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SERIE CIENCIAS DO COMPORTAMENTO NA INDUSTRIA Série que apresenta, para os éstudantes, os atuais conhecimentos i, Por reconhecidos te, aos cursos de Administragio ¢ Psicologia, orientados pura as ciéncias do comporta- mento, bem como aos profissionais atuando ie inclui contribuigdes de psicdlogos indystriais ¢ outros as que se interessam pelos problemas industriais. 1 — Andlise Organizacional: Um Enfoque Saciolégico Charles B. Perrow 2 — Psicologia Ocupacional Donald E, Super ¢ Martin J, Bobn Jr 3 — 0 Aprendizado ¢ o Treinamento na Indiiseria Bernard M. Bass ¢ James A. Vaughan 4 — A Engenharia e 0 Relacionamento Homem-Méquina Alphonse Chapanis 5 — Selecdio © Colocasio de Pessoal Marvin D. Dunnette 6 — Psicologia Social da Organ Arnold S, Tannenbaum iso do Trabalho PUBLICAGOES DA EDITORA ATLAS S, A ALPHONSE CHAPANIS A Engenharia e o Relacionamento Homem- maquina EDITORA ATLAS S.A FICHA CATALOGRAFICA (Preparada pelo Centro de Catelogaséo-na-tonie, Cimara Brasleies do Livro, SP) -— ‘Chapanis, Alphonse, 1917 — caste A, engenharia ‘eo relacionamento homem-méquina: tra de Marcio Cotrim. "Sig Palo, Atlan 19735 153 p. ust. (Cigneias do comportamento ‘na indstria, 4) Bibliograta 1. Engenharia humana 1. Titulo. 11. Série. menace: Indices para catélogo sistematico: Engenharia especializada em fatores humanos 8 620.82 mem-méquina : Engenharia 20.82 VALDIR SOARES A ENGENHARIA E O RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA 1972 ano internacional dolivro iM SESQUICENTENARIO DA INDEPENDENCIA. SERIE CIENCIAS DO COMPORTAMENTO NA INDUSTRIA 1 —Anélise Organizacional: um Enfoque Socioldgico Gnntes. Peenow 2 — Pricolopia Ocupacional Donato E. SuPER © Marin J, BomN Jn 3 — 0 apren © 0 Treinamento na Indistria Benwano, Ss © JAMES A. VAUGHAN 4A Engenharia © © Relacionamento Homem:Méquina 1 CHAPANIS € Colocagdo de Pessoal Manvin D. Dunnerre ocial da Orgunizagdo do Trabalho TTaNNENMAUS A EDITORA ATLAS S. A. Rua Hi 78 ALPHONSE CHAPANIS A ENGENHARIA E O RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA Tradugio de MARCIO COTRIM _ MDITORA ATLAS 8. A. _— SERIE CIENCIAS DO COMPORTAMENTO NA INDUSTRIA. EDITOR — Victor H. Vxoom ‘Volume IV A ENGENHARIA E 0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA ‘AueHonse ChaPanis ‘Titulo da obra em is MAN-MACHINE ENGINEERING A NATASHA Copyright © 1970 da WADSWORTH PUBLISHING COMPANY, INC Belmont, Califérnia 94002 ‘Traduzido para o portugués por Mincio Cornise a edigio nortesamericana publicada por WADSWORTH PUBLISHING COMPANY, INC Capa (adaptada da edigio nor Pavet. Genencen ‘Todos 08 direitos reservados na lingua portuguesa pela EDITORA ATLAS S. A Proibida a reproducio total ou parcial sem a permistio dos editores Primeira edigio em portugues Outubro de 1972 Impresso na Repaid Federativa do. Brasil INDICE PREAMBULO PREFACIO 1 — INTRODUCAO © bomem contra a méquina sy A visibilidade do pili — Um fauor humano Ainda ais evidéncia Confusio em casa ¢ em outros lugares ‘A engenharia especializada em fatOres humanos Perspectiva da engenharia especializada em fatores humanos ‘Quiros objetivos da engenharia especalizada em faiOres humanos Antecedentes.histéricos “Status” aiual da nove disciplina © aleance da engenharia especializada em fatdres humanos A psicologia da engenharia Uma palavra sdbre a nomenctatura Resume © SER HUMANO NOS SISTEMAS HOMEM-MAQUINA Que & um sistema? A origem dos sistemas Sistemas dentro de sistemas Sistemas homenvmaquina xorce Os fat6res humanos no desenvolvimento dos sistemas Distribwigto das tarefas entre os homens e as méquinas Planeiar para obter a compatibilidade homem:mdguina Faiéres humanos nos sistemas automdticos Resumo 3 — A APRESENTACAO VISUAL DA INFORMACAO Os fatdres humanos na selesio de um sistema de comumicagses Comunicacio visual ‘versus" comunicacio auditiva A visio como um eanal de comunicucdes Alguns prineipios gerais dos paincis Indicadores. meciiicos Funcies dos indicadores mecinico Tipos de indicadores « seu uso © desenlio de mostradores ¢ escalas Tuminasio A natureza do estimulo viswel A tuminagao de recinios de trabalho em geval A iluminacio para sales de radar Muminacido de indicadores paintis Resuno 4 — SISTEMAS DE COMUNICACAO VERBAL 8s As dimensdes bisicas da. palavra 86 Que & 0 som fisico 86 Sons compleros or A engenharia especislizida em fat6res humanos adaptada A tine ‘suagem oral 92 Dimensdo do vocabulério 2 © contexto em que a palavra aparece 94 Um alfabeto de palavras solerrades 9s Resumo dos principios enunciados 96 A eengenharia em fatéres humanos e os componenies dos sistemas de comunicagio verbal ” ‘Seleividade de amplitude 97 Os fardres humanos no desenho ¢ selecdo dos componentes 103 ‘A engenaria do sistema como um todo oa Auticao multicanalizada 104 Consideracdes sibre o-plancjamenta de sistemas ut Resumo § — 0 ESTUDO DOS CONTROLES ‘Agus problemas comuns a respeto de comes Alguns principios gerais para a escolha dos contr A definicao da tarefa 3 4 escolha do melhor controle para a tarefa Fatores que influenciam © desenho dos controles Pela controle piel to. operator A coset dow controls cio don conirocs« dos pains Of foctcrac dos conroles «pats Resugao 6 — PERSPECTIVAS ‘Outros t6picos sdbre a psicolovia da engenharia ‘Algumas dreas relativas 20 conteido da psicologia da engenharia Metodolosia A profundidade da psicologia da encenharia REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS 126 BI Bs 13s 136 140 Mai 141 142 146 147 1st PREAMBULO ‘A heterogencidade da ciéncia do comportamen- to faz com que seja impossfvel, para um tinico autor, contemplar as muitas facétas do assunto apenas em uum texto, Embora 0 especialista disponha de alen- tados volumes sObre t6picos especificos, tais obras se situam, amidide, além do nivel do estudante uni- versitirio ainda néo formado ou do recém-formado, € descem a mais pormenores do que seria justificado fou desejével. A fim de atender as crescentes e mu- antes necessidades educacionais geradas por ésse ‘complexo assunto € que foi idealizada a série “O Comportamento na Empresa” ‘A idéia 6 simples. Pequenos livros escritos por ‘autoridades em cada tema, linguagem bem acessivel f apresentagio da essEncia de aspectos particulares ddos diversos campos da investigagio humana, Tais livros devem ser usados em combinagio uns com 65 outros, formando um texto bésico de psicologia empresarial e de ciéncia do comportamento, ou en- {io usados separadamente, como textos. suplemen- tares ou leitura colateral em cursos mais especial zados. © editor delineou a estrutura geral da série, rela- ccionou titulos e esbogou 0 contetido de cada volume, Foram entio selecionados os autores dos livros pla- niejados, Diga-se de passagem que o editor foi ex- tremimente feliz, pois conseguiu obter a cooperacio de homens que, embora nao sendo especialistas nos “4 A ENGENMARIA © 0 RELACIONAMENTO HoMEM-MAQUINA temas que abordam, mesmo assim conseguem comunicar suas idéias de ‘maneira muito agradavel e amena. A necessidade de uma colegio désse tipo se evidenciava diante das marcantes transformacies ocorridas nas ditimas duas ou trés dé cadas, quanto & aplicacdo do método cientifico ao estudo do com. Portamento humano no trabalho. A continua preocupacao da psico- Jogia empresarial com métodos que estabelegam diferengas individuais Para o recrutamento e a selegio de pessoal tem sido aquinhoada com intensivas pesquisas em variados campos, como o da lideranga ¢ da supervisio, do planejamento de sistemas de adequacio do homem i maquina, das preferéncias do consumidor, da administragio do de- Ssenvolvimento © das relagSes do sindicato’ com a administragso das emprésas, Esse crescente enfoque da psicologia empresarial vem sendo acompanhado por transformagdes nos objetivos © estratégias da pes, quisa, Esta se tornou menos preocupada com a resolucio de proble mas particulares © mais atenta aos processos que esto. subjacentes viirios fenémenos comportamentais, na suposigio de que os aprimo. Famentos tecnoldgicos serio facilitados por uma compreensao melhor de tais provessos. A fim de alcancarem ésses novos objetivos, os métodos psicométricos e correlacionais de pesquisa na aren de recra: famento € selec de pessoal foram adaptados a novos problemas ¢ suplementados por experiéncias de laboratério © por pesquisas de campo. Como resultado, o estudo do comportamento em organiza. ses empresariais passou a ser supervisionado por pesquisadores. que anteriormente nio se haviam identificado com a psicologia empresa tial. Psicélogos experimentais comecaram a investigar problemas re. Jacionados a fat6res humanos no planejamento do equipamento: Psiedloges sociais travaram contato com problemas de’ lideranga, Comunicacdo © influéncia social; e psicélogos elinicos trataram ake aplicar seu dingnéstico © suas aptiddes terapéuticas a0 campo em. resarial © efeito de tudo isso tem sido o surgimento de uma certa nebu- losidade entre a5 linhas limitrofes que separavam os campos de atu 80 dessas subdisciplinas e de um crescente reconhecimento da inte dependéncia da pesquisa “basica” © “aplicada”. Essas transforma: também vieram esmaecer as linhas de demareacao entre disci plinas © profissdes. Psicélogos, socislogos, antropdlogos, ciet Politicos, economistas © especialistas em ‘campos administrativos, somo, Producio, RelagSes Trabalhistas, Marketing e Contabilidade, Gescobriram que boa parte de seu trabalho esti interrelacionada e ue seus interésses, so freqtiemtemente miituos. ‘Tudo isso produziu Pxrinenuto 1s Jim cariter interdisciplinar a grande parte da nova pesquisa e como ique vulgarizou 0 rétulo denominado ciéneia do comportamento. para estudar tais transformagdes € cionar a0 leitor uma visio panorimica do siatus atual da cién- Hie do comportamento dentro da emprésa moderna Victor H. Vroom Nos vinte anos transcorridos desde a Segunda Guerra Mundial os fatéres humanos no campo da Engenharia, e em seu ramo subordinado — a Psico- ogia da Engenharia —, tiveram gigantesco impulso. Ha muitas formas de quantificar o desenvolvimento de uma nova tecnologia: 0 nimero de pessoas que ‘2 praticam, o nimero de emprésas que a aplicam, © mimero de sociedades profissionais que a repre- sentam ¢ 0 némero de artigos jornalisticos ¢ de li- vyros publicados s6bre ela. Sob qualquer désses eri térios, a Psicologia da Engenharia exibe hoje ex- traordindrio vigor. ‘Até 1945 nao cxistiam livros que especifiea- mente se ocupassem dos fatdres humanos no campo da Engenharia. A obra Applied Experimental Psy- chology, publicada em 1949, foi a primeira désse tipo. Hoje dispomos de diversos livros-texto. Mas algo que ainda nio havia surgido era um pequeno livro, um trabalho destinado ao leitor comum. Com A Engenharia e 0 Relacionamento Homem-Mdqui- ina tentamos preencher esta lacuna. ‘Ao escrever éste livro procurei exprimir todo (© sabor da pesquisa de campo. Busquei aprofun- Gareme nas razbes que provocam o desentendimen- {o entre o homem ¢ a méquina, na maneira como (os psicOlogos da frea de Engenharia tentam desco- bbrir solugdes para tais problemas © quais so algu- mas dessas solugies. Sobretudo, esforcei-me para B ‘A ENGENHARIA F 0 RELACIONAMENTO HontEM-MAqUINA expor 0 raciocini fi €or Teen catia forma acesivel a0 Ietor médio nio.téen- Engenharia moderna em seu aapecto humana, O"® 4 stuagdo da ho, Por Mais arduamente que trabathe, nenhu no. A equipe responsivel pela. confecgso primeiro lugar, minha espésa © papel uma palavra sequer, oc asso pa devo a um grande némero yexendasiincse e = ‘ambém muit le estudantes, meus critics . ‘outras partes dé ie € por forn seu conjunto. Um desses i mente © manuscrito final, oes ore © pormenori- johscuridades depo. ei fargaret Iw eterna buscou sempre meu café, isolounse mayer gee © datilografou, datilogrtou, datografou, Aran ressar em palavras, devo muito mais do que poderia exp ALPHONSE CHAPaNis Um minuto apés as nove horas na manha do ia 30 de junho de 1956 se iniciou o vdo 2-da Trans World Airlines (TWA), uma viagem rotineira, de- eolando © avido do Acroporto Internacional de Los ‘Angeles com destino a Kansas City, em Missi. Trés minutos depois decolou, do mesmo local, o aviio do woo 718 da United Air Lines (UAL), igualmente em viagem regular para passageiros, $6 que com destino a Chicago, em linois. ‘Ambas. as aeronaves eram dos modelos mais avangados em uso pela acrondutica comercial da época, 0 avido da TWA, um Super-Constellation, sofrera a revisio periédica de manutencéo em Los ‘Angeles © se encontrava em boas condigdes. 0 DC-7 da UAL também passara por uma revisio em Os engenheiros de vOo de ambos 0s favides fizeram us inspecdes pré-v6o de rotina em seus respectivos aparelhos antes da decolagem. ‘Todos os membros das duas tripulacdes possufam hustante experiéncia, estavam descansados, em boas condigdes fisicas e, portanto, credenciados para as pposigdes que ocupavam. O Capitio Gandy, coman- dante do Super-Constellation, era um vetcrano do fir, €om quase 15.000 horas de v6o; 4 percorrera fi rota Los Angeles-Kansas City nada menos que 177 véaes, © Capitio Shirley, comandante do DC-7, ‘or igualmente um profissional qualificado e reunia finda mais experiéncia que Capitiio Gandy, ‘A ENOENHARA £0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA 0 plano de véo para o aviio da TWA determinava uma altitude -eruaeiro de 19 000 pés; o do aviso da UAL previa 21.000 pés. Vin te minutos apés a decolagem o aparelho da TWA. solicitou' uma mu- anga na altitude que Ihe fora atribufda: pretendia passar de 19 000 Para 21 000 pés. Naturalmente Controle de Rotas Aérens de Los Angeles negou a permissio, devido a altitude em que voava o apare- tho da UAL, Entio o pildto da TWA submeteu a torre de Los An. gelos outra proposta: voar 1000 pés acima da altitude. presente Apés verificar que o v6o da TWA jé chegara aos 20 000 pés, a torre de Los Angeles concordou com a subida, mas advertiu o comandante da TWA para 0 perigo de outro véo (0 da UAL) nas imediagoes. 0 Capitio Gandy escutou 0 aviso ¢ deu ciéncia de ter recebido a men- sagem. Aproximadamente as 9,58 a estaglo de comunicagdes da Admi- nistragio de Aeronautica Civil, situada em Needles, California, rece- beu um aviso de rotina sébre’posicio de aeronaves: “V6o 718 da United sdbre Needles as 9,58; altitude, 21 000 pés; previsio de come gat a sobrevoar o Painted Desert em 31 minutos.” ‘Um minuto depois surgiu nova mensagem de rotina, agora do escritério da TWA cm Las Vegas: “Voo 2 da TWA passou sdbre 0 lago Mohave as 9,55: 1000 pés acima do autorizado, ou seja, 21.000 pés; previsio de comecar a sobrevoar o Painted Desert as 10,31", As 10,31 as estagdes de radio aeronsutico em Salt Lake City © San Francisco captaram uma transmissio truncada. Especialistas da Bell Telephone, posteriormente, analisaram a mensagem e descobri Fam a existéncia de duas vozes.. Uma era a de um homem gritando. “Para cima! Para cimal” A outra era do tripulante Harms: falando Pela tltima vez: “Salt Lake City, vo 718 United ... ah. estamos caindo.” Os destrocos, com sua carga de 128 vidas humanas, foram des- Cobertos espalhados por mais de uma milha, ao longo das profunde. zas do Grand Canyon, Com 0 auxilio de helicépteros do exército, téenicos ¢ investiga- dores do Comité de Aerondutica Civil se dirigiram para o local do acidente no dia seguinte. A investigag&o que se seguiu foi minuciosa, dificil € perigosa, Cada mossa, arranhio, ruptura, dobra_indev mancha de borracha e nédoa na pintura foi cuidadosamente ident ficada e estudada. Aos poucos se formou um quadro mais ou menos nitido da catéstrofe. Areas cOncavas da empenagem do Super-Cons- tellation se casavam precisamente com os danos sofridos pela extre- midade da asa do DC-7. A tinta vermelha da asa do DC-7 estava luntando a fuselagem do Super-Constellation. Marcas escuras do de- gelador em um avido coincidiam com manchas de borracha no outro, A 2 Ixrnopugio iguma dis- sa eaquerda do DC-7 foi encontrado a alg es acersnado no fragmento da asa estava um it estar do ten da cabine do Spe-Constation. i ue fica~ jonstellation vindo de cima, ¢ de tras, a um pee rece Sua asa exquerda ating a ré da parte superior da fu a -Consiellation com force desintgradora ¢ medida que, tia em seu rumo lateral, a borda do estabil Pies Rafuerdo da cauda do Super-Consliation tomava corato cada 4 en a extrer de da asa esquerda do DC-7, a lo aa gal lagos de ambos os componentes das aeronaves. ae ie st hdlice ‘n® 1 do DC-7 acutilava icity abr sett ja Civil — transcorreu em menos de meio segundo. fi jil_ concluiu if inistragao de Acrondutica Civi oat casa deta eafszo noc fo} que os plas no co0- “ Leni hs tte ay rs «pre bis provnenet We're, “timbre pes da 1 ei tine noun on campo in iin da ltt '5C3 rs) ao SpeConselaton fram ET ican ce corres srbnede os de visio de cada cabine. Mair cttsrcant a cops cyetnedss Ze A ENGENHARIA 1 0 RELACIONAMENTO. HoMEM-MAQUINA seguiram ver-se um ao outio a tempo. A figura 1.1 mostra como deve ter ocorrido o desastre. (°)" © HOMEM CONTRA A MAQUINA Embora o desastre do Grand Canyon tenha tido conseqiénci mais trfigicas do que a média das catésirofes aéreas, é nada mais do que uma das centenas de acidentes que diiriamente ocorrem em Rossas casas, nas ruas, nas escolas e fibricas, nos mares e nos ares. Importante é 0 fato de que se trata de uma espécie de acidente que acontece com freqiiéncia cada vez maior. Na verdade, € 0 produto de um conflito relativamente ndvo em nossa civilizagio: © eonflte que pée frente a frente o homem ¢ os mecanismos pot éle utilizados. Vamos, pois, apreciar a questo mais detidamente, aproveitando 0 aso recém-mencionado, A Visibilidade do Piloto — Um Fator Humano Quando o intrépido aviador de hd cingiienta anos atrés se cleva- ‘va no ar, sentava-se em sua nicele © descortinava uma vista magn fica. Podia apreciar a Terra lé embaixo, vendo-a sua direita, 2 sua esquerda, © até pela retaguarda, Para’ cima ficava 0 céu Mas, na verdade, havia algumas cbstrugoes no campo de visio do aviador: a fuselagem na frente, as asas ao lado © as placas de con- {Ole atrds, Mas era uma aeronave rara, pois nfo permitia que o pil6to descortinasse nove décimos do espago em témno de si. ‘Com o decorrer do tempo, a velocidade dos avides aumentou, seus contomos se fizeram mais aerodindmicos, 0 piléto foi recuado © passou a ficar diante de um painel coberto de mostradores, indica dores, medidores, comutadores, botdes ¢ os mais diversos engenhos. E 0 piléto passou a situar-se mais distante do espago através do qual estava voando, © piléto de um Super-Constellation vé menos que ito décimos do espaco que o circunda; o piléto de um DC-7 mal chega a 10%. Os pilotos sempre reciamaram da reduzida visibilidade dispont vel na cabine da aeronave que esto conduzindo, Alids, declaram ser quase impossivel distinguir outro aparelho, a menos que este se colo- que bem ao lado © d mesma altura, Surpreendente é que sucedam io poucas colisées aéreas — apenas 168 ocorreram com avides co- merciais nos Estados Unidos nos periodo de 1952-1961. Uma indi- cago muito mais perturbadora e realistiea do perigo potencial € 0 Procurar por éste nimero,.as referéneias ibliogréticas que se acham fem ordem alfabétiea. no final déste. volume. xropucio 2 yero de aproximagdes entre aeronaves, em que a boa sorte ow uma ida acio por parte dos pilotos tem evitado ainda mais tragédias ar, Num tinico ano (de 19 de julho de 1961 a 30 de junho de 1962) os pilotos relataram a Fundagao para a Seguranga de Woo (2) total de 2.577 ocasides de perigo préximo de colisio aérea sobre ferrit6rio dos Estados Unidos, Uma média de mais de sete por dia! Que ligo podemos extrair de tudo isso? Eita: a méquina que yamos de aeronave embaraca seu operador humano, devido a € ao modo como foi desenhada, planejada e projetada. Mais Evidéncia Se o Ieitor se considera sensivel ao conflito entre 0 homem ¢ a Plquina, a esta alerta aos problemas causados por ésse conflito, po- 12 — Cabina de wna modema ceronave a facto. Observe o leltor a Wuibilidade dianteiradisponivel ao pildto (a esquerda) @ ao. cow (aires). ‘Note, também, 0 conjunto de mostradores, indicadores € que bsver homens tém que verificar ¢ willizar. O engenheiro de veo i mair frente) ainda trabalha com malor mimero de pulncls e cone twoles, que ndo aparecem na foto acime. 4 A Enot WRIA BO RELACIONAMENTO Hostta-MAQuiNa Isrnopucko deré colecionar, nas entrelinhas de indimeras noticias de jornas, farto material para aumentar a evidéncia de suas conviegies. Por plo, em 6 de setembro de 1956, ano do desastre aéreo de Canyon, as manchetes dos jornais revelaram que 20 pessoas hi morrido e 35 ficado feridas quando uma composica Santa Fé se chocara com um trem postal estacionado perto de er, no Novo México. Um porta-voz da ferrovia declarou que 0 fo- guista do trem postal se enganara ¢ ligara incorretamente um co- mutador. Meses depois, a 24 de dezembro de 1956, 0 Washington Post relatava um acdrdo efetuado entre 0 Departamento de Aguas da cidade e 0 Dupont Plaza Hotel, no valor de US$ 12 569.67. Por mais de sete anos — de julho de 1948 a dezembro de 1955 — um leitor do registro d’gua havia feito leituras erradas nos mostrador tuados no subsolo do hotel. Este engano f€2 com que o hotel 6 fésse cobrado em apenas 10% da gua que consumira durante todo © periodo. Isto representou uma evasio de eérea de US$ 8,000.00 para o Departamento Municipal de Aguas. Em margo de 1962 tda uma nagio, chocada, tomou conheci- mento da morte de seis bebés na maternidade de Binghamton, Nova York, simplesmente porque thes foi dado sal em vez de agiicar em determinado alimento. © érro foi atribuido a uma experimentada enfermeira que, inadvertidam era com sal um recipiente re- servado ao agccar, recipiente ste que ficava lado a Indo com outros, ‘numa prateleira baixa e mal iluminada da principal cozinha do hos- pital. Uma pequena etiquéta de papel colada na tampa de uma lata truzia a palavra “Agdcar” manuscrita. A etiquéta da outra tampa estava semi-apagada, mas era possivel ler-se as letras “S fragmentos remanescentes. Como disse um dos diretores do hospita “talvez a mOga tenha trocado 0 sal pelo agticar, mas neste caso, ¢ diante das circunstincias investigadas, quase se poderia dizer que ela caiu numa armadilha” ani a 5 Incidentes como ésses so dramiticos e chamam a atengio do piiblico, pois fogem & rotina das coisas. Mas 0 mais dbvio exemplo do conflito homem-miquina que assola a civilizago moderna é tio familiar que raramente chegamos a prestar atenco a éle. Cérca de 41.000 pessoas morrem a cada ano nos Estados Unidos em acidentes de rua ou de estrada, Mais de 1500000 ficam feridas, O custo anu: igo, dos acidentes rodovisrios € estimado em térno de 7,3 bithoes de délares! Estas alarmantes estatfsticas, por si s6s, deveriam ser mais do qué suficientes para convencer-nos de que, i realidade, existe um conflito homem-miquina em nossa sociedade ‘em Casa — E em Outros Lugares Mas nem todos os exemplos desse confto sto tigicos ou de arrepiar os cabslos, Na verdade, muitos casos nem constuem ac denies, Alguns como tentar, sem éxito, fazer funcionar 0 aquece dor domestco — apenas se adicionam is incontivels rnagBes © Frustragdes que nos afigem constantemente. Outros chegam até ser dvertidos . DB uma olhada em seu rel6gio medidor de eletricidade, de ahs ou de gua. Ele se. parece com algum dos que apresentamos ‘a figura 13? E vocé consegue lé-lo? Esses mostradores violam dois importantes princpis pscoldicos: a) of mortradore sero lidos com tus faciidade se oo elgarismos crescerem na iregao dos pontiros do Felogo, de forma circular, b) em mulliplos mostradores a diesa0 do aumenio dos numeros doveré ser absolvtamente uniforme. Durante a Segunda Guetta Mundial, quando havia deficit de Ieioree de sléyios’medtores, lgumas emprésas concesionias de Pe e Rag blense ~* KILOWATT- Figura 1-3 — Mowradores de dois modetos de relégios medidores de Kilowatt? hora aalmente em uso, Voce consegue decifrar as indicagdes 26 A BNGENRARA 1 0 RELACIONAMENTO. HOMEN-MAQUINA. servigos pablicos pediram sos proprios consumidores que fizessem as leituras em seus relégios. Os resultados foram tio cadticos que idéia foi rapidamente abandonada. Daf por diante algumas emprésas concessiondrins passaram a cartdes com mostradores, sem pponteiro impresso, e com as s de como situar a posigio dos feferidos ponteiros. Os cartes deveriam ser devolvidos & emprésa pelo Correio; a leitura seria entio feita a partir do material recebido. Este tipo de cartiéo ainda é usado cm algumas cidades para faciitar © trabalho das familias, quando se torna de todo impraticdvel man- dar um técnico para a leitura do rel6gio. Talvez o leitor se lembre de tuma ou outra ocasivio em que chegou a exclamar: “Que modo mais estipido de se fazer um objeto désses! Se tivessem pésto éste dispositivo aqui e no ali — ou feito isto em lidar com o aparelho.” © vez daquilo — seria muito mais fac objeto de sua queixa, leitor, pode ter sido algo como seu fogio, auto- ‘mével, televisio ou a maquina de ceifar. Se vocé alguma vez foi im- pelido a uma explosio de ira motivada por tais desentendimentos, ccertamente ja se pode considerar incluido no campo dos fatéres huma- nos da Engenharia. A ENGENHARIA ESPECIALIZADA EM FATORES HUMANOS A Engenharia Especial ia Humana, se preocu alizar méqui operagdes e ambientes de trabalho, de modo a que todos ésses cle- ‘mentos se aliem, se combinem, com as limitacdes da natureza, huma- nna, Neste livro estaremos ocupados com a engenharia de méquinas manipuladss pelo homem e com a engenharia especializada nas tare- fas humanas destinadas a operar tais 8. Perspectiva da Engenharia Especi AA filosofia basica que rege a Engenharia Especializada em Fa- téres Humanos € talvez mais facilmente compreendida quando se volta a atencdo para os acidentes, erros e problemas que abriram éste capitulo. Durante anos se escreveu, divulgou, noticiou e alardeou que quase todos os acidentes aéreos eram 0 resultado de “um éro do pildto”. De fato, a expressio “errar € humano” esti arraigada a lin- gungem diéria; mas, na verdade, cla hi muito nos tem desviado do caminho certo. As estatisticas élaboradas por companhias de segu- fos © que tratam de acidentes, nos ares, nas estradas de ferro e na inddstria, estdo povoadas de eausas como: descuido, manuseio im- izada em Fat6res Humanos Dernopucio n perfeito © desatencio. Embora tais rétulos paregam dizer-nos algo, ma verdade nfo dizem. Todo mundo é desatento num ou noutro ins ante, ¢ dizer que o acidente foi causado por desatencio néo fornece fem absoluto a chave de como preveni-lo. Os engenheiros habituados a lidar com os fat6res humanos em seu trabalho so os primeiros a reconhecer que as pessoas cometem frros. Mas éles levantam igualmente questées importantes como: Sera que parte da culpa se acha no desenho do equipamento usado plo homem? As pessoas em geral praticam mais erros com alguns fipos de equipamentos ou veiculos que com outros? possivel rede- senhar maquinas, de forma a que os erros humanos sejam reduzides ‘Ou mesmo eliminados? A pesquisa levada a cabo nas titimas décadas os dé uma resposta bem sonora: Sim! a todas as indagagdes acima, Eis ai, pois, o fundamento idgico que se encontra por tris de todo fenfoque humano no trabalho do engenheiro: éle comega com 0 conhe- timento certo © a convicedo de que os séres humanos sio faliveis e Wescuidados, mas aos poucos se volta para a miquina e a tarefa a umprir, buscando tentar eliminar os erros que poderio provocar acidentes. Outros Objetivos da Engenharia Especializada em Fatdres Humanos Nossa énfase sdbre acidentes e erros na exposigio até aqui feita Milo devem deixar o Ieitor com a impressfio de que quando a Enge- fuharia se volta para os fatores humanos ela obtém maxima seguranga. B verdade que consegue crescente seguranga e diminuigio de aciden- 4s, 0 que, de resto, constitui um dos principais objetivas désse ramo dda Engenharia. Mas hé também outras metas a atingir: aumentar a ficiéncia de operacio das méquinas; aumentar a produtividade nas Joperacdes industriais: reduzir 0 esfdrco exigido para operar as mé- ins aumentaro conto mas trees que vinevlam dietamente, jem A maquina. Estes outros objetivos so igualmente perseguidos Engenharia Especializada em Fat6res Humans. com os fat6res humanos da Engenharia surgiu 10 das primeiras ferramentas ¢ dos primeiros im- los mecnicos. Nao obstante, como tecnologia especializada, ngenharia dedicada a fat6res humanos tem histéria relativamente |. $6 a0 final do século XIX se iniciaram investigagdes sistem! 1 fim de se pesquisar como a capacidade humana para o traba- ¢ influenciada pela tarefa que o individuo desempenha ou pelos + 8 A Exornmanta £0 RELACIONAMENTO. HOMEM-MAQUINA ‘mecanismos que 0 rodeiam. Em 1898 Frederick W. Taylor empreen- deu estudos empiricos, no sentido de descobrit 08 melhores desenhos para pas de ferro ¢ o péso ideal de areia, escéria, carvio e ferro e: tente dentro da pa em cada movimento do operiio, © interésse de Taylor, entretanto, situava-se, sobretudo, nos indices de produgaio in- dividual e nos efeitos que 0s incentivos © a motivacio para o trabalho traziam ao homem, Coube a Frank B. Gilbreth estabelecer um padrio nesse campo, com seu estudo clissico, em 1911, a respeito da colocagao de tijolos. Entre outras coisas, Gilbreth inventou um andaime que podia ser ri- pidamente elevado ou arrindo, fazendo com que 0 operirio traba- Thasse permanentemente a0 nivel que mais the conviesse. Uma prate- Ieira mantinha os tijolos e a argamassa em suas posig®es mais adequa- das. Introduzindo alteragdes no proceso de transporte de tijolos © de sua arrumago no andaime, Gilbreth consegui que os operdrios dedicados a ésse setor da construcio civil aumentassem o némero de tijolos que colocavam de 120 para 350 por homem/hora. Esses estu- dos pioneiros de Taylor ¢ Gilbreth foram a semente de um ramo da Engenharia Industrial, hoje conhecido como Estudo de Tempos ¢ Movimentos. Nos anos seguintes os engenheiros dedicados ao estudo de tem- pos e movimentos desenvolveram intimeros principios sdbre a econo- mia de movimentos, a arrumagio do trabalho © 0 planejamento da tareta. — principios que posteriormente seriam aplicados por tOda a indiistria moderna. Até a0 ponto em que se referem ao replaneja- mento da tarefa, da maquinaria ¢ do ambiente de trabalho, os enge- theiros especializados em tempos ¢ movimentos so predecessores da Engenharia Especializada em Fat6res Humanos. ‘A Enfase principal da Engenharia de Tempos ¢ Movimentos se concentrou no homem enquanto trabalhador, ou seja, no homem en- quanto fonte de poder mecinico, Mas s6’com a Segunda Guerra Mundial apareceu uma nova categoria de maquinaria: instrumentos {que apelavam nao para o poder muscular do operador, mas para suas aptiddes sensoriais, de percepcio, de julgamento © de decisio. O desempenho da tarefa de um operador de radar, por exemplo, nio cxige virtualmente nenhum esforco fisico, mas requer severas condi- es quanto @ capacidade sensorial, aten¢ao aptido para tomar de- Cisbes. Esta nova espécie de maquina levantou intrincadas ¢ inusitadas questdes sobre as habilidades humanas. Que volume de informagées um homem absorver de uma tela de radar? Qual a distorcao 6ptica tolerdvel no pira-brisa de uma aeronave altamente veloz, voan- do em missdes de bombardeio a baixa altitude? Que sucede se um operador humano € sibitamente descomprimido, quando hé a ruptura A Ixrnopucio 2 das paredes de uma aeronave? Pode um homem resistir a uma acele- ragio equivalente a doze vézes a forca da gravidade durante quinze segundos? Quantos tamanhos de miscaras de oxigtnio devem ser fabricados, a fim de cobrir téda a gama de rostos humanos? Estas indigagdes no podem mais ser respondidas simplesmente pelo bom senso ot pelos principios da Engenharia Especializada no Estudo de Tempos e Movimentos. Por isso, durante a Segunda Guerra Mundial, tum novo grupo de especialistas voltou seus esforgos para a integracdo do homem em recentes ¢ complicados sistemas mecinicos, produtos das atividades bélicas entdo em pleno curso. Estes novos especialis- tas nfo cram engenheiros, mas cientistas do comportamento — psicé- logos, fisidlogos, antropometristas ¢ médicos. Como resultado de sua influéncia, a Engenharia Especializada em Fatdres Humanos ascen- dou ao plano de uma disciplina especial. “Status” Atual da Nova Disciplina Encerrada a Segunda Guerra Mundial, 0 crescimento da Enge- nharia Especializada em Fat6res Humanos foi muito répido. Os técnicos dessa disciplina se encontram hoje em cada setor das enti- dades militares, em diversas organizagdes independentes de pesquisa consulta ¢ em indistrias aeronduticas, automobilisticas, cletrénicas, ide comunicagdes e de utensilios de uso doméstico. Os sistemas e en- fgenhos com que lidam vao desde veiculos espaciais, computadores igitais © maquinas de ensinar, até coisas mais simples como sinais de estrada, telefones, méquinas ‘de escrever, ferramentas ¢ fogbes de fcozinha. Em certo sentido, foi o fenomenal crescimento no nimero € ‘complexidade de méquinas em cada rea de nossa sociedade industria fizada que acabou criando a premente necessidade de uma rea da Engenharia que se especializasse em fat6res humanos. © Alcance da Engenharia Especializada em Fatéres Humanos {As informagoes de que os engenheiros especializados em fatdres Jhumanos precisam em seu trabalho didrio provém de tédas as ciéncias Sociais e de comportamento. O volume de informagies que podem Ser aproveitadas, contudo, depende do especifico problema de plane- jamento ou desenho que esté em pauta. No desenho de um vefculo espacial, quase tudo © que se conhece sObre o ser humano € impor- tante: dimensoes do corpo, reagbes psicolbgicas a tensdes ambientais — como as forcas aceleradoras e as cxtremas variagdes de temper fura e pressio atmosférica; aptiddes sensoriais em relacio aos instru- mentos @ bordo ¢ as indicagdes que aparecem nos diversos_painéis 30 A Enoennana © 0 RELACIONAMENTO HOSEM-MAQUINA. cexistentes no interior do veiculo; capacidade para tomar decises no tempo exato; capacidade para executar corretos movimentos de con- tr6le; assimilagio de determinado comportamento ou de sun modifi- cagio através de treinamento; as conseqtiéncias psicol6gicas da fadi- £2, da emogio e do isolamento. Contrastando com tudo isso, 0 dese- ‘tho e planejamento de um sinal de trinsito ou de um eomutador para torradeira elétriea é problema de muito menor envergadur, pois se refere a uma drea extremamente restrita da atividade sensorial-motora do homem. Por falta de espaco, somos obrigados a nos contentar, neste livro, com apenas uma introdugo a &sse vasto campo. Um tra- tamento mais completo da matéria poder ser encontrado nos livros relacionados na Lista de Referencias (6, 23 ¢ 25). A Psicologia da Engenhari AAs pessoiss que se autoclassificam como engenheiros especializa- dos em fatéres humanos podem perfeitamente ser oriundas de qual- quer ramo das ciéncias relacionadas a vida. Mas a maioria désses in- dividuos (mais de 50% dos membros da Human Factores Society, por exemplo) se origina da Psicologia — talvez porque a mais considers vel carga que as méquinas modernas trazem a seus operadores seja luma carga mental. ‘Tao importantes sio as contribuigSes psicolégicas & Engenbaria Especializada em Fatores Humanos que um ramo espe- cifico da Engenharia, a Psicologia da Engenharia, se assim 0 podemos chamar, surgiu ¢ se dedicou a elas. Embora a Psicologia da Engenha- ria constitua parte da Engenharia voltada para os fat6res humanos ela é, na verdade, uma parte muito importante. Este livre trata prin- cipalmente da Psicologia da Engenharia e das contribuigdes que os psicélogos trouxeram ao campo da Engenharia voltada para os fatores humanos. ‘Uma Palavra sobre a Nomenclatura Como freqiientemente sucede as novas c 1S pessoas ainda no sabem muito bem como chamar esta nova tecnologia. Nos Esta- dos Unidos, os nomes Engenharia Humana e Engenharia Especial zada em Fatéres Humanos — que, para todos 0s efeitos préticos, si0 Perfeitos sinGnimos — merecem a preferéncia. Ambos se referem & ampla rea dos relacionamentos homem-maquina, como 0s apresen- tados aqui. Na Inglaterra e no resto da Europa, contudo, 0 témo Ergonomia é geralmente aceito, como equivalente & expresso Enge- nharia Especializada em Fardres Humanos, Outros térmos que de Vez em quando aparecem sio Biotecnologia, Biomecdnica e Engenharia Especializada em Aspectos Relacionados @ Vida, Esses trés térmos Ixrmopucio au sio essencialmente equivalentes a Engenharia Especializada em Fato- res Humanos, mas sio muito menos usados do que os demais. © subcampo conhecido como Psicologia da Engenharia tem sido mencionado como Psicologia Experimental Aplicada, Psicoftsica Apli cada ¢ Psicotecnologia. Embora essas quatro expresses possam ser consideradas idénticas, o térmo Psicologia da Engenharia é 0 que mais se usa nos dias de hoje e, como tal, deve ser preferido aos demais, RESUMO_ Este capitulo apresentou ao leitor o terreno da Engenharia Espe- cializada em Fatores Humanos ¢ sua subdivisio, a Psicologia da En- genharia Especializada em Fatores Humanos e sua subdivisio, a Psico- fogia da Engenharia. Observamos que ésses campos lidam com 0 planejamento de méquinas e de tarefas, com vistas a seu manejamen- to humano com eficiéncia, seguranca e conférto, Nossa énfase se concentrou nas contribuigdes que a moderna Psicologia tem trazido A resolugdo désses problemas. capitulo tragou, cm linhas gerais, istorico da evolucio dessa parte da atividade humana ¢ aludiu as raz6es que a tornaram tio importante hoje. Definimos o escopo dessas dreas de especializacio e finalizamos com uma discusso sobre alguns dos nomes usados para mencioné-las. No préximo capitulo faremos uum enfoque mais pormenorizado dos sistemas que retinem 0 homem maquina ¢ do papel que néles o ser humano desempenha 2 O SER HUMANO NOS SISTEMAS HOMEM-MAQUINA Volte 0 leitor suas vistas para os antincios pu- blicados numa infinidade de jornais profissionais, ou para os classificados que aparecem nami dos jornais metropolitanos, e certamente ficaré es- pantado com 0 niimero de vézes com que leri as ‘expresses Engenheiro de Sistema ¢ Engenharia de Sistemas. Agora, procure ler um jomal de vinte ou trinta anos atras € constatars ser rarissimo néles en- contrar as mesmas expresses. O conceito de siste- ‘mas — embora ni inteiramente névo na Engenha- i algo relativamente recém-chegado 00 voca- bbulério téenico do uso dirio. Dentre as espécies de sistemas de que hoje cada vez mais se fala, 08 que de perto nos interessario no presente livro so. 0s jemas que vinculam o homem 3 maquina ou aos Sistemas Homem-Méquina, Que é um sistema? Que tipo de sistema 6 0 Sistema Homem-Miquina? Que coiss 0 homem faz e que coisas deveria fazer num Sistema Homem- -Miquina? Estas so indagagdes especificas com que nos defrontaremos neste capitulo, QUE E-UM SISTEMA? ‘A palavra sistema & empregada em diversos sentidos ¢ guarda diferente significado para diferen- © Sex HuMANo Nos SisTEMAS HoMen-MAquiNa 3 tes pessoas. Assim, podemos aludir ao sistema solar, ao sistema capi- talista, ao sistema para apostar em corridas de cavalos, ao sistema ner- vyoso do corpo humano — s6 para citar uns poucos exemplos. No presente livro, contudo, estamos com nossa atencao concentrada nos sistemas de equipamento, Com esta diretriz em mente, pois, pode- ‘mos definir sistema como um grupo de componentes — alguns dos ‘quais pecas do equipamento — planejados para funcionarem juntos € com algun objetivo comum. Exemplos corriqueiros de sistemas, na acepeHio acima, sio a icicleta, © automével, o acroplano, ‘Todos nela se enquadram, porque: Consistem de certo nimero de pegas do equipamento. ‘As pegas do equipamento sio planejadas para adaptarem-se lumas as outras ¢ funcionar em conjunto entre si ‘A montagem completa do equipamento, em cada caso, tem em vista um propésito comum. Observe também 0 leitor que, embora estejamos mencionando, fem todos 0s casos, veiculos de transporte, éles so enormemente dife- fentes entre si, variando muito a complexidade de cada um. Uma bicicleta ¢ sistema bem simples; jé um aviio demanda alta complexi- dade técnica. Eis outros sistemas de complexidade variada: Uma quadro de distribuigdo telefOnica © ‘sistema telefénico dos Estados Unidos. © sistema ferrovidrio dos Estados Unidos. Um estudante que maneja uma méquina de ensinar. Um sistema de mésseis ar-terra. Um operador de radar, manejando 0 radar. © sistema de contréle do tréfego aéreo dos Estados Unidos. Uma fabrica. A Origem dos Sistemas Nos primeiros tempos de nossa civilizagdo industrial as méqui- nas nada mais eram que simples continuagdes dos mdsculos do homem: , instrumentos de construcio, veiculos, catapultas e outros lars. Havia, 6 certo, determinados instrumentos — ‘como os microsedpios ¢ os telescSpios — projetados para ampliar © aio de ago dos sentidos do homem; mas, sem daivida, a mais im- portante funcio das primeiras méquinas foi a de ampliar 0 poder muscular do homem. Um pouco mais tarde, nos primérdios da revo- ucio industrial, diversas méquinas foram reunidas umas as outras e, > Fr A ENGENIIANA £0 RELACIONAMENTO HostEst-MAQUINA as vézes, ligndas entre si, numa variedade de formas, que produziu 0s primeiros sistemas de larga escala, as fabricas, Tornos mecinicos, fresadoras © prensas foram dispostos sobre um pavimento de conere- to, polias e eixos de transmissio suspensos foram instalados, para pro- porcionar frea a cada méquina, ¢ um condutor foi aplicado por den- tro e por fora das varias méquinas, a fim de trazer-Ihes a matéria-pri- ma necessiria e, cm seguida, transportar para diante os produtos acabados. Quando diversos pequenos sistemas ou maquinas eram simples- mente reunidos, com 0 intuito de formar unj grande sistema, entre- tanto, amitide dificuldades imprevistas surgiam. Muito embora os elementos mecdnicos fdssem individualmente adequados, no raro deixavam de funcionar 2 contento, em conjunto. Os problemas de combinar componentes separados so bem exemplificados a0 tomar- ‘mos como ilustracio o sistema telefonico. Nao € suficiente que um circuito, um painel telefénico ou um conjunto receptor-transmissor sejam planejados como uma unidade. E necessério que cada ndvo cireuito € cada nova pega do equipamento tenha compatibilidade com a réde telefdnica inteira. Por esta razio, cada névo cireuito © cada novo item do equipamento deve ser testado, ndo apenas como uma unidade em si, mas também em conjungao com muites outros eircuitos jd existentes, ou — e éste é um ponto que no pode ser desprezado — ‘com eircuitos que devam ser implantados no futuro. (© vasto crescimento dos grandes sistemas provocou, igualmente, novos problemas. Construir um sistema complexo como o de telefo- nes € algo que requer eleneo dos mais diversos especialistas: engenhei- ros eletricistas, mecinicos, quimicos, matemsticos, fisicos, economis- tas, psir“logos e arquitetos. Estes especialistas aplicam seus métodos proprios e particulares, aparelhos e palavras especificas a seu ramo ¢, uitas vézes, tém dificuldades de comunicasio com seus companhei ros de outros ramos. Sobretudo, éles estio de tal forma absortos nas minfcias ¢ complexidade de suas fungBes especficas, que passam a encarar os problemas apenas a parti de sua perspectiva pessoal, assim perdendo o senso do conjunto ¢ do objetivo global do sistema. Problemas dessa ordem evidenciam a necessidade de novos con- ceitos e novos métodos para lidar com os muitos € vastos sistemas que estio se tornando parte integrante de nossa vida diria, Também siio necessdrios elementos. que possuam uma visio geral das coisas © que, assim, possam manter uma ampla perspectiva — homens que tanto possam ver a floresta tds, como as drvores isoladamente, Tais, homens so 0s engenheiros de sistemas, ¢ seus métodos de abordar ésses problemas constituem Engenharia de Sistemas. © Sex HumaNo Nos Stsrmsas HonemncMiquina Sistemas dentro de Sistemas Os sistemas podem ter virtualmente qualquer dimensio e, em geral, todo sistema existe como parte de outros sistemas. Uma mesa telefénica é um exemplo de pequeno sistema. Mas éste pequeno siste- ma € apenas um diminuto elemento no sistema muito maior que é Juma central telefénica. Esta, por sua vez, no passa de pequeno com- ponente de um sistema apreciavelmente maior — digamos, o sistema telefnico dos Estados Unidos. O tamanho de um sistema 6 arbitré- tio; a extensao do sistema que pode ser operada a qualquer momento depende, em grande parte, do que & conveniente ou apropriado em determinado instante, Sistemas Homem-Méquina As pessoas sio utilizadas ou envolvidas em qualquer sistema de ‘equipamentos, pois os sistemas de equipamento so sempre elaborados com algum objetivo humano. Bles existem para atender a determina- dda necessidade humana. Ademais, os sistemas sao plancjados ¢ cons- Iruidos pelo ser humano. Além disso, sto criaturas humanas que 03 ‘manejam — supervisionando-os, observando-lhes 0 funcionamento © euidando de sua manutencdo. Os sistemas ndo substituem as vélvulas, 6 transistores ou as limpadas que queimam, nem soldam suas cone- xbes. Tais incumbéncias cabem ao homem. Por essas razbes, poder- sse-ia dizer que todos os sistemas de equipamentos sio Sistemas Ho- fmiem-Maquina. Nio obstante, os sistemas variam enormemente na intensidade com que envolvem operadores humanos. © sistema de Ainais de transito, que regula o fluxo de veiculos de qualquer grande fekdade, funciona independentemente de operadores humanos. Uma 'yer tenham sido os sinais e seus mecanismos reguladores instalados, os sinais ‘8 acender © apagar, automaticamente. Em sistemas Misse tipo, o papel do homem & o de projetista, construtor ¢ mantene- dor, Em contraste com isso, 0 automével é um bom exemplo de siste- ma altamente complexo, em que o operador desempenha ativo papel ide comando ¢ intervém diretamente no sistema a cada momento. Um luttomével pode andar durante considerdvel tempo sem motorista, mas Para servir a seu propésito bisico, como veiculo de transportar algo ‘ou alguém de um ponto a outro, a'atuagio constante de um motorista © absolutamente indispensivel. ‘© automével & exemplo tipico de um ‘Yerdadeiro Sistema Homem-Maquina. Sugerindo uma definicio, pois, dirfamos que 0 Sistema Homem- “Miquina é 0 sistema de equipamentos em que, pelo menos, um dos ‘somponentes & wn ser humano que atua ou intervém na operagao dos ©omponentes mecdnicos do sistema a cada momento. -.. : A-ENOENHARIA # 0 RELACIONAMENTO HostEM-MAQUINA Devido a artigos ¢ manchetes de jornais, que nos contam mara- vithas da automagio, € fécil conceber a idéia’de que méquinas auto- méticas possam fazer tudo sozinhas. fato € que muitos sistemas autométicos 18m que utilizar sempre o homem, seja de uma forma ou de outra. Na verdade, néo é dificil que nos enganemos a respeito do montante de trabalho’ que os operadores humanos executam em sistemas automaticos. A proporctio de homens para cada unidade me- clinica € decididamente decrescente, e 08 operadores devem aprender novos tipos de aptidio técnica, se quiserem continuar operando os modemos sistemas. Mas o fato é que sempre ha operadores traba~ Thando, participando ativamente do manejamento de tantos sistemas, chamados automticos, de hoje. 0S FATORES HUMANOS NO DESENVOLVIMENTO DOS SISTEMAS Os problemas humanos que sistemas complexos podem ser agrupados em duas classes principais Em primeiro lugar temos os problemas diretamente relacionados 20 planejamento do sistema e de seus componentes mecfinicos, de modo fa que éstes melhor complementem as limitagdes dos séres humanos {que lidario com o sistema. Uma ver planificado o sistema, porém, surge outro tipo de problema, especificamente relacionado com 0 re- crutamento, selec, treinamento e promocio das pessoas que traba- Tham no sistema. Este grupo de problemas 6 muitas vézes menciona- do como o subsistema de pessoal. No presente livro estamos interes- sados apenas no primeiro tipo de problemas. A distingdo entre essas duas classes, entretanto, niio é absoluta- mente nitida ¢ especifiea. Na verdade, o trabalho em ambas as dreas ‘ocorre simultfneamente, ou quase, no desenvolvimento de um sistema. Uma ilustragio famosa do assunto é o programa de exploracio espa- cial empreendido pelos Estados Unidos. Os primeiros sete astronautas foram cuidadosamente selecionados ¢ receberam intensivo treinamen- to, muito antes da construgio da primeira cépsula destinada a percor- rer o Cosmos. Alids, seria praticamente indtil terminar a fabricagio de uma eépsula espacial, aprimorar seu regulador de tensio concluir todo o equipamento correlato, se no houvesse alguém capaz de em- preender 0 véo. Estas duas espécies de problemas humanos se relacionam ainda sob outro aspecto. O desenho de uma maquina, em geral,jé seleciona 0s tipos de pessoas mais adequadas para comandé-la ¢ sugere a dosa- gem de treinamento necessério, antes do instrumento mociinico ser (© Sex Humaxo Nos Sisrmxas Hosme-MAqurna EY colocado em funcionamento. Reciprocamente, quando uma tarefa re- quer nivel de aptidfo ou habilidade dificil de encontrar, uma saida para o impasse é simplesmente redesenhar a maquina ou replanejar as foperagdes da mesma, de maneira a que ela possa set manejada por qualquer pessoa e apés mais curto periodo de treinamento. Os recen- tes progressos na simplificagio da programagao de computadores di- gitais gigantes € um bom exemplo désse tipo de recurso. Distribuigio das Tarefas entre os Homens ¢ as Méquinas ‘Ao preparar seus planos para um sistema complexo, o engenhei ro de sistemas comeca tomando decisées sdbre as fungdes que deve- fo ser desempenhadas pelas diferentes partes do sistema. E durante todo seu trabalho, deverd ter em mente a necessidade de que as partes separadas venham a cooperar efetivamente entre si. AS FUNCOES DA MAQUINA No que se refere as partes mecinicas do sistema, o engenheiro toma suas decisdes com base naquilo que pode ¢ no que no pode ser feito pelas méquinas, atualmente. As decisoes variam de época para €poca. Ha vinte anos atrés seria impossivel para um engenheiro de sistemas considerar striamente um sistema contébil para bancos, em que as contas féssem classificadas e os saldos computados impressos fautomaticamente por meio de méquinas. Hoje em dia tais sistemas ‘fio apenas so vidveis como, na verdade, se acham em pleno fun- ccionamento. Mas, por outro lado, & impossivel para um engenheiro de siste- mas coneeber hoje, para os bancos, um sistema de Contabilidade em {que cada cheque seja estudado ou as assinaturas verificadas automa- ficamente por intermédio de méquinas. Atualmente no existem méAquinas — e tampouco existiro num futuro préximo — que possam Aistinguir as diferentes espécies de letras manuscritas que aparccem em cheques (figura 2.1). Por isso, a tarefa de ler o montante de um ‘cheque deve continuar sendo cumprida por operadores humanos ¢ por testes convertida numa forma apropriada & méquina, Depois dessa elapa, a operacio podera ser finalizada automaticamente pela méqui- ha, Daqui a vinte anos, entretanto, até mesmo essa parte do processo eontibil, hoje confiada’ a mos humanas, poderd ser desempenhada pela maquina, pois continuos esforgos estiio sendo despendidos no fentido de se chegar as méquinas que consigam “reconhecer” a escri- ta a mio, 38 A ENGENHARIA F 0 RELACIONAMENTO. HOMEM-MAQUINA Bdor rho lings tile, Ay A teow a mae ob oe t Tho comumint ou al fLeil Bu tamer) copes aes oF tsoamolinco, Baste capacille de’ Worlermes qe a5 be 4umn dacupiineiar mo mado ‘e- Bec le agit SAN A> Coe ~ A me e leas. Gy porte, portirmet tor ESTES MODELOS DE Escrita levili> 27 -tex colle « reclanclarcia Weslee frartagen Meet ci sum alto gran ,woste Aahihitade tm Lev eile faniagio 2" Lambe devide “a notdvel capscidade que © erganisme Fignra 2-1 — 01 séres humonor ulirapactam muito os méquinas, no que se refre 8 capacidade de percepto, ‘Na verdate, ox operadores humans Yes veces devem ser deliberadimente atatados aos Sistemas Homens Maquina, de- vido 2 sua eepacidadeperceptiva © PAPEL DOS HOMENS Uma forma muito simplificada, mas itil, de se considerar o papel do homem num Sistema, Homem-Miquina esté ilustrado na figura 2.2, Bisicamente, o homem é quem primeiro sente alguma coisa e percebe o que sinifica essa coisa. O que éle sente 6, em geral, uma espécie de manifestacao da maquina, Uma manifestagéo pode ser mil © uma coisas — a posigio de um ponteiro num mostrador, a leitura de © Sex HuMANo Nos SisrEnAs HoMescMAQuINa » um computador digital, o som de um alto-falante, uma luz vermelha brilhando num painel de contrile, ou a percepcio de um certo tipo de contréle. Tendo sentido a manifestacio, 0 homem deve, entio, interpreté-la, compreendé-la, talvez. fazer alguma computacao mental, fe chegar a uma conclusio. Em o fazendo, 0 operador muitas vézes se utiliza de outra importante aptidio humana: a aptidio mneménica, a ‘capacidade de comparagio entre 0 que se observa num determinado instante © a experigncia passada, a capacidade para recordar-se de ‘normas operacionais que se aprendeu durante o treinamento ou a ca- pacidade de coordenagio entre o que se percebe © as estralégias que se pode idealizar pela analogia com eventos similares. O homem nao esti necessiriamente ciente de que esti fazendo tOdas essas coisas. Seu ‘comportamento pode cair, de tal maneira, na rotina que suas decisbes cchegam a ser tomadas quase que de forma reflexa, assim como © mo- torista experimentado decide quase inconscientemente se deve ou nio parar 0 carro quando vé o sinal de trinsito passar do verde para o amarelo, Em manuais de Psicologia, estas fungdes sto muitas vézes discutidas sob o titulo geral de processos suprasmentais. Hoje fem dia € moda usar a terminologia mecinica, ao invés de témos psicolégicos mais simples de entender; e, em refdrgo a isso, a figura 2.2 se refere a ésses processos supra-mentais, coletivamente, como processamento de dados. ‘Apés ter chegado a uma conclusio, ¢ operador humano normal- ‘mente toma alguma atitude, pratica determinada acdo. Esta ago ge- ralmente é exercida em alguma espécie de contrdle — numa tecla, alavanca, manivela, pedal, comutador ou guido. A ago do homem sébre ésses contréies, por sua vez, exerce uma influéncia no com- portamento da maquina, em sua producio © em seu. desempenho, Essas fungSes so cumpridas num ambiente de trabalho que pode afetar sériamente 0 operador, a maquina, ou ambos. A lista désses fatOres ambientais € longa, ca figura 2.2 sugere apenas alguns dos, mais importantes Planejar para Obter a Compatibilidade Homem-Miquina Em tédas as trés categorias de fungdes acima descritas. —a sen- sorial, a mental e a de controle — a eficiéncia, velocidade e precisiio do homem sio profundamente afetadas pelo planejamento, projeto ¢ desenho dos componentes mecinicos com os quais éles lidard. Uma ddas tarefas essenciais a0 engenheiro especializado em fatdres humanos € planejar os painéis, contréles ¢ ambiente de trabalho em que se situam as méquinas, a fim de compatibilizar tais elementos com as habilidades naturais’ do homem. Daqui para a frente, éste livro se dedicaré exclusivamente discussio dos meios perfeitos pelos qua ‘A ENGENHARIA #0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA Figura 2.2 — Modélo simplificado de um Sistema Homem-Méquina: se pode atingir tal compatibilidade. Mas, antes, vamos clucidar me- thor ainda a idéia da compatiblidade homen-méquina e estudar de que maneira 0 projetista de sistemas consegue influenciar a eficiéncia de uma combinagio homem-méquina, ao planejar as tarefas que ca- berlo ao homem. Achamos que trés'exemplos bastardo para ilustrar bem o problema, cada um déles abordando uma das trés fungdes hhumanas que acabamos de discuti A ESCOLHA DO CANAL SENSORIAL CORRETO Em muitos casos o engenheiro de sistemas dispde de consideravel latitude ao planejar os componentes individuais. Suponhamos que o produto de determinada maquina seja uma série de impulsos elétticos. Estes podem estar relacionados a qualquer dos intimeros elementos contidos no painél. Assim, os impulsos elétricos podem ser detecta- © Sex HuMaNo Nos SisteMas HoMescMKquiva a dos pelo acender de uma lampada ou por um ruido que se faga ouvir intermitentemente. A tarefa de construgio de tais painéis € obra simples de Engenharia. Mas por qual forma de percepgio devera ‘optar o planejador do painel? Resposta: aquela que seja mais com- Pativel & tarefa que o operador tem a cumprir. Se, por exemplo, 0 perador tem que contar os impulsos elétricos rapidamente, éstes devem ser apresentados sob a forma sonora, jé que os estimulos rapi- damente apresentados sfio mais compativeis com 0 sentido auditivo do que com o sentido visual. © individuo médio é capaz de distin- guir 5 “sinais", auditivamente, quando cada um é separado do outro pelo intervalo ‘de apenas 125 milisegundos, enquanto so exigidos 500 milisegundos para a apresentagao visual dos si de luzes. (** ¢ ®) Eis aqui, pois, uma simples ilustragio de como @ funcio sensorial do homem pode ser auxiliada ow embaracada Pela forma como se planejou o correspondente elemento mecinico (© painel). A ESCOLHA DE ADEQUADOS SISTEMAS NUMERICOS Para demonstrar como os processos mentais do ser humano po- dem ser afetados pelo planejamento da méquina, citemos uma expe- rigncia, a propésito da estimativa das distincias dos alvos numa tela de radar. A figura 2.3 € uma ilustragao esquematica do PPI (indi- cador de posigéio) na extremidade de um CRT (tubo de raios caté- dicos) — a imagem de um radar. O centro désse painel corresponde i localizagio do radar. Os seis tragos finos espalhados no centro do painel representam alvos a varias distancias e em virias direcdes do radar. J4 0s cireulos concéntricos localizados no painel so 0s anéis de alcance. Uma forma de avaliar a distincia de um alvo, em relagio ao radar, € fazer a interpolagio entre ésses anéis de alcance. Suponhamos, por exemplo, que os anéis de alcance assinalem inter- valos de 2,5 milhas. Isto significa que os anéis — cuja leitura se faz através do centro, em diregdo as extremidades — representam distincias de 2,5, 5,0 © 7,5 milhas, enquanto a borda exterior do Giltimo anel do painel representa uma distancia de 10,0 milhas. Assim ainda, pela figura 2.3, 0 alvo chamado de A esté a3 milhas de dis- tincia, enquanto o alvo chamado de B esti a cérca de 8,25 milhas, Outra possibilidade, entretanto, seria coneeber para os angis de aleance as distancias de 5.000, 10 000, 15 000 e 20 000 jardas. Esta € uma alternativa interessante, porque 2,5 milhas néuticas equivalem 4 5 000 jardas. Eis aqui um caso, portanto, em que a méquina pa- fece imutada, o painel visual € o mesmo e o radar continua medindo ‘as mesmas distfncias. Mas com que precisio podem os operadores hhumanos fazer a interpolagio visual aplicando os dois tipos de sisie a ‘A BNorxnana © 0 RELACIONAMENTO. Howtext-MAQuina mas numéricos? A resposta, de acérdo com uma experiéneia feita por Chapanis e Leyzoreck, (#) 6 de que os erros de interpolacao visual fo semelbantes, tanto na escala de 2,5 mithas como na escala de 5000 jardas, Esta conclusio ilustra uma situago em que as fungdes mentais de avaliag fio marcadamente afetadas pela execugdo humana da tarefa, muito embora sentidos seja precisamente a mesma. Figura 23 — © PPI (indicador de posicio) de um moderno radar. Seis alvos idols dox quals chamados de A B aparecem na figura. Os clreulos con Cintrics sto os anéis de aleance, que representam disdnelas erescentes em re lagdo ao ponio onde se localiea 0 radar, situado, simbdlicamente, no exaio centro do painel, A ESCOLHA DO CONTROLE APROPRIADO Para nosso iiltimo exemplo, imaginemos que o operador huma- ‘no haja recebiely alguma informagio do painel, que a tenha interpre- © Sex HuMAxo Nos SistEnAs HoMencMAquiwa 8 tado © chegado a conclusio de que ¢ necessério fazer uma mudanga fa posigio de um componente meednico do aparelhamento, A mé quina est4 diante do operador, apresentando um pontciro dentro de uma escala linear. A posico do ponteiro poderia ser controlada: a) por um simples botio; b) por uma simples manivela do mesmo ta- manho, © que deveria um projetista preferir? A resposta aqui, segundo resultado de pesquisas efetuadas por Jenkins e Connor, ('") € a de um simples botdo. Neste caso, o painel € 0 mesmo, as fun- bes mentais (decisoes) sio as mesmas, mas a velocidad © precisio dos movimentos do operador siio afetadas pelo tipo de dispositive de contrdle que éle deverd utilizar. PROBLEMAS PARA O PROJETISTA DE SISTEMAS Todos os exemplos apresentadlos acima sio bastante simples, ‘muito mais simples do que aquéles com que o projetista de sistemas ou 0 engenheiro especializado em fatéres humanos se defronta na Pritica. Mas a ligdo que ésses exemplos trazem ao leitor € valida para problemas de qualquer grau de complexidede, Ao tomar deci S6es sobre os componentes meciinicos de um sistema, 0 engenheiro, muuitas vézes, dispde de considerdvel latitude nos componentes que seleciona e na maneira como os plai Ao planejar componentes mecénicos, segundo éste ou aquéle caminho, 0 en; , na verdade, altera a funco do operador humano. do, é importante ter sempre em mente quest6es como as que se seg 1, Se eu utilizar esta pega, ou se a desenhar desta forma, 0 que passari a méquina a exigir a mais do operador? 2. Deveria eu exigir todo ésse acréscimo de trubalho ao operador? 3. Haver alguma forma alternativa de projetar ésse componente meciinico, que venha a melhorar o desempenho do operador? 4. Haverd um outro modo de projetar ésse componente meci- nico, de maneira a que 0 operador possa atuar de forma mais rapida, mais segura e mais eficiente? Fatdres Humanos nos Sistemas Automiticos A automagéo no é um processo simples ou unificado, Do ponto de vista técnico, o que geralmente se chama de automagao & uma ou mais das seguintes caracterfsticas 8) uso desenvolvido © aperfeicondo de um equipamento auto- mitico; b) maior mecanizagio de operacées de transferéncia e maior com- binagio de unidades mecinicas ©) uso de sistemas miiltiplos de alimentagio para regular pro cessos de produgio completes. a4 A Encenaants # 0 RELACiONaMento Hoseent-MAquina ‘A introdugiio dessas téenicas produziu alteragdes sensiveis na ind@stria contemporiinea, e isto, por sua vez, acarretou importantes conseqiiéncias sociais ¢ econdmicas. A automacio & geralmente dispendiosa, pois requer investimen- to de capital de considerdvel magnitude, Em contrapartida, os bene- ficios que cla traz & indtstria sio enormes. Nas indistrias fabris, 0 aumento da eficincia operacional significa reduco no custo unitério dos produtos acabados. Nas operagdes de contréle centralizado — como as que se verificam nos sistemas ferrovidrios, nos sistemas de distribuigdo de fOrga ou nos sistemas de Contabilidade Mercantil — a automagiio é sindnimo de operagées mais velozes, menor incidéneia de erros e acidentes, e conduz a um contréle central mais eficaz s6bre unidades dispersas ou periféricas. Em grande parte, ésses beneficios de ordem econdmica resultam da substituigdo do relativamente caro trabalho humano, pelo relativamente barato trabalho mecfinico. ‘A automagio representou a aboligio de centenas de milhares de cempregos, com resultantes tensdes no suprimento ¢ demanda de mio- -de-obra, ' Tédas essas conseqliéncias so bastante conhecidas. O que no € bem conhecido 6 0 efeito da automacio sobre as aptides exi- gidas aos trabalhadores que ainda permanecem em atividade. Como a automagio afeta a natureza da Engenharia Especializada em Fat6- res Humanos ¢ modélo basico do relacionamento homem-méquina apresentado na figura 2.2? AS TAREFAS HUMANAS EM SISTEMAS AUTOMATIZADOS Embora a automagio tenha reduzido drasticamente 0 néimero de trabalhadores empregados, também originou o suprimento de algumas novas espécies de empregos. Gragas & introdugfio dos computadores digitais no Departamento de Rendas Internas dos Estados Unidos, por exemplo, os milhdes de declaragdes de impésto de renda que’ essa repatticdo recebe a cada ano passaram a ser processados mais rapi- damente, com maior preciséo e empregando menor mimero de fun- cionérios. Ao mesmo tempo, entretanto, literalmente milhares de funciondrios do Departamento tiveram que passar por cursos espe- ciais a fim de aprenderem a operar as novas méquinas, Em geral as tarefas humanas, em sistemas completamente auto~ tizados, podem ser classificadas em trés principais grupos de ati- lades: () 1. Montagem de processos. Em processos de fluxo continuo (refinarias automiticas, ‘padarias automifticas, © assim por diante), os operaddtes determinam a ordem das etapas a cum- pir, em fungio das exigéncias da produgio, e, em seguida, (© Sux Humano Nos SistEMAs HomescMAquisa 4s alimentam 0 sistema com essa ordenagio. Nas operagies me- ‘iinicas de alimentago de fitas gravadas, os operadores hums. nos Idem diagramas, analisam a seqiéncia de ages que méquinas devem cumprir e fazem as perfuragdes nos locais devidos nos cart6es. Em sistemas de Contabilidade, 0s ope- adores humanos traduzem os dados (cheques, ordens de paga- mento, declaragBes de impésto de renda) em linguagem me- ccinicae programam as méquinas para que elas fagam as rnecessirias operagSes, utilizando-se dos dados fornecidos. 2, Operapio e Contrdle. Os operadores humanos t&m que super- visionar as operagées mecinicas. Alguém forgosamente teré {que apertar © botio que poré a méquina em funcionamento, alguém teré que mudar as fitas, alguém teré que providenciar novos jogos de cartes perfurados no momento devido, al ‘guém ter que observar se as méquinas esto funcionando a ccontento, alguém terd que atender nas emergéncias que por- Ventura venham a ocorrer. 3. Manutengdo. Uma das mais importantes tarefas do homem, nos modernos sistemas automatizados, a de manter 0 pré- prio sistema em funcionamento. Podemos avaliar a impor- tiincia dessa func quando ficamos sabendo da conclusio @ que chegou a Férea Aérea americana: com a crescente com- plexidade © automagéo, a manutengio de um simples item do equipamento pode custar dez vézes 0 prego do equipamento original inteiro. A manutengio pode ser de dois tipos prin- a) manutengo preventiva; b) reparos por mau funcio- nnamento. No primeiro caso, os operadores humanos devem lubrificar as engrenagens, manter limpas as partes mais em uso e cumprir outras tarefas de rotina, necessérias a manter (© funcionamento da méquina. No trabalho de reparos 0 téc- ‘nico em manittencio efetua testes de leitura de painéis, usa luma estratégia particular para testar o equipamento © ticar seu deficiente desempenho © corrige a fonte do tio logo éle seja localizado. © MODELO HOMEM-MAQUINA APLICADO A SISTEMAS AUTOMATIZADOS Seré que © modélo homem-méquina representado na figura 2.2 também se aplica a sistemas automatizados? Vamos ver de perto alguns exemplos referentes a0 assunto. Uma refinaria de petréleo. A figura 2.4 mostra a fotografia de tuma unidade de recuperagio e fracionamento do gis, numa moderna fefinaria de petréleo. Esta refinaria consiste de torres, bombas, con- densadores ¢ equipamento auxiliar. Uma fornalha aquece o produto de uma operacio catalitica, fluida ¢ de destilacéo fracionada, elevan- 46 ‘A ENGENHARIA. 1 0 RELACIONAMENTO. HOMEM-MAQUINA do-o a temperatura cuidadosamente controlads. A parcialmente vola- tilizada mistura de etano, propano, butanos e pentanos é separada em Componentes individuais, para uso na gasolina e em produtos. quimi- 08, como a fabricagdo de borracha sintética, alquilato de aviagdo © detergentes. ‘Téda a operacio € controlada no pésto, situado na parte inferior direta da fotografia da figura 2.4 igura 2-4 — Uma unidade de recureraciio « fracionamento do sds, numa moderna refinarla de petrdleo. (Cortesia da Humble Ol and Refining Co) _ A figura 2.5 exibe a caixa de controle situada no interior do edi- ficio que € o posto controlador. Embora o pessoal operador interve- nha na operagao apenas durante a partida, 0 encerramento, a trans- feréncia de algo, ou sob condicdo de emergéncia, 0 modelo basico do relacionamento homem-méquina apresentado na figura 2.2 perm: nece. © operador recebe informagdes dos paingis e, como o leitor poderd observar, tem diante de si variadissimos itens a observar. O ‘operador deve interpretar as informagoes recebidas ¢ tomar decisies quanto ao rumo que deve tomar a agdo. Em boa parte do tempo sua deciso & a de simplesmente nada fazer. Quando éle 6 obrigado a entrar em acio, entretanto, tem que reagir rapidamente, ativando os (© Sex HUMANO Nos SisrmMAs Hosen MAQUINA “7 ccontréles apropriados, que sio distribufdos em téda a extensio do Painel. Com isso o ciclo homem-miquina se completa, Uma méquina controlada por fitas gravadas. A figura 2.6 mos- tra uma fresadora controlada por fita gravada e que proporciona fre- sagem automética © continua de duas ou trés dimensbes, sem 0 uso de gabaritos ou moldes. Comparada as miquinas convencionais, esta fomece economia de 75% no tempo exigido para o desempenho de ccertas tarefas, 80% nos custos de instrumentos e, ainda, produz pegas muito mais uniformes. roladora em fita gravada € 0 ‘computador sio vistos no sogt Observe que o operador ispde de um pequeno painel de contréle montado num pedestal. Figura 2-5 — 0 painel de conirdle grdjico na sala de contrdle da refinarla ‘auiomitica de peirdleo exibida na figura 24. (Cortesia da Humble Oil and Refining Co.) Quais sfo as tarefas que competem ao homem na operagio désse tema? Em primeiro lugar, evidentemente incumbe ao homem pre- Parar a fita que vai controlar o sistema. Um desenhista deve modifi- car 0 formato original da peca, que deve ter dimensoes programadas para a maquina, Em seguida, um planejador de processos. prepara ‘uma folha de papel, que relaciona os dados dimensionais oriundos do ‘A ENOENHARIA # © RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA Figura 2-6 — 0 Keller Numérico — uma fresada conirolada por jita gravada fe que permite fresagem continua. (Cortesia da Companhia Pratt & Whitney.) planejamento revisado feito pelo desenhista, junto com informagées adicionais sObre seqiiéncias mecinicas, limites de tolerancia, alimen- tagio da maquina, e assim por diante. Finalmente, a fita é perfurada © conferida a partir da félha de processamento. ‘Tédas essas tarefas sao cumpridas antes de entrar em ago o operador que se vé na figura 2.6. O operador, entfo, tem que posicionar a pega para o trabalho, instalar a peca cortadora e fazer a conexdo da fita gravada com a unidade de contréle. Em seguida, tem que situar 0 cortador no corre to ponto de partida (utilizando-se de painéis visuais), selecionar a velocidade sob a qual o sistema vai funcionar e apertar 0 botio que aciona t8da a engrenagem. Durante a operagio automitica, os diver- 80s indicadores exibem continuamente a posi¢ao exata do cortador, ‘em t6das as suas léminas, ¢ a cada ponto do programa preestabelecido. Em certos momentos (determinados pelos indicadores visuais) ‘0 operador pode parar a méquina, retirar a broca, mudar 0 cortador, fazé-lo retornar & posico conveniente na maquina, e recomegar tida operagio sob controle automatic, Em outras ocasides, 0 operador © SiR HUMANO Nos SistEMAS Homes Mia 4” pode interromper 0 ciclo da operacio e ligar um comutador, que inverterio eixo dos pontos de referéneia, de forma a que partes simé- tricas da esquerda e da direita possam ser simultineamente atingidas pelas Kiminas do cortador. © operador pode mesmo ignorar os con- {rles autométicos e continuar a operar manualmente a mi E, entio, uma vez mais, o esquema homem-maquina da figura 2.2 tera sido completado. AS APTIDOES HUMANAS NOS SISTEMAS AUTOMATICOS Paradoxalmente, em muitos casos a automacio tornou a tarefa do operador, a0 mesmo tempo, mais fécil e mais dificil. ("") Consi deremos primeiro 0 trabalho de um operador que trabalhe com um témo mecinico convencional. Suponhamos que éle cumpra a tarefa absolutamente objetiva de tornear um pino na extremidade de uma peca de metal cilindrica. Ble comeca seu trabalho tomando a peca de metal, inserindo-a no mandril e ajustando-a no devido lugar. Testa entio a centralizacdo da peca de metal e faz os reajustamentos em sua posiclo, caso necessérios, Em seguida, toma uma ferramenta-chave, situa-a cuidadosamente no centro ¢ depois a ajusta. Opera a alavanca alimentadora e movimenta manualmente a résca de avango. Para e testa 0 Angulo do cone alongado com um mandmetro central. Se necessario, prossegue com a operacio de rotagio, até que tenha che- gado precisamente ao ponto desejado, Finalmente, destrava 0 man- aril © esté, enfim, de posse da peca termina Observe o leitor que as aptiddes envolvidas nessas operagbes sio tédas relacionadas a precisio de atividades psicomotoras, que reque- em considerdvel volume de conhecimentos. Estas aptidées, sobretu- do, devem ser continuamente praticadas. Caso nao o sejam, 0 ma nista acabard achando-se “enferrujado”, como um jogador de ténis, tum pianista ou datilégrafo que se afaste de sua profissio por algum tempo. Uma méquina controlada por fita gravada (como a da figura 2.6) substitui boa parcela da atividade muscular exigida do operador € requer muito menor volume de aptidGes psicomotoras de sua parte. Neste sentido, pois, é vilido afirmar que a operagio automitica tor- now mais facil a tarefa do operador. Sob outros aspectos, entretanto, a tarefa do operador & tornada mais dificil pela maquina automética. Em primeiro lugar, 0 operador nfo tem muita oportunidade de praticar as habilidades psicomotoras que éle necessita para o desempenho da tarefa, Conseqiientemente, muitas vézes se sai mal quando é obrigado a delas fazer uso. Em. segundo lugar, quando um operador de maquina trabalha num térno meciinico, hé um simples e direto relacionamento entre 0 que faz € 0 que vé aparecer como feito, como coisa pronta. Nos processos auto- 0 ‘A ENGENHARIA #0 RELACIONAMENTO. HOMEM-MAQUINA méticos, esta natural compatibilidade entre painel e contréle pratica- mente desaparece. Ha um elemento de arbitrariedade, de despotis- ‘mo envolvendo as méquinas autométicas, em tédas aquelas teclas, bo- tes, alavancas ¢ controles, pois tudo isso possui um relacionamento indireto com as agdes efetivamente controladas. Acrescente-se a tudo (© fato de que, nos processos autométicos, © operador, amide, nem chega a ver 0 desenvolvimento da operagio. Ele se situa num ponto distante dela (ver, por exemplo, a figura 2.4) e recebe as in- formagSes através de painsis que, simbblicamente, tudo Ihe transmitem respeito do processo automitico em funcionamento. Estes sim- bolos, por sua vez, devem ser interpretados convenientemente, caso 0 operador deseje inteirar-se da etapn em que o processo se encontra, Para completar tudo isso, as conseqiiéncias de um érro, num sistema automético, so em geral muito mais graves que as de um sistema convencional de operagio. Como o investimento de capital necessério para uma instalagio automética € muito grande, qualquer delonga, tempo ocioso ou desperdigado pode ser imensamente dis- pendioso. Nas operagdes autométicas, a interpretagao incorreta de tum indicador, um lapso minimo de meméria, a nfo-observagio de determinado sinal ow a incompreensio ou mé interpretagio de i trugdes podem ocasionar sérios danos. © resultado dessas deficién- cias poderé set uma vasta © custosa perda de material, um grande prejuizo, ferimentos no operador © até mesmo a sua propria morte. No obstante, 0 operador esté usualmente obrigado a tomar ripida- mente as decisoes, em meio a uma situacdo completamente privado dos iniimeros auxilios que normalmente se combina evitar erros nas ocasides mais comuns da vida didria, Tao grande a carga que se abate s6bre o operador que éle, as vézes (por exemplo, nos sistemas de contrdle de trifego aéreo comercial), sofre sibito colapso em suas atividades, originado pela estafa mental de que é vitima. Uma das tarefas a cargo do engenheiro especializado em fa- {Ores humanos € a de reduzir esta estafa mental a niveis toleriveis © dentro dos limites de seguranga. Por outro lado, a carga mental sbre © operador também ndo pode ser demasiadamente reduzida, Ter pou- ca coisa para fazer € tao desvantajoso quanto estar submetido a so- brecarga de trabalho. ia de Sisiemas esta se tornando cada vez mais impor- tante na tecnologia moderna, Este capitulo define Sistemas de Equi- pamento e Sistemas Homen-Méquina e ilustra cada um déles com exemplos familiares. Os fatOres humanos, nos Sistemas Homem-Mi- © SeR HuMANo Nos SisTEMAS HommeMAquINa st quina podem ser enquadrados em duas classes principais: a) o plane- jamento do proprio equipamento; b) o recrutamento, selecao, treina- ‘mento e promogao do pessoal no sistema. Neste livro estamos interes- sados na primeira dessas classes de fat6res humanos. Discutimos o papel do homem nos Sistemas Homem-Méquina ¢ demonstramos como a eficiéncia de um operador pode ser sériamente afetada pelo desenho ¢ planejamento de elementos componentes de méquinas de uso individual. Aludimos ao fato de que, embora a auto- magio tenha reduzido enormemente 0 volume de trabalho humano em muitos processos, as caracteristicas bésicas da interagio homem-m4- quina ainda esto preservadas. Paradoxalmente, a automagio, a0 mesmo tempo que facilitou 0 trabalho humano, também o tornou mais dificil — facilitou-o em térmos da quantidade de esférco fisico des- pendido, mas dificultou-o em térmos de carga mental recebida. ‘Ao discutir os Sistemas Homem-Méquina, éste capitulo de- monstrou que © primeiro ponto da interagio entre © homem ¢ a mé- guina ocorreu quando o homem foi obrigado a lidar com painéis me- celinicos e a interpretar o que néles se exibia. O capitulo seguinte foca- liza @sse proceso ¢ dirige a atencio do leitor para uma categ especial de paingis mecinicos: aquéles que se comunicam com 0 * homem através do sentido da visio. Eta eree WEEE at Bh : RNA 5 7 3 A APRESENTAGAO VISUAL DA INFORMAGAO Passaremos agora a tratar dos painéis existen- tes nas méquinas — ou seja, da maneira como as méquinas se comunicam com o homem e da forma como os séres humanos extraem informacées das méqui Diversos canais sensoriais podem ser aproveitados na comunicagdo homem-miquina: a vi- silo, a audigHo, o tato, a vibragio meciinica, o senso de rotago, 0 senso de gravidade © movimento, a cinestesia, a dor, a temperatura, 0 olfato e o pala- dar — todos éles siio explorados nos Sistemas Ho- mem-Méquina, mais ou menos na ordem acima apresentada. Na pritica, apenas os trés primeiros silo usados em grande escala; e, por motivos de eco- nomia de espaco, trataremos exclusivamente dos dois primeiros. 0S FATORES HUMANOS NA SELECAO DE UM SISTEMA DE COMUNICACOES Diversos fat6res influenciam a decisio de um eengenheiro que esteja diante da alternativa de uti- lizar-se de uma forma de comunicagio ao invés de outra, O custo, a praticabilidade técnica e a © téncia de vinculos de comunicago so alguns dos elementos que entram em consideragio. Para mossos objetivos aqui, todavia, faremos apenas uma inda- BacHo: quais os fat6res humanos relevantes na es- colha de win sistema de comunicagdes? A resposta ‘A Arnsericio Visuat. pa Ixrornagio 3 exige, antes de tudo, uma decisio s6bre que canal de insumo senso- rial deve ser utiizado para receber a informacio — quer dize sistema de comunicagio deve ser planejado para os olhos ¢ para os ‘ouvidos humanos. Comunicago Visual “Versus” Comunicagio Auditiva A escolha do meio de comunicagio entre a méquina e o homen depende do tipo de informagio a ser transmitida, a forma de usé-la, a localizago do homem, o ambiente em que éle atua e a natureza do proprio Srgdo sensorial. (Por exemplo, nossos ouvidos, diferente- mente de nossos olhos, podem receber informagdes provenientes de tédas as diregdes. E, além disso, no podemos fechar os ouvidos da ‘mesma forma como fechamos os olhos. Estas propriedades tornam © ouvido bem recomendado para a recepgao de sinais de alarma c emergéncia.) Mas vamos ser sistemiticos e relacionar as vantagens © desvantagens existentes, comparando-se os temas auditivos. MEIOS VISUAIS DE COMUNICAGAO Em geral, os sistemas de comunicacao visual (televisio, teletipo, Fadar, material escrito ou impresso, mostradores, mandmetros, ¢ assim por diante) so mais apropriados quando: ‘A mensagem a ser transmitida € complexa ou abstrata, ou contém térmos técnicos ou cientificos. A mensagem a ser transmitida 6 longa, ‘A mensagem deve ser classificada mais tarde (os meios vis ‘de comunicago so recomendados para produzir copias du- rivels, de modo que a mensagem possa ser arquivada, acumu- Jada e consultada a qualquer momento) ‘A. mensagem detém orientago espacial ou se localiza em determinados pontos do espaco. (Procure ensinar a alguém como ir do ponto A ao ponto B com © auxilio de um mapa. Depois tente fazer 0 mesmo utilizando-se néo mais do mapa € sim de palavras faladas. Qual o meio mais fécil?) Nao hé urgéncia na transmissio da mensagem. Os canais de comunicagio auditiva estio sobrecarregados, ou, fentio, jf estio saturados de mensagens. © ambiente nfo se recomenda para a transmissio de comu- is. (Por exemplo, sinais visuais so freqllente- ‘aconselhaveis em lugares barulhentos, como a se- ‘A ENGENHARIA £0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA slo de rebitagem de uma fébrica ou a rea préxima a uma Aeronave a jacto, com seus motores ligados.) ‘A tarefa do operador the permite ficar num ponto fixo. (A fim de receber mensagens visuais, o individuo receptor deve man- ter os olhos focalizados na unidade recebedora ou deve estar suficientemente perto dela, de modo a que possa ver a men- sagem to logo ela aparega. © produto do sistema consiste de muitas espécies diferentes de informagio (por exemplo, temperatura do motor, pressio do cilindro, RPM, velocidade}, que devem ser exibidas simul- tineamente, verificadas e coniroladas de tempos em tempos. ‘MEIOS AUDITIVOS DE COMUNICACAO ‘As formas auditivas de comunicago (telefone, telégrafo, comu- nicagdo pessoal, vibradores, sirenes de alarms, e assim por diante) so mais recomendadas quando: 1. A mensagem simples ¢ sem complicagdes. (Por exemplo, as palavras “okay” e “roger” sfo facilmente transmitidas através da comunicagao auditiva.) ‘A mensagem a ser transmitida é curta, ‘A_velocidade da transmissio da mensagem 6 importante. (Caso se pretenda transmitir a alguém o aviso “alte!” uma mensagem auditiva seré provivelmente a melhor maneira de fazé-lo. Os sinais de percepedo auditiva, em geral, produzem maior impacto ¢ chamam mais a atengio do que os sinais de percepgio visual.) ‘A mensagem nfo precisa ser classificada mais tarde. ‘A mensagem trata de eventos no tempo © se localiza num especial ponto déle. (Por exemplo, se o leitor pretende co- minicar ‘© alguém, com exatidao, quando deverd ser Inngado tum missil_ou inicisda uma corrida, um sistema de comuni- ‘cagio auditiva o habilitari a precisar 0 momento desejado,) s canais de comunicagao visual estio sobrecarregados. (© ambiente nfo se recomenda para a recepgio de mensagens visuals. (Por exemplo, na presenga de excessiva vibragao, ‘ou na auséncia de conveniente iluminagio, os sistemas de trans- ‘missio auditiva podem converter-se nos tinicos praticaveis.) © operador & obrigado a se movimentar em demasia. (J6 observamos que rossox ouvidos esto sempre alertas para men- ssagens que podem ser recebidas de qualquer direcio. Se 0 operador & obrigado @ mover-se continuamente no seu am- biente de trabalho, uma forma auditiva de comunicagdo certa- ‘mente ‘chegard a fle com maior seguranga ¢ nitidez.) A Apneseracio VISUAL Ds INFoRMAGxO 3s HA a possibilidade de que o operador possa estar sujeito a ‘anoxia (falta de oxigenio provocada por grandes altitudes) ou ‘0s efeitos da aceleraco positiva. (O sentido auditivo € muito ‘mais resistente & anoxia do que a visio. Um operador pode escutar mensagens, mesmo quando esteja tempoririamente cego devido & falta de oxigénio.) 10. © problema 6 detectar um sinal na presenga de algum ruido dissimulado, (O ouvido é um analisia de freqliéncia extrema ‘mente sensivel. Eis por que podemos destacar ou selecionar ‘em nossa percepsio auditiva © som de uma flauta no meio do som de uma orquestra inteira. Se tOdas as ondas sonoras ori- ginadas da orquestra f6ssem canalizadas para um painel visual, como um tubo de raios cat6dicos, jamais conseguiriamos isolar ‘© desempenho de determinado instrumento. E a aptidio do ouvido para detectar um sinal especifico na presenga de mui tos outros sinais que © qualifica como érgio de magnifica sensibilidade em sistema como sonar, na exploragio sub- Esta avaliagdo das relativas vantagens desvantagens dos siste- mas de comunicagio visual ¢ oral deixa claro que ha muitas situagoes ‘em que € apropriado usar um deles, € muitas outras em que € aconse- Ihdvel usar outro. De qualquer forma, nfo se deve fazer os olhos € (68 ouvidos desempenharem tarefas para as quais no estejam st cientemente preparados. ‘A Visio como um Canal de Comunicagies ‘A maior parte de nossos contempordneos cresceu © amadureceu to impressionada com os engenhos da sociedade mecanizada, que tem sido fenémeno comum esquecer os intrincados mecanismos que todos nds possuimos em nossos préprios corpos. Poucos, na verdade, imaginam ou sabem que maravilhoso transformador de energia temos no Otho humano. Gragas a este instrumento, um ser humano normal pode, sob condigées propicias, ver um fio de 1/16 de polegada de diimetro a uma distancia de meia milha. (!°) © 6lho € érgio tio sensivel que quando est completamente adaptado a escuridio pode — em noite sem nuvens ¢ bem escura — enxergar a chama de um fésforo colocado a 50 milhas de distincia. Por outro lado, o élho pode momentineamente contemplar o sol em seu zénite. A relacio dessas duas intensidades é de cérea de 100 000 000 000 000 para 1! © individuo normal € capaz de discriminar diversas centenas © até milhares de cOres diferentes. Nao existe nenhum_instrumento fisico que sequer se aproxime da flexibilidade ¢ sensibilidade que existe no 6lho humano, A ENGENHARIA Fo RELACIONAMENTO: HoMtEM-MAQUINA © sentido da visio também presta notivel servigo psicolégico ‘como canal de informagées. Os olhos humanos sio, sem diivida, a ‘maior fonte de contato do homem para com seu ambiente. Eles ihe proporcionam meios de conhecer coisas e de descobrir seu caminho nna vida. Imagine o leitor 0 acervo de informagdes que cada pessoa aaufere dos livros, revistas e jornais lidos durante tOda a sua existéncia. Nao surpreende, pois, que quando 0 homem se tora uma parte inte grante do Sistema Homem-Méquina, sua eficigncia 6 em grande Parte, determinada pela acuidade ¢ destreza com que usa seus olhos. ‘Tomemos o radar, por exemplo. O radar jé foi chamado de “os olhos que tomam conta dos eéus”. Mas o radar nio vé. Eo homem que vé._E se 0 operador humano ndo enxerga as informagies contidas numa tela de radar, por causa de um equipamento mal desenhado ou planejado, ou devido 4 mé iluminacHo, 0 radar se transformari em instrumento inécuo e o sistema falha, Os problemas visuais slo numerosos ¢ importantes nos Sistemas Homem-Maquina. Qual o melhor tipo de mostrador? Como € que (05 mostradores devem ser desenhados? Que tamanho e tipo de dize- res deveriam ser utilizados na sinalizagio rodovi de luz mais recomendaveis para a sinalizagio notuna? Até que dis- tincia pode um astronauta ver outra eépsua espacial em pleno Cos- mos? Estas so apenas algumas poucas indagagdes sdbre a visio que um engenheiro especializado em fatOres humanos tem obrigagio de saber responder. Neste capitulo s6 poderemos estudar poucas i forages dsponiveis sObre a visio © sdbre mostradores. visuais. Para pormenores mais abundantes, hf inimeros livros especializados no assunto, (Ver Lista de Referencias — 6, 23 © 25.) ALGUNS PRINCIPIOS GERAIS DOS PAINEIS HG muito mais coisas a fazer, 20 planejar um bom painel visual, do que simplesmente tornd-lo visivel. Antes de tudo, um bom painel € aquéle que apresenta a informagio numa forma que possa ser ficil- mente compreendida e interpretada pelas pessoas que déles se utilizem. ‘Além disso, um bom painel deve apresentar as informagées de forma tal que elas possam ser rapidamente convertidas em decis6es corretas © aces aproprindas. Esses requisitos gerais significam que um paine! nido pode ser planejado e desenhado como um item isolado. fle tem que set inserido num contexto especifico, com um sistema todo par- ticular em mente. Eis algumas das condicdes gerais que 0 planejador € 0 desenhista devem sempre ter em mente: 1. Visio @ distancia. A distincia & qual um painel sera visto 6 iportante para que se determinem as medidas de seus de- [A Apnrsentacio Visual. a INroRMagio 7 talhes, sua érea e disposigio ¢, as vézes, alé sua cOr e ilu- ‘minagio. Alguns painéis, como livros, tabelas © quadros gré- ficos, sio idealizados para serem vistos a distincias menores que, ‘digamos, 46 centimetros. Outros, como mostradores aferidores, sio muitas vézes plancjados para uso conjungio f@ controles de determinado tipo e, assim, devem ser_visios a uma distincia equivalente a0 brago médio (cérea de 71. centi- metros). Outros, ainda, como avisos de estradas, rel6gios de parede e fardis de aeroporto, sio projetados para’ serem vistos & distincias que vio desde poucos centimetros até muitos metros. Muminagdo, Alguns painéis visuais (por exemplo, tubos de raios cat6dicos © luzes de adverténcia ou alarma) possuem, embutidas, fontes de iluminag#o; outros (como as marcas € tabuletas nas estradas) dependem de fontes externas. Alguns tém que ser lidos sob fraca iluminago; outros podem ser ‘bem iluminados. As vézes a fonte de iluminagio é fortemente colorida ¢ distorce as céres naturais dos objetos; em outras ‘ocasides a iluminagio se aproxima da encontrada na luz ni- tural. “Tédas essas condigdes sio fat6res que influenciam a escolha do tipo, dimensio © cOr do painel visual, Angulo ideat de visto. Em geral, os painéis visuais so me- Ihor lidos quando estio em posigdo perpendicular a linha direta de visio. Entretanto, como diversos paingis (ver, por exemplo, 4 figura 2.5) sio méveis grandes e que ocupam rea con: derdvel, nem t6das as suas reas podem ser observadas per- pendicularmente. Além disso, quando muitos operadores de- vem utilizar-se de um mesmo painel, € impossivel para todos ‘vé-lo perpendicularmente. Em tais circunstincias, o projetista deve tomar precaugGes especiais para evitar excessiva paralaxe que obscureca algumas partes do painel. 0 efeito de conjunto dos painéis. Os paintis visuais — como mostradores, sinais de trinsito indicadores diversot — rara- ‘mente aparecem jsoladamente. Ao contrério, quase sempre surgem em conjunto com outros numerosos painsis. Por isso, © projetista deve antes de tudo certificar-se: a) de que a informagio esti sendo apresentada compativelmente nos vi- ios paingis (esta regra € violada, por exemplo, nos relégios ‘medidores da figura 1.3); b) de’ que o operador pode ficil g corrtamente entificar'um puinel em particular, caso 0 deseje fazer. Compatibilidade com os contrdles anexos. Quando os paingis tém que ser usados em conjugacio a contrdles de determinada espécie — e éles, freqientemente, o sio — 0 painel adequado Seri squéle mais influenciado pelo tipo de ago. de. contre exercida pelo operador. —(Veremos exeraplos de tal interagio nas piginas seguintes.) © objetivo do engenheiro especalizado fem fatOres humanos 6 idealizar um painel e seus contrbles de A ENGENHARIA # 0 RELACIONAMENTO HontEM-MAQUINs tal maneira que um operador, com pouco ou neshum ci mento, possa encontrélos_prontamente, extrait do. conjunto 4 informagées de que necessita e executar 0 movimento de contréle com um minimo de tempo ¢ de erros. Condicées ambientis eras. Os Sistemas Homem-Méqui ‘fo operam isoladamente; funcionam em ambientes de varias espécies. A vibracio, a aceleragio, a anoxia (falta de oxigénio) f outras condigées afetam sériamente a capacidade visual do hhomem. Quando os puinéis tiverem que sot usados sob con- digses adversas, devem ser planejados levando em conta ésse importante fatr: 0 ‘tipo de operador. Como as pessoas variam muito de uma para outra, os painéis devem set planejados para os tipos de Pessoas que os Utlizaréo. Por exemplo, paingis para individvos Inais idosos, que softem de presbiopia, para daltGnicos e para © piblico em geral devem ser planejados de maneira bem diferente cada um déles, diferentemente daqueles usados apenas por jovens cuidadosamente selecionados ¢ de suide perfeita. Em telacio a isso, aids, & importante considerar no apenas a5 sptiddes visuais dos usuirios mas também sew nivel inte- lectual. Por exemplo, as pessoas diferem quanto a capacidade de apreensio (0 miimero dos digitos ou letras que conseguem memorizar num Gnico olhar), quanto i velocidade de. per- cepgo © quanto a inteligéncia geral. Quase sempre tOdas esses varidveis se alteram marcadamente com 0 decorrer dos anos 8 aproximagio da velhice. Isto significa, pois, que pai planejados para a comunicagio visual. destinada a jovens ¢ Painéis plangjados para a comunidade visual destinada a velhos hio devem conter © mesmo volume de informages ov possuir a mesma complexidade. Afinal, nem todos os ususrios sf0 rapazes e mogas no esplendor de seus vinte anos. INDICADORES MECANICOS Hi diversas maneiras pelas quais as miquinas podem apresentar informagées aos operadores humanos: luzes, tubos de raios catédicos, paginas impressas com dados, mostradores dos mais variados tipos, € assim por diante, Nesta parte do livro vamos considerar trés tipos comuns de mostradores ¢ indicadores ¢ estudar alguns importantes principios de Engenharia Especializada em Fat6res Humanos que determinam sua selegio e planejamento especiais Fungoes dos Indicadores Meciinicos Um indicador visual deve ser criado com base na utilizagio que vai ter —e nfo com base em fatdres puramente técnicos de sua cons- truco, embora éstes sejam elementos também importantes a consi- A. Avnesiaracio VISUAL 4 INFonacio 9 derar. principal ¢ fornecer ao operador humano a espécie de in- formagdes de que le necessita, ¢ do modo mais simples, pritico © seguro. Geralmente, os indicadores mecfnicos servem para uma das quatro fungoes apresentadas abaixo: LEITURA QUANTITATIVA ‘Um dos objetivos dos indicadores ¢ proporcidnar exatas leituras numéricas. Usa-se o rel6gio para saber as horas; caso se deseje, com turgéncia, mudar de um avido para outro, num aeroporto, necessita-se saber a hora exata, Uss-se 0 termémetro para saber a temperatura de um cémodo, 0 ponto de um alimento levado ao forno, etc, Basso- las, velocimetros, medidores de quilowatt-hora, tacémetros © milhares de outros indicadores sio planejados ¢ desenhados para proporcionar precisas leituras quantitativas. LEITURA DE CONFERENCIA Nem todos os mostradores ¢ indicadores so utilizados para que se obtenha a informacdo exata. Tomemos um exemplo simples. leitor porventura sabe qual a exa‘a temperatura do motor de seu auto- mével em funcionamento? Faz-lhe muita diferenca que ela seia 160°, 161° ou até 183°? A maioria das pessoas pouco se dé se & 9 primeira, a segunda ou a terceira hip6tese; aliés, isso realmente nao fem mesmo muita importincia, Mas, enti, o que € necessirio saber? E necessério saber se a temperatura do motor esta correta ou no, O ‘campo de operacao em seguranca do motor € tao amplo que variagées de alguns poucos graus para cima ou para baixo sio irrelevantes ¢ niio devem preocupar ninguém, O que o motorista deve saber, isto sim, 6 se a temperatura do motor esta dentro da faixa permissivel e correta. E isto se observa através de simples leitura num indicador mecénico, {que exibe informagées como: NORMAL ou PERIGO. ‘Um termémetro no motor daria ao motorista maiores informa- ‘gbes, 6 certo. No caso de haver uma fenda no radiador, por exemplo, nfo 36 a temperatura iria & extremidade de elevagao dentro do limite de seguranga, como também a leitura mostraria 0 ponteiro subindo ‘com 0 decorrer do tempo. Este tipo de leitura de conferéncia, que ‘uma evolugao de determinada situagdo, serviria para alertar o motorista que seria mais conveniente parar 0 carro e verificar o nivel dda gua no radiador. Talvez a coisa mais importante a observar, @ respeito de qualquer tipo de leitura de conferéncia, é que quase sem- pre nfo ha necessidade de que conste qualquer algarismo no instru- mento indicador. Sob diversos aspectos, 0 mostrador a direita, na figura 3.1, 6 muito superior ao da esquerda. Em leituras simples de 0 A ENGENHARIA # 0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA conferéncia o mostrador pode nem ser necessirio. Uma luz de adver- aN téncia € o quanto bastard, no caso. Figura 3-1 — Para leituras de conjeréneia, mostradores como o situado & direita 380 menos complexos e, em geral. de mais fall interpretacdo que o da exquerda. CONDUCAO DE INFORMACOES 0s dois usos de indicadores discutidos acima esto essencialmente ligados & extraco de informacdes das maquinas, As vézes, porém, uum indicador visual esté vinculado a um controle, de tal forma, que © operador 6 capaz de dizer exatamente que tipo de informagio ele esté colocando na méquina. Quando armamos um despertador para tocar a determinada hora, nada mais fazemos que alimentar o apare- Iho a fim de que le chame, digamos, &s sete horas da manhd seguin- te. Quando manipulamos 0 termostato de nosso forno, precisamos ter algumas indicagdes a fim de que saibamos com certeza que ins- trucdes transmitimos ao sistema. Estes sio exemples casciros © fami- iares de um tipo de indicador que se encontra sob centenas de formas diferentes em lojas, fabricas, avides, navios, etc. Todos utiizam indi- cadores visuais para transmitir informagées para a méquina, ORIENTACAO ‘Quando 0 capitio de um navio diz ao timoneiro para mudar a trajetéria de 120 para 130 graus, o timoneiro gira uma roda. Isto aciona o comando do leme ¢ gradvalmente traz o navio para a direcio desejada. A medida que 0 navio muda de posigdo, o mostrador da bbissola também muda, Quando o ponteiro sob o vidro do instrumen- to aponta para 130 graus, 0 navio est no curso correto. Rajadas de vento, ondas e correntes ocefinicas tendem a forcar o navio a sair dé rumo. A tarefa do timoneiro é executar os adequa- ‘A Arneseytagio VISUAL DA INFORMAGAO 6 dos movimentos corretivos com a sua roda (leme), de forma a que © ponteiro permaneca nos 130 graus. Em navios de grande porte, os desvios ocorrem de forma relativamente lenta © com pouca freqlién- cia. Numa pequena embarcacio ou aeronave, contudo, cles sucedem amitide ¢ ripidamente. Mas a tarefa do timoneiro permanece sendo basicamente a mesma: um trabalho de orientagdo. E ésse tipo de tarefa ocorre nfo 6 nos exemplos mencionados acima, mas também na diregio de um automével-e numa grande variedade de vefculos e artefatos militares. O leitor talvez imagine intmeros exemplos. ‘Tipos de Indicadores e Seu Uso ‘Sempre hé o risco de se cometer uma impropriedade quando se tenta resumir, em forma simples, assuntos complexos. Uma das difi- cculdades surge porque os instrumentos sio ocasionalmente usados p: ra propésitos diversos. Em tais casos, & necessério fazer cuidadosa andlise da tarefa global e decidir qual a fungio mais importante den- tre as diversas existentes. Observando estas preocupacbes, a figura 3.2 poderé ser tomada como itil resumo das vantagens e ‘desvantagens relativos a trés grupos de indicadores, de acdrdo com seu uso. Um si- nal -+ (positive) significa que o indicador serve para determinada funco; um sinal 0 (neutro) significa que nAo seria 0 ideal utilizi-lo, ‘mas também se admite seu uso; ¢ um sinal — (negativo) significaré que se deve evitar usar o indicador para a finalidade enunciada na coluna existente fora do quadro, & esquerda. CONTADORES E PONTEIROS MOVEIS Se 0 tinico objetivo de um indicador € proporcionar informagio, ‘numérica exata, um contador 6 a melhor maneira de obté-la. Apenas ‘como exemplo, compare o medidor de quillowatt-hora da figura 3.3 ‘com os dois medidores da figura 1.3. Nao € preciso muita ciéncia para se verificar qual o que proporciona leitura mais facil ¢ mais répida. Para leitura de conferéncia, o instrumento que contém um tipo de ponteiro mével & o melhor. A orientagdo do ponteiro 6 facil de se ver, e ele se ajusta perfeitamente a0 conjunto do indicador. Na verda- de, caso se indique a frea de operaco normal e segura com uma listra s6bre a borda do mostrador, 0 operador nao precisa ler qualquer al- garismo (ver figura 3.1). Ble simplesmente tem o trabalho de cons- tatar se o ponteiro esté dirigido para alguma érea da listra. Se esté, tudo vai bem. Se nio esté, algo esté precisando de ajustamento ou tengo. Observe também que a posicio © movimentos do ponteiro proporcionam algumas informacdes adicionais que 0 operador even- tualmente necessite para a leitura de conferéncia, como a diregiio do e A ENoENHARI £ 0 RELACIONAMENTO HosEM-MAquiNa desvio. Nem 0 indicador mével nem o contador so bons para a lei- tura de conferéncia, porque ¢ dificil julgar a direcio e volume de desvio sem primeiro ler os nimeros. Este procedimento envolve pelo ‘menos duas etapas: a) 0 operador deve primeiro ler 0 indicador — ‘ou seja, extrair um néimero; b) 0 operador deve concluir o que significa este niimero, Embora fosse possivel pintar uma se¢o no indicador, Para mostrar as dreas de operaciio normal em ambos os indicadores, seria mais dificil dizer em que direcio ocorre um desvio. PONTEIRO ESCALA MOVEL MOVEL = CONTADOR Oo + + LEITURA QUANTITATIVA} o oO LEITURA DE CONFERENCIA CONDUCAO DE} INFORMACOES ORIENTAGAO ae Figura 3-2 — Usos recomendados para trés tinos bdsicos de indicadores. Para fomnecer informagdes a uma maquina, tanto 0 ponteiro mé- vel como 0 contador servem. O primeiro € bom porque mudancas na posigdo do ponteiro ajudam o operador estabelecet um quadro nitido da situagdo. Ele pode ver 0 ponteiro movimentar-se ¢ avaliar melhor até que ponto sera permissivel 0 poniciro chegar. Além disso, é fécil estabelecer um relacionamento simples e direto entre a directo do movimento do ponieiro € a direcio do movimento do contréle que © aciona. Por outro lado, 08, conjuntos meciinicos podem ser controla- dos, com maior precistio, através de um contador do que um instru- mento de ponteiro mével, Para contrabalangar as vantagens, porém, existe a desvantagem de que um contador nfo pode ser ido quando as mudangas de algarismos ocorrem muito rapidamente. Ademais, € ‘A. Ammesereragio Visuat. px Teroracio. 6 mais dificil estabelecer um relacionamento nitido © insofismével en- tre os movimentos de um contrdle ¢ o rumo que tomam os dados apre- sentados por um contador. Se um botio de sintonia fér ligado a um contador, nem sempre se poderd saber com certeza para que lado gi- rar o botio para aumentar ou diminuir a ajustagem. Este tipo de am- bigtiidade pode ser evitado com o instrumento de ponteiro mével. indicador de ponteiro méyel € melhor para a orientacio, por que 0s movimentos do ponteiro sio faceis de controlar. E € muito simples estabelecer o relacionamento entre 0s movimentos do ponteiro © 0 contréle com que éle se vincula. \ hi GENERAL & evectaic 8.8 2 Of KiLowayTHoURS sme ARIES Figura 3-3 — Bie medidor de quillowatt-hora exemplifica um dos principios resumidos na figura 3-2. Para leituras quantitativas, éle & muito superior aos dois reldgios da figura 1-3. “ ‘A ENGENHARIA # 0 RELACIONAMENTO HoMEM-MAQUINA © INDICADOR DA ESCALA MOVEL © Ieitor observard, na figura 3.2, que o indicador de escala mé- vel niio exibe as informagdes com absoluta preciso. O problema des- se indicador € que nao ha meios de planejé-lo, projeté-lo, desenhé-lo fou construf-lo sem que sejam violados no minimo um destes trés in portantes princfpios: 1. A escala e a maganeta que controlam o indicador devem girar ha mesma diresio, (Quando se gira a maganeta — ou mani- vela, ou roda — no sentido dos ponteiros do reldgio, a escala deve girar no sentido dos ponteiros do relégio. Quando se ee Se eS io, a escala deve girar no sentido oposto aos dos ponteiros do relégio.) ‘Uma rotagio da maganeta no sentido dos ponteiros do relégio deve sempre fazer com que crescam os elementos numéricos texibidos pela escala do indicador; uma rotacio da maganeta no sentido oposto a0 dos ponteiros do rel6gio deve sempre fazer com que deeresgam os elementos numéricos exibidos pela escala do indicador. Os nimeros colocados em volta da escala devem aumentar xnuim movimento que equivalha ao sentido dos ponteiros do el6gio. As escalas slo lidas com menos confusio quando ‘0s mimeros formam progressio, dessa maneira, Com esas trés regras diante de nds, estamos aptos a observar o que ha de errado com o indicador de escala mével. Néo hd meio de projetar um indicador désse tipo que satisfaca as trés regras ao mesmo fempo. Como exercicio, procuramos esbocar, no minimo, trés varia- ges para esse tipo de indicador. Vamos, por exemplo, marcar trés zonas — fria, quente © segura — em torno da periferia da escaln do indieador (como aparece na figura 3.1), Neste caso, que problemas ou ambigiidades continuariam a existir? Apesar das dificuldades observadas acima, encontramos indica- dores désse tipo, freqiientemente, em diversas modalidades de equipa- ‘mento. O desenho da figura 3.46 uma ilustragdo esquematica de um indicador de escala mével colocado num aquecedor elétrico de uso doméstico. A figura préta triangular situada na parte de cima é 0 marcador fixo. Para girar 0 botio, o usudrio deverd segurar com os dedos a aba em alto relévo que esté no centro. Mas para que lado girar, no caso — digamos — de desejarmos aumentar o calor? Hi tuma'seta do lado esquerdo do mostrador indicando ALTA TEMPE- RATURA. Talvez isto signifique que 0 usudrio deve girar 0 botto na diregio indicada,pela séta —“ou seja, no sentido oposio ao movimento ‘A Apnesesracho VISUAL DA IXFonagio 6 dos ponteiros do relégio — a fim de aumentar 0 calor. Ou entio, ‘quem sabe, 0 certo seja girar o botio para uma direcdo que conduza @ ALTA TEMPERATURA para 0 ponto mais pr6ximo possivel do tarcador fixe? Mas neste caso estariamos girando o botio no sentido dos ponteiros do rel6gio. Agora podemos compreender por que ha pessoas que ficam perplexas dd tal engenho, Como se poder Climinar ésse tipo de ambigilidade? A resposta, de acérdo com as re- comendagées da figura 3.2, € converter 0 indicador numa pega do ponteiro mével (figura 3.5). A nosso ver, dessa forma no haverd di- ficuldades de interpretagio. Figura 3-4 — tusrapio exquemétca do contéle do calor, umm equecedor pare ‘mmemso doméstico. No caso de um aquecedor elétrico, niio hii grande dano se o usué- rio girar 0 botdo erradamente para alta temperatura, quando desejava 6 oposto. Entretanto, jé vimos semelhante tipo de indicador numa dis- ppendiosa aeronave a jacto. Um engenheiro da emprésa que. planejou © avillo nos confessou que alguns pilotos manipulavam o indicador de uma forma e outros de forma diferente, Ora, num avido a jacto, tal ‘ambigtiidade nio pode ser considerada assunto trivial. ‘A ENGENHARIA & 0 RELACIONAMENTO HoMEM-MAqUINA Figura 3-5 — Bite conirdle do aquecedor elimina as ambigiidades encontradas ino aparelho exibido na figura 3-4. Para outro exemplo de confusfio provocada por indicadores da eseala mével, veja o leitor o micrémetro que aparece na figura 3.6. ‘A peca € marcada em polegadas; mas mesmo com esta informagio se ‘consegue fazer a leitura devida? Se 0 usuério néo possuir experiéncia anterior com aparelhos da espécie & quase certo que se confundiré completamente. Observe que os algarismos 0, 1, 2, 3, etc., sittados no cabo do instrumento, representam dezenas de polegadas. Em segundo lugar, note que cxistem quatro subdivisdes marcadas entre os algarismos. Elas significam que cada intervalo equivale a 0,1 > 4 = 0,025 polegadas. Além disso, 0 gancho (a parte que fica na extremidade do micréme- tro) faz uma revolugdo completa em cada intervalo marcado no cabo, © hd 25 pequenos intervals marcados em t6rno da circunferéncia do gancho. Logo, cada um-déles corresponde a 0,025 + 25 = 0,001 polegada. A esta altura, dono de tais informagoes, conseguiria o leitor fazer adequada leitura no instrumento? Se retornaroms as sugestdes. dadas na figura 3.2, veremos que um meio muito melhor de exibir informages quantitativas dessa es- A. Apnesmracho VISUAL DA INFORMAGKO o pécie ¢ utilizar um contador de leitura direta. A figura 3.7 mostra um micrémetro desenhado desta forma recomendavel e de muito mais facil leitura. A diferenca para melhor é tio Gbvia que nem sio necessérias maiores explicagdes. (Ver, também, Chapanis, 5.) Figura 3-7 — Um micrdmetro bem desenhado e de fécil leimra. © Desenho de Mostradores e Escalas So um engenheiro especializado em fat6res humanos concluir que ‘um indicador de ponteiro mével é 0 mais apropriado para 0 projeto jue tem em mente, a etapa seguinte de seu trabalho consiste nessa in- gio: como deverd ser desenhado o indicador? Esta segio discute 68 A ENGENHARIA #0 RELACIONAMENTO HoMEM-MAQUINA alguns princfpios que devem orientar o desenho de mostradores © ¢s- calas. is algumas regras gerais diteis para 0 desenho de mostradores ¢ escalas: 1. Uma eseala deve ser desenhada de modo que o operador possa ler a informagdo com a precisio de que necessita, 2. Uma escala deve ser a mais simples possivel, para preencher ‘as necessidades do operador. Em outras palavras, ela no deve proporcionar a0 operador informagSes do’ que 0 neces- Uma escala deve proporcionar informagées sob forma pré- tica e para uso ¢ aplicasio imediatos. © operador nfo deve ser obrigado a fazer conversGes mentais dos val6res indicados, para os valdres que le realmente precisa. ‘As escalas destinadas leitura quantitativa,devem ser plane- jades, de forma a que o operador nfo precise interpolar mar- ‘osu graus intermedidrios. Na medida das possblidad as excalas devem possuir graduagSes bem préximas. SISTEMAS NUMERICOS E SINAIS DE GRADUACAO Considerivel pesquisa tem sido feita a propésito dos sistemas de numeragio usados nas escalas, ¢ de como ésses sistemas afetam a ve- locidade das leituras. A figura 3.8 resume as recomendagées gerais que foram extraidas dessa pesquisa. A coluna a esquerda da figura mostra 0 valor de graduacao do intervalo (0 valor da menor divisio da escala), Observe o leitor que apenas trés algarismos sto recomen- dados: 1, 2 € 5, ou miitiplos decimais désses digitos. Quaisquer outros valores no sio convenientes, pois as pessoas ndo podem prontamente interpretar ou utilizar cscalas graduadas de outras manciras. Os valdres numéricos do intervalo io 0s valores situados entre dois significativos marcos da graduago: os marcos aos quais 0s algarismos esto anexa- dos. Aqui, novamente, os tinicos algarismos recomendados sio 1, 2, 5, ou miltiplos decimais déles. Felizmente, como os val6res numé- ricos bisicos podem sec multiplicados ou divididos por fatdres de dez ‘ou cem — operagio que priticamente nio afeta a velocidade ou pre- cisdo de Ieitura da escala — uma, escala graduada com os némeros 0, 10, 20, 30, etc., ou 0, 100, 200, 300, ete. ¢ de to facil leitura quanto otra graduagao com os mimeros 0, 1, 2, 3, ete . A coluna da extrema dircita da figura 3.8 exibe as recomendacdes a respeito das marcas de graduacio a serem usadas nas escalas. Ha trés espécies de graduacio em esealas: graduacao larga, estreita ¢ in- termedidria. Algumas poderiam admitir qualquer dos trés tipos, sem A Avnesextagio Visual DA Iromeacio o Imaiores problemas de leitura; para outras, ainda, deveriam exibir gra- uagio larga ¢ intermediéria. Os sinais colocados dentro dos quadri- ‘hos mostram que combinagdes de graduagio devem ser usados para ‘cua tipo de escala. ‘Com as amostras de escalas recomendadas na figura 3.8 € pos- sivel desenhar uma escala que preencha quase tddas as exigéncias. A scala do tépo da coluna, entretanto, € superior as demais e, portanto, deve ser a preferida, quando isto for possivel. Bronapuscao __escata oxen onaDuagho ‘UBADAS, : ia OE Pas 4 | WALO” ORAS PRQUE- DTERAER ‘Des “HAS” DIARIAS wo |y ‘Baseado em Morgan et al, 25.) 0 A ENGENHARIA #0 RELACIONAMENTO HoMEM-MAQUINA AS DIMENSOES DAS MARCAS DE GRADUAGAO E dificil elaborar quaisquer conjuntos de recomendagio para o planejamento de marcas nas escalas, devido ao nimero de fatéres en- Volvidos na questo: por exemplo, o nivel geral de iluminagao, a lei- tura A distincia e o mimero de marcas de graduagio. As dimensoes ‘minimas apresentadas na figura 3.9 so indicadas para escalas que de- vem ser lidas sob deficiente iluminagdo, a uma distancia de até 71 centimetros. As dimensdes exibidas na figura so tteis como modelos para formatos relativos, que podem ser aumentados ou reduzidos pro- porcionalmente para outras distancias de leitura, ies ae: 0.030 ee T Aad ok Ae, aiutaeel i. ‘MINIMA Figura 3-9 — Dimensdes minimas recomendadas para marcacder em escalas que serdo lidas sob deficiente iluminacdo. (Baseado em Morgan et aly 25.) As escalas que serdo lidas sob iluminagio normal devem manter ‘as mesmas proporgdes relativas que as da figura 3.9, mas as marcas da graduagdo devem possuir espayamento préximo entre si: 8 milf- metros. De qualquer forma, a distincia minima entre as grandes mar- cas de graduagio no deverd ser menor que 1,2 centfmetro, ¢ a altura ddas marcas das graduagies maiores ¢ intermediérias nfo deve ser me- nor que 5 milimetros, 3 milimetros e 4 milimetros, respectivamente, UMA APLICACAO_DOS PRINCIPIOS DE DESENHO DE MOSTRADORES Os exemplos de deficiente desenho de mostrador sio relati mente faceis de encontrar. A figura 3.10 € apenas um dentre os ini eros conhecides. Mas éste € particularmente interessante porque € a ilustragéo de um caso dé “antes © depois”. O mostrador & esquerda fora fabricado pela Bristol Company, firma que produz grande varie~ ‘A. Apneseracho VISUAL DA INFORMAGEO n Wade de medidores ¢ instrumentos de registras. © mostrador a direita € 0 mesmo, apés ter sido redesenhado. Além de ser mais legivel, o mostrador & direita se utiliza de um sistema de numeragéo muito mais Satisfatorio. A experiéncia dessa emprésa € instrutiva. Os compradores de lum de seus instrumentos freqiientemente faziam leituras erradas ¢ pen- savam que o aparelho estava desregulado, Aps 0 mostrador ter sido fedesenhado, tais erros foram enormemente reduzidos ¢ as queixas dos consumidores cairam sensivelmente. Num relatério & administra- lo da firma, J. G. Fleming declarou: “... estamos simplesmente AGnitos como resultado da pequena modificagao que introduzimos mas graduacdes de escala.” Outros exemplos de “antes depois” po- dem ser encontrados no artigo de Fleming. Figura 3-10 — A esquerda esid wm mostrador de indicador pneumdtico como Vora antes producido; a direlta, o mesmo mostrador apds ter sido redesenhado. ILUMINAGAO Nossos olhos precisam de luz para ver. Este fato simples significa que painéis visuais sdmente so eficientes quando recebem suficiente © adequada iluminagio. A solugdo para a maioria dos problemas de iluminagio, entretanto, no é simplesmente despejar grande quantida- de de luz sobre o ambiente de trabalho. Em muitos sistemas Homem- “Maquina, exigéncias visuais conflitantes limitam muito o volume de uz que deve ser utilizado. Por exemplo, o pildto de um aviéo comer- cial ou 0 capitio de um navio devem ter a sua frente indicadores € Bindi visual bastante ituminados, para que sjam ldos corretamente, ‘outro lado, contudo, éstes homens devem perscrutar o mundo n A ENGENHARIA E 0 RELACIONAMENTO HostEM-MAquINA exterior & noite; e, para fazé-lo com eficiéncia, seus olhos devem estar acostumades & escuridao. Os problemas de iluminagdo podem ser agrupados sob trés ca- tegorias principais: a) iluminacdo de recintos de trabalho em geral; 'b) iluminagao para salas de radar; c) iluminagao de indicadores ¢ painéis. Temos algo a dizer sobre cada um désses tipos de problemas, ‘mas primeiro precisamos definir certos térmos referentes a iluminagio © as unidades nas quais éles sfio medidos e avaliados, A Natureza do Estimulo Visual Vemos coisas, quer porque elas emitam energia radiante, quer porque a energia radiante € refletida delas. As principais fontes de ‘energia radiante so Sol, a Lua, luzes elétricas e chamas de varios tipos. Embora nio haja acdrdo total entre 0s fisicos teéricos sdbre a natureza da energia radiante, convencionou-se aceitar que ela con- duzida em forma de onda, Em tais térmos, uma dimensao fundamen- tal da energia radiante € a extensdo de onda que cla possui, a distin- cia de pulsacdo, a pulsagdo exibida por uma determinada vibragio. O espectro completo da energia radiante cobre uma gama enorme de condas, que possuem dez trilhdes de polegadas de extensio (raios c6s- micos), até Aquelas que cobrem muitas milhas de extensio (circuitos elétricos). Entre éstes extremos hi segdes, ou faixas do espectro, que receberam nomes distintivos j4 consagrados: raios X, raios ultra- violetas, 0 espectro visivel, raios infravermelhos, ondas de radar ¢ on- das de rédio (faixas de freqiéncia modulada, televisio, ondas curtas © ondas médias). Tais designacdes sio mais ou menos atbitrérias, pois — a0 que sabemos — as radiagdes so fundamentalmente as mesmas. Elas 56 diferem na extensio da onda. ONDAS DE LUZ ‘A energia radiante € um conceito fisico que nfo tem nada a ver ‘com 0 ato da visio. Na verdade, a maior parte da energia radiante € invisivel 20 tho normal. Mais ow menos no meio do espectro eletro- ‘magnético, entretanto, existe uma pequena se¢ao, uma faixa minima que podemos ver. Esta seco € conhecida como especiro visivel e con- siste daquelas ondas que, a grosso modo, sio de 16 a 32 milhdes de ‘vozes menores que uma polegada. Quando o brilho de uma luz branca 6 disperso por um prisma, em suas ondas componentes, 0 espectro vie sivel aparece como um painel variegado de céres vividas. Com um violéceo forte na extremidade da onda curta no espectro, as cOres se matizam imperceptivelmetite em pirpura, szul, azul-verde, verde, A Arnesmeracio Visuat, DA Deronsacio B amarelo-verde, amarelo, laranja e vermelho forte, até & outra extremi- dade da onda. Praticamente munca, todavia, uma pessoa comum vé as bres pro- duzidas por ondas isoladas de radiagio. A luz que emana da mai os objetos 6 uma mistura de grande niimero de ondas, ¢ € a combina- (Go particular dessas ondas € os relativos volumes de energia nelas texistentes que d& a um objeto sua cdr caracteristica. Se a distribuigio de ondas num raio de luz € conhecida, sua cdr pode ser especificada ‘com exatidio. A reciproca, porém, niio é verdadeira. Uma determina a cdr pode ser produzida por qualquer combinagao do infinito nG- ‘mero de ondas existentes, As cOres vistas quando o élho esté estimu- Jado por uma Gnica onda, ou por uma pequena faixa de ondas adja- entes, so, em geral, fortemente cromdticas, ou seja, intensamente coloridas, As céres vistas quando 0 6lho est estimulado por amplos ¢ largos estimulos, isto é, aquéles que contém um grande nimero de ‘ondas, so geralmente muito menos eromiticas e mais préximas a0 branco na sua aparéncia As ondas Iuminosas sio comumente medidas em milimicrons (m ,) ou em unidades angstrom (A). Embora neste livro apenas empreguemos a primeira medida, a equagio abaixo mostra como as duas estdo relacionadas entre si e a uma medida de extenséo mais fa- a todos nés: 1 mp = 10 A = 10 ~* metros INTENSIDADE DA FONTE DE LUZ Quando falamos em quantidade de tuz, podemos faz8-lo sob ‘qualquer uma destas trés espéci uz vinda de um objeto luminoso, como uma lampada elétrica: 2) a quantidade de luz que jorra sobre um objeto, como uma escrivaninha; 3) a quantidade de luz que se origina de um objeto que reflete luz, co- ‘mo um pedaco de papel sobre uma escrivaninha. A intensidade de pequenas fontes de luz € expressa em térmos de candela (abrevia¢io: cd), ou nova vela, uma unidade fotométrica ar- bitrriamente definida © padronizada pelos laboratGrios nacionsis da dos paises importantes. Uma candela-padrio € mantida per- oe exibico no National Bureau of Standards, em Washington; se alguém quiser medir a intensidade de uma fonte de luz desconhecida, poderé compard-la com essa candela-padrio — ou ‘com outros padrdes que tenham sido calibrados no National Bureau of Standards. Se a fonte desconhecida de luz & duas vézes mais forte ‘que a intensidade-padrio da candela, dizemos que ela possui uma in- ™ ‘A ENGENHARIA B 0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA tensidade de 2 cd. Se sua intensidade for a metade da encontrada no padrio, dizemos que sua intensidade € de 1/2 cd, ILUMINAGAO A iluminagdo ¢ a medida da quantidade total de luz que cai sobre uma superficie. Uma fonte de candela libera 1 pé-vela (abre- viatura: ft-c) de iluminagio sObre determinada superficie, quando esta superficie estiver a um pé de distancia da fonte. Uma fonte de 8 cd fornece 0 dobro de iluminagio que uma fonte de 4 ed, e quatro vézes 1 iluminagto de uma fonte de 2 cd, pois a iluminagao que cai sObre uma superficie é diretamente proporcional a intensidade da fonte de uz. Outra caracteristica da iluminagéo € que uma superficie duas vvézes distante de uma fonte de luz recebe um quarto de iluminagao © uma superficie trés vezes distante recebe um nono de iluminago. Em ‘suma, a iluminacio de uma superficie é inversamente proporcional a0 quadrado da distancia entre a superficie € a luz. Ambas as generaliza- ges esto combinadas na seguinte equacdo: E= I e onde E = iluminagio em pés-velas I = intensidade da fonte em candelas 4 = distincia entre a fonte € a superfic iluminada, em pés. Ainda ha outras medidas de iuminacio com que nos defronta- mos de vez em quando. Eis algumas delas: milha-vela, centimetro~ -vela (ou jot) © meiro-vela (ou lux). Elas sio obtidas a partir da equacio apresentada acima, simplesmente alterando-se 0 térmo d (distincia entre a fonte © a superficie iluminada). A equagio abaixo ‘mostra como se relacionam estas medidas: Ift-e = 2,79 x 107 milhasc = 1,08~8 fot = 10,8 lux LUMINOSIDADE © tetceiro tipo de medida amidde usada é 0 que exprime o vo- Jume de luz vindo de objetos que a refletem. Em linguagem corriquei- ta, referimo-nos a ésse fenémeno com o britho apresentado por uma superficie. © térmo britho,"aliés, € demasiado fluido © amplo, pois L ‘A APRESENTAGIO VISUAL DA INFORMAGIO 1s também falamos no britho de um farol (quando’na verdade nos referi- mos & sua intensidade), no brilho da luz solar batendo no péra-brisa de um automével (quando realmente desejamos mencionar seu refle- Xo), ou no brilho de uma imagem persistente (quando a “luz” € ge- rada inteiramente dentro do dlho). Por estas razSes, 0 especialista aplica o térmo luminosidade para referir-se exclusivamente a0 volume de luz refletido de um objeto. ‘Ainda que uma uniforme distribuigao de luz incida sObre a tampa de uma escrivaninha, a quantidade de luz que é refletida pelos diver- 805 objetos colocados em cima da esctivaninha variaré grandemente. ‘A quantidade de luz refletida de um pedago de papel escuro certa- ‘mente ser pequena; a quantidade de luz oriunda da pagina em bran- ¢0 de um livro seré consideravelmente maior. Em outras palavras, as ‘duas superficies possuem luminosidade diversa. Uma unidade comum para se medir a luminosidade & © pé-vela visivel (abreviatura: app ft-c), ou seu exato equivalente, o pé-lambert (abreviatura: ft-L). Caso se ‘possua uma superficie que reflita com Perfeicio — uma superficie que reflita tida a luz que sobre ela re- ‘stir — © se coloque 1 pé-vela de iluminagio sObre ela, tal superficie que reflita 90% da luz que sdbre ela recair — e tal € mais ou menos. 19 indice que se obtém com uma félha de papel branco — ¢ se coloque 1 pé-vela de iluminacao sdbre ela, tal superficie apresentaré uma lu- minosidade de 0,9 pé-vela visivel. Em suma, para medi a luminosida- do de uma superticie, em pés-vela visiveis, multiplica-se a iluminagio sObre a superficie (em pés-vela) pela reflexio total da superficie. Hé muitas outras medidas de luminosidade, dependendo de co- Imo se meca a iluminacio e as unidades que sejam aplicadas na medi- da de distincias ou comprimento. Trés das mais comuns sio os pé-vela visivel, 0 mililambert (mL) a vela por centimetro quadrado (c/em*) ‘A equacdo seguinte mostra como elas se relacionam entre si: 1 app ft-c = 1,08 mL = 3,43 x 10-* c/em? ‘A Huminagio de Recintos de Trabalho em Geral Sob éste titulo estio agrupados todos os sistemas utilizados para proporcionar luz a ambientes relativamente simples, como o lar, o tserit6rio, a escola e a fabrica. Embora éstes locais geralmente apre- sentem situagdes sem complexidade, o planejamento e a especificagio do um adequado sistema de iluminagao deveri — por mais simples ‘que soja — considerar aspectos como: 8) natureza das tarefas visuais que serio desempenhadas; b) @ quantidade de luz que deverd ser proporcionada; ‘A BNOENHARIA © 0 RELACIONAMENTO HOMEM-MiQUINA ©) © uniformidade da iluminasao; 4) © brilho e as reflexdes oriundas de fontes de luz; ‘e) a qualidade a cr das lumingrias que clareiam o ambiente, Os tipos de iluminagao mais aconselhdveis, para fins mais gene- ralizados, esto reunidos no Quadro 3.1. SISTEMAS DE ILUMINAGAO ARTIFICIAL s sistemas de iluminacao artificial, para recintos comuns de tra- balho, podem ser classificados em trés tipos principais: a) iluminagao direta; b) iluminagdo indireta; c) iluminagio difusa. A iluminagio direta € a maneira mais eficaz de receber luz de uma unidade luminéria, pois 90% ou mais da luz procedente da re- ferida unidade se dirige para 0 foco. Infelizmente, os sistemas de iluminagao freqlientemente produzem aborrecimentos, perturbadores contrastes © sombras. Nao obstante, sio os mais recomendaveis para 1 iluminagio de importantes éreas de trabalho. ‘A iluminagio indireta propicia maior uniformidade na distribui- ‘cdo de luz, sem acentuadas sombras e contrastes, pois a luz se ditige diretamente para o eto, paredes ¢ assoalho, de onde é refletida para tdda a Grea do recinto, Os sistemas désse tipo, entretanto, sio relati- vamente ineficientes; se os reflexos provenientes do teto, paredes ¢ assoalho nio forem adequadamente regulados, poderio transformac 0 teto numa perturbadora ¢ desagradével fonte de luminosidade. {A iluminagio difusa espalha a luz mais ou menos uniformemente ‘em todas as direcdes. E, em geral, mais eficiente que a iluminagao Indireta, mas, de corta mancira, menos eficaz que a iluminagio di ta, As sombras © os contrastes excessivos podem ser virtualmente eli minados em sistemas de iluminac&o difusa que utilizam tubos fluores- Contes. Sistemas ultramodemnos ¢ recém-langados fazem uso de tubos fluorescentes colocados sObre paingis transhicidos, situados no teto do recinto. BRILHO, © ofuscamento ou brilho produzido por fontes de luz. de inten- idade relativamente alta sio especialmente prejudiciais & visio efi- te. O ofuscamento pode ser causado por fontes de luz que incidam iretamente sdbre 0 campo’tla visio ou por superficies brilhantes que reflitam luz s6bre os olhos (brilho especular), © brilho de qualquer ‘A Apnesesracho VISUAL DA INFORMAGZO n usualmente faz decrescer a acuidade visual e nio raro produz fisicos, como o marcjar ¢ pisear dos olhos e dores de cabega. © brilho direto pode ser controlado usando-se a iluminagio in- ireta, quebra-luzes, visores, abas © outros objetos que mantenham luz direta fora do foco dos olhos do operador, ou entfo utilizando- se fontes de fraca intensidade, em vez. de fontes de luz forte. O brilho ‘especular pode ser efetivamente controlado, aplicando-se a luz difusa. QUADRO 3.1 — Niveis e tipos de iluminacdo recomendados para diver- sas condicdes operacionais (Baseado em Morgan et al., 25.) Tipo de tarefa ‘Nivel de Tipo de ‘ou area tuminagio— tuminario Gee) Costura, — inspe- lo de ‘materiais escuros, ete. Usinagem, dese ho, consérto de plementar relévios, —inspe- 0 de’ mateiais pouco, “cues, eitura, linha de montagem, —tra- Geral (exemplo: a Timpada fix batho getal em fo 1210) ceserit6rios ¢ la: boratérios Banheiros, usinas Geral (exemplo: de f6rga, salas Juz matural ou de espera, coz artificial) Geral Geral 8 A ENOENHARIA # 0 RELACIONAMENTO HoMEN-MAQUINA opaca e frouxa, superficies foscas e no polidas ou, entéo, dispondo-se a fontes de luz de maneira que os &ngules visuais no coincidam com 0s fingulos de reflexao COR © Otho normal contém apreciivel indice de anomalias crométi- cas; isto tende a obscurecer as bordas das imagens formadas na retina. Tedricamente, portanto, é de sc esperar que 2 acuidade visual se m nifeste melhor sob iluminagio altamente cromética do que sob ilumi- nnacao geral ¢ ampla. Dados extraidos de pesquisas nesse terreno de~ monstram, entretanto, que nenhuma iluminagdo cromética é melhor que a luz’natural do dia. Luminérias artficiais que se aproximam da Juz natural do dia, ou que emitem luz. por t6das as partes do espectro visual — como artefatos de tungsténio e Kimpadas fluorescentes —, so quase sempre muito melhores do que Iumindrias fortemente cro- miticas. Como regra geral, filtros coloridos nao deveriam ser usados ‘na maioria das limpadas, para os fins comuns da iluminagio. Um filtro colorido sempre reduz a quantidade total de luz emitida de uma 1im- ppada, e esta perda de luz, em geral, tem mais ago no sentido de re- duzir a eapacidade do 6Iho para ver do que a e6r tem para aumenté-ta. As luzes violetas so compostas de ondas luminosas originadas de extremidades opostas do espectro visual — ou seja, de luz vermelha surgida da extremidade da onda curta. © 6tho normal é completa- ‘mente incapaz de focalizar com clareza objetos iluminados com luzes dessa espécie. Tais luzes so particularmente indicadas, portanto, para iluminagGo em quartos de dormir ow carros-dormitorios, pois elas proporcionam um n{vel de iluminagio difusa e baixa, sem enfatizar qualquer pormenor ou peca existente no ambiente. Deve ser tomado cuidado especial na especificacdo das lumind- rias de uso em ambientes de trabalho, onde se exige precisa conferén- cia de cdr. As limpadas fluorescentes, em geral, produzem luz atra- vés da excitagdo de componentes quimicos fosforescentes situados no interior do tubo. Estes componentes quimicos so, por sua vez, acio- nados pela excitagio do merciirio, ou de outros gases inertes no tubo, quando uma corrente elétrica passa por éle. Tis gases nfo sio emi- tidos continuamente por tédas as partes do espectro, mas sob a forma de diseretas ondas. © vapor do mereério, por exemplo, possui cinco fortes linhas de emisséo: duas no azul, duas no amarelo-verde © a outra na profunda extremidade vermelha do espectro. Como o dlho tum integrador, éle reage a essas linhas de emissio com a sensacio de uma cér ‘nica, nao muito diferente da luz natural do dia. Quando tuma luz désse tipo é refletida de superficies coloridas, entretanto, po- ‘A. APRESENTACKO VISUAL DA INFORMAGKO ” ‘dem ocorrer sérias distoredes de cér. Por exemplo, cares frescas, Sipestcas em tclhanio vennetho to suave es brane, poder aparéncia de carnes estragadas num refrigerador iluminado com ces A ceiiscn do entckeo gos tpusctaalan pecs 0b uz branca artificial podem mostrar desbotamento sob luz fluores fente. Para a maioria dos casos em que sfo necessérias precisas di triminagdes de c6r, as limpadas devem ser selecionadas ou planejadas para se aproximarem da Luminosidade C, (18) um tipo de iluminagao- spadrio que chega bem préximo & luz natural do dia. Muminacio para Salas de Radar © radar é um instrumento inicialmente concebido para objetivos militares; com o tempo, entretanto, tornou-se importante componente fem miuitos Sistemas Homem-Méquina, em sistemas de navegacio aaérea e maritima e em sistemas de contréle do tréfego rodoviario. No planejamento da iluminacfo a ser adotada em salas de radar, trés exi- ‘géncias conflitantes devem ser atendidas: I. Deve ser proporcionada 0s operadores bastante iluminagio ppara que éles possam caminhar no recinto, consigam manter-se Atentos a suas obrigagées, © assim por diante, 2. A iluminagio ambiental no deve atingir diretamente a face a tela, porque, se 0 fizer, ocorrers uma redugio na visibilida- de dos alvos. 3. Nio deve ser permitido que reflexes indiretas na face da tela alcancem os olhos do operador. Quatro engenhosos sistemas de iluminago foram idealizados pa- fa combater essa situago: um sistema de polarizacdo transversal, um sistema de faixas azuis de sintonizagio, um sistema de s6dio com ca- FEncia do amarelo ¢ um sistema de mercirio com caréncia do verme- Tho. Todos ésses sistemas contém muitas coisas em comum. Desta for- ma, procuraremos expor os princfpios gerais que cada qual utiliza, descrevendo-os separadamente. No sistema de faixas azuis de sintonizagio, a iluminagio geral Wo recinto é proporcionada por kimpadas que émitem radiagao por ddas as partes do espectro visivel (por exemplo, Kimpadas fluorescen- es ou de tungsténio). As limpadas sio cobertas com filtros azuis, ‘que 86 transmitem radiagao inferior a, digamos, 540 ma. Isto significa, or conseguinte, que 0 recinto & abastecido com luz azulada de sufi- Bote inicnsioade, pera quo operadorcs posta lvar a cabo saab mis- s6es rotineiras. ZA ‘A ENGENHARIA E 0 RELACIONAMENTO HOMEM-MAQUINA A segunda parte do sistema consiste em outro jogo de filtros, que transmitem radiagdo apenas acima de 540 mp. Estes filtros sio colo- cados sdbre as telas do radar. Como as ondas de fuz que passam pelos filtros azuis das limpadas do recinto sio absorvidas por ésse segundos filtros, nenhuma fragio da luz ambiental incide frontalmente sObre a tela do radar. A terecira parte do sistema consiste de Gculos de protecfo, usa- dos pelos operadores do radar. Estes éculos possuem filtros que’ eqi valem, precisamente, aos filtros colocados sObre a tela do radar, per- mitindo ao operador visualizar a tela. Entretanto, como os filtros dos culos so incompativeis com os filtros situades nas limpadas do recinto, 0 operador passa a nio ver a iluminagio geral da sala, dire- {a ou indiretamente, quando ela ¢ refletida de objetos dentro do pré- prio cémodo. (© sistema de faixas azuis de sintonizagio ¢ os outros trés siste- ‘mas satisfazem as trés exigéncias acima mencionadas: a) distribuem suficiente luz pelo recinto, de forma que as pessoas se possam mc mentar; b) nfo reduzem a visibilidade dos alvos; c) eliminam refie- xBes especulares, Mas tais vantagens tém um preco. No sistema de polarizago transversal, as luzes fixas e os filtros devem ser colocados com extre- ‘mo cuidado, a fim de que a luz seja polarizada, com propriedade, até ‘aos pontos eriticos do recinto. Ademais, os filtros polarizadores ‘nio transmitem tanta luz. como 0 fazem alguns dos filtros dos outros trés sistemas. As principais desvantagens destes — o de faixas amis de sintonizagio, o do sédio com caréncia do amarelo € o do mercéirio com ccaréncia do vermelho sio: 8) que as ores utilizadas para objetivos de codificago mi ‘vézes so sériamente distorcidas sob iluminagio altamente cro- mitica; b) que algumas pessoas tendem a ser emocionalmente afetadas De hnniaad amen ro ©) que éstes sistemas nfo funcionam sem certos tipos de cristais sintticos existentes em tubos de raios cat6dicos. ‘Como o sistema de faixas azuis de sintonizagio faz muito mais uso do espectro visivel do que o sistema do sédio com caréncia do amarelo ou do sistema do meretrio com caréncia do vermelho, a ilu- minago no primeiro nfo € to intensamente colorida como nos ou- tros dois. A experitneia dos dltimos dez anos em intimeros centros re- vvela que, considerados todos os fatdres, o sistema de faixas azuis de sintonizagéo é 0 melhor dos quatro. ‘A Apmesenacio VISUAL DA INFORMAGAO de Indicadores e Painéis Ao tentar propiciar adequada iluminagao para indicadores ¢ pai Aéis de instrumentos, freqtientemente o técnico se defronta com exi- ‘péncias conflitantes mencionadas no inicio desta segio: os mostradores € outros paingis visuais devem possuir suficiente iluminagdo, de modo ‘que possam scr vistos com nitidez, mas no com tanta iluminagso que AMfete a capacidade do operador de enxergar, a noite, no mbito exte- fior & sua frea de trabalho. Felizmente, 6 possivel explorar uma de- fsusada propriedade do lho humano em tais situagies. LUZ VERMELHA PARA ADAPTACAO AO ESCURO © dtho humano contém dois tipos bisicos de nervos fotosensiveis fa retina: os bastonetes © os cones. Os cones funcionam sobretudo 0b condicdes de iluminagao natural, A luz do dia, e os bastonetes funcionam sob condigées de extrema escuridio. Ambos requerem taprecidvel perfodo de tempo até alcancarem plena sensibilidade, de- ois de serem expostos a luzes claras. Os bastonetes, especialmente, fm adaptacao muito lenta: dependendo da intensidade, cdr e duragio a luz, podem demorar até trinta minutos para atingir plena sensibili- ade, apds exposicéo a uma luz forte. Os bastonetes ¢ os cones nio Ilo igualmente sensiveis a tédas as partes do espectro visivel. Os co- Res so mais sensiveis a longas ondas de luz (a extremidade verme- tha), enquanto os bastonetes so mais sensiveis a curtas ondas de luz {a extremidade azul) do espectro. Esta sensibilidade diversa significa que quando usamos a luz vermelha para permitir visio aos cones, 0s tes, ao mesmo tempo, esti, por assim dizer, em plena’es- ‘curidio. © uso da iluminacio vermetha para preservar a adaptagio dos hastonctes a0 escuro tem varias aplicagdes de ordem pratica, além da Hluminagio de indicadores © painéis. Os téenicos em raios-X, por fexemplo, a utilizam bastante. Para preservarem sua adaptagdo 2 es- » €les devem colocar um par de Gculos de protegéo imediata- Iente antes de deixar a escuriddo, Quando a cla retornarem, remo- YVerlio os Sculos ¢, entio, notario que seus bastonetes, adaptados & ‘@#curido, se acham virtualmente em plena sensibididade. Num outro exemplo, cabines de aeronaves ou de embarcagées so usualmente equipadas com Iuz vermelha, de modo a que os pilotos possam estar “Preparados para partir com seus olhos ja ajustados a escuridio. 2 ‘A ENGENHARIA © © RELACIONAMENTO HoMEM-MAQUINA ‘A Apnesentacho VISUAL DA InroRMAGiO QUADRO 3.2 — Recomendacdes pare a iluminagto de indicadores, (Continuagio) paindis © mapas RECOMENDACOES (Baseado em Morgan et al. 25.) Teenca de Aitameno RECOMENDACOES ‘iluminagdo Pés- ra ade lambert tumindade sar inion de Aiea ee ee) eed | eee ete mina Pie ‘a cae state —_lumioniade Eg ‘Luz branca 10-20 Fixo Hf rag Ey . —_—___—— Teitura de indi: Luz vermetha, 0.0201 Continuo em tb- cador, necesséria indireta ou am: das us variagbes a adaplagio Abas, de acdmdo eseuridio com a escolha do ‘operator if i i io Continuo em 18- Leitura de indie Lu vermetha ‘eador, adaptacio ou de baixain- das. as variagoes PTescuridio des tensidade, —indi- eta, ow tOdas clas, de acdrdo Som a. escolha do operador # i ‘ r : * : Luz branea RECOMENDACOES PARA A ILUMINACAO DE INDICADORES Mminagio ver st "og tr ‘© Quadro 3.2 resume as recomendacdes quanto aos sistemas de ago em indicadores, painéis © mapas, de ac6rdo com as condi- on germetay 0 S0b as quais cles dever ser usados. O leit abservarh que a luz