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100 Questões Comentadas de Direito Penal

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Direito Penal

QUESTÕES

DIREITO PENAL - GERAL 7.  (2015/ CESPE/ TCE-RN/ Assessor Jurídico) Acerca da
aplicação da lei penal, dos princípios de direito penal e
1.  (2018/ CESPE/ EMAP/ Analista) A respeito da aplicação do arrependimento posterior, julgue o item a seguir.
da lei penal, julgue o item a seguir. (( ) Pelo princípio da irretroatividade da lei penal,
(( ) No ordenamento jurídico brasileiro, é adotada a não é possível a aplicação de lei posterior a fato
teoria da ubiquidade quando se fala do tempo do anterior à edição desta. É exceção ao referido
crime, ou seja, o crime é considerado praticado no princípio a possibilidade de retroatividade da lei
momento da ação ou da omissão. penal benéfica que atenue a pena ou torne atípico
o fato, desde que não haja trânsito em julgado da
2.( ) (2013/ CESPE/ Policial Rodoviário Federal – sentença penal condenatória.
Superior) A extra-atividade da lei penal constitui
exceção à regra geral de aplicação da lei vigente à 8.  (CESPE - 2013 - POLÍCIA FEDERAL - ESCRIVÃO DA
época dos fatos. POLÍCIA FEDERAL) Julgue os itens subsequentes,
relativos à aplicação da lei penal e seus princípios.
3.( ) (CESPE/ 2018/ AGENTE DE POLÍCIA-POLÍCIA (( ) No que diz respeito ao tema lei penal no tempo,
FEDERAL) Se, durante o processo judicial a que José a regra é a aplicação da lei apenas durante o seu
for submetido, for editada nova lei que diminua a período de vigência; a exceção é a extra-atividade
pena para o crime de receptação, ele não poderá se da lei penal mais benéfica, que comporta duas
beneficiar desse fato, pois o direito penal brasileiro espécies: a retroatividade e a ultra-atividade.
norteia-se pelo princípio de aplicação da lei vigente
à época do fato. 9.  (2014/ CESPE/ Polícia Federal/ Agente de Polícia
Federal) No que se refere à aplicação da lei penal o item
4.( ) (CESPE/ 2018/ DELEGADO DE POLÍCIA-POLÍCIA abaixo apresenta uma situação hipotética, seguida de
FEDERAL) Manoel praticou conduta tipificada uma assertiva a ser julgada.
como crime. Com a entrada em vigor de nova lei, (( ) Sob a vigência da lei X, Lauro cometeu um delito.
esse tipo penal foi formalmente revogado, mas a Em seguida, passou a viger a lei Y, que, além de ser
conduta de Manoel foi inserida em outro tipo penal. mais gravosa, revogou a lei X. Depois de tais fatos,
Nessa situação, Manoel responderá pelo crime Lauro foi levado a julgamento pelo cometimento do
praticado, pois não ocorreu a abolitio criminis com citado delito. Nessa situação, o magistrado terá de
a edição da nova lei. se fundamentar no instituto da retroatividade em
benefício do réu para aplicar a lei X, por ser esta
5.  (2018/ CESPE/ EBSERH/ Advogado) Com referência à menos rigorosa que a lei Y.
lei penal no tempo, ao erro jurídico-penal, ao concurso
de agentes e aos sujeitos da infração penal, julgue o 10.  (CESPE/ TJ-DFT/ Técnico de Administração) Acerca
item que se segue. do crime e da aplicação da lei penal no tempo e no
(( ) Situação hipotética: Um crime foi praticado durante espaço, julgue o item que se segue.
a vigência de lei que cominava pena de multa para (( ) A lei mais benéfica deve ser aplicada pelo juiz
essa conduta. Todavia, no decorrer do processo quando da prolação da sentença — em decorrência
criminal, entrou em vigor nova lei, que, revogando a do fenômeno da ultratividade — mesmo já tendo
anterior, passou a atribuir ao referido crime a pena sido revogada a lei que vigia no momento da
privativa de liberdade. Assertiva: Nessa situação, consumação do crime.
dever-se-á aplicar a lei vigente ao tempo da prática
do crime. 11.( )
(CESPE – 2016 – TCE-SC – AUDITOR FISCAL DE
CONTROLE EXTERNO) No Código Penal brasileiro,
6.  (2018/ CESPE/ STJ/ Analista Judiciário - Área adota-se a teoria da ubiquidade, conforme a qual o
Judiciária)Tendo como referência a jurisprudência lugar do crime é o da ação ou da omissão, bem como
sumulada dos tribunais superiores, julgue o item a o lugar onde se produziu ou deveria produzirse o
seguir, acerca de crimes, penas, imputabilidade penal, resultado.
aplicação da lei penal e institutos.
(( ) Tratando-se de crimes permanentes, aplica-se a 12.  (CESPE – 2018 – EMAP – ADVOGADO) A respeito da
lei penal mais grave se esta tiver vigência antes da aplicação da lei penal, julgue o item a seguir.
cessação da permanência. (( ) Aplica-se a lei penal brasileira a crimes cometidos
dentro de navio que esteja a serviço do governo

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Direito Penal

brasileiro, ainda que a embarcação esteja ancorada à explosão, todos os passageiros a bordo da
em território estrangeiro. aeronave morreram. Nessa situação hipotética,
Ricardo agiu com dolo direto de primeiro grau
13.( )
(CESPE – 2016 - PC/PE – POLÍCIA CIENTÍFICA– no cometimento do delito contra Maurício e dolo
DIVERSOS CARGOS) A aplicação da lei penal direto de segundo grau no do delito contra todos
brasileira a cidadão brasileiro que cometa crime os demais passageiros.
no exterior é possível, de acordo com o princípio da
defesa. 22.( )
(CESPE - TCU- Auditor) Durante um espetáculo
de circo, Andrey, que é atirador de facas, obteve a
14.( )
(CESPE – 2016 - PC/PE – POLÍCIA CIENTÍFICA – concordância de Nádia, que estava na platéia, em
DIVERSOS CARGOS - ADAPTADA) De acordo com participar da sua apresentação. Na hipótese de
o princípio da representação, a lei penal brasileira Andrey, embora prevendo que poderia lesionar
poderá ser aplicada a delitos cometidos em Nádia, mas acreditando sinceramente que tal
aeronaves ou embarcações brasileiras privadas, resultado não viesse a ocorrer, atingir Nádia com
quando estes delitos ocorrerem no estrangeiro e aí uma das facas, ele terá agido com dolo eventual.
não forem julgados.
23.  (CESPE ,PC-DF, Agente de Polícia) Em relação ao
15.( )
(CESPE – 2016 – TRT8 – ANALISTA JUDICIÁRIO) A lei direito penal, julgue os próximos itens.
penal brasileira aplica-se ao crime perpetrado no (( ) O crime culposo advém de uma conduta
interior de navio de guerra de pavilhão pátrio, ainda involuntária.
que em mar territorial estrangeiro, dado o princípio
da territorialidade. 24.  (2013-CESPE,Polícia Federal, Escrivão da Polícia
Federal) Julgue:
16.( )
(CESPE – 2018 – STJ – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA (( ) A culpa inconsciente distingue-se da culpa
ADMINISTRATIVA) Crime doloso é aquele em que o consciente no que diz respeito à previsão do
sujeito passivo age com imprudência, negligência resultado: na culpa consciente, o agente, embora
ou imperícia prevendo o resultado, acredita sinceramente que
pode evitá-lo; na culpa inconsciente, o resultado,
17.  (CESPE – 2017 – PM-AL – SOLDADO) A respeito da embora previsível, não foi previsto pelo agente.
aplicação da lei penal, do crime e da imputabilidade
penal, julgue o item a seguir. 25.  (2018/ CESPE/ STJ - Analista Judiciário - Oficial de
(( ) Um crime é classificado como crime culposo Justiça Avaliador Federal) Acerca do crime doloso e do
quando o agente quis o resultado ou assumiu o arrependimento posterior, julgue o item seguinte.
risco de produzi-lo. (( ) Em relação ao crime doloso, o Código Penal adota
a teoria da vontade para o dolo direto e a teoria do
18.( )
(CESPE – 2016 – TCE-SC – AUDITOR FISCAL DE assentimento para o dolo eventual.
CONTROLE EXTERNO) Caracteriza-se o dolo
eventual no caso de um caçador que, confiando 26.  (CESPE - 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO –
em sua habilidade de atirador, dispara contra a ÁREA JUDICIÁRIA) Acerca dos institutos penais da
caça, mas atinge um companheiro que se encontra desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do
próximo ao animal que ele desejava abater. arrependimento posterior, julgue o item a seguir.
(( ) É admissível a incidência do arrependimento eficaz
19.( )
(CESPE – 2015 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO) No nos crimes perpetrados com violência ou grave
direito penal brasileiro, admite-se a compensação ameaça..
de culpas no caso de duas ou mais pessoas
concorrerem culposamente para a produção de 27.  (CESPE - 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO –
um resultado naturalístico, respondendo cada um, ÁREA JUDICIÁRIA) Acerca dos institutos penais da
nesse caso, na medida de suas culpabilidades desistência voluntária, do arrependimento eficaz e do
arrependimento posterior, julgue o item a seguir.
20.( )
(CESPE – 2014 – CÂMARA DOS DEPUTADOS – (( ) De modo geral, a doutrina indica a aplicação da
CONSULTOR LEGISLATIVO – ÁREA III) Age com dolo fórmula de Frank quando o objetivo for estabelecer
eventual o agente que prevê possíveis resultados a distinção entre desistência voluntária e tentativa.
ilícitos decorrentes da sua conduta, mas acredita
que, com suas habilidades, será capaz de evitá-los. 28.  (CESPE - 2017 – TRF1 – ANALISTA JUDICIÁRIO – ÁREA
JUDICIÁRIA) Julgue o próximo item, relativo ao instituto
21.( )
(CESPE – 2014 – CÂMARA DOS DEPUTADOS) da tentativa.
Ricardo, com o objetivo de matar Maurício, (( ) No que concerne à punibilidade da tentativa, o
detonou, por mecanismo remoto, uma bomba por Código Penal adota a teoria objetiva
ele instalada em um avião comercial a bordo do
qual sabia que Maurício se encontrara, e, devido

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Direito Penal

29.( )
(CESPE – 2016 – PC-GO – ESCRIVÃO – ADAPTADA) 36.  (CESPE - 2016 - PC-PE - AGENTE DE POLÍCIA) Acerca
Nos crimes materiais, a consumação só ocorre das questões de tipicidade, ilicitude (ou antijuridicidade)
ante a produção do resultado naturalístico, e culpabilidade, bem como de suas respectivas
enquanto que, nos crimes formais, este resultado excludentes, julgue os itens a seguir.
é dispensável. (( ) A inexigibilidade de conduta diversa e a
inimputabilidade são causas excludentes de
30.( )
(CESPE – 2016 – TCE-PR – ANALISTA DE CONTROLE ilicitude
– ÁREA JURÍDICA – ADAPTADA) As causas
supervenientes relativamente independentes 37.( )
(CESPE - 2016 - PC-PE - AGENTE DE POLÍCIA)
possuem relação de causalidade com conduta do Há excludente de ilicitude em casos de estado
sujeito e não excluem a imputação do resultado. de necessidade, legítima defesa, em estrito
cumprimento do dever legal ou no exercício regular
31.( )
(CESPE – 2016 – PC-PE - DELEGADO – ADAPTADA) O do direito.
CP adota, como regra, a teoria da causalidade adequada,
dada a afirmação nele constante de que “o resultado, de 38.  (CESPE - 2016 - PC-GO - ESCRIVÃO DE POLÍCIA)
que depende a existência do crime, somente é imputável Considerando os aspectos legais, doutrinários e
a quem lhe deu causa; causa é a ação ou omissão sem a jurisprudenciais sobre a infração penal quanto aos
qual o resultado não teria ocorrido” elementos constitutivos, às espécies e aos sujeitos,
bem como à ilicitude, às excludentes e ao excesso
32.( )
(CESPE – 2015 – DPU – DEFENSOR PÚBLICO) punível, à consumação e tentativa e ao concurso de
Configura-se a desistência voluntária ainda que não pessoas, julgue o item.
tenha partido espontaneamente do agente a ideia de (( ) São exemplos de excludentes de ilicitude a coação
abandonar o propósito criminoso, com o resultado moral irresistível, a legítima defesa, tipicidade.
de deixar de prosseguir na execução do crime
39.  (CESPE - 2014 - TJDFT - TITULAR DE SERVIÇOS DE
33.  (CESPE - 2015 - TRE-GO - ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA NOTAS) Acerca do arrependimento posterior, da culpa,
JUDICIÁRIA) No que concerne à lei penal no tempo, dos crimes qualificados pelo resultado, das excludentes
tentativa, crimes omissivos, arrependimento posterior de ilicitude e das excludentes de culpabilidade.
e crime impossível, julgue os itens a seguir. (( ) O uso imoderado de um meio necessário configura
(( ) Configura-se tentativa incruenta no caso de o excesso intensivo de legítima defesa.
agente não conseguir atingir a pessoa ou a coisa
contra a qual deveria recair sua conduta 40.  (CESPE - 2014 - TJ-CE - ANALISTA JUDICIÁRIO) Acerca
do arrependimento posterior, da culpa, dos crimes
34.  (CESPE – 2014 – TJ/SE - ANALISTA) Julgue os itens qualificados pelo resultado, das excludentes de ilicitude
subsecutivos, acerca de crime e aplicação de penas. e das excludentes de culpabilidade.
(( ) Mesmo quando o agente, de forma espontânea, (( ) Para a doutrina majoritária, aquele que, para
desiste de prosseguir nos atos executórios ou salvar-se de perigo iminente, sacrifica direito de
impede a consumação do delito, devem ser a ele outrem não atua em estado de necessidade.
imputadas as penas da conduta típica dolosa
inicialmente pretendida. 41.  (CESPE - 2013 - MPU - ANALISTA) Acerca dos institutos
do direito penal brasileiro, julgue o próximo item.
35.  Ano: 2018 Banca: CESPE Órgão: Polícia Federal (( ) Em relação às excludentes de ilicitude, na hipótese
Prova: Delegado de Polícia Em cada item a seguir, é de legítima defesa, o agente deve agir nos limites
apresentada uma situação hipotética, seguida de uma do que é estritamente necessário para evitar
assertiva a ser julgada com base na legislação de injusta agressão a direito próprio ou de terceiro.
regência e na jurisprudência dos tribunais superiores
a respeito de execução penal, lei penal no tempo, 42.  (CESPE - 2013 - DPF - DELEGADO DE POLÍCIA) No que
concurso de crimes, crime impossível e arrependimento se refere às causas de exclusão de ilicitude, julgue o
posterior item a seguir.
(( ) Sílvio, maior e capaz, entrou em uma loja que vende (( ) Considere que João, maior e capaz, após ser agredido
aparelhos celulares, com o propósito de furtar fisicamente por um desconhecido, também maior e
algum aparelho. A loja possui sistema de vigilância capaz, comece a bater, moderadamente, na cabeça
eletrônica que monitora as ações das pessoas, além do agressor com um guarda-chuva e continue
de diversos agentes de segurança. Sílvio colocou desferindo nele vários golpes, mesmo estando
um aparelho no bolso e, ao tentar sair do local, um o desconhecido desacordado. Nessa situação
dos seguranças o deteve e chamou a polícia. Nessa hipotética, João incorre em excesso intensivo.
situação, está configurado o crime impossível por
ineficácia absoluta do meio, uma vez que não havia 43.  (CESPE - 2013 - DPF - DELEGADO DE POLÍCIA) No que
qualquer chance de Sílvio furtar o objeto sem que se refere às causas de exclusão de ilicitude, julgue o
fosse notado. item que segue.

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(( ) Ocorre legítima defesa sucessiva, na hipótese conhecimentos técnicos, não calculou bem a
de legítima defesa real contra legítima defesa área de segurança para a explosão. Por isso, um
putativa. fragmento da rocha acabou atingindo uma pessoa,
a grande distância, matando-a. Nessa situação,
44.( )
(CESPE - 2012 - TJ-BA - JUIZ) Considere que Jonas, devido ao fato de a morte haver decorrido do uso
policial militar, no exercício de sua função, tenha de explosivos, o caso é de homicídio qualificado.
determinado que um indivíduo em fuga parasse
e que este tenha sacado uma arma e disparado 55.( )
João e Maria, por enfrentarem grave crise conjugal,
tiros contra Jonas, que, revidando os disparos, resolveram matar-se, instigando-se mutuamente.
tenha alvejado o indivíduo e o tenha matado. Nessa Conforme o combinado, João desfechou um tiro de
situação, Jonas agiu no estrito cumprimento de revólver contra Maria e, em seguida, outro contra
dever legal. si próprio. Maria veio a falecer; João, apesar do tiro,
sobreviveu. Nessa situação, João responderá pelo
45.  (CESPE - 2012 - TJ-AC - TÉCNICO JUDICIÁRIO) No crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio.
tocante à culpabilidade, à ilicitude e às suas respectivas
excludentes, julgue o item que segue. 56.( )
Dentre as hipóteses que configuram a lesão
(( ) A execução de pena de morte feita pelo carrasco, em corporal de natureza grave estão: aceleração de
um sistema jurídico que admita essa modalidade de parto, redução permanente da capacidade auditiva,
pena, é exemplo clássico de estrito cumprimento perigo de vida, incapacidade para as ocupações
de dever legal. habituais por 20 dias e a perda da visão de um olho.

DIREITO PENAL - PARTE ESPECIAL 57.( )


Estudando o crime de lesão corporal previsto em
nosso Código Penal em suas diversas espécies
46.( )
Genitora que mata seu filho em estado puerperal verifica-se que a classificação em “gravíssima”
comete crime de infanticídio. não se encontra nele expressa, sendo uma criação
doutrinária.
47.( )
João atropela seu filho por encontrar-se dirigindo
em excesso de velocidade. Devido às lesões, 58.( )
João da Silva, pouco afeito ao manejo de arma de
a criança falece. João incidiu em homicídio fogo, resolveu exibir para amigos o revólver que
privilegiado. adquirira recentemente. Acabou, por inexperiência,
acionando o gatilho, provocando disparo que atingiu
48.( )
Só gestantes podem ser autoras do crime de pessoa que se encontrava por perto, ferindo-a. Esta
aborto. foi socorrida. Levada a um hospital, foi submetida a
intervenção cirúrgica para amputação de uma das
49.( )
Suicídio é crime hediondo. pernas, ficando ali internada por trinta e cinco dias.
João da Silva cometeu o crime de lesão corporal
50.( )
Homicídio privilegiado não pode receber culposa de natureza grave.
qualificadora objetiva.
59.( )
O crime de lesão corporal somente pode ser
51.( )
Matar alguém sob o domínio de violenta emoção, praticado mediante dolo.
logo após injusta provocação da vítima, caracteriza
figura de homicídio privilegiado. 60.( )
No homicídio preterintencional ou preterdoloso, o
agente deverá responder por culpa em relação ao
52.( )
O homicídio qualificado-privilegiado é crime resultado morte.
hediondo.
61.( )
Os crimes de Periclitação à Pessoa se consumam
53.( )
Ao sair de sua casa, dando marcha a ré no seu com a simples criação de um risco para o bem
carro, Marcelo não viu seu filho, que engatinhava jurídico tutelado pela norma, se tratando de crimes
próximo a um dos pneus traseiros do carro, e o de perigo abstrato, onde o risco é gerado para
atropelou. A criança faleceu em decorrência das vítima certa e determinada, individualizada.
lesões sofridas. Nessa situação, Marcelo praticou
homicídio culposo, podendo o juiz deixar de aplicar 62.( )
O delito de abandono de incapaz, tipificado no art.
a pena, pois as consequências da infração atingem 133 do Código Penal Brasileiro é crime omissivo,
Marcelo de forma tão grave que a sanção penal é próprio e de perigo concreto.
desnecessária.
63.( )
Para que se caracterize o crime de omissão de
54.( )
Rui era engenheiro e participava da construção socorro é irrelevante a análise da capacidade,
de uma rodovia, para a qual seria necessária a bastando a existência da obrigatoriedade ao
destruição de uma grande rocha, com o uso de agente, o “dever de agir”, na prestação do auxílio de
explosivos. Rui, contudo, por insuficiência de que a vítima necessita.

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64.( )
Havendo morte ou lesão corporal de natureza 77.( )
João entra num bar de madrugada e subtrai vários
grave durante uma rixa, todos os seus participantes pacotes de cigarro. O vigia o surpreende e tenta
deverão sofrer maior punição, independentemente impedi-lo de sair. João emprega violência, a fim de
de serem ou não os responsáveis pelo resultado, assegurar impunidade e a detenção dos cigarros.
incidindo no crime de rixa qualificada. Indique João praticou roubo impróprio.

65.( )
No crime de rixa, a co-autoria é obrigatória, pois 78.( )
Márcio, pretendendo haver para si o computador
a norma incriminadora reclama como condição portátil de Suzana, aproxima-se desta e, apontando
obrigatória do tipo a existência de pelo menos arma de fogo devidamente municiada, exige a
três autores, sendo irrelevante que um deles seja entrega do objeto, sob pena de feri-la. Suzana,
inimputável. sentindo-se ameaçada, entrega o bem e Márcio
consegue fugir de posse do objeto almejado.
66.( )
Injúria é a ofensa a dignidade ou o decoro de alguém. Márcio cometeu o crime de roubo, com a agravante
do emprego de arma, em concurso com o crime de
67.( )
O querelado que, antes da sentença, se retrata porte de arma de fogo.
cabalmente da calúnia, da difamação ou da injúria,
fica isento de pena. 79.( )
O crime de extorsão é considerado crime de mera
conduta e se consuma independentemente de o
68.( )
Divulgar num panfleto distribuído entre os agente auferir a vantagem indevida almejada.
condôminos de um edifício fato criminoso que sabe
inverídico, atribuindo-o a determinada pessoa, com 80.( )
Pratica o crime de sequestro em concurso com
o fim de prejudicá-la, configura calúnia. furto o agente que, no intuito de obter senha de
cartão bancário, priva a vítima de liberdade e,
69.( )
Não se pune a calúnia contra os mortos. obtendo êxito, a liberta.

70.( )
O juiz pode deixar de aplicar a pena quando 81.( )
Para o STF, há crime de latrocínio consumado
o ofendido, de forma reprovável, provocou quando o homicídio se consuma, ainda que não
diretamente a injúria. realize o agente a subtração de bens da vítima.

71.( )
O pedido de explicações em juízo é cabível nos 82.( )
O Direito Penal Brasileiro pune o crime de
delitos de calúnia e difamação, mas não se aplica Dano, seja ele doloso ou culposo, eis que tutela o
ao de injúria. patrimônio lesado pelo comportamento do sujeito
que age intencionalmente, ou com imprudência,
72.( )
O CP prevê, para os crimes de calúnia, de difamação negligência ou imperícia, havendo tão somente
e de injúria, o instituto da exceção da verdade, que distinção entre as penas cominadas.
consiste na possibilidade de o acusado comprovar
a veracidade de suas alegações, para a exclusão do 83.( )
Estelionato é crime formal, e de perigo. Para se
elemento objetivo do tipo. consumar basta que o agente empregue a fraude,
o engodo suficiente a ludibriar a vítima, que
73.( )
Os crimes de ameaça e de constrangimento ilegal assim tem seu patrimônio exposto a perigo real e
previstos nos arts. 147 e 146, respectivamente, são concreto.
puníveis isoladamente ainda que cometidos como
meio de execução de outros delitos, como exemplo 84.( )
Doutrinariamente, o crime de Receptação é
o roubo e a extorsão. conhecido como acessório, que possui dependência
fática e autonomia punitiva.
74.( )
A violação de domicílio, prevista no art. 140 do
CPB, é crime material, que exige a ocorrência 85.( )
Receptador pode ser qualquer pessoa, sendo assim
de resultado lesivo para se consumar, podendo um crime comum. Mesmo o autor do crime de furto,
ocorrer na forma tentada. do qual proveio a coisa ilícita, enquanto esconde a
res furtiva está praticando a receptação na forma
75.( )
No conceito de “casa”, para a caracterização da ocultar.
violação de domicílio, entendem-se qualquer
compartimento habitado ou ocupado de habitação 86.( )
Furto de energia é crime instantâneo, consumando-
coletiva, assim como todo compartimento não aberto se no exato momento em que o autor faz a ligação
ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. clandestina, desviando a energia elétrica para fins
próprios, ou de terceiro
76.( )
Indivíduo que subtrai o relógio de uma pessoa, após
ter colocado substância entorpecente na bebida 87.( )
No crime de furto mediante fraude, previsto no
que estava ingerindo, fazendo-a ficar em estado de artigo 155, § 4º, II, 2ª figura, do Código Penal a fraude
sono profundo, pratica roubo impróprio. é empregada para iludir a atenção ou vigilância do

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ofendido, que nem percebe que a coisa lhe está delituosa. O Delegado de Polícia responderá por
sendo subtraída. corrupção passiva consumada.

88.( )
Pretendendo subtrair bens do escritório onde 99.( )
Quando um funcionário público deixa de praticar
exerce a função de secretária particular do diretor, ou retarda ato de ofício, com infração de dever
Júlia ingressa no respectivo imóvel, utilizando- funcional, cedendo à influência de outrem, ele
se da chave original, que deveria ter sido por ela pratica o crime de Prevaricação.
entregue a seu chefe e não o foi. Júlia é auxiliada
por seu irmão Luiz, sabedor de todos os detalhes da 100.( )
Pratica o crime de Concussão, previsto no art. 316
empreitada, a quem coube a função de permanecer do Código Penal, o agente que exigir para si ou para
de vigília na porta. Ao escutar um barulho que a faz outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da
acreditar existir alguém no escritório, Júlia foge função ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
pela báscula, deixando no local o seu comparsa, vantagem indevida.
que vem a ser preso por policiais chamados por um
vizinho. No caso, ambos respondem por tentativa
de furto duplamente qualificado.

89.( )
O furto qualificado se configura diante da presença
da grave ameaça.

90.( )
Sempre que o autor de furto for primário, deverá sua
conduta ser analisada como “furto privilegiado”.

91.( )
Um indivíduo subtraiu, para si, uma planta rara
e valiosa do jardim de outrem. Nessa situação, o
indivíduo deverá responder, se for o caso, por crime
de dano, mas não deverá ser responsabilizado por
crime de furto.

92.( )
Responderá por furto, quem subtrair coisa alheia
para pagar-se ou ressarcir-se de prejuízos.

93.( )
Para que se configure o crime de apropriação
indébita, é necessário que preexista a posse ou
detenção justas.

94.( )
O dolo é subsequente à posse da coisa móvel, no
crime de apropriação indébita.

95.( )
Jorge, maior de idade, subtrai jóias de alto valor
que sua mãe, contando com 42 anos de idade,
guardava debaixo do colchão. O fato descrito pode
ser classificado como típico, ilícito e culpável, mas
isento de pena.

96.( )
Para efeitos penais, considera-se funcionário
público empregado de empresa paraestatal.

97.( )
Antônio, funcionário público, negligentemente,
esquece a janela da repartição onde trabalha
aberta. Cesar, seu colega de trabalho, aproveita-se
para subtrair equipamentos da referida repartição.
Pode-se concluir que Antônio e Cesar responderão
por peculato furto, em concurso.

98.( )
João oferece dinheiro a um Delegado de Polícia para
não o indiciar num inquérito policial. O Delegado de
Polícia aceita a proposta e ambos passam a discutir
o preço. Nesse momento, são surpreendidos
pela Corregedoria, que estava filmando a ação

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Direito Penal

GABARITO E COMENTÁRIOS

QUESTÃO 1 QUESTÃO 7

Gabarito: ERRADO Gabarito: ERRADO


Feedback: O código penal adota no artigo 4° a teoria Feedback: A lei penal benéfica irá retroagir mesmo que já
da atividade na qual é considerado praticado o crime tenha ocorrido o trânsito em julgado (pegadinha clássica),
no momento da ação/omissão ainda que seja outro o a lei benéfica não respeita o trânsito em julgado.
momento do resultado.
QUESTÃO 8
QUESTÃO 2
Gabarito: CORRETO
Gabarito: CORRETO Feedback: A regra geral é “tempus regit actum” , ou seja, o
Feedback: A regra geral é “tempus regit actum”, ou seja, o agente será regido pela lei vigente à época do cometimento
agente será regido pela lei vigente à época do cometimento do fato. Entretanto, lembre-se que a lei benéfica ganha a
do fato. Entretanto, lembre-se que a lei benéfica ganha a capacidade de se movimentar no tempo. Essa capacidade
capacidade de se movimentar no tempo. Essa capacidade é chamada pela doutrina de EXTRA ATIVIDADE da lei penal,
é chamada pela doutrina de EXTRA ATIVIDADE da lei penal, da qual são espécies a ultra atividade e retroatividade
da qual são espécies a ultra atividade e retroatividade.
QUESTÃO 9
QUESTÃO 3
Gabarito: ERRADA
Gabarito: ERRADO Feedback: Questão está quase toda correta, mas o
Feedback: A regra geral é “tempus regit actum”, ou seja, o examinador colocou uma pegadinha aí... o magistrado não
agente será regido pela lei vigente à época do cometimento terá que se fundamentar na retroatividade, e, sim, na ultra
do fato. Entretanto, lembre-se que a lei benéfica ganha a atividade, pois ele irá aplicar a lei “X”, mesmo após ela ter
capacidade de se movimentar no tempo. Essa capacidade sido revogada pela lei “y”.
é chamada pela doutrina de EXTRA ATIVIDADE da lei penal,
da qual são espécies a ultra atividade e retroatividade. QUESTÃO 10
Assim, a nova lei é benéfica, irá retroagir e será aplicada.
Gabarito: CORRETA
QUESTÃO 4 Feedback: Exato, a ultra atividade é a capacidade da lei
penal benéfica ser aplicada ao caso, mesmo após ter sido
Gabarito: CORRETO revogada.
Feedback: Ocorreu a continuidade normativo-típica, já
que a conduta continuou a ser punida. Existiu apenas uma QUESTÃO 11
revogação formal do tipo legal, mas a conduta criminosa
migrou para outro tipo legal. Resumindo, a conduta Gabarito: CORRETO
continua sendo típica e só adquiriu uma “nova roupagem”. Feedback: O CP brasileiro adota, como teoria para o LUGAR
DO CRIME, a teoria da Ubiquidade, ou seja, considera-se
QUESTÃO 5 como lugar do crime (para fins de aplicação da lei penal
brasileira) tanto o lugar em que foi praticada a conduta
Gabarito: CORRETO (ação ou omissão) quanto o lugar em que ocorreu ou
Feedback: Perceba que a nova lei é uma lei maléfica, deveria ocorrer o resultado, nos termos do art. 6º do CP
ela piora a situação do réu, já que passa a prever pena
privativa de liberdade. Assim, a nova lei será irretroativa. QUESTÃO 12
Como consequência, iremos aplicar a lei que estava
vigente à época dos fatos, mesmo que já tenha sido Gabarito: CORRETO
revogada, ocorrendo o fenômeno da ultra atividade da lei Feedback: Caso o navio esteja a serviço do governo
penal benéfica. brasileiro, é considerado como extensão do território
nacional, ONDE QUER QUE SE ENCONTRE, conforme art.
QUESTÃO 6 5º, §1º do CP: Art. 5º - (...) § 1º - Para os efeitos penais,
consideram-se como extensão do território nacional
Gabarito: CORRETO as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza
Feedback: Súmula 711 STF A lei penal mais grave aplica- pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que
se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações
sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se
permanência. achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente
ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984)

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Direito Penal

QUESTÃO 13 QUESTÃO 19

Gabarito: ERRADO Gabarito: ERRADO


Feedback: A aplicação da lei penal, neste caso, se dará em Feedback: Não se admite compensação de culpas no
razão do princípio da personalidade ativa, nos termos do direito penal.
art. 7º, II, b, do CP
QUESTÃO 20
QUESTÃO 14
Gabarito: ERRADO
Gabarito: CORRETO Feedback: O agente acredita que, com suas habilidades,
Feedback: Neste caso, de acordo com o art. 7º, II, “c” do CP, conseguirá evitá-lo, não se configura o dolo eventual, que
é possível a aplicação da lei penal brasileira, e isso se dará exige que o agente não se importe com a ocorrência do
em razão do princípio da representação (também chamado resultado.
de princípio da bandeira, ou pavilhão).
QUESTÃO 21
QUESTÃO 15
Gabarito: CORRETO
Gabarito: CORRETO Feedback: Trata-se do dolo de segundo grau, necessário, ou
Feedback: O crime, neste caso, foi cometido NO TERRITÓRIO de consequências necessárias, uma vez que o agente sabia
NACIONAL (território nacional por extensão), nos termos que com a explosão da bomba, todos os outros passageiros,
do art. 5º, §1º do CP. Territorialidade Art. 5º - Aplica-se a lei necessariamente, iriam morrer com a explosão.
brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras
de direito internacional, ao crime cometido no território QUESTÃO 22
nacional. § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se
como extensão do território nacional as embarcações e Gabarito: ERRADO
aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do Feedback: O agente acredita que, com suas habilidades,
governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como conseguirá evitá-lo, não se configura o dolo eventual, que
as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou exige que o agente não se importe com a ocorrência do
de propriedade privada, que se achem, respectivamente, resultado. No casso, configura-se culpa consciente.
no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. Assim,
a lei penal brasileira será aplicável pelo princípio da QUESTÃO 23
TERRITORIALIDADE.
Gabarito: ERRADO
QUESTÃO 16 Feedback: Conduta penalmente relevante sempre será
voluntária! A diferença é que no crime culposo essa
Gabarito: ERRADO conduta é dirigida a uma finalidade lícita. O resultado que
Feedback: Quando o agente atua com negligência, é involuntário.
imprudência ou imperícia, temos um crime CULPOSO (não
doloso), na forma do art. 18, II do CP. Além disso, quem age QUESTÃO 24
assim é o sujeito ATIVO, não o sujeito passivo.
Gabarito: CORRETO
QUESTÃO 17 Feedback: A questão faz a distinção, com perfeição, entre
culpa inconsciente e culpa consciente.
Gabarito: ERRADO
Feedback: Aqui, teremos um crime doloso, e não um crime QUESTÃO 25
culposo, na forma do art. 18, I do CP.
Gabarito: CORRETO
QUESTÃO 18 Feedback: Na teoria da vontade o agente quer o resultado
(dolo direto), na teoria do assentimento, embora não
Gabarito: ERRADO queira diretamente o resultado, o agente assume o risco
Feedback: A conduta do agente não configura dolo de produzi-lo (dolo eventual).
eventual, mas culpa consciente. O dolo eventual pressupõe
que o agente aceite a ocorrência do resultado, sem se QUESTÃO 26
importar se, de fato, vier a acontecer. Na culpa consciente
o agente prevê a possibilidade de ocorrência do resultado Gabarito: CORRETO
mas confia em suas habilidade e confia sinceramente que Feedback: A questão quer confundir o candidato com
o resultado não irá ocorrer. o arrependimento posterior, no qual é vedado no caso
de violência contra à pessoa. É plenamente possível o
arrependimento eficaz nos crimes com violência ou grave
ameaça.

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Direito Penal

QUESTÃO 27 voluntária, quanto no caso do arrependimento eficaz, o


agente só responde pelos atos já praticados e não pelo seu
Gabarito: CORRETO dolo inicial (“ponte de ouro”).
Feedback: Segundo a fórmula de Frank, na tentativa o
agente quer, mas não pode prosseguir; na desistência QUESTÃO 35
voluntária o agente pode, mas não quer prosseguir.
Gabarito: ERRADO
QUESTÃO 28 Feedback: Súmula 567-STJ: Sistema de vigilância realizado
por monitoramento eletrônico ou por existência de
Gabarito: CORRETO segurança no interior de estabelecimento comercial, por si
Feedback: O CP adotou a teoria objetiva da punibilidade só, não torna impossível a configuração do crime de furto.
da tentativa, pois leva em consideração a não produção STJ. 3ª Seção. Aprovada em 24/02/2016. DJe 29/02/2016.
do resultado como um fato determinante na aplicação da
pena (gerando, como regra, a diminuição da pena, de um a QUESTÃO 36
dois terços)
Gabarito: ERRADO
QUESTÃO 29 Feedback: Inexigibilidade de conduta diversa e
inimputabilidade penal são temas relacionados a
Gabarito: CORRETO culpabilidade. Sabemos que as excludentes de ilicitude
Feedback: Nos crimes materiais o resultado é indispensável são: estado de necessidade, legítima defesa, estrito
para a consumação. Já nos crimes formais, o resultado é cumprimento do dever legal e exercício regular do direito,
possível, mas é dispensável, ou seja, não tem relevância fora o consentimento do ofendido que é uma causa
para fins de consumação do crime, que ocorre com a mera supralegal.
prática da conduta.
QUESTÃO 37
QUESTÃO 30
Gabarito: CORRETO
Gabarito: ERRADO Feedback: Sabemos que as excludentes de ilicitude
Feedback: Podem excluir a imputação do resultado, são: estado de necessidade, legítima defesa, estrito
quando produzirem, por si sós, o resultado. Ou seja, quando cumprimento do dever legal e exercício regular do direito,
estiverem fora do desdobramento físico ou lógico da fora o consentimento do ofendido que é uma causa
conduta (lembra da ambulância que capota a caminho do supralegal.
hospital?). Assim, em se tratando de causa superveniente
relativamente que, por si só, deu causa ao resultado, o QUESTÃO 38
agente só responderá pelos atos efetivamente praticados,
não sendo a ele imputado o resultado ocorrido Gabarito: ERRADO
Feedback: Sabemos que as excludentes de ilicitude
QUESTÃO 31 são: estado de necessidade, legítima defesa, estrito
cumprimento do dever legal e exercício regular do direito,
Gabarito: ERRADO fora o consentimento do ofendido que é uma causa
Feedback: O Código Penal adota como regra a teoria da supralegal.
equivalência dos antecedentes causais
QUESTÃO 39
QUESTÃO 32
Gabarito: CORRETO
Gabarito: CORRETO Feedback: Lembramos que o excesso intensivo está ligado
Feedback: Não se exige espontaneidade, mas apenas aos meios utilizados, uso imoderado ou desnecessário.
voluntariedade
QUESTÃO 40
QUESTÃO 33
Gabarito: ERRADO
Gabarito: CORRETO Feedback: Para a doutrina majoritária, o perigo iminente
Feedback: A tentativa branca ou incruenta é aquela em autoriza o reconhecimento do estado de necessidade. Mas
que o agente não consegue atingir a pessoa ou coisa visada cuidado, o código penal fala apenas em perigo atual. Mas
(objeto material) como a questão cobrou de acordo com a doutrina, o item
esta errado.
QUESTÃO 34

Gabarito: ERRADO
Feedback: Lembre-se que tanto no caso da desistência

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Direito Penal

QUESTÃO 41 homicídio culposo por imprudência, sendo aplicável o


Código de Trânsito Brasileiro, que prevê referido ilícito em
Gabarito: CORRETO seu art. 302:
Feedback: O agente somente está autorizado a cessar a
injusta agressão. Caso ele extrapole esses limites, ele Praticar homicídio culposo na direção de veículo
incorrerá em excesso. automotor:
Pena - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou
QUESTÃO 42 proibição de se obter a permissão ou a habilitação para
dirigir veículo automotor (grifos nossos).
Gabarito: ERRADO
Feedback: O excesso, nesse caso, é extensivo, uma vez que QUESTÃO 48
ele já havia cessado a injusta agressão, mas continuou a
agredir a outra parte. O excesso intensivo está relacionado Gabarito: ERRADO
aos meios utilizados. Feedback: O crime de aborto está tipificado em três
dispositivos do CPB. O art. 124 trata do crime da gestante:
QUESTÃO 43
Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem
Gabarito: ERRADO lho provoque:
Feedback: A legítima defesa sucessiva é aquela na qual o Pena - detenção, de um a três anos (grifos nossos).
agredido injustamente, acaba por se exceder para repelir
a agressão. Nesse caso, como há excesso, esse excesso Os arts. 125 e 126 tratam do delito cometido pelo terceiro,
não é permitido. Logo, aquele que primeiramente agrediu, que faz as manobras abortivas, diferenciados apenas no
agora poderá agir em legítima defesa. Se A agride B com que toca ao consentimento da gestante:
tapas leves, e B saca uma pistola e começa a disparar
contra A, que se afasta e para de agredi-lo, caso B continue Provocar aborto, sem o consentimento da gestante:
e atirar, A poderá sacar sua arma e atirar contra B, pois a Pena - reclusão, de três a dez anos
conduta de A se configura como excesso na reação, e B Provocar aborto com o consentimento da gestante:
estará agindo em legítima defesa sucessiva. Pena - reclusão, de um a quatro anos (grifos nossos).

QUESTÃO 44 Assim, não são apenas as gestantes que podem ser


autoras do crime de aborto.
Gabarito: ERRADO
Feedback: Não existe ordem legal para que um policial QUESTÃO 49
mate alguém. Dessa forma, o caso será de legítima defesa,
desde que presentes os demais requisitos. Gabarito: ERRADO
Feedback: Suicídio sequer é crime. O crime que envolve o
QUESTÃO 45 auto-extermínio é o comportamento de terceiro que induz,
instiga ou auxilia alguém na prática do suicídio, conforme
Gabarito: CORRETO prega o art. 122 do CPB:
Feedback: Nesse caso, ele estará cumprindo aquilo que foi
determinado por lei. Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe
auxílio para que o faça:
QUESTÃO 46 Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa
Gabarito: CORRETO de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave
Feedback: Nos termos do art. 123 do CPB: (grifos nossos).

Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio QUESTÃO 50


filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos (grifos nossos). Gabarito: ERRADO
Feedback: Conforme a jurisprudência e a doutrina pátrias
É um crime próprio, que exige no sujeito ativo a presença é absolutamente admissível a figura do crime de homicídio
de uma condição específica para que possa ser praticado. É qualificado-privilegiado.
necessário que o agente seja portador de uma capacidade
especial, que seja a mãe do nascituro ou recém-nascido. É possível a concorrência entre circunstâncias
privilegiadoras e circunstâncias qualificativas, desde
QUESTÃO 47 que sejam estas de natureza objetiva (STJ – RT 736/605).

Gabarito: ERRADO No mesmo sentido:


Feedback: O caso narrado trata de uma hipótese de No homicídio, o reconhecimento de que o agente

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Direito Penal

agiu sob o domínio de violenta emoção não impede o Na figura híbrida do homicídio qualificado-privilegiado,
reconhecimento, também, da qualificadora de meio em face da sobreposição da circunstância de natureza
cruel, pois a figura subjetiva prevista no art. 121 §1º, do CP subjetiva, motivo determinante do crime, não há espaço
não é incompatível com as formas objetivas referentes para o reconhecimento da figura da hediondez, dada a
ao meio ou modo pelo qual foi concretizada a conduta impossibilidade de ser reconhecido o cometimento de
criminosa (TJSP – RT 763/553). um crime hediondo por motivo de relevante valor moral
ou social (STJ – RT 789/561).
A hipótese híbrida do homicídio qualificado-privilegiado só Continuando
se aperfeiçoa se as qualificadoras forem objetivas, eis que Por incompatibilidade axiológica e por falta de previsão
todas as privilegiadoras previstas no ordenamento penal legal, o homicídio qualificado-privilegiado não integra o
são de natureza subjetiva, referindo-se ao móvel, ao fator rol dos denominados crimes hediondos (RSTJ – 122/428).
determinante do crime, de maneira que só se harmonizam
com as qualificadoras que traduzam o meio e/ou modo de Assim, o homicídio qualificado-privilegiado não é crime
execução do ilícito. hediondo.
Nesse sentido, as únicas qualificadoras compatíveis com
as privilegiadoras são aquelas previstas nos incisos III e IV, QUESTÃO 53
do §2º do art. 121 do CPB:
Gabarito: CORRETO.
Homicídio qualificado Feedback: Trata da disposição contida no §5º do art. 121 do
§ 2° Se o homicídio é cometido: CPB, hipótese de concessão de perdão judicial:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por
outro motivo torpe; Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar
II - por motivo fútil; de aplicar a pena, se as conseqüências da infração
III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, atingirem o próprio agente de forma tão grave que a
tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que sanção penal se torne desnecessária (grifos nossos).
possa resultar perigo comum;
IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação Referido perdão é um ato unilateral, onde o juiz do feito,
ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a ao analisar as características peculiares do delito e as
defesa do ofendido; prescrições legislativas, verifica a hipótese de incidência
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade da remissão e a concede se assim entender. Note-se que o
ou vantagem de outro crime: perdão não é direito do réu, mas faculdade do julgador em
VI – contra a mulher por razões da condição de sexo feminino: cada caso concreto.
VII – contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142
e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema Nesse sentido:
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no O perdão judicial é a faculdade concedida ao Juiz de,
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra embora condenando o réu, deixar de fixar a pena quando
seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até do fato decorreram graves consequências, que atinjam
terceiro grau, em razão dessa condição: de tal sorte o réu física ou moralmente, que a imposição
Pena - reclusão, de doze a trinta anos. (grifos nossos). se torna medida desnecessária e até impiedosa, por
exacerbar-lhe o sofrimento. Há, no perdão judicial, uma
QUESTÃO 51 indisfarçável conotação de comiseração pelo sofrimento
do réu em decorrência do fato, com toda a sua
Gabarito: CORRETO abrangência de infortúnios (TACRSP – JTACRIM 68/452).
Feedback: Considerando o §1º do art. 121 do CPB:
QUESTÃO 54
Se o agente comete o crime impelido por motivo de
relevante valor social ou moral, ou sob o domínio Gabarito: ERRADO
de violenta emoção, logo em seguida a injusta Feedback: O homicídio verificado na hipótese comentada
provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um se caracterizou por culpa stricto sensu, ou seja, através da
sexto a um terço (grifos nossos). imperícia demonstrada pelo agente.
Há que se considerar que o homicídio culposo não recebe
É o denominado homicídio privilegiado, tratado pela qualquer qualificadora, objetiva ou subjetiva, comum
doutrina penal como uma circunstância que diminui a apenas à hipótese dolosa.
reprovabilidade do ilícito, trazendo pena mais branda.
QUESTÃO 55
QUESTÃO 52
Gabarito: ERRADO
Gabarito: ERRADO Feedback: O crime de induzimento, instigação ou auxílio a
Feedback: Tendo por base a melhor jurisprudência: suicídio está previsto no art. 122 do CPB:

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Direito Penal

Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
auxílio para que o faça: IV - deformidade permanente;
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se V - aborto:
consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa Pena - reclusão, de dois a oito anos (grifos nossos).
de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave
(grifos nossos). A única denominação legal insculpida no código é a
lesão corporal de natureza grave, não havendo previsão
Para que tal ilícito se caracterize a conduta do sujeito ativo normativa expressa para a denominada “gravíssima”.
deve ser secundária, subsidiária. O ato de auto-extermínio Todavia, comparando-se os dois parágrafos, é de se
deve partir imediatamente, diretamente da vítima, que notar uma evidente distinção entre eles, de forma que
conta com uma colaboração paralela. Caso contrário, o as hipóteses elencadas no § 2º merecem destaque se
sujeito responderá por homicídio. cotejadas com aquelas descritas no §1º, motivo pelo
No caso comentado, João atirou em Maria, causando qual foram batizadas pela doutrina penal como sendo
diretamente sua morte, devendo assim responder pelo gravíssimas.
crime de homicídio. A título de ilustração, se no inciso III do §1º o estatuto penal
tratou da debilidade de membro, sentido ou função, no
QUESTÃO 56 inciso III do §2º o código se referiu à perda ou inutilização,
consequências notadamente mais graves que a primeira.
Gabarito: ERRADO
Feedback: Dentre as hipóteses elencadas, a incapacidade QUESTÃO 58
para as ocupações habituais por 20 dias não caracteriza a
forma mais grave de lesão corporal, tendo que superar os Gabarito: ERRADO
30 (trinta) dias. Feedback: Na hipótese narrada o agente, por inexperiência
Tendo por base os §§ 1º e 2º do art. 129 do CPB: (imprudência), acionando o gatilho, provocou o disparo que
atingiu a vítima que se encontrava por perto, ferindo-a.
Lesão corporal de natureza grave Desta forma, é verificado caso de lesão corporal culposa,
§ 1º Se resulta: prevista no §6º do art. 129 do CPB:
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais
de trinta dias; Se a lesão é culposa:
II - perigo de vida; Pena - detenção, de dois meses a um ano (grifos nossos).
III - debilidade permanente de membro, sentido ou
função; Cabe ressaltar que a qualificação das lesões corporais,
IV - aceleração de parto: em graves ou gravíssimas, previstas nos §§ 1º e 2º do
Pena - reclusão, de um a cinco anos – referido artigo só ocorrem se estas forem dolosas. Na
§ 2° Se resulta: espécie culposa, não haverá agravação da pena caso
I - Incapacidade permanente para o trabalho; ocorra qualquer dos resultados previstos nos referidos
II - enfermidade incurável; parágrafos.
III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função;
IV - deformidade permanente; QUESTÃO 59
V - aborto:
Pena - reclusão, de dois a oito anos (grifos nossos). Gabarito: ERRADO
Feedback: Para que um determinado crime possa
QUESTÃO 57 ser praticado na forma culposa, esta deverá estar
expressamente prevista na Lei Penal. Existem crimes que
Gabarito: CORRETO não podem ser cometidos culposamente, mas apenas
Feedback: Novamente tendo em conta os §§ 1º e 2º do art. dolosamente. Assim, só haverá o crime culposo se estiver
129 do CPB: explícito em um tipo penal próprio, o que se deduz da
leitura do parágrafo único do art. 18 do CPB:
Lesão corporal de natureza grave
§ 1º Se resulta: Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser
I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais punido por fato previsto como crime, senão quando o
de trinta dias; pratica dolosamente (grifos nossos).
II - perigo de vida;
III - debilidade permanente de membro, sentido ou Cabe considerar que no §6º do art. 129 do CPB há previsão
função; explícita para o delito de lesões corporais culposas:
IV - aceleração de parto:
Pena - reclusão, de um a cinco anos Se a lesão é culposa:
§ 2° Se resulta: Pena - detenção, de dois meses a um ano (grifos
I - Incapacidade permanente para o trabalho; nossos).
II - enfermidade incurável;

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Direito Penal

QUESTÃO 60 sujeito ativo, que deve exercer alguma forma de poder -


cuidado, guarda, vigilância ou autoridade sobre a vítima,
Gabarito: CORRETO. de maneira que não pode ser praticado por qualquer
Feedback: O crime preterdoloso – ou preterintencional – pessoa. Crime de perigo concreto porque o risco é criado
é aquele em que há uma mistura de duas condutas, uma para uma ou para um número determinado de pessoas,
inicial, dolosa e outra final, culposa. O agente pratica uma individualizadas.
ação visando um determinado resultado lesivo que, no
entanto, vai além de suas expectativas, agravando sua QUESTÃO 63
atividade criminosa.
Há no crime preterdoloso uma combinação de dois Gabarito: ERRADO
elementos, o dolo e a culpa, sendo que a conduta inicial é Feedback:
praticada de forma dolosa, enquanto que o resultado final
dela advindo é culposo, como ocorre no crime de lesões CPB – Art. 135 Deixar de prestar assistência, quando
corporais seguidas de morte, também chamado homicídio possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança
preterintencional, previsto no art. 129 §3ª do CPB: abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou
ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou
Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:
o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
produzi-lo:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze) anos (grifos Importante ressaltar que além do dever de agir, para que
nossos). incorra no crime omissivo o sujeito ativo deve possuir
condições fáticas de evitar o resultado, precisa ele ter não
O agente somente responderá pelo crime qualificado somente o dever, mas também o poder para agir.
pelo resultado quando atuar ao menos com culpa em
sentido estrito com relação ao evento acrescido ao tipo A omissão de socorro só se torna penalmente relevante
fundamental (MIRABETE. Manual de direito penal. Volume quando o acusado pode agir sem pôr em risco a sua
01. São Paulo: Atlas, 12ª edição, 1997, p. 150). própria vida, porquanto a lei não obriga ninguém a
ser herói ou santo, isto é, a sacrificar-se por amor ao
O sujeito ativo só será responsabilizado pelo resultado próximo (TACRSP – RT 604/370).
mais danoso, que agrava o crime, se este evento tiver
sua origem derivada de uma conduta que ele tenha QUESTÃO 64
praticado com imprudência, negligência ou imperícia. No
caso das lesões seguidas de morte, a culpa se manifesta Gabarito: CORRETO.
comumente de duas formas, através da lesividade do meio Feedback: A rixa qualificada está prevista no parágrafo
empregado ou da letalidade da região atingida. único do art. 137 do CPB:

QUESTÃO 61 Se ocorre morte ou lesão corporal de natureza grave,


aplica-se, pelo fato da participação na rixa, a pena de
Gabarito: ERRADO detenção, de seis meses a dois anos (grifos nossos).
Feedback: São delitos de perigo concreto, e não abstrato
como informa a assertiva. Considerando o melhor entendimento jurisprudencial:
No mais, a afirmação traz o conceito doutrinário aplicado
aos crimes de periclitação à pessoa. Se ocorre conflito generalizado, com a efetiva
participação de três ou mais pessoas, uma das quais
QUESTÃO 62 sofre ferimento grave, configurada estará a rixa
qualificada (CP, art. 137, parágrafo único), crime pelo qual
Gabarito: CORRETO responderão todos os contendores (TJRJ – RT 550/354).
Feedback: No mesmo sentido, não se exime da pena de rixa
qualificada o participante que sofre a lesão de natureza
CPB – Art. 133. Abandonar pessoa que está sob seu grave. Não se trata de puni-lo pelo mau que sofreu, mas
cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por por ter tomado parte na rixa, cuja particular gravidade
qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos é atestada precisamente pela lesão que lhe foi infligida
resultantes do abandono: Pena – detenção, de seis (TACRSP – RT 423/390 e JTACRIM 22/235).
meses a três anos.
Assim, havendo morte ou lesão corporal de natureza grave
Crime omissivo porque caracteriza-se pelo verbo durante uma rixa, todos os seus participantes deverão
abandonar, que significa deixar à própria sorte, sofrer maior punição, independentemente de serem ou
desamparar. não os responsáveis diretos pelo resultado, incidindo no
crime de rixa qualificada.
Crime próprio, exigindo uma característica especial do

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Direito Penal

QUESTÃO 65 Segundo a jurisprudência,


para a caracterização do crime de calúnia, os fatos
Gabarito: CORRETA. definidos como crime devem ser específicos, concretos
Feedback: e inequívocos (TACRSP – RJDTACRIM 6/227), assim (...)
não a tipifica o mero epíteto de ladrão, receptador,
Para a jurisprudência, “rixa é luta violenta e perigosa estelionatário, amigo do alheio, indébito aproveitador
entre mais de duas pessoas. Caracteriza-se por certa ou outro labéu sem mais circunlóquio (TACRSP – JTACRIM
confusão e pela reciprocidade da agressão. O mero 56/88).
ataque de várias pessoas a outro grupo não a constitui”
(TJSP – RT 593/326). Acerca da natureza dos fatos imputados à vítima,
Nesse mesmo sentido, tem-se que “rixa, conflito iniciado inexistindo no escrito incriminado fato definido como
entre dois agentes que acabou se generalizando, dele crime não se configura a calúnia, visto que na falsa
participando quatro acusados. Briga onde cada qual acusação que ela consubstancia há necessidade de que
agia contra qualquer dos contendores” (TJSC – JCAT se exponha a ação do ofendido a algum delito previsto
69/490-1). na lei penal (TACRSP – RT 567/339). Desta forma, falsa
imputação de fato meramente contravencional poderá
Assim, a co-autoria é obrigatória, tratando-se de crime constituir difamação, mas não calúnia (TACRSP –
plurissubjetivo, que demanda a participação de mais de um JTACRIM 60/131).
sujeito ativo para que possa ser executado. Também são
conhecidos como crimes de concurso necessário. A própria Ainda,
tipificação desta espécie de crime exige a presença de para a caracterização do crime de calúnia é necessária a
duas ou mais pessoas no pólo ativo da relação criminosa, presença da ‘falsidade’, onde o ofensor tem a consciência
cada qual com uma conduta particular. de atribuir ao ofendido a prática de um ato delituoso,
sabendo não corresponder a verdade (STJ – RT 752/532).
QUESTÃO 66
QUESTÃO 69
Gabarito: CORRETO.
Feedback: Literal definição do crime de injúria, previsto no Gabarito: ERRADO
art. 140 do CPB Feedback: Considerando o § 2º do art. 138 do CPB

Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: É punível a calúnia contra os mortos (grifos nossos).
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa (grifos
nossos). QUESTÃO 70

Trata-se da denominada honra subjetiva, a imagem que a Gabarito: CORRETO


vítima faz de si mesma. Feedback: Conforme se depreende da leitura do §1º do art.
140 do CPB
QUESTÃO 67
O juiz pode deixar de aplicar a pena:
Gabarito: ERRADO I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou
Feedback: Tendo por base o art. 143 do CPB diretamente a injúria; (grifos nossos).

O querelado que, antes da sentença, se retrata QUESTÃO 71


cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de
pena (grifos nossos). Gabarito: ERRADO
Feedback: Atentando para o art. 144 do CPB
Não cabe a retratação se o crime for de injúria.
Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia,
QUESTÃO 68 difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir
explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou,
Gabarito: CORRETO. a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela
Feedback: É o delito insculpido no art. 138 do CPB ofensa (grifos nossos).

Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato Nos moldes da jurisprudência


definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a O pedido de explicações constitui típica providência
dois anos, e multa (grifos nossos). de ordem cautelar, destinada a aparelhar a ação
penal principal, tendente a sentença condenatória.
No caso narrado, resta evidenciada a intenção em macular O interessado, ao formulá-lo, invoca, em Juízo, tutela
a honra objetiva da vítima, com a distribuição do panfleto cautelar penal, visando a que se esclareçam situações
aos outros condôminos. de equivocidade, ambiguidade ou dubiedade, a fim

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Direito Penal

de que se viabilize o exercício futuro de ação penal invasor às sanções legais.


condenatória (STF – RT 694/412). Não admite a forma tentada.
Nesse sentido, para constituir crime contra a honra
devem os fatos que o configurariam ser sempre claros Não há possibilidade de se caracterizar a tentativa nos
e positivos. Sua obscuridade ou equivocidade obrigam crimes de mera conduta, que dispensam a consideração
o prévio pedido de esclarecimento (TJSP – RT 594/299). de qualquer resultado. O elemento subjetivo do fato
típico se perfaz com a simples conduta, decorrendo daí
Verifica-se que o pedido de explicações em juízo é cabível que a ação se completa e o crime se consuma, ou a ação
em todos os delitos contra a honra, não havendo qualquer não se integra e o crime deixa de existir. Nesse caso
exceção ao crime de injúria, como postula a assertiva. está o crime de invasão de domicílio em que, ademais,
como delito de índole subsidiária, a tentativa não se
QUESTÃO 72 caracteriza no tipo puro (TACRSP – JTACRIM 2/35).

Gabarito: ERRADO QUESTÃO 75


Feedback: O instituto da exceção da verdade, previsto
no CPB para os crimes contra a honra, é aplicável tão Gabarito: CORRETO
somente aos delitos de calúnia e difamação, nesta, apenas Feedback: Nos §§ 4º e 5º do art. 150 o Código Penal tratou
se cometida contra funcionário público, não sendo cabível de conceituar a expressão “casa” para os efeitos que busca
na hipótese de injúria. alcançar
Para a calúnia, está prevista no §3º do art. 138
§ 4º - A expressão “casa” compreende:
“Admite-se a prova da verdade, salvo: I - qualquer compartimento habitado;
I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, II - aposento ocupado de habitação coletiva;
o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; III - compartimento não aberto ao público, onde alguém
II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas exerce profissão ou atividade.
no nº I do art. 141; § 5º - Não se compreendem na expressão “casa”:
III - se do crime imputado, embora de ação pública, o I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação
ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível (grifos coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do
nossos). parágrafo anterior;
II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero.
No caso de difamação, o dispositivo legal é o parágrafo
único do art. 139 Sobre a abrangência do conceito de “casa”, se manifesta a
A exceção da verdade somente se admite se o ofendido jurisprudência
é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de
suas funções (grifos nossos). A expressão ‘casa’ contida no caput do art. 150 do
estatuto penal é a mais ampla possível, abrangendo
QUESTÃO 73 qualquer compartimento habitável, ainda que em
caráter eventual (TACRSP – JTACRIM 93/273).
Gabarito: ERRADO Nesse sentido, não caracteriza o crime de violação
Feedback: O constrangimento ilegal e a ameaça, tipos de domicílio a entrada em casa desabitada (TJSC – RT
penais básicos dos crimes contra a liberdade individual, 396/368).
são considerados delitos subsidiários, que só geram Ainda, o conceito de ‘dependência’ da casa, além de cada
responsabilidade penal própria quando não integram a uma de suas peças ou cômodos, compreende os locais
estrutura de outro tipo penal, mais grave. e construções que a ela funcionalmente se incorporam,
Haverá a anulação da norma subsidiária pela principal, como garagens, pátios, jardins e quintais devidamente
aplicando-se aquela somente quando inexistir no fato separados do exterior (TACRSP – JTACRIM 57/316).
delituoso um ou mais elementos da norma principal. No
crime de roubo, sempre cometido por meio da violência, QUESTÃO 76
física ou moral, esta violação – ameaça e constrangimento
é subsidiária à subtração patrimonial, aplicando-se ao caso Gabarito: ERRADO
concreto somente a figura mais grave, principal – roubo. Feedback: Conhecido vulgarmente como “Boa Noite
Cinderela”, o caso enunciado deve ser tipificado como
QUESTÃO 74 roubo, na modalidade própria, eis que inserido no caput do
art. 157 do CPB:
Gabarito: ERRADO
Feedback: É delito de mera conduta, onde a lei não Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,
exige qualquer resultado naturalístico, contentando-se mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
meramente com a conduta realizada pelo sujeito ativo. A depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
mera entrada ou permanência dentro da residência alheia impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de
sem a devida permissão já constitui o delito, sujeitando o quatro a dez anos, e multa (grifos nossos).

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Direito Penal

Os outros meios a que se refere a lei são aqueles que Considerando que o emprego de arma de fogo na execução
impossibilitem ou dificultem a defesa da vítima, como a do delito de roubo majora a pena para o crime, sendo
utilização de narcóticos, de bebidas alcoólicas etc. Tendo estrutural desta forma agravada, não pode caracterizar
por base a jurisprudência, crime autônomo – porte de arma, sob pena de violar o
princípio do non bis in idem, uma garantia da proibição
Mesmo que se admita tenha a vítima sido subjugada da dupla valoração e punição, por um mesmo ato. Desta
mediante o uso de narcótico, ainda subsistirá o roubo, forma, veda-se nova valoração de qualquer circunstância
marcado não só pelo emprego de violência ou grave que já tenha sido considerada pelo julgador na aplicação
ameaça, como pelo uso de qualquer meio que prive da pena.
aquela do poder de agir, depois de havê-la, por
qualquer, reduzido à impossibilidade de resistência QUESTÃO 79
(TACRSP – RT 440/428).
Gabarito: ERRADO
QUESTÃO 77 Feedback: O crime de extorsão não é considerado crime de
mera conduta, mas sim crime formal, aquele que, apesar
Gabarito: CORRETO de possuir um resultado naturalístico previsto na norma
Feedback: O crime de roubo está tipificado no já tratado jurídica incriminadora, não dependem de sua ocorrência
art. 157 caput: para que seja tido como consumado. Não é necessário
que efetivamente ocorra o que foi pretendido pelo
Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, agente. É conhecido também como crime de consumação
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou antecipada, uma vez que tal consumação coincide com o
depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à momento da prática da conduta e não com a ocorrência do
impossibilidade de resistência: resultado, como nos crimes materiais.
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
O crime de extorsão é considerado formal segundo a
No §1º do dispositivo, encontramos a figura denominada Súmula n.º 96 do Superior Tribunal de Justiça:
roubo impróprio:
O crime de extorsão consuma-se independentemente da
Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída obtenção da vantagem indevida.
a coisa, emprega violência contra pessoa ou grave
ameaça, a fim de assegurar a impunidade do crime ou a Cumpre salientar que caso ocorra o resultado
detenção da coisa para si ou para terceiro (grifos nossos). naturalístico nesta espécie de infração, teremos a figura
do exaurimento. A distinção para os crimes de mera
A distinção entre as duas espécies de roubo reside na conduta é que nestes a lei não prevê qualquer resultado
execução do crime, sendo que na modalidade imprópria naturalístico, contentando-se meramente com a conduta
o agente emprega a violência contra a pessoa ou grave realizada pelo sujeito ativo.
ameaça não como meio à subtração, mas após esta, a
fim de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da QUESTÃO 80
coisa.
Gabarito: ERRADO
À semelhança do caso enunciado, dispõe a jurisprudência Feedback: O agente que, no intuito de obter senha de
que cartão bancário, priva a vítima de liberdade e, obtendo
êxito, a liberta não incorre em crime de sequestro em
comete roubo impróprio consumado o agente que, na concurso formal com furto, eis que pratica a violência
ausência da vítima, ingressa na casa desta e subtrai um – privação da liberdade com único e inequívoco intuito
rádio-relógio, mas ao sair, em se vem do surpreendido de obter vantagem patrimonial, caracterizando crime
por ela, simula portar arma e a ameaça de morte, único, complexo, em que ocorre a violação de dois ou mais
visando assegurar a posse da coisa, com a qual se direitos na execução delituosa – liberdade e patrimônio.
afastou (TACRSP – RJDTACRIM 28/44).
Trata-se da hipótese popularmente conhecida como
QUESTÃO 78 sequestro relâmpago, uma extorsão qualificada,
tipificada expressamente no § 3º do art. 158 CPB:
Gabarito: ERRADO
Feedback: Conforme o §2ª-A, inciso I do art. 157, incluído Se o crime é cometido mediante a restrição da
recentemente no CPB pela Lei nº 13.654/18 liberdade da vítima, e essa condição é necessária
para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de
CPB – Art. 157 (...) reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente
arma de fogo; (grifos nossos).

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Direito Penal

QUESTÃO81 boa-fé, a adquira, receba ou oculte:


Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Gabarito: CORRETO
Feedback: É o que define a Súmula nº 610 do STF Tem como principal característica ser crime acessório,
que depende diretamente da prática de outra infração
Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, para poder ser cometido. A expressão coisa que sabe ser
ainda que não se realize o agente a subtração de bens produto de crime manifesta a necessidade expressa de
da vítima haver outro crime, anterior, para que se possa falar em
receptação, ainda que não se saiba exatamente a autoria
Nestes mesmos termos, “caracteriza-se o crime de do crime principal, do qual proveio a coisa.
latrocínio consumado, e não de homicídio, quando o agente
ocasiona a morte da vítima, ainda que não consiga realizar O crime de receptação dolosa (art. 180 caput do CP)
a subtração de bens, caso em que é competente para o pressupõe crime antecedente e o receptador não pode
julgamento o Juiz Criminal e não o Tribunal do Júri” (STF – ser responsabilizado sem que definitivamente se declare
RT 744/517). a existência desse pressuposto. Pressupõe, ainda, o
conhecimento pelo acusado da origem criminosa da
QUESTÃO82 coisa e identificação da pessoa que transmitiu o bem.
Sem tais elementos é impossível a caracterização do
Gabarito: ERRADO delito (TJSP – RT 663/293).
Feedback: Dano criminoso é apenas o comportamento Nesse Sentido, sendo certa a existência do furto
doloso, eis que a legislação penal não prevê expressamente anterior, não são as alegadas dúvidas sobre a sua
a forma culposa, que em ocorrendo redundará em autoria capazes de afastar a responsabilidade do
atipicidade penal, restando efeitos civis, apenas. receptador. As circunstâncias do recebimento da ‘res’,
altas horas da noite, na surdina, denunciam o verdadeiro
O crime de dano é essencialmente doloso. Não há, em caráter da aquisição, sabidamente originária de furto
nosso ordenamento jurídico, dano culposo (TACRSP – RT anterior (TAPR – RJT 65/285).
538/370).
No §4º temos a previsão legal de autonomia punitiva para
QUESTÃO 83 a receptação.

Gabarito: ERRADO CPB – Art. 180 (...)


Feedback: No art. 171 do Código Penal está previsto o crime § 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido
de ESTELIONATO ou isento de pena o autor do crime de que proveio a
coisa.
CPB – Art. 171 – Obter, para si ou para outrem, vantagem
ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo QUESTÃO 85
alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer
outro meio fraudulento: Gabarito: ERRADO
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de Feedback: Fundamental que reste comprovado que
quinhentos mil réis a dez contos de réis. o receptador, aquele que oculta coisa de procedência
criminosa, não seja o autor do crime principal de onde
Conforme o dispositivo penal, Estelionato é delito material proveito o objeto, pois o delito previsto no art. 180 diz
e de dano, que exige a concreta violação do bem jurídico respeito à condutas – adquirir, receber, transportar,
– patrimônio e o respectivo resultado lesivo – prejuízo conduzir ou ocultar alheias a este crime.
material, para que reste consumado, completo.
Este resultado se dá instantaneamente com a obtenção O autor ou coautor do crime de furto não comete o de
da vantagem em decorrência do ato fraudulento, que receptação quando pratica um dos verbos previstos no
engana a vítima, fazendo-a dispor do próprio patrimônio. art. 180 do CP. Sua ação posterior é considerada ‘post
Sem a lesão ao bem jurídico não resta configurado o crime, factum’ não punível (TARS – RT 738/696-7 e RT 585/375).
podendo ser admitida tão-somente a forma tentada.
QUESTÃO 86
QUESTÃO 84
Gabarito: ERRADO
Gabarito: CORRETO Feedback: É modalidade de crime permanente, eis que
Feedback: No art. 180 do Código Penal está previsto o enquanto a ligação clandestina que desvia a energia para o
crime de Receptação Dolosa. benefício do autor do delito – ou de terceiro, está acionada,
funcionando, em operação, a subtração é ininterrupta, se
CPB – Art. 180 – Adquirir, receber, transportar, conduzir prolongando no tempo.
ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe
ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de CPB – Art. 155 (...)

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Direito Penal

§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou ao local onde estava o patrimônio almejado, o qual não foi
qualquer outra que tenha valor econômico. ao final subtraído pelo fato de haver soado um barulho,
motivando Júlia a sair do local sem nada levar. Assim,
Sobre o tema, informa a jurisprudência foi uma circunstância alheia à vontade que impediu a
consumação do delito, o que caracteriza o crime tentado,
Há furto de energia elétrica quando o agente, antes nos termos do art. 14, inciso II do CPB:
mesmo de passar pelo medidor, desvia a corrente
para consumo, em prejuízo do fornecedor (TJSC – JCAT Diz-se o crime: II - tentado, quando, iniciada a execução,
75/707). não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente.
Para que o agente que coloca fio clandestino no relógio
de força da vítima, visando desviar para sai a energia Luiz acabou sendo detido, sendo que era sabedor
daquela, seja condenado pelo crime de furto de energia dos detalhes da empreitada, ou seja, que sua irmã se
elétrica, é necessário prova pericial para constatação aproveitava da confiança em si depositada pelo diretor do
da materialidade do delito, ou seja, da existência do nexo escritório para ali entrar e praticar o furto, tendo assim
de causalidade entre a colocação do fio e a subtração da também se beneficiado por tal circunstância, elementar
eletricidade (TACRSP – RJDTACRIM 22/334). da qualificadora. Desta forma, resta caracterizada
tentativa duplamente qualificada para os dois envolvidos,
QUESTÃO 87 pelo abuso de confiança e pelo concurso de agentes, nos
termos dos incisos II e IV do §4º do art. 155 do CPB:
Gabarito: CORRETO
Feedback: Com base na jurisprudência, A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o
crime é cometido:
“a fraude no furto consiste no enliço, no ardil para II - com abuso de confiança, ou mediante fraude,
distrair a atenção da vítima, que sequer percebe estar escalada ou destreza;
sendo furtada”(grifos nossos) (TACRSP – RJDTACRIM IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas”
11/98 e JTACRIM 43/233). (grifos nossos).
Nesse sentido, “consoante tranquilo na doutrina, a fraude
no furto compreende não só o expediente insidioso que QUESTÃO 89
desvia a atenção da vítima e facilita a subtração, mas
também o emprego de qualquer meio ardiloso destinado Gabarito: CORRETO
a vencer as defesas pré-constituídas pela vítima para a Feedback: A figura do furto qualificado está prevista no
defesa de seu patrimônio” (TAPR – RT 729/632). §4º do art. 155 do CPB:

Aspecto importante a esclarecer é a distinção entre o crime A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o
de furto qualificado pela fraude e o delito de estelionato, crime é cometido:
onde também se verifica uma conduta ardilosa por parte do I - com destruição ou rompimento de obstáculo à
sujeito. Neste, a fraude age como vício de consentimento, subtração da coisa;
fazendo com que a vítima entregue voluntariamente ao II - com abuso de confiança, ou mediante fraude,
sujeito o seu patrimônio, enquanto que no furto qualificado escalada ou destreza;
o engodo é utilizado para desviar a atenção da vítima, que III - com emprego de chave falsa;
sequer percebe que seus bens estão sendo subtraídos. IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.

Neste sentido, “configura o crime de furto qualificado Não há qualquer referência à grave ameaça, que em
por fraude e não estelionato a conduta do agente que, ocorrendo ensejará a tipificação do crime de roubo,
prontificando-se a ajudar a vítima a efetuar operação previsto no art. 157 do CPB, e não o de furto qualificado:
em caixa eletrônico, subtrai seu numerário sem que
esta perceba, vez que no delito do art. 171 do CP o ardil Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,
precede a obtenção da vantagem ilícita e é fator causal mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou
para a entrega de valor pela vítima ao estelionatário, depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
pois sua vontade encontra-se viciada pelo expediente impossibilidade de resistência: Pena - reclusão, de
fraudulento” (TACRSP – RJDTACRIM 26/118). quatro a dez anos, e multa (grifos nossos).

QUESTÃO 88 QUESTÃO 90

Gabarito: CORRETO Gabarito: ERRADO


Feedback: No caso narrado resta evidenciado o elemento Feedback: O furto privilegiado, para se configurar, exige
subjetivo do furto, eis que Júlia pretendia realizar a que dois requisitos sejam preenchidos, conforme se
subtração dos bens, para o que era auxiliada pelo irmão depreende da leitura do §2º do art. 155:
Luiz, em ato de cumplicidade. Ambos haviam adentrado

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Direito Penal

Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa o delito de furto e, sim, o de exercício arbitrário das
furtada, o juiz pode substituir a pena de reclusão pela próprias razões (TAPR – RT 522/439)
de detenção, diminuí-la de um a dois terços, ou aplicar Mais, não caracteriza o crime de furto, por ausente o
somente a pena de multa” (grifos nossos). dolo específico, apoderar-se de coisa móvel alheia para
pagar-se de dívida não satisfeita pelo seu dono (TACRSP
Nota-se que são dois os pressupostos, concorrentes, – JTACRIM 66/282).
para o reconhecimento da privilegiadora. Inicialmente,
exige-se a primariedade do autor do crime, que não pode QUESTÃO 93
ter sido condenado definitivamente por crime anterior; e
é necessário que a res furtiva seja de pequeno valor, o que Gabarito: CORRETO
se aufere mediante laudo de avaliação econômica, a ser Feedback: O delito de apropriação indébita está tipificado
confeccionado por perito oficial. no art. 168 do CPB:
Assim, nem sempre que o autor de furto for primário,
deverá sua conduta ser analisada como “furto privilegiado”, Apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse
eis que dependerá ainda do valor do objeto subtraído. ou a detenção: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e
multa (grifos nossos).
QUESTÃO 91
Trata-se de um crime patrimonial simples, sem violência,
Gabarito: ERRADO onde o sujeito ativo tem a posse lícita do objeto, passando
Feedback: Recorrendo à doutrina de Guilherme de Souza a agir como se dono fosse, sendo este o seu momento
Nucci consumativo.

“coisa é tudo aquilo que existe, podendo tratar-se de Considerando a jurisprudência,


objetos inanimados ou de semoventes. No contexto dos
delitos contra o patrimônio (conjunto de bens suscetíveis “a apropriação indébita, nos expressos termos do art. 168
de apreciação econômica), cremos ser imprescindível do CP de 1940, pressupõe a anterior posse ou detenção
que a coisa tenha, para o seu dono ou possuidor, algum da coisa móvel pelo agente. Nela, a coisa não é subtraída
valor econômico” (NUCCI, 2008, p. 706). ou ardilosamente captada de seu dono, pois já estava
no legítimo e desvigiado poder de disponibilidade física
Considerando a jurisprudência, daquele” (TACRSP – RT 598/350).
Nesse sentido, “essa posse não pode, entretanto, ter sido
“a coisa subtraída deve representar para o dono se obtida por meios ilegais ou criminosos, sob pena de se
não um valor reduzível a dinheiro, pelo menos uma desfigurar o crime em apreço” (TACRSP – RT 522/395).
utilidade (valor de uso), seja qual for, de modo que posse
ser considerada como integrante de seu patrimônio” Acerca da consumação,
(TACRSP – RT 574/362).
“a consumação do delito de apropriação indébita ocorre
No caso em comento a planta subtraída pelo sujeito era quando o agente transforma a posse ou a detenção da
rara e valiosa, integrando assim o conceito de coisa para a coisa em domínio” (STJ – RJDTACRIM 16/227).
tipificação do delito de furto. Assim, “em se tratando do delito de apropriação
indébita, em que o elemento subjetivo corresponde a
QUESTÃO 92 uma subjetiva manifestação de vontade de inverter o
título de mera detenção em domínio, a demonstração
Gabarito: ERRADO do dolo é feita, de regra, através de elementos indiretos
Feedback: O crime de furto exige ânimo, intenção de de convencimento, mas harmônicos e convergentes”
subtrair coisa alheia móvel, para dela se apoderar (TACRSP – RJDTACRIM 28/47).
ilicitamente. Assim, caso o sujeito subtraia coisa para
ressarcir prejuízo sofrido restará caracterizado o crime de E mais,
exercício arbitrário das próprias razões, previsto no art.
345 do CPB: “a simples demora na restituição ou desídia na omissão
não caracteriza a apropriação indébita. É necessário,
Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer antes de tudo, não confundir tal delito com os casos em
pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o que apenas cabe recurso ao juízo civil” (TACRSP – RT
permite: Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou 613/345).
multa, além da pena correspondente à violência. Nesse diapasão, “a figura de apropriação indébita
pressupõe o dolo específico, ou seja, tomar para si a
Nos moldes da jurisprudência, coisa de que tem a posse, com a vontade de não restituí-
la, ou desviá-la da finalidade para a qual recebeu, não
aquele que se apropria de coisa alheia para se ressarcir sendo punível a título culposo” (STJ – RT 737/563).
de prejuízo acarretado pelo dono desta não comete

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Direito Penal

QUESTÃO 94 previstos neste título, em prejuízo:


I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;
Gabarito: CORRETO II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco
Feedback: Conforme visto, a apropriação indébita se legítimo ou ilegítimo, seja civil ou natural (grifos nossos).
caracteriza pela anterior posse ou detenção do objeto,
sendo certo que ao obter tal posse, o sujeito deve É uma imunidade absoluta relativa aos crimes contra
estar agindo licitamente, sem dolo de tomá-lo para si. o patrimônio, especificamente aqueles praticados sem
Caso contrário, poderá estar configurado um crime de violência ou grave ameaça à pessoa.
estelionato, onde o agente desde o início tem por intenção Nos termos da jurisprudência,
se apoderar da coisa alheia e engana o proprietário,
assumindo a posse do bem. “no furto praticado contra ascendente, a ação do agente
é antijurídica, mas descabe a aplicação de pena” (TJSC –
Nos moldes da jurisprudência, RT 423/450).

“ambos são crimes dolosos, materiais, em que o lesado Seguindo os ensinamentos de Julio Fabbrini Mirabete,
é atingido no mesmo bem juridicamente tutelado: o
patrimônio. A tipicidade que é diversa, no estelionato o “a imunidade absoluta caracteriza-se pela isenção de
dolo está no antecedente, e na apropriação indébita o pena, de modo que não pode ser instaurado inquérito
dolo é subsequente à posse” (STF – RTJ 83/287). policial e muito menos ação penal contra o beneficiário,
No mesmo sentido, “o delito previsto no art. 168 do CP por falta de interesse de agir, vez que não é possível a
difere do capitulado no art. 171, pois no primeiro o dolo imposição de pena. Há antijuridicidade e culpabilidade do
deve ser subsequente, isto é, posterior ao recebimento fato, mas não é aplicável a sanção penal. Não havendo
lícito da coisa, ao passo que no segundo deve ser interesse de agir e, portanto, uma das condições da
antecedente e visando à obtenção do desejado” (TACRSP ação, o processo dever ser declarado nulo ab initio”
– RT 535/323). (MIRABETE, 2005, p. 1686).

QUESTÃO 95 QUESTÃO 96

Gabarito: CORRETO Gabarito: CORRETO


Feedback: Considerando a Teoria Geral do Crime, o Feedback: O conceito de funcionário público é previsto no
comportamento de Jorge se adequa perfeitamente ao tipo art. 327 do Código Penal, tratando-se de uma interpretação
penal insculpido no art. 155 do CPB, que trata do crime de autêntica, legal e assim de adoção obrigatória da
furto: expressão.

Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel: CPB – Art. 327 Considera-se funcionário público, para os
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa”. efeitos penais, quem, embora transitoriamente ou sem
remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública.
Portanto, há tipicidade penal.
Não agiu acobertado por qualquer excludente de ilicitude, No § 1º do dispositivo temos a definição do funcionário
previstas no art. 23 do CPB: público por equiparação, onde incluem-se os funcionários
terceirizados, empregados de prestadoras de serviço que
“Não há crime quando o agente pratica o fato: realizam atividades típicas de Estado.
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa; CPB – Art. 327 (...)
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício § 1º Equipara-se a funcionário público quem exerce
regular de direito”. cargo, emprego ou função em entidade paraestatal,
e quem trabalha para empresa prestadora de serviço
Assim, presente está a antijuridicidade. contratada ou conveniada para a execução de atividade
típica da Administração Pública
Jorge era maior imputável, de forma que não é verificada
na hipótese qualquer excludente de culpabilidade, QUESTÃO 97
reconhecidas como a inimputabilidade, a falta do potencial
conhecimento da ilicitude e a inexigibilidade de conduta Gabarito: ERRADO
diversa, que ocorre nos casos de obediência hierárquica e Feedback: Por faltar o elemento subjetivo – dolo a
coação moral irresistível. Destarte, seu comportamento é Antônio, não se caracteriza o concurso de agentes, de
culpável. forma que cada envolvido terá responsabilidade distinta
e independente.
Todavia, nos termos do art. 181 do CPB: Cesar está incurso no peculato-furto, uma forma dolosa
descrita no art. 312 § 1º do Código Penal.
É isento de pena quem comete qualquer dos crimes

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Direito Penal

CPB – Art. 312 (...) terceira pessoa – outrem, dando ensejo assim à forma
§ 1º - Aplica-se a mesma pena, se o funcionário público, menos grave de corrupção passiva.
embora não tendo a posse do dinheiro, valor ou bem,
o subtrai, ou concorre para que seja subtraído, em QUESTÃO 100
proveito próprio ou alheio, valendo-se de facilidade que
lhe proporciona a qualidade de funcionário. Gabarito: CORRETO

No § 1º temos uma forma peculiar de peculato, consistente Feedback: Nos exatos termos do art. 316 do CP
na conduta subtrair. Em razão disto a doutrina o classifica
peculato-furto, ou impróprio. CPB – Art. 316 Exigir, para si ou para outrem, direta ou
indiretamente, ainda que fora da função ou antes de
Por sua vez, Antônio responderá pela forma culposa de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida:
peculato, prevista no § 2º do dispositivo. Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.

CPB – Art. 312 (...)


§ 2º - Se o funcionário concorre culposamente para o
crime de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano.

QUESTÃO 98

Gabarito: CORRETO
Feedback: Nos termos do art. 317 do CPB, a corrupção
passiva é definida como

CPB – Art. 317 Solicitar ou receber, para si ou para outrem,


direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou
antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem
indevida, ou aceitar promessa de tal vantagem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos, e multa.

A corrupção passiva na conduta descrita – aceitar


promessa é crime formal, não exigindo que o funcionário
receba efetivamente a vantagem indevida para se
consumar, sendo apenas o eventual exaurimento do crime.

QUESTÃO 99

Gabarito: ERRADO
Feedback: Trata-se da forma privilegiada da corrupção
passiva, prescrita no § 2º do art. 317.

CPB – Art. 317 (...)


§2º Se o funcionário pratica, deixa de praticar ou retarda
ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo
a pedido ou influência de outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa.

A prevaricação está definida no art. 319 do CP.

CPB – Art. 319 Retardar ou deixar de praticar,


indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra
disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou
sentimento pessoal:
Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa.

A distinção reside na circunstância que move a conduta


do funcionário ser própria – pessoal, e ele satisfaz esse
interesse ou sentimento, caracterizando a prevaricação;
ou se é alheia e ele cede a um pedido, uma influência de

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