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A POTENCIALIDADE CULTURAL E OS IDEAIS CONTRADITÓRIOS DA

BANDEIRA AMERICANA

Laura Sofia Pinzón C.

Cultura Popular Norte-Americana

Margarida Isabel de Oliveira Vale de Gato

Universidade de Lisboa

6 de Maio de 2019

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CONTEÚDO
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 3
2. O PERIGO DO NACIONALISMO ...................................................................................... 5
3. A ANÁLISE DA BANDEIRA AMERICANA NA CULTURA POPULAR ....................... 7
4. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 10
5. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................................. 11
5.1. FILMOGRAFIA.......................................................................................................... 11
6. ANEXO DE IMAGENS ..................................................................................................... 12
Imagem 1 ..................................................................................................................................... 12
Imagem 2 ..................................................................................................................................... 12
Imagem 3 ..................................................................................................................................... 12

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1. INTRODUÇÃO
A bandeira, como símbolo visual representativo de um país, é portadora de

diferentes aceções e propósitos, especialmente quando é analisada a evolução dos

significados que nela se englobam. Este artefacto começou a ser usado com o intuito de

distinguir exércitos, para que não se confundissem evitando, portanto, a morte de

centenas de soldados de grupos aliados. Entretanto, a bandeira foi adquirindo grande

potencialidade ideológica e foram-lhe sendo atribuídos diversos outros significados,

todos fortemente ligados com a ideia do povo e de nação, isto, por consequência,

permitiu que em diversos países, mas em especial, nos Estados Unidos da América, este

objeto tivesse um papel primordial na história, ideologia e cultura da sociedade.

A grande maioria dos ideais americanos são sacralizados e espelhados em

objetos físicos, os quais são representações visuais do país em si. A bandeira é

indubitavelmente o artefacto ideal para a identificação deste país (seja pela visão

idealizada da nação ou pelo potencial cultural e contraditório que a própria acarreta,

ambas serão analisadas a fundo posteriormente).

Um simples retângulo com formas e cores tem em si muito conteúdo e história:

As treze listras representam as colónias que lutaram e venceram contra a Inglaterra,

simbolizam, portanto a grandeza passada, já as estrelas constituem a totalidade dos

estados que integram o território americano, expressando o presente. As cores, por sua

vez, complementam a narrativa das listras e estrelas espelhando três dos mais

primordiais ideais americanos: a justiça (azul), a pureza (branco) e a coragem

(vermelho). Este conjunto de símbolos expressaria o que a bandeira, teoricamente,

representaria.

Não obstante, em uma análise mais detalhada e crítica da história dos Estados

Unidos, os ideais de justiça, liberdade e unidade não parecem ser igualmente aplicados
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aos cidadãos, demonstrando uma e outra vez que o país é palco de contantes atos de

violência, em especial, contra os afro-americanos, ao longo dos anos. Deste modo, a

nação provou ser hipócrita em relação aos princípios que tão ferozmente defende,

excluindo e antagonizando os que são contrários aos ideais defendidos pelos grupos que

têm maior monopólio sobre este símbolo americano.

Este ensaio tem por objetivo descrever e analisar a importância que a bandeira

americana tem na sociedade e na cultura, e de como este artefacto foi apropriado e

subvertido com a finalidade de fazer uma crítica social, muitas vezes inserida num

contexto contracultural.

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2. O PERIGO DO NACIONALISMO

A bandeira americana tornou-se algo mais do que um símbolo político, representa

agora aquilo que, teoricamente, une a população. A necessidade de um artefato que

afirme ou que represente a unidade nacional é algo que os norte-americanos buscam

desde a Revolução Americana. Este ato revolucionário proclamou ao mundo o direito à

independência e à livre escolha de cada povo e de cada pessoa, um princípio que se

afirmaria com grande força nos ideais dos americanos ao longo dos anos.

Albert Boime no artigo intitulado Waving the Red Flag and Reconstituting Old

Glory chama a atenção para as potencias funcões da bandeira: “(…) they connote

allegiance to the group identity, flags can inspire soldiers to sacrifice their lives for the

glory and honor of their nation”. A relação com a bandeira evidente nos cidadãos norte-

americanos é curiosa e assustadora, ao mesmo tempo, certamente que é importante que

uma nação tenha algo que, não só a caracterize e a destaque das demais, mas que

também tenha a capacidade de ser um elemento identitário nacional, entretanto os

sacrifícios que os cidadãos fariam por viver dos ideais espelhados na bandeira é

estarrecedor.

Ademais dos ideais, os americanos pretendem que a bandeira seja, acima de tudo,

o denominador comum, entretanto, Boime argumenta que “(…) when people genuinely

feel themselves to be a part of a community, there is little need for a distinctive sign of

their association”, as tentativas de (im)por um símbolo comum a todos reflete as

divisões, nomeadamente étnicas e sociais, existente naquela sociedade.

Para sair um pouco da esfera norte-americana e refletir sobre esta questão,

tomemos o exemplo da política brasileira atual. Os apoiantes do atual presidente

brasileiro, Jair Bolsonaro, usam constantemente a bandeira do Brasil para afirmar a

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unidade dos “verdadeiros defensores da pátria”, isto, em contraste, acaba por ser

sobretudo uma tentativa de separar os, que para eles seriam, brasileiros “autênticos”,

“verde e amarelo”, dos outros, atualmente denominados de “vermelhos”, apoiadores do

Partido dos Trabalhadores (PT) e referência direta à “ameaça” comunista que assolou os

Estado Unidos no período da Guerra Fria, que representam uma ameaça. O grupo que

detém o maior monopólio sobre ideologias expressadas pela bandeira, rendo como

exemplo a classe média caucasiana, é com toda a certeza o grupo que menos sofre na

realidade social do país em que vive, é também o grupo que tenta impedir que qualquer

opinião contrária à sua coexista. Parece-me ser este o grande perigo do nacionalismo, e

a diferença fundamental entre o patriotismo saudável: a pretensão de que apenas os

ideais partilhados por um grupo que, frequentemente se mostra insensível à violência

contra diversos outros grupos (étnicos, LGBTQ+, etc), permaneçam, e a consequente

propiciação da violência e aumento a divisão de étnica e de classes.

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3. A ANÁLISE DA BANDEIRA AMERICANA NA CULTURA POPULAR

A importância da bandeira americana continuou a perdurar na história e sociedade

do país. Desde a adoção da Old Glory o molde da bandeira atual1 a relação dos

cidadãos com este artefacto tornou-se ainda mais intensa, a bandeira agora parece ter

passado a ser um objeto sagrado, tornando ainda mais desconcertante a lealdade e

devoção em relação a este símbolo.

Esta sacralização da bandeira, também significou que a sua passagem para a

cultura popular não haveria de ser impercetível e a presença em inúmeros filmes e séries

de televisão refletia e exacerbava o patriotismo, que já fazia parte do quotidiano

americano. Até hoje, em filmes e séries, frases como “I am American” ou “This is

America”, acarretam todos os ideais expresso pela bandeira e pelos quais valeria a pena,

numa visão americana, se sacrificar. O exército é a entidade que mais aufere deste

patriotismo exacerbado, proclamando os soldados como “(…) guardian[s] of freedom

and the American way of life.”2.

Contudo, especialmente nos anos 60, era visível a revolta de própria população

americana e desilusão com o que a nação representava. George Hanson, uma

personagem do filme Easy Rider, de Dennis Hopper, comenta em um determinado

momento do filme “This used to be a hell of a good country”, demonstrando que,

anteriormente ao período dos anos 60 a visão da América era outra, muito mais

idealizada. A Guerra do Vietname (não só, mas especialmente) mostrou ao povo a

manipulação e mentiras perpetuadas pelo governo, cujo objetivo deveria ser,

principalmente, o de personificar, em cargos públicos, os ideais americanos. A quebra

1
Ver “Imagem 1” do Anexo de Imagens.
2
Um dos ideais, encontrados numa página web do exército americano, que se pretende que os soldados
sigam. Acessível em: https://www.army.mil/values/soldiers.html

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desta ilusão permitiu que este artefato fosse questionado e revisado aos olhos da

contraculturalidade como contraditório.

O movimento artístico do Pop Art permitiu aos artistas fazer uma nova análise de

objetos do dia-a-dia e, a partir deles, formular uma crítica ao consumismo e à sociedade

do consumo. Jasper Johns, um dos mais importantes artistas do Pop Art, tomou a

bandeira americana como um objeto de reanálise artístico e conseguiu, desta forma,

subverter este símbolo e dessacralizá-lo. Isto ocorre a partir do momento que este

objeto, antes tido como sagrado, é transformado num objeto do dia-a-dia, mais um

artefato do quotidiano da cultura dita popular e de massas. Entretanto, Johns não

somente dessacraliza a bandeira, mas apropria-se dela como um símbolo representante

da sua própria identidade como artista, criando como que uma conexão entre o seu

nome e a (nova) ideia da bandeira americana.

Adicionalmente, outras personalidades fizeram uso da bandeira como instrumento

de crítica através da arte, este artefato “sagrado” e incrustado na cultura popular, torna-

se um evidente objeto de tensões e contradições com uma enorme potencialidade

contracultural. A capa do álbum Born in the USA3, de Bruce Springsteen, é um dos

maiores exemplos de uma crítica aos ideais da bandeira, que já sabermos ser

contraditórios, e ao nacionalismo. Na capa podemos observar um homem, em roupas de

classe trabalhadora a encarar a bandeira, o facto de a fotografia ser das costas do homem

também é interessante, levanta no espectador novas perguntas que não podem ser

respondidas pelo olhar do objeto a ser observado, uma vez que não há rosto. Quando

vista de costas, a identidade é questionada e a pessoa se sente compelida a encontrar

pistas diferentes para as questões colocadas no retrato. E o que mais há além do

3
Ver “Imagem 2” no anexo.

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homem? A bandeira. O álbum e as músicas são uma resposta irónica à indiferença e

hostilidade com que os veteranos do Vietnam foram recebidos.

Para finalizar esta linha de argumento, refiro um último estudo da bandeira, uma

arte intitulada, Flag for the Moon: Die Nigger4, por Faith Ringgold. Mesmo com a

grande opressão de, especialmente, afro-americanos, o governo americano ainda dirigia

grande parte dos seus esforços em vencer a corrida espacial e chegar à lua antes de

União Soviética. Com esta obra, Ringgold pretende retratar essa situação de quase que

total descaso pelas minorias, “redesenhando” e “reimaginando” a bandeira. À primeira

vista, parece muito similar à Old Glory cuja imagem já nos é familiar, mas a ideia é que

vista de longe, possivelmente “a vista da lua”, novos ideais são apresentados: algumas

partes dos traços brancos são apagados para expressar um pensamento afirma que os

negros fazem também parte da América. A mensagem que se revela nas estrelas é uma

crítica a como os afro-americanos, que são também crianças desta nação, são

negligenciados pelo próprio governo, que não parece valorizar tanto os solenes ideais de

justiça, liberdade e unidade, quando quem sofre com comportamentos discriminatórios

e preconceituosos são os grupos minoritários.

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“Imagem 3” disponível no Anexo de Imagens.

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4. CONCLUSÃO

A sacralização e presença da bandeira na cultura popular é uma realidade até os dias

atuais, representa, em um nível mais crítico, uma presença desconcertante e

potencialmente perigosa, mas é parte do quotidiano americano, que viria a ser, em parte,

“quebrado” e reanalisado.

A bandeira americana passa a ser e mantém-se, indubitavelmente, como um artefato

de tensões e contradições. Os ideais que pretende espelhar, nomeadamente os de justiça,

liberdade e unidade, muitas vezes provavam ser hipocrisias por parte do povo e do

próprio governo que, ao se espalhar na antiga glória (evidentemente ligado ao nome

mais comum dado à bandeira americana) e a esmerar-se no promissor futuro,

negligencia e oprime membros de comunidades minoritárias.

Com este breve estudo, pretendiam-se discutir questões de confronto entre glória e

violência com a crescente contraculturalidade à que, as anteriormente referidas,

minorias recorrem para, através da arte e da reanálise da bandeira, expressar a sua

revolta e sofrimento.

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5. BIBLIOGRAFIA

 ARCHER, JULES - The Incredible '60s. New York : Sky Pony Press, 2015

 BOIME, ALBERT - Waving the Red Flag and Reconstituting Old Glory.

American Art. 4:2 (1990) 2-25. doi: 10.1086/424088.

 GASS, BRANDON T. - Easy Rider: An Artful American Souvenir | The

Artifice [Em linha], atual. 2016. [Consult. 12 abr. 2019]. Disponível em

WWW:<URL:https://the-artifice.com/easy-rider-an-artful-american-

souvenir>.

 GROVIER, KELLY - Controversial depictions of the US flag in art [Em

linha], atual. 2019. [Consult. 7 abr. 2019]. Disponível em

WWW:<URL:http://www.bbc.com/culture/story/20180831-controversial-

depictions-of-the-us-flag-in-art>.

5.1.FILMOGRAFIA

 HOPPER, DENNIS - Easy Rider, Estados Unidos, Columbia Pictures, , 1969.

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6. ANEXO DE IMAGENS

Imagem 1

Imagem 2

Imagem 3

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