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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS CAMILO CASTELO BRANCO

E. B. 2,3 Júlio Brandão

FICHA DE LEITURA

Aluno: Martins Berríos. Carla Estefanía


nº: 3 Ano: 7º Turma: 6
Título da obra Poema “Limites” do livro “O Fazedor”

Autor: Jorge Luís Borges

Editora: Companhia das Letras

APRESENTAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DA PERSONAGEM PRINCIPAL:

A personagem principal do poema eleito é o tempo. Difícil de apresentar, é claro, já


que não obstante de ser um antagonista em nossas vidas, não podemos culpar
mediocremente a algo o a alguém para justificar seus efeitos ¿É o tempo
verdadeiramente “algo”? ¿Podemos falar de “ele” como algo existente? ¿O
simplesmente não queremos perceber que a culpa a tem o facto de que existimos?

O tempo é definitivamente difícil de apresentar. Mas se o tempo é consequência da


vida; de nossas vidas; a personagem principal do poema “Limites” somos nós, os
humanos. Ou todo ser existente que seja pouco a pouco estragado pelo tempo. A
personagem principal o é tudo.

Este poema de Jorge Luís Borges toca este tema inefável de forma surpreendente,
transmitindo todo seu significado a partir de sentimentos.

Sempre achei que esta era a graça da escritura. Despertar sentimentos desenhando
formas num papel, ou num ecrã. Explicar o que resulta inexplicável dizendo umas
quantas palavras. Descrever a imensidade num poema de 10 estrofes. Despertar
sentimentos em seres viciados a eles, que pesquisam e criam meios só com este fim,
uma droga que move e reproduz massas e que querem sentir-se especiais com um
sentimento com o único fim de preservar a especie humana. Provavelmente esta seja
a ração pela que o amor é um tema muito comum na literatura, no canto ou outras
expressões artísticas.

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O sentimento que este conjunto de versos transmite, diria pouco convencional neste
meio, é a ansiedade. E que boa forma de exprimir o inquietante que resulta saber que
somos finitos, de que exista a probabilidade de que estamos neste momento suspirando
por última vez, de que exista uma última vez.

Desde tempos imemoriais os humanos tememos ao desconhecido, pensar que não


temos todo sob controlo resulta-nos aterrorizante. A morte é tenebrosa porque não
sabemos com exatidão “o que há” depois dela. O tempo é tenebroso porque cada
segundo que passa estamos cada vez mais cerca a nossa incerta morte, cada segundo
o tempo envelhece pouco a pouco nosso caminhar, tempo irrelevante que é um
pestanejar comparado com a eternidade. Tempo que pode acabar em qualquer
momento.

Neste poema, ações banais tomam outro significado, embora toda ação ou ser cobra
outro significado pessoal se pensamos no seu fim sem data assinada, que também
acaba por ser insignificante com o correr dos anos. Anos, dias, horas? Esta organização
do tempo será só uma ilusão de nossa parte? O que é o tempo? Não há respostas.
¿Alguém sacrificará seu tempo para saber o que este fenómeno é ou é totalmente inútil
batalhar com algo que inconscientemente debilita-nos cada segundo?

Não poderemos batalhar com o tempo nem com a morte, mas podemos batalhar com
nós mesmos. É irónico como nossa vida resulta ser mais limitada pela sociedade que
pelo tempo, por réguas criadas por pessoas que não tem o tempo suficiente neste
mundo para manipular-lho. Borges expresa esta ideia no segundo paragrafo do poema:

“Que, com antecedência, fixa leis omnipotentes,


ajusta uma balança secreta e inflexível,
para todas as sombras, formas e sonhos
tecidos na textura desta vida.”

Em conclusão, não há conclusão nestes temas. Só preguntas que vão fora do meu
alcance, preguntas que um poema de 10 parágrafos pode transmitir, tão vagas e
rebuscadas como meus escritos. Para que buscar-lhe explicações aos sentimentos?
Para que buscar-lhe um significado à morte? Sente. Vive. As explicações não valeram
nada numa tumba.

2
Sente este poema.

Escola EB 2/3 de Júlio Brandão, (12 de maio de 2019)

Assinatura

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