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O papel do juiz no processo penal acusatório

O papel do juiz apresenta características diversas e fundamentais no sistema


inquisitório para o sistema acusatório.

No sistema inquisitório o juiz é o gestor da prova, não há separação entre acusador


e julgador, o acusado perde sua condição de sujeito para a de um mero objeto do
processo. Além disso, não há limites para a obtenção da prova, tudo em nome da busca
pela “verdade real”, a qual já foi desmistificada pela crise da racionalidade.

Alguns doutrinadores sustentam ser o nosso sistema inquisitório na essência,


como Jacinto Coutinho, o qual argumenta sua posição no fato de existir em nosso
sistema o inquérito policial, onde não existe o contraditório e de cunho administrativo1.

Aury Lopes Jr. refere que para a maioria da doutrina brasileira o sistema brasileiro
contemporâneo é misto porque predomina o inquisitório na fase pré-processual e o
acusatório na fase processual. O que autor discorda, afirmado que não existem sistemas
mistos, pois os mesmos não identificam o núcleo fundante do sistema, além de que a
separação entre as atividades de acusar e julgar é insuficiente para essa caracterização,
devendo ser levado em conta outros fatores como iniciativa probatória, contraditório,
igualdade de oportunidades, sendo o que o essencial para esta distinção é a gestão da
prova. O autor entende ser uma falácia pensarmos em sistema misto no Brasil, pois a
prova colhida no inquérito contamina ou serve para embasar a decisão do juiz 2. Dessa
forma, o autor afirma ser o sistema brasileiro inquisitório no começo ao fim.

O sistema processual acusatório é a forma mais democrática de se conduzir o


processo e o sistema ideal a ser atingido na democracia e consagrado na Constituição
Federal de 1988, ele possui uma série de características, listadas por José Frederico
Marques tais como;

a) separação entre os órgãos da acusação, defesa, e julgamento,


instaurando-se assim um processo de partes; b) liberdade de defesa
e igualdade de posição das partes; c) a regra do contraditório; d)
livre apresentação das provas pelas partes; e) regra do impulso
processual autônomo, ou ativação inicial da causa pelos
interessados.3

1
COUTINHO, Jacinto Nelson de Miranda. (coord.) “O papel do novo juiz no processo penal”. In: Critica à
Teoria Geral do Direito Processual Penal. Renovar: Rio de Janeiro, 2001, p. 41.
2
LOPES JR. Aury. Direito Processual Penal e sua Conformidade Constitucional. Volume I. Lúmen Júris:
Rio de Janeiro, 2007, p. 58, 71 e 72.
3
MARQUES, José Frederico. Estudos de Direito Processual Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1960.p. 23.
Hélio Tornaghi menciona que: “O que distingue a forma acusatória da inquisitória
é o seguinte: na primeira, as três funções de acusar, defender e julgar estão distribuídas
a três órgãos diferentes: acusador, defensor e juiz; na segunda, as três funções estão
confiadas ao mesmo órgão”4.

O contraditório ou princípio do Contraditório consagrado no artigo 5º, inciso LV, da


Carta Magna vem elencado por Frederico Marques como uma das características do
sistema acusatório. Assim, “o sistema acusatório, naquilo que tem de essencial e básico,
é a única forma de processo que pode ser aceita pelo direito hodierno” 5. Isso porque no
sistema acusatório o réu é tratado como sujeito de direitos, tendo, portanto, suas
garantias individuais (constitucionais) respeitadas. Há nítida sujeição estatal às normas
de direito. O Estado, por meio do Ministério Público, ou o querelante, submetem sua
pretensão a um terceiro imparcial que é o Estado-juiz. A imparcialidade e, sobretudo, a
substitutividade, originadas pela separação de funções, representam um considerável
avanço na construção de uma democracia participativa.

Ressalta-se que imparcialidade é diferente de neutralidade. A neutralidade


impossibilita o juiz de julgar, um juiz neutro é um juiz boca-da-lei, que simplesmente
reproduz sua letra morta. O que se espera de um juiz, após a crise da racionalidade e a
epistemologia da incerteza, é que não busque a verdade real, mas a verdade possível
no processo, amparada sempre pelas garantias de fundamentação das decisões
judiciais e do livre convencimento motivado.

Segundo Ferrajoli, do mesmo modo que ao acusador são vedadas às funções


judicantes, ao juiz devem ser em suma vedadas as funções postulantes, sendo
inadmissível a confusão de papéis entre os dois sujeitos. É nessas atividades que se
exprimem os diversos estilos processuais: desde o estilo acusatório, em que é máximo o
distanciamento do juiz, simples espectador do interrogatório desenvolvido pela acusação
e pela defesa, ao estilo misto, em que as partes são espectadoras e o interrogatório é
conduzido pelo juiz, até o estilo inquisitório, no qual o juiz se identifica com a acusação e
por isso interroga, indaga, recolhe, forma e valora as provas. Igualmente os
testemunhos, extorquidos pelo juiz e dotados de valor probatório legal na inquisição, são
entregues no processo acusatório exclusivamente à interrogação pelas partes,

4
TORNAGHI, Hélio. Instituições de Processo Penal. Rio de Janeiro: Forense, 1959. v. I, p. 200/201. O
autor assim se manifesta: “O que distingue a forma acusatória da inquisitória é o seguinte: na primeira, as
três funções de acusar, defender e julgar estão distribuídas a três órgãos diferentes: acusador, defensor e
juiz; na segunda, as três funções estão confiadas ao mesmo órgão”.
5
MARQUES, op.cit., p. 24.
submetidos ao seu exame cruzado, vinculados à espontaneidade e ao desinteresse das
testemunhas, delimitados no objeto e na forma pelas proibições de perguntas
impertinentes, sugestivas, indeterminadas ou destinadas a obter apreciações ou juízos
de valor. De fato, representam resíduos inquisitórios o interrogatório (a oitiva) das
testemunhas pelo juiz; a ditadura por parte dele nas atas de interrogatório; o poder
ilimitado do juiz de admitir ou não admitir provas e, por fim, aquele substituto moderno da
tortura, que é a advertência das testemunhas por meio de incriminação e condenação
por falso testemunho ou por silenciarem, salvo retratações6.

Jacinto Coutinho defende a idéia de um papel atual do juiz como participante, em


contraponto ao juiz neutro. O autor vê no juiz um sujeito do conhecimento como agente
participativo, construtor da realidade e que não tem interesse em esconder suas
ideologias7.

Para Aury Lopes Jr. a legitimação do juiz no Estado Democrático de Direito não é
política e sim Constitucional, “consubstanciada na função de proteção dos direitos
fundamentais de todos e de cada um ainda que para isso tenha que adotar uma posição
contrária a opinião da maioria”8.

O juiz deve ser o garante dos direitos fundamentais do indivíduo submetido ao


processo deixando a tarefa de acusação a cargo do Ministério Público e a de coletada
das provas a cargo das partes, condenando quando houver provas lícitas da autoria e
absolvendo quando não houver provas plenas da mesma.

6
FERRAJOLI, Lugi. Direito e Razão – Teoria do Garantismo Penal. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2002,p. 489/490.
7
COUTINHO. Op. Cit. p. 45.
8
LOPES JR. Op Cit. p. 116.