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A Terra e os seus subsistemas em interacção

A Terra é um planeta ativo, manifestando-se essa atividade por diferentes processos que
alteram a morfologia da sua superfície. O dinamismo terrestre sempre despoletou a
curiosidade humana, e a permanente interrogação sobre os fenómenos naturais
contribuiu para o nascimento de uma nova ciência, autónoma e com importância
fundamental no bem-estar do Homem - a Geologia.

A Geologia (geo = Terra + logos = estudo) tem como objeto de estudo a Terra, em todas
as suas dimensões. Os geólogos procuram compreender os fenómenos que estiveram na
base da génese da Terra, bem como a sua evolução. Estudam a estrutura e as sucessivas
transformações que vão afetando os diferentes subsistemas terrestres.

Muitas das questões que afetam o futuro da civilização vão procurar respostas nos mais
recentes desenvolvimentos da Geologia, uma vez que esta pode fornecer uma série de
conhecimentos imprescindíveis para a compreensão e proteção do ambiente quer a nível
do controlo da poluição, quer da preservação do património arquitetónico e cultural,
assim como do armazenamento de resíduos perigosos.

Sistemas e subsistemas

Um sistema é uma porção limitada do Universo onde se verifica a interação de vários


componentes de um modo organizado. A fronteira entre o sistema e o meio envolvente
designa-se parede do sistema.

Um sistema diz-se composto, se nele existirem outros subsistemas mais pequenos que
estabelecem relações entre si.

Na Natureza, podem considerar-se três tipos de sistemas: sistemas abertos, sistemas


fechados e sistemas isolados.
Tipos de sistemas.

A Terra é um sistema fechado que estabelece trocas de energia com o meio envolvente,
mas onde o intercâmbio de matéria não é significativo.

O sistema Terra é um sistema composto formado por quatro grandes subsistemas,


abertos e dinâmicos, que interagem entre si: a geosfera, a hidrosfera, a atmosfera e
a biosfera.

Subsistemas terrestres:

Geosfera:

_ representa a parte sólida, quer superficial quer profunda da Terra;

_ inclui as grandes massas continentais e as bases dos oceanos;


_ serve de suporte a muitos seres vivos.

Hidrosfera:

 compreende os reservatórios de água da Terra;

 inclui oceanos, rios, lagos, glaciares e águas subterrâneas;

 a água é a substância comum a todos os subsistemas terrestres;

 a água movimenta-se na Natureza formando o ciclo hidrológico.

Atmosfera:

 formada pela camada gasosa que envolve a Terra;

 constituída por uma mistura de gases: azoto, oxigénio, árgon, dióxido de


carbono, vapor de água em quantidades variáveis e outros gases.

Biosfera:

 corresponde ao conjunto de seres vivos que povoam a Terra e no qual se inclui o


Homem;
 os seres vivos distribuem-se pela geosfera, hidrosfera e atmosfera.

Os diferentes subsistemas interagem entre si e estão relacionados uns com os outros,


encontrando-se em equilíbrio dinâmico. A alteração das condições de equilíbrio de um
deles pode ter repercussões em todos os outros.

Como a Terra é um sistema fechado, os recursos naturais são limitados e os resíduos


provenientes da atividade do Homem acumulam-se, podendo provocar desequilíbrios
perigosos.
Nos subsistemas da Terra ocorrem trocas permanentes e recíprocas de matéria e de
energia.

As rochas, arquivos que relatam a História da Terra

Na crosta terrestre existe uma grande diversidade de rochas, que representam arquivos
de acontecimentos que ocorreram durante a história da Terra.

Tendo em conta as características e as condições de formação,


consideram-se três categorias de
rochas: rochas sedimentares, rochas magmáticas e rochas metamó
rficas.

Rochas sedimentares:

As rochas sedimentares são formadas à superfície da Terra, ou


próximo dela, a partir da deposição de sedimentos oriundos de rochas
preexistentes ou de material resultante da atividade dos seres vivos.

A génese das rochas sedimentares envolve duas


fases: sedimentogénese e diagénese.

Sedimentogénese:

 engloba os processos de meteorização, transporte e sedimentação;

 na meteorização ocorre a alteração química e/ou física originando


partículas ou fragmentos de dimensões variadas, designados por
detritos ou clastos;

 os materiais resultantes da meteorização são transportados pelos


agentes erosivos, nomeadamente, a água, o vento e a ação da
gravidade;

 em condições propícias, os materiais transportados depositam-se,


constituindo os sedimentos;

 o processo de deposição denomina-se sedimentação e é


determinado pela força gravítica; a ordem de sedimentação dos
sedimentos é condicionada pelas dimensões e densidade dos
materiais;

 a contínua deposição de sedimentos vai originando camadas - os


estratos, que se apresentam originalmente em posição horizontal,
podendo, posteriormente, sofrer deformações.

 o estrato é delimitado pelo teto (limite superior da camada) e pelo


muro (limite inferior da camada).

Sobreposição dos estratos.

Diagénese:

 ocorre um conjunto de processos químicos e físicos que provocam a


alteração dos sedimentos;
 os sedimentos perdem água, são compactados e ligados por um
cimento, originando rochas sedimentares consolidadas, com
diferentes graus de evolução e com diferente composição, consoante
a natureza dos sedimentos.

Processos de diagénese.

 As rochas sedimentares constituem uma fina película que recobre


cerca de 75% da superfície da crosta.

 As rochas sedimentares apresentam estratificação e são normalmente


ricas em fósseis, contribuindo, desta forma, para o desvendar dos
mistérios da história da Terra e da vida.

 Os conglomerados, as areias, as argilas, o calcário, o carvão e o


petróleo são exemplos da diversidade das rochas sedimentares.

Rochas magmáticas:
As rochas magmáticas resultam do arrefecimento e consolidação, no
interior ou à superfície da Terra, do magma. O magma é uma mistura
de minerais e gases em estado de fusão que se encontra no interior
da Terra.

Atendendo às condições da consolidação do magma, consideram-se


dois grandes grupos de rochas
magmáticas: intrusivas ou plutonitos e as extrusivas ou vulcanitos.

Rochas intrusivas ou plutonitos:

 o magma consolida no interior da crosta;

 resultam de um arrefecimento lento;

 as rochas apresentam minerais bem desenvolvidos, visíveis à vista


desarmada;

 o granito, o gabro e o diorito constituem exemplos de rochas


intrusivas.

Granito
Rochas extrusivas ou vulcanitos:

 magma consolida à superfície ou próximo dela;

 resultam de um arrefecimento rápido;

 rochas apresentam minerais de pequenas dimensões;

 o basalto, o riólito e o andesito são exemplos de rochas extrusivas.

Basalto

Rochas metamórficas:

Resultam de um processo de litogénese designado por metamorfismo,


pelo qual qualquer tipo de rocha pode experimentar transformações
mineralógicas e/ou texturais, mantendo-se no estado sólido, por
alteração das condições de pressão e temperatura em que foram
geradas, bem como de alterações da composição química dos fluidos
envolventes.
Os principais fatores de metamorfismo são: calor, pressão, os fluidos
de circulação e o tempo.

O mármore, o xisto e o gnaisse são algumas rochas metamórficas.

Gnaisse

Cerca de 95% dos constituintes da crosta terrestre são rochas


magmáticas e metamórficas. Tipicamente, as rochas metamórficas e
magmáticas não são fossilíferas, no entanto, também fornecem muitas
informações sobre as condições em que se deu a sua génese,
portanto, sobre o passado da Terra.

Ciclo das rochas:

A formação e transformação das rochas constituintes da litosfera é um


processo contínuo e cíclico, dependente dos agentes internos e
modeladores do globo terrestre, constituindo assim o ciclo litológico ou
o ciclo das rochas.

As rochas da litosfera transformam-se praticamente umas nas outras


ao longo do tempo. Os materiais resultantes da alteração e da erosão
das rochas superficiais são transportados e depositados, sofrendo,
posteriormente, diagénese dando origem a rochas sedimentares.
Estas, quando aprofundam na crosta, encontram condições diferentes
de pressão e temperatura, experimentam grandes transformações
mineralógicas e estruturais originando rochas metamórficas. Em
profundidade, o calor interno pode ser suficiente para fundir parcial ou
totalmente as rochas, convertendo-as em magmas. Estes magmas
podem então solidificar em profundidade ou movimentar-se e
ascender através da crosta, onde consolidam, dando origem, em
ambos os casos, a rochas magmáticas.

Ciclo das rochas

A medida do tempo geológico e a idade da Terra

É possível determinar a idade de diversos acontecimentos geológicos, recorrendo a dois


tipos de métodos: datação relativa e datação absoluta ou radiométrica.

Datação relativa:
Apoia-se em vários princípios geológicos:

_ Princípio da horizontalidade inicial: postula que a deposição de materiais,


provenientes da ação da geodinâmica externa sobre as rochas, obedece a um plano
horizontal na formação inicial dos estratos.

Camadas de estratos horizontais.

_ Princípio da sobreposição: estabelece que, numa série de rochas sedimentares não


deformadas, um estrato é mais velho que aqueles que o recobrem e mais novo do que os
que lhes estão subjacentes.

_ Princípio da identidade paleontológica: admite que estratos que possuam o mesmo


conjunto de fósseis, pode ser atribuída a mesma idade.

A datação relativa baseia-se, portanto, na presença de fósseis nas rochas e/ou na posição
relativa das formações geológicas.

Os fósseis que permitem inferir a datação de determinado acontecimento geológico


designam-se fósseis de idade ou estratigráficos, constituindo as trilobites e as amonites
um bom exemplo deste tipo de fósseis.
Os fósseis de idade correspondem a formas que sobreviveram durante intervalos de
tempo curtos e tiveram grande área de dispersão.
Trilobite Amonite
Datação absoluta:

Permite atribuir uma idade numérica às formações geológicas, baseada na desintegração


regular de isótopos radioativos naturais.

Os isótopos radioativos, presentes nos minerais, desintegram-se espontaneamente a uma


velocidade constante. A determinação dessa velocidade e das quantidades dos
elementos radioativos permite datar as rochas, que continham esses minerais.

Memória dos tempos geológicos:

 A história da Terra pode ser dividida em intervalos temporais de duração


variável, sendo possível construir uma escala de tempo geológico.

 Esta escala baseia-se em acontecimentos que marcaram a história da Terra,


desde a génese até aos nossos dias, como, por exemplo, a ocorrência de
mudanças climáticas acentuadas, bem como grandes alterações no mundo
vegetal e animal, com extinções em massa ou desenvolvimento súbito de
determinado grupo de seres vivos.

 A escala de tempo geológica ou estratigráfica divide o tempo geológico em


Eons, os Eons em Eras e estas em Períodos.
Escala geológica

A Terra, um planeta em mudança

Princípios básicos do raciocínio geológico:

A história da Terra é marcada por grandes modificações geológicas e


biológicas, que podem ser interpretadas à luz de várias
teorias: catastrofismo, uniformitarismo e neocatastrofismo.

Catastrofismo:
 principal defensor: Georges Cuvier;

 segundo esta teoria, as alterações que ocorreram na Terra foram


provocadas por fenómenos catastróficos.

Uniformitarismo:

 atribuído a James Hutton;

 postula que os diferentes aspetos geológicos podem ser


interpretados segundo processos naturais semelhantes aos que se
observam atualmente, processando-se, geralmente, de forma lenta
e gradual;

 assenta em três princípios:

o Princípio do atualismo ou das causas atuais: as causas que


provocaram determinados fenómenos no passado são idênticas às
que provocam o mesmo tipo de fenómenos no presente.
o Princípio do gradualismo: a maior parte das mudanças que
ocorrem na Terra desenvolvem-se de uma forma lenta e gradual.
o As leis naturais são constantes no espaço e no tempo.

Neocatastrofismo:

 combina os princípios do uniformitarismo com a possibilidade de


ocorrência de fenómenos catastróficos ocasionais.
Mobilismo geológico. As placas tectónicas e os seus movimentos:

As alterações observadas, ao longo dos tempos, na configuração dos


oceanos e dos continentes revelam o dinamismo da Terra levando à
formulação da teoria da tectónica das placas, que admite que a
superfície da Terra está dividida em diferentes placas litosféricas, que se
movimentam umas em relação às outras.

A superfície terrestre e o limite das placas litosféricas.

As placas litosféricas são constituídas por crusta e pela parte mais


externa do manto e estão assentes sobre uma camada com
propriedades plásticas - a astenosfera.
Estrutura da parte mais externa da Terra.

Os limites das placas litosféricas, marcados por intensa atividade


geológica, podem ser de diversos
tipos: divergentes, convergentes e conservativos.

Limites Divergentes

As placas deslocam-se em sentido contrário, afastando-se uma da outra.


Situam-se nas zonas de rifte das dorsais oceânicas, onde se verifica a
ascensão de magma e consequente formação de nova litosfera.
Limites Convergentes

Zona de colisão de placas, o sentido do movimento relativo das duas


placas faz com que elas se aproximem. Localizam-se, geralmente, em
zonas de fossas oceânicas - zonas de subducção, onde se verifica a
destruição da placa litosférica, que mergulha.

Limites Conservativos

Zonas onde não se verifica formação nem destruição de litosfera. O


sentido do movimento relativo entre as duas placas litosféricas faz com
que haja apenas a deslizamento de uma placa em relação à outra.
Situam-se em determinadas falhas - falhas transformantes.
Formação do Sistema Solar

Nascida nas profundezas do espaço há milhares de milhões de anos, a


Terra não é mais que um pequeno corpo planetário com uma órbita em
torno de uma estrela de tamanho médio. Para entender a Terra, é
fundamental conhecer a sua relação com os outros corpos celestes, em
particular com os restantes membros do Sistema Solar.

A compreensão do que a Terra é, e como funciona, deverá contribuir


para desenvolver em todos nós uma consciência das potencialidades e
dos limites do planeta, bem como dos riscos resultantes da exploração
impensada dos seus recursos. A forma de atuarmos no momento atual
irá, seguramente, refletir-se no futuro do nosso planeta.

A formação do Sistema Solar

As galáxias são unidades básicas que definem a estrutura do Universo. A


galáxia que inclui o Sistema Solar designa-se Via Láctea.

Numa tentativa de explicação sobre a origem do Sistema Solar várias


teorias foram surgindo. Atualmente, aquela que reúne maior consenso
entre a comunidade científica é a teoria nebular reformulada.

Segundo esta teoria, o Sistema Solar teve origem numa nuvem de gases
e poeiras interestelares. Essa nuvem, sob ação da força gravítica,
começou a contrair-se, aumentando, assim, a sua velocidade de rotação.
A nébula sofreu um arrefecimento progressivo e adquiriu a forma de
disco achatado, diferenciando-se no seu centro o protossol.

O material da nébula começou a condensar, e mediante a posição que


ocupava relativamente ao Sol deu origem a material de composição
diferente. Essa condensação de matéria deu origem a pequenos corpos
celestes - os planetesimais, que, colidindo e coalescendo, formaram
agregados cada vez maiores - os protoplanetas. Atraindo matéria
adicional, estes

Os planetas telúricos e a face da Terra

Os planetas telúricos foram criados, simultaneamente, a partir de uma mesma nébula


primitiva, apresentando por isso características comuns, mas têm, contudo, diferenças
significativas.

A atividade geológica dos planetas é uma característica que permite distinguir os vários
planetas telúricos. Esta revela-se de formas muito diversas, podendo ser de origem
interna ou de origem externa.

 Origem interna: a energia necessária para a atividade geológica interna provém


do calor remanescente, resultante da acreção do planeta, da contração
gravitacional e da radioatividade resultante do impacto meteorítico.

 Origem externa: por sua vez, a energia necessária para a atividade geológica
externa provém do calor irradiado pelo Sol e da energia cinética resultante do
impacto dos meteoritos.

Os planetas telúricos podem ser classificados como sendo geologicamente ativos e


geologicamente inativos.

A Terra é um planeta bastante ativo, do ponto de vista geológico, e também Vénus


parece apresentar alguma atividade vulcânica e sísmica, apesar de diferente da terrestre.
Mercúrio e Marte são considerados planetas geologicamente mortos; no entanto, é de
referir que no passado já apresentaram fenómenos geológicos ativos.

Sistema Terra - Lua

A Terra e a Lua atuam como um corpo único, existindo entre elas uma forte ligação
gravitacional. Afetam-se fortemente e cada um destes planetas contém vestígios que nos
auxiliam a elucidar a história do outro.

A Lua é o único satélite da Terra e apresenta as seguintes características:

 dimensões pequenas;

 baixa força gravítica;

 ausência de atmosfera e hidrosfera;

 geologicamente inativa;

 morfologia lunar marcada por crateras resultantes de impactos meteoríticos.

A superfície lunar apresenta dois tipos de relevo, os 'continentes' e os 'mares'.

 Continentes: apresentam um relevo acidentado, possuem rochas de cor clara, os


anortitos, que refletem a luz solar. Apresentam, geralmente, um número grande
de crateras de impacto.
 Mares: a sua superfície é plana e escura, resultado da presença de basaltos que
refletem pouca luz; estas rochas são mais recentes que as dos continentes.
Possuem poucas crateras de impacto.

Superfície lunar.

A Terra, um planeta único a proteger

A face da Terra - continentes e fundos oceânicos

Na superfície terrestre consideram-se dois tipos de unidades - as áreas continentais e os


fundos oceânicos.

Áreas continentais:
 Representam cerca de 36% da superfície terrestre.

 A crosta continental é muito antiga, sendo formada por vários tipos de rochas;
possui espessura elevada e densidade reduzida.

 Apesar de a geologia e a morfologia dos continentes apresentarem um elevado


grau de complexidade, é possível definir três unidades básicas: escudos ou
cratões, plataformas estáveis e as cinturas orogénicas recentes.

 Escudos

são regiões continentais muito antigas e extensas, predominantemente formadas por


rochas magmáticas e metamórficas, geralmente deformadas.

 Plataformas estáveis

são formadas por uma acumulação de sedimentos de origem marinha que recobrem os
escudos.

 Cinturas orogénicas recentes

correspondem a cadeias montanhosas alongadas que são o resultado de processos que


envolvem fenómenos de colisão de placas litosféricas, atividade magmática e processos
de metamorfismo.

Morfologia das áreas continentais


Fundos oceânicos:

 A crosta oceânica possui basaltos relativamente recentes, apresenta uma


densidade elevada e é pouco espessa.

 As principais áreas que constituem o fundo dos oceanos são: a plataforma


continental, o talude continental, a planície abissal e a crista média oceânica.

 Plataforma continental

- parte da crosta continental que se prolonga até à profundidade de -200m e que se


encontra coberta pelo mar.

 Talude continental

- zona de grande declive cuja profundidade está compreendida entre -200 e os -2500 m
e que estabelece a transição entre a crosta continental e a crosta oceânica.

 Planícies abissais

- zona da crosta oceânica pouco acidentada de profundidade superior a -2500 m.


Existem, por vezes, depressões designadas por fossas.

 Dorsais oceânicas

- zonas de crosta oceânicas com extensas cadeias montanhosas situadas na parte média
dos oceanos. Ao longo do eixo da dorsal oceânica, geralmente, existe uma enorme fenda
- o rifte. Normalmente as dorsais são cortadas por falhas transversais.
Morfologia dos fundos oceânicos.

Intervenção do Homem nos subsistemas terrestres

Impactes na geosfera

A população humana tem crescido de forma explosiva nos últimos três séculos, levando
à exploração, não sustentada, dos recursos naturais, à crescente produção e acumulação
dos resíduos e ao aumento de catástrofes devidas à ocupação de áreas de risco.
 Exploração dos recursos naturais:

 por recursos naturais ou geológicos entendem-se as matérias-primas que o


Homem extrai da Terra, para uso próprio, no sentido de permitir a sua
sobrevivência e o desenvolvimento económico e tecnológico da civilização.

 os recursos naturais podem ser renováveis ou não renováveis.

Renováveis

 recursos em que os ciclos de renovação ocorrem num período de tempo cuja


duração é compatível com a da vida humana.

 Exemplos: sol, vento, ondas do mar, etc.

Não renováveis

 tipo de recursos cujas reservas, quando exploradas e consumidas a um ritmo


acelerado, não podem ser repostas num período de tempo compatível com a
duração da vida humana.

 Exemplos: petróleo, gás natural, carvão, minerais, etc.

 Produção de resíduos:

 as atividades humanas conduzem à produção de resíduos que contaminam os


vários subsistemas;
 os resíduos podem ser biodegradáveis, quando são transformados por
microrganismo em substâncias novamente utilizáveis, ou não degradáveis, como
é o caso dos plásticos, vidros, latas, que se acumulam no ambiente.

 Catástrofes naturais e a ocupação de áreas de risco

 o crescimento populacional da espécie humana obriga à ocupação de áreas com


elevado risco geológico;

 esse risco geológico traduz-se na possibilidade de ocorrência de um


acontecimento prejudicial à sociedade, como, por exemplo, erupções vulcânicas,
deslizamentos de terrenos, inundações, sismos, etc.

Proteção ambiental e desenvolvimento sustentável:

O comportamento humano pode contribuir, de uma forma muito significativa, para uma
melhor gestão dos recursos do nosso planeta, de modo a permitir um desenvolvimento
sustentável das sociedades.

Por desenvolvimento sustentável entende-se a forma de crescimento económico que


satisfaz as necessidades básicas da população e não compromete as necessidades
básicas das gerações futuras. Para o conseguir, é necessária a aplicação de um conjunto
de medidas eficazes, como:

 ordenamento de território, que consiste na utilização do ambiente de acordo com


as suas potencialidades, evitando assim situações de risco;

 recuperação de áreas degradadas;


 conservação do património geológico;

 redução dos impactes ambientais negativos, através do tratamento de resíduos


sólidos e tratamento de águas residuais. No tratamento dos resíduos sólidos,
destaca-se a utilização de aterros sanitários, a incineração e a reciclagem, sendo
esta última de grande importância, uma vez que permite a transformação de
materiais residuais em matérias reaproveitáveis verificando-se, assim, uma
redução na utilização das reservas naturais desses materiais.

É urgente a tomada de consciência dos cidadãos para os problemas relacionados com os


recursos da Terra e com o uso que deles fazemos.

Métodos para o estudo do interior da geosfera

O conhecimento da estrutura interna da Terra baseia-se em métodos de


estudo muito diversificados, que podem ser diretos ou indiretos.

 Métodos diretos:

O estudo direto das zonas profundas da Terra limita-se a uma película


delgada, quando comparada com o diâmetro terrestre. Para este
conhecimento contribuem:

 Observação e estudo direto da superfície visível - abrange o


estudo da superfície terrestre desde os fundos dos oceanos até
aos altos cumes continentais.

 Exploração de jazigos minerais - efetuada em minas e


escavações, que permitem conhecer zonas profundas da Terra.
 Sondagens - são perfurações no terreno, a diferentes
profundidades, através das quais são retiradas amostras de rochas
para estudos posteriores.

 Análise de magmas e xenólitos - o estudo dos magmas e das


rochas encaixantes libertadas aquando de uma erupção vulcânica-
xenólitos, fornecem indicações sobre as condições do ambiente
em que foram gerados.

 Métodos indiretos:

Incluem a planetologia e a astrogeologia e os métodos geofísicos.

 Planetologia e astrogeologia - têm por objetivo o estudo


geológico e morfológico comparado dos diversos corpos do
Sistema Solar, uma vez que estes fornecem indicações preciosas
sobre o planeta Terra. É de salientar o estudo dos meteoritos, que
são relíquias dos tempos da formação do Sistema Solar que nos
dão informações sobre as épocas em que as marcas da história da
Terra foram totalmente apagadas.

 Métodos geofísicos - combinam os princípios da Matemática e da


Física com o uso de instrumentos de medição para a determinação
das propriedades físicas da Terra e que incluem: a gravimetria, a
densidade terrestre, o geomagnetismo, a sismologia e o
geotermismo.

Gravimetria: através dos gravímetros é possível determinar os valores


de gravidade, em vários locais da superfície terrestre; verifica-se que,
geralmente, não existe concordância entre os valores medidos pelos
gravímetros e os valores calculados teoricamente. A diferença entre
esses dois valores designa-se por anomalia gravimétrica e corresponde a
locais com materiais de diferentes densidades no interior da crosta.
Densidade: a densidade média da Terra está teoricamente calculada em
5.5. No entanto, as rochas da superfície terrestre apresentam uma
densidade de 2.8, o que parece indicar que parte significativa do interior
da Terra terá de ser constituída por materiais com densidades
superiores.

Geomagnetismo: o estudo do campo magnético terrestre, passado e


presente, fornece inúmeras informações sobre a composição e
características da Terra.

Sismologia: o estudo da velocidade e trajetória das ondas sísmicas, no


interior da Terra, permite concluir que esta apresenta grande
heterogeneidade na sua constituição.

Geotermismo: o calor interno da Terra vai-se libertando continuamente


através da superfície da Terra; a sua dissipação é constante e designa-
se por fluxo térmico, que é avaliado pela quantidade de calor libertada
por unidade de superfície e por unidade de tempo. Na Terra, a
temperatura aumenta com a profundidade, entendendo-se por gradiente
geotérmico a taxa de variação da temperatura com a profundidade. Ao
número de metros que é necessário aprofundar para que a temperatura
aumente 1ºC denomina-se grau geotérmico.

Vulcanologia

O vulcanismo é uma manifestação da geodinâmica da Terra, segundo a qual grandes


quantidades de matéria e energia são transferidas do interior da Terra para a superfície.

Podemos distinguir dois tipos principais de vulcanismo: o vulcanismo primário e


o vulcanismo secundário ou residual.
 Vulcanismo primário:

O vulcanismo primário pode ser, essencialmente, de dois tipos: o vulcanismo central e


o vulcanismo fissural.

 Vulcanismo central:

É caracterizado pela presença de um aparelho vulcânico - vulcão, que é constituído por:

Câmara magmática - reservatório no interior da Terra onde se acumula uma mistura


complexa de silicatos fundidos, cristais em suspensão e gases dissolvidos - o magma.

Chaminé vulcânica - canal colunar por onde ascendem os materiais incluídos na


câmara magmática.

Cone vulcânico - estrutura cónica resultante da acumulação dos materiais expelidos


durante a erupção vulcânica.

Cratera vulcânica - parte terminal externa da chaminé, normalmente em forma de


funil, por onde são ejetados os materiais provenientes da atividade vulcânica; por vezes,
formam-se cones vulcânicos secundários ou adventícios originando-se,
consequentemente, crateras secundárias ou adventícias.

Como resultado de fortes erupções vulcânicas, por vezes, formam-se caldeiras -


depressões circulares de grandes dimensões que surgiram como resultado do colapso do
cone vulcânico. Estas estruturas podem, posteriormente, transformar-se em lagoas
quando preenchidas por água.
Corte esquemático de um vulcão.

 Vulcanismo fissural:

Os materiais vulcânicos são expulsos através de fraturas da superfície terrestre -


fissuras, que, por vezes, atingem quilómetros de comprimento.

Materiais expelidos durante uma erupção vulcânica:

Durante uma erupção vulcânica podem libertar-se vários tipos de materiais, em


diferentes estados físicos: gases, piroclastos e lava.

 Gases: predomina o vapor de água, mas o monóxido de carbono, o dióxido de


carbono, o hidrogénio, o azoto, o ácido clorídrico e compostos de enxofre são
também lançados na atmosfera.
 Piroclastos: fragmentos sólidos de origem lávica ou da rocha encaixante
expelidos pelos vulcões. Podem ser classificados segundo as suas dimensões em:

Cinzas - fragmentos muito finos, com diâmetro inferior a 2 mm.

Lapilli ou bagacina - fragmentos, com diâmetro entre 2 mm e 50 mm.

Bombas vulcânicas - fragmentos grosseiros de forma arredondada, que podem


apresentar grandes dimensões.

 Lava: material rochoso resultante de magma parcialmente desgaseificado. As


lavas podem ser classificadas, quanto à percentagem de sílica,
em: básicas, intermédias e ácidas.

Lavas ácidas

- percentagem de sílica superior a 70%;

- viscosas;

- ricas em gases, que têm dificuldade em libertar-se;

- temperaturas variam entre 800 °C e 1000 °C.

Lavas básicas

- percentagem de sílica entre 45% e 50%;

- fluidas;

- pobres em gases, que se libertam facilmente;

- temperaturas variam entre 1100 °C e 1200 °C.


Lavas intermédias

- como o próprio nome indica, apresentam características intermédias entre as


lavas básicas e as ácidas;

- o teor em sílica está compreendido entre 50% e 70%.

A solidificação das lavas assume formas características das paisagens vulcânicas.

As lavas fluidas originam:

 Lavas encordoadas ou pahoehoe - após a sua solidificação, originam


superfícies lisas ou com aspeto semelhante a cordas.

 Lavas escoriáceas ou aa - após a sua solidificação, originam superfícies


ásperas, irregulares e formadas por fragmentos porosos.

 Lava em almofada ou pillow lavas - formam-se nas erupções subaquáticas


marinhas e, após a sua solidificação, originam massas arredondadas,
semelhantes a almofadas, revestidas por uma película de vidro vulcânico.

As lavas viscosas originam:

 Domas ou cúpulas - estrutura arredondada resultante da solidificação de lavas


viscosas dentro da própria cratera.
 Agulhas vulcânicas - formação vulcânica resultante da consolidação de lavas,
muito viscosas, dentro da chaminé vulcânica.

 Nuvens ardentes - massas de gases e cinzas incandescentes expelidas nas


erupções vulcânicas explosivas.

Existem três tipos de erupções vulcânicas, a explosiva, a mista e a efusiva, que


dependem de vários fatores, nomeadamente da composição e temperatura do magma,
que determinam a sua viscosidade.

Tipo de erupções:

Explosiva

 lavas viscosas e ácidas;


 as lavas fluem com dificuldade e impedem a libertação dos gases;
 erupções muito explosivas com emissão de piroclastos;
 formação de domas ou cúpulas, agulhas vulcânicas e de nuvens ardentes;
 cone vulcânico alto e com vertentes íngremes.

Efusiva

 lavas fluidas e básicas;


 formam correntes de lavas ou mantos de lava e a libertação de gases é fácil;
 erupção calma;
 cones vulcânicos baixos;
 não ocorre emissão de piroclastos.

Mista

 formação de cones mistos, em que alternam camadas de lavas com camadas de


piroclastos;
 alternância de emissões de lava fluida com emissões de lava viscosa.
 Vulcanismo secundário:

Conjunto de manifestações vulcânicas menos espectaculares, como a libertação de gases


e/ou água a elevadas temperaturas, com origem no interior da Terra. Estas
manifestações podem ocorrer de várias formas:

 Fumarolas: emanações de vapor de água e outros gases, a temperaturas


elevadas. Quando abundam os compostos de enxofre designam-se de sulfataras,
se predomina o dióxido de carbono chamam-se de mofetas.

 Geiseres: são jatos de água quente e vapor projetados para o exterior sob a
forma de repuxos intermitentes.

 Nascentes ou fontes termais: são fontes de água corrente, a elevada


temperatura, que libertam vapor de água e dióxido de carbono e contêm,
dissolvidas, substâncias minerais.

Vulcões e tectónica de placas:

A distribuição dos vulcões à superfície do Globo não é uniforme, no entanto,


normalmente, encontra-se associada aos limites de placas podendo ocorrer, também, no
interior das placas.

Limites divergentes: nas zonas de afastamento de placas tectónicas - zonas de rifte, o


magma ascende à superfície através de erupções efusivas e mistas.

Limites convergentes: nas zonas de colisão de placas tectónicas - zonas de subducção,


a atividade vulcânica é do tipo explosivo.
Vulcanismo intraplacas: o magma é libertado através de pontos quentes (hot spots)
que são centros de atividade vulcânica situados no interior das placas litosféricas.
Admite-se que estes pontos têm origem em fontes de magma localizadas no manto
superior - as plumas térmicas. A atividade vulcânica intraplacas é normalmente do tipo
efusiva.

Ponto quente associado a uma pluma térmica.

Minimização de riscos vulcânicos - previsão e prevenção

O vulcanismo primário ativo constitui um risco natural para o Homem que com ele
coabita. Assim, a previsão e prevenção permite minimizar os riscos vulcânicos.

A previsão de erupções vulcânicas é baseada na identificação de alguns acontecimentos


que são considerados sinais precursores de uma erupção vulcânica, como, por exemplo
a deteção de anomalias físicas e químicas, como deformações no cone, variação da
temperatura da água e do solo nas proximidades dos vulcões, alteração da composição
dos gases emanados e a deteção de atividade sísmica.
Outro passo fundamental na previsão é a elaboração de mapas de zonas de risco que se
baseiam na história eruptiva do vulcão. Para além da previsão, a sensibilização e
educação das populações para uma situação de risco pode ajudar a salvar muitas vidas.

Sismologia

A Sismologia é um ramo da Geofísica que tem como objeto de estudo os sismos e os


seus efeitos.

Um sismo é um movimento vibratório de curta duração da crosta terrestre, em


consequência da libertação de energia.

Os sismos naturais apresentam várias designações que se relacionam com os


mecanismos que os geram, como:

 Sismos de colapso - são o resultado do abatimento de grutas ou do resvalamento


de massas rochosas.

 Sismos vulcânicos - associados a deslocamentos de magma aquando de uma


erupção vulcânica.
 Sismos tectónicos - são originados por movimentos de origem tectónica, que
são provocados por diferentes tipos de forças:

Compressivas - os materiais são comprimidos;

Distensivas - os materiais sofrem estiramento e alongamento;

Cisalhamento - os materiais são submetidos a pressões que provocam


movimentos horizontais, experimentando alongamento na direção do
movimento e estreitamento na direção perpendicular ao alongamento.
A teoria do ressalto elástico, formulado por Reid, permite compreender o mecanismo
fundamental da geração dos sismos devido à atuação das forças tectónicas. Segundo
esta teoria, as forças tectónicas levam ao acumular de tensões energéticas que provocam
a deformação das rochas, quando o material atinge o seu limite de plasticidade, entra em
rutura e dá-se a libertação de energia. Se a rutura das rochas é acompanhada pela
deslocação dos blocos rochosos denomina-se falha.

Conceitos básicos de sismologia

Os sismos são frequentemente precedidos de abalos de fraca intensidade - abalos


premonitórios - e seguidos por outros mais pequenos – as réplicas.
Se o epicentro do sismo estiver situado no oceano, produz-se uma agitação violenta das
águas, dando origem a um maremoto ou tsunami.

O ponto do interior do Globo onde se inicia o sismo denomina-se foco


sísmico ou hipocentro.

O local à superfície da Terra mais próximo do hipocentro, ou seja, que fica na vertical
em relação ao foco, designa-se epicentro.

Após a geração do sismo, a energia libertada propaga-se em todas as direções sob a


forma de ondas elásticas, vulgarmente designadas por ondas sísmicas. A frente da
onda é a superfície que separa as partículas que já entraram em vibração daquelas que
ainda o não fizeram. A trajetória perpendicular à frente de onda chama-se raio sísmico.

Propagação das ondas sísmicas a partir do foco.


As ondas sísmicas classificam-se em dois tipos principais: as que se propagam no
interior - ondas volumétricas ou profundas, e as que se transmitem superficialmente -
ondas superficiais.
Os movimentos do solo provocados pelas ondas sísmicas podem ser registados pelos
sismógrafos, e o registo obtido designa-se sismograma. O estudo dos sismogramas
permite localizar o epicentro, calcular a profundidade do foco e a magnitude de um
sismo.

Sismógrafo

Três sismogramas, um vertical e dois horizontais.

Intensidade sísmica e magnitude

Um sismo pode ser avaliado pela sua intensidade ou pela magnitude.


 Intensidade:

 é um parâmetro de avaliação da vibração das ondas sísmicas sentidas num certo


local, baseado nos efeitos sobre as populações e na destruição causada, é
portanto subjetiva;

 é expressa na escala de Mercalli modificada ou escala internacional, que é


constituída por doze graus baseados na perceção e em acontecimentos
qualitativos;

 uma vez estimada a intensidade de um sismo é possível traçar isossistas - linhas


curvas em torno do epicentro e que delimitam áreas em que o sismo atinge a
mesma intensidade, de forma a construir uma carta de isossistas.

Carta de isossistas do terramoto de Lisboa, de 1755.

 Magnitude:
 é calculada a partir de um sismograma e expressa a quantidade de energia
libertada pelo foco sísmico, constituindo este um parâmetro muito objetivo;

 é expressa na escala de Richter, que é uma escala logarítmica sem limites; no


entanto, o valor máximo registado foi de 8,9.

Sismos e a tectónica de placas

A distribuição geográfica da maior parte dos sismos coincide com zonas de fronteiras de
placas litosféricas, nomeadamente, fronteiras convergentes, divergentes e
transformantes - sismos interplacas. Os sismos também podem ter origem em falhas
ativas no interior das placas - sismos intraplacas.

Sismicidade em Portugal

Portugal é uma zona de risco sísmico moderado, localizado numa zona relativamente
instável associada a sismos intraplacas e a sismos interplacas.

Sismicidade intraplacas: a sismicidade do continente parece estar relacionada com um


conjunto de falhas ativas, que atravessam o território.

Sismicidade interplacas:

 a Zona Sul de Portugal continental situa-se próxima da zona de fronteira entre a


placa euro-asiática e a placa africana. O banco de Goringe, localizado nessa
fronteira, é uma das zonas de maior instabilidade;

 o arquipélago açoriano situa-se no chamado ponto triplo, isto é, no ponto de


confluência de três placas: a euro-asiática, a africana e a americana,
apresentando, consequentemente, grande atividade sísmica.
Portugal continental no contexto da tectónica de placas.

Minimização de riscos sísmicos - previsão e prevenção

Na atualidade, ainda não é possível fazer-se a previsão sísmica com segurança. No


entanto, parâmetros físicos, como, por exemplo, deformação e inclinação na zona
epicentral, variação no campo geomagnético e geoeléctrico, modificação nas
propriedades físicas das rochas e até mesmo análise do comportamento de animais
poderão ser indicadores de uma possível atividade sísmica.

Independentemente da possibilidade de uma previsão sísmica, mais ou menos fiável,


deve investir-se o máximo na prevenção. Adotando as seguintes medidas:

 construção de edifícios que obedecem a regras antissísmicas;


 estudo da estrutura e litologia dos terrenos antes da construção de obras de
construção civil;
 formação de pessoal especializado para situações de emergência;
 elaboração de planos de evacuação;
 informar a população das normas de conduta a seguir em caso de sismo.
Ondas sísmicas e a estrutura interna da Terra

A velocidade e a direção das ondas P e S são condicionadas pela densidade,


compressibilidade e rigidez dos materiais que atravessam. A velocidade das ondas
sísmicas aumenta com a rigidez dos materiais e diminui proporcionalmente à sua
densidade.

Variações bruscas da velocidade, ao serem atingidas determinadas profundidades,


permitem detetar superfícies, no interior da Terra, que separam materiais com diferentes
composições e propriedades, designadas por superfícies de descontinuidade.

Descontinuidade de Mohorovicic:

 delimita duas zonas distintas: uma superior, denominada por crusta, e uma
inferior designada por manto;

 situa-se a uma profundidade média de 35 a 40 km;

 verifica-se um aumento da velocidade das ondas P e S.

Descontinuidade de Gutenberg:

 situa-se a 2900 km, de profundidade;

 separa o manto do núcleo externo;


 aos 2900 km a velocidade das ondas P sofre uma redução acentuada, enquanto
que as ondas S deixam de se propagar o que parece indicar uma natureza fluida
do núcleo externo.

Descontinuidade de Weichert/Lehmann:

 situa-se a uma profundidade de 5140 km e separa o núcleo externo do núcleo


interno;
 a partir dos 5140 km a velocidade das ondas P sofre um aumento significativo, o
que permite inferir que o núcleo interno se deve encontrar no estado sólido.

Quando ocorre um sismo verifica-se a existência de uma zona sobre a superfície da


Terra, variável conforme a localização do epicentro de um sismo, em que as ondas P e S
diretas não são registadas. Essa zona situa-se entre os 103º e os 143º a partir do
epicentro e designa-se zona de sombra sísmica.

Zona de sombra sísmica.


No manto, entre os 100 e os 350 km, a velocidade das ondas P sofre uma ligeira
descida, o que leva a admitir que, embora a composição seja idêntica, o material deve
estar parcialmente fundido. Esta zona do manto, menos rígida, é chamada astenosfera e
é uma zona de baixa velocidade. A partir desta zona, a velocidade das ondas P começa
a aumentar ligeiramente.

Estrutura interna da geosfera

Os modelos sobre a estrutura interna do globo baseiam-se em dois


critérios diferentes, relativos aos materiais constituintes:

 composição química;

 propriedades físicas.

Modelo segundo a composição química

A Terra é constituída por três unidades estruturais concêntricas -


crosta, manto e núcleo, separadas por superfícies de
descontinuidade.

Crosta:

- zona mais superficial do globo terrestre;


- pode ser dividida em crosta continental e crosta oceânica;

Crosta continental:

- espessura média de 35 a 40 km;


- constituída por rochas metamórficas, graníticas e por
algumas rochas sedimentares;
- densidade média de 2,7.

Crosta oceânica:

- espessura média de 5 a 10 km;


- natureza basáltica;
- densidade média de 3.
Descontinuidade de Mohorovicic

Manto:

 situa-se desde a base da crosta até à profundidade de 2900 km;

 constituído por peridotitos - rochas ultrabásicas constituídas por


minerais ferromagnesianos;

 densidade varia entre os 3,3 e os 5,5;

 pode ser dividido em manto superior (até aos 700 km) e manto inferior
(700 km aos 2900 km).

Descontinuidade de Gutenberg

Núcleo:

 situa-se a partir dos 2900 km;

 constituído por ferro e níquel, que são materiais que apresentam


elevada densidade;

 pode ser dividido em núcleo externo e núcleo interno, que são


separados pela descontinuidade de Lehmann.

Modelo segundo as propriedades físicas

O globo terrestre é constituído pelas seguintes


regiões: litosfera, astenosfera, mesosfera e endosfera.

Litosfera:

 compreende a crosta e a parte mais externa do manto superior;

 é sólida e rígida.

Astenosfera:
 compreendida desde a base da litosfera até à profundidade de 350
km;

 zona de baixa rigidez e de comportamento plástico.

Mesosfera:

 estende-se desde a base da astenosfera até à fronteira do manto com


o núcleo;

 é rígida.

Endosfera:

 Pode ser dividida em:

- Endosfera externa - é líquida.

- Endosfera interna - é sólida.


Estrutura interna da Terra segundo os dois modelos.
Biologia 11º ano

DNA e síntese proteica

A célula, unidade básica estrutural e funcional comum a todos os organismos vivos,


sintetiza moléculas específicas que garantem o crescimento e a renovação celular.

Para que esta síntese ocorra, a célula utiliza a informação genética contida no DNA e
transforma-a em moléculas essenciais à vida, como as proteínas e os aminoácidos,
indispensáveis à manifestação das características genéticas dos seres vivos.

DNA e síntese de proteínas (I)

O DNA e o RNA, também designados ácidos nucleicos por manifestarem propriedades


ácidas, estão contidos nas células.

A unidade básica constituinte dos ácidos nucleicos é o nucleótido, que é composto por
três constituintes fundamentais:

 o ácido fosfórico ou grupo fosfato, que confere as propriedades ácidas aos


ácidos nucleicos;

 a pentose, que é um açúcar e pode ser ribose ou desoxirribose, conforme se trate


de RNA ou DNA, respectivamente;

 as bases azotadas, que podem ser:

– pirimídicas como a timina, a citosina e o uracilo, que apresentam uma


estrutura molecular de anel simples;
– púricas, como a adenina e a guanina, que apresentam uma estrutura
molecular de anel duplo.

Componentes dos ácidos nucleicos

O DNA ou ácido desoxirribonucleico é o suporte químico da informação genética:

 contém os genes que determinam as características de todos os seres vivos


e são os responsáveis pela sua transmissão;

 intervém na síntese de numerosas proteínas distintas que:

– controlam os processos químicos das células;


– são constituintes estruturais das células;

– são indispensáveis à manifestação das características genéticas dos seres vivos.

 contém as “instruções” para a síntese de mRNA;

 tem a capacidade e a função de se autoduplicar, através da replicação,


assegurando a manutenção das características genéticas;

 garante a unidade da estrutura celular e a diversidade do seu funcionamento;

 apesar da estrutura do DNA ser comum a todas as espécies e de ser universal no


mundo vivo, existem algumas diferenças entre o material genético dos
eucariontes e dos procariontes.
O núcleo é um organelo celular característico das células eucarióticas que contém cerca
de 99% do material genético:

 é formado por uma membrana dupla – o invólucro nuclear com poros


que permitem comunicar com o citoplasma;

 contém o nucleoplasma ou suco nuclear, onde se encontra a cromatina:

– que é material constituído por filamentos de DNA associado a proteínas;

– cuja unidade morfológica e fisiológica é o cromossoma.

 nele podem existir um ou mais nucléolos, que são estruturas com ácidos
nucleicos e proteínas na sua constituição.

Composição e estrutura do DNA:

 o DNA é uma molécula formada por duas cadeias antiparalelas de nucleótidos


enrolados em hélice

 os nucleótidos do DNA são formados por:

– um grupo fosfato;

– a desoxirribose ( C5H10O4 ), que é uma pentose com menos um oxigénio do


que a ribose;
– as bases azotadas, que neste caso são a adenina e a guanina, bem como
a citosina e a timina.

 uma vez que os nucleótidos são designados pela base azotada que os constitui, o
DNA tem quatro tipos distintos de nucleótido adeninanucleótido
guaninanucleótido citosina nucleótido timina

 para se formarem nucleótidos, ocorrem reacções de condensação que


estabelecem ligações químicas entre o grupo fosfato e o carbono 5´ da
pentose e o carbono 1´ da pentose e a base azotada;

Nucleótido

 para se formarem cadeias polinucleotídicas, também se verificam reacções


de condensação que favorecem a ligação grupo fosfato de um nucleótido e o
carbono 3´ da pentose
Ligação entre dois nucleótidos

 o processo repete-se na direcção 5´- 3´, ficando sempre um carbono 3´ livre para
se poder ligar um novo nucleótido, pelo que a cadeia polinucleotídica cresce
sempre neste sentido;
Fragmento de uma cadeia polinucleotídica

 a sequência nucleotídica, que é dada pelo número e pela ordem dos nucleótidos,
é onde se encontra codificada a informação genética que define as características
de cada indivíduo.

O modelo e a estrutura do DNA foram construídos através do contributo de vários


dados; seguem-se os que mais contribuíram para a sua compreensão:

 Na determinação da composição quantitativa aproximada em bases azotadas no


DNA de várias espécies, verificou-se que os valores de adenina são próximos dos
de timina, assim como os de guanina se aproximam dos de citosina, pelo que a
relação A + G/T + C se aproxima da unidade.
 Pela interpretação de radiogramas de difracção de raios X através de DNA
cristalizado, Rosalind Franklin e Maurice Wilkins concluíram que a molécula de
DNA tem uma estrutura helicoidal.

 O uso do microscópio electrónico permitiu verificar que a espessura de uma


molécula de DNA é dupla da de uma cadeia polinucleotídica.

 Watson e Crick apresentam uma proposta de um modelo de dupla hélice para


explicar a estrutura do DNA, resultando o seguinte:

– o DNA é constituído por duas longas cadeias polinucleotídicas enroladas em


hélice – dupla hélice – em torno de um eixo central;

– as bandas laterais da hélice são formadas por moléculas de fosfato (grupo


fosfato de cada nucleótido) que alternam com moléculas de desoxirribose;

– a ligação entre as cadeias faz-se por pontes de hidrogénio que se estabelecem


entre os pares de bases;

– verifica-se especificidade nas ligações e, devido à complementaridade das


bases, a adenina liga-se à timina por duas ligações de hidrogénio(A=T),
enquanto a guanina se liga à citosina por três ligações de
hidrogénio(G≡CG≡C);

– as cadeias da dupla hélice são antiparalelas, ou seja, dispõem-se em sentido


oposto uma em relação à outra e cada uma das cadeias inicia-se numa
extremidade 5´e termina numa ponta 3´ livre;

– a formação das cadeias ocorre sempre de 5´ para 3´ e, à extremidade 5´ de uma


cadeia corresponde sempre a extremidade 3´ da cadeia complementar.
Em suma:

 a estrutura do DNA é a mesma em todas as espécies e é universal nos seres vivos;

 a grande variedade e diversidade de moléculas deve-se às diferentes ordenações


possíveis dos quatro nucleótidos do DNA, que podem variar em ordem e em
número;

 os genes são segmentos de DNA com uma sequência nucleotídica própria


que contém uma determinada informação;

 o genoma é a informação genética de um indivíduo, ou seja, o seu conjunto de


genes;

 universalidade e variabilidade são então características do DNA.

Estrutura e organização do DNA


Replicação do DNA

As células sofrem divisões para darem origem a novas células. As células-filhas


possuem o mesmo património genético das células que lhes deram origem. Para
assegurar a preservação desse património genético, o DNA tem a capacidade de se
autoduplicar. Este fenómeno ocorre através da replicação, que garante a transmissão da
informação genética às células-filhas.

Até 1958 existiam três hipóteses para explicar a replicação:

– hipótese semiconservativa;

– hipótese conservativa;

– hipótese dispersiva.

Meselson e Stahal realizaram experiências importantes com bactérias, cujos resultados


apoiaram o modelo de replicação semiconservativa que ocorre segundo a regra de
complementaridade de bases.

Este modelo permite explicar a transmissão do património genético e a relativa


constância da composição do DNA durante as divisões celulares. Passou então a
utilizar-se este modelo para explicar a replicação do DNA.
Replicação semiconservativa do DNA:

 as duas cadeias da molécula de DNA, na presença da DNA polimerase, afastam-


se por ruptura das pontes de hidrogénio que unem as bases azotadas;

 nucleótidos de DNA que se encontram livres na célula encaixam nos filamentos


que se vão afastando, através de ligações que obedecem à regra da
complementaridade das bases – a citosina liga-se à guanina e a timina à adenina;

 quando os filamentos de DNA que serviram de molde estão inteiramente


preenchidos pelos novos nucleótidos, formam-se duas novas moléculas de DNA;

 as novas moléculas de DNA, idênticas entre si, são complementares das cadeias
originais e cada uma delas é antiparalela relativamente à cadeia que lhe serviu de
molde;

 cada molécula de DNA formada é idêntica à molécula original e é


portadora de uma cadeia antiga (metade da molécula-mãe) e de uma
cadeia recém-formada, daí a designação de semiconservativa.

Replicação do DNA
Composição e estrutura do RNA:

 o RNA ou ácido ribonucleico é um polímero de nucleótidos, geralmente


formado por uma cadeia simples, podendo apresentar formas estruturais
diferentes de acordo com a função que desempenha;

 os nucleótidos do RNA são formados por:

– um grupo fosfato;

– a ribose (C5H10O5), que é uma pentose;

– as bases azotadas, que neste caso são a adenina e a guanina, bem como
a citosina e o uracilo.
Constituintes do RNA

 existem três tipos de RNA:

– RNA mensageiro ou mRNA – que transporta a mensagem contida no DNA do


núcleo para o citoplasma;

– RNA de transferência ou tRNA – que transporta os aminoácidos dispersos no


citoplasma para os locais de síntese de proteínas, os ribossomas;

– RNA ribossómico ou rRNA – que juntamente com algumas proteínas forma o


ribossoma.
 o RNA encontra-se no nucléolo, no citoplasma, nas mitocôndrias e nos
cloroplastos.

Comparação entre DNA e RNA

Expressão da informação genética - Biossíntese de proteínas

Na molécula de DNA é possível delimitar vários segmentos, os genes, cuja informação


conduz à síntese de proteínas que são indispensáveis à manifestação das características
genéticas dos seres vivos.
O DNA e as proteínas são macromoléculas sequenciadas de monómeros que são as
suas unidades básicas constituintes. Os monómeros:

– no DNA são os nucleótidos;

– nas proteínas são os aminoácidos.

 A sequência de aminoácidos numa proteína, ou seja, o número e a ordem como se


dispõem, é muito importante, pois

 É a estrutura das proteínas que condiciona a sua função biológica, quer se


trate de proteínas estruturais, de proteínas

 É nos genes que está contida a informação para a ordenação e colocação dos
aminoácidos nas cadeias polipeptídicas das proteínas.

 No DNA a “linguagem” é de quatro letras – as bases azotadas presentes nos


nucleótidos, nas proteínas a “linguagem” é de cerca de 22 letras – os aminoácidos
comuns a todos os organismos.

 Tem que haver a transformação da linguagem codificada do DNA (sequência de


nucleótidos) para a linguagem de proteínas (sequência de aminoácidos), existindo
um código – o código genético – cujos símbolos são as bases dos nucleótidos.
Como o DNA se localiza no núcleo das células e a síntese de proteínas ocorre nos
ribossomas que se localizam no citoplasma, torna-se necessária a transferência de
informação.

Basicamente, no núcleo das células ocorre a síntese de uma molécula de RNA que é
complementar de uma porção do DNA que contém a informação. Este RNA transporta a
mensagem em código para os ribossomas. Aí, a mensagem vai ser traduzida e os
aminoácidos que vão formar as proteínas vão ser seleccionados, ordenados e ligados de
acordo com a ordem que estava determinada no DNA.

Expressão genética

Código genético
A síntese proteica é condicionada pelo código genético.

Este código envolve a codificação de cerca de 22 aminoácidos a partir de quatro


nucleótidos diferentes.

Determinou-se que o sistema de codificação mais simples utilizado pelas células seria
uma sequência de três nucleótidos para codificarem um aminoácido.

 O código genético pode traduzir-se num quadro de correspondências entre 64


codões possíveis de nucleótidos e os 22 aminoácidos existentes.

Código genético
 Um codão é um tripleto de mRNA, complementar de um codogene, que codifica
um determinado aminoácido ou o início ou o fim da síntese de proteínas.

 Existem:

codões sinónimos (codificam o mesmo aminoácido),

codões STOP (indicam o fim da síntese de proteínas) e

codões de iniciação (determinam o início da síntese de proteínas).

 Os codões são consecutivos e não sobrepostos, isto é, sucedem-se sem qualquer


separação ou sobreposição de nucleótidos.

 O codogene é um tripleto (três nucleótidos consecutivos de DNA) que


representa a mais pequena unidade de mensagem genética necessária à
codificação de um aminoácido.

 As diferentes sequências de tripletos vão permitir codificar a ordenação de séries


de aminoácidos que caracterizam diversas proteínas.

 As características do código genético são as seguintes:

– é universal – a linguagem do código genético é aproximadamente a mesma


em todos os organismos, ou seja, o mesmo codão codifica o mesmo aminoácido;

– não é ambíguo – a um tripleto de nucleótidos corresponde um e só um


aminoácido;
– é redundante – vários codões são sinónimos, ou seja, podem codificar o
mesmo aminoácido. A maioria dos sinónimos difere apenas no último
nucleótido. Este fenómeno é também designado por degenerescência do código
genético, pelo que se pode caracterizar como sendo degenerado;

– o terceiro nucleótido de cada codão não é tão específico como os dois


primeiros – por exemplo, os codões CGU, CGC, CGA e CGG são sinónimos
na codificação da arginina;

– o tripleto AUG tem dupla função – este tripleto codifica a metionina e é um


codão de iniciação da síntese de proteínas;

– os tripletos UAA, UAG e UGA são codões STOP ou de finalização – estes


codões, que não codificam nenhum aminoácido, representam sinais de fim de
síntese de proteínas.

DNA e síntese de proteínas (II)

Mecanismo da síntese de proteínas

A síntese de proteínas é um processo muito complexo que ocorre com a participação de


enzimas, ATP, mRNA, tRNA, DNA e ribossomas, que leva à formação de cadeias de
aminoácidos – as proteínas, cuja sequência foi determinada pelos tripletos do DNA.

Este processo implica que haja:

 um fluxo de informação genética entre o DNA e o RNA e entre a sequência de


nucleótidos de mRNA e a sequência de aminoácidos das proteínas;
 um fluxo de materiais entre o núcleo e o citoplasma (mRNA e
ribossomas) e entre o citoplasma e o meio extracelular (aminoácidos);

 um fluxo enzimático e energético.

Na passagem da linguagem polinucleotídica do DNA para a linguagem polipeptídica


das proteínas, consideram-se duas fases:

transcrição – segmentos de DNA codificam a produção de RNA;

tradução – o mRNA codifica a produção de proteínas.

Transcrição da mensagem genética

Esta fase, que nas células eucarióticas ocorre no núcleo, caracteriza-se pela síntese de
mRNA a partir de uma cadeia de DNA que contém a informação que lhe serve de
molde. Processa-se da seguinte forma:

A síntese de mRNA inicia-se na presença da RNA-polimerase, que é um complexo


enzimático catalisador das reações.

Este complexo tem as seguintes funções:

 reconhecer no DNA os codões de iniciação e de finalização;


 abrir a molécula de DNA quebrando as ligações de hidrogénio que unem as duas
cadeias;

 a polimerização dos nucleótidos que vão formar o mRNA.

 durante a transcrição, só uma das cadeias de DNA é que é utilizada como molde;

 a polimerização de nucleótidos que vão formar o mRNA ocorre obedecendo à


ordem imposta pela complementaridade das bases que se estabelece entre os
nucleótidos da cadeia de DNA e os nucleótidos do mRNA;

 o complexo enzimático fixa-se sobre uma determinada sequência de DNA e vai


deslizando, o que provoca a abertura da dupla hélice e a quebra das pontes de
hidrogénio entre as bases complementares;

 inicia-se a transcrição da informação – os nucleótidos livres no núcleo da célula,


por complementaridade, ligam-se a uma das cadeias livres de DNA no sentido 5´-
3´,sintetizando uma molécula de RNA complementar;

 depois da passagem da RNA-polimerase, a molécula de DNA reconstitui-se e


voltam a estabelecer-se as pontes de hidrogénio entre as bases complementares
das duas cadeias;
Transcrição da mensagem genética

 a transcrição de um segmento de DNA forma um RNA pré-mensageiro que vai


sofrer processamento ou maturação:

– a molécula de DNA é constituída por sequências de nucleótidos que não


codificam informação – os intrões, intercalados com sequências que codificam –
os exões;

– o processamento consiste na eliminação de certas porções de RNA – enzimas


específicas removem os intrões do RNA pré-mensageiro e, posteriormente, há
união dos exões, formando-se o mRNA funcional ou ativo;

– o mRNA funcional migra para o citoplasma, fixando-se nos ribossomas.


Transição e processamento do mRNA

Tradução da mensagem genética

Nesta fase, a mensagem em código contida no mRNA vai ser descodificada nos
ribossomas, sendo transformada na sequência de aminoácidos que constituem a cadeia
polipeptídica das proteínas.

Os ribossomas são organelos celulares que se podem encontrar livres no citoplasma ou


associados às membranas do retículo endoplasmático:

 formam-se nos nucléolos e migram para o citoplasma;

 possuem RNA ribossómico e proteínas na sua constituição;


 são formados por duas subunidades de tamanho diferente, que podem estar unidas
ou separadas;

 neles ocorre a formação das proteínas.

Ribossoma

 A tradução tem início quando o mRNA se liga à subunidade menor do ribossoma.

 Intervém o tRNA – RNA de transferência que seleciona e transporta os


aminoácidos para os ribossomas, onde vão ser ordenados de acordo com o código
expresso no mRNA.

 A cadeia simples de tRNA, devido ao estabelecimento de ligações A=U e , dobra-


se e em cada molécula forma-se uma zona especial que corresponde à sequência
de três nucleótidos, designada anticodão. O anticodão é complementar de um dos
codões do mRNA.
Molécula de tRNA e relação entre codão e anticodão.

 À extremidade 3´ da molécula de tRNA liga-se o aminoácido correspondente,


através de ligações catalisadas por enzimas em que há transferência de energia.

 Como o código genético é degenerado, a diferentes codões pode corresponder o


mesmo aminoácido, pelo que, em alguns casos, existe mais do que um tRNA com
a mesma informação.

 A mesma cadeia de mRNA pode ser traduzida várias vezes, formando proteínas
idênticas.
 O processo de tradução compreende três etapas fundamentais: a iniciação do
processo, o alongamento da cadeia polipeptídica e a finalização, que coincide
com o fim da incorporação de aminoácidos.
Aspetos comparativos entre transcrição e tradução
Características fundamentais da biossíntese de proteínas:

 Complexidade – é um processo que envolve grande consumo de energia e a


intervenção de vários agentes, como as enzimas e os ribossomas.
 Rapidez – apesar de complexo, o processo é extremamente rápido. Por
exemplo, uma célula eucariótica pode juntar 140 aminoácidos em 2 ou 3
minutos.

 Amplificação – a mesma zona de DNA pode ser transcrita várias vezes,


formando várias moléculas de mRNA idênticas. Por sua vez, o mesmo filamento
de mRNA é descodificado simultaneamente por vários ribossomas. Desta forma
originam-se várias cadeias polipeptídicas idênticas e a atividades do mRNA, que
tem uma duração muito curta, é amplificada.

Depois de sintetizadas, as proteínas podem não possuir atividades biológica, podendo


sofrer diversas alterações. Elas determinam a forma e a estrutura das células e
condicionam todo o metabolismo celular.

As proteínas podem:

 ter função enzimática (ex.: protease) ou de transporte (ex.: hemoglobina);

 ser integradas em estruturas celulares – membrana plasmática, lisossomas,


mitocôndrias e núcleo;

 ser exportadas para o meio extracelular, como as enzimas digestivas ou as


hormonas proteicas.
Atividades das proteínas a nível celular.

Alterações do material genético

O material genético de um indivíduo não permanece estático, por exemplo, durante os


fenómenos de replicação ou de transcrição, pode sofrer alterações que originam
anomalias mais ou menos graves.

Quando as alterações são bruscas designam-se por mutações.

Os efeitos provocados por essas alterações podem ser:


 tão pequenos que nem se evidenciam;

 tão significativos que levam à morte da célula ou do organismo;

 nulos, se provocarem mutações que não alteram as proteínas devido a:

– haver redundância do código genético – o codão mutado pode codificar o


mesmo aminoácido;

– o novo aminoácido ter propriedades semelhantes às do que foi


substituído;

– ter ocorrido substituição numa zona da proteína que não é determinante


para a sua função.

Se as alterações ocorrerem na sequência de bases da molécula de DNA, podem


verificar-se mudanças nas proteínas produzidas e, quando estas desempenham funções
importantes no organismo, as anomalias podem estar na origem de determinada doença.
Alguns exemplos de mutações devidas a alterações do material genético são:

 o albinismo – que é uma hipopigmentação devida à ausência de melanina;

 a hemofilia – que decorre de uma anomalia na formação de uma proteína


sanguínea, levando a graves dificuldades na coagulação do sangue;

 a anemia falciforme – que é provocada pela formação de hemoglobina anormal,


hemoglobina S.
As alterações ambientais que têm vindo a ocorrer levaram a um aumento dos fatores que
conduzem a alterações do DNA, bem como ao aumento da frequência de mutações.
Os agentes mutagénicos podem ser físicos ou químicos:

 agentes mutagénicos físicos – os principais são:

– raios X;

– raios gama;

– radiações ultravioleta;

– calor.

 agentes mutagénicos químicos– são substâncias químicas como:

– corantes alimentares;

– conservantes alimentares;

– componentes do fumo dos cigarros.

A ocorrência de mutações não é exclusivamente nefasta. Pode levar à formação de


proteínas diferentes, com novas capacidades que podem ser a base do sucesso evolutivo
dos organismos que as sintetizam – as mutações são verdadeiros fatores de evolução.

Atualmente, no contexto da reprodução, alimentação e saúde, realizam-se numerosas


experiências de manipulação genética que se baseiam precisamente na seleção,
substituição e alteração do material genético.

Ciclo celular e Mitose

Ciclo celular
O desenvolvimento dos seres vivos inclui períodos de crescimento
celular e períodos de divisão celular que ocorrem num processo cíclico.

O ciclo celular é o conjunto de transformações que decorrem desde que


uma célula é formada até que essa célula inicia o processo de divisão,
para originar células-filhas.

De forma simplificada, pode dizer-se que as células crescem, aumentam


o seu conteúdo celular e dividem-se, originando duas células-filhas
geneticamente semelhantes e com o mesmo conjunto de cromossomas
da célula-mãe. As células filhas crescem, podendo tornar-se células-
mãe. Durante a divisão celular, os organelos são distribuídos pelas
células filhas, assim como o DNA que se auto duplicou. As células-filhas
asseguram, deste modo, a continuidade genética da vida.

Divisão celular
Através da divisão celular, uma célula – célula-mãe – origina,
normalmente, duas células-filhas geneticamente semelhantes à célula
que as originou, que vão crescer até atingirem a maturidade celular.

Nas células eucarióticas, a divisão celular assegura a transmissão


quase exacta da informação genética às células filhas.

Nos seres unicelulares, cada divisão celular corresponde


à reprodução, pois, a partir de uma célula, formam-se duas ou mais
células independentes, perpetuando-se assim a espécie.

Nos seres multicelulares as divisões celulares sucessivas são


necessárias para que a célula-ovo se transforme no indivíduo, ou seja,
possibilitam a passagem do estado unicelular ao estado pluricelular.

A divisão celular é constante e contínua, de forma a assegurar a


manutenção da integridade física dos indivíduos e, em suma, a sua
sobrevivência.

Assim, a divisão celular é fundamental para:

 a reprodução e consequente perpetuação das espécies;

 o crescimento do organismo;

 a manutenção do organismo, garantindo a renovação celular


e a substituição das células que morrem nos tecidos;
 a regeneração e cicatrização de tecidos ou órgãos;

 a estabilidade genética das espécies, assegurando a existência de


igual conjunto de cromossomas nas células resultantes dessa
divisão;

 os processos de clonagem, pois o clone é um conjunto de células


geneticamente idênticas, que são todas descendentes de uma só
célula somática que sofreu divisões sucessivas.

Divisão celular em procariontes

Nas células procarióticas:

 geralmente, apenas existe uma só molécula de DNA não


associado a proteínas;

 a molécula de DNA é circular e está dispersa no citoplasma;

 a divisão celular é um processo muito simples que ocorre


imediatamente a seguir à replicação do DNA:

– o DNA inicia o processo de replicação num ponto único e este


fenómeno prossegue em dois sentidos;
– depois de duplicado, as duas cadeias circulares de DNA
destacam-se e separam-se;

– a célula divide-se formando duas células-filhas, cada uma com


uma cadeia de DNA;

– porque são unicelulares, quando ocorre divisão celular está a


verificar-se reprodução, originando-se dois indivíduos geralmente
idênticos entre si e idênticos à célula-mãe.

Divisão celular em procariontes


Estrutura dos cromossomas das células eucarióticas

Os cromossomas, nas células eucarióticas, são estruturas filamentosas


complexas formadas por DNA associado a proteínas (histonas). Nessas
estruturas:

 o DNA contém a informação genética;

 as proteínas são as responsáveis pela sua forma física e regulam a


actividade do DNA;

 o DNA enrolado em torno das histonas forma uma cadeia


polinucleossomática.

Os cromossomas:

 designam a unidade morfológica e fisiológica da cromatina, que


contém a informação genética;

 podem encontrar-se na forma dispersa ou na forma condensada:


 podem conter:

– um só cromatídio, se for constituído por uma só molécula de


DNA;

ou

– dois cromatídios, se na sua constituição possuir duas moléculas


de DNA associadas a proteínas. Esta estrutura dupla dos
cromossomas, que se deve à duplicação do material genético,
verifica-se na interfase:

– os cromatídios apresentam-se ligados por uma estrutura


sólida e resistente – o centrómero;

– o centrómero corresponde a uma zona de constrição do


cromossoma, com uma sequência de DNA específica, à qual
se liga um disco proteico.
Estrutura do cromossoma
O conjunto de cromossomas que existe numa célula determina
a constituição cromossomática ou o cariótipo, que:

 é característico de cada espécie, sendo constante nas células de


indivíduos da mesma espécie;

 varia de espécie para espécie.


Fases do ciclo celular

O ciclo celular corresponde à alternância de fases de crescimento com


fases de divisão celular, com o objectivo final de originar novas células.

Algumas células mantêm a capacidade de se dividirem continuamente;


outras perdem essa capacidade quando atingem a maturidade. Assim, a
periodicidade com que ocorrem os ciclos celulares depende de vários
factores, como, por exemplo, o tipo de célula.

Em qualquer caso, o ritmo de divisão permite responder às necessidades


do organismo, pois só assim se mantém a vida.

O ciclo celular compreende dois períodos ou fases, a interfase e a fase


mitótica ou de divisão celular:
Fases do ciclo celular

Interfase

 corresponde ao período compreendido entre o fim de uma divisão


celular e o início da divisão seguinte;

 é, normalmente, o período mais longo do ciclo celular – a maioria


das células passa cerca de 90% do ciclo celular em interfase;
 nesta fase, os cromossomas não são visíveis ao microscópio
ótico;

 compreende três períodos ou subfases designadas por período


G1 ou pós-mitótico, período S ou de síntese de DNA e período
G2 ou pré-mitótico, cuja duração é variável dependendo da
espécie, do tecido ou do estádio de desenvolvimento:

 caracteriza-se por ser um período de intensa actividade


biossintética, em que ocorre crescimento e duplicação do conteúdo
celular, nomeadamente:

– duplicação da componente cromossómica numa das suas fases,


ou seja, duplicação do DNA; e

– nas células animais, ocorre duplicação dos centríolos:

– centríolos são estruturas cilíndricas constituídas por


microtúbulos, altamente organizados, possuindo cada
centríolo nove conjuntos de três microtúbulos.
Fase mitótica ou de divisão celular

 corresponde a uma etapa final do ciclo celular;

 é visível ao microscópio óptico;

 nesta fase, ocorre a separação (divisão) das unidades moleculares


anteriormente duplicadas (na interfase);

 caracteriza-se pela divisão celular;


 porque as células têm que sofrer divisão do núcleo e do citoplasma,
nesta fase consideram-se duas etapas, a mitose ou cariocinese e
a citocinese:

– Mitose

– corresponde à cariocinese ou divisão nuclear, ou seja, é


o conjunto de transformações durante as quais o núcleo das
células eucarióticas se divide;

– apesar deste processo ser contínuo, podem distinguir-se


quatro subfases – a profase, a metafase, a anafase e
a telofase:
Embora seja idêntica nas células animais e vegetais, a mitose apresenta
algumas diferenças, relacionadas, principalmente, com a presença de
centríolos:
áster – estrutura radial originada pelos microfilamentos proteicos que
(2)

se forma à volta dos centríolos.

Citocinese

– corresponde à divisão do citoplasma e individualização das duas


novas células-filhas;

– existem algumas diferenças na citocinese das células animais e


vegetais:
Regulação do ciclo celular:

 o ciclo celular é regulado por rigorosos mecanismos de controlo;

 o ritmo das divisões celulares é muito variável e depende de vários


factores, como por exemplo, as condições ambientais;

 os mecanismos de regulação actuam, principalmente, no final de


G1 e de G2:
 no final de G1, as células podem não iniciar um novo ciclo celular e
permanecem num estádio de “pausa” designado G0:

– o tempo que as células permanecem em G0 depende do


tipo de células e das condições do meio;

– as células que não sofrem divisão permanecem em G0 até


morrerem (ex.: neurónios e fibras musculares).

 no final de G2 há novo controlo antes de se iniciar a mitose e,

– ou o ciclo prossegue normalmente;

– ou o ciclo interrompe, por exemplo, se ocorreram


anomalias na replicação do DNA.
Regulação do ciclo celular

Estabilidade do programa genético

Durante a divisão celular, as células apresentam a capacidade de


transmitir a informação genética de uma geração para outra, mantendo
igual conjunto de cromossomas nas células-filhas. Este fenómeno
verifica-se porque, ao longo do ciclo celular, a quantidade de DNA, que
duplicou no período S da interfase, durante a mitose, volta ao valor inicial
em cada célula-filha.

Evolução da quantidade de DNA nas diferentes fases do ciclo celular.


Assim, na interfase:

 no período G1 a célula possui uma só cadeia de DNA;

 no período S ocorre a replicação semiconservativa do DNA e


os cromossomas ficam constituídos por dois cromatídios
ligados pelo centrómero – a informação genética duplica;

 cada um dos cromatídios de cada cromossoma-irmão é idêntico ao


cromossoma inicial da fase G1, mas não há alteração do número
de cromossomas;

 no período G2 vai-se manter essa quantidade de DNA.

Durante a mitose:

 na prófase e na metafase a quantidade de DNA continua a ser


dupla e o número de cromossomas não alterou;

 na anafase, depois de ocorrer a clivagem dos centrómeros, cada


um dos cromossomas-irmãos migra para os pólos da célula, pelo
que se verifica a distribuição equitativa dos cromossomas e a
consequente redução para metade do teor de DNA; o número de
cromossomas mantém-se;
 nesta altura, cada nova célula possui a mesma quantidade de DNA
que a célula-mãe possuía em G1;

 a telofase não altera o teor de DNA nem o número de


cromossomas.

A alternância entre a replicação do DNA, com a separação dos dois


cromatídios de cada cromossoma, garante a identidade genética ao
longo das gerações.

Excepcionalmente podem ocorrer erros – mutações – que podem alterar


quer o conteúdo genético dos cromossomas, quer o número de
cromossomas e, desta forma, a estabilidade genética das populações.

Diferenciação celular, regeneração e crescimento

Todos os fenómenos de multiplicação, crescimento e renovação celular


e, também, de reprodução assexuada estão associados ao processo
mitótico. Dependem dele para que seja possível, a partir de uma célula,
formarem-se duas células geneticamente idênticas entre si e idênticas à
progenitora.

O ciclo celular pode repetir-se inúmeras vezes, permitindo formar um


organismo pluricelular, que resultou de sucessivas divisões de uma
célula única – o ovo.
Mas embora possuam a mesma informação genética, as células dos
organismos pluricelulares são de diferentes tipos e apresentam
diferentes funções, organizando-se em tecidos que formam órgãos e
sistemas.

Esta diversidade de formas e funções resulta de complexos mecanismos


de regulação genética, que activam selectivamente diferentes porções de
DNA – genes – em diferentes células.

Então, os genes que estão activos num determinado tecido podem não
ser os mesmos que estão activos num outro, determinando as diferenças
que se verificam entre eles.

Para que a partir de uma célula inicial se obtenha uma grande variedade
de células especializadas em diversas funções, é necessário que ocorra
um processo de diferenciação celular.

François Jacob e Jacques Monod realizaram importantes trabalhos com


a bactéria Escherichia coli com o objectivo de esclarecer a
expressividade selectiva dos genes no metabolismo da lactose. Com
este trabalho procuraram compreender porque é que parte da informação
genética se pode expressar, enquanto outra parte pode ser inibida.

Retiraram as seguintes conclusões, que se podem generalizar a todos os


casos de regulação genética:
Permitiram ainda concluir que, nos eucariontes:

 as potencialidades genéticas dos indivíduos superam as


características que eles expressam;

 muitos dos genes que constituem o património genético dos


indivíduos apenas se destinam a regular o funcionamento de outros
genes;
 os genes que se expressam num determinado contexto dependem
das relações que se estabelecem entre o DNA e o ambiente que
caracteriza esse contexto;

 muitas das potencialidades genéticas das células diferenciadas


encontram-se inibidas e nunca chegam a expressar-se.

As células que, como o ovo ou zigoto, possuem a capacidade de originar


todas as outras células, designam-se, totipotentes. As primeiras
divisões do ovo originam células indiferenciadas que se vão continuar a
dividir até que, à medida que prossegue o ciclo celular, iniciam um
processo de diferenciação, tornando-se células especializadas.

A maioria dos tecidos de um organismo no estado adulto possui algumas


células estaminais, que são células que apresentam um grau de
diferenciação menor do que as restantes células. Nas plantas, nos
tecidos adultos existem células indiferenciadas, agrupadas em tecidos
chamados meristemas.

A capacidade que uma célula tem de originar outras células


especializadas é, geralmente, tanto maior quanto menor for a sua
diferenciação.

Em determinadas circunstâncias, as células diferenciadas podem perder


especialização, tornando-se indiferenciadas, e readquirem a
capacidade de originar novos tecidos, voltando a ser totipotentes.

A clonagem consiste na produção de um ou mais indivíduos


geneticamente idênticos – os clones, a partir de células somáticas que
se dividem sucessivas vezes.
O controlo da expressividade genética pode ocorrer na transcrição ou
na tradução e é sensível a elementos provenientes do ambiente que
podem activar ou reprimir essa actividade. É por isso que certas
substâncias químicas podem ser potencialmente perigosas para a saúde.

As radiações, certas substâncias tóxicas e até determinados vírus podem


ser responsáveis pelas alterações do património genético das células.

A perda dos mecanismos de regulação celular pode ser uma das


consequências da alteração do património genético das células, levando
ao aparecimento de cancro. As células cancerosas dividem-se de forma
descontrolada e podem adquirir características de malignidade,
produzindo tumores. Podem invadir tecidos e órgãos e podem espalhar-
se por várias partes do organismo – metastização.

Evolução de um cancro intestinal.

Diferenciação celular, regeneração e crescimento

Todos os fenómenos de multiplicação, crescimento e renovação celular


e, também, de reprodução assexuada estão associados ao processo
mitótico. Dependem dele para que seja possível, a partir de uma célula,
formarem-se duas células geneticamente idênticas entre si e idênticas à
progenitora.

O ciclo celular pode repetir-se inúmeras vezes, permitindo formar um


organismo pluricelular, que resultou de sucessivas divisões de uma
célula única – o ovo.

Mas embora possuam a mesma informação genética, as células dos


organismos pluricelulares são de diferentes tipos e apresentam
diferentes funções, organizando-se em tecidos que formam órgãos e
sistemas.

Esta diversidade de formas e funções resulta de complexos mecanismos


de regulação genética, que activam selectivamente diferentes porções de
DNA – genes – em diferentes células.

Então, os genes que estão activos num determinado tecido podem não
ser os mesmos que estão activos num outro, determinando as diferenças
que se verificam entre eles.

Para que a partir de uma célula inicial se obtenha uma grande variedade
de células especializadas em diversas funções, é necessário que ocorra
um processo de diferenciação celular.

François Jacob e Jacques Monod realizaram importantes trabalhos com


a bactéria Escherichia coli com o objectivo de esclarecer a
expressividade selectiva dos genes no metabolismo da lactose. Com
este trabalho procuraram compreender porque é que parte da informação
genética se pode expressar, enquanto outra parte pode ser inibida.

Retiraram as seguintes conclusões, que se podem generalizar a todos os


casos de regulação genética:
Permitiram ainda concluir que, nos eucariontes:

 as potencialidades genéticas dos indivíduos superam as


características que eles expressam;

 muitos dos genes que constituem o património genético dos


indivíduos apenas se destinam a regular o funcionamento de outros
genes;
 os genes que se expressam num determinado contexto dependem
das relações que se estabelecem entre o DNA e o ambiente que
caracteriza esse contexto;

 muitas das potencialidades genéticas das células diferenciadas


encontram-se inibidas e nunca chegam a expressar-se.

As células que, como o ovo ou zigoto, possuem a capacidade de originar


todas as outras células, designam-se, totipotentes. As primeiras
divisões do ovo originam células indiferenciadas que se vão continuar a
dividir até que, à medida que prossegue o ciclo celular, iniciam um
processo de diferenciação, tornando-se células especializadas.

A maioria dos tecidos de um organismo no estado adulto possui algumas


células estaminais, que são células que apresentam um grau de
diferenciação menor do que as restantes células. Nas plantas, nos
tecidos adultos existem células indiferenciadas, agrupadas em tecidos
chamados meristemas.

A capacidade que uma célula tem de originar outras células


especializadas é, geralmente, tanto maior quanto menor for a sua
diferenciação.

Em determinadas circunstâncias, as células diferenciadas podem perder


especialização, tornando-se indiferenciadas, e readquirem a
capacidade de originar novos tecidos, voltando a ser totipotentes.

A clonagem consiste na produção de um ou mais indivíduos


geneticamente idênticos – os clones, a partir de células somáticas que
se dividem sucessivas vezes.
O controlo da expressividade genética pode ocorrer na transcrição ou
na tradução e é sensível a elementos provenientes do ambiente que
podem activar ou reprimir essa actividade. É por isso que certas
substâncias químicas podem ser potencialmente perigosas para a saúde.

As radiações, certas substâncias tóxicas e até determinados vírus podem


ser responsáveis pelas alterações do património genético das células.

A perda dos mecanismos de regulação celular pode ser uma das


consequências da alteração do património genético das células, levando
ao aparecimento de cancro. As células cancerosas dividem-se de forma
descontrolada e podem adquirir características de malignidade,
produzindo tumores. Podem invadir tecidos e órgãos e podem espalhar-
se por várias partes do organismo – metastização.

Evolução de um cancro intestinal.

Reprodução assexuada
A Reprodução é uma função característica dos seres vivos que permite o aparecimento
de novos indivíduos, através da divisão celular. Esta função permite aos seres vivos
darem origem a seres semelhantes, perpetuando, assim, as espécies ao longo do tempo.

Apesar de haver diversos processos reprodutivos, para que ocorra reprodução tem que
se verificar uma sequência de fenómenos a nível celular, tais como a replicação de
DNA, que é comum à generalidade dos seres vivos e que permite que a informação
genética passe de geração em geração.

A grande variedade de processos reprodutivos que existe pode sistematizar-se em dois


tipos fundamentais: a reprodução assexuada e a reprodução sexuada.

Na reprodução assexuada formam-se novos indivíduos a partir de um só progenitor,


não havendo formação de gâmetas. Este processo está associado à divisão celular
mitótica.

Na reprodução sexuada os novos indivíduos são originados através da união de duas


células especializadas – os gâmetas, formados através de um tipo de divisão celular
denominado meiose.

Reprodução assexuada

A reprodução assexuada é um processo que se verifica nos procariontes e na maioria


dos unicelulares eucariontes; também ocorre em seres multicelulares, mas com baixo
nível de diferenciação tecidular.

Na reprodução assexuada:

– apenas intervém um progenitor, que origina um conjunto de indivíduos;


– não há participação de células reprodutoras ou gâmetas;

– não há fecundação nem meiose;

– ocorrem mitoses sucessivas (divisões que mantêm o número de cromossomas)


responsáveis pelo crescimento e pelo aumento do número de indivíduos;

– se não se verificarem mutações, os descendentes são geneticamente idênticos


entre si e aos progenitores, sendo um processo que não contribui para a
variabilidade genética das populações;

– a descendência é numerosa e o processo é rápido;

– como normalmente não se verifica variabilidade genética, os indivíduos não se


adaptam às alterações ambientais com tanta facilidade, logo, este processo só é
vantajoso para a sobrevivência das populações quando o ambiente não está em
mudança, ocorrendo normalmente em condições favoráveis.

Apesar destes aspetos comuns, existe uma grande diversidade de processos reprodutivos
assexuados, sendo os fundamentais a bipartição, a gemulação, a divisão múltipla,
a esporulação, a fragmentação, a multiplicação vegetativa e a partenogénese.
Multiplicação vegetativa natural

Dependendo da espécie podem-se originar novas plantas a partir de várias partes da


planta-mãe. Os processos de multiplicação podem ser por folhas (Bryophillum),
estolhos (morangueiro), rizomas (lírio e feto), tubérculos (batata) e raízes tuberculosas
(batata doce), bolbos (cebola) e bolbilhos (alho).
Multiplicação vegetativa artificial
Os métodos artificiais de multiplicação vegetativa são usados no sector agroflorestal
com o intuito de rapidamente produzir novas plantas. Estas técnicas têm elevado
interesse económico já que permitem preservar as características genéticas das plantas.
Destaca-se o método da estaca, a mergulhia e a enxertia.

Como os organismos geneticamente idênticos constituem clones, então, podem


considerar-se os processos de reprodução assexuada como processos de clonagem. Mas
aos processos tradicionais de propagação, natural ou artificial, de espécies com interesse
económico, juntaram-se técnicas de cultura in vitro para mais eficientemente garantir a
preservação de certas características genéticas dessas espécies.

Nos últimos anos, o termo clonagem tem vindo a ser aplicado a situações mais
específicas:

 a clonagem é o processo de obtenção, em laboratório, de indivíduos


geneticamente iguais através de técnicas de manipulação de células e de tecidos;

 um tipo de clonagem pode fazer-se obtendo in vitro embriões com a mesma


informação genética a partir de células do mesmo ovo, que se implantam em mães
portadoras. Este processo de clonagem baseia-se na existência de gémeos
verdadeiros.

 outro tipo de clonagem – a clonagem por transferência de núcleos – pode


explicar-se simplificadamente como a junção de um núcleo de uma célula do
indivíduo que se pretende clonar com uma célula-ovo sem núcleo de um outro
indivíduo. A fusão ocorre devido a uma pequena descarga eléctrica e a célula-ovo
formada desenvolve-se de acordo com a informação genética do núcleo
implantado;
Clonagem da ovelha Dolly

o clone é um conjunto de células geneticamente idênticas descendentes de uma única


célula ancestral e que, em condições apropriadas, pode originar um grande número de
organismos iguais entre si;

os processos de clonagem tornam-se possíveis devido à totipotência – as células


perdem a sua especialização e adquirem a capacidade de originar um indivíduo
completo através de divisões sucessivas;

a clonagem é um processo muito utilizado em floricultura e fruticultura sendo muito


vantajoso uma vez que se produz grande número de indivíduos a custos baixos e se
originam culturas em óptimo estado sanitário; outra vantagem é a recuperação de
espécies vegetais ameaçadas de extinção.
Reprodução sexuada

A Reprodução é uma função característica dos seres vivos que permite


o aparecimento de novos indivíduos, através da divisão celular. Esta
função permite aos seres vivos darem origem a seres semelhantes,
perpetuando, assim, as espécies ao longo do tempo.

Apesar de haver diversos processos reprodutivos, para que ocorra


reprodução tem que se verificar uma sequência de fenómenos a nível
celular, tais como a replicação de DNA, que é comum à generalidade dos
seres vivos e que permite que a informação genética passe de geração
em geração.

A grande variedade de processos reprodutivos que existe pode


sistematizar-se em dois tipos fundamentais: a reprodução assexuada e a
reprodução sexuada.

Na reprodução assexuada formam-se novos indivíduos a partir de um


só progenitor, não havendo formação de gâmetas. Este processo está
associado à divisão celular mitótica.

Na reprodução sexuada os novos indivíduos são originados através da


união de duas células especializadas – os gâmetas, formados através de
um tipo de divisão celular denominado meiose.

Reprodução sexuada

A reprodução sexuada é o tipo de reprodução mais comum no mundo


vivo; é o processo reprodutivo quase exclusivo dos animais superiores e
é usual nas plantas superiores. A maioria dos seres com reprodução
assexuada, em certas condições, também se reproduz sexuadamente.
Na reprodução sexuada:

 intervêm dois progenitores, que produzem células reprodutoras


especializadas – os gâmetas;

 ocorre fusão dos dois gâmetas – um masculino e um feminino –, ou


seja, ocorre fecundação. A reprodução sexuada depende da
fecundação;

 durante a fecundação ocorre cariogamia (fusão dos núcleos dos


gâmetas) que leva à formação do ovo ou zigoto;

 o ovo é a primeira célula do futuro ser vivo.


Por mitoses sucessivas, vai originar um indivíduo com
características resultantes da combinação genética dos gâmetas
dos progenitores;

 os indivíduos das sucessivas gerações que vão sendo originados,


apesar de terem algumas características comuns, apresentam
diferenças mais ou menos acentuadas entre eles e em relação aos
progenitores – verifica-se, assim, variabilidade genética nas
populações;

 a descendência é, normalmente, reduzida e o processo é lento;

 como se verifica variabilidade genética, os indivíduos


suportam as alterações do meio com alguma facilidade,
estando aptos a sobreviver em ambientes em mudança. A
seleção natural elimina os menos aptos e os mais aptos vão
ser selecionados;
 para a formação dos gâmetas ocorre um processo de divisão
celular – a meiose – que permite a redução do número de
cromossomas de uma célula. A reprodução sexuada depende da
meiose.

O ovo resulta da união dos gâmetas que ocorre durante a fecundação.


Assim, os cromossomas presentes no núcleo do ovo são pares de
cromossomas do mesmo tipo que provieram metade de cada gâmeta.
Designam-se cromossomas homólogos e possuem forma e estrutura
idênticas, sendo portadores de genes correspondentes.

Quanto ao número de cromossomas que possuem, as células podem


classificar-se em haploides e diploides:

 Haploides – são células que possuem um só cromossoma para


cada par de homólogos, representam-se simbolicamente por n.
Exemplos destas células são os gâmetas que se formaram por
meiose;

 Diploides – são células que possuem dois pares de


cromossomas homólogos e representam-se simbolicamente por 2n.
Exemplos destas células são o ovo que resultou da fecundação e
todas as células somáticas.

A fecundação implica uma duplicação cromossómica mas o número de


cromossomas característico de cada espécie mantém-se constante. A
meiose, por sua vez, garante a passagem da diploidia para a haploidia.
Assim, pela existência alternada destes dois fenómenos indispensáveis
para que ocorra reprodução sexual, está garantida a constância do
número de cromossomas de geração em geração.

Alternância da fecundação e da meiose na reprodução sexuada.

Meiose – redução cromossómica

A meiose é um processo de divisão celular que leva à formação de


quatro células haploides semelhantes entre si e com metade do número
de cromossomas da célula que lhes deu origem. Como este fenómeno
implica a passagem de um estado Diplóide para um estado haploide,
pode ser designado por redução cromossómica.

A meiose inclui duas divisões sequenciais e inseparáveis, a divisão I e


a divisão II.
Divisão I e II da meiose

 Divisão I:

– é precedida pela interfase onde, no período S ocorre a replicação


do DNA, constituinte dos cromossomas;

– no início da meiose cada cromossoma é constituído por dois


cromatídios;

– a separação dos cromossomas homólogos de cada par reduz


para metade o número de cromossomas da célula diploide;

– são originados dois núcleos haploides, ou seja, com metade do


número de cromossomas do núcleo da célula que lhes deu origem;
– porque reduz o número de cromossomas, é uma divisão
reducional.

 Divisão II:

– os dois núcleos haploides dividem-se e formam-se quatro


núcleos, também haploides;

– porque os cromossomas são igualmente distribuídos pelos novos


núcleos, é uma divisão equacional;

– no final, formam-se quatro células haploides, contendo, cada


uma, um cromossoma de cada par de homólogos;

– é uma divisão idêntica à mitose.

As divisões I e II da meiose, embora tenham fenómenos exclusivos,


incluem sequências de estádios com características idênticas às que
ocorrem na mitose. Por este facto, os estádios têm o mesmo nome –
prófase, metáfase, anáfase e telófase:
Mitose e meiose – aspetos comparativos
Nos processos de reprodução assexuada, a divisão celular é feita por
mitose.

Na reprodução sexuada, para além da mitose ser fundamental para que


se verifique o crescimento dos novos indivíduos, a meiose é também
necessária, como processo de divisão que compensa a duplicação de
cromossomas que se verifica na fecundação.

Assim, existem algumas diferenças bem significativas entre estes dois


processos:
Esquema da mitose
Esquema da meiose

Mutações

Durante a meiose podem ocorrer anomalias que alteram o número e a


estrutura dos cromossomas. Estas anomalias designam-se mutações.

Na meiose, as mutações podem ocorrer:


 durante a divisão I – pela não separação dos cromossomas
homólogos;

 durante a divisão II – pela não separação dos cromatídios de cada


cromossoma;

 quando ocorre crossing-over – pela troca anormal de segmentos


entre cromatídios de cromossomas homólogos, que podem alterar a
estrutura dos cromossomas.

As mutações cromossómicas podem ser:

 por perda do material genético;

 por duplicação do material genético.

Efeitos das mutações cromossómicas:

 a maior parte é prejudicial para o indivíduo portador ou para


os seus descendentes;

 algumas podem ser benéficas e melhorar a capacidade de


sobrevivência dos indivíduos das novas gerações;
 são as fontes primárias da variabilidade genética que permitem a
diversidade de organismos e a evolução das espécies.

As mutações podem ser provocadas por vários fatores físicos e


químicos, mas também podem ser propositadamente causadas pelo
homem, como, por exemplo, a duplicação do número de cromossomas –
poliploidia – para a obtenção de alguns alimentos.

Reprodução sexuada e variabilidade genética

Na reprodução sexuada, a meiose e a fecundação, que são dois


mecanismos compensatórios, asseguram a manutenção do número de
cromossomas característico de cada espécie, de geração em geração.
Estes dois fenómenos são igualmente responsáveis pela variabilidade
genética que se verifica entre indivíduos da mesma espécie.
Diversidade de estratégias na reprodução sexuada

Tal como na reprodução assexuada, em que se verificam estratégias


reprodutivas variadas, na reprodução sexuada as soluções reprodutivas
são também diversas.

As estratégias mais representativas estão relacionadas com a


reprodução sexuada nas plantas e nos animais.

Em ambos os casos, os gâmetas – células reprodutoras cuja união leva à


formação de um novo indivíduo – são formados em estruturas
especializadas.
Para que ocorra fecundação, os gâmetas masculinos e femininos têm
que se encontrar no mesmo local, ao mesmo tempo.

Fecundação nos animais

Nos animais há duas estratégias de reprodução, o hermafroditismo e


o unissexualismo:

 Hermafroditismo:

– ocorre principalmente em espécies que têm dificuldades de


dispersão geográfica, ou vivem mesmo isolados;

– é comum nos seres invertebrados;


– um indivíduo possui simultaneamente o sexo masculino e o sexo
feminino;

– podem verificar-se dois tipos de comportamento distinto –


o hermafroditismo suficiente e o hermafroditismo insuficiente.

1. Hermafroditismo suficiente – ocorre por autofecundação, um só


indivíduo pode originar descendentes. Verifica-se, por exemplo, na
ténia.

Hermafroditismo na ténia.

2. Hermafroditismo insuficiente – não se verifica a autofecundação,


como nos unissexuais tem que haver fecundação cruzada. Ocorre
na minhoca e no caracol, por exemplo.
Hermafroditismo na minhoca

 Unissexualismo:

– ocorre na maioria das espécies;

– há um indivíduo do sexo masculino – macho – e um do sexo


feminino – fêmea;

– a reprodução, neste caso, exige a contribuição de dois


indivíduos, um de cada sexo, sendo estas espécies dioicas;

– a união dos gâmetas efetua-se de diversos modos que


dependem da mobilidade dos animais e do habitat.
De acordo com o local onde ocorre, a fecundação pode
ser externa ou interna:
Fecundação nas plantas

Nas plantas, as estratégias reprodutivas são bastante diversas. Também


os gametângios são muito variados e característicos dos diferentes tipos
de plantas e, como tal, também os processos de fecundação são
diferentes:

 nos musgos e nos fetos a fecundação é dependente da água, só


assim é que os anterozoides podem alcançar as oosferas que se
encontram dentro dos arquegónios;

 nas Gimnospérmicas, como os pinheiros, os gametângios são


estruturas especializadas – os cones masculinos, onde se
produzem os grãos de pólen, e os cones femininos (as pinhas),
onde se produzem os óvulos. A fecundação não depende da água,
revelando melhor adaptação ao ambiente terrestre;

 as Angiospérmicas caracterizam-se por possuírem flor, que é o


órgão reprodutor nestas plantas e, portanto, onde se formam os
gâmetas. A fecundação é independente da água.

Flores:

 existe uma grande variedade que se distingue pela:


– posição na planta;

– forma;

– coloração do perianto.

é constituída por:
Constituição da flor

 produzem os gâmetas que são:


 podem ser:

– hermafroditas – os estames e os carpelos estão na


mesma flor;

– unissexuais – há flores só com estames – flores


unissexuais masculinas; e há flores só com carpelos –
flores unissexuais femininas.

 para que haja fecundação tem que ocorrer a polinização:

– é o transporte de grãos de pólen para os órgãos femininos


da flor;

– pode ser direta ou cruzada:


direta – quando há polinização na mesma flor.
Nesta situação a variabilidade genética é
reduzida;

cruzada – quando a polinização se efetua entre


flores de plantas distintas, mas da mesma
espécie. Esta estratégia propicia grande
variabilidade genética;

– faz-se por agentes polinizadores como o vento, os insetos


e as aves. As características das flores estão intimamente
relacionadas com o agente específico que as poliniza.

 quando desabrocham estão na época favorável à reprodução.

 depois de ocorrer a fecundação no interior dos óvulos, a flor vai


desaparecer e originar o fruto:
Vantagens e desvantagens dos tipos de reprodução

Alguns seres vivos podem apresentar os dois tipos de reprodução,


conseguindo mudar de estratégia reprodutiva de acordo com as
condições do meio, de modo a maximizar as vantagens oferecidas por
cada processo. Esta situação é vulgar em espécies como os afídios,
vulgarmente designados por pulgões.

As principais vantagens e desvantagens destes dois tipos de reprodução


são:
Ciclos de vida: – unidade e diversidade

O ciclo de vida de um ser vivo corresponde à sequência de


acontecimentos que ocorrem na vida de um organismo desde que foi
concebido até que produz a sua própria descendência. O ciclo de vida de
uma espécie repete-se de geração em geração.
Ciclo de vida do ser humano

Quando a reprodução é assexuada existe estabilidade genética e, como


tal, não há alteração do número de cromossomas de cada espécie.

Quando a reprodução é sexuada, a duplicação do número de


cromossomas que resulta da fecundação é compensada pela redução de
cromossomas que ocorre na meiose, possibilitando a manutenção de um
número de cromossomas constante em cada espécie.
Da alternância entre estes dois fenómenos resulta sempre uma
alternância de fases nucleares características:

 a haplofase ou fase haploide – está compreendida entre a meiose


e a fecundação, inicia-se na célula que resultou da meiose e que
possui n cromossomas;

 a diplofase ou fase diploide – está compreendida entre a


fecundação e a meiose, inicia-se no ovo, célula que resultou da
fecundação e que possui 2n cromossomas.

A ocorrência da fecundação e da meiose, embora comum a todos os


seres vivos com reprodução sexuada, pode dar-se em momentos
diferentes do ciclo de vida do organismo. Tendo em conta esse
momento, estabeleceram-se, então, diferentes tipos de meiose – a
meiose pós-zigótica, a meiose pré-gamética e a meiose pré-espórica:
Atendendo ao desenvolvimento relativo das duas fases nucleares,
determinadas pelo momento em que ocorre a meiose, gera-se alguma
diversidade nos ciclos de vida dos seres vivos que se podem classificar
em:
Ciclo de vida de uma alga – espirogira (Spirogyra sp.)

A espirogira:
– é uma alga pluricelular verde brilhante;

– vive em água doce, principalmente em charcos e regatos;

– forma agregados filamentosos constituídos por células cilíndricas


dispostas topo a topo;

– apresenta reprodução assexuada por fragmentação – quando


as condições são favoráveis, podem destacar-se dos filamentos
fragmentos que crescem e originam novos indivíduos;

– tem reprodução sexuada quando as condições do meio são


desfavoráveis, garantindo a possibilidade de se formarem
indivíduos com características que podem ser vantajosas nesses
ambientes.
Espirogira
Reprodução sexuada na espirogira
Ciclo de vida da espirogira
Esquema do ciclo de vida da espirogira

Ciclo de vida de um mamífero

Os mamíferos:

– têm uma grande dispersão geográfica;

– são um grupo com um elevado número de espécies, nos


quais se inclui a espécie humana;

– caracterizam-se por apresentarem glândulas mamárias e


por se alimentarem de leite nos primeiros tempos de vida;

– apenas se reproduzem sexuadamente;


– existe unissexualismo, os sexos estão separados
havendo representantes masculinos e femininos;

– as espécies são dióicas, para ocorrer fecundação têm que


intervir os dois representantes de ambos os sexos;

– a produção de espermatozoides – gâmetas masculinos –


e de óvulos – gâmetas femininos – ocorre
nas gónadas, testículos e ovários, respetivamente;

– a fecundação é interna e o desenvolvimento embrionário,


em quase todas as espécies ocorre no útero da fêmea –
espécies vivíparas;

– para se formarem gâmetas tem que se verificar meiose.

Etapas da reprodução no homem:

 a meiose ocorre durante a formação dos gâmetas, em células


presentes nas gónadas masculinas e nas gónadas
femininastestículos ovários

– no homem é nas células-mãe dos espermatozoides

– na mulher é nas células-mãe dos óvulos;


 os gâmetas – espermatozoides e óvulos – são células
unicelulares haploides que se unem durante a fecundação;

 resulta um ovo ou zigoto diploide que sofre divisões mitóticas


sucessivas originando um novo indivíduo pluricelular
Ciclo de vida do ser humano

Ciclo de vida de uma planta – polipódio (Polypodium sp.)

O polipódio:
– é um feto comum que forma, normalmente, tufos;

– é uma planta vascular que não produz sementes;

– habita locais húmidos, tais como zonas arborizadas,


troncos de árvores e muros velhos;

– tem o corpo constituído por um caule subterrâneo –


o rizoma, de onde emergem raízes e folhas;

– as folhas pinuladas, designadas megáfilos, são muito


desenvolvidas e o seu limbo é extremamente recortado;

– apresenta
reprodução sexuada e assexuada por fragmentação
vegetativa do rizoma e por esporulação.

Etapas da reprodução no polipódio:

 na época reprodutiva, na página inferior das folhas, formam-


se soros que são grupos de esporângios que, quando jovens,
contêm as células-mãe dos esporos;

 as células-mãe dos esporos sofrem meiose, originando esporos


haploides que, quando estão maduros, são libertados;
 se caírem em solo favorável, cada esporo germina e origina uma
estrutura laminar, fotossintética de vida independente – o protalo;

 na face inferior do protalo, que é um gametófito pluricelular,


formam-se os gametângios:

– anterídios – gametângios masculinos que produzem


os anterozoides

– arquegónios – gametângios femininos que produzem


a oosfera;

 os anterozoides, quando a água no solo é suficiente, nadam


até aos arquegónios onde se fundem com a oosfera;

 desta fecundação, dependente da água, resulta um zigoto


diploide que vai iniciar o seu desenvolvimento sobre o protalo,
originando uma nova planta adulta – novo esporófito de vida
independente.
Ciclo de vida do polipódio
Unicelularidade e multicelularidade

Uma das teorias mais aceites atualmente e que pretendem explicar a origem do
Universo é a Teoria do Big Bang.

Pensa-se que, há cerca de 4600 milhões de anos, terá ocorrido um acontecimento


extraordinário que teve como consequência a formação do Sistema Solar.

Do conjunto de astros que se formaram e evoluíram surgiu a Terra, um planeta único e


original, que ocupa a terceira órbita relativamente ao Sol.

A posição e a massa da Terra permitiram a criação de condições propícias ao


aparecimento da vida:

 distância ao Sol:

– é de 150 x 106 km;

– permite que a Terra receba a quantidade de luz e calor necessários à


manutenção da água no estado líquido.

 massa da Terra:

– é de 6 x 1024 kg;

– permitiu desenvolver uma força gravítica capaz de reter uma atmosfera;

– possibilitou desenvolver o calor responsável pela atividade interna da


Terra.
A existência das atuais condições do planeta Terra são resultado de uma evolução lenta
e gradual. Tal como a Terra, também a vida sofreu um processo complexo de evolução,
depois de surgir há cerca de 3500 milhões de anos.

As hipóteses que vão sendo propostas para explicar a origem da vida fundamentam-se
em dados, quer laboratoriais, quer de registos fósseis, que procuram explicar os
mecanismos que terão ocorrido no passado.

Os dados existentes apontam para que as primeiras formas de vida tenham sido
organismos unicelulares simples que terão surgido no meio aquático.

Posteriormente, estas formas de vida foram evoluindo, tornando-se mais complexas e,


assim, a vida acabou por povoar os mais diversos habitats do nosso planeta. Para
explicar a grande diversidade de formas de vida existentes, foram surgindo várias
teorias, também elas alvo de evolução.

Unicelularidade e multicelularidade

Atualmente, os seres vivos ocupam todo o tipo de habitats, desde as zonas mais
profundas dos fundos oceânicos às cordilheiras mais altas do nosso planeta.

A diversidade das formas de vida existentes é evidente, desde os organismos simples e


unicelulares, até aos organismos multicelulares mais complexos que coabitam nos
ecossistemas, mantendo-os em equilíbrio. Mas nem sempre foi assim!
A vida na Terra foi evoluindo, de forma lenta e gradual, sofrendo diversas modificações
que deram origem à grande diversidade de seres vivos que podemos observar hoje em
dia no nosso planeta. Mas, para compreendermos a evolução da vida temos de
compreender, em primeiro lugar, a história evolutiva da célula.

Os seres vivos podem agrupar-se em dois grandes grupos, os seres procariontes e


os seres eucariontes:

– esta classificação é apoiada pelo registo fóssil que testemunha a


existência destes dois tipos de seres no passado;

– são classificados com base na organização celular, ou seja, no tipo de


células que os constituem:
Célula procariótica

Célula eucariótica

Pensa-se que foram os procariontes que estiveram na origem da diversidade de formas


de vida existentes atualmente, devido:
– à sua simplicidade estrutural (a evolução processar-se-ia de seres mais
simples para mais complexos);

– ao registo fóssil existente: os dados fósseis sugerem que os seres


eucariontes surgiram 2000 milhões de anos depois dos organismos
procariontes.

Alguns grupos de procariontes terão evoluído e aumentado a sua complexidade e terão


estado, provavelmente, na origem dos organismos eucariontes.

Para explicar o aparecimento de células eucarióticas a partir da evolução de células


procarióticas, existem duas hipóteses: a hipótese autogénica e a hipótese
endossimbiótica.
Hipótese autogénica

Hipótese endossimbiótica

Argumentos a favor da hipótese endossimbiótica:

 as mitocôndrias e os cloroplastos são muito semelhantes a bactérias (seres


procariontes), na forma, no tamanho e nas estruturas membranares;

 estes organelos produzem as suas próprias membranas, as suas divisões são


independentes das da célula e são semelhantes à divisão binária das bactérias,
contêm um DNA próprio semelhante ao das bactérias – uma molécula circular,
geralmente, não associada a histonas;
 os ribossomas das mitocôndrias e dos cloroplastos são semelhantes aos dos
procariontes, quer no tamanho, quer nas suas características bioquímicas;

 atualmente, podem encontrar-se associações simbióticas entre bactérias e alguns


eucariontes.

Pontos fracos da hipótese endossimbiótica:

 esta hipótese não explica a origem do núcleo das células procarióticas;

 não esclarece como é que o DNA nuclear comanda o funcionamento dos


cloroplastos e das mitocôndrias.

Multicelularidade

Depois do aparecimento das células eucarióticas, a vida na Terra apresentava já grande


diversidade.

Os organismos eucariontes, que desenvolveram capacidade de predação, começaram


a aumentar de tamanho, o que favoreceu:

– a captura mais eficiente de outras células;


– a deslocação que, sendo mais rápida, facilita a fuga e a alimentação;

– o aumento do metabolismo.

À medida que as dimensões da célula aumentam, a razão entre a área da célula e o seu
volume diminui porque o crescimento celular não pode ser indefinido. Então, como o
metabolismo se torna mais ativo mas a superfície membranar que contacta com o
exterior não tem um aumento proporcional, as trocas com o meio tornam-se menos
eficientes e não são capazes de dar resposta às necessidades das células.

Assim, para indivíduos com dimensões superiores a 1mm sobreviverem só têm duas
possibilidades: ou são unicelulares mas com um metabolismo muito baixo ou, para
darem resposta às necessidades metabólicas, têm de ser multicelulares.

Embora ainda não esteja bem esclarecida, pois o registo fóssil não é suficiente, pensa-se
que a multicelularidade tenha resultado de associações vantajosas entre eucariontes
unicelulares que foram evoluindo:

– inicialmente, todas as células desempenhariam a mesma função;

– posteriormente, algumas células ter-se-iam especializado em


determinadas funções, ocorrendo diferenciação celular;

– a diferenciação celular, em que se verifica interdependência estrutural e


funcional das células, ter-se-á acentuado, originando verdadeiros seres
multicelulares.
Atualmente, verifica-se a existência de agregados de seres eucariontes unicelulares da
mesma espécie que estabelecem ligações estruturais entre si,
formando colónias ou agregados coloniais.
Volvox não é considerado um ser pluricelular, pois, embora seja constituído por células
estruturalmente independentes, sob o ponto de vista funcional, a sua diferenciação é
ainda muito incipiente, confinando-se exclusivamente às células reprodutoras. Contudo,
este exemplo é bastante útil para se compreender que organismos coloniais semelhantes
tenham evoluído no sentido de maior organização e diferenciação estrutural e funcional
e, como tal, da verdadeira multicelularidade.

Pensa-se que:

– os seres coloniais possam ter estado na origem de algas verdes


pluricelulares, algumas das quais evoluíram mais tarde para plantas;

– este dado é apoiado pela existência de clorofila a e b nas algas verdes e


nas plantas e, também, pela presença de amido como substância de
reserva em ambas;

– os diferentes tipos de células, já com especialização, originaram tecidos


que levaram ao aparecimento de órgãos e de sistemas de órgãos, havendo
uma crescente especialização e diferenciação celulares.

Vantagens evolutivas da multicelularidade para os organismos:

 permite que os organismos tenham maiores dimensões, mantendo a relação


área/volume ideal para a realização de trocas com o meio;

 possibilita maior diversidade, proporcionando uma melhor adaptação a diferentes


ambientes;

 diminuição da taxa metabólica, como resultado da especialização celular que


permitiu uma utilização de energia de forma mais eficaz;
 maior independência relativamente ao meio ambiente, devido a uma eficaz
homeostasia (equilíbrio dinâmico do meio interno) que resulta da
interdependência entre os vários sistemas de órgãos.

Em suma, pode dizer-se de forma muito simples que a evolução das formas de vida se
processou dos procariontes para os eucariontes unicelulares e dos seres coloniais para os
pluricelulares.

A especialização crescente gerou a grande diversidade de seres vivos existentes ao


longo da História da Terra. Atualmente, estima-se que existam entre 30 e 50 milhões de
espécies diferentes.

Mecanismos de evolução

Desde tempos remotos que o Homem tenta explicar a origem e a diversidade das
espécies. Várias teorias surgiram, enquadradas em dois grandes grupos: teorias fixistas e
teorias evolucionistas.

 Fixismo:

– foi a primeira tentativa de explicação da grande diversidade de seres


vivos existentes na Terra;

– foi aceite durante muitos séculos, principalmente porque era apoiada


pela observação de gerações sucessivas de seres vivos que eram sempre
semelhantes;

– admite que as espécies surgiram tal como se conhecem actualmente e,


que se mantiveram fixas e imutáveis ao longo do tempo;

– as espécies foram criadas independentemente umas das outras;


– as principais teorias fixistas são o criacionismo, o espontaneísmo e
o catastrofismo:

 Evolucionismo:

– admite que as espécies se alteram de forma lenta e progressiva ao longo


do tempo, dando origem a novas espécies;

– as espécies são originadas a partir de ancestrais comuns;

– o ambiente intelectual em que o evolucionismo se estabeleceu foi


influenciado pelas ideias de mudança que surgiram, ao mesmo tempo, em
todas as áreas do conhecimento;
– construiu-se com o contributo e a colaboração de várias ciências e, em
particular, da Geologia.

As principais evidências geológicas que abalaram o modelo fixista foram:

– a idade da Terra ser muito superior à admitida até então;

– o aparecimento de fósseis de espécies muito diferentes das que se conheciam.

– foi dificilmente aceite pela comunidade científica e a sua implantação


definitiva decorreu do aparecimento de mecanismos explicativos muito
bem fundamentados e apoiados por argumentos válidos;

– as duas teorias evolucionistas mais marcantes são o Lamarckismo e


o Darwinismo.

 Lamarckismo:

– foi a primeira teoria explicativa sobre o mecanismo de evolução dos


seres vivos, formulada e defendida por um naturalista francês, o cavaleiro
de Lamarck;

– esta teoria assentava em duas leis fundamentais – a Lei do uso e do


desuso e a Lei da herança dos caracteres adquiridos;
– nesta teoria, a adaptação é definida como sendo a capacidade dos seres
vivos desenvolverem características que lhes permitam sobreviver e
reproduzir-se num determinado ambiente;

– o ambiente é considerado o principal agente responsável pela evolução;

– admite, ainda, uma progressão lenta e gradual dos organismos mais


simples para os mais complexos.

O lamarckismo sofreu grande contestação porque:


– atribui à evolução uma intenção ou objectivo, ao afirmar que as alterações
ocorrem devido à necessidade de as espécies procurarem a perfeição, o que não
se conseguiu provar cientificamente;

– a herança dos caracteres adquiridos não se verifica experimentalmente.

Esta teoria não vingou e o evolucionismo foi, temporariamente, posto de parte. Na


altura em que surgiu era impossível testar, cientificamente, alguns dos seus pontos e,
por outro lado, as ideias fixistas ainda estavam bem enraizadas.

 Darwinismo

– Charles Darwin, naturalista inglês, apresentou a teoria evolucionista


como explicação para a biodiversidade;

– Darwin baseou-se num conjunto de dados e informações recolhidos ao


longo de mais de 20 anos, destacando-se os recolhidos na viagem à volta
do Mundo no Beagle;

– os fundamentos desta teoria são os dados geológicos, os


dados biogeográficos, o Malthusianismo, a selecção artificial e
a variabilidade intraespecífica:
– o mecanismo essencial que dirige a evolução é a selecção natural: só os mais
aptos sobrevivem e transmitem as características mais favoráveis porque o
ambiente não possui os recursos essenciais para a sobrevivência de todos os que
nascem;

– esta teoria pode enunciar-se da seguinte forma:

– todas as espécies apresentam indivíduos com pequenas variações nas


suas características;

– as populações tendem a crescer em progressão geométrica, originando


mais descendentes do que aqueles que podem sobreviver;

– o número de indivíduos de uma espécie não se altera significativamente


de geração em geração;

– em cada geração, uma parte dos indivíduos é naturalmente eliminada


na luta pela sobrevivência;

– sobrevivem os indivíduos que estiverem mais bem adaptados a um


determinado meio, por possuírem características mais vantajosas
relativamente aos restantes;
– a selecção natural, feita pela Natureza, privilegia os indivíduos mais
bem dotados e elimina os menos aptos relativamente a determinadas
condições do ambiente – sobrevivência do mais apto;

– os mais aptos, portadores das variações favoráveis, vivem durante mais


tempo e reproduzem-se mais e, como tal, transmitem as suas
características aos descendentes por reprodução diferencial;

– a acumulação de pequenas variações ao longo das gerações determina,


a longo prazo, a transformação e o aparecimento de novas espécies.

– a principal crítica a esta teoria é o facto de não conseguir explicar as causas


das variações existentes nas populações.

Confronto entre Lamarckismo e Darwinismo

O Lamarkismo e o Darwinismo explicam a diversidade de espécies existente através de


processos evolutivos. Contudo, embora ambos valorizem o papel do meio e da
adaptação, os mecanismos de explicação que apresentam são diferentes:
Argumentos a favor do evolucionismo

Apesar de haver lacunas nas explicações lamarckistas e darwinistas, a perspectiva


evolucionista foi tendo cada vez maior aceitação. Para apoiar o evolucionismo foram
utilizados diversos argumentos, sendo os mais importantes os argumentos de anatomia
comparada, os argumentos da paleontologia e os argumentos da citologia:
 argumentos de anatomia comparada

– a anatomia comparada baseia-se no estudo comparativo das formas e das


estruturas dos organismos, ou seja, no estabelecimento de semelhanças e
diferenças entre os caracteres morfológicos;

– tem como objectivo estabelecer possíveis relações de parentesco entre seres


vivos de diferentes grupos taxonómicos;

– a existência de relações filogenéticas entre diferentes espécies é apoiada pela


presença de estruturas homólogas, análogas e vestigiais.

– estruturas homólogas

– são órgãos com um plano estrutural semelhante e com origem embrionária


semelhante;

– por evolução divergente podem desempenhar diferentes funções;


– são o resultado da actuação da selecção natural sobre os mesmos indivíduos
em diferentes meios; os indivíduos que possuem estruturas que lhes conferem
vantagem num determinado habitat são seleccionados em detrimento de
outros;

– exemplos: os bicos dos tentilhões das Galápagos ou os órgãos anteriores


dos Vertebrados:
Estruturas homólogas em Vertebrados

– permitem construir séries filogenéticas:

– são séries que traduzem a evolução de estruturas homólogas em diferentes


organismos;

– podem ser progressivas ou regressivas:

Séries filogenéticas progressivas:


A evolução verifica-se a partir de um órgão simples que se vai tornando gradualmente
mais complexo.

Por exemplo, o estudo do coração dos vertebrados é um exemplo de evolução


progressiva.

Série filogenética progressiva

Séries filogenéticas regressivas:

Um órgão que era mais complexo vai evoluindo no sentido de se tornar mais simples,
regredindo.

Por exemplo, a redução dos membros dos répteis.


Série filogenética regressiva

No caso particular dos mamíferos ocorreu um tipo particular de evolução divergente,


designada radiação adaptativa.
Radiação adaptativa

– estruturas análogas

– são órgãos com estrutura e origem embrionária diferentes;

– por evolução convergente, estes órgãos desempenham a mesma


função, resultado de adaptação ao mesmo ambiente.
– resultam da atuação da selecção natural sobre indivíduos com origens
distintas que conquistaram meios semelhantes; os que possuem estruturas
que desempenham funções semelhantes são seleccionados em detrimento
de outros;

– exemplos: a cauda da baleia e a barbatana caudal dos peixes ou as asas


de insectos e as das aves.

Estruturas análogas nos insectos e nas aves

– estruturas vestigiais
– são estruturas atrofiadas que não possuem significado fisiológico em
determinados grupos de seres vivos mas que, noutros grupos são
desenvolvidas e funcionais;

– uma vez que eram órgãos desenvolvidos e funcionais em espécies


ancestrais, constituem importantes evidências anatómicas a favor do
evolucionismo;

– a selecção natural pode exercer pressões selectivas que favoreçam


indivíduos com determinado órgão desenvolvido mas, noutro meio, esse
órgão pode ser desnecessário;

– são evidentes em séries filogenéticas regressivas;

– existem vários exemplos: é o caso do apêndice intestinal, da membrana


nictitante, dos músculos das orelhas, das vértebras do cóccix e os dentes do
siso no Homem.
Estruturas vestigiais no Homem e na baleia.

– argumentos paleontológicos

– o estudo do registo fóssil fornece dados que apoiam o evolucionismo;

– os fósseis de animais já extintos puseram em causa a ideia de imutabilidade


defendida nas teorias fixistas, permitindo concluir que na Terra já existiram
seres vivos muito diferentes daqueles que conhecemos actualmente;
– quando o registo fóssil é mais completo, permite definir percursos
evolutivos de determinados grupos, partindo de um ancestral até às formas
actuais – as séries ortogenéticas – através do levantamento das modificações
que se foram registando ao longo do tempo. Uma série que se encontra
definida é a da evolução dos cavalos:

Série filogenética do cavalo

– existem fósseis que permitem documentar relações de parentesco


(filogenéticas) entre espécies actualmente muito afastadas e que não foram
independentes quanto à sua origem – estes fósseis designam-se de formas
sintéticas ou fósseis de transição:

– argumentos citológicos

– referem-se ao estudo das células, objecto de estudo da Citologia.

Baseiam-se na Teoria Celular, que enuncia que:

– todos os seres vivos, apesar da grande diversidade que apresentam,


são constituídos por células;

– a célula é a unidade básica estrutural e funcional comum a todos os


seres vivos;
– apoiam fortemente o evolucionismo porque:

– se há uniformidade na constituição dos seres vivos, então, a sua


origem deve ter sido comum;

– os processos e mecanismos celulares são também semelhantes,


constituindo um forte argumento a favor da origem comum. Por
exemplo, a mitose e a meiose são idênticas nas células animais e
vegetais.

Para reconstituir o processo evolutivo é necessário recorrer a vários tipos de argumentos


que são analisados em conjunto. Para além da Anatomia comparada, da Paleontologia e
da Citologia, os cientistas recorrem à Embriologia, à Bioquímica e à Biogeografia para
recolherem o maior número possível de dados das diferentes áreas do conhecimento e,
assim, tentarem esclarecer melhor o processo evolutivo.

Neodarwinismo – Teoria Sintética da Evolução

Tal como foi enunciada por Darwin, a teoria da evolução apresentava alguns pontos que
não foram totalmente esclarecidos, como:

 os mecanismos responsáveis pelas variações existentes nos indivíduos de uma


espécie;

 a forma como as variações são transmitidas de geração em geração.


O desenvolvimento da tecnologia e da ciência, principalmente no âmbito da Genética,
forneceu os conhecimentos necessários para colmatar estas lacunas.

Surgiram, então, duas novas ideias fundamentais:

 mutações – são uma evidência que permite explicar as variações dos seres vivos;

 a Teoria da Hereditariedade de Mendel – que explica a transmissão das


características de geração em geração.

Com estes novos dados, a Teoria de Darwin é revista e surge uma nova teoria –
o Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução. Para explicar os mecanismos
evolutivos, esta teoria apresenta duas ideias fundamentais, a variabilidade genética e
a selecção natural:

 a selecção natural actua sobre a diversidade, que é gerada pela variabilidade


genética;

 a variabilidade genética resulta de mutações e da recombinação genética:

– Mutações

– são alterações bruscas do património genético de um indivíduo;

– podem ocorrer ao nível dos genes – mutações genéticas – ou envolver


porções significativas de cromossomas – mutações cromossómicas;
– são a fonte primária da variabilidade porque introduzem novos genes
nas populações;

– podem ser letais para os seus portadores e levarem ao seu


desaparecimento, ou podem ser favoráveis, conferindo vantagens aos
indivíduos que as possuem. Neste caso, os indivíduos sobrevivem e
reproduzem-se mais e transmitem esta mutação aos seus descendentes,
modificando os genes da população.

– Recombinação genética

– é a fonte mais próxima da variabilidade genética;

– ocorre através da reprodução sexuada e da meiose, no crossing-over e


na separação independente dos cromossomas homólogos;

– introduz variabilidade genética porque favorece o aparecimento de uma


multiplicidade de diferentes combinações de genes.

De acordo com o Neodarwinismo:

 as populações são as unidades evolutivas, pois apresentam a variabilidade sobre a


qual a selecção natural vai

 cada conjunto génico confere potencialidades adaptativas aos indivíduos, num


determinado meio e num determinado
 as populações são conjuntos de indivíduos da mesma espécie que, num dado
momento, ocupam uma determinada

 quanto maior for a diversidade maior é a probabilidade de uma população se


adaptar às mudanças que ocorram no

Actualmente define-se evolução como uma mudança no fundo genético das populações,
como resultado da selecção natural.

O fundo genético de uma população:

 é o conjunto de todos os genes presentes nos indivíduos da população, num dado


momento;

 pode ter genes mais frequentes do que outros;

 num ambiente em mudança, pode alterar-se porque o conjunto de genes mais


favorável pode deixar de o ser:

– alguns genes tornam-se mais frequentes, outros vão sendo progressivamente


eliminados;

– as populações vão ficando cada vez mais adaptadas ao meio;

– os indivíduos com o conjunto génico que os torna mais aptos reproduzem-se mais
e estes genes tornam-se mais frequentes na população;
– o fundo genético da população alterou-se, determinadas características foram
eliminadas da população, ocorreu evolução.

Sistemas de classificação

No nosso planeta existe uma grande diversidade de seres vivos, pelo que o seu estudo se
torna, muitas vezes, difícil.

Os cientistas sentiram, ao longo do tempo, a necessidade de agrupar e classificar os


seres vivos. Assim, ordenar ou classificar os organismos vivos, atribuindo-lhes um
nome (nomenclatura), tornou-se uma tarefa necessária para referenciar os grupos de
seres vivos de forma a melhor se compreender e conhecer a diversidade das espécies
existentes na Terra.

A classificação agrupa os seres vivos de acordo com critérios pré-estabelecidos. Assim,


os grupos de seres vivos formados dependem dos critérios selecionados.

A Taxonomia é o ramo da Biologia que se ocupa da classificação e


da nomenclatura dos diferentes grupos de seres vivos formados. Tem como finalidade
adotar sistemas de classificação uniformes que expressem, da melhor forma, o grau de
semelhança entre os organismos.

Também relacionada com a classificação, a Sistemática recorre à Taxonomia e à


Biologia Evolutiva e utiliza todos os conhecimentos disponíveis sobre os seres vivos
para compreender as suas relações de parentesco e a sua história evolutiva,
desenvolvendo sistemas de classificação que refletem essas relações.

Sistemas de classificação
Com os avanços da Ciência e da Tecnologia, os conhecimentos sobre os seres vivos
foram também evoluindo. Assim, os critérios utilizados nas classificações e os próprios
sistemas de classificação também se foram alterando e evoluindo ao longo do tempo.

As classificações existentes podem distribuir-se por três períodos distintos:


Os reinos da vida

O reino é a categoria taxonómica mais ampla, inclui maior número de espécies que as
restantes categorias e as semelhanças entre elas são menores.
Os sistemas de classificação correspondem a formas de organização de dados
respeitantes aos seres vivos que se pretende classificar. À medida que vão surgindo
novos dados sobre os seres e que os critérios de classificação vão sendo revistos, as
classificações podem ser alteradas. Por exemplo, a classificação dos seres vivos em
reinos sofreu diversas modificações:
Sistema de classificação de Whittaker

O sistema de classificação em cinco reinos é bastante coerente, pois permite


sistematizar as características mais importantes dos principais grupos de organismos.
As modificações propostas por Whittaker verificaram-se, principalmente, no reino
Protista, que passou a incluir os fungos flagelados e as algas, quer sejam unicelulares,
quer sejam multicelulares.

Vários critérios estão subjacentes a esta classificação, sendo os principais o nível de


organização estrutural, os tipos de nutrição e as interacções nos ecossistemas:

 organização estrutural

– diz respeito ao tipo de célula, se é procariótica ou eucariótica, e se os seres são


unicelulares ou pluricelulares.

 tipos de nutrição

– tem como base o processo de obtenção de alimento, os seres podem ser


autotróficos fotossintéticos ou quimiossintéticos ou podem ser heterotróficos,
obtendo o alimento por ingestão ou por absorção.

 interacções nos ecossistemas

– são as interacções alimentares que os organismos estabelecem no ecossistema,


estão relacionadas com o modo de nutrição. Assim, consideram-se:

– os produtores, que são seres autotróficos;

– os macroconsumidores, que são heterotróficos e que obtêm os


alimentos por ingestão;

– os microconsumidores, são heterotróficos decompositores ou saprófitos


que obtêm o alimento por absorção da matéria decomposta.
Sistema de classificação de Whittaker modificado

Devido às limitações do seu sistema de classificação, Whittaker apresentou uma versão


modificada do mesmo – o sistema de classificação de Whittaker modificado:
Outros sistemas de classificação

Apesar da grande aceitação do sistema de classificação de Whittaker, continuam a


realizar-se pesquisas na área da classificação. Foram surgindo novos dados e a
interpretação desses dados tem demonstrado diferentes perspetivas.

Assim, atualmente, há propostas de novos sistemas de classificação:

 um sistema propõe a existência de seis reinos:


– baseia-se no facto de existirem duas linhagens diferentes de organismos
procariontes;

– propõe a extinção do reino Monera e que, em seu lugar, surjam dois novos reinos
– o das Arqueobactérias e o das Eubactérias.

 um sistema de classificação com dois super-reinos:

– foi proposto em 1980 por Margulis e Schwartz;

– basearam-se em dados morfológicos, de desenvolvimento e em dados


moleculares;

– agruparam os cinco reinos de Whittaker em dois super-reinos:

 um sistema de classificação em três domínios:

– proposto por Woese e seus colaboradores;


– baseia-se na filogenia molecular, principalmente na comparação de sequências
nucleotídicas de RNA-ribossómico;

– que são:

Sistema de classificação em três domínios.

– este sistema tem sido muito criticado porque se baseia apenas em dados
moleculares como critério de classificação.
Conclui-se que a Taxonomia é uma ciência em constante evolução. Mas, apesar das
novas propostas apresentadas, o sistema de classificação de Whittaker em cinco reinos
continua a ser um dos mais consensuais.

Taxonomia e nomenclatura

Categorias taxonómicas

À medida que o conhecimento biológico se foi desenvolvendo, aumentou


também a variedade de características utilizadas em Taxonomia.

Estabeleceu-se, assim, uma hierarquia taxonómica – o sistema


hierárquico de classificação:

 foi proposto por Lineu que, pelo seu contributo nesta área, foi
considerado o “pai da Taxonomia”;

 corresponde a um modo de ordenação dos seres vivos, numa série


ascendente;

 a espécie é a unidade básica de classificação;

 as espécies semelhantes agrupam-se em géneros, os géneros


agrupam-se em famílias, as famílias em ordens e as ordens em
classes.
Posteriormente, foram criados grupos taxonómicos superiores à classe
como:

– o filo – na Zoologia

– a divisão – na Botânica

– o reino.

Cada categoria taxonómica é um táxon e os taxa principais são


sete: Espécie, Género, Família, Ordem, Classe, Filo, Reino.

Podem existir categorias intermédias que são indicadas com os


prefixos: super, sub e infra.

Da espécie para o reino vai aumentando o número de organismos


incluídos em cada nível, mas vai diminuindo o grau de parentesco entre
eles.

De acordo com o conceito biológico, a espécie é um grupo natural


constituído por indivíduos com o mesmo fundo genético,
morfologicamente semelhantes e que se podem cruzar entre si
originando descendentes férteis. Os organismos da mesma espécie
estão isolados reprodutivamente dos indivíduos de outras espécies, pelo
que é a única categoria taxonómica natural. Todas as outras são
agrupamentos feitos pelo Homem.

Com a aceitação das ideias evolutivas, os agrupamentos taxonómicos


formados passaram a representar linhagens evolutivas. Assim,
considera-se que dois seres vivos são tanto mais próximos quanto maior
for o número de taxa comuns a que pertencem.
Nomenclatura – regras básicas

A nomenclatura:

– consiste na atribuição de um nome científico aos diferentes


grupos taxonómicos;

– surgiu para tentar uniformizar os nomes que eram dados aos


seres vivos: popularmente os organismos são conhecidos por
nomes muito diferentes, que até podem variar de região para
região;

– é atribuída de acordo com regras específicas com o objectivo de


criar uma nomenclatura internacional.

As regras básicas de nomenclatura são:

 a designação dos taxa é feita em Latim, porque:

– esta língua já era usada desde a Idade Média havendo já muitos


nomes atribuídos, pelo que não seria necessário alterá-los;

– o Latim é uma língua morta, como não evolui, o significado das


palavras não se altera.
 para designar a espécie utiliza-se um sistema de nomenclatura
binomial:

– foi proposto por Lineu;

– são duas palavras em latim: a primeira diz respeito ao género a


que a espécie pertence e é um substantivo escrito com inicial
maiúscula; a segunda corresponde ao restritivo ou epíteto
específico, é normalmente um adjectivo escrito com inicial
minúscula e identifica uma espécie dentro do género a que
pertence.

 os grupos superiores à espécie são uninominais, formados por uma


só palavra, que é um substantivo escrito com inicial maiúscula;

 a nomenclatura das famílias constrói-se acrescentando uma


terminação à raiz do nome de um dos géneros: nos animais
acrescenta-se idae; nas plantas a terminação é aceae.
Existem excepções;

 quando as espécies têm subespécies, a nomenclatura é trinominal,


consiste no nome da espécie seguido do restritivo ou epíteto
subespecífico;

 os nomes genéricos, específicos e subespecíficos devem ser


escritos em tipo de letra diferente da do texto corrente.
Normalmente, utiliza-se o itálico, nos textos manuscritos sublinham-
se estas designações;

 depois da espécie deve escrever-se o nome ou a abreviatura do


taxonomista que, pela primeira vez a partir de 1758, atribuiu o nome
científico;
 a data da publicação do nome da espécie também pode ser citada,
neste caso coloca-se depois do nome do autor, separada por uma
vírgula.

Pela utilização das regras de nomenclatura, uniformizaram-se os nomes


das categorias taxonómicas facilitando a comunicação científica, pois
estes nomes são os mesmos no mundo inteiro.

Geologia 11º ano

Minerais

Processos e materiais geológicos importantes em ambientes terrestres

A atividade humana tem sido, desde sempre, condicionada pela riqueza dos materiais
terrestres.

O Homem utiliza uma grande variedade de produtos obtidos a partir da transformação


de minerais e rochas:

 na construção civil e obras de engenharia;

 no calcetamento de ruas e passeios e na construção de estradas;

 em esculturas e na extração de pigmentos presentes nas tintas dos pintores;

 em aparelhos de precisão;
 em variadas indústrias;

 como combustíveis, por exemplo, o carvão e o petróleo.

Geologicamente, os minerais são corpos sólidos, homogéneos e naturais, inorgânicos e


com estrutura cristalina, e apresentam uma composição química definida, fixa ou
variável, dentro de certos limites. O conceito de mineral não é muito claro e surgem
algumas situações de ambiguidade.

Por exemplo, nas condições normais de pressão e temperatura, a água e o mercúrio são
líquidos, não sendo considerados minerais; também as substâncias produzidas pelos
seres vivos (ou seja, substâncias orgânicas), como o carvão e o âmbar, não são
consideradas minerais.

Em muitas rochas, os minerais podem apresentar dimensões tais que se conseguem


observar individualizadamente. Estes casos ocorrem em determinadas condições,
principalmente sob o efeito da pressão e da temperatura, bem como o tempo.

As rochas são os constituintes naturais da litosfera, apresentam grande diversidade e


distribuição. As unidades básicas constituintes das rochas são os minerais. Uma rocha
pode ser constituída por um só mineral ou pode comportar diferentes minerais em
diferentes proporções.

A Terra caracteriza-se pelos materiais que a constituem e os tipos de rocha condicionam


profundamente a paisagem, desde o tipo de solo até às atividades humanas que são
praticadas num determinado local.
Os variados processos que se desenvolvem em consequência do dinamismo terrestre,
também caracterizam o nosso planeta. Os materiais terrestres não são estáveis e estão
em permanente alteração, transformação e destruição, como é bem evidenciado no ciclo
das rochas.

Minerais

As rochas são constituídas por minerais. Os minerais presentes nas rochas podem ser
herdados ou de neoformação:

 minerais herdados – se vieram directamente de rochas preexistentes, através de


fenómenos de desagregação e transporte, sem terem sofrido qualquer alteração
química. Estes minerais vão constituir as rochas sedimentares detríticas. O mais
comum e abundante é o quartzo, mas também estão presentes na fracção detrítica
os feldspatos, as micas (principalmente a moscovite), as anfíbolas, as piroxenas, a
calcite, entre outros;

 minerais de neoformação – são minerais novos, formados durante a


sedimentogénese ou a diagénese, resultantes da alteração química ou da
precipitação de outros minerais. São frequentes a calcite, a dolomite, a sílica, os
minerais de argila, a halite e o gesso.

Para se caracterizarem as rochas sedimentares tem que se conhecer a sua composição


mineralógica. A composição química e a organização estrutural da matéria que constitui
os minerais permitem a sua identificação.

Identificação dos minerais


Os minerais são constituídos por átomos. Os átomos e a forma como estes se dispõem
condicionam as características dos minerais. Para se determinarem essas características
é necessário o uso de equipamento de laboratório muito sofisticado e nem sempre
acessível. Para que a identificação dos minerais seja rigorosa, é necessário utilizar
técnicas especializadas de análise química, de observação microscópica e de difracção
de raios X.

Mas, como as propriedades físicas e químicas são o reflexo da composição e estrutura


dos minerais, o seu estudo pode ser feito tendo em conta a observação dessas
propriedades.

As propriedades dos minerais agrupam-se em dois tipos, as físicas e as químicas.

Propriedades físicas

As mais utilizadas na identificação dos minerais são: as propriedades ópticas, as


propriedades mecânicas e a densidade.

 Propriedades ópticas: são a cor, a risca e o brilho.

– Cor:

– é a característica mais evidente na observação dos minerais;

– depende da absorção, pelos minerais, de certos comprimentos de onda


do espectro solar;

– para ser correcta, a observação deve ser feita à luz natural difusa e em
superfícies de fractura recente;
– os minerais, na sua maioria, apresentam-se coloridos;

– quando têm uma cor característica e própria em toda a sua superfície


designam-se idiocromáticos (ídios “próprio” + khrõma “cor”), por
exemplo a magnetite, a malaquite, a galenite e a pirite. Outros minerais
chamados alocromáticos (állos “outro” + khrõma “cor”) não apresentam
uma cor constante, como, por exemplo, o quartzo que pode ter cores
muito diversas;

Minerais idiocromáticos e alocromáticos

– a variação da cor nos minerais alocromáticos pode dever-se à mistura


de pequenas quantidades de determinados pigmentos ou pode estar
relacionada com variações na composição química dos minerais;

– como cada cor não é exclusiva para cada mineral e, como pode ser
alterada, esta característica não é muito fiável na identificação dos
minerais.
– Risca ou traço:

– é a cor do mineral quando é reduzido a pó fino;

– é uma característica importante na identificação dos minerais porque,


mesmo que a cor do mineral seja variável, a cor da risca mantém-se
normalmente constante;

– pode ser facilmente determinada friccionando o mineral sobre uma


placa de porcelana fosca;

– a cor da risca pode ser igual à do mineral – como acontece nos minerais
idiocromáticos de brilho vulgar e nos metais nativos –, ou pode ser
diferente da cor apresentada pelo mineral – nos minerais alocromáticos
de brilho vulgar a risca é branca ou quase branca; nos minerais
alocromáticos de brilho metálico e que não sejam metais nativos, a risca
é escura ou mesmo preta.

– Brilho ou lustre:

– é o modo como o mineral reflecte a luz natural difusa, quando esta


incide sobre uma superfície de fractura recente;

– normalmente distinguem-se três tipos de brilho:


 Propriedades mecânicas: são a clivagem, a fractura e a dureza.

– Clivagem:

– é a propriedade que os minerais têm de, quando aplicada uma pancada,


se dividirem em lâminas ou poliedros limitados por superfícies planas
bem definidas – as superfícies de clivagem;
Clivagem dos minerais

– qualquer plano paralelo ao plano de clivagem é outro potencial plano


de clivagem;

– relaciona-se com a textura dos cristais que resulta do arranjo dos


átomos e do tipo de ligações químicas; nas superfícies de clivagem as
ligações são mais débeis;

– pode ser perfeita, imperfeita ou inexistente.


– Fratura:

– corresponde a uma situação em que o mineral parte em várias direcções


não coincidentes com os planos de clivagem, originando fragmentos com
superfícies mais ou menos irregulares;

– dadas as suas características revela que todas as ligações químicas são


igualmente fortes;

– pode apresentar diferentes aspectos, classificando-se


em concoidal, escamosa, laminar, irregular, fibrosa ou terrosa.

– Dureza:

– consiste na resistência que o mineral oferece à abrasão, ou seja, a ser


riscado por outro mineral ou por determinados objectos;

– é condicionada pela estrutura e pelo tipo de ligações entre as partículas,


pelo que pode ser muito variável;

– a dureza é normalmente avaliada em termos comparativos e sabe-se


que um mineral é mais duro do que outro quando, depois de pressionado,
deixa um sulco no outro mineral;

– a determinação da dureza dos minerais é feita em relação aos termos de


uma escala de dureza, sendo a mais conhecida a escala de Mohs:
Escala de Mohs

– é constituída por 10 termos colocados por ordem crescente de dureza,


desde o menos duro – o talco, até ao mais duro – o diamante;

– qualquer mineral desta escala risca todos os que estão abaixo dele e
não é riscado por nenhum deles;

– se um mineral riscar um determinado termo e não riscar o


imediatamente a seguir, então a sua dureza está compreendida entre os
dois termos;

– os termos da escala devem ser percorridos do mais duro para o


menos duro;

– esta escala apenas fornece valores relativos, o que se torna


desvantajoso, porque ao contrário do que é observado pela sua
aplicação, o aumento da dureza absoluta faz-se de forma descontínua.
Mas a determinação de valores absolutos é complexa e implica a
utilização de aparelhos muito especializados.

– quando não se dispõe de uma escala de Mohs a determinação


relativa de um mineral pode conseguir-se atendendo a que:

Escala alternativa para determinação da dureza

Esta escala pode também ser útil servindo como ensaio preliminar à
aplicação da escala de Mohs. Ao fornecer a delimitação das zonas da
escala em que a dureza de um determinado mineral se deve situar, evita
ensaios desgastantes dos termos de ordem inferior.
– Densidade:

– a densidade absoluta ou massa volúmica de uma substância é a


quantidade de massa por unidade de volume;

– depende de vários factores como a composição química do mineral


principalmente da massa atómica dos seus constituintes, a distribuição
dos átomos na rede cristalina, a pressão a que o mineral se forma e a
temperatura;

– pode ser avaliada desenvolvendo um sentido de peso relativo que, com


algum treino, pode dar indicações da densidade bastando pegar na
amostra que se quer analisar;

– pode recorrer-se à balança de Jolly que permite determinar a


densidade através da relação entre o peso de um determinado volume
desse mineral no ar e o peso de igual volume de água.

Propriedades químicas

Podem fazer-se alguns testes químicos que permitem fazer a identificação dos minerais.
São exemplos o teste do sabor salgado para identificar halite, ou o teste da
efervescência, que é uma reacção em que há libertação de dióxido de carbono quando a
calcite reage com um ácido. A efervescência pode ser bem evidente a frio, mas há
outros casos em que só se verifica a quente ou quando o mineral é reduzido a pó.

Pode, ainda, recorrer-se à identificação das propriedades dos minerais através da


utilização de chaves dicotómicas ou de tabelas específicas para o efeito.
Actualmente existem programas de software que tornam mais fácil a identificação dos
minerais através das suas propriedades.

Minerais mais comuns nas rochas

Formação das rochas sedimentares

As rochas sedimentares são um tipo de rochas:

– que tem uma fraca representação na crusta terrestre, pois


apenas constituem 5% do seu volume;

– que recobre uma extensa superfície, ocupando mais de 75% da


área continental;

– que se forma na superfície do globo ou a pequenas


profundidades e, geralmente, resulta da interação da hidrosfera, da
atmosfera e da biosfera;
– que é muito diversa, tanto na constituição como no aspecto e
processos de formação;

– cuja classificação se baseia na conjugação de critérios de


composição química com a génese dos sedimentos que as
originam.

Formação das rochas sedimentares

A génese das rochas sedimentares pode dividir-se em duas etapas:

 A sedimentogénese, que consiste na elaboração dos materiais que


vão constituir as rochas. Implica a ocorrência de diversos processos
geológicos como:

– a meteorização ou alteração das rochas;

– a erosão e o transporte de sedimentos;

– a sedimentação desses sedimentos.

 A diagénese, que corresponde à evolução dos sedimentos até se


formarem rochas. Intervêm processos diagenéticos que incluem:

– a compactação e desidratação;
– a cimentação;

– a recristalização.

Processos implicados na formação das rochas sedimentares.

Sedimentogénese – formação de sedimentos

A sedimentogénese consiste na elaboração de materiais –


sedimentos ou detritos – que vão ser a matéria-prima constituinte das
rochas sedimentares.

De acordo com os seus processos de formação, os sedimentos


classificam-se em três tipos:
 sedimentos detríticos ou clastos – de dimensões muito variadas,
desde partículas muito pequenas até grandes blocos rochosos,
resultam da alteração de rochas preexistentes;

 sedimentos de origem química – resultam da precipitação de


substâncias dissolvidas na água;

 sedimentos biogénicos – são compostos por restos de seres vivos


como os esqueletos ou conchas de animais, ou fragmentos de
plantas.

Inclui a meteorização, a erosão, o transporte e a sedimentação.

 Meteorização ou alteração das rochas:

– é um dos fenómenos que faz parte da sedimentogénese e é


essencial para a formação de sedimentos;

– corresponde ao conjunto de processos que levam à alteração


química e/ou física das características iniciais das rochas, levando à
sua destruição;

– os agentes de meteorização – a água, o vento, as mudanças de


temperatura e a acção dos seres vivos actuam de forma muito lenta,
pelo que a sua acção pode ser imperceptível;
– de acordo com o seu modo de actuação e dos produtos que
originam, os agentes de meteorização podem ser classificados em
físicos e químicos provocando a fragmentação e a alteração química
das rochas, respectivamente;

– existem, então, dois tipos de meteorização – a meteorização


física ou mecânica e a meteorização química.

 Meteorização física ou mecânica:

– é uma acção que leva à fragmentação das rochas em pedaços cada


vez mais pequenos, sem que ocorra qualquer transformação química
que leve à alteração mineralógica das rochas;

– predomina em zonas do globo geladas e desérticas, em que a água


se encontra frequentemente congelada;

– inclui processos como a acção da água e do vento, as acções do


gelo e do calor, que levam a contracções e dilatações térmicas, a
actividade biológica, através da acção dos seres vivos,
o crescimento de minerais e a descompressão que as rochas
sofrem à superfície:
 Meteorização química:

– é uma acção que leva à alteração da composição química e


mineralógica das rochas;

– alguns minerais são destruídos e transformados em novos produtos


químicos, enquanto outros são formados, adquirindo estruturas
cristalinas mais estáveis nas condições a que a rocha está sujeita;

– os iões ou os novos minerais obtidos constituem os sedimentos de


origem química;
– a sua acção é tanto maior quanto maior for o estado de
desagregação física das rochas, pois assim a actuação dos agentes é
mais fácil;

– é mais frequente em regiões quentes e húmidas, pois a temperatura


tem um papel muito importante na velocidade e dinâmica das
reacções químicas, bem como a água e o ar atmosférico que também
favorecem essas reacções;

– pode ocorrer de duas formas distintas:

– os minerais são completamente dissolvidos e, posteriormente,


podem precipitar formando os mesmos minerais, como acontece com
a calcite e a halite;

– os minerais são alterados e formam novos minerais, tal como se


verifica com os feldspatos e as micas que originam minerais de
argila.

– inclui diversas reacções químicas como a dissolução,


a hidratação/desidratação, a hidrólise e a oxidação/redução:
Pode ainda considerar-se um tipo de meteorização química que se
designa como meteorização bioquímica ou químico-biológica.

Os seres vivos intervêm no processo de decomposição dos minerais,


levando à sua alteração química. Através do metabolismo produzem
fluidos e ácidos que, quando contactam com as rochas e com os
minerais, provocam a sua alteração química.
Por exemplo, os líquenes elaboram substâncias que atacam as rochas
facilitando a sua desagregação; alguns animais, como certos bivalves,
produzem substâncias corrosivas que utilizam para abrir fendas nas
rochas.

Caos de blocos:

É um tipo de paisagem que resulta da acção conjunta dos agentes de


meteorização física e química e da erosão e transporte de sedimentos.

Ocorre em maciços graníticos e resulta de modificações operadas nas


rochas devido à alteração das condições em que estas se formaram.

O granito:

– forma-se em profundidade, reflectindo o ambiente físico-químico


em que ocorreu a sua génese;

– devido aos movimentos da crusta e à remoção de camadas, o


granito aflora à superfície em grandes maciços rochosos;

– fica exposto a condições ambientais diferentes das do local em


que se originou, nomeadamente no que respeita às condições de
pressão e temperatura;

– apresenta diáclases:
– são superfícies de fractura que dividem o maciço rochoso
em blocos de forma mais ou menos paralelepipédica,
devidas a tensões internas da crusta e à descompressão por
remoção das camadas superiores à rocha;

– tornam o maciço mais vulnerável à acção da meteorização,


uma vez que facilitam a infiltração da água e porque as
rochas se tornam mais frágeis nas bordaduras.

– é constituído por minerais primários que ficam em desequilíbrio


nas novas condições ambientais pois ficam expostos a:

– uma atmosfera oxidante;

– águas de circulação acidificadas por CO2;

– acção dos seres vivos;

– acção da temperatura e do vento.

A água é o principal agente de meteorização química e física do granito:


 Erosão
– é um processo que faz parte da sedimentogénese e ocorre depois
da meteorização;

– corresponde ao conjunto de processos físicos que permitem


remover do local os materiais resultantes da meteorização física ou
química;

– a acção da gravidade, a água, o vento e o gelo são os principais


agentes erosivos que arrancam e separam os fragmentos
desagregados da rocha-mãe.

 Transporte

– também faz parte do processo de sedimentogénese;


– corresponde à acção da água e do vento, que levam para outros
locais os materiais resultantes da meteorização e que foram
removidos pelos agentes erosivos;

– alguns sedimentos são transportados em solução e outros sob a


forma de detritos de dimensões muito variáveis;

– os sedimentos podem sofrer um transporte pequeno ou podem ser


transportados para locais muito distantes daquele em que se
formaram;

– durante o transporte os detritos sólidos podem sofrer sucessivas


alterações, sendo as principais o arredondamento e
a granotriagem:

 arredondamento – devido aos choques entre eles e ao atrito com


as rochas da superfície, os sedimentos inicialmente angulosos vão
perdendo as suas arestas e vértices, ficando cada vez mais lisos e
curvos, tornando-se arredondados. Pelo grau de arredondamento
pode inferir-se o tipo e a duração do transporte que os sedimentos
sofreram;

 granotriagem – consiste na separação dos sedimentos de acordo


com o tamanho, a forma e a densidade que possuem. Considera-se
que há boa calibragem de sedimentos quando todos possuem
aproximadamente o mesmo tamanho. O vento e as águas dos rios
são bons agentes de granotriagem.

– Vento
– o poder de transporte do vento, como possui densidade baixa, é
muito dependente da sua intensidade e do tamanho das partículas
que transporta;

– os sedimentos podem ser transportados em suspensão, por


saltação ou deslizamento;

– a sua acção de transporte é mais notória em regiões áridas e sem


vegetação porque as partículas do solo são mais facilmente
levantadas e transportadas.

– Água

– é o principal agente de transporte de sedimentos;

– os sedimentos quando são transportados podem ir em solução


(dissolvidos) ou sob a forma de detritos, que vão em suspensão,
saltação ou deslizamento;

– efectua transporte quando está no estado sólido (o gelo dos


glaciares) e no estado líquido (águas selagens, rios e ribeiros, lagos,
águas subterrâneas e mares);

– a carga transportada pelas águas depende da sua quantidade e


consequente velocidade.

 Sedimentação
– é a fase final da sedimentogénese e prepara os sedimentos para a
diagénese;

– ocorre em locais onde a acção dos agentes erosivos e de transporte


se anula ou é muito reduzida, ou seja, o agente transportador perde
energia e deixa de exercer a sua acção;

– consiste na deposição dos sedimentos;

– os materiais que são transportados em solução sedimentam após a


precipitação; também se podem depositar novos minerais resultantes
da meteorização química e matéria orgânica;

– pode ocorrer em ambientes terrestres mas é mais importante em


ambientes aquáticos, principalmente nos cursos de água, nos lagos e
nos mares;

– a deposição dos sedimentos ocorre, normalmente, em camadas


sobrepostas, horizontais e paralelas que se
designam estratos ou camadas.
Diagénese – formação de rochas sedimentares

A diagénese é o conjunto de processos físico-químicos que provocam a


evolução mais ou menos complexa dos sedimentos. Através dos
processos diagenéticos, os sedimentos móveis transformam-se em
rochas sedimentares mais ou menos consolidadas,
sofrendo compactação e desidratação, cimentação e recristalização:

Compactação e desidratação

– pela força de gravidade, os sedimentos que deixaram de ser


transportados vão-se depositando e formam novas camadas;
– as camadas formadas exercem pressão sobre as camadas inferiores;

– devido ao peso e à pressão exercidos, a água contida nos interstícios


dos sedimentos é expulsa, ocorrendo desidratação;

– os sedimentos ficam cada vez mais próximos, o volume da rocha


diminui e torna-se progressivamente mais compacta e mais densa.

Cimentação

– os espaços vazios entre os sedimentos são preenchidos por materiais


de neoformação, resultantes da precipitação química de substâncias
dissolvidas na água;

– essas substâncias cristalizam, constituindo um cimento que une os


sedimentos e forma-se uma rocha consolidada;

– os cimentos mais comuns formam-se por precipitação de carbonato de


cálcio e sílica (sendo muito duro) ou por precipitação de óxidos de ferro e
de argilas;

– quando os sedimentos são de grandes dimensões, as partículas finas


transportadas pela água e que se vão depositar formam uma matriz que
liga os materiais.

Recristalização

– consiste num rearranjo dos componentes originais da rocha;


– alguns minerais alteram as suas estruturas cristalinas como resposta a
novas condições de pressão, temperatura e circulação de água ou outros
fluidos;

– por exemplo, a calcite, para se adaptar às novas condições


diagenéticas, transforma-se em dolomite; já a aragonite pode passar a
calcite.

Processo diagenético
Classificação das rochas sedimentares

Existem diferentes classificações baseadas em critérios muito variados. Normalmente


recorre-se à conjugação de critérios de composição química e da génese dos sedimentos
que as originam. Assim, tendo em conta a origem da fracção predominante, podem
considerar-se três grupos: as rochas detríticas, as rochas quimiogénicas e as rochas
biogénicas.

 Rochas detríticas

– formam-se a partir de fragmentos sólidos ou detritos obtidos pela meteorização e


erosão de rochas preexistentes;

– os sedimentos detríticos, ao longo do seu transporte, vão sofrendo arredondamento


e calibragem, pelo que reflectem a força e a duração da corrente que os transportou e
depositou, bem como a dureza do material que os constitui;

– os detritos podem ser classificados em função do seu tamanho, recorrendo


a escalas granulométricas;

– para se caracterizarem estas rochas é importante a composição, a dimensão, a


distribuição e a morfologia dos sedimentos;

– classificam-se em dois grandes grupos: as sedimentares detríticas não


consolidadas – que são depósitos de sedimentos que não sofreram diagénese – e
as sedimentares detríticas consolidadas.
 Rochas quimiogénicas

– formam-se através de sedimentos quimiogénicos, ou seja, substâncias químicas


dissolvidas numa solução aquosa;

– o principal processo físico-químico que origina estas rochas é a precipitação das


substâncias dissolvidas, que pode ser devida:

– à evaporação da água – quando a água, com substâncias dissolvidas,


evapora, por estar sujeita a um aumento de temperatura, formam-se
cristais que se acumulam e constituem os evaporitos;
– a outras reacções químicas – que se desencadeiam devido a ocorrer
variação de algumas condições do meio;

– importantes exemplos de rochas de origem química são os calcários de


precipitação e as rochas salinas – os evaporitos como o gesso e o sal-gema.
Modelado cársico:

As reações descritas no caso dos calcários de precipitação são reversíveis. Assim, para
além de ocorrer precipitação do carbonato de cálcio com consequente formação de
calcite, também se pode verificar a meteorização química do calcário com remoção do
ião HCO-3, devida à acção da água acidificada pela presença de CO2 atmosférico
dissolvido.

Forma-se, então, uma paisagem característica das regiões calcárias – o modelado


cársico –, onde se podem observar as seguintes estruturas:

 Rochas biogénicas
– resultam de sedimentos biogénicos, ou seja, detritos orgânicos ou materiais
resultantes de uma acção bioquímica;

– podem também ser denominadas quimiobiogénicas, uma vez que é difícil, em


certas situações, separar os processos inorgânicos dos bioquímicos;

– são exemplos deste tipo de rochas os calcários biogénicos e as rochas


carbonáceas como os carvões e os petróleos.

– Calcários biogénicos:

– formam-se, essencialmente, pela acumulação de partes


esqueléticas de seres vivos, ricas em carbonato de cálcio, ou por
reacções de precipitação, mas que foram despoletadas pela acção
dos seres vivos;

– os depósitos de carbonato de cálcio sofrem diagénese


originando rochas consolidadas.

Forma-se, então, uma paisagem característica das regiões calcárias – o modelado


cársico –, onde se podem observar as seguintes estruturas:
 Rochas carbonáceas:

– são as rochas sedimentares que possuem uma verdadeira origem orgânica ou


biogénica;

– no seu processo de formação houve intervenção directa da matéria orgânica


resultante dos seres vivos, animais ou vegetais, que sofreu transformações químicas
por acção de bactérias anaeróbias;

– a génese destas rochas está relacionada com a fossilização de matéria orgânica


proveniente do plâncton para o petróleo e da flora continental para a formação dos
carvões;

– são designadas combustíveis fósseis, pois representam a energia solar captada por
seres fotossintéticos, transformada, armazenada e preservada durante milhões de
anos;
– a evolução da matéria orgânica requer um conjunto de condições favoráveis,
como:

– meios em que há condições anaeróbias;

– ambientes costeiros lagunares ou zonas lacustres;

– afundimento progressivo dos sedimentos nas bacias de sedimentação


devido aos movimentos tectónicos, através de movimentos de
subsidência;

– aumento das condições de pressão e temperatura resultantes do


aprofundamento dos sedimentos;

– nesta categoria de rochas incluem-se os carvões minerais e


os hidrocarbonetos naturais:

– Carvões minerais

– formam-se por decomposição anaeróbia de detritos de plantas superiores,


levada a cabo por bactérias anaeróbias;

– a decomposição é desencadeada pela alteração das condições de pressão e


temperatura, devidas ao afundimento dos sedimentos;

– é um importante combustível fóssil;

– de acordo com a relação entre a quantidade de substâncias voláteis e a


quantidade de carbono total, os carvões podem classificar-se em vários tipos,
sendo os mais representativos a turfa e os carvões húmicos – o lignito,
o carvão betuminoso e o antracito.
– Hidrocarbonetos naturais

– são compostos químicos constituídos por átomos de hidrogénio e de carbono;

– a sua formação resulta da conjugação de uma série de factores naturais, não


reproduzíveis em laboratório, que originam os hidrocarbonetos;

– os factores pertencem a três categorias: biológicos, físico-


químicos e geológicos;

– podem ser gasosos – gás natural, líquidos – petróleo bruto ou nafta, ou


sólidos – asfaltos e betumes.
Num jazigo de petróleo é possível distinguir as seguintes formações geológicas:
Associada às jazidas petrolíferas existe, normalmente, água salgada que:

– impregna camadas de rochas permeáveis;

– pode ser remanescente da água que ficou aprisionada durante a formação dos
sedimentos ou pode ser água resultante de infiltrações verificadas à superfície;

– ajuda a estabelecer a ordem de densidades – primeiro a água, depois o petróleo


(menos denso) e por fim o gás.

Rochas sedimentares, arquivos históricos da Terra

As rochas sedimentares são arquivos onde está armazenada informação sobre os vários
processos envolvidos na sua formação, que pode ter ocorrido há milhões de anos atrás.
Cada estrato rochoso pode corresponder a um determinado período da história da Terra.
Assim, numa coluna estratigráfica podem estar representados milhões de anos do tempo
geológico.

Da observação dos estratos podemos retirar informações sobre:

 os ambientes de épocas passadas;

 os climas antigos;

 a posição dos continentes e dos oceanos;

 a química da água;

 a composição da atmosfera;

 o tipo de fauna e flora existentes numa determinada altura;

 os movimentos tectónicos do planeta.

As rochas sedimentares:

– podem ser datadas e o seu estudo permite fazer a reconstituição dos ambientes
antigos em que se formaram – os paleoambientes. Através da recolha e compilação
destas informações em vários locais do globo terrestre é possível fazer a
reconstituição da Terra numa determinada época;
– normalmente são estratificadas e frequentemente são fossilíferas, ou seja, têm
fósseis associados;

– apresentam estruturas preservadas que permitem inferir dados sobre os ambientes


em que se formaram. Geralmente, estas estruturas formam-se durante ou após a
deposição dos sedimentos e antes de ocorrer a diagénese;

– revelam marcas, nas juntas de estratificação, que indicam a existência de pausas ou


interrupções na sedimentação, mudanças na natureza dos sedimentos ou alteração das
condições físico-químicas do meio, pelo que se individualiza um novo estrato;

Exemplos de estruturas frequentemente encontradas são:


Devido às características das rochas sedimentares e considerando a aplicação
do princípio das causas atuais ou princípio do atualismo, que:

– permite explicar o passado através da observação do presente,

– parte do pressuposto de que as causas que provocaram determinados


fenómenos no passado são idênticas às que provocam o mesmo tipo de
fenómenos no presente, é possível reconstituir a história da Terra.
Os fósseis e a reconstituição do passado

Os fósseis:

 são restos ou vestígios de seres vivos que viveram em tempos geológicos


passados;

 ocorrem predominantemente em rochas sedimentares, podendo haver alguns


exemplares em rochas metamórficas;

 são contemporâneos da génese das rochas que os contêm porque se


depositaram na mesma altura que os sedimentos e com eles sofreram
diagénese;

 possibilitam a datação relativa dos estratos em que se encontram e fornecem


pistas para a reconstituição dos paleoambientes;

 mais comuns são as partes duras dos seres vivos, como ossos, conchas ou dentes
dos animais e das partes lenhosas nas plantas porque são estruturas mais
resistentes e, por isso, mais facilmente preservadas;

 são relativamente pouco numerosos porque é necessário que se reúnam


uma série de condições propícias à sua formação, ou seja, condições de
fossilização:

– após a morte, os seres têm de ser imediatamente incorporados nos sedimentos,


para que não sejam comidos nem decompostos;
– a camada que recobre os seres que morreram deve isolar da temperatura e da
pressão, bem como da ação dos agentes de meteorização, principalmente da ação
oxidante da atmosfera;

 formam-se através de diferentes processos de fossilização, sendo os principais


as marcas, as impressões, as mineralizações, as incrustações e a mumificação:
 podem classificar-se de fósseis de idade ou estratigráficos e fósseis de fácies ou
de paleoambientes:
Datação relativa das rochas

A Estratigrafia é um ramo da Geologia que se ocupa do estudo, descrição, correlação de


idades e classificação das rochas sedimentares, bem como a sua representação
horizontal e vertical.

Normalmente, a formação dos estratos faz-se segundo planos horizontais.


A datação relativa dos estratos:

 corresponde à determinação da ordem cronológica de uma sequência de


acontecimentos, ou seja, estabelece a

 utiliza diversos princípios, tais como o princípio da sobreposição, o princípio da


continuidade, o princípio da identidade paleontológica, o princípio da
interseção e o princípio da inclusão:
A datação absoluta:

 atribui uma idade certa às formações rochosas, dizendo quantos anos ou milhões
de anos possui;
 utiliza técnicas baseadas na desintegração regular de isótopos radioativos naturais,
como por exemplo o carbono 14.

Reconstituição de paleoambientes

O conjunto das características litológicas e fossilíferas de um estrato sedimentar


designa-se fácies e o seu estudo possibilita a compreensão e interpretação do ambiente
aquando da formação do estrato, permitindo fazer a reconstituição dos paleoambientes.

Os diferentes tipos de fácies correspondem a diferentes ambientes sedimentares, sejam


eles detríticos, quimiogénicos ou biogénicos. Muito simplificadamente podem
considerar-se: fácies continental, fácies marinha e fácies de transição.
Escala do tempo geológico

A escala do tempo geológico:

 foi elaborada recorrendo:

– aos princípios da datação relativa das rochas;

– a informações evidenciadas pelos estratos que foram recolhidas em afloramentos


de toda a Terra;

– a correlações estabelecidas entre rochas e fósseis;

 baseia-se na seriação cronológica dos acontecimentos que marcaram a história da


Terra, desde a sua formação até

 as diferentes unidades temporais correspondem a determinadas formações


estratigráficas;

 tem várias divisões com diferentes amplitudes: o éon, que é a unidade


geocronológica mais ampla, divide-se em eras; períodos épocas

 pode ser representada de diferentes formas:

Escala do tempo geológico com eras


Escala do tempo geológico com eras

Escala do tempo geológico com éones


Escala do tempo geológico com éones

 caracteriza-se pelos seguintes acontecimentos:


Acontecimentos mais importantes na história da Terra.

deve ser considerada como uma aproximação dos valores reais, pois quanto maior é o
recuo no tempo, menos seguras são as divisões do tempo geológico, principalmente
devido à carência de dados fósseis em boas condições.

Magmatismo

As rochas magmáticas:

estão bem representadas no nosso país: os granitos, que afloram em extensas áreas
localizadas, abundam nas zonas continentais; os basaltos são as rochas características
dos arquipélagos dos Açores e da Madeira;
conferem às paisagens aspetos muito característicos que influenciam a flora e a fauna,
condicionando a fixação e desenvolvimento das atividades humanas;

podem classificar-se tendo em conta a textura, a cor e a composição química e


mineralógica;

formam-se, em grande parte, devido à mobilidade da litosfera e, principalmente, nos


limites convergentes e divergentes das placas litosféricas, onde as condições de pressão
e temperatura provocam a fusão das rochas da crusta e do manto superior originando
magmas;

resultam da consolidação de material magmático, que pode arrefecer em profundidade


originando plutonitos ou rochas intrusivas, ou pode arrefecer na superfície da Terra
originando vulcanitos ou rochas extrusivas;

são estudadas com base em observações feitas em vulcões submarinos ou continentais,


em dados experimentais obtidos em laboratório e em dados referentes à variação da
temperatura com a profundidade da Terra;

Diferentes ambientes tectónicos de formação de magmas.


sabe-se, atualmente, que se podem formar através da solidificação de magmas
resultantes da fusão parcial de outras rochas, sendo os três principais, de acordo com o
teor em sílica, o basáltico, o andesítico e o riolítico:

Diferentes tipos de magmas


Consolidação de magmas

O magma é um material rochoso semi-fundido com componentes sólida, líquida e


gasosa. Quando o magma consolida, devido a variações da pressão e da temperatura,
podem ocorrer processos de solidificação de certos componentes magmáticos,
sublimação de vapores ou fenómenos de vaporização de fluidos com deposição de
substâncias dissolvidas.

Assim, de acordo com as condições verificadas, podem desenvolver-se, ou não, cristais


mais ou menos desenvolvidos. Então, a cristalização é condicionada por fatores
externos e fatores internos:

Os fatores externos que condicionam a cristalização são:

– a agitação do meio em que se encontram;

– a presença ou ausência de água;

– o tempo;

– o espaço disponível;

– a temperatura e a pressão.

Os fatores internos são, por exemplo, a disposição ordenada dos átomos ou dos iões que
formam a rede tridimensional cujo modelo geométrico regular é característico de cada
espécie mineral:
Os cristais:
possuem propriedades como a clivagem, a condutibilidade calorífica e as diferenças de
dureza que são explicadas pela Teoria reticular de Bravais:

– permite explicar o comportamento da matéria cristalina a partir do arranjo interno


das suas partículas, ou seja, da rede cristalina.

têm propriedades condicionadas pela:

– organização espacial das suas partículas;

– natureza química das partículas;

– proporção em que as partículas se encontram na rede;

– forças de ligação que mantêm as partículas em oscilação em torno das suas


posições de equilíbrio.

são minerais que:

– podem formar-se em condições ideais e, como tal, a sua organização interna


manifesta-se na forma exterior, formando minerais delimitados por superfícies
planas;

– podem formar-se em condições adversas, formando minerais informes, ou seja,


sem superfícies planas.
– podem classificar-se em três tipos:

– euédricos – se o mineral é totalmente limitado por faces bem


desenvolvidas;

– subédricos – se o mineral apresenta parcialmente faces bem


desenvolvidas;

– anédricos – se o mineral não apresenta qualquer tipo de faces.

Diferenciação magmática

A temperatura e a pressão vão diminuindo durante o processo de arrefecimento do


magma, ocorrendo um processo de cristalização da matéria mineral. O arrefecimento
pode ocorrer:

– em profundidade, que é o que se verifica com a maior parte dos magmas que
arrefecem ainda nas câmaras magmáticas;

– à superfície ou próximo dela, situação em que o arrefecimento é brusco, assim


como as variações de pressão e temperatura, pelo que muitos minerais não
chegam a cristalizar.

À medida que o magma vai ascendendo, a sua temperatura vai gradualmente baixando e
vai-se formar um gradiente de pontos de cristalização de diferentes minerais que
fraccionadamente vão cristalizando – cristalização fracionada.
Estes minerais tornam-se mais densos e separam-se do magma residual, ou seja, que não
cristalizou, devido ao efeito gravítico – diferenciação gravítica. Este magma, cuja
composição química já é diferente da inicial, pode continuar a ascender e pode reagir
com rochas encaixantes que atravessa, alterando ainda mais a sua composição inicial
por um processo de assimilação magmática.

Cristalização fracionada:

 Bowen investigou o comportamento dos magmas e a forma como ocorre a


cristalização durante o seu arrefecimento:

– concluiu que os minerais possuem diferentes pontos de cristalização,


cristalizando primeiro os que têm um ponto de fusão mais elevado, seguidos dos
restantes por ordem decrescente dos respetivos pontos de fusão – cristalização
fracionada;

– estabeleceu a sequência de reações que ocorrem no magma durante a sua


diferenciação.

 a sequência de reações de formação de minerais ou série reacional de Bowen:

– reflete fenómenos que ocorrem simultaneamente à medida que a temperatura do


magma vai baixando;

– os minerais que se situam na mesma linha horizontal possuem temperatura de


cristalização semelhante;

– é composta por dois ramos:

 o ramo da série de minerais ferromagnesianos ou série descontínua;


 o ramo da série das plagióclases ou série contínua.
Série reacional de Bowen

Após a cristalização completa dos minerais que constituem os dois ramos, a fração
magmática resultante pode apresentar elevadas concentrações de sílica e de metais leves
como o potássio (K) e o alumínio (Al). Pode, então, ocorrer a cristalização sucessiva
dos feldspatos potássicos, da moscovite e, finalmente, do quartzo, até ao esgotamento
do magma residual.

Diferenciação gravítica:

 os primeiros cristais que se formam, por serem mais densos, separam-se do


magma que os originou;

 a separação ocorre por ação da gravidade e os cristais depositam-se no fundo da


câmara magmática;

 os cristais menos densos que o magma migram para o cimo da câmara


magmática;
 a acumulação dos cristais reflete a sua ordem de formação, bem como a sua
ordem de densidade;

 este mecanismo de diferenciação explica o aparecimento de massas rochosas


constituídas por um mineral com composição química global diferente da do
magma que o originou.

Assimilação magmática:

 um magma pode reagir com as rochas encaixantes por onde vai passando,
provocando a fusão dessas rochas;

 o material rochoso fundido vai ser adicionado ao magma – assimilação –, pelo


que a sua composição química inicial pode ser alterada;

 as rochas resultantes da consolidação deste magma vão refletir a assimilação


verificada.

Mistura de magmas

 este processo pode ocorrer nas cinturas orogénicas e resulta da contaminação


entre magmas diferentes;

 por exemplo, quando um magma basáltico ascende pode encontrar magmas


graníticos havendo mistura dos dois;
 o magma resultante terá características intermédias.

As últimas frações do magma, constituídas por água com voláteis e outras substâncias –
sílica, plagióclase sódica e feldspato potássico – em solução constituem as soluções
hidrotermais, que podem preencher fendas existentes nas rochas e aí cristalizam
formando filões, como, por exemplo, os filões de quartzo. Os filões podem ser
constituídos por um só mineral ou por vários minerais associados.

Rochas magmáticas - formação e classificação

Diversidade de rochas magmáticas

As rochas magmáticas são agregados naturais e coerentes constituídos por vários


minerais que conservam individualmente as suas propriedades.

Para se observarem minerais pormenorizadamente recorre-se ao uso do microscópio,


mas é necessário efetuar lâminas extremamente finas para poderem ser atravessadas
pela luz.

A preparação das lâminas é a seguinte:

– corta-se uma placa com 1 cm de espessura e alisa-se uma das faces com um
abrasivo;

– cola-se a face que foi alisada numa lâmina de vidro;

– corta-se a lâmina fina – o fragmento de rocha é cortado com serra de diamante,


reduzindo a sua espessura a 2 mm. Volta a ser desgastada num disco abrasivo até à
espessura de 30 micrómetros, que já é transparente para poder ser observada ao
microscópio de luz polarizada.

A observação de amostras de rochas com luz polarizada permite:


– conhecer as propriedades óticas e estruturais dos minerais que constituem as
rochas;

– classificar os minerais.

As rochas magmáticas podem apresentar grande diversidade de aspetos que resultam:

– da diversidade de magmas que originam as rochas;

– das diferentes condições de consolidação desses magmas;

– da sua composição mineralógica;

– da sua textura.

A sua classificação baseia-se essencialmente na composição química e mineralógica e


na textura, embora também seja importante a cor, a acidez e o modo de jazida.

Composição química e mineralógica:

 como os silicatos são os minerais mais abundantes nas rochas magmáticas,


utiliza-se a percentagem em sílica para estabelecer uma classificação química
para estas rochas;

 resultam quatro tipos de rochas, de acordo com o teor em


sílica: ácidas, intermédias, básicas e ultrabásicas:
 relativamente aos minerais que constituem as rochas, distinguem-se dois grandes
grupos, os minerais essenciais e os minerais acessórios:

 minerais essenciais – são minerais cuja presença confere carácter à rocha e


determina a sua designação. O mais citados são o quartzo, o feldspato (potássico
e calcossódico), a moscovite, a biotite, a piroxena, a anfíbola e a olivina.

 minerais acessórios – são minerais que não afetam o aspeto fundamental da


rocha, que ocorrem em quantidades diminutas e que, geralmente, só são visíveis
ao microscópio. Destaca-se como exemplo a magnetite, o zircão, a apatite, o
rútilo e a turmalina.

 os minerais podem agrupar-se de acordo com as tonalidades que apresentam e,


assim, as rochas magmáticas podem classificar-se de acordo com o índice da
cor.

Cor:

 a tonalidade das rochas pode fornecer indicações sobre o tipo de minerais que as
constituem;

 resulta a seguinte classificação dos minerais:

 minerais félsicos– têm cor clara como o quartzo e a moscovite (feldspato


+ sílica);

 minerais máficos – têm cor escura como a biotite e a olivina (magnésio


+ ferro).

 as rochas onde predominam uns ou outros minerais possuem tonalidades


diferentes, sendo classificadas
em leucocratas, mesocratas, melanocratas e holomelanocratas:
Textura:

 é o aspeto exterior e geral das rochas;

 resulta das dimensões, da forma e do arranjo dos minerais constituintes;

 é determinada pela viscosidade e pelo tempo de arrefecimento do magma;

 a classificação é feita com base no tamanho e nas características dos cristais que
as rochas apresentam;

 de acordo com o grau de cristalinidade pode considerar-se a seguinte


classificação para as diferentes texturas:
Tendo em conta a composição mineralógica, podem constituir-se agrupamentos de
rochas designados famílias. As principais famílias das rochas magmáticas são:
A diversidade das rochas das diferentes famílias apresenta aspetos macroscópicos e
microscópicos muito variados. Nas diferentes famílias existem rochas plutónicas que,
por esse facto possuem textura granular e rochas vulcânicas que apresentam a mesma
composição química mas têm textura agranular, uma vez que as condições de
arrefecimento do magma foram diferentes.

Deformação das rochas - falhas e dobras

A Terra é um planeta dotado de grande dinamismo. Uma das formas que a Terra tem de
mostrar esse dinamismo é através da ocorrência de processos contínuos, muito lentos e
graduais, que provocam modificações nas formações rochosas – as deformações.

As deformações:
– são alterações que se devem a forças de tensão exercidas sobre as rochas, provocadas
pela mobilidade da litosfera e pelo peso de camadas suprajacentes;

Nota: Define-se tensão como sendo uma força exercida por unidade de área. Esta
força leva a modificações nas condições de pressão e temperatura, que passam a ser
diferentes daquelas em que a rocha se formou.

– quando ocorrem, podem provocar alteração de volume ou alteração da forma das


rochas ou, como é comum, alterar simultaneamente o volume e a forma das rochas;

– podem ocorrer em todos os tipos de rochas.

Mecanismos de deformação

Através do estudo laboratorial do comportamento dos materiais e da observação direta


das rochas, concluiu-se que:

 o tipo de tensões a que as rochas ficam sujeitas são a tensão de


compressão, tensão de distensão (ou tensão de torção) e tensão de
cisalhamento;

 o tipo de comportamento que as rochas apresentam, quando estão sob o efeito de


tensões, pode ser frágil ou dúctil:

 frágil – quando entram facilmente em rutura, originando falhas;

 dúctil – quando dificilmente entram em rutura e experimentam deformações


permanentes, originando dobras.
Os mecanismos de deformação das rochas estão associados, normalmente, a diferentes
tipos de limites tectónicos:

Os materiais rochosos podem apresentar diversos tipos de deformações em resposta às


tensões que suportam:

Deformação elástica:
– é um tipo de deformação reversível;

– é proporcional ao esforço aplicado;

– quando a força de tensão é retirada, o material volta ao estado inicial;

– as rochas possuem um limite de elasticidade; quando este limite é


ultrapassado, as rochas passam a manifestar um comportamento plástico ou
entram em ruptura;

– as deformações sofridas por uma mola ou por um elástico quando são sujeitos
a tensões são um exemplo deste tipo de deformação.

Deformação plástica:

– é um tipo de deformação irreversível;

– o material, depois de ultrapassado o limite de elasticidade, fica


permanentemente deformado;

– se o limite de plasticidade não for ultrapassado não há ruptura do material;

– origina uma deformação contínua pois, neste caso, não se verifica


descontinuidade entre as partes contíguas do material deformado, tal como

acontece nas dobras;

– as deformações evidenciadas pelo barro ou pela plasticina quando moldados


são exemplo deste tipo de deformação.

Deformação por rutura:

– é uma deformação irreversível;

– ocorre quando o limite de plasticidade da rocha é ultrapassado;


– a rocha entra em rutura formando uma deformação descontínua, pois não há
continuidade entre as partes contíguas do material deformado, tal como acontece
nas falhas;

– acontece, por exemplo, com o pau de giz quando sujeito a tensão.

Os comportamentos apresentados pelas rochas:

– são influenciados pelas condições em que as deformações se processam;

– são, geralmente, frágeis, pois as rochas são materiais pouco plásticos que
entram facilmente em rutura, principalmente quando estão próximas da
superfície;

– podem tornar-se dúcteis, quando estão sob ação de temperaturas e pressões


elevadas em zonas mais profundas;

– em situações extremas de pressão e temperatura, são semelhantes ao


comportamento de fluidos muito viscosos;

– dependem dos seguintes fatores:

 tipo de tensão:

– pode ser confinante/litostática ou dirigida/não litostática:

 confinante ou litostática – resulta do peso das camadas suprajacentes e aumenta


a ductilidade da rocha pelo que se torna mais resistente à rutura;
 dirigida ou não litostática – ocorre quando um corpo está sujeito a forças de
intensidade diferente em diversas direções.
 Temperatura

– o aumento da temperatura, aumenta a plasticidade;

– como aumenta com a profundidade, tal como a pressão, as rochas mais


profundas possuem um comportamento mais dúctil;

– um bom exemplo é o do vidro, que é sólido à temperatura ambiente mas funde


a temperaturas elevadas.

 conteúdo em fluidos:

– faz aumentar a plasticidade das rochas;

– tal como um ramo de árvore húmido flete mais facilmente do que um ramo
seco, também um maior conteúdo em fluidos faz aumentar a ductilidade das
rochas.

 tempo de atuação:

– se as forças atuarem sobre as rochas durante mais tempo, em princípio, aumenta a


plasticidade.

 composição e estrutura da rocha:

– alguns aspetos estruturais fazem aumentar a plasticidade das rochas, como por
exemplo a xistosidade.
Deformações mais frequentes nas rochas

As deformações que se verificam nas rochas podem apresentar diversos aspetos, sendo
os mais comuns as dobras e as falhas.

Dobras

– são deformações que consistem no arqueamento ou encurvamento das


camadas rochosas inicialmente planas;

– podem ser macro ou microscópicas;

– resultam de tensões compressivas quando o material tem comportamento


dúctil;

– caracterizam-se geometricamente pela forma da superfície de referência como,


por exemplo, os planos de estratificação;

– possuem formas mais ou menos regulares e consideram-se dobras


cilíndricas aquelas que são geradas pelo deslocamento de uma reta – geratriz –
paralelamente a si própria;

– formam-se no interior da crusta ou do manto de forma lenta e gradual;

– afloram à superfície devido aos movimentos tectónicos e à erosão;


Numa dobra, a posição das camadas rochosas no espaço, ou seja, a atitude dessas
camadas, pode ser definida pela direção e pela inclinação das camadas.

– a geometria das dobras caracteriza-se pelos seguintes elementos:

De acordo com a sua disposição espacial e com a idade das rochas que as constituem,
podem ser classificadas em:

Disposição espacial

 Antiforma
 Sinforma

 Neutra
Idade das rochas do núcleo

 Anticlinal

 Sinclinal
 Falhas

– são deformações descontínuas em que se verifica a fratura das rochas,


acompanhada de deslocamento dos blocos fraturados um em relação ao outro;

– ocorrem quando o limite de plasticidade dos materiais rochosos é ultrapassado;


– resultam de tensões compressivas, distensivos ou de cisalhamento quando as
rochas têm comportamento frágil;

– caracterizam-se pelos seguintes elementos:

– de acordo com a inclinação do plano de falha e com o movimento dos lábios,


classificam-se em:
– a posição das falhas no espaço pode definir-se de acordo com a direção e
a inclinação do plano de falha:

 Direção: é o ângulo formado por uma linha horizontal do plano de falha com a
linha N-S geográfica.

 Inclinação: é o ângulo definido entre o plano de falha e uma superfície


horizontal.
– podem surgir associadas e com configurações geográficas designadas por fossas
tectónicas ou grabens e maciços tectónicos ou horsts:

Metamorfismo

Ao nível da geosfera, devido aos agentes de geodinâmica interna e externa, pode ocorrer
reciclagem dos materiais rochosos. Esta reciclagem pode ser ilustrada através do ciclo
litológico ou ciclo das rochas.

Neste ciclo está integrado o conjunto de transformações relacionadas com o ambiente


metamórfico que se pode considerar intermédio entre o ambiente sedimentar (externo)
e o ambiente magmático (interno).
Ciclo litológico

Ultrapassadas as condições de pressão e temperatura que definem o final da diagénese –


formação de rochas sedimentares, inicia-se o metamorfismo – formação de rochas
metamórficas. Se a rocha for aprofundando mais e se o aumento de temperatura
determinar a sua fusão, ocorre o magmatismo – formação de rochas magmáticas.

O metamorfismo:

– corresponde ao conjunto de adaptações mineralógicas, químicas e texturais que as


rochas pré-existentes sofrem quando estão sujeitas a condições
de pressão e temperatura diferentes das que presidiram à sua génese;
– ocorre normalmente sem que haja fusão das rochas e, por vezes, verifica-se em
estados de deformação dúctil, pois é frequente o metamorfismo estar associado a
dobras;

– é característico de determinados contextos tectónicos, como, por exemplo, ao nível


das zonas de subducção e em zonas de formação de cadeias montanhosas;

– pode ser mais ou menos acentuado, consoante a diferenciação que uma rocha
metamórfica apresenta relativamente à rocha que lhe deu origem, definindo assim
o grau de metamorfismo;

– origina rochas metamórficas:

 são um dos tipos de rochas mais abundantes na crusta continental;

 resultam de rochas sedimentares, magmáticas e metamórficas;

 formam-se no estado sólido, em profundidade e tornam-se acessíveis quando


afloram, devido aos processos tectónicos e à remoção de camadas suprajacentes;

 permitem estudar indiretamente os processos geológicos que se verificam no


interior da Terra.

Fatores de metamorfismo

A grande diversidade de rochas metamórficas é devida às condições em que estas se


formaram. A predominância ou intensidade de um fator relativamente a outro pode
determinar a formação de diferentes rochas.
Os fatores de metamorfismo são a temperatura, a tensão, o tempo geológico e
a presença de fluidos:

 temperatura:

 afeta de forma significativa a composição mineralógica e a textura das rochas;

 altera ou quebra as ligações químicas que definem a estrutura cristalina dos


minerais levando à recristalização, que origina novos minerais estáveis nas
novas condições;

 para que ocorra metamorfismo, varia de 200 a 800 ºC;

 aumenta com o aumento de profundidade – calor geotérmico;

 pode ser elevada em zonas mais superficiais da Terra devido a:

– convergência de placas – nestas zonas, os sedimentos e as rochas,


durante o processo de subducção, vão aprofundando. A temperatura
aumenta, provocando instabilidade no arranjo dos minerais. A rocha
ajusta-se às novas condições, formam-se novos minerais que resultam
de novas ligações entre os átomos presentes nas redes cristalinas;

– intrusões magmáticas – um magma pode ascender e instalar-se em


rochas da crusta. Essas rochas vão sobreaquecer originando um
processo metamórfico provocado pelo contacto com a massa
magmática.

 tensão:
 as rochas metamórficas são formadas a diferentes profundidades e, à medida que
aumenta a profundidade, são sujeitas a tensões cada vez mais elevadas;
 resulta do peso exercido pela coluna de rochas suprajacentes e pelos
movimentos tectónicos;
 modifica a composição mineralógica e o arranjo dos minerais;
 pode ser litostática ou não litostática:

o tensão litostática:

– deve-se ao peso das camadas rochosas suprajacentes;

– é aplicada de igual modo em todas as direções diminuindo o volume da rocha


porque os seus minerais passam a ocupar menos espaço;

– induz a formação de minerais com estrutura cristalina mais compacta,


originando rochas mais densas;

– as rochas sedimentares à medida que vão aprofundando ficam sujeitas a um


aumento progressivo deste tipo de tensões;

– não gera uma orientação preferencial dos minerais da rocha.

o tensão não litostática:

– é uma tensão dirigida ou orientada em que as forças em atuação não são iguais
em todas as direções;

– pode originar deformações como falhas e dobras;


– as rochas podem sofrer compressão, estiramento ou cisalhamento se a tensão
atuante for do tipo compressivo, de tração ou de cisalhamento, respetivamente;

– altera a textura das rochas metamórficas pois alinha paralelamente os


minerais constituintes, desenvolvendo foliação;

– produz uma orientação preferencial em certos minerais.

 tempo:

– é um dos fatores relevantes para a formação de rochas metamórficas;

– os fenómenos metamórficos ocorrem de forma muito lenta;

– possibilita a reorganização mineralógica e os reajustamentos texturais e


estruturais das rochas;

– pode estabelecer-se uma relação direta entre o tempo decorrido e o grau de


metamorfismo;

– por vezes, os efeitos do metamorfismo só são atingidos ao fim de dezenas de


milhões de anos.

 fluidos:
– circulam no interior das rochas – circulação intra-rochosa –, e são
responsáveis por muitas das alterações químicas e mineralógicas que ocorrem
durante o metamorfismo;

– podem ser libertados por um magma e são, normalmente, ricos em iões; ou


podem ser formados durante o metamorfismo devido, por exemplo, à
evaporação de água presente nas rochas;

– um exemplo é a água aquecida a elevadas pressões que transporta diversas


substâncias dissolvidas;

– reagem com as rochas em que penetram trocando átomos e/ou iões e podem
levar à substituição completa de um mineral por outro, alterando a composição e
o arranjo original da rocha;

– alguns possuem a capacidade de acelerar os processos metamórficos, ajudando


a romper ou a estabelecer novas ligações químicas;

– podem encontrar-se em minúsculos poros existentes nas rochas, embora


aparentemente as rochas pareçam secas.

Mineralogia do metamorfismo

Quando as rochas sofrem metamorfismo, experimentam condições diferentes daquelas


em que foram originadas e, como tal, os seus minerais tornam-se instáveis.

Nas novas condições ocorre recombinação dos constituintes químicos das rochas que
por recristalização, formam novas associações minerais compatíveis com as condições
termodinâmicas do novo ambiente.
Transformações ocorridas durante o processo metamórfico.

Nas rochas metamórficas existem minerais comuns às rochas magmáticas, como o


quartzo e os feldspatos e às rochas sedimentares, como a calcite e a dolomite; mas
também existem minerais exclusivos deste tipo de rocha. Estes minerais, indicadores de
metamorfismo, só se formam em condições bem definidas de pressão e temperatura,
variáveis dentro de limites muito restritos. Então, as rochas metamórficas podem
distinguir-se pela sua mineralogia típica.

Exemplos de minerais metamórficos são: cordierite, andaluzite, epídoto, granada,


estaurolite, silimanite, talco, distena e grafite.

As transformações mineralógicas que ocorrem por recristalização durante os processos


metamórficos, podem resultar de:
– alteração da composição química dos minerais por circulação de fluidos;

– instabilidade entre dois ou mais minerais, levando à formação de novos minerais


sem que ocorra variação na composição química global da rocha;

– alteração da estrutura cristalina do mineral sem variação da composição química


através de uma transformação polimórfica:

A presença de determinado mineral metamórfico numa rocha pode fornecer


informações sobre as condições em que a rocha se formou e, de igual modo, permite
identificar diferentes graus de metamorfismo.
Estes minerais são designados minerais-índice, uma vez que definem os limites de
pressão e de temperatura em que a rocha foi gerada, funcionando como paleobarómetros
ou paleotermómetros.

Grau de metamorfismo:

 é definido de acordo com as condições de pressão e temperatura:

 Metamorfismo de baixo grau

 Metamorfismo de médio grau

 Metamorfismo de alto grau


Alguns minerais indicadores do grau de metamorfismo.

 à medida que aumenta, aumenta também a granularidade da rocha devido aos


intensos fenómenos de recristalização;

 as diversas zonas metamórficas são delimitadas por superfícies de igual grau de


metamorfismo – as isógradas:

 definem-se pelos pontos onde ocorrem pela primeira vez determinados minerais-
índice;

 nas cartas, representam-se por linhas curvas.


A cartografia dos diferentes tipos de rocha que se encontram à superfície e a
determinação da sua composição mineralógica são fundamentais para se determinar o
grau de metamorfismo que afeta uma determinada região.

Tipos de metamorfismo

Consideram-se diferentes tipos de metamorfismo de acordo com os seguintes critérios


de classificação:

– o tipo ambiente tectónico em que ocorre;

– a predominância e a intensidade de um ou mais fatores de metamorfismo


relativamente a outros;

– a extensão da área afetada.

Definem-se, assim, dois tipos principais de metamorfismo: o metamorfismo regional e


o metamorfismo de contacto:
Ambientes tectónicos em que decorre o metamorfismo regional e o metamorfismo de
contacto.

Metamorfismo regional:

– afeta grandes áreas da crusta terrestre;

– é originado por processos que envolvem elevadas temperaturas e forças tectónicas


que geram tensões não litostáticas altas que modificam as rochas em profundidade;

– está geralmente associado a processos tectónicos relacionados com a formação de


cadeias montanhosas, quer em zonas de colisão de placas, quer em zonas de subducção;

– pode formar diferentes tipos de rochas como a ardósia, o filito, o micaxisto e


o gnaisse
– algumas rochas formadas podem possuir xistosidade, devido à conjugação da
deformação com a recristalização;

– se forem ultrapassados determinados valores de tensão e temperatura (superior a 800


°C) inicia-se o magmatismo e a rocha entra em fusão parcial – anatexia

Metamorfismo de contacto:
Metamorfismo de contacto

– é um tipo de metamorfismo local;

– ocorre em zonas próximas de intrusões magmáticas;

– a elevada temperatura do magma e os fluidos que se libertam propagam-se às rochas


encaixantes da intrusão e alteram os seus minerais;

– forma uma zona denominada auréola de metamorfismo, que é a orla de rochas


próximas da intrusão que foram fortemente aquecidas e sofreram metamorfismo. A
extensão da auréola depende do tamanho da massa magmática, da sua temperatura, da
quantidade de água existente nas rochas e da profundidade a que ocorre o contacto;

– o grau de metamorfismo das rochas da auréola é tanto menor, quanto maior for a
distância à intrusão magmática;

– a variedade de rochas resultantes depende do tipo de rocha que é intruída, da


quantidade de fluidos circulantes e da temperatura da intrusão;

– quando afeta calcários, arenitos ricos em quartzo e rochas argilosas origina,


respetivamente, mármore, quartzito e corneanas*:
Auréola de metamorfismo originada por uma intrusão magmática
*A designação corneanas pode ser atribuída a qualquer rocha que se forme nas
zonas mais próximas da intrusão magmática.

Texturas características das rochas metamórficas

A textura das rochas metamórficas é determinada pelo tamanho, forma e arranjo dos
minerais que as constituem. O tamanho dos grãos é também importante na
determinação da textura.

Podem distinguir-se dois grandes grupos de rochas metamórficas: as rochas foliadas e


as rochas não foliadas ou granoblásticas.

A foliação:

– é qualquer estrutura planar de uma rocha que pode ser originada durante os processos
de metamorfismo e resulta, quer de um alinhamento preferencial de certos minerais
anteriores ao metamorfismo, quer da orientação de novos minerais formados durante os
processos de recristalização;

– está relacionada com a presença de minerais com hábito tabular, como as micas e a
clorite, que tendem a ficar orientados numa posição perpendicular à da tensão
compressiva que afetou a rocha;
Orientação de minerais tabulares em rochas metamórficas

– pode ser muito evidente ou apenas observável ao microscópio.

À medida que o grau de metamorfismo aumenta, a propriedade de certas rochas


metamórficas se dividirem em lâminas – fissilidade – segundo os planos de foliação,
torna-se menos evidente.

Existem três tipos de foliação muito característicos em rochas de baixo, médio e alto
grau de metamorfismo, que são respetivamente, a clivagem xistenta, a xistosidade e
o bandado gnaissico:
As rochas com textura não foliada ou granoblástica:

– são constituídas, essencialmente, por minerais com dimensões semelhantes a grânulos,


não sendo tabulares nem alongados;

– a orientação dos minerais não é preferencial;

– resultam de um tipo de metamorfismo como o de contacto, em que a deformação não


é relevante;

– são, por exemplo, as corneanas, os quartzitos e os mármores.

Recursos energéticos

Recursos energéticos

Desde sempre o Homem necessitou de energia para realizar as mais variadas tarefas. À
medida que se foi processando a evolução das sociedades humanas, também o consumo
de energia se tornou crescente. As fontes de energia às quais o Homem foi recorrendo
foram, também, variando.

A utilização dos recursos energéticos tornou-se vital para as atuais necessidades


humanas.

Dependemos da utilização de fontes de energia que provêm, essencialmente, dos


chamados combustíveis fósseis. No entanto, a utilização excessiva deste tipo de
recursos pode causar graves problemas, ambientais e sociais.

Por um lado, estes materiais estão próximos do esgotamento, por outro lado, o seu uso
provoca chuvas ácidas, aquecimento global e a degradação da camada de ozono.

Combustíveis fósseis
Os combustíveis fósseis ocorrem na crusta terrestre sob três formas principais: os
carvões – sólidos –, o petróleo – líquido – e o gás natural – gasoso.

Na formação desta matéria combustível intervêm fatores como a pressão, o calor, o


tempo e a intervenção de bactérias anaeróbias. Uma vez que os seus processos de
formação são extremamente morosos, estes combustíveis são considerados recursos
energéticos não renováveis. Embora se saiba que estas fontes de energia poderão acabar,
cerca de 75% da energia consumida a nível mundial provém dos combustíveis fósseis.

A utilização das fontes de energia varia:

– nos países menos industrializados os carvões, a lenha e o estrume (matéria orgânica


em decomposição) são os combustíveis mais consumidos;

– nos países mais industrializados o consumo de petróleo e do gás natural é muito


elevado.

O consumo destes recursos energéticos tem vindo a aumentar e não se prevê que haja
diminuição do seu consumo. Torna-se assim urgente gerir de forma sustentada a
exploração/utilização destes recursos e recorrer a fontes de energia alternativas, não só
para evitar o esgotamento previsível dos combustíveis fósseis, como também para
reduzir os malefícios ambientais que advêm do seu consumo.

Desvantagens da utilização dos combustíveis fósseis:

Petróleo

– as suas reservas poderão esgotar-se daqui por 100 anos;


– como, em certos países, o seu preço é baixo, não se verifica a procura de fontes de
energia alternativas;

– a sua combustão emite grandes quantidades de dióxido de carbono, que é um dos


principais poluentes da atmosfera e que contribui para o aumento do efeito de estufa;

– poluição e destruição de ecossistemas aquáticos devido a acidentes no transporte deste


combustível (por exemplo, derrames de crude).

Carvão

– alterações graves ao nível dos solos, da atmosfera e dos recursos hídricos,


principalmente devidas a emissões de dióxido de enxofre que provocam chuvas ácidas e
a acidificação dos solos;

– excessiva exploração mineira com destruição de solos;

– consequências nefastas ao nível da saúde humana;

– elevadas emissões de gases poluentes, como o dióxido de carbono, que aumentam o


efeito de estufa e o consequente aquecimento global do planeta.

Energia nuclear

A energia nuclear foi descoberta no século XX e, inicialmente, pensou-se que resolveria


os problemas relacionados com o uso dos combustíveis fósseis. Ao invés, este tipo de
energia foi utilizado, não para benefício do Homem, mas sim para fabricar armas de
destruição maciça, pelo que a sua utilização é deveras discutível.
A energia nuclear obtém-se a partir de minerais radioativos por processos que envolvem
mudanças ao nível dos núcleos atómicos dos minerais utilizados:

– a radioatividade é a possibilidade de certos elementos químicos se desintegrarem


emitindo uma radiação com libertação de energia;

– nas centrais nucleares provoca-se uma cisão nuclear de um elemento radioativo que
liberta grandes quantidades de energia, sob a forma de calor;

– o calor libertado é aproveitado numa central nuclear para provocar a vaporização


da água;

– o vapor de água produzido é utilizado na produção de eletricidade.

A produção/utilização deste tipo de energia acarreta as seguintes desvantagens:

– elevados custos ambientais, nomeadamente ao nível de potenciais acidentes em


centrais nucleares;

– produz resíduos altamente radioativos que são extremamente nocivos para os seres
vivos. Por exemplo, a exposição de indivíduos a elevados níveis de radioatividade
pode provocar cancros, malformações fetais e atrasos mentais em crianças em
desenvolvimento uterino;

– encontrar locais suficientemente seguros para armazenar os produtos radioativos,


evitando a contaminação dos solos e dos organismos vivos;

– a dificuldade e o custo muito elevado para eliminar os resíduos;


– o elevado preço de construção e manutenção de uma central nuclear.

Recursos geotérmicos

A energia geotérmica:

– é um recurso geológico que pode ser utilizado como fonte de energia limpa, ou
seja, pouco poluente e é um recurso renovável;

– é o calor interno da Terra que se liberta à superfície e há zonas do planeta onde se


regista um elevado gradiente geotérmico (variação de temperatura entre a superfície
da Terra e o seu interior), como nos rifts e nas zonas de colisão de placas tectónicas;

– tem grande aproveitamento nas zonas vulcânicas;

– é transportada do interior da Terra por um fluido condutor desse calor, sendo


a água o mais eficaz;

– pode ser classificada em energia de alta entalpia, se a temperatura do fluido for


superior a 150 °C, e energia de baixa entalpia, se a temperatura for inferior a 150
°C.

Energia de baixa entalpia

Aproveitamento geotérmico em Portugal continental:


– é o único tipo de aproveitamento geotérmico que se encontra em Portugal continental;

– a ocorrência deste tipo de energia está relacionada com a existência de acidentes


tectónicos, como, por exemplo, falhas;

– o seu aproveitamento é feito em estâncias termais, quer para utilizações terapêuticas,


quer para aquecimento de piscinas e águas de hotéis;

– as águas termais são águas de origem subterrânea que têm uma temperatura superior
em, pelo menos, 4 °C do que a temperatura média do ar de uma região;

– no nosso país as águas termais nunca excedem os 80 °C e as suas temperaturas mais


comuns variam entre os 20 °C e os 40 °C;

– atualmente, para além da balneoterapia, já se procura utilizar este tipo de águas em


estufas e em piscicultura.

Energia de alta entalpia

– o seu aproveitamento, no nosso país, faz-se nos Açores, na ilha de São Miguel;

– uma vez que os Açores são ilhas vulcânicas, a temperatura do fluido é muito elevada;

– nas centrais geotérmicas faz-se o aproveitamento do calor libertado para produzir


energia elétrica.

Vantagens e desvantagens da utilização da energia geotérmica:


Como ainda não foi possível resolver todos os problemas relacionados com a produção
e o consumo de energia, tem sido intensificada a procura de novas fontes de energia
alternativas.

Os principais objetivos desta busca são utilizar e adotar fontes de energia mais eficazes,
renováveis, mais baratas, menos poluentes e menos perigosas para o homem e o
ambiente.

Algumas das soluções energéticas encontradas, embora ainda não sejam utilizadas em
grande escala, como seria desejável, são:

 a energia hidroelétrica
 a energia eólica
 a energia das marés
 a energia das ondas
 a energia da biomassa
 a energia do biogás
 a energia solar

Recursos minerais

Recursos geológicos - exploração sustentada


Todos os materiais que o Homem utiliza diariamente para satisfazer as suas
necessidades básicas e o seu bem-estar – os recursos – provêm da Terra.

Os recursos naturais são, e foram desde sempre, a fonte de matérias-primas a partir das
quais, direta ou indiretamente, são fabricados os mais diversos produtos que utilizamos
no nosso quotidiano.

Com o desenvolvimento da ciência e da tecnologia as sociedades tornaram-se cada vez


mais especializadas e mais dependentes dos recursos geológicos. A evolução das
sociedades humanas requer uma maior utilização de grandes quantidades de recursos
naturais.

Os recursos geológicos:

– são todos os bens de natureza geológica, existentes na crusta terrestre e que são
passíveis de serem utilizados pelo Homem;

– podem ser materiais sólidos, líquidos ou gasosos ou as propriedades desses materiais,


como o calor ou a radioatividade que certas rochas e minerais libertam;

– atualmente, são entendidos como o resultado de um conjunto de processos do ciclo


geológico que decorrem, normalmente, de forma muito lenta;

– podem ser considerados recursos não renováveis ou recursos renováveis:


– de acordo com as funções que podem desempenhar, podem classificar-se em:

 recursos hidrogeológicos;

 recurso energéticos;

 recursos minerais.

Esta classificação não é rígida porque um mesmo material pode funcionar como
diferente recurso. Por exemplo, a água pode ser um recurso hidrogeológico ou
energético.

O aproveitamento dos recursos pelo Homem depende da sua concentração na crusta


terrestre, de modo a permitir rentabilidade da sua exploração.
Os recursos geológicos de um país são formados pelo conjunto de recursos que se
conhecem mais os recursos desconhecidos, que existem na parte acessível da crusta
terrestre.

Consideram-se reservas os recursos que existem no solo ou subsolo e que se encontram


disponíveis para serem utilizados pelo Homem, depois de terem sido submetidas a uma
avaliação económica.

Os depósitos conhecidos podem tornar-se reservas se a sua procura aumentar ou se a sua


cotação subir, pois só assim é que a exploração se tornará rentável.

Recursos e reservas

A utilização e exploração dos recursos geológicos têm vindo a ser cada vez maiores e,
como tal, os recursos são cada vez mais escassos.
Uma exploração controlada e refletida e a gestão sustentável dos recursos tornam-se
prementes nas sociedades atuais.

A reciclagem também pode ser uma resposta para combater a excessiva utilização dos
recursos geológicos, principalmente os não renováveis.

Recursos minerais

Os minerais são constituídos por elementos químicos que estão largamente distribuídos
na crusta terrestre. A grande variedade de minerais encontra-se nas diversas rochas
existentes.

De acordo com as suas propriedades químicas, os recursos minerais podem ser


classificados em dois grupos:

– recursos minerais metálicos;

– recursos minerais não metálicos.

Recursos minerais metálicos

Existem vários exemplos destes elementos, uns mais comuns e muito utilizados, como o
zinco, o cobre, o alumínio, o ferro e o chumbo e outros mais escassos, como o ouro, a
prata e a platina.

Na maior parte das zonas terrestres, qualquer elemento pode encontrar-se ligado a
outros em quantidades semelhantes às que são frequentes na composição média da
crusta.
O Clarke:

– é a concentração ou abundância média de um elemento químico na crusta terrestre;

– exprime-se em partes por milhão (ppm) ou em gramas por tonelada (g/t).

Os jazigos minerais:

– são locais em que a concentração média de um determinado elemento químico aí


identificado é muito superior ao clarke desse elemento;

– são locais que, se forem explorados, podem ser economicamente rentáveis.

Os minérios:

– são a parte aproveitável num jazigo mineral;

– são minerais que contêm determinados metais;

– são extraídos para fins económicos;

– mais comuns são os sulfuretos como:

 galena – sulfureto de chumbo;

 cinábrio – sulfureto de mercúrio;


 pirite – sulfureto de ferro;

 esfalerite – sulfureto de zinco.

Um mineral pode, numa dada altura, ser minério de um elemento e, noutra altura, ser
considerado minério de outro. Esta situação ocorre tendo em conta determinadas
conjunturas económicas e tecnológicas.

A parte do minério que, no mesmo jazigo, é rejeitado designa-se ganga ou estéril. Pode
existir em grandes quantidades, por exemplo, na extração do ouro, ou em pequenas
quantidades, como no caso do alumínio.

Minério de cobre com estéril

A exploração mineira:
– pode ser feita em minas a céu aberto ou em explorações subterrâneas;

– divide-se em três fases de trabalho – extração do minério, tratamento do minério e


separação e remoção do estéril;

– apresenta as seguintes desvantagens:

 Impactos ambientais graves:

 desflorestação;

 remoção das camadas do solo;

 construção de vias e infraestruturas necessárias à exploração.

 Acumulação de produtos não úteis:

 em escombreiras – são depósitos de produtos extraídos dos minérios que não


têm valor económico – ganga – e se acumulam nas proximidades das
explorações mineiras;
 podem conter substâncias tóxicas e se não forem devidamente tratados, devido à
lixiviação poderão contaminar os solos e as águas subterrâneas.

 Poluição:
 muitos minérios são constituídos por um ou mais metais que, depois de separada
a ganga, têm de ser separados por diversos processos que podem libertar
enormes quantidades de poluentes gasosos;

 um dos tratamentos que o minério sofre no seu processo de separação é a


moagem que gera grandes quantidades de pequenas partículas que são dispersas,
quer pela água – contaminando aquíferos –, quer pelo vento – contaminando
solos que se tornam impróprios para a agricultura.

Ciclo de um recurso mineral metálico

Recursos minerais não metálicos

São tipos de recursos minerais muito abundantes na Natureza. A sua utilização é tão
ampla e indispensável que são considerados bens de primeira necessidade.
Exemplos de minerais não metálicos são as areias, as argilas e as rochas como o granito,
o basalto, o mármore e o calcário, entre outras.

O nosso país é relativamente rico em recursos minerais não metálicos e são utilizados
em grandes quantidades como matérias-primas, principalmente para a construção e
ornamentação.

Principais aplicações dos recursos minerais não metálicos


A exposição dos monumentos a variadas fontes de meteorização pode provocar
alterações mais ou menos graves, face ao envelhecimento da rocha, que obrigam ao
restauro e manutenção dos edifícios.

A utilização de um tipo de rochas em detrimento de outras está, normalmente,


relacionada com o seu predomínio numa determinada região.
Recursos hidrogeológicos

Recursos hídricos

A existência de água no estado líquido foi uma das condições fundamentais para o
aparecimento de vida no nosso planeta.

A água é, assim, essencial e indispensável à vida.

Na Terra ela é um recurso relativamente abundante mas nem toda a água pode ser
utilizada pelo Homem:

Distribuição da água na Natureza

Devido à escassez de água utilizável para consumo humano e ao crescimento


exponencial das populações, é cada vez mais frequente a existência de graves problemas
relacionados com este recurso. A poluição das águas e a sua gestão sustentável são
preocupações permanentes.

A hidrogeologia:

– é o ramo da hidrologia que estuda as águas subterrâneas, considerando o


armazenamento, a circulação e a distribuição das águas terrestres na zona saturada das
formações geológicas;

– avalia as propriedades físicas e químicas da água, as suas interações com o meio físico
e biológico e as alterações provocadas pela ocupação antrópica.

A maior parte da água doce disponível no nosso planeta é água subterrânea.

As rochas podem funcionar como reservatórios de água que pode ser extraída, através
de técnicas apropriadas, para ser consumida pelo Homem.

Os aquíferos:

– são formações geológicas subterrâneas que possuem a capacidade de armazenar água


e possibilitam a sua circulação de forma a que possa ser extraída em condições
economicamente rentáveis e sem impactos ambientais negativos;

– possuem uma zona de alimentação – a zona de recarga – que deve ser preservada da
poluição física (temperatura e radioatividade), química (metais pesados e excesso de
nutrientes) e biológica (vírus e bactérias), para não haver contaminação destas águas
subterrâneas;

– para se manterem impolutos, devem ser preservados através:

 do controlo dos processos antrópicos (indústrias, poços,…);


 da análise periódica da qualidade da água captada;

 da aplicação de coimas pesadas ao nível individual e coletivo para quem polua


estes recursos;

 da sensibilização das populações para o uso correto da água;

 do incentivo à gestão racional dos recursos hidrológicos.

Tipos de aquíferos

– de acordo com o armazenamento da água, podem ser de dois tipos – aquíferos


livres ou aquíferos cativos:

 Aquífero livre

– é uma formação geológica permeável e parcialmente saturada de água,

por exemplo areias;

– pela existência de uma camada impermeável, como uma camada de argila, a


água deixa de se infiltrar, ficando retida;

– a água encontra-se à pressão atmosférica e a este local dá-se o nome


de superfície piezométrica ou nível freático;

– a água que o constitui atravessa camadas com características muito próprias:


 zona de aeração:

– localiza-se entre o nível freático e a superfície;

– ocorre infiltração de água e fenómenos de capilaridade;

– existem espaços preenchidos por ar;

– verifica-se intensa circulação vertical de água.

 zona de saturação:

– é uma zona mais profunda;

– tem na base uma camada impermeável;

– neste local os poros das rochas estão saturados de água;

– o movimento da água é influenciado pela pressão hidrostática, sendo mais


ou menos lento.

 franja capilar:
– localiza-se acima da zona de saturação;

– a água sobe por capilaridade a partir da zona saturada;

– a sua espessura varia de poucos milímetros, em terrenos arenosos


grosseiros, a alguns metros, em terrenos argilosos.

 Aquífero cativo ou confinado

– é uma formação geológica permeável, onde a água se acumula e movimenta;

– está limitada por formações geológicas impermeáveis;

– a pressão da água é superior à pressão atmosférica;

– a recarga faz-se através de uma zona limitada que contacta com a superfície mas
colocada lateralmente;

– quando é efetuado um furo para extração, devido à pressão, a água subirá até à
superfície piezométrica originando um furo artesiano;

– se, quando se faz um furo, a água consegue atingir a superfície sob a forma de
repuxo, o furo artesiano designa-se furo repuxante.

A extração de água efetua-se nos dois tipos de aquíferos. A capacidade de um aquífero


para armazenar água e a possibilidade da sua extração relacionam-se com duas
características, a porosidade e a permeabilidade:
Porosidade

– uma formação é porosa quando é formada por um agregado de grãos entre os quais
existem espaços vazios – poros – que podem ser ocupados pela água ou por ar;

– a água pode também ficar retida em fraturas e diáclases das rochas, que não estão
relacionadas com a porosidade, pois estas estruturas não são poros;

– define-se a porosidade de uma formação rochosa como a razão entre o volume de


vazios (Vv) e o volume total da amostra (Vt);

– os poros podem estar ligados ou semifechados condicionando a passagem da água


através da formação rochosa.

Permeabilidade

– é a propriedade que algumas rochas possuem de se deixarem atravessar pela água com
maior ou menor facilidade;

– pode ser muito elevada em terrenos muito porosos em que os espaços são grandes e
estão bem interconectados, como, por exemplo, em areias limpas;

– pode ser extremamente baixa e a formação geológica ser quase impermeável, se os


poros, apesar de numerosos, se encontrarem semifechados e não permitirem a
circulação da água. Esta situação verifica-se em terrenos argilosos e em certos materiais
vulcânicos.

As características das águas subterrâneas estão relacionadas com o contexto geológico


da região onde são captadas. Para se efetuar a sua análise utilizam-se, principalmente, os
parâmetros:
– composição química;

– análise biológica.

Composição química:

 da água de um determinado aquífero varia com diferentes fatores:

 o afastamento relativamente à zona de alimentação;

 a natureza das formações litológicas atravessadas;

 o grau de alteração das rochas onde a água circula;

 o gradiente geotérmico do local;

 as atividades antrópicas, como explorações mineiras e agrícolas, existência de


efluentes domésticos e industriais, lixeiras e outros que podem alterar
negativamente a qualidade das águas subterrâneas;

 um dos parâmetros utilizados na classificação química da água é a sua dureza:

 define-se como a quantidade de sais alcalinoterrosos (Ca, Mg) existentes num


litro de água;

 resultando a seguinte classificação:


o Águas brandas ou macias

– quando por cada litro de água o valor de carbonato de cálcio é inferior a


75 mg.

o Águas duras

– por litro de água, apresentam mais de 75 mg de carbonato de cálcio;

– têm utilidade reduzida;

– são características de zonas calcárias e apresentam, frequentemente,


carbonatos dissolvidos;

– podem provocar avarias em eletrodomésticos, porque se podem formar


incrustações de carbonatos que podem levar à destruição do
equipamento.

Embora seja considerada um recurso renovável, a água, devido ao seu uso


desequilibrado e às formas crescentes de poluição a que está sujeita, corre o risco de se
tornar imprópria para utilização.

Assim, torna-se premente procurar educar, sensibilizar e responsabilizar os cidadãos


para o uso eficiente da água e para a proteção dos aquíferos.