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BOAS PRÁTICAS NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Good Practices in Construction Sites

NA CONSTRUÇÃO CIVIL Good Practices in Construction Sites João Paulo Capelo Ferreira Ferconsult, S.A.

João Paulo Capelo Ferreira Ferconsult, S.A. joaopaulo.capeloferreira@googlemail.com

Resumo

Esta abordagem sobre Boas Práticas na indústria da Construção Civil pretende demonstrar a impor- tância da partilha de conhecimento e informação e a mais valia que estas se podem tornar na imple- mentação de melhorias significativas neste sector de actividade. Nada nos deve impedir de nos focarmos no bem estar dos trabalhadores, em proporcionar boas condições de trabalho e assumirmos que o acidente não faz parte do processo de construção. Então estaremos no caminho certo para que vivermos a Segurança no trabalho como um Valor e não como uma Prioridade.

Palavras-chave: Boas Práticas, Valor, Prioridade, condições de trabalho, partilha.

Abstract

This overview about Good Practices in Construction Industry, will try to demonstrate the importance of sharing knowledge and information and how they might improve this sector of activity. Nothing can stop us to focus in the workers wellness, working conditions and say that the accident it’s not part of the construction process. So we will follow the right way to live Safety as a Value and not as a Priority.

Keywords: Good Practices, Value, Priority, working conditions, sharing.

1

Introdução

A presente reflexão baseia-se no trabalho realizado

por uma equipa de pessoas, que a partir de Londres

presta apoio directo às obras do Reino Unido, e Europa Continental [1,2,3]. É importante referir que nesta empresa, para além das pessoas directamente afectas às obras, há uma equipa de suporte, com especialistas em diversas áreas, que

prepara a formação a realizar a todos os colaboradores, inclusive pessoal administrativo; os alertas de segurança; a análise estatística dos indicadores; os exemplos de boas práticas implementados nas várias obras; auditorias aos

É uma

estrutura relativamente grande e exigente, fundamental na política da Empresa, que tem na Segurança no Trabalho uma mas valia para

apresentar. Acima de tudo, um Valor assimilado

por toda a gente, começando pela Gestão de Topo.

A Segurança no Trabalho: um Valor ou uma

Prioridade? Iniciarei este trabalho por distinguir Prioridade de Valor. Prioridade, é “a primazia de tempo, de ordem ou categoria” [4]. Valor, é a “importância que se atribui ou reconhece a algo ou alguém”, “as próprias coisas desejáveis, sendo os principais valores o verdadeiro, o belo, o bem” [4]. Uma Prioridade é algo que pode mudar em função das circunstâncias, enquanto que um Valor permanece inalterável.

sistemas implementados nas obras

É

sabido que a Segurança no Trabalho é um direito

e

um dever do trabalhador. Direito de, no final do

dia de trabalho, voltar a casa da mesma forma que iniciou o dia de trabalho, para junto daqueles que mais ama, daqueles que dependem de si. Comparando a intervenção e empenho da Sociedade Civil no que respeita à preservação do Meio Ambiente com a cultura da Segurança no Trabalho, constatasse que a Segurança está em desvantagem. Diariamente já todos vamos fazendo

a separação de resíduos: papel / cartão, plástico /

metal, vidro… As fortes campanhas publicitárias e

a formação dos mais novos têm levado as pessoas

a assumir para si a importância da reciclagem e

preservação do Meio Ambiente, mas e em relação

à Segurança, nomeadamente à Segurança no

Trabalho? Qual é o posicionamento da Sociedade Civil? É certo que se tem desenvolvido algum

trabalho nesta área, mas só a longo prazo esta será assumida como um Valor e não vista apenas como uma prioridade porque, é importante reduzir o número de acidentes de trabalho.

É interessante que se analisarmos a realidade,

constatamos que é a partir dos mais novos que se começam a dar os primeiros passos na reciclagem,

a partir daquilo que lhes é pedido na escola, das

interpelações que nos fazem… Então assim, conquistando os mais novos, as gerações futuras, não só estamos a preparar o futuro, como con- seguimos começar já a transformar o presente.

E no que respeita à Segurança? Será que estamos a

preparar o futuro com um trabalho semelhante? Ou será que nos contentamos apenas com o alcançar

de resultados imediatos através da diminuição do

número de acidentes em obra? Porque atraves-

samos as ruas nas passadeiras? Porque utilizamos,

as vulgarmente denominadas, “cadeirinhas” para o transporte das crianças nos carros? Porque é importante o cinto de segurança? Cumprimos e

respeitamos estas regras porque acreditamos nelas, ou só porque está escrito na Lei e o seu não cumprimento implica punição ou coima?

E particularmente sobre a Segurança no Trabalho?

À semelhança da reciclagem, o que pensarão as

nossas crianças sobre a Segurança no Trabalho?

A BBC, no seu calendário de 2004, “BBC, New

Broadcasting House Project, Children Safety Calendar 2004” [5], publicou uma série de ilustrações criadas por crianças do primeiro ciclo sobre a problemática da Segurança no trabalho. Que respostas obteríamos caso lançássemos este repto nas nossas escolas do primeiro ciclo?

E para um Técnico e Especialista em Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, que lugar assume a Segurança no Trabalho e a Segurança de uma forma Geral? Que exemplo dá? A Segurança é realmente importante ou é apenas para ser seguida e implementada nas várias actividades e pelos trabalhadores lá na obra? Há “Pequenas coisas que faltam na vida tornam as grandes incompletas, pequenas coisas fazem parte, não te esqueças…”, [6]. São estas “pequenas coisas” que mostram a nossa atitude e posicionamento perante a Segurança: será ela para nós um Valor ou uma prioridade que se vai adaptando em função dos prazos definidos ou do orçamento disponível? Para mim é claro! Acredito que é importante que a Segurança seja vivida, pois é acreditando e vi- vendo os Valores que podemos marcar a diferença.

2 Pequenos Pormenores

Sobre as várias questões a abordar serão apresentadas imagens ilustrativas das boas práticas recomendadas.

2.1. Protecção de Caixas de Elevador

Algumas empresas de elevadores desenvolveram sistemas integrados de Segurança, para protecção das caixas de elevador contra o acesso a este espaço por pessoas não autorizadas. Sempre que possível estas protecções devem ser colocadas pelo empreiteiro de toscos assim que a estrutura esteja capaz, de forma a eliminar o risco de queda de pessoas.

2.2. Protecção de Caixas de Escadas

Para ultrapassar o problema de ter de remover os guarda-corpos temporários nas caixas de escadas para a colocação das guardas definitivas, é importante que as equipas de projecto analisem com antecedência a posição e sistema de fixação das guardas definitivas e depois desenvolvam esforços para colocar as protecções temporárias de forma que não colidam e permitam a colocação das guardas definitivas. Podem ainda ser pintadas faixas amarelas para sinalização dos degraus e com propriedades anti- derrapantes para evitar a queda e escorregamento dos trabalhadores.

para

Instalações Técnicas

Os trabalhos nos negativos e ductos de ventilação representam sempre um desafio. Como requisito normal em situações de risco de queda em altura, o negativo deverá estar protegido

com guarda corpos de dois elementos horizontais e guarda cabeças. Para além disso, o negativo poderá estar coberto com painéis de contraplacado, nas dimensões das condutas a instalar, devidamente suportado numa estrutura metálica fixa às paredes

de betão do negativo.

2.3.

Protecção

em

Negativos

2.4. Protecção Perimetral Temporária

Esta é outra situação com que nos debatemos

regularmente. Numa situação que é comum no Reino Unido, trabalho em estrutura metálica, podem ser soldados os pontos de apoio para a colocação de guarda corpos, ainda com os perfis ao nível do solo. Para além destes poderá ainda ser adicionada uma malha ou algo semelhante para proteger a queda de materiais.

A protecção colectiva deve ser instalada tão cedo

quanto possível, no caso de trabalhos de colocação

de cofragem, a mesa de cofragem já é levada para a

sua posição com as referidas protecções que haviam sido colocadas quando esta se encontrava

ao nível do solo.

2.5. Utilização de Escadotes

A utilização dos tradicionais escadotes representa

um risco permanente em obra, principalmente pelo estado de conservação que normalmente apre- sentam. Falhas nas dobradiças, nos degraus, no limitador de abertura, para além da utilização indevida como a “montar a cavalo” ou como cava- lete, são situações com que nos deparamos em obra. Este tipo de equipamentos, como as escadas de mão, devem apenas ser utilizados em tarefas de curta duração e de trabalho leve, visto que a utilização de plataformas móveis deve ser sempre a primeira escolha.

2.6. Escadas de mão

Do que conheço no Reino Unido, as escadas de mão são predominantemente em madeira, pois evitam o risco de electrocussão quando em contacto com a corrente eléctrica, para além disso

não podem ser pintadas para não esconder os defeitos da madeira. Estas escadas têm marcação

CE e são sujeitas a revisões periódicas.

É normal termos dificuldade na protecção colectiva

a implementar nos pontos de acesso/passagem das

escadas para o andaime, a colocação de cancelas

com mola ajudam a ultrapassar esta questão.

2.8. Arrumação e Limpeza

Não são poucas as vezes que ouvimos dizer “isto é uma obra, não se consegue melhor! Não nos podemos esquecer que estamos numa obra”. Pois para contrariar este lugar comum de muitas das nossas obras, no Reino Unido, onde por sinal alguns dos trabalhadores são Portugueses, podemos ter uma visão um pouco diferente… Para além da imagem que transmite ser muito melhor do que quando entramos num espaço desarrumado, tem do ponto de vista de Segurança

no trabalho as seguintes vantagens: evita o risco de

queda ao mesmo nível por tropeçar em material e ferramentas fora do local, diminui a necessidade do trabalhador se curvar para apanhar materiais,

reduzindo assim o número de lesões musculo- esqueléticas.

2.9. Movimentação de Cargas

A movimentação de cargas de grandes dimensões é

por vezes descorada. As cargas mal acondi- cionadas, mal equilibradas e guiadas por sistemas improvisados têm por vezes consequências desagradáveis.

A utilização de acessórios em bom estado de

conservação, mas para além disso, a sua correcta utilização juntamente com equipamentos apropriados e um planeamento desde a carga do

equipamento no fornecedor, pode evitar os problemas de manuseamento em obra e consequentemente diminuir os acidentes daqui resultantes.

2.10. Movimentação de Paletes

As paletes devem ser movimentadas com o acessório próprio, e sempre envolvidas numa rede

desenhada para segurar o material na eventualidade

de queda deste.

2.11. Movimentação com Equipamento de

Vácuo

Com este tipo de equipamento é conveniente a utilização de um segundo meio de suporte. No caso de o vidro laminado embater numa superfície e partir, esta situação provocará a perda de vácuo e consequente queda do vidro, caso não seja instalado um sistema secundário de suporte.

queda de materiais e um portão deslizante que rola orientado por duas calhas. Desta forma o trabalhador permanece sempre em segurança, aquando da carga e descarga de materiais.

2.16. Protecção Contra Incêndio

Um dos riscos em obra, é o risco de Incêndio.

Principalmente na fase de acabamentos com todos

 

os

restos de materiais que se vão acumulando, mas

2.12.

Formação para resgate de grua torre

se

pensarmos bem, também nas fases de toscos

Como poderemos socorrer de uma cabine de uma grua torre um manobrador que sofreu uma lesão, um ataque cardíaco ou outro qualquer problema de saúde? Por vezes, nem os corpos de Bombeiros têm pessoal formado neste tipo de resgate. Desta forma todos os empreiteiros que disponham de gruas torre instaladas em obra devem salvaguardar esta questão. Como elevar o equipamento de resgate, como vestir o arnês especial ao manobrador, como remover uma pessoa inconsciente de uma cabine por vezes exígua, como fazer descer a pessoa em segurança, que equipamento deve estar disponível. Estas são algumas das questões que devem ser respondidas aquando da preparação de um Procedimento de resgate de Emergência.

2.13. Espelho de Segurança

É uma medida simples, um espelho com 2,0m x 0,5m que esteja estrategicamente colocado. Sobre o espelho pode colocar-se a seguinte inscrição: “Este Homem é o principal responsável pela sua Segurança e pela Segurança dos seus colegas também”.

2.14. Aplicação de Pavimentos

Uma solução para diminuir a movimentação manual de cargas, e as lesões que estas normalmente provocam, é a utilização de um trolley, ou equipamento de vácuo que reduz drasticamente a movimentação manual de cargas e as lesões por estas provocadas.

2.15. Plataformas de Carga e Descarga

Plataforma de descarga de materiais introduzida por um fabricante de andaimes. Basicamente a plataforma consiste em dois painéis laterais fechados com uma malha metálica que impede a

este risco está presente. A madeira utilizada na operação de cofragem, principalmente nas zonas de trabalho dos carpinteiros, representa um risco sério de Incêndio. Para além da visibilidade, os equipamentos de combate de incêndio, têm acoplados um sistema que permite a qualquer pessoa dar o alarme de incêndio.

2.17. Controlo de Ruído

Este “ouvido de bolso” é um equipamento que

detecta elevados níveis sonoros. Quando o som atinge um nível pré-seleccionado, por exemplo 65, 85 ou 105 db, a luz vermelha acende, alertando o utilizador de que o nível sonoro estabelecido está a ser ultrapassado. As dimensões deste “ouvido de bolso” são 4.5 x 7

x 2cm e contém dois protectores auditivos de

elevada qualidade para utilização sempre que os

níveis aceitáveis sejam ultrapassados.

2.18. Controlo de Vibração

Existem aparelhos para monitorizar o tempo que determinado trabalhador está exposto à vibração. Cada ferramenta tem um determinado valor limite

de exposição e com a ajuda deste equipamento, o

tempo de exposição actual pode ser monitorizado até ao último minuto.

2.19. Carga e Descarga de Camiões em Segurança

A carga e descarga de camiões representa um risco

elevado de queda de pessoas e materiais, quer do lado da Entidade Executante, quer do lado do fornecedor. Cada projecto apresenta riscos específicos no que respeita à carga e descarga de camiões. Por exemplo, a necessidade de carga ou descarga em plena rua, representará riscos acrescidos para os transeuntes e tráfego na envolvente; por outro lado,

o tipo de carga terá associados os seus próprios

riscos. É importante que em todas as situações sejam realizadas as avaliações de riscos, de forma a que seja identificado o melhor local para que se proceda à carga e descarga de camiões. Ainda assim, se nada for feito, esta actividade representa sempre risco para os trabalhadores envolvidos.

2.20. Visão 360º na Condução de Equipamentos (CITV e espelhos)

Hoje ainda continua a ser demasiado elevado o número de atropelamentos e esmagamentos que se verifica no sector da Construção Civil. Como forma de tentar diminuir este número, numa fase inicial passou a ser obrigatória a presença de um auxiliar de manobra, sempre que os equipamentos pesados se deslocavam. Nos dias que correm, e com o facto de os sistemas

de CITV se terem banalizado, passa a ser acessível

e fácil a colocação de um sistema de televisão que

facilita a visão à retaguarda. Outra alternativa é a utilização conjunta dos espelhos (ditos normais) e de espelhos convexos de forma a aumentar o campo de visão do manobrador.

2.21.

Equipamentos

A partilha de informação de acidentes ou

incidentes envolvendo determinado tipo ou marca

de arneses, martelo hidráulico, pás carregadoras,

plataformas elevatórias, entre outros, quando se trate de falhas do material, pode fazer com que situações semelhantes não ocorram noutros

com

e

Acidentes

Incidentes

projectos caso a informação seja distribuída atempadamente.

3 Conclusão

Não sendo o objectivo desta dissertação a avaliação dos custos da Segurança, é óbvio que todos estes sistemas vistos, acrescidos de estruturas de Segurança e Saúde no Trabalho que as empresas possuem representam um grande encargo e investimento (investimento e não custo). Todos temos noção do “custo” de um acidente para

o desenrolar da obra, para a Entidade

Empregadora, que consequentemente se reflecte

em custo para o Dono de Obra [7]. E para o Sinistrado e sua família? Esta questão é normalmente ignorada, mas as consequências sociais e humanas dos acidentes devem ser bem avaliadas e consideras como factor primordial nesta abordagem da Segurança no Trabalho com um Valor intrínseco nas nossas vidas. Ainda que numa visão extremamente redutora e economicista, o investimento na prevenção dos Acidentes compensa largamente o custo dos mesmos. Se para além dos números, que normalmente são o factor mais concreto para a avaliação de desempenho para qualquer gestor, nos focarmos no bem estar dos trabalhadores, em proporcionar boas condições de trabalho e assumirmos que o acidente não faz parte do processo de construção, então estamos no caminho certo para que vivamos a Segurança no trabalho como um Valor e não como uma prioridade! Assim, creio ser importante esta partilha de boas práticas, conhecer novos equipamentos disponíveis no mercado ou apenas “pequenas ideias” de simples implementação. Temos situações em que as equipas de projecto podem dar “asas à imaginação” e implementar sistemas à medida da obra em que estão integrados.

Agradecimentos

À Bovis Lend Lease pela experiência proporcionada durante o tempo de trabalho e pela disponibilização das imagens e à Ferconsult S.A. pelo patrocínio desta participação.

Referências

[1] Bovis Lend Lease – Safety Alerts, vários [2] Bovis Lend Lease – Safety Information Sheets, vários [3] Bovis Lend Lease – EHS Good Practice e- newsletter, vários [4] Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, 2006 [5] BBC, New Broadcasting House Project, Children Safety Calendar 2004 [6] Xutos & Pontapés, na música Pequeno Pormenor [7] Construction Health ad Safety Manual” editado pela CIP (Construction Industry Publications Lda) para a “Construction Confederation”