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JUNTURA E SÂNDI

Qual o significado da sequência [ka’valu]?


Com certeza, essa sequência tem um significado específico dependendo do contexto sintático e
semântico em que se encontra “cavalo” ou “cavá-lo”.
“Juntura” significa o encontro de unidades morfológicas que podem ocorrer no interior do vocábulo
ou fora dele causando uma reorganização de sílabas ou de traços fonológicos. O interesse pela
juntura com respeito ao aprendizado do português aumenta quando o encontro de certos
segmentos produzem um efeito distinto. Casos como [ka’valu], [a’mala] e [‘fila] não exigem
conhecimento das regras específicas da língua, mas temos outros que podem ser formalizados. As
junturas externas, também conhecidas por “sândi” são as que mais apresentam modificações.
Apresentaremos algumas possibilidades de ocorrências a seguir. De maneira geral, estamos
considerando produções em situações naturais, sem pausas entre os vocábulos. Certamente um
falante poderá desfazer as junturas com uma fala lenta e marcada.
Vocábulos terminados em /s/
1) Quando seguidos de vocábulos que iniciam por /s/ ou /z/, apaga-se o primeiro segmento.

Menina[s] # [s]adias menina[s:]adias


Conta[s] # [z]eradas conta[z]eradas

2) Quando seguidos de consoante [+sonoro], o /s/ passa para /z/.

Boneca[s] # [b]onitas boneca[z]bonitas

3) Quando seguidos por vocábulos iniciados com vogal, há reanálise silábica e /s/ passa para
/z/.

Boneca[s] # [a]azuis boneca[za]zuis

Vocábulos terminados em /l/ em variedades que produzem /l/ nessa posição.


1) Quando seguidos por vocábulos que iniciam com /l/, cai um dos segmentos.

Lenco[l] # [l]argo lenco[l]argo

2) Quando seguidos por vocábulos que iniciam com vogal, há reanálise silábica.

Lenco[l] # [a]marelo lenco[la]marelo


Vocábulos terminados em /R/
1) Quando seguidos por vocábulos que iniciam com /r/, cai um dos segmentos.

Co[R] # [R]osa co[R]osa

2) Quando seguidos por vocábulos que iniciam com vogal, há reanálise silábica e a vibrante se
transforma em flape (ou tepe).

Co[R] # [a]marela co[ra]marela


Vocábulos terminados com nasal /EIN/ ou /ein/
Se a nasal é seguida por vocábulo que inicia com vogal, há reanálise silábica e se cria uma
consoante palatal /nh/.
V[ej] # [a]gora v[ej][ɳa]gora
Vocábulos terminados em vogal átona
1) Quando o vocábulo seguinte inicia com vogal idêntica, há crase.

Pedr[a] # [a]zul pedr[a]zul

2) Quando o vocábulo terminar com /a/ e o seguinte iniciar com /o/ ou /u/ átonos, há elisão.

Um[a] # [o]perária um[o]perária

3) Em outros casos pode haver elisão ou ditongação.

Sal[a] # [i]scura sal[i]scura ou sal[ej]scura ou sal[aj]scura

4) Quando os vocábulos terminarem em /i/ ou /u/ e os seguintes com vogal distinta, há


ditongação.

Carr[u] # [a]marelo carra[wa]marelo

Variações Dialetais
Como em toda nação com grande extensões territoriais, áreas isoladas, grande imigração, no Brasil
há variedades linguísticas bem marcadas. As diferenças encontradas estão mais marcadas
principalmente em termos fonéticos e lexicais. A fonologia e a sintaxe se mantêm mais estáveis.
Geralmente um aprendiz de língua estrangeira almeja dominar a variedade padrão da língua, isto
é, a forma considerada “culta”. Por outro lado, a influência da variedade do(s) professor(es) é
grande. De qualquer maneira, o importante é reconhecer e aceitar as diferenças como um
fenômeno natural e fazer as adaptações necessárias para a boa comunicação.
É bem sabido que, na maioria das variedades do nordeste do Brasil, as vogais pretônicas /e/ e /o/
são mais abertas, realizando-se como /E/ e /Ó/. A fala também parece mais lenta. Ao nível lexical,
várias palavras são diferentes também.
Em algumas regiões do país, há tendência em usar vogais altas em hiatos:
“poeta” P[u’Ɛ]ta “teatro” [ʧi’a]tro
As vogais postônicas finais se realizam [e] e [o] em vez de [i] e [u] em grande parte do Paraná.
Deve-se observar que não há concorrências entre os dois pares de vogais acima. Uma variedade
linguística “escolhe” um grupo de vogais ou outro para determinada posição.
“leite” [‘lejte] “menino” [me’nino]
Também, dependendo da região, as fricativas palatais (/ʒ/ e /shhh/) substituem as fricativas
alveolares na posição VC. Logicamente, essa não é uma posição de contraste fonológico entre as
fricativas alveolares e palatais.
“rapaz” [ra’paz] “caspa” [‘kashhhpa]
Ainda para ilustrar, temos regiões que produzem o /l/ no final de sílaba e outras que produzem o /r/
retroflexo. Inclusive, há tantas realizações do fonema /r/ que se opta por representá-lo por /R/, o
que significa ARQUIFONEMA.
Palavras como “lamaçal”, “caninha”, “famoso”, “Roraima” podem ter as vogais sublinhadas com ou
sem nasalidade, dependendo da região. “Muito” é uma exceção: “ui” é nasalizado sem nenhuma
pista ortográfica. Fatores diacrônicos devem ser os responsáveis.