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UNIVERSIDADE DO CONTESTADO - UnC

ERICKSON AUGUSTO KOLLROSS FELIPE MARCEL MAAHS

RELATÓRIO FINAL ESTÁGIO BÁSICO III

RIO NEGRINHO

2019

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ERICKSON AUGUSTO KOLLROSS FELIPE MARCEL MAAHS

RELATÓRIO FINAL ESTÁGIO BÁSICO III

Trabalho apresentado para obtenção de nota na disciplina de Estágio Básico III, do curso de graduação em Psicologia da Universidade do Contestado – Campus Rio Negrinho, sob a orientação da professora Esp. Fernanda Cristina Neidert Batista, CRP/SC 11.723.

RIO NEGRINHO

2019

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO

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2 REFERENCIAL TEÓRICO

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2.1 GRUPOS

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2.2 COMUNIDADE

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2.3 GRUPOS NA COMUNIDADE

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2.3.1 Grupo específico em que estão trabalhando

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DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO BÁSICO III

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3.1 DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO

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3.2 DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO REALIZADO

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

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REFERENCIAS

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ANEXOS

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ANEXO A CARACTERIZAÇÃO GERAL DA INSTITUIÇÃO

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ANEXO B FOLHA DE FREQUENCIA DO LOCAL DE ESTÁGIO

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ANEXO C FOLHA DE FREQUÊNCIA DE ORIENTAÇÃO

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ANEXO D FICHA DE AVALIAÇÃO DO PROFESSOR

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ANEXO E PROTOCOLOS DE OBSERVAÇÃO DO ESTÁGIO

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1. INTRODUÇÃO

O intuito deste trabalho acadêmico foi estender o aprendizado dos acadêmicos em grupos terapêuticos na comunidade referente a disciplina de estágio básico III que tem como objetivo encaminhar os acadêmicos para observarem os grupos na comunidade, o seu funcionamento e correlacionar com a teoria estudada em sala de aula. Alguns grupos terapêuticos que existem são: grupos de autoajuda (Alcoólicos anônimos, tabagismo), grupos de Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), grupos para internação de dependentes químicos como o Centro de Recuperação Nova Esperança (CERENE), entre outros.

O grupo escolhido para desenvolver este trabalho foi o de Alcoólicos Anônimos (A.A), onde os acadêmicos entraram em contato, porém não puderam intervir no grupo, o intuito foi somente observar o seu funcionamento.

São 15 horas de observação in loco, ou seja, no local escolhido e 15 horas em aulas na universidade, dividas em aulas e orientações. Após concluídas as horas os acadêmicos fazem o relatório com tudo o que foi adquirido durante as horas de estágio, relatando suas experiências o que foi aprendido, como também algumas criticas que podem ser utilizadas para a melhora do grupo observado.

No decorrer deste trabalho será informado ao leitor o que são grupos, e posteriormente mais detalhadamente sobre o grupo dos alcoólicos anônimos, um pouco da sua historia, e por fim todos os relatos de todos os dias em que os acadêmicos estiveram presentes nos locais de observação.

Os acadêmicos procuraram realizar da melhor maneira possível todo o processo de observação e escrita, trazendo informações e vivencias verídicas e com fundamentação teórica.

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2. REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 GRUPOS

Para que possamos compreender o desenvolvimento da atividade proposta pelo estágio, precisamos levar em consideração a definição de grupo no contexto social:

“Um grupo pode ser definido como um conjunto de pessoas. Um conjunto de pessoas refere-se a uma comunidade, e por sua vez, um conjunto de comunidades constitui uma sociedade”, Zimerman (2000, p.85).

A partir de Zimerman e também de demais autores que realizaram estudos na área de trabalho em grupo, como Pichon-Rivière (1907 -1977) e Kurt Lewin (18901947) os quais abrangem conceitos de liderança, identificação e coesão de um grupo, podemos encarar o processo e fenômenos ocorrentes nas atividades em grupo como um conjunto de ações amplo e difundido entre todos os participantes, do qual todos se beneficiam por compartilharem de situações em comum. Através da participação em um grupo, os integrantes desenvolvem habilidades sociais, são encorajados a falar o que sentem sem repúdio ou censura e também a ouvir com respeito e consideração, e este procedimento permite a inclusão de todos, tornando o grupo um conjunto de pessoas de atenção, respeito e compreensão mútua.

“Grupo é um resultado da dialética entre a história do grupo e a história dos indivíduos com seus mundos internos, suas projeções e as transferências no suceder da história da sociedade em que estão inseridos” (Freire, 2005

p.5).

Na participação em grupos os indivíduos encontram uma forma de ser e pertencer ao mundo e neles podem desempenhar papéis que muitas vezes se mantêm na vida em sociedade. Segundo Pichon Rivière (1998), um grupo é “todo conjunto de pessoas, ligadas entre si por constantes de tempo e espaço, e articuladas por sua mútua representação interna, que se propõe, de forma explícita ou implícita, uma tarefa que constitui sua finalidade”. Portanto o grupo se articula em prol de um objetivo em comum que reflete o motivo de sua origem, seja ele terapêutico, o qual visa solucionar necessidades individuais de caráter semelhante entre os participantes, ou operativo, termo conceituado por Rivière que articula o vínculo entre os integrantes com uma tarefa em comum e faz deste o processo terapêutico.

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Segundo Pichon-Rivière (1998), “o coordenador ou gerente de um grupo possui o papel de auxiliar os membros a pensar.” Em variados grupos também possui a função de facilitar a interação entre os integrantes, o que permite o desenvolvimento de um vínculo afetivo entre eles, que favorece a troca de aprendizagens e informações. O trabalho grupal gera uma interação entre as pessoas, e a partir desta interação elas aprendem e também ensinam, com o compartilhamento de experiências, conhecimentos e aprendizagens.

“O homem é um ser de natureza social, sendo assim cabe aos psicólogos e agentes da saúde em geral, fazer esta relação entre o biológico e o psíquico com igual poder de interferência aos estímulos. (OSÓRIO, 2003, p.52).”

Assim como relevantes autores como Lev Vygotsky (18961934) e Kurt Lewin(1890-1947) enfatizam a relação sociointeracionista do ser humano, podemos observar que muitas vezes as pessoas adoecem por conta de uma experiência ou fenômeno social como a relação com o trabalho ou a família por exemplo, e portanto sua cura ou saúde também se dará a partir de uma nova interação social. Um grupo que visa o bem comum, seja qual for sua categorização dentro das mais diversas abordagens da Psicologia, traz consigo este poder de transformação por tratar-se de um contato social real em simultaneidade com uma prática terapêutica que se diz respeito à individualidade dos envolvidos. O trabalho em grupo é uma eficaz alternativa para conscientização e reflexão que gera autoconhecimento e conhecimento acerca de situações do cotidiano. O exercício de se trabalhar em grupo abrange o cognitivo e o emocional dos envolvidos e proporciona novas experiências e mudança de postura a partir da escuta de experiências de outras pessoas.

Práticas Grupais são desenvolvidas desde o início do século XX e tiveram suas vertentes em diversas áreas do conhecimento como a Sociologia, Antropologia e a Psicologia. A partir de 1935, técnicas e estratégias passaram a ser aplicadas em grupos de Alcoólicos Anônimos e desde lá abordagens vem se diferenciando uma das outras trazendo diferentes formas de se encarar o trabalho em grupo. Dentre elas podemos destacar o Psicodrama, de Jacob Moreno (1889-1974), a Gestalt de Kurt Lewin (1890-1947), os Grupos Operativos de Pichón-Riviére (1907-1977), a Cognitivo Comportamental de Aaron T. Beck e a Psicanálise de Sigmund Freud

(1856- 1939).

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2.2 COMUNIDADE

Levando em consideração que uma comunidade é formada por um conjunto de pessoas que formam grupos entre si a partir da identificação de suas semelhanças, entendemos que uma comunidade é um amplo ambiente de interação social que traz consigo sua forma peculiar de percepção de mundo que a diferencia de outras comunidades. Esta pode ser caracteriza por uma rede de vizinhos, u ma favela, um bairro, uma aldeia indígena, fiéis de uma crença que frequentam uma determinada igreja, ou até mesmo as comunidades online como fóruns ou grupos presentes em redes sociais. A Psicologia se caracteriza nesta área por atuar em condições específicas. Busca oferecer melhorias nas relações entre os indivíduos que compõe a comunidade, e entre eles e a natureza ou instituições sociais. Com tudo isso proporciona melhores condições de vida.

2.3 GRUPOS NA COMUNIDADE

Uma comunidade é formada por um conjunto de pessoas, estas por sua vez podem formar grupos a partir de suas identificações. Não precisamos ir muito longe para percebermos este fenômeno, dentro de uma sala de aula, por exemplo, existem certos grupos, habitualmente chamados de panelinhas, que se formam por possuir entre os envolvidos uma identificação de semelhanças mais forte do que com outros membros do grupo em geral. Considerando uma abrangência maior, dentro de uma comunidade como a favela também existe diversos grupos, como as famílias, os comerciantes, os estudantes, os aposentados, etc. Estes por sua vez ainda podem formar grupos entre si, como as famílias maiores e menores, comerciantes mais e menos sucedidos, estudantes das melhores e piores notas, etc.

Ao se atuar em uma comunidade, todos os grupos que a compõe também são afetados, sendo que quando a comunidade se beneficia do trabalho, todos os grupos se beneficiam também. A recuperação de um viciado que faz parte de um grupo de autoajuda, beneficia tanto o individuo quanto outros grupos do qual ele faz parte, como sua família, seu trabalho e seu grupo de amigos.

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2.3.1 Grupo específico em que estão trabalhando

Alcoólicos anônimos (A.A) é uma irmandade mundial de homens e mulheres que se ajudam mutuamente a manter a sobriedade e que compartilham livremente sua experiência na recuperação com outros que possam ter problemas com o seu modo de beber (CARTILHA “alcoólicos anônimos em sua comunidade”, 1996). Surgiu em 1935 quando dois homes, Bill W. e Dr Bob S, um corretor da bolsa de valores de Nova York e um médico cirurgião observaram que o álcool havia arruinado suas vidas e por uma mera coincidência se conheceram e começaram a compartilhar suas experiências comuns com o álcool e constataram que desta forma, compreendiam os problemas um do outro melhor que seus familiares, amigos e médicos (cartilha “para onde vou daqui”, 1981). Diante desta situação tiveram forças para evitar o primeiro gole e se manter longe do álcool, formaram assim o Alcoólicos anônimos.

A irmandade está presente em cerca de 180 países e aproximadamente dois milhões de alcoólicos já alcançaram sua sobriedade participando de reuniões de Alcoólicos anônimos. Os seus membros reconhecem que seu programa nem sempre é eficaz com todos os que possuem o problema com o álcool e entendem que alguns necessitam de acompanhamento e tratamento profissional (cartilha “alcoólicos anônimos em sua comunidade”, 1996).

O grupo não se dedica a pesquisas sobre o alcoolismo ou ao tratamento médico ou psiquiátrico e não apoia nenhuma causa. O A.A apenas preocupa se unicamente com a recuperação pessoal e a continua recuperação individual dos alcoólicos que os procuram (cartilha “alcoólicos anônimos em sua comunidade”,

1996).

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3 DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO BÁSICO III

3.1 DESCRIÇÃO DA INSTITUIÇÃO

O grupo de alcoólicos anônimos Mensageiro da Felicidade que se encontra na cidade de Rio Negrinho SC, teve sua data de fundação no dia 14 de julho de 1994 e atualmente varia entre 10 e 20 participantes por reunião. Na sua época de inauguração, era muito mais difícil trazer os dependentes de álcool para uma sala de A.A devido ao preconceito que existia. Atualmente não é muito diferente a situação, ainda existe certo preconceito com os alcoólicos anônimos, porém menor que antigamente.

Já o grupo São Bento que se situa na cidade de São Bento do Sul SC teve sua data de fundação no dia 15 de setembro de 1979. Hoje existem poucos participantes, mas há algum tempo atrás havia cerca de 25 pessoas que participavam semanalmente contam os membros que ainda participam ( 5 a 6 dependendo a reunião).

Os grupos de alcoólicos anônimos de todo o mundo não aceitam dinheiro de pessoas de fora do grupo, eles se mantem apenas com as contribuições dos próprios participantes que frequentam as reuniões.

O método de recuperação das pessoas que participam é o mesmo em ambos os grupos aqui destacados, assim como em todos os grupos de alcoólicos anônimos do mundo todo o foco é recuperação pessoal e individual contínua dos alcoólatras que os procuram. Nas reuniões cada participante da o seu depoimento sobre suas vivencias com o problema do alcoolismo geralmente fazendo comparações do antes e depois sem a bebida.

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3.2 DESCRIÇÃO DO ESTÁGIO REALIZADO

O primeiro dia de observação ocorreu no dia 26 de maio de 2019. No local de estágio escolhido que foi o grupo de alcoólicos anônimos da cidade de Rio Negrinho - SC, os acadêmicos foram recebidos pelo coordenador da reunião do dia, pois o coordenador geral não estava presente, sendo informado a este o intuito da presença. Após o primeiro contato os acadêmicos foram convidados a participar do café que antecede a reunião. Observou se uma grande descontração neste momento, onde as pessoas que ali estavam, conversavam normalmente sobre assuntos aleatórios. Posteriormente todos se encaminharam para a sala de reunião, após se acomodarem em seus devidos lugares deu se início a leitura do passo a passo da reunião. Primeiramente todos são convidados a realizar a oração da serenidade, logo em seguida é feita a leitura da reflexão do dia. Em um segundo momento os que estão ali participando contribuem financeiramente com o que podem, vale ressaltar que ninguém é obrigado a contribuir, todo o valor é dado espontaneamente. Na próxima etapa alguns participantes são convidados a dar os seus depoimentos, um de cada vez, nos depoimentos cada pessoa relata suas vivências, geralmente lembrando os momentos em que utilizavam a bebida alcoólica, muitas histórias são contadas, algumas que, provavelmente, só serão relatadas ali, naquela sala de Alcoólicos anônimos (AA). Cada participante tem aproximadamente 10 minutos para dar o seu depoimento. Algo que chamou bastante a atenção dos acadêmicos foi que, em determinado depoimento, a pessoa que estava contando relatou que no seu primeiro dia de alcoólicos anônimos as histórias dos demais eram semelhantes à dele, sendo constatada assim, a identificação com o grupo. Ao final das reuniões todos são convidados a ler a oração da sobriedade, após isto alguns ficam conversando sobre outros assuntos por mais alguns minutos. O segundo dia de observação „in loco‟ ocorreu no dia 30 de Maio de 2019, das 19h45min às 22h15minhrs no grupo de alcoólicos anônimos da cidade de São Bento do Sul- SC. Nesta ocasião estiveram presente 8 participantes, sendo 5 destes integrantes dos Alcoólicos Anônimos(AA) e 3 cônjuges de participantes do grupo, além dos dois acadêmicos.

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Comumente os cônjuges dos integrantes se alocam em uma sala separada do grupo terapêutico, porém neste momento todas as demais salas do prédio encontravam-se ocupadas, portanto elas participaram da reunião, tendo uma delas inclusive dado depoimento à respeito da convivência com o marido, no período em que este encontrava-se fazendo uso frequente do álcool. A reunião iniciou-se com a disposição das carteiras em meia-lua entre os participantes, todos de frente para o coordenador do grupo, o qual estava sentado ao lado do auxiliar da reunião. Foi iniciada a leitura do passo à passo da reunião, a qual convida todos os presentes a se colocarem de pé para lerem juntos a oração da serenidade, que encontra-se em um quadro pendurado na parede. Após a leitura da oração, o coordenador faz a reflexão do dia, contida também no passo à passo e lembra todos do 7ª MANDAMENTO dos grupos de A.A, o qual diz que “o grupo é autossuficiente e que seus integrantes arcam com todos os custos necessários para manter os encontros acontecendo” e portanto os acadêmicos não deveriam contribuir com algum valor na cesta que seria passada entre os presentes, já que estes não são integrantes da irmandade e estão ali como visitantes. Após o ato de contribuição entre os integrantes da irmandade, o coordenador convidou um deles a realizar seu depoimento, o qual aceitou. Pode-se perceber que o fenômeno de identificação ocorre com frequência entre os integrantes sendo que os relatos realizados por eles são similares. No terceiro dia de observação que ocorreu no dia 13 de Junho de 2019 em São Bento do Sul- SC, os acadêmicos chegaram ao local de encontro às 19h:30min e aguardaram a chegada dos integrantes do grupo. Aos poucos os participantes foram chegando para a reunião e às 19h45minhrs todos estavam acolhidos na sala. Foi-se aguardado durante mais 15 minutos à chegada de mais algum participante enquanto os que ali estavam trocavam algumas palavras. Às 20h00min a reunião iniciou-se oficialmente, com sete participantes, sendo cinco integrantes do grupo, dos quais um era o coordenador e outro auxiliar e os dois acadêmicos. Assim como de costume o encontro seguiu com a programação estabelecida no manual. Embora o coordenador tenha deixado claro que os encontros não possuem qualquer caráter religioso, político ou ideológico, este convida a todos os presentes a lerem juntos a oração da serenidade, que se encontrava em um cartaz na parede. Após esta leitura o coordenador convida um integrante do grupo para fazer a leitura e interpretação da reflexão do dia, contida também no manual que é

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utilizado para conduzir o encontro. Este mesmo participante após a leitura e interpretação da reflexão, fez a leitura de algumas piadas, momento de descontração que despertou alguns risos entre todos os presentes no recinto. Um fato relevante é que este integrante não é, nem nunca foi alcoolista, mas tem um filho que por alguns anos fez uso da bebida alcoólica e que após iniciar a participação no grupo de Alcoólicos Anônimos, parou de beber. Portanto segundo o próprio integrante, como uma forma de gratidão e também por gostar de estar presente, ele participa do grupo. Foram realizados outros dois depoimentos nesta ocasião. Um deles não foi especificamente a respeito de bebida alcoólica, mas sim sobre uma situação que o integrante havia passado no hospital naquela semana. Os integrantes presentes neste dia haviam tomado o último gole de bebida alcoólica há pelo menos 10 anos atrás, portanto o conteúdo relatado nos depoimentos possuía variância, sendo o uso de álcool o foco do encontro, mas não o único e exclusivo assunto que pode ser comentado nas reuniões. Dando continuidade as presenças in loco, o quarto dia de visita dos acadêmicos aconteceu no dia 16 de Junho de 2019 em Rio Negrinho - SC. Neste dia os acadêmicos ao chegarem ao local, foram muito bem recebidos pelo coordenador do grupo L que não estava presente na última reunião por motivos pessoais, onde imediatamente nos contou sua trajetória como usuário de álcool e sua recuperação. Durante a conversa, L relatou também que participa de outros grupos da região, para assim, trazer experiências novas para o grupo de Rio Negrinho e se manter firme longe do vicio do álcool. Após esta breve conversa, nos encaminhamos para a sala de reunião, onde havia aproximadamente 10 pessoas naquele dia. Foi iniciada a reunião com a leitura do passo a passo e reflexão diária, que é um pequeno livro onde em cada dia possui um texto com uma reflexão referente à vida com e sem o álcool.

Os alcoólicos anônimos não é um grupo somente para homens, mas sim, para mulheres também, todos são bem vindos. Neste dia de observação tínhamos a presença de uma mulher que também deu seu depoimento. Na sua fala disse que nos últimos meses teve vários motivos para voltar a usar a bebida alcoólica, como a perda de sua mãe e de um amigo muito próximo, porem nos contou que se manteve firme e que para essa vida não pretende voltar.

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O grande “slogan” do grupo é “ evite o primeiro gole” e “ se mantenha sem

usar a bebida por 24 horas”, pois evitando o primeiro gole você evitara o segundo ou

o terceiro, e se manter sem usar a bebida por 24 horas é o que interessa para eles,

todos dizem que o importante é o dia de hoje, pois o ontem não é possível modificar

e o amanhã não pertence a ninguém. Todas as reuniões são muito agradáveis e a troca de experiências é um grande aprendizado para todos, inclusive para quem não tem problemas com o álcool.

Ao final de cada reunião é possível notar que os alcoólicos anônimos é muito mais que um grupo de autoajuda, mas acaba se tornando uma família para todos que ali frequentam e compartilham suas experiências. No quinto dia de observação que ocorreu no dia 30 de Junho de 2019 os acadêmicos chegaram ao local de observação e já encaminharam se para a sala de reuniões. Desta vez, novamente estavam no grupo de alcoólicos anônimos da cidade de Rio Negrinho. No dia em questão a sala estava com mais pessoas do que nos demais dias onde estavam cerca de 15 pessoas. Após os procedimentos iniciais (oração da serenidade, leitura da reflexão do dia e afins) deu se inicio aos depoimentos. Havia alguns reincidentes participando deste dia, ou seja, que já frequentavam os alcoólicos anônimos, mas voltaram a beber. Um deles é andarilho e foi notável que este estava sobre o efeito de álcool, pois a todo o momento interrompia os que estavam na frente de todos falando. Em um dado momento esta pessoa foi voluntariamente (sem ser convocado) dar o seu depoimento e algo que chamou bastante a atenção dos acadêmicos foi que, mesmo falando algumas coisas que não são próprias para aquele momento, ninguém o interrompeu e deixou sua conversa fluir. Após isso a reunião continuou normalmente apenas agora, quando a pessoa que estava a todo o momento tentando interromper tentava fazer o mesmo era falado de forma educada para que o mesmo mante se em silencio para que os demais falassem. Os depoimentos comovem a todos que estão ali presentes, e em um determinado momento, mais para o final da reunião, ao escutar um depoimento, uma mãe que acompanhava seu filho desabou em lágrimas, muito provavelmente devida a forte identificação com o que ela passou com o seu filho. No final da reunião é possível notar nas pessoas que frequentam um ar de felicidade em estar ali, concluindo mais uma de muitas que já participaram. Para

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essas pessoas é como se fosse uma “recarga” em sua força de vontade para se manter longe das bebidas alcoólicas. Já na despedida os acadêmicos foram convidados a participar do aniversario do grupo que acontecera no dia 14 de julho e prontamente aceitaram o convite. Isso nos mostra novamente a receptividade do grupo, onde todos são bem vindos. No quinto e ultimo dia de observação os acadêmicos chegaram ao local e observaram que havia apenas 3 participantes, o coordenador então sugeriu que fosse feita apenas o passo a passo inicial, que é basicamente a oração da serenidade, leitura da mensagem do dia e contribuição espontânea, e que depois a reunião fosse apenas uma conversa sem os depoimentos, algo que deu muito certo, pois desta forma todos os que ali estavam presentes participaram e falaram um pouco sobre o seu problema com o álcool bem como varias historias que passaram e vivenciaram. Muitas historias que são ali contadas são grandes experiências que todos deveriam ouvir ao menos uma vez em sua vida, pois todas são ricas e tem um grande ensinamento para aqueles que tem problemas com o álcool e também para quem não possui esta doença. Ao final da reunião os acadêmicos ficaram um pouco mais e conversaram com o coordenador e um participante do grupo que relataram a importância e de como eles ficam felizes em receber pessoas de fora ali no grupo. Também pediram ajuda para divulgar o grupo e que sempre que possível retornassem para as reuniões.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estágio realizado foi muito gratificante e significativo para o aprendizado a respeito do trabalho em grupo. Pode se perceber que o incentivo de um com o outro no grupo faz muita diferença para manter os participantes sóbrios. A identificação entre eles e o respeito que existe na sala deixa o ambiente calmo e sereno, e muitas vezes até descontraído. Gostamos da ideologia do grupo em enfatizar a importância de se manter sóbrio por apenas 24 horas, não pensar no amanhã, mas sempre buscar não fazer uso da bebida alcoólica por apenas um dia e que o outro dia não pertence à nós, mas sim ao poder superior (termo utilizado para se designar à Deus). Apreciamos também o fato dos integrantes da irmandade destacarem na oração feita sempre ao início dos encontros, que é importante aceitar os fatos como eles são, para que se possa modifica-los. A Oração da serenidade realizada: “Concede-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar as que eu posso e sabedoria para distinguir uma das outras.”

O fato de alguns dos integrantes do grupo participarem das reuniões há mais de 20 anos demonstra o quanto estes são gratos pela melhora que o grupo de A.A lhes fez na vida. Todos os participantes que conhecemos que estão sóbrios há mais de 5 anos, participam das reuniões com frequência, e alguns relataram que participar da reunião é como um remédio para a doença do alcoolismo que deve ser tomado semanalmente.

As experiências ali contadas são de suma importância não só para quem tem o problema com o álcool, mas também para as pessoas que nunca tiveram este problema durante a sua vida, podendo atuar como uma espécie de prevenção para que essas pessoas não desenvolvam a doença do alcoolismo.

Foi notável em todas as reuniões que a gratidão pelo grupo de alcoólicos anônimos é também visível entre os familiares dos participantes. Tivemos a oportunidade de conhecer o pai de um integrante da irmandade, que nunca teve problema com álcool, mas frequentemente participa das reuniões, trazendo algumas piadas para o grupo no lugar de fazer um depoimento, como forma de agradecimento ao grupo que ajudou o seu filho a deixar de fazer o uso da bebida.

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Fazer este trabalho de estágio nos possibilitou enxergar o alcoolismo de uma forma diferente. Ensinou a não julgar os dependentes do álcool e compreender como é a batalha contra o vício a partir da percepção dos próprios dependentes.

Por fim convidamos as pessoas que não conhecem o grupo de alcoólicos anônimos de sua cidade, que procurem se informar sobre este e frequentem pelo menos a uma reunião tenha você o problema com a bebida alcoólica ou não, é uma experiência muito valida para todos. O A.A é muito mais que um grupo de autoajuda para aqueles que o frequentam, o A.A é uma irmandade, onde todos tem o mesmo objetivo, que é a vontade de permanecer longe do álcool.

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REFERÊNCIAS

A.A.W.S, Alcoholics Anonymous World Services. Para onde vou daqui?. 1981. Folheto publicado por: JUNAAB: junta de serviços gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil, São Paulo/SP Brasil.

A.A.W.S Alcoholics Anonymous World Services. Alcoólicos anônimos em sua comunidade. 1966. Folheto publicado por: JUNAAB: junta de serviços gerais de Alcoólicos Anônimos no Brasil, São Paulo/SP Brasil.

ZIMERMAN, D. E. Fundamentos básicos das grupo terapias. Porto Alegre:

Artmed, 2000. p.58, 72, 171.

PICHON-RIVIÈRE, E. O processo grupal. São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1983.

181p.

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ANEXOS

ANEXO A CARACTERIZAÇÃO GERAL DA INSTITUIÇÃO

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ANEXO B FOLHA DE FREQUÊNCIA DO LOCAL DE ESTÁGIO

19 ANEXO B FOLHA DE FREQUÊNCIA DO LOCAL DE ESTÁGIO Curso de Psicologia Campus Universitário de

Curso de Psicologia

Campus Universitário de Rio Negrinho

FOLHA DE FREQUÊNCIA DE ESTÁGIO BÁSICO

Estagiário:

Instituição:

Supervisor de Estágio na Empresa:

Data Horário de Trabalho Atividades Início Término Supervisor de Estágio Professor-Orientador de Estágio
Data
Horário de Trabalho
Atividades
Início
Término
Supervisor de Estágio
Professor-Orientador de Estágio
Estagiário
(Instituição de Ensino)
Data:
Assinatura:
Data:
Assinatura:

20

ANEXO C FOLHA DE FREQUÊNCIA DE ORIENTAÇÃO

20 ANEXO C FOLHA DE FREQUÊNCIA DE ORIENTAÇÃO Curso de Psicologia Campus Universitário de Rio Negrinho

Curso de Psicologia

Campus Universitário de Rio Negrinho

FOLHA DE FREQUÊNCIA ORIENTAÇÃO

ESTÁGIO BÁSICO III

Acadêmicos:

Instituição de realização do estágio:

Professor: Data Horário Atividades Início Término Data: / / .
Professor:
Data
Horário
Atividades
Início
Término
Data:
/
/
.

Prof. Esp. Fernanda Cristina Neidert Batista CRP/SC 11.723 Responsável pela disciplina

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ANEXO D FICHA DE AVALIAÇÃO DO PROFESSOR

21 ANEXO D FICHA DE AVALIAÇÃO DO PROFESSOR Curso de Psicologia Campus Universitário de Rio Negrinho

Curso de Psicologia

Campus Universitário de Rio Negrinho

AVALIAÇÃO FINAL DO PROFESSOR

ESTÁGIO BÁSICO III

Curso: Psicologia

Fase:

Acadêmico:

 

Professor (a):

Fernanda Cristina Neidert Batista

NOTA

0 à 10

CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

Apresentação dos documentos do Estágio Básico II

Avaliação Qualitativa no desenvolvimento do Estágio (assiduidade, pontualidade, interesse, comprometimento)

Avaliação do Supervisor de Estágio na Instituição

Relatório Final de Estágio

Apresentação do Seminário

Conceito Final

Observações do professor:

Observações do professor:

Data:

/

/

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ANEXO E PROTOCOLOS DE OBSERVAÇÃO DO ESTÁGIO