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MENDONÇA, Sônia Regina de. As bases do desenvolvimento capitalista dependente: da


industrialização restringida à internacionalização. In: LINHARES, Maria Yedda (Org.).
História Geral do Brasil. 9. Ed. Rio de Janeiro: Campus, 1990. pp. 327-350.

“(...) duas opções de política econômica estatal distintas que se impuseram ao longo do
período em estudo: uma prevalecente entre 1930-55 e outra definida na segunda metade da dos
anos 50. Cada uma delas implementou padrões diversos de acumulação no país.” (p. 327)

“(...) Entre 1930 e 1945 o Estado brasileiro avançou seu processo de constituição
enquanto Estado nacional e capitalista, inscrevendo-se na materialidade de sua ossatura – pela
multiplicação de órgãos e instituições – os diversos interesses sociais em jogo,
metamorfoseados em “interesses nacionais”.” (p. 328)

“Um novo estilo de canalização de demanda estava em gestação, facilitado pela


centralização de poder acentuada pela ditadura estado-novista de 1937, que neutralizaria os
regionalismos políticos, alterando as práticas de concessão de recursos e benefícios.” (p. 328)

“O avanço do aparelho econômico do Estado foi concomitante à reformulação de suas


próprias práticas econômicas (...) introduzir um novo modo de acumular baseado numa
realização interna crescente de produção.” (p. 328)

“A ação do Estado seria decisiva na condução desse processo, através da definição de


algumas medidas essenciais para um desenvolvimento industrial baseado em recursos escassos.
(...) a primeira grande diretriz da política econômica adotada no período: o controle dos fatores
produtivos enquanto instrumento de acumulação industrial.” (p. 329)

“O exemplo mais cabal da ação reguladora do Estado foi sua política sindical e
trabalhista, verdadeira “pedra de toque” do modelo econômico então definido.” (p. 329)

“(...) O salário mínimo fixado juridicamente serviu também para nivelar por baixo o
preço global da força de trabalho, ao converter-se no parâmetro de julgamento dos dissídios
coletivos de todas as categorias profissionais.” (p. 329)

“A segunda grande diretriz da política econômica do Estado ao longo das décadas de


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1930 e 1940 foi a definição de um novo papel para a agricultura, fosse com relação ao seu
segmento exportador, fosse quanto ao setor produtor de gêneros alimentícios.” (p. 329)

“É importante destacar o quanto a dinâmica de acumulação capitalista no Brasil baseou-


se na recriação de relações de produção não capitalistas, o que é de todo coerente com a
composição de forças representadas no novo Estado.” (p. 330)

“Ao final do período em análise, o organismo econômico do Estado estendia-se sobre


os condicionantes básicos de economia capitalista: salários, câmbio, juros e crédito. Resta
discutir a principal novidade do novo padrão – a transformação do Estado em investidor
produtivo, alternativa para contornar as dificuldades do projeto industrializante.” (p. 330)

“Uma das primeiras iniciativas nessa direção foi o alargamento da estrutura tributária
do Estado, com base na transferência de recursos dos estados e municípios para a União.” (p.
330)

“(...) inscreveu-se a opção pela empresa pública como alternativa de financiamento do


novo padrão de acumulação, em uma conjuntura internacional de tecnologia altamente
monopolizada.” (p. 330)

“O papel da empresa produtiva estatal era claro: não somente viabilizar a implantação
possível de um núcleo capitalista no país, como também fornecer bens e serviço a baixo preço,
de modo a propiciar economia de custos ao capital privado. A burguesia industrial, apesar de
temer os excessos do intervencionismo, continuaria investindo nos tradicionais setores
produtivos, à sombra dos benefícios da ação estatal. Estava lançada a semente de uma acelerada
concentração de renda.” (p. 330)

“O Estado, reestruturado a partir de 1930 sob formas burocrático-administrativas


centralizadoras procedeu, entretanto, a uma intervenção de natureza limitada na economia ainda
que abrangente. (...) a forte presença, na conjugação de fortes políticas, de grupos que
combatiam o projeto industrializante e a intervenção estatal, foi responsável pela ambigüidade
desse intervencionismo de dupla face: abrangente e limitado, por isso mesmo insuficiente para
superar o caráter restringido da industrialização brasileira.” (p. 331)
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“Antes de mais nada é preciso deixar de lado a ligação automática estabelecida entre o
nacionalismo e a escassa penetração do capital forâneo no país da época. (...) da não
disponibilidade de recursos e tecnologia no mercado mundial. (...) A industrialização brasileira
viria a realizar-se nas brechas desse policentrismo e “à revelia” dele, sem implicar uma escolha
nacionalista como pensam muitos.” (p. 331/2)

“Na coligação de forças conservadoras vigente entre 1945 e 1950, a direção econômica
do Estado se exerceria segundo um padrão desaquecido e restrito de expansão capitalista,
distante, em muito, da visão do desenvolvimento industrial como um problema urgente. Ao que
tudo indica, o equilíbrio político sobre o qual se sustentou tal aliança parece ter-se constituído
de um acerto entre grupos urbano-industriais e agromercantis, com participação mínima das
forças políticas mais próximas de um projeto nacional popular de desenvolvimento
econômico.” (p. 332/3)

“O retorno de Vargas ao poder em 1951, dessa vez pela via eleitoral, significou,
exatamente, a retomada desse tipo de projeto. A industrialização acelerada enquanto condição
do progresso social era a meta e o Estado armou-se de novas instituições e instrumentos capazes
de viabilizá-la, prenunciando o tipo de intervenção que assumiria nos anos pós-55 com a posse
do novo presidente Kubitschek. Foram quatro os elementos básicos de agilização da nova
estrutura: a criação de uma rede de centralização efetiva dos comandos – expressa na
colaboração de um plano de desenvolvimento que, pela primeira vez, integrava agricultura,
indústria pesada e a emergência das massas; a afirmação da empresa pública como fator de
dinamização do desenvolvimento – face à notória fragilidade da empresa privada nacional
diante das tarefas impostas pelo salto industrializante; a fundação de um banco de investimentos
(o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico – BNDE) – constituído enquanto agente
do Tesouro para as operações financeiras de longo prazo previstos no Plano de
Reaparelhamento Econômico; e, finalmente, o delineamento de uma nova articulação entre
empresários e Estado – não mais nos moldes corporativistas de representação vigentes até
então.” (p. 333)

“Do ponto de vista político, a materialização do salto para a industrialização sob a


liderança da empresa estatal, minimizando a participação da empresa estrangeira e
subordinando o capital privado nacional, evidenciava um conteúdo nacional-popular que
despertou inúmeras resistências, tanto interna quanto externamente.” (p. 333)
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“Foi sob a égide do Plano de Metas, lançado na segunda metade dos anos 50, que o país
ingressou em sua fase de economia industrial avançada, concretizando-se uma estrutura
monopolista específica que articulou, de modo peculiar, a multinacional, a empresa privada
nacional e a empresa pública.” (p. 333)

“Do ponto de vista internacional, importantes alterações ocorridas nos anos 50 também
vieram a condicionar a nova estratégia adotada pelo Estado para o financiamento do salto
industrializante. Os centros capitalistas (...) “redescobrindo” a América Latina em pleno apogeu
da guerra fria.” (p. 334)

“Foi, pois, no tocante às alternativas de financiamento que o novo padrão de


acumulação mais se distanciou de seu antecessor.” (p. 334)

“(...) Pela primeira vez integravam-se, sob o controle estatal, as atividades do capital
público e privado (nacional e estrangeiro), por intermédio de um plano qüinqüenal que definia
onde, como e quem investir. O Estado adquiria novas funções e esferas de regulação econômica,
indo desde seu papel enquanto banqueiro do capital privado – através das agências de
financiamento ao crédito industrial – até sua condição de produtor direto nos setores
estratégicos da economia.” (p. 335)

“As metas estabelecidas no Plano eram em número de 31, embora a ênfase tenha recaído
sobre quatro setores-chave: energia, transporte, indústria pesada e alimentação. A construção
de Brasília, no seio do planalto central do país, era a meta-síntese, o símbolo de todas as
realizações inerentes ao que se considerava a construção do “novo Brasil”.” (p. 335)

“(...) Para garantir-se do grau de tolerância das classes trabalhadoras, o governo contou
com dois importantes fatores: o impacto da industrialização acelerada sobre a massa total de
empresas e o patrocínio de uma “ideologia de Estado” mobilizadora que engajasse os
trabalhadores no projeto de modernização nacional. O nacional-desenvolvimentismo entrava
em cena.” (p. 335)

“Tão crucial para a política do governo quanto a definição dos mecanismos estritamente
econômicos foi sua capacidade de unir os interesses objetivos do capital nacional à penetração
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do capital forâneo.” (p. 335)

“(...) Do ponto de vista quantitativo os resultados do Plano de Metas foram exitosos, por
mais que, no seu conjunto, eles representassem a desnacionalização da economia brasileira.”
(p. 336)

“Novos órgãos passaram a integrar o aparato do Estado, constituindo a chamada


administração paralela, diretamente subordinada à Presidência. (...) As decisões cruciais de
política pública transferiam-se para os gabinetes dos técnicos.” (p. 336)

“(...) aprofundava-se, por essa via, a dependência do capital privado com relação ao
Executivo, gerando instâncias de relacionamento Estado/sociedade extracorporativas.” (p. 336)

“A despeito do salto obtido, as transformações do padrão de acumulação ocorridas no


Brasil entre 1955 e 1960 foram responsáveis pela emergência de novas contradições, cujos
efeitos repercutem até o presente.” (p. 336)

“(...) Recorrer às importações foi a solução compensatória para a escassez interna de


insumos básicos, o que representou desviar para fora os impulsos dinâmicos do novo modo de
acumular.” (p. 337)

“(...) A imperiosa necessidade de dotar a economia dos meios de pagamentos


internacionais compatíveis com o retorno à circulação mundial dos excedentes aqui realizados
pelas empresas estrangeiras está na raiz do alargamento inaudito do patamar da dívida externa
brasileira.” (p. 338)

“(...) A recessão dos anos 1960-62 revelaria que o preço político da nova opção
econômica seria o esgotamento do regime.” (p. 338)

SOCIEDADE E POLÍTICA: CONSTRUÇÃO E CRISE DO POPULISMO NO BRASIL

“A “revolução de 30” inaugurou uma etapa decisiva do processo de constituição do


Estado brasileiro enquanto um Estado nacional, capitalista e burguês. A quebra das autonomias
estaduais – suporte das tradicionais oligarquias regionalizadas – resultou na crescente
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centralização do poder que alocava no Executivo federal os comandos sobre as políticas


econômica e social e os aparelhos coercitivo-repressivo. (...) Apesar de iniciado no imediato
pós-30, o marco na aceleração desse processo foi a instauração do Estado Novo em 1937.” (p.
338)

“(...) Demonstra, naqueles anos, a definição de três eficazes frentes de atuação do setor:
na busca de participação efetiva no aparelho de Estado; na elaboração de um programa
industrialista e na construção de um discurso que lhe fosse próprio e auto-identificador. Para
conseguir tais objetivos, a elite industrial se apropriaria de categorias produzidas pelos teóricos
do pensamento autoritário, redefinindo-as como suporte de moderni-zação por ela definida,
chegando mesmo a fazer do Estado forte e integrador uma de suas premissas. A burguesia
industrial desempenharia papel político expressivo no jogo de alianças que se constituíram a
partir de 1930, pouco tendo em comum com a imagem de fragilidade e passividade que
tradicionalmente costuma lhe ser atribuída.” (p. 339)

“Para tanto, a ação do governo seguiu três direções: a definição de um novo padrão de
relações políticas entre o poder federal e os estados; a criação de instituições com abrangência
nacional, ligadas diretamente ao controle de esferas estratégicas da economia; e, finalmente, a
ampliação do papel do Exército. Seu significado global residiu na abertura de novos canais de
influência para os diversos grupos de interesse, dentro do próprio Estado, bem como na
consolidação de um novo estilo de participação política que prescindia das tradicionais
organizações partidárias.” (p. 339)

“A tática central para a realização do controle sobre as estruturas políticas regionais foi
a montagem de interventorias/departamentos administrativos, que interligavam as tradicionais
oligarquias estaduais ao Ministério da Justiça e da Presidência.” (p. 339)

“Além do papel chave do interventor – coordenador político nomeado diretamente pelo


presidente – foram criados organismos paralelos de centralização administrativa em cada
estado: os Departamentos Estaduais. (...) os técnicos burocratizados.” (p. 340)

“(...) fortalecesse suas próprias agências decisórias. Esse foi o sentido da multiplicação
de institutos, conselhos e autarquias voltados para o controle das atividades econômicas em três
planos (...)” (p. 340)
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“A unificação político-administrativa se completaria com a criação de organismos


encarregados da tutela e construção da própria nacionalidade, isso é, as instâncias formadoras
da opinião pública em torno do novo regime.” (p. 340)

“A tendência centralizadora do novo regime não prescindiu da ampliação de seu aparato


repressivo, em especial no que diz respeito ao fortalecimento do Exército. (...) o papel de
colaborador direto do governo em dois níveis.” (p. 340)

“Pela durabilidade de seus efeitos, a marca mais específica do Estado Novo foi sua
política sindical e trabalhista.” (p. 341)

“(...) a matriz de pensamento que se impôs, vitoriosa, de fato: a vertente autoritária dos
empresários. (...) A recusa das categorias patronais em aceitar o projeto de um Estado
totalizador da vontade nacional ficava patente em sua própria prática, que evitava cumprir o
previsto pela nova legislação protetora do trabalho.” (p. 341)

“(...) melhoria do nível de vida da classe trabalhadora (...) as vantagens e ganhos


explicitavam-se. Não por acaso estão aí localizadas as raízes do populismo de Vargas, que
contaria com essa base de apoio quando das primeiras manifestações contestatórias ao regime
autoritário.” (p. 341)

“A deposição de Vargas e o fim do Estado Novo, via golpe, em 1945, explica-se a partir
de um duplo condicionamento. (...) derrota dos regimes fascistas na Segunda Guerra, sobretudo
quando países como o Brasil participaram do conflito ao lado das forças aliadas, em clara
contradição com o tipo de regime vigente. (...) a onda de liberalismo que acompanhava o fim
da guerra e a consolidação da hegemonia norte-americana no Ocidente (...) (p. 341/2)

“Esse neoliberalismo serviu como elemento aglutinador das oposições ao Estado Novo,
compondo uma frente ampla (...)” (p. 342)

“O marco formal da oposição à ditadura foi o Manifesto dos Mineiros (1943),


documento que consistia em um libelo em prol do restabelecimento das liberdades político-
partidárias do país. Em torno dessa mobilização surgiria a União Democrática Nacional (UDN),
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um dos três grandes partidos políticos brasileiros do pós-45, juntamente com o Partido Social
Democrático (PSD) e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Os dois últimos formaram-se, um
a partir da máquina política clientelista, e outro, das bases populares urbanas do trabalhismo
getulista. Tinha início a chamada “redemocratização”, fase na qual se assistiu ao apogeu e à
crise do populismo no Brasil.” (p. 342)

“(...) o quanto de continuísmo que ele conteve, uma vez que o advento do pluralismo
partidário e de eleições diretas foi superposta à estrutura das interventorias e do sindicalismo
corporativo.” (p. 342)

“O Código Eleitoral de 1945 foi um dos principais mecanismos condicionantes da


transição “democrática” em benefício dos políticos tradicionais. (...) A coligação PSD/PTB iria
ocupar o espaço cênico do jogo eleitoral, garantindo a emergência política das massas no papel
de avalistas do processo político-partidário.” (p. 342)

“O novo pacto então inaugurado configurou o chamado populismo brasileiro, que não
pode ser reduzido a uma mera manipulação das massas, nem tampouco explicado como produto
de sua passividade. (...) o populismo representou também o reconhecimento institucional da
cidadania política dos trabalhadores (...)” (p. 342)

“O segundo governo Vargas (1951-54) ilustra as contradições que ameaçavam um


regime baseado na difícil conciliação entre a satisfação das demandas populares, a manutenção
do ritmo acelerado do crescimento e as contraditórias alianças integrantes da cúpula do pacto
político.” (p. 343)

“(...) a gestão de Juscelino Kubitschek (1956), marco da vitória do novo projeto


industrializante em gestação. A opção pela abertura da economia ao capital estrangeiro
superava o “modelo” econômico até então vigente, acenando com a possibilidade de
transformações estruturais aceleradas, através da implementação de um núcleo capitalista
dinâmico e integrado, capaz de gerar novas frentes de emprego e a melhoria do nível de vida
geral.” (p. 343)

“(...) No momento em que o arrefecimento do ritmo do crescimento econômico viesse


a coincidir com a diferenciação relativa de um dos setores integrantes da aliança dominante, no
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entanto, o populismo sucumbiria às suas contradições. A crise de inícios dos anos 60 explicitaria
esse processo, mediante a intensificação de movimentos grevistas e a retirada do apoio dos
empresários industriais ao regime.” (p. 344)

O NACIONAL E O POPULAR EM QUESTÃO: A CULTURA NOS ANOS 1930 A 1950

“O nacionalismo (...) serviu de eixo para a elaboração de um conceito de “cultura


brasileira”, o qual, embora sofrendo redefinições, ocultou o real processo em curso, tanto no
Estado Novo quanto no período “democrático”: o da construção da nação pela incorporação da
classe trabalhadora, através de maior ou menor controle do Estado.” (p. 344)

“(...) tutela sobre a esfera do cultural, originando duas tendências básicas: a definição
da cultura enquanto “matéria oficial”; e o esboço de um projeto de nacionalização paternalista
que promovesse a elevação cultural do povo. Tratava-se, para o Estado, de fundar um novo
Brasil, homogêneo e uniforme em seus valores, comportamentos e mentalidades. Para a
intelligentsia brasileira, era a busca da explicação de nossas raízes o que fundamentava o
“redescobrimento do Brasil”, na expressão de Motta, ao referir-se, como matrizes da
historiografia brasileira crítica, às obras de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Hollanda e Caio
Prado Júnior.” (p. 344)

“(...) Baseado no diagnóstico da total ausência de integração nacional propiciada pelas


práticas liberais degeneradoras vigentes na República Velha, o novo regime justificou a
intervenção do Estado em todos os domínios da produção, difusão e preservação de bens
culturais, posto que naciona-lizar era sinônimo de unificar o decomposto, representava a busca
da homogeneização da língua, costumes, comportamentos e idéias.” (p. 344)

“Sob essa ótica deve ser encarada a multiplicação do número de agências públicas
voltadas para a cultura e a educação (...) Seu resultado foi o surgimento de uma elite burocrática
de novo tipo, cujo prestígio cultural e/ou científico emprestava legitimidade ao regime.” (p.
344/5)

“(...) O Estado substituía o mercado também como espaço de legitimação cultural.” (p.
345)
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“O ministério procurou sedimentar o projeto estadonovista de afirmação da


nacionalidade de dois modos: priorizando sua missão educacional, propriamente dita; e
patrocinando a “alta cultura”.” (p. 345)

“No que tange à “alta cultura”, empreendeu-se todo um esforço para distingui-la de uma
cultura “menor”, a partir do critério da maior nacionalidade da primeira.” (p. 346)

“(...) No momento da afirmação do capitalismo e da sociedade complexa no país, o


projeto cultural do Estado apropriou-se do nacional enquanto veículo do popular, negando a
diferença e a pluralidade.” (p. 346)

“(...) Entre 1944 e 1955 o “sonho americano” penetrava no Brasil, dando suporte às
iniciativas culturais que visavam a atualizar o país com relação à modernidade dos centros
industrializados.” (p. 346)

“O resultado disso foi o reconhecimento efetivo, pela primeira vez, do povo na cena
cultural. (...) emergia uma arte voltada para o povo e dele oriunda, cujos espaços marcantes
foram o cinema e a rádio.” (p. 346)

“Também a intelligentsia brasileira saía do Estado Novo em busca de novas


interpretações para a realidade. A década de 1950 sobretudo a partir das radicais transformações
operadas na gestão Kubitschek – foi aquela na qual a política permeou a produção cultural.” (p.
347)

“Superar o atraso passou a ser a grande tarefa unificadora dos interesses conflitantes, o
que equivalia a incorporar as camadas populares em um novo projeto ideológico de construção
nacional baseado na projeção de um futuro melhor, a ser conquistado pelo trabalho ainda que
diferenciado – de todos.” (p. 347)

“(...) Em termos culturais isso equivaleu às tentativas de eliminar toda e qualquer


mancha à imagem de um Brasil cosmopolita e urbano, resultando na lenta diluição de temáticas
e formas de expressão artísticas prevalecentes ao longo da era Vargas.” (p. 347)

“Surgiram as primeiras manifestações de uma nova literatura inspirada no concretismo,


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de um novo cinema – baseado no realismo italiano e que comportava o povo na sua própria
miséria; de um novo estilo musical – a bossa-nova – que privilegiava as harmonias simples em
lugar de eruditismo; de uma nova concepção arquitetônica cuja simplicidade monumental das
formas tinha em Brasília sua expressão máxima; de um novo teatro – que englobava a pobreza
da favela como resgate da realidade social.” (p. 347)

“No momento em que a euforia desenvolvimentista desse seus primeiros sinais de


esgotamento, o engajamento político passaria a dominar a produção cultural de vanguarda,
conferindo-lhe a missão pedagógica de conscientização e organização revolucionária das
massas. E a reação não tardaria: 1964 inscrevia-se no horizonte.” (p. 347)