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Introdução

Os dons do Espírito Santo são dádivas que Ele nos dá para nossa santificação pessoal e para o serviço aos irmãos.
Os dons de santificação estão enumerados em Is 11,1-2 e são os seguintes: temor de Deus, fortaleza, piedade, ciência,
entendimento e sabedoria. Esses dons são necessários para a nossa santificação. Devemos, pois, nos abrir a eles. Os dons
espirituais de serviço aos irmãos, chamados também carismas, são dons de Deus, destinados à edificação da Igreja para o
bem dos fiéis, São Tiago nos diz: “Toda dádiva boa e todo dom perfeito vêm de cima; descem do Pai das luzes...”(Tg 1,17;
cf. também I Cor 8,6), são infinitos, uma vez que o auxílio que podemos prestar-lhes são os mais variados. Entre tantas
definições que já encontramos na teologia dos carismas, a definida pelo padre Robert De Grandis, parece ser a mais clara:
“Carisma é um dom do Espírito Santo que pode ser constatado em qualquer pessoa que ora ativamente com um grupo.
Carisma é nossa abertura habitual ao Senhor”. Enquanto dos dons de santidade ou de santificação são para nossa
Edificação pessoal, para os carismas ou dons carismáticos do Espírito Santo, passa por nós, mas são direcionados para a
edificação dos irmãos.
Na primeira carta aos Coríntios, São Paulo nos fala muitas vezes sobre os dons espirituais. “Não paro de agradecer a Deus
por vós, pela graça de Deus que vos foi dada em Cristo Jesus”. Por ele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em
toda ciência, na medida em que o testemunho de Cristo se firmou em vós, de modo que não vos falta nenhum dom da
graça durante a espera da revelação de nosso “Senhor Jesus Cristo” (I Cor 1,4-7). “São vários os dons espirituais, mas o
Espírito é o mesmo”. As obras também são várias, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. A cada um é dado
manifestar no Espírito uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência segundo o mesmo Espírito; a outro, o
discernimento dos espíritos; a outro, a diversidade das línguas; a outro, o dom de interpretação. “Mas é o único e mesmo
Espírito que realiza isso tudo, distribuindo a cada um como que ver” (I Cor 12,4-11). “Por isso Deus estabeleceu na Igreja,
em primeiro lugar, uns como apóstolos; em segundo lugar, outros como profetas; em terceiro lugar, como doutores.
Depois vêm os dons de realizar milagres, de curar, de assistir, de governar e de falar línguas” (I Cor 12,28). São Paulo
escreveu sobre escreveu sobre os dons espirituais também aos romanos (Rom 12, 7-8),aos efésios (Ef 4,11) e a Timóteo
(2Tm 1,6). São Pedro nos exorta: “Cada qual use o dom recebido a serviço dos outros, como bons administradores da
multiforme graça de Deus” (I Ped 4,10).

Carismas no Magistério da Igreja


Diversos documentos do Concílio Vaticano II falam sobre os dons de serviço (carismas) na vida da Igreja:

Catecismo da Igreja Católica: “A Igreja, Comunhão viva na fé dos apóstolos, que ela transmite, é o lugar do nosso
conhecimento do Espírito Santo:- nas Escrituras que ele inspirou;- na Tradição, da qual os Padres da Igreja são as
testemunhas sempre atuais;- no Magistério da Igreja, ao qual ele assiste;- na Liturgia sacramental, através das suas
palavras e dos seus símbolos, na qual o Espírito Santo nos coloca em Comunhão com Cristo;- na oração, na qual Ele
intercede por nós;-nos carismas e nos ministérios, pelos quais a Igreja é edificada;- nos sinais de vida apostólica
e missionária;- no testemunho dos santos, no qual ele manifesta sua santidade e continua a obra da salvação”(CIC 688).
“O Espírito Santo é “o Princípio de toda ação vital e verdadeiramente salutar em cada uma das diversas partes do Corpo”.
Ele opera de múltiplas maneiras a edificação do Corpo inteiro na caridade: pela Palavra de Deus, “que tem o poder de
edificar”(At 20,32), pelo Batismo, através do qual forma o Corpo de Cristo; pelos sacramentos, que proporcionam
crescimento e cura aos membros de Cristo; pela “graça concedida aos apóstolos, que ocupa o primeiro lugar entre os
seus dons”; pelas virtudes, que fazem agir segundo o bem, e enfim pelas múltiplas graças especiais (chamadas de
“carismas”), através das quais “torna os fiéis aptos e prontos a tomarem sobre si os vários trabalhos e ofícios, que
contribuem para a renovação e maior incremento da Igreja” (CIC 798). “Sejam extraordinários, sejam simples e humildes,
os carismas são graças do Espírito Santo que, direta ou indiretamente, têm uma utilidade eclesial, ordenados que são à
edificação da Igreja, ao bem dos homens e às necessidades do mundo”(CIC 799). “Os carismas devem ser acolhidos com
reconhecimento por aquele que os recebe, mas também por todos os membros da Igreja. Pois são uma maravilhosa
riqueza de graça para a vitalidade apostólica e para a santidade de todo o Corpo de Cristo, mas desde que se trate de
dons que provenham verdadeiramente do Espírito Santo e que sejam exercidos de maneira plenamente conforme aos
impulsos autênticos deste mesmo Espírito, isto é, segundo a caridade, verdadeira medida dos carismas” (CIC 800). “È
neste sentido que se faz sempre necessário o discernimento dos carismas. Nenhum carisma dispensa da reverência e da
submissão aos Pastores da Igreja. “A eles em especial cabe não extinguir o Espírito, mas provar as coisas e ficar com o que
é bom”, a fim de que todos os carismas cooperem, na sua diversidade e complementaridade, para o “bem comum”(I Cor
12,7)” (CIC 801). “Os leigos podem também sentir-se chamados ou vir a ser chamados para colaborar com os próprios
pastores no serviço da comunidade eclesial, para o crescimento e a vida da mesma, exercendo ministérios bem
diversificados, segundo a graça e os carismas que o Senhor quiser depositar neles” (CIC910).
“A comunhão dos carismas. Na comunhão da Igreja, o Espírito Santo ‘distribui também entre os fiéis de todas as ordens
as graças especiais” para a edificação da Igreja. Ora, “cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de
todos’”(CIC 951).“O Espírito Santo dá a algumas pessoas um carisma especial de cura, para manifestar a força da graça do
ressuscitado. Mesmo as orações mais intensas não conseguem obter a cura de todas as doenças. Por isso, São Paulo deve
aprender do Senhor que “basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que minha força manifesta todo o seu poder” (2 Cor
12,9), e que os sofrimento que temos de suportar podem ter como sentido “completar na minha carne o que falta à
tribulações de Cristo pelo seu corpo, que é a Igreja” (Gl1,24)”(CIC 1508). “A graça é antes de tudo e principalmente o dom
do Espírito que nos justifica e nos santifica”. Mas a graça compreende igualmente os dons que o Espírito nos concede
para nos associar à sua obra, para nos tornar capazes de colaborar com a salvação dos outros e com o crescimento do
corpo de Cristo, a Igreja. São as graças sacramentais dons próprios dos diferentes sacramentos. São, além disso, as graças
especiais, designadas também “carismas”, segundo a palavra grega empregada por São Paulo, e que significa favor, dom
gratuito, benefício. Seja qual for o seu caráter, às vezes extraordinário, como o dom dos milagres ou das línguas, os
carismas se ordenam à graça santificante e têm como meta o bem comum da Igreja. “Acham-se a serviço da caridade,
que edifica a Igreja” (CIC 2003).

Lúmen gentium:

“O Espírito habita na Igreja e nos corações dos fiéis, como num templo; dentro deles ora e dá testemunho da adoção de
filhos”. “A Igreja, que Ele conduz à verdade total e unifica na comunhão e no ministério, enriquece-a e guia com diversos
dons hierárquicos e carismáticos e adorna com os seus frutos” (LG 4). “É um mesmo Espírito que distribui os seus vários
dons segundo a sua riqueza e as necessidades dos ministros para utilidade da Igreja. Entre estes dons, sobressai a graça
dos apóstolos, a cuja autoridade o próprio Espírito submeteu mesmo os carismáticos” (LG 7).

Apostolicam actuositatem:

“(...) à medida que se avança na idade, revela-se mais cada um e assim pode descobrir melhor os talentos com que Deus
enriqueceu os carismas que lhe foram dados pelo Espírito Santo para bem dos seus irmãos” (AA 30).

Ad gentes: “(...) mediante o Espírito Santo, que para utilidade comum reparte os carismas como quer, inspira ao coração
de cada um a vocação missionária, e ao mesmo tempo suscita na Igreja institutos que assumam, como tarefa própria, o
dever de evangelizar, que pertence a toda a Igreja” (AG 23).

Presbyterorum ordinis:

“Assim se exerce de muitos modos o ministério da Palavra, segundo as diversas necessidades dos ouvintes e os carismas
dos pregadores” (PO 4). Pretendemos nesta apostila meditar sobre o dom de línguas, o dom de profecia, o dom de
interpretação, o dom do discernimento dos espíritos, o dom da palavra de ciência, o dom da palavra de sabedoria, o dom
de fé, o dom de cura e o dom de milagres. È preciso estar sempre de ouvidos bem abertos para escutar o Senhor na
leitura da Revelação Divina escrita (Sagrada Escritura), na Revelação Divina transmitida oralmente (Sagrada Tradição), no
Ensinamento da Igreja (Sagrado Magistério), na nossa oração pessoal, nos sinais dos tempos e acontecimentos de nossa
vida, para sempre abrirmos à santificação pessoa le ao serviço aos irmãos. Estudaremos os nove dons carismáticos
enumerados por São Paulo em I Cor 12,8-10; existem várias classificações dos dons carismáticos, segundo inúmeros
autores; nota-se muita liberdade em classifica-los, segundo a abordagem que cada autor fez aos dons. Inicialmente,
vejamos a “classificação” ou ordem feita pelo mesmo Apóstolo Paulo, na I Cor 12,8-10: “A um é dada pelo Espírito, uma
palavra de SABEDORIA; a outro, uma palavra de CIÊNCIA; a outro, a graça de CURAR as doenças, no mesmo Espírito; a
outro o dom de MILAGRES; a outro, a PROFECIA; a outro, o DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS; a outro, a variedade das
“LÍNGUAS; a outro, por fim, a INTERPRETAÇÃO DAS LÍNGUAS”.

Alguns autores classificam os carismas, usando as seguintes B- Manifestações verbais:


categorias:
1ª) Padre Haroldo J. Rahm O dom da profecia
A-Manifestações de critério espiritual:
O dom de línguas
1º A linguagem da sabedoria
2º A linguagem da ciência O dom de interpretação de línguas.
3º O discernimento dos espíritos.
C-Manifestações pela ação:
2ºª Interpretação de Línguas
A fé; 3º Profecia.
O dom de curas;
O poder de operar milagres; Dons de Poder:

2ª) S. Falvo 1º Fé
A-Primeiro Grupo: Os carismas da palavra: 2º Dons de Curar
1. O dom de línguas 3º Milagres.
2. O dom de interpretação
3. O dom da profecia. 5ª) S.B.Clarck
b- Segundo Grupo: Os carismas das obras: A- Dons de Ensino:
1º Dom da palavra de sabedoria
1. O dom de curas 2º Dom da palavra de ciência.
2. O dom dos milagres b- Dons sinais:
3. O dom da fé.
c- Terceiro Grupo: Os carismas da cognição: 1. Dom da fé

1. O dom do discernimento dos espíritos 2. Dom de curar doenças


2. O dom da sabedoria
3. O dom da ciência. 3. Dom de Milagres.

3ª) W. Smet 4. Dons de Revelação:

A- Dons do Ensinamento: 5. Dom da profecia


1. Uma palavra de sabedoria
2. Uma palavra de ciência 6. Dom do discernimento dos espíritos
b- Dons com valor de sinal ou testemunho:

1. A fé
2. O dom de curar doenças 6ª) Padre Robert De Grandis
3. O dom de fazer milagres.
A- Dons de Palavras:
c- Dons de auto revelação de Deus:
1. Línguas, interpretações e profecia.
1. Profecia
2. Discernimento dos espíritos 2. Dons de Poder:
3. Falar em diversas línguas
4. A interpretação de línguas. 3. Fé, cura e milagres

4ª) Dick Iverson Dons de Revelações:

A- Dons de Revelação: Sabedoria, ciência e discernimento. Por uma questão de


praticidade, estudaremos a classificação dos dons
Palavra de Sabedoria carismáticos, segundo S.B.Clarck; esta parece seguir mais
harmoniosamente a sequência de São Paulo na I Cor 12.
Palavra de Conhecimento Não sabemos sena mente de São Paulo, esta sequência na
nomeação dos carismas, tinha alguma importância, parece,
Discernimento dos espíritos contudo, que segue uma lógica, à qual queremos nos ater
para o estudo dos novos dons carismáticos.
Dons de expressão vocal:

1º Línguas

3º Profecia
DONS DO ENSINO
Dom da Palavra de Sabedoria

O dom da palavra de sabedoria é o carisma pelo qual Deus nos revela um segmento de sua sabedoria para que
transmitamos a um irmão, a fim de que este seja levado a uma ação para ser curado ou liberto, ou para resolver um
problema. Às vezes recebemos uma palavra de sabedoria dirigida a nós mesmos, outras vezes quando estamos em uma
reunião de oração, de intercessão o Senhor nos concede uma palavra de sabedoria para os irmãos reunidos. É preciso
deixar claro que a palavra de sabedoria, não é recitar um versículo bíblico simplesmente, até pode acontecer de
relembrarmos um versículo, mas na sua essência não seria isso, e sim uma palavra inspirada por Deus, podendo até
mesmo conter, em algum trecho, um versículo. Veremos que a palavra de ciência revela a raiz de uma negatividade
existente em nosso passado ou em nosso presente. A palavra de sabedoria revela como agir no futuro, como uma das
formas que o Senhor nos dá para a nossa cura, libertação ou solução de problemas. O Senhor nos mostra como devemos
proceder, como devemos agir, mas nos dá a liberdade de aceitar ou não essa graça Extraordinária proveniente da sua
misericórdia. Se quisermos que a graça recebida pela palavra de sabedoria torne-se atuante em nós, precisamos proceder
ou agir conforme o que nos foi revelado pelo Senhor. A palavra de sabedoria, da mesma maneira que a palavra de ciência
vem repentinamente ao nosso pensamento por meio de uma palavra propriamente dita, por uma palavra que vemos
escrita, por uma visualização de um animal, lugar, objeto, etc., pela visualização da cena, por uma sensação, emoção,
lembrança ou sonho. Da mesma maneira que ocorre com a palavra de ciência, ao recebermos uma palavra de sabedoria
quando oramos com imposição de mãos para um irmão, precisamos dizê-la. Se não o fizermos estaremos pecando por
falta de fé e por omissão. A palavra de sabedoria dita ao irmão deve ficar em sigilo, não podendo ser comentada com
outras pessoas. Ao testemunhar palavras de sabedoria que recebemos, devemos fazê-lo de modo a não possibilitar a
identificação do irmão a quem ela foi dirigida, como faremos nos testemunhos dados a seguir. Uma senhora, ao rezar por
um irmão, sentiu nele extrema angústia por um pecado cometido no passado. O Senhor deu-lhe então uma palavra de
sabedoria: “Confissão urgente”. A senhora a transmitiu ao irmão. No dia seguinte, a esposa do irmão telefonou à senhora
que orara pelo seu marido e disse que este tivera um enfarte durante a noite. O senhor deu a palavra de sabedoria, mas
como o irmão não acreditou nela e não agiu com urgência, sofreu as consequências de sua incredulidade. Outra senhora
que frequentava o Grupo de Oração estava preocupada porque verificava que o grupo não estava progredindo. Um dia
em que orava pelo grupo pediu ao Senhor uma palavra de sabedoria. O Senhor lhe disse: “Acolher novas ovelhas”. Ela
compreendeu que o carisma de seu grupo era o de atrair novas ovelhas para o Senhor e alimentá-las com leitinho até
que pudessem buscar alimento inteiramente aos chamados “novos”, acolhendo-os, explicando-lhes o que é a Renovação
Carismática Católica e o que são os dons do Espírito Santo, despertando neles o amor à leitura da Palavra e à frequência
aos sacramentos, etc. Seu trabalho produziu então muitos frutos para a vinha do Senhor. Certo dia uma senhora, orando
por um rapaz, recebeu em palavra de ciência o seguinte: “Atividade noturna”. Perguntou
-lhe se ele trabalhava a noite. Ele disse que não. A senhora orou sobre apalavra de ciência e o Senhor lhe deu uma palavra
de sabedoria: mudar de atividade noturna. Ao dizê-lo ao irmão, o rapaz confirmou que realmente tinha atividade noturna
que não era do agrado do Senhor. Josué convocou a Siquém todas as tribos de Israel, em seu último adeus, e com uma
palavra de sabedoria confirmou a fé de todo o povo no Senhor: “Porque, quanto a mim, eu e minha casa serviremos ao
Senhor” (Jos 24,15). Quando Paulo e Silas foram presos e rezavam e cantavam hinos ao Senhor, a prisão foi sacudida por
um terremoto que os libertou do cárcere. O carcereiro, vendo-os livre, ficou traumatizado que queria matar-se. Paulo e
Silas o impediram de cometer o pecado do suicídio. O carcereiro perguntou-lhes:
“Senhores, que devo fazer para me salvar?” Disseram-lhe uma palavra de Sabedoria: “Crê no Senhor Jesus e serão salvos
tu e a tua família” (At. 16,25-31). Os fariseus procuravam uma maneira de surpreender Jesus nas suas próprias palavras,
enviaram seus discípulos com os herodianos, e questionaram o Senhor, sobre se deviam ou não pagar impostos.
“Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: “Por que me tentais hipócritas? Mostrai-me a moeda com que se paga o
imposto! “Apresentaram-lhe um denário”. Perguntou Jesus: “De quem é esta imagem e esta inscrição”?
–“De César”, responderam-lhe, Disse-lhes então Jesus (palavra de sabedoria): “Daí, pois, a César oque é de César
e a Deus o que é de Deus” (Mt 22, 15-22). Jesus, no discurso sobre o pão da vida, disse: “Se não comerdes a carne do
Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos”. Os judeus se escandalizaram com essas
palavras e se afastaram d’Ele. Jesus, então, perguntou aos Doze: “Quereis vós também retirar-vos?”. Simão Pedro disse
uma palavra de sabedoria: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens palavras de vida eterna” (Joa 6,63-68).

Nas bodas de Cana, Maria percebeu que iria faltar vinho e intercedeu junto a seu Filho para resolver aquele problema.
Após a resposta de Jesus, ela disse uma palavra de sabedoria: “Fazei tudo o que Ele vos disser” ( Joa 2,1-5).
Abertura ao dom da palavra de sabedoria

Orar pedir o Batismo no Espírito Santo todo dia, crer que o Espírito Santo quer nos dar este dom. Pedi-lo em
oração, com um coração humilde e aberto. Ficar em escuta às moções, inspirações e revelações do Espírito Santo. Confiar
na ação de Deus em sua vida e que você foi escolhido para servi-lo. Ser dócil ao Espírito Santo e colocar suas inspirações
em prática com fé e na certeza de que o Senhor é fiel ao que promete.

Dom da palavra de ciência

O dom da palavra de ciência é o carisma pelo qual Deus nos revela um segmento de sua ciência, mostrando a raiz
de uma negatividade que está causando um problema a um irmão ou a nós mesmos. Essa negatividade se refere a um
fato ocorrido no passado ou que está acontecendo presentemente. Deus tem toda a ciência, todo o conhecimento, sabe
tudo sobre cada um de nós. Deus nos conhece desde toda eternidade. Diz o salmista: “Senhor, tu me examinas e
conheces, sabes quando me sento ou quando me levanto. Tu penetras de longe os meus intentos, percebes se caminho
ou se repouso, são rotinas aos teus olhos os meus passos. Nem me aflorou aos lábios a palavra e já sabes, Senhor, qual
ela seja. Cercas-me pela frente e por detrás, pousas em minha fronte a tua mão” (Sl 138,1-5). De ciência total, Deus,
porque nos ama, nos dá a palavra de ciência para que sejamos curados. Podemos fazer uma comparação. Quando
estamos doentes e vamos a um médico, este procura descobrir a raiz de nosso mal, ou seja, fazer um diagnóstico. Feito o
diagnóstico, o médico prescreve o medicamento para a cura do mal descoberto. Por exemplo, recentemente estava com
muita dor na panturrilha, fui ao ortopedista o qual solicitou uma tomografia, feito o exame o médico chegou ao
diagnóstico que eu estava com as vértebras L3 eL4 da coluna vertebral inflamadas e isso ocasionava dor na panturrilha da
perna. Receitou um medicamento anti-inflamatório e exercícios de alongamento. Com o tratamento recomendado pelo
médico fui curado. Analogamente, a palavra de ciência faz o diagnóstico, ou seja, identifica a raiz do mal. Identificada a
negatividade, o Senhor dá meios para sermos curados através das seguintes terapias: dom da palavra de sabedoria, dom
de sabedoria, dom do discernimento dos espíritos, dom de cura, dom do aconselhamento, que nos conduzem, conforme
o caso, ao perdão, à recepção de um sacramento, especialmente o sacramento da reconciliação e da Eucaristia, para a
solução do problema e nossa consequente cura. O dom da palavra de ciência, dom carismático, não deve ser confundido
com o dom de ciência, dom de santificação. Por este dom o Espírito Santo nos dá uma palavra de ciência, como vimos,
esta vem repentinamente ao nosso pensamento por meio de uma palavra propriamente dita, pela visualização de uma
palavra escrita, pela visualização de um animal, objeto, lugar, acontecimento, situação, membros do corpo, órgãos, etc.,
pela visualização de uma cena, por uma sensação, por uma emoção ou por um sonho. Quando a palavra de ciência vem
como uma palavra propriamente dita é como se pensássemos numa palavra, por exemplo: pai, mãe, cavalo, rosa, cadeira,
etc. Quando vem como visualização de uma cena, vemos, por exemplo, uma pessoa passeando pela praia, uma vaca
correndo num campo, etc. Quando vem como sensações podem, por exemplo, sentir dor no estômago, cabeça pesada,
dor nas costas, etc. Quando vem como emoções podem sentir, por exemplo, tristeza, angústia, alegria, etc. Quando vem
através de um sonho, sentimos que esse tem significado especial, contudo, a maioria dos sonhos não tem significado
algum. Certa vez em um retiro, quando orávamos pela cura interior, dos participantes, o Senhor me dava uma
visualização de uma menina pequena, com um irmão também pequeno, e alguém batendo nela com uma vassoura, por
algo que seu irmão tinha feito. O discernimento que o Senhor me dava era que um senhor a que estava naquele
encontro, quando criança levou uma surra de vassoura do pai, por algo que seu irmão tinha feito, e naquele momento
Deus estava dando a ela a graça de perdoar seu pai, ficando com seu coração sem aquele peso, que até então a
acompanhava. Proclamei esta cura da alma, com palavras de sabedoria, no final do retiro, no momento dos testemunhos,
uma senhora por volta dos seus 50 anos, testemunhou que aquela cura fora para ela. Por isso, ao recebermos a palavra
de ciência precisamos crer nela, se não o fizermos, estaremos pecando por falta de fé e por omissão. Podemos ou
omissão. Podemos ou não a dizes ao irmão, mas devemos sempre orar pela cura do mal revelado. A palavra de ciência
recebida deve ficar no mais absoluto sigilo, não podendo, pois, ser revelada a outras pessoas, a não ser em linhas gerais,
sem a possibilidade de se identificar o irmão. Às vezes, conforme a palavra de ciência recebida, precisamos agir com
cautela. Por exemplo: certa ocasião, uma pessoa rezando por um irmão recebeu como palavra de ciência a palavra
“adultério”. Não disse ao irmão de maneira direta a palavra recebida. Cautelosamente perguntou-lhe como estava o seu
relacionamento com a esposa. Este começou a chorar e confidenciou que havia cometido adultério anos atrás e que a
sensação de culpa não o deixava desde então. Pedro recebeu como palavra de ciência a revelação de que Ananias e Safira
haviam mentido. Estes, por não se terem arrependido de seu pecado, não resistiram à tensão e morreram (At 5,1-
11).Pedro recebeu em outra ocasião, como palavra de ciência, a revelação de que não poderia julgar impuro o que Deus
havia purificado. Curado desse sentimento foi à casa do centurião Cornélio, um pagão, portanto, considerado impuro
pelos judeus (At 10,9-23).Ananias recebeu do Senhor a palavra de ciência de que Paulo, perseguidor dos cristãos, havia
sido escolhido por Ele para levar sua mensagem aos gentios. Perdoou Paulo e orou por ele (At 9,10-19).
José, marido da Virgem Maria, recebeu em sonho, como palavra de ciência, a revelação de que Herodes procurava o
menino Jesus para mata-lo. Imediatamente levou-o, com sua mãe, para o Egito, frustrando os planos malévolos de
Herodes (Mt 2,13-15) O mesmo José que anteriormente em sonhos recebeu o anúncio do anjo, que Maria havia
concebido pelo poder do Espírito Santo de Deus (Mat 1,18-25).Quando Paulo estava em missão com Timóteo, teve uma
visão (dom da palavra de ciência) de um macedônio rogando-lhe: passa na Macedônia, e vem em nosso auxílio. Assim que
teve essa visão, procurou partir pararam a Macedônia, certos de que Deus os chamava a pregar-lhes o Evangelho (At
16, 1-10).Jesus, sendo Deus, possuía toda a ciência. Muitas vezes Ele tirava dessa ciência total uma palavra para curar e
salvar um irmão. Exemplos bem marcados são a conversa com os discípulos de Emaús, os quais, pela sua palavra, têm o
coração curado (Lc 24,13-35) e a conversão da mulher samaritana, que, tendo seu pecado revelado, arrependeu-se e se
converteu ao Senhor (Joa 4,41-42).
Além do que lemos nas Escrituras, a Igreja nos diz pela Dei Verbum: “Professa o Sagrado Sínodo que Deus, princípio e fim
de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza pela luz natural da razão humana partindo das coisas criadas”, mas
ensina que se deve atribuir à sua revelação o fato de “mesmo na presente condição do gênero humano poderem ser
conhecidas por todos facilmente, com sólida certeza e sem mistura de nenhum erro aquelas coisas que em matéria divina
não são por si inacessíveis à razão humana” (DV 6).

Abertura do dom da palavra de ciência

Estudar sobre o dom, orar ao Espírito Santo pedindo diariamente o Batismo. Crer que o Espírito Santo quer nos
dar esse dom, ter fé, amor e confiança em Deus, o qual quer agir em nós. Ter um amor constante e compassivo para com
o próximo, desejando vê-lo curado da alma, do corpo e do espírito, vê-lo liberto e sem problemas. Ficar, então, em escuta
das inspirações divinas. Confiar nas revelações que o Senhor nos faz. Transmitir essas revelações ao irmão, com fé e
simplicidade. Agradecer ao Espírito Santo cada vez que recebemos uma palavra de ciência, sempre ser uma pessoa de
louvor e adoração.

DONS DOS SINAIS Dom da Fé

O dom da fé é o carisma pelo qual Deus nos concede um poder extraordinário capaz de realizar obras que
superam toda potencialidade humana. O dom da fé não deve ser confundido com a virtude teologal da fé. Esta, chamada
de “féteo logal”, é a virtude pela qual cremos nas verdades que foram reveladas. A virtude da fé deve ser praticada
constantemente por todos os batizados. Precisamos praticar a virtude da fé para a nossa salvação. São Paulo nos diz:
“Porque é gratuitamente que fostes salvos mediante a fé” (Ef 2,8a). A virtude da fé nos faz justos. “Que ninguém é
justificado pela Lei perante Deus é evidente, porque o justo viverá pela fé” (Gl 3,11). É pela virtude da fé que vivemos
para Deus. “Na realidade, pela fé eu morri para a Lei, a fim de viver para Deus” (Gl 2,19a).
Pela virtude da fé nos tornamos herdeiros da promessa. “Para que, longe de vos tornardes negligentes sejam imitadores
daqueles que pela fé e paciência se tornaram herdeiros da promessa” (Hb 6,12). Pedro nos escreve: “Simão Pedro, servo
e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo, alcançou por partilha uma fé
tão preciosa como a nossa, graça e paz vos sejam dadas em abundância por um profundo conhecimento de Deus e de
Jesus, Nosso Senhor!” (I Pd1,1). Enfim, é pela virtude teologal da fé que cremos em todas as verdades que nos foram
reveladas e que estão consubstanciadas na oração do Credo, e é pelo dom da fé que realizamos obras que superam
nossas potencialidades humanas, como Pedro que andou sobre as águas. Além das Escrituras, a Igreja também nos fala
sobre a fé. Lemos na Gaudium et spes: “Pelo dom do Espírito, o homem, na fé, chega a saborear o mistério divino” (GS
15). Na Dignitatis humanae: “Um dos principais ensinamentos” da doutrina católica, contido na Palavra de Deus e
constantemente pregado pelos Santos Padres, é aquele que diz que o homem deve responder voluntariamente a Deus
com a fé e que, por isso, deve ser forçado a abraçar a fé contra a vontade. Com que o homem, redimido pelo Cristo
Salvador e chamado para a adoração de Filho por Jesus Cristo, não pode aderir a Deus que se revela, a não ser que o Pai
o atraia e assim preste a Deus o obséquio racional e livre da fé” (DH 10).

Na Dei Verbum: “Para que se preste esta fé, exigem-se a graça prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do
Espírito Santo, que move o coração e converte-o a Deus, abre os olhos da mente e dá a todos a suavidade de consentir a
crer na verdade. A fim de tornar sempre mais profunda à compreensão da Revelação, o mesmo Espírito aperfeiçoa a fé
por meio dos seus dons” (DV 5). Podemos entender a Fé sob três aspectos ou considerações: A Fé que crê, que acredita
em Deus e suas verdades; fé salvadora; fé doutrinária. A Fé que confia, chamada fé confiante na bondade de Deus que,
por ser Pai nos ama; assim, pois, tudo irá bem. A Fé que espera na ação de Deus; fé “expectante” (ou de “expectativa),
que é a fé carismática, pela qual se sabe que Deus agirá de forma poderosa. A seguir veremos nas citações bíblicas o
carisma da fé, a fé expectante, aquela que acreditamos porque acreditamos, acreditamos antes de ver, fazemos tudo em
nome do Senhor na expectativa de que tudo está acontecendo pelo poder de Deus. È a fé pela qual damos um pulo no
escuro, com a certeza de que cairemos no colo de Deus. É a fé da conversão, da mudança de vida, da vida nova. Pois fé
carismática sem conversão é como um fogo que não queima, como uma luz que não ilumina. Fé carismática ou
expectante, é intrinsecamente ligada a conversão diária de nossa vida. No livro do Gênese, lemos sobre o sacrifício de
Isaac, Deus pede a Abraão que sacrifique seu Filho, seu único Filho, sobre o qual repousava a promessa de toda a sua
descendência. Abraão, com fé carismática, leva o menino para ser sacrificado. Apronta o altar do sacrifício com a lenha,
coloca Isaac sobre o altar e ergue a faca para sacrifica-lo. Um anjo do Senhor o impede de consumar o sacrifício (Ver Gen
22,1-9).Na passagem do mar Vermelho vemos a fé carismática de Moisés que, obedecendo ao Senhor, fere com sua vara
as águas do mar, que se abrem permitindo ao Povo de Deus atravessa-lo a pé enxuto e chegar à liberdade (Ver Ex 14,1-
31).Lemos no primeiro livro dos Reis que o profeta Elias foi posto em confronto com quatrocentos e cinquenta profetas
de Baal, para que os israelitas se decidissem a seguir a Deus ou a Baal. Elias, pelo dom da fé carismática, propôs que os
profetas de Baal e ele pusessem ao mesmo tempo um novilho sobre a lenha para sacrifica-lo. Depois, disse Elias, cada um
de nós invocará o seu Deus para que este faça descer fogo do céu e incendeie a lenha para aceitar o sacrifício que lhe
oferecemos. O verdadeiro Deus há de se manifestar. Os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal invocaram-no sem
sucesso. Elias, então, mandou que jogasse água por três Vezes sobre o seu novilho, para dificultar a ação do fogo. Orou a
Deus com fé carismática e o Senhor fez descer do céu fogo que incendiou a lenha, secou a água e consumiu a vítima no
altar. (Ver I Rs18,20-10). Disse o Senhor: “Se tiverdes fé (carismática) como um grão de mostarda, direis a. Esta “amoreira:
Arranca-te e transplanta-te no mar, e ela vos obedecerá” (Lc 17,6). Jesus disse também: “Em verdade vos digo: se tiverdes
fé (carismática) do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: ‘ Transporta-te daqui para lá’, e ela irá”. E
nada vos será impossível” (Mt 17, 20b).Quando os apóstolos estavam na barca, durante a noite, e Jesus se aproximou
deles andando sobre as águas, Pedro tomou a palavra e disse: “Senhor, se és tu, manda-me ir sobre as águas até junto de
ti!”Ele disse: “Vem”!” Pedro saiu da barca e caminhou sobre as águas ao encontro de Jesus (Ver Mt 14,28-29).Pedro
demonstra aqui sua abertura ao dom da fé carismática. Após Pentecostes, os apóstolos realizam grandes milagres devido
à sua fé carismática. Quando Pedro e João subiam ao templo para orar, deparam, na porta do templo, com um coxo que
lhes pediu uma esmola. “Pedro, assim como João, fixou nele o olhar e lhe disse: ‘Olha para nós’. Ele ficou olhando
atentamente para eles, na esperança de receber alguma coisa. Então Pedro disse: ‘Eu não tenho nem ouro nem prata.
Mas o que tenho te dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, põe-te a caminhar’. E, segurando-o pela mão direita,
ajudou-o a se levantar. Instantaneamente os seus pés e tornozelos ficaram firmes. Num salto ficou de pé, começou a
andar e, em companhia deles, entrou no templo, caminhando, pulando de alegria e louvando a Deus” (Ver At 3,4-8). O
milagre da cura do coxo ocorreu devido à fé carismática de Pedro e João. Quando Pedro foi a Jope, lá morava uma
discípula do Senhor, chamada Tabita, muito estimada pelas suas amigas pela bondade com que as tratava. Aconteceu
que Tabita veio a falecer, provocando grande dor em suas amigas. Pedro, cheio de fé (carismática), pôs-se de joelhos e
orou. Voltou-se em seguida para a falecida e disse: “Tabita, levanta-te”. Ela ressuscitou dos mortos e, por esse milagre,
muitos creram no Senhor. (Ver At 9,34-43). Quando Paulo e Barnabé foram a Listra encontraram um homem aleijado,
coxo de nascença. “Ele ouviu Paulo falar”. Este olhou bem firme para ele e percebeu que tinha a fé necessária para ser
curado. Então disse-lhe com voz forte: ‘Levanta-te, fica bem de pé!’ “Ele deu um salto e começou a caminhar” (At 14,9
-10).Neste texto dos Atos vemos a fé carismática de Paulo e também a fé carismática do coxo, devido a fé ocorreu um
milagre. Quando Paulo estava na Macedônia, reuniram-se, no primeiro dia da semana, para repartir o pão. Em seguida
Paulo começou a pregar e um jovem, Êutico, que estava sentado numa janela, adormeceu e caiu do prédio, vindo a
falecer. Paulo desceu imediatamente e com grande fé orou sobre ele, que ressuscitou (Ver At 20,7-12). Vemos, neste
trecho das Escrituras, mais um milagre de ressurreição devido à oração feita com fé carismática.

Abertura ao dom da fé.

Orar pedindo o dom para o Senhor, praticar com firmeza a virtude teologal da fé, ler muito sobreo assunto, ler
muito a Bíblia. Pedir o Batismo no Espírito Santo todo dia, pois é através dele que recebemos os carismas, inclusive o da
fé. As verdades reveladas, nas quais cremos pela virtude da fé, estão consubstanciadas no Credo. Rezar, então, o Credo,
meditando longa e profundamente sobre cada uma de suas partes. Quem está firme na virtude da fé teologal, poderá ser
aprimorado pela abertura ao dom da fé carismática. È preciso a fé teologal para a abertura a todos os dons. È preciso
ainda a fé carismática para orarão Senhor e pedir-lhe que realize uma cura ou um milagre. Peçamos como os apóstolos:
“Senhor, aumentai a nossa fé” (Lc 17,5).

Dom de Cura

O dom de cura é o carisma pelo qual ocorre uma cura como resposta de Deus a uma oração, quer seja individual
ou coletiva. Nós oramos a Deus pedindo-lhe que cure o irmão ou que nos cure. Deus responde nossa oração operando a
cura, manifestando dessa forma a graça da força do Cristo Vivo e Ressuscitado. Há a cura física (do corpo), a cura interior
(do psiquismo, emoção, etc.) e a cura espiritual (também chamada libertação, cura do espírito).O homem é um ser
formado de corpo, mente e espírito. Esses três aspectos de sua pessoa estão intimamente interligados. Quando uma das
partes não está bem, as outras são diretamente afetadas. Por exemplo, uma pessoa tem o seu corpo atacado pelo câncer,
sua parte psíquica pode também ficar afetada, pois ela se preocupa com o futuro e, muitas vezes, sente-se como um peso
para aqueles que dela tratam, achando que lhes está dando trabalho demais. Se não for forte à fé poderá começar a seres
sentir contra Deus, que permitiu que ela fosse acometida daquele mal, ficando espiritualmente afetada. Noutro caso, por
exemplo, uma pessoa é despedida do emprego e se sente psicologicamente mal. Ao viver esse drama, sua pressão arterial
poderá elevar-se, ou seja, seu corpo passa também a ser afetado. Poderá sentir-se rejeitada pelos irmãos e, também,
rejeitada por Deus, ficando com problema espiritual. Finalmente, por exemplo, uma pessoa infringe o sétimo
mandamento da Lei de Deus –não furtar – e dá um desfalque. Fica, pois, em pecado, ou seja, afetada em sua parte
espiritual. Sua parte psicológica é também afetada, pois sua consciência a acusa e ela sente remorso de seu ato,
intranquilidade e mesmo angústia. A angústia poderá levá-la a ter depressão ou até mesmo ocorrer uma somatização e
ocasionar uma úlcera de estômago, atingindo seu físico. Deus nos conhece melhor do que ninguém, Ele sabe onde está a
raiz de todo o mal, como nos ama e pela fé que depositamos no seu poder, Ele, em sua misericórdia, quer nos curar e se
alegra quando oramos uns pelos outros, pedindo a cura e demonstrando amor fraterno. Deus é quem nos cura, por
diversos meios: pelos médicos e pelos medicamentos, pelos Sacramentos, em especial nos Sacramentos da Eucaristia,
Confissão e Unção dos Enfermos, através do perdão e em resposta às nossas orações. Os médicos, os medicamentos são
abençoados por Deus, lemos no Eclesiástico: “Presta ao médico a devida honra, porque dele precisas; foi o Senhor
também quem o criou”. È do Altíssimo, com efeito, que vem a cura; e ele recebe presentes do próprio rei. O Senhor faz
sair da terra os medicamentos; não os rejeitam homem sensato. Pelos medicamentos se realiza a cura e a dor
desaparece. “Com eles, prepara o farmacêutico diversas misturas” (Eclo 38,1-2, 4,7-8).Quem está doente deve orar para
que o Senhor o encaminhe ao médico de sua escolha, a seguir, orar pelo médico, para que ele seja um bom instrumento
nas mãos do Senhor. Quem está em tratamento médico e recebe uma oração de cura somente deve suspender o
tratamento se o médico assim o mandar. Deus nos cura pelos sacramentos, o sacramento da reconciliação ou confissão,
nos cura espiritualmente e, consequentemente, cura todo nosso ser. O sacramento da Eucaristia nos cura, pois nele
recebemos o próprio Jesus, o médico dos médicos, aquele que é o curador por excelência. Há ainda um sacramento
específico para a cura, a unção dos enfermos, o próprio São Tiago nos diz: “Há entre vós quem sofra? Que reze! Está
alguém de bom humor? Que entoe cânticos! Há entre vós algum enfermo? Que mande chamar os presbíteros da Igreja e
estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o
reerguerá. E, se tiver cometido pecados, ser-lhe-á concedido perdão”(Tg 5,13-15).O Senhor nos cura através do perdão,
pois a base da nossa vida espiritual é o viver reconciliados, o pedir e dar perdão. É muito importante para nós, sabermos
disso e tomarmos a peito esta realidade, porque a gente às vezes é levado a considerar o viver reconciliados, o dar e pedir
perdão, como uma das coisas da vida fraterna, talvez até mesmo um acidente da vida fraterna, entre outras coisas eu
também preciso me reconciliar, mas não. Pedir e dar perdão são fundamental, é caminho de cura e crescimento. O viver
reconciliado, pedir e dar perdão são a base da nossa vida espiritual. Nós podemos cair no engano de dizer que somos
muito eu, eu sou divertido, eu sou alegre, eu me relaciono com todo mundo, todo mundo gosta de mim, ou ainda que
não preciso de ninguém. Dificilmente, quem pisou na bola comigo, acabou. Aquela pessoa no meu coração já fechou, não
pisa duas vezes na bola não, é uma vez só. Eu continuo vivendo, eu continuo divertido, eu continuo me dando com todo
mundo, mas eu já sequei no coração aqueles que me feriram. Pode ser que hoje eu sequei um, amanhã eu sequei outro e
depois eu sequei outro. A coisa é assim, é como na ligação de lâmpadas, a ligação é em paralela, onde você liga o
pólopositivo de uma lâmpada ao pólo de uma outra lâmpada e assim pra frente, de modo que a energia corre entre todas
as lâmpadas a ligação paralela. É uma boa forma de fazer ligação de fuzil. Mas se uma das lâmpadas se queima, está
rachada, apagam todas. Deus faz ligação em paralela, você tem a impressão deque se você está mal com uma pessoa do
grupo, você continua comunitário de bem com todo mundo, na verdade não é. Você cortou a fraternidade na sua vida,
então a gente corre grande risco de desentender, de ficar com mágoas no coração, adoecer. Enquanto que a verdade é
esta: a base da nossa vida espiritual é viver reconciliado, pedir e dar perdão. Deus nos convida hoje ao perdão. Deus nos
cura também como resposta às orações em que pedimos a cura de irmãos ou a nossa, mas Deus cura como quer, quando
quer e como for melhor para nós. A cura é a resposta de Deus a nossa oração fervorosa na fé expectante. A cura é um
sinal do amor de Deus por nós. Quando não ocorre a cura não é porque Deus não nos ama, mas porque quer nos dar algo
melhor que a cura. “Bem cedo, nos Evangelhos, determinadas pessoas se dirigem a Jesus chamando-o de
‘Senhor’. Este título exprime o respeito e a confiança dos que se achegam a Jesus e esperam dele ajuda e cura” (CIC448).
“Desde o início da sua vida pública, Jesus escolhe homens em número de doze para estarem com Ele e para participarem
da sua missão; dá-lhes participação na sua autoridade “e enviou-os a proclamar o Reino de Deus e a curar” (Lc 9,2).
Permanecem eles para sempre associados ao Reino de Cristo, pois Jesus dirige a Igreja por intermédio deles” (CIC
551).Nas Escrituras encontramos curas de cegos, na cura dos cegos de Jericó, Jesus tocou-lhes os olho se eles passaram a
ver perfeitamente (Mt 20,29-34). Na cura do cego de nascença, Jesus cuspiu no chão, fez um pouco de lodo com a saliva e
com o lodo ungiu os olhos do cego. Depois lhe disse: “Vai, lava-te na piscina de Siloé”. O cego foi, lavou-se e voltou
enxergando (Joa 9,1-41). Na cura do cego de Betsaida Jesus pôs-lhe saliva nos olhos e, impondo-lhe as mãos, perguntou-
lhe se via alguma coisa. O cego olhou e respondeu: “Vejo homens como árvores que andam”. Jesus impôs as mãos nos
olhos e ele começou então a ver claramente (Mc 8,22-26). Esta última cura foi gradual, diferentemente das duas
anteriores, que foram instantâneas. O Senhor cura seus filhos através da oração pela cura, quem vai orar pela cura de um
irmão não sabe qual é a raiz do mal, se está no corpo, na mente ou no espírito, mas Deus sabe. Muitas vezes a cura
ocorre diretamente como resposta ao pedido feito na oração. Outras vezes Deus dá a quem está orando uma palavra de
ciência, para identificar à raiz do mal. A palavra de ciência vai revelar a raiz do mal físico, psicológico ou espiritual. O
Senhor geralmente indica também caminhos para a cura através do dom de sabedoria, do dom da palavra de sabedoria,
do dom do discernimento dos espíritos ou do dom do aconselhamento. Estes dons conduzem à cura, conforme o caso,
pelo perdão, pela recepção dos sacramento da reconciliação, pela libertação, etc. Uma pessoa com problema físico, ao
receber a oração de cura, conforme a vontade do Senhor, e pela sua abertura de coração, poderá ou não ser curado
fisicamente. Por exemplo, certa vez, uma irmã que tinha artrose e, consequentemente, andava com dificuldade, após ter
recebido uma oração de cura continuou sofrendo da artrose como antes, mas deixou de se preocupar com o que lhe
pudesse acontecer no futuro (tinha medo de piorar, a ponto de precisar de uma cadeira de rodas). Passou, pois, a aceitar
a doença e foi curada interiormente. Como resposta a oração de cura, Deus também cura psicológica e espiritualmente.
Há muitos cristãos em boas condições físicas, mas que estão doentes psicológica ou espiritualmente. Jesus quer curá-los.
“Jesus é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade” (Hb13,8). Portanto, assim como realizou inúmeras curas
durante sua vida terrena, nos cura hoje e por todo o sempre. Tempo e espaço não significam nada para Ele. Ele pode nos
curar hoje e agora, no momento que você está lendo este capítulo, pode nos curar de algo que nos aconteceu na nossa
infância ou mesmo na nossa vida intra-uterina. Ele pode chegar ao nosso passado e curar aquilo que nos machucou, que
nos magoou, que nos marcou. Cura-nos de lembranças dolorosas, de situações traumáticas que implicam hoje em
alterações em nosso comportamento, em sonhos (pesadelos), entre outras anomalias. Na oração de cura interior pede-se
a Jesus que vá ao nosso passado e nos cure de toda mágoa e ilumine qualquer lembrança dolorosa. Não é somente voltar
ao passado e recordar detalhes desagradáveis, não é somente ficar sabendo das causas de nossas machucaduras, mas é
ter Jesus brilhando com sua luz divina em todos os cantos escuros nos quais Satanás esconde mágoas e lembranças
dolorosas. É ter Jesus conosco durante situações difíceis e desagradáveis e nas horas em que fomos traumatizados. Todos
precisamos de algum tipo de cura, quer seja ela: física, emocional ou espiritual. O único lugar onde as pessoas não
precisam mais ser curadas, é no cemitério. Quem recebe uma oração de cura precisa, em primeiro lugar, assumir a cura,
saber que está sendo curado, querer a cura, permitir que ela aconteça. Como dissemos atrás quando se trata de cura
física é preciso que haja confirmação pelo médico. Precisa, em seguida, dar os passos que o Senhor mandou que desse,
senão, é como ir ao médico, receber a receita após o diagnóstico da doença e jogá-la fora no lixo. Na cura do cego de
nascença Jesus mandou que ele fosse lavar os olhos na piscina de Siloé. Ele deu esse passo e foi curado. Imaginemos que
ele não obedecesse a Jesus e não fosse lavar seus olhos na piscina, será que teria sido curado? Todos os batizados podem
abrir-se ao dom de cura, entretanto é preciso uma vida de oração, de sacramentos, de serviço a Igreja e aos irmãos, é
preciso ter fé em Deus e sentir amor pelo irmão que está enfermo, quer seja no corpo, na alma ou no espírito. Há pessoas
que são muito abertas a esse dom e o exercem constantemente, essas pessoas têm o ministério de cura.

Abertura ao dom de cura.

Orar pedindo o dom de cura ao Senhor, se colocar disponível. Ter fé para dar os primeiros passos se orar pelos
irmãos. Sentir profundo amor pelos irmãos que estão necessitados de cura. Ler diariamente a Bíblia, ler livros sobre o
assunto, assistir palestras, participar de retiros sobre o tema. Orar junto com pessoas que já estejam exercendo esse
dom, participando da oração ou ficando em intercessão. Confiar no Senhor e não pensar que fracassou se não constatar a
cura imediata. Abrir-se a dons auxiliares ao dom de cura, como os dons de palavra de ciência, palavra de sabedoria,
discernimento de espíritos, aconselhamento.

Como orar pela cura?


Não orar sozinho nunca, mas como membro de um pequeno grupo, no mínimo de duas pessoas.
“Eu vos repito: se dois dentre vós na terra se puserem de acordo para pedir seja qual for a coisa, esta lhes
será concedida por meu Pai que está nos céus. Porque, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, eu
estou lá entre eles” (Mt 18,19-20).Preparar-se constantemente para a oração de cura, através da leitura diária da Palavra,
meditações e orações pessoais. Jejuar pelo ministério de cura, Jesus aconselha: “Quanto a esta espécie de demônios, só
se pode expulsar à força de oração e jejum” (ler Mateus capítulos 17 a 21). Estar em dia com os Sacramentos em especial
a Confissão e comungar sempre o Corpo e o Sangue de Cristo, alimento para nossa vida espiritual. Rezar diariamente o
terço, estar em comunhão com Maria nossa mãe e rainha. Orar pela cura de preferência na Igreja, pois nela está o
Santíssimo, ou seja, Jesus Eucarístico, e também porque está escrito: “Minha casa é a casa de oração” (Mt 21,13a).
Na oração de cura feita por duas ou mais pessoas, enquanto uma ora em voz alta, as demais ficam em intercessão em voz
baixa em línguas e em escuta do Espírito Santo. A que está orando em voz alta, quando sentir que é da vontade do
Senhor, cessa sua oração para que outro irmão ore alto e ela passa então a ficar em intercessão e assim sucessivamente.
As orações feitas em voz alta devem ser audíveis, para que a pessoa que está recebendo a oração possa ouvir o que está
sendo orado. A oração deve ser feita com tranquilidade e ordem, sempre guiada pelo Espírito Santo. Quem recebe a
oração não deve orar junto, principalmente em voz alta, mas ficar à escuta, prestando bastante atenção no que o Senhor
lhe está dizendo através dos irmãos que estão orando. Deve haver imposição de mãos, com discernimento e respeito
para que a pessoa que este recebendo oração não passe constrangimentos. Enfim devemos nos abandonar nas mãos do
Senhor e deixar que Ele nos conduza como servos fiéis, aqueles que têm como recompensa de seu trabalho a alegria de
poder servi-lo.

Dom de milagres
Milagres são fenômenos sobrenaturais realizados por Deus, é a interferência de Deus em alguma situação, podendo ser
uma cura física como o cego Bartimeu (Ler Mc 10,46-52); alteração dos fenômenos naturais, como foi a tempestade
acalmada (Ler Mt 8,23-27); multiplicação de pães (Ler Mt 14, 13-21; Mc6,30-44; Lc 9,10-17 e Jô 6,1-15); a ressurreição de
um morto, como foi a de Lázaro (Ler Jo 11,1-44); etc. Deus realiza milagres para que os homens conheçam a sua glória.
“Jesus acompanha as palavras com numerosos ‘milagres, prodígios e sinais’ (At 2,22) que manifestam que o Reino está
presente nele”. Atestam que Jesus é o Messias anunciado “(CIC 547).“Os sinais operados por Jesus testemunham que o Pai
o enviou. Convidam a crer nele. Aos que a Ele se dirigem com fé, concede o que pedem. Assim os milagres fortificam a fé
naquele que realiza as obras de seu Pai: testemunham que ele é o Filho de Deus. Eles podem também ser ‘ocasião de
escândalo’ (Mt 11,6). Não se destinam a satisfazer a curiosidade e os desejos mágicos. Apesar dos seus milagres tão
evidentes, Jesus é rejeitado por alguns; acusam-no até de agir por intermédio dos demônios “(CIC 548).“O advento do
Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás. ‘Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de
Deus já chegou a vós’ (Mt 12,28)” (CIC 550).“O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a benção,
partiu e distribuiu Os pães através dos seus discípulos para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste
único pão da sua Eucaristia. O sinal da água transformada em vinho em Cana já anuncia a hora da glorificação de Jesus.
Manifesta a realização da ceia das bodas no Reino do Pai, onde os fiéis beberão o vinho novo, transformado no Sangue de
Cristo “(CIC 1335).“O motivo de crer não é de fato as verdades reveladas aparecerem como verdadeiras e inteligíveis à luz
da nossa razão natural. Cremos ‘por causa da autoridade de Deus mesmo que revela e que não pode nem enganar-se
nem enganar-nos’. ‘Todavia, para que o obséquio da nossa fé fosse conforme a razão, Deus quis que os auxílios interiores
do Espírito Santo fossem acompanhados das provas exteriores da sua Revelação’. Por isso os milagres de Cristo e
dos santos, as profecias, a propagação e a santidade da Igreja, sua fecundidade e estabilidade ‘constituem sinais
certíssimos da Revelação, adaptados à inteligência de todos’, ‘movidos de credibilidade’ que mostram que o
assentimento da fé não é ‘de modo algum um movimento cego do espírito’”(CIC 156).‘Na humanidade de Cristo,
portanto, tudo deve ser atribuído à sua pessoa divina como ao seu sujeito próprio. Não somente os milagres mas também
os sofrimentos, e até a morte: ‘Aquele que foi crucificado na carne, nosso Senhor Jesus Cristo, é verdadeiro Deus, Senhor
da glória e Um da Santíssima Trindade’” (CIC 468).“A Ressurreição de Jesus glorifica o nome do Deus Salvador, pois a
partir de agora é o nome de Jesus que manifesta em plenitude o poder supremo do ‘nome acima de todo nome’. Os
espíritos maus temem seu nome e é em nome dele que os discípulos de Jesus operam milagres, pois tudo o que pedem
ao Pai em seu nome, o Pai lhes concede” (CIC 434). Os milagres nas Escrituras são descritos como maravilhas: “Havia (os
israelitas) olvida do as suas obras, todas as maravilhas demonstradas” (Sl 77,11); “Lembrai as maravilhas que operou seus
feitos e as palavras de seus lábios” (Sl 104,5).
Já no Antigo Testamento encontramos milagres espetaculares: a abertura do mar Vermelho, efetuada através de Moisés
(Ler Ex 14). O florescimento da vara de Aarão (Ler Nm 17). A passagem do Jordão a pé enxuto, feita por Josué (Ler Js 3). A
destruição das Muralhas de Jericó (Ler Js 6). A derrubada das pilastras do templo filisteu por Sansão (Ler Jz 16). A vinda de
trovoadas e chuvas, pedidas por Samuel (Ler ISm 12). A multiplicação da farinha e do azeite, por Elias (Ler I Rs 17). A cura
de Naamã, por Eliseu (Ler 2 Rs 5).Os três jovens na fornalha (Ler Dn 3). Daniel na cova dos leões (Ler Dn 6).Quando
chegou a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu Filho ao mundo, Jesus Cristo, sendo Deus, durante sua vida terrena
realizou inúmeros milagres, que podemos classificar em três categorias: à) milagres relativos a natureza: acalmar
tempestades (Mt 8,23-27), caminhar sobre as águas (Mt14,22-36), transformar água em vinho (Jo 2,1-12), multiplicar
pães (Lc 9,10-17), etc.b) Milagres relativos à saúde: curar leprosos (Mt 8,1-14), cegos (Mc 10,46-52), mudos (Mc 7,31-37),
paralíticos (Lc 5,17-26), coxos (Lc 7,22), etc.c) Milagres relativos à vida: ressurreição da filha de Jairo (Mt 9,18-26),
ressurreição do filho daviúva de Naim (Lc 7,11-17), ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-44).
A Dei verbum nos diz: “Jesus Cristo, Verbo feito carne, enviado como homem para os homens,
fala, portanto, as palavras de Deus e consuma a obra da salvação que o Pai lhe mandou realizar. Por isso, vê-lo é ver o Pai,
com toda a sua presença e Manifestação de sua pessoa, com palavras e oras sinais e milagres...” (DV 4). Na Dignitatis
humanae lemos“...Cristo, nosso Mestre e Senhor, manso e humilde de coração, atraiu e convidou com muita paciência os
seus discípulos. “Apoiou e confirmou, sem dúvida, com milagres, a sua pregação, mas para despertar e confirmar a fé dos
ouvintes, e não para exercer sobre eles qualquer coação” (DV 11).

Durante muitos tempos diversos cristãos julgavam que ocorreram milagres realizados por patriarcas, por
profetas, e por Jesus Cristo no tempo da Igreja primitiva, quando apóstolos como Pedro e Paulo viviam. Admitiam ainda
que santos canonizados pela Igreja tivessem feitos milagres. Mas as Escrituras são claras no afirmar que Deus realiza
milagres através de quem Ele escolher; Jesus nos prometeu: “Eu vos Afirmo e esta é a verdade: quem crê em mim fará as
obras que eu faço”. E fará até maiores, porque vou para o “Pai” (Jo 14,12). E Jesus nos fá a certeza de que suas palavras
são cumpridas: “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão” (Mt 24,35).
O dom de milagres é o carisma pelo qual Deus realiza milagres como resposta à nossa oração, muitas pessoas abertas ao
dom de cura têm obtido de Deus, pelas suas orações, curas milagrosas. Algumas pessoas chamam curas milagrosas, ou
milagres, àquelas que ocorrem instantaneamente. Por exemplo, se uma pessoa com câncer é curada dessa doença
instantaneamente, chamam milagre. Se ocorre a cura de uma dor de cabeça, dor na perna, ou outra enfermidade que a
medicina poderia curar com medicamentos, então chamou de cura. Certamente existem milagres que nada têm a ver
com cura milagrosa, como por exemplo, o Pe.DeGrandis relata um milagre ocorrido com uma jovem norte-americana, a
qual percebeu que estava sendo perseguida por dois malfeitores e correu para o seu automóvel. Fechou as portas do
carro que eles tentavam abrir pelo lado de fora, apavorada, deu partida duas vezes, sem que o motor de arranque
funcionasse. Clamou por Jesus e na tentativa seguinte o carro pegou e ela conseguiu fugir dos seus assaltantes, contudo,
ao chegar em casa, relatou o ocorrido a seu pai. Este estranhou que o carro não quisesse pegar, uma vez que, a bateria
era nova. Foi verificar o carro e constatou que o cabo da bateria estava desligado. É bem provável que os assaltantes
tinham-no desligado para que ela não lhes pudesse fugir, mas quando ela clamou por Jesus (orou), Ele realizou um
milagre e o carro pegou sem bateria. Podemos citar o Milagre Eucarístico de Lanciano, este prodigioso milagre deu-se por
volta dos anos 700, na cidade italiana de Lanciano, na igreja do mosteiro de São Legoziano, onde viviam os monges da
Ordem Basiliana (de São Basílio).Entre os monges, havia um que se fazia notar mais por sua cultura mundana do que pelo
conhecimento das coisas de Deus. Sua fé parecia vacilante, e ele era perseguido todos os dias pela dúvida deque a hóstia
consagrada fosse verdadeiro Corpo de Cristo e o vinho Seu verdadeiro Sangue. Mas a Graça Divina nunca o abandonou,
fazendo-o orar continuamente para que esse insidioso espinho saísse do seu coração. Foi quando, certa manhã,
celebrando a Santa Missa, mais do que nunca atormentado pela sua dúvida, após proferir as palavras da Consagração ele
viu a hóstia converter-se em Carne viva e o vinho em Sangue vivo. Sentiu-se confuso e dominado pelo temor diante de
tão espantoso milagre, permanecendo longo tempo transportado a um êxtase verdadeiramente sobrenatural. Até que,
em meio a transbordante alegria, o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse: “Ó bem-
aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste
Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de
nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado! “A estas palavras os fiéis se precipitaram para o altar e
começaram também a chorar e a pedir misericórdia. Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade,
transformando o monge num novo Tomé. A Hóstia-Carne apresentava como ainda hoje se pode observar, uma coloração
ligeiramente escura, tornando-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha uma aparência fibrosa; o Sangue era de cor
terrosa (entre amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de formas e tamanhos diferentes. Serenada a emoção
de que todo o povo foi tomadas, e dadas aos Céus as graças devidas, as relíquias foram agasalhadas num tabernáculo de
marfim, construído a mando das pessoas mais credenciadas do lugarejo. A partir de 1713, até hoje, a Carne passou a ser
conservada numa custódia de prata, e o Sangue, num cálice de cristal. Os Frades Menores Conventuais guardam o
Milagre desde 1252, por vontade de Landulfo, bispoda vila de Chieti. Os monges da Ordem de São Basílio guardaram o
Milagre até 1176 e os Beneditinos até 1252.Em 1258 os Franciscanos construíram o santuário atual, que foi transformado
em 1700 de romântico-gótico em barroco. Desde 1902 as relíquias estão custodiadas no segundo tabernáculo do altar
monumental, erigido pelo povo de Lanciano no centro do presbitério. Aos reconhecimentos eclesiásticos do Milagre, a
partir de 1574, veio juntar-se o pronunciamento da Ciência moderna através de minuciosas e rigorosas provas de
laboratório. Foi em 18 de novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais decidiram, devidamente autorizados,
confiar a dois médicos de renome profissional e idoneidade moral a análise científica das relíquias. Para tanto,
convidaram o Dr. Odoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo elivre docente de Anatomia e
Histologia Patológica e de Química e Microscopia Clínica, para, assessorado pelo Prof. Ruggero Bertelli, Prof. emérito de
Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena, proceder aos exames. Após alguns meses de trabalho, exatamente a
4 de março de 1971, os pesquisadores publicaram um relatório contendo o resultado das análises:

A Carne é verdadeira carne.

O Sangue é verdadeiro sangue.


A Carne é do tecido muscular do coração (contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável
espesso do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo). A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sanguíneo (AB) e
pertencem à espécie humana. No Sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes minerais:
cloreto, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio. As proteínas observadas no Sangue encontram-se normalmente
fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do sangue vivo normal. Ou, seja, é sangue de uma
pessoa VIVA.

A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por doze séculos e expostos à ação de agentes físicos,
atmosféricos e biológicos constitui um fenômeno extraordinário.E antes mesmo de redigirem o documento sobre o
resultado das pesquisas, realizadas em Arezzo, os doutores Linoli e Bertelli enviaram aos Frades um telegrama nos
seguintes termos: "E o Verbo se fez Carne!”. “E o impressionante é que é a Carne do Coração. Não a carne de qualquer
parte do Corpo adorável de Jesus, mas a do músculo que propulsiona o Sangue – e portanto a vida – ao corpo inteiro;
do músculo que é também o símbolo mais manifesto e o mais eloquente do amor do Salvador por nós. A Eucaristia é, na
verdade, o dom por excelência do Coração de Jesus. "Meu Coração é tão apaixonado de amor pelos homens", disse um
dia o Cristo em Parayle-Monial, revelando seu Sagrado Coração a Santa Margarida Maria. Uma paixão que o conduziu à
cruz, que torna hoje presente sobre nossos altares, em nossos sacrários e até em nossos corações. Em todo o caso,
guardemos isto: na Eucaristia eu recebo o Cristo todo inteiro. É verdadeiramente que se dá e que eu como. Tanto na
hóstia como no vinho, está Jesus Cristo vivo e inteiro (corpo, sangue, alma e divindade).A comunhão eucarística existe nas
duas espécies, na espécie do pão e na espécie do vinho, só que o vinho não é somente o sangue de Jesus, mas sim o
próprio Jesus. E da mesma forma a hóstia não é somente carne, mas sim o próprio Jesus. O que aconteceu em Lanciano,
acontece em todas as igrejas do mundo e em qualquer missa, a única diferença é que lá em Lanciano além de
transubstanciar a substância (pão e vinho),transubstanciou-se também a aparência”. “Quem come a minha carne e bebe
o meu sangue tem avida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54). Parece-nos que Deus quer nos mostrar que
na menor partícula da hóstia consagrada ou na menor gota do vinho consagrado, está presente o Cristo Total. No
Santuário de Nossa Senhor de Lourdes ocorrem milagres de cura com muita frequência, hánaquele local uma equipe
permanente de médicos que examinam cuidadosamente todas as curas ocorrida se atestam aquelas que são
consideradas milagrosas. A Igreja é muito prudente na aceitação de um milagre, agindo de acordo com o discernimento
que lhe é dado pelo Espírito Santo. Podemos citar ainda como milagres as imagens de nossa Senhora que têm chorado,
em diversos lugares do mundo, lágrimas verdadeiras ou lágrimas de sangue. O Pe. Juan J. Szantyr nos conta que, ao
receber a notícia que diversos rosários de Medjugorje estavam ficando milagrosamente dourados, imaginou que fosse
obra do inimigo para distrair os fiéis da oração. Ao rezar sobre esse milagre, leu no livro de
Sabedoria: “E por terem sofrido um pouco, receberão grandes bens”. Porque Deus, que os provou, achou-os dignos de si.
Ele “os provou como ouro na fornalha e os acolheu como holocausto” (Sb 3,5-6). Meditou então que nosso ser de ouro
traz manchas do pecado original. É preciso que haja uma purificação pelo sofrimento para nos tornarmos ouro puro. Essa
era a mensagem da transformação dos rosários. Logo a seguir, o seu rosário, de uso pessoal, ficou milagrosamente
dourado. (Jesus vive e é o Senhor, 160,23).

Abertura ao dom de milagres.

Orar pedindo o dom de milagres ao Senhor, se colocar disponível. Ter fé para dar os primeiros passos e orar pelos irmãos.
Ler diariamente a Bíblia, ler livros sobre o assunto, assistir palestras, participar de retiros sobre o tema. Ter intensa vida
de jejum, oração, confissão e eucaristia. Confiar no Senhor e não pensar que fracassou se não constatar o milagre. Abrir-
se a dons auxiliares ao dom de milagre, como de cura, palavra de ciência, palavra de sabedoria, discernimento de
espíritos, fé carismática.

Na Lúmen gentium lemos: “Cristo, o grande Profeta que proclamou o Rei do Pai, quer pelo testemunho de vida, quer pela
força da palavra, continuamente exerce seu múnus profético até a manifestação da glória. Ele o faz não só através da
Hierarquia que ensina em seu nome e com seu poder, mas também, através dos leigos” (LG 35). “O povo santo de Deus
participa do múnus profético de Cristo”(LG 12).O Senhor fala conosco através da profecia. Quem a recebe percebe a
unção do Espírito Santo. Essa unção vem acompanhada de manifestações físicas, espirituais. Na manifestação física
sentimos o coração bater mais rapidamente ou sentimos calor no corpo ou formigamento nas mãos. Na manifestação
espiritual sentimos o amor de Deus em nosso coração. A profecia pode vir em vernáculo (português, para nós), em
línguas, em visão ou em sonho. Proclamar mensagens em línguas, ou seja, profetizar em línguas é diferente de orar em
línguas. A profecia em línguas é dada a uma única pessoa. E ela a proclama. A oração em línguas pode ser pessoal ou
comunitária. Por outro lado, sente-se que a profecia em línguas é dita como uma proclamação incisiva do Senhor. Quem
ouve profecias em línguas não entende o seu sentido, o seu significado. Para que a profecia em línguas seja entendida
pela comunidade e preciso a abertura a outro dom do Espírito Santo, o dom da interpretação. São Paulo nos ensina: “Se
houver quem fale (profetize) em línguas, falem dois, no máximo três, e cada um por sua vez. E haja quem interprete” (I
Cor 14,27).Veremos com maiores detalhes a interpretação da profecia no capítulo “Dom da Interpretação”. A profecia
pode também vir sob a forma de uma visão ou de um sonho. “Falou-lhes Javé: ‘Escutai, agora, minhas palavras. Quando
há entre vês um profeta de Javé, eu me revelo a ele em visão; eu lhe falo em sonhos’” (Nm 12,6). A profecia em visão é
uma mensagem que o Senhor nos dá através da visualização de algo. [Lemos nas Escrituras que São Pedro teve por três
vezes a visão de uma toalha que baixava do céu contendo animais de todas as espécies]. O Senhor lhe disse: “Pedro, mata
e come”. Pedro recusou-se, afirmando que havia na toalha animais considerados impuros pelos judeus. O Senhor lhe
disse: “Não chames impuro o que Deus purificou”. Logo após vieram chamar Pedro para ir à casa do centurião Cornélio,
não judeu, mas justo e temente a Deus. Pedro lembrou-se da visão profética que tivera e das palavras do Senhor e foi à
casa de Cornélio, que se converteu ao cristianismo (Ler Atos 10,9-48).A profecia em sonho é uma mensagem que o
Senhor nos dá enquanto dormimos. Lemos nas Escrituras que o faraó do Egito teve um sonho no qual viu sete
vacas gordas que saíram do Nilo e se puseram pastar. Em seguida, saíram do Nilo sete vacas magras que devoraram as
vacas gordas. O faraó sentiu que havia uma mensagem naquele sonho e pediu a José do Egito (filho de Jacó) que lhe
dessa interpretação do sonho. José lhe disse que a mensagem de Deus naquele sonho é que haveria sete anos de fartura
seguidos de sete anos de grande miséria e fome, o que realmente ocorreu no Egito (Ler Gn 41,1-57). A maioria dos
sonhos não tem sentido algum, mas, quando é da vontade do Senhor, Ele nos dá uma mensagem em sonho e temos, pois,
um sonho profético. Nos nossos dias, nas reuniões de oração, geralmente após uma oração em línguas ungida e
comunitária, há um momento de silêncio e um dos participantes se sente tocado a transmitir à comunidade uma
mensagem do Senhor. A pessoa que recebe a manifestação do dom da profecia sente uma necessidade de transmitir aos
irmãos aquilo que o Senhor lhe está imprimindo no coração. Inicia então a proclamação da mensagem do Senhor, que vai
fluindo de sua boca. Não são palavras provindas de seu raciocínio humano, mas que realmente provêm de Deus. Pedro
afirma: “Porque de uma vontade humana jamais veio uma profecia, mas homens movidos pelo Espírito Santo é que
falaram da parte de Deus” (2 Pd 1,21). Como é Deus quem fala, a profecia é proclamada na primeira pessoa (Meus
filhos... Eu vos digo que...).São Paulo nos ensina: “Mas quem profetiza fala aos homens, edificando, exortando e
consolando” (ICor 14,3).Deus nos fala através da profecia para nos edificar, ou seja, para nos construir, nos edificar. A
profecia edifica nossa vida, nossa moral, nossa religião. Fala-nos também para nos exortar, ou seja, para nos animar, para
nos encorajar, para nos corrigir algo errado. Fala-nos também para nos consolar, ou seja, para nos aliviar, nos suavizar.
A profecia nos proporciona consolo nas aflições, nos sofrimentos e nas angústias. Toda profecia precisa ser confirmada,
para se ter a certeza de que proveio do Senhor. Muitas vezes a mensagem de Deus é captada por mais de um dos
participantes da comunidade. Um deles o proclama, os que a receberam e não a proclamaram deverão confirmar a
profecia, dizendo: confirmo a profecia, ou simplesmente: confirmo. Outras vezes a mensagem de Deus dada naquele
momento, pode ser encontrada, como o mesmo sentido, na Bíblia. É a confirmação pela Palavra. Quem a encontrar
deverá dizer: confirmo a profecia, indicado o livro, o capítulo e os versículos e lendo o trecho. São Paulo diz: “Quanto aos
profetas, falem dois ou três e os outros julguem” (I Cor 14,29). O mesmo São Paulo, na sua primeira carta aos Coríntios,
nos fala diversas vezes sobre a profecia. Em primeiro lugar, adverte-nos que todos os dons do Espírito Santo devem
ter por raiz a caridade, ou seja, o amor. Sem caridade de nada valem nossas profecias, nossa ciência, nossa fé, etc.
“Mesmo que eu tivesse o dom da profecia e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência; mesmo que eu tivesse fé a
ponto de transportar montanhas, se não tiver caridade, não sou nada” (I Cor 13,2). Devemos, pois, aspirar em primeiro
lugar a caridade, mas também os dons espirituais, principalmente o da profecia. “Procurai a caridade. Desejai, porém, os
dons espirituais, sobretudo o da profecia” (I Cor 14,1). “Por isso, meus irmãos, aspirai ao dom da profecia” (I Cor 14,39a).
São Paulo nos mostra que o dom de línguas é um sinal para os infiéis, os não cristãos que presenciaram os
acontecimentos de Pentecostes, viram no dom de línguas um sinal de Deus. Mostra-nos também que o dom de profecia é
um sinal para os fiéis. Por esse dom Deus fala ao seu povo. “Assim as línguas são sinais, não para os fiéis, mas para os
infiéis; enquanto profecias são um sinal não para os infiéis, mas para os fiéis” (I Cor 14,22). São Paulo, escrevendo aos
tessalonicenses, adverte-os: “Não desprezeis as profecias” (I Tes 5,20). Escrevendo a Timóteo, faz-lhe a seguinte
recomendação: “Timóteo, meu filho, esta é a recomendação que te faço, de acordo com as profecias que tempos atrás
foram ditas a teu respeito. Baseado nelas deve combater o bom combate” (ITm 1,18).Como vimos, a profecia é uma
mensagem de Deus dirigida a uma comunidade, a um irmão ou a nós mesmos, que precisa ser confirmada para se
ter certeza de que proveio do Senhor. Toda profecia precisa passar pelo crivo das verdades, que sustentam a nossa fé:
Sagradas Escrituras, Sagrada Tradição e Sagrado Magistério. Toda profecia que não condizer com essas verdades, não são
autenticas. A não-profecia é a proclamação de uma mensagem provinda de nosso espírito humano. Geralmente são
frases piedosas, ou citações das Escrituras, mas sem que tenham sido suscitadas por Deus naquele momento. Ao ouvir
uma não-profecia, detectamos a falta de unção nas palavras proferidas. A falsa profecia é a proclamação de uma
mensagem vinda do inimigo, este é muito audacioso habilidoso e consegue imitar os dons do Espírito Santo,
mesmo sendo de uma forma imperfeita, ele tenta nos atrair para ele. Por exemplo, o Pe. Hemiliano Tardif, em uma de
suas viagens missionárias na América do Sul, nos conta que ao ministrar o retiro, em um determinado momento uma
pessoa se levantou e anunciou uma falsa profecia dizendo que Jesus não está presente na Eucaristia. Essa é uma falsa
profecia, a pessoa que assim o proceder deve ser exortada automaticamente. No Deuteronômio lemos: “Se por ventura
surgir um profeta ou adivinho em nosso meio, anunciando um sinal ou prodígio e se realizar o sinal ou prodígio de que
vos falou, dizendo: ‘Vamos atrás de outros deuses que tu não conheces e sirvamo-los’, não ouvireis as palavras de tal
profeta ou de tal adivinho, porque Javé vos experimenta por tal meio, para saber se amais a Javé, vosso Deus, de todo o
vosso coração e de toda vossa alma” (Dt 13,2-4). Jesus nos adverte: “Guardai-vos dos falsos profetas. Eles vêm a vós
disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos arrebatadores” (Mt 7,15). “Levantar-se-ão muitos falsos profetas e
seduzirão a muitos” (Mt 24,11). Também São Paulo nos ensina que: “...ainda que alguém – nós ou um anjo baixado do
céu – vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema” (Gl 1,8). Desta
forma, toda profecia que trouxer uma mensagem que contradiga a Sagrada Tradição, Sagrado Magistério e Sagrada
Escrituras, que ela seja anátema, isso quer dizer: maldita!Podemos também ouvir profecias comunitárias, que são
proferidas por uma pessoa e se destinam à comunidade presente. Já as profecias individuais são proferidas por uma
pessoa e se destinam a um determinado irmão. Difere, pois, do que nós falamos a um irmão. É Deus falando a ele por
nosso intermédio. As profecias pessoais são recebidas por uma pessoa e se destinam a ela própria. Muitas vezes, após
orar a sós em línguas, na presença do Senhor, e depois aguardar em silêncio, Deus nos dá uma mensagem pessoal.
Através das profecias inoperacionais Deis inspira seu povo, ou seja, mostra-lhe algo que Ele quer que seja feito, corrigido,
etc. Às profecias diretivas são aquelas em que Deus dirige seu povo, ou seja, dá-lhe uma ordem para que algo seja feito
ou corrigido. Na profecia inoperacional o Senhor apenas inspira, mas na diretiva dá uma ordem. “Na Igreja, Deus
constituiu primeiramente os apóstolos, em segundo lugar os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que têm o
dom dos milagres, o dom de curar, o dom de socorrer, de governar, de falar diversas línguas” (I Cor 12,28). Na Igreja, em
primeiro lugar vêm os apóstolos e, logo a seguir, os profetas, os apóstolos, fundamento da Igreja, tem dons de
profecia, de ensino, de milagres, de cura, de socorro, de governo, de falar diversas línguas, etc. Os profetas são abertos ao
dom de profecia e aos demais dons carismáticos: ensino, milagres, curas, socorro, governo, línguas, etc. Na carta aos
Efésios, São Paulo escreveu: “Foi ele quem de uns fez apóstolos, de outros profetas ou evangelistas, pastores ou
doutores, para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério e para construção do corpo de Cristo” (Ef 4,11-
12). Cada um de nós deve, pois, exercer o ministério que lhe foi confiado pelo Senhor, construindo, para a edificação do
corpo de Cristo, a Igreja.

Nos Atos lemos que “havia então na Igreja de Antioquia profetas e doutores; ente eles Barnabé, Simão, apelidado o
Negro, Lúcio de Cirene, Manaém, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo. Enquanto celebravam o culto do
Senhor, depois de terem jejuado, disse-lhes o Espírito Santo: ‘Separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho
destinado’. Então, jejuando e orando, impuseram-lhe as mãos e os despediram” (At 13,1-3).

Abertura ao dom da profecia.

Crer no que a Escritura nos fala sobre o dom da profecia, como nos diz São Paulo: “Temos dons diferentes,
conforme a graça que nos foi conferida. Aquele que tem o dom da profecia, exerça-o conforme a fé” (Rm 12,6). São Paulo
aconselha Timóteo: “Não negligencies o carisma que está em ti e que te foi dado por profecia, quando a assembleia dos
anciãos te impôs as mãos” (I Tm 4,14). Em Atos, lemos que “Judas e Silas, que eram também profetas, dirigiam aos irmãos
muitas palavras de exortação e animação” (At 15,32). São Pedro nos exorta: “Assim demos ainda maior crédito à palavra
dos profetas, à qual fazeis bem em atender, como a lâmpada que brilha em lugar tenebroso até que desponte o dia e a
estrela da manhã se levante em vossos corações” (2 Pd 1,19). Desejo o dom e a peça a Deus com fé. Ao abrir-nos ao dom
de línguas, entregamos ao Senhor o nosso aparelho vocal. Para abrir-nos ao dom de profecia, precisamos entregar ao
Senhor a nossa mente. Para nos abrirmos à profecia comunitária, nas reuniões de oração, após o louvor em línguas e o
silêncio, entreguemos nossa mente a Deus e lhe peçamos que nos use para proclamar sua mensagem para comunidade
reunida. Para nos abrirmos à profecia individual, oremos dois a dois em línguas e façamos silêncio; peçamos, então, ao
Senhor que nos use para uma mensagem sua dirigida ao nosso irmão. Para nos abrirmos à profecia pessoal, fiquemos
num lugar isolado e silencioso, oremos em línguas, façamos silêncio e aguardemos a mensagem que o Senhor tem para
nós, mas nunca nos esqueçamos de manter uma vida de oração pessoal: através dos sacramentos, oração pessoal, jejum,
leitura da Palavra, oração do terço e perseverança na comunidade.
Dom do Discernimento dos Espíritos

O dom do discernimento dos espíritos é o carisma de perceber e identificar em nós mesmos, nas outras pessoas,
nas comunidades e nos ambientes o que é de Deus, o que é da natureza humana ou o que é do maligno. O discernimento
dos espíritos faz também perceber a influência benigna ou maligna exercida por certos objetos. Somente é bom o que
vem de Deus, é claro que do maligno somente vem o mal. O que vem da natureza humana não é confiável, uma vez que
ela está decaída em consequência do pecado original. Há o discernimento natural, comumente chamado bom-senso.
Evitar o fumo e o álcool, porque fazem mal à saúde. Fazer exercícios adequados à idade para manter a forma física.
Poderíamos dar inúmeros outros exemplos de discernimento natural. Há o discernimento doutrinário, o que está
de acordo com a doutrina católica vem de Deus, o que a contraria não pode vir de Deus. Por exemplo, para discernir se
aparições de Nossa Senhora são verdadeiras, a Igreja verifica se as suas mensagens estão de acordo com as Escrituras,
Tradição e o Magistério da Igreja. Verifica os frutos, ou seja, se está havendo conversões para o Senhor, aumento da
santidade dos fiéis, etc. O dom do discernimento dos espíritos aprimora o discernimento natural e deve estar de acordo
com o discernimento doutrinário. O discernimento dos espíritos nos faz conscientes de que o que vem de nós mesmos
sempre coincide perfeitamente conosco. Quando faço minha vontade, permaneço como estou, não me transformo, não
cresço. O que vem de Deus nem sempre coincide com o nosso desejo, quando faço a vontade de Deus sou transformado
para melhor, cresço espiritualmente. As tentações que vêm do maligno sempre atraem para o mal, quando cedo às
tentações, caio, regrido, sofro. O discernimento dos espíritos é um dom carismático que não se presta apenas para
momentos especiais. Deve ser usado constantemente, como parte integrante da vida do cristão, para que este seja
sempre orientado e atue segundo as moções do Espírito Santo.

Discernimento pessoal e comunitário: Discernimento pessoal é aquele feito por uma única pessoa; discernimento
comunitário é aquele feito por uma comunidade inteira. Este último, geralmente, é mais confiável do que o primeiro.
Para se ter um discernimento comunitário, cada membro da comunidade, em oração, pede ao Espírito Santo o dom do
discernimento, em seguida, cada um expõe o discernimento que recebeu. Aqueles que se harmonizam e se confirmam
traduzem o discernimento da comunidade. O discernimento dos espíritos é considerado como protetor da vida
carismática, por ele os cristãos reconhecem os dons do Espírito Santo e não são enganados por falsos dons provindos do
Maligno. O Maligno tem grande habilidade para imitar os dons do Espírito Santo e apresentá-los como verdadeiros, coma
finalidade de nos tirar do Reino de Deus e nos atrair para ele. O inimigo age sorrateiramente. Para distinguir sua ação em
nosso ambiente, o único meio é o Espírito Santo; ninguém tem por si discernimento. Paulo VI destacou em um de seus
pronunciamentos: "O dom dos dons para os tempos de hoje é o discernimento". E é mesmo, do contrário somos levados
por ventos de várias doutrinas, a mesmo, sem saber para onde vamos .Para possuir discernimento, o básico é aprender a
ouvir o Senhor; suas emoções, inspirações. Muitas vezes o sentimento dentro de nós, movendo-nos: "Faça assim, não
diga aquilo", mas em geral sepultamos isso, fazendo até o contrário. O Espírito Santo dá o dom do discernimento àqueles
que estão n'Ele, imersos, banhados n'Ele. Àqueles que dão tempo à escuta, à oração, à Palavra. Temos de ser dóceis à
condução do Espírito. É muito necessário distinguir o que vem de Deus, de Jesus, do Espírito Santo, de Maria, dos anjos.
Caso contrário, tudo se confunde na nossa cabeça. Deus quer nos dar essa graça, o dom de discernimento dos espíritos,
que é resultado de nossas caminhadas pela tenda da oração. É preciso caminhar, progredir e perseverar nos grupos de
oração, na Palavra de Deus, na docilidade e no trabalho do Senhor. Assim, vamos nos constituindo terreno cada vez mais
próprio para a semeadura. Percebemos que uma palavra não vem de Deus, mas do maligno, quando ela nos faz mal, nos
agride. A falta de discernimento é própria dos iniciantes e dos imaturos. É claro que Deus nos salva nessas situações.
Temos sido salvos por Ele, que quer nos dar, cada vez mais, o discernimento dos espíritos, a capacidade de perceber e de
sentir em nós o que é de Deus e o que não é; o que vem do Espírito Santo e oque vem do mal. Temos de ser cuidadosos
quanto a isso: pois em nosso espírito humano se misturam o orgulho, a vaidade, o ciúme, a inveja, rivalidades e
competições com os outros.

Se não temos o discernimento dos espíritos, podemos pensar que vem de Deus algo que na verdade não vem. Trata-se
apenas de orgulho e vaidade de minha parte, e eu engulo tudo como se fosse de Deus. O senhor tem para nós esse
grande dom, esse precioso dom que é o discernimento dos espíritos. Embora ele seja um dom, embora nos seja dado
gratuitamente, é resultado, também, da nossa caminhada. Precisamos caminhar e amadurecer e o que nos amadurece
são a perseverança, a oração, a Palavra de Deus e à docilidade. E com a maturidade vem também o discernimento dos
espíritos.

Abertura ao dom do discernimento dos espíritos.

Para abrir-se ao discernimento dos espíritos um bom caminho é começar por perceber e identificar em nós o que
é de Deus, o que é de nós mesmos e o que é do maligno. A primeira etapa é identificar nosso estado de alma numa dada
situação, podemos estar alegre sou tristes, em paz ou angustiados, pacientes ou irritados, etc. A seguir, identificado nosso
estado de alma, perguntar-nos por que estou alegre (ou triste, ou em paz, ou angustiado, etc.)?Verificamos então que
podemos estar alegres (ou tristes, etc.) por motivos que vêm de Deus, que vêm de nossa natureza humana ou que vêm
do maligno. Assim discernimos em nós o que é de Deus, o que é nosso ou o que é do maligno. Por exemplo: estou triste
porque não pude ir à missa hoje –motivo divino. Estou triste porque não recebi de um amigo a atenção que esperava
motivo humano. Estou triste porque não desabafei meu ódio sobre aquela pessoa que me feriu motivo diabólico. Após
algum tempo dessas observações, posso verificar que passo por períodos de alegria (ou de tristeza, etc.) por motivos
divinos. Nesse caso posso concluir que estou sendo guiado por Deus, porque a tristeza que vem de Deus, compunge a
alma e leva a conversão, a santidade de vida. Se esses diferentes estados de alma ocorrem por motivos humanos, posso
concluir que estou sendo guiado por mim mesmo. Nunca nos esqueçamos de manter uma vida de oração pessoal: através
dos sacramentos, oração pessoal, jejum, leitura da Palavra, oração do terço e perseverança na comunidade. Aprendamos
com São Tiago: “Sede submissa a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós. Aproximai-vos de Deus, e ele se
aproximará de vós” (Tg 4,7-8).Você pode orar agora: Senhor, Jesus, peço o discernimento dos espíritos. Preciso muito
desse dom, para não confundir todas as coisas. Não quero saber de nada de mau, não quero saber confundir. Quero ser
guiado, conduzido, orientado por ti. Dá-me, Senhor, o dom do discernimento dos espíritos. Amém!

A primeira manifestação do dom de falar em outras línguas ocorreu em pentecostes: “Chegou o dia de Pentecostes e
estavam todos reunidos naquele mesmo lugar. De repente veio do céu um barulho que parecia o de um furacão; invadiu
a casa onde estavam todos reunidos. Então, lhe apareceram línguas como se fossem de fogo, que se dividiram e
pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme
o Espírito Santo os impelia a que se exprimissem. Ore estavam em Jerusalém judeus piedosos, provenientes de todas as
nações que existem debaixo do céu. Quando se deu aquele barulho, juntou-se muita gente, pasmada, porque cada
pessoa os ouvia falar em sua própria língua” (At 2,1-6). Neste trecho dos Atos dos Apóstolos vemos claramente que os
discípulos, que estavam em oração no Cenáculo, receberam do Espírito Santo sob a forma de línguas de fogo e
imediatamente manifestou-se neles o dom de línguas ou, mais especificamente, o dom de falar em outras línguas. Os
discípulos começaram a falar em outras línguas e os judeus presentes, procedentes de diversas partes do mundo, os
ouviam falar na própria língua. Algum tempo depois, no início de seu ministério, Pedro foi à casa do centurião Cornélio e
fez uma pregação sobre Jesus: “Pedro falava, quando o Espírito Santo desceu sobre todos os que escutavam seu discurso.
Os fiéis de origem judaica, que tinham ido de Jope com Pedro, ficaram admirados por verem que o dom do Espírito Santo
tinha sido derramado também sobre os não judeus. “De fato, eles os ouviam falar em diversas línguas e glorificar a Deus”
(At 10,44-46).Constatamos, pois, que quando o Espírito Santo foi derramado sobre os pagãos, eles falaram em outras
línguas e Pedro e seus companheiros entendiam o que diziam, pois ouviram que eles estavam glorificando a Deus.
Quando Paulo e Apolo foram a Éfeso encontraram alguns cristãos e lhes perguntaram:
“Recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” Responderam -lhe: “Não, sequer ouvimos dizer que existe um
Espírito Santo” (At 19,2). “E quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo desceu sobre eles, e começaram a falar
em diversas línguas e profetizar” (At 19,6). Verifica-se neste trecho dos Atos dos Apóstolos que os cristãos de Éfeso, ao
receberem o Espírito Santo, falaram em outras línguas e Paulo e Apolo entenderam que eles profetizavam. Durante muito
tempo julgou-se que o dom de falar em outras línguas havia cessado após os acontecimentos narrados nos Atos dos
Apóstolos. No entanto, esse dom do Espírito Santo manifestou-se em diversos santos que viveram em épocas posteriores
àquele tempo. Atualmente, pelo derramamento do Espírito Santo que Deus está fazendo sobre sua Igreja, esse dom tem-
se manifestado em diversas pessoas batizadas no Espírito Santo. São Francisco de Assis narra em seu livro “Fioretti” que
“o maravilhoso vaso do Espírito Santo, Santo Antônio de Pádua, pregou uma vez diante do papa e dos cardeais. Havia
homens de diversas nações: gregos, franceses, alemães, eslavos, ingleses, que falavam diferentes línguas e, inflamado
pelo Espírito Santo, expôs a Palavra de Deus tão devota, clara e inteligente que todos quantos ali estavam entenderam as
suas palavras clara e distintamente, como se tivessem sido faladas no idioma de cada um deles”. Santo Antônio de
Pádua viveu no começo do século XIII. Dom Constantino, bispo de Orviedo, em seus escritos sobre São Domingos, relata
que “também não é menos digno de ser referido aquilo que contou com inteira veracidade num sermão Dom Rainerio,
venerável cardeal de Santa Maria, na presença de não poucos clérigos, no dia da festividade do santo varão bem-
aventurado São Domingos, no convento dos frades. Aconteceu em certa ocasião ir de viagem o homem de Deus, quando
entrou em sua companhia o religioso, manifestando bem patente sua santidade de vida, mas estranho por seu idioma e
forma de falar. Lamentando-se pelo muito que estava perdendo por não poder conversar com ele sobre assuntos
espirituais, para mútuo encorajamento, alcançou finalmente do Senhor, após insistente orações, que um entendesse a
língua do outro, e deste modo trocaram impressões durante três dias, que foi o tempo que andaram juntos. “São
Domingos, contemporâneo de Santo Antônio de Pádua, viveu também no início do século XIII. O antigo Breviário Romano
trazia uma frase alusiva a São Francisco Xavier: “O santo pareceu ter aprendido pela revelação divina línguas difíceis e
variadas das diversas nações, de maneira que, reunidas numa mesma assembleia, todos ouvissem falar na língua do seu
próprio país”. São Francisco Xavier viveu no início do século XIV. Santo Agostinho medita sobre os acontecimentos da
Torre de Babel e de Pentecostes: “Devemos recordar aquela torre construída pelos soberbos depois do dilúvio”. Que
disseram os soberbos? Para que não pereçamos por outro dilúvio, construamos uma torre altíssima. Imaginando estar
amparados pela soberba, levantaram a mencionada torre, mas Deus dividiu suas línguas. Então começaram a não se
entender. Antes existia uma só língua. Uma língua era útil aos homens. Mas aquele conjunto de homens precipitou-se em
soberba conspiração. Deus os castigou, dividindo as línguas, para que não acontecesse que, entendendo-se, formassem
uma comunidade perversa. O espírito de soberba dividiu as línguas (Gn 11,1-9), o Espírito Santo as unificou (At 2,1-13).
Quando desceu o Espírito Santo sobre os discípulos, estes falaram e por todos foram entendidos. “As línguas divididas se
unificaram numa só”. A Igreja nos ensina: “Não há dúvida de que o Espírito Santo já operava no mundo antes da
glorificação de Cristo”. Mas foi no dia de Pentecostes que Ele desceu sobre os discípulos para permanecer eternamente
com eles; que a Igreja foi publicamente manifestada ante a multidão; que pela pregação se iniciou a difusão do Evangelho
entre as nações; que, enfim, foi prefigurada a união dos povos na catolicidade da fé mediante a Igreja da Nova Aliança
que fala todas as línguas, compreende e abraça na caridade todos os idiomas e assim supera a dispersão de Babel” (AG 4).

Orar em línguas: Como dissemos atrás, orar em línguas é orar a Deus por meio de sons vocais que não entendemos e
nem os entendem as pessoas que nos ouvem, mas que são entendidas por Deus. São Paulo diz: “Pois aquele que fala
(ora) em línguas não fala aos homens, mas a Deus. Ninguém o compreende, porque fala coisas misteriosas pelo Espírito”
(I Cor 14,2). O mesmo São Paulo deseja que todos os crentes orem em línguas: “Desejo que todos vós oreis em línguas” (I
Cor 14,5a). Ele agradece ao Senhor por esse dom: “Dou graças a Deus porque oro em línguas mais que todos vós” (I Cor
14,18). Ele exorta no sentido de que ninguém seja impedido de orar em línguas. “Por isso, meus irmãos, desejai o dom de
profecia, e não impeçais o orar em línguas” (I Cor 14,39).

Pela oração em línguas somos edificados. “Quem fala (ora) em línguas se edifica a si mesmo” (ICor 14,14a). A oração em
línguas, geralmente, nos abre aos demais dons de serviço, especialmente à profecia, à palavra de ciência, à palavra de
sabedoria, à cura e aos milagres. Nesse sentido a oração em línguas é um dom carismático ou de serviço, pois nos abre a
outros dons pelos quais servimos aos irmãos. Temos muito a pedia a Deus, mas nem sempre sabemos pedir o que nos
convém, o que é para nossa edificação e santificação. O Espírito Santo vem então em nosso auxílio. “Por isso o Espírito
vem com auxílio de nossa fraqueza, porque ainda não sabemos como devemos rezar. Mas o próprio Espírito intercede
por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8,26-27).

Cantar em línguas: Cantar em línguas é elevar a Deus uma oração cantada por meio de sons vocais que não entendemos
e nem são entendidos por quem nos ouve, mas por Deus. Cantar em línguas apresenta, pois, bastante semelhança com
orar em línguas. Ambas são orações em língua ininteligível para nós, mas entendida por Deus, sendo que uma é falada e a
outra é cantada. O canto em línguas pode ser comunitário ou pessoal. Nas reuniões de oração muitas vezes é suscitado o
dom de cantar em línguas. Alguém inicia o canto e os demais participantes unem-se e ele. Embora cada pessoa cante de
seu modo próprio, o conjunto é sempre harmonioso. O canto pode ter duração curta ou longa, mas sempre termina
simultaneamente. Santo Agostinho diz que cantar é orar duas vezes, diz ainda que cantar é próprio de quem ama. O
nosso amor a Deus nos impele, pois, a cantar a Ele em línguas.

Dar mensagens (profetizar) em línguas: Falando em outras línguas, orando em línguas e cantando em línguas, dirigimo-
nos a Deus com sons vocais que nós mesmos não entendemos, mas que são compreendidos por Ele. Ao transmitir
mensagem em línguas Deus fala através de nós, por meio de sons que não entendemos e que não são entendidos por
quem os ouve. Dar mensagens em línguas é chamado também profetizar em línguas. Preferimos então nos aprofundar no
conhecimento e na prática desse dom no capítulo sobre o “Dom da Profecia”. As mensagens em línguas precisam ser
interpretadas, ou seja, expressas em vernáculo. Preferimos deixar o estudo e a prática desse dom do Espírito para o
capítulo sobre o “Dom da Interpretação”.

Abertura ao dom de línguas.

Creia no que Jesus lhe diz: “Se alguém tiver sede, venha a mim e aquele que crer em mim beba, conforme diz a Escritura.
Do seu seio correrão rios de água viva” (Jo 7,37b-38). O louvor em línguas é como um rio de água viva que brota de quem
ora. Medite no que nos diz São Paulo: “Ora, desejo que todos faleis em línguas... Aquele que fala (ora) em línguas edifica-
se a si mesmo... Graças a Deus que possuo o dom de línguas ...(I Cor 14,2,4,18).Mostre a Deus seu desejo de abrir-se ao
dom de línguas, pedindo-lhe esse dom. Faça sua parte, entregando a Deus seu aparelho vocal e utilizando-o para que o
Espírito fale por você. Se você não conseguir abrir-se ao dom por si mesmo, peça o auxílio dos irmãos, que orarão
por você, impondo-lhe as mãos. Não aceite os bloqueios ou o medo
de ser enganado. “Por isso vos declaro que tudo o que pedirdes na oração, crede que certamente o recebereis; a vós será
concedido” (Mc 11,24). Ao receber o dom, use-o diariamente, pelo menos durante cinco minutos. Ao orar em línguas,
sinta os frutos dessa oração: ser curado fisicamente, psicologicamente ou espiritualmente. Sinta-se liberto, mas nunca
nos esqueçamos de manter uma vida de oração pessoal: através dos sacramentos, oração pessoal, jejum, leitura da
Palavra, oração do terço e perseverança na comunidade.

Dom da interpretação de Línguas.

O dom da interpretação de línguas é o carisma pelo qual proclamamos em vernáculo uma profecia em línguas,
para que esta seja entendida tanto por quem profetizou, como por todos os que a ouviram. São Paulo nos diz: “Maior é
quem profetiza do quem fala em línguas, a não ser que este as interprete para que a assembleia receba edificação” (I Cor
14,5b). O dom de interpretação nos permite também entender o que dissemos a Deus em nossa oração em línguas ou o
que um nosso irmão disse a Deus em línguas. Após a proclamação de uma profecia em línguas, seguida de silêncio, o
coordenador da reunião, ou um dos participantes, pede ao Senhor o dom da interpretação. Quem o recebe sente o
impulso de transmitir em vernáculo a mensagem de Deus que foi dada em línguas. Quem recebe esse impulso não deve
reprimi-lo, mas proclamar em vernáculo a mensagem do Senhor. Geralmente, o dom da interpretação é dado não a quem
profetizou, mas a outra pessoa. Eventualmente, a própria pessoa que profetizou em língua recebe, a seguir, o dom da
interpretação. A interpretação não é uma tradução ao pé da letra da profecia em línguas, ou seja, uma tradução palavra
por palavra, mas consiste em falar em vernáculo a mesma mensagem de Deus que foi proferida em línguas. A profecia
em línguas pode ser longa e a interpretação curta, ou vice-versa. Algumas vezes a profecia em línguas é proclamada num
idioma desconhecido por quem a profere, mas conhecido por alguém dos que a ouvem. Por exemplo, uma pessoa que
não fale hebraico pode profetizar nessa língua. Havendo entre os presentes alguém que fale hebraico, este a entenderá.
Poderá então repeti-la em vernáculo. Nesse caso não foi manifestado o dom de interpretação, mas simplesmente feita
uma tradução. A interpretação deve ser discernida. Aqueles que sentiram a mesma mensagem devem dizer: confirmo a
interpretação, ou simplesmente: confirmo. Após orarmos em línguas até sentirmos que devemos parar a oração,
podemos ficar em silêncio e pedir ao Senhor que nos conceda o dom da interpretação. O Senhor pode, então, nos revelar
em vernáculo o que lhe oramos em línguas. Paulo nos diz: “Por isso quem fala (ora) em línguas peça em oração o dom
de as interpretar” (I Cor 14,13).
Devemos, nesse caso, escrever a interpretação num diário espiritual, com a respectiva data. Mais tarde, ao ler esse
diário, vamos verificar como nossa oração em línguas vai-se aprofundando dia a dia no louvor a Deus. Às vezes, ao
ouvirmos um irmão orar em línguas, o Senhor nos dá a interpretação da oração. Outras vezes, após uma oração
comunitária em línguas, o Senhor dá a interpretação da oração comunitária para edificação da comunidade.
Normalmente, nem aquele que fala em línguas nem os outros entendem o que se enuncia. Mas o Senhor, muitas vezes,
quer que aquela oração seja de edificação para a comunidade; quer usar o veículo das línguas para falar à comunidade.
Então, o Senhor dá, à mesma pessoa ou a outra pessoa, o dom da interpretação. É, portanto outro dom: o dom de
interpretar - não se trata de tradução. Às vezes, Deus nos fala por meio do dom de profecia em línguas. Nossa oração em
línguas é uma oração de louvor, de adoração, de intercessão; é uma oração para Deus; não precisa de interpretação. Mas
quando Deus usa o mesmo canal de oração em línguas para nos dirigir uma palavra de profecia, faz-se necessária a
interpretação, do contrário a profecia não pode ser feita. No momento em que o grupo de oração se reúne, naquele
instante de silêncio, alguém é movido pelo Espírito Santo a falar em línguas; e fala algumas frases em línguas. Deus
suscita nesse momento o dom da interpretação, ao qual precisamos estar abertos. Como acontece isso? Vem à nossa
mente, a nosso coração, a interpretação, o sentido daquelas palavras em línguas. E isso nos vem da mesma forma que o
dom da profecia. Sentimos a interpretação nascer em nós. Esse dom é muito precioso, ele causa uma impressão
maravilhosa na assembleia. É uma palavra muito forte, muito consoladora, que vem de Deus, e é expressa na linguagem
dos anjos, na linguagem própria do Espírito Santo.

Abertura ao dom de interpretação de línguas.

Em primeiro lugar, desejar o dom, em seguida, pedi-lo ao Senhor com fé. No dom de línguas entregamos nosso
aparelho vocal ao Senhor. No dom de profecia, entregamos nossa mente ao Senhor. Para nos abrirmos ao dom da
interpretação de línguas, precisamos entregar nosso entendimento ao Senhor. Podemos exercitar diariamente o dom da
interpretação na nossa oração em línguas. Oramos em línguas, fazemos silêncio e pedimos ao Senhor que nos dê a
interpretação de nossa oração. A princípio encontramos dificuldades, mas com o exercício contínuo vamos nos abrindo
cada vez mais a esse maravilhoso dom do Espírito Santo. Contudo, nunca nos esqueçamos de manter uma vida de oração
pessoal: através dos sacramentos, oração pessoal, jejum, leitura da Palavra, oração do terço e perseverança na
comunidade.