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(IN)VISIBILIDADE ALGORÍTMICA NO “FEED DE NOTÍCIAS” DO FACEBOOK

Working Paper · January 2017

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2 authors, including:

Amanda Jurno
Federal University of Minas Gerais
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INTERFACES BETWEEN THE FACEBOOK PLATFORM AND THE NEWSPAPER JOURNALISM Algorithmic mediations and journalistic values in dispute View project

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contemporanea|comunicação e cultura
W W W . C O N T E M P O R A N E A . P O S C O M . U F B A . B R

(IN)VISIBILIDADE ALGORÍTMICA NO “FEED DE NOTÍCIAS” DO


FACEBOOK

ALGORITHMIC (IN)VISIBILITY IN FACEBOOK NEWS FEED


Amanda Chevtchouk Jurno*
Carlos Frederico de Brito D’Andréa**

RESUMO:
Apesar de os algoritmos responsáveis pelo Feed de Notícias (FN) serem apresentados
pelo Facebook como atores que agem objetiva e imparcialmente, eles são realiza-
ções incertas e provisórias, sendo refeitos e adaptados constantemente. Neste artigo,
discutimos os regimes de visibilidade e invisibilidade gestados pelo Facebook no FN,
com ênfase na articulação das agências de humanos e não humanos. Discutimos ainda
o esforço institucional da empresa em se tornar mais transparente sem, no entanto,
revelar detalhes técnicos do funcionamento de seus algoritmos. Para isso, partimos de
informações fornecidas pelo próprio Facebook – principalmente por uma série de 34
posts publicados desde 2013 na categoria NewsFeed FYI do site Newsroom. Entre outras
questões, as informações compiladas nos permitiram identificar o crescente conjunto
de variáveis que influenciam na exibição (ou não) de um post e algumas tensões em
torno do que privilegiar (conteúdos de interesse pessoal ou mais amplos, por exemplo).
Para essa discussão, apoiamo-nos em um conjunto de autores que discutem a agência
dos algoritmos na contemporaneidade, com ênfase nos regimes de visibilidade e invisi-
bilidade (GILLESPIE, 2014) e de conhecimento (KITCHIN, 2014b) por eles gestados. Mais
especificamente, aproximamo-nos de estudos que se atêm a especificidades dos algorit-
mos nas redes sociais on-line e no Facebook (BUCHER, 2012; GERLITZ; HELMOND, 2013).

* Doutoranda em Comunicação no Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade


Federal de Minas Gerais (UFMG). amandajurno@gmail.com
** Professor do Departamento de Comunicação Social e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação
(PPGCOM) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Conexões
Intermidiáticas (NucCon). carlosfdb@gmail.com

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JORGE
CARLOS
CARDOSO
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PALAVRAS-CHAVE: Facebook, algoritmo, agência.

ABSTRACT:
Despite the algorithms responsible for the News Feed (NF) being presented by the
Facebook as actors who act objectively and impartially, they are uncertain, tempora-
ry and fragile achievements that are constantly remade and reedited. In this article,
we discuss the regimes of visibility and invisibility gestated by Facebook in the News
Feed, emphasizing the articulation of human and non human agencies. We also dis-
cuss the company’s institutional effort to become more transparent without, however,
reveal technical details of the operation of their algorithms. For this, we looked at
the information provided by Facebook itself - mainly a series of 34 posts published
on Newsroom’s website (category NewsFeed FYI). Among other points, the compiled
information allowed us to identify the growing number of variables considered for the
selection (or not) of a post and a few tensions about what should be prioritized (per-
sonal or more general contents, for example). For this discussion, we rely on a set of
authors who discuss the agency of the algorithms in contemporary times, emphasizing
the regimes of visibility and invisibility (GILLESPIE, 2014) and of knowledge (KITCHIN,
2014b) gestated by them. More specifically, we approach to the studies that look to the
specificities of the algorithms in the online social networks and Facebook (BUCHER,
2012; GERLITZ; HELMOND, 2013).

KEYWORDS: Facebook, algorithm, agency.

INTRODUÇÃO

Com mais de 1 bilhão de acessos diários1, podemos dizer que o Facebook é um ator
fundamental na conformação e emergência de redes textuais e sentidos na contempo-
raneidade. Nos variados aparatos técnicos em que essa rede social on-line é acessada,
conteúdos de diversas origens convergem no Feed de Notícias (FN), que emerge de
forma personalizada para cada usuário como uma composição dinâmica e heterogênea
formada por posts, status, fotos, vídeos, imagens e outros extratos textuais.

A despeito de sua enorme popularidade, sabe-se muito pouco sobre como o Facebook
funciona. Nos conteúdos de divulgação oficial, em geral o Facebook passa aos usuários
a impressão de que os FNs são compostos por posts escolhidos para serem visualiza-
dos porque são os “mais importantes” daquele momento. Segundo um dos executivos

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responsáveis pela engenharia do FN do Facebook, por exemplo, o “Feed de Notícias”


seria programado para mostrar todos os posts que as pessoas querem ver, na ordem que
elas querem lê-los (BACKSTROM, 2013). Porém, sabemos que a relação não é assim tão
simples.

Para existir, o FN conta com o agenciamento de algoritmos que elencam e selecionam


os posts para serem exibidos (ou não) para os usuários. Esses atores trabalham com ras-
tros deixados pelos usuários durante a utilização da plataforma, conteúdos pagos para
serem exibidos e, principalmente, dezenas de variáveis e prioridades pouco divulgadas
para os usuários. Assim, o FN é uma composição opaca e complexa, pois mesmo uma
agência pontual, como uma curtida em um post, pode desencadear várias outras ações
que se ramificam e influenciam na composição de outros FNs.

Nesse sentido, partindo de informações fornecidas pelo próprio Facebook – princi-


palmente por uma série de 34 posts publicados na categoria NewsFeed FYI do site
Newsroom –, neste artigo temos como objetivo discutir os regimes de visibilidade e
invisibilidade gestados pelo Facebook em seu Feed de Notícias, com ênfase na articu-
lação das agências de humanos e não humanos. De modo complementar, discutimos o
aparente esforço institucional do Facebook tornar públicas mais informações sem, no
entanto, revelar detalhes técnicos do funcionamento de seus algoritmos, o que nos
ajuda a compreender as tensões em torno de uma maior transparência ou de um encai-
xapretamento (LATOUR, 2000), isto é, de uma estabilização que oculta as ações desses
agentes.

Para essa discussão, nos apoiamos em um conjunto de autores que discutem a agência
dos algoritmos na contemporaneidade, com ênfase nos regimes de visibilidade e invi-
sibilidade (GILLESPIE, 2014) e de conhecimento (KITCHIN, 2014a) por eles gestados.
Mais especificamente, nos aproximamos de estudos que se atêm às especificidades dos
algoritmos nas redes sociais on-line e no Facebook (GERLITZ; HELMOND, 2013; BUCHER,
2012). Em comum, esses autores apropriam-se do campo interdisciplinar Science and
Technology Studies (STS), que, em diálogo com os estudos da Comunicação e dos estu-
dos midiáticos, propõe uma abordagem teórico-metodológica que supere a dicotomia
entre as materialidades e as práticas a elas associadas (LIEVROUW, 2014). De forma
mais indireta, dialogamos também com conceitos e autores da perspectiva mais popu-
lar derivada do STS: a Teoria Ator-Rede (LATOUR, 2000, 2012).

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Este artigo é oriundo de uma dissertação de mestrado defendida no início de 2016 no


Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM) da Universidade Federal de
Minas Gerais (UFMG) (JURNO, 2015).

FEED DE NOTÍCIAS E A AGÊNCIA DOS ALGORITMOS

O Feed de Notícias (FN) é uma composição textual dinâmica, um conjunto de diversas


interações e ressignificações textuais que nos é exibido sob a forma de fragmentos
quando acessamos nosso perfil pessoal no Facebook. Trata-se da reunião de posts, sta-
tus, fotos, vídeos, imagens e outros extratos textuais que conformam textos e sentidos
a partir das nossas próprias experiências. O FN não existe antes do acesso, ele se ma-
terializa quando abrimos o Facebook, e jamais se repete por estar em constante trans-
formação. Antes de pensarmos o que são os algoritmos que organizam o FN do Facebook
e como eles participam da conformação e emergência de redes textuais a partir da
leitura dos usuários, é importante atentarmos para as diversas formas de agenciar nesse
ambiente.

Nós, humanos, somos actantes importantes, já que criamos perfis e páginas e os atuali-
zamos a partir de nossas próprias contas. Somos nós também quem curtimos, comparti-
lhamos e comentamos os posts uns dos outros2; que permitimos que outros usuários se
conectem a nosso perfil através das listas de amigos, aceitando ou rejeitando convites
de amizade; dentre outras tantas ações. Mas não somos os únicos: instituições e empre-
sas também agenciam. Através de porta-vozes, esses coletivos compartilham conteú-
dos, interagem com outros usuários e costumam pagar para que seus posts apareçam no
FN de usuários que não necessariamente se conectam com eles (seja através das listas
de amigos ou curtindo a página).

A empresa Facebook também agencia ao anunciar novas estratégias de gestão do am-


biente ou ao introduzir novas ferramentas como, por exemplo, os Reactions3 e os Instant
Articles4. Da mesma forma, as interfaces agenciam, já que utilizar o Facebook em um
celular ou em computador de mesa são experiências potencialmente distintas, inclu-
sive no que tange às postagens exibidas no FN. No caso das hashtags, ao acessar redes
textuais temáticas, os usuários podem ampliar e diversificar seus FNs adicionando novos
usuários e páginas em sua lista de “seguidos”. Outro tipo de agência é a marcação di-
reta de perfis em uma postagem – também conhecida como “taguear”5 alguém. Quando

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uma página ou perfil é marcado em uma publicação, o responsável pela conta recebe
uma notificação, além de transformar o seu nome em um link direto para a página/
perfil marcado.

Mesmo uma agência pontual, como uma curtida em um post, pode desencadear vá-
rias outras ações que se ramificam e influenciam na composição de outros FNs. Sobre
essa possibilidade de expansão das redes de interação, Carolin Gerlitz e Anne Helmond
(2013) descrevem o potencial dessa pequena ação de um usuário no Facebook:

uma curtida não é um fim em si mesma, mas um processo contínuo e potencialmente expan-
sível. [...] O seu valor reside tanto no presente quanto no futuro, no ‘mais um’ que acres-
centa ao contador e no número X de potenciais curtidas, comentários, compartilhamentos
ou outras respostas que possa gerar dentro da plataforma (p. 1359, tradução nossa).

A articulação dessas diferentes agências possíveis no Facebook é feita por um conjunto


crucial de atores dessa rede sociotécnica: os algoritmos que, ao atuarem como uma
composição fluida, com base nos bancos de dados que armazenam os rastros digitais,
exibem posts selecionados no momento em que o usuário acessa o seu perfil pessoal,
sendo fundamentais para a experiência com o Facebook. Will Oremus, escritor de tec-
nologia do site Slate, define os algoritmos do Feed de Notícias como capazes de nos
fazer sentir felizes ou tristes, expor-nos a ideias novas e desafiadoras ou nos isolar em
bolhas ideológicas (OREMUS, 2016). De certa maneira, dividimos com eles a função e o
poder de fazer com que nossas publicações circulem e apareçam para outros usuários
em seus próprios FNs.

Mas o que exatamente são esses algoritmos? De acordo com Malte Ziewitz, os algorit-
mos são “duros de compreender, difíceis de descrever e virtualmente impossíveis de
observar” (2011, p. 1, tradução nossa). No seu sentido denotativo, a palavra refere-se a
uma fórmula matemática; a códigos, ou softwares, que reconhecem certa informação e
geram outra informação – input/output (cf. GILLESPIE, 2014). Para nós, interessa o que
Tarleton Gillespie (2014) chama de “algoritmo de relevância pública”6, que são rotinas
de programação utilizadas para selecionar o que é mais relevante para determinada
situação, sugerindo a leitura de conteúdo considerado de interesse do usuário. Os algo-
ritmos fazem essa seleção com base nos corpora de dados compostos por rastros digitais
deixados pelas ações, opções e preferências dos usuários.

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Conforme Bruno (2012), todas as nossas ações na internet deixam rastros digitais que
podem ser recuperados e usados para entender nossa navegação. A autora nos chama a
atenção para o fato de que “se historicamente entende-se o esquecimento como o efei-
to mais ‘natural’ e o registro como gesto suplementar, vivemos na rede o inverso: para
que o esquecimento se produza, é preciso uma ação deliberada” (Ibid., p. 7). Assim,
todas essas informações geradas nos nossos acessos são computadas junto com as de
milhares de outros usuários e usadas para criar “perfis de público”, prever comporta-
mentos e, assim, vender espaços de publicidade personalizada, relatórios de marketing
para empresas interessadas ou sistemas de vigilância, dentre outros. Sob essa perspec-
tiva, o rastreamento das ações na internet constitui supostamente uma via privilegiada
de acesso aos desejos e a alguns traços de personalidade dos usuários.

Voltando aos algoritmos, eles são os responsáveis, por exemplo, por fazer com que uma
publicação paga de uma página apareça no FN de usuários que não optaram por segui-
-la; por fazer com que posts com maior engajamento (curtidas, compartilhamentos e
comentários) apareçam nos FNs de mais usuários; ou que posts de usuários com quem
mais interagimos tenham prioridade e apareçam com maior frequência no nosso FN.
Esses códigos também podem agenciar quando um usuário seleciona a opção “seguir”
ou “deixar de seguir” para invisibilizar ou visibilizar os posts de determinado usuário ou
página; ou quando um usuário seleciona a visibilidade de seus posts: “público”, “todos
meus amigos”, “amigos dos meus amigos”, “amigos exceto conhecidos”, ou até mesmo
listas personalizadas como “família” ou apenas alguns amigos selecionados etc. São es-
ses algoritmos que “escolhem” quais publicações iremos visualizar em nosso FN, quais
dos seus posts os seus amigos irão visualizar e em que ordem serão exibidos.

Em geral sabe-se muito pouco sobre os algoritmos e isso suscita diferentes formas de
lidar com eles. Alguns usuários tendem a ignorá-los ou tratá-los como verdadeiras cai-
xas-pretas7 que trabalham de forma objetiva elencando conteúdos (GILLESPIE, 2014).
Também há quem os enxergue como máquinas trabalhando em prol de alguma “teoria
da conspiração”, elencando o conteúdo a favor de algum interesse político, econômico,
ideológico ou religioso.

No caso do Facebook, essa percepção e compreensão dos algoritmos é dificultada pela


própria empresa, que é pouco transparente a respeito da sua composição ou das al-
terações pelas quais eles passam. Nos seus conteúdos de divulgação oficial desde o

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lançamento do Feed de Notícias em 2006 (SANGHVI, 2006), o Facebook nos passa a


impressão de que são apenas os próprios usuários que escolhem os posts que serão exi-
bidos no FN, ou que os posts selecionados seriam simplesmente os que mais importam
para esses usuários. Como afirma o executivo responsável pela engenharia do Feed de
Notícias do Facebook, Lars Backstrom: “Idealmente, nós queremos que o ‘feed de no-
tícias’ mostre todos os posts que as pessoas querem ver, na ordem que elas querem lê-
-los” (2013, tradução nossa). Essa ideia da reunião dos posts que interessam ao usuário
também está presente na descrição do FN, na página “Produtos” (PRODUCTS…, 2017),
onde o Facebook afirma que o Feed de Notícias é o lugar onde os usuários encontram
posts sobre o que “está acontecendo com seus amigos” ou onde é possível selecionar os
tópicos que mais lhe interessam, a partir do uso das opções “seguir/deixar de seguir”
usuários, páginas e posts.

Gillespie (2011) chama a atenção para “uma importante tensão que emerge entre o que
nós esperamos que esses algoritmos sejam, e o que eles são de fato” (tradução nossa).
O próprio nome “Feed de Notícias” pode ser um entrave para a compreensão do seu
mecanismo, porque associa dois termos carregados de significados adjacentes e que
podem contribuir para obscurecer seu funcionamento. O termo feed, do inglês “alimen-
tação”, pode dar a ideia de uma atualização constante. Além disso, pode ser associado
ao termo “Feed RSS”8 que, ao contrário do Facebook, realmente envia todas as novas
atualizações para o usuário cadastrado, remetendo à ideia do repasse de informações
em fluxo contínuo e em ordem cronológica, sempre que houver novas atualizações. O
Facebook oferece, sim, a opção de visualizar todas as ações que seus amigos fazem no
ambiente, mas em um pequeno box no canto superior direito da tela (acima do box
onde vemos os amigos que estão on-line). Nesse box as interações são publicadas em
ordem cronológica – “Fulano curtiu post de Sicrano”, “Beltrano comentou na foto de
Euclano” – e é possível clicar nelas para acessar o post citado. O Facebook também
oferece a opção de notificar o usuário quando acontecerem novas interações em um
determinado post, ou quando um perfil ou página fizerem uma nova postagem, ao estilo
RSS. Mas, para isso, é preciso ativar o recebimento de notificações manualmente e a
notificação não aparece no FN, mas no canto superior direito da tela junto às outras
notificações. Esse tipo de notificação é ativado automaticamente nas publicações feitas
pelo próprio usuário ou quando o usuário deixa um comentário em um post, podendo
ser desativado a qualquer momento.

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Já o termo “notícia” vem do inglês news (que também pode ser traduzido como “novida-
de”) e pode remeter à ideia de informações atualizadas seguindo a ordem temporal dos
acontecimentos. Porém, no FN as postagens são organizadas segundo sua “importância”
e “relevância” e não seguem a ordem cronológica, mas uma ordem temporal diferida e
própria. Além disso, a escolha de traduzir o termo do inglês como “notícia” pode estar
ligada à intenção de associar o FN às noções ligadas ao termo, como relevância, impor-
tância e, principalmente, “objetividade jornalística”. Apesar da definição de notícia
ser subjetiva e cada vez mais fluida, um “gênero difuso” (SHUDSON, 2011), o conceito
ainda está carregado de significados, como o mito da “objetividade jornalística” e
do jornalismo como “espelho da realidade”, encobrindo sua construção sociotécnica.
Dessa forma, o uso do nome “Feed de Notícias” pode contribuir para o mascaramento
da agência dos algoritmos que selecionam e “permitem” que as postagens circulem no
FN. A decisão do Facebook de inserir entre essas “notícias” notificações de interação,
atualização de status e mudanças de perfil, em 2006, contribui para a ideia de notícia
como um gênero difuso nesse ambiente. Essa situação também contribui para a ideia de
uma suposta objetividade maquínica e de uma seleção baseada em relevância, como se
o próprio conceito de relevância pudesse ser tomado como algo objetivo.

Os algoritmos são realizações incertas, provisórias e frágeis por serem constantemente


refeitos e reeditados (KITCHIN, 2014a). Mesmo assim, são apresentados pelo Facebook
(e outras empresas) como atores que agem objetiva e imparcialmente. Essa percepção
dos algoritmos como objetivos é importante tanto econômica quanto politicamente, já
que para funcionar eles precisam ser programados com listas e critérios que são produ-
zidos parcialmente por pessoas e grupos de interesse, como salienta Gillespie (2014):

a cuidadosa articulação de um algoritmo como imparcial (mesmo quando essa caracteriza-


ção é mais ofuscante do que explicativa) o certifica como um ator sociotécnico confiável,
confere aos seus resultados relevância e credibilidade, e mantém a aparente neutralidade
do provedor diante das milhões de avaliações que faz (p. 179, tradução nossa).

Porém, essa suposta objetividade tem sido frequentemente questionada, por exemplo,
quando a possibilidade do Facebook “esconder” posts dos usuários veio à tona a partir
da pesquisa desenvolvida por Kramer et al. (2014), que buscou mostrar como o conteú-
do dos FNs pode influenciar o humor dos usuários. De acordo com os autores, posts com
emoções negativas geram publicações negativas e posts com emoções positivas geram
publicações também positivas. Contudo, a publicação da pesquisa gerou uma enorme

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polêmica em torno da metodologia utilizada. Isso porque, para estimular as emoções


negativas ou positivas, o conteúdo exibido no FN de 689 mil usuários foi manipulado
sem aviso prévio nem consentimento dos envolvidos. O Facebook se defendeu afirman-
do que essa possibilidade estava prevista nos “Termos de Uso” do site, aceito pelos
usuários ao criar a conta9, o que não muda o fato do conteúdo ter sido manipulado.

A angústia de trabalhar com entidades tão instáveis e imprevisíveis não é exclusiva do


Facebook, mas intrínseca aos algoritmos no geral. De acordo com Rob Kitchin (2014a, p.
13), os efeitos dos algoritmos e do poder delegado a eles não podem ser previstos por
três motivos: 1) os algoritmos fazem parte de amplas redes de relações que medeiam
e influenciam sua ação; 2) a performance dos algoritmos pode ter efeitos colaterais e
consequências involuntárias, e eles podem agir de formas não previstas quando não
acompanhados de perto pelos responsáveis por sua programação; 3) os algoritmos po-
dem ser parciais ou cometer erros devido a falhas ou bugs. Além disso, os algoritmos
não são apenas o que os programadores almejam, mas o resultado de como os usuários
lidam com eles no dia a dia, subvertendo, reinventando e retrabalhando suas intenções
iniciais10. Assim, Kitchin (2014a, p. 12) aponta que, longe de serem neutros e apolíticos,
os algoritmos constroem e implementam regimes de poder e conhecimento, e o seu uso
tem implicações normativas. Além das informações sobre as preferências e interações
dos usuários, eles também geram e armazenam outros tipos de dados, que são usados
para diversos fins.

O QUE DIZ O FACEBOOK SOBRE OS ALGORITMOS DO FN?

Até 2013, o conjunto de algoritmos responsáveis pelo FN era chamado de EdgeRank e


seu cálculo baseava-se em três variáveis, com valores diferentes, segundo a fórmula:
“EdgeRank = afinidade × peso × tempo” (BUCHER, 2012). Ele foi substituído por outro
conjunto, sem nome específico, que contém essas e mais centenas de variáveis desco-
nhecidas do público e que são constantemente atualizadas. São tantos algoritmos agin-
do em conjunto que seria errôneo falar deles no singular (OREMUS, 2016). De acordo
com o engenheiro de softwares e o cientista de dados do Facebook, Sami Tas e Ta Virot
Chiraphadhanakul (2015), a constante atualização desses critérios “ajuda a ter certeza
de que lhes mostraremos o conteúdo mais relevante” (tradução nossa).

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Em agosto de 2013, o Facebook anunciou que passaria a publicar informações sobre


o funcionamento dos algoritmos voltadas principalmente para os usuários e empresas
interessadas em comprar espaços de marketing e publicidade no ambiente. Esse con-
teúdo passou a ser publicado no site Newsroom11, na categoria News Feed FYI12, e re-
publicado no blog Facebook for Business. O Newsroom concentra, desde 2006, todas as
informações oficiais sobre o Facebook, publicadas nos diversos blogs, e foi através dele
que coletamos as informações que usamos neste trabalho.

No post inicial da categoria News Feed FYI, do dia 6 de agosto de 2013, Lars Backstrom,
engenheiro responsável pelo FN, explica que os textos ali publicados “destacam atu-
alizações importantes no Feed de Notícias e explicam o pensamento por trás delas”
(BACKSTROM, 2013, tradução nossa). Dentre outras informações, a empresa anunciou
novos critérios levados em consideração pelos algoritmos do FN e informou que o peso
das variáveis foi ajustado para entregar “o conteúdo certo, para as pessoas certas, no
tempo certo” (BACKSTROM, 2013, tradução nossa). Segundo esse post inaugural, os
algoritmos estavam “aprendendo” a lidar com conteúdos virais no ambiente ou a en-
tender o gosto dos usuários para selecionar as propagandas mais adequadas. Sem entrar
em detalhes sobre o funcionamento dos algoritmos ou sobre o peso que cada variável
tem no conjunto, Lars Backstrom (2013) enumera algumas das variáveis levadas em
consideração na constituição dos FNs dos usuários. São elas:
-- a frequência de interação que o usuário mantém com uma certa página ou usuário;

-- o número de interações de um determinado post;

-- a frequência de interação do usuário com um tipo de post;

-- a frequência da ativação dos filtros “esconder” ou “reportar spam” em um post;

-- a data de publicação do post, sendo que sua variável aumenta de valor quanto mais re-
cente ele for (BACKSTROM, 2013).

Depois desse primeiro post, várias outras informações sobre mudanças no modo de
operação desses algoritmos foram publicadas até o dia de finalização do trabalho em
questão (agosto de 2016). Entre agosto de 2013 e agosto de 2016, o Facebook publicou
34 textos na categoria NewsFeed FYI contendo modificações no modus operandi dos
algoritmos do FN.

No Quadro 1, apresentamos um resumo de cada uma dessas 34 publicações.

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Quadro 1: Alterações nos algoritmos do FN anunciadas na categoria


NewsFeed FYI do site Newsroom
Data Resumo das modificações
06/08/2013 Anúncio do início das postagens.
23/08/2013 Prioridade a posts de páginas com “conteúdo de alta qualidade”.
27/09/2013 Seleção de anúncios de acordo com interesse dos usuários.
Mais destaque aos “artigos de alta qualidade”, notícias em especial; menos para “fotos
02/12/2013
meme”.
Diferenciação entre posts de texto de usuários e de páginas, dando preferência aos
21/01/2014 primeiros.
Início da transformação de links em caixas de destaque inseridas no corpo do post.
24/02/2014 Marcações de páginas em posts também passam a ser inseridas nos FNs dos usuários.
10/04/2014 Redução do número de spams exibidos nos FNs.
Postagens publicadas pelos usuários, via aplicativo, têm prioridade em relação a posts
27/05/2014
automáticos de terceiros
Critérios do ranking de vídeos postados no ambiente: passa a considerar o tempo de
23/06/2014 exibição.
Usuários que veem mais vídeos terão mais vídeos exibidos no topo do seu FN.
Links compartilhados na caixa de destaque passam a ter preferência de exibição.
25/08/2014 “Manchetes isca de clique” (Clickbait Headlines, em inglês – é preciso clicar no link
para saber do que trata) perdem prioridade.
Usuários passam a ser questionados sobre o porquê de não desejarem visualizar um
11/09/2014
anúncio. As respostas são usadas para definir prioridades de exibição.

Atualização na escolha do momento em que o post é exibido nos FNs. Preferência


18/09/2014
àqueles que falam sobre trending topics e posts com engajamento momentâneo.

Lista com a fonte dos posts mais visualizados recentemente facilita a opção de seguir
07/11/2014 ou não aquele conteúdo.
Usuário pode “esconder” um post e selecionar a opção “deixar de seguir” no próprio FN.

14/11/2014 Menos exibição de conteúdo promocional de páginas.


20/01/2015 Posts acusados como “conteúdo falso” pelos usuários perdem prioridade de exibição.
Novidades anunciadas no F8 (voltadas para desenvolvedores), como a possibilidade de
03/04/2015
assistir a vídeos externos no próprio ambiente e a melhora dos plugins sociais
Para atender usuários com pouco conteúdo a ser exibido ou que passam mais tempo
no ambiente, o Facebook atenua a regra de não exibição de posts da mesma fonte
seguidos.
21/04/2015
Conteúdo postado por amigos próximos ou páginas com as quais usuário mais interage
aparecem no topo do FN e notificações das interações de amigos com os posts aparecem
no fim.
O Facebook afirma: o tipo de conteúdo exibido no FN é reflexo das interações do usuário
07/05/2015
e, consequentemente, das suas filiações ideológicas.
Uso da diferença de tempo gasto nos posts como novo indicador de aprovação do
12/06/2015
conteúdo.
Ações nos vídeos (volume, tela cheia, rever) usadas como indicador de aprovação do
29/06/2015
post.
Usuário pode selecionar páginas e usuários com prioridade de exibição no seu FN.
09/07/2015 Listas organizadas facilitam a deixar de ou voltar a seguir páginas e usuários.
Sugestões para seguir páginas com base nas interações do usuário.

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JORGE
CARLOS
CARDOSO
D’ANDRÉA
FILHO

31/07/2015 Menos peso ao indicador “esconder” um post entre usuários que o usam com frequência.
O FN passa a selecionar o conteúdo de acordo com a velocidade da internet usada para
06/10/2015
acesso.
08/10/2015 Início dos testes com os Reactions, novos botões de curtir, na Espanha e Irlanda.
04/12/2015 Usuários questionados sobre interesse em visualizar posts considerados “virais”.
Quando offline, usuários podem escrever comentários nos posts para postá-los no
09/12/2015
momento em que estiverem on-line.
Os algoritmos priorizarão no topo dos FNs posts que os usuários mais gostariam de ver
01/02/2016
ou com maior probabilidade de engajamento.
O uso dos Reactions será interpretado como uma curtida comum, independentemente
24/02/2016
da reação escolhida pelo usuário.
01/03/2016 Vídeos de lives (ao vivo) feitas no Facebook terão prioridade sobre outros vídeos.
Tempo gasto na leitura de conteúdo externo ou de Instant Article, acessado via FN, será
21/04/2016 levado em consideração.
Menos probabilidade de aparecerem vários posts de uma mesma página.
22/04/2016 Explicação de como o FN funciona. Veja detalhes na FIGURA 3.
29/06/2016 Prioridade para posts de amigos próximos.
04/08/2016 Diminuição de clickbaits a partir de palavras-chave nos títulos de links.
Prioridade para posts informativos, segundo classificação de “informação” personalizada
11/08/2016
para o usuário.

Fonte: Elaboração própria, baseado em Newsroom (2016).

Pela síntese disponível no Quadro 1, é possível identificarmos o crescente conjunto


de variáveis que, gradativamente, passaram a influenciar a composição do Feed de
Notícias. Entre outras, são citadas as especificidades do aparato técnico usado para
acessar o Facebook, a velocidade da internet, o tipo de conteúdo publicado (vídeos
são mais bem posicionados, por exemplo), quando o conteúdo foi publicado e como o
usuário interagiu com os posts.

Algumas tensões podem ser identificadas nas informações institucionais divulgadas pelo
Facebook sobre FN. A plataforma oscila, por exemplo, entre dar mais destaque a con-
teúdos de interesse pessoal (publicado por amigos, em geral) ou informações de in-
teresse mais amplo (postadas por páginas), explicitando a ambiguidade em torno do
termo “news”: ora a ênfase está nas notícias, ora em novidades mais gerais. Nota-se
também uma tensão no destaque dado aos conteúdos patrocinados e àqueles postados
voluntariamente pelos seguidores. Além disso, o Facebook parece se ocupar ora com
a renovação do FN, isto é, com a inserção de mais posts inéditos, ora com um maior
peso a conteúdos mais populares, ainda que isso implique em uma certa redundância
nas postagens selecionadas para cada rede textual. A diversidade de fontes é também
uma questão evidenciada nas informações oficiais do Facebook, assim como chama a

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atenção a crescente possibilidade de personalização a configuração do FN, por exemplo


escondendo ou denunciando postagens.

Além dessas modificações publicadas na categoria NewsFeed FYI, outras variáveis dire-
tamente configuráveis pelos usuários influenciam os algoritmos, como as opções feitas
nas “configurações de relacionamento”, em que posts de usuários classificados como
“melhor amigo” ou “conhecidos” têm peso diferente. Como vemos na montagem da
Figura 1, ao clicar no símbolo no canto superior direito, optando por esconder o conte-
údo, o usuário também pode optar por visualizar menos posts como aquele e/ou ocul-
tar todos os posts de um usuário ou de um grupo. Quando o usuário seleciona a opção
“Denunciar publicação”, ou opta por não visualizar um post de propaganda, é convida-
do a “explicar” aos algoritmos o porquê da sua decisão.
Figura 1: Montagem feita com printscreens do FN da autora

Fonte: Elaboração própria.

Além das postagens no blog Newsroom, o Facebook vem se manifestando publicamente


sobre o Feed de Notícia” em outras ocasiões. Em abril de 2015, durante a conferência
anual de desenvolvedores – o F8 –, a instituição publicou um vídeo13 em que os enge-
nheiros fazem uma apresentação didática com as últimas alterações nos algoritmos.
Nessa apresentação, a avaliação dos usuários foi destacada como fator importante na
seleção e desenvolvimento dos critérios levados em consideração pelos algoritmos.
Uma das formas de detectar a opinião dos usuários foi convidando-os a responder a um
questionário para “explicar” aos algoritmos os motivos pelos quais optaram por não
visualizar um post no seu FN14 (NEWS..., 2015).

Na Figura 2, com base no vídeo gravado no F8 em abril de 2015, fizemos uma monta-
gem que reproduz a forma como a hierarquização dos posts seria feita. Na imagem,
podemos ver que algumas das variáveis mencionadas anteriormente geram uma nota

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para o post – sendo que cada interação tem um valor diferente – e a organização no FN
depende da nota total em comparação às notas dos outros posts.
Figura 2: Montagem feita com imagens e informações sobre a organização dos posts no FN

Fonte: Elaboração própria, baseado em “HOW news feed works?” (2015).

Na Figura 2, vemos quatro posts diferentes: o primeiro e o segundo são links, o terceiro
é um vídeo e o quarto é uma foto. No vídeo, o Facebook não informa o peso de cada um
dos critérios, apenas nos mostra como a nota de cada post é diferente, como podemos
ver na imagem. Podemos ver que, além do tipo de post, também são enumeradas outras
características, como a origem do post e o número de interações. Após a consideração
de cada critério, vemos que a publicação recebe uma nota final que serve como base
para organização do conteúdo no FN. Vale ressaltar que essa montagem não representa
a seleção dos algoritmos em sua totalidade, mas apenas uma exemplificação dada pelo
próprio Facebook de algumas das dezenas de variáveis que são levadas em consideração
e que influenciam na ordem de exibição dos posts no FN.

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Em abril de 2016, o Facebook postou outro vídeo no Newsroom, em que o seu vice-
-presidente da gerência de produtos do Feed de Notícias, Adam Mosseri, também ex-
plica como se dá o funcionamento do FN (MOSSERI, 2016). No vídeo, Mosseri afirma
que o foco do FN é a experiência do usuário, inclusive nos níveis técnicos, porque “a
longo prazo, mais e mais pessoas usarão o Facebook e que elas irão passar mais e mais
tempo nele. Isso será bom para eles, bom para o Facebook e bom para os editores [as
páginas]15” (Ibid., tradução nossa). Também alega que o que mais importa para os algo-
ritmos, na hora da seleção dos posts, é quem são os amigos do usuário e quais páginas
ele decide seguir.

Na Figura 3, feita a partir de imagens tiradas da apresentação de Mosseri, vemos que


os critérios afirmados como “principais” na seleção dos posts continuam os mesmos:
origem, número de interações, tipo de conteúdo e data de postagem.
Figura 3: Montagem com imagens feitas a partir de um vídeo postado pelo Facebook

Fonte: Elaboração própria, baseado em Mosseri (2016).

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A explicação de como os posts são elencados também não muda e segue sendo a partir
de uma nota (relevance score) específica para cada um dos amigos/seguidores do usuá-
rio/página que fez o post. Na Figura 3, Mosseri exemplifica a diferença da nota daquele
post para cada um dos três amigos do usuário que o publicou. Essa nota determina a
probabilidade daquele post aparecer para cada um desses usuários, em seus próprios
FNs, e da posição em que aparecerá. A nota está relacionada com a frequência de inte-
ração entre os usuários (o amigo e quem publicou o post) e a proximidade “declarada”
entre eles (se foram selecionados como amigos, família etc.), além de outras variáveis
não declaradas aqui, mas percebidas a partir do QUADRO 1 (como preferência por ima-
gens a textos, por exemplo).

Nesse vídeo, Mosseri fala especificamente sobre a reorganização do FN a cada acesso do


usuário, como está representado no último quadro da Figura 3. Como já mencionamos,
o FN é dinâmico e fluido e não existe antes do acesso: os posts são organizados no mo-
mento em que o usuário acessa seu perfil no Facebook. No exemplo da Figura 3, vemos
como o FN do usuário foi modificado após um segundo acesso, às 10h: ao FN exibido às
9h foram acrescentados novos posts, organizados a partir das suas notas de relevância.

No vídeo, o executivo também afirma que o Facebook se baseia no engajamento dos


usuários para saber se essa classificação dos posts está atendendo aos seus interesses
(MOSSERI, 2016). Além disso, afirma que a empresa tem investido em um programa cha-
mado Feed Quality Panel que é dividido em duas frentes. Em uma delas, usuários são
convidados a organizar os posts na ordem em que gostariam de vê-los e, na outra, são
convidados a responder on-line questionários sobre o seu interesse em determinados
posts. Essas respostas são comparadas com aquelas produzidas pelos algoritmos, para
saber o quão próximas elas são.

APONTAMENTOS E CONSIDERAÇÕES FINAIS

O Facebook é um ator fundamental na conformação e emergência de redes textuais e


sentidos na rotina de mais de um bilhão de pessoas ao redor do mundo. A interface de
acesso às informações que circulam nessa rede sociotécnica é o Feed de Notícias (FN),
uma composição híbrida formada por conteúdos postados por usuários e páginas e arti-
culada por algoritmos específicos. Esses algoritmos atuam como uma composição fluida
que, com base nos bancos de dados que armazenam os rastros digitais dos usuários,
exibem posts selecionados no momento do acesso aos seus perfis.

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Como tentamos mostrar ao longo desse trabalho, sabe-se muito pouco sobre os al-
goritmos e, apesar de serem apresentados pelo Facebook como entidades que agem
de forma neutra e imparcial, são realizações incertas, provisórias e frágeis (Kitchin,
2014a), passíveis de edições constantes. A partir da síntese de 34 posts publicados no
site Newsroom, na categoria News Feed FYI entre agosto de 2013 e agosto de 2016, pu-
demos perceber como o número de variáveis que compõem esses algoritmos foi aumen-
tando, gradativamente, ao longo dos anos. Cada uma dessas variáveis influencia o que
os usuários irão receber em seus FNs e agenciam na lógica de (in)visibilidade realizada
pelo Facebook. A partir dos dados, também pudemos perceber algumas tensões nas in-
formações institucionais divulgadas pelo Facebook sobre FN (por exemplo, a oscilação
da empresa em dar mais destaque a conteúdos de interesse pessoal ou informações de
interesse mais amplo, explicitando a ambiguidade em torno do termo “news”).

Percebemos, a partir das falas de diversos porta-vozes oficiais, que o Facebook preten-
de passar a ideia de que o FN é um local onde os posts de nossos amigos são organiza-
dos segundo sua relevância; que somos nós quem ditamos os critérios de classificação
dos posts como relevantes ou não (através dos nossos agenciamentos); que, portanto,
trata-se de uma classificação personalizada para atender às nossas expectativas; e que
podemos visualizar todos os posts de todos os amigos que nos são caros, se assim o qui-
sermos. Trata-se, como aponta Gillespie (2014), de um cuidadoso esforço de apresenta-
ção dos algoritmos como imparciais, confiáveis, neutros, credíveis.

Por outro lado, nota-se uma crescente pressão – por parte de usuários, da impressa, de
anunciantes e outros – para que a empresa dirigida por Mark Zuckerberg forneça mais
informações sobre o funcionamento do Feed de Notícias e de outros ambientes baseados
em algoritmos. Nesse sentido, as informações publicadas no blog Newsroom sob a ca-
tegoria NewsFeed FYI podem ser vistas como o resultado de um “desencaixapretamen-
to” parcial do conjunto de algoritmos que atuam no FN, ou seja, uma explicitação dos
agenciamentos que se dão dentro dessa determinada rede sociotécnica (a caixa-preta
dos algoritmos do Facebook). Ainda que as informações sejam limitadas, nos parecem
suficientes para melhor compreendermos as amplas redes de relações estabelecidas por
esse exemplo de “algoritmo de relevância pública” (GILLESPIE, 2014)

Não questionamos a veracidade dessas informações oficiais, mas sabemos que a plata-
forma pode “esconder” alguns posts ainda que queiramos visualizá-los, como aqueles
que contenham conteúdo considerado contrário aos termos de uso do site, como nudez

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(JURNO; D’ANDRÉA, 2017) ou pedofilia, por exemplo. Dessa forma, não se trata de um
local onde encontramos “todos” os posts de nossos amigos, apesar de sermos frequen-
temente informados disso.

Mesmo com o crescente volume de informações fornecidas pelo Facebook, ainda sabe-
mos muito pouco sobre o funcionamento dos algoritmos, mas é possível afirmar que, de
forma crescente, cada um dos agenciamentos no site agencia também inúmeros outros
atores. Um exemplo é quando, em junho de 2014, passou-se a considerar o tempo de
exibição de um vídeo como critério de exibição de um conteúdo (WELCH; ZHANG, 2014)
e, depois de exatamente um ano, anunciou-se que a regra valeria também para os ou-
tros tipos de posts (YU; TAS, 2015).

A partir de cálculos pouco conhecidos, os algoritmos instauram uma lógica própria de


administração dos fluxos de informações e reorganizam os conteúdos a fim de contem-
plar aquilo que detectam como sendo de interesse de cada um, instaurando um regime
peculiar de visibilidade e invisibilidade (GILLESPIE, 2014) e uma nova lógica de conheci-
mento (BUCHER, 2012). Dentre vários exemplos, vale citar a postagem institucional de
dezembro de 2013, quando o Facebook anunciou que exibiria mais conteúdo de páginas
de notícias para que os usuários tivessem “sobre o que falar” (KACHOLIA; JI, 2013).

Para além dos objetivos centrais deste artigo, parece-nos importante apontar, por fim,
que as informações geradas pelos algoritmos são empregadas para vários fins, como
governar sociedades, gerenciar organizações, alavancar rendimentos e regulamentar
espaços. Esses dados são inseridos em sistemas que, paradoxalmente, visam tornar as
sociedades mais seguras, competitivas, produtivas, eficientes, transparentes e respon-
sáveis; mas o fazem por meio de monitoramento, disciplina, repressão, persuasão, co-
erção e exploração de pessoas (KITCHIN, 2014b). Dessa forma, torna-se impossível pen-
sarmos nessas mídias sociais como neutras e faz-se essencial analisarmos criticamente
as escolhas de conteúdo feitas por essas plataformas, uma vez que elas influenciam nas
articulações públicas e na circulação de informações.

REFERÊNCIAS

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set. 2017.

NOTAS
1 Dados de agosto de 2016 (Cf. INFORMAÇÕES…, 2017).

2 Não desconsideramos o fato de que essas ações também podem ser realizadas por robôs e algoritmos.

3 Seis novos Emojis que foram adicionados ao botão “curtir” e estavam em teste na Espanha e na Irlanda no
momento de escrita do trabalho. Os Reactions foram disponibilizados para uso no Brasil em fevereiro de 2016
(REACTIONS…, 2016).

4 Notícias interativas postadas diretamente no ambiente, visíveis apenas em dispositivos móveis, e que foram
lançadas no Brasil em dezembro de 2015. Cf. INSTANT…, 2015.

5 Neologismo advindo do verbo tag que, em inglês, significa “etiquetar, marcar”.

6 Originalmente: public relevance algorithms. Além desses, o autor cita também instruções para navegação,
fórmulas matemáticas que predizem movimentos de corpos celestiais ou os próprios computadores como outros
exemplos de algoritmos. (GILLESPIE, 2014)

7 A expressão “caixa-preta” é comumente usada entre autores de STS em referência a redes sociotécnicas
estabilizadas com difícil acesso às suas associações internas; que agem em outras redes sociotécnicas como
atores unos. De acordo com Bruno Latour (2000, p. 14), “a expressão caixa-preta é usada em cibernética
sempre que uma máquina ou conjunto de comandos se revela complexo demais. Em seu lugar, é desenhada
uma caixinha preta, a respeito da qual não é preciso saber nada, senão o que nela entra e o que dela sai”. Ou
seja, uma caixa-preta é um “caso encerrado, uma asserção indiscutível” (Ibid., p. 43), uma rede de atores da
qual não se conhece o interior, somente seu funcionamento enquanto ator singular em uma determinada rede
de atores.

8 O “Feed RSS” é o nome de um mecanismo, usado principalmente em blogs e sites de notícias, que envia
notificações à pessoa que inscreve seu e-mail.

9 McNeal (2014), em artigo publicado no site da revista Forbes, afirma que a alteração nos “Termos de Uso” foi
feita após a realização da pesquisa.

10 Por exemplo, quando os engenheiros do Facebook precisaram adaptar os algoritmos para atender a usuários
que utilizavam a opção “esconder post” com um sentido diferente do imaginado por seus desenvolvedores. De
acordo com Will Oremus (2016), esses usuários usavam o botão para arquivar posts visualizados e prejudicavam
a avaliação dos posts pelos algoritmos.

11 Disponível em: <http://newsroom.fb.com/>. Acesso em: 20 set. 2017.

12 FYI: sigla em inglês para “For Your Information”, que pode ser traduzido como “para sua informação”. Disponível
em: <https://newsroom.fb.com/news/category/news-feed-fyi/>.

contemporanea | comunicação e cultura - v.15 – n.02 – maio-ago 2017 – p. 463-484 | ISSN: 1809-9386 483
SOBRE MÚSICA, ESCUTA
(IN)VISIBILIDADE ALGORÍTMICA
E COMUNICAÇÃO
NO “FEED DE NOTÍCIAS” AMANDA JURNO,
JORGE
CARLOS
CARDOSO
D’ANDRÉA
FILHO

13 Cf. NEWS…, 2015.

14 De acordo com Will Oremus (2016), o Facebook já se valia de perguntas aos usuários para avaliar os critérios
de seleção destes. Segundo ele, em 2014, algumas centenas de usuários do Tennessee (EUA) foram convidados
e pagos para responder algumas perguntas sobre os seus próprios FNs. Em 2015, porém, essas perguntas
abrangeram mais usuários.

15 A expressão original é publishers, em inglês.

Artigo submetido em: 05 de setembro de 2016.

Artigo aceito em: 13 de julho de 2017.

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