Vous êtes sur la page 1sur 155

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Centro de Tecnologia e Ciências


Faculdade de Engenharia

Davi de Souza da Ponte

Estudo do comportamento e otimização do projeto estrutural de


edifícios de concreto armado.

Rio de Janeiro
2015
Davi de Souza da Ponte

Estudo do comportamento e otimização do projeto estrutural de edifícios de


concreto armado.

Dissertação apresentada, como


requisito parcial para obtenção do título
de Mestre, ao Programa de Pós-
Graduação em Engenharia Civil, da
Universidade do Estado do Rio de
Janeiro. Área de concentração:
Estruturas.

Orientadores: Prof. Dr. Francisco José da Cunha Pires Soeiro


Prof. Dr. José Guilherme Santos da Silva

Rio de Janeiro
2015
CATALOGAÇÃO NA FONTE
UERJ / REDE SIRIUS / BIBLIOTECA CTC/B

P813 Ponte, Davi de Souza da.


Estudo do comportamento e otimização do projeto estrutural de
edifícios de concreto armado / Davi de Souza da Ponte - 2015.
153f.

Orientador: Francisco José da Cunha Pires Soeiro, José


Guilherme Santos da Silva.
Dissertação (Mestrado) - Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, Faculdade de Engenharia.

1. Engenharia Civil. 2. Estruturas de concreto armado -


Dissertações. 3. Estruturas - Modelos matemáticos - Dissertações.
I. Soeiro, Francisco José da Cunha Pires II. Silva, José Guilherme
Santos da. III. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. IV.
Título.

CDU 624.012.45

Autorizo, apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial


desta dissertação, desde que citada à fonte.

Assinatura Data
DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos meus pais Judite e Milton (in memoriam), que sempre
acreditaram e fizeram tudo por mim; e a Karolyne por estar sempre ao meu lado.
AGRADECIMENTOS

A Deus por me permitir chegar ao fim desta jornada.


Aos meus pais, pela dedicação e apoio, e principalmente por sempre
acreditarem em mim.
A Karolyne, minha melhor amiga, noiva e companheira de todas as horas,
pela compreensão diante dos sacrifícios necessários à conquista deste sonho.
Aos meus orientadores, Professor Francisco José da Cunha Pires Soeiro e
Professor José Guilherme Santos da Silva, pela atenção, amizade, incentivo,
disponibilidade, paciência e conhecimentos transmitidos durante todo o curso de
mestrado.
Aos professores e funcionários do Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PGECIV - UERJ),
pelos ensinamentos e pela atenção dispensada.
Ao engenheiro Cassio Gaspar, pela ajuda, por estar sempre disposto a ajudar
na hora do sufoco com o ANSYS.
Ao engenheiro Moacir Muniz pela paciência, colaboração e grande troca de
experiências.
Aos amigos da pós-graduação pelo companheirismo e apoio durante todo o
curso.
A UERJ porque sem ela não poderia ter chegado até aqui.
As pessoas podem tirar tudo de você, menos o seu conhecimento.
Albert Einstein
RESUMO

PONTE, Davi de Souza da. Estudo do comportamento e otimização do projeto


estrutural de edifícios de concreto armado. 2015. 153f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia Civil) - Faculdade de Engenharia, Universidade do Estado do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.

Com base no crescimento exponencial das populações urbanas, a demanda


por espaço para habitação tem crescido vertiginosamente. Para atender a estas
necessidades, edificações cada vez mais altas e mais esbeltas são projetadas e
vãos cada vez maiores são utilizados. Novos materiais são criados e aprimorados
para que seja extraído o máximo de desempenho com o menor custo. Deste modo,
esta dissertação tem como objetivo o estudo do comportamento e otimização do
projeto estrutural de edifícios. Para tal, considera-se ao longo do estudo o projeto de
uma edificação de concreto armado com 47 metros de altura e 15 pavimentos,
submetida às ações das cargas usuais de projeto atuantes sobre edifícios
residenciais, além das cargas de vento. No que tange ao desenvolvimento do
modelo computacional são empregadas técnicas usuais de discretização, via método
dos elementos finitos, por meio do programa ANSYS. Inicialmente, a resposta
estática e dinâmica do modelo estrutural é obtida e comparada com base nos
valores limites propostos por normas de projeto. A partir de análises qualitativas e
quantitativas desenvolvidas sobre a resposta estrutural do modelo em estudo são
utilizadas técnicas de otimização com o objetivo de modificar e aprimorar o
desempenho estrutural do edifício analisado.

Palavras-chave: Edifícios de concreto armado; Otimização estrutural;


Comportamento estrutural; Modelagem via elementos finitos.
ABSTRACT

Based on the exponential growth of urban populations, the demand for space
for housing has grown dramatically. To meet these needs, building ever higher and
more slender are designed and increasing spans has been used. New materials are
created and improved to be extracted maximum performance at the lowest cost.
Thus, this research work aims to study the behaviour and optimization of buildings
structural design. To do this, it is considered throughout the study the design of a
reinforced concrete building with 47 meters high and 15 floors, subjected to the
actions of usual design loadings on residential buildings in addition to wind loads.
Regarding the development of the computational model, usual mesh refinement
techniques are used, based on the finite element method simulations, and
implemented in the ANSYS program. Initially, the structural model static and dynamic
response is obtained and compared, based on the limiting values proposed by
design standards. Based on the developed qualitative and quantitative analyses on
the investigated structural model response, optimization techniques are used in order
to modify and improve the structural performance of the analysed building.

Keywords: Reinforced concrete buildings; Structural optimization; Structural


behaviour; Finite element modelling.
LISTA DE FIGURAS

Figura 1 – Edifícios mais altos do mundo (2010) [1]. ................................................ 19


Figura 2 – Terceiro edifício mais alto da atualidade – Torre Taipei 101. ................... 20
Figura 3 – Sistema de amortecimento de massa sintonizada do Taipei 101. ........... 20
Figura 4 - Isopletas de velocidade básica V0 (m/s) no Brasil (NBR 6123 [22]). ......... 33
Figura 5 – Coeficiente de amplificação dinâmica (ξ) para Categoria V (NBR 6123
[22]). .......................................................................................................................... 41
Figura 6 – Principais medidas da edificação (Dimensões em metros). ..................... 44
Figura 7 – Planta baixa da edificação – Pavimento Tipo (Dimensões em cm). ......... 45
Figura 8 – Seção transversal [51].............................................................................. 46
Figura 9 – Locação das vigas (Dimensões em cm)................................................... 48
Figura 10 – Locação dos pilares (Dimensões em cm). ............................................. 49
Figura 11 – Esquema de aplicação de forças para modelo dinâmico discreto NBR
6123 [22]. .................................................................................................................. 51
Figura 12 – Forças do vento ao longo da altura. ....................................................... 53
Figura 13 – Modelo computacional em ANSYS [61]. ................................................ 54
Figura 14 – Características do modelo em elementos finitos. ................................... 55
Figura 15 – Perspectiva da estrutura em elementos finitos. ...................................... 56
Figura 16 – Elemento BEAM44 e suas referências (ANSYS [61]). ........................... 57
Figura 17 – Elemento SHELL63 e suas referências (ANSYS [61]). .......................... 57
Figura 18 - Excentricidade entre as linhas neutras da laje e da viga. ....................... 58
Figura 19– Modelo computacional em SAP 2000 [37]. ............................................. 58
Figura 20 – Características do modelo em elementos finitos. ................................... 59
Figura 21 – Perspectiva da estrutura em elementos finitos. ...................................... 60
Figura 22 – Modos de vibração (1º e 2º). .................................................................. 62
Figura 23 – Modos de vibração (3º ao 6º). ................................................................ 63
Figura 24 – Modos de vibração (7º ao 10º). .............................................................. 64
Figura 25 – Modos de vibração (1º ao 4º). ................................................................ 66
Figura 26 – Modos de vibração (5º ao 8º). ................................................................ 67
Figura 27 – Modos de vibração (9º e 10º). ................................................................ 68
Figura 28 – Modos de vibração (1º e 2º). .................................................................. 69
Figura 29 – Modos de vibração (3º ao 6º). ................................................................ 70
Figura 30 – Modos de vibração (7º ao 10º). .............................................................. 71
Figura 31 – Modos de vibração (1º ao 4º). ................................................................ 73
Figura 32 – Modos de vibração (5º ao 8º). ................................................................ 74
Figura 33 – Modos de vibração (9º e 10º). ................................................................ 75
Figura 34 – Desenho esquemático dos parâmetros geométricos [54]. ..................... 78
Figura 35 – Índices de esbeltez de corpo rígido. ....................................................... 79
Figura 36 – Aplicação da força unitária [60]. ............................................................. 80
Figura 37 – Esquema dos deslocamentos no edifício. .............................................. 84
Figura 38 – Deslocamento devido à sobrecarga. ...................................................... 86
Figura 39 - Deslocamentos em cada pavimento. ...................................................... 86
Figura 40 – Deslocamento devido ao vento frontal. .................................................. 88
Figura 41 - Deslocamentos em cada pavimento. ...................................................... 88
Figura 42 – Deslocamento devido ao vento lateral. .................................................. 90
Figura 43 - Deslocamentos em cada pavimento. ...................................................... 90
Figura 44 – Deslocamento devido ao vento frontal e lateral combinados. ................ 92
Figura 45 - Deslocamentos em cada pavimento. ...................................................... 92
Figura 46 - Regiões de domínio viável e inviável [77]. .............................................. 98
Figura 47 – Mínimo local e global [77]. ...................................................................... 99
Figura 48 – Fluxograma do algoritmo para um Projeto Ótimo. ................................ 108
Figura 49 – Variação dos parâmetros nas iterações. .............................................. 114
Figura 50 – Variação dos parâmetros nas iterações. .............................................. 116
Figura 51 – Variação dos parâmetros nas iterações. .............................................. 118
Figura 52 – Variação dos parâmetros nas iterações. .............................................. 120
Figura 53 – Variação dos parâmetros nas iterações. .............................................. 122
Figura 54 – Comparativo das seções dos pilares (projeto original x estrutura não
otimizada x estrutura otimizada).............................................................................. 127
Figura 55 – Deslocamento devido à sobrecarga. .................................................... 129
Figura 56 - Deslocamentos em cada pavimento. .................................................... 129
Figura 57 – Deslocamento devido à sobrecarga. .................................................... 130
Figura 58 - Deslocamentos em cada pavimento. .................................................... 130
Figura 59 – Deslocamento devido à sobrecarga. .................................................... 131
Figura 60 - Deslocamentos em cada pavimento. .................................................... 131
Figura 61 – Deslocamento devido à sobrecarga. .................................................... 132
Figura 62 - Deslocamentos em cada pavimento. .................................................... 132
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Parâmetros meteorológicos (NBR 6123 [22]). .......................................... 34


Tabela 2- Valores mínimos do fator estatístico S3 (NBR 6123 [22]). ........................ 35
Tabela 3 – Coeficientes de arrasto para alta turbulência, baixa turbulência e valor
médio. ....................................................................................................................... 37
Tabela 4 – Parâmetros para determinação de efeitos dinâmicos (Tabela 19-NBR
6123 [22]). ................................................................................................................. 39
Tabela 5 - Parâmetros b e p (Tabela 20 - NBR 6123 [22]). ....................................... 40
Tabela 6 – Resumo dos fatores a serem aplicados na equação de pressão dinâmica.
.................................................................................................................................. 41
Tabela 7 – Variação da pressão dinâmica de acordo com a altura. .......................... 42
Tabela 8 – Forças Resultantes da ação do vento Lateral e Frontal. ......................... 43
Tabela 9 – Seções de Projeto para as vigas ............................................................. 47
Tabela 10 – Seções de projeto para os pilares ......................................................... 47
Tabela 11 - Resultantes de forças devido ao vento frontal e lateral. ......................... 52
Tabela 12 - Total de nós, elementos e graus de liberdade aplicados no modelo. ..... 56
Tabela 13 – Frequências naturais da estrutura. ........................................................ 62
Tabela 14 – Frequências naturais da estrutura. ........................................................ 65
Tabela 15 – Frequências naturais da estrutura. ........................................................ 69
Tabela 16 – Frequências naturais da estrutura. ........................................................ 72
Tabela 17 – Frequências em cada modelo desenvolvido. ........................................ 75
Tabela 18 – Modos de vibração em cada modelo desenvolvido. .............................. 76
Tabela 19– Relação da Esbeltez de Corpo Rígido para a estrutura em estudo. ....... 79
Tabela 20– Rigidez Efetiva Global para a estrutura em estudo. ............................... 80
Tabela 21– Esbeltez Efetiva Global para a estrutura em estudo............................... 81
Tabela 22– Limites de deslocamentos para a estrutura em estudo. ......................... 84
Tabela 23– Deslocamento por andar devido à sobrecarga (medidas em cm). ......... 87
Tabela 24 – Deslocamento por andar devido ao vento frontal (medidas em cm). .... 89
Tabela 25 - Variação do deslocamento por andar devido ao vento lateral (medidas
em cm). ..................................................................................................................... 91
Tabela 26 - Deslocamento por andar devido ao vento frontal e lateral (medidas em
cm). ........................................................................................................................... 93
Tabela 27 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos. ................................ 94
Tabela 28 – Valores do coeficiente adicional para pilares e pilares-parede ............ 102
Tabela 29– Limites das alturas das vigas para a estrutura em estudo. ................... 103
Tabela 30 – Limites das variáveis de projeto para as vigas. ................................... 104
Tabela 31 – Limites das variáveis de projeto para os pilares. ................................. 104
Tabela 32 – Dimensões fixadas. ............................................................................. 105
Tabela 33 – Valores do projeto original para as vigas e pilares. ............................. 110
Tabela 34 – Valores após analise de sensibilidade para as vigas e pilares. ........... 112
Tabela 35 – Frequências naturais da estrutura não otimizada. ............................... 113
Tabela 36 – Melhor resultado da otimização. .......................................................... 114
Tabela 37 – Variáveis de projeto para as vigas....................................................... 115
Tabela 38 – Melhor resultado da otimização. .......................................................... 116
Tabela 39 – Variáveis de projeto para as vigas....................................................... 117
Tabela 40 – Melhor resultado da otimização. .......................................................... 118
Tabela 41 – Variáveis de projeto para as vigas....................................................... 119
Tabela 42 – Melhor resultado da otimização. .......................................................... 120
Tabela 43 – Variáveis de projeto para as vigas....................................................... 121
Tabela 44 – Melhor resultado da otimização. .......................................................... 122
Tabela 45 – Variáveis de projeto para as vigas....................................................... 123
Tabela 46 – Frequências naturais da estrutura. ...................................................... 124
Tabela 47 – Comparativo das variáveis da estrutura original, não otimizada e
otimizada. ................................................................................................................ 125
Tabela 48 – Comparativo das áreas das seções transversais dos elementos da
estrutura original, não otimizada e otimizada e frequência fundamental. ................ 126
Tabela 49 – Valores da estrutura otimizada para as vigas e pilares. ...................... 128
Tabela 50 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos na estrutura otimizada.
................................................................................................................................ 133
Tabela 51 – Comparativo dos deslocamentos máximos na estrutura original x
otimizada. ................................................................................................................ 133
Tabela 52– Rigidez Efetiva Global para a estrutura em estudo. ............................. 134
Tabela 53– Esbeltez Efetiva Global para a estrutura otimizada. ............................. 134
Tabela 54 – Comparativo de frequências e áreas. .................................................. 135
Tabela 55 – Comparativo de frequências e áreas. .................................................. 136
Tabela 56 – Comparativo de frequências e áreas. .................................................. 137
Tabela 57 – Comparativo das Frequências naturais da estrutura otimizada x
alternativa 4. ............................................................................................................ 137
Tabela 58 – Deslocamentos translacionais estáticos máximos devido ao vento. ... 141
Tabela 59 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos na estrutura otimizada.
................................................................................................................................ 142
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

UERJ Universidade do Estado do Rio de Janeiro

ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas

ANSYS Swanson Analysis Systems

APDL ANSYS Parametric Design language

GUI Graphical User Interface

PGECIV Programa de Pós-graduação em Engenharia Civil

MEF Método dos Elementos Finitos

NBR Norma Brasileira


LISTA DE SÍMBOLOS

A área efetiva da estrutura sujeita à ação do vento

a vetor das acelerações

d diâmetro da estrutura

Ca coeficiente de arrasto

ºC Grau Celsius

dk direção de busca na iteração

F força do vento

Fr parâmetro meteorológico da norma

Fg força global do vento

f frequência da estrutura

f(x) função objetivo

f(j-1) configuração da iteração anterior

f(b) melhor configuração encontrada

configuração da iteração seguinte

G módulo de elasticidade transversal

GPa Gigapascal

gj restrição de desigualdade

h altura do edifício

hk restrição de igualdade

K matriz de rigidez do sistema

kN Kilonewton

M matriz de massa do sistema

m Metro

mm Milímetro

MPa Megapascal

m/s metro por segundo


N Newton

N/m2 newton por metro quadrado

p parâmetro da norma

Q escalar adimensional

q pressão dinâmica do vento

ql pressão dinâmica distribuída do vento

q(z) variação da pressão dinâmica do vento

rad/s radianos por segundo

S1 fator topográfico

S2 fator de rugosidade do terreno

S3 fator estatístico

Sj valor mínimo do escalar adimensional

t Tempo

U vetor dos deslocamentos

V0 velocidade básica do vento

Vk velocidade característica do vento

̅ velocidade de projeto

z altura do edifício

Zr altura de referência

x vetor das variáveis de projeto

X0 projeto inicial

Xk configuração de iteração

Xk+1 próxima configuração de projeto


SUMÁRIO

INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 19
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. .................................................................................... 22
1 AÇÃO DO VENTO EM ESTRUTURAS ................................................................. 31
1.1 Efeitos dinâmicos devido à turbulência atmosférica. .................................... 32
1.1.1 Caracterização da estrutura. ............................................................................ 32
1.1.2 Velocidade básica do vento (V0)....................................................................... 33
1.1.3 Fator topográfico (S1). ...................................................................................... 34
1.1.4 Fator de rugosidade e classe (S2). ................................................................... 34
1.1.5 Fator estatístico (S3). ........................................................................................ 35
1.1.6 Velocidade característica (Vk). ......................................................................... 36
1.1.7 Pressão dinâmica (q)........................................................................................ 36
1.1.8 Coeficiente de arrasto (Ca). .............................................................................. 36
1.1.9 Força estática global (Fg). ................................................................................ 37
1.1.10 Velocidade de Projeto ( ). ............................................................................ 38
1.2 Modelo contínuo simplificado de acordo com a NBR 6123 [22]. .................. 38
1.2.1 Pressão dinâmica no modelo contínuo (q). ...................................................... 39
1.2.2 Força estática equivalente................................................................................ 42
2 MODELO ESTRUTURAL INVESTIGADO ............................................................. 44
2.1 Características geométricas............................................................................. 44
2.2 Patologias apresentadas. ................................................................................. 50
2.3 Carregamentos de vento aplicado ao modelo. ............................................... 51
3 MODELO NUMÉRICO-COMPUTACIONAL .......................................................... 54
3.1 Modelo numérico desenvolvido no programa ANSYS [61]. .......................... 54
3.2 Modelo numérico desenvolvido no programa SAP 2000 [37]. ...................... 58
4 ANÁLISE DE AUTOVALORES E AUTOVETORES .............................................. 61
4.1 Modelo 1. ............................................................................................................ 61
4.2 Modelo 2. ............................................................................................................ 65
4.3 Modelo 3. ............................................................................................................ 68
4.4 Modelo 4. ............................................................................................................ 72
4.5 Comparativo entre os modelos. ....................................................................... 75
5 ESTABILIDADE GLOBAL ..................................................................................... 77
5.1 Classificação do edifício quanto à esbeltez de corpo rígido. ........................ 78
5.2 Rigidez Efetiva Global. ...................................................................................... 79
5.3 Esbeltez Efetiva Global. .................................................................................... 81
6 ANÁLISE ESTÁTICA ............................................................................................. 82
6.1 Introdução. ......................................................................................................... 82
6.2 Carregamentos. ................................................................................................. 82
6.3 Limites para deslocamentos. ........................................................................... 83
6.4 Casos de carregamentos e deslocamentos. ................................................... 85
6.4.1 Caso de carregamento 1. ................................................................................. 85
6.4.2 Caso de carregamento 2. ................................................................................. 87
6.4.3 Caso de carregamento 3. ................................................................................. 89
6.4.4 Caso de carregamento 4. ................................................................................. 91
6.4.5 Deslocamentos máximos. ................................................................................ 94
7 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE OTIMIZAÇÃO ............................................ 95
7.1 Introdução. ......................................................................................................... 95
7.2 Histórico da otimização estrutural. .................................................................. 96
7.3 Problema de otimização estrutural. ................................................................. 97
7.4 Domínio da função: viável e não viável. .......................................................... 97
7.5 Otimização de projeto. ...................................................................................... 99
7.6 Variáveis de projeto. ....................................................................................... 100
7.7 Restrições de projeto. ..................................................................................... 100
7.7.1 Restrição lateral. ............................................................................................ 101
7.7.2 Restrição de desigualdade. ............................................................................ 101
7.7.3 Restrição de igualdade. .................................................................................. 101
7.7.4 Limitação normativa. ...................................................................................... 102
7.7.5 Limitação arquitetônica e geométrica. ............................................................ 103
7.7.6 Restrições global e lateral local adotada para este estudo. ........................... 104
7.8 Função objetivo. .............................................................................................. 105
7.9 Formulação do problema de otimização. ...................................................... 106
7.10 Algoritmo utilizado para a otimização estrutural em estudo. .................... 107
8 RESULTADOS DA OTIMIZAÇÃO ESTRUTURAL .............................................. 109
8.1 Características, critérios e parâmetros adotados. ....................................... 109
8.2 Descrição da análise de sensibilidade. ......................................................... 111
8.3 Resultados Obtidos......................................................................................... 112
8.3.1 Análise de sensibilidade. ................................................................................ 112
8.3.2 Otimização 1. ................................................................................................. 113
8.3.3 Otimização 2. ................................................................................................. 115
8.3.4 Otimização 3. ................................................................................................. 117
8.3.5 Otimização 4. ................................................................................................. 119
8.3.6 Otimização 5. ................................................................................................. 121
8.3.7 Análise comparativa. ...................................................................................... 124
8.4 Verificação do comportamento estático da estrutura otimizada. ............... 128
8.4.1 Caso de carregamento 1. ............................................................................... 129
8.4.2 Caso de carregamento 2. ............................................................................... 130
8.4.3 Caso de carregamento 3. ............................................................................... 131
8.4.4 Caso de carregamento 4. ............................................................................... 132
8.4.5 Análise comparativa. ...................................................................................... 133
8.5 Verificação da Estabilidade Global da estrutura otimizada. ........................ 134
8.5.1 Rigidez Efetiva Global. ................................................................................... 134
8.5.2 Esbeltez Efetiva Global. ................................................................................. 134
8.6 Propostas de novas geometrias. ................................................................... 135
8.6.1 Geometria alternativa 1. ................................................................................. 135
8.6.2 Geometria alternativa 2. ................................................................................. 136
8.6.3 Geometria alternativa 3. ................................................................................. 136
8.6.4 Análise comparativa. ...................................................................................... 137
9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 139
9.1 Introdução. ....................................................................................................... 139
9.2 Conclusões. ..................................................................................................... 140
9.2.1 Análise Modal. ................................................................................................ 140
9.2.2 Estabilidade Global......................................................................................... 140
9.2.3 Análise Estática. ............................................................................................. 140
9.2.4 Otimização Estrutural. .................................................................................... 141
9.3 Sugestões para trabalhos futuros. ................................................................ 143
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 144
19

INTRODUÇÃO

A tecnologia desenvolve-se a passos largos, junto com ela, a necessidade


humana pela ocupação do espaço evolui e se aprimora. A engenharia civil e áreas
correlatas apresentam um papel de grande importância na garantia do pleno
atendimento destas necessidades, provendo de forma coerente os meios para o
avanço tecnológico, muitas vezes ousado, entretanto não menos seguro; seja
infraestrutura para atender indústrias; como habitação e saneamento para atender
diretamente ao homem.
Com o crescimento exponencial das populações urbanas, a demanda por
espaço para habitação cresce vertiginosamente. Para atender a estas necessidades,
edificações cada vez mais altas e mais esbeltas são projetadas e vãos cada vez
maiores são utilizados. Novos materiais são criados e alguns antigos são
aprimorados para que seja extraído o máximo de desempenho com o menor gasto e
consequentemente o menor custo.
O Burj Khalifa (Emirados Árabes Unidos), chamado anteriormente de Burj
Dubai (inaugurado em janeiro de 2010) e o Abraj Al Bait Towers (Arábia Saudita)
ocupam o primeiro e segundo lugar, conforme Figura 1, na listagem de edifícios mais
altos do mundo, com seus 818 metros e 595 metros de altura, respectivamente, e
ilustram esta nova tendência na evolução da engenharia moderna.

Figura 1 – Edifícios mais altos do mundo (2010) [1].


20

Como comparação, pode-se citar a torre Taipei 101 (Taiwan), Figura 2,


bastante conhecida entre os estudiosos de dinâmica por seu sistema de
amortecimento, Figura 3, baseado em uma massa acoplada a um conjunto de
amortecedores que atuam quando o edifício oscila com a ação do vento reduzindo a
amplitude dos deslocamentos. Esta torre possui o terceiro lugar na colocação atual
de edifícios mais altos com seus 508 metros de altura.

Figura 2 – Terceiro edifício mais alto da atualidade – Torre Taipei 101.

(a) Massa suportada por cabos de aço. (b) Amortecedores abaixo da massa.
Figura 3 – Sistema de amortecimento de massa sintonizada do Taipei 101.
21

Esta tendência mostra cada vez mais consciência dos profissionais em


racionalização dos recursos disponíveis utilizando técnicas cada vez mais apuradas
de otimização em consonância com os interesses econômicos e ambientais.
À frente deste desenvolvimento está à pesquisa, com a contribuição na
criação de novos materiais, desenvolvimento de novas técnicas de projeto e
construção; além do aprofundamento dos conceitos abordados há décadas pela
engenharia tradicional.
O avanço da computação, que permite a análise cada vez mais realista do
comportamento da estrutura, possui uma contribuição fundamental, que merece
destaque, no avanço da engenharia como um todo.
O desafio maior no campo da engenharia civil, em especial na área de
projetos está no âmbito das grandes estruturas. Com elas grandes carregamentos
são aplicados e um profundo estudo do comportamento da estrutura na etapa de
projeto se torna extremamente importante ao prever problemas e corrigi-los antes da
construção, minimizando-se assim a possibilidade de falhas ou patologias futuras.
A principal rotina de um engenheiro civil, em especial os que se dedicam a
projetos de estruturas está relacionada aos princípios estáticos da estrutura, ainda
que as solicitações sejam notadamente dinâmicas, utiliza-se o artifício de converter a
análise dinâmica em uma análise estática equivalente.
No projeto de edificações, tradicionalmente admite-se que as cargas atuantes
são imóveis ou aplicadas lentamente podendo assim ser consideradas de caráter
puramente estático. Com isto, conduz-se naturalmente a uma análise estática da
estrutura.
Entretanto, existem outros carregamentos de diversas naturezas que
introduzem nas estruturas efeitos dinâmicos; como por exemplo, a ação do vento em
torres e edifícios e as ações sísmicas (induzidos pela natureza), o efeito de pessoas
dançando nas academias, pulando ou torcendo nos ginásios esportivos e estádios,
frenagem e aceleração de veículos em pontes, o caminhar humano em passarelas
de pedestres, entre outros.
Estes carregamentos combinados às estruturas cada vez mais esbeltas
conduzem à necessidade do projetista de verificar alguns indicadores básicos do
comportamento da estrutura, como por exemplo, a frequência natural, a esbeltez e
rigidez efetiva global, a análise dos efeitos do vento ou demais carregamentos
dinâmicos sobre a estrutura.
22

Revisão bibliográfica.

A análise dinâmica de edifícios de concreto armado submetidos à ação de


esforços oriundos de cargas de vento é um tema investigado há certo tempo, o que
nos remete a um acervo bibliográfico extenso.
A seguir, relacionam-se alguns trabalhos de pesquisa, desenvolvidos ao longo
do tempo, relacionados ao tema tratado por esta dissertação.
Davenport [2] foi um dos pioneiros na contribuição para a dinâmica na
engenharia, com seu estudo relacionado aos ventos, desenvolveu teorias a respeito
dos turbilhoes de ventos, introduziu o método que leva em consideração o fator de
rajada para a contribuição de pico da resposta dinâmica, incluindo-se os efeitos de
ressonância. Contribuiu também em campos correlatos como a meteorologia, a
dinâmica estrutural relativa a terremotos, a estatística aplica a engenharia,
desenvolvendo métodos probabilísticos para estimativa do carregamento e da
resposta dinâmica baseado nos conceitos de admitância aerodinâmica (relacionada
às dimensões da estrutura), admitância mecânica (relacionada à razão entre a
resposta permanente e a excitação) e espectro de energia.
Em 1965, Davenport [2] fundou o Boundary Layer Wind Tunel Laboratory, um
laboratório para realização de testes em túnel de vento, realizando as primeiras
simulações de vento para edificações e estruturas.
Vinte anos mais tarde, em 1985, Blessmann [3] analisou as solicitações do
vento sobre edifícios vizinhos de mesma altura. Foram realizadas simulações em
túnel de vento no laboratório da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e seus
resultados serviram como fundamento para a avaliação dos efeitos dinâmicos da
posição relativa entre as edificações; que mais tarde fundamentaria a determinação
de parâmetros da norma brasileira de ventos.
Ferraro et al. [4] analisaram a influência de duas abordagens semiempíricas
para a estimativa de acelerações induzidas pelo vento em edifícios altos e
compararam com os valores obtidos em túnel de vento.
Snaebjornsson e Reed [5] analisaram o comportamento do vento em edifícios,
instrumentados, de múltiplos andares na Islândia. Os resultados demonstraram uma
maior sensibilidade dos edifícios ao efeito de torção.
Fonte [6] realizou análise não linear geométrica em edifícios altos de concreto
armado em sua tese de doutorado. Esta análise permitiu suas conclusões a respeito
23

das matrizes não lineares adotadas, do desempenho do programa desenvolvido, do


comportamento da estrutura e da necessidade e viabilidade da realização de
análises não lineares em projetos de edifícios altos no Brasil.
Davenport e Sparling [7] verificaram que o método do fator de rajada
demonstrou-se adequado para o cálculo dos esforços cortante e momento fletor
máximo em torres estaiadas; exceto para as regiões centrais dos vãos enquanto o
método de carregamento por trechos permitiu obter-se de forma mais precisa as
respostas dinâmicas em todas as seções.
Kareem et al. [8] relataram diversos trabalhos a respeito de medidas de
amortecimento para redução da resposta estrutural de edifícios excitados pela ação
do vento. Exemplos detalhados foram descritos.
Zhou et al. [9] exemplificam através de uma ponte e um edifício alto uma
formulação teórica para o vento de rajada.
Repetto e Solari [10] propuseram um modelo matemático para analisar a
fadiga em uma estrutura esbelta sob a ação de ventos longitudinais. Estruturas sob
o efeito de vibrações devido ao vento acumulam danos devido à fadiga podendo
levar à falha estrutural.
Solari e Repetto [11] apresentaram um método para classificação de
estruturas verticais submetidas à ação do vento levando em consideração as forças
internas da estrutura e os deslocamentos máximos.
Zhou et al. [12] estudaram os carregamentos de vento longitudinal e seus
efeitos em edifícios altos. Apresentaram um exemplo numérico para destacar
diferenças e semelhanças entre diversas normas internacionais, a saber: ASCE 7-98
(ASCE 1999) [13], AS1170.2-89 (Australian Standards 1989) [14], NBC-1995 (NRCC
1995) [15], RLB-AIJ-1993 (AIJ 1996) [16], e a Eurocode-1993 (Eurocode 1995) [17]).
Lazanha [18] utilizou um modelo de estrutura plana, elastoplástico, em aço,
levando-se em consideração o comportamento não linear da estrutura. Neste
modelo foram introduzidos os esforços aleatórios do vento através do método de
Monte Carlo.
Gu e Quan [19] verificaram em seus estudos que os ventos transversais
possuem maior influência sobre a resposta dinâmica do que os ventos longitudinais
atuantes em edifícios altos. Foram realizados testes em túnel de vento, em um
modelo aeroelástico, com um grau de liberdade, para investigar os efeitos do vento
24

transversal. Os resultados obtidos indicaram grande influência do amortecimento


estrutural na resposta dinâmica da estrutura.
Filho et al [20] verificaram em uma análise dinâmica elástica de uma estrutura
semirrígida submetida aos efeitos do vento, que a semi-rigidez das conexões dos
seus elementos estruturais podem alterar de forma significativa as frequências
naturais, modos de vibração e os deslocamentos máximos obtidos.
Carpeggiani [21] realizou diversos ensaios em túnel de vento e estudou em
sua dissertação de mestrado a resposta torcional estática devido ao vento em
modelos reduzidos com diversas geometrias. Os resultados foram comparados com
estimativas teóricas da norma brasileira, canadense e alemã além de um trabalho de
pesquisa realizado por Isyumov, no Canadá. Verificou em seu estudo que a
recomendação para calculo do momento torçor da NBR 6123 [22] subestima a
indicação para excentricidades em edificação isolada e atende à maioria dos casos
para edificações com efeitos de vizinhança.
Li et al [23] realizaram testes em túnel de vento com um modelo em escala
reduzida do edifício Jin Mao Building, em Shangai, na China. Os testes do
comportamento dinâmico foram comparados às medições realizadas no edifício
durante a passagem do furacão Rananim em agosto de 2004. Neste estudo,
verificou-se que os resultados dos efeitos dinâmicos obtidos em túnel de vento foram
satisfatórios quando comparados aos resultados medidos. Assim, conclui-se que os
testes em túnel de vento apresentam previsões satisfatórias para os efeitos
dinâmicos da ação do vento.
Auta [24] realizou um estudo comparativo entre normas e recomendações
para estimativa do carregamento dinâmico para edifícios altos, baseados no
comportamento dinâmico da estrutura, para a Rússia e Nigéria. Os resultados
indicam o código da Nigéria como mais conservador em relação ao Russo.
Burton et al [25] estudaram a resposta biodinâmica da vibração do corpo
humano submetido a excitações de baixa frequência e a movimentos de acelerações
senoidais de amplitude constante em edifícios. Os resultados apontam que na faixa
de variação de frequência de 0,15 Hz a 1,0 Hz de vibração da estrutura, a
aceleração na cabeça humana sofre amplificação. Assim, este efeito deve ser
considerado na avaliação dos critérios de aceitação e conforto humano em edifícios
altos.
25

Carassale e Solari [26] apresentaram em sua publicação uma metodologia


para simulação de campos de velocidade de vento em regiões com topografia
complexa. A modelagem da turbulência do vento em regiões de fluxo não
homogêneo e os aspectos computacionais envolvidos são discutidos; são propostas
algumas estratégias para redução do tempo de cálculo. O procedimento proposto é
aplicado na simulação de um caso real para a ponte do estreito de Messina.
Chavez [27] analisou em sua dissertação de mestrado os efeitos do
carregamento aleatório do vento em edifícios altos, verificou os deslocamentos,
acelerações e esforços através de análises dinâmicas no domínio do tempo. Os
resultados obtidos foram comparados com a NBR 6123 [22] e o conforto humano
avaliado com base nos índices de percepção de acelerações.
Chen [28] apresentou um método analítico para quantificar a resposta
dinâmica em edifícios altos sobre efeito da ação do vento longitudinal não
estacionário no domínio da frequência.
Obata [29] apresenta os procedimentos para análise da característica
aleatória e instável do vento atuante em torres, estruturas leves, construções altas,
entre outras. São descritos o método do vento sintético (séries históricas de
carregamento) e de Monte Carlo (séries aleatórias de carregamento).
Huang et al [30] apresentaram um estudo de um modelo de um edifício de 60
pavimentos, assimétrico de aço e concreto, em túnel de vento. Foi realizada uma
análise dinâmica do vento que gera efeitos de torção e verificados os efeitos das
relações entre os modos variando a excitação do vento.
Borges et al [31] realizaram análise linear elástica e não linear geométrica
para ações de serviço, não lineares geométricas e físicas para ações de cálculo,
além de análise do comportamento dinâmico, para um edifício de 42 pavimentos. Os
resultados apontam a necessidade de um tratamento mais aprofundado para
edifícios altos, partindo da concepção arquitetônica até a análise do comportamento
estático e dinâmico, linear e não linear geométrica e física.
Mitra [32] investigou a oscilação de ventos longitudinais em um edifício alto de
seção retangular e propôs soluções para problemas de ventos transversais a partir
de relações empíricas experimentais. Os resultados demonstraram maiores
oscilações devido ao vento transversal em comparação ao longitudinal. O conforto
humano foi avaliado para o último andar, onde se obteve os deslocamentos
26

máximos. Determina-se a partir da avaliação do conforto humano e do deslocamento


obtido, a altura máxima para um edifício de uma determinada seção retangular.
Kumar e Swami [33] analisaram estruturas de diversas alturas e
apresentaram um estudo sobre a eficácia do método do fator de rajada para a
análise de estruturas esbeltas e flexíveis além de torres altas considerando-se o
carregamento computacional dinâmico. Os resultados demonstram que as pressões
do vento pelo método do fator de rajada apresentam-se mais seguras e realistas
quando comparada aos demais métodos.
Smith e Caracoglia [34] elaboraram um protótipo, em laboratório, do edifício
Commonwealth Advisory Aeronautical Research Council, na Austrália, para
validação de um algoritmo numérico, proposto em seus estudos, para simulação da
resposta dinâmica de edifícios altos sobre a ação do vento longitudinal em condição
de tufões, utilizando o método de Monte Carlo. Os resultados foram comparados a
valores da literatura e o algoritmo considerado adequado para avaliação do
comportamento dinâmico.
Li et al [35] investigaram o comportamento dinâmico do edifício citado na
introdução desta dissertação, a torre Taipei 101 em Taiwan na China, construído em
uma região onde a ocorrência de terremotos e furacões é comum. A estrutura foi
monitorada durante três furacões (Matsa, Talim e Krosa) e um terremoto
(Wenchuan) por trinta acelerômetros instalados na torre e as características
dinâmicas determinadas. Os resultados do monitoramento foram comparados aos
resultados do modelo computacional em elementos finitos da estrutura.
Malekinejad e Rahgozar [36] apresentaram um método analítico para a
obtenção das frequências naturais e modos de vibração em edifícios de múltiplos
andares, fundamentado em um modelo contínuo equivalente desenvolvido. As
equações fundamentais e condições de contorno se baseiam no método de energia
e no princípio de Hamilton. Foram utilizados exemplos numéricos para comprovar a
eficiência do método. Os resultados foram comparados a modelos elaborado em
elementos finitos no programa SAP2000 [37] e demonstraram que o método
proposto é eficaz e fornece resultados razoavelmente precisos, de forma mais
simples e imediata; contribuindo para obtenção destas características de forma
simplificada, o que é essencial na etapa inicial do projeto.
Shimura e Nobrega [38] analisaram as diversas normas brasileiras relativas a
projetos de estruturas de concreto, destacando as considerações das ações
27

dinâmicas em cada norma e comentando as prescrições da NB-1/2001 em relação a


este tema.
Viana e Araújo [39] propuseram a representação de rajadas de vento através
de pulsos triangulares consecutivos analisando um edifício de concreto armado
comparando-se as cargas obtidas com as cargas de projeto. Verificou-se por uma
analise de pórticos que as ações causadas pela turbulência provocam na estrutura
esforços superiores aos das ações estáticas, ou seja, que a turbulência amplificou os
esforços. Sugeriu-se a avaliação tridimensional para confirmação.
Borges et al [40] apresentaram análises do comportamento estrutural de um
edifício de 42 pavimentos. Concluíram que edifícios esbeltos merecem tratamento
especial desde a sua concepção até o projeto com análises detalhadas, estática e
dinâmica, linear e não linear geométrica e física.
Neto e Corrêa [41] avaliaram o comportamento global do sistema de
contraventamento de edifícios em alvenaria estrutural. Utilizaram um modelo
numérico mais preciso onde se avalia a deformabilidade por cisalhamento das
paredes e os efeitos de torção do edifício.
Miguel e Riera [42] apresentam três modelos diferentes de amortecedores de
vibração por atrito (características e testes); ensaiados na Universidade Federal do
Rio Grande do Sul. Descreveram técnicas de cálculo da resposta dinâmica em
programas computacionais. Os resultados da análise de um edifício e uma torre de
transmissão confirmam a eficiência deste tipo de amortecedor para excitações
sísmicas e de vento. Para o modelo apresentado estimou-se a redução para
excitação de vento em 60%.
Kwok et al [43] abordam a percepção e o conforto humano submetido à
vibração em edifícios provocada pela ação do vento. Critérios de conforto e
aceitabilidade são descritos.
Correa e Pirnia [44] apresentam um estudo sobre o conforto humano em
estrutura excitada pelo vento. O estudo considera a contribuição da forma da onda,
os níveis de energia e a frequência de oscilação para a estimativa das frequências
limites de conforto para edifícios altos.
Silva [45] apresenta, em suas notas de aula, um extenso e detalhado material
a respeito de otimização, desde seu histórico, passando por definições, métodos
matemáticos e exposição de exemplos clássicos.
28

Rodrigues Júnior [46] propôs, em sua tese de Doutorado, uma formulação


para o projeto ótimo de pilares de edifícios altos de concreto armado, utilizando
solução multinível e subdividindo um problema global em séries de subproblemas
individuais de otimização. São considerados os carregamentos permanentes,
acidentais e devido ao vento além de restrições, relativas ao estado limite último e
de utilização.
Chaves [47] em sua dissertação de mestrado desenvolveu um programa
computacional que se utiliza de técnicas de otimização matemática e conceitos
estatísticos, para determinação de seções transversais de pilares de concreto
armado com o menor custo juntamente com a determinação do índice de
confiabilidade da estrutura para um estado limite.
Pires [48] desenvolveu em sua tese de doutorado, uma ferramenta para
otimização de seções transversais de pilares de concreto armado submetidos à
flexão oblíqua considerando a não linearidade física e geométrica com base em
algoritmos Genéticos. Produziu um procedimento sistematizado que escolhe, dentro
de um conjunto de soluções possíveis, o pilar que melhor atende os requisitos de
segurança, de economia e normativos.
Maia [49] apresenta uma revisão dos conceitos e métodos de otimização. São
avaliados duas implementações de projeto ótimo para vigas: uma para viga em
balanço com seção escalonada e outra com seção contínua. Utiliza o método
Simplex e do Gradiente Reduzido Generalizado, de acordo com o problema, através
da ferramenta computacional Solver para redução de seções e de custo.

Motivação e objetivos

Considerando-se o crescimento exponencial das populações urbanas, a


demanda crescente espaço para habitação tem aumentado de maneira vertiginosa.
Para atender a estas necessidades, atualmente, os edifícios têm sido projetados
cada vez mais altos e mais esbeltos, com vãos livres cada vez maiores, no que diz
respeito à prática corrente de projeto, o que torna o desenvolvimento do projeto
estrutural destas edificações uma tarefa cada vez mais complexa. Assim sendo, de
modo a contribuir, na direção associada ao projeto e dimensionamento de edifícios,
esta dissertação de mestrado tem como objetivo avaliar o comportamento e otimizar
29

o projeto estrutural de um edifício de concreto armado, referente a um projeto real,


com 15 pavimentos e 47 metros de altura, quando submetido às ações das cargas
usuais de projeto atuantes sobre edifícios residenciais, além das cargas de vento.
No que diz respeito à análise do comportamento do modelo estrutural, inicialmente,
desenvolve-se uma análise estática, linear-elástica, na qual são analisados os
valores dos deslocamentos máximos do edifício. Em seguida, procede-se a uma
avaliação acerca da estabilidade global da estrutura, de forma a identificar os níveis
de esbeltez do sistema, e, por fim, uma análise modal completa é desenvolvida,
objetivando a obtenção das frequências naturais e dos modos de vibração do
edifício em estudo. Com base nas grandezas associadas à resposta do modelo,
objetiva-se, também, otimizar o projeto, de maneira a modificar e, bem como,
aprimorar o desempenho estrutural do edifício investigado.

Estrutura da dissertação

No primeiro capítulo, são apresentados os critérios adotados para modelagem


da ação do vento a ser investigado na edificação em concordância com as
prescrições da norma ABNT NBR 6123 [22].
O segundo capítulo apresenta os dados da edificação em estudo nesta
dissertação, suas características principais e dimensões bem como os parâmetros
representativos para efeito de modelagem computacional em elementos finitos.
O terceiro capítulo apresenta os modelos computacionais realizados em dois
softwares distintos, com a estrutura discretizada em elementos finitos, utilizados para
o estudo da edificação.
O quarto capítulo apresenta uma análise de Autovalores (frequências
naturais) e Autovetores (modos de vibração) para os modelos em elementos finitos
desenvolvidos no capítulo 3.
O quinto capítulo aborda uma análise do comportamento estrutural da
edificação em estudo com base nas normas e na boa prática de projetos, obtendo–
se a classificação segundo suas características estruturais e uma avaliação
qualitativa da estabilidade da estrutura e do seu comportamento global.
30

O sexto capítulo aborda uma análise estrutural preliminar estática,


considerando-se o efeito da ação do vento e da sobrecarga de utilização em relação
às suas implicações nos deslocamentos da estrutura.
O sétimo e oitavo capítulos apresentam respectivamente: a formulação do
problema de otimização (histórico, teoria e definições) e sua aplicação na ferramenta
computacional (modelos gerados e resultados obtidos).
Por fim, no capítulo nove, são apresentadas as conclusões deste estudo e
sugestões para trabalhos futuros.
31

1 AÇÃO DO VENTO EM ESTRUTURAS

Neste estudo consideraram-se na avaliação da resposta estática da estrutura,


os efeitos dos carregamentos provenientes da ação do vento, além das ações das
cargas usuais de projeto (peso próprio e sobrecarga de utilização) para edifícios
residenciais com base na norma ABNT NBR 6120 [50] (2,0 kN/m² para sobrecarga
residencial).
O vento, produzido pelo deslocamento das massas de ar da atmosfera, gera
diferenças de pressões que podem causar variações destas massas desde leves
brisas a grandes furacões. Estas diferenças podem exercer nos edifícios efeitos de
pressões e sucções, dependendo da direção do vento e da posição da face da
estrutura em análise, causando muitas vezes efeitos indesejáveis.
Vento a barlavento (direcionado da origem para o obstáculo ou estrutura)
produz sobre a estrutura um esforço de pressão empurrando-a na direção e sentido
em que sopra. O vento a sotavento (direcionado do obstáculo ou estrutura para a
corrente) produz um esforço de sucção, puxando-a na mesma direção e sentido do
fluxo.
A ação do vento é composta por uma parcela constante, chamada velocidade
média, e por uma parcela flutuante, chamada de rajada, sendo sua velocidade
variável em torno da velocidade média. A velocidade média do vento é obtida
considerando-se a ação constante durante aproximadamente 10 minutos,
produzindo nas estruturas efeitos puramente estáticos, designados como resposta
média. As flutuações da velocidade ou rajadas, ao redor da velocidade média,
também denominada como resposta flutuante, podem induzir oscilações
consideráveis, na direção da velocidade média, em estruturas com menor rigidez
(geralmente estruturas altas e esbeltas).
Em edificações cuja frequência fundamental da estrutura encontre-se maior
ou igual a 1,0 Hz, a influência da resposta flutuante é pequena e seus efeitos já são
considerados na determinação do fator S2. Já em uma estrutura que apresente a
frequência fundamental abaixo de 1,0 Hz, a resposta flutuante apresenta
contribuição considerável.
Para efeito de projeto, recomenda-se, portanto, manter a concepção da
estrutura com frequência fundamental acima de 1,0 Hz para se evitar a contribuição
32

da resposta flutuante em uma análise inicial ou em uma análise mais aprofundada,


recomenda-se analisar as frequências naturais e afasta-las da frequência
perturbadora do vento.
O vento pode não representar um problema em estruturas baixas e pesadas,
entretanto em estruturas altas e esbeltas torna-se uma das ações mais importantes
a ser determinada e considerada durante a realização do seu projeto.
Para realização da análise dos efeitos estáticos provocados pela ação do
vento na estrutura, utilizaram-se como referência as recomendações da norma
brasileira NBR 6123 [22] para o modelo de carregamento proveniente desta ação,
utilizando-se do método simplificado para a determinação da resposta dinâmica
equivalente na direção do vento. A análise deste estudo baseia-se no
comportamento de uma estrutura reticulada, representada em sua modelagem
computacional por elementos de barras retas.

1.1 Efeitos dinâmicos devido à turbulência atmosférica.

Neste estudo considerou-se apenas o efeito estático do carregamento devido


ao vento, com sua modelagem baseada no método simplificado da NBR 6123 [22] e
aplicada ao modelo utilizando-se o conceito básico de carregamento equivalente.

1.1.1 Caracterização da estrutura.

Para a modelagem da ação do vento foram adotados os seguintes


parâmetros de projeto:
a) Velocidade básica do vento: V0 = 35 m/s (Região do Rio de Janeiro)
b) Fator topográfico: S1 = 1,0
c) Categoria do terreno: S2  Categoria V (centros de grandes cidades)
d) Classe do terreno: B (com fatores b =0,73 e p = 0,16)
e) Fator estatístico: S3 = 1,0 (Grupo 2)
f) Altura do edifício: H = 47 m
g) Coeficiente de arrasto lateral: Ca = 0,87
h) Coeficiente de arrasto frontal: Ca = 1,36
33

1.1.2 Velocidade básica do vento (V0).

A NBR 6123 [22] determina as forças estáticas devido ao vento a partir da


velocidade básica do vento que é estabelecida de acordo com a localização da
edificação no território brasileiro.
A velocidade básica (V0) é a velocidade de uma rajada de 3 segundos, que
ultrapassa em média esse valor uma vez em 50 anos, medida a 10m de altura em
um terreno aberto e plano.
Os valores das velocidades básicas (V0) do vento no Brasil são fornecidos
através de curvas de igual velocidade denominadas isopletas, conforme a Figura 4,
em intervalos de 5 m/s.
Os dados utilizados na elaboração das curvas foram avaliados
estatisticamente e obtidos em estações meteorológicas do Serviço de Proteção ao
Voo do Ministério da Aeronáutica com base nos valores de velocidades máximas
anuais medidas em 49 cidades brasileiras conforme o anexo C da norma.

Figura 4 - Isopletas de velocidade básica V0 (m/s) no Brasil (NBR 6123 [22]).


34

1.1.3 Fator topográfico (S1).

O fator topográfico S1, considera as variações do relevo do terreno onde a


estrutura está localizada.
Para terrenos planos ou fracamente acidentados, como o caso do edifício
objeto deste estudo, considera-se S1 = 1,0. Para terrenos que apresentem morros ou
taludes, o fator S1 pode ser determinado conforme a formulação do item 5.2 da NBR
6123 [22] em uma aproximação inicial. Caso seja necessária maior precisão,
recomenda-se o uso de túneis de vento para um estudo mais aprofundado. Para
vales profundos protegidos de vento em qualquer direção, S1 = 0,9.

1.1.4 Fator de rugosidade e classe (S2).

O fator S2 leva em consideração a combinação da rugosidade do terreno, a


variação da velocidade do vento e a altura do edifício e pode ser calculado
extraindo-se os parâmetros (b e p) da Tabela 1 de acordo com a Classe e Categoria
da edificação.

Tabela 1 - Parâmetros meteorológicos (NBR 6123 [22]).

Zg Classe
Categoria Parâmetro
(m) A B C
b 1,1 1,11 1,12
I 250
p 0,06 0,065 0,070

b 1,00 1,00 1,00

II 300 Fr 1,00 0,98 0,95

p 0,085 0,09 0,10

b 0,94 0,94 0,93


III 350
p 1,10 1,105 0,115

b 0,86 0,85 0,84


IV 420
p 0,12 0,125 0,135

b 0,74 0,73 0,71


V 500
p 0,15 0,16 0,175
35

Aplicando-se os fatores b e p na expressão (1) a seguir, calcula-se o fator S2.

( ) (1)

Onde: b, Fr e p são parâmetros meteorológicos de acordo com a Tabela 1 e z


representa a cota acima do nível geral do terreno. Considerar o fator de rajada Fr
igual a 1,0 para edifícios enquadrados em uma categoria diferente da categoria II.

1.1.5 Fator estatístico (S3).

O fator S3 baseia-se em conceitos estatísticos e considera a vida útil da


edificação e o grau de segurança necessário. Este fator depende da utilização da
edificação e os valores mínimos que podem ser adotados estão definidos na Tabela
2 abaixo.

Tabela 2- Valores mínimos do fator estatístico S3 (NBR 6123 [22]).

Grupo Descrição S3

Edificações cuja ruína total ou parcial pode afetar a


segurança ou possibilidade de socorro a pessoas após
1 uma tempestade destrutiva (hospitais, quartéis de 1,10
bombeiros e de forças de segurança, centrais de
comunicação, etc.).

Edificações para hotéis e residências. Edificações para


2 1,00
comércio e indústria com alto fator de ocupação.

Edificações e instalações industriais com baixo fator de


3 0,95
ocupação (depósitos, silos, construções rurais, etc.).

4 Vedações (telhas, vidros, painéis de vedação, etc.). 0,88

Edificações temporárias. Estruturas dos grupos 1 a 3


5 0,83
durante a construção.
36

1.1.6 Velocidade característica (Vk).

A velocidade característica do vento (Vk), obtida pelo produto da velocidade


básica (V0) pelos fatores S1, S2 e S3 definidos anteriormente, pode então ser
determinada, conforme a equação (2) abaixo.

(2)

1.1.7 Pressão dinâmica (q).

A pressão dinâmica, resultante do vento característico, pode ser obtida


através da equação (3) abaixo.

(3)

Onde:
= Pressão dinâmica (em N/m²);
= Velocidade do vento característico (em m/s).

1.1.8 Coeficiente de arrasto (Ca).

De acordo com a NBR 6123 [22], os valores do coeficiente de arrasto (Ca)


são definidos para a face frontal e para a face lateral da estrutura. Estes valores são
adimensionais e se aplicam aos ventos de baixa turbulência e de alta turbulência
(Figuras 4 e 5 da norma, respectivamente) de acordo com as características dos
obstáculos, edificações presentes na região e direção da ação do vento.
Neste estudo será adotado, em favor da segurança, o caso de incidência de
vento em baixa turbulência considerando-se a localização do edifício em região de
poucos obstáculos.
37

Tabela 3 – Coeficientes de arrasto para alta turbulência, baixa turbulência e valor médio.

Incidência Ca Regime de vento Valores Médios

0,87 Baixa Turbulência


Lateral (0º) 0,84
0,81 Alta Turbulência

1,36 Baixa Turbulência


Frontal (90º) 1,26
1,16 Alta Turbulência

1.1.9 Força estática global (Fg).

A força global atuante sobre o edifício é obtida pela soma vetorial das forças
estáticas do vento para a variação da altura z da estrutura. Esta força pode ser
obtida pela expressão (4) a seguir.

(4)

Onde:
= Força estática global (em N);
= Pressão dinâmica (em N/m²);
Ae = Área efetiva do edifício a receber a pressão do vento atuante (em m²);
Ca = Coeficiente de arrasto para ventos de alta ou baixa turbulência.

Para a face frontal da edificação em estudo, teremos, portanto uma força


estática no topo (máxima) da ordem de 25,82 kN/m e na face lateral da edificação da
ordem de 6,21 kN/m.
38

1.1.10 Velocidade de Projeto (̅̅̅).

A velocidade de projeto ̅ representa a velocidade média do vento atuante


em uma estrutura há uma altura de 10 metros do solo durante um intervalo de 10
minutos. Em um terreno de Categoria II pode ser obtida pela expressão (5) a seguir.

(5)

Onde:
= Velocidade de projeto (em m/s);
V0 = Velocidade básica do vento (em m/s);
S1 = Fator topográfico;
S3 = Fator estatístico.

1.2 Modelo contínuo simplificado de acordo com a NBR 6123 [22].

De acordo com a norma de ventos NBR 6123 [22], o modelo contínuo


simplificado pode ser adotado para edifícios nos quais a seção seja constante e que
a distribuição de massa da estrutura seja aproximadamente uniforme. O edifício em
análise deve ser apoiado exclusivamente na base e ter altura total inferior a 150 m.
Apenas o modo fundamental contribui para a resposta dinâmica da estrutura,
o que resulta, em geral, em erros menores do que 10% em relação à resposta
dinâmica do modelo investigado.
A norma de vento estabelece para cada tipo de estrutura parâmetros para
determinação dos efeitos dinâmicos: período fundamental (T 1), razão de
amortecimento crítico (ζ), e o parâmetro (), expressos na Tabela 4.
A edificação investigada neste trabalho diz respeito a um edifício de concreto
armado de seção constante apoiado exclusivamente na base conforme
recomendação da norma e, portanto pode ser calculada utilizando-se o método
contínuo simplificado.
39

Tabela 4 – Parâmetros para determinação de efeitos dinâmicos (Tabela 19-NBR 6123 [22]).

T1 = 1/f1
Tipo de edificação  
(h em metros)

Edifícios com estrutura aporticada de


1,2 0,020 0,05+0,015h
concreto, sem cortinas.

Edifício com estrutura de concreto,


com cortinas para a absorção de 1,6 0,015 0,05+0,012h
forças horizontais.

Torres e chaminés de concreto, seção


2,7 0,015 0,02h
variável.

Torres, mastros e chaminés de


1,2 0,010 0,015h
concreto, seção uniforme.

Edifícios com estrutura de aço


soldada.
1,7 0,010 √

Torres e chaminés de aço, seção


- 0,008 -
uniforme.

Estruturas de madeira. - 0,030 -

Com base na Tabela 4, obtém-se o valor da frequência fundamental f 1 (em


Hz) para diversos tipos de edificações.
Para a estrutura em análise, o valor da frequência fundamental resultante da
Tabela 4 é de 0,33 Hz e a forma modal (parâmetro ) de 1,2; correspondente à
formulação de um edifício com estrutura aporticada de concreto sem cortina.

1.2.1 Pressão dinâmica no modelo contínuo (q).

Uma vez obtida à velocidade de projeto ( , pode-se obter a variação da


pressão dinâmica com a altura, q(z), resultante da ação do vento, através das
equações (6) e (7) abaixo; com em N/m² e em em m/s.

(6)
40

[( ) ( ) ( ) ] (7)

Onde:
O primeiro termo dentro dos colchetes corresponde à resposta média e o
segundo representa a amplitude máxima da resposta flutuante.
O valor dos coeficientes p e b dependem da categoria de rugosidade do
terreno, conforme indicado na Tabela 5 a seguir.

Tabela 5 - Parâmetros b e p (Tabela 20 - NBR 6123 [22]).

Categoria de rugosidade I II III IV V

b 0,095 0,15 0,185 0,23 0,31

p 1,23 1,00 0,86 0,71 0,50

Os fatores z, zr e h representam respectivamente: a cota acima do terreno; a


cota de referência a 10 metros (zr = 10 m); e a altura da edificação acima do terreno
medida até o topo da platibanda ou nível do beiral (h = 47 m).
O coeficiente de amplificação dinâmica é obtido em função das dimensões
do edifício, da razão de amortecimento crítico  e da frequência f (através da relação
adimensional sendo L=1800) através dos gráficos das figuras 14 a 18 da
norma. Para a edificação em estudo, podem ser calculadas as relações (8) e (9) a
seguir.

(8)

(9)

Onde:
L1 = Maior largura do edifício perpendicular à ação do vento (31,71 metros),
h = Altura total da estrutura (47 metros),
= Velocidade de projeto (24,15 m/s)
f = Frequência fundamental obtida na Tabela 4 (0,33 Hz);
41

Portanto, para a categoria V, com o amortecimento crítico igual a 0,02 e a


relação L1/h=0,68 (com L1 e h em metros) o gráfico que se aplica a este caso, é o da
figura 18 da norma, reproduzido a seguir na Figura 5; resultando no valor
aproximado do coeficiente de amplificação dinâmica .

Figura 5 – Coeficiente de amplificação dinâmica (ξ) para Categoria V (NBR 6123 [22]).

Assim, aplicando-se os valores obtidos resumidos na Tabela 6 na equação (7)


da pressão dinâmica (q) em função da altura (z), temos a distribuição da pressão
dinâmica ao longo de cada andar da edificação conforme disposto na Tabela 7.

Tabela 6 – Resumo dos fatores a serem aplicados na equação de pressão dinâmica.

V0 35,00

S1 1,00

S3 1,00

Vp 24,15

q0 357,52

P 0,31

b 0,5

 1,2

 1,6
42

Tabela 7 – Variação da pressão dinâmica de acordo com a altura.

Altura (z) Pressão Dinâmica q(z)


Pavimento
(m) (N/m²)

Térreo 2,94 53,05

1º 5,88 90,08

2º 8,81 124,63

3º 11,75 158,08

4º 14,69 190,94

5º 17,63 223,47

6º 20,56 255,81

7º 23,50 288,04

8º 26,44 320,22

9º 29,38 352,39

10º 32,31 384,58

11º 35,25 416,80

12º 38,19 449,08

13º 41,13 481,41

14º 44,06 513,81

15º 47,00 546,29

1.2.2 Força estática equivalente.

A força estática equivalente, representativa da ação estática combinada com


a ação dinâmica simplificada do vento, pode ser obtida pela expressão (10) a seguir
ao longo da variação da altura (z) do edifício.

(10)
43

Onde:
L1 = Largura do edifício perpendicular à ação do vento;
Ca = Coeficiente de arrasto para ventos de alta ou baixa turbulência.

Calcula-se então a força estática equivalente, para a variação de altura do


edifício, de acordo com a equação (10). Considerando-se as larguras frontal (31,71
m) e lateral (11,92 m), obtém-se então, a distribuição de forças para cada face da
edificação, em cada pavimento, conforme a Tabela 8.

Tabela 8 – Forças Resultantes da ação do vento Lateral e Frontal.

Distribuição de Forças nas fachadas


Pavimento Lateral Frontal
(N) (N)

Térreo 531,22 2119,77

1º 901,98 3599,21

2º 1247,87 4979,46

3º 1582,78 6315,84

4º 1911,83 7628,89

5º 2237,55 8928,62

6º 2561,35 10220,67

7º 2884,08 11508,49

8º 3206,32 12794,34

9º 3528,45 14079,74

10º 3850,73 15365,79

11º 4173,38 16653,25

12º 4496,52 17942,69

13º 4820,26 19234,55

14º 5144,69 20529,12

15º 5469,86 21826,66


44

2 MODELO ESTRUTURAL INVESTIGADO

2.1 Características geométricas.

Este estudo utiliza como base, um conjunto de edifícios em concreto armado,


formado por quatro torres idênticas, construídas simultaneamente, com 47 metros de
altura e uma área em planta de 31,71 metros de extensão por 11,92 metros de
largura, conforme ilustrado na Figura 6 e Figura 7 a seguir.

Figura 6 – Principais medidas da edificação (Dimensões em metros).


45

Figura 7 – Planta baixa da edificação – Pavimento Tipo (Dimensões em cm).


46

A Figura 8 abaixo, do livro do professor Cunha [51], ilustra a seção transversal


do edifício e as distâncias em metros, de eixo a eixo dos pilares, na direção
longitudinal.

Figura 8 – Seção transversal [51].


Para este estudo, a estrutura em concreto armado foi considerada no regime
linear-elástico, com fck de 30 MPa, com módulo de elasticidade de 2,6 x 1010 N/m²,
coeficiente de Poisson igual a 0,2 e densidade do concreto equivalente a 2500
kg/m³.
47

As seções do projeto original para as vigas apresentam-se na Tabela 9


parametrizadas em função da base (B) e altura (H) da seção transversal de cada
elemento estrutural com sua respectiva locação detalhada na Figura 9.

Tabela 9 – Seções de Projeto para as vigas

Área da
VIGAS B (m) H (m)
Seção (m²)

V1 e V12 B1 =0,11 H1 =1,20 0,13

V13 e V21 B2=0,18 H2 =0,40 0,07

V14, V15, V16, V18, V19 e V20 B3 =0,18 H3 =0,50 0,09

V2, V4, V8 e V11 B4 =0,11 H4 =0,40 0,04

V3, V9, V5 e V10 B5 =0,11 H5 =0,50 0,06

V6 e V7 B6 =0,16 H6 =0,50 0,08

V17 B7 =0,10 H7 =0,30 0,03

Área seccional total 1,53

Analogamente, as seções transversais dos pilares foram descritas de forma


parametrizada em função de suas larguras maior (L) e menor (E) na Tabela 10 com
sua respectiva locação detalhada na Figura 10.

Tabela 10 – Seções de projeto para os pilares

Área da
PILARES B (m) H (m)
Seção (m²)

P1 a P3, P6 a P8, P11 a P13 e P16 a P18 L8 = 1,50 E8 = 0,18 0,27

P4 e P5 L9 = 2,46 E9 = 0,14 0,34

P9 e P10 L10 = 1,00 E10 = 0,18 0,18

P14 e P15 L11 = 0,80 E11 = 0,18 0,14

Área seccional total 4,57


Figura 9 – Locação das vigas (Dimensões em cm).
48
Figura 10 – Locação dos pilares (Dimensões em cm).
49
50

2.2 Patologias apresentadas.

Ao final de sua construção, o edifício apresentou problemas de ordem


estrutural; necessitando de intervenção e reforço a fim de evitar o seu colapso
iminente. Em todos os andares, nas quatro torres construídas, surgiram fissuras
diagonais nos quatro cantos da edificação, visíveis na face inferior das lajes e
atravessando-a por completo. Os fatos eram conhecidos há meses, e somente
quando os apartamentos foram entregues aos proprietários, que passaram a
reclamar das fissuras, foi dada a devida atenção. Investigações mais cuidadosas
foram realizadas, e uma vistoria inicial constatou o progresso do padrão de
fissuração com o passar do tempo, apresentando além das já conhecidas fissuras de
canto, fissuras verticais de deslizamento dos pilares em relação às alvenarias,
rupturas localizadas e em cruzamentos de alvenarias.
Todo este padrão sugeria que tal problema seria decorrente das forças de
contraventamento dadas pelo apoio horizontal promovido pelos pilares centrais
localizados na caixa da escada e no poço dos elevadores aos demais pilares.
Devido à gravidade dos padrões encontrados, as torres foram submetidas a
uma observação permanente; verificando-se no oitavo dia que o padrão de fissuras
se alterou completamente; as fissuras pré-existentes agravaram-se e surgiram
novas. Em alguns andares ocorreram as primeiras rupturas localizadas no eixo de
simetria da estrutura. Apenas 48 horas após as rupturas iniciais, constatadas na
vistoria anterior, o padrão das fissuras agravou-se ainda mais e em uma das torres a
fissura se estendeu por 4 pavimentos sucessivos. As vigas da fachada frontal
apresentaram seccionamento total indicando o risco iminente de perder sua função
de tirante na edificação.
Segundo os relatos do Professor Fusco [51], este edifício apresentou
problemas de ordem estrutural e conceptiva; apresentando ausência de elementos
adequados de contraventamento que garantam a estabilidade global da estrutura.
A fissuração se agravou progressivamente até que o reforço provisório foi
aplicado a cada 3 pavimentos, assumindo-se a possibilidade de cada andar
reforçado equilibrar os andares adjacentes (acima e abaixo); único recurso viável
para a rapidez necessária nesta intervenção. Fissurações novas surgiram indicando
a eficiência da hipótese assumida. Assim, reforçou-se os andares adjacentes numa
segunda etapa, impedindo o progresso da fissuração e evitando-se assim o colapso
51

global iminente. Com a estabilização da fissuração, reforçou-se a região central da


estrutura; possibilitando que os pilares da fachada buscassem o equilíbrio através
das lajes e não mais pelas vigas longitudinais.

2.3 Carregamentos de vento aplicado ao modelo.

De acordo com a metodologia apresentada no Capítulo anterior, os valores


das forças de vento por andar, em cada fachada, dispostos na Tabela 8, podem
então ser redistribuídos, de acordo com a geometria apresentada, para que sejam
aplicados no modelo computacional de forma discretizada, conforme a Figura 11 a
seguir.

Figura 11 – Esquema de aplicação de forças para modelo dinâmico discreto NBR 6123 [22].

A força resultante em cada fachada foi distribuída vetorialmente,


considerando-se a área de influência envolvida, em seis forças para a fachada
frontal, representando o vento frontal, denominadas F1, F2, F3, F7, F8 e F9,
posicionadas respectivamente nos eixos 1, 2, 3, 7, 8 e 9; e duas forças para a
fachada lateral, representando o vento lateral, denominadas Fb e Ff, posicionadas
nos eixos B e F, para cada pavimento.
52

Estas forças foram aplicadas em nós de interesse, selecionados de forma a


garantir a melhor distribuição dos esforços na estrutura, localizados nos
alinhamentos dos pilares principais.
A Tabela 11 a seguir apresenta o resumo das forças estáticas equivalentes,
obtidas no modelo contínuo simplificado, para serem aplicadas em cada nó
distribuído em cada pavimento, dos eixos 1 a 3 e 7 a 9 para a fachada frontal e eixos
B e F para a fachada lateral, para o vento frontal e lateral respectivamente. Foi
utilizado o conceito de áreas de influência para a conversão das forças distribuídas
em áreas, apresentadas na Tabela 8, para as forças concentradas em nós,
apresentadas na Tabela 11.
É importante salientar que este processo com base na velocidade de projeto
do modelo contínuo simplificado em comparação ao processo estático, apresenta
resultados mais próximos da realidade uma vez que considera tanto a parcela media
do vento quanto a parcela flutuante.

Tabela 11 - Resultantes de forças devido ao vento frontal e lateral.

Vento Frontal Vento Lateral


(N) (N)
Pavimento
F1 F2 F3 F7 F8 F9 FB FF
Eixo 1 Eixo 2 Eixo 3 Eixo 7 Eixo 8 Eixo 9 Eixo B Eixo F
15 7201,97 11697,74 15516,97 15516,97 11697,74 7201,97 8320,78 8320,78
14 6773,83 11002,34 14594,53 14594,53 11002,34 6773,83 7826,13 7826,13
13 6346,67 10308,53 13674,19 13674,19 10308,53 6346,67 7332,61 7332,61
12 5920,41 9616,18 12755,79 12755,79 9616,18 5920,41 6840,13 6840,13
11 5494,94 8925,11 11839,10 11839,10 8925,11 5494,94 6348,56 6348,56
10 5070,13 8235,11 10923,82 10923,82 8235,11 5070,13 5857,76 5857,76
9 4645,78 7545,87 10009,54 10009,54 7545,87 4645,78 5367,49 5367,49
8 4221,65 6856,98 9095,73 9095,73 6856,98 4221,65 4877,47 4877,47
7 3797,37 6167,84 8181,60 8181,60 6167,84 3797,37 4387,28 4387,28
6 3372,43 5477,65 7266,06 7266,06 5477,65 3372,43 3896,33 3896,33
5 2946,11 4785,19 6347,52 6347,52 4785,19 2946,11 3403,78 3403,78
4 2517,24 4088,61 5423,51 5423,51 4088,61 2517,24 2908,29 2908,29
3 2083,99 3384,90 4490,04 4490,04 3384,90 2083,99 2407,73 2407,73
2 1643,03 2668,68 3539,98 3539,98 2668,68 1643,03 1898,27 1898,27
1 1187,60 1928,96 2558,74 2558,74 1928,96 1187,60 1372,09 1372,09
Térreo 699,44 1136,07 1506,98 1506,98 1136,07 699,44 808,10 808,10
53

O gráfico da Figura 12, a seguir, ilustra a variação das forças concentradas


nos nós, para cada eixo, ao longo da altura do edifício.

16

15

14

13

12

11

10

9
PAVIMENTO

Eixo 1 e 9
8
Eixo 2 e 8
7 Eixo 3 e 7

6 Eixo B e F

0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16
FORÇA DO VENTO (kN)

Figura 12 – Forças do vento ao longo da altura.


54

3 MODELO NUMÉRICO-COMPUTACIONAL

Neste capítulo, são apresentados os modelos computacionais da edificação


em estudo, respeitando-se as dimensões estruturais originais de projeto, utilizando-
se os softwares ANSYS [61] e SAP 2000 [37], ambos baseados no método dos
elementos finitos. O material que constitui a estrutura foi considerado trabalhando no
regime linear-elástico. As condições de contorno foram definidas na base do edifício
de forma a restringir a deslocabilidade dos pilares tridimensionalmente (nas direções
dos eixos globais X, Y e Z) representando apoios de segundo gênero, nos modelos
1 em ANSYS [61] e 3 em SAP 2000 [37]; e terceiro gênero (engaste) no modelo 2,
em ANSYS [61] e 4 em SAP 2000 [37], apresentados neste capítulo.

3.1 Modelo numérico desenvolvido no programa ANSYS [61].

A edificação foi modelada com sua planta longitudinalmente na direção do


eixo global X, transversalmente na direção do eixo global Z e sua elevação na
direção do eixo global Y conforme ilustra a Figura 13 abaixo.

z
x

Figura 13 – Modelo computacional em ANSYS [61].


55

A Figura 14 apresenta as características do modelo em diferentes vistas.

(a) Vista frontal (b) Vista lateral


x

(c) Vigas em elementos finitos de barras (BEAM44)

(d) Laje em elementos finitos de casca (SHELL63)


Figura 14 – Características do modelo em elementos finitos.
56

Foram utilizados elementos finitos de barras para a modelagem das vigas e


pilares e elementos finitos de placas/cascas para a modelagem da laje maciça.

(a) Vigas e pilares (b) Estrutura completa


Figura 15 – Perspectiva da estrutura em elementos finitos.

Os elementos de barra foram modelados no software através do elemento


tridimensional BEAM44 onde se consideram os efeitos de torção e flexão. Os
elementos de casca foram modelados através do elemento SHELL63.
O elemento BEAM44 é um elemento uniaxial definido internamente por dois
nós de seis graus de liberdade em cada um (translações e rotações em x, y e z). O
elemento SHELL63 é definido internamente por quatro nós com seis graus de
liberdade em cada nó (translações e rotações em x, y e z).
A Tabela 12 apresenta o total de nós, elementos e graus de liberdade do
modelo elaborado.

Tabela 12 - Total de nós, elementos e graus de liberdade aplicados no modelo.

Nós 40.756
Elementos 46.346
BEAM44 11.384
SHELL63 34.962
Graus de Liberdade 278.076
57

Centro de
Cisalhamento

X, Y, Z define a orientação do
sistema de coordenadas.
Se o nó K for omitido, o eixo Y do
elemento será paralelo ao plano X-Y.

Figura 16 – Elemento BEAM44 e suas referências (ANSYS [61]).

Figura 17 – Elemento SHELL63 e suas referências (ANSYS [61]).

A malha de elementos finitos do modelo foi adequadamente refinada


considerando-se a geometria da estrutura com uma dimensão da ordem de 50
centímetros para cada elemento, permitindo, assim, uma boa representação do
comportamento da estrutura, tanto estaticamente quanto dinamicamente.
Neste modelo considera-se a excentricidade (e) entre as linhas neutras das
vigas e das lajes, representada no desenho esquemático da Figura 18, de maneira a
garantir a melhor representação da estrutura real e a compatibilidade das
deformações entre os nós dos elementos de viga e de placas.
58

Figura 18 - Excentricidade entre as linhas neutras da laje e da viga.

3.2 Modelo numérico desenvolvido no programa SAP 2000 [37].

O modelo em elementos finitos desenvolvido no software SAP 2000 [37],


considerou a geometria original de projeto, fazendo uso do recurso de offset
(deslocamento do nó de inserção).
A edificação foi modelada com sua planta longitudinalmente na direção do
eixo global X, transversalmente na direção do eixo global Y e sua elevação na
direção do eixo global Z conforme ilustra a Figura 19 abaixo.

y x

Figura 19– Modelo computacional em SAP 2000 [37].


59

(a) Vista frontal (b) Vista lateral

x (c) Vigas em elementos finitos de barras (BEAM44)

(d) Laje em elementos finitos de casca (SHELL63)


Figura 20 – Características do modelo em elementos finitos.
60

Foram utilizados elementos finitos de barras (“Frames”) para a modelagem


das vigas e pilares e elementos finitos de placas/cascas (“Shell”) para a modelagem
da laje maciça.

(a) Vigas e pilares (b) Estrutura completa


Figura 21 – Perspectiva da estrutura em elementos finitos.
61

4 ANÁLISE DE AUTOVALORES E AUTOVETORES

O objetivo desta análise é o de estabelecer o comportamento dinâmico da


estrutura, no que tange às suas frequências naturais (autovalores) e aos seus
modos de vibração (autovetores), obtidos através dos modelos computacionais
descritos no capítulo anterior.
As frequências naturais representam a taxa de oscilação livre da estrutura
após o fim da ação da força responsável pelo movimento, ou seja, demonstra o
quanto a estrutura vibra quando cessada a aplicação das forças. Esta frequência é
inversamente proporcional à raiz quadrada da massa da estrutura e diretamente
proporcional à raiz quadrada da sua rigidez, sendo designada por um numero real
positivo cuja unidade mais comum é o Hertz (Hz). Os modos de vibração
representam a forma de vibrar da estrutura, isto é, o deslocamento ou deformação
que a estrutura apresenta ao vibrar em cada frequência natural.
Para uma análise inicial, modelou-se a estrutura em dois softwares, conforme
descrito anteriormente. Em cada modelo foram consideradas duas condições de
contorno distintas para a fundação; uma considerando a base da estrutura como
apoiada e a outra considerando como engastada, totalizando quatro modelos em
elementos finitos descritos a seguir.

4.1 Modelo 1.

O modelo 1 foi desenvolvido em elementos finitos no programa ANSYS [61]


considerando a base dos pilares, localizados no pavimento térreo, com vinculação
de segundo gênero (apoio), restringindo-se as translações e liberando-se as
rotações nas três direções (X, Y e Z).
A Tabela 13 a seguir apresenta as dez primeiras frequências naturais da
estrutura e as Figuras 22 a 24 os respectivos modos de vibração. Observa-se que o
primeiro modo apresenta predominância dos efeitos de flexão em torno do eixo Z. O
segundo, o terceiro, o sexto e o oitavo modos apresentam predominância dos efeitos
de torção em torno do eixo Y e por fim o quarto, o quinto, o sétimo, o nono e o
décimo modo apresentam a predominância da flexão em torno do eixo Z.
62

Tabela 13 – Frequências naturais da estrutura.

Modo de Vibração Frequência (Hz)

f01 0,27

f02 0,52

f03 0,59

f04 0,80

f05 1,36

f06 1,72

f07 1,95

f08 1,99

f09 2,59

f10 3,26

(a) 1º modo de vibração (b) 2º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f01 = 0,27 Hz) Torção em torno do eixo Y (f02 = 0,52 Hz)
Figura 22 – Modos de vibração (1º e 2º).
63

(a) 3º modo de vibração (b) 4º modo de vibração


Torção em torno do eixo Y (f03 = 0,59 Hz) Flexão em torno do eixo Z (f04 = 0,80 Hz)

(c) 5º modo de vibração (d) 6º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f05 = 1,36 Hz) Torção em torno do eixo Y (f06 = 1,72 Hz)
Figura 23 – Modos de vibração (3º ao 6º).
64

(a) 7º modo de vibração (b) 8º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f07 = 1,95 Hz) Torção em torno do eixo Y (f08 = 1,99 Hz)

(c) 9º modo de vibração (d) 10º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f09 = 2,59 Hz) Flexão em torno do eixo Z (f10 = 3,26 Hz)
Figura 24 – Modos de vibração (7º ao 10º).
65

4.2 Modelo 2.

O modelo 2, assim como no modelo anterior, também foi desenvolvido no


programa ANSYS [61], considerando-se a base do pilar com vinculação de terceiro
gênero (engaste), restringindo-se os deslocamentos e as rotações nas três direções
(X, Y e Z).
A Tabela 14 abaixo apresenta as dez primeiras frequências naturais da
estrutura e as Figuras 25 a 27 os respectivos modos de vibração. Observa-se que o
primeiro modo apresenta a predominância dos efeitos de flexão em torno do eixo Z.
O segundo e o sexto modo apresentam predominância dos efeitos de torção em
torno do eixo Y, o terceiro e o oitavo apresentam flexão em torno do eixo X; e por fim
o quarto, o quinto, o sétimo o nono e o décimo modo apresentam a predominância
da flexão em torno do eixo Z.

Tabela 14 – Frequências naturais da estrutura.

Modo de Vibração Frequência (Hz)

f01 0,27

f02 0,58

f03 0,62

f04 0,81

f05 1,37

f06 1,89

f07 1,96

f08 2,16

f09 2,59

f10 3,27
66

(e) 1º modo de vibração (f) 2º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f01 = 0,27 Hz). Torção em torno do eixo Y (f02 = 0,58 Hz).

(g) 3º modo de vibração (h) 4º modo de vibração


Flexão em torno do eixo X (f03 = 0,62 Hz). Flexão em torno do eixo Z (f04 = 0,81 Hz).
Figura 25 – Modos de vibração (1º ao 4º).
67

(a) 5º modo de vibração (b) 6º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f05 = 1,37 Hz). Torção em torno do eixo Y (f06 = 1,89 Hz).

(c) 7º modo de vibração (d) 8º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f07 = 1,96 Hz). Flexão em torno do eixo X (f08 = 2,16 Hz).
Figura 26 – Modos de vibração (5º ao 8º).
68

(a) 9º modo de vibração (b) 10º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Z (f09 = 2,59 Hz). Flexão em torno do eixo Z (f10 = 3,27 Hz).
Figura 27 – Modos de vibração (9º e 10º).

4.3 Modelo 3.

O modelo 3 foi desenvolvido em elementos finitos no programa SAP 2000 [37]


e assim como no modelo 1, considerou-se a base do pilar com vinculação de
segundo gênero (apoio), restringindo-se as translações e liberando-se as rotações
nas três direções (X, Y e Z). É importante ressaltar que a orientação dos eixos
globais do modelo em SAP 2000 é distinta do modelo em ANSYS.
A Tabela 15 a seguir apresenta as dez primeiras frequências naturais da
estrutura e as Figuras 28 a 30 os respectivos modos de vibração. Observa-se que o
primeiro modo apresenta predominância dos efeitos de flexão em torno do eixo Y. O
segundo e o sexto modo apresentam predominância dos efeitos de torção em torno
do eixo Z, o terceiro e o oitavo modos apresentam flexão em torno do eixo X, e por
fim o quarto, o quinto, o sétimo, o nono e o décimo modos apresentam a
predominância da flexão em torno do eixo Y.
69

Tabela 15 – Frequências naturais da estrutura.

Modo de Vibração Frequência (Hz)

f01 0,21

f02 0,39

f03 0,49

f04 0,64

f05 1,11

f06 1,36

f07 1,61

f08 1,69

f09 2,16

f10 2,75

(a) 1º modo de vibração (b) 2º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f01 = 0,21 Hz). Torção em torno do eixo Z (f02 = 0,39 Hz).
Figura 28 – Modos de vibração (1º e 2º).
70

(a) 3º modo de vibração (b) 4º modo de vibração


Flexão em torno do eixo X (f03 = 0,49 Hz). Flexão em torno do eixo Y (f04 = 0,64 Hz).

(c) 5º modo de vibração (d) 6º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f05 = 1,11 Hz). Torção em torno do eixo Z (f06 = 1,36 Hz).
Figura 29 – Modos de vibração (3º ao 6º).
71

(a) 7º modo de vibração (b) 8º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f07 = 1,61 Hz). Flexão em torno do eixo X (f08 = 1,69 Hz).

(c) 9º modo de vibração (d) 10º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f09 = 2,16 Hz). Flexão em torno do eixo Y (f10 = 2,75 Hz).
Figura 30 – Modos de vibração (7º ao 10º).
72

4.4 Modelo 4.

O modelo 4 foi desenvolvido em elementos finitos no programa SAP 2000 [37]


e assim como no modelo 2, considerou-se a base do pilar com vinculação de terceiro
gênero (engaste), restringindo-se os deslocamentos e as rotações nas três direções
(X, Y e Z). É importante ressaltar que a orientação dos eixos globais do modelo em
SAP 2000 é distinta do modelo em ANSYS.
A Tabela 16 a seguir apresenta as dez primeiras frequências naturais da
estrutura e as Figuras 31 a 33 os respectivos modos de vibração. Observa-se que o
primeiro modo apresenta predominância dos efeitos de flexão em torno do eixo Y. O
segundo e o sexto modo apresentam predominância dos efeitos de torção em torno
do eixo Z, o terceiro e o oitavo modos apresentam predominância dos efeitos de
flexão em torno do eixo X e por fim, o quarto, o quinto, o sétimo, o nono e o décimo
modos apresentam a predominância da flexão em torno do eixo Y.

Tabela 16 – Frequências naturais da estrutura.

Modo de Vibração Frequência (Hz)

f01 0,24

f02 0,47

f03 0,57

f04 0,71

f05 1,21

f06 1,60

f07 1,74

f08 1,97

f09 2,31

f10 2,92
73

(a) 1º modo de vibração (b) 2º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f01 = 0,24 Hz). Torção em torno do eixo Z (f02 = 0,47 Hz).

(c) 3º modo de vibração (d) 4º modo de vibração


Flexão em torno do eixo X (f03 = 0,57 Hz). Flexão em torno do eixo Y (f04 = 0,71 Hz).
Figura 31 – Modos de vibração (1º ao 4º).
74

(e) 5º modo de vibração (f) 6º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f05 = 1,21 Hz). Torção em torno do eixo Z (f06 = 1,6 Hz).

(g) 7º modo de vibração (h) 8º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f07 = 1,74 Hz). Flexão em torno do eixo X (f08 = 1,97 Hz).
Figura 32 – Modos de vibração (5º ao 8º).
75

(i) 9º modo de vibração (j) 10º modo de vibração


Flexão em torno do eixo Y (f09 = 2,31 Hz). Flexão em torno do eixo Y (f10 = 2,92 Hz).
Figura 33 – Modos de vibração (9º e 10º).

4.5 Comparativo entre os modelos.

A seguir apresenta-se um breve resumo, qualitativo, dos resultados das


frequências naturais, obtidas para cada um dos quatro modelos descritos
anteriormente, conforme a Tabela 17.

Tabela 17 – Frequências em cada modelo desenvolvido.

FREQUÊNCIAS NATURAIS (Hz)


MODELO ANALISADO
f1 f2 f3 f4 f5 f6 f7 f8 f9 f10
Modelo 1 - ANSYS [61]
0,27 0,52 0,59 0,80 1,36 1,72 1,95 1,99 2,59 3,26
(Apoiado)
Modelo 2 - ANSYS [61]
0,27 0,58 0,62 0,81 1,37 1,89 1,96 2,16 2,59 3,27
(Engastado)
Modelo 3 - SAP 2000 [37]
0,21 0,39 0,49 0,64 1,11 1,36 1,61 1,69 2,16 2,75
(Apoiado)
Modelo 4 - SAP 2000 [37]
0,24 0,47 0,57 0,71 1,21 1,60 1,74 1,97 2,31 2,92
(Engastado)
76

Conforme pode ser verificado; entre os modelos, as faixas de frequências


modais atingidas são bastante próximas e demostram uma pequena colaboração da
variação das condições de apoio para base engastada ou apoiada em relação à
estrutura em estudo.

Tabela 18 – Modos de vibração em cada modelo desenvolvido.

Modelo 1 - Modelo 2 - Modelo 3 - SAP Modelo 4 - SAP


ANSYS [61] ANSYS [61] 2000 [37] 2000 [37]
Modo (Apoiado) (Engastado) (Apoiado) (Engastado)

Efeito Eixo Efeito Eixo Efeito Eixo Efeito Eixo

f1 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

f2 Torção Y Torção Y Torção Z Torção Z

f3 Torção Y Flexão X Flexão X Flexão X

f4 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

f5 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

f6 Torção Y Torção Y Torção Z Torção Z

f7 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

f8 Torção Y Flexão X Flexão X Flexão X

f9 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

f10 Flexão Z Flexão Z Flexão Y Flexão Y

Verifica-se, também que a frequência fundamental da estrutura apresenta-se


na faixa de 0,27 Hz, valor bastante baixo em comparação às estruturas usuais de
concreto. É importante ressaltar que nestes modelos não foi considerada a
colaboração da alvenaria na rigidez global.
77

5 ESTABILIDADE GLOBAL

Com o avanço da engenharia e a evolução das necessidades humanas por


espaços cada dia mais eficientes e inteligentes; a concepção estrutural tradicional
modificou-se; dando origem a novas estruturas, mais amplas, altas e esbeltas.
O aumento dos vãos a serem vencidos pelas vigas e lajes nas edificações, o
conceito de ambientes abertos e integrados resultando em cada vez menos
alvenarias; a substituição do tijolo maciço por novos materiais, como o gesso, por
exemplo, e até mesmo o posicionamento de alvenarias diretamente sobre as lajes,
entre outras práticas, contribuiu diretamente para a mudança do comportamento
global das estruturas.
Tais modificações contribuíram para a perda da colaboração de cada
elemento na rigidez estrutural, antes pesada, robusta e travada por blocos, que por
consequência destas mudanças se tornaram esbeltas e mais leves, concentrando-se
a rigidez estrutural cada vez mais no esqueleto básico: pilar, viga e laje. Com isto,
tornaram-se necessárias novas abordagens em relação à maneira de se projetar.
Entre os processos que podem auxiliar o projetista na concepção estrutural
mais adequada, por exemplo, estão os indicadores de comportamento estático
global tais como índice de esbeltez efetiva, coeficiente de rigidez efetiva global, além
de indicadores dinâmicos como a frequência fundamental e modos de vibração.
Tornou-se importante durante a realização do projeto, portanto, a verificação
mais cuidadosa da estrutura tanto através dos indicadores citados como também
através da verificação do equilíbrio estrutural pelos efeitos de primeira e segunda
ordem. Em uma análise de primeira ordem, o equilíbrio da estrutura é estudado na
configuração geométrica inicial, sem considerar deformações. Os efeitos de segunda
ordem correspondem às deformações da própria estrutura que somada às
excentricidades naturais do processo construtivo ou do próprio material, amplificam
as deformações globais. Este efeito pode ser desprezado quando representar
menos de 10% de acréscimo nas reações e solicitações da estrutura.
Neste capítulo serão apresentados os procedimentos de análise do
comportamento estrutural de edifícios utilizando os indicadores de esbeltez de corpo
rígido, rigidez efetiva global e esbeltez efetiva global.
78

5.1 Classificação do edifício quanto à esbeltez de corpo rígido.

Considerando-se as características geométricas da edificação, pode se


classifica-la em relação a sua Esbeltez de Corpo Rígido, através da relação
expressa pela equação (11) e (12) abaixo.

(11)

(12)

Onde: H é a altura da edificação e Lx e Ly são as larguras da edificação na


direção da análise conforme ilustrado na Figura 34.

Figura 34 – Desenho esquemático dos parâmetros geométricos [54].

Sua esbeltez pode ser classificada de acordo com os seguintes limites,


segundo Borges [54]:
a) Pequena esbeltez  β  4
b) Média esbeltez  4 < β  6
c) Alta esbeltez  β > 6

Para a edificação em estudo em que a altura é de 47 metros e as larguras


frontal e lateral são 31,71 e 11,72 metros, correspondentes aos valores dos
parâmetros Lx e Ly respectivamente; a esbeltez pode ser obtida conforme disposto
na Tabela 19 e comparativamente na Figura 35 a seguir.
79

Tabela 19– Relação da Esbeltez de Corpo Rígido para a estrutura em estudo.

Figura 35 – Índices de esbeltez de corpo rígido.

Os valores em ambas as direções encontram-se abaixo do limite estabelecido


(β  4 [54]). O edifício classifica-se, portanto, como sendo de pequena esbeltez.

5.2 Rigidez Efetiva Global.

O coeficiente de Rigidez Efetiva Global, associado a cada direção pode ser


calculado pela expressão (13) a seguir.

(13)

Sendo Δx,y,z os deslocamentos absolutos generalizados do topo da edificação,


provocados por aplicação de uma força unitária, conforme as orientações ilustradas
na Figura 36.
80

(a) Força em X. (b) Força em Z. (c) Momento em Y.


Figura 36 – Aplicação da força unitária [60].

Calculando-se a rigidez através da equação (13) supracitada, considerando o


deslocamento devido à força virtual unitária, para a direção longitudinal da edificação
(direção X da coordenada global adotada), direção transversal da edificação (direção
Z da coordenada global adotada) e rotacional (plano X-Z com resultante em Y da
coordenada global adotada); temos, respectivamente, os valores de Kx, Kz e Ky,
dispostos na Tabela 20.

Tabela 20– Rigidez Efetiva Global para a estrutura em estudo.

Pode-se verificar nesta análise que a rigidez transversal (Kz) da estrutura


apresenta-se inferior à rigidez longitudinal (Kx).
81

5.3 Esbeltez Efetiva Global.

Segundo o CEB [56], a esbeltez efetiva global pode ser calculada para a
estrutura de acordo com a expressão (14) a seguir.

√ (14)

Onde:
= Esbeltez Efetiva Global;
Ecs = Módulo de elasticidade secante do concreto (em N/m²);
= Deslocamento lateral do topo sob a ação de força unitária (em m);
Ap = Soma das áreas das seções transversais dos pilares (em m²);
h = Altura do edifício (em m);

Segundo o CEB [56] e Fonte [57], de acordo com o valor de , temos:


a) Podem ser desprezados os efeitos de 2ª ordem 
b) Esbeltez Moderada 
c) Esbeltez Media 
d) Esbeltez Alta 
e) Esbeltez Muito Alta 
Considerando os deslocamentos unitários, um concreto com fck de 30 MPa,
com um módulo de elasticidade secante de 2,68x107 N/m² e todos os elementos
estruturais trabalhando em regime elástico (com rigidez plena); pode-se calcular a
esbeltez através da equação (14) supracitada para a edificação conforme a Tabela
21 abaixo.

Tabela 21– Esbeltez Efetiva Global para a estrutura em estudo.

De acordo com a classificação de Fonte [57] para os valores de obtidos,


os efeitos de 2ª ordem podem então ser desprezados.
82

6 ANÁLISE ESTÁTICA

6.1 Introdução.

O principal objetivo de uma análise estática é a obtenção da resposta da


estrutura quando submetida às combinações de carregamentos estaticamente
aplicados.
Partindo-se de um modelo numérico-computacional adequadamente
desenvolvido para representar, da forma mais próxima possível, a realidade das
condições da estrutura original; submetendo este modelo aos carregamentos
estáticos, podem ser obtidos os esforços internos, reações nos apoios,
deslocamentos e até mesmo tensões dependendo de como a estrutura foi
modelada.
O concreto, material abordado neste estudo, nos permite duas abordagens
diferentes em relação ao seu comportamento: linear e elástico ou não linear e
elastoplástico. No funcionamento linear e elástico do concreto, admite-se que o
material trabalhe sob um regime de tensões inferior ao escoamento e com as
deformações, segundo a Lei de Hooke, progredindo proporcionalmente à evolução
das tensões. No funcionamento não linear e elastoplástico, admite-se a plastificação
de alguns pontos da estrutura, permitindo a redistribuição dos esforços conduzindo a
não linearidade da relação tensão-deformação ocasionada pelo próprio material
submetido à plastificação, deslocamentos excessivos ou condições de contorno.
Neste estudo, para a análise em questão, não será considerada a não
linearidade do material ou física. Considera-se, portanto, o concreto trabalhando em
regime linear e elástico, homogêneo e isotrópico.

6.2 Carregamentos.

Este capítulo apresenta o estudo dos deslocamentos e a configuração


deformada, obtidos em uma análise estática realizada para o sistema estrutural
investigado, considerando-se os seguintes carregamentos:
83

a) Peso próprio da estrutura:


Será considerado o peso dos pilares, vigas e lajes em concreto, calculados
internamente pelo programa com base na densidade do material e seções dos
elementos estruturais modelados.

b) Sobrecarga de utilização:
Considera-se uma sobrecarga de 2,0 KN/m² para carregamento vertical, em
pisos de edificações residenciais, em concordância com a NBR 6120 [50]

c) Ação do vento:
Considera-se o vento atuante na face frontal e lateral da edificação
isoladamente e simultaneamente, através do modelo de carregamento do método
simplificado da NBR 6123 [22] descrito no capítulo 1 deste estudo.

A análise estática executada para obtenção dos deslocamentos utiliza o


conceito de carregamento nodal equivalente [66] aplicado por meio do programa de
elementos finitos ANSYS [61].
O conceito de carregamento nodal equivalente [66] é bastante utilizado na
modelagem computacional utilizando o método dos elementos finitos (MEF), onde a
discretização da estrutura se apresenta através de elementos de barras. Consiste,
essencialmente, em aplicar aos nós de cada elemento os valores de forças e
momentos equivalentes ao carregamento distribuído que atuaria na peça da
estrutura real, de maneira a garantir o mesmo estado de equilíbrio e compatibilidade
de deformações do carregamento real. Utiliza-se para obtenção das forças e
momentos equivalentes, os princípios do trabalho virtual e os conceitos de equilíbrio
de energia.

6.3 Limites para deslocamentos.

A NBR 6118 [59] recomenda, em seu item 13.3, limites de deslocamentos


horizontais de edificações, provocados pela ação do vento na combinação
frequente, para o deslocamento global da estrutura e para o deslocamento entre
pavimentos, conforme ilustrado na Figura 37.
84

Figura 37 – Esquema dos deslocamentos no edifício.

Onde:
Altura total da estrutura (em metros);
Altura entre pavimentos (em metros);
Deslocamento total da estrutura (em metros);
Deslocamento relativo (para o andar i em metros);
Deslocamento relativo (para o andar superior ao i em metros).

Os limites de deslocamentos podem ser verificados, conforme a norma [59],


pelas equações (15) e (16) a seguir:

(15)

(16)

Para a edificação em estudo, podem-se determinar então os deslocamentos


máximos conforme a Tabela 22.

Tabela 22– Limites de deslocamentos para a estrutura em estudo.

Portanto, o deslocamento máximo, a ser estabelecido como restrição de


deslocamento, no topo do edifício é de 2,77 cm e entre pavimentos de 0,35 cm.
85

6.4 Casos de carregamentos e deslocamentos.

Apresentam-se a seguir, para cada caso de carregamento na edificação


estudada, os valores dos deslocamentos estáticos translacionais horizontais. Estes
deslocamentos translacionais ou laterais relacionam-se com os efeitos de flexão em
torno do eixo global horizontal X, para a face frontal ou Z para a face lateral da
estrutura.
O comportamento da estrutura foi analisado estaticamente considerando-se
as combinações de carregamentos descritas a seguir, com o objetivo de se obter os
deslocamentos máximos em cada direção analisada.
a) Caso 1: Peso próprio + Sobrecarga
b) Caso 2: Peso próprio + Sobrecarga + Vento atuando na face frontal.
c) Caso 3: Peso próprio + Sobrecarga + Vento atuando na face lateral.
d) Caso 4: Peso próprio + Sobrecarga + Vento atuando nas faces frontal e
lateral simultaneamente.

As combinações de carregamentos foram aplicadas ao modelo 2, no


programa ANSYS [61], desenvolvido através do MEF, com condição de apoio
considerada como engaste, analisado de forma estática, linear e elástica, descrito no
capítulo 4. Os deslocamentos resultantes são então comparados aos deslocamentos
máximos recomendados pela norma (2,77 cm e 0,35 cm para o deslocamento total e
entre pavimentos, respectivamente) [59]. Estes deslocamentos são medidos e
descritos em relação aos eixos estruturais caracterizados no capítulo 2.

6.4.1 Caso de carregamento 1.

A Figura 38 e a Figura 39 apresentam os deslocamentos nodais, verticais, da


estrutura ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de carregamento 1. São
combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura (vigas, pilares, lajes e
alvenaria periférica), a sobrecarga de utilização de 2 kN/m². O deslocamento obtido
será comparado ao limite de 2,77cm [59].
86

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 38 – Deslocamento devido à sobrecarga.

16
15
14
13
12
11 Eixo 1
10 Eixo 2
PAVIMENTO

9 Eixo 3
8
Eixo 7
7
Eixo 8
6
Eixo 9
5
Eixo B
4
Eixo F
3
2
1
0
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 39 - Deslocamentos em cada pavimento.


87

Tabela 23– Deslocamento por andar devido à sobrecarga (medidas em cm).

Eixos (Conforme Figura 7)


Pavimentos
1 2 3 7 8 9 B F
15 0,93 0,79 0,71 0,71 0,79 0,92 0,74 0,92
14 0,92 0,78 0,70 0,70 0,78 0,92 0,73 0,92
13 0,91 0,77 0,69 0,69 0,77 0,90 0,72 0,90
12 0,89 0,76 0,68 0,68 0,76 0,89 0,71 0,89
11 0,87 0,74 0,66 0,66 0,74 0,87 0,69 0,87
10 0,84 0,72 0,64 0,64 0,72 0,84 0,66 0,84
9 0,81 0,69 0,62 0,62 0,69 0,81 0,63 0,81
8 0,77 0,66 0,59 0,59 0,66 0,77 0,59 0,77
7 0,73 0,63 0,56 0,56 0,63 0,73 0,54 0,73
6 0,68 0,59 0,53 0,53 0,58 0,68 0,50 0,68
5 0,63 0,54 0,49 0,49 0,54 0,62 0,44 0,62
4 0,57 0,49 0,44 0,44 0,49 0,56 0,38 0,56
3 0,50 0,43 0,40 0,40 0,43 0,49 0,32 0,49
2 0,43 0,37 0,35 0,34 0,37 0,42 0,25 0,42
1 0,35 0,31 0,29 0,29 0,31 0,34 0,17 0,34
Térreo 0,27 0,24 0,23 0,21 0,14 0,00 0,09 0,00

Verifica-se um deslocamento máximo inferior a 1,0 cm, verticalmente, quando


levado em consideração as ações somente do peso próprio da estrutura, da
alvenaria e a sobrecarga de utilização.

6.4.2 Caso de carregamento 2.

A Figura 40 e a Figura 41 apresentam, respectivamente, os deslocamentos


nodais da estrutura ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de
carregamento 2. São combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura
(vigas, pilares, lajes e alvenaria periférica), a sobrecarga de utilização de 2 kN/m² e a
ação do vento atuando na face frontal da estrutura. O deslocamento obtido será
comparado ao limite de 2,77cm.
88

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 40 – Deslocamento devido ao vento frontal.

16
15
14
13
12
11
Eixo 1
10
Eixo 2
PAVIMENTO

9
Eixo 3
8
Eixo 7
7
Eixo 8
6
Eixo 9
5
Limite (2,77cm)
4
3
2
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 41 - Deslocamentos em cada pavimento.


89

Tabela 24 – Deslocamento por andar devido ao vento frontal (medidas em cm).

Eixos (Conforme Figura 7)


Pavimentos
1 2 3 7 8 9
15 2,79 2,77 2,76 2,74 2,73 2,71
14 2,66 2,65 2,63 2,61 2,60 2,59
13 2,52 2,51 2,50 2,47 2,47 2,45
12 2,37 2,36 2,35 2,32 2,31 2,30
11 2,21 2,19 2,18 2,16 2,15 2,13
10 2,03 2,01 2,00 1,98 1,97 1,95
9 1,84 1,82 1,81 1,79 1,78 1,76
8 1,63 1,62 1,61 1,58 1,58 1,56
7 1,42 1,41 1,39 1,37 1,36 1,35
6 1,20 1,19 1,18 1,15 1,15 1,13
5 0,98 0,97 0,96 0,93 0,93 0,91
4 0,76 0,75 0,74 0,72 0,71 0,69
3 0,55 0,54 0,53 0,51 0,50 0,48
2 0,35 0,34 0,33 0,31 0,31 0,29
1 0,18 0,17 0,16 0,15 0,14 0,12
Térreo 0,04 0,04 0,04 0,04 0,03 0,00

O deslocamento máximo no topo da edificação devido às forças de vento


frontais é de 2,79 cm; sendo o limite recomendado por norma de 2,77 cm. Portanto,
o deslocamento devido à ação frontal está ligeiramente acima do limite
recomendado.

6.4.3 Caso de carregamento 3.

A Figura 42 e a Figura 43 apresentam, respectivamente, os deslocamentos


nodais da estrutura ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de
carregamento 3. São combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura
(vigas, pilares, lajes e alvenaria periférica), a sobrecarga de utilização de 2 kN/m² e a
ação do vento atuando na face lateral da estrutura. O deslocamento obtido será
comparado ao limite de 2,77cm.
90

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 42 – Deslocamento devido ao vento lateral.

16
15
14
13
12
11
10
PAVIMENTO

9
Eixo B
8
Eixo F
7
6 Limite (2,77 cm)

5
4
3
2
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 43 - Deslocamentos em cada pavimento.


91

Tabela 25 - Variação do deslocamento por andar devido ao vento lateral (medidas em cm).

Eixos (Conforme Figura 7)


Pavimentos
B F
15 3,22 3,24
14 3,18 3,20
13 3,11 3,12
12 3,00 3,01
11 2,86 2,87
10 2,69 2,70
9 2,50 2,51
8 2,28 2,29
7 2,04 2,05
6 1,78 1,79
5 1,50 1,51
4 1,21 1,22
3 0,90 0,91
2 0,59 0,60
1 0,27 0,29
Térreo 0,02 0,03

O deslocamento máximo no topo da edificação devido às forças de vento


laterais é de 3,24 cm. Portanto, o deslocamento devido à ação lateral está acima do
limite de 2,77 cm.

6.4.4 Caso de carregamento 4.

A Figura 44 e a Figura 45 apresentam, respectivamente, os deslocamentos


translacionais nodais da estrutura ao longo da altura (máximos no topo), para o caso
de carregamento 4. São combinados neste carregamento o peso próprio da
estrutura (vigas, pilares, lajes e alvenaria periférica), a sobrecarga de utilização de 2
kN/m² e a ação do vento atuando na face frontal (F1 a F9) e lateral (Fb e Ff) da
estrutura simultaneamente. O deslocamento obtido será comparado ao limite de
2,77cm.
92

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 44 – Deslocamento devido ao vento frontal e lateral combinados.

16
15
14
13
12
Eixo 1
11
Eixo 2
10
Eixo 3
PAVIMENTO

9
Eixo 7
8
Eixo 8
7
Eixo 9
6
Eixo B
5
Eixo F
4
Limite (2,77 cm)
3
2
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00 3,50
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 45 - Deslocamentos em cada pavimento.


93

Tabela 26 - Deslocamento por andar devido ao vento frontal e lateral (medidas em cm).

Eixos (Conforme Figura 7)


Pavimentos
1 2 3 7 8 9 B F

15 2,74 2,74 2,74 2,74 2,75 2,75 3,23 3,24

14 2,62 2,62 2,62 2,62 2,62 2,62 3,19 3,20

13 2,48 2,48 2,48 2,48 2,48 2,48 3,11 3,12

12 2,33 2,33 2,33 2,33 2,33 2,33 3,00 3,01

11 2,17 2,17 2,17 2,16 2,16 2,16 2,86 2,87

10 1,99 1,99 1,99 1,98 1,98 1,98 2,69 2,70

9 1,81 1,80 1,80 1,79 1,79 1,78 2,49 2,51

8 1,61 1,60 1,59 1,58 1,58 1,58 2,27 2,29

7 1,40 1,39 1,38 1,37 1,37 1,36 2,03 2,05

6 1,18 1,17 1,17 1,15 1,15 1,14 1,77 1,79

5 0,97 0,96 0,95 0,93 0,93 0,92 1,49 1,51

4 0,75 0,74 0,73 0,71 0,71 0,70 1,19 1,22

3 0,54 0,53 0,52 0,50 0,50 0,49 0,89 0,91

2 0,34 0,34 0,33 0,31 0,30 0,29 0,57 0,60

1 0,17 0,17 0,16 0,15 0,14 0,12 0,26 0,28

Térreo 0,04 0,04 0,04 0,03 0,03 0,00 0,01 0,00

O deslocamento máximo no topo da edificação devido às forças de vento


frontal e lateral combinadas é de 3,2 cm na direção longitudinal e 2,8 cm na direção
transversal. Portanto, o deslocamento devido à ação combinada está acima do
limite.
Verifica-se que os valores obtidos neste caso são semelhantes aos casos 2 e
3, pois cada ação tem influência exclusivamente na direção de sua atuação devido à
simetria geométrica da estrutura.
94

6.4.5 Deslocamentos máximos.

A Tabela 27 apresenta os deslocamentos translacionais máximos, localizados


no topo do edifício, medidos nos nós periféricos para cada caso de carregamento
descrito anteriormente. O Caso de Carregamento 1 apresenta somente
deslocamento vertical pois não foi considerado, neste caso, a incidência do vento.

Tabela 27 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos.

CASO DE DESLOCAMENTOS LIMITE DE


SITUAÇÃO
CARREGAMENTO MÁXIMOS NORMA [59]

Caso 1 0,93 cm - -

Caso 2 2,90 cm Não passa

Caso 3 3,36 cm 2,77 cm Não passa

Caso 4 4,32 cm Não passa

Pode-se verificar que os deslocamentos laterais máximos foram obtidos na


direção do eixo X onde o índice de esbeltez efetiva global apresentou-se menor (27)
do que na direção Z (33). Verificou-se também que os maiores deslocamentos
devido ao vento ocorreram na direção de maior rigidez efetiva global (Kx).
Os deslocamentos entre pavimentos, para os casos de carregamento de 1 a 4
não apresentaram valores superiores ao limite [59] sendo considerados, portanto,
adequados.
Os resultados indicam a ausência de um correto contraventamento na direção
longitudinal do edifício (eixo X), onde ocorreram os maiores deslocamentos, e na
direção transversal (eixo Z) em menor proporção. Sugere um lançamento estrutural
inapropriado, onde os efeitos dos esforços horizontais não são adequadamente
absorvidos pela estrutura.
95

7 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE OTIMIZAÇÃO

7.1 Introdução.

Otimizar, por definição, significa tornar ótimo ou ideal. É extrair o melhor


rendimento possível, empregando técnicas para selecionar as melhores alternativas,
valores ou resultados para se atingir os objetivos desejados.
O termo otimização ou programação matemática está relacionado ao estudo
de problemas cujo propósito é minimizar ou maximizar uma determinada função
através da escolha sistemática dos valores de variáveis reais ou inteiras dentro de
um conjunto viável.
Em problemas de engenharia, de administração, de logística ou de outras
ciências, quando se consegue elaborar modelos matemáticos razoavelmente
representativos do problema em estudo, torna-se possível aplicar as técnicas
matemáticas de otimização para minimizar ou maximizar uma determinada função,
descritiva deste problema. Esta função, previamente definida, permite que os
modelos matemáticos forneçam uma "solução ótima", ou seja, obtendo-se o melhor
desempenho ou resultado possível dentro de limites previamente estabelecidos.
Na engenharia civil, busca-se constantemente gerar a melhor qualidade de
vida possível com os recursos e materiais disponíveis. Neste contexto a otimização
numérica representa uma ferramenta importante na tomada de decisões por um
projeto mais eficiente.
Este capítulo tem por objetivo apresentar uma análise do modelo estrutural e
computacional descritos anteriormente utilizando-se das técnicas de otimização
matemática para a otimização do projeto original, com o auxílio do programa de
elementos finitos ANSYS [61] [72].
São apresentados a seguir os conceitos básicos da otimização de projeto e
do método de primeira ordem; utilizados na ferramenta de otimização do programa.
A formulação do problema a ser estudado é apresentada, com suas devidas
simplificações.
No capítulo seguinte, aplicam-se as técnicas de otimização na ferramenta
para obter-se uma estrutura otimizada e apresentam-se os resultados e as
verificações.
96

7.2 Histórico da otimização estrutural.

Os métodos de otimização tiveram sua base fundamentada nos dias e teorias


de Newton, Lagrange e Cauchy.
Newton e Leibnitz contribuíram para o desenvolvimento dos métodos de
cálculo diferencial, fundamento básico da otimização.
Bernoulli, Euler, Lagrange e Weirstrass lançaram os fundamentos do cálculo
variacional, que lida com a minimização de funções.
Maxwell foi o primeiro a aplicar o conceito de otimização estrutural em 1872,
seguindo uma linha de pesquisa diferente da tendência da época, em que os
engenheiros se empenhavam em calcular com precisão as tensões em diversos
projetos de pontes, ele buscou um projeto de ponte com a menor quantidade de
material possível e que estivesse estruturalmente aceitável.
Três décadas depois, em 1904, Michell retomou a estratégia adotada por
Maxwell, minimizando volumes de estruturas constituídas por barras treliçadas
sujeitas a carregamentos e restrições aplicados em pontos do domínio. Os
resultados obtidos são referência até hoje na teoria da otimização e são amplamente
utilizados para validar e aferir os programas comerciais de otimização estrutural.
Anos se passaram sem evoluções significativas depois dos valiosos
resultados apresentados por Michell; até Schmit publicar o seu trabalho na década
de 60.
Um grande marco na utilização da otimização estrutural ocorreu com o
surgimento dos computadores, o desenvolvimento do método dos elementos finitos
e o uso da programação matemática na computação. Tais ferramentas permitiram a
criação de técnicas de solução de problemas de otimização.
Com o avanço destas técnicas, problemas que antes eram abordados em
soluções analíticas com derivadas de equações diferenciais, passaram a ser
modelados em elementos finitos e implementados computacionalmente para
resolução.
Na década de 70 com algoritmos para soluções não lineares, em 80 com os
primeiros programas comerciais de otimização e módulos incorporados aos
programas de elementos finitos. De 1990 até hoje, os métodos de otimização
tornaram-se mais conhecidos e disponíveis nos mais variados softwares comerciais
sendo aplicados em outras áreas além da engenharia mecânica usual.
97

7.3 Problema de otimização estrutural.

Entre as diversas atividades cotidianas de um engenheiro de projetos


encontra-se a busca por métodos e processos que melhorem o desempenho ou
gerem resultados mais eficientes.
A metodologia tradicional do projeto de estruturas ainda baseia-se muito na
experiência e conhecimento do profissional, algumas vezes utilizando-se de tentativa
e erro, sendo a eficiência do projeto dependente deste processo subjetivo e
empírico. Desta forma não se pode garantir que a melhor solução foi adotada.
A otimização estrutural utiliza-se de processos matemáticos para encontrar a
melhor solução para um conjunto de variáveis. Assim, introduzem-se métodos de
controle e modelagem matemática para obter a melhor solução utilizando
indicadores que garantem um resultado ótimo.
Segundo Santos [72] três abordagens distintas podem ser realizadas para
otimização estrutural:
a) Topológica: aperfeiçoa-se a distribuição do material, dando origem a
uma topologia nova.
b) Forma: aperfeiçoa-se a forma, alterando o contorno interno e externo
da estrutura.
c) Paramétrica: também conhecida por dimensional; aperfeiçoam-se os
parâmetros discretos mantendo-se a forma pré-determinada.

7.4 Domínio da função: viável e não viável.

A partir da determinação do problema de otimização, pode-se caracterizar o


Domínio da Função que é o espaço onde se encontra o conjunto de valores da
solução do problema.
A viabilidade da solução é determinada por uma fronteira, denominada
Restrição de Projeto, dentro da qual estão as possíveis soluções do problema em
um domínio chamado Viável e fora da qual os valores não atendem ao problema,
dito, portanto, não viável ou inviável.
98

A Figura 46 apresenta uma representação desta fronteira (h=0), que


caracteriza a viabilidade da função em um espaço de projeto bidimensional, onde
cada eixo de coordenada representa uma variável de projeto X1 e X2.

Figura 46 - Regiões de domínio viável e inviável [77].

Todo ponto no espaço é um candidato à solução. Por este motivo, há a


grande importância de uma adequada definição da fronteira entre o domínio viável e
o não viável, diretamente caracterizada pelas restrições do projeto para obter-se a
solução ótima.
A maioria dos problemas de otimização apresenta o mínimo da função na
fronteira entre os dois domínios (viável e não viável). No domínio viável todas as
restrições são atendidas e ao menos uma está ativa. No domínio não viável, uma ou
mais restrições não são atendidas.
A Figura 47 apresenta a curva da função f, que sujeita às restrições, define o
mínimo local, em uma cavidade secundária e o mínimo global em uma cavidade
mais acentuada.
De maneira geral, os problemas de otimização apresentam diversos mínimos
locais dentre os quais, algumas vezes, os algoritmos estacionam em uma dessas
cavidades.
99

Figura 47 – Mínimo local e global [77].

7.5 Otimização de projeto.

A otimização de projeto tem por objetivo a melhoria das peças estruturais,


buscando um projeto ideal, isto é, que atenda a todos os requisitos especificados,
mas com um gasto mínimo de alguns fatores, tais como peso, superfície, volume,
custos, etc.; sempre obedecendo aos limites impostos, como por exemplo, as
tensões máximas admissíveis. Em outras palavras, o projeto ideal ou ótimo, é
geralmente aquele que é tão eficaz quanto for possível.
Este estudo aborda especificamente o campo de aplicação da engenharia civil
estrutural, em que corriqueiramente faz-se necessário reduzir as dimensões das
peças sem que sejam violadas as normas e limites de segurança pré-estabelecidos,
objetivando a redução do consumo de matéria prima (e custos de produção
indiretamente) sem que haja detrimento da qualidade e da segurança.
O programa ANSYS [72] permite que praticamente todos os tipos de
elementos sejam otimizados de alguma forma, contanto que possam ser expressos
em forma de parâmetros.
100

7.6 Variáveis de projeto.

Variáveis de projetos são grandezas cujos valores numéricos definem um


projeto. Em otimização são os parâmetros a serem variados para obtenção de um
projeto ótimo. Estes parâmetros devem ser escolhidos cuidadosamente para que se
obtenha êxito na otimização.
As variáveis podem ser descritas sob a forma de um vetor (X) conforme a
equação (17).

(17)

Recomenda-se utilizar sempre o menor número possível de variáveis para


descrever a estrutura a ser otimizada. No programa ANSYS [61] recomenda-se não
ultrapassar o limite de 20 variáveis afim de garantir o bom funcionamento da
ferramenta.
As variáveis de projeto podem ser classificadas como discretas (limitadas a
valores específicos e isolados) ou como contínuas (assumindo qualquer valor do
domínio). Processos de otimização envolvendo variáveis discretas são mais
complexos de serem resolvidos e modelados do que os de variáveis contínuas. O
modelo utilizado na otimização deste estudo considera variáveis contínuas.

7.7 Restrições de projeto.

Restrições de projeto são limitações impostas ao problema que determinam o


espaço de domínio da otimização; ou seja, representam limites para a busca da
solução ótima, viável e exequível.
As restrições dependem das variáveis escolhidas e podem ser orientadas
pelas normas técnicas, propriedades dos materiais, limitações geométricas e
arquitetônicas, entre outras; de acordo com os critérios estabelecidos para o projeto.
As restrições são classificadas como laterais, de igualdade e de
desigualdade, descritas a seguir. Também podem ser classificadas como locais
(deslocamento) por serem impostas em pontos discretos da estrutura e globais
(frequência natural).
101

Recomenda-se evitar um número grande de restrições no problema de


otimização, pois representaria um consumo computacional elevado dentro do
processo.

7.7.1 Restrição lateral.

A restrição lateral, aplicada nesta dissertação, apresenta o limite superior e


inferior para os valores das variáveis do projeto. Delimita a fronteira dentro da qual
se encontram os possíveis valores da solução ótima.
Considerando o conjunto de variáveis paramétricas deste problema, a
restrição lateral pode ser descrita segundo a equação (18) abaixo.

(18)

Onde:
= Possíveis soluções para o problema;
= Restrição inferior definida pelo dimensionamento estrutural;
= Restrição superior definida pelas limitações geométricas e arquitetônicas.

7.7.2 Restrição de desigualdade.

As restrições de desigualdade são utilizadas para restringir valores em pontos


específicos, por exemplo, tensão ou deslocamento.
Uma restrição de desigualdade pode ser descrita por uma equação do tipo:

(19)

Onde gj(x) é a função de restrição.

7.7.3 Restrição de igualdade.

As restrições de igualdade representam as equações de equilíbrio, por


exemplo, em que a estrutura deverá satisfazer através das variáveis de projeto.
102

Uma restrição de igualdade pode ser descrita por uma equação do tipo:

(20)

Onde hk(x) é a função de restrição.

7.7.4 Limitação normativa.

Conforme determinação da norma NBR 6118 [59] (item 13.2.3.) a seção


transversal dos pilares não deve ser inferior a 19 cm e caso seja, faz-se necessário
considerar o coeficiente adicional, conforme tabela 13.1 da referida norma,
majorando os esforços solicitantes finais de cálculo.

Tabela 28 – Valores do coeficiente adicional para pilares e pilares-parede

(NBR 6118 [59] – Tabela 13.1).

b
≥ 19 18 17 16 15 14
(cm)

n 1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25

Onde
n = 1,95-0,05 b;
b é a menor dimensão da seção transversal, expressa em centímetros (cm).
NOTA: O coeficiente n deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo
quando de seu dimensionamento.

No projeto original a largura adotada para os pilares foi de 18 cm sendo


necessária a majoração de esforços pelo coeficiente 1,05 (não temos a informação
se este parâmetro foi atendido no projeto original); sendo assim, adotou-se a largura
mínima de norma de 19 cm para que não seja necessária esta majoração.
103

7.7.5 Limitação arquitetônica e geométrica.

Os valores limites também devem ser fundamentados nos limites impostos


pela arquitetura, desde que não ofereçam risco à estrutura ou violação de normas
pertinentes. Para valores de larguras de vigas, por exemplo, objetiva-se durante a
fase de projeto, dimensioná-la de maneira a obter uma largura próxima da largura da
alvenaria de fechamento para que desta forma, a viga não fique visível.
Para determinação das alturas de vigas devemos considerar também as
alvenarias com janelas, uma vez que a altura do peitoril e da janela combinados
tenham aproximadamente 1,90 metros de altura, a viga para um pé direito de 2,94
metros, como o deste estudo, não poderá apresentar altura superior a 1,04 metros.
Em um caso mais extremo em que se necessite de mais altura de viga, pode-
se considerar sua altura parcialmente invertida, ou seja, parte estará posicionada no
andar de cima.
Podemos formular estas limitações, portanto, de acordo com a equação (21) a
ser aplicada para as vigas internas, limitadas pelas alturas das portas e para as
vigas periféricas, limitadas pelas alturas das esquadrias, resultando nas dimensões
dispostas na Tabela 29.

(21)

Tabela 29– Limites das alturas das vigas para a estrutura em estudo.

Os pilares de edifícios altos dificilmente são limitados à largura da alvenaria,


para que fiquem embutidos, uma vez que suas dimensões mínimas necessárias
frequentemente ultrapassam estes limites. Opta-se então, nestes casos, por
posicioná-los nos cantos ou nos encontros das alvenarias e compartimentações
internas para que sua posição fique a mais discreta possível.
104

7.7.6 Restrições global e lateral local adotada para este estudo.

Baseando-se nas limitações de norma, arquitetônicas e no dimensionamento


do projeto original, podemos estabelecer os valores limitantes das medidas de base
(B) e altura (H) das vigas e de larguras dos pilares (L e E), tomando como valores
mínimos os de projeto sempre que possível. A seguir, são listados na Tabela 30 os
valores dos limites superiores e inferiores das variáveis para as vigas, bem como a
tolerância considerada na otimização e na Tabela 31 os valores dos limites
superiores e inferiores das variáveis para os pilares, além da tolerância adotada.

Tabela 30 – Limites das variáveis de projeto para as vigas.

RESTRIÇÕES DE PROJETO
VARIÁVEIS (m) TOLERÂNCIA
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,02
H1 1,20 1,90 0,02
B2 0,18 0,30 0,02
H2 0,40 1,90 0,02
B3 0,18 0,30 0,02
H3 0,50 0,80 0,02
B4 0,11 0,30 0,02
H4 0,40 0,80 0,02
B5 0,11 0,30 0,02
H5 0,50 0,80 0,02
B6 0,16 0,30 0,02
H6 0,50 0,80 0,02
Tabela 31 – Limites das variáveis de projeto para os pilares.

RESTRIÇÕES DE PROJETO
VARIÁVEIS (m) TOLERÂNCIA
Mínimo Máximo
L8 1,50 3,00 0,02
E8 0,19 0,50 0,02
E9 0,19 0,50 0,02
L10 1,00 1,59 0,02
E10 0,19 0,50 0,02
L11 0,80 1,59 0,02
E11 0,19 0,50 0,02
105

A Tabela 32 apresenta os valores do projeto original que foram fixados, como


constantes, por não contribuírem no processo de otimização devido à localização do
elemento estrutural e os limites geométricos impostos pela arquitetura.

Tabela 32 – Dimensões fixadas.

VALOR FIXO
VARIÁVEIS
(m)
B7 0,10
H7 0,30
L9 2,46

A restrição global estabelecida para este modelo é a frequência fundamental


mínima de 1,0 Hz. O objetivo desta restrição é limitar a ferramenta de otimização
fazendo com que a busca de valores ideais para as variáveis de projeto permitam
que a frequência natural da estrutura se aproxime ao máximo deste valor.

7.8 Função objetivo.

A função objetivo é uma função das variáveis do projeto, sendo aplicada na


análise como ferramenta para se medir sua eficiência.
Neste estudo, a função objetivo estabelecida possui o propósito de reduzir o
volume; com a redução do consumo de matéria prima e de forma indireta do custo
de execução da estrutura, através da redução das áreas seccionais dos elementos
estruturais de vigas e pilares. A equação (22) a seguir, apresenta uma formulação
para a função objetivo.

∑ ∑ (22)

Onde:
= Função objetivo;
v e p = Contadores das seções de vigas e pilares da estrutura por pavimento;
B e H = Variáveis base e altura da seção transversal das “v” vigas da estrutura;
L e E = Variáveis largura e espessura da seção transversal dos “p” pilares da
estrutura.
106

7.9 Formulação do problema de otimização.

Um problema de otimização pode ser formulado basicamente minimizando ou


maximizando a Função Objetivo, a qual dependente de parâmetros que são
alterados durante o processo de otimização, chamados de Variáveis de Projeto.
A viabilidade do projeto geralmente está condicionada a alguma Restrição de
Projeto, mais comumente de origem física, financeira e normativa, entre outras.
Maiores detalhes sobre estes conceitos podem sem encontrados nos
trabalhos de Arora [78]
O problema de otimização de uma estrutura sujeito a restrições pode ser
descrito pela expressão (23) a seguir
Minimizar
(23)
Sujeito a {

Onde:
x = Vetor das variáveis de projeto;
f(x) = Função a ser maximizada ou minimizada;
= Funções das restrições de desigualdade impostas ao problema;
= Funções das restrições de igualdade impostas ao problema.
Propõe-se minimizar o volume, através da variação das seções de vigas e
pilares, de maneira a garantir as seções mínimas de dimensionamento e as
restrições de norma [59], quanto aos deslocamentos, além de elevar a frequência
natural da estrutura originalmente projetada.
A equação (23) pode então ser reescrita para o problema em estudo
conforme a equação (24) abaixo.
Minimizar
(24)
Sujeito a {

Onde:
x Vetor que contém as variáveis de projeto;
f(x) Função a ser maximizada ou minimizada;
Limite inferior (Dimensionamento e normas - Tabela 30 e Tabela 31);
Limite Superior (Geometria e arquitetura - Tabela 30 e Tabela 31);
Restrição Global (Frequência fundamental de 1,0 Hz ou superior).
107

7.10 Algoritmo utilizado para a otimização estrutural em estudo.

O processo de otimização realizado neste estudo utiliza o algoritmo do


método de primeira ordem disponível no módulo de otimização de projeto do ANSYS
[61]. Maiores detalhes sobre o método de primeira ordem e o de subproblemas
podem ser encontrados na dissertação de mestrado de Santos [73].
A programação matemática aplicada à otimização objetiva minimizar ou
maximizar a função objetivo. Os problemas podem ser de natureza linear ou não
linear.
A primeira etapa objetiva modelar o problema através da definição das
variáveis e restrições do projeto e a função a ser matematicamente maximizada ou
minimizada.
Com os valores iniciais das variáveis devidamente definidos, o projeto inicial
0
(X ) é gerado. Partindo-se deste projeto, inicia-se o processo de otimização com o
cálculo da função objetivo e verificação das restrições em loops até que o projeto
apresente convergência para um valor mínimo ou máximo atendendo aos critérios
pré-estabelecidos dentro de limites de tolerância definidos.
Utiliza-se, então, para os loops de iterações, uma equação recursiva na forma
da equação (25).

(25)

Onde:
Xk = configuração de iteração;
Xk+1 = próxima configuração do projeto;
t = tamanho do passo na direção;
dk = direção de busca na iteração.

A Figura 48 apresenta um fluxograma simplificado do processo iterativo de


otimização estrutural realizado neste estudo no programa ANSYS [72].
108

Modelagem do Problema

Definir:
Variáveis de Projeto
Restrições de Projeto
Função Objetivo

K K+1

Coleta de dados

Definição do Projeto Inicial (X0)

Análise do Projeto

Cálculo das funções e restrições (Xk)

Verificação dos indicadores


Projeto Ótimo?

NÃO SIM
Modificação do Fim do processo.
Projeto Atingido o projeto
XK Xk+1 Ótimo

Figura 48 – Fluxograma do algoritmo para um Projeto Ótimo.


109

8 RESULTADOS DA OTIMIZAÇÃO ESTRUTURAL

Para realização da otimização estrutural, inicialmente, foram realizados testes


de sensibilidade no modelo previamente elaborado em elementos finitos no ANSYS
[61]. O objetivo destes testes é o de determinar a sensibilidade da estrutura em
relação à variação das seções transversais dos seus elementos estruturais (vigas e
pilares). Desta forma é possível determinar quais seções mais contribuem, quando
variadas, para a modificação do comportamento avaliado, neste caso, a frequência
natural.
A partir do resultado destes testes, as seções de maior contribuição podem
então ser transformadas nas variáveis do projeto, que maximizadas de acordo com
as restrições laterais estabelecidas, dão origem à estrutura na qual será aplicada a
ferramenta de otimização, chamada neste estudo, de estrutura “não otimizada”.
O objetivo das otimizações deste estudo fundamenta-se na minimização do
volume de concreto da estrutura, através da redução das seções transversais,
reduzindo seu custo de forma indireta, com imposição de restrições de projeto e
avaliação de comportamento global, dinâmico (frequências naturais) e
deslocamentos de topo e entre pavimentos.

8.1 Características, critérios e parâmetros adotados.

Utilizou-se para a otimização estrutural o modelo 2 descrito no capítulo 4, em


elementos finitos, no ANSYS [61], com as condições de apoio da fundação de
terceiro gênero (engaste), e as principais características descritas a seguir:
a) 47 metros de altura com 11,92 por 31,71 metros de projeção em planta;
b) Modelagem na ferramenta de otimização de projeto do ANSYS [61];
c) Utilizados elementos finitos de barras e casca;
d) Realização de análise modal para caracterização do comportamento
dinâmico;
e) Realização de análise estática linear elástica para verificação dos
deslocamentos máximos
110

No projeto original, foram estabelecidos como valores para as dimensões de


pilares e vigas, de acordo com o dimensionamento estrutural, os dispostos na
Tabela 33 a seguir.
Para iniciar o processo de otimização foram adotados valores para as
variáveis com base nas restrições de projeto (dimensionamento e tensões) e
arquitetônica (uso e conforto humano) para as seções transversais das vigas e
pilares, gerando uma estrutura não otimizada a ser matematicamente melhorada até
alcançar valores otimizados. Estes valores baseiam-se também em uma análise de
sensibilidade executada preliminarmente.

Tabela 33 – Valores do projeto original para as vigas e pilares.

Elemento estrutural Variáveis (m)

V1 e V12 B1 = 0,11 H1 = 1,20

V13 e V21 B2= 0,18 H2 = 0,40

V14, V15, V16, V18, V19 e V20 B3 = 0,18 H3 = 0,50


VIGAS

V2, V4, V8 e V11 B4 = 0,11 H4 = 0,40

V3, V9, V5 e V10 B5 = 0,11 H5 = 0,50

V6 e V7 B6 = 0,16 H6 = 0,50

V17 B7 = 0,10 H7 = 0,30

P1aP3, P6aP8, P11aP13 e P16aP18 L8 = 1,50 E8 = 0,18


PILARES

P4 e P5 L9 = 2,46 E9 = 0,14

P9 e P10 L10 = 1,00 E10 = 0,18

P14 e P15 L11 = 0,80 E11 = 0,18

FREQUÊNCIA NATURAL 0,27 Hz

ÁREA SECCIONAL TOTAL DE 1 PAVIMENTO TIPO 6,11 m²

Esta etapa não necessita de maior preocupação com exatidão para os valores
das variáveis uma vez que o programa tenderá as melhores seções para a função
objetivo determinada.
111

8.2 Descrição da análise de sensibilidade.

O objetivo da análise de sensibilidade desenvolvida neste estudo é verificar o


comportamento da estrutura diante da variação de determinados parâmetros além
do impacto desta variação sobre o seu comportamento. Desta forma, podem-se
identificar quais parâmetros possuem maior ou menor contribuição na alteração das
características da edificação e assim priorizar as modificações das variáveis mais
convenientes ao resultado que se deseja obter na otimização.
Como abordagem inicial desta análise, foram adotados 3 grupos principais de
parâmetros: lajes, pilares e vigas. Com o auxilio da programação da ferramenta de
otimização do ANSYS foi estabelecida a variação dos parâmetros exclusivamente
dentro de cada grupo e mantido constantes os demais; ou seja, em um primeiro
modelo permitindo-se a variação dos parâmetros relativos às vigas e mantidos os
valores dos parâmetros das lajes e colunas constantes; em um segundo modelo
permitindo-se a variação dos parâmetros relativos às colunas e mantidos os valores
das vigas e lajes constantes e em um terceiro modelo, variando-se os parâmetros
relativos às lajes e mantidos constantes os parâmetros relativos às vigas e colunas.
Assim, pôde-se identificar qual grupo apresentou maior colaboração na modificação
do comportamento do edifício em relação às frequências naturais e aos modos de
vibração.
Uma segunda etapa de análise foi realizada variando-se individualmente cada
conjunto de parâmetros relativos a cada elemento estrutural do modelo, dentro de
cada grupo (pilares, vigas ou lajes). Desta forma identificam-se quais elementos de
pilares, vigas ou panos de lajes representam, quando potencializados, maior
contribuição para a melhoria do desempenho da estrutura.
Na terceira etapa, com base nos resultados das etapas anteriores
estabeleceram-se quais parâmetros poderiam ser potencializados para se obter
ainda de forma não otimizada o melhor desempenho da estrutura variando-se os
parâmetros convenientemente.
Os conhecimentos de engenharia e a experiência em elaboração de projetos
em combinação às técnicas de análise descritas anteriormente, de forma
simplificada, são favoráveis neste caso à obtenção de uma estrutura potencializada,
ideal para aplicação no processo de otimização estrutural. O resultado desta
combinação é apresentado a seguir.
112

8.3 Resultados Obtidos.

Apresentam-se a seguir os resultados das diversas simulações da ferramenta


de otimização. Os valores que extrapolam as restrições estabelecidas serão
marcados com a cor amarela, nas tabelas, para facilitar sua identificação.

8.3.1 Análise de sensibilidade.

Como resultado da análise de sensibilidade, realizada sobre a estrutura


original do projeto, obtivemos a geometria de uma estrutura de dimensões maiores,
não otimizada, com suas variáveis descritas na Tabela 34.

Tabela 34 – Valores após analise de sensibilidade para as vigas e pilares.

Elemento estrutural Variáveis (m)

V1 e V12 B1 = 0,30 H1 = 1,80

V13 e V21 B2= 0,30 H2 = 1,80

V14, V15, V16, V18, V19 e V20 B3 = 0,30 H3 = 0,80


VIGAS

V2, V4, V8 e V11 B4 = 0,30 H4 = 0,80

V3, V9, V5 e V10 B5 = 0,30 H5 = 0,80

V6 e V7 B6 = 0,30 H6 = 0,80

V17 B7 = 0,10 H7 = 0,30

P1aP3, P6aP8, P11aP13 e P16aP18 L8 = 3,00 E8 = 0,40


PILARES

P4 e P5 L9 = 2,46 E9 = 0,40

P9 e P10 L10 = 1,50 E10 = 0,40

P14 e P15 L11 = 1,50 E11 = 0,40

FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL 0,58 Hz

ÁREA SECCIONAL TOTAL DE 1 PAVIMENTO TIPO 24,80 m³/m

Na geração da estrutura não otimizada, buscou-se de forma semi-empírica,


aumentar a rigidez da estrutura e consequentemente sua frequência fundamental,
113

sem maiores preocupações com dimensões ótimas, apenas respeitando-se as


limitações oriundas do dimensionamento do projeto original e da arquitetura
estabelecida.
A Tabela 35 apresenta as frequências naturais da estrutura não otimizada;
resultado da análise de sensibilidade. Verifica-se que a frequência fundamental
passou a ser de 0,58 Hz.

Tabela 35 – Frequências naturais da estrutura não otimizada.

Modo de Vibração Frequência (Hz)

f01 0,58

f02 0,99

f03 1,27

f04 1,78

f05 3,10

f06 3,58

f07 4,36

f08 4,49

f09 5,99

f10 7,60

A partir desta estrutura, uma segunda etapa de otimizações pode ser


realizada, buscando-se obter as dimensões ótimas dentro do espaço viável da
função de otimização.

8.3.2 Otimização 1.

A Figura 49 apresenta os gráficos das variações dos parâmetros frequência


fundamental, áreas seccionais de vigas e pilares e a área seccional total; no decorrer
das iterações. A Tabela 36 apresenta um comparativo entre a estrutura não
otimizada e a estrutura resultante da otimização 1, para a frequência fundamental e
a área seccional total; bem como o percentual de redução destes parâmetros.
114

Área Seccional

Frequência

(a) Variação da área seccional total em (b) Variação da frequência x área


cada iteração. seccional total em cada iteração.

Total
Pilar
Viga

(c) Variação da frequência fundamental (d) Variação das áreas seccionais das
em cada iteração. vigas, dos pilares e total em cada
iteração.
Figura 49 – Variação dos parâmetros nas iterações.

Tabela 36 – Melhor resultado da otimização.

NÃO
PARÂMETRO OTIMIZADA REDUÇÃO
OTIMIZADA

Frequência fundamental 1,43 Hz 0,66 Hz 53,85 %

Área seccional total 85,50 m² 23,88 m² 72,07 %

Domínio Viável? NÃO NÃO


115

A Tabela 37 apresenta os valores resultantes da otimização 1, para as


variáveis do projeto, bem como as restrições estabelecidas.

Tabela 37 – Variáveis de projeto para as vigas.

Restrição
Elemento Variável Otimizada
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,11
H1 1,20 1,90 2,00
B2 0,18 0,30 0,35
H2 0,40 1,90 2,00
B3 0,18 0,30 0,35
VIGAS

H3 0,50 0,80 0,80


B4 0,11 0,30 0,18
H4 0,40 0,80 0,79
B5 0,11 0,30 0,35
H5 0,50 0,80 0,79
B6 0,16 0,30 0,16
H6 0,50 0,80 0,78
L8 1,50 3,00 1,80
E8 0,19 0,50 0,55
PILARES

E9 0,19 0,50 0,36


L10 1,00 1,59 1,45
E10 0,19 0,50 0,55
L11 0,8 1,59 1,27
E11 0,19 0,50 0,54

Esta otimização apresentou diversas variáveis acima do limite máximo


estabelecido (marcadas com a cor amarela), classificando o resultado como não
viável, conforme a Tabela 36, indicando a necessidade de aumentar ainda mais as
dimensões da estrutura para garantir a restrição imposta.

8.3.3 Otimização 2.

A Figura 50 apresenta os gráficos das variações dos parâmetros frequência


fundamental, áreas seccionais de vigas e pilares e a área seccional total; no decorrer
das iterações. A Tabela 38 apresenta um comparativo entre a estrutura não
116

otimizada e a estrutura resultante da otimização 2, para a frequência fundamental e


a área seccional total; bem como o percentual de redução destes parâmetros.

Área Seccional

Frequência

(a) Variação da área seccional total em (b) Variação da frequência x área


cada iteração. seccional total em cada iteração.

Total
Pilar
Viga

(c) Variação da frequência fundamental (d) Variação das áreas seccionais das
em cada iteração. vigas, dos pilares e total em cada
iteração.
Figura 50 – Variação dos parâmetros nas iterações.

Tabela 38 – Melhor resultado da otimização.

NÃO
PARÂMETRO OTIMIZADA REDUÇÃO
OTIMIZADA

Frequência fundamental 1,43 Hz 0,66 Hz 53,85 %

Área seccional total 85,50 m² 22,97 m² 73,13 %

Domínio Viável? NÃO NÃO -


117

A Tabela 39 apresenta os valores resultantes da otimização 2, para as


variáveis do projeto, bem como as restrições estabelecidas.

Tabela 39 – Variáveis de projeto para as vigas.

Restrição
Elemento Variável Otimizada
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,11
H1 1,20 1,90 2,00
B2 0,18 0,30 0,35
H2 0,40 1,90 2,00
B3 0,18 0,30 0,35
VIGAS

H3 0,50 0,80 0,80


B4 0,11 0,30 0,18
H4 0,40 0,80 0,79
B5 0,11 0,30 0,35
H5 0,50 0,80 0,79
B6 0,16 0,30 0,16
H6 0,50 0,80 0,78
L8 1,50 3,00 1,80
E8 0,19 0,50 0,55
PILARES

E9 0,19 0,50 0,34


L10 1,00 1,59 1,00
E10 0,19 0,50 0,53
L11 0,8 1,59 1,03
E11 0,19 0,50 0,54

Os resultados desta otimização ratificam a inviabilidade (Tabela 38) de uma


estrutura não otimizada, inicializada fora dos limites laterais das variáveis.

8.3.4 Otimização 3.

A Figura 51 apresenta os gráficos das variações dos parâmetros frequência


fundamental, áreas seccionais de vigas e pilares e a área seccional total; no decorrer
das iterações. A Tabela 40 apresenta um comparativo entre a estrutura não
otimizada e a estrutura resultante da otimização 3, para a frequência fundamental e
a área seccional total; bem como o percentual de redução destes parâmetros.
118

(a) Variação da área seccional total em (b) Variação da frequência x área


cada iteração. seccional total em cada iteração.

Total

Pilar

Viga

(c) Variação da frequência fundamental (d) Variação das áreas seccionais das
em cada iteração. vigas, dos pilares e total em cada
iteração.
Figura 51 – Variação dos parâmetros nas iterações.

Tabela 40 – Melhor resultado da otimização.

NÃO
PARÂMETRO OTIMIZADA REDUÇÃO
OTIMIZADA

Frequência fundamental 0,88 Hz 0,54 Hz 38,64 %

Área seccional total 36,20 m² 27,06 m² 25,25 %

Domínio Viável? NÃO NÃO -

A Tabela 41 apresenta os valores resultantes da otimização 3, para as


variáveis do projeto, bem como as restrições estabelecidas.
119

Tabela 41 – Variáveis de projeto para as vigas.

Restrição
Elemento Variável Otimizada
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,29
H1 1,20 1,90 1,88
B2 0,18 0,30 0,30
H2 0,40 1,90 2,00
B3 0,18 0,30 0,30
VIGAS

H3 0,50 0,80 0,58


B4 0,11 0,30 0,30
H4 0,40 0,80 0,43
B5 0,11 0,30 0,30
H5 0,50 0,80 0,52
B6 0,16 0,30 0,30
H6 0,50 0,80 0,50
L8 1,50 3,00 3,00
E8 0,19 0,50 0,50
PILARES

E9 0,19 0,50 0,40


L10 1,00 1,59 1,50
E10 0,19 0,50 0,40
L11 0,8 1,59 1,50
E11 0,19 0,50 0,40

Verifica-se que somente uma variável (H2) extrapolou o limite máximo


imposto, por uma diferença pequena, o que indica uma possível proximidade da
solução otimizada, apesar de classificada como não viável conforme a Tabela 40.

8.3.5 Otimização 4.

A Figura 52 apresenta os gráficos das variações dos parâmetros frequência


fundamental, áreas seccionais de vigas e pilares e a área seccional total; no decorrer
das iterações. A Tabela 42 apresenta um comparativo entre a estrutura não
otimizada e a estrutura resultante da otimização 4, para a frequência fundamental e
a área seccional total; bem como o percentual de redução destes parâmetros.
120

(a) Variação da área seccional total em (b) Variação da frequência x área


cada iteração. seccional total em cada iteração.

Total
Pilar
Viga

(c) Variação da frequência fundamental (d) Variação das áreas seccionais das
em cada iteração. vigas, dos pilares e total em cada
iteração.
Figura 52 – Variação dos parâmetros nas iterações.

Tabela 42 – Melhor resultado da otimização.

NÃO
PARÂMETRO OTIMIZADA REDUÇÃO
OTIMIZADA

Frequência fundamental 0,58 Hz 0,30 Hz 48,28 %

Área seccional total 24,80 m² 6,69 m² 73,02 %

Domínio Viável? SIM SIM -

A Tabela 43 apresenta os valores resultantes da otimização 4, para as


variáveis do projeto, bem como as restrições estabelecidas.
121

Tabela 43 – Variáveis de projeto para as vigas.

Restrição
Elemento Variável Otimizada
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,11
H1 0,18 0,3 0,19
B2 0,18 0,30 0,20
H2 0,11 0,30 0,13
B3 0,11 0,30 0,11
VIGAS

H3 0,16 0,30 0,16


B4 1,20 1,90 1,20
H4 0,40 1,90 0,40
B5 0,50 0,80 0,52
H5 0,40 0,80 0,41
B6 0,50 0,80 0,50
H6 0,50 0,80 0,50
L8 1,50 3,00 1,50
E8 1,00 1,59 1,00
PILARES

E9 0,80 1,59 0,80


L10 0,19 0,50 0,19
E10 0,19 0,50 0,19
L11 0,19 0,50 0,19
E11 0,19 0,50 0,19

Os resultados obtidos apresentaram-se dentro dos limites da função (domínio


viável conforme a Tabela 42), com restrição inferior de frequência reduzida para 0,30
Hz e atendida. Recomenda-se neste caso, realizar um teste com frequência limite
mais próxima da inicial como restrição (0,58 Hz).

8.3.6 Otimização 5.

A Figura 53 apresenta os gráficos das variações dos parâmetros frequência


fundamental, áreas seccionais de vigas e pilares e a área seccional total; no decorrer
das iterações. A Tabela 44 apresenta um comparativo entre a estrutura não
otimizada e a estrutura resultante da otimização 5, para a frequência fundamental e
a área seccional total; bem como o percentual de redução destes parâmetros.
122

(a) Variação da área seccional total em (b) Variação da frequência x área


cada iteração. seccional total em cada iteração.

Total

Pilar
Viga

(c) Variação da frequência fundamental (d) Variação das áreas seccionais das
em cada iteração. vigas, dos pilares e total em cada
iteração.
Figura 53 – Variação dos parâmetros nas iterações.

Tabela 44 – Melhor resultado da otimização.

NÃO
PARÂMETRO OTIMIZADA REDUÇÃO
OTIMIZADA

Frequência fundamental 0,58 Hz 0,53 Hz 8,62 %

Área seccional total 24,80 m² 12,69 m² 48,83 %

Domínio Viável? SIM SIM -


123

A Tabela 45 apresenta os valores resultantes da otimização 5, para as


variáveis do projeto, bem como as restrições estabelecidas.

Tabela 45 – Variáveis de projeto para as vigas.

Restrição
Elemento Variável Otimizada
Mínimo Máximo
B1 0,11 0,30 0,12
H1 1,20 1,90 1,47
B2 0,18 0,3 0,25
H2 0,40 1,90 1,76
B3 0,18 0,30 0,30
VIGAS

H3 0,50 0,80 0,80


B4 0,11 0,30 0,21
H4 0,40 0,80 0,76
B5 0,11 0,30 0,17
H5 0,50 0,80 0,76
B6 0,16 0,30 0,25
H6 0,50 0,80 0,73
L8 1,50 3,00 1,50
E8 0,19 0,50 0,33
E9 0,19 0,50 0,19
PILARES

L10 1,00 1,59 1,27


E10 0,19 0,50 0,38
L11 0,8 1,59 1,12
E11 0,19 0,50 0,26

Verifica-se nesta otimização que as variáveis resultantes encontram-se no


espaço viável, conforme a Tabela 44, com pequena redução da frequência quando
comparada a grande redução de volume. A frequência otimizada atendeu à restrição
imposta em 0,53 Hz. Podendo este valor ser considerado otimizado dentro dos
limites estabelecidos.
124

8.3.7 Análise comparativa.

A Tabela 46 apresenta um comparativo entre as frequências fundamentais da


estrutura original (projetada) com a estrutura não otimizada (resultado da análise de
sensibilidade) e a estrutura otimizada (resultado da otimização 5).

Tabela 46 – Frequências naturais da estrutura.

Frequências naturais (Hz)


Modo de
Vibração
Estrutura original Estrutura não otimizada Estrutura otimizada

f01 0,27 0,58 0,53

f02 0,58 0,99 0,90

f03 0,62 1,27 1,06

f04 0,81 1,78 1,62

f05 1,37 3,10 2,77

f06 1,89 3,58 3,15

f07 1,96 4,36 3,74

f08 2,16 4,49 3,95

f09 2,59 5,99 5,17

f10 3,27 7,60 6,39

A Tabela 47 apresenta uma comparação entre os valores originais da


estrutura projetada, da estrutura não otimizada e dos valores obtidos na otimização;
além dos valores das restrições laterais impostas.
Uma comparação das áreas das seções transversais de cada elemento
estrutural, a área seccional total para um pavimento tipo e a frequência fundamental,
é apresentada na Tabela 48.
Verifica-se uma redução de 48,8 % da área seccional total ou volume total,
pois os comprimentos dos elementos estruturais são constantes. Houve também
uma redução de 8,6 % da frequência após a otimização.
Considera-se, portanto, que a otimização proporcionou uma redução
considerável da área seccional total em comparação a estrutura não otimizada com
125

pouca redução da frequência fundamental da estrutura. Em relação à estrutura


original a otimização possibilitou que o aumento de seção dos elementos fosse o
menor possível para permitir a estabilização da frequência fundamental dentro da
faixa estabelecida.

Tabela 47 – Comparativo das variáveis da estrutura original, não otimizada e otimizada.

RESTRIÇÕES DE VARIÁVEIS DE PROJETO


PROJETO (m)
VARIÁVEIS (m)
Não
Mínimo Máximo Original Otimizada
Otimizada
B1 0,11 0,30 0,11 0,30 0,12
H1 1,20 1,90 1,20 1,80 1,47
B2 0,18 0,3 0,18 0,30 0,25
H2 0,40 1,90 0,40 1,80 1,76
B3 0,18 0,30 0,18 0,30 0,30
H3 0,50 0,80 0,50 0,80 0,80
B4 0,11 0,30 0,11 0,30 0,21
H4 0,40 0,80 0,40 0,80 0,76
B5 0,11 0,30 0,11 0,30 0,17
H5 0,50 0,80 0,50 0,80 0,76
B6 0,16 0,30 0,16 0,30 0,25
H6 0,50 0,80 0,50 0,80 0,73
B7 FIXO 0,10 0,10 0,10
H7 FIXO 0,30 0,30 0,30
L8 1,50 3,00 1,50 3,00 1,50
E8 0,19 0,50 0,18 0,40 0,33
L9 FIXO 2,46 2,46 2,46
E9 0,19 0,50 0,14 0,40 0,19
L10 1,00 1,59 1,00 1,50 1,27
E10 0,19 0,50 0,18 0,40 0,38
L11 0,80 1,59 0,80 1,50 1,12
E11 0,19 0,50 0,18 0,40 0,26
126

Tabela 48 – Comparativo das áreas das seções transversais dos elementos da estrutura
original, não otimizada e otimizada e frequência fundamental.

ÁREA SECCIONAL
(m²)
VARIÁVEIS
Original Não Otimizada Otimizada

B1 x H1 0,13 0,54 0,18

B2 x H2 0,07 0,54 0,44

B3 x H3 0,09 0,24 0,24

B4 x H4 0,04 0,24 0,16

B5 x H5 0,06 0,24 0,13

B6 x H6 0,08 0,24 0,18

B7 x H7 0,03 0,03 0,03

L8 x E8 0,27 1,20 0,50

L9 x E9 0,34 0,98 0,48

L10 x E10 0,18 0,60 0,48

L11 x E11 0,14 0,60 0,29

Total para 1
6,11 24,80 12,69
pavimento (m²)

Frequência
0,27 0,58 0,53
Fundamental (Hz)

A Figura 54 apresentada a seguir ilustra a superposição das dimensões dos


pilares da estrutura original (hachura preta), da estrutura inicial (não otimizada)
resultado da análise de sensibilidade (cor vermelha) e da estrutura otimizada (cor
azul). A variação das larguras das vigas foi pequena, conforme pode ser verificado
na Tabela 47 através das variáveis B1 a B7, não obtendo boa representação em
planta e por isto suprimida.
127

Figura 54 – Comparativo das seções dos pilares (projeto original x estrutura não otimizada x
estrutura otimizada).
128

8.4 Verificação do comportamento estático da estrutura otimizada.

A Tabela 49 apresenta os valores otimizados para as variáveis do projeto, que


dão origem às novas seções da estrutura otimizada.

Tabela 49 – Valores da estrutura otimizada para as vigas e pilares.

Elemento estrutural Variáveis (m)

V1 e V12 B1 = 0,12 H1 = 1,47

V13 e V21 B2= 0,25 H2 = 1,76

V14, V15, V16, V18, V19 e V20 B3 = 0,30 H3 = 0,80


VIGAS

V2, V4, V8 e V11 B4 = 0,21 H4 = 0,76

V3, V9, V5 e V10 B5 = 0,17 H5 = 0,76

V6 e V7 B6 = 0,25 H6 = 0,73

V17 B7 = 0,10 H7 = 0,30

P1aP3, P6aP8, P11aP13 e P16aP18 L8 = 1,50 E8 = 0,33


PILARES

P4 e P5 L9 = 2,46 E9 = 0,19

P9 e P10 L10 = 1,27 E10 = 0,38

P14 e P15 L11 = 1,12 E11 = 0,26

FREQUÊNCIA FUNDAMENTAL 0,53 Hz

ÁREA SECCIONAL TOTAL DE 1 PAVIMENTO TIPO 12,69 m³/m

A estrutura otimizada foi submetida aos mesmos casos de carregamento


estático realizado no capítulo 6, com o propósito de se verificar seu novo
comportamento. Os resultados desta análise são detalhados a seguir, nos itens
8.3.1 a 8.3.4 e comparados ao limite de deslocamento de 2,77 cm.
129

8.4.1 Caso de carregamento 1.

A Figura 55 e a Figura 56 apresentam os deslocamentos nodais da estrutura


ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de carregamento 1. São
combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura e a sobrecarga de
utilização de 2 kN/m². O deslocamento obtido é comparado ao limite de 2,77 cm.

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 55 – Deslocamento devido à sobrecarga.

16
15
14
13
12
Eixo 1
11
10 Eixo 2
PAVIMENTO

9 Eixo 3
8 Eixo 7
7
Eixo 8
6
5 Eixo 9
4 Eixo B
3 Eixo F
2
1
0
0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 56 - Deslocamentos em cada pavimento.


130

8.4.2 Caso de carregamento 2.

A Figura 57 e a Figura 58 apresentam os deslocamentos nodais da estrutura


ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de carregamento 2. São
combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura, a sobrecarga de
utilização de 2 kN/m² e a ação do vento frontal.

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 57 – Deslocamento devido à sobrecarga.

16
15
14
13
12
11 Eixo 1
10 Eixo 2
PAVIMENTO

9
Eixo 3
8
7 Eixo 7
6 Eixo 8
5
4 Eixo 9
3 Limite (2,77cm)
2
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 58 - Deslocamentos em cada pavimento.


131

8.4.3 Caso de carregamento 3.

A Figura 59 e a Figura 60 apresentam os deslocamentos nodais da estrutura


ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de carregamento 3. São
combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura, a sobrecarga de
utilização de 2 kN/m² e a ação do vento lateral.

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 59 – Deslocamento devido à sobrecarga.

16
15
14
13
12
11
10
PAVIMENTO

9
Eixo B
8
7 Eixo F
6 Limite (2,77 cm)
5
4
3
2
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 60 - Deslocamentos em cada pavimento.


132

8.4.4 Caso de carregamento 4.

A Figura 61 e a Figura 62 apresentam os deslocamentos nodais da estrutura


ao longo da altura (máximos no topo), para o caso de carregamento 4. São
combinados neste carregamento o peso próprio da estrutura, a sobrecarga de
utilização de 2 kN/m² e a ação do vento frontal e lateral combinados.

(a)Deslocamentos nodais (b)Deslocamentos (c)Deslocamentos


Perspectiva. Vista Frontal. Vista lateral.
Figura 61 – Deslocamento devido à sobrecarga.

16
15
14
13
12 Eixo 1
11 Eixo 2
10 Eixo 3
PAVIMENTO

9
8 Eixo 7
7 Eixo 8
6 Eixo 9
5
Eixo B
4
3 Eixo F
2 Limite (2,77 cm)
1
0
0,00 0,50 1,00 1,50 2,00 2,50 3,00
DESLOCAMENTO (cm)

Figura 62 - Deslocamentos em cada pavimento.


133

8.4.5 Análise comparativa.

Verificou-se nos quatro casos de carregamentos a melhora significativa do


comportamento estático da estrutura em relação aos deslocamentos máximos
apresentados comparativamente aos resultados da estrutura original. A Tabela 50
apresenta os deslocamentos máximos, no topo do edifício, para cada caso de
carregamento da estrutura otimizada analisado anteriormente.

Tabela 50 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos na estrutura otimizada.

CASO DE DESLOCAMENTOS LIMITE DE


SITUAÇÃO
CARREGAMENTO MÁXIMOS NORMA [59]

Caso 1 0,75 cm - -

Caso 2 1,10 cm OK

Caso 3 0,83 cm 2,77 cm OK

Caso 4 1,26 cm OK

Todos os deslocamentos apresentaram-se abaixo do limite previsto pela


norma, após o processo de otimização, tanto o deslocamento total quanto o
deslocamento relativo entre pavimentos.
A Tabela 51 apresenta uma comparação entre os deslocamentos
translacionais estáticos máximos obtidos nas análises da estrutura originalmente
projetada e da estrutura otimizada.

Tabela 51 – Comparativo dos deslocamentos máximos na estrutura original x otimizada.

DESLOCAMENTOS
CASO DE MÁXIMOS REDUÇÃO LIMITE DE
CARREGAMENTO (%) NORMA [59]
Original Otimizada

Caso 1 0,93 0,75 19,4 -

Caso 2 2,90 1,10 62,1

Caso 3 3,36 0,83 75,3 2,77 cm

Caso 4 4,32 1,26 70,8


134

8.5 Verificação da Estabilidade Global da estrutura otimizada.

A estrutura otimizada foi submetida à verificação da estabilidade global


descrita no capítulo 5, com o propósito de se verificar seu novo comportamento. Os
resultados desta verificação são detalhados a seguir.

8.5.1 Rigidez Efetiva Global.

Calculando-se a rigidez através da equação (13) descrita no capítulo 5 e


considerando o deslocamento devido à força virtual unitária aplicada no topo da
estrutura, para a direção longitudinal, transversal e rotacional da edificação; temos,
respectivamente, os valores de Kx, Kz e Ky, dispostos na Tabela 52.

Tabela 52– Rigidez Efetiva Global para a estrutura em estudo.

Verifica-se que a rigidez transversal (Kz) da estrutura apresenta-se inferior à


rigidez longitudinal (Kx).

8.5.2 Esbeltez Efetiva Global.

Considerando os deslocamentos unitários da estrutura otimizada; pode-se


recalcular a esbeltez através da equação (14) descrita no capítulo 5, para a
edificação conforme a Tabela 53 abaixo.

Tabela 53– Esbeltez Efetiva Global para a estrutura otimizada.


135

Verificou-se um aumento da esbeltez, na direção transversal, em comparação


à estrutura original e uma redução na direção longitudinal. O edifício classifica-se,
portanto, segundo o CEB [56] como sendo de pequena esbeltez longitudinal e muito
alta transversalmente.

8.6 Propostas de novas geometrias.

Verificou-se que mesmo otimizando a estrutura a frequência máxima obtida


não alcançou a frequência objetivo de 1,0 Hz.
O modo de vibração da frequência fundamental indica a direção transversal
como sendo preferencial à vibração e os indicadores da análise de estabilidade
global demonstram a maior necessidade de travamento nesta direção.
Novas geometrias são propostas a seguir objetivando-se elevar a frequência
fundamental a partir de concepções estruturais mais favoráveis.

8.6.1 Geometria alternativa 1.

Na direção longitudinal foram adicionados diafragmas rígidos sob a forma de


pilares (variáveis L13 e E13), tanto para a escada quanto para o poço do elevador,
como já é usualmente praticado em projetos deste porte; criando-se um núcleo
rígido central na edificação, o que melhora bastante o desempenho estrutural. Os
resultados obtidos apresentam-se resumidamente na Tabela 54.

Tabela 54 – Comparativo de frequências e áreas.

Estrutura Aumento
Variável Geometria 1
Otimizada relativo

Frequência fundamental 0,53 Hz 0,64 Hz 21 %

Área seccional total 12,69 m² 22,38 m² 76 %


136

8.6.2 Geometria alternativa 2.

A segunda proposta de geometria alternativa considera o acréscimo de 6


pilares centrais longitudinalmente (eixo D) para geração de pórticos duplos no
sentido transversal (eixos 1, 2, 3, 7, 8 e 9). Os resultados obtidos apresentam-se
resumidamente na Tabela 55.

Tabela 55 – Comparativo de frequências e áreas.

Estrutura Aumento
Variável Geometria 2
Otimizada relativo

Frequência fundamental 0,53 Hz 0,77 Hz 45 %

Área seccional total 12,69 m² 24,38 m² 92 %

Foram adicionadas duas novas variáveis (L14 e E14) para permitir o acréscimo
dos novos pilares. Foram mantidas as variáveis que representam os pilares
diafragmas do elevador e escada (variáveis L13 e E13), com valores fixos por
limitações geométricas.

8.6.3 Geometria alternativa 3.

Para esta geometria alternativa foram introduzidos mais 4 pilares formando 4


pórticos triplos na direção transversal (eixos 1, 2, 8 e 9), onde se encontra a direção
preferencial de vibração da frequência fundamental. O núcleo rígido foi mantido para
contribuição na rigidez global da estrutura. Pórticos duplos da alternativa anterior
foram mantidos nos eixos 3 e 7 e não foram convertidos em pórticos triplos por
limitações geométricas. As variáveis iniciais foram estabelecidas, em seus valores
limites máximos, e as vigas periféricas consideradas invertidas, com 0,85 m para
baixo, 0,10 embutido na laje e 0,95 m invertido, totalizando 1,90 m de altura. Este
artifício foi utilizado para possibilitar a maior altura possível sem prejuízo dos
espaços disponíveis para as esquadrias.
A Tabela 56 apresenta uma comparação entre a estrutura otimizada e a nova
geometria proposta, em relação à frequência fundamental e a área seccional total;
bem como o percentual de aumento gerado pela nova geometria.
137

Tabela 56 – Comparativo de frequências e áreas.

Estrutura Aumento
Variável Geometria 3
Otimizada relativo

Frequência fundamental 0,53 Hz 0,85 Hz 60 %

Área seccional total 12,69 m² 24,60 m² 93 %

8.6.4 Análise comparativa.

A Tabela 57 apresenta um comparativo entre as frequências da estrutura


otimizada e as da nova geometria proposta.

Tabela 57 – Comparativo das Frequências naturais da estrutura otimizada x alternativa 4.

FREQUÊNCIAS
MODOS
DE Estrutura
Geometria 1 Geometria 2 Geometria 3
VIBRAÇÃO Otimizada
(Hz) (Hz) (Hz)
(Hz)
f01 0,53 0,64 0,77 0,85

f02 0,90 0,96 1,06 1,14

f03 1,06 1,20 1,30 1,57

f04 1,62 2,16 2,48 2,70

f05 2,77 3,45 4,08 4,15

f06 3,15 4,08 4,56 4,89

f07 3,74 4,14 4,93 5,27

f08 3,95 5,81 5,81 5,81

f09 5,17 5,94 5,96 5,97

f10 6,39 6,13 6,33 6,36

Apesar de representar um ganho na rigidez com consequente aumento da


frequência fundamental, as novas geometrias propostas apresentaram ganhos
volumétricos proporcionalmente superiores aos ganhos de frequência. Recomenda-
138

se aplicar a otimização estrutural na nova geometria para melhoria da distribuição do


volume utilizado.
Verifica-se que apesar de utilizados os recursos de projeto na melhoria do
comportamento estrutural, inclusive com uma pequena alteração da geometria
original (mantidas as principais características arquitetônicas) além da aplicação da
otimização estrutural; ainda assim, não se atingiu o valor objetivo de 1 Hz para a
frequência fundamental da estrutura. Tal resultado foi limitado pela concepção inicial
do projeto e suas restrições. A aplicação destas técnicas durante a elaboração do
projeto certamente contribuiriam para um comportamento estrutural global otimizado.
139

9 CONSIDERAÇÕES FINAIS

9.1 Introdução.

O objetivo desta dissertação é o de avaliar o comportamento e otimizar o


projeto estrutural de um edifício de concreto armado, referente a um projeto real,
com 15 pavimentos e 47 metros de altura, submetido às ações das cargas usuais de
projeto para edifícios residenciais, além da carga de vento. Ao longo do estudo
foram desenvolvidos modelos em elementos finitos para a realização da análise
estrutural (estática e dinâmica), com base na utilização do programa de elementos
finitos ANSYS [61].
No que diz respeito à análise do comportamento do modelo estrutural,
inicialmente, uma análise modal completa é desenvolvida, objetivando a obtenção
das frequências naturais e dos modos de vibração do edifício em estudo. Em
seguida, procede-se a uma avaliação acerca da estabilidade global da estrutura, de
forma a identificar os níveis de esbeltez do sistema, e, por fim, desenvolve-se uma
análise estática, linear-elástica, na qual são analisados os valores dos
deslocamentos máximos do edifício. Com base nas grandezas associadas à
resposta do modelo, objetiva-se, também, otimizar a estrutura, considerando-se
todas as restrições de projeto, de forma a modificar e, bem como, aprimorar o
desempenho estrutural da edificação investigada.
Cabe ressaltar que, de acordo com relatos do Professor Fusco [51], este
edifício apresentou problemas de ordem estrutural e conceptiva; apresentando
ausência de elementos adequados de contraventamento que garantam a
estabilidade global da estrutura. Em todos os andares surgiram fissuras diagonais
nos quatro cantos da edificação, visíveis na face inferior das lajes e atravessando-a
por completo. Com o passar do tempo o padrão de fissuração progrediu,
apresentando também fissuras verticais de deslizamento dos pilares em relação às
alvenarias e rupturas localizadas em cruzamentos de alvenarias. Todo este padrão
sugeria que tal problema seria decorrente das forças de contraventamento. A
fissuração se agravou progressivamente até que os reforços estruturais foram
aplicados evitando-se assim o colapso global iminente.
140

9.2 Conclusões.

Na sequência do estudo, são apresentadas as principais conclusões


alcançadas com base na realização das análises de autovalores (frequências
naturais) e de autovetores (modos de vibração), de estabilidade global, estática, e,
também, da otimização estrutural desenvolvida.

9.2.1 Análise Modal.

Realizou-se uma analise de vibração livre com o objetivo de caracterizar o


comportamento dinâmico da edificação. Verificou-se que a estrutura apresentou uma
frequência fundamental muito baixa, da ordem de 0,27 Hz, valor este que se
encontra abaixo do valor limite de 1,0 Hz recomendado pela norma brasileira [22],
para projetos de edifícios. Observou-se, ainda, que o primeiro modo de vibração
(modo fundamental de vibração), de importância significativa para a resposta
dinâmica da estrutura, apresentou predominância dos efeitos de flexão, na direção
transversal da edificação, em torno do eixo global X, tanto nos modelos
desenvolvidos no programa ANSYS [61] quanto no SAP2000 [37].

9.2.2 Estabilidade Global.

Uma análise de estabilidade global foi realizada para caracterização


qualitativa do edifício, onde os indicadores demonstraram uma estrutura de pequena
esbeltez [54]. A rigidez efetiva global transversal (Kz = 28,57 kN/m) apresentou-se
menor do que a longitudinal (Kx = 45,46 kN/m) e a esbeltez efetiva global na direção
transversal ( = 33) maior do que a longitudinal ( = 27). De acordo com o CEB
[56], trata-se de uma estrutura em que os efeitos de segunda ordem podem ser
desprezados, pois sua esbeltez efetiva global apresenta-se abaixo do limite [57].

9.2.3 Análise Estática.

Na análise estática, a estrutura foi submetida às cargas usuais de projeto de


um edifício residencial e ao carregamento do vento. As cargas de vento foram
estudadas e implementadas no modelo, de maneira simplificada (determinística),
141

com o propósito de simular as forças horizontais de vento atuantes na estrutura,


para verificação de seu comportamento global em relação aos deslocamentos
máximos recomendados por norma [59].
Foi verificado que os valores dos deslocamentos translacionais horizontais
máximos do edifício, provocados pela ação do vento, apresentaram-se superiores ao
limite recomendado pela norma brasileira [59], conforme pode ser verificado na
Tabela 58, exceção feita para o Caso 1, o qual apresenta somente deslocamentos
translacionais verticais, pelo fato de que nesta situação de carregamento não foi
considerada a incidência do vento. Em relação aos deslocamentos entre
pavimentos, todos os valores obtidos ao longo da análise apresentaram-se de
acordo com o limite da norma [59].

Tabela 58 – Deslocamentos translacionais estáticos máximos devido ao vento.

CASO DE DESLOCAMENTOS LIMITE DE


SITUAÇÃO
CARREGAMENTO MÁXIMOS NORMA [59]

Caso 2 2,90 cm Não passa

Caso 3 3,36 cm 2,77 cm Não passa

Caso 4 4,32 cm Não passa

9.2.4 Otimização Estrutural.

As variáveis de projeto consideradas na otimização foram as dimensões de


base e altura de vigas e as larguras de pilares. A restrição de projeto considerada foi
o valor da frequência fundamental (1,0 Hz [22]), além das restrições laterais locais
das variáveis determinadas pelas limitações normativas, arquitetônicas e pelo
dimensionamento estrutural. A função objetivo estipulada foi a minimização do
volume total através das áreas seccionais. No processo de otimização foram
comparadas: a estrutura original, a estrutura não otimizada e a estrutura otimizada.
A estrutura não otimizada foi resultado de uma análise de sensibilidade que
aumentou as dimensões dos seus elementos estruturais.
A otimização estrutural obteve boa resposta em relação à redução de volume,
da ordem de 49% e pequena redução de frequência fundamental, da ordem de 9%,
142

em relação à frequência melhorada da análise de sensibilidade, com base no


emprego da estrutura não otimizada.
Em comparação à estrutura original projetada, a otimização apresentou
aumento de volume, da ordem de 100%, necessário para melhoria do
comportamento estrutural e elevação da frequência fundamental de 0,27 Hz para
0,53 Hz. Ou seja, a estrutura otimizada apresentou redução das seções em relação
a não otimizada e aumento em relação à original. Entretanto, não foi possível elevar
o valor da frequência fundamental para valores iguais ou superiores a 1,0 Hz devido
às restrições impostas. Foram propostas, então, alterações da geometria original,
que apesar de elevar o valor da frequência para 0,85 Hz, ainda assim, não atingiu o
valor objetivo; reforçando a importância de uma boa concepção inicial do projeto
estrutural para melhoria do desempenho.
Verificou-se, também, que a estrutura otimizada apresentou redução dos
deslocamentos máximos, comparados aos da estrutura original, conforme ilustrado
na Tabela 59. Adicionalmente, verificou-se que esta redução possibilitou o
enquadramento dos deslocamentos abaixo do limite estabelecido por norma [59].

Tabela 59 - Deslocamentos translacionais estáticos máximos na estrutura otimizada.

DESLOCAMENTOS MÁXIMOS
CASO DE LIMITE DE
SITUAÇÃO
CARREGAMENTO Estrutura Estrutura NORMA [59]
Original Otimizada

Caso 2 2,90 cm 1,10 cm OK

Caso 3 3,36 cm 0,83 cm 2,77 cm OK

Caso 4 4,32 cm 1,26 cm OK

Conclui-se, portanto, que a otimização estrutural pode auxiliar de forma


racional e eficiente, no que diz respeito à melhoria do projeto estrutural, e que a
realização adicional das verificações de estabilidade global, a caracterização
dinâmica (análise das frequências naturais e dos modos de vibração), além das
considerações da ação do vento, demonstraram-se muito importantes para garantir
uma concepção estrutural mais adequada.
143

9.3 Sugestões para trabalhos futuros.

A seguir, apresentam-se algumas sugestões para a continuidade e


desenvolvimento de trabalhos futuros sobre o tema abordado, de forma itemizada:

a) Resolver o problema de forma inversa, descrevendo a função objetivo


por meio de uma função de erro.
b) Verificar o comportamento da estrutura em relação às tensões
máximas.
c) Verificar o comportamento sobre a ação de carregamento dinâmico
humano e de vento.
d) Verificar o comportamento da estrutura submetida à excitação aleatória
do vento pelo Método de Monte Carlo.
e) Realizar um estudo utilizando funções objetivo alternativas,
considerando o custo dos materiais, de fabricação, de mão de obra ou
mesmo de uma modelagem multiobjetivo;
f) Analisar a interação solo-estrutura;
g) Realizar o processo de otimização em ferramenta computacional que
permita uma modelagem mais robusta e com algoritmos que não
dependam do processo de derivadas.
144

REFERÊNCIAS

[1] REVISTA EXAME. Apresenta informações sobre os edifícios mais altos do


mundo. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/os-20-
predios-mais-altos-do-mundo>. Acesso em: 03 Mai. 2014.

[2] ISYUMOV, N. Alan G. Davenport‟s mark on wind engineering. Journal of Wind


Engineering and Industrial Aerodynamics , Ontario, v. 104-106, p. 12–24, 2012.

[3] BLESSMANN, J. Buffeting effects on neighbouring tall buildings. Journal of


Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, Amsterdan, v. 18, n. 1, p. 105-
110, ago. 1985.

[4] FERRARO, V.; IRWIN, P. A.; STONE, G. K. Wind induced building


accelerations. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics,
Amsterdan, v. 36, p. 757-767, 1990.

[5] SNAEBJORNSSON, J. T.; REED, D. A. Full-scale results of wind-induced


motion in multi-story buildings. Journal of Wind Engineering and Industrial
Aerodynamics, V. 42, n. 1-3, p. 1113-1123, out. 1992.

[6] FONTE, A. O. C. Análise não linear geométrica de edifícios altos. 1992. 223f
Tese (Doutorado em Engenharia Civil) - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-
Graduação e Pesquisa em Engenharia, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, Rio de Janeiro, 1992.

[7] DAVENPORT, A G.; SPARLING, B. F. Dynamic gust response factors for


guyed towers. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics, v. 43,
n. 1-3, p. 2237-2248, Ontario, 1992.

[8] KAREEM, A.; KIIEWSKI, T.; TAMURA, Y. Mitigation of motions of tall buildings
with specific examples of recent applications. Wind and structures, v. 2, n. 3, p.
201-251, 1999.
145

[9] ZHOU, Y.; KAREEM, A.; GU, M. Equivalent static buffeting loads on structures.
Journal of Structural Engineering, v. 126, n. 8, p. 989-991, ago. 2000.

[10] REPETTO, M. P.; SOLARI, G. Dynamic alongwind fatigue of slender vertical


structures. Engineering Structures, Genoa, v. 23, p. 1622–1633, 2001.

[11] SOLARI, G.; REPETTO, M. P. General tendencies and classification of vertical


structures under gust buffeting. Journal of Wind Engineering and Industrial
Aerodynamics, Genoa, v. 90, n.11, p. 1299–1319, 2002.

[12] ZHOU, Y.; KIJEWSKI, T.; KAREEM, A. Along-wind load effects on tall buildings:
comparative study of major international codes and standards. Journal of
Structural Engineering, v. 128, n. 6, p. 788–796, jun. 2002.

[13] AMERICAN SOCIETY OF CIVIL ENGINEERS. ASCE 7-98: Minimum design


161 loads for buildings and other structures. Reston, 1999. 372 p.

[14] AUSTRALIAN STANDARDS. AS1170.2-89: SSA Loading code: Part. 2: Wind


loads. Austrália , 1989. 101 p.

[15] NATIONAL RESEARCH COUNCIL OF CANADA. User's Guide: NBC 1995


Structural Commentaries: Commentary B: Wind loads. Ottawa, part. 4, p. 9-42.,
1996.

[16] ARCHITECTURAL INSTITUTE OF JAPAN. AIJ: Recommendations for loads on


buildings. Tokyo, 1996.

[17] EUROCODE 1. European Prestandard ENV 1991-2-4: Basis of design and


actions on structures: Part 2-4: Actions on structures: Wind actions. 1995.

[18] LAZANHA, E. C. Análise dinâmica elasto-plástica de estruturas metálicas sob


excitação aleatória de vento. 2003. 142f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia) - Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Universidade
de São Paulo, São Paulo, 2003.
146

[19] GU, M.; QUAN, Y. Across-wind loads of typical tall buildings. Journal of Wind
Engineering and Industrial Aerodynamics, v. 92, n. 23, p. 1147–1165, nov. 162
2004.

[20] FILHO, M. S.; GUIMARÃES, M. J. R.; SAHLIT, C. L.; BRITO, L. V. Wind


pressures in framed structures with semi-rigid connections. Journal of the
Brazilian Society of Mechanical Sciences and Engineering, v. 26, n. 2, p. 180-
189, apr/jun 2004.

[21] CARPEGGIANI, E. A. Determinação dos efeitos estáticos de torção em


edifícios altos devidos à ação do vento. 2004. 160f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2004.

[22] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6123: Forças


devidas ao vento em edificações. Rio de Janeiro, 1990. 66p.

[23] LI, Q. S.; et al. Wind tunnel and full-scale study of wind effects on China‟s
tallest building. Engineering Structures, v. 28, n. 12, p. 1745–1758, out. 2006.

[24] AUTA, S. M. Wind load estimation on tall building part II: comparison of russian
and nigerian codes of practice. Asian Journal of Civil Engineering (Building and
Housing), St. Petersburg, v. 7, n. 5, p. 517-524, 2006.

[25] BURTON, M. D.; KWOK, K. C. S.; HITCHCOCK, P. A.; DENOON, R. O.


Frequency dependence of human response to wind-induced building motion.
Journal of Structural Engineering,.v. 132, n. 2, p. 296-303, fev. 2006.

[26] CARASSALE, L.; SOLARI, G. Monte Carlo simulation of wind velocity fields on
complex structures. Journal of Wind Engineering and Industrial Aerodynamics,
Genova, v. 94, n. 5, p. 323–339, fev. 2006.
147

[27] CHAVEZ, E. S. Análise estrutural de edifício alto submetido às pressões


flutuantes induzidas pela ação do vento, 2006. 123f. Dissertação (Mestrado em
Engenharia de Estruturas) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia de
Estruturas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006. 163

[28] CHEN, X. Analysis of alongwind tall building response to transient nonstationary


winds. Journal of Structural Engineering, v. 134, n. 5, p. 782–791, maio 2008.

[29] OBATA, S. H. Vento sintético e a simulação de Monte Carlo: uma forma de


considerar a característica aleatória e instável do carregamento dos ventos em
estruturas. Exacta, pp. 77-85, jan./mar. 2009.

[30] HUANG, M. F.; CHAN, C. M.; KWOK, K. C. S.; HITCHCOCK, P. A. Cross


correlations of modal responses of tall buildings in wind-induced lateral-torsional
motion. Journal of Engineering Mechanics, v. 135, n. 8, p. 802-812, ago. 2009.

[31] BORGES, A. C. L.; FONTE, A. O. C. ; FONTE, F. L. F.; CAVALCANTI, G. A. A.


Análise do comportamento estrutural de um edifícios de esbelto de 42
pavimentos. In: ANAIS DO 51º CONGRESSO BRASILEIRO DE CONCRETO
(CBC), 2009, Recife.

[32] MITRA, D. Mathematical determination of tall square building height under peak
wind loads. International Journal of Engineering & Applied Sciences, v. 6, n. 6,
p. 341, out. 2010.

[33] KUMAR, B. D.; SWAMI, B. L. P. Wind effects on tall building frames-influence of


dynamic parameters. Indian Journal of Science & Technology, v. 3, n. 5, p. 583-
587, maio 2010.

[34] SMITH, M. A.; CARACOGLIA, L. A Monte Carlo based method for the dynamics
“fragility analysis” of tall buildings under turbulent wind loading. Engineering 164
Structures, Boston, v. 33, n. 2, p. 410–420, fev. 2011.
148

[35] LI, Q. S.; et al. Dynamic behavior of Taipei 101 Tower: field measurement and
numerical analysis. Journal of Structural Engineering, v. 137, n. 1, p. 143-155,
jan. 2011.

[36] MALEKINEJAD, M.; RAHGOZAR, R. A simple analytic method for computing


the natural frequencies and mode shapes of tall buildings. Applied Mathematical
Modelling, v. 36, n. 8, p. 3419–3432, ago. 2012.

[37] COMPUTERS AND STRUCTURES, SAP2000: Static and dynamic finite


element analysis of structures. Versão 16, 2015.

[38] SHIMURA, S. H.; NÓBREGA, P. G. B.; A análise dinâmica segundo as normas


brasileiras de projeto de estruturas de concreto. IBRACON – 44 congresso
Brasileiro, ago 2002.

[39] VIANA, A. C. P.; ARAÚJO, T. D. A.; Análise dinâmica bidimensional de edifício


submetido a rajadas de vento. Departamento de engenharia estrutural e
construção civil, Universidade Federal do Ceará.

[40] BORGES, A. C. L.; FONTE, A. O. C.; FONTE, F. L. F.; CAVALCANTI, G. A. A.;


Análise do comportamento estrutural de um edifício esbelto de 42 pavimentos.
IBRACON – 51 congresso Brasileiro, out 2009.

[41] NETO, J. A. N.; CORRÊA, M. R. S.; Análise tridimensional de edifícios em


alvenaria estrutural submetidos à ação do vento. Cadernos de Engenharia de
Estruturas, São Carlos, n 19, p. 81-100, 2002.

[42] MIGUEL, L. F. F.; RIERA, J. D.; Controle de vibrações de estruturas utilizando


amortecedores por atrito. Rev. Int. De Desastres Naturales, Accidentes e
Infraestructura Civil. Vol. 8.

[43] KWOK, K. C. S., HITCHCOCK, P. A.; BURTON, M. D.; Perception of vibration


and occupant comfort in wind-excited tall buildings. Journal of wind engineering
and industrial aerodynamics, jul 2009.
149

[44] CORREA, T. K.; PIRNIA, D.; “Pseudo-Full-Scale’ Evaluation of occupant confort


in tall buildings. 11th Americas conference on wind engineering, San Juan, PR,
USA, jun 2009.

[45] SILVA, E. C. N. Otimização aplicada ao projeto de sistemas mecânicos.


Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos - Escola
Politécnica da USP. São Paulo. 2014.

[46] RODRIGUES JÚNIOR, SANDOVAL JOSÉ. Otimização de Pilares de Edifícios


Altos de Concreto Armado. Rio de Janeiro, 2005. 154p. Tese de Doutorado -
Departamento de Engenharia Civil, Pontifícia Universidade Católica do Rio de
Janeiro. 2005.

[47] CHAVES, I. A. Otimização de pilares de concreto armado mediante


uniformização do índice de confiabilidade. Dissertação de mestrado – Escola
de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo. São Carlos. 2004.

[48] PIRES, S. L. Otimização por algoritmos genéticos de pilares esbeltos de


concreto armado submetidos à flexão oblíqua. Tese de Doutorado -
Universidade Estadual de Campinas. Faculdade de Engenharia Civil,
Arquitetura e Urbanismo. 2014.

[49] MAIA, J. P. R. Otimização estrutural: estudo e aplicações em problemas


clássicos de vigas utilizando a ferramenta Solver. 83p. Dissertação de
Mestrado – Escola de Engenharia de São Carlos, Universidade de São Paulo.
São Carlos. 2009.

[50] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120: Cargas


para o cálculo de estruturas de edificações. Rio de Janeiro, 1980. 5p.

[51] CUNHA, A. J. P. et al; Acidentes estruturais na construção civil, v 01,Editora


Pini. São Paulo. 1996.
150

[52] FONTE, A. O. C. et al. Características e parâmetros estruturais de edifícios de


múltiplos andares em concreto armado construídos na cidade de Recife. 47º
Congresso Brasileiro do Concreto – IBRACON. Olinda, 2005. Anais pp. 274-
285.

[53] BORGES, A. C. L. Metodologia para avaliação do comportamento estrutural de


edifícios altos em concreto armado com consideração da interação solo-
estrutura. Tese de Doutorado. Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Civil da Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, 2009.

[54] BORGES, A. C. L.; FONTE, A. O. C.; FONTE, F. L. F.; CAVALCANTI, G. A. D.;


Análise do comportamento estrutural de um edifício esbelto de 42 pavimentos.
51º Congresso Brasileiro do Concreto – IBRACON. Curitiba, 2009.

[55] FONTE, A. O. C.; FONTE, F. L. F.; BORGES, A. C. L.; Análise do


comportamento estrutural global de um edifício esbelto de 36 pavimentos. 49º
Congresso Brasileiro do Concreto – IBRACON. Bento Gonçalves, 2007.

[56] CEB/FIP – COMITÉ EURO-INTERNATIONAL DU BÉTON. Manual of buckling


and instability. London, Thomas Telford, 1978.

[57] FONTE, A. O. C. Análise não linear geométrica de edifícios altos. Tese de


Doutorado. Universidade Federal do Rio de Janeiro. COPPE/UFRJ. Rio de
Janeiro. 1992.

[58] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de


estruturas de concreto - Procedimento. Rio de Janeiro, 2007. 221 p.

[59] ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118: Projeto de


estruturas de concreto - Procedimento. Rio de Janeiro, 2014. 238p.

[60] BLESSMANN, J., Do Problema do Vento em Edifícios. 1º ed. Editora da


Universidade/UFRGS. Porto Alegre. 1964. 215p.
151

[61] ANSYS, Inc. Theory Reference (version 12.1), 2009.

[62] WIKIPÉDIA A ENCICLOPÉDIA LIVRE. Apresenta informações sobre o edifício


Taipei 101. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Taipei_101>. Acesso
em: 09 Jan. 2015.

[63] BACHMANN, HUGO et al – Vibration Problems in Structures – Practical


Guidelines, Birkhäuser Verlag, Berlin, 1995.

[64] CLOUGH, R. W., PENZIEN, J; Dynamics of Structures; McGraw-Hill, 1993.


634p.

[65] CHOPRA, A. K. Dynamics of Structures - Theory and Applications to


Earthquake Engineering. 3rd ed., Pearson Education, Inc., New Jersey, 2007.

[66] SORIANO, H. L. Análise de estruturas – método das forças e método dos


deslocamentos. Ed. Ciência Moderna. 2006.

[67] MOREIRA, T. V. Análise da sensibilidade dinâmica de edifícios com estruturas


esbeltas. 2002. 241f Tese (Doutorado em Engenharia Civil) - Instituto Alberto
Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2002.

[68] WORDELL, F. Avaliação da instabilidade global de edifícios altos. 2003. 93f.


Dissertação (Mestrado-Profissional em Engenharia de Estruturas) – Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Civil, Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, 2003.

[69] AL-KODMANY, K. Tall buildings, design, and technology: visions for the
twentyfirst century city. Journal of Urban Technology, v. 18, n. 3, p. 115-140,
2011.
152

[70] FILHO, G. S. Estudo do comportamento dinâmico de edifícios mistos (aço-


concreto) submetidos à ação não determinística do vento. 2012. 125f.
Dissertação (Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-Graduação em
Engenharia Civil, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro,
2012.

[71] MORAIS, V.C. Análise dinâmica não determinística de edifícios mistos (aço-
concreto) submetidos à ação de cargas de vento. 2014. 166f. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Civil) - Programa de Pós-Graduação em Engenharia
Civil, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

[72] ANSYS, Inc. Design Optimization Seminar (version 5.0), 1993.

[73] SANTOS, NÚRIA ALICE ALVES SILVA. Otimização de torre de aço para
aerogerador eólico. Dissertação de Mestrado. Programas de Pós-Graduação
em Engenharia Civil da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2013.

[74] ARORA, J. S. Structural Optimization - Guide to Structural Optimization. 4th


ed., Winsconsin-Madison, USA, 1996. 349p.

[75] KIRSCH, U. Structural Optimization – Optimum Structural Design, McGraw-Hill


Book Co., Inc., New York, 1981.

[76] BAZEOS, G.D. HATZIGEORGIOU, I.D. HONDROS, H. KARAMANEAS, D.L.


KARABALIS, D.E. BESKOS, Engineering Structures - Static, Seismic and
Stability Analyses of a Prototype Wind Turbine Steel Tower, 2002.

[77] SILVA, EMÍLIO CARLOS NELLI. Otimização Aplicada ao projeto de sistemas


mecânicos. Departamento de Engenharia Mecatrônica e Sistemas Mecânicos.
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2005.

[78] ARORA, J. S. Introduction to Optimum Design; McGraw-Hill, 1989.


153

[79] REKLAITIS, G.V., RAVINARAN, A. and RAGSDELL. Engineering Optimization


– Methods and Applications, Wiley-Interscience, John Wiley and Sons, Inc.,
New York, NY, 1983.

[80] FLETCHER, R., Practical Methods of Optimizations. 2nd ed., Wiley-


Interscience, John Wiley and Sons, Inc., New York, NY, 1987.