para sustentabilidade, algumas com
ênfase no aspecto econômico, outras com ênfase no
aspecto sociocultural e outros no aspecto ambiental.

29
3.3- CONSUMO RESPONSÁVEL pela preservação do meio ambiente. Padrões de con-
sumo insustentáveis já levaram ao colapso de civili-
OU CONSCIENTE zações e sociedades, enquanto que padrões de con-
sumo sustentáveis caracterizam as que perduram por
milênios, como algumas civilizações asiáticas e socie-
dades indígenas.
Enfim, o consumo consciente é o conceito mais
amplo e simples de aplicar no dia a dia, basta estar-
mos atento à forma como consumimos, diminuindo o
desperdício de água e energia, por exemplo e privile-
giando produtos e empresas responsáveis na hora das
compras. A partir do consumo consciente, a sociedade
envia um recado ao setor produtivo de que deseja que
lhe sejam ofertados produtos e serviços que não tra-
gam impactos negativos ou reduzam significativamen-
te estes impactos no acumulado do consumo de todos
os cidadãos.

Figura 3.3: Mundo sustentável.

Um fator essencial para uma sociedade sustentá-


vel é o consumo responsável ou consciente. O con-
sumo está associado às compras, mas não somente
a isto, temos que considerar também o consumo de
água, de energia, de combustível, etc. De acordo com
Pereira, Silva e Carbonari (2011), o consumo irrespon-
sável provoca muitos impactos, primeiro nas pessoas
uma vez que elas precisam arcar com as despesas,
depois na economia, porque ao se consumir um pro-
duto movimenta-se a máquina da produção e distribui-
ção. O consumo afeta também a sociedade, uma vez
que acarreta produção, trocas e transformações e por
fim, acarreta a natureza pois é ela que fornece as ma-
térias primas para a produção do que é consumido.
Apesar do consumo ser um dos instrumentos do
bem estar, é necessário aprendermos a produzir e Figura 3.4: Como ser um consumidor consciente. Fonte: Ministerio do Meio Ambiente.
consumir os bens e serviços de uma maneira diferen-
te da atual, pois o modelo atual de produção e consu-
mo contribui para aprofundar a desigualdade social e ACESSE:
o desequilíbrio ambiental. Certamente, a mudança de
A versão brasileira do filme: “A história das
comportamento leva tempo, mas precisamos abando-
coisas”.
nar práticas de alto consumo e desperdício para ado-
tar práticas conscientes. Estas novas medidas devem
estar associadas com a preservação dos recursos na-
https://www.youtube.com/watch?v=7qFiGMSnNjw
turais, a diminuição da poluição e do acúmulo de lixo, o
incentivo à reciclagem e a eliminação do desperdício.
Nossos comportamentos e atitudes e nosso estilo
de vida individual ou social provocam impactos no meio
ambiente. Padrões de consumo de alimentos, de ma-
teriais de construção, de vestuário e de todos objetos
que dependem de outros bens materiais para sua pro-
dução, produzem pressão sobre os recursos naturais.
Sendo assim, todos nós somos responsáveis pela pre-
servação dos recursos naturais e consequentemente

30
3.4- PRODUÇÃO RESPONSÁVEL ACESSE:
Para conhecer o plano da empresa Nescafé
A produção também é um fator determinante do para uma produção responsável.
desenvolvimento sustentável. Ela precisa ser remode-
lada e levar em consideração não somente benefícios
http://www.nescafe.com.br/
econômicos, mas também ambientais e sociais.
responsible_production_pt_br.axcms
Os cinco problemas fundamentais nos atuais pa-
drões de produção são:
• Uso de materiais e processos que causam de-
gradação ambiental e riscos para a saúde, prin-
Anotações
cipalmente por meio de grandes quantidades de
_________________________________________
emissões tóxicas que prejudicam a saúde dos
trabalhadores e de suas famílias, assim como
_________________________________________
das comunidades do entorno. Neste cenário os
conceitos de produção limpa e de tecnologia
_________________________________________
limpa vem provocando mudanças na produção,
mas precisam ser mais difundidas;
_________________________________________
• Ineficiência na produção que causam perdas
(desperdício) no sistema de degradação am- _________________________________________
biental. Um exemplo recente foi a explosão, em
abril de 2010, de uma plataforma de exploração _________________________________________
de petróleo no golfo do México, que resultou em
um dos maiores derramamentos de óleo no mar _________________________________________
da história e o pior acidente ambiental causado
por óleo no país; _________________________________________

• Falhas no reflexo negativo das externalidades _________________________________________


no custo do produto. De uma maneira geral, nos
países em desenvolvimento, quando um produ- _________________________________________
to é fabricado, o ar, a água e o solo consumidos
não são computados como custo. São conside- _________________________________________
rados bens livres, principalmente quando não há
regulação. Para remediar estas falhas é preci- _________________________________________
so rever os procedimentos de regulação do uso
dos recursos naturais, bem como contabilizar _________________________________________
seu uso;
_________________________________________
• Iniquidade de acesso a recursos naturais. Por
exemplo, os ricos têm acesso mais rápido à _________________________________________
água e energia do que os pobres. Em alguns
países em desenvolvimento, os pobres pagam _________________________________________
de 5 a 10 vezes mais pela água encanada do
que os ricos. _________________________________________
• Custos de transação significativamente mais
_________________________________________
elevados para as pessoas de baixa renda. Por
exemplo, os grandes produtores rurais e mo-
_________________________________________
radores de grandes centros urbanos têm van-
tagens em termos de custo e preço de bens e
_________________________________________
serviços relacionados à escala (costumam pa-
gar menos do que os moradores de áreas ru-
_________________________________________
rais ou de comunidades mais empobrecidas).
(PEREIRA, SILVA & CARBONARI, 2011, p.102).
_________________________________________

31
3.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• De acordo com a definição contida na norma NBR • Um fator essencial para uma sociedade susten-
ISO 14001:1996, item 3.2: “Meio ambiente é a cir- tável é o consumo responsável ou consciente. O
cunvizinhança em que uma organização opera, consumo está associado às compras, mas não so-
incluindo ar, água, solo, recursos naturais, flora, mente a isto, temos que considerar também o con-
fauna, seres humanos e suas inter-relações”. Já a sumo de água, de energia, de combustível, etc.
Constituição Federal diz, em seu artigo 225: “Todos
têm direito ao meio ambiente ecologicamente equi-
librado, bem de uso comum do povo e essencial à • O consumo irresponsável provoca muitos impac-
sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder pú- tos, primeiro nas pessoas uma vez que elas preci-
blico e à coletividade o dever de defendê-lo e pre- sam arcar com as despesas, depois na economia,
servá-lo para as presentes e futuras gerações”. porque ao se consumir um produto movimenta-se
a máquina da produção e distribuição. O consumo
afeta também a sociedade, uma vez que acarreta
• Ao longo de sua história evolutiva, o ser huma- produção trocas e transformações e por fim, acar-
no, tem sido o maior responsável pela destruição reta a natureza pois é ela que fornece as matérias
do meio ambiente, mas nunca chegou tão lon- primas para a produção do que é consumido.
ge. Devido às escolhas cotidianas voltadas para
o acúmulo de riqueza e para um falso progresso,
estão causando impactos na natureza e afetando • A produção também é um fator determinante do
direta e indiretamente a qualidade de vida de to- desenvolvimento sustentável. Ela precisa ser re-
dos os seres vivos. É urgente a necessidade de modelada e levar em consideração não somente
mudanças, temos que ter consciência de que uma benefícios econômicos, mas também ambientais e
gestão ambiental adequada pode melhorar nossa sociais.
qualidade de vida e também a produtividade das
organizações. O desenvolvimento e o crescimento
de um país devem ser capazes de assegurar o mí-
nimo de qualidade de vida para todas as pessoas
e garantir maior proteção ao meio ambiente.
Anotações
_________________________________________

_________________________________________
• Para a Comissão Brundtland, o conceito de desen-
volvimento sustentável deve fundamentar as políti-
_________________________________________
cas públicas, de modo que os objetivos do desen-
volvimento econômico e social sejam definidos em
_________________________________________
termos de sustentabilidade. Portanto, é necessário
que quando os governos e as organizações forem
_________________________________________
planejar e executar suas ações, devem considerar
o equilíbrio entre os aspectos econômicos (cres-
_________________________________________
cimento e desenvolvimento da economia), sociais
(atendimento das necessidades humanas) e am-
_________________________________________
bientais (capacidade de regeneração/recuperação
do ambiente natural).
_________________________________________

• Uma sociedade sustentável é aquela que não colo- _________________________________________


ca em risco os recursos naturais do qual depende,
como: água, solo, vida vegetal e ar. Portanto, o _________________________________________
desenvolvimento sustentável é diferente do mode-
lo tradicional de crescimento, que se baseia em as- _________________________________________
pectos econômicos, como aumento da produção e
consumo. _________________________________________

_________________________________________

32
UNIDADE IV
NORMAS DE SAÚDE
E SEGURANÇA
OCUPACIONAL(SSO) E
DE GESTÃO AMBIENTAL
(SGAs)

33
Na unidade 4 discutiremos sobre o início da
preocupação com os problemas socioambientais e
apresentaremos as normas de Saúde e Segurança
Ocupacional (SSO) e de Sistemas de Gestão
Ambiental (SGAs). Além disto conheceremos o que é
um Sistema Integrado de Gestão (SIG).
Ao final desta unidade o aluno será capaz de
compreender as normas OHSAS 18001 de Saúde
e Segurança Ocupacional e ISO 14001 de Gestão
Ambiental, além de entender a importância e as vanta-
gens de se criar um Sistema Integrado de Gestão.
Considerando que somos cidadãos conscientes
e responsáveis pela situação que se encontra nosso
planeta, esperamos que através da construção do co-
nhecimento, o aluno seja capaz de avaliar criticamen-
te e atuar na busca de ações, tanto individuais quan-
to coletivas, para que tenhamos uma sociedade mais
justa e sustentável.

Figura 4.0: Cuidados com o Mundo. Imagem: freepik.com

“A riqueza deixa de ser um fim e passa a ser um meio. A riqueza é um meio para permitir, ou
não, aos indivíduos realizarem a finalidade última da expansão das suas liberdades.”

(Transcrito da entrevista publicada em ARNT, Ricardo (Org.). O que os economistas pesam sobre
sustentabilidade. São Paulo: Editora 34, 2010)

4.1- O CRESCIMENTO DA Em meados do século XVIII, o homem passa a


vivenciar a Revolução Industrial, um fenômeno que
PREOCUPAÇÃO COM OS muda completamente o processo de produção, a rela-
IMPACTOS SOCIOAMBIENTAIS ção do homem com o trabalho, bem como as caracte-
rísticas físicas do planeta, marcados pela ascensão de
uma economia industrial. Neste período o trabalho ar-
Ao longo dos últimos séculos, a sociedade passou tesanal começa a dar lugar ao processo industrial e no
por mudanças associadas ao contingente populacio- início do século XIX, o trabalho passa a ser especia-
nal, distribuição desta população no espaço urbano lizado e repetitivo para o trabalhador, surgindo assim
e rural, forma de condução dos sistemas produtivos, as primeiras leis relacionadas à questão da saúde do
padrões de consumo dessa população, expectativa trabalhador. Enquanto as preocupações associadas
de vida das pessoas e capacidade do ser humano em à saúde e segurança do trabalhador datam do século
alterar características do ambiente, esta última como XIX, as relacionadas ao controle da qualidade do am-
consequência do desenvolvimento tecnológico. Os biente externo estão associadas ao século XX.
processos produtivos começaram a gerar mais im-
Neste cenário, surgiram os instrumentos de ges-
pactos socioambientais e com isso a sociedade pas-
tão, como as normas OHSAS 18001 de Saúde e
sou a cobrar desempenho de gestão organizacional
Segurança Ocupacional (SSO) e ISO 14001 de Gestão
mais aprimorado, sendo que as primeiras preocupa-
Ambiental, cuja complementaridade e sinergismo de
ções estavam focadas na qualidade do produto, de-
implantação é muito importante para o controle do im-
pois o foco passou para a qualidade do ambiente de
pacto socioambiental dos empreendimentos. De acor-
trabalho e posteriormente para a qualidade ambiental
do Seiffert (2010), a linha de corte entre impactos am-
(SEIFFERT,2010).
bientais e riscos de saúde e segurança ocupacional é

34
muitas vezes difusa e em alguns casos mesmo imper- 4.2 NORMA DE SAÚDE E
ceptível, e por este motivo é importante a discussão
e compreensão dos sistemas de gestão de Saúde e SEGURANÇA OCUPACIONAL
Segurança Ocupacional (SSO) e sistemas de Gestão (SSO)
Ambiental (SGAs) de modo integrado.
A Constituição Brasileira de 05/10/1988 já estabe-
Além de entendermos as normas de gestão am-
lecia o direito do ser humano a um ambiente de traba-
biental, é importante entendermos também a gestão
lho saudável e à qualidade ambiental. Em seu artigo
de SSO, uma vez que ambas são facetas da respon-
7º determina: “são direitos dos trabalhadores urbanos
sabilidade social de uma organização. Atualmente, a
e rurais além de outros que visem à melhoria de sua
expectativa da sociedade é de que as empresas de-
condição social [...] redução dos riscos inerentes ao
senvolvam suas atividades de modo a contribuir para a
trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e se-
melhoria das condições sociais como um todo e o con-
gurança”, e em seu artigo 225 estabelece: “todos tem
ceito de responsabilidade social se apoia em um tripé
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado,
cujas bases são consideradas como os pressupostos
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qua-
fundamentais do desenvolvimento sustentável: social,
lidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à cole-
ambiental e econômico.
tividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações”. A norma OHSAS 18001 (Occupational Health
and Safety Assessment Series – Série de Avaliação
Certamente, a melhoria da qualidade de vida do
de Saúde e Segurança Ocupacional) foi proposta em
ser humano passa obrigatoriamente pela melhoria das
1996. Esta norma foi criada por um grupo de organis-
condições de trabalho e também da qualidade am-
mos certificadores (BSI, BVQI, DNV, Lloyds Register,
biental. Quando uma empresa utiliza em seu processo
SGS, entre outros) e de entidades nacionais de nor-
produtivo os recursos naturais de forma racional evi-
malização da Irlanda, Austrália, África do Sul, Espanha
tando o desperdício destes recursos e evitando que
e Malásia, a partir de uma reunião que ocorreu na
eles possam contaminar o ambiente de trabalho ou o
Inglaterra. A norma entrou em vigor no dia 15 de abril
meio ambiente, ela está contribuindo para a qualidade
de 1999.
de vida do ser humano e pela qualidade ambiental. A
reputação destas empresas se destaca positivamen- É importante frisar que esse documento até a ver-
te perante as outras, trazendo desta forma benefícios são de 1999, não era uma norma nacional nem uma
para seus acionistas, funcionários, clientes e comuni- norma internacional, visto que não seguiu a “liturgia” de
dade. Hoje, a sociedade não exige somente um produ- normalização vigente. A certificação em conformidade
to de qualidade, mas um produto que tenha sido pro- com a OHSAS 18001 somente era concedida pelos
duzido em um ambiente de trabalho saudável e que Organismos Certificadores (OCs) de forma “não-acre-
tenha gerado os menores impactos ambientais possí- ditada” (sem credenciamento do OC para esse tema
veis durante a sua produção. por entidade oficial). “De qualquer maneira, foi um
grande passo rumo à padronização dos Sistemas de
Outro fator que contribuiu para que a sociedade
Gestão da Segurança e Saúde do Trabalhador (SST)
exigisse um controle mais rigoroso dos processos in-
em inúmeros países, inclusive no Brasil” (CICCO,
dustriais foi a ocorrência de alguns acidentes ambien-
2007).
tais a partir da segunda metade do século XX. Muitos
destes acidentes, antes de causarem danos ao meio A partir da sua versão de 2007, a OHSAS 18001,
ambiente, implicaram em danos físicos ou morte de passa a ser considerada como norma internacional,
seus trabalhadores. Diante disto, a legislação se tor- sendo aceita em todo o mundo e utilizada como refe-
nou mais exigente e houve o desenvolvimento de polí- rência para a gestão de SSO. De acordo com Seiffert
ticas públicas econômicas, trabalhistas e previdenciá- (2010), a publicação desta versão implica em diver-
rias e de outras medidas para estimular a preocupação sos aspectos relacionados não somente a um maior
com SSO, bem como a crescente preocupação com alinhamento entre seus requisitos e o da ISO 140001,
os sistemas de gestão ambiental. mas também nas demandas de implantação desses
requisitos. Na leitura da norma, em determinados mo-
mentos, tem-se a impressão de que o texto da ISO
14001 foi utilizado como referência para a estruturação
do requisito correspondente da OHSAS 18001. A certi-
ficação segundo a OHSAS 18001,
“veio ao encontro da necessidade das orga-
nizações de terem um padrão de referência com
aceitação internacional, assim como a ISO 14001

35
para a gestão ambiental, a fim de demonstrarem trabalho;
seu compromisso com a redução dos riscos re-
• Melhorar as relações entre a organização e os
lacionados à saúde e segurança ocupacional de
órgãos públicos de fiscalização trabalhista;
seus funcionários, prestadores de serviço interno
e visitantes. Isso surgiu como uma consequência • Implantar um processo sistematizado de análi-
natural do crescimento da preocupação com o ris- se de riscos e avaliação de perigos relacionados
co de surgimento de passivos trabalhistas, que as- a incidentes e acidentes de saúde e segurança
sim como os passivos ambientais, no caso da ISO ocupacional e ambientais; entre outros.
14001, constituem uma grande ameaça financeira
De acordo com Cicco (2007), a OHSAS 18001 ba-
às instituições” (SEIFFERT, 2010, p. 14).
seia-se na premissa de que a organização irá, periodi-
camente, analisar e avaliar o seu Sistema de Gestão,
de forma a identificar oportunidades de melhoria e a
implementação das ações necessárias. O desenvol-
vimento do SSO por si só, não resultará, necessaria-
mente, na redução imediata de acidentes e doenças
do trabalho, entretanto, possuir tal sistema irá auxiliar
uma organização a dar confiança às várias partes inte-
ressadas de que:

• Existe um comprometimento da alta administra-


ção para atender às disposições de sua política
Figura 4.2: Logo OHSAS. e objetivos;
A OHSAS 18001 não estabelece requisitos abso- • É dada maior ênfase à prevenção do que às
lutos de desempenho de SSO, ela fornece apenas o ações corretivas;
contexto geral para a melhoria contínua no processo
de gestão, aplicando-se a organização de qualquer • Podem ser dadas evidências de atuação cuida-
porte, complexidade ou ramos de atividade. O seu de- dosa e de atendimento aos requisitos legais;
sempenho é pautado pela regulamentação trabalhista
• A concepção de sistemas incorpora o processo
do país em que a organização opera, sendo baseado
de melhoria contínua.
em normas e portarias do Ministério do Trabalho, a
qual fornece o contexto geral para avaliação de riscos A OHSAS 18001 é, sobretudo, aplicável a uma
de SSO para sua gestão. empresa que deseja ou necessita:

São benefícios advindos da implantação de um • Estabelecer um Sistema de Gestão da


sistema de gestão SSO, tendo como requisito a norma Segurança e Saúde no Trabalho (SST), para
OHSAS 18001: eliminar ou minimizar riscos aos trabalhadores
• Assegurar aos clientes o comprometimento com e outras partes interessadas que possam estar
a gestão de SSO; expostos a riscos de acidentes e doenças ocu-
pacionais associados a suas atividades;
• Manter boas relações com trabalhadores e
sindicato; • Implementar, manter e melhorar continuamente
um Sistema de Gestão da SST;
• Fortalecer a imagem da empresa junto aos seus
clientes diretos ou indiretos; • Assegurar-se de sua conformidade com sua po-
• Melhorar a imagem pública da empresa; lítica de SST definida;

• Reduzir acidentes que impliquem em responsa- • Demonstrar tal conformidade a terceiros;


bilidade civil (incapacitação ou morte);
• Buscar certificação de seu Sistema de Gestão
• Motivar os funcionários; da SST por uma organização externa;
• Obter seguros a um preço razoável; • Realizar uma auto avaliação e emitir auto decla-
• Demonstrar atuação cuidadosa; ração de conformidade com essa “norma”.

• Incorporar de forma sistematizada à cultura Espera-se que a aplicação da especificação


da organização do Programa de Prevenção OHSAS 18001 pelas empresas ao redor do mundo
de Riscos Ambientais (PPRA) e Programa possa fornecer dados importantes para o futuro de-
de Controle Médico de Saúde Ocupacional senvolvimento tanto de normas internacionais, como
(PCMSO), regulamentados pelo Ministério do de normas nacionais certificáveis para Sistemas de
Gestão da SST.

36
4.3 NORMA DE SISTEMAS DE
SAIBA MAIS
GESTÃO AMBIENTAL (SGAS)
Rio 92 ou Eco 92 - Conferência das
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente,
O conceito de Sistema de Gestão Ambiental foi
realizada em junho de 1992 na cida-
formalizado pela Bristish Standards Institution (BSI), de do Rio de janeiro. Esta conferência
instituição britânica de normalização, através da nor- marcou a forma da humanidade en-
ma BS 7750 (Specification for Environmental manage- carar sua relação com o planeta, pois naquele
ment Systems), sendo esta norma que serviu de base momento a comunidade política internacional
para a ISO 14001. admitiu que era preciso conciliar o desenvolvi-
mento socioeconômico com a utilização dos re-
cursos naturais. Ficou acordado que os países
em desenvolvimento deveriam receber apoio
financeiro e tecnológico para alcançarem outro
modelo de desenvolvimento que fosse susten-
tável, inclusive com a redução dos padrões de
consumo, especialmente de combustíveis fós-
seis (petróleo e carvão mineral). Alguns docu-
mentos importantes foram elaborados durante
esta conferência, como por exemplo o Tratado
de Educação Ambiental para Sociedades
Sustentáveis e Responsabilidade Global e a
Agenda 21.
Figura 4.3: Logo Empresa Certificada ISO 14001

Podemos considerar que o ponto de partida para a As normas da série ISO 14000 são um conjunto
criação da ISO 14001 foi a Rio 92, que teve como re- de normas ou padrões de gerenciamento ambiental,
sultado a criação do SAGE (Strategic Action Group on de caráter voluntário, que podem ser usadas pelas
the Enviroment – Grupo de Ação Estratégica sobre o empresas para demostrar que possuem um sistema
meio Ambiente). A SAGE foi encarregada de desenvol- de gestão ambiental. Estas normas foram desenvolvi-
ver e elaborar propostas de recomendações relativas das pelo Comitê Técnico 207 da ISO e com um siste-
às normas ambientais, tendo como missão: elaborar ma de gestão ambiental baseado em suas premissas,
uma proposta de abordagem para a gestão ambien- além de garantir um efetivo gerenciamento e melhorias
tal, semelhante à utilizada na gestão da qualidade, ou ambientais, as empresas garantem a seus clientes que
seja, nas normas da série ISO 9000; desenvolver a atendem e respeitam a legislação ambiental e, assim
capacidade das organizações de alcançar e medir as estão em condições de ultrapassar uma série de bar-
melhorias no desempenho ambiental; facilitar o comér- reiras comerciais impostas por diversos países (REIS
cio e remover as barreiras comerciais. E QUEIROZ, 2004).

Portanto, em 1992, foram propostas as normas da Conforme já mencionado, a ISO 14001 é uma nor-
série ISO 14000 como alternativa concreta para a ges- ma de caráter mais voluntário e em virtude de sua flexi-
tão ambiental de nível organizacional, mas somente bilidade foi consagrada como um padrão de estrutura-
em 1996 foi publicada a primeira versão da ISO 14001, ção de Sistemas de Gestão Ambiental. Ela determina
que rapidamente se consolidou como uma norma de que a organização deve divulgar uma declaração de
gestão ambiental com ampla aceitação mundial. seu desempenho ambiental, sendo que esta declara-
ção deve ser também encaminhada ao órgão de con-
A sigla ISO, se originou da expressão Internacional trole ambiental e tem como objetivo informar às partes
Organization for Standardization (IOS), cuja sequência interessadas a respeito do desempenho ambiental da
de letras foi invertida para a obtenção da sigla ISO, organização. Deve conter as seguintes informações:
que em grego significa “igual”. É uma entidade não
governamental cuja sede fica em Genebra, na Suíça, • Descrição das atividades da instalação;
conforme já citado na unidade 1 desta apostila. • Avaliação de todas as questões ambien-
tais significativas relevantes às atividades da
instalação;
• Resumo das estatísticas sobre emissões de po-
luentes, geração de resíduos, consumo de insu-
mos e matérias primas, água e energia, ruídos e

37
outros aspectos ambientais relevantes; gestão ambiental, pois através dele a norma
• Outros fatores relacionados ao desempenho ISO 14001 pretende estimular a melhoria do
ambiental da organização; desempenho

• Apresentação da política ambiental, dos progra-


mas e do sistema de gestão implementados na
instalação;
• Alterações significativas nas instalações desde
a declaração anterior;
• Prazo para submissão da próxima declaração;
• Nome do verificador ambiental credenciado.

Esta Norma se aplica a qualquer organização que


deseje:
• Implementar, manter e aprimorar um sistema de
gestão ambiental;
• Assegurar-se de sua conformidade com sua po-
lítica ambiental definida;
• Demonstrar tal conformidade a terceiros;
• Buscar certificação/registro do seu sistema de
gestão ambiental por uma organização externa;
Atualmente, existem outras normas ambientais e
• Realizar uma auto avaliação e emitir auto decla- diretrizes, sendo as mais relevantes para o Sistema de
ração de conformidade com esta Norma. Gestão Ambiental (SGA):
• ISO 14004 - Sistemas de Gestão Ambiental
De acordo com Reis e Queiroz (2004), os elemen- - Diretrizes, Princípios Gerais e Técnicas de
tos chave de um SGA baseado na norma ISO 14001 Apoio;
são: • ISO 14010 - Diretrizes para Auditoria Ambiental
• Política Ambiental – aborda a política ambien- - Princípios Gerais da Auditoria Ambiental;
tal e os requisitos para atender a esta políti- • ISO 14011 - Diretrizes para Auditoria Ambiental
ca, através dos objetivos, metas e programas - Procedimentos - Auditoria de Sistemas de
ambientais; Gestão Ambiental;
• Planejamento – a análise dos aspectos ambien- • ISO 14012 - Diretrizes para Auditoria Ambiental
tais das organizações, incluindo seus proces- - Critérios de Qualificação para Auditores
sos, produtos e serviços, assim como os bens e Ambientais.
serviços usados pela organização;
• Implementação e Operação – implementação
e organização dos processos para controlar e
melhorar as atividades operacionais que são LEITURA OBRIGATÓRIA:
críticas do ponto de vista ambiental. Devem
Especificação e diretrizes da NBR ISO
ser considerados os produtos e serviços da
14001
organização;
Disponível em: www.labogef.iesa.ufg.br/labo-
• Verificação e Ação Corretiva – verificação e ação
gef/arquivos/.../NBRISO14001_59064.pdf
corretiva incluindo o monitoramento, medição e
registro das características e atividades que po-
dem ter um impacto significativo no ambiente;
• Análise Crítica pela Administração – análise crí-
tica do SGA pela administração para assegurar
a contínua adequação e efetividade do sistema;
• Melhoria contínua – o conceito de melhoria con-
tínua é um componente chave do sistema de

38
4.4 SISTEMA INTEGRADO DE • redução do volume de documentos gerados;

GESTÃO (SIG) • redução do número de auditores, entre outros.


Além disso, as vantagens da implantação de um
SIG também incluem:
1) Diferencial competitivo:
• fortalecimento da imagem no mercado;
• prática da excelência gerencial por padrões in-
ternacionais de gestão;
• atendimento ás demandas do mercado e da so-
ciedade em geral.

2) Melhoria organizacional:
• reconhecimento da gestão sistematizada por
entidades externas;
Figura 4.4: Integração eficiente. Imagem: freepik.com • atuação proativa, evitando acidentes no traba-
lho e danos ambientais;
A implantação integrada nas normas OHSAS • simplificação da documentação;
18001 e ISO 14001 possibilta assegurar o cumpri- • melhoria do clima organizacional;
mento das políticas de SSO e ambiental da empre-
sa, melhorando o desempenho dos negócios em uma • maior capacitação e educação dos emprega-
abordagem mais holística. Como consequência disso, dos, entre outros.
a empresa passa a ter uma imagem responsável pe- 3) Redução de fatores de risco:
rante o mercado, demonstrando que visa reduzir ou • Segurança legal contra processos e responsabi-
eliminar os riscos de SSO e os riscos relacionados ao lização penal;
meio ambiente. Pelo fato destas normas não estabe-
lecerem critérios absolutos de desempenho, o padrão • Redução de acidentes e passivos;
de desempenho do SIG ou de cada sistema isolado, • Identificação de vulnerabilidade nas práticas
sempre estará condicionado à legislação do país onde atuais.
a empresa pretende se instalar.
De acordo com Seiffert (2010), a importância de
um Sitema Integrado de Gestão surge da necessidade
das organizações responderem prontamente ao sur-
gimento de novos paradigmas sociais relacionados a
um mercado globalizado, cada dia mais consciente. O
SIG, assegura o respeito aos direitos humanos e ao
meio ambiente, seguindo a ótica do desenvolvimento
sustentável.
Os maiores benefícios de um sistema de gestão
integrado das normas OHSAS 18001 e da ISO 14001,
tem relação com:
• tempo economizado em pesquisa e construção
do sistema;
• possibilidade de multitarefa na implantação do
sistema;
• economia de homens/hora;
• simplificação e redução de amplitude de
gerenciamento;
• redução de gastos com consultoria e
treinamento;

39
4.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• Em meados do século XVIII, o homem passa a vi- comprometimento com a gestão de SSO; manter
venciar a Revolução Industrial, um fenômeno que boas relações com trabalhadores e sindicato; forta-
muda completamente o processo de produção, a lecer a imagem da empresa junto aos seus clientes
relação do homem com o trabalho, bem como as diretos ou indiretos; melhorar a imagem pública da
características físicas do planeta, marcados pela empresa; reduzir acidentes que impliquem em res-
ascensão de uma economia industrial. Neste pe- ponsabilidade civil (incapacitação ou morte); moti-
ríodo o trabalho artesanal começa a dar lugar ao var os funcionários; obter seguros a um preço ra-
processo industrial e no início do século XIX, o tra- zoável; demonstrar atuação cuidadosa; incorporar
balho passa a ser especializado e repetitivo para de forma sistematizada à cultura da organização
o trabalhador, surgindo assim as primeiras leis do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais
relacionadas à questão da saúde do trabalhador. (PPRA) e Programa de Controle Médico de Saúde
Enquanto as preocupações associadas à saúde e Ocupacional (PCMSO), regulamentados pelo
segurança do trabalhador datam do século XIX, as Ministério do trabalho; melhorar as relações entre
relacionadas ao controle da qualidade do ambiente a organização e os órgãos públicos de fiscalização
externo estão associadas ao século XX. E neste trabalhista; implantar um processo sistematizado
cenário, surgiram os instrumentos de gestão, como de análise de riscos e avaliação de perigos relacio-
as normas OHSAS 18001 de Saúde e Segurança nados a incidentes e acidentes de saúde e segu-
Ocupacional (SSO) e ISO 14001 de Gestão rança ocupacional e ambientais; entre outros.
Ambiental, cuja complementaridade e sinergismo
de implantação é muito importante para o controle
do impacto socioambiental dos empreendimentos. • O ponto de partida para a criação da ISO 14001
foi a Rio 92, que teve como resultado a criação do
SAGE (Strategic Action Group on the Enviroment
• A Constituição Brasileira de 05/10/1988 já estabe- – Grupo de Ação Estratégica sobre o meio
lecia o direito do ser humano a um ambiente de Ambiente). A SAGE foi encarregada de desenvol-
trabalho saudável e à qualidade ambiental. Em ver e elaborar propostas de recomendações rela-
seu artigo 7º determina: “são direitos dos trabalha- tivas às normas ambientais, tendo como missão:
dores urbanos e rurais além de outros que visem à elaborar uma proposta de abordagem para a ges-
melhoria de sua condição social [...] redução dos tão ambiental, semelhante à utilizada na gestão da
riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas qualidade, ou seja, nas normas da série ISO 9000;
de saúde, higiene e segurança”, e em seu artigo desenvolver a capacidade das organizações de al-
225 estabelece: “todos tem direito ao meio am- cançar e medir as melhorias no desempenho am-
biente ecologicamente equilibrado, bem de uso biental; facilitar o comércio e remover as barreiras
comum do povo e essencial à sadia qualidade de comerciais.
vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade
o dever de defendê-lo e preservá-lo para as pre-
sentes e futuras gerações”. • Os elementos chave de um SGA baseado na nor-
ma ISO 14001 são:
Política Ambiental – aborda a política ambien-
• A norma OHSAS 18001 (Occupational Health and tal e os requisitos para atender a esta políti-
Safety Assessment Series – Série de Avaliação de ca, através dos objetivos, metas e programas
Saúde e Segurança Ocupacional) foi proposta em ambientais;
1996. Esta norma foi criada por um grupo de or-
ganismos certificadores (BSI, BVQI, DNV, Lloyds Planejamento – a análise dos aspectos am-
Register, SGS, entre outros) e de entidades nacio- bientais das organizações, incluindo seus pro-
nais de normalização da Irlanda, Austrália, África cessos, produtos e serviços, assim como os
do Sul, Espanha e Malásia, a partir de uma reunião bens e serviços usados pela organização;
que ocorreu na Inglaterra. A norma entrou em vigor Implementação e Operação – implementação
no dia 15 de abril de 1999. e organização dos processos para controlar e
melhorar as atividades operacionais que são
críticas do ponto de vista ambiental. Devem
• São benefícios advindos da implantação de um ser considerados os produtos e serviços da
sistema de gestão SSO, tendo como requisito a organização;
norma OHSAS 18001:assegurar aos clientes o
Verificação e Ação Corretiva – verificação e

40
ação corretiva incluindo o monitoramento, me- Anotações
dição e registro das características e ativida-
des que podem ter um impacto significativo no _________________________________________
ambiente;
Análise Crítica pela Administração – análise _________________________________________
crítica do SGA pela administração para asse-
gurar a contínua adequação e efetividade do _________________________________________
sistema;
_________________________________________
Melhoria contínua – o conceito de melhoria
contínua é um componente chave do sistema
_________________________________________
de gestão ambiental, pois através dele a nor-
ma ISO 14001 pretende estimular a melhoria do
_________________________________________
desempenho

_________________________________________
• Os maiores benefícios de um sistema de gestão
integrado das normas OHSAS 18001 e da ISO _________________________________________
14001, tem relação com: tempo economizado em
pesquisa e construção do sistema; possibilidade _________________________________________
de multitarefa na implantação do sistema; econo-
mia de homens/hora; simplificação e redução de _________________________________________
amplitude de gerenciamento; redução de gastos
com consultoria e treinamento; redução do volume _________________________________________
de documentos gerados; redução do número de
auditores, entre outros. _________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

41
UNIDADE V
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
BRASILEIRA

42
Na unidade 5 estudaremos a Legislação
Ambiental Brasileira, iniciando com uma breve histó-
ria desta legislação e a elaboração de algumas leis e
decretos. Estudaremos também a Política Nacional
do Meio Ambiente, as sanções criminais e adminis-
trativas e a estrutura e funções do Sistema Nacional
do Meio Ambiente.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de
compreender as leis ambientais e alguns decre-
tos, além de compreender a estrutura do Sistema
Nacional do Meio Ambiente e a função de cada ór-
gão. A finalidade da apostila não é abordar detalha-
damente a parte jurídica, e sim apresentar algumas
normas que devem ser de conhecimento de todos,
como um ponto de partida para a orientação do ci-
dadão, sobre os direitos assegurados pela legislação
na área ambiental.
Considerando que somos cidadãos conscientes
e responsáveis pela situação que se encontra nosso
planeta, esperamos que através da construção do
conhecimento, o aluno seja capaz de avaliar critica- Figura 5.0: Lesgislação Ambiental. Fonte: http://geografia.uol.com.br/geografia/mapas-
mente e atuar na busca de ações, tanto individuais demografia/42/artigo252509-1.asp Acesso em: 23/02/2016

quanto coletivas, para que tenhamos uma sociedade


mais justa e sustentável.

5.1- BREVE HISTÓRICO DA sua exploração não poderia provocar danos à saúde
da população e afetar a qualidade de vida.
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Deste período, datam as leis: a Lei nº4.504,
BRASILEIRA de 30/12/1964 (Estatuto da Terra), a Lei 4.771, de
15/09/1965 (Código Florestal), a Lei nº5.197, de
03/01/1967 (Lei de Proteção à Fauna), o Decreto-lei nº
A legislação brasileira preocupava-se com a pro-
221 (Código de Pesca), o Decreto-lei nº 227 (Código de
teção da natureza desde os tempos coloniais, porém
Mineração), o Decreto-lei nº 289, todos de 28/02/1967,
esta preocupação estava sempre voltada para interes-
que criam o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento
ses econômicos imediatos. Isto fica claro quando lem-
Florestal, com o objetivo de cumprir e fazer cumprir o
brarmos que a exploração da madeira e de seus pro-
Código Florestal e a Lei de Proteção à Fauna.
dutos representavam a base colonial e era monopólio
da Coroa. Contudo, mesmo depois da Independência, Outro evento que repercutiu de forma notável so-
este espírito continuou presente, os recursos do meio bre a legislação ambiental brasileira foi a Conferência
ambiente que eram protegidos tinham como objetivos das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada
prolongar sua exploração. Ainda na década de1930, o na cidade de Estocolmo, na Suécia, em 1972. A partir
velho Código Florestal, o Código das Águas, o Código daí, inicia-se uma crítica ao modo de vida contemporâ-
da Caça e o de mineração tinham o foco voltado nea, aos valores de desperdício e de consumos exa-
para a proteção de recursos naturais de importância gerados. Esta Conferência teve grande importância
econômica. na agenda política mundial, devido a seu impacto na
opinião pública internacional e aos resultados alcança-
A partir de 1964 que apareceram as primeiras
dos nos diversos países, como a criação de agência,
preocupações com a utilização de recursos naturais
secretarias e ministérios do meio Ambiente. A parti-
de forma racional, pois neste momento o ser humano
cipação brasileira nesta Conferência foi muito impor-
compreendeu que os recursos só se transformariam
tante, influenciando fortemente nas recomendações da
em riquezas se fossem explorados de forma racional,
Declaração de Estocolmo sobre o meio ambiente.
que estes recursos deveriam ter múltiplos usos e que
Posterior a esta Conferência, foi criada pelo

43
Decreto nº 73.030, de 30 de outubro de 1973 a Em seu artigo 23 e artigo 24 a Constituição define
Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA), com o que a competência deve ser conjunta, da União, dos
objetivo de mostrar para a população que o governo Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pois so-
brasileiro tinha preocupações com a poluição e com o mente através de um trabalho conjunto se pode lograr
uso racional dos recursos ambientais. As competên- com êxito nas questões ambientais.
cias outorgadas à SEMA lhe deram condições de tra-
tar o meio ambiente de forma integrada, cuidando das
transformações ambientais adversas por vários ins- Art. 23: É competência comum da União, dos
trumentos, inclusive influindo nas normas de financia- Estados, do Distrito Federal e dos Municípios:
mentos e na concessão de incentivos fiscais. Percebe- VI - proteger o meio ambiente e combater a po-
se que pela primeira vez existe uma ligação entre a luição em qualquer de suas formas;
necessidade da conservação ambiental com o desen-
VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
volvimento econômico e o bem estar da população.
Oriunda de uma mensagem do Poder Executivo,
elaborada pela SEMA e amplamente discutida no Art. 24: Compete à União, aos Estados e ao
Congresso Nacional, foi sancionada a Lei nº 6.938, Distrito Federal legislar concorrentemente sobre:
de 31 de outubro de 1981, que estabeleceu a Política VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação
Nacional do Meio Ambiente (PNMA). A principal quali- da natureza, defesa do solo e dos recursos na-
dade desta legislação foi o reconhecimento de que a turais, proteção do meio ambiente e controle da
execução de uma Política Nacional de Meio Ambiente, poluição.
em um país tão grande como o Brasil, não seria possí-
VIII - responsabilidade por dano ao meio am-
vel se não houvesse uma descentralização das ações,
biente, ao consumidor, a bens e direitos de
acionando os Estados e Municípios como executores
valor artístico, estético, histórico, turístico e
de medidas e providências.
paisagístico
A Constituição federal de 1988, demonstra em seu
texto, séria preocupação com o meio ambiente, dife-
rente das Constituições precedentes que ocupavam-se De acordo com Wolff (2000), inseridos em um con-
da proteção do meio ambiente de maneira incidente e texto internacional agente e ao mesmo tempo objeto
refletiam a questão sob a ótica economicista. As inter- de transformações impostas pela condição de inter-
dependências entre o desenvolvimento socioeconômi- dependência advinda da globalização, cada sistema
co e a proteção da natureza e dos recursos naturais jurídico nacional evolui dentro de seu próprio ritmo,
levaram a Assembleia Constituinte, responsável pela segundo suas necessidades sociais, econômicas, cul-
elaboração da Constituição de 1988, a uma percepção turais e ambientais. Ainda de acordo com esta autora:
integradora, contrária àquela visão parcial dos proble-
mas. A opção ambientalista passou a ser valorizada,
“A determinação do grau de adequação da
ao se cuidar entre outros temas do controle dos impac-
legislação brasileira aos princípios internacio-
tos sobre a natureza e do uso e conservação dos re-
nais da Convenção sobre Diversidade Biológica
cursos naturais, bem como a opção humanista, ao se
dar-se-á a partir da análise primordial de instru-
intervir em favor da redução dos desequilíbrios sociais.
mentos jurídicos constitucionais e infraconstitu-
O interesse relativo ao meio ambiente na Constituição
cionais, nos níveis federal, estadual e do Distrito
Brasileira não é restrito ao artigo 225, existem inúme-
Federal, que, direta ou indiretamente, promo-
ras referências, notadamente em outros artigos.
vam a conservação da biodiversidade e o uso
sustentável do patrimônio genético brasileiro”
A Constituição Federal diz, em seu artigo 225: (WOLFF, 2000, p.11).

“Todos têm direito ao meio ambiente eco- Da década de 1980, data a Lei nº 7.347, de 24 de
logicamente equilibrado, bem de uso comum julho de 1985. Esta lei tem sido de grande influência na
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, mudança do atual paradigma do desenvolvimento eco-
impondo-se ao poder público e à coletividade o nômico nacional, pois constitui instrumento processual
dever de defendê-lo e preservá-lo para as pre- de defesa dos direitos e interesses difusos e coletivos,
sentes e futuras gerações”. disciplinando as ações de responsabilidade por danos,
ou perigo de danos, morais e patrimoniais ao meio am-
biente, consumidores, bens e direitos de valor artístico,
estético, histórico, turístico ou paisagístico e à ordem

44
econômica. disposição do homem meios essenciais para
Da década de 1990, datam as leis: orientá-lo na busca da satisfação de suas ne-
cessidades econômicas, sociais, culturais, en-
• Lei nº 8.974, de 05 de janeiro de 1995 (Lei de tre outras, em um ambiente ecologicamente
Biossegurança). As técnicas de manipulação equilibrado. O ensino relativo ao meio ambien-
genética trazem inegáveis benefícios, tanto te parece ser o instrumento, por excelência, de
quanto riscos, para o meio ambiente e para o transformação do atual modelo de desenvolvi-
homem. Esta lei regulamenta os incisos II e V, mento insustentável em desenvolvimento sus-
§ 1.º, do art. 225 da Constituição Federal, veio tentável. Pela educação ambiental, poder-se-á,
estabelecer normas de segurança e mecanis- mais facilmente, incitar o respeito à natureza,
mos de fiscalização para o uso dessas técnicas aí incluída a diversidade biológica e genética, a
e para a liberação no ambiente de organismos produção de novos conhecimentos e de novas
geneticamente modificados. técnicas, enfim, banir as atitudes e comporta-
• Lei n.º 9.279, de 14 de maio de 1996 (Lei mentos em desacordo com o ideal de equilíbrio
da Propriedade Industrial ou Propriedade do meio ambiente e dos elementos naturais
Intelectual, mais conhecida como Lei de (WOLFF, 2000, p.19 a 24).
Patentes). Esta lei é considerada por alguns
como um dos pilares do processo de desen-
volvimento científico e tecnológico do país; por 5.2- POLÍTICA NACIONAL DO
outros, como um instrumento de manipulação
do capitalismo internacional e manutenção da
MEIO AMBIENTE
subserviência e atraso nacional. Apesar da
controvérsia, há esperança de que, pelo me- A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conhe-
nos no âmbito da engenharia genética, com a cida como Política Nacional do Meio Ambiente declara
garantia de proteção de patentes na área de que não há mais dano ambiental a salvo da respecti-
biotecnologia, o instrumento legal tenha futuro va reparação, ou seja, não há mais emissão poluen-
promissor. te tolerada. A lei baseia-se na ideia de que mesmo
• Lei n.º 9.456, de 25 de abril de 1997 (Lei de o resíduo poluente, tolerado pelos padrões estabe-
Proteção de Cultivares). A Lei de Proteção de lecidos, poderá causar dano ambiental e portanto o
Cultivares e a Lei de Propriedade Industrial são causador do dano deve se sujeitar ao pagamento da
mecanismos distintos de proteção à proprieda- indenização.
de intelectual. Proteção de cultivares não sig- De acordo com esta lei, uma empresa pode es-
nifica patente de plantas. Os direitos de exclu- tar atendendo aos limites máximos de poluição legal-
sividade concedidos por esta lei, não impedem mente impostos e mesmo assim ser responsabilizada
o uso, para fins de pesquisa, da cultivar prote- pelos danos residuais causados, ou seja, para que se
gida para obtenção de nova cultivar por tercei- constitua a obrigação de reparar um dano ambiental,
ro, mesmo sem a autorização do detentor do não é necessário que ele tenha sido produzido em de-
direito. corrência de um ato ilegal.
• Lei 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Esta lei
estabelece as sanções criminais aplicáveis às
atividades lesivas ao meio ambiente. A recente
lei inova em vários aspectos, sobretudo no que
concerne ao sistema de aplicação de penas al-
ternativas, ou seja, aquelas não-privativas de li-
berdade. Possibilitou-se substituir penas de pri-
são de até quatro anos, pelas chamadas penas
restritivas de direito: prestação de serviços à
comunidade; interdição temporária de direitos;
suspensão parcial ou total de atividades; pres-
tação pecuniária e recolhimento domiciliar.
• Lei 9.795, de 27 de abril de 1999. A partici-
pação de cidadãos na promoção do desen-
volvimento sustentável é possibilitada pela Figura 5.1: Propaganda WWF. Fonte: wwf.org.br Acesso em: 23/02/2016
educação, condição imprescindível para o
pleno exercício da democracia. Essa coloca à

45
O artigo 2º determina que: “A Política Nacional do ecológico;
Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, me- II - à definição de áreas prioritárias de ação
lhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia governamental relativa à qualidade e ao equi-
à vida, visando assegurar, no País, condições ao de- líbrio ecológico, atendendo aos interesses da
senvolvimento sócio econômico, aos interesses da se- União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
gurança nacional e à proteção da dignidade da vida Territórios e dos Municípios;
humana, atendidos os seguintes princípios:
III - ao estabelecimento de critérios e padrões
de qualidade ambiental e de normas relativas
I - ação governamental na manutenção do ao uso e manejo de recursos ambientais;
equilíbrio ecológico, considerando o meio am- IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de
biente como um patrimônio público a ser ne- tecnologias nacionais orientadas para o uso
cessariamente assegurado e protegido, tendo racional de recursos ambientais;
em vista o uso coletivo;
V - à difusão de tecnologias de manejo do
meio ambiente, à divulgação de dados e in-
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, formações ambientais e à formação de uma
da água e do ar; consciência pública sobre a necessidade de
preservação da qualidade ambiental e do
equilíbrio ecológico;
Ill - planejamento e fiscalização do uso dos re-
cursos ambientais; VI - à preservação e restauração dos recursos
ambientais com vistas à sua utilização racio-
nal e disponibilidade permanente, concorren-
IV - proteção dos ecossistemas, com a preser- do para a manutenção do equilíbrio ecológico
vação de áreas representativas; propício à vida;
VII - à imposição, ao poluidor e ao predador,
da obrigação de recuperar e/ou indenizar os
V - controle e zoneamento das atividades po-
danos causados e, ao usuário, da contribui-
tencial ou efetivamente poluidoras;
ção pela utilização de recursos ambientais
com fins econômicos.”
VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tec-
nologias orientadas para o uso racional e a
Os instrumentos para sua implementação são de-
proteção dos recursos ambientais;
talhados no art. 9º:
“São instrumentos da Política Nacional do Meio
VII - acompanhamento do estado da qualida- Ambiente:
de ambiental;
I - o estabelecimento de padrões de qualidade
ambiental;
VIII - recuperação de áreas degradadas; II - o zoneamento ambiental;
III - a avaliação de impactos ambientais;
IX - proteção de áreas ameaçadas de IV - o licenciamento e a revisão de atividades
degradação; efetiva ou potencialmente poluidoras;
V - os incentivos à produção e instalação de
X - educação ambiental a todos os níveis de equipamentos e a criação ou absorção de tec-
ensino, inclusive a educação da comunidade, nologia, voltados para a melhoria da qualida-
objetivando capacitá-la para participação ativa de ambiental;
na defesa do meio ambiente”. VI - a criação de espaços territoriais especial-
mente protegidos pelo Poder Público federal,
estadual e municipal, tais como áreas de pro-
O artigo 4º determina que a Política Nacional do
teção ambiental, de relevante interesse ecoló-
Maio Ambiente visará:
gico e reservas extrativistas;
I - à compatibilização do desenvolvimen-
VII - o sistema nacional de informações sobre
to econômico-social com a preservação da
o meio ambiente;
qualidade do meio ambiente e do equilíbrio

46
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades 5.3- SANÇÕES CRIMINAIS E
e Instrumentos de Defesa Ambiental;
SANÇÕES ADMINISTRATIVAS
IX - as penalidades disciplinares ou compen-
satórias ao não cumprimento das medidas
necessárias à preservação ou correção da de- A Lei 9.605, sancionada em 12/02/1998, esta-
gradação ambiental. belece as sanções criminais aplicáveis às atividades
lesivas ao meio ambiente e o Decreto nº 3.179 de
X - a instituição do Relatório de Qualidade do
21/09/1999 regulamentou esta lei e atualizou o rol das
Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente
sanções administrativas aplicáveis às atividades lesi-
pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
vas ao meio ambiente (este Decreto foi revogado pelo
Recursos Naturais Renováveis - IBAMA;
Decreto nº 6.514 de 22 de julho de 2008).
XI - a garantia da prestação de informa-
O objetivo da Lei 9.605 é a responsabilização cri-
ções relativas ao Meio Ambiente, obrigan-
minal do poluidor ou do degradador do meio ambiente,
do-se o Poder Público a produzi-las, quando
sem qualquer pretensão de derrogar a Lei nº 6.938/81,
inexistentes;
que regula as reparações civis decorrentes de atos da-
XII - o Cadastro Técnico Federal de ativida- nosos ao meio ambiente. Em seu artigo 2º a lei deixa
des potencialmente poluidoras e/ou utilizado- claro que a responsabilidade criminal se dará segundo
ras dos recursos ambientais; o grau de culpa do agente e inclui entre os imputáveis
XIII - instrumentos econômicos, como conces- criminalmente não só o responsável direto pelo dano,
são florestal, servidão ambiental, seguro am- mas outros agentes, que sabendo da conduta crimino-
biental e outros.” sa, se omitiram ou não impediram sua prática.

Esta mesma lei, conferiu ao Ministério Público le- Art. 2º: Quem, de qualquer forma, concorre
gitimidade para atuar em defesa do meio ambiente. para a prática dos crimes previstos nesta Lei,
Como o meio ambiente pertence a todos, nada mais incide nas penas a estes cominadas, na medi-
certo do que atribuir a proteção desse interesse a um da da sua culpabilidade, bem como o diretor, o
órgão afeito à tutela dos interesses públicos. administrador, o membro de conselho e de ór-
gão técnico, o auditor, o gerente, o preposto ou
Para WOLFF (2010), o conteúdo técnico da Lei é
mandatário de pessoa jurídica, que, sabendo da
sem dúvida bem elaborado, contudo, apesar de seu
conduta criminosa de outrem, deixar de impedir
objetivo inovador e abrangente, o instrumento não
a sua prática, quando podia agir para evitá-la.
contribuiu efetivamente para trazer soluções eficazes
aos complexos problemas relacionados à proteção do
meio ambiente e à promoção do desenvolvimento en- No artigo 3º consagra a responsabilização criminal
frentados pelo Brasil. da pessoa jurídica, sem excluir a penalização das pes-
soas físicas que possam ser autoras ou coautoras do
mesmo fato danoso ao meio ambiente.
“Os cidadãos e as associações de proteção
do meio ambiente, apesar de todo o arsenal ju-
rídico colocado à sua disposição, são frequente- Art. 3º: As pessoas jurídicas serão respon-
mente impotentes para intervir em um processo sabilizadas administrativa, civil e penalmente
econômico malsão, a fim de reorientá-lo para conforme o disposto nesta Lei, nos casos em
uma moralidade ecológica. Desse modo reforça- que a infração seja cometida por decisão de seu
-se a indisposição coletiva, cuja origem advém representante legal ou contratual, ou de seu ór-
da ausência de uma efetiva política ambiental. gão colegiado, no interesse ou benefício da sua
A inadequação das instituições oficiais que se entidade.
ocupam da proteção do meio ambiente, em ra-
Parágrafo único. A responsabilidade das pes-
zão do distanciamento entre suas inúmeras atri-
soas jurídicas não exclui a das pessoas físicas,
buições e os meios financeiros que dispõem, é
autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
flagrante. Esta situação é agravada pela insu-
ficiência de organização e coordenação intra e
intergovernamental, em todos os níveis da fede- As sanções aplicáveis às pessoas jurídicas são a
ração, pela carência de pessoal especializado e multa, as restritivas de direitos e prestação de serviços
pela irrisória fiscalização dos imensos espaços à comunidade, segundo o artigo 21, e segundo o artigo
naturais brasileiros” (WOLFF, 2010). 22 estas penas restritivas consistem em:

47
Art. 22: As penas restritivas de direitos da VIII - demolição de obra;
pessoa jurídica são: IX - suspensão parcial ou total das ativida-
I - suspensão parcial ou total de atividades; des; e
II - interdição temporária de estabelecimento, X - restritiva de direitos.
obra ou atividade; Em seu artigo 8º e 9º prevê a aplicação de
III - proibição de contratar com o Poder multas, entre o mínimo de R$ 50,00 e o máximo
Público, bem como dele obter subsídios, sub- de R$ 50 milhões.
venções ou doações. Art. 8o: A multa terá por base a unidade, hec-
§ 1º A suspensão de atividades será aplicada tare, metro cúbico, quilograma, metro de car-
quando estas não estiverem obedecendo às vão-mdc, estéreo, metro quadrado, dúzia, esti-
disposições legais ou regulamentares, relati- pe, cento, milheiros ou outra medida pertinente,
vas à proteção do meio ambiente. de acordo com o objeto jurídico lesado.
§ 2º A interdição será aplicada quando o esta- Parágrafo único. O órgão ou entidade am-
belecimento, obra ou atividade estiver funcio- biental poderá especificar a unidade de medida
nando sem a devida autorização, ou em desa- aplicável para cada espécie de recurso ambien-
cordo com a concedida, ou com violação de tal objeto da infração.
disposição legal ou regulamentar. Art. 9o: O valor da multa de que trata este
§ 3º A proibição de contratar com o Poder Decreto será corrigido, periodicamente, com
Público e dele obter subsídios, subvenções ou base nos índices estabelecidos na legislação
doações não poderá exceder o prazo de dez pertinente, sendo o mínimo de R$ 50,00 (cin-
anos. quenta reais) e o máximo de R$ 50.000.000,00
(cinquenta milhões de reais).

A ação penal, diz o artigo 26, é pública incondicio-


nada, ou seja, sua instauração independe da iniciativa
do ofendido. Diz ainda que nos crimes cuja pena míni-
ma prevista seja igual ou inferior a um ano, é possível
a suspensão condicional do processo por um período LEITURA OBRIGATÓRIA:
de dois a quatro anos e, caso os danos seja repara-
do e neste período o agente não venha a cometer ou- Lei nº 9.605

tras irregularidades, é extinta a punibilidade pelo crime http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/


cometido. L9605.htm

O Decreto nº 6.514 de 22 de julho de 2008, Decreto nº 6.514


declara em seu artigo 3º que as empresas infra-
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
toras podem ser punidas com as penalidades de
2010/2008/decreto/d6514.htm
advertência; multa simples ou diária.
Art. 3o: As infrações administrativas são pu-
nidas com as seguintes sanções:
I - advertência;
II - multa simples;
III - multa diária;
IV - apreensão dos animais, produtos e
subprodutos da fauna e flora e demais produtos
e subprodutos objeto da infração, instrumentos,
petrechos, equipamentos ou veículos de qual-
quer natureza utilizados na infração;
V - destruição ou inutilização do produto;
VI - suspensão de venda e fabricação do
produto;
VII - embargo de obra ou atividade e suas
respectivas áreas;

48
5.4- SISTEMA NACIONAL DO MEIO ações de proteção ambiental, na forma estabelecida
pelo CONAMA.
AMBIENTE (SISNAMA)
De acordo com a Lei nº 6.938, de 31 de agosto
1981, em seu artigo 8º:
Destinado a atribuir eficácia à legislação ambiental
Compete ao CONAMA: (Redação dada pela
existe um sistema de órgãos federais, os quais serão
Lei nº 8.028, de 1990)
estudados a seguir.
I - estabelecer, mediante proposta do IBAMA,
O Sistema Nacional do Meio Ambiente
normas e critérios para o licenciamento de ati-
(SISNAMA), é constituído pelos órgãos e entidades da
vidades efetiva ou potencialmente poluidoras, a
União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios
ser concedido pelos Estados e supervisionado
e pelas Fundações instituídas pelo Poder Público, res-
pelo IBAMA; (Redação dada pela Lei nº 7.804,
ponsáveis pela proteção e melhoria da qualidade am-
de 1989)
biental, e tem a seguinte estrutura:
II - determinar, quando julgar necessário,
a realização de estudos das alternativas e das
• Órgão Superior: O Conselho de Governo; possíveis consequências ambientais de projetos
• Órgão Consultivo e Deliberativo: O Conselho públicos ou privados, requisitando aos órgãos
Nacional do Meio Ambiente - CONAMA; federais, estaduais e municipais, bem assim a
entidades privadas, as informações indispen-
• Órgão Central: O Ministério do Meio Ambiente
sáveis para apreciação dos estudos de impacto
- MMA;
ambiental, e respectivos relatórios, no caso de
• Órgão Executor: O Instituto Brasileiro do Meio obras ou atividades de significativa degradação
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ambiental, especialmente nas áreas considera-
- IBAMA; das patrimônio nacional. (Redação dada pela
• Órgãos Seccionais: os órgãos ou entidades es- Lei nº 8.028, de 1990)
taduais responsáveis pela execução de progra- III – (REVOGADO pela Lei nº 11941, de
mas, projetos e pelo controle e fiscalização de 2009)
atividades capazes de provocar a degradação
IV - homologar acordos visando à transfor-
ambiental;
mação de penalidades pecuniárias na obrigação
• Órgãos Locais: os órgãos ou entidades muni- de executar medidas de interesse para a prote-
cipais, responsáveis pelo controle e fiscaliza- ção ambiental; (VETADO);
ção dessas atividades, nas suas respectivas
V - determinar, mediante representação do
jurisdições;
IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fis-
cais concedidos pelo Poder Público, em caráter
O Conselho de Governo é o órgão superior e é o geral ou condicional, e a perda ou suspensão
responsável por assessorar o Presidente da república de participação em linhas de financiamento em
na formulação de diretrizes para a Política Nacional estabelecimentos oficiais de crédito; (Redação
de Meio Ambiente. O CONAMA estabelece parâme- dada pela Vide Lei nº 7.804, de 1989)
tros federais (normas, resoluções e padrões) a serem VI - estabelecer, privativamente, normas
obedecidos pelos Estados. O MMA é o órgão respon- e padrões nacionais de controle da poluição
sável pelo planejamento, coordenação, controle e su- por veículos automotores, aeronaves e embar-
pervisão da Política Nacional do Meio Ambiente. O cações, mediante audiência dos Ministérios
IBAMA é responsável por formular, coordenar, fiscali- competentes;
zar, executar e fazer executar a Política Nacional do
VII - estabelecer normas, critérios e padrões
Meio Ambiente sob os auspícios do MMA. Os órgãos
relativos ao controle e à manutenção da quali-
seccionais são responsáveis por executar programas
dade do meio ambiente com vistas ao uso racio-
e projetos de controle de fiscalização das atividades
nal dos recursos ambientais, principalmente os
potencialmente poluidoras e os órgãos locais são res-
hídricos.
ponsáveis por atividades de controle e fiscalização das
atividades potencialmente poluidoras. Parágrafo único. O Secretário do Meio
Ambiente é, sem prejuízo de suas funções, o
A atuação do SISNAMA se dará mediante articula-
Presidente do Conama. (Incluído pela Lei nº
ção coordenada dos Órgãos e entidades que o consti-
8.028, de 1990.
tuem, observado o acesso da opinião pública às infor-
mações relativas as agressões ao meio ambiente e às

49
5.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• Oriunda de uma mensagem do Poder imputáveis criminalmente não só o responsá-


Executivo, elaborada pela SEMA e amplamen- vel direto pelo dano, mas outros agentes, que
te discutida no Congresso Nacional, foi san- sabendo da conduta criminosa, se omitiram ou
cionada a Lei nº 6.938, de 31 de outubro de não impediram sua prática.
1981, que estabeleceu a Política Nacional do
Meio Ambiente (PNMA). A principal qualida-
de desta legislação foi o reconhecimento de • O Sistema Nacional do Meio Ambiente
que a execução de uma Política Nacional de (SISNAMA), é constituído pelos órgãos e entida-
Meio Ambiente, em um país tão grande como des da União, dos Estados, do Distrito Federal,
o Brasil, não seria possível se não houvesse dos Municípios e pelas Fundações instituídas
uma descentralização das ações, acionando os pelo Poder Público, responsáveis pela proteção
Estados e Municípios como executores de me- e melhoria da qualidade ambiental. O Conselho
didas e providências. de Governo é o órgão superior e é o respon-
sável por assessorar o Presidente da repúbli-
ca na formulação de diretrizes para a Política
• A Constituição federal de 1988, demonstra em Nacional de Meio Ambiente. O CONAMA es-
seu texto, séria preocupação com o meio am- tabelece parâmetros federais (normas, reso-
biente, diferente das Constituições precedentes luções e padrões) a serem obedecidos pelos
que ocupavam-se da proteção do meio ambien- Estados. O MMA é o órgão responsável pelo
te de maneira incidente e refletiam a questão planejamento, coordenação, controle e supervi-
sob a ótica economicista. As interdependências são da Política Nacional do Meio Ambiente. O
entre o desenvolvimento socioeconômico e a IBAMA é responsável por formular, coordenar,
proteção da natureza e dos recursos naturais fiscalizar, executar e fazer executar a Política
levaram a Assembleia Constituinte, responsá- Nacional do Meio Ambiente sob os auspícios do
vel pela elaboração da Constituição de 1988, MMA. Os órgãos seccionais são responsáveis
a uma percepção integradora, contrária àquela por executar programas e projetos de controle
visão parcial dos problemas. A opção ambienta- de fiscalização das atividades potencialmente
lista passou a ser valorizada, ao se cuidar entre poluidoras e os órgãos locais são responsáveis
outros temas do controle dos impactos sobre a por atividades de controle e fiscalização das ati-
natureza e do uso e conservação dos recursos vidades potencialmente poluidoras.
naturais, bem como a opção humanista, ao se
intervir em favor da redução dos desequilíbrios
sociais. Anotações
_________________________________________
• A Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, conhe-
cida como Política Nacional do Meio Ambiente _________________________________________
declara que não há mais dano ambiental a salvo
da respectiva reparação, ou seja, não há mais _________________________________________
emissão poluente tolerada. A lei baseia-se na
ideia de que mesmo o resíduo poluente, tolera- _________________________________________
do pelos padrões estabelecidos, poderá causar
dano ambiental e portanto o causador do dano _________________________________________
deve se sujeitar ao pagamento da indenização.
_________________________________________

• O objetivo da Lei 9.605 é a responsabilização _________________________________________


criminal do poluidor ou do degradador do meio
ambiente, sem qualquer pretensão de derrogar _________________________________________
a Lei nº 6.938/81, que regula as reparações ci-
vis decorrentes de atos danosos ao meio am- _________________________________________
biente. Em seu artigo 2º a lei deixa claro que
a responsabilidade criminal se dará segundo _________________________________________
o grau de culpa do agente e inclui entre os

50
UNIDADE VI
QUESTÕES AMBIENTAIS
GLOBAIS

51
Na unidade 6 apresentaremos algumas
questões ambientais globais. Discutiremos
sobre a destruição da camada de ozônio,
sobre o efeito estufa, sobre a chuva ácida e
sobre o crescimento populacional.
Ao final desta unidade o aluno será ca-
paz de perceber que estas questões ambien-
tais estão contribuindo para o aquecimento
do planeta e para acentuar a escassez de re-
cursos naturais, como por exemplo da água.
Além disso o aluno será capaz de conhecer
possíveis caminhos para que possamos ate-
nuar ou dar fim a estes sérios problemas.
Considerando que somos cidadãos
conscientes e responsáveis pela situação Figura 6.0: Poluição.
que se encontra nosso planeta, esperamos
que através da construção do conhecimento,
o aluno seja capaz de avaliar criticamente e atuar na busca de ações, tanto individuais quanto coletivas, para que
tenhamos uma sociedade mais justa e sustentável.

“Estamos a destruir o planeta e o egoísmo de cada geração não se preocupa em perguntar


como é que vão viver os que virão depois. A única coisa que importa é o triunfo do agora. É a isto
que eu chamo “cegueira da razão.”

(José de Sousa Saramago)

6.1- A DESTRUIÇÃO DA ao atingir a superfície do planeta, provocar graves do-


enças nos seres vivos. Infelizmente, a espécie huma-
CAMADA DE OZÔNIO na vem produzindo substâncias que estão destruindo
a camada de ozônio, tornando-a fina, principalmente
nas regiões próximas ao Polo Norte e Polo Sul. Estas
A camada de ozônio é uma camada de gás que substâncias são principalmente os gases clorofluorcar-
envolve o planeta Terra, está localizada na estratosfe- bonetos (CFCs), os óxidos nítricos e nitrosos e o gás
ra (segunda camada da atmosfera) e é composta pelo carbônico ou dióxido de carbono.
gás ozônio (O3). Esta camada funciona como um fil-
tro que protege o planeta das radiações solares que Os clorofluorcarbonetos (CFCs) são compostos
são nocivas para os seres vivos, incluindo os seres químicos estáveis, com vida média de 139 anos e são
humanos. muito usados pelas indústrias na fabricação de espu-
mas, isopor, nas máquinas de refrigeração, nos apa-
O ozônio é formado por 3 átomos de Oxigênio e relhos de ar-condicionado, como propelentes em ae-
sua produção acontece a partir da colisão de uma mo- rossóis, como isolantes em transformadores elétricos,
lécula de O2 com um átomo de oxigênio, o oxigênio como solventes para a limpeza de placas de circuitos
atômico, na presença da luz solar e de substâncias elétricos e na produção de materiais plásticos. Depois
químicas. Sua destruição ocorre a partir do momento de liberados no ar, demoram cerca de oito anos para
que absorve os raios ultravioleta, pois ocorre uma rea- chegar à estratosfera, onde são degradados pela ação
ção que retira um átomo de oxigênio de sua estrutura da energia solar, liberando átomos de cloro que rea-
molecular. Na estratosfera sua produção e destruição gem quimicamente com o ozônio, destruindo a molé-
ocorrem constantemente e de forma natural. cula e diminuindo sua concentração. Cada átomo de
O ozônio absorve parte da radiação solar, impedin- cloro de CFC pode destruir milhares de moléculas de
do a incidência da maior parte dos raios ultravioleta e ozônio, provocando o que chamamos de “buraco na
da radiação gama provenientes do Sol, que poderiam, Camada de Ozônio”.

52
Na década de 1980 descobriu-se que os CFCs da Coordenação de Proteção da camada de Ozônio/
eram inertes na superfície, mas quando chegavam Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade
na estratosfera tinham um efeito devastador e a par- Ambiental. O MMA conta também com o apoio do
tir daí muito estudos foram feitos e descobriu-se que Ibama e de outros órgãos que compõem o Comitê
os efeitos eram imediatos e as consequências gravís- Interministerial para a Proteção da camada de Ozônio
simas para o planeta. Contudo, no Brasil, a camada (Prozon).
de ozônio não chegou a perder muito do seu tamanho
original, diferente do que ocorreu com os países da
Europa, com os Estados Unidos, China e Japão. Em
janeiro de 2010, foi proibida a produção dos CFCs no LEITURA OBRIGATÓRIA:
mundo.
Ações brasileiras para a proteção da ca-
O Brasil, desde a época da criação da Agência mada de ozônio.
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), proibiu a fa-
Disponível em: http://www.protocolodemon-
bricação e comercialização de produtos e cosméticos
treal.org.br/eficiente/sites/protocolodemontreal.org.br/
sob a forma de aerossóis que tivessem CFCs e em
pt-br/site.php?secao=publicacoes&pub=321
1990 aderiu ao Protocolo de Montreal e se compro-
meteu a acabar totalmente com os CFCs até janeiro
de 2010. A estratégia brasileira resultou em 2010 no
cumprimento de uma de suas mais importantes metas,
a eliminação total da produção e da importação dos
clorofluorcarbonos (CFCs) e o país recebeu dois prê-
mios por seu desempenho e é referência na América
Latina pela excelência no cumprimento das metas 6.2- O EFEITO ESTUFA
estabelecidas.

SAIBA MAIS
Protocolo de Montreal – Foi um
acordo internacional, criado no âm-
bito da Convenção de Viena para a
Proteção da Camada de Ozônio de
1985, onde os países se compromete-
ram em trocar informações, estudar e proteger a
camada de ozônio.
Este Protocolo é composto por cinco acordos
firmados em Montreal, Canadá, em 16 de se-
tembro de 1987. Durante dois anos o protocolo
esteve aberto às assinaturas pelos países, re- Figura 6.1: Camada de Ozônio. Fonte: http://meioambiente.culturamix.com/poluicao/
como-e-destruida-a-camada-de-ozonio Acesso em: 23/02/2016
cebendo a adesão de 46 governos que se com-
prometeram em reduzir em 50% a produção e
consumo de CFCs.
O efeito estufa, em condições naturais, é um fenô-
Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/ meno climático de extrema importância para a vida no
protocolo-de-montreal/ planeta Terra. Em nosso planeta, parte da radiação so-
lar penetra a atmosfera enquanto a outra parte é refle-
tida e volta para o espaço. A radiação que permanece
no planeta é absorvida por determinados gases-estufa
Desde 1993 o Brasil recebe do Fundo Multilateral presentes na atmosfera, como o gás carbônico (dióxi-
(FML), aportes para promover mudanças em proces- do de carbono), o vapor de água, o metano, o ozônio
sos industriais que priorizem o uso de tecnologias li- e o óxido nitroso, e isso faz com que o calor fique re-
vres de substâncias que destroem a camada de ozô- tido, não sendo liberado ao espaço. Os gases-estufa
nio. Muitos projetos foram implementados para frear determinam uma faixa de temperatura que viabiliza a
o consumo dessas substâncias no país. A coordena- vida na Terra. Esse fenômeno faz com que a atmos-
ção de todo o trabalho com este objetivo fica a car- fera permaneça aquecida após o pôr do sol, resfrian-
go do Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do-se lentamente a noite, sendo um efeito natural e

53
necessário uma vez que sem ele seria impossível a Os CFCs que foram vistos no item 6.1 desta apos-
vida na Terra pois a temperatura seria mais ou menos tila, além de destruírem a camada de ozônio também
33ºC mais baixa. intensificam o efeito estufa. Conforme já vimos, estes
Desse modo, a questão preocupante é o acrésci- gases são injetados na atmosfera via introdução dos
mo excessivo na quantidade de gás carbônico e ou- mesmos nas geladeiras e ar condicionados, duran-
tros gases estufa na atmosfera, pois isso pode provo- te os processos de fabricação ou pela sua liberação
car retenção de calor, causando um aquecimento da quando estes produtos deterioram ou apresentam de-
atmosfera terrestre. A temperatura da Terra está sen- feitos, entre outros.
do afetada porque a atividade humana atual libera na O cientista Carlos Nobre esclarece que se o pa-
atmosfera uma grande quantidade destes gases do drão atual de emissões de gases estufa para atmos-
efeito estufa, que passam a atuar na atmosfera inferior fera continuar, há alta probabilidade de que mudanças
como se fossem fontes secundárias de calor. Estes ga- climáticas globais de grande magnitude ocorra nos
ses são oriundos de processos industriais, pelas cha- próximos anos. As mais significativas seriam: aumento
minés das fábricas e pelas queimadas de biomassa. de temperatura, modificações nos padrões de chuvas
Conforme já citado, entre os gases de efeito es- e alterações na distribuição de extremos climáticos,
tufa temos o gás carbônico, que é o responsável por tais como secas, inundações, penetração de frentes
mais de 50% do efeito estufa global. Este gás vem dos frias, geadas, tempestades severas, ventanias, grani-
escapamentos dos veículos automotores, de queima- zos, etc.
das, da combustão de combustíveis, etc. Outros gases Além disso, o aumento de efeito estufa, de acor-
importantes são o gás metano, oriundo do processo do com evidências científicas recentes, apontam para
de combustão incompleta e o óxido nitroso, cuja pre- uma intensificação da variabilidade climática associa-
sença na atmosfera se deve também a processos de da aos eventos El Niño/La Nina. Existem estudos que
combustão incompleta e de processos que envolvem demonstram também a elevação do nível dos mares
microrganismos presentes no solo, acredita-se que é em decorrência do aumento da temperatura global do
injetado na atmosfera via introdução de fertilizantes. planeta. Estima-se que as temperaturas possam variar
De acordo com alguns autores, o incremento ace- entre 0,06ºC e 0,8ºC por década até o ano 2100 e que,
lerado da temperatura média da Terra vem ocorrendo em decorrência desse aquecimento, o nível dos mares
desde a Revolução Industrial, devido à maior concen- possa aumentar de 1cm a 24cm por década no mesmo
tração de gases na atmosfera, principalmente do gás período. Um aumento dos níveis dos oceanos, por me-
carbônico, decorrente das seguintes atividades: nor que seja, provoca prejuízos incalculáveis em todo
o mundo, visto que grande parte da população huma-
• combustão de petróleo, gás, carvão mineral e na vive ao longo da linha litorânea. O previsto aumento
vegetal; do nível médio do mar poderá trazer também conse-
• emissão de gases pelas indústrias; quências para os ecossistemas e as populações hu-
manas nas áreas costeiras e nas áreas ribeirinhas que
• desmatamento e queimada da cobertura vege-
sofrem a influência das marés. No Brasil, de acordo
tal; e
com dados do IBGE de 2006, o equivalente a 23,93%
• fermentação de produtos agrícolas. da população vive na zona costeira.
O Brasil figura em quarto lugar entre os maiores
O gás metano, que também contribui substancial- emissores de gases estufa. Isso se deve às queima-
mente com o efeito estufa é originado através de resí- das oriundas do desmatamento, principalmente da
duos sólidos orgânicos dispostos em aterros sanitários Amazônia, que representam 75% das emissões brasi-
ou gerados em áreas agrícolas. leiras. Portanto, a redução do desmatamento aliado à
adoção de um pacote de eficiência energética e ao uso
Enfim, As emissões de gases de efeito estufa
de fontes não convencionais de energia poderá levar
ocorrem praticamente em todas as atividades huma-
o país a ser líder e exemplo no combate às causas do
nas e setores da economia: na agricultura, por meio
aquecimento global.
da preparação da terra para plantio e aplicação de
fertilizantes; na pecuária, por meio do tratamento de De acordo com Kiperstotok et al (2002), a redução
dejetos animais e pela fermentação entérica do gado; da produção dos chamados gases estufa é a princi-
no transporte, pelo uso de combustíveis fósseis, como pal medida para combater o aquecimento global. No
gasolina e gás natural; no tratamento dos resíduos só- Brasil, incentivos para a retirada do gás carbônico da
lidos, pela forma como o lixo é tratado e disposto; nas atmosfera vem sendo introduzidos. Entre estes me-
florestas, pelo desmatamento e degradação de flores- canismos estão o plantio de florestas e captação de
tas; e nas indústrias, pelos processos de produção, CO2 para injeção em reservatórios de Petróleo. Porém
como cimento, alumínio, ferro e aço, por exemplo. as medidas de maior impacto são aquelas que levam

54
à redução da emissão, como a otimização do uso da
energia e a substituição de fontes tradicionais pelas
fontes alternativas.
Um dos marcos mais importantes no combate ao
efeito estufa e às mudanças climáticas foi a adoção do
Protocolo de Quioto. O Brasil assinou o Protocolo de
Quioto em 23 de agosto de 2002, tendo sua aprova-
ção interna se dado por meio do Decreto Legislativo
nº 144 de 2002. Este protocolo definiu que os países
industrializados reduziriam em pelo menos 5,2% suas
emissões combinadas de gases de efeito estufa em
Figura 6.2: Chuva ácida. Fonte: http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/chuvas-
relação aos níveis de 1990. A primeira etapa do proto- acidas.htm Acesso em: 23/02/2016
colo ocorreu entre 2008 e 2012, ano em que os países
decidiram estendê-lo até 2020. Em função disso, muitos prejuízos já foram causa-
dos pela chuva ácida ocasionada pela ação humana,
como por exemplo: a contaminação do solo; a conta-
minação de rios e lagos, prejudicando a pesca; a des-
SAIBA MAIS truição de patrimônios; o empobrecimento da vegeta-
ção natural; alterações na agricultura e na pecuária,
Protocolo de Montreal – Foi um entre outros.
acordo internacional, criado no âm-
bito da Convenção de Viena para a No Brasil, na cidade de Congonhas do Campo,
Proteção da Camada de Ozônio de em Minas Gerais, a acidez das chuvas tem causado
1985, onde os países se compromete- um grande estrago nas estátuas de pedra-sabão dos
ram em trocar informações, estudar e proteger a 12 profetas, obra do século XVIII de Antônio Francisco
camada de ozônio. Lisboa, o Aleijadinho. Muitas destas imagens históri-
Este Protocolo é composto por cinco acordos cas, estão esburacadas e sem algumas partes, des-
firmados em Montreal, Canadá, em 16 de se- truídas pelo efeito corrosivo dessas chuvas. É neces-
tembro de 1987. Durante dois anos o protocolo sário lembrar que a cidade de Congonhas encontra-se
esteve aberto às assinaturas pelos países, re- no chamado “quadrilátero ferrífero”, no qual há várias
cebendo a adesão de 46 governos que se com- indústrias siderúrgicas, responsáveis pela extração e
prometeram em reduzir em 50% a produção e beneficiamento do minério de ferro da região.
consumo de CFCs.

Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/
protocolo-de-montreal/

6.3- A CHUVA ÁCIDA

Provavelmente a chuva ácida surgiu em meados


do século XIX, em decorrência da revolução Industrial,
mas somente a cerca de uns vinte anos que esse fe-
nômeno começou a preocupar os ambientalistas.
A precipitação ácida ocorre quando aumenta a
concentração de dióxido de enxofre e óxidos de nitro-
gênio, que produzem ácidos sulfúrico e nítrico, respec- Figura 6.3: Esculturas de Aleijadinho, Congonhas, Minas Gerais
tivamente, quando em contato com a água da chuva.
Esses compostos são liberados na combustão de deri- Em Cubatão, no litoral do Estado de São Paulo,
vados de petróleo e do carvão. A fumaça emitida pelas a poluição atmosférica é causada pelos gases emiti-
chaminés de algumas indústrias e escapamentos de dos pelas refinarias de petróleo e outras indústrias que
automóveis possuem uma elevada concentração des- utilizam enxofre em suas atividades, com as indústrias
ses poluentes. A emissão desses gases na atmosfera petroquímicas e siderúrgicas, causando chuvas que
pode ser causada também por erupções vulcânicas. podem atingir índice de acidez com pH entre 4,7 e 3,7.
Em algumas regiões do mundo, algumas precipitações

55
estão atingindo índice de acidez próximo a 2,0, neste 6.4- O CRESCIMENTO
caso altera muito o pH dos rios e lagos e a maioria dos
peixes morrem.
POPULACIONAL

SAIBA MAIS
Como calcular o grau da acidez? A
escala de pH varia de 0 a 14. Quanto
mais baixo o número, maior o índice
de acidez. O pH da água destilada tem
aproximadamente pH=7, que é neutro.
Se o pH for menor que 7, a substância é ácida e
se o pH for maior que 7, a substância é básica.
É importante saber que cada alteração de uma
unidade no valor do pH, significa que o teor de
acidez aumentou 10 vezes: o pH 1 é dez vezes
mais ácido que o pH2 e cem vezes mais ácido
que o pH 3.

Fonte: http://www.infoescola.com/meio-ambiente/
Figura 6.4: Crescimento populacional. Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br/
protocolo-de-montreal/ economia/crescimento-desafia-o-planeta-d4hrhb9fp5d9t9w4e1wtku9fy
Acesso em:23/02/2016

O crescimento populacional é caracterizado como


Algumas medidas podem ser tomadas para atenu- o aumento do número de habitantes no planeta e há
ar a formação de chuva ácida: economia de energia; muito tempo os pesquisadores vêm demonstrando
uso do transporte coletivo; criação e uso de fontes de preocupação com este aumento da população, princi-
energia menos poluentes; utilização de combustíveis palmente pelo comprometimento de sua estabilidade
com baixo teor de enxofre, etc. ambiental e pela exaustão dos recursos naturais.
Segundo Cerqueira, no final do século XVII e iní-
cio do século XVIII que o crescimento populacional no
Anotações mundo se intensificou, isto porque antes desse período
a expectativa de vida era muito baixa, fato que elevava
_________________________________________ as taxas de mortalidade. Em 1930, a Terra era habi-
tada por cerca de 2 bilhões de pessoas e, em 1960,
_________________________________________ esse número atingiu a marca de 3 bilhões, com média
de crescimento populacional de 2% ao ano. Durante a
_________________________________________ década de 1980, a população mundial ultrapassou a
marca de 5 bilhões de pessoas.
_________________________________________ De acordo com o Fundo de População das Nações
Unidas (UNFPA), nos últimos 50 anos, o número de
_________________________________________ habitantes do mundo mais que duplicou, passando de
2 milhões e 500 mil em 1950 e atingindo 7 bilhões em
_________________________________________ 2011. Apesar das taxas de natalidade estarem decres-
cendo na maioria dos países, a população segue au-
_________________________________________ mentando e isso se deve ao aumento da expectativa
de vida da população. A previsão é de que em 2050 a
_________________________________________ população mundial ultrapassará 8 bilhões de pessoas.
Ainda de acordo com o UNFPA, o crescimento po-
_________________________________________
pulacional afeta todos os aspectos do desenvolvimen-
to sustentável, incluindo pobreza, urbanização, HIV/
_________________________________________
Aids, envelhecimento, segurança do meio ambiente,
migração, questões de gênero e de saúde reprodutiva.
_________________________________________

56
Anotações
_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

Figura 6.5: A evolução da população mundial. Fonte:http://www.prof2000.pt/users/jeapbeja/ _________________________________________


wqpublic/teste_formativo.htm Acesso em 20/01/2016)

_________________________________________
O avanço da população mundial eleva a pressão
por alimentos, infraestrutura e serviços essenciais _________________________________________
como saneamento e educação e ao mesmo tempo que
tenta atender essas demandas deve encontrar meios _________________________________________
para reverter e minimizar os danos ao meio ambien-
te, diminuir as desigualdades econômicas e sociais. _________________________________________
O grande desafio das próximas décadas é encontrar
formas para reverter e evitar novos danos ao meio am- _________________________________________
biente, diminuir as disparidades econômicas, as de-
sigualdades sociais e a falência dos grandes centros _________________________________________
urbanos.
Outro problema preocupante com o aumento po- _________________________________________
pulacional é a quantidade de água disponível no pla-
neta. De acordo com o Relatório das Nações Unidas, _________________________________________
o crescimento acentuado da população mundial, as
alterações climáticas, a má gestão e a procura cres- _________________________________________
cente de energia estão a exercer pressões intensas
nas reservas de água do mundo, que estão cada vez _________________________________________
menores.
_________________________________________
O Relatório calcula que em 2030, quase metade
da população mundial estará vivendo em zonas de ele- _________________________________________
vado stress hídrico, incluindo entre 75 milhões e 250
milhões de pessoas na África. E a escassez de água _________________________________________
em algumas zonas áridas e semi-áridas levará entre
24 milhões e 700 milhões de pessoas se deslocarem _________________________________________
para outros locais. Além disso, realça o impacto consi-
derável desta situação na saúde, uma vez que quase _________________________________________
80% das doenças nos países em desenvolvimento es-
tão associadas à água, como por exemplo a diarreia _________________________________________
que mata milhares de crianças por ano está associada
ao abastecimento de água, saneamento básico, higie- _________________________________________
ne e gestão dos recursos hídricos.
_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

57
6.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• O ozônio absorve parte da radiação solar, im- combustíveis fósseis, como gasolina e gás na-
pedindo a incidência da maior parte dos raios tural; no tratamento dos resíduos sólidos, pela
ultravioleta e da radiação gama provenientes forma como o lixo é tratado e disposto; nas flo-
do Sol, que poderiam, ao atingir a superfície restas, pelo desmatamento e degradação de
do planeta, provocar graves doenças nos se- florestas; e nas indústrias, pelos processos de
res vivos. Infelizmente, a espécie humana vem produção, como cimento, alumínio, ferro e aço,
produzindo substâncias que estão destruindo a por exemplo.
camada de ozônio, tornando-a fina, principal-
mente nas regiões próximas ao Polo Norte e • Um dos marcos mais importantes no combate
Polo Sul. Estas substâncias são principalmente ao efeito estufa e às mudanças climáticas foi a
os gases clorofluorcarbonetos (CFCs), os óxi- adoção do Protocolo de Quioto. O Brasil assi-
dos nítricos e nitrosos e o gás carbônico ou dió- nou o Protocolo de Quioto em 23 de agosto de
xido de carbono. 2002, tendo sua aprovação interna se dado por
meio do Decreto Legislativo nº 144 de 2002.
• Os clorofluorcarbonetos (CFCs) são compos- Este protocolo definiu que os países industria-
tos químicos estáveis, com vida média de 139 lizados reduziriam em pelo menos 5,2% suas
anos, são muito usados pelas indústrias na emissões combinadas de gases de efeito es-
fabricação de espumas, isopor, nas máquinas tufa em relação aos níveis de 1990. A primeira
de refrigeração, nos aparelhos de ar-condicio- etapa do protocolo ocorreu entre 2008 e 2012,
nado, como propelentes em aerossóis, como ano em que os países decidiram estendê-lo até
isolantes em transformadores elétricos, como 2020.
solventes para a limpeza de placas de circuitos • Provavelmente a chuva ácida surgiu em me-
elétricos e na produção de materiais plásticos. ados do século XIX, em decorrência da revo-
Depois de liberados no ar, demoram cerca de lução Industrial, mas somente a cerca de uns
oito anos para chegar à estratosfera, onde são vinte anos que esse fenômeno começou a pre-
degradados pela ação da energia solar, liberan- ocupar os ambientalistas. A precipitação ácida
do átomos de cloro que reagem quimicamente ocorre quando aumenta a concentração de dió-
com o ozônio, destruindo a molécula e dimi- xido de enxofre e óxidos de nitrogênio, que pro-
nuindo sua concentração. Cada átomo de cloro duzem ácidos sulfúrico e nítrico, respectivamen-
de CFC pode destruir milhares de moléculas de te, quando em contato com a água da chuva.
ozônio, provocando o que chamamos de “bura- Esses compostos são liberados na combustão
co na Camada de Ozônio”. de derivados de petróleo e do carvão. A fuma-
ça emitida pelas chaminés de algumas indús-
• A questão preocupante com o efeito estufa é
trias e escapamentos de automóveis possuem
o acréscimo excessivo na quantidade de gás
uma elevada concentração desses poluentes. A
carbônico e outros gases estufa na atmosfera,
emissão desses gases na atmosfera pode ser
pois isso pode provocar retenção de calor, cau-
causada também por erupções vulcânicas.
sando um aquecimento da atmosfera terrestre.
A temperatura da Terra está sendo afetada por- • De acordo com o Fundo de População das
que a atividade humana atual libera na atmos- Nações Unidas (UNFPA), nos últimos 50 anos,
fera uma grande quantidade destes gases do o número de habitantes do mundo mais que
efeito estufa, que passam a atuar na atmosfera duplicou, passando de 2 milhões e 500 mil em
inferior como se fossem fontes secundárias de 1950 e atingindo 7 bilhões em 2011. Apesar
calor. Estes gases são oriundos de processos das taxas de natalidade estarem decrescen-
industriais, pelas chaminés das fábricas e pelas do na maioria dos países, a população segue
queimadas de biomassa. aumentando e isso se deve ao aumento da ex-
pectativa de vida da população. A previsão é de
• As emissões de gases de efeito estufa ocorrem
que em 2050 a população mundial ultrapassará
praticamente em todas as atividades humanas
8 bilhões de pessoas.
e setores da economia: na agricultura, por meio
da preparação da terra para plantio e aplicação
de fertilizantes; na pecuária, por meio do trata-
mento de dejetos animais e pela fermentação
entérica do gado; no transporte, pelo uso de

58
UNIDADE VII
ENERGIA

59
Na unidade 7 estudaremos as fontes de energia renováveis e não
renováveis. Discutiremos também sobre os impactos ambientais
causados pela exploração e uso da energia e sobre as Políticas
Nacionais de Conservação de Energia.
Ao final desta unidade o aluno será capaz de perceber
que em busca de energia, o ser humano passou a explorar
diferentes processos que acarretaram impactos profundos no
meio ambiente. Além disso o aluno será capaz de compre-
ender a urgência da busca por energias alternativas capazes
de suprir nossas necessidades e preservar a natureza para as
futuras gerações.
Considerando que somos cidadãos conscientes e responsáveis
pela situação que se encontra nosso planeta, esperamos que através
da construção do conhecimento, o aluno seja capaz de avaliar critica-
mente e atuar na busca de ações, tanto individuais quanto coletivas,
para que tenhamos uma sociedade mais justa e sustentável. Figura
7.0: Energia Limpa.
Imagem: freepik.com

“Os problemas ambientais não ocorrem exclusivamente onde as pessoas são ricas ou onde
as pessoas são pobres; eles ocorrem em todo lugar. Tornar-se rico e industrializado não resolve
automaticamente os problemas ambientais, ao contrário, gera todo um novo conjunto deles.”

(Donella Meadows)

7.1- FONTES DE ENERGIA de energia podem ser chamadas de convencionais e


produzem grande impacto ambiental. São exemplos:
NÃO RENOVÁVEIS combustíveis fósseis e combustíveis nucleares.
Este tipo de energia é também considerado “ener-
Iniciando a discussão sobre as fontes de energia, gia suja”, já que sua utilização causa danos para o
é necessário sabermos que existem as fontes primá- meio ambiente e para a sociedade, como: destruição
rias e secundárias. Chamamos de fonte primária quan- de ecossistemas, doenças, danos em bosques e aquí-
do a energia é utilizada de forma direta pelos seres vi- feros, redução da produtividade agrícola, corrosão de
vos, como por exemplo, a lenha. Chamamos de fonte edificações e monumentos, deterioração da camada
secundária, quando a energia passa por um proces- de ozônio, chuva ácida, efeito estufa, etc.
so de transformação, como por exemplo a gasolina, De acordo com Menegat (2006), os combustíveis
o óleo diesel, o óleo combustível, querosene, carvão fósseis são extraídos de depósitos naturais de pe-
vegetal, álcool, eletricidade, entre outros. Este proces- tróleo, gás natural e carvão mineral. Estes depósitos
so de transformação ocorre em refinarias de petróleo, formaram-se a milhões de anos a partir da decompo-
plantas de gás natural, usinas de gaseificação, carvo- sição de vegetais e animais, submetidos a altas tem-
arias, destilarias, usinas hidrelétricas, centrais termelé- peraturas e pressões na crosta terrestre. O tempo de
tricas e outras (SILVA E FELISBINO, 2009). formação desses combustíveis é da ordem de milhões
As fontes não renováveis de energia se encon- de anos e sua utilização pelas atividades humanas é
tram na natureza em quantidades limitadas e uma vez muito rápida e por este motivo constituem um estoque
esgotadas, não podem ser regeneradas. Todas essas não renovável. Os combustíveis nucleares provêm do
fontes têm reservas finitas, uma vez que é necessá- Urânio e do tório, que liberam uma grande quantida-
rio muito tempo para as repor, e além disso, sua dis- de de energia pela fissão (divisão) de seus núcleos e
tribuição geográfica não é homogenia. Estas fontes também existem em quantidades limitadas na crosta

60
terrestre. também produzir energia elétrica em usinas termelétri-
Ainda de acordo com o mesmo autor, a fissão de cas. Atualmente, o carvão mineral contribui com apro-
um grama de urânio produz uma quantidade de ener- ximadamente 22% da produção de energia mundial,
gia três milhões de vezes maior que a combustão de sendo o mais importante combustível para a geração
um grama de carvão, porém este rendimento energéti- de energia elétrica (40% da produção).
co está associado a sérios problemas ambientais, rela- O principal problema na utilização do carvão está
cionados à disposição dos resíduos gerados durante o ligado aos poluentes resultantes de sua queima, que
processo de produção. produz cinzas, dióxido de carbono, dióxidos de enxofre
O petróleo é considerado a principal fonte de ener- e óxidos de azoto.
gia atual. Trata-se de um óleo menos denso que a
água, de cor escura e cheiro forte, constituído princi-
palmente por hidrocarbonetos leves e pesados. O óleo 7.2 FONTES DE ENERGIA
bruto sofre um processo de destilação nas refinarias RENOVÁVEIS OU
de petróleo, gerando diversos componentes e os mais ENERGIAS ALTERNATIVAS
variados combustíveis e matérias- primas. Dele obtém-
-se a gasolina, que é utilizada como combustível para
automóveis e utilitários; a querosene, para o abasteci- As fontes de energia renováveis são representa-
mento de aeronaves; o óleo diesel como combustível das pelos bens naturais que não se esgotam ou que
para ônibus, caminhões, máquinas industriais e agrí- podem ser repostos em curtos períodos de tempo.
colas e usinas termelétricas; entre outros. Os deriva- Apresentam limitações em termos da quantidade de
dos do petróleo são importantes tanto para a geração energia disponível a cada momento e por isso são
de energia elétrica quanto para os transportes. complementares às fontes de energias convencionais.
A gasolina é o produto mais utilizado e mais ren- As energias renováveis, em geral, causam pequenos
tável do petróleo. Todos os transportes, a nível mun- impactos no meio ambiente e por este motivo são ex-
dial, dependem da gasolina, do jet fuel (usado pelos celentes alternativas ao sistema energético tradicional.
aviões) e do gasóleo. Contudo, estima-se que com o Entre as fontes de energias alternativas desta-
atual ritmo de consumo, as reservas de petróleo de cam-se: energia solar, energia eólica, energia hídrica,
esgotem nos próximos 30 anos. O petróleo é um dos energia dos oceanos, energia da biomassa, energia do
combustíveis mais nocivos para o meio ambiente, pois gás hidrogênio e energia geotérmica.
em todas as fases do consumo ele é prejudicial: du- Energia solar – É a energia que vem do sol. A ra-
rante a extração, devido à possibilidade de derramar diação solar pode ser utilizada diretamente como fonte
no local; durante o transporte, devido à utilização de de energia térmica, para aquecimento de fluidos e am-
infraestruturas obsoletas; durante a refinação, devido bientes e para geração de potência mecânica ou elétri-
à possibilidade de contaminação com os resíduos das ca. Pode ainda ser convertida diretamente em energia
refinarias; no momento da combustão, devido à emis- elétrica, por meio de efeitos sobre determinados ma-
são de gases estufa para a atmosfera. teriais, entre os quais se destacam o termoelétrico e o
O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos fotovoltaico.
leves, na qual o metano (CH4) corresponde a cerca de O aquecimento solar passivo é o aproveitamento
70% em volume, mas sua composição pode variar de da iluminação natural e do calor para aquecimento de
acordo com o depósito de origem. Ocorre em camadas ambientes e decorre da penetração ou absorção da ra-
superiores ao depósito de petróleo. O gás natural pode diação solar nas edificações, reduzindo desta maneira,
ser utilizado como combustível em usinas termelétri- as necessidades de iluminação e aquecimento. Assim,
cas, indústrias, para uso em residências e automóveis. um melhor aproveitamento da radiação solar pode ser
A principal diferença com o petróleo é que o gás natu- feito com o auxílio de técnicas mais sofisticadas de ar-
ral pode ser usado tal como é extraído, sem necessi- quitetura e construção.
dade de refinação e apresenta uma combustão mais
limpa do que qualquer derivado do petróleo. O aproveitamento térmico para aquecimento de
fluidos é feito com o uso de coletores ou concentrado-
Os depósitos de carvão mineral são formados pela res solares. Estes são mais usados em aplicações re-
compactação da matéria orgânica fóssil sob condições sidenciais e comerciais e para o aquecimento de água.
de pressão e temperatura diferentes do petróleo e do Os concentradores solares destinam-se a aplicações
gás natural. O carvão é uma rocha orgânica, constitu- que requerem temperaturas mais elevadas, como a
ída maioritariamente por carbono. A queima do carvão secagem de grãos e a produção de vapor. Neste úl-
mineral fornece energia que pode ser utilizada para di- timo caso, pode-se gerar energia mecânica com o
ferentes finalidades: cozinhar, movimentar máquinas e auxílio de uma turbina a vapor, e, posteriormente,

61
eletricidade, por meio de um gerador. Benefícios do uso da energia solar:
A conversão direta da energia solar em energia
elétrica ocorre pelos efeitos da radiação (calor e luz)
sobre determinados materiais, particularmente os se-
micondutores. Entre esses, destacam-se os efeitos
termoelétrico e fotovoltaico. O primeiro caracteriza-se
pelo surgimento de uma diferença de potencial, provo-
cada pela junção de dois metais, em condições espe-
cíficas e no segundo, os fótons contidos na luz solar
são convertidos em energia elétrica, por meio do uso
de células solares.
As vantagens do uso da energia solar estão na
significativa poupança energética e econômica, que
chega a atingir, em alguns casos mais de 80% e além Figura 7.1: Energia solar. Fonte: http:/dadessolares.org.br/ligado/ Acesso em 23/01/2016
disso, existe uma grande disponibilidade de tecnologia
no mercado. A desvantagem pode estar no elevado in-
vestimento na instalação solar. Energia eólica – É a energia que vem dos ven-
tos. A diferença entre as quantidades de energia solar
As principais aplicações da energia solar são: recebidas nas várias partes da superfície terrestre cau-
produção de água quente sanitária (AQS) para uso sa diferenças de temperatura e pressão e provoca os
doméstico, hospitais, hotéis, etc; aquecimento de pis- ventos. A energia cinética, o movimento de rotação da
cinas; aquecimento do ambiente; arrefecimento do Terra e a atração gravitacional da Terra sobre a mas-
ambiente; produção de água a elevadas temperaturas sa da atmosfera que a envolve também contribuem
destinada a uso industrial, entre outras. Pode-se cap- para a formação dos ventos. Portanto a energia eólica
tar energia solar por meio de: resulta da energia solar e da energia gravitacional. O
a-Coletores planos, que aproveitam não só a aproveitamento da energia contida nos ventos ocorre
radiação solar, mas também a radiação difu- por meio da conversão da energia cinética, utilizando
sa (em dias nublados) para aquecimento da turbinas eólicas para gerar eletricidade ou cata ventos
água e do ar; para trabalhos mecânicos.
Energia hídrica – É a energia que vem das que-
das de água, originada pela força da gravidade. As
b-Células fotovoltaicas, usadas para geração
quedas d’água podem existir naturalmente ou podem
direta de energia elétrica, aproveitando o efei-
ser construídas pelo ser humano e a transformação
to fotovoltaico que a radiação solar direta des-
do movimento das águas em energia elétrica é reali-
prende elétrons de materiais semicondutores,
zada pelas usinas hidrelétricas. Nessas usinas são
dando origem a corrente elétrica;
instaladas turbinas que necessitam da construção de
barragens para represamento da água e quando as
c-Coletores concentradores, que concentram comportas se abrem a água desce em grande veloci-
radiação solar direta num único ponto, produ- dade movimentando as turbinas que movimentam os
zindo calor em alta temperatura para vapori- geradores. O movimento desses geradores produz a
zar a água e gerar eletricidade numa turbina. energia elétrica.
Energia dos oceanos – É a energia resultante
das marés, provocada pelo movimento de rotação da
É importante sabermos, que quase todas as fontes
lua em torno da Terra. A atração gravitacional provoca
de energia: hidráulica, biomassa, eólica, combustíveis
variações na altura da superfície do mar, fazendo com
fósseis e energia dos oceanos são formas indiretas de
que os desníveis entre as marés baixa e alta sejam
energia solar.
significativos.
Energia da biomassa – É a energia resultante
da matéria orgânica de origem animal e vegetal. Este
tipo de energia vem da cana-de-açúcar, de lenhas e
madeiras, de óleos vegetais como mamona e dendê,
de esterco de animais, de esgoto, de resíduos orgâni-
cos, etc. Esses materiais são transformados em ener-
gia pelas vias termoquímica ou bioquímica. O biodie-
sel por exemplo provém de óleos vegetais e animais,

62
que podem ser misturados ao óleo diesel produzido do 7.3- IMPACTOS AMBIENTAIS NA
petróleo para movimentar os motores. Os óleos usa-
dos em frituras e que são coletados em restaurantes
EXPLORAÇÃO E USO DA ENERGIA
e residências também podem ser transformados em
biocombustível. Toda energia produzida e consumida gera um tipo
A energia da biomassa pode ser convertida em de impacto ambiental e a irreversibilidade desses im-
outras formas de energia como: energia calorífera, pactos é o que tem provocado muita preocupação.
energia mecânica e energia elétrica. Estes impactos vão desde o aquecimento global devi-
do a queima contínua dos combustíveis fósseis à per-
Energia do hidrogênio – É a energia resultan-
da de sítios arqueológicos e da biodiversidade, devido
te da queima do hidrogênio. A queima de hidrogênio
à construção de reservatórios de hidrelétricas.
(H2) pode ser feita de forma idêntica à de outros com-
bustíveis e a chama da queima do hidrogênio chega Na busca constante por mais energia, a sociedade
a 2.400oC, um pouco mais do que se obtém na quei- negligenciou os cuidados com a preservação da natu-
ma de gás natural ou gasolina. Ele também pode ser reza, gerando impactos ambientais de diferentes pro-
usado em pilhas de combustível. Em motores de com- porções. O progresso econômico sempre se baseou
bustão, a emissão resultante da queima do hidrogênio no consumo de energia e a utilização desta energia
puro é o vapor d’água proveniente da combinação do sempre provocou perdas ambientais consideráveis ao
hidrogênio com o oxigênio do ar. O emprego do hidro- longo de muitos anos, além de provocar contrastes so-
gênio como fonte de energia tornou-se atraente devido ciais incríveis. “Cidadãos típicos de nações industriali-
ao baixo impacto ambiental, porém o elevado custo na zadas consomem em seis meses o mesmo que cida-
extração e a baixa eficiência de armazenamento cons- dãos típicos dos países em desenvolvimento durante
tituem desafios. Além disso, o hidrogênio dificilmente é toda a sua vida” (MAURICE STRONG apud MILLER,
encontrado isoladamente na natureza, pois ele sempre 2007, p.323).
está combinado com outros elementos, como oxigênio Tanto a exploração quanto a produção e transpor-
e carbono. te de petróleo podem gerar impactos ambientais nega-
Energia geotérmica – É a energia obtida a par- tivos. O vazamento do petróleo causa danos aos ecos-
tir do calor proveniente do interior da Terra, especial- sistemas marinhos e a exploração em terra pode gerar
mente em regiões vulcânicas ou com fortes atividades infiltrações de petróleo no solo e contaminação de len-
sísmicas. O calor existente nas camadas interiores da çóis subterrâneos. Nas refinarias de petróleo existem
Terra é utilizado na central de energia geotérmica, para riscos de explosão e incêndio, e além disso, essas refi-
produzir vapor d’água que vai acionar uma turbina. narias poluem o ar com o lançamento na atmosfera de
Este tipo energia não é explorado no Brasil. óxidos de enxofre, nitrogênio e monóxido de carbono.
O vazamento do petróleo pode ocorrer devido
a problemas nas instalações e no funcionamento de
equipamentos. A magnitude do impacto ambiental
pode ser avaliada através da quantidade de óleo der-
ramado e do tempo de permanência deste óleo no am-
biente aquático.
No caso do carvão natural, vários problemas ocor-
rem devido ao seu elevado teor de enxofre e cinzas. A
geração de energia elétrica e de calor a partir de com-
bustíveis fósseis passa pelas usinas termelétricas, que
podem ser alimentadas por carvão mineral, óleo diesel
ou gás natural. Estas usinas liberam gases de efeito
estufa e lançam nos rios, lagos e mares, águas resi-
duais de resfriamento com temperatura até 25ºC mais
elevadas do que as existentes e esta água aquecida
possui menos oxigênio dissolvido que a água fria, pre-
judicando a vida aquática e a ação das bactérias de-
compositoras de resíduos orgânicos.
Figura 7.2: Fontes de energia. Fonte: http://www.portal-energia.com/fontes-de-energia
Acesso em: 23/02/2016 Para a obtenção da energia proveniente da bio-
massa são necessárias várias extensões de terras e
os problemas ambientais provenientes da produção
da biomassa estão ligados à monocultura de milho,

63
cana-de-açúcar e outros; à saturação do solo; ao uso equipamentos mais eficientes, propondo a colocação
intensivo de fertilizantes e agrotóxicos e à perda da de etiquetas que indicam o consumo elétrico dos equi-
biodiversidade. pamentos, o segundo é coordenado pela Petrobrás e
Os átomos radioativos contaminam a atmosfera, promove ações de etiquetagem de produtos e cuida-
as águas subterrâneas, a vegetação, os animais e che- dos no transporte de derivados de petróleo e gás.
ga também aos seres humanos. Nos seres vivos esta Como instrumentos legais, destacam-se as Leis
radiação pode causar câncer, queimaduras, infecções, 9.991/2000 e 10.295/2001.
entre outros problemas. O contato direto com a radia- A Lei nº 9.991 estabelece que as concessionárias
ção pode levar à morte. Além disso, os vazamentos de e permissionárias de serviços públicos de distribuição
resíduos ou substâncias radioativas podem ocorrer du- de energia elétrica sejam obrigadas a aplicar anual-
rante todo o processo eu envolve energia nuclear mente o montante de, no mínimo 0,75% de sua receita
A geração de energia hidrelétrica também acarre- operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do
ta impactos ambientais significativos. As centrais com setor elétrico, e no mínimo 0,25% em programas de
grandes reservatórios provocam alterações nos meios eficiência energética no uso final.
físicos e biótico, além de bruscas mudanças no per- A Lei nº 10.295 determina que o Poder Executivo
fil social e econômico das comunidades humanas si- deve estabelecer os níveis máximos de consumo es-
tuadas tanto na área do reservatório como rio abaixo. pecífico de energia, ou mínimos de eficiência energéti-
Grandes quantidades de materiais que são emprega- ca, de máquinas e aparelhos fabricados ou comerciali-
dos durante a construção das barragens também pro- zados no país.
vocam impactos ambientais.
A população deve tomar consciência e agir de
O enchimento do reservatório provoca mudanças forma que possa contribuir para a redução do uso de
na flora e na fauna locais, além de aumentar o acúmu- energia. Atitudes simples como: usar a luz solar no lu-
lo de sedimentos no fundo do lago, ou seja, o assorea- gar da energia elétrica, usar equipamentos que redu-
mento. A inundação de áreas que eram agriculturáveis zem o consumo de energia, incentivar o uso do trans-
também é causada pela instalação de hidrelétricas. O porte coletivo, usar luz fluorescente, entre outras, são
microclima e o ciclo hidrológico do local também po- essenciais.
dem ser afetados.
Além do esgotamento das fontes de energia con-
vencionais que pode ocorrer daqui há alguns anos, o
principal problema está na poluição causada pelo uso
deste tipo de energia. A produção de energia e o seu
consumo está intimamente relacionado com a degra-
dação do meio ambiente. A queima de combustíveis
fósseis, por exemplo, é problemática em vários níveis
pois produz os poluentes óxidos de enxofre e nitrogê-
nio, além do monóxido de carbono.

Figura 7.3: Barragem, hidroelétrica.

7.4 POLÍTICAS NACIONAIS DE


CONSERVAÇÃO DE ENERGIA

O Brasil possui dois programas específicos


para conservação de energia e racionalização do
seu uso, o Programa Nacional de Conservação de
Energia Elétrica (Procel) e o Programa Nacional de
Figura 7.4: energias renováveis. Imagem: freepik.com
Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do
Gás Natural (Conpet). Enquanto o primeiro é coorde-
nado pela Eletrobrás e incentiva a produção e o uso de

64
O grande desafio mundial consiste em gerar ener- Anotações
gia e ao mesmo tempo, administrar a redução das re-
servas petrolíferas e restringir a emissão de gás carbô- _________________________________________
nico, através da diminuição da queima de combustíveis
fósseis. Portanto é necessário o desenvolvimento de _________________________________________
novas tecnologias adequadas para várias opções exis-
tentes de energias renováveis (MENEGAT, 2006). _________________________________________
De acordo com alguns autores, a solução mais
simples para a problemática da energia é a adoção de _________________________________________
energias renováveis, que incluem biomassa, solar, eó-
lica, entre outras. “Todas essas novas formas de ener- _________________________________________
gia, chamadas em geral “energias alternativas” estão
deixando de ser objeto de pesquisas tecnológicas, e _________________________________________
estão entrando no mercado e competindo com as for-
mas convencionais de energia. É o caso da energia _________________________________________
eólica, que é competitiva em vários países do mun-
do, e do etanol, que é competitivo com a gasolina, no _________________________________________
Brasil” (GOLDEMBERG et al, 2008, p.180).
_________________________________________
No Brasil, a utilização do etanol é crescente e me-
rece destaque. O Proálcool, criado em 1975, iniciou-se
_________________________________________
com pequenos produtores e se tornou o maior progra-
ma de produção de álcool, ou seja, de biomassa re-
_________________________________________
novável em nível mundial. A produção do álcool pode
ser feita a partir da fermentação da cana-de açúcar,
_________________________________________
mandioca, milho, entre outras matérias-primas, mas a
maior produtividade energética é fornecida pela cana-
_________________________________________
-de açúcar.

_________________________________________

_________________________________________
ACESSE:
Para saber sobre o Programa Brasileiro de _________________________________________
Biocombustíveis do Ministério da Ciência e Tecnologia
_________________________________________
• Programa de Desenvolvimento Tecnológico
para o Biodiesel
_________________________________________
• Programa de C, T&I para o Etanol
_________________________________________

http://www.mct.gov.br/index.php/content/ _________________________________________
view/73422.html

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

_________________________________________

65
7.5- REVISÃO DO CONTEÚDO

• As fontes não renováveis de energia se encon- quantidade de energia disponível a cada mo-
tram na natureza em quantidades limitadas e mento e por isso são complementares às fontes
uma vez esgotadas, não podem ser regenera- de energias convencionais. As energias reno-
das. Todas essas fontes têm reservas finitas, váveis, em geral, causam pequenos impactos
uma vez que é necessário muito tempo para as no meio ambiente e por este motivo são exce-
repor, e além disso, sua distribuição geográfica lentes alternativas ao sistema energético tra-
não é homogenia. Estas fontes de energia po- dicional. Entre as fontes de energias alternati-
dem ser chamadas de convencionais e produ- vas destacam-se: energia solar, energia eólica,
zem grande impacto ambiental. São exemplos: energia hídrica, energia dos oceanos, energia
combustíveis fósseis e combustíveis nucleares. da biomassa, energia do gás hidrogênio e ener-
gia geotérmica.

• O petróleo é considerado a principal fonte de


energia atual. Trata-se de um óleo menos den- • Toda energia produzida e consumida gera um
so que a água, de cor escura e cheiro forte, tipo de impacto ambiental e a irreversibilidade
constituído principalmente por hidrocarbonetos desses impactos é o que tem provocado mui-
leves e pesados. O óleo bruto sofre um pro- ta preocupação. Estes impactos vão desde o
cesso de destilação nas refinarias de petróleo, aquecimento global devido a queima contínua
gerando diversos componentes e os mais va- dos combustíveis fósseis à perda de sítios ar-
riados combustíveis e matérias- primas. Dele queológicos e da biodiversidade, devido à
obtém-se a gasolina, que é utilizada como com- construção de reservatórios de hidrelétricas.
bustível para automóveis e utilitários; a que-
rosene, para o abastecimento de aeronaves;
o óleo diesel como combustível para ônibus, • A população deve tomar consciência e agir de
caminhões, máquinas industriais e agrícolas e forma que possa contribuir para a redução do
usinas termelétricas; entre outros. uso de energia. Atitudes simples como: usar a
luz solar no lugar da energia elétrica, usar equi-
pamentos que reduzem o consumo de energia,
• O gás natural é uma mistura de hidrocarbone- incentivar o uso do transporte coletivo, usar luz
tos leves, na qual o metano (CH4) correspon- fluorescente, entre outras, são essenciais.
de a cerca de 70% em volume, mas sua com-
posição pode variar de acordo com o depósito
de origem. Ocorre em camadas superiores ao
depósito de petróleo. O gás natural pode ser
utilizado como combustível em usinas termelé-
tricas, indústrias, para uso em residências e
automóveis.

• Os depósitos de carvão mineral são formados


pela compactação da matéria orgânica fóssil
sob condições de pressão e temperatura dife-
rentes do petróleo e do gás natural. O carvão
é uma rocha orgânica, constituída maioritaria-
mente por carbono. A queima do carvão mine-
ral fornece energia que pode ser utilizada para
diferentes finalidades: cozinhar, movimentar
máquinas e também produzir energia elétrica
em usinas termelétricas

• As fontes de energia renováveis são represen-


tadas pelos bens naturais que não se esgotam
ou que podem ser repostos em curtos períodos
de tempo. Apresentam limitações em termos da

66
UNIDADE VIII
BIODIVERSIDADE E
CONSERVAÇÃO DA
BIODIVERSIDADE

67
Na unidade 8 discutiremos sobre a
Biodiversidade e as espécies brasileiras amea-
çadas de extinção. Estudaremos também so-
bre a Convenção da Diversidade Biológica e
as Metas de Aichi, além discutirmos um pou-
co sobre as áreas protegidas e Unidades de
Conservação no Brasil.
Ao final desta unidade o aluno será
capaz de compreender o conceito de
Biodiversidade e a importância da preser-
vação da biodiversidade. Além de com-
preender que existe um grande número de
espécies no Brasil ameaçadas de extinção e
conhecer as ações e projetos que estão sen- Figura 8.0: Biodiversidade Brasileira. Imagem: http://www.nativebiodiversidade.com.br/
Acesso em: 23/02/2016
do desenvolvidas para a preservação destas
espécies e conservação da biodiversidade.
Considerando que somos cidadãos conscientes e responsáveis pela situação que se encontra nosso planeta,
esperamos que através da construção do conhecimento, o aluno seja capaz de avaliar criticamente e atuar na busca
de ações, tanto individuais quanto coletivas, para que tenhamos uma sociedade mais justa e sustentável.

“Só uma sociedade bem informada a respeito da riqueza, do valor e da importância da


biodiversidade é capaz de preservá-la.”

(Washington Novais)

8.1- A BIODIVERSIDADE biodiversidade do mundo. Em nosso país existem mais


de 120 mil espécies de invertebrados e aproximada-
BRASILEIRA
mente 8.930 espécies de vertebrados, sendo 711 es-
pécies de mamíferos, 1900 de aves, 732 de répteis,
A biodiversidade é a imensa variedade de vida 973 de anfíbios, 3133 de peixes continentais e 1276
na Terra, e está por toda parte, em terra firme ou na de peixes marinhos. A variedade de biomas brasileiros
água, no topo das montanhas ou no fundo dos ocea- reflete esta enorme riqueza da fauna e também da flo-
nos. A Convenção sobre Diversidade Biológica, define ra e eleva o Brasil ao posto de principal nação entre 17
biodiversidade ou “diversidade biológica” como: “a va- países com grande biodiversidade.
riabilidade de organismos vivos de todas as origens, Além disso, muitas espécies brasileiras são en-
compreendendo, dentre outros, os ecossistemas ter- dêmicas e muitas plantas de importância econômica
restres, marinhos e outros ecossistemas aquáticos e mundial são originárias do Brasil. O país abriga tam-
os complexos ecológicos de que fazem parte; compre- bém uma rica sociobiodiversidade que é representa-
endendo ainda a diversidade dentro de espécies, entre da por povos indígenas e por diversas comunidades,
espécies e de ecossistemas”. como quilombolas, caiçaras e seringueiros que reú-
A variação das espécies desempenha um papel nem um inestimável acervo de conhecimentos tradicio-
muito importante na manutenção do equilíbrio dos nais sobre a conservação da biodiversidade.
ecossistemas e a riqueza biológica do nosso planeta De acordo com Neiman (2013), a floresta ama-
está relacionada à variação genética de cada espécie zônica abriga uma incrível diversidade biológica, cal-
e à sua capacidade de adaptar-se a diferentes condi- cula-se que dentro da floresta vivem em harmonia 40
ções ambientais. A importância da biodiversidade está mil espécies de vegetais, 1.400 de peixes, 1.300 de
no fato de que dentro do ecossistema as espécies in- pássaros, 300 de mamíferos e 14 gêneros de prima-
teragem através de relações de associação e interde- tas, dos quais 5 são exclusivamente dessa região,
pendência, criando dessa maneira um todo coeso e sem falar das milhares de espécies de insetos, outros
em equilíbrio dinâmico. invertebrados e micro organismos. E de acordo com
O Brasil é o responsável pela gestão da maior este mesmo autor, boa parte desta variedade ainda

68
permanece desconhecida da ciência. endêmicas na Floresta Amazônica.
Mantendo-se a teia da vida, cada espécie contribui A Lista Nacional das Espécies Ameaçadas de
para a manutenção da vida no planeta e o ser humano Extinção é um dos mais importantes instrumentos para
tem que entender que a presença da nossa espécie no a conservação da biodiversidade, utilizada pelo gover-
planeta também depende desta teia, temos que enxer- no brasileiro. Nesta lista são apontadas as espécies
gar a grandeza que os ecossistemas abrigam. É cer- que de alguma forma estão ameaçadas.
to que quando não respeitamos o equilíbrio dinâmico Em 2014, a então ministra do Meio Ambiente
do meio e as peculiaridades do ecossistema podemos Izabella Teixeira, apresentou as novas Listas Nacionais
provocar uma ameaça à vida. de Espécies Ameaçadas de Extinção. Foi divulgada
São exemplos de algumas ações humanas de ris- a Lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas
co à biodiversidade: de Extinção, produzida pelo Jardim Botânico do Rio
a) Retirada da vegetação nativa para implantação de janeiro e a Lista de Espécies da fauna Brasileira
de atividades agrícolas e pastoris; Ameaçadas de Extinção, elaborada pelo ICMBio.

b) Construção de reservatórios de usinas hidroelé-


trica que alagam grandes áreas de vegetação nativa;
c) Crescimento urbano associado a poluição. SAIBA MAIS
A introdução de espécies exóticas que são origina-
das de local que possui condições ambientais diferen- O que é ICMBio? Instituto
ciadas também é um aspecto que pode desequilibrar Chico Mendes de Conservação da
o meio ambiente uma vez que elas não possuem pre- Biodiversidade. Foi criado em 28 de
dadores naturais que vão controlar o seu crescimento agosto de 2007, pela Lei 11.516, é vin-
neste novo ambiente. Elas expulsam ou reduzem as culado ao Ministério do Meio Ambiente
e integra o Sistema nacional do Meio Ambiente
populações nativas, causando impactos ecológicos,
(SISNAMA). Tem a função de executar as
econômicos ou sociais negativos.
ações do Sistema Nacional de Unidades de
Conservação (UCs), podendo propor, implan-
“O ser humano por meio da cultura constrói tar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as UCs
instituídas pela União. Cabe ainda ao Instituto,
seus modos de relação com os ecossistemas,
fomentar e executar programas de pesquisa,
criando assim novos saberes que irão pautar
proteção, preservação e conservação da biodi-
seu modo de viver no meio, estas relações po-
versidade e exercer o poder de polícia para pro-
dem estar em consonância com a sustentabili- teção das Unidades de Conservação federais.
dade do meio ou serem destrutivas. Essas rela-
ções são manifestadas em nosso planeta e em Fonte: http://www.icmbio.gov.br/portal/quem-so-
sua região também. As relações destrutivas po- mos/o-instituto.html
dem ser reformuladas, novos caminhos podem
ser adotados em busca de uma cultura mais éti-
ca e de respeito à vida e sua sustentabilidade.”
(VILAS-BOAS et al, 2009, p.147) O presidente do ICMBio destacou que ao todo
1.383 especialistas da comunidade científica de mais
de 200 instituições estiveram envolvidos no projeto e
8.2- ESPÉCIES BRASILEIRAS que com a lista pronta tem-se melhor condição de defi-
AMEAÇADAS DE EXTINÇÃO nir as ações necessárias à proteção da fauna brasilei-
ra. Destacou ainda que de acordo com a lista, 170 es-
pécies da fauna saíram da lista de animais ameaçados
A destruição dos ecossistemas tem reduzido e de extinção, e citou como exemplo a baleia-jubarte e a
até mesmo levado ao desparecimento de algumas arara-azul-grande, que tiveram suas populações recu-
espécies e muitas vezes de espécies endêmicas, ou peradas. Além destes, 14 espécies de mamíferos, 23
seja, que ocorrem somente em determinadas regiões. de aves, 2 de répteis, 45 de invertebrados terrestres
O grau de endemismo e de raridade é usado como e 82 de peixes aquáticos também saíram da categoria
critério na escolha de áreas com potencial para con- de animais ameaçados de extinção.
servação. As mata Atlântica e floresta Amazônica De acordo com o portal do ICMBio os principais
são exemplos de ecossistemas terrestres com gran- fatores que levaram a mudanças no status de algu-
de diversidade biológica e endemismos. Para se ter mas espécies foram: o redescobrimento de animais
uma ideia, cerca de 5 mil espécies de vegetais são extintos em algumas áreas, o aumento populacional

69
ou aumento da proteção do habitat onde a espécie mundiais se realizaram, ficando bem claro que me-
se encontra. Contudo, a nova lista ainda possui 1 didas precisavam ser tomadas. Em 1983 foi cria-
173 animais ameaçados divididos em três catego- da a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e
rias: Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Desenvolvimento, tendo como resultante o relató-
Vulnerável (VU). A lista anterior, elaborada em 2003 e rio “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987 e in-
2004, contabilizava 627, porém apenas 1 137 espé- tensificando as discussões sobre meio ambiente e
cies foram analisadas. desenvolvimento.
O período entre 1976 e a década de 1990 foram
marcados pelo aumento de parques e reservas, quan-
do houve um grande investimento em unidades de
conservação federais, estaduais, municipais e parti-
culares, tendo um grande crescimento nas ações de
conservação não governamental, bem como da comu-
nidade científica especializada nesta área, resultando
em ações bem sucedidas cuja base encontra-se es-
truturada na parceria entre governo, ONGs, comunida-
de científica e comunidade local (VILAS-BOAS et al,
2009)
O risco que a biodiversidade corria e a necessi-
dade de políticas de conservação tornou-se pública
Figura 8.1: Espécies avaliadas em 2003 e 2014. Fonte: www.icmbio.gov.br através de Haraldo Sioli (fundador da limnologia ama-
Acesso em: 23/02/2016
zônica), Warwick Kerr (Instituto Nacional de Pesquisas
da Amazônia) e Orlando Valverde (geógrafo, par-
ticipante da Campanha Nacional de Defesa e pelo
ACESSE: Desenvolvimento da Amazônia). De acordo com al-
Para saber sobre a lista de espécies brasileiras guns autores, o impulso no campo da conservação se
ameaçadas de extinção deu com a ocupação da Amazônia, no período em que
ocorreu a construção de diversas rodovias, como por
http://www.ibama.gov.br/documentos/ exemplo a construção da transamazônica.
lista-de-especies-ameacadas-de-extincao De acordo com Rocha (2006), a maioria das
Unidades de Conservação no Brasil tem comunidades
humanas dentro de seus limites e essas condições
exigem o desenvolvimento de ações de educação am-
8.3- CONVENÇÃO DA biental como instrumento de conservação dos ecos-
DIVERSIDADE BIOLÓGICA (CDB) sistemas. Isto ocorreu no Parque Nacional da Tijuca,
no Parque Nacional da Restinga em Jurubatiba, no
E METAS DE AICHI Parque Nacional do Morro do Diabo em São Paulo e
no Projeto Tamar ao longo do litoral brasileiro.

Desde a década de 1930 que podemos perceber Os problemas advindos do modelo de desenvolvi-
ações a favor da conservação ambiental, como por mento econômico adotado atualmente e os movimen-
exemplo a 1ª Conferência Brasileira de Proteção à tos sociais e ambientalistas possibilitaram o surgimen-
Natureza e a criação do Parque Nacional de Itatiaia, to de instrumentos legais voltados para a proteção e
primeira área protegida brasileira por meio do Decreto conservação da biodiversidade mundial, por meio da
nº 1713. Porém, foi somente nas décadas finais do sé- Convenção da Diversidade Biológica (CDB).
culo XX que a defesa do meio ambiente ganhou força e A CDB é um tratado da Organização das Nações
intensificou-se em âmbito mundial. A Conferência das Unidas, é um dos mais importantes instrumentos in-
Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, que ternacionais relacionados ao meio ambiente. Foi esta-
ocorreu em 1972, em Estocolmo, foi um marco para belecida durante a Eco 92 e é hoje o principal fórum
isso. A partir da discussão sobre a degradação am- mundial para questões relacionadas ao meio ambiente
biental do planeta e sobre os problemas sociais e eco- e está estruturada sobre três bases principais: a con-
nômicos associados, foi proposto e criado o Programa servação da diversidade biológica, o uso sustentável
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) da biodiversidade e a repartição justa e equitativa dos
(VILAS-BOAS et al, 2009). benefícios provenientes da utilização dos recursos
A partir daí, muitas conferências e eventos genéticos. Se refere à biodiversidade em três níveis:

70
ecossistemas, espécies e recursos genéticos. Mais recentemente, no processo de elaboração
Este documento estabelece normas e princípios do novo Plano Estratégico de Biodiversidade 2011-
para uso e proteção da diversidade biológica de cada 2020, o secretariado da Convenção propôs que se es-
país e foi assinado por mais de 160 países e entrou tabelecesse um novo conjunto de metas, na forma de
em vigor em 1993. Além disso o CDB propõe o au- objetivos de longo prazo, que foram materializados em
mento da responsabilidade do nosso país no desafio 20 proposições, todas voltadas à redução da perda da
da conservação e uso sustentável da biodiversidade. biodiversidade em âmbito mundial. Denominadas de
A Convenção abrange tudo que se refere à diversi- Metas de Aichi para a Biodiversidade, elas estão orga-
dade e funciona como uma espécie de arcabouço le- nizadas em cinco grandes objetivos estratégicos:
gal e político para outras convenções e acordos am- 1) Tratar das causas fundamentais de perda de
bientais como por exemplo o Protocolo de Cartagena biodiversidade, fazendo com que as preocupações
sobre Biossegurança; o Tratado Internacional so- com a biodiversidade permeiem governo e sociedade;
bre Recursos Fito genéticos para a Alimentação e a 2) Reduzir as pressões diretas sobre a biodiversi-
Agricultura; o Controle e Erradicação das Espécies dade e promover o uso sustentável;
Exóticas Invasoras, entre outras.
3) Melhorar a situação da biodiversidade, prote-
Em seu artigo 1 a CDB define seus objetivos: gendo ecossistemas, espécies e diversidade genética;
4 Aumentar os benefícios de biodiversidade e ser-
“Os objetivos desta Convenção, a serem viços ecossistêmicos para todos;
cumpridos de acordo com as disposições perti- 5) Aumentar a implantação, por meio de plane-
nentes, são a conservação da diversidade bio- jamento participativo, da gestão de conhecimento e
lógica, a utilização sustentável de seus com- capacitação.
ponentes e a repartição justa e equitativa dos
benefícios derivados da utilização dos recursos O Brasil teve um papel decisivo na definição e
genéticos, mediante, inclusive, o acesso ade- aprovação das Metas de Aichi e, agora, pretende exer-
quado aos recursos genéticos e a transferência cer, com responsabilidade e eficiência, um papel de li-
adequada de tecnologias pertinentes, levan- derança na sua implantação.
do em conta todos os direitos sobre tais recur-
sos e tecnologias, e mediante financiamento
adequado”.

LEITURA OBRIGATÓRIA:
Portanto, a Convenção reconhece que os ecos- Convenção sobre Diversidade Biológica
sistemas, espécies e genes devem ser usados para o - CDB
benefício dos seres humanos, mas que isso deve ser
http://www.mma.gov.br/agencia-informma/
feito de uma forma e a um ritmo que não conduza a
item/7513-conven%C3%A7%C3%A3o-sobre-diversida-
uma diminuição a longo prazo da diversidade biológi-
de-biol%C3%B3gica-cdb
ca. A Convenção estabelece uma filosofia de uso sus-
tentável e serve como um lembrete de que os recursos Metas de Aichi de Biodiversidade.
naturais não são infinitos. www.mma.gov.br/estruturas/sbf2008_dcbio/_.../me-
De acordo com Edward Norton, ex Embaixador da tas_aichi_147.pdf
ONU:
“É difícil fazer as pessoas entenderem que a
perda da biodiversidade é uma forma de degra-
dação do meio ambiente que afeta a vida diária
das pessoas. Elas não veem a biodiversidade
desaparecendo. A Rio+20 é uma oportunida-
de de inovar e relançar a missão de comunicar
sobre biodiversidade. Para ser honesto, a mí-
dia contribui muito para esse desentendimento.
Enquanto a mídia falar em termos abstratos, as
pessoas não vão levar esta compreensão para
casa. Ela precisa fazer um trabalho melhor para
que as pessoas valorizem a biodiversidade”.

71
8.4- ÁREAS PROTEGIDAS E e gestão das UCs nas três esferas do governo, fede-
ral, estadual e municipal, pois possibilita uma visão
UNIDADES DE CONSERVAÇÃO de conjunto das áreas naturais a serem preservadas.
Além disso, reconhece e classifica dois grandes gru-
As áreas protegidas são definidas pela União pos de Unidades de Conservação (UCs): de proteção
Mundial para Conservação da Natureza (UICN), como integral e de uso sustentável e estes grupos são defini-
ambientes destinados a conservação e/ou preserva- dos em função do nível de intervenção humana.
ção dos bens naturais e/ou culturais a elas associa- No grupo de proteção integral estão: Estação
dos. Englobam as Unidades de Conservação (UCs), Ecológica (Esec), Reserva Biológica (Rebio), Parque
mosaicos e corredores ecológicos, espaços essen- Nacional (Parna), Monumento Natural e Refúgio de
ciais, do ponto de vista econômico, por conservarem a Vida Silvestre. No grupo das unidades de conserva-
biodiversidade, além de serem provedores de serviços ção de usos sustentável, o SNUC define 7 categorias:
ambientais e geradores de oportunidades de negócios. Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante
O governo brasileiro protege as áreas naturais por Interesse Ecológico (Arie), Floresta Nacional (Flona),
meio de Unidades de Conservação (UCs) e para atin- Reserva Extrativista (Resex), Reserva de Fauna,
gir esse objetivo de forma efetiva e eficiente, foi institu- Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) e
ído o Sistema Nacional de Unidades de Conservação Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).
(SNUC), por meio da Lei 9.985/2000, de 18 de julho
de 2000. A Lei representou grandes avanços à criação

Figura 8.2: Tabela 1. Fonte: www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/unid/

72
Figura 8.3: Tabela 2. Fonte: www.wwf.org.br/natureza_brasileira/questoes_ambientais/unid/

73
O SNUC tem os seguintes objetivos: por este motivo requerem uma gestão comparti-
lhada. A implementação de planos de educação
ambiental nas zonas de amortecimento, além de
• Contribuir para a conservação das variedades contribuir com a medida de intervenção sobre o
de espécies biológicas e dos recursos genéticos uso das propriedades situadas dentro da zona
no território nacional e nas águas jurisdicionais; de amortecimento, é um valioso instrumento de
integração entre comunidades vizinhas e UCs.
• Proteger as espécies ameaçadas de extinção;
Requer participação local, consolidando práticas
• Contribuir para a preservação e a restauração que resultarão na proteção, qualidade do meio
da diversidade de ecossistemas naturais; e responsabilidade das populações locais pelo
patrimônio ambiental.
• Promover o desenvolvimento sustentável a par-
tir dos recursos naturais; Corredores ecológicos: são porções de
ecossistemas naturais ou seminaturais, ligan-
• Promover a utilização dos princípios e práticas do unidades de conservação, que possibilitem
de conservação da natureza no processo de entre elas o fluxo de genes e o movimento da
desenvolvimento; biota, facilitando a dispersão de espécies e a
recolonização de áreas degradadas, bem como
• Proteger paisagens naturais e pouco alteradas
a manutenção de populações que demandam
de notável beleza cênica;
para sua sobrevivência, áreas com extensão
• Proteger as características relevantes de natu- maior do que aquela das unidades individuais”
reza geológica, morfológica, geomorfológica, (VILAS-BOAS et al, 2008, p. 165).
espeleológica, arqueológica, paleontológica e
cultural;

• Recuperar ou restaurar ecossistemas


ACESSE:
degradados;
Para saber mais sobre as Unidades de
• Proporcionar meio e incentivos para atividades Conservação.
de pesquisa científica, estudos e monitoramento
ambiental;
http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/
• Valorizar econômica e socialmente a diversida- unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros.html
de biológica;

• Favorecer condições e promover a educação e


a interpretação ambiental e a recreação em con- Para saber mais sobre a Biodiversidade brasilei-
tato com a natureza; e ra e sobre as Unidades de Conservação, veja o vídeo
disponível em:
• Proteger os recursos naturais necessários à
subsistência de populações tradicionais, respei-
https://www.youtube.com/watch?v=SEFwGcJYbbg
tando e valorizando seu conhecimento e sua cul-
tura e promovendo-as social e economicamente.

As diretrizes do SNUC, além de buscar garantir


a proteção ambiental, envolvem também a participa-
ção das comunidades e sua interação nos processos
de gestão das unidades de conservação. As zonas
de amortecimento e os corredores ecológicos servem
para mostrar a participação popular na gestão dessas
áreas:
“Zona de amortecimento: é o entorno da
unidade de conservação, onde as atividades
humanas estão sujeitas a normas e restrições
específicas, com o propósito de minimizar os im-
pactos negativos sobre a unidade. São áreas li-
mítrofes entre UCs e propriedades particulares e

74
8.5 REVISÃO DO CONTEÚDO

• A biodiversidade é a imensa variedade de vida • A CDB é um tratado da Organização das


na Terra, e está por toda parte, em terra firme Nações Unidas, é um dos mais importantes ins-
ou na água, no topo das montanhas ou no fundo trumentos internacionais relacionados ao meio
dos oceanos. A Convenção sobre Diversidade ambiente. Foi estabelecida durante a Eco 92 e
Biológica, define biodiversidade ou “diversidade é hoje o principal fórum mundial para questões
biológica” como: “a variabilidade de organismos relacionadas ao meio ambiente e está estrutu-
vivos de todas as origens, compreendendo, den- rada sobre três bases principais: a conservação
tre outros, os ecossistemas terrestres, marinhos da diversidade biológica, o uso sustentável da
e outros ecossistemas aquáticos e os comple- biodiversidade e a repartição justa e equitativa
xos ecológicos de que fazem parte; compreen- dos benefícios provenientes da utilização dos re-
dendo ainda a diversidade dentro de espécies, cursos genéticos. Se refere à biodiversidade em
entre espécies e de ecossistemas”. três níveis: ecossistemas, espécies e recursos
genéticos. Este documento estabelece normas
e princípios para uso e proteção da diversidade
• O Brasil é o responsável pela gestão da maior biológica de cada país e foi assinado por mais
biodiversidade do mundo. Em nosso país exis- de 160 países e entrou em vigor em 1993. Além
tem mais de 120 mil espécies de invertebrados disso o CDB propõe o aumento da responsabili-
e aproximadamente 8.930 espécies de vertebra- dade do nosso país no desafio da conservação
dos, sendo 711 espécies de mamíferos, 1900 de e uso sustentável da biodiversidade.
aves, 732 de répteis, 973 de anfíbios, 3133 de
peixes continentais e 1276 de peixes marinhos.
A variedade de biomas brasileiros reflete esta • O governo brasileiro protege as áreas naturais
enorme riqueza da fauna e também da flora e por meio de Unidades de Conservação (UCs)
eleva o Brasil ao posto de principal nação entre e para atingir esse objetivo de forma efetiva e
17 países com grande biodiversidade. eficiente, foi instituído o Sistema Nacional de
Unidades de Conservação (SNUC), por meio da
Lei 9.985/2000, de 18 de julho de 2000. A Lei
representou grandes avanços à criação e gestão
• Em 2014, a então ministra do Meio Ambiente das UCs nas três esferas do governo, federal,
Izabella Teixeira, apresentou as novas Listas estadual e municipal, pois possibilita uma visão
Nacionais de Espécies Ameaçadas de Extinção. de conjunto das áreas naturais a serem preser-
Foi divulgada a Lista de Espécies da Flora vadas. Além disso, reconhece e classifica dois
Brasileira Ameaçadas de Extinção, produzida grandes grupos de Unidades de Conservação
pelo Jardim Botânico do Rio de janeiro e a Lista (UCs): de proteção integral e de uso sustentável
de Espécies da fauna Brasileira Ameaçadas de e estes grupos são definidos em função do nível
Extinção, elaborada pelo ICMBio. O presidente de intervenção humana.
do ICMBio destacou que ao todo 1.383 especia-
listas da comunidade científica de mais de 200
instituições estiveram envolvidos no projeto e
que com a lista pronta tem-se melhor condição
de definir as ações necessárias à proteção da
fauna brasileira. Destacou ainda que de acordo
com a lista, 170 espécies da fauna saíram da
lista de animais ameaçados de extinção, e citou
como exemplo a baleia-jubarte e a arara-azul-
-grande, que tiveram suas populações recupera-
das. Além destes, 14 espécies de mamíferos, 23
de aves, 2 de répteis, 45 de invertebrados ter-
restres e 82 de peixes aquáticos também saíram
da categoria de animais ameaçados de extinção.

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