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& Construções

ESTRUTURAS SISMO-RESISTENTES

RISCOS SÍSMICOS NO BRASIL Instituto Brasileiro do Concreto

E NORMALIZAÇÃO DA Ano XLVI

SEGURANÇA ESTRUTURAL 92
OUT-DEZ
2018
ISSN 1809-7197
www.ibracon.org.br

PERSONALIDADE ENTREVISTADA CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL 60º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO


E ENSINO DE ENGENHARIA
SÉRGIO HAMPSHIRE: PESQUISAS PREMIAÇÕES, CONCURSOS
SOBRE DINÂMICA DAS ESTRUTURAS, EDUCAÇÃO NO MUNDO DIGITAL E DEBATES OCORRIDOS
INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA NO EVENTO
E ANÁLISE SÍSMICA
Esta edição é um oferecimento das
seguintes Entidades e Empresas

IBRACON

Adote concretamente
a revista
CONCRETO & Construções
CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 5
u sumário

REVISTA OFICIAL DO IBRACON PRESIDENTE DO


Revista de caráter científico, tec- COMITÊ EDITORIAL
nológico e informativo para o setor à Guilherme Parsekian

produtivo da construção civil, para


o ensino e para a pesquisa em COMITÊ EDITORIAL – MEMBROS
concreto. à Alio Kimura

(informática no cálculo estrutural)


60º CONGRESSO
ISSN 1809-7197
Tiragem desta edição:
à Arnaldo Forti Battagin

(cimento & sustentabilidade)


BRASILEIRO DO CONCRETO
à Bernardo Tutikian

26
5.000 exemplares
Publicação trimestral distribuida
(tecnologia)
à Eduardo Barros Millen
Congresso dissemina conhecimento, tecnologias
gratuitamente aos associados
(pré-moldado)
à Enio Pazini Figueiredo e boas práticas da engenharia de concreto
JORNALISTA RESPONSÁVEL
(durabilidade)

36
à Fábio Luís Pedroso

MTB 41.728/SP
à Ercio Thomas

(sistemas construtivos)
Prêmio de Destaques 2018
fabio@ibracon.org.br à Evandro Duarte

(protendido)
PUBLICIDADE E PROMOÇÃO

39
à Frederico Falconi
à Arlene Regnier de Lima Ferreira

arlene@ibracon.org.br
(projeto de fundações)
à Guilherme Parsekian
Prêmio de Teses e Dissertações 2018
(alvenaria estrutural)
PROJETO GRÁFICO E DTP à Hugo Rodrigues
à Gill Pereira (cimento e comunicação)

40 Conferências plenárias
gill@ellementto-arte.com à Inês L. da Silva Battagin

(normalização)
à Íria Lícia Oliva Doniak
ASSINATURA E ATENDIMENTO
office@ibracon.org.br (pré-fabricados) trazem as novidades
à José Tadeu Balbo

GRÁFICA (pavimentação) das pesquisas sobre


à Luiz Carlos Pinto da Silva Filho
Coan Indústria Gráfica
Preço: R$ 12,00 (ensino) o concreto
à Mário Rocha

As ideias emitidas pelos entre- (sistemas construtivos)


à Paulo Eduardo Campos
vistados ou em artigos assinados

44
(arquitetura)
são de responsabilidade de seus
autores e não expressam, neces-
à Paulo Helene

(concreto e reabilitação)
Seminário disseminou informações sobre
sariamente, a opinião do Instituto. à Selmo Kuperman

(barragens)
a resistência do concreto ao fogo
© Copyright 2018 IBRACON

Todos os direitos de reprodução


reservados. Esta revista e suas
partes não podem ser reproduzidas
COORDENADOR DA SEÇÃO
DE CAPACITAÇÃO E ENSINO
à César Henrique Daher
49 Seminário debateu iniciativas para a qualidade
das construções em concreto
nem copiadas, em nenhuma forma IBRACON
de impressão mecânica, eletrônica,
ou qualquer outra, sem o consen-
timento por escrito dos autores
e editores.
Rua Julieta Espírito Santo
Pinheiro, 68 – CEP 05542-120
Jardim Olímpia – São Paulo – SP
Tel. (11) 3735-0202
52 Qualidade do concreto de centrais dosadoras
e misturadoras foi debatida em mesa-redonda

54 Seminário orientou profissionais quanto às boas


práticas construtivas

56 Conferência debate segurança operacional de


Instituto Brasileiro do Concreto

INSTITUTO BRASILEIRO DIRETOR DE EVENTOS


DO CONCRETO
Fundado em 1972
César Daher
barragens e conciliação de aspectos econômicos,
Declarado de Utilidade Pública
Estadual | Lei 2538 de 11/11/1980
DIRETOR TÉCNICO
Paulo Helene
sociais e ambientais em seu projeto e construção
Declarado de Utilidade Pública Federal
Decreto 86871 de 25/01/1982
DIRETOR DE RELAÇÕES
DIRETOR PRESIDENTE INSTITUCIONAIS

60
Julio Timerman Túlio Nogueira Bittencourt

DIRETOR 1º VICE-PRESIDENTE
Concursos integram
DIRETORA DE PUBLICAÇÕES
Luiz Prado Vieira Júnior E DIVULGAÇÃO TÉCNICA estudantes e
Íria Lícia Oliva Doniak
DIRETOR 2º VICE-PRESIDENTE
Bernardo Tutikian profissionais e agitam
DIRETOR DE PESQUISA
DIRETOR 1º SECRETÁRIO E DESENVOLVIMENTO
Leandro Mouta Trautwein
Congresso
Antonio D. de Figueiredo

DIRETOR 2º SECRETÁRIO DIRETOR DE CURSOS


Carlos José Massucato Enio José Pazini Figueiredo

DIRETOR 1º TESOUREIRO DIRETOR DE CERTIFICAÇÃO


Claudio Sbrighi Neto
DE MÃO DE OBRA
Gilberto Antônio Giuzio
DIRETOR 2º TESOUREIRO
Nelson Covas
DIRETORA DE ATIVIDADES
DIRETOR DE MARKETING ESTUDANTIS
Hugo Rodrigues Jéssika Pacheco

6 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


CAPACITAÇÃO PROFISSIONAL
E ENSINO DE ENGENHARIA

67 Ensinando e aprendendo no mundo digital

PESQUISA E DESENVOLVIMENTO
C R É D I TO S

72 Base sismológica para a zonificação sísmica


da ABNT NBR 15421
CAPA
Usina Nuclear
de Angra dos Reis.

Eletronuclear

78 Risco sísmico no
Zona 1

Zona 3
Zona 1
Zona 2

Brasil: ameaça,
normalização e Zona 4

Zona 0

vulnerabilidade Zona 2

seções
Quantidade de sismos
Acima de 200 sismos
Entre 51 e 200 sismos
Até 50 sismos
Nenhum

87 Estudo sobre a viabilidade do uso da modelagem


numérica em estruturas civis validadas por
8 Editorial
parâmetros modais obtidos em campo 10 Coluna Institucional
12 C onvers e c o m
94 Controle da resistência à compressão do concreto:
análise comparativa entre os procedimentos
o IBRA CON

propostos pela ABNT, ACI e EN 13 Encontros


e Notícias
NORMALIZAÇÃO TÉCNICA 20 P ers onalida d e
Entrevistada:
104 Os vergalhões e o concreto armado no Brasil
Sérgio Hamp sh i r e
102 Entidades
da Cadeia
104 Mantenedor :
Concreto do s
pilares e vig as
que s us pen d e m a
Capela Sant a Lu zi a
113 A contece
nas Regionai s

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 7


u editorial

Concreto: ontem,
hoje e amanhã!
Caro leitor,

D
izem que o concreto é o material mais uti- vidados, Dr. Roberto
lizado depois da água. É muito difícil en- Stark e Dr. Pedro Cas-
contrar uma edificação sem a presença de tro ambos, do México,
concreto, ou algum material cimentício, nos Prof. Ian Richardson, da
mais variados sistemas construtivos pos- Inglaterra, e Dr. Carlos
síveis. A grandeza das aplicações práticas do concreto Alberto Matias Ramos, de Portugal. Grandes discussões
não é menor que a relevância deste para a engenharia ocorreram nos Seminários “Segurança Contra Incêndio”,
nacional. Exemplo clássico dessa relevância é a própria “Controle Tecnológico”, “Boas Práticas na Execução”,
instalação da ABNT, cuja primeira norma, antiga NB1, “Novas Tecnologias”, “Mesas Redondas” e no evento pa-
foi a de projeto e execução de estruturas de concreto. ralelo “Dam World”.
Ao ler a excelente entrevista com o Professor Sérgio Infelizmente é necessário destacar os casos de duas
Hampshire, o leitor irá aprender, dentre vários outros tragédias recentes envolvendo estruturas de concreto e
pontos, que a criação da norma brasileira sobre ações aprender as lições. Ainda tenta-se entender o caso do
sísmicas (um dos temas desta edição) ocorreu por con- incêndio do Edifício Wilton Paes, o que levou ao colapso
ta de uma necessidade de internacionalização da norma dessa estrutura em tempo tão curto. Parte da resposta
brasileira NBR 6118 e contou com intensa participação é encontrada nos comentários do Prof. Paulo Helene na
do comitê de estruturas de concreto. Não perca essa seção desta edição que destaca a discussão durante o
aula em formato de entrevista. CBC. A partir dessa fica a questão: “é necessário con-
Muitas vezes sistemas desenvolvidos ou melhorados por siderar ações decorrentes de elevadas variações dife-
brasileiros têm reconhecimento mundial. Pode-se citar o renciais de temperaturas na situação de incêndio em es-
caso da alvenaria estrutural (arrisco dizer que o caso bra- truturas arrojadas de edifícios, em especial àquelas com
sileiro é o maior sucesso mundial desse sistema na histó- grandes balanços e não simetrias críticas?”.
ria moderna, como caminha a ser o sistema de paredes Outro caso é o desabamento parcial de viaduto da Margi-
de concreto moldadas no local) e vários casos de empre- nal Pinheiros, novamente na cidade de São Paulo. A cria-
sas nacionais que estão ganhando mercado na América tividade e competência da engenharia nacional traba-
do Sul e ao redor do mundo com sistemas de softwares lhou incansavelmente para, em curto tempo, escorar a
para projeto e detalhamento de estruturas, sistemas de estrutura e elaborar soluções para recuperação. Porém,
protensão, sistemas de formas. Construtoras brasileiras todo engenheiro sabe que o custo de manutenção preven-
realizam obras no mundo todo. Esse sucesso é fruto da tiva é uma ínfima parcela da despesa inevitavelmente gas-
dedicação, criatividade e competência dos profissionais ta quando ocorre um acidente e uma recuperação é ne-
brasileiros. Devemos ter orgulho desses exemplos. As cessária. Em edições anteriores, a Revista CONCRETO &
edições de 2018 trouxeram vários registros desses casos Construções apresentou procedimentos, normas, exem-
de sucesso. plos de casos, destacando a importância da inspeção
O Congresso Brasileiro do Concreto (CBC) é, anualmen- e manutenção programada de estruturas de concreto,
te, o fórum que reluz toda a excelência das várias tecno- como forma de garantir não apenas a fundamental se-
logias com uso deste material. Apesar do nome “Brasi- gurança dos usuários, mas também de evitar enormes
leiro”, nosso congresso é internacional, com participação prejuízos como o triste exemplo ora ocorrido. O IBRA-
de profissionais de 15 países, além dos palestrantes con- CON fez vários manifestos e tem um curso específico de

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Inspeção de Pontes, que já foi oferecido em São Paulo, For- dução na necessidade de manutenção. Se o concreto
taleza, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e outras cida- foi considerado um dos grandes vilões da emissão de
des. Registra-se outra pergunta: “A Engenharia Nacional tem CO 2, a incorporação de adições e resíduos nos cimentos
força e organização suficiente para mostrar e convencer as muito diminuiu essa emissão, além de estudos moder-
diversas esferas públicas, e a sociedade em geral, da im- nos indicarem que concretos e argamassas são capazes
portância de seguir procedimentos técnicos no projeto, exe- fixar parte do CO 2 liberado na sua confecção, ou seja,
cução e manutenção, ANTES da ocorrência de desastres?”. podem se transformar nos “mocinhos” sequestrando e
Por fim, devo comentar sobre o futuro. Se há dois sé- retirando o CO2 do meio ambiente. Existem hoje estudos
culos, a ideia genial de utilizar barras de aço dentro do para alterar o processo de cura de artefatos pré-fabri-
concreto abriu as portas do mundo ao concreto arma- cados de concreto (blocos e peças para pavimentação),
do, hoje caminha-se para concreto reforçado com fi- possibilitando a incorporação de CO2 na fabricação des-
bras, com substituição total ou parcial das barras. Se há sas peças, agregando valor ambiental. As cidades estão
poucos anos, nos impressionamos em como o concreto sendo transformadas em “inteligentes”. Todos esses são
com fck de 150 kgf/cm , padrão na construção de edi-
2
temas atuais em desenvolvimento e deverão fazer parte
fícios há menos de 50 anos, nem é mais utilizado hoje, das edições de 2019.
sendo substituído por concreto de 30, 60... 90 MPa (a
referência de unidade mudou também...quem sabe no Boa Leitura. Bom futuro, brasileiro!
futuro nossos projetos serão apresentados em mm),
encontrando-se atualmente, com uma certa frequência, GUILHERME A. PARSEKIAN
construções com concreto de ultra-altodesempenho com Presidente do C omitê E ditorial
mais de 150 MPa, garantindo grande durabilidade e re- Instituto Brasileiro do Concreto

COMENTÁRIOS E EXEMPLOS DE
APLICAÇÃO DA ABNT NBR 6118:2014
A publicação traz comentários e exemplos de aplicação da nova norma
brasileira para projetos de estruturas de concreto - ABNT NBR
6118:2014, objetivando esclarecer os conceitos e exigências normativas
e, assim, facilitar seu uso pelos escritórios de projeto.

Fruto do trabalho do Comitê Técnico CT 301, comitê formado por


especialistas do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) e da
Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural (ABECE),
para normalizar o Concreto Estrutural, a obra é voltada para engenheiros
civis, arquitetos e tecnologistas.

DADOS TÉCNICOS
ISBN 9788598576244
Formato: 18,6 cm x 23,3 cm
Páginas: 484
AQUISIÇÃO:
Acabamento: Capa dura
www.ibracon.org.br
Ano da publicação: 2015
(Loja Virtual)

Patrocínio

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 9


u coluna institucional

Atividades da Diretoria Técnica

S
egundo o artigo 34 do Então é missão do IBRACON com-
Estatuto do IBRACON, plementar o conhecimento sobre
cabe à Diretoria Téc- um determinado tema, visando ao
nica coordenar e esti- mesmo tempo gerar, atualizar e am-
mular as atividades dos pliar o conhecimento na área. Tam-
Comitês Técnicos CTs, promover bém é papel do Instituto agregar o
estudos, pesquisas e atividades de meio técnico e as Entidades parcei-
interesse do Instituto, coordenar os ras no desenvolvimento e na difusão
processos de premiação e promo- do conhecimento já consolidado ou
ver a normalização na área de con- mesmo em inovação. Esse é o obje-
creto e suas estruturas. tivo básico dos CTs, cada qual den-
Hoje se fala muito em “Segurança tro de sua especialidade.
Jurídica”, que tem como pressu- Os congressos anuais do IBRA-
posto o princípio da confiança mú- CON, que percorrem o Brasil inte-
tua, princípio básico do Estado de grando os profissionais e formado-
Direito, cujo objetivo principal é as- res de opinião de todas as regiões
segurar a estabilidade das relações do país, promovem o ambiente
já consolidadas. Nessa linha, cabe ideal para a difusão e as discussões
fazer um paralelo com o conceito de “Segurança Tec- técnicas, tendo sido palco de várias reuniões dos CTs.
nológica” ou “Confiança Tecnológica” num determinado Durante o 60º Congresso Brasileiro do Concreto
sistema produtivo. 60CBC2018, em Foz do Iguaçu, tomaram posse na dire-
A opção, de um investidor sério e consciente, por um ção do CTA, os dez novos membros cujo objetivo princi-
sistema construtivo, ocorre na medida direta da seguran- pal é “gerir” o processo de funcionamento dos CTs.
ça e confiança tecnológica que esse sistema oferece e O evento foi palco do lançamento do “Guia de Preven-
na medida indireta do desconhecimento tecno-científico ção da Reação Álcali Agregado”, ensinando com didá-
existente ou não divulgado. tica e exemplos como praticar uma correta e abrangen-
A valorização do mercado de concreto, mantendo-o te profilaxia em estágios, fruto do profícuo trabalho do
como a melhor opção construtiva, passa por promover, CT 201 coordenado pelo Dr. Cláudio Sbrighi e equipe
gerar, difundir e estimular permanentemente o conheci- de notáveis.
mento de seus sistemas construtivos através de normas, Na ocasião também ocorreu a reunião ordinária e am-
publicações, cursos, eventos, diagnósticos, pesquisas, pliada do CT 301 ABECE/IBRACON que, sob o comando
manuais e guias de melhores práticas e procedimentos dedicado da Engª Suely Bueno e do Eng. Alio Kimura,
para controle, que assegurem a consolidação da estabi- têm trabalhado arduamente na atualização da ABNT NBR
lidade das relações comerciais entre os diversos interve- 6118, considerada a norma “mãe” da engenharia de con-
nientes da cadeia produtiva do concreto. creto no país, preparando a versão ano 2019.
O papel dos CTs do IBRACON é reunir os especialistas, Significativa foi também a profícua reunião do CT 304
os consumidores e os produtores de estruturas em con- ABCIC/IBRACON, presidida pela Engª Íria Doniak que
creto armado e protendido no país. Têm a nobre missão tem se destacado na contribuição à normalização de es-
de desenvolver o mercado de construção civil produzindo truturas pré-moldadas no país, dando suporte e seguran-
documentos técnicos consistentes, que contribuam para ça ao natural desenvolvimento da indústria do concreto
o progresso da tecnologia e que assegurem confiança no Brasil rumo à inovação e modernização.
aos investidores e à sociedade em relação ao uso mo- Num esforço conjunto entre Diretoria de Relações Ins-
derno, competente e eficaz de alternativas construtivas. titucionais e Diretoria Técnica, foram firmados, entre o
Os textos normativos da ABNT, apesar de fundamentais, IBRACON, sob a presidência do Eng. Julio Timerman,
são, por natureza, objetivos e concisos, ou seja, não têm os Protocolos de Cooperação Técnica com o Instituto
cunho didático, carecendo de referências bibliográficas e de Brasileiro de Impermeabilização IBI, presidido pelo Eng.
exemplos práticos, não tendo, portanto, caráter educativo. Jacques Pinto; com a Associação Brasileira das Empresas
Norma é um documento “enxuto e seco”, sem justificativas de Tecnologia da Construção Civil ABRATEC, presidida
e explicações. pela Engª Paula Baillot; e, com a Associação Brasileira de

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Proteção Passiva contra Incêndio ABPP, presidida pelo volvimentos, incluindo a preocupação indispensável com
Eng. Rogério Lin. Tais Protocolos têm o objetivo maior de a sustentabilidade.
incrementar a produção de textos técnicos de qualida- Por conta do inusitado colapso do Edifício Wilton Paes
de e abrangência para suporte das atividades produtivas de Almeida, em São Paulo, em apenas 80 minutos de
da cadeia. incêndio, por iniciativa do Presidente, o IBRACON, atra-
Tendo também como parceiros presentes a ABESC, pre- vés de sua Diretoria Técnica, assinou um termo de com-
sidida pelo Eng. Jairo Abud, o SINDUSCON/SP, repre- promisso com a Prefeitura de São Paulo, para pesqui-
sentado pelo Eng. Jorge Batlouni e a ALCONPAT Brasil, sar as razões técnicas desse comportamento estrutural
presidida pelo Prof. Cesar Daher, importantes seminários não esperado. A iniciativa levou a um plano completo
e reuniões de CTs ocorreram no Congresso Anual do de investigação do ocorrido para tirar lições do acidente
Instituto, entre elas as reuniões do CT 305 IBRACON/ que possam evitar tragédias similares, permitir aperfei-
ABPP Segurança contra Incêndio, coordenado pelo Prof. çoar as Instruções do Corpo de Bombeiros e as normas
Bernardo Tutikian, a reunião do CT 702 IBRACON/AL- técnicas de projeto e construção de estruturas de con-
CONPAT Durabilidade das Estruturas de Concreto, coor- creto armado no Brasil. O IBRACON também premiou
denado pelo Prof. Daniel Veras e a reunião do CT 802 oito profissionais do meio técnico que se destacaram
IBRACON/ALCONPAT Manutenção e Reabilitação de por suas trajetórias de contribuições para o bom uso do
Estruturas, coordenado pelo Prof. Enio Pazini. Novos concreto e concedeu o título de sócio honorário a cinco
CTs em parceria com a ABESC, IBI, SINDUSCON/SP e novas personalidades.
ABRATEC estão em andamento. Associe-se ao IBRACON e venha desfrutar dos prazeres
Cabe ressaltar que se tratam de CTs com atividade do trabalho voluntário e se beneficiar de um ambiente
permanente, ou seja, têm por missão gerar textos para colaborativo e de excelência técnica. Vamos em frente...
ABNT, gerar textos didáticos e práticos, gerar textos com
exemplos de casos, além de promover seminários, cur- PAULO HELENE
sos e eventos, incentivando novas tecnologias e desen- Diretor Técnico do IBRACON

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 11


u converse com o ibracon

ENVIE SUA PERGUNTA OU NOTA PARA O E-MAIL: fabio@ibracon.org.br


PERGUNTAS TÉCNICAS É considerada por edifício? Sim, con- resistência do prisma cheio, em termos de

trole de argamassa para cada prédio. alguma correlação ou algum outro méto-

Tenho algumas dúvidas relacionadas à Os 500 m² de área construída no mes- do de ensaio, visto que estávamos obtendo

ABNT NBR 15961-2 Alvenaria estrutu- mo pavimento é considerado por edifí- alguns resultados muito diferentes dos

ral – Bloco de concreto Parte 2: Exe- cio? Sim, considerado cada prédio. esperados e com grande variação, princi-

cução e controle de obras, referente Para o caso do limite de dois pavi- palmente para blocos de alta resistência.

ao item 8.3.3.1.1. A definição do lote é mentos, se for em edifícios diferentes FABIANA CRISTIANA MAMEDE

considerada por edifício? Os 500 m² de como deve-se proceder? Para edifícios Pedreira de Freitas

área construída no mesmo pavimento são entendo que sim: dois pavimentos do
considerados por edifício? Se for em blo- mesmo edifício. Se for um conjunto de Usualmente o problema de variação
cos diferentes, como deve se proceder? casas, penso que se pode entender a nos resultados do ensaio de prisma
Essa formação de lote refere-se ao dia? cada duas casas. cheio está:
Ou seja, se no outro dia começar a fa- Essa formação de lote refere-se ao dia? a) na especificação errada no proje-
bricar a argamassa de levante, será ou- Ou seja, se no outro dia começar a fa- tista do fpk (muito otimista, e neste
tro lote? Mesmo que ainda não tem sido bricar a argamassa de levante, será ou- caso, incluímos tabela com valores
feito os 500m² de área construída e já tro lote? Mesmo que ainda não tenha esperados no Projeto de Norma em
tenha sido executado os dois pavimentos? sido feito 500 m² de área construída e já revisão, baseado em vários ensaios
No item terceiro, o processo de preparo tenha sido executado dois pavimentos? realizados, incluindo uma disserta-
refere-se à betonada ou à metodologia? Não, na versão atual, não há indicação ção que testou, do mesmo fabri-
Ou seja, fazendo-se na betoneira esta- de dia, o lote pode ser composto por cante, desde 3 MPa a 30 MPa);
cionaria, esse item nunca será o menor? produções em dias distintos, usando- b) no uso de graute inadequado fgk
Em dias diferentes, considero outro pro- -se o bom senso de não serem datas (abaixo do indicado);
cesso de preparo, mesmo sendo seguida extensivamente longas (por exemplo, c) não seguir procedimentos executi-
mesma metodologia? se a obra parou por algum motivo, o vos adequados, como molhar antes
OSMAR TANAJURA lote é renovado). o vazado, fazer readensamento;
Engenheiro civil, gestor da filial de Feira de Santana Referente ao item três, o processo d) no laboratório, não realizar a prepa-
LCLacrose Engenharia de preparo refere-se à betonada ou à ração e ensaio corretamente (não
metodologia? Ou seja, fazendo na be- nivelar os prismas antes de realizar
A ideia do controle de argamassa é toneira estacionária, esse item nunca o capeamento, não executar ca-
certificar o processo de produção, de- será o menor? Esse item refere-se ao peamento corretamente).
vendo os resultados estar dentro da procedimento, que deve ser o mesmo. e) em normas internacionais é possível
tolerância. A alvenaria como um todo é Se mudar o cimento, areia ou cal, o lote obter a resistência de prisma a partir
certificada pelo ensaio de prisma, que é renovado. Se trocar o tipo de equipa- da resistência do bloco e do graute,
prevalece sobre os demais. Entendo mento de mistura também, ou mesmo sem ensaio do prisma. O resultado
que o controle segue essa lógica. se trocar a equipe de obra. Essa é a porém é muito conservador, inviável
O controle é previsto por edifício, mes- linha de pensamento. para edifícios altos. Para pequenas
mo que existam vários blocos no mes- Referente ao item três, em dias diferen- construções, a norma brasileira
mo empreendimento. Na versão atual tes, considero outro processo de pre- atual já traz a indicação de quan-
da norma, existe um procedimento paro, mesmo sendo seguido mesma do é possível prescindir do ensaio
para casos de empreendimentos com metodologia? Se for todo o procedi- de prisma e fazer apenas ensaio do
vários edifícios, no qual o controle de mento igual, conforme item anterior, o bloco e graute.
prisma é minimizado, mas o de bloco, lote continua valendo. Temos feito ensaios para prédios de
graute e argamassa continua seme- GUILHERME PARSEKIAN – PRESIDENTE DO São Carlos há vários anos e não temos
lhante ao do controle do prédio único. COMITÊ EDITORIAL E COORDENADOR DA ABNT/CE obtido problemas com os resultados.
Existe ainda uma Proposta de Revisão 002:123.010 – COMISSÃO DE ESTUDO DE ALVENARIA

de Norma na ABNT que deve entrar em ESTRUTURAL GUILHERME PARSEKIAN – PRESIDENTE DO

Consulta Nacional em breve. Essa traz COMITÊ EDITORIAL E COORDENADOR DA ABNT/CE

várias melhorias. Numa reunião de norma questionei se não 002:123.010 – COMISSÃO DE ESTUDO DE ALVENARIA

Sobre seus questionamentos: teria alguma outra maneira de obter a ESTRUTURAL

12 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u encontros e notícias | EVENTOS

Missão IBRACON aos Estados Unidos foi um sucesso


C om o objetivo de estreitar as re-
lações entre o ACI (American
Concrete Institute) e IBRACON (Institu-
Devemos destacar a inestimável parce-
ria com a Votorantim Cimentos para a
viabilização desta atividade.
Engemix, fizemos a visita técnica à sua
central de produção, chamada Yard 32. A
central recebe seus agregados graúdos e
to Brasileiro do Concreto) e de realizar Na primeira parte da missão, aterrissa- miúdos por meio de balsas que navegam
visitas técnicas nos Estados Unidos, a mos na cidade de Chicago, no Estado de pelo Rio Michigan e são armazenados em
missão internacional do IBRACON em Illinois. A escolha da cidade deveu-se por silos. Tal central, em plena atividade, che-
2018 culminou com absoluto sucesso. vários fatores: visitar a central de produ- ga a ter uma produção de 3.500 m³/dia,
ção de concreto usuais e de alto desem- merecendo tal desempenho um grande
penho da Votorantim Cimentos/Prairie destaque no meio técnico americano.
Materials, localizada às margens do Rio Essa central produz concreto usuais e de
Michigan; verificar as técnicas utilizadas alto desempenho para a Grande Chica-
para concretagem e armação de lajes go. Após essa visita, fomos à central de
planas protendidas em edifícios altos nos despacho de betoneiras na Votorantim.
Estados Unidos; conhecer a central de Este escritório coordena o despacho de
despacho de betoneiras para Chicago e 350 betoneiras em toda região.
regiões próximas. Para finalizar o dia, foi feita uma visita a
No dia 12 de outubro, com a equipe da um edifício em construção, Wolf Point
Votorantim Cimentos, liderada pelos East, de 60 andares, às margens do Rio
amigos Maurício Bianchini, gerente téc- Michigan, com o fornecimento de con-
Integrantes da Missão IBRACON
visitam edifício em construção na nico de mercado da empresa, e Ricar- creto realizado pela Votorantim Cimen-
cidade de Chicago do Soares de Andrade, gerente geral da tos/Prairie Materials. Este edifício utiliza o

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 13


u encontros e notícias | EVENTOS

sistema estrutural em lajes planas proten- despedida da maravilhosa cidade Chica- cinada pelo IBRACON para integrar as
didas com stud bolts metálicos para com- go, em conjunto com a equipe da Voto- competições estudantis da convenção
bater os esforços de punção junto aos pi- rantim que nos acompanharia na segun- do ACI em Las Vegas, participou de for-
lares. Chega-se a aplicar 130 m³ / hora de da parte da viagem. ma exemplar das competições. Neste
concreto de alto desempenho (em torno No dia 13 de outubro, rumamos para mesmo dia à noite, acompanhamos o
de 70 MPa) para concretagem dos pavi- Las Vegas, cidade que sediaria o Fall amigo Sergio Botassi, engenheiro res-
mentos desta imponente edificação. Convention de 2018 do ACI. O IBRA- ponsável pelo projeto do empreendi-
Ao final deste dia repleto de conhecimen- CON iniciou sua presença no evento mento Nexus, em Goiânia, que recebeu
to técnico, fizemos uma celebração de participando no ACI International Forum premiação ACI Excellence in Concrete
no dia 14, no qual seu diretor-presiden-
te, Dr. Júlio Timerman, fez uma brilhante
apresentação institucional do IBRACON,
promovendo as atividades do instituto e
seus eventos anuais, como o Congres-
so Brasileiro do Concreto, este ano rea-
lizado em Foz do Iguaçu em setembro,
com presença expressiva e marcante de
profissionais nacionais e internacionais
da cadeia produtiva do concreto e estu-
dantes de engenharia de diversas facul-
dades brasileiras.
Missão se prepara para visita à Presidente do IBRACON,
central de concreto da Votorantim No dia 15, a equipe da FEI (ganhado- Eng. Julio Timerman faz palestra
Cimentos / Prairie Materials ra da Medalha Concreto 2017), patro- no ACI International Forum

DURABILIDADE
DO CONCRETO
à Editores Jean-Pierre Ollivier e Angélique Vichot

à Editora francesa Presses de l'École Nationale des Ponts


et Chaussées – França
à Coordenadores da Oswaldo Cascudo e Helena Carasek (UFG)
edição em português

à Editora brasileira IBRACON

Esforço conjunto de 30 autores franceses, coordenados pelos DADOS TÉCNICOS


professores Jean-Pierre Ollivier e Angélique Vichot, o livro
ISBN: 978-85-98576-22-0
"Durabilidade do Concreto: bases científicas para a formulação de
Edição: 1ª edição
concretos duráveis de acordo com o ambiente" condensa um vasto
Formato: 18,6 x 23,3cm
conteúdo que reúne, de forma atualizada, o conhecimento e a
Páginas: 615
experiência de parte importante de membros da comunidade científica
Acabamento: Capa dura
europeia que trabalha com o tema da durabilidade do concreto.
Ano da publicação: 2014
A edição brasileira da obra foi enriquecida com o trabalho de
tradução para a língua portuguesa e sua adaptação à realidade
técnica e profissional nacional.
à Informações: www.ibracon.org.br

Patrocínio

14 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Construction pela categoria Edifícios Altos.
niões e confraternizações, sempre com o Timerman, Ricardo Soares de Andra-
Nos dias que se seguiram, os profissio- intuito de ampliar a sinergia entre as duas de, Tulio Nogueira Bittencourt, Vanessa
nais integrantes da missão internacional instituições – ACI e IBRACON. Saback de Freitas e equipe da FEI (Fe-
participaram de sessões técnicas, reu- Deve-se destacar que fazia tempo que lipe Eduardo Oliveira Pinto, Gabriel Gia-
não havia a parti- cobini Ramiro, Giovani Faile Mancuso,
cipação de tantos Guilherme Melani Dutra, Natália Colbert
profissionais brasilei- Leal), juntando-se aos profissionais bra-
ros num congresso sileiros que atenderam diretamente a
do ACI, sendo que este evento do ACI.
a própria diretoria O IBRACON tem a intenção de realizar
do ACI ratificou e novas missões internacionais desta
parabenizou o IBRA- natureza. Tais missões fortalecem as
CON por toda essa parcerias institucionais além de pro-
mobilização. Os pro- mover o nome do IBRACON interna-
fissionais que parti- cionalmente, colocando a engenharia
ciparam da missão brasileira e o nome do IBRACON no
internacional são: merecido patamar de entidade téc-
Andreia Romero Fan- nica mais importante da América La-
ton, Cleverson Os- tina com os assuntos relacionados
mar Berton, Douglas ao concreto!!!
Eng. Sérgio Botassi recebe prêmio do presidente do ACI, Evandro Miqueletto,
Eng. David Lange, ao lado do presidente do IBRACON, Julio Timerman, Mau- RAFAEL TIMERMAN
Eng. Julio Timerman ricio Bianchini, Rafael integrante da Missão

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 15


u encontros e notícias | EVENTOS

Workshop abordou segurança contra incêndio


em edificações de alvenaria estrutural
O Brasil ainda não dispõe de uma
normalização sobre alvenaria es-
trutural em situação de incêndio. Em
tado da arte para o desenvolvimento de
normatização nacional”, em Campinas.
Por ocasião do workshop, foi ministrado
fase de revisão para encaminhamento
a consulta nacional. A parte 4, sobre
projeto em situação de incêndio, é iné-
alguns estados, o Corpo de Bombeiros o minicurso “Projeto de alvenaria estru- dita e começará a ser discutida a partir
recomenda seu dimensionamento se- tural em situação de incêndio conforme desse evento”, explicou Parsekian.
gundo o Eurocode ou norma internacio- o Eurocode 2018”, pelo professor da
nal similar. Para subsidiar as discussões Universidade de Ulster (Irlanda do Norte),
sobre a normalização nacional nesta Ali Nadjai, que proferiu também palestra
área, o Programa de Pós-Graduação sobre o tema. Foi realizada também a
em Estruturas e Construção Civil da Uni- reunião do Comitê de Alvenaria Estrutu-
versidade de São Carlos (UFSCar), em ral da Associação Brasileira de Normas
parceria com a Universidade de Campi- Técnicas, coordenado pelo professor
nas (Unicamp), Associação Nacional da Guilherme Aris Parsekian, da UFSCar.
Indústria Cerâmica (Anicer), o IBRACON, “O Comitê já fez um grande trabalho de
Associação Brasileira da Indústria de revisão das partes 1, 2 e 3 da norma
Blocos de Concreto (Bloco Brasil), entre para alvenaria estrutural, referentes a
outras, realizou, no dia 29 de outubro, projeto, execução e controle e carac-
Prof. Guilherme Parsekian faz sua
o Workshop “Alvenaria Estrutural em Si- terização de elementos. Essas partes palestra no Workshop, ladeado por
tuação de Incêndio – Avaliação do es- foram enviadas à ABNT e estão em outros palestrantes

SISTEMAS DE FÔRMAS PARA


EDIFÍCIOS: RECOMENDAÇÕES
PARA A MELHORIA DA QUALIDADE
E DA PRODUTIVIDADE COM
REDUÇÃO DE CUSTOS

Autor: Antonio Carlos Zorzi

O livro propõe diretrizes para a racionalização de sistemas


de fôrmas empregados na execução de estruturas de
concreto armado e que utilizam o molde em madeira

As propostas foram embasadas na vasta experiência do


autor, diretor de engenharia da Cyrela, sendo retiradas de
sua dissertação de mestrado sobre o tema.

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DADOS TÉCNICOS
ISBN 9788598576237
Formato: 18,6 cm x 23,3 cm
Páginas: 195
Acabamento: Capa dura Aquisição:
Ano da publicação: 2015 www.ibracon.org.br
(Loja Virtual)

16 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Simpósio sobre Sistemas de Infraestrutura
O IV Simpósio do Pro-
grama de Pós-Gra-
duação Stricto Sensu em
tipo de obra de arte espe-
cial. Ele chamou a atenção
dos presentes para o fato
Sistemas de Infraestrutura de que, apesar de haver
Urbana e o I Seminário cerca de 140 mil pontes
sobre Pavimentos foram no Brasil, não há órgãos
realizados de 27 a 29 de de controle municipal, es-
agosto, no auditório Car- tadual e federal para a ins-
deal Agnelo Rossi, da peção periódica e a manu-
PUC Campinas. tenção preventiva.
O presidente do IBRA- No segundo dia do evento,
CON, Eng. Julio Timer- foi realizada mesa-redonda
man, proferiu uma palestra sobre a qualidade de vida
na abertura do IV SPinfra nas cidades. Já no terceiro
sobre inspeção de pontes dia, foi a vez do seminário
e viadutos, apresentan- sobre pavimentos, onde
do os principais aspectos foram apresentadas apli-
da revisão da ABNT NBR cações de fibras de vidro
9452, que estabelece pe- poliméricas e de aço na
Eng Júlio Timerman faz entrega do livro sorteado “Materiais
riodicidade de inspeção e de Construção Civil e Princípios de Ciência e Engenharia de produção de pavimentos
formas de avaliação por Materiais”a mestranda Eloisa A. Matthiesen de concreto.

PRÁTICA RECOMENDADA IBRACON/ABECE


Controle da qualidade do concreto reforçado com bras
Elaborada pelo CT 303 – Comitê Técnico IBRACON/ABECE sobre Uso de
Materiais não Convencionais para Estruturas de Concreto, Fibras e Concreto
Reforçado com Fibras, a Prática Recomendada “Controle da qualidade do
concreto reforçado com fibras” indica métodos de ensaios para o controle
da qualidade do CRF utilizado em estruturas de concreto reforçado com
fibras e estruturas de concreto reforçado com fibras em conjunto com
armaduras. DADOS TÉCNICOS
A Prática Recomendada aplica-se
tanto a estruturas de placas ISBN: 978-85-98576-30-5
Edição: 1ª edição
apoiadas em meio elástico
Formato: eletrônico
quanto a estruturas sem
Páginas: 31
interação com o meio elástico. Acabamento: digital
AQUISIÇÃO Ano da publicação: 2017
Coordenador: Eng. Marco Antonio Carnio
www.ibracon.org.br (Loja Virtual)

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CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 17


u encontros e notícias | LIVROS

Colapso Progressivo de Estruturas


O colapso progressivo de uma estru-
tura se inicia pela falência de um ou
alguns de seus componentes, contami-
dois novos capítulos incluídos, propon-
do um modelo para a normatização do
tema “colapso desproporcional” e in-
nando os demais em uma sequência formando a situação atual das atuais
destrutiva, como a dramática destrui- normas e diretrizes relevantes, como
ção das Torres 1 e 2 do WTC (World o Eurocode EN 1991-1-7 e a “United
Trade Center, New York, 2011). Facilities Criteria”.
O evento causador do colapso progres- O livro “Colapso Progressivo de Estru-
sivo pode ocorrer seja pela incidência turas” fornece aos engenheiros uma
de uma ação localizada, seja por falta base conceitual e orientação prática
de resistência de um ou mais elemen- para o projeto de estruturas sujeitas a
tos estruturais a uma determinada so- cargas irregulares ou eventos anormais,
licitação. O termo evento anormal foi cujos efeitos se propagam, levando-as
introduzido para representar todo tipo à falência parcial ou total. O livro requer
de circunstância pouco provável, ou apenas uma compreensão básica de
provocada por ataque deliberado, que análise estrutural, sendo particularmen-
provoca colapso progressivo. te educativo para alunos avançados de
Uma versão precursora do livro a primeira edição, publicada por Tho- graduação e pós-graduação.
“Colapso Progressivo de Estruturas”, do mas Telford (2009). Bibliografia mais
professor Uwe Starossek, foi publica- recente foi incorporada nesta segunda Eng. Gilberto de Barros
da no BetonKalender 2008. Seguiu-se edição inglesa (ICE Publishing, 2018) e Rodrigues Lopes

Prática Recomendada IBRACON/ABECE


Projeto de Estruturas de Concreto Reforçado com Fibra

Elaborada pelo CT 303 – Comitê Té cnico IBRACON/ABECE sobre Uso de


Materiais Nã o Convencionais para Estruturas de Concreto, Fibras e Concreto
Reforçado com Fibras, a Prática Recomendada é um trabalho pioneiro no
Brasil, que traz as diretrizes para o desenvolvimento do projeto de
estruturas de concreto reforçado com fibras.

Baseada no fib Mode Code 2010, a Prática Recomendada estabelece os


requisitos mıń imos de desempenho mecâ nico do CRF para substituiçã o
parcial ou total das armaduras convencionais nos elementos estruturais e
indica os ensaios para a avaliaçã o do comportamento mecâ nico do CRF.

Aquisição DADOS TÉCNICOS


www.ibracon.org.br ISBN: 978-85-98576-26-8
(loja virtual)
Edição: 1ª edição
Formato: Eletrônico
Páginas: 39
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Acabamento: Digital
Belgo Bekaert Arames

Ano da publicação: 2016


Coordenador: Eng. Marco Antonio Carnio

18 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Pode confiar
Desempenho de longo
prazo e durabilidade da
alvenaria estrutural
A coletânea “Long-term
formance and durability of
per- desempenho de longo termo da al-
venaria estrutural.
masonry structures – degradation O segundo capítulo da coletâ-
mechanisms, health monitoring nea sobre blocos de concreto foi
and servisse life design”, coorde-
escrito pelo professor Guilherme
nada pelos professors Bahman
Parsekian (UFSCar), juntamente
Ghiassi (Delft University) e Paulo
com os professores Humberto Ro-
Lourenço (Universidade do Minho),
man (UFSC), Claudio Silva (ABCP)
traz temas como mecanismos de
e Marcio Faria (ArqEst).
degradação em diferentes tipos
de alvenaria estrutural, técnicas O livro é referência para profissio-

de monitoramento de sua saú- nais interessados na durabilidade


de estrutural e abordagens so- da alvenaria estrutural e em cons-
bre projeto do ciclo de vida e do truções históricas.

A revista CONCRETO & Construções presta-se à divulgação das obras do setor construtivo, sem qualquer endosso.

C o n c re t o : M i c ro e s t r u t u r a ,
P ro p r i e d a d e s e M a t e r i a i s
à Autores P. Kumar Mehta e Paulo J. M. Monteiro
(Universidade da Califórnia em Berkeley)

à Coordenadora Nicole Pagan Hasparyk (Eletrobras Furnas)


da edição em
português

à Editora IBRACON • 4ª edição (inglês) •2ª edição (português)

Guia atualizado e didático sobre as propriedades, comportamento e tecnologia do


concreto, a quarta edição do livro "Concreto: Microestrutura, Propriedades e
Materiais" foi amplamente revisada para trazer os últimos avanços sobre a
tecnologia do concreto e para proporcionar
em profundidade detalhes científicos sobre DADOS TÉCNICOS
100 este material estrutural mais amplamente
ISBN: 978-85-98576-21-3
utilizado. Cada capítulo é iniciado com uma Edição: 2ª edição
95 apresentação geral de seu tema e é
Formato: 18,6 x 23,3cm
finalizado com um teste de conhecimento e Páginas: 782
75
um guia para leituras suplementares. Acabamento: Capa dura
Ano da publicação: 2014
à Informações: www.ibracon.org.br
25

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CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 19


u personalidade entrevistada

Sergio Hampshire
de Carvalho Santos
E
ngenheiro civil (1975), mestre
(1980) e doutor (1992) pela
Universidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), Sérgio
Hampshire é atualmente
professor titular na UFRJ, onde
ministra as disciplinas de análise sísmica das
estruturas, confiabilidade estrutural, projeto
de estruturas de concreto, concreto armado,
detalhamento de estruturas de concreto
armado e fundações de máquinas.
Como engenheiro civil na Promon Engenharia
de 1977 a 2003, foi responsável técnico do
projeto civil estrutural de diversos edifícios
da Usina Nuclear de Angra (unidades 2 e 3),
bem como pelo projeto civil e arquitetônico da
planta de produção de hexafluoreto de urânio
do Centro Tecnológico da Marinha em São
Paulo, entre outros projetos.
Sérgio Hampshire é coordenador da
Comissão de Estudo de Segurança nas
Estruturas – Sismos da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT).
Em 2012 recebeu o Prêmio Emílio Baumgart,
destaque do ano em engenharia estrutural,
concedido pelo IBRACON.

IBRACON – Quais suas motivações, mostrou, com muito entusiasmo, sobre o que eu queria fazer na vida.
razões e os contextos que o levaram o projeto estrutural que estava Mais tarde, trabalhei no escritório
a cursar Engenharia Civil e se desenvolvendo para uma residência Eduardo Chaves por quatro anos e
especializar em projeto de estruturas, em Araruama. Isso era feito sobre meio. Fiz meu curso de Engenharia
interação solo-estrutura e dinâmica uma folha de papel manteiga, afixada Civil na bicentenária Escola
das estruturas? sobre uma planta de Arquitetura. Politécnica da UFRJ (Universidade
Sergio Hampshire de C. Santos – Ele foi me mostrando o lançamento Federal do Rio de Janeiro), onde
Minha paixão pelas Estruturas nasceu de vigas e pilares e me explicando hoje tenho a honra de ser Professor
muito cedo. Tive a oportunidade de detalhadamente os porquês deste Titular no Curso de Engenharia Civil.
ser sobrinho de um grande calculista, lançamento estrutural. Esse diálogo Complementei meus estudos na
Eduardo de Azevedo Chaves. Uma me motivou profundamente. A partir COPPE/ UFRJ, onde obtive meus
noite, ainda adolescente, ele me deste dia, nunca tive a menor dúvida títulos de Mestrado e Doutorado.

20 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Durante minha passagem na Promon (International Organization for adequadamente considerada nos
Engenharia, onde trabalhei por Standardization) para ganhar o projetos. A NBR 15421 a princípio
vinte e seis anos, tive também a “status” de Norma Internacional, foi tem abrangência geral para todos os
oportunidade de atuar em grandes colocada pela ISO a exigência de projetos estruturais desenvolvidos
projetos e conviver com notáveis que esta contemplasse a resistência no Brasil. Observar, no entanto,
engenheiros. Dentre eles, gostaria de das estruturas de concreto em que algumas regiões do Brasil são
destacar dois: Benjamin Ernani Diaz e situações de sismo e de incêndio. definidas como “Zona Zero”, onde
o falecido Dirceu de Alencar Velloso. Isso motivou a elaboração da NBR nenhum requisito de resistência
A estes dois em particular, devo 15421 - Projeto de estruturas sísmica é exigido.
todo o desenvolvimento de minha resistentes a sismos, promulgada
carreira. Na Promon, participei, entre em 2006. O grupo foi formado a IBRACON – Quais as fundamentações

outros, do projeto da Usina Nuclear partir da própria comissão que e requisitos consensuados nas

de Angra, onde todas as estruturas elaborou a versão de 2003 da NBR discussões e quais os estudos

principais deveriam ser projetadas 6118, liderada pelo Prof. Fernando geológicos, geotécnicos e estruturais

prevendo carregamentos especiais, Rebouças Stucchi. que embasaram o projeto da

com sismos, explosões, ruptura de norma ABNT NBR 15421? Houve


tubulações, etc. Isso me possibilitou IBRACON – Por que o Brasil precisa dificuldades para se chegar a esses

e inspirou a estudar assuntos como de uma norma técnica de projeto de consensos e referências? Como elas

Dinâmica de Estruturas, Interação estruturas resistentes a sismos? Qual foram superadas?

Solo-Estrutura e Análise Sísmica, é o escopo de aplicação dessa norma Sergio Hampshire de C. Santos – A
que foram temas de minhas teses de (geral ou especial)? NBR 15421 é fortemente respaldada
Mestrado e Doutorado. Minha grande Sergio Hampshire de C. Santos – A em normas internacionais, como
fonte de conhecimento nestes temas necessidade da NBR 15421 foi a ASCE-07 (norte-americana) e
foi o grande engenheiro chileno, bastante questionada, pois o Brasil Eurocode 8 (europeia), e adaptada
Rodrigo Flores Coombs. estaria isento de sismos importantes. aos requisitos gerais de Ações e
Porém, toda a teoria moderna de Segurança definidos pela ABNT
IBRACON – O que motivou o segurança das estruturas é baseada (Associação Brasileira de Normas
surgimento da Comissão de Estudos em métodos probabilísticos, nos Técnicas) na NBR 8681. Desta
da Associação Brasileira de Normas quais se avalia se a probabilidade forma, dificilmente poderia haver
Técnicas para elaboração do texto- de ruptura estrutural se encontra uma maior discordância sobre o
base da norma brasileira de projeto dentro de limites aceitáveis pela texto geral da Norma. Naturalmente,
de estruturas resistentes a sismos? sociedade. Desta forma, colocando a maior dificuldade foi a de conciliar
Como o grupo foi formado? as exigências de segurança estrutural conceitos da ASCE-07 com os de
Sergio Hampshire de C. Santos no Brasil no mesmo patamar das nossa base normativa, por exemplo,
– Na realidade, quando a NBR normas internacionais, se concluirá na definição de coeficientes de
6118 – Norma Brasileira de que, ao menos em algumas regiões segurança, bastante diferentes nas
Projeto de Estruturas de Concreto do Brasil, a ameaça sísmica à diversas escolas. A conciliação com
- foi submetida à análise da ISO segurança estrutural deve ser as normas estrangeiras e a definição


COLOCANDO AS EXIGÊNCIAS DE SEGURANÇA ESTRUTURAL NO BRASIL NO


MESMO PATAMAR DAS NORMAS INTERNACIONAIS, SE CONCLUIRÁ QUE, AO
MENOS EM ALGUMAS REGIÕES DO BRASIL, A AMEAÇA SÍSMICA À SEGURANÇA
ESTRUTURAL DEVE SER ADEQUADAMENTE CONSIDERADA NOS PROJETOS

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 21



AS CARGAS SÍSMICAS SÃO MAJORADAS COM UM COEFICIENTE DE
PONDERAÇÃO gf = 1,0. PARA JUSTIFICAR ESTA DEFINIÇÃO, DEVE-SE CONSIDERAR


QUE O PERÍODO DE RECORRÊNCIA CONSIDERADO NA NBR 15421 PARA A
DEFINIÇÃO DO EVENTO SÍSMICO DE PROJETO É DE 475 ANOS

dos coeficientes de segurança da redução da resistência à compressão de recorrência considerado na NBR


NBR 15421 foram feitas de forma por conta das cargas de longa 15421 para a definição do evento
a manter estrita concordância com duração (efeito Rusch)? sísmico de projeto é de 475 anos, ou
a NBR  8681 – Ações e segurança Sergio Hampshire de C. Santos – seja, há uma probabilidade de 10%
nas estruturas – com a qual todas Relativamente a estes dois aspectos, de que ele ocorra em 50 anos. Esta
as normas de projeto de estruturas assim como quanto a outros exigência é compatível com o padrão
devem se conformar. Neste sentido, relativos ao comportamento do internacional, por exemplo, como
as ações sísmicas são classificadas Concreto Estrutural, a NBR 15421 expresso no Eurocode 8.
como ações excepcionais na é perfeitamente compatível com
definição dos respectivos critérios os conceitos definidos em nossa IBRACON – Considerando que tem

de projeto. norma de estruturas de concreto, sido muito comum empregar concretos

a NBR 6118. Ou seja, o projeto de resistência à compressão mais

IBRACON – Como a Comissão considerando as cargas sísmicas elevada em pilares em relação a vigas

de Estudos da norma considera segue os mesmos procedimentos e lajes, como esse fato pode interferir

a contribuição, na segurança ao adotados para os carregamentos na resistência ao sismo dos nós

sismo, da evolução da resistência do convencionais. No entanto, as estruturais?

concreto com a idade por conta da cargas sísmicas são majoradas com Sergio Hampshire de C. Santos – A
maior hidratação do cimento? Como um coeficiente de ponderação gf = NBR15421 prevê que estruturas
leva em conta na segurança contra 1,0. Para justificar esta definição, com um detalhamento mais
o efeito do sismo a ação deletéria de deve-se considerar que o período refinado, tanto em concreto
como em aço, de Classes de
Detalhamento Intermediário e
ELETRONUCLEAR

Especial, podem se beneficiar de


uma correspondente redução das
cargas sísmicas, considerando um
melhor comportamento da estrutura
no regime não linear. Porém, ainda
não foi emitida uma regulamentação
para estes detalhamentos
melhorados. Nestes detalhamentos,
um dos conceitos é o de “pilar
forte-viga fraca”, o que expressa
grosseiramente a ideia que o colapso
deve ser previsto primeiramente nas
vigas e posteriormente nas colunas,
que tem um comportamento mais
frágil durante os sismos. Considera-
se que estruturas de concreto
Vista aérea da Usina de Angra dos Reis, no Rio de Janeiro analisadas, dimensionadas e

22 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


detalhadas de acordo com a edificado de Fortaleza, coletando é grande, contemplando inclusive a
NBR 6118 possam ser enquadradas informações sobre as áreas, formas alvenaria estrutural e os pré-moldados
e que atendam aos requisitos da em planta, número de pavimentos e de concreto. Nesses casos, a
Classe de Detalhamento Usual da idade das edificações em concreto Comissão atua mais de forma reativa,
NBR 15421. Assim, não seriam da cidade, além de ter acesso a respondendo às necessidades que
necessárias considerações de projetos elaborados desde meados venham a ser expressas por cada
projeto diversas das que já se do século passado, projetados setor produtivo e disponibilizando as
encontram definidas na NBR 6118. com os conceitos de detalhamento condições para o desenvolvimento
da época, onde a consideração dos trabalhos de normalização.
IBRACON – Como fica o patrimônio das cargas horizontais de vento
construído frente à norma brasileira é duvidosa. Os resultados desse IBRACON – O Instituto de Astronomia,
ABNT NBR 15421? Há necessidade estudo poderão levar os diversos Geofísica e Ciências Atmosféricas da
de reforço de estruturas de algumas órgãos governamentais a se Universidade de São Paulo (USP),
dessas edificações em função da zona posicionarem com relação ao risco juntamente com outras instituições de

sísmica em que estão? sísmico, uma vez que a constatação pesquisa, está elaborando novo mapa

Sergio Hampshire de C. Santos – Esta da existência de estruturas de ameaça sísmica no Brasil, cujos
é uma preocupação perfeitamente sismicamente vulneráveis indicará levantamentos preliminares indicam

pertinente. Iremos agora nos a necessidade de aplicação de maiores frequências sísmicas do que as

referenciar aos estudos do Prof. Paulo técnicas de reforço estrutural. indicadas no mapa retratado na norma

de Souza T. Miranda (Paulo Filho), do ABNT NBR 15421. Quais estudos


Instituto Federal de Educação, Ciência IBRACON – Existe a perspectiva embasaram este mapa de zonas sísmicas

e Tecnologia do Ceará, atualmente na Comissão de Estudos da norma adotadas na norma? A elaboração de


fazendo seu Doutorado na Faculdade incluir na sua atualização seções um novo mapa sísmico por especialistas

de Engenharia da Universidade do relacionadas a sistemas específicos, brasileiros levará à revisão da norma

Porto (FEUP), sob a orientação do como a alvenaria estrutural e os pré- 15421? Quais outras atualizações
renomado Prof. Humberto Varum moldados de concreto? Parâmetros deverão ser contempladas nesta revisão

(ver artigo nesta edição). Paulo Filho normatizados para esses e outros da norma? Já existe uma previsão para
estuda a vulnerabilidade sísmica sistemas estruturais não seriam iniciar os trabalhos de revisão?

das construções de Fortaleza, maior importantes de serem contemplados? Sergio Hampshire de C. Santos – O
cidade brasileira em zona de risco Sergio Hampshire de C. Santos zoneamento sísmico brasileiro foi
sísmico considerável. Paulo Filho – O número de normas sísmicas profundamente estudado para a
faz um levantamento do parque específicas que deve ser elaborado elaboração da NBR 154211.


A CONSTATAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE ESTRUTURAS
SISMICAMENTE VULNERÁVEIS INDICARÁ A


NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DE TÉCNICAS
DE REFORÇO ESTRUTURAL

Sergio Hampshire C. Santos, Silvio de Souza Lima e Fernanda C. Moreira da Silva - “The Seismological Basis of the Brazilian Standard for Seismic Design”, 9th US National and
1

10th Canadian Conference on Earthquake Engineering, Toronto, Canada, July 25-29, 2010, Paper Nº 135.

Sergio Hampshire C. Santos, Silvio de Souza Lima e Fernanda C. Moreira da Silva - “Risco Sísmico na Região Nordeste do Brasil”, Revista IBRACON de Estruturas e Materiais,
ISSN 1983-4195, Vol.3, nº 3, pg. 374-389, Setembro 2010.

Sergio Hampshire C. Santos e Silvio de Souza Lima - “The Brazilian Standard for Seismic Design: General Aspects and Seismological Basis”, 34th IABSE Symposium on “Large
Structures and Infrastructures for Environmentally Constrained and Urbanized Areas”, Artigo A-0196, Veneza, 2010.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 23


“ O PAPEL DA COMUNIDADE TÉCNICA É MUITO IMPORTANTE, COLOCANDO


AS NECESSIDADES NORMATIVAS DE CADA SETOR PRODUTIVO E
PARTICIPANDO DE FORMA EFETIVA NA ELABORAÇÃO DAS NORMAS

A Comissão de Estudos de obras especiais , como barragens , o número de normas sísmicas


Segurança nas Estruturas pontes , viadutos , túneis etc .? Se específicas que deve ser
Resistentes a Sismos do Comitê estivesse vigente uma norma deste elaborado é muito grande. O
Brasileiro de Construção Civil da tipo para barragens de rejeitos de papel da comunidade técnica é
ABNT acompanha atentamente minérios , o rompimento da barragem muito importante, colocando as
os estudos elaborados pelas de Fundão da Samarco , em Mariana , necessidades normativas de cada
renomadas instituições de pesquisa poderia ter sido prevenido com as setor produtivo e participando de
do Brasil, como o Instituto de medidas adequadas de projeto forma efetiva na elaboração das
Astronomia, Geofísica e Ciências e manutenção ? normas. A Comissão de Estudos,
Atmosféricas (IAG-USP) e o Sergio Hampshire de C. Santos – por si só, não teria como sozinha
Observatório Sismológico da Como respondido anteriormente, desenvolver toda esta tarefa.
Universidade de Brasília (OBSIS),
aguardando a finalização desses
levantamentos preliminares. MAPA SÍSMICO DO BRASIL
Naturalmente, uma revisão de Fonte: IAG - USP
Norma de Projeto, que afeta todo o
setor de Construção Civil no Brasil,
deve ser prudente e conservadora
em suas decisões, que afetam todo
Zona 1
este setor produtivo. É importante
0,05 g
que essas instituições venham no
Zona 3
futuro a participar ativamente dos
trabalhos de revisão da NBR 15421,
considerando que a participação Zona 1
Zona 4 0,025 g
nas comissões da ABNT
é aberta. Uma futura revisão da NBR 0,15 g
Zona 0

15421, que deve ser iniciada em


breve, deverá contemplar não só 0,10 g
esses estudos, como também
as atualizações de nossas 0,05 g

normas de referência, a ASCE-07


e o Eurocode 8. Zona 2

IBRACON – Por que o B rasil


priorizou a publicação de uma norma

de projeto de estruturas resistentes


Acelerações Horizontais
a sismos para edificações , ao invés Características
de normas brasileiras de projeto de

estruturas resistentes a sismos para Mapa sísmico do Brasil anexado na norma brasileira ABNT NBR 15421

24 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Estamos à inteira disposição e Para ficarmos apenas na América

ENG. PAULO FILHO


conclamamos a comunidade técnica do Sul, possuem normas sísmicas,
para abrirmos os trabalhos que algumas excelentes, Venezuela,
venham a ser requeridos. Colômbia, Equador, Peru, Bolívia,
A respeito da barragem de Fundão Chile, Argentina e Brasil. Os
da Samarco, assim como de outros investimentos em pesquisa e em
possíveis acidentes que eventualmente normalização são naturalmente
tenham relação com a atividade dependentes da importância da
sísmica, o seguinte deve ficar bem sismicidade e do nível econômico
claro. A NBR 15421 faz parte do de cada país. Como exemplo,
conjunto normativo da ABNT. As na última versão, de 2016, da
estruturas que foram projetadas e ASCE-7, encontram-se, somados
edificadas de acordo com as normas os participantes das diversas
da ABNT, incluindo a NBR 15421, subcomissões, listados um total
estarão, dentro do estágio atual de de 330 nomes. Nas comissões da
conhecimento técnico, adequadamente ABNT há um trabalho elogiável de
preparadas para eventos sísmicos seus membros, que contribuem
futuros. Edificações projetadas e voluntariamente com seu esforço
construídas em desacordo com este e dedicação.
conjunto de normas, assim como as
que estiverem deficientes do ponto de IBRACON – C omo as entidades

vista de conservação e manutenção, técnicas , como a ABPE, a ABECE e

estarão colocando os usuários dessas o IBRACON, podem contribuir para

edificações e da sociedade em geral disseminar o tema do comportamento

em risco. das estruturas em situação

de sismo ?

IBRACON – Compare a realidade Sergio Hampshire de C. Santos – As


brasileira com a realidade externa principais entidades de classe da
em termos de normas técnicas área de estruturas, o IBRACON, a Edificações na cidade de Fortaleza
relacionadas a estruturas resistentes ABPE e a ABECE devem ter, e tem
a sismos, em função dos riscos tido, papel importante na divulgação esses eventos e se associando
sísmicos típicos de cada região da tecnologia de projeto de e participando ativamente das
do planeta. estruturas, através dos congressos atividades das várias entidades.
Sergio Hampshire de C. Santos – anuais que as entidades organizam
Todos os países adiantados do e da publicação das revistas IBRACON – Quais seus hobbies em

mundo, mesmo os situados em técnicas periódicas que cada uma seu tempo livre?

regiões de menor sismicidade, das três edita. Porém, o papel mais Sergio Hampshire de C. Santos –
possuem normas específicas de importante deve ser o de nossa Leitura, cinema e passear com os
resistência sísmica de estruturas. comunidade técnica, prestigiando netos, Angelo e Olívia.


TODOS OS PAÍSES ADIANTADOS DO MUNDO, MESMO
OS SITUADOS EM REGIÕES DE MENOR SISMICIDADE,


POSSUEM NORMAS ESPECÍFICAS DE RESISTÊNCIA
SÍSMICA DE ESTRUTURAS

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 25


u 60º CBC

Congresso dissemina
conhecimento, tecnologias e
boas práticas da engenharia
de concreto
FÁBIO LUÍS PEDROSO

Presidente do IBRACON faz seu pronunciamento na abertura do 60º CBC para as autoridades da mesa e o público presente, no qual
homenageou os associados renomados recém-falecidos

O 60º Congresso Brasileiro do Concreto, evento téc-


nico-científico promovido pelo Instituto Brasileiro
do Concreto (IBRACON), foi realizado de 17 a 21 de setem-
quisadores, professores, engenheiros e profissionais técnicos
de escritórios de projeto, laboratórios, construtoras, empresas
de energia, fabricantes de equipamentos e componentes do
bro, no Centro de Convenções do hotel Recanto Cataratas, concreto, concreteiras, indústria de pré-fabricação, órgãos
em Foz do Iguaçu, no Paraná. governamentais e associações. Em relação à edição anterior,
O evento contou com 1398 inscritos entre estudantes, pes- houve crescimento de 51% no número de participantes.

26
u Tabela 1 – Números de resumos e de artigos
submetidos, aprovados e apresentados

Resumos submetidos 2.264


Artigos submetidos 1.282 57% dos resumos
Artigos aprovados 998 78% dos resumos
Artigos apresentados 699 70% dos aprovados
Em sessão oral 170 24% dos apresentados
Em sessão Pecha Kucha
34 5% dos apresentados
(20 x 20)
Em apresentação pôster 495 71% dos apresentados

O 60º CBC teve a participação de estudantes e profis-


sionais de quase todos os estados brasileiros e de 15 paí-
ses. O estado com maior número de inscritos foi São Paulo,
seguido por Paraná e Rio Grande do Sul. Por sua vez, Para-
guai, Portugal e França foram os países com maior número
de participantes estrangeiros.
O objetivo do Congresso Brasileiro do Concreto é di-
vulgar as pesquisas e as tecnologias do concreto e seus
sistemas construtivos, desenvolvidas nas universidades,
institutos e empresas, nacionais e estrangeiras. Autor apresenta seu trabalho para congressistas do 60º CBC
em sessão pôster
De um total de 2264 resumos submetidos, foram rece-
bidos 1282 artigos técnico-científicos, sendo 998 aprova-
dos pela Comissão Científica do 60º Congresso Brasileiro trabalhos técnico-científicos nas últimas edições do evento.
do Concreto, formada por 208 profissionais. Esses núme- Ismael Bismark, estudante de pós-graduação da Univer-
ros bateram com folga os totais de resumos submetidos sidade Federal do Pará, que apresentou seu trabalho numa
e de trabalhos recebidos e aprovados na edição anterior, das sessões pôsteres, entende que o Congresso Brasi-
o que mostra a participação progressiva de autores de leiro do Concreto é importante para a academia e para o

& Construções

u Figura 1
Participação total e percentual de brasileiros no 60º Congresso Brasileiro do Concreto por estados

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 27 27


u 60º CBC

materiais e produtos específicos, sistemas construtivos es-


pecíficos e ensaios não destrutivos.
Na avaliação feita pelo presidente do IBRACON, Eng.
Julio Timerman, na solenidade de abertura, “os números
corroboram ser o Congresso Brasileiro do Concreto o maior
evento nacional de discussões sobre o concreto e seus
sistemas construtivos, ao bater em sua sexagésima edição
os recordes das edições anteriores”.
“É o fórum onde se celebra a tecnologia e o conheci-
mento sobre o concreto, material construtivo mais consu-
mido no mundo”, resumiu a professora da Universidade
Federal da Integração Latino-Americana (Unila), Profª Edna
Possan, integrante da comissão organizadora regional.

Presidente do IBRACON, Julio Timerman, e presidente do Instituto


Brasileiro de Impermeabilização (IBI), Jacques Pinto, assinam PREMIAÇÕES
protocolo de cooperação técnica na abertura do 60º CBC Na ocasião da abertura do 60º CBC foram homenagea-
dos profissionais que têm contribuído para o desenvolvi-
mercado da construção porque impulsiona os estudantes, mento técnico e científico do concreto e com as atividades
professores e profissionais da engenharia civil a se atualiza- do IBRACON (veja matéria nesta edição).
rem e a conhecerem as novidades. Uma dissertação de mestrado na área de estruturas (so-
Dos artigos aprovados, 699 foram apresentados no bre conectores de cisalhamento para vigas) e outra na área
60º CBC em sessões orais, pecha kucha (novidade desta de materiais (sobre concreto de ultra-alto desempenho) fo-
edição, sendo uma sessão na qual os autores apresentam ram premiadas no evento (veja matéria nesta edição).
20 slides com 20 segundos cada) e pôsteres. Materiais e Neste ano, aconteceu a primeira edição do concurso
suas propriedades foi o tema com maior número de artigos, “O artigo do ano”. Esta nova premiação tem por objetivo
seguido pelos temas “Análise estrutural” e “Sustentabilida- prestigiar os melhores trabalhos aprovados pela Comissão
de”. Outros temas apresentados no evento foram gestão e Científica do 60º CBC.
normalização, projeto de estruturas, métodos construtivos, Concorreram quase 900 artigos, que foram avaliados
pelas cinco comissões macrorregionais, formadas por 15
representantes indicados pelos diretores das 24 regionais
do IBRACON. A distribuição de artigos por macrorregião foi
bastante equitativa, com exceção do Nordeste, que teve a
maior participação.
Cada comissão macrorregional escolheu dois artigos
para representá-la no concurso, segundo os critérios de
conteúdo técnico, rigor metodológico, sustentabilidade e
originalidade/inovação. Esses mesmos critérios serviram
para a escolha de um artigo entre os dois por macrorregião
pela comissão nacional do concurso, formada por cinco
representantes do IBRACON. Esses cinco artigos escolhi-
dos foram apresentados oralmente por seus autores no 60º
CBC para uma bancada, formada por cinco conselheiros e
diretores nacionais do IBRACON, escolhidos por seu pre-
u Figura 2 sidente. Cada trabalho e seu autor principal foram avalia-
Distribuição dos artigos concorrentes ao prêmio
dos pela bancada segundo os critérios de postura, desen-
“O artigo do ano” por macrorregiões
voltura, clareza, oratória, conteúdo técnico, qualidade da

28
apresentação, respeito ao tempo e consistência das res-
postas às questões formuladas pela bancada.
Ganhou o concurso o trabalho técnico-científico com a
maior pontuação entre os cinco finalistas. Nesta primeira
edição, a premiação foi concedida à macrorregional do Su- siasmo e engajamento dos diretores regionais do IBRA-
deste, para o artigo dos pesquisadores Rosana Schmalz, CON na escolha dos artigos semifinalistas entre os
Fernanda Ferreira, Eduardo Pereira, Rafael Mikami e Val- trabalhos inscritos”, avaliou o coordenador do concurso,
decir Quarcioni, intitulado “Modificação da microestrutura Eng. Carlos Britez. “Pesquisadores, professores e profissio-
de matrizes cimentícias devido à adição de nanossílica”. Os nais estão convidados a participarem da próxima edição,
autores são pesquisadores da Universidade Federal de São cujo regulamento deverá em breve estar disponível no site do
Carlos, Universidade Estadual de Ponta Grossa e do Institu- IBRACON”, conclamou.
to de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo.
O trabalho apresentou e discutiu os avanços recentes CONCURSOS ESTUDANTIS
obtidos com o uso de nanossílica em concretos e argamas- Durante o evento foram realizadas ainda cinco competi-
sas, mostrando, por meio da revisão bibliográfica, as melho- ções estudantis, com participação de 700 estudantes de 36
rias nas suas propriedades no estado fresco e endurecido, instituições de ensino, reunidos em 55 equipes: os concur-
como ganho de resistência e durabilidade, em decorrência sos Aparato de Proteção ao Ovo (APO), Concrebol, Concre-
da modificação da microestrutura da matriz cimentícia pelos to colorido de alta resistência (Cocar), Ousadia e Concreto:
efeitos físicos (fíler) e químicos (pozolânico) da adição. quem sabe faz ao vivo.
Os autores do trabalho ganhador do concurso foram ho- As premiações das três equipes melhor colocadas nes-
menageados com troféu no Jantar de Encerramento do 60º ses concursos foram realizadas no jantar de confraterniza-
CBC. Já, os autores dos quatro trabalhos finalistas recebe- ção (ver matéria nesta edição).
ram menções honrosas por sua participação no concurso Os concursos estudantis são uma atividade das edi-
no dia 20 de novembro, quando aconteceram as apresen- ções do Congresso Brasileiro do Concreto que integra a
tações para a bancada do Congresso. futura geração de engenheiros civis e arquitetos com os
“A primeira edição do Concurso foi um sucesso, profissionais fundadores e associados ao IBRACON desde
em razão da adesão expressiva de 891 artigos inscri- 1972, ano de fundação do Instituto. Na avaliação da di-
tos, com boa distribuição nas cinco macrorregiões do retora de atividades estudantis, Eng. Jéssika Pacheco, “é
país. Este sucesso deve também ser atribuído ao entu- uma atividade essencial do IBRACON para a continuidade

& Construções

Rosana Schmalz recebe prêmio por vencer a primeira edição do Autora apresenta seu trabalho em sessão plenária
concurso “O artigo do ano”, do coordenador Eng. Carlos Britez

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 29 29


u 60º CBC

sistêmica e integradora, aos profissionais do setor cons-


trutivo brasileiro. Ele é formado por cursos oferecidos pelo
IBRACON e por entidades parceiras durante ano.
O curso “O fenômeno térmico do concreto massa”, mi-
nistrado pelo engenheiro civil da gerência de serviços e ino-
vação tecnológica de Furnas, Eduardo de Aquino Gambale,
no dia 19 de setembro, buscou disseminar conhecimentos
sobre como obter as propriedades térmicas dos materiais
usados no concreto massa e como avaliar o desempenho
térmico de estruturas massivas de concreto, com a finalida-
de de mitigar fissuras do calor de hidratação do cimento. A
carga horária foi de quatro horas.
No mesmo dia foi oferecido o curso “Reforço de pilares em
concreto armado: métodos e procedimentos”, pelo diretor da
PhD Engenharia, Eng. Douglas Couto. Ele buscou fornecer
Estudantes da equipe Mackenzie agitam competições estudantis
na Arena dos Concursos uma visão geral das técnicas existentes para reparo e refor-
ço de pilares de concreto armado, como encamisamento em
de sua missão, de divulgar o bom conhecimento e uso concreto e em fibras de carbono, e substituição do concre-
do concreto”. to, com apresentação de casos práticos.
O conceito de desempenho aplicado às estruturas de
CURSOS DE ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL concreto armado, com seus requisitos, critérios e méto-
Cinco cursos de atualização profissional do Programa dos de avaliação segundo a norma brasileira ABNT NBR
Master em Produção de Estruturas de Concreto (Master 15575, foi apresentado pelo sócio do Grupo de Pesquisa &
PEC) do IBRACON foram oferecidos aos participantes do Desenvolvimento (GP&D), Eng. Alexandre Britez, no dia 20
60º CBC. de setembro.
O Programa Master PEC é um sistema de cursos de O curso “Reforço com fibras de carbono”, ministrado
educação continuada, que difunde conhecimento na área pelo sócio da Fortesas Consultoria e Projetos e da Concre-
de projetos, materiais, controle tecnológico, produção, ins- lab Tecnologia de Controle da Qualidade, Eng. Adriano Sil-
peção e reabilitação de estruturas de concreto, de forma va Fortes, buscou fornecer conhecimentos sobre técnicas
de reforço de estruturas com materiais à base de fibras
de carbono, abordando aspectos de projeto e execução.
Com carga horária de quatro horas, ele foi oferecido no dia
20 de setembro.
O curso “Concreto protendido”, com carga horária de
oito horas, foi ministrado pelo diretor técnico e executivo das
empresas Mac Protensão e Portante Engenharia de Proje-
tos, Eng. Evandro Duarte Porto, no dia 21 de setembro. No
curso os alunos aprenderam os conceitos de protensão e
concreto protendido, as vantagens e desvantagens da tec-
nologia, suas aplicações, índices e custos, e a verificação e
acompanhamento das obras de concreto protendido.

CONFERÊNCIAS PLENÁRIAS E SEMINÁRIOS


Os destaques da programação, com recorde de públi-
co, foram as conferências plenárias de pesquisadores es-
Eng. Alexandre Britez ministra aula aos alunos inscritos no curso
“Desempenho aplicado às estruturas de concreto armado” trangeiros e os seminários técnicos.

30
Para esta edição, foram convidados os professores do
Centro de Pesquisas e Estudos Avançados do Instituto Po-
litécnico Nacional (Cinvestav – IPN, México), Pedro Castro,
da Universidade de Leeds, na Inglaterra, Ian Richardson, e
da Universidade Nacional do México, Roberto Stark, que pa- na Execução das Estruturas de Concreto” (veja matéria
lestraram nas manhãs do evento (veja matéria nesta edição). nesta edição).
Para o Prof. Pedro Castro, que participa pela terceira Na avaliação do coordenador do II Seminário sobre Segu-
vez do Congresso Brasileiro do Concreto, o evento é o rança de Estruturas em Situação de Incêndio, Prof. Rogério
maior em número de participantes da América Latina, sen- Cattelan Antocheves de Lima, o evento foi um sucesso em
do que entre eles estão os maiores especialistas brasileiros razão da participação expressiva dos congressistas nas pa-
em ataque das estruturas de concreto por cloretos, assunto lestras dos profissionais extremamente qualificados nos te-
de sua palestra. “Há também muitos estudantes de gra- mas propostos e nos debates. “Esta foi a segunda edição do
duação e pós-graduação interessados num pouco de teoria Seminário, sendo que a primeira edição aconteceu em 2007,
mas explicada de uma forma coloquial e ilustrativa”, justifi- em Bento Gonçalves, por ocasião do Congresso Brasileiro
cou Castro para a escolha do tema apresentado no evento. do Concreto na cidade. Esperamos que as discussões ocor-
Já o Prof. Roberto Stark, também em sua terceira parti- ridas nesta edição tenham continuidade em outras edições
cipação no evento, vê com bons olhos a crescente partici- do Seminário”, completou Antocheves.
pação dos estudantes e seu interesse pelo concreto, o ma- Ainda como evento paralelo, aconteceu a 3ª Conferên-
terial do futuro da construção. “Fico satisfeito de ver tantos cia Internacional sobre Barragens, de 17 a 21 de outubro,
estudantes participando das discussões porque eles são o onde, além de sessões científicas, conferências plenárias,
futuro da profissão”, opinou Stark. mesa-redonda e workshop, foram oferecidos dois cursos
Com relação aos seminários, foram realizados o II Se- que versaram sobre a análise estrutural e reabilitação de
minário sobre Segurança de Estruturas em Situação de In- barragens e vertedouros, e as pequenas barragens (veja
cêndio, Seminário “Laboratórios na garantia da qualidade matéria nesta edição). Na avaliação do coordenador do
do concreto e construção”, o Seminário “Centrais Dosado- Dam World 2018, Prof. Tulio Bittencourt, “o evento foi um
ras x Centrais Misturadoras” e o Seminário “Boas Práticas sucesso por causa do excelente nível das palestras dos

& Construções

u Figura 3
Distribuição total e percentual dos participantes nos concursos estudantis por estados

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 31 31


u 60º CBC

civil, “o Congresso Brasileiro do Concreto é uma oportuni-


dade para os estudantes e profissionais da engenharia civil
conviver com as referências da cadeia produtiva do concre-
to e aprender com eles”.

FEIBRACON E SEMINÁRIO DE NOVAS TECNOLOGIAS


As empresas do setor construtivo puderam expor seus
produtos e serviços, bem como estreitar relacionamentos
e fechar negócios, na XIV Feira Brasileira das Construções
em Concreto (Feibracon), que contou nesta edição com
10 patrocinadores (Itaipu Binacional, Votorantim Cimen-
tos, Lafarge Holcim, Eletrobrás Furnas, Capes, GCP, Ci-
mento Apodi, Cimento Nacional, Copel e Intercement) e 15
expositores (Atex, CDA, Carpi Tech, Cesi, Corr Solutions,
Hibbard Inshore, MC Bauchemie, Oficina de Textos, PCP
Eng. Evandro Duarte em sua aula aos participantes do curso sobre
concreto protendido Engenharia, Penetron, PI Engenharia, Taylor & Francis Group,
Tecnosil, TQS Informática e Webac).
profissionais brasileiros e estrangeiros, com os quais apren- As empresas patrocinadores tiveram ainda a oportuni-
demos muito”. dade de apresentar estudos de casos de aplicação de seus
No balanço da programação do evento feito pelo diretor produtos e serviços no Seminário de Novas Tecnologias,
de eventos do IBRACON, Prof. César Henrique Daher, que que aconteceu no dia 21 de setembro no auditório Cantata.
participa das edições do Congresso Brasileiro do Concre- Marcus Coimbra Israel, engenheiro da Votorantim Ci-
to desde 1997, quando era ainda estudante de engenharia mentos apresentou estudos de caso de aplicação de

Prof. César Daher em sua palestra no Seminário “Laboratórios na garantia da qualidade do concreto e construção”

32
Feibracon recebe visita de profissionais do setor construtivo

Estande da Itaipu Binacional na Feibracon com seus funcionários


concreto convencional e autoadensável (adensamix) pela participando do 60º CBC
companhia (estrutura de 175 m2 com pilares, vigas e lajes;
e fundação com elevada taxa de armação). Segundo ele, o sidade das partículas, por não conter agregados graúdos; e a
uso do concreto autoadensável não altera o custo do metro ductilidade do concreto reforçado com fibras, ao usar microfi-
quadrado e proporciona ganhos de qualidade e desempe- bras. Com isso, o concreto atingiu os mais altos desempenhos
nho (menor uso de mão de obra, menor tempo de execução mecânicos, em termos de resistências à compressão, à tração,
da estrutura, maior produtividade, menor consumo de ener- à flexão, à fadiga, e em termos de módulos de elasticidade,
gia, perfeito preenchimento da fôrma). além de maior durabilidade.
Coimbra comparou também as soluções em subso- Segundo Corvez, o mercado mundial do UHPC deve-
lo com presença de água usando concreto convencional rá crescer oito vezes até 2025, com sua maior aplicação
(com manta asfáltica e sistema de drenagem) e concreto em anéis de torres eólicas, em novas infraestruturas, em
autocicatrizante (cristalmix com fita hidroexpansiva). Os re- reparação e retrofit, em estruturas resistentes a impactos e
sultados indicaram a maior viabilidade econômica do sis- explosões, e em impressão 3D.
tema de impermeabilização com concreto autocicatrizante, O UHPC é uma inovação da engenharia, ao lado de
com ganhos em manutenção preventiva e corretiva. outros produtos inovadores de alto desempenho, que
Dominique Corvez, diretor da Lafarge Holcim na América La- tem contribuído para reduzir impactos ambientais do se-
tina, mostrou as origens do concreto de ultra autodesempenho tor construtivo, por meio da otimização da distribuição
(UHPC), suas características, as técnicas para sua dosagem e de seus componentes, e do aumento da durabilidade
execução, suas aplicações nos últimos 20 anos e as tendências das estruturas de concreto. Este foi o tema da palestra
futuras do material. Ele destacou como a tecnologia do concre- técnico-comercial do gerente de pesquisa e desenvolvi-
to avançou no tempo, partindo de concretos convencionais na mento da Lafarge Holcim, Alexandre Navarro Cobb. Ele
& Construções

década de 1950 com resistências à compressão variando de também abordou a redução de CO2 no setor construtivo
20 MPa a 50 MPa e com fator água/cimento entre 0,5 a 0,7, por meio da substituição do clínquer por materiais cimen-
passando pelos concretos de alto desempenho na década de tícios suplementares e do desenvolvimento de novos ci-
1990, e chegando aos concretos de ultra autodesempenho a mentos com menores impactos ambientais.
partir de 2000, com resistências à compressão entre 150 MPa Rogério Venâncio, gerente técnico da GCP, apresentou
e 250 MPa e fator água/cimento em torno de 0,2. Segundo ele, os aditivos da companhia para produção de concretos com
o UHPC melhorou: a homogeneidade do concreto, ao reduzir o alta fluidez e com robustez operacional. O concreto com
fator água/cimento e aumentar o consumo de cimento; a den- alta fluidez possibilita aumento da produtividade na obra,

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 33 33


u 60º CBC

apresentou como a inteligência artificial aplicada aos pro-


cessos de fabricação de cimentos deverá impactar na
redução do consumo de energia e do desvio-padrão na
produção de cimento na companhia, bem como aumentar
a produtividade do moinho e reduzir o consumo de água
e as vibrações no moinho. Por meio de sensores que co-
letam dados nas diferentes fases de produção de suas
15 plantas, de seu armazenamento contínuo em nuvem,
de seu processamento por meio de variadas e complexas
correlações (dados de entrada e dados de saída), de sua
modelagem para predição de resultados e do uso desses
dados para alimentar sistemas de suporte de decisões, a
companhia espera obter num futuro próximo o controle
automatizado de sua produção, com ganho de produti-
vidade (de 110 para 130 toneladas por hora), melhora da
Eng. Marcus Coimbra Israel apresenta estudos de caso de aplicação
do Cristalmix qualidade do cimento (Blaine de 4200) e redução do con-
sumo de energia.
reduz mão de obra, proporciona melhor acabamento super- Os desafios de projeto e as soluções construtivas das
ficial, aumenta a homogeneidade do concreto de diferentes usinas hidrelétricas da Copel desde a década de 1960 até
betonadas e diminui o custo da aplicação. Ele apresentou os dias atuais foram expostos pelo consultor da Copel,
estudos de laboratório e de aplicação no Brasil e no exterior Nelson do Canto Oliveira Saks. Ele destacou: os 22 quilô-
que mostram que os novos aditivos da GCP para concretos metros de túneis na construção da UHE Governador Pa-
com alta fluidez são robustos a agregados contaminados rigot de Souza, construída em 1971, no Rio Capivari, em
com argila, a segregações e variações operacionais, apre- Antonina; o primeiro EIA-RIMA obtido no Brasil para a UHE
sentam alta estabilidade com baixo consumo de cimento e Segredo, construída no Rio Iguaçu em 1992; e o registro
não apresentam efeitos de coesão excessiva. fotográfico da construção da UHE Baixo Iguaçu, em Capa-
Emmanuel Mitsou, superintendente da Cimento Apodi, nema, de 2014 a 2018.
Eduardo de Aquino
Gambale, engenheiro civil
da gerência de serviços
e inovação tecnológica
de Furnas, apresentou o
Centro Tecnológico em
Engenharia Civil da em-
presa, que acumula a
prestação serviços de
engenharia para mais de
200 empreendimentos em
quatro continentes. Ele
comentou os serviços de
caracterização de mate-
riais e do concreto na Bar-
ragem de Picachos, no
México, de caracterização
de agregados e estudos
Eng. Dominique Corvez apresentando o UHPC de reação álcali-agregado

34
na Canal do Panamá, de fiscalização no Projeto Hidrelétrico
San Francisco, no Equador, de ensaios de rochas na Bar-
ragem de Odeleite, em Portugal, de controle tecnológico na
Hidrelétrica de Capanda (Angola), de ensaios especiais e
de durabilidade na Hidrelétrica de Bakun, na Malásia, além
de outros serviços prestados a barragens, hidrelétricas, pe-
quenas centrais hidrelétricas e centrais nucleares nas cinco
regiões brasileiras. Por fim, Gambale destacou alguns dos
64 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação reali-
zados na sua área de atuação em Furnas.

LANÇAMENTOS EDITORIAIS E REUNIÕES TÉCNICAS


No 60º CBC foram feitos ainda quatro lançamentos de
livros técnicos e da Prática Recomendada “Guia da Preven-
ção Álcali-Agregado, com sessão de autógrafos com seus
autores e coordenadores, e reuniões dos comitês técnicos
e das revistas do IBRACON.
Emmanuel Mitsou em momento de sua palestra no Seminário
Na avaliação feita pela coordenadora do CT-304 Comi- de Novas Tecnologias
tê IBRACON/ABCIC de Pré-Fabricados de Concreto, Eng.
Íria Doniak, sobre as atividades dos comitês técnicos no
evento e as reuniões realizadas: “Trata-se de uma opor-
tunidade ímpar de inclusão de novos membros e também
de divulgação das atividades dos comitês, que são de vital
importância para contribuição com a normalização para a
engenharia de concreto, com o desenvolvimento tecno-
lógico e com a interação entre academia e indústria do
concreto, possibilitando um maior oportunidade para pes-
quisa e desenvolvimento.”
Com essa extensa programação de seu carro-chefe o
IBRACON cumpre a sua missão institucional de levar co-
nhecimento sobre o concreto aos estudantes, profissionais
e intervenientes da cadeia produtiva do concreto. Como Eng. Eduardo de Aquino Gambale expõe serviços prestados
pelo Centro Tecnológico de Furnas em Angola

pontuou o presidente do Instituto Americano do Concreto


(ACI), Eng. David Lange, na cerimônia de abertura, “como
associações irmanadas, o IBRACON e o ACI têm a missão
de servir à sociedade e elevar o padrão de vida da popula-
& Construções

ção por meio da divulgação de informações e do conheci-


mento sobre o concreto”.
No balanço geral do evento feito pelo presidente do
IBRACON, Eng. Julio Timerman, em seu encerramento, no
Jantar de Confraternização, “os auditórios e salas do Centro
de Convenções lotados até o último dia, com pessoas ávi-
das por trocar experiências e adquirir conhecimento, mos-
Engª Iria Doniak coordena trabalhos do CT-304 Comitê Técnico
IBRACON/ABCIC de Pré-Fabricados de Concreto durante 60º CBC tram sua excelência e dos profissionais que o atendem”.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 35 35


u 60º CBC

Prêmios de Destaque 2018


N a abertura do 60º Congresso Brasileiro do Concreto,
no dia 18 de setembro, em Foz do Iguaçu, aconteceu
a premiação dos profissionais reconhecidos pelo IBRACON
por suas contribuições para disseminar o uso do concreto e
para seu desenvolvimento científico e tecnológico.
Confira os agraciados!

PRÊMIO EMÍLIO BAUMGART • DESTAQUE DO ANO EM ENGENHARIA ESTRUTURAL


ALIO ERNESTO KIMURA

l Alio é engenheiro civil pela Universidade Estadual Paulista (UNESP de Bauru, 1997) e só-
cio-diretor da TQS Informática, onde atua no desenvolvimento de softwares para projeto de
estruturas de concreto, desde 1998.
l Autor do livro “Informática Aplicada em Estruturas de Concreto Armado”, cujo lançamento da
segunda edição foi realizado em sessão de autógrafos no 60º CBC 2018.
l Alio é Secretário de Revisão das Normas Técnicas Brasileiras ABNT NBR 6118:2014 e
ABNT NBR 15200:2012, e Secretário do Comitê IBRACON/ABECE CT 301 Projeto de Estru-
turas de Concreto.
l Ele é professor dos cursos sobre Pilares da ABECE e de Pós-Graduação em Estruturas, do
PECE-USP.
Eng. Alio Ernesto Kimura com prêmio
recebido do Presidente do IBRACON,
Eng. Julio Timerman

PRÊMIO EPAMINONDAS MELO DO AMARAL FILHO • DESTAQUE DO ANO EM ENGENHARIA DE PROJETO


E CONSTRUÇÃO EM CONCRETO DE ALTO DESEMPENHO
CARLOS ALBERTO GENNARI

l Carlos é ex-Presidente e Atual Membro do Conselho Estratégico da ABCIC (Associação Brasileira


de Construção Industrializada de Concreto). Participa também como membro do CONSIC
(Conselho do Departamento de Construção Civil da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de
São Paulo) e do Conselho do Sinaprocim (Sindicado Nacional da Indústria da Construção Civil).
l Gennari é sócio da empresa Leonardi Construção Industrializada, sendo responsável pelas
áreas de operações, ou seja, engenharia, planejamento, produção, obras, controle tecnológico
e pesquisa e desenvolvimento.
l A empresa, com 29 anos de atuação, fornece produtos e serviços para obras industriais,
comerciais, shoppings, edifícios multipavimentos e obras de infraestrutura. Sua produção
inclui concreto autoadensável, arquitetônico (pigmentado), de alto desempenho, de ultra alto
Eng. Carlos Alberto Gennari com desempenho, reforçados com fibras de vidro, entre outros.
o prêmio ao lado da Diretora de
Publicações do IBRACON, l Em 2018, a Leonardi entregou projetos inovadores em pré-fabricados de concreto, como a
Engª. Íria Doniak pista de testes de caminhões da Mercedes Benz, em Iracemápolis, com precisão milimétrica
segundo modelo matemático pré-estabelecido; elementos do projeto Sírius, acelerador de luz Síncroton, com concreto de módulo de elastici-
dade de 55 GPa e resistência de 120 MPa, com precisão de dois milímetros, controlada por laser track; e, finalmente, o edifício Green House,
em Indaiatuba, com um partido arquitetônico diferenciado, todo em elementos pré-fabricados (8 pavimentos e 17.730 metros quadrados),
primeiro edifício com Certificação Triple ‘A’ do interior de São Paulo.

36
PRÊMIO FRANCISCO DE ASSIS BASÍLIO • DESTAQUE DO ANO EM ENGENHARIA NA REGIÃO DO EVENTO
CÉSAR ZANCHI DAHER

l Daher é engenheiro civil pela Universidade Federal do Paraná, com experiência de 38 anos no
controle de qualidade tecnológica de concreto e solos, pavimentação e monitoramento de
fundações, em obras como: Usina Hidrelétrica de Itaipu; Barragens Foz do Rio Claro, Rio Verdinho
e Salto Caçu em Goiás; Parque Eólico Assuruá, na Bahia; Parque Eólico Mirim II e Mangueiras
III Emchuí, Rio Grande do Sul; Pátio de contêineres do Porto do Paranaguá, pista de taxiamento
do Aeroporto Afonso Penna e do aeroporto de Vitória no Espírito Santo; pavimentação da Serra
Dona Francisca, em Joinville; pavimentação da Serra Cuiabá-Rondonópolis em Mato Grosso;
fábrica da Renault, fábrica Audi-Volkswagen em Curitiba; das dez mais altas edificações do
Brasil, seis estão sob a sua gestão tecnológica e iniciando a gestão tecnológica do Porto de San
Martin, Paracas, no Peru.
l Diretor-Presidente da Daher Consultoria e Tecnologia, empresa com 35 anos de atuação na
Eng. César Zanchi Daher (dir.) área tecnológica de concreto e solos, com obtenção de alguns recordes, como o concreto de
recebe prêmio do Diretor de Relações alto desempenho com 136 MPa, usado no Evolution Towers Curitiba, em 2004, e o concreto de
Institucionais do IBRACON, alto desempenho com 143 MPa, usado no Centro Comercial Antártica Ponta Grossa, em 2006.
Prof. Tulio Bittencourt
l César Zanchi Daher foi Professor Titular de Mecânica dos Solos e de Tecnologia de Concreto

e Materiais, na Pontifícia Universidade Católica (PUC Paraná), de 1982 a 2002, onde fundou e foi Diretor do Instituto de Pesquisa e Assessoria
Tecnológica (INTEC). Foi Diretor do Curso de Engenharia Civil de 1990 a 1996.
l Escreveu o capítulo Interação Solo-Estrutura do livro internacional Twin Cities.
l Foi Presidente do Instituto de Desenvolvimento Profissional Avançado (IDPA), especializado em residências técnicas para engenheiros e arqui-
tetos, e foi Diretor Regional do IBRACON, de 1995 a 2007.

PRÊMIO OSCAR NIEMEYER SOARES FILHO • DESTAQUE DO ANO EM ARQUITETURA DE CONCRETO


PAULO JULIO VALENTINO BRUNA

l Paulo Bruna é arquiteto (1964) e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da


Universidade de São Paulo, onde atua como professor.
l Trabalhou no escritório londrino “Low Rodin & Oth” em 1967/1968, especializado no Cálculo
de Sistemas Industrializados de Concreto Armado.
l Em seu doutorado defendeu a necessidade de racionalizar e prefabricar todos os componentes
do programa habitacional recém-lançado do Banco Nacional de Habitação (BNH), tese publicada
em livro nos anos 1970.
& Construções

l Realizou projetos baseados na pré-fabricação no canteiro de obras, como a Secretaria de


Agricultura do Estado de São Paulo, a fábrica de trens de pouso da Embraer em São José dos
Campos, e a fábrica da Gessy Lever, no interior de São Paulo, entre outras.
Arq. Paulo Bruna (esq.) ao lado do l Atualmente, além de professor titular da FAU-USP e FAAP, é diretor do Escritório Paulo Bruna
Diretor-Secretário do IBRACON,
Prof. Antonio Domingues de Figueiredo Arquitetos Associados, com projetos como o da Ática Shopping Cultural, que recebeu o grande
prêmio da III Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, em 1997, e do Acelerador de
Partículas Sirius, do Polo de Alta Tecnologia, em Campinas.
l Publicou “Os Primeiros Arquitetos Modernos – Habitação Social no Brasil 1930-1950”, sua tese de livre-docência, e “Quatro Ensaios Sobre
Oscar Niemeyer”, seu último livro.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 37 37


u 60º CBC

Prêmios de Destaque 2018


PRÊMIO FALCÃO BAUER • DESTAQUE DO ANO EM ENGENHARIA DE PESQUISA EM CONCRETO E MATERIAIS CONSTITUINTES
VANDERLEY MOACYR JOHN
l Vanderley é engenheiro civil pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1992), mestre em
engenharia civil pela Universidade Federal do Rio Grande Do Sul e doutor em engenharia civil
pela Universidade de São Paulo. Ele tem pós-doutorado pelo Royal Institute of Technology da
Suécia (2001).
l Professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, é membro do Laboratório
de Microestrutura e Ecoeficiência, que fundou em 1996, com o professor Vahan Agopyan.
l John é coordenador da unidade EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial)
Poli USP Materiais para Construção Ecoeficiente, do INCT Tecnologias Cimentícias Ecoeficientes
Avançadas e do IRIS USP (Interdisciplinary Research for Innovative Solutions).
l Ele é membro da coordenação do Centro de Inovação Para Construção Sustentável, do
Prof. Vanderley John com o prêmio Conselho Executivo da Agência USP Inovação, da diretoria do Conselho Brasileiro de
ao lado do Diretor Técnico do Construção Sustentável e da Rede LCCI (Low-Carbon Cementitious Materials Iniciative),
IBRACON, Prof. Paulo Helene parte do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas.
l Atualmente se dedica a desenvolver tecnologias que aumentam a eficiência do uso de ligantes e de sua substituição por fíleres e dispersantes.
l Co-autor do Relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente “Eco-Efficient Cements: Potential Economically Viable Solutions
For A Low-Co2 Cement-Based Materials Industry” e do livro “Construção Sustentável: Mitos, Desafios e Oportunidades”.

PRÁTICA RECOMENDADA IBRACON/ABECE


Macro bras poliméricas para concreto destinado a aplicações
estruturais: de nições, especi cações e conformidade
Elaborada pelo CT 303 – Comitê Técnico IBRACON/ABECE sobre Uso de
Materiais não Convencionais para Estruturas de Concreto, Fibras e Concreto
Reforçado com Fibras, a Prática Recomendada especifica os requisitos
técnicos das macrofibras poliméricas para uso em concreto estrutural.
A Prática Recomendada abrange
macrofibras para uso em todos DADOS TÉCNICOS
os tipos de concreto, incluindo
ISBN: 978-85-98576-29-9
concreto projetado, para
Edição: 1ª edição
pavimentos, pré-moldados, Formato: eletrônico
moldados no local e concretos Páginas: 37
de reparo. Acabamento: digital
AQUISIÇÃO Ano da publicação: 2017
Coordenador: Eng. Marco Antonio Carnio
www.ibracon.org.br (Loja Virtual)

Patrocínio

38
Prêmio de
Teses e Dissertações
A premiação das melhores teses de doutorado sobre o
concreto, defendidas de 1º de março de 2016 a 28 de
fevereiro de 2018, ocorreu na abertura do 60º Congresso Bra-
lhores dissertações e teses na área do concreto, cadastradas
no CONCRETO BRASIL, no seu Prêmio de Teses e Disser-
tações. Para concorrer, basta cadastrar sua pesquisa no site
sileiro do Concreto, no dia 18 de setembro, em Foz do Iguaçu. www.ibracon.org.br .
A cada ano o IBRACON premia intercaladamente as me- Confira os trabalhos premiados!

PRÊMIO MELHOR TESE EM ESTRUTURAS


Estudo de Conectores de Cisalhamento em Barras de Aço Para Vigas Mistas de Aço e Concreto
WALLISON CARLOS DE SOUSA BARBOSA

l Wallison Barbosa é doutor em estruturas e cons-


trução civil pela Universidade de Brasília e profes-
sor no Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Goiás.
l Ele tem pedido de patente referente a conec-
tor de cisalhamento treliçado e seu processo
de fabricação.
l Orientador: Luciano Mendes Bezerra
Prof. Wallison Barbosa (dir.) recebe l Universidade de Brasília
prêmio do Diretor de Pesquisa e
Desenvolvimento do IBRACON,
Prof. Leandro Mouta Trautwein

P R Ê M I O M E L H O R T E S E E M M AT E R I A I S
Influência da Temperatura e Pressão na Hidratação e Desempenho Mecânico de Pastas Para Concreto de Ultra-Alto Desempenho
CAROLINA NODA LIVI

100
& Construções

l Carolina Livi é doutora em engenharia civil pela


95
Universidade Federal de Santa Catarina, professo-
75
ra e coordenadora de curso de engenharia civil na
Unisociesc, de Florianópolis
l Orientador: Wellington Longuini Repette
25
l Universidade Federal de Santa Catarina
5
Carolina Livi recebe prêmio
do Diretor de Eventos do IBRACON,
0
Eng. César Henrique Daher

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 39 39


u 60º CBC

Conferências plenárias
trazem as novidades das
pesquisas sobre o concreto
FÁBIO LUÍS PEDROSO

P or que o concreto é o material do futuro? Quais os


avanços que têm sido feitos nas pesquisas científicas
para a melhor compreensão da natureza do cimento e do pa-
penetração de sais de cloretos. Presentes no ar e na água
que circundam essas obras e que formam seu microclima, os
sais de cloretos, espécie iônicas formadas por um átomo de
pel desempenhado pelas adições? Quais as últimas desco- cloro negativamente carregado e um átomo de outra espécie
bertas relacionadas ao fenômeno da penetração de cloretos química, como o sódio, penetram nas estruturas por meio
e quais as tendências atuais dessas pesquisas? de sua difusão, adsorção e depósito superficial. Uma vez no
Essas foram as questões discutidas nas conferências ple- interior do elemento de concreto, os íons de cloretos despas-
nárias do 60º Congresso Brasileiro do Concreto, realizadas sivam o meio alcalino que circunda o aço, iniciando seu pro-
nas manhãs dos dias 19, 20 e 21 de setembro, no auditório cesso de corrosão. Por um lado, isto leva a uma redução da
Sonata do Maestra Grand Convention Center, no hotel Re- área superficial do aço e de sua capacidade de resistência à
canto Cataratas, em Foz do Iguaçu, no Paraná. tração. Por outro, leva ao acúmulo de ferrugem, que aumenta
Veja a seguir um breve relato do que foi apresentado pe- seu volume no interior da estrutura em até 600%, produzindo
los palestrantes Pedro Castro (Cinvestav-IPN, México), Ian sua fissuração.
Richardson (Leeds University, Inglaterra) e Roberto Stark Para trazer as últimas novidades em termos de pesquisa
(Stark + Ortiz, México). científica sobre o fenômeno da penetração de cloretos em
estruturas de concreto armado, o Instituto Brasileiro do Con-
PESQUISAS SOBRE DIFUSÃO DE CLORETOS creto convidou o pesquisador do Centro de Pesquisas e Es-
REQUEREM ELABORAÇÃO DE ATLAS tudos Avançados do Instituto Politécnico Nacional (Cinvestav
A principal causa de deterioração das estruturas de con- – IPN, México), Pedro Castro, para sua conferência plenária
creto armado em obras marítimas esta relacionada com a no 60º CBC, intitulada “História e tendências na interpretação
dos perfis de cloretos no concreto”.
Os perfis de cloreto são as curvas formadas a partir dos
resultados de medição da distribuição da concentração de
cloretos nas estruturas de concretos em função de sua pro-
fundidade nessas estruturas e do tempo de exposição de-
las. Essas curvas são geralmente descritas pela Lei de Fick,
que estabelece gráficos com valores de concentração de
cloretos ascendentes em função do tempo de exposição,
mas com valores declinantes em função da profundidade
na estrutura.
Com base na Lei de Fick e na concentração crítica de clo-
retos, os pesquisadores têm proposto modelos matemáticos
para prever quando uma estrutura começará a se deteriorar
Palestra do Prof. Pedro Castro é assistida por auditório lotado e com qual taxa.

40
A concentração crítica é o parâmetro definido como a
quantidade de cloretos necessária na região que circunda o
aço na estrutura para despassivá-lo ou, em termos práticos,
para iniciar o processo de corrosão e provocar a deterioração
visível da estrutura de concreto.
Na avaliação do Prof. Pedro Castro, o principal problema
com esses modelos é assumir que existe uma constante de
difusão do cloreto na estrutura de concreto. “O comporta-
mento de difusão dos cloretos no concreto é um processo
de transporte mais complexo do que o descrito pela Lei de
Fick”, concluiu.
Segundo o pesquisador, vários estudos têm revelado que
o coeficiente de difusão dos cloretos no concreto varia em
decorrência do tipo de concreto e do meio ambiente (mi-
croclima) no qual está inserida a estrutura. Concretos com
diferentes relações água/cimento e com diferentes tipos de
cimentos apresentam diferentes taxas de difusão dos clore-
Prof. Pedro Castro em momento de sua palestra
tos em seu interior. Já, estruturas de concreto situadas em
ambientes com distintas temperaturas e umidades relativas DESCOBERTAS CIENTÍFICAS LEVAM A NOVO MODELO
do ar apresentam também coeficientes distintos de difusão NANOESTRUTURAL DAS REAÇÕES NO CIMENTO
de cloretos. “Por um lado, a maior relação água/cimento na Tão importante quanto prever quando uma estrutura po-
dosagem do concreto implica uma maior porosidade do con- derá estar sujeita a manifestações patológicas causadas pela
creto, que facilita o ingresso de cloretos. Por outro, a maior penetração de cloretos ou de outros agentes agressivos do
temperatura do ambiente leva a uma maior mobilidade de meio, é prevenir o ingresso e inibir a ação desses agentes
cloretos pela estrutura de concreto”, exemplificou. agressivos. Uma medida preventiva que tem se mostrado efi-
Outros fatores que influenciam nos modelos de predição caz tem sido usar adições minerais ou cimentos produzidos
são as diferentes zonas de exposição das estruturas (diferen- com essas adições, como as cinzas volantes, as escórias de
tes alturas das estruturas numa obra em relação ao nível da alto forno, entre outras, tecnicamente conhecidas como mate-
água salina) e a distância da obra em relação ao mar. Em ra- riais cimentícios suplementares, por suas reações secundárias
zão disso, além da zona de difusão dos cloretos, os modelos de hidratação, ou seja, reações com os produtos hidratados
matemáticos têm assumido também a zona de convecção, do cimento.
que leva em conta esse mecanismo no transporte dos clore- Tratar da natureza da principal fase aglomerante do con-
tos na superfície da peça de concreto, o que define a região creto e como ela é afetada pelos materiais cimentícios suple-
que sofre seu efeito. Conjugando-se essas duas zonas, os mentares foi o tema da palestra do pesquisador da Univer-
pesquisadores conseguiram chegar a modelos de predição sidade de Leeds, na Inglaterra, Ian Richardson, no 60º CBC.
da difusão de cloretos em estruturas de concreto cujos re- O cimento Portland anidro é formado basicamente por
sultados são muito próximos daqueles medidos em campo. silicatos tricálcicos, silicatos dicálcicos, aluminatos tricálcicos
O recado final do Prof. Pedro Castro aos quase 400 con- e aluminatos ferrosos de cálcio, nas composições de 40%
& Construções

gressistas que assistiram a sua palestra foi o da necessidade a 60%, 10% a 25%, 10% a 15% e 10% a 15%, respectiva-
de construção de um atlas que considere o estágio das pes- mente. Essas espécies químicas originam, na presença de
quisas e pondere por regiões os materiais comumente usa- água, por meio de reações de hidratação, silicatos de cálcio
dos na dosagem do concreto e as circunstâncias ambientais hidratados (C-S-H), cálcios hidratados (CS) e hidratos de alu-
típicas a que são expostas as estruturas de concreto. Dessa minatos de cálcio ferrosos e sulfurosos. Dentre esses pro-
forma será possível estipular para cada região do atlas os mo- dutos hidratados, os silicatos tricálcicos são a fase principal
delos conceituais e matemáticos mais apropriados para prever aglomerante, possuindo composição química, morfologia e
o comportamento da difusão dos cloretos no concreto. nanoestrutura variáveis.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 41 41


u 60º CBC

ção da temperatura de hidratação do cimento é retardada


pela presença de cinza volante no primeiro dia em relação
a essa evolução da temperatura no cimento sem adições.
A partir do segundo dia, sobrevém o efeito fíler dos produ-
tos hidratados, que aceleram a reação de hidratação até
mais ou menos o décimo dia, quando passam a predomi-
nar as reações pozolânicas, que voltam a desacelerar as
reações de hidratação.
Essas variações na taxa da reação de hidratação do ci-
mento ocasionam concomitantemente variações nas con-
centrações de cálcio hidratado (CH) nos poros do concreto.
Concentrações altas de CH nos poros levam à formação de
Prof. Ian Richardson responde a dúvidas levantadas pelo público nanoestruturas fibrosas de C-S-H, enquanto que concen-
em sua palestra trações baixas produzem nanoestruturas foliculares. Dessa
forma, o modelo nanoestrutural exposto pelo pesquisador
Estudos com o microscópio eletrônico de transmissão e explica as variações medidas na composição e morfologia
de varredura revelaram que os silicatos tricálcicos hidrata- dos silicatos tricálcicos hidratados na pasta de cimento.
dos (C-S-H) em qualquer idade da pasta de cimento variam Por seu lado, materiais cimentícios suplementares ri-
suas médias das razões entre a quantidade de átomos de cos em silicatos de alumínio tendem a aumentar as mé-
cálcio e de silício em valores entre 1,7 até 1,8, o que indi- dias das razões entre a quantidade de átomos de silí-
ca variação microestrutural. “Esses valores, bem acima do cio e cálcio, por um lado, e a quantidade de átomos de
valor médio de 1,5 encontrado nos livros-texto de química alumínio e cálcio, por outro, o que leva à predominância
do cimento, explicam os problemas advindos das tentativas na formação de nanoestruturas foliculares de C-S-H na
de modelagem dos mecanismos de formação e distribuição pasta de cimento.
das cadeias de C-S-H na pasta de cimento”, ressaltou o Segundo o pesquisador essa mudança de morfologia
Prof. Richardson. Segundo o pesquisador as partículas de de fibrosa para folicular é a responsável pela redução das
C-S-H possuem duas partes: uma interna, homogênea e taxas de difusão de cloretos nos concretos feitos com ci-
fina; e uma externa, fibrosa. “A parte interna é mantida e ro- mentos com materiais cimentícios suplementares, cons-
deada pela parte externa, que reagiu com a água”, explicou. tatada pelos experimentos de porosimetria de intrusão de
Com base nessas descobertas, o pesquisador apresen- mercúrio. A nanoestrutura folicular é capaz de ocupar me-
tou modelos nanoestruturais mais atuais dos silicatos tricál- lhor os poros do concreto, produzindo uma microestrutura
cicos hidratados e de seus mecanismos de formação de lon- pobre em porosidade interconectada, que contribui para a
gas e variáveis cadeias nas pastas de cimento. Segundo o maior durabilidade do concreto. “Porém, para isso, é pre-
Prof. Richardson, as primeiras camadas a se formar são as ciso que o SCM reaja, o que mostra a importância da cura
de óxidos de cálcio (CaO), que servem de matrizes para a do concreto”, advertiu Richardson.
formação das cadeias variadas de silicatos de cálcio.
Na segunda parte de sua palestra, o Prof. Ian explicou MELHOR DESEMPENHO DO CONCRETO
como e por que os materiais cimentícios suplementares IMPULSIONA SEU USO EM EDIFÍCIOS ALTOS
(SCM) interferem na reação de hidratação do cimento e Por que usamos o concreto? O questionamento foi fei-
na morfologia e nanoestrutura dos produtos hidratados. to pelo sócio da empresa de projeto e consultoria Stark
Segundo ele, o uso de cinza volante, por exemplo, na pro- + Ortiz e professor da Universidade Nacional do México,
porção de 30% em massa de cimento, retarda inicialmente Roberto Stark, aos cerca de 400 congressistas que assis-
as reações de hidratação do cimento, mas as acelera pos- tiram a sua palestra no 60º CBC, intitulada “Concreto: o
teriormente, em idades intermediárias do concreto. Isto foi material do futuro”.
bem documentado na compilação de estudos feita pelo Para o palestrante, o concreto é utilizado na maio-
palestrante. A explicação para o fenômeno é que a evolu- ria das construções porque se consegue produzi-lo em

42
grandes volumes a partir dos recursos materiais disponí-
veis no planeta e porque com o concreto são produzidas
as melhores estruturas.
Para justificar sua resposta, o Prof. Roberto Stark apre-
sentou dois estudos paramétricos feitos em seu escritório.
No primeiro foram comparados edifícios de seis a 30 an-
dares, para zonas de baixa e de alta sismicidade, com car-
ga acidental de 2,5 kN/m2, sendo projetados para serem
construídos ou com estruturas de concreto em sistemas
de paredes e pórticos (walls and frames) ou com estruturas
contraventadas de aço (braced frames). Na comparação
do custo por metro quadrado, as estruturas de concre-
to apresentaram os menores valores para todos os edifí-
cios, tanto em zonas com alto coeficiente sísmico quanto
em zonas com baixo coeficiente. A partir de edifícios com
nove andares essa economia é de aproximadamente 20%
para edifícios em zonas de baixa sismicidade e ainda maior
Prof. Roberto Stark apresenta as conclusões dos estudos
para os edifícios em zonas de alta sismicidade. paramétricos apresentados no 60º CBC

No segundo estudo paramétrico, assumindo a análise


de edifícios de seis a 30 andares, para zonas com coe- de 200 metros de altura são construídos com estruturas
ficientes de sismicidade de 0,1 (baixa) e 0,4 (alta), com de concreto, sendo de apenas 5% o índice de edifícios
carga acidental de 2,5 kN/m2, dados representativos de altos com estrutura de aço. Os edifícios altos com estru-
países como Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Costa turas metálicas eram dominantes até a década de 1970,
Rica, Equador e Guatemala, o palestrante apresentou re- com casos com alturas de até 450 metros. Mas, desde
sultados ainda mais expressivos de economia de custo então, vêm perdendo espaço para os edifícios com estru-
por metro quadrado para as estruturas de concreto em turas de concreto, que, hoje, atingem até 1000 metros de
relação às de aço. Na comparação de dois edifícios de altura, com sistema estrutural com vigas rígidas ligando os
21 andares, a economia de custo foi de 8%, com pilares pilares externos ao sistema de contraventamento central
com dimensões 30% menores e com 50% menos aço nas (outriggers). Os dados são do Conselho em Edifícios Altos
estruturas de concreto de maior resistência (35 a 50 MPa). e Habitat Urbano (CTBUH, na sigla em inglês). “Houve uma
Além desses estudos paramétricos, Roberto Stark apre- transição progressiva do uso do aço para o uso do concre-
sentou diversos projetos e análises estruturais de edifícios to na construção de edifícios altos a partir da década de
altos construídos em concreto, nos quais a Stark+Ortiz par- 1980. Isto porque as estruturas de concreto para grandes
ticipou. Nesses estudos de caso as estruturas foram pro- edifícios têm mostrado melhor comportamento sob a ação
jetadas variando a resistência à compressão do concreto do vento e de terremotos, além de serem mais facilmente
usado nos diferentes elementos estruturais: de um valor executadas. Não é à toa que o maior edifício do mundo é de
máximo de 50 MPa para as pilares mais solicitados (pilares concreto!”, salientou Stark. Ele chamou, porém, a atenção
internos de andares inferiores e colunas externas da edi- dos presentes para a necessidade de um melhor controle
& Construções

ficação) até o valor mínimo de 35 MPa para as vigas dos tecnológico dos concretos usados nos edifícios altos, “pois
andares superiores. “Com isso, conseguimos, por um lado, é necessário conhecer mais do que o consumo de cimento,
obter pilares com dimensões reduzidas e com bom espa- sendo necessário realizar ensaios de módulo de elasticida-
çamento entre eles, possibilitando bom aproveitamento das de, de fluência, de retração, entre outros”.
baias das garagens. Por outro lado, com essa modelagem Na avaliação geral do Prof. Stark, as vantagens do con-
obtemos estruturas capazes de resistir a sismos e com bom creto sobre o aço são: menor custo, melhor resistência
comportamento sob a ação do vento”, frisou. ao fogo, baixo custo de manutenção, e melhor comporta-
Por essas razões, mais de 70% dos edifícios com mais mento sob ação do vento.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 43 43


u 60º CBC

Seminário disseminou
informações sobre resistência
do concreto ao fogo
FÁBIO LUÍS PEDROSO

O colapso do edifício Wilton Paes de Almeida, em


São Paulo, em maio último, em decorrência do
incêndio iniciado no quinto andar, reacendeu questões
novas edificações e para edificações reformadas após
mudanças em seu uso. Prédios construídos antes da dé-
cada de 1970, que se mantiveram em uso sem reformas,
na comunidade brasileira de arquitetos e engenheiros ci- como o Wilton Paes de Almeida, ou não foram adaptados
vis. Imediatamente ao trágico acidente, o Instituto Bra- ou o foram parcialmente. Essa situação é preocupante
sileiro do Concreto (IBRACON), juntamente com outras porque somente na cidade de São Paulo, dos 53 mil pré-
associações técnicas, lançou um manifesto público aler- dios existentes, 24 mil foram construídos antes de 1970.
tando para a herança negativa e preocupante de edifica- Para debater o assunto o IBRACON promoveu o II Semi-
ções não devidamente adaptadas para resistir ao fogo nário sobre Segurança de Estruturas em Situação de Incêndio,
nas cidades brasileiras. no dia 19 de setembro, como evento paralelo do 60º Con-
O edifício Wilton Paes de Almeida fora construído na dé- gresso Brasileiro do Concreto, que foi realizado em Foz do
cada de 1960 para abrigar a sede da empresa Companhia Iguaçu, de 17 a 21 de setembro. Seu objetivo foi “trazer infor-
Comercial de Vidros do Brasil (CVB). Com 24 andares, 12 mil mações sobre o comportamento do concreto em situação de
m² de área construída, o edifício foi projetado pelo arquiteto e incêndio, para tranquilizar a comunidade técnica e a sociedade
professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Univer- brasileira quanto às boas propriedades do concreto em resis-
sidade de São Paulo (FAU-USP), Roger Zmekhol, sendo con- tir ao fogo”, assinalou na abertura do Seminário um de seus
siderado um marco da arquitetura modernista de São Paulo. coordenadores, o professor da Universidade Federal de Santa
Após os incêndios nos prédios comerciais em concreto ar- Maria (UFSM), Rogério Cattelan Antocheves de Lima. Ao que
mado Andraus e Joelma, na década de 1970, houve atualiza- foi complementado pela professora da Universidade Federal
ções das regras para prevenção e combate ao fogo em prédios do Rio Grande do Sul, Ângela Graeff, que afirmou ser o propó-
na cidade de São Paulo. Antes dessas tragédias com vítimas sito do seminário “disseminar conceitos e técnicas de projeto
fatais, as medidas exigidas eram extintores e hidrantes sinaliza- e construção, bem como descobertas científicas, que possibi-
dos. Após elas, decreto da Prefeitura estabeleceu critérios para litem evitar o incêndio e sua propagação na edificação, ou que
localização de escadas e saídas de emergência, e quanto tem- permitam projetar e executar a estrutura para resistir a ele”.
po paredes, pilares e vigas deveriam resistir ao fogo.
Em 2001, a Associação Brasileira de Normas Téc- RESISTÊNCIA AO FOGO
nicas lançou as normas ABNT NBR 5628 e ABNT NBR Quando se trata de edificações em situação de incên-
14432, que estabeleceram requisitos de resistência ao dio, uma distinção inicial se faz necessária: a reação ao
fogo para componentes construtivos estruturais e para fogo e a resistência ao fogo. O incêndio ocorrido na Boa-
elementos construtivos de edificações, respectivamente. te Kiss, na cidade de Santa Maria, em 2013, que matou
Já, em 2011, a entidade publicou a norma ABNT NBR 242 pessoas e feriu outras 680, foi um caso de reação ao
15200, que estabeleceu os critérios de dimensionamento fogo: o material usado no teto para isolamento acústico
de estruturas de concreto para resistir a incêndios. era inflamável e sua combustão liberou enorme quanti-
Todavia, essas regras e normas foram aplicadas para dade de fumaça tóxica. Para evitar essa modalidade de

44
incêndio há uma variedade de normas internacionais e
ensaios para se determinar a combustibilidade e ignita-
bilidade de materiais, e a densidade óptica da fumaça
expelida por eles, que permitem classificá-los para seu
uso adequado na construção civil.
Segundo o coordenador da comissão especial do Con-
selho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Gran-
de do Sul (CREA-RS) e diretor da Escola de Engenharia
da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS),
Luiz Carlos Pinto da Silva Filho, um dos palestrante no
Seminário, o incêndio na Boate Kiss foi consequência de
deficiências sistêmicas na maneira como lidamos com a
prevenção ao incêndio. Dentre essas pode-se citar: con-
dutas de risco em ambientes fechados, fragmentação,
dubiedade, desatualização e descumprimento de leis e
normas, falta de informação e de respeito às normas por
parte de fornecedores, carência na fiscalização por parte Prof. Paulo Helene, ladeado pelo Prof. Enio Pazini Figueiredo
do corpo de bombeiros, falta de capacitação de profis- e pela Profª Ângela Graeff, responde às dúvidas do público

sionais e pouca valorização da segurança contra incên-


dio por parte da sociedade. Segundo o palestrante, parte incêndios ocorridos nos edifícios de concreto armado
das deficiências foram corrigidas com a edição da Lei Andraus (São Paulo, 1972), Joelma (São Paulo, 1974),
Federal 13.425, que obrigou a inclusão de disciplinas de Grande Avenida (São Paulo, 1969 e 1981) e Parque Cen-
prevenção e combate a incêndio e desastres nos cursos tral Torre Leste (Venezuela, 1979), que não colapsaram,
de graduação de engenharia e arquitetura. foram recuperados e estão atualmente em uso, aos ca-
Já, o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida foi sos dos incêndios ocorridos nos edifícios de estrutura
um caso típico de resistência ao fogo porque seus ele- metálica (World Trade Center, Estados Unidos, 2001) e
mentos em concreto armado não resistiram ao incêndio, de elemento misto de aço e concreto (Windsor, Espanha,
vindo colapsar 80 minutos após seu início. “Eu era defen- 2005), que colapsaram.
sor da tese de que o concreto não colapsava em situação O Centro Administrativo de Goiás, edificação de con-
de incêndio, mas as investigações nos destroços do Wil- creto armado, que sofreu incêndio de cinco horas em
ton Paes de Almeida apontaram evidências contra ela”, 2000, após 30 anos de uso, foi recuperado e se encontra
afirmou em sua palestra o diretor técnico do IBRACON, atualmente em uso, após ter sua laje do 11ª andar de-
Prof. Paulo Helene, que foi encarregado de coordenar um molida e reconstruída, com base em ensaios que cons-
programa experimental de ensaios e análises das amos- tataram seu comprometimento pela ação do fogo, mas
tras de um pedaço do pilar e de um pedaço da laje em que avalizaram a preservação dos pilares devido ao co-
balanço, retirados dos escombros do Edifício Wilton Paes brimento de suas armaduras estar acima do mínimo re-
de Almeida, para fazer um diagnóstico sobre as possíveis comendado por norma. Este caso de inspeção e recupe-
causas do colapso. A atividade envolveu uma equipe de ração foi tema da palestra do professor da Universidade
& Construções

profissionais associados ao IBRACON e contou com a Federal de Goiás, Enio Pazini, que é também diretor de
colaboração da Universidade Presbiteriana Mackenzie, cursos do IBRACON, coordenando o curso “Inspetor I –
da Associação Brasileira de Cimento Portland e da PhD Inspeção de Estruturas de Concreto”, que tem o objetivo
Engenharia, sendo resultado da assinatura de um termo de formar e capacitar profissionais para a realização de
de cooperação técnica entre o IBRACON e a Prefeitura inspeção, diagnóstico e prognóstico de obras.
de São Paulo, por meio da Secretaria de Infraestrutura Aço e concreto são materiais não combustíveis. Por
Urbana e da Secretaria de Segurança Urbana. ter condutividade térmica bem menor que o aço, o con-
Em sua palestra, Helene contrapôs os casos dos creto funciona como isolante térmico nos elementos de

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 45 45


u 60º CBC

amostras são submetidas a uma curva de aquecimento-


-padrão num forno fechado de laboratório. Em razão dis-
so, o TRRF é caracterizado como tempo de ensaio, não
como tempo real, durante o qual um tipo de elemento da
estrutura (pilar, viga, laje, parede) mantém sua estabili-
dade (ou resistência), avaliada por meio da medição de
deformações horizontais e do impacto pendular de es-
feras metálicas no componente ensaiado), estanqueida-
de (verificada por meio da aproximação de chumaço de
algodão do componente ensaiado) e isolamento térmico
(definido pelas temperaturas medidas na face oposta à
face exposta ao fogo como estando abaixo de 140 ºC em
Momento da palestra do Prof. Marcelo Ferreira no Seminário média e de 180 ºC em qualquer ponto).
“O TRRF não é o tempo real que uma edificação deve
concreto armado, impedindo que as altas temperaturas manter sua estabilidade, estanqueidade e isolamento tér-
das faces expostas ao fogo sejam transferidas durante o mico para permitir a evacuação. Este tempo real deve ser
incêndio para o interior dos elementos, onde se localizam maior do que o TRRF, porque as condições de ensaio
as armaduras. Isto garante a estabilidade da edificação, no forno são exigentes”, comentou Luiz Carlos Pinto da
pois o aço, responsável por resistir aos esforços de tra- Silva Filho.
ção, sofre perda significativa de resistência ao redor de Essas condições de ensaio são extrapoladas para a
500°C, enquanto que o concreto, encarregado de resistir edificação por meio do conceito-chave de compartimen-
aos esforços de compressão, perde significativamente tação. A compartimentação vertical do edifício impede a
essa propriedade quando atinge temperaturas próximas propagação de gases e calor de um pavimento para o
a 800°C. Com base nessas características dos materiais, imediatamente superior, promovendo a segurança con-
é possível definir em projeto um cobrimento mínimo da tra o incêndio e, por isso, sendo obrigatória nos projetos
armadura pelo concreto, de modo que se assegure por de estruturas. Já, a compartimentação horizontal impe-
determinado tempo que as altas temperaturas de um in- de a propagação de gases e calor entre compartimentos
cêndio não atinjam o aço no interior do concreto. “Uma contíguos no mesmo pavimento, restringindo perdas e
laje de concreto armado em situação de incêndio deve facilitando as atividades de combate ao incêndio. Dessa
manter sua estabilidade, estanqueidade e seu isolamento forma, “a ação térmica na edificação é simulada pela cur-
térmico por até 120 minutos, critérios estipulados pelas va de aquecimento normalizada como ocorrendo dentro
normas técnicas”, exemplificou o palestrante Marcelo de de um compartimento, tal como acontece no forno de
Araújo Ferreira, coordenador do Núcleo de Estudo e Tec- laboratório, com as vigas, lajes e paredes dos pavimen-
nologia em Pré-Moldados de Concreto da Universidade tos funcionando como compartimentos”, exemplificou o
Federal de São Carlos (Netpre-USFSCar). palestrante Valdir Pignatta e Silva, diretor da Associação
Luso-Brasileira para a Segurança contra Incêndio) e pro-
DIMENSIONAMENTO CONTRA INCÊNDIO fessor da Escola Politécnica da USP. Em sua exposição,
O tempo durante o qual elemento estrutural deve ele deu exemplos de dimensionamentos com e sem com-
manter sua estabilidade, sua estanqueidade e seu iso- partimentação vertical.
lamento térmico é tecnicamente conhecido como tempo Entende-se, portanto, como as condições de labo-
requerido de resistência ao fogo (TRRF). Ele é definido ratório buscam replicar as condições reais, na medida
pelas normas ABNT NBR 5628 – Componentes constru- em que a compartimentação é requerida no projeto das
tivos estruturais – Determinação da resistência ao fogo e edificações, como medida de segurança contra incêndio.
ABNT NBR 10636 – Paredes divisórias sem função es- Todavia, cada incêndio real tem suas próprias caracte-
trutural – Determinação de resistência ao fogo. Seu va- rísticas específicas, que podem ou não ser mais rigo-
lor é obtido por meio de um ensaio padronizado no qual rosas do que as condições normalizadas do ensaio de

46
resistência ao fogo. Além disso, por mais que as pesqui-
sas procurem modelar o comportamento das estruturas
de concreto em situação de incêndio, este é complexo e
depende de conjunto de fatores que, nem sempre, po-
dem ser previstos ou controlados, como “o tamanho e al- armado e de painéis de concreto em situação de incên-
tura da edificação, a intensidade, extensão e localização dio. Um dos resultados apresentados foi o da diferença
do incêndio, o arranjo estrutural e os tipos de elementos nas temperaturas de um pilar de concreto armado com
estruturais usados na edificação”, ponderou o Prof. Mar- 45% de sua seção transversal submetida ao fogo num
celo de Araújo Ferreira. ensaio padrão: para um dos traços de concreto analisa-
O Prof. Marcelo Ferreira expôs no Seminário alguns do, na face exposta a temperatura atingiu 700°C, mas na
dos princípios e recomendações dos manuais da fib face oposta, a cerca de 10 cm, ela não passou de 40°C.
(Federação Internacional do Concreto), do PCI (Instituto Outro estudo, que comparou painéis de concreto proten-
do Concreto Pré-moldado) e da EN 1168 para os proje- dido, armado ou reforçado com fibras, com 30 MPa, sub-
tos de estruturas pré-moldadas de concreto, que foram metidos ao fogo, mostrou que em apenas 18 minutos o
adotados na norma brasileira ABNT NBR 9062 Projeto e painel de concreto protendido teve suas propriedades de
execução de estruturas de concreto pré-moldado, na se- estabilidade, estanqueidade e isolamento térmico com-
ção dedicada ao assunto. Ele abordou o método tabular prometidas, situação atingida após os 177 minutos e 180
para lajes alveolares e para painéis maciços e a redução minutos pelos painéis de concreto reforçado com fibras e
da resistência ao esforço cortante no projeto dessas es- concreto armado, respectivamente.
truturas. Segundo ele, essas recomendações foram em- O palestrante Carlos Britez, da Britez Consultoria,
basadas num amplo programa experimental conduzido apresentou em primeira mão alguns dos resultados pre-
de 2011 a 2013 pelo Centro de Estudos e Pesquisas da liminares de sua pesquisa de pós-doutorado na Escola
Indústria do Concreto (CERIB), pela Associação Interna- Politécnica da USP sobre o desempenho de diferentes
cional de Lajes Alveolares (IPHA) e pelo Comitê Interna- tipos de revestimentos antifogo aplicados em elementos
cional de Manufatura do Concreto (BIBM), com o intuito de concreto armado. Diferentes revestimentos (gesso
de melhorar as especificações das lajes pré-fabricadas liso, gesso projetado, gesso formulado, argamassa in-
alveolares para situação de incêndio. dustrializada, argamassa comercial e tinta intumescente)
foram aplicados a esses elementos, especialmente pre-
PESQUISAS SOBRE ESTRUTURAS EM SITUAÇÃO parados com termopares, para, com um ano de idade,
DE INCÊNDIO serem submetidos ao ensaio de incêndio em forno de
Estudos experimentais de estruturas de concreto em grande porte, com sistema de queimadores a gás natu-
situação de incêndio têm sido feitos também nas univer- ral, sob a curva ISO 834 por 120 minutos. Os resultados
sidades brasileiras. Existem atualmente no país nove gru-
pos de pesquisa na área. Esses grupos têm procurado
entender os efeitos de altas temperaturas nos materiais
de construção (como o concreto reforçado com fibras),
simular os efeitos da exposição diferencial ao calor nas
estruturas (efeitos das tensões térmicas), estudar o com-
& Construções

portamento de membrana de lajes (compartimentação


vertical) e o desplacamento em alvenarias (explosivo ou
não), bem como a dinâmica do incêndio e os efeitos da
compartimentação das estruturas, entre outros temas.
O Prof. Bernardo Tutikian apresentou alguns dos estu-
dos acadêmicos que vêm sendo desenvolvidos no labo-
ratório de resistência ao fogo da Universidade do Rio dos
Sinos (Unisinos), como os ensaios de pilares de concreto Prof. Bernardo Tutikian em sua palestra no Seminário

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 47 47


u 60º CBC

condições controladas, de uma estrutura de concreto ar-


mado, não ao tempo real que um edifício, sob incêndio
descontrolado e com dinâmica complexa, deve manter
suas características de segurança.
As análises experimentais e teóricas feitas pela equi-
pe coordenada por Helene, por conta do termo firmado
entre o IBRACON e a Prefeitura de São Paulo, apontaram
que as temperaturas no prédio devem ter sido inferiores
a 600°C e que a espessura calcinada não passou de um
centímetro, não atingindo, assim, as armaduras de aço.
Esses dados descartam as hipóteses de que as armadu-
ras das estruturas perderam sua resistência.
Eng. Rogério Lin apresentando a certificação de produtos para Outros resultados dessas análises apontaram, segun-
proteção passiva do projeto estrutural hipotético, já que o projeto original
não foi localizado pela equipe técnica do IBRACON, que
desses ensaios foram comparados entre si e em relação os pilares foram bem dimensionados conforme a norma
ao elemento de referência, sem revestimento. Além de brasileira para dimensionamento de concreto vigente à
confirmarem os dados da literatura sobre revestimentos época da construção, que a resistência do concreto era
de argamassa com eficiência equivalente ao concreto, de 15 MPa e seu módulo de elasticidade dinâmico era de
mostraram que o cobrimento de 1,5 cm de espessura foi 27 GPa, sendo a profundidade de carbonatação no pilar
capaz de fazer a temperatura na armadura não ultrapas- analisado de apenas 3 cm. Essas observações afastam
sar os 600°C. quaisquer hipóteses relacionadas a problemas no projeto
As vantagens e desvantagens dos tipos de proteção estrutural e na sua execução.
passiva das estruturas, como a tinta intumescente e a A conclusão da equipe, baseada em simulações dos
argamassa projetada, foram apresentadas pelo presiden- deslocamentos últimos na edificação em função das va-
te da Associação Brasileira de Proteção Passiva (ABPP), riações térmicas nos seus elementos estruturais, foi de
Eng. Rogério Lin, que assinou com o IBRACON um termo que essas variações de temperatura nos pilares da caixa
de cooperação técnica para a disseminação de conheci- do elevador devem ter provocado o aumento em mais de
mento e informações sobre o assunto. dez vezes dos momentos nesses pilares, em relação aos
momentos resultantes das cargas verticais, o que levou
RAZÕES PARA O COLAPSO DO WILTON PAES ao rompimento do poço do elevador, provocando a ruína
DE ALMEIDA do prédio.
Por fim, coube ao Prof. Paulo Helene conjecturar so- Para o Prof. Helene, a maior lição que os engenheiros
bre as prováveis causas do colapso do edifício Wilton devem tirar do colapso do Wilton Paes de Almeida é que
Paes de Almeida, em razão de seu incêndio. “não devemos desprezar ou minimizar a ação do fogo
Se, por norma, as estruturas de concreto em situa- nas estruturas de concreto”. No final de sua palestra,
ção de incêndio devem manter sua estabilidade, estan- ele deixou as recomendações de que os projetos devem
queidade e isolamento térmico durante, pelo menos, 90 sempre buscar estar em consonância com as normas
minutos, para garantir a evacuação do prédio por seus técnicas vigentes e devem pecar pela redundância e pela
moradores, por que isto não aconteceu no Wilton Paes robustez, além de fazerem uso dos sistemas de proteção
de Almeida, que desabou 80 minutos após seu incêndio? ativa e passiva disponíveis.
Como apresentado anteriormente a especificação “Projetar estruturas é complexo e requer estar muito
do TRRF de 90 minutos se deu em norma publicada em bem preparado, em especial projetar estruturas não si-
2001, mais de quarenta anos após a construção do Wil- métricas e arrojadas requer análise abrangente, sistêmica
ton Paes de Almeida, sendo ainda que tal especificação e holística levando em conta todas as possibilidades de
refere-se ao tempo obtido em ensaio de laboratório, em esforços atuantes”, finalizou Helene.

48
Seminário
debateu iniciativas para a
qualidade das construções
em concreto
FÁBIO LUÍS PEDROSO

C oncorrem para a qualidade de uma obra de concreto


diferentes atores. O escritório de projeto é encarregado
de encontrar a melhor solução estrutural para o projeto arquite-
cia à compressão aos 28 dias (fck) e de módulo de elasticidade
do concreto para fazer frente a essas cargas. Cabe, por sua
vez, ao tecnologista fazer o estudo de dosagem do concreto,
tônico da obra, definindo requisitos técnicos no projeto estrutu- escolhendo os tipos e definindo as quantidades de agrega-
ral para assegurar sua capacidade portante, seu desempenho dos graúdos e miúdos, de cimento, de aditivos, de adições
em serviço e sua durabilidade. De posse do projeto estrutural, e de água, para que esse concreto atenda às especificações
a construtora, que detém o saber-fazer para transformar o pro- técnicas do projeto. Acontece, porém, que todo e qualquer
jeto numa realidade, contrata, por um lado, a concreteira, que concreto produzido segue uma lei estatística de distribuição
irá produzir o concreto sob medida para atender aos requisitos das frequências de suas resistências à compressão (curva de
do projeto, e, por outro, o laboratório de controle tecnológico, Gauss). Sendo assim, o parâmetro que importa no controle
que irá certificar o concreto fornecido, assegurando que ele da qualidade do concreto, estabelecido por norma técnica, é
possui os parâmetros técnicos requeridos no projeto. Por sua a resistência característica à compressão aos 28 dias. Esse
vez, esses agentes são subordinados às normas técnicas em parâmetro estipula que 95% de todos os resultados obtidos
vigor, que buscam regular suas atividades para o que consen- com os ensaios à compressão dos corpos de prova que com-
sualmente deve ser o padrão mínimo de qualidade para cada põem uma amostra de um determinado lote de concreto de-
segmento mobilizado na construção de uma obra. vem ter valor de resistência à compressão aos 28 dias acima
Esse processo da qualidade das obras de concreto se do fck de projeto. Quem realiza esses ensaios, compila seus
complexifica à medida que detalhamos suas etapas, os pro- resultados e verifica que eles atendem ao fck é o laboratorista,
fissionais envolvidos e suas relações. O projetista estrutural, ao fazer o controle de recebimento do concreto na obra. O
baseado em premissas numéricas de atuação de cargas ponto crítico nesse processo é que a informação de que um
numa estrutura, estipula, por exemplo, requisitos de resistên- determinado lote de concreto não atendeu o fck, ou seja, não
estava em conformidade com esse parâmetro de projeto, é
Auditório lotado na palestra do Prof. César Daher obtida apenas 28 dias após sua aplicação, porque o concreto
é um material que ganha resistência com o tempo, em razão
& Construções

das reações de hidratação que acontece nele. Sendo assim, o


engenheiro da obra, ao se constatar que esse lote de concreto
em não conformidade foi aplicado num elemento estrutural,
como um pilar, por exemplo, deverá consultar o projetista para
se assegurar do impacto que isto terá sobre a segurança da
obra. Dependendo dos cálculos, o projetista poderá aprovar
essa aplicação, ou poderá pedir para reforçar o pilar, ou pode-
rá solicitar ainda a demolição desse pilar e sua reconstrução.
Para debater essas e outras questões relacionadas ao

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 49 49


u 60º CBC

controle tecnológico do concreto foi promovido no 60º Con- trante no evento, o Eng. Egydio Hervé Neto. “Mas se estende
gresso Brasileiro do Concreto o Seminário “Laboratórios na ga- para a manutenção da obra, durante sua fase de uso, na me-
rantia da qualidade do concreto e construção”, no dia 20 de dida em que a qualidade das obras de concreto é composta
setembro, em Foz do Iguaçu, numa parceria entre o Instituto pelos requisitos técnicos de capacidade resistente, desempe-
Brasileiro do Concreto (IBRACON) e a Associação Brasileira das nho em serviço e durabilidade”, justificou Hervé.
Empresas de Tecnologia da Construção (ABRATEC). Na fase de construção, o laboratório de controle tecnoló-
gico concorre para estabelecer a curva real das resistências
GESTÃO TECNOLÓGICA DA OBRA diárias à compressão do concreto (fcki), por meio da moldagem
Para o diretor de eventos do IBRACON e diretor do Instituto de corpos de prova a partir de amostras dos lotes de concre-
IDD, Prof. César Daher, que palestrou no Seminário, o proces- to e de seu rompimento aos 3, 7, 14, 20, 28 e 63 dias. Essa
so da qualidade do concreto não consiste apenas no controle curva real é confrontada com a curva teórica de resistências
tecnológico de sua resistência característica à compressão (fck) diárias, dada no projeto, que define os momentos nos quais as
ou do seu módulo de elasticidade, mas requer outras atividades fôrmas e os escoramentos poderão ser movidos e retirados.
de controle e supervisão, como a verificação do abatimento do “A norma ABNT NBR 14931 Execução de estruturas de con-
concreto fresco, os cuidados para que o cobrimento das ar- creto estabelece que as fôrmas e escoramentos não podem
maduras obedeça o estipulado na norma técnica ABNT NBR ser removidos enquanto o concreto não atingir a resistência
6118:2014 para assegurar a durabilidade da obra, a checagem especificada em projeto para isto. Quem faz esse controle são
da não ocorrência de ninhos de concretagem e desalinhamento os laboratórios”, destacou Egydio.
de pilares, entre outras medidas. Por isso, é imprescindível a Já, na fase de manutenção, o laboratório participa do contro-
colaboração entre o tecnologista e o projetista desde o início do le dos materiais e dos procedimentos adotados para manter ou
projeto estrutural, no sentido de determinar o melhor concreto e restaurar as condições adequadas de uso de uma obra por seus
sua correta aplicação numa obra, especificando não apenas os usuários e para garantir sua durabilidade ou prolongar sua vida
traços do concreto, mas os estudos de dosagem e os progra- útil. A inspeção e manutenção periódicas de prédios, por exem-
mas de ensaios para assegurar a otimização no uso dos mate- plo, são procedimentos necessários para assegurar sua vida útil,
riais e o desempenho satisfatório e duradouro das estruturas de regulados pela ABNT NBR 5674 Manutenção de edificações –
concreto. “Em tempos de BIM (Building Information Modeling), Requisitos para o sistema de gestão de manutenção. Segundo
o controle tecnológico do concreto deu lugar à gestão tecnoló- Hervé, a manutenção deve guiar-se por uma “lógica de controle
gica da obra, envolvendo uma variedade de atividades, que vai de custos e maximização da satisfação dos usuários, frente às
desde a definição do escopo do controle, o tipo de amostragem condições apresentadas pela edificação, que fica a cargo do en-
e o plano de ataque da concretagem, passando pelos ensaios, genheiro civil e do laboratório de controle da qualidade”.
como os de resistência à compressão, módulo de elasticidade,
cálculo térmico e outros, e chegando à rastreabilidade dos lotes MESA-REDONDA
de concreto e ao controle do cobrimento das armaduras pela Na mesa-redonda que se formou após as palestras, ou-
capa de concreto e de outros requisitos necessários para a qua- tras questões envolvendo a gestão tecnológica e a qualida-
lidade final da obra”, complementou. de das construções foram levantadas e debatidas por seus
“Essa gestão tecnológica não se restringe à execução do integrantes e pelo público presente, cerca de 300 profissionais
projeto”, complementou o coordenador do Seminário e pales- e estudantes, inscritos no 60º CBC.
O Eng. Jorge Batlouni Neto, diretor da Tecnum Constru-
Eng. Egydio Hervé Neto em sua apresentação no Seminário tora, reclamou da ausência de um rigoroso controle tecnoló-
gico em muitas concreteiras brasileiras. Ele citou a mudança
no traço do concreto fornecido para uma mesma obra pela
troca do tipo cimento, sem qualquer aviso prévio ao constru-
tor. “Em muitos desses casos, isto faz com que o concreto não
endureça a uma temperatura de 20°C, provocando atrasos na
execução da obra”, exemplificou. “No exterior, o controle tec-
nológico do concreto é de responsabilidade da concreteira”,
contrapôs Batlouni.
Sobre isto, o presidente da Associação Brasileira das Em-
presas de Serviços de Concretagem (Abesc), Eng. Jairo Abud,

50
informou que no Brasil existem em torno de 650 concreteiras,
mas que apenas 300 delas possuem engenheiro tecnologis-
ta responsável pelo traço do concreto fabricado. “O merca-
do brasileiro avalia apenas o preço do produto, sem levar em
consideração a capacidade técnica da empresa”, desabafou.
Para ele, o laboratório de controle tecnológico deve atuar para
auxiliar o construtor no processo de compra do concreto.
Com Jairo Abud concordou o diretor do Grupo Falcão
Bauer, Eng. Roberto Bauer, para quem o critério de escolha
dos fornecedores tem um impacto importante na qualidade
final da construção. Jorge Batlouni foi além, propondo a certifi-
cação das concreteiras nos moldes da certificação dos labora-
tórios de controle tecnológico. O processo de certificação dos
laboratórios foi explicado pelo diretor da ABRATEC e diretor de
certificação do IBRACON, Eng. Gilberto Giuzio.
“Uma questão que se coloca nesta discussão é a da signi-
ficativa variabilidade dos percentuais de adições pozolânicas e
de escória permitidas para um mesmo tipo de cimento. Embo- Jairo Abud, Inês Battagin, Jefferson Dias, Egydio Hervé Neto,
Gilberto Giuzio, Roberto Bauer, Raphael Holanda e Enio Pazini
ra esta variação esteja dentro da norma, isto afeta a dosagem assistem, na primeira fila, a palestra no Seminário
experimental e compatibilização com os aditivos. O tecnolo-
Para o diretor da Holanda Engenharia, Eng. Raphael Ho-
gista, ou a concreteira, faz o estudo de dosagem e compa-
landa, a acreditação do laboratório de controle tecnológico o
tibilização com os aditivos para um cimento CP III ou CP IV,
gabarita a verificar as especificações do concreto produzido
com x% de adição e, durante a obra, as cimenteiras podem
pelas concreteiras.
variar o percentual de adições em valores que podem chegar
Segundo Roberto Bauer, um programa de ensaios realiza-
ao dobro, no caso do CP III, ou a mais que o dobro no caso
do recentemente no Grupo Falcão Bauer com 300 corpos de
CP IV. Isto afetará a qualidade do concreto produzido e, por-
provas moldados a partir de lotes de concreto vindos de dife-
tanto, aumenta a importância do controle tecnológico.” interviu
rentes concreteiras atestou que apenas 2,5% dos resultados
o mediador da Mesa-Redonda, Prof. Enio Pazini Figueiredo.
dos ensaios tinham valores abaixo dos valores de resistência
“A variabilidade na composição de cimentos compostos
característica à compressão dos projetos para os quais foram
acontece em todo mundo. As faixas de variação são previstas contratados. “O programa atestou que os concretos produzi-
em normas. É o comprador quem deve exigir as especifica- dos no país são conformes”, concluiu.
ções do cimento mais adequadas para seu concreto e sua Na avaliação de Jairo Abud o problema da não conformida-
obra”, rebateu a superintendente do Comitê Brasileiro de Ci- de do concreto está associado ao não cumprimento das normas
mentos, Concreto e Agregados da Associação Brasileira de técnicas e à falta de fiscalização das pequenas concreteiras. Ele
Normas Técnicas (ABNT/CB-02), Engª Inês Battagin, que as- defendeu mudança na normalização e na legislação brasileira
sistia ao debate entre os integrantes da Mesa-Redonda. “Além para a modernização das concreteiras no país, como a maior di-
disso, o ensaio de controle de recebimento do concreto deve versificação das centrais misturadoras frente às centrais dosado-
ser feito pelo comprador”, complementou. ras (tema que foi debatido em um outro seminário do 60º CBC) e
Outra questão associada aos concretos produzidos pelas a incorporação de novas tecnologias no concreto que informem
concreteiras brasileiras foi a dos concretos sem conformidade algumas de suas características ao comprador no momento de
& Construções

com as especificações do projeto estrutural. “Avolumam-se sua chegada à obra, como sua consistência e seu abatimento.
resultados de ensaios contratados pelas grandes construtoras Os debatedores foram unânimes em apontar para a im-
do eixo Rio-São Paulo que indicam a não conformidade dos portância de se seguir as normas técnicas para garantir a qua-
concretos entregues pelas concreteiras nas obras. Será que lidade da construção na cadeia produtiva do concreto. Eles
este problema está associado ao ensaio nos laboratórios ou à foram convidados pela engenheira Inês Battagin a participar
produção do concreto pelas concreteiras?”, questionou o pre- das comissões de estudos da ABNT, inclusive por vídeo con-
sidente da Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria ferência, e a contribuir com a proposição, revisão e atualização
Estrutural (Abece). de normas técnicas brasileiras.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 51 51


u 60º CBC

Qualidade do concreto
de centrais dosadoras e
misturadoras foi debatida
em mesa-redonda
FÁBIO LUÍS PEDROSO

C om a maior aplica-
ção de concretos com
maiores resistências à com-
pressão no país e de concretos
especiais (autoadensável, com
fibras, alto desempenho, etc.),
alguns profissionais do setor de
construção têm perguntando se
é possível entregara esses con-
cretos na obra com a qualidade
necessária. A principal questão
levantada é: caminhões beto-
neira, adequados para fazer a
mistura dos materiais constituin-
tes do concreto convencional, Palestra do Prof. Paulo Helene é assistida pelo público presente na Mesa-Redonda
e pelos coordenadores Prof. Bernardo Tutikian e Profª Maira Ott (mesa)
podem entregar uma mistura
homogênea e uniforme de concretos especiais? qualidade dos concretos produzidos no país, o misturador,
Essa questão é relevante quando se constata que de fato por ter maior velocidade de rotação, conseguiria produzir
no Brasil a maior parte do concreto distribuído por concre- misturas convencionais e de alta resistência mais homogê-
teiras, que perfaz apenas 17% da produção nacional, pro- neas e, consequentemente, com maior qualidade técnica.
vém de centrais dosadoras, modelo de produção no qual O tema é polêmico e, para enfrentá-lo, o IBRACON promo-
os materiais constituintes do concreto são proporcionados veu a Mesa-Redonda “Centrais Dosadoras x Centrais Mistu-
dentro do caminhão betoneira, que realiza a mistura desses radoras” no seu fórum nacional de debates sobre o concreto,
constituintes enquanto faz o transporte do concreto. Em con- o 60º Congresso Brasileiro do Concreto, realizado em Foz do
trapartida, na Europa e nos Estados Unidos, a produção do Iguaçu, de 17 a 21 de setembro. A Mesa-Redonda foi coor-
concreto industrializado, que perfaz 80% e 70% da produ- denada pelos professores da Universidade do Rio dos Sinos
ção, respectivamente, é dividida entre centrais dosadoras e (Unisinos), Bernardo Fonseca Tutikian e Maira Janaína Ott, e
centrais misturadoras, sendo que nessas últimas a mistura dedicada à memória do Eng. Arcindo Vaquero y Mayor, recen-
dos materiais constituintes do concreto é feita no misturador, temente falecido e que seria um dos palestrantes no evento.
uma máquina dotada de eixos, pás e motor elétrico de alta As centrais misturadoras foram apontadas como tendo
rotação. Na visão dos profissionais que têm questionado a algumas vantagens sobre as centrais dosadoras. Segundo

52
o Eng. Carlos José Massucato, da Intercement, o programa
de desempenho operacional da empresa tem mostrado que
as centrais misturadoras promovem uma maior homogenei-
dade do concreto, com maior sinergia entre os aditivos, num
menor tempo de mistura, em relação às centrais dosadoras. sas diferenças não importam, por uma questão prática. Isto
Além disso, “há a garantia do controle interno do produto, porque, por norma técnica, o parâmetro que importa no con-
com o controle exato de água que entra no concreto, sem trole tecnológico do concreto é sua resistência característica
necessidade de ajuste no canteiro de obras”, apontou. à compressão (fck), definida como valor acima do qual devem
Para Tutikian, outra vantagem é a automatização de todo estar 95% dos resultados de corpos de prova submetidos
o processo de produção de concreto e argamassa, o que aos 28 dias ao ensaio de resistência à compressão, para que
garantiria a uniformidade do traço do concreto. o lote seja considerado em conformidade.
As desvantagens das centrais misturadoras seriam seu Os palestrantes Maurício Bianchini, da Votorantim Cimen-
maior custo de investimento e operação, bem como a restrição tos, e Carlos Massucato, da Intercement, trouxeram dados
de volume por amassada. Essas desvantagens explicariam por preliminares dos estudos comparativos feitos por cada uma
que existem poucas centrais misturadoras no Brasil, em geral das empresas entre suas centrais misturadoras e dosadoras.
concentradas nas empresas de pré-fabricados de concreto, Nos estudos da Votorantim, o desvio-padrão ficou em 2,7
em razão das especificidades do processo de produção. “Os MPa para o concreto produzido em suas centrais misturado-
custos de implantação e de operação não são compensados ras e em 3 MPa para o concreto produzido em suas centrais
no longo prazo pela economia obtida com o menor consumo dosadoras. Já, no programa da Intercement, o desvio-padrão
de cimento para a produção de concretos com a mesma re- foi de 2,4 MPa para o concreto de suas centrais misturadoras
sistência à compressão”, justificou o presidente da Associação e de 3,1 MPa para o concreto de suas centrais dosadoras.
Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc), “Estudos comparativos entre os concretos produzidos em
Eng. Jairo Abud, que palestrou no evento. “Outra desvanta- central dosadora e central misturadora têm apresentado valo-
gem competitiva são os juros mais altos que incidem sobre o res de médias de resistência à compressão, de desvios-padrão
concreto produzido em central misturadora relativamente ao e de coeficientes de variação muito próximos, a despeito do
concreto dosado em central no país”, adicionou. concreto da central misturadora consumir cerca de 9% menos
cimento em relação ao concreto da central dosadora, para um
QUALIDADE DOS CONCRETOS mesmo fck”, enfatizou o Prof. Paulo Helene. “Essas pequenas
Todavia, se há diferenças do ponto de vista dos negócios e diferenças não são suficientes para impactar a qualidade final
da eficiência produtiva, elas existiriam do ponto de vista técni- desses concretos. A maior prova disso são as obras de refe-
co? Isto é, existem diferenças de qualidade entre os concretos rência em concreto que temos espalhadas pelo país”, concluiu.
produzidos pelas centrais dosa-
doras e misturadoras?
Os palestrantes foram unâ-
nimes em responder que não!
Na argumentação do diretor
da PhD Engenharia e professor
aposentado da Escola Politécni-
& Construções

ca da Universidade de São Pau-


lo, Prof. Paulo Helene, se para o
cientista as resistências à com-
pressão de um lote de produção
de concreto obedecem a uma
curva de frequência de Gauss
devido à microestrutura do ma-
terial, para o engenheiro civil es- Eng. Jairo Abud responde a questionamentos do público

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 53 53


u 60º CBC

Seminário orientou
profissionais quanto às
boas práticas construtivas
FÁBIO LUÍS PEDROSO

A qualidade das obras de concreto é aferida pelo atendi-


mento aos requisitos de segurança, desempenho em
serviço e durabilidade. No entanto, atualmente não é raro se ver
econômica e segura do projeto executivo. Este foi o recado dei-
xado pelo Eng. Ércio Thomaz aos mais de 100 participantes,
que lotaram a sala do Centro de Convenções onde ocorreu o
obras recém-entregues com patologias, como fissuras, umidade, Seminário. Segundo ele, esse planejamento deve prever o tipo
corrosão, entre outras, que podem afetar sua segurança, desem- de fornecimento do concreto, do sistema de fôrmas e cimbra-
penho e vida útil. Em diversas vezes, esses problemas poderiam mentos e das armaduras para a obra, bem como a forma de
ter sido evitados se todas as medidas necessárias na execução transporte, lançamento, adensamento, acabamento e processo
tivessem sido tomadas pelo engenheiro responsável pela obra. de cura desse concreto, entre outras providências.
Para abordar os problemas mais frequentes e os cuidados Thomaz detalhou cada etapa da execução da estrutura de
a serem tomados para evitá-los, durante a execução das es- concreto. Lembrou que na montagem das fôrmas é importante
se certificar de seu alinhamento, nivelamento e estanqueida-
de. Na montagem das armaduras, atenção deve ser dada às
emendas das barras e aos espaçadores. Na concretagem, é
obrigatório assegurar os cobrimentos mínimos das armaduras
(definidos por norma e especificados em projeto!), fazer o con-
trole dos lotes do concreto na estrutura de forma a permitir ras-
treamento, bem como a moldagem de corpos de prova para os
ensaios de resistência à compressão e módulo de elasticidade
de cada lote. Após a concretagem, a cura é obrigatória por cin-
co dias. “As fissuras em lajes e pavimentos podem ter origem no
uso inadequado do sistema de fôrmas e escoramentos, como
sua retirada antes do prazo definido por norma. Já as corrosões
de armadura em peças de fachadas podem ser resultado de
Eng. Ércio Thomaz em momento de sua palestra no Seminário problemas na montagem das armaduras, como, por exemplo,
o estribo estar encostado nas fôrmas”, alertou Ercio.
truturas de concreto, foi realizado no 60º Congresso Brasileiro Problemas com umidade e infiltrações podem ser decorren-
do Concreto, maior evento técnico-científico nacional sobre o tes de escolhas inadequadas do sistema de impermeabilização
concreto, que reuniu os profissionais do setor construtivo e e também da especificação inadequada do concreto. Foi o que
os estudantes de engenharia civil, arquitetura e tecnologia, de mostrou a engenheira da Votorantim Cimentos/Engemix, Luana
17 a 21 de setembro, em Foz do Iguaçu, o Seminário “Boas Scheifer. Apresentando um estudo de caso de execução de cor-
Práticas na Execução das Estruturas de Concreto”. tina de contenção de subsolo para uma obra em São Paulo, onde
Tão importante quanto o projeto executivo completo e bem foram usadas simultaneamente duas soluções de impermealiza-
formulado, que indicará aos responsáveis pela execução da ção (concreto convencional com sistema de manta drenante e
obra o que deve ser feito, é o planejamento e o projeto de pro- concreto de baixa permeabilidade autocicatrizante com fita hi-
dução da obra, que visam garantir a execução mais racional, droexpansiva), a Engª Luana apontou, com base nos estudos e

54
ensaios realizados, a superioridade da solução com o concreto
especial. Este foi capaz de reduzir em 90% a penetração interna
máxima de água, em mais de 50% a ascensão capilar de água e
em 150% a absorção de água na estrutura executada.
bustível, do reator, da subestação e da chaminé de exaustão,
SEGURANÇA NO CANTEIRO com vistas a assegurar a segurança nuclear, conjunto de me-
Com o lema de que o trabalho em condições seguras é didas técnicas incluídas no projeto, construção, manutenção e
mais produtivo, o coordenador do Seminário e do vice-presi- operação de uma instalação nuclear, visando evitar a ocorrência
dente de Tecnologia e Qualidade do Sindicato da Construção de acidente ou de minimizar suas consequências.
de São Paulo (Sinduscon-SP), entidade promotora do Semi- Ele apresentou os estudos de traços do concreto e os
nário juntamente com o IBRACON, o Eng. Jorge Batlouni, di- relatórios de ensaios de seus insumos, realizados juntos às
retor da Tecnum Construtora, apresentou exemplos práticos concreteiras fornecedoras da obra por empresa especializada,
para a redução de acidentes no canteiro de obras. Dentre es- para atender às condições de projeto. A execução deve con-
ses, incluem-se o uso de passarelas de acesso, linhas de vida, templar solução para as altas taxas de armadura (de até 270
bandejas primárias e secundárias de proteção, proteção das kg/m3), as características específicas do concreto (valores de
pontas das barras de aço, redes no sistema SLQA (Sistemas resistência característica à compressão de 30 MPa e 50 MPa,
Limitadores para Queda em Altura), telas, sistemas de escora-
mento, organização e limpeza do canteiro, entre outros.
Ele também apresentou e explicou alguns dos artigos da
Norma Regulamentadora NR 18, que regula as condições e
o meio ambiente do trabalho na construção civil. Entre outras
coisas, a NR 18 obriga que em todo perímetro da construção
de edifícios seja instalada plataforma principal de proteção na
altura da primeira laje acima do térreo e que, partir desta, sejam
instaladas plataformas secundárias, em balanço, de três em três
lajes. “Além disso, é obrigatória, na periferia da edificação, a ins-
talação de proteção contra queda de trabalhadores e contra a
projeção de materiais, a partir do início dos serviços de concre-
tagem da primeira laje”, adicionou o Eng. Batlouni.
O palestrante também comentou sobre o uso da linha de
Eng. Jorge Batlouni sendo assistido por participantes do Seminário
vida, cabo de aço ou corda, horizontal ou vertical, que conecta o
mosquetão do cinturão de segurança do profissional que trabalha para concretos autoadensáveis de classe IV de agressividade),
em altura. Esse assunto foi tema de uma publicação da Câmara a minimização da fissuração e a complexidade das etapas de
Brasileira da Indústria da Construção. concretagem (que envolveram volumes que variaram de 900 a
2600 metros cúbicos). Em razão disso, foram monitoradas as
CONTROLE DE QUALIDADE DO CONCRETO DA OBRA temperaturas das concretagens da fundação do prédio auxi-
DO LABORATÓRIO DE GERAÇÃO NUCLEOELÉTRICA liar, para que as essas não ultrapassassem os 40°C. “Quando
DA MARINHA DO BRASIL a tensão solicitante atingiu 0,8 vezes a tensão resistente, to-
Obra exemplar do ponto de vista da segurança, a execu- mamos o cuidado para que a armação horizontal no sentido
& Construções

ção de algumas das estruturas do Laboratório de Geração Nu- transversal fosse no mínimo 9,5cm2/m”, explicou Amaral em
cleoelétrica da Marinha do Brasil (Labgene), conjunto de pré- relação aos cuidados tomados na fase de execução.
dios onde está sendo desenvolvido o projeto de construção do O resultado dos ensaios de controle das concretagens indica
primeiro submarino nuclear brasileiro, foi tema da palestra do resistências médias à compressão acima das resistências caracte-
Eng. Carlos Roberto Gomes do Amaral, do Centro Industrial rísticas, com pequenos desvios-padrão (entre 3 MPa e 5,2 MPa).
Nuclear de Aramar, em Iperó, em São Paulo. Com o Seminário, IBRACON e Sinduscon puderam con-
O Eng. Amaral detalhou os procedimentos de execução das tribuir para disseminar as melhores práticas na execução de
estruturas de concreto armado dos prédios auxiliares, do com- estruturas de concreto no país.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 55 55


u 60º CBC

Conferência debate segurança


operacional de barragens
e conciliação de aspectos
econômicos, sociais e ambientais
em seu projeto e construção
FÁBIO LUÍS PEDROSO

A Conferência Internacional sobre Barragem (Dam


World 2018) é evento científico mundial promovido
trienalmente pelo IBRACON e pelo Laboratório Nacional
foi realizada como evento paralelo do 60º CBC, contando
com a participação de 188 profissionais, sendo a maioria
deles (82%) brasileiros.
de Engenharia Civil (LNEC), de Portugal. Iniciado em 2012, A abertura da 3ª Conferência Internacional de Barra-
neste ano, a Dam World 2018, em sua terceira edição, gens aconteceu no dia 17 de setembro, no Mirante Central

u Figura 1
Distribuição total e percentual de participantes estrangeiros na Dam World 2018

56
da Usina de Itaipu, contando com a presença do diretor
administrativo de Itaipu Binacional, Eng. João Pereira, re-
presentando o diretor técnico, Mauro Corbellini, o presi-
dente do LNEC, Eng. Carlos Pina, o presidente do IBRA-
CON, Eng. Julio Timerman, e os coordenadores da Dam
World 2018 e ex-presidentes do IBRACON, Prof. Tulio Bit-
tencourt e José Marques Filho.
“Este é um evento internacional sobre barragens e Itai-
pu continua sendo uma obra icônica da engenharia brasi-
leira. Nada mais justo apresentar para o mundo esta ma-
ravilha”, ponderou Julio Timerman no seu pronunciamento
na solenidade de abertura, para completar: “Os profissio-
nais que estão aqui presentes são os mais renomados do
mundo na área de barragens”.
A Comissão Científica da Dam World 2018, formada
por 54 membros, recebeu 216 resumos e aprovou 152
trabalhos técnico-científicos. No evento, foram apresen-
tados 110 desses trabalhos (72% dos artigos aprovados)
sobre os temas: monitoramento e instrumentação de bar- Presidente do IBRACON, Eng. Julio Timerman, faz
seu pronunciamento na abertura da Dam World 2018
ragens, barragens de concreto e de alvenaria, análise e
projeto de barragens, avaliação da segurança de barra- ao perguntar: Dam ou not to dam? (construir ou não uma
gens, modelagem de barragens, estabilidade, avaliação barragem?). Sua palestra apresentou os desafios mun-
de risco, pequenas barragens, concreto compactado com diais do século XXI (maior suprimento de energia, água e
rolo, sistemas de gerenciamento de barragens, operação alimentos para uma crescente população mundial, bem
e manutenção de barragens, entre outros. como controle de inundações e mitigação dos efeitos de
Os destaques da programação foram as conferências secas mais frequentes e intensas devido às mudanças
plenárias com especialistas nacionais e estrangeiros so- climáticas) e como a construção de barragens pode con-
bre os assuntos mais prementes para a comunidade de tribuir para superar esses desafios. Segundo ele, a deci-
barrageiros. O secretário de pesquisas e ex-presidente são para construção de barragens com vistas a resolver
do LNEC (2005-2010), Eng. Carlos Matias Ramos, para- o suprimento de água, energia e alimentos e a contenção
fraseando o protagonista shakespeariano Hamlet, provo- de inundações e dos efeitos das secas numa localidade
cou o auditório de aproximadamente 200 congressistas, deve ser baseada em processos transparentes, bem-in-
formados e descentralizados, envolvendo todas as partes
interessadas no assunto e buscando a aceitação pública
por soluções técnicas balanceadas, nas quais os benefí-
cios e os impactos econômicos, sociais e ambientais são
criteriosamente avaliados.
A usina hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, em
& Construções

Altamira, no Pará, foi apresentada pelo superintendente


de construção da Norte Energia, Eng. Oscar Machado
Bandeira, como solução técnica que concilia os aspec-
tos econômicos, sociais e ambientais. Formada por dois
barramentos (barragem em Pimental, com seis unidades
geradoras e volume de concreto de aproximadamen-
te 700 mil metros cúbicos, e barragem em Belo Monte,
Eng. Carlos Matias Ramos em momento de sua palestra
na Dam World 2018 com 18 unidades geradoras e volume de concreto de

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 57 57


u 60º CBC

(capazes de assegurar a manutenção da biodiversidade e


das condições de vida locais).
O pesquisador da BC Hydro, companhia canaden-
se de energia elétrica, Eng. Desmond Hartford, trouxe
para discussão o tema da segurança operacional de
barragens. Com base no acidente com os vertedouros
da Represa Oroville, barragem de concreto no rio Fea-
ther, na Califórnia, nos Estados Unidos, devido às in-
tensas chuvas de fevereiro de 2017, que elevou o nível
do reservatório, fazendo suas águas inundarem o verte-
douro emergencial e danificarem o vertedouro principal,
ele alertou os presentes para a condição de superação
Eng. Oscar Machado Bandeira apresentando os desafios da das pressuposições atuais que sustentam as melhores
construção da Usina de Belo Monte práticas no gerenciamento da segurança operacional
de barragens. Entre elas, ele destacou que a inspeção
aproximadamente dois milhões e duzentos metros cúbi- visual frequente não é suficiente para identificar riscos
cos), um canal de desvio do rio de 16 km e 28 diques nem a conformidade com os requerimentos regulatórios
somando 17 km, a Usina Hidrelétrica de Belo Monte tem de gerenciamento da segurança de barragens. Para ele,
capacidade instalada de 11.233 MW. Seu reservatório é preciso agregar ao programa de gerenciamento da se-
tem área 60% menor do que o inicialmente projetado, gurança revisões periódicas completas do projeto, cons-
com área inundada de 478 km2, sendo 274 km2 com- trução e desempenho da barragem, inspeção por equi-
posta pelo leito do rio Xingu. Isto perfaz 0,04 km2 por pes especializadas às partes acessórias da barragem
MW instalado, um dos índices mais baixos do Brasil, com (como vertedouros, casa de força etc.) e os resultados
média de 0,49 km /MW. Segundo Bandeira, “o projeto da
2
das análises dos modos de falhas potenciais (PFMA, na
usina tomou as medidas necessárias para evitar a inun- sigla em inglês). “O foco do gerenciamento da segurança
dação de terras indígenas, que permanecem intocadas”. de uma barragem deve estar, não no processo de análise
Além disso, segundo o palestrante, o projeto da usina de risco, que é sempre incompleto, mas nas caracterís-
criou soluções técnicas que permitiram a passagem de ticas operacionais da barragem e seu reservatório e no
barcos e peixes pelos barramentos, e buscou o consen- monitoramento dos desvios em seu estado operacional,
so hidrográfico ecológico na Grande Volta do Rio Xingu, para a pronta intervenção para corrigir esses desvios”,
com o qual foram conciliados os propósitos de geração concluiu Hartford.
de energia e de manutenção dos serviços ecossistêmicos O programa de gerenciamento da segurança da Usina
Hidrelétrica de Itaipu foi tema da palestra do pesquisador
do Centro de Estudos Avançados em Segurança de Barra-
gens (Ceasb) do Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), Eng.
Étore Funchal de Faria.
Itaipu foi construída de 1975 a 2005 no rio Paraná, num
trecho que divide o Brasil do Paraguai. Com um reserva-
tório de cerca de1350 metros quadrados e um vertedouro
com capacidade de vazão de 62.200 metros cúbicos por
segundo, a usina possui 10 unidades geradoras para cada
país, com capacidade instalada de 14 mil megawatts, que
contribui com 15% de toda a energia elétrica consumida
pelo Brasil.
Segundo Étore, são realizadas por ano 70 mil leitu-
Eng. Étore Funchal de Faria é assistindo por participantes
da Dam World 2018 ras em cerca de 2800 instrumentos de medição e 5500

58
drenos em fundação e no concreto da barragem, realiza-
das por 15 técnicos. Menos de 0,5% dessas leituras preci-
sam de revisão de campo. Para completar o monitoramen-
to, inspeções visuais diárias, regulares e específicas, são
realizadas por oito engenheiros experientes. Todos esses
dados são objeto de análises de confiabilidade e análises
de comportamento estrutural regulares.
A cada quatro anos, um conselho de consultores pas-
sa uma semana avaliando relatórios especiais, fazendo
inspeções visuais focalizadas e produzindo um relatório
contendo recomendações para melhorias das atividades
de segurança e intervenções de manutenção preventiva.
O Laboratório de Tecnologia do Concreto investiga, por
sua vez, o envelhecimento e a durabilidade das estrutu-
ras e fundações da usina, por meio de ensaios não des-
trutivos. Já, o Ceasb realiza estudos que compreendem
modelagem 3D de barragens e unidades geradoras, mo- Momento do Workshop sobre Segurança de Barragens
delo termomecânico e sísmico de blocos de sustenta-
ção, interação fluido-estrutura, modelagem de massa de enfatizando que competências e treinamento de pes-
fundação, estudos de restauração do vertedouro, fluên- soal continuam sendo prioridades, bem como equipes
cia do concreto, entre outros. Alguns desses estudos de longa formação, revisores independentes e discipli-
realizados pelo Ceasb e pelo Laboratório de Tecnologia nas sobre programas de gerenciamento de barragens
do Concreto de Itaipu foram apresentados por Étore aos em universidades.
congressistas do Dam World 2018. Cristina Wincler, diretora técnica de minas e barragens
Foi ainda realizada a Mesa-Redonda sobre Barragens na América Latina da Aecon, apresentou os resultados de
de Rejeitos, com a participação de especialistas do Brasil, estudos de campo e de investigações em laboratório em
do Chile, de Portugal e dos Estados Unidos. barragens de rejeitos da companhia.
Caius Priscu, diretor de gerenciamento de água e Joaquim Pimenta de Ávila, da Pimenta de Ávila Con-
resíduos minerais da Anglo American, em Santiago, no sultoria discutiu o programa de monitoramento baseado
Chile, abordou a governança de barragens de rejeitos, em riscos de barragens de rejeitos, apresentando seus
princípios, seus propósitos, metodologia, instrumentação
e resultados.
Por fim, Laura Caldeira, pesquisadora do LNEC, apre-
sentou os tipos de barragens de rejeitos, suas similarida-
des e diferenças em termos de sua segurança estrutural
e gerenciamento operacional, e sua comparação com as
barragens de armazenamento de água.
Um Workshop sobre Segurança de Barragens foi ofere-
& Construções

cido aos congressistas pela Associação Canadense de Bar-


ragem (CDA), contando com a participação de 25 inscritos.
Os inscritos na Dam World 2018 fizeram ainda visitas
técnicas às usinas de Itaipu, Yacyretá (Paraguai) e Baixo
Iguaçu (Paraná).
A Dam World 2018 teve o apoio do Comitê Brasileiro
de Barragens (CBDB) e da Comissão Nacional Portuguesa
Engª Laura Caldeira palestra na Mesa-Redonda ao lado
de outros painelistas de Grandes Barragens (CNPGB).

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 59 59


u 60º CBC

Concursos integram
estudantes e profissionais
e agitam Congresso
D urante o 60º Congresso Brasileiro do
Concreto, de 17 a 21 de setembro, em
Foz do Iguaçu, foram realizadas as competições
estudantis Aparato de Proteção ao Ovo, Concre-
bol, Cocar, Ousadia e Concreto: Quem sabe faz
ao vivo, promovidas pelo IBRACON.
O objetivo dos concursos é estimular os alu-
nos a aprenderem mais sobre o concreto, por
meio de uma atividade extracurricular que os
leva a trabalhar em equipes, a buscar conheci-
mento teórico com os orientadores e a aplicar
esse saber para superar os desafios trazidos pe-
las competições. Equipe da FEI com a medalha CONCRETO, ao lado do Eng. Alio Ernesto Kimura,
A premiação das três equipes mais bem co- da TQS Informática

locadas em cada concurso e da equipe com o Para integrar ainda mais os estudantes, foi promovido
melhor desempenho geral nas competições aconteceu o jantar Concrete Lovers, na casa de shows Woods, que
no Jantar de Confraternização do 60º Congresso Brasi- contou com a presença do presidente do IBRACON, Eng.
leiro do Concreto. Por seu desempenho no conjunto dos Julio Timerman, de seu diretor técnico, Prof. Paulo Helene,
concursos a equipe do Centro Universitário FEI ganhou e de sua diretora de atividades estudantis, Jéssika Pache-
a medalha CONCRETO IBRACON 2018, bem como foi co, além do Arq. Ruy Ohtake e Dr. Pedro Castro, com o
concedida uma licença estudantil do software da TQS patrocínio da Embu, Equilibrata e GP&D.
Informática a cada membro da equipe. “É um desafio muito grande, que nos demanda diver-
sas horas ao longo do ano na elaboração dos
regulamentos e no esclarecimento de potenciais
dúvidas, mas quando vemos tudo acontecendo
ali no congresso, percebemos que cada segun-
do valeu a pena, pois temos a certeza de que
estamos contribuindo positivamente com a for-
mação desses alunos, visto que, a cada ano,
notamos que as equipes estão evoluindo cada
vez mais, atingindo resultados expressivos e de
grande superação”, avaliou Jéssika Pacheco.
Conheça a seguir os premiados! As tabelas
com os detalhes das pontuações de cada equipe
participante nos concursos podem ser acessa-
Arq. Ruy Ohtake interagindo com estudantes na Woods das no site www.ibracon.org.br.

60
Concurso
Aparato de Proteção APO resiste ao impacto da carga
dinâmica, protegendo o ovo

ao Ovo (APO)
A competição desafia os estudantes a projetar e cons-
truir um pórtico de concreto armado resistente às
cargas crescentes de impacto. O concurso testa a capaci-
que resistir
impacto de um
cilindro metálico,
ao

dade dos alunos em desenvolver elementos estruturais re- com 50 mm de


sistentes a cargas dinâmicas, tirando o máximo proveito das diâmetro e massa
propriedades do concreto armado. de 15 kg, solto de
Os pórticos tiveram suas dimensões avaliadas e suas mas- alturas progressivas de um metro a 2,5 metros.
sas determinadas antes dos ensaios. Os aparatos que não Venceu o concurso a equipe cujo APO suportou a má-
atenderam aos requisitos do Regulamento foram desclassifi- xima carga (soma das alturas de impacto) antes de o ovo
cados. Nesta edição, se inscreveram 36 equipes, totalizando ser danificado (7 pontos). O desempate entre a segunda
470 estudantes, mas concorreram apenas 28 aparatos. e terceira colocadas considerou a menor perda de massa
No ensaio de carregamento dinâmico os pórticos têm após o ensaio.

1º LUGAR 3º LUGAR
PREMIAÇÃO
APO
2018

2º LUGAR
Eng. Adriano Silva Fortes, da Equipe da URI com o prêmio pela
Fortesa, entrega cheque para a terceira colocação, ao lado do Eng.
equipe vencedora Adriano Silva Fortes, da Fortesa

l INSTITUIÇÃO l INSTITUIÇÃO
Centro Universitário FEI Universidade Regional Integrada
do Alto Uruguai e das Missões
l PONTUAÇÃO
(URI) – Campus Frederico
7
& Construções

Westphalen
l PERDA DE MASSA
Equipe da UFPE comemora a l PONTUAÇÃO
32 g
segunda colocação 4,5
l INSTITUIÇÃO l PERDA DE MASSA
Universidade Federal de 18 g
Pernambuco (UFPE)
l PONTUAÇÃO
4,5
l PERDA DE MASSA
4g CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 61 61
u 60º CBC

Concurso CONCREBOL
C onstruir uma esfera resistente de concreto, com
dimensões e materiais pré-estabelecidos, capaz
de rolar numa trajetória retilínea. Este foi o desafio do Con-
curso Técnico CONCREBOL, que testa as aptidões dos
competidores na produção de concretos homogêneos e
resistentes e no desenvolvimento de métodos construtivos
requeridos para a confecção da bola.
O concurso é formado por quatro etapas, cada uma
contribuindo para a pontuação final: medidas do diâmetro
e volume da bola; medidas da massa da bola e massa
específica do concreto; ensaio de uniformidade física da
bola; e ensaio de resistência do concreto.
Participaram da competição 499 alunos agrupados em Equipe comemora gol feito durante o ensaio de uniformidade física
da bola
36 equipes com 66 bolas. Isto aconteceu porque algumas
das equipes puderam participar com duas bolas, já que Venceu o concurso a equipe da bola com a maior pon-
apresentaram no evento pôsteres explicativos do proces- tuação final, obtida por meio de uma equação que conjuga
so de dosagem do concreto e de fabricação das bolas. os fatores de cada etapa da competição.

1º LUGAR 3º LUGAR
PREMIAÇÃO
CONCREBOL
2018

2º LUGAR
Eng. Cláudio Neves Ourives, Equipe da Unipê comemora
da Penetron, entregue cheque terceira colocação
à equipe vencedora
l INSTITUIÇÃO
l INSTITUIÇÃO Centro Universitário
Centro Universitário FEI de João Pessoa (Unipê)
l PONTUAÇÕES l PONTUAÇÕES
Diâmetro médio: 212,11mm Diâmetro médio: 215,2867 mm
Volume: 4,9967 l Volume: 5,2246 l
F: 128,48 kN Equipe do IMT reunida na F: 131,55 kN
Massa: 4020 g comemoração do segundo lugar
Massa: 5340 g
PF: 2,7881 PF: 1,6034
l INSTITUIÇÃO
Instituto Mauá de Tecnologia (IMT)
l PONTUAÇÕES
Diâmetro médio: 210,27 mm
Volume: 4,8678 l
F: 261,39 kN
Massa: 5820 g
62 PF: 2,6665
Concurso
Concreto Colorido de Alta
Resistência (COCAR)
O concurso testa a habilidade dos competidores na
preparação de concretos de pós reativos, colori-
dos e com alta resistência.
O concurso possui três etapas: caracterização do cor-
po de prova quanto às suas dimensões, massa e colo-
ração; determinação de sua resistência à compressão; e
análise de sua homogeneidade interna.
Participaram da competição 514 alunos divididos 35
equipes com 62 corpos de prova.
Venceu o concurso a equipe com a maior
pontuação final, produto da resistência à compressão
do corpo de prova pelo seu coeficiente de cor. As três
equipes melhor colocadas obtiveram o maior coeficiente
Corpos de prova coloridos inscritos na competição são dispostos
de cor (1). lado a lado

1º LUGAR 3º LUGAR
PREMIAÇÃO
COCAR
2018

2º LUGAR
Equipe vencedora recebe cheque da Equipe da UFRGS comemora
Engª Tânia Regina Moreno, terceira colocação
da Lanxess
l INSTITUIÇÃO
l INSTITUIÇÃO Universidade Federal do
Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) Rio Grande do Sul (UFRGS)
& Construções

l PONTUAÇÃO l PONTUAÇÃO
PF: 248,3270 PF: 187,1431

Equipe da Mackenzie com prêmio


pela segunda colocação

l INSTITUIÇÃO
Universidade Presbiteriana
Mackenzie (UPM)
l PONTUAÇÃO
PF: 209, 4849 CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 63 63
u 60º CBC

Concurso Ousadia
E laborar o projeto básico de uma edificação em
concreto para sediar o Centro de Treinamento em
Instrumentação de Barragens, a ser construído nas depen-
dências de Itaipu Binacional, bem como desenvolver o plane-
jamento preliminar de sua construção. Este foi o desafio feito
aos estudantes dos cursos de Engenharia Civil, Arquitetura e
Tecnologia pelo Concurso Ousadia 2018.
Os objetivos do concurso são desenvolver a aptidão dos
alunos na concepção de projetos de concreto ousados, se-
guros, duráveis, viáveis econômica e sustentavelmente, de Congressistas prestigiam os trabalhos inscritos
do Concurso Ousadia 2018
fácil manutenção e harmonicamente inseridos em seus con-
textos local, cultural e histórico, e aumentar o entrosamento notas de 10 a 100. Por fim, cada projeto exposto na Arena
entre estudantes de arquitetura, engenharia civil e tecnologia. dos Concursos recebeu uma pontuação de 10 a 100 para
Participaram da competição 9 equipes com 9 projetos, cada quesito avaliado pela comissão julgadora.
totalizando 206 alunos. Os três projetos mais bem pontuados receberam os prê-
Os projetos inscritos foram avaliados preliminarmente sob mios de Vencedor (1º lugar), Destaque (2º lugar) e Mérito (3º
o critério de estabilidade. Os que passaram nesta fase foram lugar). O desempate entre a segunda e terceira colocadas
avaliados, numa segunda etapa, por uma comissão local, foi definido pela comissão julgadora com base no volume de
formada por representantes de Itaipu Binacional, que atribuiu concreto empregado e no nível de detalhamento do projeto.

1º LUGAR 3º LUGAR
PREMIAÇÃO
OUSADIA
2018

2º LUGAR
Eng. Francisco Carlos Mendes Lima, Equipe da UFPE comemora
da Mendes Lima Engenharia, entrega terceira colocação
cheque à equipe campeã
l INSTITUIÇÃO
l INSTITUIÇÃO Universidade Federal
Universidade Presbiteriana Mac- de Pernambuco (UFPE)
kenzie (UPM)
l PONTUAÇÃO
l PONTUAÇÃO Total: 54
Total: 63
Equipe da EESC com prêmio
pela segunda colocação

l INSTITUIÇÃO
Escola de Engenharia e Instituto
de Arquitetura e Urbanismo de
São Carlos (USP São Carlos)
l PONTUAÇÃO
64 Total: 54
Concreto: Quem
Sabe Faz ao Vivo
O concurso avalia os competidores em sua habili-
dade de dosagem de concretos autoadensáveis
coesos pretos, com o menor consumo de cimento e que
apresentem a maior resistência à compressão em 24 ho-
ras, a maior intensidade de cor e menor incidência de bo-
lhas e imperfeições superficiais.
Com a participação de 159 estudantes, cada uma
das 36 equipes recebeu cimento, adições, agregados,
aditivos e água, e teve 50 minutos para realizar a do-
sagem do concreto, a moldagem de quatro corpos de
prova cilíndricos, com 10 cm de diâmetro e 20 cm de
altura, e de uma placa (em pé) de 15 cm de largura,
7,5 cm de espessura e 30 cm de altura, e a limpeza da
betoneira e bancada.
O concurso foi formado pelas etapas:
u Etapa 1: verificação do espalhamento e obtenção do Índi- Equipe fazendo a dosagem do concreto durante a competição
ce de Estabilidade Visual;
u Etapa 2: verificação da massa específica do concreto e resistência à compressão do corpo de prova, seu consu-
do consumo de cimento; mo de cimento, seus coeficientes de espalhamento, de es-
u Etapa 3: determinação do coeficiente de cor; tabilidade visual, de cor e de acabamento superficial, e a
u Etapa 4: determinação do coeficiente de acabamento somatória dos preços estabelecidos no Regulamento para
superficial; cada quilo de insumo utilizado.
u Etapa 5: determinação da resistência à compressão. Venceu o concurso a equipe com a maior pontua-
A pontuação final de cada equipe considerou a ção final.

& Construções

Verificação do espalhamento e do IEV no ensaio de abatimento Ensaio de resistência à compressão

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 65 65


u 60º CBC

Concreto: Quem Sabe Faz ao Vivo

1º LUGAR 3º LUGAR
CONCURSO
CONCRETO:
QUEM SABE FAZ
AO VIVO 2018

2º LUGAR
Equipe da UCP que venceu Equipe da Mauá, terceira colocada
o concurso QSFV, patrocinado no QSFV
pela Votorantim Cimentos
l INSTITUIÇÃO
l INSTITUIÇÃO Instituto Mauá de Tecnologia
Universidade Católica
de Petrópolis l PONTUAÇÃO
PF: 1869,2801
l PONTUAÇÃO
PF: 2036,4161
Equipe da UFPE, segunda colocada
no concurso

l INSTITUIÇÃO
Universidade Federal
de Pernambuco
l PONTUAÇÃO
PF: 1870,0144

MENÇÃO HONROSA

INSTITUIÇÃO
l l INSTITUIÇÃO
Escola de Engenharia de São Carlos – USP Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (Uniderp)
PONTUAÇÃO
l l PONTUAÇÃO
PF: 1839,0482 PF: 1596,9311

NOTA Na avaliação definitiva dos resultados, foi verificado que a equipe da EESC-USP
(Escola de Engenharia de São Carlos – USP) ficou em 4º lugar e que a equipe da
Uniderp (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal)
ficou em 5º lugar no Concurso QSFV, resultados estes que diferem dos divulgados
no Jantar de Encerramento do Congresso. Desta forma e em consideração ao ex-
celente desempenho das equipes, a Comissão Organizadora concede às equipes
EESC-USP e Uniderp a Menção Honrosa do Concurso QSFV 2018.

66
u capacitação profissional e ensino de engenharia

Ensinando e aprendendo
no mundo digital
ANTONIO CARLOS REIS LARANJEIRAS – Professor Emérito
Universidade Federal da Bahia

1. INTRODUÇÃO essas novas tecnologias, passa por de ensino básico, com participação

M
undo digital é uma figura radical mudança em relação à educa- de 22 dos 34 países associados a
de linguagem para des- ção tradicional, mas sua mais impor- essa organização.
tacar a importância e he- tante transformação não reside no uso Participaram os países: Austrália,
gemonia dos sistemas e tecnologias da tecnologia, mas sim em seu novo Áustria, Canadá, Dinamarca, Finlândia,
digitais na sociedade contemporânea, modelo pedagógico. França, Alemanha, Grécia, Hungria,
identificados na literatura técnica por A implementação da TIC na edu- Irlanda, Itália, Japão, Coreia do Sul,
“Tecnologias da Informação e Comu- cação, em todos os níveis, é assunto Luxemburgo, México, Holanda, No-
nicação”, TIC (ICT, em inglês). que tem despertado interesse de go- ruega, Portugal, Singapura, Reino Uni-
A obtenção rápida de informação e vernos, organizações internacionais, do e Estados Unidos. (1)
de comunicação da TIC e a sua oni- como a UNESCO, e outras, desde O governo da província de Ontá-
presença pelo uso de dispositivos mó- o início desse século. Atualmente, o rio, Canadá, por sua vez, realizou, no
veis, como os laptops, tablets e smar- uso da TIC está consolidado e em período letivo de 2001-2002, através
tphones, têm proporcionado radicais pleno uso em países de quase todos do Curriculum Services Canada (CSC),
transformações na educação em mui- os continentes, na educação básica e um ambicioso projeto-piloto, envol-
tos países, desde o nível fundamental na superior. vendo 46 escolas de nível fundamental
ao superior. Objetiva-se, nesse texto, oferecer e médio, sendo 34 de língua inglesa e
A aprendizagem colaborativa, re­ uma visão do uso da TIC no ensino e 12 de língua francesa, para determinar

lizada por grupos de estudantes, aprendizagem do básico ao superior, o uso e o impacto da TIC nas práticas
orientados por professor, torna os es- e na engenharia, em particular, em di- educacionais para o ensino e aprendi-
tudantes mais responsáveis por sua versos países, suas vantagens e pos- zagem no século XXI (2).
aprendizagem, levando-os a assimilar sibilidades, dificuldades e desafios. Relatam-se a seguir conclusões
conceitos e a construir conhecimentos O texto que se segue será dividido relevantes obtidas nesse projeto da
de uma maneira mais autônoma. As- nas seguintes partes: a TIC no nível OECD (97 escolas de 22 países) (1) e
sim é que o processo ensino–apren- básico; a TIC no nível superior; a TIC no projeto da CSC de Ontario, Canada
dizagem baseado na TIC, e já em uso na educação da engenharia no Brasil; (46 escolas) (2).
em muitos países, não é mais centra- e conclusões.
do na figura do professor, exercendo o 2.1 Pedagogia
estudante papel fundamental. O pro- 2. A TIC NO NÍVEL BÁSICO
fessor atua na criação de contextos Já em 2001, a Organização para a O CSC (Ontario, Canada) observou
e ambientes adequados para que o Cooperação e Desenvolvimento Eco- que parece haver consenso entre os
estudante, em interação com outros, nômico, OECD (em inglês), através de projetos que os estudantes que par-
não só adquira os conhecimentos, seu Centro de Pesquisa e Inovação ticiparam dessa iniciativa estão mais
mas também aprenda como usá-los Educacional, coordenou um grande comprometidos e mais bem-sucedi-
em diversas situações. Como se vê, a projeto de implementação da educa- dos em seu desempenho do que es-
educação baseada na TIC, ao utilizar ção baseada na TIC em 97 escolas tavam anteriormente (2).

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 67


O papel do professor tem elevada
importância na adoção e uso da TIC na
educação. O impacto da TIC na qua-
lidade educacional, na aprendizagem,
e os benefícios diferenciados que daí
resultam derivam do modo como a TIC
é utilizada. A mesma tecnologia, em
mãos de diferentes professores, pro-
duz resultados diferentes. (1)
A formação de professores deve
dirigir-se à pedagogia e às atitudes, Foto 1 – Aprendizagem colaborativa por grupos de estudantes, orientados por
mais do que, simplesmente, às habili- professor, nos USA
dades no uso dos dispositivos móveis,
pois a mudança de atitudes pode bem de ensinar mais do que realmente es- 2.4 Sínteses
ser um processo longo para muitos peravam, inicialmente. Nesses casos,
professores. O uso da TIC é influen- a TIC foi parte do processo de mudan- A OECD registra que à medida que
ciado pelas convicções e atitudes do ças educacionais (1). avançamos no mundo digital, as de-
professor acerca de sua utilização mandas sobre o sistema educacional se
apropriada na educação. (1) 2.3 Mudanças administrativas alteram. Muitos arguem que não have-
rá mais necessidade de uma educação
2.2 Tecnologia Segundo Michael Fullan (3): “A in- formal para transmitir um conteúdo fixo
tegração da pedagogia e da tecnolo- de conhecimentos, mas sim será neces-
Concluiu a OECD que a adoção da gia para maximizar a aprendizagem sário o desenvolvimento de habilidades
TIC não é uma simples implementação deve atender a quatro critérios. (a) meta-cognitivas (controle das habilida-
técnica, mas sim um processo em an- Deve ser irresistivelmente envolvente; des cognitivas): as habilidades de ava-
damento de radicais mudanças educa- (b) elegantemente eficiente (desafiado- liação, de análise, de resolução de pro-
cionais. Trata-se tanto de convicções ra, mas fácil de usar); (c) tecnologica- blemas, e de aprender a aprender. As
dos professores e de práticas pedagó- mente onipresente e (d) comprometida escolas e academias evoluirão para um
gicas quanto de infraestrutura, de ban- com a resolução de problemas da vida modelo de aprendizagem centrado no
da larga e de dispositivos móveis. (1) real. Um ponto crucial é que essas ino- estudante, envolvendo mais atividade
A tecnologia em si mesma tem valor vações não compliquem ainda mais as de projeto e de estudo de casos, com os
neutro a esse respeito: pode ser usada vidas dos estudantes e professores, estudantes assumindo mais responsa-
para dar forte apoio ao ensino de didá- muito ao contrário, tornem suas apren- bilidade pela sua própria aprendizagem,
tica tradicional ou, alternativamente, a dizagens mais fáceis e interessantes.” encontrando respostas por si mesmos,
um modelo centrado no estudante. A As mudanças administrativas com a e desenvolvendo práticas autônomas
implementação da tecnologia, no en- introdução da TIC envolvem questões que lhes permitirão tornar-se estudantes
tanto, nem sempre é neutra. Naquelas entrelaçadas de mudanças curriculares, ao longo de toda a vida (1).
escolas em que sua liderança busca de nova pedagogia e do uso da TIC para O estudo de casos em 97 esco-
encorajar mudanças na prática peda- atender às demandas do século atual. las de 22 países, segundo a OECD,
gógica, a TIC foi, às vezes, introduzi- A TIC, por sua vez, exige infraestrutu- demonstrou o potencial da TIC em
da para direcionar essa mudança. Em ra baseada nas nuvens para promover melhorar a qualidade da educação,
algumas escolas, por exemplo, pro- acesso com segurança, compartilha- mas, identificou, também, professores
fessores mostraram surpresa com a mento e colaboração dentro e fora da preocupados com o uso da TIC, o que
quantidade de discussão educacional unidade educacional, com rede interna, conduziu a desperdício de tempo do
em cursos com uso da TIC e expres- WiFi e banda larga capazes de atender estudante e a perda parcial de eficiên-
saram que a TIC alterou seus métodos à demanda existente. cia do sistema (1).

68 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


A diversidade de resultados nesse trada no estudante é, em todos os – na sala-de-aula-invertida, o professor,
estudo de casos reforça a opinião de que países, inferior à sua utilização nas inversamente, fornece o conhecimento
o impacto educacional da TIC depende demais áreas, como negócios, ati- online para que o estudante o estude
grandemente do uso que lhe é dado. vidades bancárias e outras. O seu em casa, seguindo-se, então, discus-
Quando a TIC é usada para facilitar um uso nos níveis fundamental e médio são em grupo (aprendizagem colabo-
sistema centrado no estudante, ela pro- supera sua utilização nas instituições rativa) na presença dos estudantes e
move, entre outras coisas, o desenvol- de ensino superior (IES). Em nosso do professor para complementação e
vimento de habilidades em lidar com a país, o cenário é de atraso, com pou- ajustes da aprendizagem.
informação e a comunicação. Essas cas iniciativas recentes de escolas Uma pesquisa, em 2017, sobre
habilidades, embora importantes para privadas de ensino básico, dirigidas o uso da TIC no ensino e aprendiza-
a vida, não estão presentes nos currí- às classes sociais de alta renda. Al- gem em Universidades e Faculdades
culos nem nas avaliações tradicionais; gumas escolas de ensino médio, si- (Colleges) americanas revelou que
a aprendizagem centrada no estudante tuadas no sudeste do país, já utilizam 73% dos 232 professores participan-
tende a florir em bases férteis quando há plataformas personalizadas de ensino tes responderam que utilizam o mo-
harmonia desse sistema com o sistema à distância, enquanto as Instituições delo híbrido (blended learning). E que,
de avaliação do estudante (1). de Ensino Superior (IES) limitam-se ao enquanto 15% dos respondentes ain-
As mudanças já adotadas nos di- uso de plataformas convencionais de da utilizam, exclusivamente, o modelo
versos casos apontam para novas ensino à distância. de aula tradicional, 12% já adotam o
formas que ensino e aprendizagem A TIC tem crescente utilização na modelo totalmente online (4). Destaca-
adotarão em futuro próximo, com educação superior de países da Amé- -se que 28% dos participantes utilizam
a pedagogia e a tecnologia ope- rica do Norte, Europa, Ásia e Ocea- o modelo híbrido em todas suas clas-
rando em parceria de estudantes e nia. Quanto à forma dessa utilização, ses (Figura 1).
professores (2). distinguem-se dois modelos: (a) o Os participantes foram também
modelo “online”, no qual 80% a 100% questionados se utilizavam o mo-
3. USO DA TIC NA do conteúdo curricular se constitui de delo híbrido invertido (flipped clas-
EDUCAÇÃO SUPERIOR atividades que utilizam a TIC, com au- ses) e os resultados representados
O uso da TIC na educação cen- xílio de dispositivos móveis (laptops na Figura 2 mostram que 61% dos
e tablets), de pedagogia centrada no participantes afirmaram que todas
estudante, e (b) o modelo blended ou algumas de suas classes são
learning ou modelo híbrido, em que desse modelo.
12% parte das atividades são online e par-
te são “face-to-face” ou presenciais,
15% nas quais, professor e estudantes es- 15%
46%
73% tão juntos, seja em grupo de apren-
5%
dizagem colaborativa, ou mesmo em
aulas tradicionais. 19%
Um dos modelos alternativos do 16%
blended learning ou modelo híbrido, de
Sim, todas as minhas classes usam modelo invertido
Modelo híbrido largo uso nos Estados Unidos, é co- Sim, algumas das minhas classes usam o invertido
Não, mas pretendo usar no próximo ano
Modelo tradicional nhecido por “sala-de-aula-invertida” (fli-
Não, mas estou avaliando essa possibilidade
Total online pped classes) ou modelo híbrido inverti- Não, nenhuma das minhas classes usa esse modelo

do, que, ao contrário da aula tradicional


u Figura 1 – em que o professor transmite o co- u Figura 2
Resultados de pesquisa sobre nhecimento em uma preleção em sala Uso do modelo híbrido invertido
modelos de aprendizagem em (flipped classes) em IES, nos
de aula e o estudante complementa
IES, nos USA, 2017 USA, 2017
sua aprendizagem, estudando em casa

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 69


Vale destacar que 47% dos profes- Global de Inovação (IGI), o Brasil per- dologias como o ensino baseado em
sores participantes tinham mais de 20 deu 22 posições entre 2011 e 2016, projetos (Project Based Learning),
anos de magistério superior. Os parti- situando-se em 69º lugar entre 128 com lastro no desenvolvimento de
cipantes, de um modo geral, ocupam- países avaliados, posição que mante- competências e habilidades, apren-
-se de disciplinas que vão da engenha- ve em 2017. Segundo o IGI, o fraco dizagem colaborativa e na interdisci-
ria e medicina a humanidades e belas desempenho brasileiro deve-se, en- plinaridade. Da mesma forma, abre-
artes. Os dez estados com maior nú- tre outros fatores, à baixa pontuação -se espaço para a maior adoção de
mero de respondentes são: New York, obtida no indicador relacionado aos tecnologias digitais, que permitem o
Texas, California, Florida, Georgia, recursos humanos e pesquisa, em uso de modelos como sala de aula
Virginia, Missouri, Pennsylvania e especial, aos graduados em Ciências invertida (aluno estuda previamente
Massachusetts. e Engenharia.” o tema da aula a partir de ferramen-
O método híbrido (blended learning) O último Censo da Educação Supe- tais online), laboratório rotacional (re-
atingiu larga aceitação, não apenas nos rior, em 2015 (CES 2015), mostra que: vezamento de grupos de alunos em
Estados Unidos, mas também em mui- u A maioria dos cursos de gradua- atividades em sala de aula e labo-
tos outros países de diversos continen- ção em Engenharia (69%) no país ratórios) e rotação individual (aluno
tes. A comprovação disso é a Associa- são ministrados em Instituições de possui lista específica de atividades
ção International pelo método híbrido Ensino Superior (IES) privadas, em para serem executadas online a par-
(International Association for Blended regime noturno; tir de suas necessidades).”
Learning) que já realizou o seu Segun- u Apenas 4,4% (356 mil) do total de Como se vê, essas Diretrizes,
do Congresso Mundial sobre o Méto- estudantes matriculados em cur- caso homologadas assim como es-
do Híbrido (2 nd
World Conference on sos de graduação no Brasil estão tão, derrubam barreiras burocráticas
Blended Learning), em Toronto, Ca- matriculados nos cursos de gra- e apontam novos caminhos com a
nada, em 2017, cujos Anais (Procee- duação em Engenharia; algumas implementação pelas IES do ensino
dings) estão disponíveis na internet. estimativas apontam que a taxa de e aprendizagem da engenharia com
evasão se mantém em um patamar utilização da TIC. As IES privadas são
4. USO DA TIC NA elevado, da ordem de 50%. mais flexíveis às mudanças curricula-
APRENDIZAGEM DA As novas “Diretrizes Curriculares res e pedagógicas do que as públi-
ENGENHARIA NO BRASIL Nacionais para o Curso de Graduação cas, pois seu quadro docente não é
As novas “Diretrizes Curriculares em Engenharia” (ainda sujeitas a revi- permanente, podendo ser ajustado
Nacionais para o Curso de Graduação são) pontuam que: com menos dificuldades às exigên-
em Engenharia”, de nosso Ministério “Para que a estrutura curricular dos cias pedagógicas e de habilitação no
da Educação, ainda em discussão, cursos de Engenharia atenda às ne- uso da TIC.
divulgadas nesse recém findo mês cessidades de formação de engenhei- As IES públicas que são, em sua
de agosto de 2018, reconhecem que ros com competências e habilidades maioria, instituições pouco afeitas a
“tendo em vista o lugar central ocu- que supram às necessidades do mer- mudanças, que preservam hábitos pe-
pado pela Engenharia na geração de cado, existe a necessidade de adotar dagógicos seculares, inadequados às
conhecimento, tecnologias e inova- metodologias de ensino mais moder- exigências deste século e das novas
ções, é estratégico considerar essas nas e adequadas à nova realidade tecnologias, serão convocadas ao uso
tendências e dar ênfase à melhoria da global. Metodologias que se baseiam adequado da TIC, à nova pedagogia
qualidade dos cursos oferecidos no na vasta utilização de tecnologias da centrada no estudante, à aprendiza-
país, a fim de aumentar a produtivi- informação,” ... “Nesse ambiente, os gem colaborativa, ficando seu suces-
dade e ampliar as possibilidades de professores deixam de ter um papel so na dependência de como reagirão
crescimento econômico.” principal e central na geração e disse- seus professores.
E acrescenta: “O Brasil enfrenta minação de conteúdo, para adotar um É importante que as IES públicas
dificuldade de competir no mercado papel de tutor.” participem com eficiência nesse pro-
internacional. Como mostra o Índice “Assim, ganham destaque meto- cesso de transformação da educação

70 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


da Engenharia em nosso país, com podem acessar a educação, inde- no estudante, baseada em estudo de
auxílio da TIC, garantindo-se assim pendente do tempo e das barreiras casos e apoiada por aprendizagem
que a educação de melhor qualidade geográficas. A TIC pode influenciar o colaborativa.
esteja, democraticamente, ao alcance modo como os estudantes são ensi- A vasta literatura existente sobre
de todos, e não seja um privilégio res- nados e como aprendem, ao oferecer esse assunto e a experiência já con-
trito às elites econômicas. novas oportunidades para os profes- solidada e desenvolvida em outros
sores e estudantes. países apontam que o impacto da TIC
5. CONCLUSÕES A TIC tem potencial para renovar na educação aumentará consideravel-
A adoção e uso da TIC na educa- e melhorar a qualidade da educação mente nos próximos anos, dada sua já
ção tem um impacto positivo no ensi- da engenharia através de metodolo- comprovada eficiência e a crescente e
no e na aprendizagem. A TIC aumenta gias mais modernas, adequadas às rápida evolução das altas tecnologias
a flexibilidade com que os estudantes realidades do século XXI, centradas do mundo digital.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] OEPD, CENTRE FOR EDUCATIONAL RESEARCH AND INNOVATION. ICT in innovative cchools: case studies of changes and impacts, 2001.
[2] CURRICULUM SERVICES CANADA. A shifting landscape: pedagogy, technology, and the new terrain of innovation in a digital world, 2002.
[3] FULLAN, M. Stratosphere: integrating technology, pedagogy and change knowledge. Toronto, ON: Pearson Canada, 2012.
[4] RHEA KELLY. Teaching with technology survey. In: Campus Technology, vol. 30, n. 7, July 2017, p. 25-37.
[5] MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO, CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR. Diretrizes curriculares nacionais para o curso de
graduação em engenharia (em discussão), agosto 2018.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 71


u pesquisa e desenvolvimento

Base sismológica para


a zonificação sísmica
da ABNT NBR 15421
SERGIO HAMPSHIRE C. SANTOS – Professor Titular
SILVIO DE SOUZA LIMA – Professor Titular
Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro

1. INTRODUÇÃO ainda totalmente concluído. O Instituto do globo. Este estudo confirma que

O
território brasileiro apre- GFZ-Potsdam apresentou um estudo nosso território apresenta baixa sis-
senta baixa sismicidade, de sismicidade em escala mundial micidade, com acelerações horizon-
típica de uma região sís- em seu Global Seismic Hazard Map tais nominais, para um período de
mica intra-placas. Um estudo com- (1999), que ainda é referência para retorno de 475 anos e solo rígido,
pleto da sismicidade brasileira não foi a sismicidade em diversas regiões geralmente inferiores a 0,4 m/s 2.
Duas regiões brasileiras são ex-
ceções notáveis, com sismicidade
não desprezível: parte do Nordeste
Brasileiro, devido à proximidade com
a crista do Atlântico Sul, e parte da
Amazônia Ocidental, devido à proxi-
midade com a borda da placa tectô-
nica de Nazca.
Até 2006, o Brasil era um dos
poucos países sul-americanos sem
uma norma de projeto sísmico. Nes-
se ano, foi promulgada a ABNT NBR
15421 – Projeto de estruturas resis-
tentes a sismos (ABNT, 2006). Consi-
derados os estudos do GFZ-Potsdam
(1999) e os outros aqui descritos, a
zonificação sísmica apresentada na
ABNT NBR 15421 foi definida. Esta
zonificação é apresentada na Figura
u Figura 1 1, onde as zonas sísmicas e respec-
Mapeamento da aceleração sísmica horizontal característica no Brasil para tivos valores característicos de acele-
terrenos de classe B
ração ag são definidos. Esses valores

72 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


correspondem a uma probabilidade de u Parte ocidental das Regiões Nor- 2.2 Sismicidade da
90% de não excedência em 50 anos, te e Centro-Oeste; Região Nordeste
isto é, a um período de retorno de u Estados do Nordeste Brasilei-
475 anos. ro: Ceará, Rio Grande do Norte Os estados da Região Nordeste
Desde a promulgação da ABNT e Paraíba; que foram considerados como mais
NBR 15421, diversos estudos sis- u Restante do território brasileiro. sismicamente ativos foram: Cea-
mológicos para o Brasil têm sido rá, Rio Grande do Norte e Paraíba.
desenvolvidos, no Brasil e no exte- 2.1 Análise da A sismicidade definida por Marza et
rior. Esses estudos serão comenta- Amazônia Ocidental al. (1991) para o Estado do Ceará
dos neste artigo e uma atualização foi considerada como representativa
da análise da sismicidade da Região A zonificação para esta região foi para esses estados.
Sudeste será apresentada. baseada no mapa do GFZ-Potsdam A sismicidade do Ceará é ilus-
(Giardini et al., 2003). Um estudo mui- trada na Figura 3, onde os círculos
2. DEFINIÇÃO DA to completo da sismicidade do Peru foi representam os terremotos mais im-
ZONIFICAÇÃO SÍSMICA apresentado por Monroy et al. (2005). portantes ocorridos recentemente no
A Norma Brasileira considera que Seu mapa sísmico, reproduzido par- Ceará.
a maior parte do território brasileiro cialmente na Figura 2, engloba a re- Na figura, é também definida uma
apresenta baixa sismicidade e que as gião da Amazônia de nosso interesse. área de 78.729 km2, onde é con-
duas regiões acima citadas merecem Pela comparação entre as Figuras servadoramente considerado que a
um tratamento especial. 1 e 2, constata-se que as acelera- sismicidade de todo o Estado é con-
Assim, os estudos aqui apresen- ções definidas na ABNT NBR 15421 centrada. O estudo probabilístico do
tados se referem a três grandes re- são suficientemente conservadoras Ceará foi realizado considerando-se
giões brasileiras: para esta região. a sismicidade distribuída em 351
sub-regiões, com área tipicamente
de 225 km 2.
A expressão de Gutemberg-
-Richter definida por Marza et al.
(1991) para o Ceará é reproduzida
na Equação (1), onde a magnitude

u Figura 2 u Figura 3 u Figura 4


Sismicidade na Áreas para o estudo Áreas para o estudo
Amazônia Ocidental da sismicidade no Ceará na Região Sudeste

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 73


(M) é correlacionada com a frequên- de 998.263 km 2 na qual é considera- Nesta expressão, a g é a acelera-
cia anual cumulativa (SN) para a área do que toda a sismicidade da região ção espectral (para um dado perío-
total de 78.729 km : 2
é concentrada. O estudo probabilísti- do T), r é a distância ao epicentro,
co do Sudeste considerou a sismici- M (“body-wave”) é a magnitude e R M
log10 ( å N ) = a - b . M = 2.92 - 1.01M 1
dade distribuída em 313 sub-regiões, (em Km) é dado por:
TM (M) é o período de recorrência com área tipicamente de 3.136 km . 2
RM = (r2 + C72)1/2 4
de um sismo com magnitude ao me- A seguinte expressão de Gutem-
nos igual a M, definido como TM (M) berg-Richter foi definida por Almeida Os parâmetros C 1 a C 7 (resumi-
= 1/ SN (M). Neste artigo, M repre- (2002), para a área total de 998.263 dos por Silva, 2018) são definidos
senta a magnitude “body wave” mb, km 2: para cada frequência dos espectros,
associada a cada evento sísmico e log10 ( å N ) = 4.44 - 1.28M 2 o que permite, com os valores es-
a e b são constantes de Gutemberg- pectrais obtidos nestas frequências,
-Richter, dependentes da sismicida- 3. FUNÇÕES DE ATENUAÇÃO traçar espectros de resposta.
de de cada região. Estudos específicos para defini-
ção de funções de atenuação (re- 4. ANÁLISES PROBABILÍSTICAS
2.3 Sismicidade da lacionando magnitudes, distâncias E ESPECTROS DE IGUAL
Região Sudeste ao epicentro e acelerações horizon- PROBABILIDADE
tais) não foram ainda definidas para As análises probabilísticas são
A Região Sudeste é considera- o Brasil. Foi considerado que as feitas considerando-se a sismicidade
da como representativa das áreas funções propostas por Toro et al. como uniformemente distribuída nas
do território nacional de baixa sis- (1997) para as regiões Leste e Cen- várias regiões definidas nas Figuras
micidade, até por ser a que possui tro dos Estados Unidos (Central and 3 e 4. Vários níveis de magnitude são
maior quantidade de dados sísmicos Eastern United States, CEUS), po- definidos e para cada um deles as
coletados. Foi considerado o estudo dem também ser aplicadas nas con-
completo de sismicidade para a Re- dições similares de baixa sismicidade
gião Sudeste apresentado por Almei- do Brasil.
da (2002). A expressão de Toro apresenta o
Na Figura 4, é definida uma área seguinte formato:
ln(ag) =C1+C2.(M – 6)+C3(M – 6)2– C4.(ln RM) –
(C5 – C4)max[ln(RM/100),0] – C6.RM 3

u Figura 7
u Figura 5 Mapa probabilístico de
Aceleração horizontal (g’s) x acelerações da América do Sul,
Período de Recorrência (anos u Figura 6 período de recorrência de 2475
para PGA, T =0,04 s e T = 0,1 s Espectros de projeto no Ceará anos. (PETERSEN et al., 2018)

74 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


acelerações produzidas a partir de Fica constatado que o espectro são indicadas algumas regiões cen-
cada sub-região são computadas da ABNT NBR 15421 é conservador trais no Brasil onde o risco sísmico
em um ponto de referência, consi- em relação aos correspondentes pe- não poderia ser desprezado. Assim,
derando a distância entre eles. As ríodos de recorrência de 475 anos e estas regiões deverão receber uma
distribuições probabilísticas de ace- 2/3 dos valores do de 2475 anos nova análise.
lerações são obtidas a partir de um Neste artigo, será resumida a
simples processo de soma. 5. NOVOS ESTUDOS análise desenvolvida por Silva (2018)
Procedendo-se desta forma para as SISMOLÓGICOS para a região Sudeste, considerada
diversas frequências definidas na for- Após a promulgação da ABNT como a mais crítica do Brasil, por
mulação de Toro, é possível traçar os NBR 15421, novos estudos estão ser a mais populosa e desenvolvi-
espectros com igual probabilidade de sendo elaborados por renomadas da, tendo em vista os resultados
excedência para as várias frequências. instituições de pesquisa do Bra- já conhecidos. Serão usados os
As Figuras 5 e 6 reproduzem al- sil, como o Instituto de Astronomia, dados apresentados por Dourado
guns resultados obtidos por San- Geofísica e Ciências Atmosféricas (2013). As Figuras 8 e 9 mostram as
tos et. al (2010) para o Ceará. A (IAG-USP) e o Observatório Sis-
Figura 5 reproduz a correspondên- mológico da Universidade de Bra-
cia entre acelerações horizontais sília (OBSIS). Esses estudos ainda
e períodos de recorrência TM para não foram totalmente finalizados.
alguns períodos do espectro, in- Novos estudos também são feitos no
clusive para o PGA (Peak Ground exterior, como exemplo, os de Peter-
Acceleration), aceleração máxima do sen et al. (2018), que apresentaram
solo. A Figura 6 apresenta os espec- o mapa de risco sísmico para a Amé-
tros de projeto para os períodos de rica do Sul reproduzido na Figura 7.
recorrência de 475 anos, 2475 anos Apesar deste mapa considerar o pe- u Figura 10
e 2/3 dos valores do de 2475 anos, ríodo de recorrência de 2475 anos, Discretização da área de estudo
da Região Sudeste
períodos estes a serem justificados superior ao da ABNT NBR 15421,
mais tarde no artigo, confrontados
com o espectro de projeto definido
pela ABNT NBR 15421.

u Figura 11
u Figura 8 u Figura 9 Acelerações horizontais para
Mapa de registro de terremotos Mapa de registro de terremotos frequência de 10 Hz, para
na Região Sudeste – Zona na Região Sudeste – Zona período de recorrência de
Terrestre (Dourado, 2013) Marítima (Dourado, 2013) 475 anos (Dourado, 2013)

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 75


regiões definidas por Dourado para babilística consistente, aplicando o ra como 64.830,20 km2 e a área refe-
caracterizar a Região Sudeste, respec- método “FORM” (First Order Relia- rente à parte marítima como 60.833,50
tivamente denominadas de Terrestre bility Method) através de um softwa- km2. As curvas Gutemberg-Richter
e Marítima. re comercial de Análise de Confiabi- definida para as duas áreas são adap-
A área da região Terrestre tem área lidade; tadas para as novas sub-áreas do cír-
igual a 395.655 km e a Marítima, na
2
u A aplicação desta metodologia per- culo, como mostrado por Silva (2018).
plataforma continental, tem área de mitirá a consideração de um fator A consideração da incerteza é feita
498.299,09 km . As respectivas ex-
2
de incerteza presente na formula- com a soma da variável EPS no final da
pressões de Gutemberg-Richter são ção de Toro. equação (3).
dadas a seguir. Esta variável terá distribuição nor-
Zona terrestre: log10 å N ) = 3,9969 – 1,3112 . M 5 6. ESTUDO DA LOCALIDADE mal, com média zero, uma incerteza
EM TERRA MAIS CRÍTICA aleatória, de valor igual a 0,32 e uma
Zona marítima: log10 å N ) = 2,4759 – 0,7629 . M 6
Na Figura 10 aparece a junção incerteza epistêmica de valor igual a
Considerando-se novamente as das duas áreas definidas por Doura- 0,27. Logo, o desvio-padrão total será
funções de atenuação de Toro, é feita do (2013) e também o ponto que será de .
uma reavaliação da sismicidade da Re- escolhido como mais crítico. Este pon-
gião Sudeste. to é definido observando-se a Figura 7. COMPARAÇÕES
As análises probabilísticas realiza- 11 de Dourado (2013), em que são DE RESULTADOS
das, considerando-se os novos dados mostradas, em código de cores, ace-
sismológicos, diferirão das anteriores lerações para a frequência de 10 Hz A Figura 12 traz o comparativo dos
nos seguintes aspectos: (período de recorrência de 475 anos). resultados do estudo anterior (Santos
u As análises serão feitas para uma O ponto em terra escolhido está na et al., 2010) com os estudos atuais para
localização considerada como críti- região de Cabo Frio. um ponto situado somente na parte em
ca, tendo em vista os novos dados O estudo é feito para um círculo de terra e para um ponto somente na par-
sismológicos; raio igual a 200 quilômetros, com área te marítima. Chega-se às conclusões:
u As análises, ao invés de aplicar uma total de 125.633,70 km2. Desta área to- os dois estudos para a parte terrestre
sismicidade discretizada em sub-á- tal, se considera a área da parte em ter-
reas e um processo de contagem,
irão aplicar uma metodologia pro-

u Figura 12 u Figura 13 u Figura 14


Aceleração x Período de Aceleração x Período de Espectros de Projeto
Recorrência (PGA) Recorrência (Cabo Frio - PGA) para Cabo Frio

76 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


apresentaram resultados idênticos; a 8. VERIFICAÇÃO DOS VALORES de 2475 anos (ver Figuras 5 e 13):
região marítima apresenta uma sismici- DAS ACELERAÇÕES DEFINIDAS u Região Nordeste: ag = 0.045 g;
dade muito maior que a terrestre, o que NO ZONEAMENTO DA u Região Sudeste: ag = 0.065 g (não
deverá elevar a sismicidade combinada ABNT NBR 15421 estaria atendido o critério).
das duas regiões. É considerado inicialmente o perío-
A Figura 13 apresenta a variação do do de retorno normativo, de 475 anos, 9. CONCLUSÕES
PGA (Peak Ground Acceleration), ace- As seguintes acelerações nominais são A partir do apresentado neste arti-
leração máxima do solo, com o período obtidas (ver Figuras 5 e 13). go, algumas conclusões se impõem.
de recorrência. u Região Nordeste: ag = 0.034 g; É bastante importante que os es-
A Figura 14 apresenta os novos es- u Região Sudeste: ag = 0.024 g. tudos sismológicos no Brasil evoluam
pectros de projeto da Região Sudeste Estes valores são conservadores para uma situação mais próxima de
para os períodos de recorrência de 475 em relação aos definidos na ABNT NBR sua conclusão. Com base nas informa-
anos, 2475 anos e 2/3 dos valores do 15421 (ver Figura 1): ções hoje disponíveis, pode-se afirmar
de 2475 anos, confrontados com o es- u Região Nordeste: ag = 0.025 g ≤ ag que, relativamente à Região Sudeste,
pectro de projeto definido pela ABNT ≤ 0.050 g; o zoneamento sísmico e os espectros
NBR 15421. u Região Sudeste: ag = 0.025 g. de projeto, definidos na ABNT NBR
Fica constatado que o espectro da Estes valores também são verifica- 15421, são conservadores. Há outras
ABNT NBR 15421 é ainda conservador dos contra os critérios da ASCE/SEI áreas no território brasileiro que devem
relativamente aos espectros corres- 7-16 (2016), que consistem em se ado- ser mais bem avaliadas, para se investi-
pondentes ao período de recorrência tar acelerações iguais a 2/3 dos valores gar a necessidade de alguma alteração
de 475 anos. correspondentes ao período de retorno futura na ABNT NBR 15421.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ALMEIDA A. A. D. Análise Probabilística de Segurança Sísmica de Sistemas e Componentes Estruturais, Tese de Doutorado. Rio de Janeiro. Pontifícia Universidade
Católica. 2002.
[2] AMERICAN SOCIETY OF CIVIL ENGINEERS. ASCE 7-16. Minimum Design Loads for Buildings and Other Structures. Washington, D.C, U.S.A, 2016.
[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 15421: Projeto de estruturas resistentes a sismos – Procedimento. Rio de Janeiro. 2006.
[4] DOURADO J. C. Mapa de Ameaça Sísmica na Plataforma Continental do Sul/Sudeste. 13th International Congress of the Brazilian Geophysical Society, Rio de
Janeiro, 2013.
[5] GIARDINI, D., GRÜNTHAL, G., SHEDLOCK, K. M., ZHANG, P., The GSHAP Global Seismic Hazard Map. In: Lee, W., Kanamori, H., Jennings, P. and Kisslinger, C.
(eds.): International Handbook of Earthquake & Engineering Seismology, International Geophysics Series 81 B, Academic Press, Amsterdam, 2003.
[6] MARZA, V. I., BARROS, L. V., CHIMPLIGANOND, C.N., CAIXETA, D. F . Breve Caracterização da Sismicidade no Ceará, Observatório Sismológico da Universidade
de Brasília, 1991.
[7] MONROY, M., BOLAÑOS, A., MUÑOZ, A., BLONDET, M., Espectros de Peligro Uniforme en El Perú, Congreso Chileno de Sismología e Ingeniería Antisísmica, IX
Jornadas, Concepción, Chile, 2005.
[8] PETERSEN M. D., HARMSEN S. C., JAISWAL K. S., RUSKTALES K .S., LUCO N., HALLER K. M., MUELLER C. S., SHUMWAY A. M. Seismic Hazard, Risk, and Design
for South America. Bulletin of the Seismological Society of America, Vol. 108, 2018.
[9] SILVA, R. H. M., Estudo da Ameaça Sísmica na Região Sudeste do Brasil, Projeto de Graduação, Escola Politécnica, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Agosto
de 2018
[10] SANTOS, S. H. C., LIMA, S. S, SILVA, F. C. M., The Seismological Basis of the Brazilian Standard for Seismic Design, 9th US National and 10th Canadian Conference
on Earthquake Engineering, Toronto, Canada, 2010.
[11] SANTOS, S. H. C., LIMA, S. S, SILVA, F. C. M., Risco Sísmico na Região Nordeste do Brasil, Revista IBRACON de Estruturas e Materiais, Vol.3, nº 3, 2010.
[12] TORO G. R., ABRAHAMSON N. A., SCHNEIDER J. F. Model of Strong Ground Motions from Earthquakes in Central and Eastern North America: Best Estimates and
Uncertainties. Seismological Research Letters, 1997.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 77


u pesquisa e desenvolvimento

Risco sísmico no Brasil:


ameaça, normalização
e vulnerabilidade
PAULO S. T. MIRANDA
HUMBERTO S. A. VARUM
NELSON S. VILA POUCA
CONSTRUCT-LESE, FEUP – Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (Portugal)

1. SISMICIDADE NO BRASIL graus e menor que 5,0 graus na escala

L
u Tabela 1 – Frequência de sismos Richter, classificados como Sismos I, e
ocalizado na região central
ocorridos no Brasil de 1724
da placa sul-americana, uma sismos com magnitude maior ou igual a
a 2017
região intraplaca, o Brasil é 5,0 graus na escala Richter, classificados
classificado como um país de baixa como Sismos II.
Magnitude
sismicidade. Nesta condição, embora Embora os eventos sísmicos ocorri-
Estado Sismos Sismos
com pequena probabilidade de ocor- I II dos no Brasil não tenham gerado grandes
rência, sismos de grande magnitude Acre – AC 31 6 consequências, em algumas situações
com graves consequências podem Alagoas – AL 17 0 foram motivo de preocupação e exigiram
Amazonas – AM 33 3 maior atenção por parte da comunidade
acontecer, como o sismo de magnitude
Amapá – AP 2 3
7,7 graus na escala Richter ocorrido em técnica. Destacam-se os eventos ocorri-
Bahia – BA 103 0
2001 na Índia, que causou a morte de dos no Nordeste brasileiro, em especial
Ceará – CE 358 1
pelo menos 20.000 pessoas [1]. os sismos de magnitude 5,1 e 5,0 graus
Distrito Federal – DF 1 0
Os registos sísmicos brasileiros, em- Espírito Santo – ES 9 1 na escala Richter ocorridos em 1986 na
bora bastante recentes, apontam em Goiás – GO 97 1 cidade de João Câmara, no estado do
geral, para sismos de magnitude máxima Maranhão – MA 19 0 Rio Grande do Norte. Nesta ocasião, a
Minas Gerais – MG 423 0 falha tectônica de Samambaia aumen-
da ordem de 5,5 graus na escala Richter.
Mato Grosso do Sul – MS 31 1
A partir da década de 70, com a instala- tou sua extensão de 10 km para quase
Mato Grosso – MT 184 3
ção da rede nacional de monitoração, foi 30 km, sendo esta a origem dos sismos
Pará – PA 62 0
possível detectar um número bem maior Paraíba – PB 7 0 citados, além de vários outros eventos
de eventos sísmicos no território brasilei- Pernambuco – PE 147 0 de menor magnitude que fizeram a terra
ro. A Tabela 1, confeccionada a partir de Piauí – PI 6 0 tremer por cerca de 7 anos. Se a seção
Paraná – PR 46 0 desta falha tivesse quebrado de uma
dados do IAG/USP – Instituto de Astro-
Rio de Janeiro – RJ 99 0
nomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas única vez, um sismo da ordem de 7,0
Rio Grande do Norte – RN 290 2
da Universidade de São Paulo, apresenta graus na escala Richter poderia ter sido
Rondônia – RO 12 0
a frequência de sismos ocorridos no Bra- Roraima – RR 11 0 gerado [2]. Por conta desses eventos,
sil entre os anos de 1724 e 2017. Para Rio Grande do Sul – RS 29 1 paredes e telhados desabaram total ou
melhor compreensão da atividade sís- Santa Catarina – SC 30 1 parcialmente, 4.348 edificações tiveram
Sergipe – SE 7 0 que ser reconstruídas ou recuperadas,
mica no Brasil, neste trabalho os sismos
São Paulo – SP 267 2
são divididos em duas categorias: sis- 26.200 pessoas ficaram desabrigadas e
Tocantins – TO 43 0
mos com magnitude maior ou igual a 2,0 mais de 10.000 pessoas abandonaram a

78 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


cidade [2]. Após os sismos, procedimen-
tos de reforço estrutural foram executados
nas edificações.
Dependendo da profundidade do
foco, do tipo de solo, das características
do parque edificado e da exposição de
pessoas, sismos de magnitude da ordem
de 5,0 graus na escala Richter podem
causar grandes tragédias, como o sismo
de magnitude 5,2 graus na escala Richter
que aconteceu em 1966 no Uzbequistão,
matando 1.800 pessoas, deixando mais 42% (CE)
24% (SP)
de 69.000 pessoas desabrigadas e cau- 8% (PE)
sando a destruição ou sérios danos em 6% (BA, RJ, RN)
2% (AL, MG, PB, RS)
mais de 85.000 edificações [2].

2. PANORAMA ATUAL:
ENSINO, PESQUISA E
REGULAMENTAÇÃO
u Figura 1
2.1 Ensino e pesquisa Origem dos projetos de estruturas de concreto do Ceará

Devido à condição de baixa sismici- de todos os estados brasileiros através receber formação que permita a fácil
dade, no Brasil não é comum a oferta de do preenchimento do questionário, cuja adaptação e inserção em mercados de
cursos na área de Engenharia Sísmica. divulgação e distribuição contaram com trabalho de todo o mundo.
Os brasileiros que querem obter conhe- a importante colaboração do IBRACON Em termos de pesquisas, poucos
cimentos específicos na área precisam – Instituto Brasileiro do Concreto e da são os grupos e trabalhos publicados
buscar a especialização fora do país, ABECE – Associação Brasileira de Enge- na área. De acordo com o censo 2016
sendo os Estados Unidos e Portugal nharia e Consultoria Estrutural. publicado pelo CNPq – Conselho Na-
os destinos mais procurados. No Bra- Embora a maior parte do território cional de Desenvolvimento Científico e
sil, alguns poucos cursos de graduação brasileiro esteja classificado, segundo a Tecnológico, existem no Brasil, 37.640
e pós-graduação em Engenharia Civil, norma sísmica brasileira, em zona sísmi- grupos de pesquisa cadastrados na
como os ofertados pela UFC – Univer- ca 0, onde nenhum requisito de resistên- plataforma Lattes e 199.566 pesquisa-
sidade Federal do Ceará e pela UFRJ – cia sísmica é exigido, muitos projetistas dores envolvidos. Os grupos ligados di-
Universidade Federal do Rio de Janeiro, desta região prestam serviços para re- retamente à área sísmica, independen-
apresentam na grade curricular discipli- giões de maior ameaça sísmica, como te da área predominante de atuação,
nas relacionadas à Engenharia Sísmica. o estado do Ceará, um dos estados de são apenas 49 (0,13% do total), com
Como instrumento para levantamen- maior sismicidade no Brasil. 310 pesquisadores envolvidos (0,16%
to de dados em um trabalho de Doutora- O mapa da Figura 1, com informa- do total). Considerando as Engenharias
do na FEUP – Faculdade de Engenharia ções obtidas a partir do questionário, como área predominante do estudo
da Universidade do Porto, entre os dias indica a participação de projetistas de di- sísmico, o número de grupos resume-
03 de maio e 14 de outubro de 2018, um ferentes partes do país na elaboração de -se a apenas 10. Sabe-se também que
questionário sobre a Avaliação Sísmica projetos de estruturas de concreto para o existem alguns poucos pesquisadores
das Estruturas de Concreto Brasileiras estado do Ceará. atuando nesta área sem que façam
foi aplicado. Participaram 374 Engenhei- Além disso, com a globalização téc- parte de nenhum grupo de pesquisa
ros projetistas de estruturas de concreto nica, os Engenheiros brasileiros devem cadastrado no CNPq.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 79


2.2 Norma sísmica brasileira devido ao vento superam os esforços decendo a ABNT NBR 6123:1988 [8].
sísmicos e 60,27% afirmam não ser Esta situação é ainda mais evidente
No ano de 2006, a ABNT publicou necessário adotar tais procedimentos, em edifícios de até 5 pavimentos, onde
a ABNT NBR 15421 [3], que trata da uma vez que o Brasil não possui sis- geralmente tem-se menores cuida-
obrigatoriedade da consideração das mos de elevada magnitude. Além des- dos com projetos, materiais e critérios
ações sísmicas nos projetos de novas sas situações indicadas no questioná- construtivos.
estruturas, não fazendo nenhuma refe- rio, 20,55% responderam não adotar Em edifícios acima de 13 pavimen-
rência à avaliação de segurança sísmi- os procedimentos, por conta de ou- tos, 100% dos respondentes conside-
ca das estruturas existentes. tros motivos diversos, destacando-se ram as ações de vento em seus pro-
Dados obtidos a partir do questio- entre eles: atuação unicamente em jetos e apenas 15,96% consideram as
nário citado mostram que 25,23% dos áreas de zona sísmica 0, elaboração ações sísmicas.
respondentes possuem nenhum nível de projetos de pequeno porte, falta de Em trabalhos desenvolvidos por
de conhecimento da norma sísmica informações sobre dimensionamento Santos e Lima, 2006 [6], Parisenti,
brasileira, 44,95% possuem um conhe- e detalhamento sísmico na ABNT NBR 2011 [7], Galvão, 2013 [9] e Dantas,
cimento superficial, 23,85% possuem 6118:2014 [4], ausência de trabalhos 2013 [10], em que são simulados edi-
um conhecimento intermediário e ape- que comprovem a necessidade de uso fícios entre 12 e 30 pavimentos em
nas 5,97% afirmaram possuir conheci- das recomendações da norma sísmi- algumas cidades brasileiras, como Rio
mento profundo. ca, resistência imposta pelos clientes Branco e Cruzeiro do Sul-AC, Porto
De uma forma geral, estima-se que devido ao aumento no consumo de Velho-RO e Natal-RN, em determina-
aproximadamente 11,87% dos proje- materiais e a consideração de que os das situações, as ações sísmicas tam-
tistas que participaram da pesquisa procedimentos adotados na ABNT bém demonstram-se superiores às
adotam as recomendações da norma NBR 6118:2014 levam à confecção de ações do vento.
sísmica em seus projetos. Avaliando estruturas superdimensionadas. Mesmo em situações em que as
os respondentes que já atuaram no A ABNT NBR 8681:2003 [5] estabe- ações de vento são consideradas,
estado do Ceará, este número sobe lece a condição de não simultaneidade a resposta da estrutura de concreto
para 20,63%. das ações sísmicas e de vento. A Tabe- quando submetida às ações sísmicas
Quando perguntados por qual mo- la 2 expõe o resultado da pesquisa so- exige a adoção de alguns cuidados
tivo não adotam as recomendações bre a consideração das ações sísmicas de detalhamento, como ancoragens e
da ABNT NBR 15421:2006, 10,96% e de vento por parte dos respondentes. traspasses que venham garantir um pa-
responderam não conhecer a norma, Em edificações com menos de 5 drão mínimo de ductilidade necessário.
8,22% consideram que os esforços pavimentos, 30,25% dos responden-
tes não consideram ações de vento e 3. ESTUDOS PARA A ATUALIZAÇÃO
93,28% não consideram ações sísmi- DA ABNT NBR 15421
u Tabela 2 – Consideração das ações cas. Ainda que levando em considera- A norma sísmica brasileira assume
sísmicas e de vento ção a não simultaneidade das ações, valores das acelerações sísmicas hori-
os resultados da pesquisa indicam que zontais correspondentes a um período de
Ações
Estruturas são dimensionadas estruturas sem ne- retorno de 475 anos. O estudo das ace-
Vento Sismos
nhum carregamento horizontal, mesmo lerações sísmicas horizontais no Brasil
Em todas 69,75% 6,72%
Apenas naquelas acima havendo obrigatoriedade por parte das teve como base inicial, entre outros, um
26,47% 7,14%
de 5 pavimentos normas vigentes no país. estudo de perigo sísmico a nível mundial
Apenas naquelas acima Trabalhos desenvolvidos por San- realizado pelo GFZ-Potsdam, o GSHM –
2,52% 0,84%
de 9 pavimentos
Apenas naquelas acima tos e Lima, 2006 [6] e Parisenti, 2011 Global Seismic Hazard Maps [11].
1,26% 1,26%
de 13 pavimentos [7] indicam que em geral, para edifícios O território nacional é dividido em
Apenas naquelas acima baixos, menores que 10 pavimentos, 5 zonas sísmicas, apresentando dife-
0,00% 5,47%
de 21 pavimentos
os efeitos dos sismos são maiores que rentes acelerações horizontais, sendo
Em nenhuma 0,00% 78,57%
os efeitos do vento, com cargas obe- essas acelerações normalizadas para

80 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u Tabela 3 – Zonas sísmicas
brasileiras
Zona 1

Zona sísmica Valores de ag


Zona 3
Zona 0 ag = 0,025g Zona 1
Zona 2

Zona 1 0,025g ≤ ag ≤ 0,05g


Zona 2 0,05g ≤ ag ≤ 0,10g
Zona 3 0,10g ≤ ag ≤ 0,15g
Zona 4 ag = 0,15g Zona 4

Zona 0
Zona 2

terrenos de classe B, conforme apre-


sentado na Tabela 3. Quantidade de sismos

Analisando a sobreposição do ma­ Acima de 200 sismos


Entre 51 e 200 sismos
pa de zoneamento sísmico da ABNT Até 50 sismos
NBR 15421:2006 com os mapas de Nenhum

frequência de sismos no Brasil confec-


cionados a partir dos dados da Tabela
1, conforme exposto nas Figuras 2 e 3,
percebe-se a considerável presença de u Figura 2
Sismos I e II nos estados do Ceará e Rio Frequência de Sismos I
Grande do Norte, justificando a sismici-
dade desses estados no mapa da ABNT
NBR 15421:2006. No entanto, algumas
regiões que, segundo o mapa da ABNT
NBR 15421:2006, estão localizadas na
Zona 0 apresentam considerável sis-
Zona 1
micidade. Além dos estados do Ceará
e Rio Grande do Norte, em termos de Zona 3
Zona 1
ocorrência de Sismos I, destacam-se Zona 2

os estados do Pará, Mato Grosso, Mato


Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco,
Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio
Zona 4
de Janeiro, todos eles com a ocorrência
Zona 0
de mais de cinquenta sismos no período Zona 2
estudado. Em termos de ocorrência de
Sismos II, destacam-se os estados do
Quantidade de sismos
Amapá, Amazonas, Acre, Mato Gros-
Acima de 4 sismos
so, Mato Grosso do Sul, Goiás, Espírito Entre 2 e 4 sismos
1 sismo
Santo, São Paulo, Santa Catarina e Rio
Nenhum
Grande do Sul, todos eles com pelo me-
nos uma ocorrência no mesmo período.
Na confecção desses mapas foram
consideradas apenas as frequências de
u Figura 3
ocorrência de sismos nos estados bra- Frequência de Sismos II
sileiros, não considerando exatamente a

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u Tabela 4 – Cuidados adicionais e normas de referência

Eurocódigo 8 ACI-318 NCh 433 NEC-11 E.030 Outra norma


Norma usada como referência
(Europeia) (Americana) (Chilena) (Equatoriana) (Peruana) sísmica
Cuidados adicionais na posição
36,67% 46,67% 6,67% 0,00% 3,33% 6,67%
e comprimento dos traspasses
Cuidados adicionais na forma
39,29% 50,00% 0,00% 0,00% 3,57% 7,14%
e comprimento das ancoragens
Adoção de concentração de estribos
34,62% 50,00% 7,69% 0,00% 0,00% 7,69%
para confinamento do concreto
Cuidados adicionais nos nós
40,00% 40,00% 4,00% 4,00% 4,00% 8,00%
da estrutura (viga x pilar)

localização dos epicentros e as profundi- estados do Ceará e Rio Grande do Nor- sariam a apresentar acelerações sísmi-
dades dos focos. te, foram inseridas como regiões de ativi- cas horizontais características de 0,04g
Um trabalho conjunto vem sendo dades sísmicas importantes regiões que a 0,08g. Regiões dos estados do Ceará,
feito pela comunidade sismológica do não constam na ABNT NBR 15421:2006, Pernambuco, Mato Grosso e Goiás pas-
Brasil, envolvendo USP, UnB, UNESP, como a região do Pantanal, região central sariam a apresentar acelerações varian-
ON, UFRN, IPT e PUC-RJ, para atuali- de Goiás, região sul de Minas Gerais, re- do de 0,04g a 0,16g, situações que, de-
zar o mapa de sismicidade brasileira. Os gião nordeste do estado de São Paulo pendendo da fragilidade das edificações,
pesquisadores do IAG/USP, analisando e parte da Amazônia. Este mapa ainda podem causar consideráveis danos.
os dados da Rede Sismográfica Brasilei- passará por estudos conclusivos, princi- No estado do Rio Grande do Norte são
ra e a localização das falhas tectônicas, palmente no que se refere aos possíveis apresentadas regiões com acelerações
divulgaram recentemente o estudo para efeitos da sismicidade Andina exposta no variando de 0,08g a 0,24g [11].
publicação do novo mapa sismológico mapa GSHM [11]. A ABNT NBR 15421:2006, embo-
brasileiro, incluindo novas regiões onde Na proposta do novo mapa, regiões ra faça referência a diferentes níveis de
os tremores de terra podem ser mais fre- dos estados da Paraíba, Pará, Amazo- detalhamento para determinação de
quentes. No novo mapa de sismicidade, nas, Mato Grosso do Sul, Tocantins, coeficientes que interferem nas ações
além da confirmação da sismicidade dos Minas Gerais, São Paulo e Paraná pas- sísmicas, como o coeficiente de modifi-
cação de resposta R, não faz nenhuma
recomendação quanto aos níveis de
detalhamento. Mesmo assim, segundo
respostas do questionário, 74,51% dos
projetistas que consideram as ações
sísmicas em seus projetos estruturais
afirmaram adotar cuidados específicos
no detalhamento. Esses cuidados são
baseados em normas estrangeiras, uma
vez que nenhuma norma brasileira abor-
da detalhamentos sísmicos específicos.
Na elaboração do questionário foram se-
lecionados, para efeito de consulta, 4 cui-
dados específicos. A Tabela 4 apresenta
o resultado da pesquisa e as normas
usadas como referência pelos projetistas.
u Figura 4
Normas sísmicas estrangeiras usadas como referência para detalhamentos A norma sísmica mais referencia-
da sobre detalhamento foi o ACI-318,

82 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


sendo citado em 46,79% das respostas,
seguida pelo Eurocódigo 8, citado em
37,61% das respostas, como indicado
no gráfico da Figura 4.
Cuidados adicionais com a posição
e comprimento dos traspasses foram os
mais destacados entre os respondentes,
como mostra o gráfico da Figura 5.

4. RISCO SÍSMICO DAS


ESTRUTURAS BRASILEIRAS
A estimativa do risco sísmico de
u Figura 5
uma região depende dos seguintes fa- Cuidados adicionais
tores: da ameaça sísmica diretamente
relacionada à maior ou menor proba-
bilidade de ocorrência de sismos; da
vulnerabilidade das edificações relacio-
nada à capacidade das estruturas de
resistirem aos esforços sísmicos com o
mínimo de danos; e da exposição de
pessoas relacionada à densidade po-
pulacional da região em estudo.

4.1 A cidade de Fortaleza–CE

A cidade de Fortaleza, capital do es-


tado do Ceará, representa uma das cida-
des brasileiras que requerem maior aten-
ção do ponto de vista sísmico. Na região u Figura 6
Edifícios de Fortaleza – CE
Norte, embora existam áreas situadas
em zona sísmica 3 e 4, são regiões muito
pouco habitadas, com baixa exposição vários bairros de Fortaleza, tendo sido uti- indica o crescimento da cidade de For-
de pessoas, se comparadas à Fortaleza. lizado para caracterizar como D e E, se- taleza, tanto em termos de aumento de
A ameaça sísmica é baseada nos gundo os parâmetros da norma sísmica unidades habitacionais como em ter-
mapas de sismicidade já apresenta- brasileira, as classes de terreno, informa- mos de verticalização.
dos. Fortaleza está localizada em zona ção necessária para determinar as ações Um levantamento preliminar rea-
sísmica 1 do mapa vigente da ABNT sísmicas na base dos edifícios. lizado junto à Prefeitura Municipal de
NBR 15421:2006 (78km do limite para Em termos de exposição de pes- Fortaleza indica a presença de apro-
a zona sísmica 2) sendo a capital bra- soas, a cidade contava com 2.452.185 ximadamente 560.000 unidades resi-
sileira mais próxima de uma manifes- habitantes segundo o censo de 2010, denciais oficialmente cadastradas em
tação sísmica da ordem de 5,0 graus com expectativa, segundo o IBGE, de 2017, incluindo mais de 800 edifícios
na escala Richter (sismo de magnitude 2.643.247 habitantes em 2018. acima de 13 pavimentos.
5,2 graus na escala Richter ocorrido em Em 1988, 72% das unidades habi-
Pacajus-CE, no ano de 1980). 4.1.1 Parque edificado tacionais eram térreas, 20% correspon-
O trabalho de Barros [12] apresenta diam às unidades habitacionais localiza-
ensaios de sondagens desenvolvidos em O gráfico apresentado na Figura 7 das entre o 2º e o 4º pavimento, e 8%

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 83


correspondiam às unidades habitacionais
localizadas acima do 5º pavimento. Em
2017, essas porcentagens passaram
para 60%, 23% e 17%, respectivamente.
Em termos de materiais estruturais,
percebe-se no gráfico da Figura 8 a im-
portância do concreto na execução das
estruturas, bem como o aumento da
utilização deste sistema ao longo dos
anos na cidade de Fortaleza. Em 1988,
as estruturas de concreto correspon-
diam a 26% das unidades habitacionais;
em 2006, este número já correspondia a
u Figura 7 31% e, em 2017, as estruturas de con-
Evolução das unidades habitacionais de Fortaleza-CE, considerando posição creto já correspondiam a 40% das unida-
nos pavimentos des habitacionais.
Considerando que as estruturas de
concreto obedecem às recomendações
normativas, conforme exposto na Tabela
5, pode-se dividir o histórico das constru-
ções em 7 períodos em função da publi-
cação e evolução das normas de projeto
de estruturas de concreto, da norma de
forças devidas ao vento em edificações e
da norma de projeto de estruturas resis-
tentes a sismos.
Constatação importante que influencia
na vulnerabilidade das edificações é que
31% das unidades habitacionais da cida-
de de Fortaleza foram construídas antes
u Figura 8
Evolução das unidades habitacionais de Fortaleza – CE, materiais estruturais da publicação da norma de vento brasilei-
ra, a ABNT NBR 6123:1988, e que 79%
das unidades habitacionais foram cons-
u Tabela 5 – Normas técnicas brasileiras truídas antes da publicação da norma sís-
mica brasileira, a ABNT NBR 15421:2006.
Norma regulamentadora

Período Forças devidas Projetos de 4.1.2 Vulnerabilidade sísmica


Projeto de estruturas
ao vento em estruturas
de concreto
edificações resistentes a sismos
As avaliações de vulnerabilidade
1940 a 1959 NB-1:1940 – –
sísmica em grandes escalas geográfi-
1960 a 1977 NB-1:1960 – –
cas foram inicialmente desenvolvidas
1978 a 1987 NB-1:1978 – –
nos anos 70. Os métodos de avaliação
1988 a 2002 ABNT NBR 6118:1980 ABNT NBR 6123:1988 –
são classificados em 3 grupos: quali-
2003 a 2005 ABNT NBR 6118:2003 ABNT NBR 6123:1988 –
tativos, quantitativos e experimentais.
2006 a 2013 ABNT NBR 6118:2003 ABNT NBR 6123:1988 ABNT NBR 15421:2006
Os métodos qualitativos são aque-
2014 a 2017 ABNT NBR 6118:2014 ABNT NBR 6123:1988 ABNT NBR 15421:2006
les concebidos para uma avaliação

84 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


generalizada da vulnerabilidade sísmi- em outros países por atender à necessi- solicitação sísmica é igual ao índice de
ca de um conjunto de edifícios. Esses dade de uma avaliação preliminar do par- desempenho sísmico e superior nas de-
métodos não permitem identificar cla- que edificado e por ser um método de mais zonas sísmicas. Em classe de ter-
ramente a distribuição de danos na rápida aplicação. Esta avaliação sísmica reno D, somente em zona sísmica 1, o
estrutura, impossibilitando o desenvol- é realizada comparando-se 2 índices: o índice de solicitação sísmica é inferior ao
vimento de projeto de reforço sísmico. índice de desempenho sísmico e o índice índice de desempenho sísmico.
São sobretudo úteis numa fase prelimi- de solicitação sísmica. Importante observar que a estru-
nar de verificação, podendo em segui- Se o índice de desempenho sísmico tura modelo não apresenta irregulari-
da levar à avaliação da vulnerabilidade for maior ou igual ao índice de solicitação dades estruturais e geométricas, nem
sísmica estrutural por métodos quanti- sísmica, o edifício tem segurança face a em planta nem em elevação, situações
tativos. Os métodos quantitativos são um evento sísmico; caso contrário, o edi- agravantes do ponto de vista de vulne-
mais rigorosos e podem ser utilizados fício tem um comportamento incerto. rabilidade sísmica.
quando se pretende estudar detalha- A estrutura modelo usada para a apli- Nas situações em que as estruturas
damente uma determinada edificação cação do método, cujo pórtico está repre- são consideradas vulneráveis pelo mé-
ou quando os métodos qualitativos sentado na Figura 9, possui uma área de todo adaptado, faz-se necessário sub-
conduzem a resultados inconclusivos. 1.053,36 m², distribuída em 4 pavimentos, metê-las a avaliações mais complexas
A aplicação desses métodos envolve a contando com as seguintes caracterís- através de métodos quantitativos e, caso
elaboração de um modelo numérico es- ticas: fck de 20 MPa, pilares com seção confirmada a insegurança, aplicar proce-
pecífico. Os métodos experimentais, em 20x40 cm, vigas com seção 15x40 cm, dimentos de reforço estrutural.
geral, possuem custo elevado e envol- lajes maciças com 10 centímetros de es-
vem a simulação da aplicação das ações pessura, painéis de alvenaria de vedação 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS E
sísmicas em estruturas com modelo de sobre todas as vigas; carga distribuída DESENVOLVIMENTOS FUTUROS
escala reduzida ou em escala real. permanente de 1 kN/m² em cada pavi- As informações apresentadas neste
Em uma análise preliminar do com- mento, altura entre pavimentos de 2,80 m trabalho justificam a análise quantitativa
portamento das edificações da cidade e vãos livres de 4 m. A estrutura modelo mais cuidadosa das estruturas de con-
de Fortaleza submetidas às ações sísmi- representa uma edificação de uso essen- creto brasileiras. Estas análises estão
cas, o Método de Avaliação de Vulnera- cial da ABNT NBR 15421:2006. sendo realizadas especificamente na ci-
bilidade Sísmica de Hirosawa, adaptado O resultado do índice de desempe- dade de Fortaleza-CE. Foi realizado um
à realidade brasileira como proposto por nho sísmico da estrutura modelo é 0,16 levantamento detalhado do parque edi-
Miranda [13], é aplicado em uma estru- e os valores dos índices de solicitação ficado de forma a gerar estruturas mo-
tura modelo. O método de Hirosawa é sísmicas estão apresentados na Tabela delo representativas das estruturas de
mundialmente reconhecido e aplicado 6. São consideradas classes de terreno concreto de uso residencial da cidade de
D e E e zonas sísmicas 1, 2 e 3. Fortaleza. Este levantamento apresenta
De acordo com o mapa de sismici- informações sobre as áreas dos edifícios,
dade da norma brasileira, a cidade de forma geométrica em planta, número de
Fortaleza localiza-se na zona sísmica pavimentos e idade das edificações. O
1 a uma distância de 78km do limite conhecimento da idade das edificações
para a zona sísmica 2, e considerando
os estudos para a elaboração do novo u Tabela 6 – Índices de
mapa, Fortaleza estaria localizada em solicitação sísmica
uma região de aceleração sísmica ho-
rizontal da ordem de 0,15g, sendo esta Classe do terreno
Zona sísmica
a aceleração sísmica da zona sísmica 3 D E
Zona 1 0,10 0,16*
da atual norma brasileira.
u Figura 9 Zona 2 0,20 0,31
Sendo considerada a classe de ter-
Estrutura modelo Zona 3 0,28 0,39
reno E, na zona sísmica 1, o índice de

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 85


permitirá a adoção dos critérios das nor- soas em cada bairro e tipo de edificação. respaldarem o governo nacional, esta-
mas vigentes no país quando da elabora- Resultados de trabalhos como dual ou municipal na implantação de
ção do projeto. Além disso, foram levan- este, somados à elaboração do novo leis, objetivando a redução do risco
tados dados sobre as características do mapa de sismicidade brasileira, po- sísmico ao exigir a adequada constru-
solo e topografia de todos os bairros, além dem indicar a necessidade de revisão ção de novas edificações e o reforço
da quantificação da exposição de pes- da ABNT NBR 15421:2006, além de sísmico de edificações vulneráveis.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] USGS. Science for a changing world. [Online] Available at: http://earthquake.usgs.gov/earthquakes/eventpage/usp000a8ds#impact [Acesso em 26/01/2016].
[2] VELOSO, J. A. O terremoto que mexeu com o Brasil. Brasília: Thesaurus, 2012.
[3] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15421: Projetos de estruturas resistentes a sismos: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2006.
[4] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2014.
[5] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8681: Ações e segurança nas estruturas: procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.
[6] SANTOS, S. H. C. E LIMA, S. D. S. Evaluation of the impact in the design of buildings of the proposed Brazilian seismic standard. s.l.: Anais do 48º Congresso Brasileiro do Concreto, 2006.
[7] PARISENTI, R. Estudo de análise dinâmica e métodos da NBR 15421 para projeto de edifícios submetidos a sismos.. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2011.
[8] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 1988.
[9] GALVÃO, P. I. I. Definição de requisitos mínimos necessários para o detalhamento sismo-resistente de edifícios em concreto armado no Brasil. Rio de Janeiro: UFRJ, 2013.
[10] DANTAS, R. O. L. Subsídios para o projeto de estruturas sismo resistentes. Natal: UFRN, 2013.
[11] ASSUMPÇÃO, M. et al.. Terremotos no Brasil: Preparando-se pra eventos raros. Boletim SBGf – Publicação da Sociedade Brasileira de Geofísica n. 96, 2016,
p. 25-29. ISSN 2177-9090.
[12] BARROS, D. O. Mapeamento Geotécnico do Subsolo da Cidade de Fortaleza em Análise de Perfis de Sondagem à Percussão – SPT. Trabalho de Conclusão
de Curso. Engenharia Civil. FANOR. Fortaleza, 2017.
[13] MIRANDA, P. S. T. Avaliação da vulnerabilidade sísmica na realidade predial brasileira. 1a. ed. Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2013.

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86 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u pesquisa e desenvolvimento

Estudo sobre a viabilidade


do uso da modelagem
numérica em estruturas
civis validadas por
parâmetros modais
obtidos em campo
FABIANO EDUARDO MORAES MATOS – MSc, Assessor de Engenharia CLÁUDIO JOSÉ MARTINS – Professor Doutor
Banco do Brasil DIEGO GOULART DE LUCENA – Mestrando
Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG)
MARINA FERNANDES MONTEIRO CAMPOS – Mestranda
NATHALIA ALVES DORNELLAS FONSECA – Mestre
CEFET – MG

1. INTRODUÇÃO delos numéricos que represen- cos, apontando bons resultados.

O
processo de manuten- tem bem o comportamento dinâ- Análises de pontes, como realizadas
ção e acompanhamen- mico das estruturas, permitindo por LARDIES (2011), e estruturas
to da integridade de um monitoramento mais preciso esbeltas, como chaminés analisa-
uma estrutura ainda é um desafio das estruturas. das por MINGUINI (2014), demons-
para os engenheiros. O monitora- Uma das combinações mais pro- tram o potencial desta técnica.
mento contínuo do desempenho das missoras para gerar um modelo numé- Embora pesquisas sobre esse
estruturas não é comum, mesmo rico validado é a utilização do Método assunto tenham sido desenvolvi-
com o número crescente de eventos de Elementos Finitos – MEF – com a das, percebe-se ainda uma carência
de colapso estrutural em segmentos técnica denominada análise modal de dados de análise de edificações
como rodoviários, residenciais e até operacional, na qual as propriedades de grande porte que possuam ca-
mesmo industriais. modais da estrutura são captadas por racterísticas essencialmente está-
Mas este cenário pode estar medições em campo para ajuste do ticas. Com foco nesta lacuna, foi
com os dias contados. Novos equi- modelo computacional. planejado um estudo de edifícios
pamentos e tecnologias já permi- Alguns estudos utilizando esta em alvenaria estrutural de grandes
tem a combinação de técnicas de combinação vêm sendo realizados dimensões para avaliar a viabilida-
análises dinâmicas e modelagem em obras civis que apresentam sig- de do uso da modelagem numérica
computacional para gerar mo- nificativos carregamentos dinâmi- em estruturas civis validadas por

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 87


parâmetros modais obtidos em
campo para representar o compor-
tamento dinâmico da edificação real.

2. MÉTODO DE PESQUISA
Para avaliação da aplicabilidade
da combinação das técnicas de aná-
lise modal e MEF, foi escolhido um
condomínio residencial formado por
4 torres idênticas de alvenaria estru-
tural, com 44 metros de altura, dis-
tribuídos por 17 andares, sendo 15
pavimentos-tipo de mais de 570 m²
cada e fachada com área superior
u Figura 1
a 1619 m². A vizinhança constituída Disposição das torres no empreendimento
de casas em região com ventos em
abundância torna as torres de alve- modelo final, que demonstre uma aleatórias, impulsivas e geralmente
naria sujeitas às ações dos ventos e, convergência dos seus parâmetros menos expressivas, geradas prin-
com isso, vibrações operacionais na modais com os obtidos no experi- cipalmente pelos ventos, poderiam
estrutura. mento de campo. constituir num ambiente que não
Definido o objeto do estudo, fo- permitisse captação adequada para
ram planejados dois levantamentos 3. EXPERIMENTO DE CAMPO o registro das vibrações.
para captação dos dados de vibra- A preocupação inicial do estudo Neste cenário, o levantamento da
ção, em duas torres, para verifica- foi com a qualidade dos dados que estrutura tornou-se um grande desa-
ção e validação das formas propos- seriam obtidos nos levantamentos fio da pesquisa, justificando a exe-
tas para aquisição de dados. em campo. As grandes medidas cução dos dois experimentos para
A concepção do modelo numé- da estrutura e as cargas dinâmicas validação do formato proposto para
rico baseou-se nos projetos exe-
cutivos, tanto para disposição geo-
métrica dos elementos como para
caracterização dos materiais, que
neste caso, foi complementada com
revisão bibliográfica para obtenção
dos seus parâmetros constitutivos.
E, finalmente, foi realizada a ca-
libração do modelo através de al-
teração de valores dos parâmetros
disponíveis no software baseado em
MEF. Esta etapa ocorre de forma
iterativa, com ajustes e verificações u Figura 2
Distribuição de pontos no pavimento-tipo
de forma cíclica, até a obtenção do

88 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u Figura 3
Distribuição de pontos na torre 3

captação dos sinais. No primeiro,


mais conservador, houve uma maior
u Figura 4
preocupação de garantir a obtenção Registro das vibrações captadas nos 3 eixos realizado simultaneamente
de registros de boa qualidade das vi-
brações e captar todos os modos de
horas de gravação dos sinais, tota- contaminadas de ruídos provenien-
vibração existentes.
lizando 106 horas, para garantir que tes do próprio equipamento e de
Para realizar esse experimento,
todos os modos de vibração fossem fontes externas. Nesta fase, com a
foi selecionada a torre 3 (Figura 1),
registrados. leitura direta das respostas no tem-
onde foi programada uma distri-
Outro aspecto importante na po, não foi possível obter os parâ-
buição de 53 pontos de leitura em
configuração dos equipamentos foi metros modais, sendo necessário
locais previamente demarcados
a adoção da taxa amostral de 100 então um tratamento do sinal.
horizontalmente nos pavimentos
Hz, garantindo assim uma boa co- Para realização dos tratamentos
(Figura 2) e verticalmente nos an-
bertura do espectro de vibrações dos sinais, várias técnicas podem ser
dares de forma alternada (Figura
presentes na estrutura. aplicadas como demonstra BRINC-
3). Para captação dos sinais, foram
Os registros das vibrações ope- KER (2014). Dentre os procedimentos
utilizados dois conjuntos triaxiais de
racionais aleatórias (Figura 4) foram mais utilizados, dois métodos desta-
aquisição de dados, cada um com
cam-se: a decomposição no domínio
3 acelerômetros. Para cada local,
da frequência (FDD) e a identificação
foi configurada a captação de duas
estocástica em subespaço (SSI), que,

u Figura 5 u Figura 6
Resultado do processamento Resultado do processamento de
de sinais obtido pelo método sinais obtido pelo método SSI u Figura 7
FDD para a torre 3 para a torre 3 Distribuição de pontos na torre 1

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 89


u Figura 8
Resultado do processamento de
sinais obtido pelo método FDD
para a torre 1
u Figura 10
u Figura 9
Gráfico de regressão linear
Resultado do processamento
dos resultados obtidos nos
devido as suas vantagens, foram se- de sinais obtido pelo método SSI
experimentos da torre 3
para a torre 1
lecionadas para utilização no trata- e da torre 1
mento dos sinais.
A distribuição horizontal dos pon-
A decomposição no domínio da
tos de leitura foi mantida com as mes- zida para uma hora em cada ponto,
frequência extrai parâmetros mo-
mas demarcações utilizadas na torre totalizando 18 horas de dados regis-
dais a partir das funções de densi-
3. Entretanto, a distribuição vertical trados no segundo experimento.
dade espectral das séries temporais
foi redimensionada para 18 pontos, Os demais procedimentos de con-
e destaca-se pela agilidade no seu
de forma mais espaçada (Figura 7). figuração do conjunto de acelerôme-
processamento. (Figura 5).
A duração da captação dos sinais tros e de tratamento dos sinais foram
A identificação estocástica em
em cada ponto foi revista, pois foi rigorosamente os mesmos adotados
subespaço, que se baseia nas fun-
observado que os sinais muito lon- para a torre 3, alcançando os resulta-
ções de correlação das respostas
gos não contribuíram de forma sig- dos apontados nas Figuras 8 e 9.
no tempo, tem grande utilidade para
nificativa nos resultados obtidos. A Analisadas as campanhas realiza-
dissociação de frequências mui-
captação dos sinais foi então redu- das para as torres 3 e 1, observou-se
to próximas entre si. No entanto, o
seu processamento é mais robusto
e exige maior tempo para obtenção
do seu resultado (Figura 6).
Concluído o primeiro experimen-
to, verificou-se que as condições da
edificação permitiam o registro com
qualidade das suas vibrações. Po-
rém, o registro, por ser muito longo,
demandou um elevado tempo para
o seu processamento. Com essas
informações, foi planejado o segun-
do levantamento, ocorrido na torre
1, de forma mais simplificada e oti- u Figura 11
mizada. Tipos de elementos estruturais encontrados no pavimento-tipo

90 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u Tabela 1 – Características das propriedades utilizadas no modelo inicial

Resistência
Modulo de Peso
dos Coeficiente
elasticidade específico
materiais de Poisson
GPa kN/m³
MPa
Prismas de alvenarias de 10 MPa 10 8 14 0,2
Prismas de alvenarias de 8 MPa 8 6,4 14 0,2
Prismas de alvenarias de 6 MPa 6 4,8 14 0,2
Prismas de alvenarias de 3,6 MPa 3,6 2,9 14 0,2
Prismas de alvenaria grauteada 17,5 19,9 24 0,2
Pilares 30 31 25 0,2
Lajes 30 31 25 0,2
Cintas 30 31 25 0,2

u Figura 12
4. DESENVOLVIMENTO com especial atenção na considera-
Modelo numérico da torre
em estudo DO MODELO NUMÉRICO ção dos vãos de portas, passagens,
Para o desenvolvimento do mode- janelas baixas e altas. O desenvol-
lo numérico, houve a preocupação de vimento detalhado do modelo mos-
uma correlação de 99,82% entre as
dispor todos os elementos estruturais trou-se complexo devido à obriga-
frequências naturais experimentais (Fi-
que, neste caso, são predominados toriedade do nível de discretização
gura 10), indicando assim que a preo-
por alvenarias em blocos de concre- mínima para representação da es-
cupação na forma de obtenção dos
to, sendo em alguns trechos reforça- trutura, diferenciando os elementos
parâmetros modais em uma estrutura
dos com graute e barras de aço. pelo tipo de material que os consti-
de grande porte havia sido superada.
A representação da alvenaria ao tuíam, sem prejuízo na representati-
nível dos blocos exige um alto custo vidade das medidas de projeto.
computacional e tornou-se inade- Finalizada a confecção do mo-
quada para o estudo. Sendo assim, delo, realizado em software ba-
a solução adotada para este pro- seado em MEF, foi verificada uma
blema foi a utilização de prismas de totalidade de 45297 nós, sendo
alvenarias com propriedades de ma- 84 com restrição tipo “string” para
terial equivalente, como foi proposto simulação das estacas, 767 ele-
por Lourenço (1996). mentos lineares dispostos como
Pilares, lajes, cintas e estacas de cintas e 47846 elementos de
concreto armado complementam o casca para representação das
arranjo estrutural com função impor- alvenarias, lajes e pilares (Figura 12).
tante na transmissão das cargas e, Definida a geometria da es-
dessa forma, devem ser caracteriza- trutura, a cada elemento dispos-
das no modelo. to no modelo foram atribuídos os
Consideradas a diversidade de parâmetros constitutivos de cada
u Figura 13 materiais, a disposição dos elemen- material de que é formado. Por
Distribuição dos prismas segundo
tos (Figura 11) e seus acoplamentos, tratar-se de uma construção de-
sua resistência à compressão
o modelo teve que ser executado senvolvida em alvenaria estrutural,

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 91


u Figura 14 u Figura 16
Gráfico de regressão linear dos Gráfico de regressão linear dos
resultados obtidos no modelo resultados obtidos no modelo
inicial e no experimento da torre 3 final e no experimento da torre 3

torna-se fundamental considerar a u Figura 15 seado em MEF para obtenção dos


variação de resistência à compres- Ciclos de ajustes para calibração principais modos de vibração e as
do modelo numérico
são dos prismas de acordo com a respectivas frequências naturais. No
disposição dos pavimentos (Figura primeiro processamento, o mode-
13) para a obtenção dos respectivos As propriedades de peso espe- lo mostrou-se robusto e exigindo o
módulos de elasticidade. cífico e coeficiente de Poisson das cálculo 271.782 equações de equi-
Conhecidas as resistências dos alvenarias foram retirados da ABNT líbrio em cada etapa de calibração,
prismas projetados para a edificação, NBR 15961-1:2011, enquanto que as sugerindo que os ajustes deviam ser
foram realizados os cálculos dos res- propriedades dos elementos de con- bem planejados para diminuir o nú-
pectivos módulos de elasticidade, utili- creto foram obtidas da ABNT NBR mero de ciclos para a sua calibração
zando a equação (1) prevista na norma 6118:2014. A Tabela 1 apresenta os final.
ABNT NBR 15961-1:2011, e, para o dados utilizados no modelo inicial. As principais mobilizações de
módulo de elasticidade do bloco grau- Com a atribuição dos parâmetros massa ocorreram nos primeiros
teado, foi adotada a equação (2) da constitutivos dos materiais aos ele- quatorze modos de vibração iniciais.
norma ABNT NBR 6118:2014. mentos, a modelagem foi concluída No entanto, a baixa mobilização de
com a aplicação de elementos tipo massa nesses modos indicou que o
1
mola para representação das esta- modelo inicial não teve uma adequa-
Onde f pk é a resistência característi- cas de fundação como condições de da representatividade da estrutura
ca do prisma de alvenaria expressa contorno. Colocada as restrições, o real. A comprovação desta consta-
em MPa e E alv, o módulo da alvenaria modelo se mostrou habilitado para o tação pode ser verificada no gráfico
expressa em GPa. processamento da análise modal e com os dados obtidos no modelo

para fck ≤ 50 MPa


realização dos devidos ajustes. numérico e dos experimentais ex-
2
traídos da torre 3 (Figura 14).
onde aE é o parâmetro em função 5. PROCESSAMENTO E Verificada a necessidade de cali-
da natureza do agregado e f ck é a re- CALIBRAÇÃO DO MODELO bração do modelo, foram seleciona-
sistência característica a compres- O processamento da análise mo- dos os parâmetros do software cujas
são do concreto. dal foi desenvolvido em software ba- alterações seriam mais significativas

92 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


no ajuste das frequências naturais. com característica essencialmente estrutural inicial, quanto no cadastro
Entretanto, os ajustes não poderiam estática. A predominância de cargas e monitoramento das intervenções
ser realizados de forma aleatória, dinâmicas aleatórias, sem o conhe- estruturais futuras, e ainda, de forma
pois os parâmetros a serem modifi- cimento da sua capacidade de gerar corretiva, no auxílio na identificação
cados representavam aspectos físi- vibrações significativas que pudes- de eventuais danos.
cos do comportamento dos mate- sem ser captadas, gerou um grande Em conclusão do estudo apre-
riais e deveriam respeitar os valores questionamento inicial. sentado neste artigo, nota-se que
previstos em normas. Outro aspecto a ser superado foi já há disponibilidade de tecnologia
Definidos os parâmetros para a representação numérica da estru- e recursos suficientes e economica-
efetivação das alterações, o pro- tura num nível de detalhamento que mente viáveis que permitem a produ-
cesso de calibração foi realizado de permitisse uma boa aproximação do ção de modelos numéricos calibra-
forma iterativa, com ciclos de ajus- comportamento global do edifício dos de estruturas civis, que venham
tes (Figura 15) dos parâmetros dos modelado com o da estrutura real. a representar de forma precisa o seu
materiais, focando na convergência Para isso, foi exigido uma discretiza- comportamento global. O aumento
das frequências naturais do modelo ção com grande número de elemen- da utilização desse processo poderá
com os valores encontrados no ex- tos, formados por materiais diversos contribuir para análise, verificação e
perimento realizado para torre 3. e uma atenção extra no acoplamen- monitoramento da estrutura, garan-
Os resultados finais apresenta- to desses, a fim de minimizar ao má- tindo de forma eficaz a sua integri-
ram um erro médio de 8,2% e cor- ximo a ocorrência de erros. dade e representando um avanço no
relação de 93,74% em relação aos Analisando os resultados, foi pos- segmento de manutenção de obras,
dados experimentais (Figura 16). sível observar a viabilidade do uso da com a abertura de mais um campo
modelagem numérica calibrada e va- de atuação na engenharia.
6. CONCLUSÃO lidada por parâmetros modais obti-
O estudo proposto apresentou das em campo para caracterizar uma 7. AGRADECIMENTOS
alguns desafios. Dentre eles, des- estrutura de engenharia civil. Essa Os autores agradecem ao CE-
taca-se o levantamento dos mo- técnica, com apoio de outros méto- FET-MG e as equipes de engenha-
dos de vibração e as respectivas dos de investigação, pode contribuir ria do Banco do Brasil de Salvador
frequências em campo, visto que o significativamente tanto na entrega e BH pelo incentivo ao desenvolvi-
edifício tem uma estrutura robusta, da obra para registro da sua situação mento da pesquisa.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] LARDIES, Joseph; MINH-NGI, Ta. Modal parameter identification of stay cables from output-only measurements. Mechanical systems and signal processing,
v. 25, n. 1, p. 133-150, 2011
[2] MINGHINI, Fabio; MILANI, Gabriele; TRALLI, Antonio. Seismic risk assessment of a 50m high masonry chimney using advanced analysis techniques. Engineering
Structures, v. 69, p. 255-270, 2014.
[3] CAKIR, F.; SEKER, B.S.; DUMUS, A.; DOGANGUN, A; ULYSAL, H.. Seismic assessment of a historical masonry mosque by experimental tests and finite element
analyses. KSCE Journal of Civil Engineering, 19 (1), 2015, p. 158-164.
[4] BRINCKER, Rune. Some elements of operational modal analysis. Shock and Vibration, v. 2014, 2014.
[5] LOURENCO, PAULO B. Computational strategies for masonry structures. TU Delft, Delft University of Technology, 1996.
[6] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto. Rio de Janeiro, 2014.
[7] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 15961 – Alvenaria Estrutural – Blocos de Concreto Parte 1. Rio de Janeiro, 2011.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 93


u pesquisa e desenvolvimento

Controle da resistência à
compressão do concreto:
análise comparativa entre
os procedimentos propostos
pela ABNT, ACI e EN
RICARDO BONI PAULO HELENE
CARLOS BRITEZ PhD Engenharia,
ALCONPAT Int.
PhD Engenharia

1. INTRODUÇÃO mais comum de amostras, com núme- tonada, uma vez que a amostra, nes-

N
o Brasil, atualmente, o con- ro de exemplares compreendidos entre te caso de 100%, confunde-se com
trole da resistência à com- 6 ≤ n < 20, e, para amostras com vin- a população. Trata-se de um controle
pressão do concreto é rea- te ou mais exemplares (n ≥ 20). Neste largamente utilizado no Brasil em obras
lizado de acordo com as prescrições caso leva em conta a resistência média de edifícios comerciais e residenciais de
da norma ABNT NBR 12655:2015 (fcm) e o desvio padrão de produção e múltiplos pavimentos desde a vigência
“Concreto de cimento Portland – Pre- ensaio efetivo, denominado na norma da ABNT NB-1 de 1978.
paro, controle, recebimento e aceitação como sd. Conforme estabelecido no subitem
- Procedimento”, que apresenta, no Ressalta-se que, no Brasil, o contro- 6.2.2 “Amostragem” da norma ABNT
subitem 6.2 “Ensaios de resistência à le por amostragem parcial é comumen- NBR 12655:2015, cada exemplar deve
compressão”, os limites máximos para te empregado em fábricas de pré-mol- ser constituído por, no mínimo, dois
a formação de lotes de concreto, crité- dados de concreto (lajes alveolares, corpos de prova da mesma amassada
rios de amostragem e os dois tipos de vigas, pilares, dormentes, etc.), devido, e moldados no mesmo ato. A resistên-
controle considerados: controle estatís- principalmente, à dinâmica de produ- cia do exemplar (ou seja, daquela be-
tico por amostragem parcial e controle ção que usa betoneiras de pequeno tonada), para uma determinada idade
por amostragem total. volume (< 1m ). Nos casos de obras
3
de ruptura, é a maior dentre os dois va-
No controle por amostragem parcial de arte ou de edificações, construídas lores obtidos no ensaio de resistência
as amostras são coletadas aleatoria- por concretagem in loco e caminhões à compressão. Outras normas, como
mente de betonadas distintas, respei- betoneira de 8 m , a amostragem é pre-
3
ACI 318 e EN 206, adotam a média
tando a quantidade mínima de exem- ponderantemente total, a 100%. dos valores, estabelecendo uma tole-
plares (conforme os grupos e classes Quanto ao controle por amostragem rância máxima de diferença entre dois
de resistência do concreto), para pos- total (100%), todas as betonadas são ou mais resultados de corpos de prova
terior determinação do fck,est por meio amostradas e a resistência característi- da mesma amassada/betonada. Em
de expressões matemáticas (com ca à compressão do concreto estimada todas as normas uma amassada/be-
fundamento estatístico) denominadas (fck,est) é dada pelo valor da resistência à tonada, qualquer que seja seu volume,
estimadores, formulados para o caso compressão do exemplar de cada be- só tem um valor de resistência, ou seja,

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2. CONTEXTUALIZAÇÃO
u Tabela 1 – Traço do concreto fck = 40MPa, em massa, materiais secos,
E PREMISSAS
para 1m³ de concreto

Insumos do traço do concreto fck 40MPa 2.1 Características do concreto e


Cimento (CP III-40-RS) 380kg particularidades da produção
Sílica ativa 20kg
Água 180kg Com base nas diretrizes do método
Areia fina natural 364kg de dosagem IBRACON (Tutikian & Hele-
Areia artificial, areia de brita 546kg ne, 2011), nas especificações de projeto,
Brita 0 (dimensões de 4,5mm a 9,5mm) 279kg nos insumos disponíveis, nas condições
Brita 1 (dimensões de 9,5mm a 19mm) 651kg e particularidades do canteiro de obras
Aditivo polifuncional, 0,6% em massa de cimento 2,3kg do empreendimento, foi realizado um
Aditivo superplastificante, 1,2% em massa de cimento 4,6kg extenso estudo de dosagem racional e
Massa específica do concreto fresco (kg/m3) 2420 experimental para elaboração de um tra-
Espalhamento (classe) SF2 ço de concreto autoadensável com fck
Teor de ar aprisionado (%) 0,8 = 40MPa. Este estudo foi desenvolvido
em conformidade com as normas ABNT
NBR 12655 e ABNT NBR 15823.
sempre representam apenas um exem- mento SF 2 (slump-flow de 660mm a Considerando todos os aspectos
plar, ou seja, uma unidade de produto 750 mm), conforme classificação da mencionados, obteve-se o traço deta-
ou um indivíduo estatístico. ABNT NBR 15823:2010 “Concreto lhado na Tabela 1.
O controle da resistência à com- autoadensável. Parte 1: Classifica- Também foi realizado um evento de
pressão do concreto das estruturas de ção, controle e aceitação no estado concretagem protótipo para avaliar o
edificação e de obras de arte é parte fresco”, produzido em uma única comportamento do concreto estuda-
integrante da introdução da segurança Central dosadora, durante um perío- do em laboratório, nas condições de
no projeto estrutural, sendo indispen- do de 2 anos e 9 meses, e aplicado obra. Na oportunidade, observou-se
sável sua permanente comprovação ao nas estruturas de concreto armado em campo que a quantidade de aditivo
longo da execução da estrutura, bem de 1 (uma) torre comercial e 2 (duas) superplastificante seria variável, da or-
como a sua respectiva rastreabilidade torres corporativas, com 24 e 36 pa- dem de 30%, em virtude das condições
por meio do adequado mapeamento vimentos, de um empreendimento de climáticas, mantendo-se constantes as
do lançamento do concreto. grande porte localizado na cidade de demais variáveis.
Neste trabalho estão apresentados São Paulo. A Fig. 1 apresenta o aspecto visual
os resultados obtidos durante o contro-
le de resistência à compressão do con-
creto realizado por amostragem total à
luz da ABNT NBR 12655, bem como
análises comparativas com o controle
proposto pela norma americana ACI
318-14 “Building Code Requirements
for Structural Concrete” e pela norma
europeia EN-206:2013 “Concrete –
Specification, performance, production
and conformity”.
u Figura 1
Para tanto, foi analisado um único
Aspecto visual do concreto autoadensável observado durante o ensaio
traço de concreto fck = 40MPa, au- de espalhamento (slumpflow test)
toadensável com classe de espalha-

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 95


do concreto em questão, em seu estado A umidade dos agregados miúdos um período de 2 anos e 9 meses. No
fresco, observado durante a execução era determinada 3 vezes ao dia, no mí- total, foram gerados, com este traço,
do ensaio de espalhamento para deter- nimo, através da utilização do frasco aproximadamente 1.600 caminhões
minação da fluidez (slumpflow test). de Chapman (ABNT NBR 9775:2011 betoneira com, no máximo, 8 m3 cada,
Esse traço foi adotado para a pro- “Agregado Miúdo – Determinação do totalizando cerca de 12.000 m3 de con-
dução regular, tendo se mostrado ade- teor de umidade superficial por meio creto, ou seja, em média 360 m3/mês.
quado durante todo o período de mais do frasco de Chapman – Método de
de 2 anos, considerado neste estudo. ensaio”). A umidade obtida era lançada 2.2 Plano de controle da
A produção do concreto foi realizada no software do sistema de balança da resistência adotado
em Central dosadora estacionária provida Central dosadora, que efetuava auto-
de sistema de carregamento automatiza- maticamente as correções necessárias. O controle de resistência à com-
do, baias e ponto de carga cobertos, ba- Após carregamento do concreto, pressão do concreto foi realizado por
lanças e hidrômetros aferidos mensalmen- era adicionado, no redosador da Central amostragem total, respeitando as pres-
te (inclusive os hidrômetros localizados dosadora, o aditivo superplastificante. crições da norma ABNT NBR 12655,
nos locais denominados redosadores) e Essa adição era procedida em volume por Laboratório acreditado pelo INME-
disponibilidade de seis caminhões beto- por profissional treinado por meio da uti- TRO, pertencente à Rede Brasileira de
neira. A Central dosadora estacionária de lização de baldes graduados. Laboratório de Ensaios (RBLE), que uti-
concreto se localizava no interior do can- Importante registrar que, uma vez lizou laboratoristas qualificados e certi-
teiro de obras e produziu os vários con- fora da Central dosadora, não era per- ficados pelo IBRACON através de seu
cretos exclusivamente para o empreendi- mitido adicionar água ao concreto, em Núcleo de Qualificação e Certificação
mento em questão, com capacidade de hipótese alguma. Caso houvesse ne- de Pessoal (NQCP).
produção de até 70 m³/hora. cessidade de correção do espalhamen- O plano de controle da resistência
Quanto aos procedimentos de car- to, era empregado o aditivo superplas- do concreto adotado durante todo o
ga, as britas, areias, cimento, água e tificante (adicionado, eventualmente, processo de produção consistia na
aditivo polifuncional eram adicionados em canteiro de obras por profissional moldagem de 4 (quatro) corpos de pro-
no ponto de carga da Central e a sílica treinado após autorização do respon- va cilíndricos com diâmetro de 10 cm
ativa era colocada na esteira rolante di- sável e somente para correção da flui- e altura de 20 cm para cada um dos
retamente sobre os agregados, visando dez do concreto fresco). caminhões betoneira, sendo, 1 (um)
assegurar melhor homogeneização da Nesse contexto, o concreto foi for- para ensaio de resistência à compres-
mistura final, que era realizada no balão necido sempre com o mesmo traço, são aos 7 dias, 2 (dois) para 28 dias e 1
do caminhão betoneira. pela mesma Central dosadora, durante (um) para 63 dias de idade.
Os corpos de prova foram molda-
dos em fôrmas metálicas, em local pla-
no, protegido das intempéries, à som-
bra e, posteriormente (após desfôrma
entre 24 h e 36 h), transportados em
caixas de areia seca até a central do
Laboratório de controle tecnológico, lo-
calizado a uma distância de aproxima-
damente 15 km do canteiro de obras,
para sazonamento e ensaio. Esses
corpos de prova foram armazenados
em câmara úmida, tiveram seus topos
u Figura 2 preparados por meio de retificação e
Carta de valores individuais com base nos resultados de resistência à
foram ensaiados em prensas calibra-
compressão do concreto aos 28 dias de idade e histograma correspondente
das periodicamente, em conformidade

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com as normas ABNT NBR 5738:2015
u Tabela 2 – Desvio padrão do processo, ABNT NBR 7212:2012
“Concreto – Procedimento para mol-
dagem e cura de corpos de prova” e
Local de Desvio padrão (MPa)
ABNT NBR 5739:2007 “Concreto – En- preparo do
saio de compressão de corpos de pro- concreto Nível 1 Nível 2 Nível 3 Nível 4

va cilíndricos”. Central s < 3,0 3,0 < s < 4,0 4,0 < s < 5,0 s > 5,0

3. RESULTADOS gem, principalmente devido a diferentes “Execução de concreto dosado em


partidas de cimento e agregados. central – Procedimento”, a avaliação do
3.1 Apresentação dos resultados Considerando o conceito de re- controle do processo deve ser realizada
de resistência à compressão sistência característica do concreto com base no desvio-padrão, conforme
à luz da ABNT descrito no subitem 12.2 “Valores ca- apresentado na Tabela 2.
racterísticos” da norma ABNT NBR Dessa forma, por meio da análise do
A resistência à compressão de 6118:2014 “Projeto de estruturas de desvio padrão e dos critérios preconiza-
cada um dos exemplares foi determina- concreto – Procedimento”, o valor da dos pela ABNT NBR 7212:2012, trata-
da após ruptura dos corpos de prova, resistência à compressão desse con- -se de uma Central Nível 4. De acordo
conforme prescrições da norma ABNT creto, obtido diretamente da popula- com os parâmetros estabelecidos atual-
NBR 5739. ção, seria de fck,5% = 46,5MPa. O desvio mente pela ABNT NBR 12655, esse
Na Fig. 2 está apresentada a carta padrão das operações de produção e desvio padrão da produção é elevado e
de valores individuais das resistências à ensaio obtido foi sc = 6,6MPa e o coefi- não compatível com produção de con-
compressão do concreto aos 28 dias de ciente de variação Vc = 11,2%. creto em usina, classe A. Por outro lado,
idade, o histograma e a distribuição nor- Ainda, a resistência característica a norma ABNT NB-1 de 1960, consi-
mal correspondente. Nesta carta, o eixo desse concreto, adaptada do critério derava que produção de concreto com
das abscissas apresenta os exemplares de amostragem parcial da ABNT NBR desvio padrão igual ou inferior a 15%
em ordem cronológica e o eixo das orde- 12655, seria de fck,est = fcm – 1,65*sc = 47,7 devia ser classificada como produção
nadas, os valores de resistência à com- MPa, apesar que, neste caso, trata-se rigorosa, ou seja, corresponderia à me-
pressão de cada um dos exemplares. apenas de uma especulação matemá- lhor classificação na época.
A carta apresenta cerca de 1600 re- tica, pois o critério efetivo a ser utilizado Segundo o ACI 214 subitem 4.5
sultados de resistência à compressão, deve ser o de amostragem total a 100%. “Standards of control”, para concre-
obtidos ao longo de 2 anos e 9 meses. tos de fck ≥ 35MPa (caso em ques-
Esses resultados variaram de 36,6 MPa 3.2 Avaliação do controle tão), o coeficiente de variação (vc) é o
a 80,1 MPa, com média de 58,6 MPa, do processo de produção parâmetro que deve ser usado para
sendo o menor valor obtido equivalente qualificar ou classificar o rigor de pro-
a 0,91*fck. Foram constatados 11 (onze) De acordo com o item 7 “Análise do dução do concreto, conforme apre-
resultados abaixo da resistência especi- processo” da ABNT NBR 7212:2012 sentado na Tabela 3, e nesse caso a
ficada em projeto (fck = 40MPa), ou seja,
cerca de 0,7% do total de caminhões. u Tabela 3 – Coeficiente de variação das operações de produção e ensaio (vc),
Em uma distribuição normal (curva de ACI 214
Gauss), o quantil de defeituosos corres-
ponderia a um coeficiente de 2,46 (ao Tipo de Padrão de controle
invés de 1,645 para quantil de 5%). serviço Excelente Muito bom Bom Razoável Deficiente
A variabilidade da resistência à com- Controle
pressão de um mesmo traço de concre- em canteiro < 7,0% 7,0% a 9,0% 9,0% a 11,0% 11,0% a 14,0% > 14,0%
de obras
to pode oscilar em torno de diferentes
Pesquisas em
valores, pois no decorrer do processo < 3,5% 3,5% a 4,5% 4,5% a 5,0% 5,0% a 7,0% > 7,0%
laboratório
produtivo ocorrem mudanças de centra-

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 97


Os critérios de controles sugeridos no corpos de prova irmãos rompidos aos
u Tabela 4 – Coeficientes d2 Capítulo 4 “Analysis of Strength Data”do 28 dias de idade, os resultados ob-
para cálculo do desvio padrão
ACI-214R-11 estabelecem o seguinte: tidos ao longo de todo o período de
das operações de ensaio
a) Cálculo do desvio padrão das ope- produção do concreto indicaram des-
e controle
rações de ensaio e controle: vio padrão das operações de ensaio e
controle (se) variando de 0,6 MPa a 1,0
se = åi =1
n
Número p de Ai
1
d2 n.d 2
MPa e coeficiente de variação devido
corpos de prova
2 (dois) 1,128 onde: as operações de ensaio e controle (ve)
3 (três) 1,693 se: desvio padrão das operações de en- entre 1,1% a 1,6%, podendo ser con-
4 (quatro) 2,059 saio em MPa; siderado padrão excelente de controle.
n: número de exemplares considerados
produção pode ser classificada com compostos de p corpos de prova (nun- 3.4 Análise comparativa entre os
rigor bom/razoável. ca inferior a 10 exemplares); métodos de controle propostos
Pode-se então concluir que a pro- A: diferença entre o maior e o menor pela ABNT e ACI
dução desse traço ao longo de mais de resultado de corpos de prova que re-
2 anos apresentou rigor adequado com presentam um mesmo exemplar; Conforme detalhado anteriormente,
variabilidade normal ou razoável. d2: coeficiente que depende do número o controle da resistência à compressão
p de corpos de prova representativos de do concreto foi realizado por amostra-
3.3 Influência das operações um mesmo exemplar, conforme Tabela 4. gem total de acordo com as prescrições
de ensaio e controle b) Cálculo do coeficiente de variação da norma ABNT NBR 12655. Entretan-
ou variabilidade das operações de to, quando os valores de resistência à
Os resultados de resistência à com- ensaio e controle: compressão dessa mesma produção
pressão aos 28 dias de idade disponi- de concreto são analisados à luz do ACI
Ve = æç se ö÷.100
2
è fcmj ø
bilizados foram analisados, do ponto 318, o julgamento final do processo não
de vista da influência das operações onde: coincide. Isso se justifica devido ao fato
de ensaio e controle, de acordo com se: desvio padrão das operações de en- dos procedimentos de amostragem,
os critérios recomendados pelo Ameri- saio em MPa (valor obtido no item a); bem como os critérios de aceitação
can Concrete Institute no ACI-214R-11 Ve: coeficiente de variação devido às prescritos pelo ACI, serem distintos do
“Guide to Evaluation of Strength Test operações de ensaio e controle (%); modelo adotado pela ABNT.
Results of Concrete”, que partem do fcmj: média de todos os resultados utili- Quanto à amostragem, o ACI 318
pressuposto de que cada betonada/ zados, a j dias de idade, em MPa. no item 26.12 “Concrete evaluation and
amassada apresenta apenas um resul- c) Padrão de Controle, conforme acceptance” recomenda como critérios
tado de resistência e a eventual dife- Tabela 5. mínimos:
rença entre corpos de prova irmãos se Considerando a diferença de resis- u um exemplar por dia de concretagem;
deve às operações de ensaio. tência à compressão entre os 2 (dois) u um exemplar para cada 115 m3 de
concreto produzido;
u Tabela 5 – Coeficiente de variação das operações de ensaio e controle (ve), u um exemplar para cada 465 m2 de
ACI 214 área superficial para lajes ou paredes;
u o controle para volumes inferiores
Tipo de Padrão de controle a 38 m3 é dispensado, desde que
serviço Excelente Muito bom Bom Razoável Deficiente exista carta de traço aprovada.
Controle Ainda, de acordo com o ACI 318,
em canteiro < 3,0% 3,0% a 4,0% 4,0% a 5,0% 5,0% a 6,0% > 6,0% o valor da resistência à compressão de
de obras
cada um dos exemplares é determina-
Pesquisas em
< 2,0% 2,0% a 3,0% 3,0% a 4,0% 4,0% a 5,0% > 5,0% do pela média aritmética simples dos
laboratório
resultados obtidos. Conforme ASTM

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C39-16b “Standard Test Method for
Compressive Strength of Cylindrical
Concrete Specimens”, caso os valores
individuais dos corpos de prova irmãos
difiram de mais de 8%, os resultados
são inadequados e o ensaio deveria
ser repetido. O ACI 318, assim como a u Figura 3
ABNT NBR 12655 e a norma europeia Envoltória de resistência à compressão dos valores médios individuais
EN-206:2013 “Concrete – Specification, de cada caminhão betoneira
performance, production and confor-
mity”, também considera que de cada lores individuais e da média móvel de característica definida em projeto (40
betonada moldada é obtido apenas 1 3(três) resultados consecutivos (valores MPa). O menor valor registrado foi de
(um) valor de resistência à compressão. máximos e mínimos assumidos). 40,1 MPa. Sendo assim, seja qual for
O ACI 318 prescreve os seguintes Conforme critério preconizado pe­ a combinação de resultados considera-
critérios de aceitação e conformidade: lo ACI 318, todos os valores indivi- da, esse critério de aceitação também
u para fck ≤ 35MPa, nenhum resul- duais devem ser maiores que 36 MPa foi sempre atendido.
tado individual deve ser inferior a (0,9 * fck). Observa-se na Fig. 3 (envoltó- Portanto, considerando o cenário
fck – 3,5MPa; ria dos valores individuais) que, diante de mais desfavorável possível, se o con-
u para fck > 35MPa (caso em ques- todas as possibilidades, nenhum valor é trole tecnológico do concreto fosse
tão), nenhum resultado individual menor que 36 MPa (salienta-se que o realizado à luz do ACI 318 não existi-
pode ser inferior a 0,9 * fck; menor valor médio individual registrado riam não conformidades uma vez que
u a média móvel de quaisquer 3 (três) foi de 36,2 MPa). Logo, este critério de ambos os critérios (valores individuais e
resultados consecutivos deve ser aceitação foi sempre atendido. média móvel) sempre foram atendidos
igual ou superior a resistência ca- Ainda, de acordo com o ACI, para simultaneamente. Essa constatação di-
racterística definida em projeto (fck). garantir a aceitação do concreto, deve- fere da ABNT NBR 12655 que encon-
Dessa forma, a fim de realizar uma -se efetuar outro tipo de análise. Na Fig. trou 11 não conformidades!
análise comparativa entre os controles 4 está apresentada a envoltória da mé-
efetuados pela ABNT e ACI, todos os dia móvel ao longo de todo o período de 3.5 Análise comparativa entre
valores de resistência à compressão produção [valores máximos e mínimos os métodos de controle
obtidos aos 28 dias de idade também de quaisquer 3 (três) resultados conse- propostos pela ABNT e EN
foram tratados e organizados de acor- cutivos]. Nota-se que em nenhum caso
do com os critérios de amostragem a média móvel foi inferior à resistência Assim como a norma americana, a
e aceitação propostos pelo ACI 318,
conforme apresentado adiante.
Considerando o critério mínimo de
amostragem proposto pelo ACI de um
exemplar a cada 115 m3 de concreto
(ou seja, uma moldagem de corpos de
prova a cada 14 caminhões betoneira
de 8 m3), tornou-se possível analisar
inúmeras combinações de resultados,
uma vez que foram moldados corpos
de prova para todos os caminhões be-
toneira (população). Sendo assim, para u Figura 4
Envoltória da média móvel de 3 valores consecutivos ao longo do período
estudar todas as possibilidades, foram
de produção
determinadas as envoltórias dos va-

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 99


metodologia europeia EN 206 estabelece tão disponíveis em um período de É válido registrar que esta norma
2 (dois) critérios para análise da confor- 3 (três) meses. De acordo com este permite como resultado de um exem-
midade da resistência à compressão do método, a média de 15 (quinze) ou plar o valor obtido de um único corpo
concreto: critério para resultados indivi- mais resultados consecutivos [dis- de prova ou, no caso de mais rupturas,
duais e critério para resultados médios. ponibilizados em um período não o resultado é definido como o valor
No caso da análise por meio do crité- superior a 3 (três) meses] deve ser médio. Os resultados individuais que
rio individual, cada resultado deve satisfa- ≥ fck + 1,48σ (adotando-se como σ o se afastarem mais de 15% do valor da
zer a seguinte condição: todo e qualquer desvio padrão determinado no final média devem ser desconsiderados.
valor individual deve ser ≥ fck – 4 MPa. do controle de início de produção). Sendo assim, analogamente ao
Quanto ao critério para resistências A EN 206 ainda permite que a con- caso discutido anteriormente (ACI),
médias, a norma em questão permite formidade da resistência à compressão uma vez que foram moldados corpos
que a resistência à compressão seja do concreto seja avaliada pelo empre- de prova para todos os caminhões
avaliada por um dos seguintes métodos: go de gráficos de controle (método C), betoneira (população), no caso da EN
u método A ou controle da produção desde que as condições de produção também foi possível efetuar uma aná-
inicial. Neste caso, a resistência mé- contínua estejam estabelecidas e que lise considerando inúmeras combina-
dia de 3 (três) resultados consecu- esta seja certificada por terceiros, o que ções de resultados.
tivos deve ser ≥ fck + 4MPa, sendo não é o caso desse estudo. De acordo com o critério mínimo
que os critérios de conformidade Quanto à formação dos lotes, quan- de amostragem proposto pela EN de 3
foram desenvolvidos com base em do a produção contínua é realizada em (três) exemplares nos primeiros 50 m3
resultados de ensaio não sobrepos- centrais de concretos com certificação de produção e, posteriormente, 1 (um)
tos. Logo, a aplicação de critérios de controle de produção, as amostras exemplar a cada 150 m3 de concreto
de sobreposição de resultados (mé- devem ser retiradas a cada 200 m3 (ou (ou seja, uma moldagem de corpos de
dia móvel de resultados consecuti- uma a cada 3 dias de produção). Se a prova a cada 18 caminhões betoneira
vos) aumenta o risco de rejeição; produção de concreto não possuir cer- de 8 m3), obteve-se a envoltória de va-
u método B ou controle de produção tificação de controle de produção (caso lores individuais apresentada na Fig. 5.
contínua. Trata-se de uma opção em questão), as amostras devem ser Nota-se que, durante o período de
quando os critérios de produção retiradas a cada 150 m (ou uma por
3
produção, o critério de valores indivi-
contínua são estabelecidos, ou dia de produção). Importante: nos pri- duais preconizado no subitem 8.2.1.3.1
seja, quando pelo menos 35 (trinta meiros 50 m de produção devem ser
3
“Criteria for individual results” da EN
e cinco) resultados de ensaios es- retiradas 3 (três) amostras, no mínimo. 206:2013 foi atendido em todos os
casos. Novamente, vale lembrar que o
menor valor de resistência à compres-
são obtido nesse período foi de 36,2
MPa, considerando a média dentre 2
(dois) corpos de prova irmãos.
Quanto a análise dos resultados
médios, de forma a contemplar todas
as possibilidades, considerou-se a en-
voltória dos valores médios de 3 (três)
resultados consecutivos não sobrepos-
tos, conforme evidenciado na Fig. 6.
Assim como no caso da curva dos
valores individuais, a curva de valores
médios obtida durante todo o perío-
u Figura 5
do de produção sempre atendeu às
Envoltória de resistência à compressão dos valores individuais
exigências estabelecidas no subitem

100 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


8.2.1.3.2 “Criteria for mean results” da
EN 206:2013. Neste caso, o menor va-
lor obtido, para a situação mais desfa-
vorável, com probabilidade de ocorrên-
cia de 10-8, foi de 44,1MPa.

4. CONCLUSÕES
O controle de resistência à com-
pressão do concreto preconizado pela u Figura 6
normalização brasileira é muito rigoro- Envoltória da média de 3 (três) valores consecutivos não sobrepostos
so e o mais seguro. A amostragem to- ao longo do período de produção
tal a 100% (população), os resultados
são analisados individualmente, sem aos critérios da norma brasileira. Nessas de 11 vezes em aproximadamente 1.600
tolerâncias, ou seja, todo e qualquer normas, o controle sempre é realizado caminhões betoneira (0,7%). Essa não
valor de resistência que esteja inferior por amostragem parcial leve, são esta- conformidade “insignificante” gerou con-
à especificação de projeto será consi- belecidas tolerâncias para os valores in- sultas ao projetista, desgastes entre os
derado não conforme, por menor que dividuais de resistência à compressão e, intervenientes e revisões de projeto ab-
seja a diferença. Entretanto, apesar de além disso, também se aplica o concei- solutamente desnecessárias. Em contra-
muito seguro, trata-se de um contro- to da média de resultados consecutivos partida, os mesmos resultados, quando
le oneroso, pois envolve a moldagem, como critério de aceitação. analisados à luz das metodologias pres-
manuseio, transporte, cura, retificação Na opinião dos autores deste artigo critas pelo ACI 318 e EN 206 , indicaram
e ruptura de muitos corpos de prova do os critérios de aceitação e conformida- um índice de não conformidade nulo ou
concreto de todos os caminhões beto- de preconizados pela ABNT NBR 12655 zero, como de fato deveria ser.
neira recebidos em obra (controle por são muito rigorosos e caberia flexibilizar Adotar a flexibilização, aceitando
amostragem total). o valor de resultados individuais dentro alguns poucos valores individuais de
Neste caso para esta obra o controle de uma margem de até 0,9 fck. Por outro até 0,9 fck como conformes, certamen-
via ABNT NBR 12655 implicou na molda- lado, o critério de amostragem adotado te impactaria de maneira positiva no
gem e ruptura de cerca de 3.200 corpos no Brasil se coloca a favor da segurança processo de produção, minimizando
de prova (96 CPs por mês). Segundo o e na opinião destes autores, apesar de possíveis custos, retrabalhos, revisões
ACI 318 bastaria moldar e romper 228 oneroso, deve ser mantido como está, de projeto, atrasos em cronogramas de
CPs (7 CPs por mês) e segundo EN-206, ou seja, amostragem a 100%. obra e desgastes desnecessários entre
bastaria 88 CPs (nem 3 CPs por mês). Neste estudo de caso, os resultados os intervenientes da cadeia produtiva
Nota-se que a metodologia de con- obtidos por meio do controle tecnológico do concreto, sem comprometimento
trole prescrita pelo ACI 318 e EN 206 é prescrito pela ABNT NBR 12655 aponta- da segurança, durabilidade e qualidade
muito mais branda, quando comparada ram para um índice de não conformidade final das estruturas de concreto.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12655. Concreto de cimento Portland – Preparo, controle, recebimento e aceitação – Procedimento. ABNT, 2015
[2] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118. Projeto de estruturas de concreto – Procedimento, Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABNT, 2014.
[3] ACI 214R-11 (2011), Guide to Evaluation of Strength Test Results of Concrete, American Concrete Institute.
[4] ACI 318-14 (2014), Building Code Requirements for Structural Concrete, American Concrete Institute.
[5] ASTM 39-16b (2016), Standard Test Method for Compressive Strength of Cylindrical Concrete Specimens, ASTM International.
[6] EN 206 (2013), Concrete – Specification, performance, production and conformity, European Committee for Standardization.
[7] PACHECO J. & HELENE P. Controle da resistência do concreto – 1ª Parte, Revista Concreto e Construções, 2013, n. 69, pp 75 - 81.
[8] PACHECO J. & HELENE, P. Controle da resistência do concreto – 2ª Parte, Revista Concreto e Construções, 2013, n. 70, pp 90 - 98.
[9] TUTIKIAN, B.; HELENE, P. Dosagem dos Concretos de Cimento Portland. In: Geraldo C. Isaia (Org). Concreto: Ciência e Tecnologia. 1 ed. São Paulo: IBRACON, 2011,
v.1, p. 415-451.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 101


u entidades da cadeia

O Brasil e os terremotos
FERNANDO REBOUÇAS STUCCHI – Head da Delegação Nacional / representante da América Latina
fib / fib MC 2020

Q
uando, em 1992, co- bém vãos maiores sem travamentos aprovada e ABNT NBR15421 – Pro-
meçamos a trabalhar na de alvenaria. jeto de estruturas resistentes a sis-
revisão da ABNT NBR A introdução desses dois requisi- mos. A maior parte do Brasil, Zona 0,
6118, uma questão central eram tos tinha por traz também uma outra não é sísmica e aqueles dois requisi-
os carregamentos horizontais. Era ideia. Embora os sismos no Brasil tos acima nos garantem a robustez
preciso requerer com mais firmeza sejam pequenos, eles existem e as necessária, mas existem áreas, Zona
a consideração do efeito do vento, construções precisam estar prepa- 1, onde um carregamento horizontal
uma vez que estávamos projetando radas para enfrentá-los. Esses dois pré-definido é requerido, e outras,
edifícios cada vez mais altos, esbel- requisitos ajudam a proteger nossas Zonas 2 a 4, onde não se pode esca-
tos e sem travamentos de alvenaria. construções, tornando-as mais ro- par de um projeto sismo-resistente.
Assim foi feito na versão aprovada bustas, especialmente os edifícios Com essa norma, o projeto de
em 2003, que incluiu também o de- baixos através do desaprumo. edifícios sismo-resistentes fica defi-
saprumo, condicionante nos edifícios Logo em seguida à aprovação nido, mas infelizmente ainda não o
que, embora baixos, usavam tam- da ABNT NBR6118, foi preparada e de pontes sismo-resistentes. Como

Ponte sobre o Rio Daule, em Guayaquil, no Equador

102 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


elas têm uma relação peso/rigidez e O Bull 78 é uma evolução do 27 preparados para projetos sismo-
uma exposição ao vento bem dife- no ataque ao problema do projeto -resistentes, mas não só para isso.
rentes dos edifícios, critérios especí- sismo-resistente de edifícios pré- Oportunidades aparecem no merca-
ficos devem ser estabelecidos. -moldados. Esse boletim é interna- do internacional onde essa capacita-
Com a ABNT NBR15421 já vigente cionalmente reconhecido no campo ção é exigida.
há mais de dez anos, os engenheiros dos pré-moldados. É o caso, por exemplo, do Porto
precisam de bibliografia de apoio e O assunto sismo votou à baila de Nacala para exportação de car-
desenvolvimento. Além do ótimo livro no Workshop fib MC 2020 realiza- vão de Moçambique. A mina, a fer-
“Analise Dinâmica de Estruturas”, de do em São Paulo ano passado. O rovia e o porto foram projetados e
Sergio Hamphsire dos Santos (coor- Código Modelo da fib é um impor- construídos pela Vale e já estão hoje
denador da ABNT NBR15421) e Sil- tante documento em constante de- operando.
vio S. Lima, que estuda o assunto no senvolvimento para a Engenharia Da mesma forma ocorreu com o
quarto capítulo, existem muitas publi- Estrutural no Mundo todo e inclusive Porto de Astialba, na Venezuela, onde
cações internacionais originárias dos para o Brasil, país que integra a fe- a análise se complica por conta da
países muito sísmicos, e certamente deração através do Grupo Nacional significativa interação solo estrutura
as publicações da fib (International formado pelas entidades, ABECE, decorrente da solução em cais es-
Federation For Structural Concrete), ABCIC e IBRACON. taqueado, e na duplicação da Pon-
que enfrentam o assunto de forma Através da expressiva atuação te sobre o Rio Daule, em Guayaquil,
ajustada a de nossas normas. brasileira na federação, pretende-se no Equador.
Existe uma série de publicações promover uma maior integração na Mesmo aqui no Brasil aparecem
da fib que merecem destaque: América Latina. Um tema, conside- problemas especiais de projeto sís-
u Bull 24 – Seismic design and rado vital e de interesse de todos mico mais exigente. É o caso da Usi-
assessment of Reinforced Con- para esta integração, é a questão na de Angra 3 e das instalações para
crete Buildings; dos sismos. Os países situados no fabricação e manutenção do nosso
u Bull 25 – Displacement-based lado do Pacífico têm larga experiên- Submarino Nuclear. Por razões de
seismic design of Reinforced cia no assunto e podem participar segurança da população, na região
Concrete Buildings; do MC 2020, sugerindo novidades dessas instalações nucleares, o pe-
u Bull 27 – Seismic design of precast com base no Bull 69 ou trabalhos ríodo médio de retorno do valor ca-
Reinforced Concrete Buildings; equivalentes, como o em curso no racterístico do sismo sobe dos usuais
u Bull 39 – Seismic bridge design IABSE (International Association 475 anos para até 10 mil anos. Vale
and retrofit; for Bridge and Structural Enginee- lembrar que o período médio de re-
u Bull 68 – Probabilistic Perfor- ring), sob a coordenação do Sergio torno das cargas acidentais usuais,
mance-based seismic design; Hampshire dos Santos. A primeira com o TB450 para rodovias, é de
u Bull 69 – Critical comparison of reunião virtual, que marcou o início 140 anos.
major seismic codes for buildings; dos trabalhos visando estruturar o Assim sendo e considerando este
u Bull 78 – Precast concrete build- texto-base de contribuição da Amé- tema ser um desafio global, como a
ings in seismic areas. rica Latina, coordenada desde o Bra- maior parte dos assuntos que en-
Essas publicações são muito in- sil, foi realizada recentemente, no volvem as transformações do nosso
teressantes e úteis, com destaque dia 23 de novembro e contou com planeta, estar fazendo parte de um
para as duas últimas. “experts” dos seguintes países: federação como a fib, que integra 45
O Bull 69 faz uma comparação México, Chile, Colombia e Brasil. países, e levando a contribuição bra-
das mais reconhecidas normas inter- Foi realizada com êxito e será se- sileira com uma maior integração com
nacionais, num trabalho muito inte- guramente uma referência futura a América Latina, é de fundamental
ressante iniciado por Park e Paulay, neste tema. importância para o desenvolvimento
desde a publicação da norma sísmi- Função da ABNT NBR15421, os contínuo dos trabalhos, inclusive da
ca da Nova Zelândia. projetistas brasileiros deverão estar normalização brasileira.

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u normalização técnica

Os vergalhões e o concreto
armado no Brasil
FERNANDO REBOUÇAS STUCCHI – Professor titular, diretor e membro
Universidade de São Paulo (USP) – EGT Engenharia – Comitê Brasileiro de Construção
Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT/CB2)

1. INTRODUÇÃO Junto com Fernando Lobo Carneiro sa, apareciam 5 tipos de aço (CA24,

N
a procura de dados da evo- e Telêmaco Van Langendonck, Hum- 32, 40, 50 e 60). A Tabela 1 mostra,
lução do aço para concreto berto Fonseca ajudou na elaboração da para cada um desses aços, a tensão
armado no Brasil, nos de- NB1, que, na sua a primeira versão pu- de escoamento, a relação ruptura/es-
paramos com grande quantidade de blicada em 1940, já continha um critério coamento, o alongamento de ruptura,
informações da História do Concreto de cálculo da flexão na ruptura. Nessa o diâmetro de dobramento e, pela pri-
Armado. De fato, a evolução do Con- época, só duas normas no mundo fa- meira vez, o coeficiente de conforma-
creto Armado acompanhou a evolução ziam isso, a NB1 e a Norma Russa! ção superficial.
do concreto e do aço nele utilizados, Justamente um ano antes saia a Esse coeficiente era muito impor-
bem como toda a normalização corres- primeira versão da EB3-19391, naquela tante para a ancoragem das barras
pondente. época definindo apenas os aços 37CA no concreto, bem como emendas por
e 50CA, com limite de escoamento de 2
transpasse, especialmente no caso de
2. ENTRADA DA NORMALIZAÇÃO 24 e 30 kgf/mm , equivalentes a 240
2
aço de alta resistência, como CA50 e
– PRIMEIROS PASSOS e 300 MPa, respectivamente (naquela 60, que exigiram barras de alta ade-
É interessante começar pela NB1- época a classe do aço não se definia rência de forma a evitar comprimentos
1940. Essa, a primeira norma da ABNT pelo limite de escoamento, mas pelo muito grandes de ancoragem. Essa
(Associação Brasileira de Normas Téc- limite de resistência3, por isso 37 e 50 segunda versão da EB3 já trazia crité-
nicas), recém-fundada, veio depois de em lugar de 24 e 30). Nessa primeira rios para o cálculo dos comprimentos
uma considerável evolução de peque- especificação de aços para concreto de ancoragem (com ou sem gancho) e
nas obras até edifícios como o “Mar- armado já se tinha preocupação com de emenda.
tinelli”, em São Paulo, e o “A Noite”, a ductilidade do aço, especificando um Por outro lado, as mossas e saliên-
no Rio de Janeiro, mas principalmente alongamento mínimo na ruptura e um cias correspondentes agravavam o pro-
após a construção da Ferrovia Mairin- ensaio de dobramento! blema da fadiga, pouco importante nas
que-Santos. Vale recordar que esse A evolução da NB1 passou da versão barras lisas, mas importante nas de alta
processo construtivo foi liderado por de 1940 para a de 1950 e 1960, quando aderência, por conta da concentração
Humberto Fonseca, que conseguiu, evoluiu o critério de cálculo na ruptura, de tensão que as saliências criavam.
com seus parceiros, convencer os di- caminhando na direção do que temos De novo, preocupados em evitar rup-
rigentes da Sorocabana Railway a exe- hoje e atingindo inclusive os pilares! turas frágeis, agora por fadiga, nossos
cutar as Obras de Arte em concreto Foi um pouco depois, no ano de mestres da época introduziram, com
armado, e não em estrutura metálica, 1967, que saiu a segunda versão da as barras de alta aderência, os critérios
como era tradicional na época. EB3. Nessa versão, bastante ambicio- para verificação da fadiga.

1
NB-3 passou a ser NBR 7480 por ter sido registrada pelo INMETRO.
2
Limite de escoamento corresponde ao patamar que se observa no diagrama tensão-deformação, em que as deformações crescem sem qualquer acréscimo de tensão.
3
Limite de resistência corresponde ao ponto mais alto do trecho de encruamento do diagrama tensão-deformação, que se apresenta após o patamar de escoamento.
De fato, após esse patamar a barra de aço requer mais força para se alongar, dizemos que ela encrua, até que rompa efetivamente no topo desse trecho, o limite de resistência.

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u Tabela 1 – Características mecânicas exigíveis das barras e fios de aço destinadas a armaduras de peças de concreto
armado, presente na ABNT/EB 3 (ABNT NBR 7480:1967) - Condições de emprego da barras de aço destinadas a armadura
de peças de concreto armado

Distintivo
Ensaio de tração Ensaio de dobramento Aderência
da categoria

Categoria Tensão de Diâmetro do pino


Tensão de Alongamento Coeficiente h
escoamento (ângulo de 180°)
ruptura em 10f mínimo Cor
δe mínima
δr mínima mínimo1 f < 25 mm f ≤ 25 mm (f = 10 mm)
kgf / mm2
CA 24 24 1,5 δe 18 % 1f 2f 1,0 –
CA 32 32 1,3 δe 14 % 2f 3f 1,0 verde
CA 40 40 1,1 δe 10 % 3f 4f 1,2 vermelha
CA 50 50 1,1 δe 8% 4f 5f 1,5 branca
CA 60 60 1,1 δe 7% 5f 6f 1,8 azul
1
Os fios de diâmetro igual ou menor que 5,0 mm poderão apresentar alongamento mínimo, de ruptura, em 10 f, de 6%.

3. CONTÍNUA PREOCUPAÇÃO Armado, até porque foi lá que ele foi in- Foi desse ajuste que surgiu o gc = 1,4,
DO BRASIL COM A DUCTILIDADE ventado, talvez porque lá só se usassem e não 1,5, como proposto pelo Código
Aqui vale a pena contar uma histó- modelos de tensões admissíveis. Modelo de CEB de 1978.
ria que mostra quão diferenciada era a É lógico que hoje o Eurocode EC2, Nesse período a EB3 evoluiu com a
nossa preocupação com ductilidade, que usa modelos de cálculo nos Esta- versão de 1972, que incluía as carac-
desde o início. Num curso de Concreto dos Limites, limita a penetração da linha terísticas geométricas das barras, para
Armado na França apareceu um pro- neutra de forma a evitar peças superar- cada diâmetro, e definia pela primeira
blema de uma viga muito baixa, onde a madas. Por outro lado, o EC2 requer vez aços tipo A (laminados) e tipo B (en-
tensão no concreto resultava muito alta. verificação de tensões no concreto em cruados a frio). Logo em seguida, pas-
Um aluno sugeriu que se aumentasse serviço, o que leva a peças mais espes- sou a ABNT NBR 7480*, nas versões
a armadura de tração, aumentando a sas. A experiência tem mostrado que, de 1980, 1982 e 1985. Nessas versões
penetração da linha neutra (x) e resol- 4 evitando peças superarmadas, não é uma boa evolução ocorreu na definição
vendo o problema. Um pouco sem jeito necessária tal verificação. dos lotes e amostras de controle do
intervi dizendo que isso não era permi- aço, bem como na definição dos en-
tido no Brasil, porque a peça resultaria 4. CONSTANTE BUSCA DA saios de aderência, ancoragem, emen-
superarmada, apresentando uma rup- MODERNIZAÇÃO E EVOLUÇÃO da e fadiga. Nesse período se percebeu
tura frágil pelo concreto à compressão, TÉCNICA FRENTE AO MERCADO uma tendência ao CA60 liso, com inde-
e não uma dúctil pelo aço ecoando. Da NB1 de 1960, a norma de pro- finição do ηb.
Esse exemplo mostra como no Brasil, jeto evoluiu bastante ao introduzir o Após um árduo período de con-
por causa do modelo na ruptura, acaba- Método dos Estados Limites em 1978. vencimento, com justificativas de que,
mos nos preocupando mais com a duc- Mais uma vez os nossos mestres da embora com barras mais finas, o CA60
tilidade a ponto de definir e evitar peças época, aqui especialmente Péricles tinha muita resistência e deveria ter
superarmadas (veja que até hoje não veri- Brasiliense Fusco, ao introduzirem esse aderência melhorada sob pena de po-
ficamos tensões no concreto em serviço). novo modelo, ajustaram seus critérios dermos ter ruínas frágeis com perda de
Note-se que isso não aconteceu na Fran- aos resultados dos nossos modelos na aderência, conseguiu-se que a versão
ça, um país muito adiantado em Concreto ruptura que já tinham quase 40 anos! de 1996 dessa norma redefinisse o ηb

4
No dimensionamento de vigas de concreto armado à flexão, o binário a ser equilibrado é formado pela compressão no concreto e pela tração na armadura. O bloco de
compressão no concreto, que equilibra a tração na armadura, ocupa uma parte da altura da viga que se convencionou chamar de “x” – penetração da linha neutra, medida a partir
da fibra mais comprimida do concreto, em direção à armadura.

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 105


u Tabela 2 – Características mecânicas exigíveis dos aços destinados a armaduras de peças de concreto armado,
presentes na ABNT NBR 7480:2007

Valores mínimos de tração Ensaio de dobramento a 180º Aderência


Resistência Coeficiente de conformação
Alongamento Alongamento Diâmetro de pino
característica Limite de superficial mínimo
Categoria após ruptura total na força mm
de resistência2 h
em 10 Φ3 máxima5
escoamento1 fst
A Agt
fyk MPa f < 20 m f ≥ 20 Φ < 10 mm Φ ≥ 10 mm
% %
MPa
CA-25 250 1,20 fy 18 – 2f 4f 1,0 1,0
CA-50 500 1,08 fy 8 5 3f 6f 1,0 1,5
CA-60 600 1,05 fy 4
5 – 5f – 1,0 1,5
1
Valor característico do limite superior de escoamento fyk da ABNT NBR 6118 obtido a partir do LE ou δe da ABNT NBR ISO 6892;
2
O mesmo que resistência convencional à ruptura ou resistência convencional à tração (LR ou δt da ABNT NBR ISO 6892);
3
Φ é o diâmetro nominal, conforme 3.4;
4
fst mínimo para 660 MPa;
5
O alongamento deve ser atendido através do critério de alongamento após ruptura (A) ou alongamento total na força máxima Agt.

do CA60 em 1,5. Nessa mesma ver- bal, fadiga e sismos (saiu em segui- foi introduzida a exigência de capacidade
são, reduziu-se a quantidade de aços da a ABNT NBR 15421:2004); de adaptação plástica, definida pela ca-
especificados, mantendo-se apenas u exigência da consideração do vento pacidade de rotação plástica.
CA25 (que havia substituído o CA24 ou do desaprumo, onde vale ressal-
em 1980), e os CA50 e CA60, sendo tar o objetivo de proteger as edifica- 5. CONCLUSÃO
os dois primeiros laminados e o CA60 ções altas e baixas, inclusive de um Dessa forma, muitas prescrições que
o único encruado a frio. Essa modifica- terremoto, que embora pequeno, antes estavam na ABNT NBR 7480 pas-
ção foi boa porque, em primeiro lugar, requer uma capacidade mínima para saram à ABNT NBR 6118 e a normas es-
não são necessários tantos tipos de evitar ruínas frágeis e catastróficas; pecíficas de ensaio indicadas na própria
aço e, em segundo lugar, eliminou-se a u combinações de ações correspon- ABNT NBR 7480, focada nas especifi-
possibilidade de confusão entre tipos A dentes a cada Estado Limite; cações para os aços. A Tabela 2 mostra
e B dos aços CA40 ou 50. u diferenciação dos coeficientes de o que está definido na ABNT NBR 7480
Depois de um longo processo de ponderação, dependendo da com- atualmente, classificando apenas os três
revisão, que começou em 1992 e termi- binação e da ação; tipos de aço, reduzindo um pouco a exi-
nou em 2003, foi publicada a revisão da u durabilidade; etc. gência relativa ao CA50 (da relação fst/
ABNT NBR 6118, que em 1980 passou Grande preocupação em evitar ruínas fyk > 1,08, em lugar de 1,1). Na verdade,
de NB1-78 para ABNT NBR 6118:1980. frágeis, requerendo ductilidade das estru- como o CA50 respeita com folga o 1,1,
Essa mudança foi expressiva e se turas, foi introduzida, não só em condi- esse limite bem que poderia voltar.
estendeu à revisão da ABNT NBR 8681 ções extremas como acima referido, mas Manter uma boa relação fst/fyk e um
– Ações e segurança nas estruturas, de especialmente com novas limitações bom alongamento de ruptura garante
forma a atualizar o Método dos Estados para cálculos elásticos (limitando x/d na uma boa robustez, capacidade de su-
Limites em diversos aspectos: flexão), para redistribuição de momentos portar melhor eventos extremos, limi-
u ELS e ELU como estabilidade glo- em vigas e para cálculos plásticos onde tando eventuais catástrofes.

u REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] EB-3: 1939 Barras laminadas de aço comum para concreto armado.
[2] EB-3: 1967 Condições de emprego das barras de aço destinadas a armadura de peças de concreto armado.
[3] EB-3: 1972 Barras e fios de aço destinados a armaduras de concreto armado.
[4] ABNT NBR 7480: 1980 Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado.
[5] ABNT NBR 7480: 1982 Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado.
[6] ABNT NBR 7480: 1985 Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado.
[7] ABNT NBR 7480: 1996 Barras e fios de aço destinados a armaduras para concreto armado.
[8] ABNT NBR 7480: 2007 Aço destinado a armaduras para estruturas de concreto armado – Especificação.

106 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u mantenedor

Concreto dos pilares


e vigas que suspendem
a Capela Santa Luzia
na Cidade Matarazzo
LUANA SCHEIFER – Gerente de Tecnologia do Concreto
ANDRÉ TAVARES SIMONI – Coordenador de Tecnologia do Concreto
MARIA FERNANDA ALONSO OLIVEIRA – Coordenadora de Tecnologia do Concreto
ALEXANDRE MENARES BENITO – Coordenador de Tecnologia do Concreto
Votorantim Cimentos

1. INTRODUÇÃO dade Condessa Filomena Matarazzo, sação para quem vislumbra ambas

P
lural. Eis uma palavra que alusão ao nome de sua esposa, e a construções é uma só: elas parecem
pode ser aplicada à cidade Capela Santa Luzia. flutuar, escoradas por meio de uma
de São Paulo. Multicultu- Hoje, todo esse conjunto de 30 reunião de vigas e pilares, repletas
ral, megalópole, centro econômico mil metros quadrados, localizado
do Brasil, a cidade não pode ser re- entre as ruas São Carlos do Pinhal,
sumida em um único símbolo, apesar Itapeva, Pamplona e Alameda Rio
de alguns reunirem capacidade sufi- Claro, foi arrematado pelo grupo
ciente para ajudar a contar a histó- multinacional francês Allard, que pre-
ria do município. Quer um exemplo? tende inaugurar a Cidade Matarazzo
Conde Francisco Matarazzo. em 2019. O projeto mantém o legado
Imigrante de origem italiana, Ma- arquitetônico e o patrimônio cultural
tarazzo desembarcou no Brasil em do complexo, e vai abrigar um hotel
1881 e construiu a Indústrias Reuni- seis estrelas, shopping e uma torre
das Francisco Matarazzo (IRFM), um de 22 andares assinada pelo arquite-
conglomerado que chegou a reunir to francês Jean Nouvel.
mais de 200 fábricas. Para manter todo esse legado
Mas além da atividade industrial, intacto, conforme estabeleceu o
Matarazzo mantinha a poucos qui- Conselho de Defesa do Patrimônio
lômetros de sua mansão na avenida Histórico, Arqueológico, Artístico e
Paulista – outro símbolo de São Pau- Turístico do Estado de São Paulo
lo – o Hospital Umberto I, inaugurado (Condephaat) na liberação da obra,
no início do século XX em homena- a Capela Santa Luzia foi literalmente u Figura 1
suspensa. E a maternidade também Vigas no entorno da Capela
gem ao Rei Umberto I da Itália. No
Santa Luzia
complexo, também havia a Materni- passa pelo mesmo processo. A sen-

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 107


de movimentação da estrutura já
existente.
Mas não foi só. Existiam desafios
adicionais que deixaram a dosagem
do traço ainda mais complexa. Foi
necessário, por exemplo, um concre-
to com fluidez suficiente para que re-
giões “enterradas” fossem atingidas.
Ao mesmo tempo era necessário um
concreto que não exercesse uma
grande pressão nas formas, devido
ao pequeno espaço para sua monta-
gem e seu travamento. Assim, o con-
u Figura 2
Intersecção das vigas na parte interna da estrutura creto foi lançado em alguns pontos
específicos, cujo objetivo era alcan-
çar todos os cantos dos elementos
de concreto. Uma tarefa nada fácil cessidade de garantir a manutenção estruturais com a capacidade de au-
porque o grande desafio no ato de da fluidez do concreto durante toda toadensar (Figura 4).
concretagem foi executar a estrutura aplicação, considerando como tem- As Figuras 1 a 4 mostram o ta-
de concreto armado sob uma arma- po médio de percurso do caminhão manho do desafio. Primeiro, a Ca-
ção já existente, sem que houvesse betoneira algo próximo a uma hora e pela Santa Luzia passou por concre-
qualquer tipo de movimentação da 30 minutos. O segundo desafio: era tagens nos pilares (estacas), depois
estrutura da capela, tombada pelo necessário atender a uma elevada nas vigas de coroamento (Figura 1).
Condephaat. resistência à compressão já nas pri- Essas vigas ficavam no entorno da
Participar desse desafio de enge- meiras 24 horas, para o enrijecimen- estrutura já existente e também pas-
nharia e da obra Cidade Matarazzo to da estrutura, dada a complexidade savam por dentro da capela (Figuras
foi um presente de aniversário. A En- da concretagem e a impossibilidade 2 e 3).
gemix completa 50 anos em 2018 e
obras desse porte só engrandecem
a sua trajetória. Desde que passou a
fazer parte da Votorantim Cimentos
em 2002, o objetivo da empresa é se
firmar como referência nacional em
tecnologia no concreto.
Em linha com esse propósito,
colocar a Capela Santa Luzia como
se estivesse suspensa no ar, impul-
sionou a equipe a desenvolver um
traço de concreto bastante diferen-
te do convencional. Dentre todos
os desafios na especificação deste
concreto, dois deles eram contra-
u Figura 3
Montagem das vigas na parte interior
ditórios. O primeiro se referia à ne-

108 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


A solução encontrada para aten- da resistência característica à com-
der a todas essas especificações foi pressão aos 28 dias de idade e do mó-
a do concreto presente da família dulo de deformação, exigidos pelo cál-
Hi-Mix, o Adensamix. Um dos pon- culo estrutural, que se baseia no que
tos centrais para a escolha desse preconiza a ABNT NBR 6118 – Projeto
concreto autoadensável estava na de estruturas de concreto, existiam,
impossibilidade de se utilizar o pro- para esta complexa operação, outras
cesso de vibração na obra, dado o especificações demandadas pela pró-
tipo de estrutura a ser preenchida pria equipe de construção e serviço de
com concreto. Além disso, como a concretagem e bombeamento. Para
Cidade Matarazzo está no coração tanto, foram definidos os seguintes
da cidade de São Paulo, em uma pontos:
área bastante urbanizada, com resi- a) Necessidade de abertura de
dências, a vibração e a consequente slump flow test para a classe SF1,
u Figura 4 geração de barulho poderiam provo- segundo a ABNT NBR 15823 – 1
Local de lançamento do concreto
do lado de fora car transtornos. – Concreto autoadensável, para
Outro ponto foi o complexo es- atingir todas as regiões das peças
tudo logístico realizado para o aten- a concretar;
2. ESPECIFICAÇÃO dimento da obra, sendo necessário b)
Necessidade de manutenção
DO PRODUTO garantir uma sincronia entre os ca- desta fluidez por 2 horas e 30 mi-
O desafio para fazer a Capela minhões no percurso, no lançamen- nutos, considerando um tempo
Santa Luzia “flutuar” em meio a uma to do concreto e na saída da obra, de transporte médio de 1 hora
área de 30 mil metros quadrados para garantir que não haveria inter- e 30 minutos e um tempo médio
passou pela correta especificação do valos entre os caminhões. Assim, a entre a chegada na obra e o fim
produto, que só foi possível com a concretagem terminaria no tempo de lançamento de 1 hora;
participação de todos os envolvidos inicialmente previsto. Portanto, o c) Necessidade de redução da flui-
no processo: calculistas, tecnologis- caminhão betoneira precisava che- dez do concreto após 2 horas do
tas de concreto, serviço de bombea- gar ao ponto da concretagem com o
mento, aplicadores e operação de produto pronto, ou seja, o concreto
serviço de concretagem. produzido na base também precisa- u Tabela 1 – Materiais usados na
dosagem do concreto
O primeiro movimento foi identifi- ria sair pronto da central.
car as necessidades da obra, sendo Esse é um dos pontos críticos Material Tipo
a primeira especificação definida a do desafio na concretagem na Ci- Cimento CP II E 40
resistência característica à compres- dade Matarazzo: manter a fluidez do Adição sílica ativa
são de 50 MPa. Porém, devido a ou- concreto por um longo período de Brita 1 / 19mm
tras exigências, como a elevada resis- tempo. Um detalhe: a princípio, os Brita 0 / 12,5mm
tência inicial, por exemplo, o desenho componentes químicos usados para Areia natural fina
do traço foi finalizado para um aten- manter a fluidez desse concreto cau- Areia artificial média

dimento de 70 MPa com 28 dias de sariam prejuízo à resistência inicial Água


Aditivo Polifuncional
idade. Muito superior à resistência ca- do produto. Esses eram aspectos
Aditivo Hiperplastificante
racterística à compressão inicialmente quase excludentes e que consumi-
Modificador de
definida e acima da média empregada ram horas de pesquisa. Aditivo
viscosidade
no setor da construção civil no Brasil. O fato é que, além da especificação

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 109


u Tabela 2 – Resultados dos ensaios da ABNT NBR 15823 u Tabela 3 – Resultados para
o módulo de deformação
Ensaio Classe Resultado do concreto
Classe de espalhamento (Slump Flow) SF1 650 mm
Classe de habilidade passante pelo anel “J” PJ2 30 mm Módulo de
Idade deformação
Classe de habilidade passante pela caixa “L” PL2 0,97
em GPa
Viscosidade plástica aparente pelo funil “V” VF1 6,5 s
7 dias 33,9
28 dias 36,8
lançamento, para redução da 3. DOSAGEM RACIONAL
pressão nas formas; O esforço para atender à obra da riais utilizados para a dosagem do
d) Necessidade de atingimento de Cidade Matarazzo teria sido em vão se concreto.
uma resistência inicial de 25 MPa não se reproduzisse em obra o concre- O traço final, portanto, conta com
com 24 horas após o lançamento; to previamente dosado em laboratório. uma demanda de água de 185 li-
e) Necessidade de um módulo de Para a dosagem desse concreto, foram tros por metro cúbico e uma relação
deformação, aos 28 dias de ida- utilizadas as normas vigentes de dosa- água/aglomerantes de 0,46.
de, de 35 GPa. gem, controle e produção ABNT NBR A classe de espalhamento, ou
Com a exigência de um módulo 12655 Concreto de cimento Portland Slump Flow Test, também fez parte
de deformação elevado, de 35 GPa, – Preparo, controle, recebimento e do controle de dosagem, definindo a
houve um novo desafio. O módulo aceitação, e ABNT NBR 7212 - Exe- abertura do concreto em milímetros.
de deformação do concreto cresce cução de concreto dosado em central. Outros ensaios foram realizados para
à medida que adicionamos maior Foi levado em conta também o méto- garantir o perfeito preenchimento
proporção de agregados graúdos na do do empacotamento granulométri- das peças, como a classe de habi-
mistura. Mas, o concreto em estudo co de agregados, com o objetivo de lidade passante pelo anel “J” e pela
tinha elevados teores de argamassa se utilizar a menor demanda de água caixa “L”, e a classe de viscosidade
e de brita 12,5mm, que reduzem o possível em sua dosagem. plástica aparente pelo funil “V”. Os
módulo de deformação do concreto. Na Tabela 1, estão os mate- resultados obtidos para o concreto
em estudo estão na Tabela 2 e foram
obtidos com os ensaios da norma
ABNT NBR 15823.

u Tabela 4 – Resultados de perda


de abatimento do concreto

Tempo após Resultado


a mistura em mm
tempo zero 650
30 minutos 650
1 hora 630
1 hora e 30 minutos 600
2 horas 590
2 horas e 30
580
minutos
u Gráfico 1
Evolução da resistência à compressão do concreto no tempo 3 horas 500

110 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


ser feita em escala industrial, é uma
ação que guarda movimento com
o cuidado artesanal. A escolha dos
materiais constituintes e sua adição
são decisivas para a homogeneida-
de do produto e naturalmente in-
fluenciam no desempenho na obra.
A Figura 5 ajuda a entender os pro-
cessos adotados pela Engemix. Eles
consistem de:
1. Procedimento de recebimento
técnico, seja visual, seja através
de ensaios, da matéria-prima
para a produção do concreto,

u Figura 5 com sua caracterização. Toda


Processo de produção e controle do concreto na planta matéria-prima recebida passa por
um procedimento quanto à sua
Os resultados obtidos nos ensaios manutenção da fluidez do concreto, granulometria, densidade, entre
de habilidade passante e viscosida- foi realizado o ensaio de perda de outros aspectos;
de plástica aparente mostraram que abatimento, mantendo o concreto 2. Estoque dos materiais de acordo
o traço tinha condições de transpor teste em caminhão betoneira por três com a ABNT NBR 7212;
obstáculos durante a concretagem horas, sendo medido o seu espalha- 3. Ordem de carregamento extre-
(barras de aço, por exemplo) e tinha mento a cada 30 minutos decorridos mamente fiel ao traço elaborado
velocidade e viscosidade suficiente após a mistura. Os resultados do en- em laboratório, com balanças
para conseguir se autoadensar por saio de perda de abatimento estão calibradas mensalmente e as to-
toda a superfície desejada, mesmo na Tabela 4. lerâncias de desvios de pesagens
fazendo parte da classe SF1 de es- Portanto, é possível verificar que, que atendem ao que diz a ABNT
palhamento, que permite um espa- até o tempo limite de 2 horas e 30 NBR 7212;
lhamento entre 550 e 650 mm. Diante minutos, o concreto se manteve dentro 4. Mistura realizada no dosador
de todas as especificações citadas, dos limites de especificação da classe das centrais: quando se trata
mesmo com a necessidade estrutural SF1 desejada na demanda da obra. E de um concreto convencional, a
de 50 MPa, o concreto desenvolvido somente após esse período começa a dosagem final é realizada pelos
atingiu uma resistência média, aos 28 perder significativamente a fluidez. próprios motoristas, que rece-
dias de idade, de 70 MPa. A dosagem foi um ponto de aten- bem treinamento técnico para
Para o traço dosado em laborató- ção em todo processo, não só no desempenhar a função; no caso
rio, foi obtida a curva de crescimento desenvolvimento: houve o estudo de de concretos com alta taxa de
de resistência entre 1 e 28 dias de idade todos os elementos e de sua combi- especialidade (caso do concreto
do Gráfico 1. nação, para garantir na obra os re- em estudo), uma equipe técnica
Foram obtidos os resultados de sultados obtidos em laboratório. faz o acompanhamento de do-
módulo de deformação da Tabe- sagem do concreto até a saída
la 3, para o traço desenvolvido em 4. MISTURA DO CONCRETO da central;
laboratório. NA CENTRAL DOSADORA 5. Lançamento do concreto aten-
Por fim, para o atendimento de A mistura do concreto, apesar de dendo a todas as especificações

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 111


pré-definidas para o traço, com di- didas para manter a pontualidade. no destino, a inserção de um aditi-
visão de responsabilidade com os Uma delas é que 100% da frota dos vo e o ato de novamente realizar a
clientes, que fazem o recebimento caminhões betoneiras são rastreadas dosagem. Mas, na Cidade Mata-
do material; pelo sistema GPS, apesar do trajeto razzo, em função do volume e das
6. Controle de qualidade realizado ainda estar sob o comando dos mo- restrições urbanas naquela localida-
com a coleta de material e molda- toristas desses veículos. Eles são os de da cidade de São Paulo, haveria
gem de corpos de prova de um a responsáveis por escolher o melhor bastante dificuldade em fazer dessa
cada três caminhões produzidos trajeto, dentro de um parâmetro, na maneira. Sendo assim, foi necessário
(com esse método, é possível ga- entrega do concreto em cada obra desenvolver um sistema de mistura
rantir estatisticamente o controle atendida pela Engemix. em que o concreto deixasse a central
de 100% do concreto produzido; As concretagens da Capela tive- de operação praticamente pronto. O
para concretos especiais, além ram situações específicas como: resultado foi que o caminhão beto-
dos testes corriqueiros de resis- u Concretagem de aproximada- neira não levou 15 minutos, mas sim
tência à compressão, são realiza- mente 300 m³ lançados entre 8 perto de 3 a 5 minutos, ou seja, um
dos outros ensaios no concreto hs e 16 hs, durante dois dias de terço do tempo normalmente gasto,
fresco e endurecido, como módu- lançamento; o que aumentou a eficiência e contri-
lo de deformação, por exemplo). u Aproximadamente 50 betoneiras; bui significativamente para o sistema
Sendo, assim, controle de qualida- u Aproximadamente entre 25 e 30 logístico.
de já começa na etapa inicial, ou seja, pessoas da Engemix envolvidas,
na escolha do produto fornecido. Mas sem contar os motoristas de ca- 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
ele se dá efetivamente na moldagem minhão betoneira; O grande sucesso da concreta-
do concreto. u Todo serviço de concretagem foi gem, que “suspendeu” a Capela na
monitorado em tempo real por Cidade Matarazzo, foi a excelente in-
5. APLICAÇÃO sistema de GPS; teração entre todas as partes envol-
A aplicação do concreto na obra u Sistema de aplicativos via celular vidas da cadeia construtiva. É muito
Cidade Matarazzo, além das carac- permitiram ao cliente acompanhar comum, ao se falar de especificação
terísticas naturais de qualquer obra, este monitoramento em tempo de concreto, se ater apenas às es-
possui um sistema logístico que real. pecificações do projeto estrutural,
exigiu grande diferencial na entrega Além disso, o concreto Adensa- como a resistência característica à
do produto. mix da Engemix, desenvolvido para compressão, por exemplo. No caso
A qualidade do concreto está esta obra, deixou a central de pro- desta concretagem, outras proprie-
intimamente ligada ao tempo em dução pronta e isso foi um ganho dades puderam ser exploradas, que
que o material fica no caminhão extraordinário em toda a cadeia da resolveram problemas logísticos e de
betoneira. Por exemplo, se um ca- construção civil. Hoje, de maneira aplicação do concreto na obra, além
minhão fica preso no tráfego das geral, as companhias fabricantes de de atender à especificação primária
grandes cidades, a qualidade desse concreto pesam os materiais e fazem de resistência.
concreto já fica em alerta. Ou seja, a dosagem na central de concreto. Concretos de alta tecnologia têm
pontualidade e uma boa programa- Mas somente se termina a dosagem cada vez mais entrado no mercado
ção importam, e muito, no aspecto na obra, quando o produto estiver da construção civil no Brasil. O de-
da aplicação. sendo entregue. safio não é apenas encontrar a me-
A entrega é tão importante e im- Contudo, o sistema descrito aci- lhor solução, mas também buscar o
pacta tanto a aplicação do concreto, ma consome cerca de 15 minutos na melhor custo/benefício para o bom
que a Engemix adota algumas me- obra entre a chegada do caminhão resultado do empreendimento.

112 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


u acontece nas regionais

Envolvimento da Regional de Santa Catarina


com os estudantes

D e 6 a 8 de setembro foi realizado o


II Encontro Regional dos Estudan-
tes de Engenharia Civil do Sul do país
a Semana Acadêmica
da Universidade Cató-
lica de Santa Catarina,
(EREEC Sul), no Oceania Park Hotel & em Joinville.
Convention Center, em Florianópolis, O concurso teve o ob-
promovido pela Federação Nacional jetivo de testar a capa-
de Estudantes de Engenharia Civil (FE- cidade dos alunos em
NEC) e com apoio do IBRACON. dosar o concreto autoa-
Contando com a participação de cerca densável (CAA). Ele foi
de 700 estudantes, o evento teve pa- composto por palestra
lestra do diretor regional do IBRACON teórica sobre o CAA,
em Santa Catarina, Prof. Joelcio Luiz definição das equipes, Adriano Schmidt, Augusto Feron Soares, Camila de
Oliveira Alves, Cindimiliane Barreto e Micael Mendes
Stocco, e do professor Luiz Roberto apresentação dos mate- Correia, integrantes da equipe vencedora, recebem
Prudêncio Júnior, que falaram da atua- riais para a dosagem do livros e revista do diretor regional do IBRACON,
Prof. Joélcio Stocco
ção profissional do engenheiro civil e de CAA, dosagem do traço
temas relacionados ao concreto. teórico com auxílio de software da Voto- pantes a selecionar os materiais, desen-
Já, no dia 9 de outubro, a Regional em rantim Cimentos, dosagem de traço em volver os traços e fazer as misturas para
Santa Catarina, com apoio da Votoran- betoneira com a realização de ensaios produzir os concretos autoadensáveis.
tim Cimentos, promoveu o 1º Concur- e avaliação de desempenho. Participa- As equipes pontuaram por meio de três
so “Concreto Autoadensável”, durante ram da competição três equipes com critérios (Tabela 1).
cinco alunos. A equipe vencedora somou oito pon-
Numa preleção du- tos, ganhando publicações editadas
rante o concurso, o pelo IBRACON.
Prof. Joélcio Stoc-
co e o Eng. Paulo
Nibel (Votorantim
Cimentos) aborda-
ram teoricamente o
concreto autoaden-
sável e auxiliaram
Prof. Joélcio Stocco palestra no II EREEC Sul as equipes partici-

u Tabela 1 – Critérios de pontuação no Concurso

Classe de Indice de
Classe de Espalhamento
Estabilidade Visual Necessidade de Redosagem
(Slump Flow – SF)
(IEV)
SF 1 (550 a 650 mm) = 1 ponto IEV 0 e 1 = 3 pontos
Não foi necessário = 2 pontos
SF 2 (660 a 750 mm) = 3 pontos IEV 2 = 2 pontos
Foi necessário = 1 ponto
SF 3 (760 a 850 mm) = 2 pontos IEV 3 = 1 pontos Uma das equipes participantes com
seu CAA

CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 113


Palestra sobre importância do projeto
foi realizado no Ceará
O Seminário sobre Durabilidade e
Desempenho das Construções foi
promovido pelo curso de Engenharia
O encerramento aconteceu no dia 11
de novembro, com palestras dos en-
genheiros Denise Silveira e Marcelo
Civil da Universidade Federal do Cea- Silveira, da MD Engenharia, sobre a
rá (UFC), contando com o apoio do importância do projeto para uma boa
IBRACON. Foram cinco palestras rea- execução. Na palestra foram trazidos
lizadas ao longo do segundo semestre casos de inovação tecnológica aplica-
de 2018, com participação de 150 es- da ao projeto de estruturas de concre-
Eng. Marcelo Silveira em momento
de sua palestra tudantes e profissionais. to armado.

Palestras realizadas na Regional MS


N o dia 6 de novembro, foi realiza-
do conjuntamente pela Regional
IBRACON e pela Universidade Federal
de Fernando Dambrauskas sobre adi-
tivos químicos para concreto e de An-
drés Batista Cheung sobre análise nu-
autoadensável na Semana Acadêmica
da Engenharia Civil da Uniderp, em
Campo Grande, que contou com o
de Mato Grosso do Sul o Simpósio em mérica e experimental de temperatura apoio do IBRACON. As palestras foram
Tecnologia do Concreto, no anfiteatro em bloco de grande porte. ministradas pela diretora regional do
da UFMS, em Campo Grande. Já no dia 13 de setembro foram realiza- IBRACON, Engª Sandra Regina Berto-
O Simpósio contou com as palestras das palestras técnicas sobre concreto cini, e pelo Eng. Camilo Mizumoto.

Regional RS encerrou seu programa de palestras


O IBRACON na Estrada Gaúcha, ci-
clo de palestras sobre o concreto
que percorreu o Rio Grande do Sul, foi
concreto armado). O evento contou
com 111 participantes e arrecadou
88 kg de alimentos.
No total, foram realizados sete eventos,
com a participação total de 1307 pro-
fissionais e estudantes, arrecadando
encerrado em 12 de novembro, na ci- Já no dia 27 de setembro, em Caxias 728 quilos de alimentos, que foram dis-
dade de São Leopoldo, com participa- do Sul, foi a vez do Eng. Jefferson Brus- tribuídos para instituições de caridade.
ção de 95 profissionais e estudantes. chi da Silva (Avanços
Na ocasião houve a palestra da Engª na tecnologia de aditi-
Jadna Andrade Fuchter sobre cimen- vos para a indústria do
tos para a construção e a palestra do concreto), Prof. Fabrício
Prof. Sérgio Gavilan Martinez sobre re- Longhi Bolina (estrutu-
forço estrutural. ras de concreto armado
Anteriormente, em 19 de outubro, em em situação de incên-
Pelotas, palestraram o Prof. Josué dio) e Prof. José Tadeu
Augusto Arndt (Controle tecnológico Balbo (concretos per-
do concreto), Prof. Roberto Christ (De- meáveis para pavimen-
sempenho das edificações em concre- tação e mobilidade ur- Integrantes do evento em São Leopoldo (esq./dir.):
to armado) e Prof. Paulo Sérgio Lima bana). O evento contou Jeferson Bruschi da Silva, Roberto Christi, Sergio
Gavilan Martinez, Fábio Viecili, Júlio Timerman, Jadna
Souza (Durabilidade das estruturas de com 124 participantes. Andrade Fuchter e Bernardo Tutikian

114 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018


Instituto Brasileiro do Concreto
Organização técnico-científica nacional de defesa
e valorização da engenharia civil

Fundado em 1972, seu objetivo é promover e divulgar conhecimento sobre a tecnologia do concreto e de
seus sistemas construtivos para a cadeia produtiva do concreto, por meio de publicações técnicas, eventos
técnico-científicos, cursos de atualização profissional, certificação de pessoal, reuniões técnicas e premiações.

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CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018 | 115


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116 | CONCRETO & Construções | Ed. 92 | Out – Dez • 2018