Monteiro Lobato
Conforme se pode observar, o contar histórias é muito importante na criação de imagens e de mundos.
Nossa opção pelo conto de fadas explica-se por sua tendência ao fantástico, ao maravilhoso, ao
simbólico numa tentativa de amenizar o panorama de violência da realidade atual. Os escritos de Platão
mostram-nos que as mulheres mais velhas contavam às suas crianças histórias simbólicas. Desde então,
os contos de fadas estão veiculados à educação das crianças. Na Antigüidade, Apuleio, um escritor e
filósofo do século II d.C., escreveu um conto de fadas “Amor e Psyche”, uma história como A Bela e a
Fera. Esse conto tem o mesmo padrão dos que se podem ainda encontrar, hoje em dia, na Noruega, na
Suécia, na Rússia e em muitos outros países. Pode-se concluir que este tipo de conto de fadas (da mulher
que redime seu amado da forma animal) existe praticamente inalterado há 2.000 anos. Mas há uma
informação mais antiga: os contos de fadas também foram encontrados nas colunas e papiros egípcios,
sendo um dos mais famosos, o dos dois irmãos, Anúbis e Bata. Nossas tradições escritas data
aproximadamente de 3.000 anos e os temas básicos não mudaram muito. Existem indícios de que alguns
temas principais desses contos se reportam há 25.000 anos a.C., ainda assim, mantendo-se praticamente
inalterados.
A HISTÓRIA DA ESTÓRIA
Dentre a miscelânea de contos infantis, optamos em trabalhar com uma representação teatral do "Conto
a Dona Baratinha", cujo objetivo é o resgate do repertório de estórias folclóricas e populares,
pertencentes à tradição oral que foram transmitidos de geração em geração, através dos familiares das
crianças a elas, e incentivar o hábito de ouvir, e re-contar, através da rememoração, pois a arte de narrar
sempre esteve mergulhada nas artes da memória e da repetição. Autoria da história "Conto a Dona
Baratinha" (autor desconhecido).
BECHARA (2001) " A repetição que, desde os tempos remotos, tem garantido a preservação do vivido e
do contado, das experiências coletivas e individuais, da cultura dos povos".
Isso porque narrar estórias às crianças é de certa forma imprimir marcas do texto no próprio ouvinte:
marcas da cultura de seu grupo, marca de outros grupos distantes, marcas nem sabemos quais. "Nosso
desafio: livrar-nos do esquecimento que apaga nossos traços e nossos feitos."
O Conto a Dona Baratinha é história de forma narrativa. O conto é uma narrativa mais curta, mas isso
não quer dizer que seja mais simples do que os outros tipos.
Tem como característica central condensar conflito, tempo, espaço e reduzir o número de personagens.
Trata-se de um gênero muito apreciado por autores e leitores, ainda que tenha adquirido características
diferentes, como, por exemplo, deixar de lado a intenção moralizante e adotar o fantástico ou o
psicológico para elaborar o enredo.
Pode abordar qualquer tipo de tema na construção de um mundo particular: Entendo que para contar é
necessário primeiramente construir um mundo, o mais mobiliado possível, até os últimos pormenores.
Constrói-se um rio, duas margens, e na margem esquerda coloca-se um pescador, e esse pescador possui
um temperamento agressivo e uma folha penal pouco limpa, pronto: pode-se começar a escrever,
traduzindo em palavras o que não pode deixar de acontecer. (ECO apud TERRA, NICOLA &
CAVALLETE, 2002: 552).
Conforme se pode observar, o contar histórias é muito importante na criação de imagens e de mundos.
Nossa opção pelo conto de fadas explica-se por sua tendência ao fantástico, ao maravilhoso, ao
simbólico numa tentativa de amenizar o panorama de violência da realidade atual.
Os escritos de Platão mostram-nos que as mulheres mais velhas contavam às suas crianças histórias
simbólicas. Desde então, os contos de fadas estão veiculados à educação das crianças.
Na Antigüidade, Apuleio, um escritor e filósofo do século II d.C., escreveu um conto de fadas "Amor e
Psyche", uma história como A Bela e a Fera.
Esse conto tem o mesmo padrão dos que se podem ainda encontrar, hoje em dia, na Noruega, na Suécia,
na Rússia e em muitos outros países.
Pode-se concluir que este tipo de conto de fadas (da mulher que redime seu amado da forma animal)
existe praticamente inalterado há 2.000 anos.
Mas há uma informação mais antiga: os contos de fadas também foram encontrados nas colunas e
papiros egípcios, sendo um dos mais famosos, o dos dois irmãos, Anúbis e Bata.
Nossas tradições escritas data aproximadamente de 3.000 anos e os temas básicos não mudaram muito.
Existem indícios de que alguns temas principais desses contos se reportam há 25.000 anos a.C., ainda
assim, mantendo-se praticamente inalterados.
Podemos dizer, com Khéde (1990: 16) "que os contos de fadas atualizam ou reinterpretam, em suas
variantes, questões universais como os conflitos do poder e a formação dos valores, misturando fantasia
e realidade no clima do 'Era uma vez...'".
Os contos de fadas têm suas raízes em fontes diversas. De acordo com Coelho (2000: 175), segundo o
registro mítico-literário, Os primeiros contos de fadas teriam surgido entre os celtas, povos bárbaros que,
submetidos pelos romanos (séc. II a.C./séc. I da era cristã), se fixaram principalmente nas Gálias, Ilhas
Britânicas e Irlanda. A essa herança céltica, é atribuído o fundo maravilhoso, de estranha fantasia,
imaginação e encantamento que caracteriza as novelas de cavalaria do ciclo do bretão (ciclo do Rei
Artur e seus Cavaleiros da Távola Redonda e sua Dama Ginevra).
Foi, pois, nas novelas de cavalaria que as fadas teriam surgido como personagens, representando forças
psíquicas ou metafísicas. Os contos de fadas têm, portanto, como ponto de partida um encantamento,
uma metamorfose, que levam à aventura da busca.
Esses contos surgiram como poemas que relatavam amores estranhos, eternos, essencialmente idealistas
e ligados aos valores eternos do ser humano e aos valores espirituais.
Sensorial mais plena vai se contrapor ao espiritualismo gerado pela imaginação sonhadora de celtas e
bretões (COELHO, 1987:15).
Desde o século XVII, conheciam-se os contos de fadas, os contos de magia e fantasmagoria, contos e
narrativas para pequenos e grandes.
O conto, porém só adotou o sentido de forma literária quando os irmãos Grimm deram a uma coletânea
de narrativas, publicada em 1812 o título Contos para Crianças e Famílias.
Foi, então, a coletânea dos irmãos Grimm que reuniu toda essa diversidade num conceito unificado e que
passou a ser à base de todas as coletâneas ulteriores do século XIX. Os irmãos Grimm são, pois,
responsáveis pelas pesquisas sobre o conto que até hoje continuam sendo realizadas. Para os irmãos
Grimm, no entanto, as verdadeiras coletâneas de contos começaram no fim do século XVII com Charles
Perrault, que apresenta os seus contos como se tivessem sido contados por uma velha ama a seu filho.
Os contos de Perrault entram na categoria dos Contos para Crianças e Famílias, de Grimm. Pouco depois
da publicação dos contos de Perrault, narrativas do mesmo gênero inundaram a França e o resto da
Europa. Esse gênero dominou toda a literatura do começo do século XVIII, substituindo a narrativa do
século XVII, o romance e o que restava de novela.
A quantidade de contos é incalculável e, entre 1704 e 1708, surge à narrativa oriental com a primeira
tradução das Mil e Uma Noites.
A coleção dos contos de fadas dos irmãos Grimm tem atravessado os séculos com sucesso, brotando
edições em todo canto. Em diversos países, pessoas começaram a colecionar histórias e contos de fadas
nacionais, repetindo-se o número enorme de temas.
Ainda no século XVIII, em decorrência de um interesse histórico e científico, houve uma tentativa de se
responder à questão do porquê de tantos temas repetitivos. Visto não haver nessa época hipótese alguma
sobre um inconsciente coletivo, ou sobre uma estrutura comum da psique humana, procurou-se descobrir
a origem dos contos de fadas, quando teriam surgido.
Mas isso não parece verdadeiro, pois o fato de os contos de fadas serem manuseados não significa
necessariamente a sua degeneração, podendo até mesmo virem a ser enriquecidos.
Jacob Grimm não se apropriou do conto como se apresentava na literatura, ele foi diretamente ao povo e
descobriu o verdadeiro conto como forma simples.
Segundo Coelho (2000: 164-165), são consideradas, formas simples determinadas narrativas que, há
milênios, surgiram anonimamente e passaram a circular entre os povos da Antiguidade, transformando-
se com o tempo no que hoje conhecemos como tradição popular.
De terra em terra, de região a região, foram sendo levados por contadores de histórias, peregrinos,
viajantes, povos emigrantes, etc., até que acabaram por ser absorvidas por diferentes povos e,
atualmente, representam fator comum entre as diferentes tradições folclóricas. As formas simples são as
que resultam de criação espontânea, não-elaborada (diferentes, por exemplo, dos romances medievais,
que apresentam uma forma artisticamente elaborada).
Devido à sua simplicidade acabaram sendo assimiladas pela literatura infantil, via tradição popular.
Exemplos de formas simples: fábula, mito, lenda, conto maravilhoso, conto de fadas etc.
O conto de fadas é, portanto, considerado uma narrativa "de formas simples". No entanto, apesar disso, o
ponto mais importante no conto é a sua pluralidade, devido à sua transformação e à sua mobilidade.
É comum ouvirmos que cada um pode contar um conto com suas próprias palavras, mas é preciso um
certo cuidado ao contá-lo, pois não se pode modificar o que lhe é prioritário.
Quando uma forma simples é atualizada, ela pode ser fixada, tornando-se, assim, uma forma artística,
ganhando solidez e unicidade, mas perdendo em mobilidade e pluralidade.
O conto apresenta uma infinidade de fatos diversos ligados pela maneira de representar algo.
Os fatos, como são encontrados no conto, só podem ser nele realizados. "Pode-se aplicar o universo ao
conto e não o conto ao universo".
Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – Documento Introdutório, "as
instituições de educação infantil (pré-escolas) cumprem hoje, mais do que nunca, um objetivo primordial
na formação de crianças que estejam aptas para viver em uma sociedade plural, democrática e em
constante mudança (...) Ela deve intervir com intencionalidade educativa de modo eficiente visando a
possibilitar uma aprendizagem significativa e favorecer um desenvolvimento pleno, de forma a tornar
essas crianças cidadãs numa sociedade democrática" (MED/SEF, 1998).
Um dos desafios a enfrentar hoje na educação infantil é o de conseguir adaptar uma prática pedagógica
voltada para atender às necessidades da criança, que, como será visto, já está vivendo os processos
envolvidos na aquisição da linguagem escrita, em todos os seus aspectos. Especificamente em relação à
alfabetização, o objetivo a ser alcançado não é mais o de "preparação", desenvolvimento de prontidões
para o ensino fundamental, como se acreditava até então. Atualmente, a alfabetização deixou de ser
encarada como um momento estanque e passou a ser compreendida como um processo, no qual a pré-
escola (educação infantil) tem papel ativo e constitutivo. Portanto, torna-se necessário estimular cada vez
mais o interesse da criança para que, embora carregado de significados, o aprendizado não se perca no
curso do tempo. A criança aprende se desenvolvendo e se desenvolve aprendendo.
Em uma sociedade que tem somente 6% de crianças na faixa etária de 0 a 6 anos freqüentando as
instituições de educação infantil, das quais 37% são provenientes de famílias com renda superior a cinco
salários mínimos, a preocupação com a qualidade do ensino oferecido a essas crianças, em especial na
rede pública, poderia parecer secundária, já que não foi possível ainda sequer atingir uma camada
significativa da população brasileira que,a partir da Constituição de 1988, adquiriu direito legal à
educação em creches e pré-escolas.
Felizmente, a publicação nos últimos anos de diversos estudos vem permitindo que se discuta qual é o
papel da educação infantil no processo de aprendizado da criança, e também qual seria a melhor maneira
de fazer valer esse papel em nossa sociedade. Numa cultura ágrafa, essas preocupações não teriam tanto
sentido, mas nossas crianças, especialmente as oriundas de classes mais baixas, estão inseridas em uma
sociedade letrada que, além das desigualdades e injustiças a que as submete, discrimina quem não é
alfabetizado, considerando-o inferior. Portanto, apropriar-se da linguagem escrita pode oferecer
futuramente a essas crianças maiores possibilidades de inserção social e conquista de autonomia.
Segundo Vygotsky (1991:133), "ensinar a escrita nos anos pré-escolares impõe necessariamente que a
escrita seja relevante à vida (...) que as letras se tornem elementos da vida das crianças, da mesma
maneira como, por exemplo, a fala. Da mesma forma que as crianças aprendem a falar, elas podem
muito bem aprender a ler e a escrever".
Contar histórias a uma criança pequena é uma atividade bastante corriqueira, nas mais diversas culturas
do mundo e em várias situações, tanto no âmbito familiar como no escolar. Como se sabe, essa prática
vem se reproduzindo através dos tempos de maneira quase intuitiva. Contudo, alguns estudos já
demonstraram o importante papel que as histórias desempenham nos processos de aquisição e
desenvolvimento da linguagem humana.
As histórias infantis são utilizadas geralmente pelos adultos interlocutores (sejam pais, professores ou
terapeutas) como forma de entretenimento ou distração; já que, pelo senso comum, freqüentemente a
criança sempre demonstra um interesse especial por elas, seja qual for a classe social à qual pertença.
Especificamente em se tratando da aquisição da leitura e da escrita, essas histórias podem oferecer muito
mais do que o universo ficcional que desvelam e a importância cultural que carregam como
transmissoras de valores sociais. Existe uma acentuada diferença entre as histórias contadas e as histórias
lidas para uma criança, já que a linguagem se reveste de qualidade estética quando escrita, e essa
diferença já pode ser percebida por ela. Kato (1997:41) já afirmava que, "ao ouvir histórias, a criança vai
construindo seu conhecimento da linguagem escrita, que não se limita ao conhecimento das marcas
gráficas a produzir ou a interpretar, mas envolve gênero,estrutura textual, funções, formas e recursos
lingüísticos.
Ouvindo histórias, a criança aprende pela experiência a satisfação que uma história provoca; aprende a
estrutura da história, passando a ter consideração pela unidade e seqüência do texto; associações
convencionais que dirigem as nossas expectativas ao ouvir histórias; o papel esperado de um lobo, de um
leão, de uma raposa, de um príncipe; delimitadores iniciais e finais ('era uma vez... e viveram felizes
para sempre') e estruturas lingüísticas mais elaboradas, típicas da linguagem literária. "Aprende pela
experiência o som de um texto escrito lido em voz alta".
Essa forma de contato com a linguagem escrita, por outro lado, também oferece, ainda que
subliminarmente, informações sobre um dos papéis funcionais que ela pode desempenhar dentro da
comunicação. Do ponto de vista psicológico, podemos refletir sobre o impacto e a fascinação que as
histórias exercem sobre a criança, de qualquer raça, faixa etária ou inserção social, tanto normal quanto
portadora de algum distúrbio (de origem física, psíquica ou funcional). As histórias são um denominador
comum a todas as crianças. Assim, para que uma história realmente prenda a atenção da criança, deve
entretê-la e despertar sua curiosidade. Mas, para enriquecer sua vida, deve estimular sua imaginação,
ajudando-a em seu desenvolvimento intelectual, propiciando-lhe mais clareza em seu universo afetivo,
auxiliando-a a reconhecer, mesmo de forma inconsciente, alguns de seus problemas e oferecendo-lhe
perspectivas de soluções, mesmo provisórias.
Muito mais do que um adulto, a criança vive as experiências do tempo presente, e possui apenas vagas
noções do futuro, mesmo assim de caráter imediato. Portanto, suas ansiedades frente a eventuais
problemas e angústias do cotidiano são supostamente bastante profundas, e é justamente no
enriquecimento de seus recursos internos para enfrentá-las que as histórias infantis são um benefício.
"É exatamente a mensagem que os contos de fada transmitem à criança de forma múltipla: que uma luta
contra dificuldades graves na vida é inevitável, é parte intrínseca da existência humana – mas que, se a
pessoa não se intimida mas se defronta de modo firme com as opressões inesperadas e muitas vezes
injustas, ela dominará todos os obstáculos, e ao fim emergirá vitoriosa"
(Bettelheim, 1985). Segundo o autor, que elegeu especialmente os contos de fada e suas relações
benéficas para o desenvolvimento psíquico da criança como objeto de seus estudos, a maioria das
histórias tem seu enredo desenvolvido baseando-se na equação: estabilidade + problema + solução =
estabilidade, e trabalha assim uma série de ansiedades da criança. Especialmente os contos de fada que
tratam de assuntos existenciais, como morte de progenitores, perigos, o mal e o bem, etc.
Eles colocam dilemas existenciais de forma simples e categórica, o que possibilita à criança experienciar
o problema de forma mais essencial e trabalhar suas angústias com mais nitidez. Ele ainda coloca que,
"aplicando o modelo psicanalítico da personalidade humana, os contos de fada transmitem importantes
mensagens à mente consciente, à pré-consciente e à inconsciente, em qualquer nível que esteja
funcionando no momento.
"À medida que as histórias se desenrolam, dão validade e corpo às pressões do id, mostrando caminhos
para satisfazê-las que estão de acordo com as requisições do ego e do superego" (Bettelheim, 1985).
Tratando também dessa dimensão, segundo OLIVEIRA (1993:18), todos nós necessitamos de uma área
de ilusão paralela ao mundo real (ou das trocas sociais).
Esse espaço interno é responsável pela transição entre o consciente e o inconsciente, movimento que
garante o equilíbrio do indivíduo.
Por suas atividades diárias, a criança tem contato com o real, com os outros. Ao mesmo tempo, sua
imaginação se desenvolve, pois ela toma consciência de seus limites, vive conflitos, experimenta
emoções contraditórias e tem muitas dúvidas que não consegue esclarecer.
Para tentar resolvê-las e dominar suas angústias, impulsionada por sua curiosidade, ela procura sonhar,
imaginar. E, se conseguir canalizar esse mundo imaginário em ações no mundo real, ela desenvolve a
capacidade de criação.
Os desenhos, as narrativas, enfim, são maneiras de agir para dominar as emoções; as explosões de
sonhos e imagens são dirigidas então para a criação. Portanto, a criança deve conseguir alimentar seu
imaginário e expressá-lo. Desenvolver a função simbólica por meio de textos, imagens e sons é uma
forma de sustentá-lo.
Especificamente em relação à linguagem escrita, podemos pensar, portanto, que a criança, mesmo antes
de ler e escrever as primeiras letras, já participa ativamente dos processos envolvidos nessa aquisição.
Ela percebe,analisa, formula suas hipóteses sobre a leitura e a escrita a que está exposta em seu
cotidiano. Seria, então, até inadequado imaginar que uma criança em idade pré-escolar não tenha
competência e condições de apreender as diversas características da comunicação gráfica.
Segundo Contini apud Kato (1988), uma criança exposta a um ambiente propício, ou seja, material
escrito e pessoas que o manuseiem, incluindo a própria criança, já estaria apreendendo seus usos e
funções como forma de comunicação antes mesmo dos dois anos de idade.
Foram os estudos sobre o que seria a psicogênese da linguagem escrita de Ferreiro e Teberosky (1985)
que lançaram uma nova luz sobre as tentativas de descrever as etapas pelas quais a criança passa durante
o processo da aquisição. Segundo as autoras, a criança, durante o período de contato com os sinais
gráficos, vai evoluindo gradativamente. Essa evolução foi caracterizada em quatro grandes níveis: pré-
silábico, silábico, silábico-alfabético e alfabético.
No nível pré-silábico, observaram a presença de produções gráficas em que não existe correspondência
entre a grafia e o som. A criança nessa fase não demonstra preocupação em diferenciar critérios para
suas produções, que se constroem a partir de traços idênticos, garatujas ou grafismos primitivos. Não se
percebe tampouco controle da quantidade de letras utilizadas para representar o que se quer escrever.
Portanto, a criança não se utiliza de uma palavra escrita para simbolizar graficamente um objeto.
Também é nessa fase que se observam as ocorrências do realismo nominal, quando conforme Carraher
(1986) e Rego (1990), por exemplo, a criança usa muitas letras para simbolizar objetos grandes e poucas
para pequenos, demonstrando assim sua hipótese na qual a representação gráfica de um objeto está
diretamente relacionada a um de seus atributos.
Já o nível silábico se delimita quando a criança percebe que é possível representar graficamente a
linguagem oral. Ela faz então várias tentativas para estabelecer uma relação entre a produção oral e a
produção gráfica, entre o som e a grafia. E começa, com essas tentativas, a relacionar o que escreve com
as sílabas das palavras faladas que deseja representar. Entretanto, com seu conhecimento prévio sobre o
material escrito, utiliza-se de letras que podem não representar os respectivos sons. Ela percebe nessa
fase que pode escrever tudo o que deseja, mesmo que aquilo que expressa graficamente não possa ser
decifrado por outras pessoas. Também nessa fase, pode aceitar relutante o fato de escrever palavras
menores com poucas letras ou ainda pode se usar, ao escrever uma frase, uma letra somente para uma
palavra inteira.
A criança passa, então, a conviver com esses dois tipos de correspondência entre a grafia e o som,
adentrando assim no nível silábico-alfabético. E começa também a experienciar um conflito, já que é
capaz agora de perceber que existe uma representação gráfica correspondente a cada som (percebe a
relação entre grafema e fonema).
Ela vai reformulando sua hipótese anterior, silábica, que lhe parece insuficiente, e vai alternando sua
produção entre essa e a alfabética propriamente dita.
Com suas tentativas e reformulações, ela evolui para o nível alfabético, que se estabelece mais
firmemente sobre sua percepção da relação entre a grafia e o som. Ela já consegue aceitar que a sílaba é
composta de letras que devem ser representadas distintamente, e se torna capaz de perceber outras
características da comunicação gráfica, tais como as diferenças entre letras, sílabas, palavras e frases,
ainda que ela falhe nessas representações.
Vale a pena ressaltar que, em seus estudos, Ferreiro e Teberosky (1985) encontraram crianças que
mostram uma seqüência de três níveis evolutivos; em outras, uma seqüência apenas de dois níveis – por
exemplo, do pré-silábico ao silábico, ou do pré-silábico ao silábico alfabético, saltando um nível; ou
ainda, em menor número,crianças que passam diretamente do nível pré-silábico ao alfabético.
Essas interpretações é que atribuem um significado para as produções da criança – suas representações
gráficas (das garatujas às seqüências de letras) –, e assim o adulto passa também por transformações
como interlocutoras em seus modos de ação. A partir de então, sua fala sobre as produções apresentadas
pela criança também é retomada, modificada, enriquecida e transformada por ela e o inverso também
ocorre, modificando assim a escrita da criança. O adulto passa a admitir em suas conclusões que se
forma nesse contexto uma verdadeira situação dialógica durante o processo de aquisição da escrita, já
que o interlocutor e o sujeito vão progredindo e se transformando reciprocamente.
Assim, podemos dizer que a leitura e a escrita já não podem ser encaradas meramente como atos de
codificação e decodificação, de identificação de palavras, ou até mesmo simplesmente como um
processo envolvido com os movimentos oculares e maturação neurofisiológica. Elas envolvem uma
gama de outros processos que propiciam a aquisição desse "novo" código pela criança, mas que está
inserida num contexto mais amplo de aquisições de linguagem que perdura até a fase adulta. E é nesse
sentido que aprender a ler e a escrever implica a constante construção de significado dessas atividades.
Uma vez organizada a configuração do grupo deve se iniciar a leitura, sem que haja uma preparação para
este acontecimento. Feitas estas observações, ideal elaborar um questionário informal (anexo) com
questões objetivas, relacionadas à hora do conto.
Neste material privilegia-se a preparação da atividade e interesse dos professores e das crianças, o que
possibilitou organizar os conhecimentos que os professores tem referente à atividade pedagógica, que
envolve o momento do conto.
A partir dos resultados dos questionários, confecciona-se, o "Camarim Mágico", material didático que
tem como objetivo subsidiar o professor no momento de contar histórias infantis.
A proposta pedagógica que objetiva inserir as crianças da Educação Infantil como usuários correntes da
língua escrita passa pela inserção no mundo letrado, cabendo aos adultos, professores e profissionais da
educação infantil, serem referência de leitores e escritores, usuários competentes da língua escrita.
A função social da instituição escola é exercer esse papel fundamental ao promover espaço para a
leitura, onde o lúdico permita as crianças à possibilidade de viver novas experiências, organizar os
sentimentos, desenvolver a criatividade e a afetividade. Assim como alargar seus horizontes e
reestruturar a leitura de mundo, permitindo que a criança torne-se leitora.
Segundo Lacan (1994) "tão logo ela se instala no domínio cognitivo de um ser humano, converte-o em
um leitor, ou seja, modifica sua condição".
O primeiro contato da criança com a leitura dá-se pela audição, mas tão importante quanto ouvir
histórias infantis é a exploração, apreciação e a visualização de livros de gravuras, que possibilitam criar
histórias, alimentando a criatividade e o imaginário, o que oportuniza o conhecimento de si mesmo e do
mundo do qual faz parte. Com isso a criança consegue estabelecer relação entre o real e o não-real.
Os contos e as fábulas são importantes para as crianças, porque simbolizam o caminho que todo ser
humano percorre para o desenvolvimento, por isso fascinam as crianças.
Elas utilizam este recurso para compreender situações e construir conhecimentos que necessitam para
desenvolver sua personalidade.
O primeiro contato da criança com a leitura dá-se pela audição, mas tão importante quanto ouvir
histórias infantis é a exploração, apreciação e a visualização de livros de gravuras, que possibilitam criar
histórias, alimentando a criatividade e o imaginário, o que oportuniza o conhecimento de si mesmo e do
mundo do qual faz parte. Com isso a criança consegue estabelecer relação entre o real e o não-real.
Os contos e as fábulas são importantes para as crianças, porque simbolizam o caminho que todo ser
humano percorre para o desenvolvimento, por isso fascinam as crianças.
Elas utilizam este recurso para compreender situações e construir conhecimentos que necessitam para
desenvolver sua personalidade.
O universo da fantasia, repleto de cenários maravilhosos, onde habitam heróis, fadas, princesas, bruxas,
reis e seres inanimados, traz em seus enredos mensagens positivas e situações de horror, regadas por
palavras mágicas, atitudes.
O universo da fantasia, repleto de cenários maravilhosos, onde habitam heróis, fadas, princesas, bruxas,
reis e seres inanimados, traz em seus enredos mensagens positivas e situações de horror, regadas por
palavras mágicas, atitudes nobres e momentos emocionantes, faz com que as crianças guardem na
memória, não somente o conhecimento construído, mas também, os momentos de encantamento vividos,
que todo adulto conserva como parte primordial de sua identidade e foram originados pelos contos que
ouviu durante a infância.
Todos esses conhecimentos fazem parte dos fatores que impulsionam a aprendizagem, principalmente na
associação entre som, palavra e escrita. O contato diário com a leitura, ouvindo histórias ou manuseando
os livros, é muito importante para o desenvolvimento do "cidadão-leitor".
Formar leitores é investir na cidadania, por isso a proposta de incentivar a hora do conto na educação
infantil.
A literatura, a poesia, as letras de músicas e os demais textos, que fazem parte da diversidade textual, são
pronunciações explícitas e implícitas, de um dado momento da realidade, e a maneira como o ser
humano conta e preserva a sua história, como se fossem fotografias das idéias relacionadas a seu tempo
e a sociedade em que vive.Lacan (1994) "Não é o homem que constitui o simbólico... Mas o simbólico é
que constrói o homem".
Questões aplicadas junto aos professores da Educação Infantil identificaram dificuldades encontradas,
no que diz respeito às atividades pedagógicas, em fatores de ordem sociais, culturais e econômicos, bem
como as originadas nos cursos de formação inicial de professores, onde até bem pouco tempo não era
contemplada essa etapa de escolaridade.
A efervescência da vida moderna, a ênfase exacerbada nas novas tecnologias, a apologia aos meios de
comunicação de massa, centrada na imagem, a falta de recurso para a Educação Infantil, faz com que os
livros tornem-se cada vez mais distantes da maior parte da população.
Lobato (1959) "À moda de Dona Benta ler era boa". Lia "diferente" dos livros.
Hoje, os livros têm um custo alto para a maioria da população brasileira e não podem concorrer com os
produtos da cesta básica, as classes populares não têm tempo nem disposição para ler após um dia de
trabalho e por fim as poucas bibliotecas existentes não atendem a demanda dos usuários, devido à falta
de manutenção, a renovação de acervo e baixo investimento em profissionais especializados.
Todos estes fatores fazem com que se dificulte a formação de leitores e sinalize o quanto é desigual o
acesso à cultura. A televisão passou a ser o lazer da população menos favorecida. O que coloca as
crianças diante de um mundo nada mágico, o que vemos na telinha é a cruel realidade dos tempos em
que vivemos. É esta a realidade que proporcionamos aos pequenos no lugar das histórias infantis.
Os contos e fábulas falam de atos heróicos, de bondade e delicadeza. São mundos, permeados entre o
bem e o mal, em que a felicidade é para sempre... E o mal? Este sempre cai no esquecimento!
Ao perderem o contato com este mundo maravilhoso as crianças perdem também o contato com noções
relacionadas à coragem, a honestidade, a bondade... Tudo o que é preciso para uma sociedade mais
fraterna.
A mídia televisiva, as novas tecnologias, como o computador e o vídeo game fazem parte da indústria do
entretenimento, não apresentam a mesma função social da instituição escola. E é importante frisar que
uma das funções dos professores, como profissionais da educação, é a formação de cidadãos-leitores e
inclusão na sociedade da escrita e da informação.
E preciso avaliar...
Ler não significa decodificar letras. Ler significa compreender criticamente os textos que o mundo nos
apresenta a todo o momento. É este compreender o mundo que causa reflexão e mudanças no processo
do desenvolvimento humano.
Diante de tantos desafios, a escola assegura uma de suas funções, a socialização do conhecimento
construído pela humanidade, bem como se responsabiliza pela formação do cidadão.
As questões postas apontam para preocupações do tipo: como a escola formará leitores, sem livros, sem
infra-estrutura, sem professores preparados para tal tarefa?
Como sugestão para essas e outras questões o ideal é que o professor centralize o seu trabalho em
atividades pedagógicas que façam uso de materiais didáticos e muita criatividade, como recursos
possíveis à superação das dificuldades identificadas pelos professores da Educação Infantil.
A infância é um mundo cheio de cores, onde cada criança traz consigo o impulso da descoberta, da
curiosidade e do querer aprender, inventam fantasias, criam personagens, modificam a voz e
transformam objetos e lugares. E assim vão se descobrindo e atribuindo significado ao mundo que a
cerca, através do imaginativo, do exploratório e do inventivo mundo do faz de conta que chamamos de
lúdico.
Para contribuir e tornar viável a utilização do material didático no processo de aprendizagem para a
Educação Infantil optou-se pela hora do conto, criando fantoches e fantasias,etc, relacionados à literatura
infantil. Para focar resultados pedagógicos foi assim, como sempre acontece nos contos de fadas que se
elaborou o "Camarim Mágico".
O "Camarim Mágico" que é mágico mesmo, pois transporta a todas as crianças e adultos ao mundo dos
contos de fadas, consiste de uma caixa bem grande, do tamanho das próprias crianças dessa faixa etária,
a caixa no formato de um guarda-roupa, tem duas portas que se abrem ao meio.
Quando abertas, as portas transportam as crianças ao mundo mágico do faz de conta, pois é possível
escolher e vestir-se com roupas e acessórios que habitam o mundo encantado das histórias infantis,
contos, fábulas, fadas, bruxas, príncipes, princesas, fadas madrinhas, sapos, etc... Pendurados no interior
das duas grandes portas, onde é possível dar asas a imaginação e incorporar ao personagem escolhido,
máscaras, pulseiras, colares, cintos, lenços, etc... Abre-se aos nossos olhos o mundo mágico que existe
somente no mundo encantado da infância. Uma vez aberto não se fecha jamais, pois ficará para sempre
na nossa memória, em um lugar maravilhoso, de sonho e de fantasia, pedaço de nós mesmos quando
crianças.
O material didático proporciona momentos nos quais as crianças podem compartilhar com o grupo,
idéias, criatividade e imaginação.
Os professores de educação infantil devem resgatar o lúdico das histórias infantis, para desenvolver os
saberes necessários à construção do conhecimento, assim como mediar situações pedagógicas que
viabilizem o respeito pelas relações humanas, a socialização das crianças, a aprendizagem, a delicadeza
do viver no mundo e com o mundo.
Os seres bons, generosos e leais precisam voltar a ocupar os sonhos infantis, fortalecendo assim os
conceitos necessários para se viver em sociedade, mesmo porque, o homem, é um ser social.
Os cidadãos crianças que têm acesso e direito à educação, constitui-se em cidadãos-leitores e precisam
que seus direitos sejam favorecidos pela família, pela escola e pela sociedade.
O respeito pela infância deve ser preservado, e para começar investindo-se nos momentos de leitura e de
contato com os livros. Trata-se de investir no futuro.
A hora do conto deve ser aproveitada de forma criativa e com dinâmicas variadas, compatíveis à faixa
etária das crianças, onde atividades pedagógicas enfoquem: fantoches, cenários, fantasias, leituras de
gravuras, histórias sem textos, leitura apenas do início e do meio permitindo que as crianças imaginem e
levantem hipóteses sobre o final da história, dobraduras, escrita das palavras estáveis do texto,
ilustrações feitas pelas crianças, músicas, etc.
Existe uma infinidade de possibilidades para se trabalhar com os contos e fábulas. No entanto é
importante que o professor seja competente e conheça profundamente a historia que irá ler e seja capaz
de sensibilizar as crianças em relação ao texto.
O ato de ler está relacionado com os movimentos corporais, com a imposição da voz e as e as mudanças
de fisionomia de quem lê. É preciso ler pausadamente, com entusiasmo e mostrar cuidado com o livro,
(isso mostra respeito).
O professor deve ficar atento as reações que a história infantil causa nas crianças, pois se constituem em
fonte de conhecimento que auxiliará a compreender melhor as opiniões e sentimentos de cada criança,
em relação aos diversos textos apresentados.
O professor deve ficar atento as reações que a história infantil causa nas crianças, pois constituem-se em
fonte de conhecimento que auxiliará acompreender melhor as opiniões e sentimentos de cada criança,
em relação aos diversos textos apresentados.
Segundo Meireles (1984) "Que sem lucidez não se pensa bem a educação". Sem objetividade não se
constrói em educação.Mas sem beleza não tem a educação nenhum propósito.
Mudar a condição social e intelectual da população vai além das novas tecnologias, da influência da
mídia, etc.
Esta mudança é para o futuro e com certeza passa pelo incentivo ao respeito e reflexão, que os adultos
devem cultivar nas crianças, e a educação infantil é um ponto de partida rumo a formação de cidadãos-
leitores, mas se faz necessário à parceria com professores (as) alfabetizadores (as) competentes e
comprometidos com a educação democrática e de qualidade para a maioria da população brasileira.
Justificativa
Nesse contexto, histórias como a da "Dona Baratinha", é um excelente recurso pedagógico, tornando o
processo ensino-aprendizagem mais prazeroso e motivador.
Objetivo Geral
A proposta pedagógica que objetiva inserir as crianças da Educação Infantil como usuários correntes da
língua escrita passa pela inserção no mundo letrado, cabendo aos adultos, professores e profissionais da
educação infantil, serem referência de leitores e escritores, usuários competentes da língua escrita.
Proporcionar a criança, através da leitura de histórias, o seu envolvimento com o enredo e personagens,
estabelecendo uma relação com os textos, predispondo-se à alfabetização e ao letramento.
Desenvolvimento
No dia em que anteceder a "Hora da História", em que foram contadas as aventuras da Dona
Baratinha, criaremos um clima de suspense. E escreveremos no quadro os seguintes dizeres: QUEM
SERÁ QUE VAI CHEGAR AMANHÃ?
Ao final da aula desse dia, colocaremos as crianças em círculo, e conversaremos com os alunos
estimulando a curiosidade deles:
Para todas estas perguntas, iremos obter as mais variadas respostas citadas pelos alunos e anotaremos
para comprovação no dia seguinte.
Continuaremos perguntando:
Cujo objetivo é envolvê-las, mantendo-as motivadas e curiosas para ouvir a história até o final.
Após contar toda a história, será sugerido as crianças que façam as seguintes atividades relacionadas
com a história da Dona Baratinha:
·Montagem da casinha, com as mobílias da Dona Baratinha, num canto da sala para as crianças
brincarem;
·Desenhar os filhos da Dona Baratinha, claro se ela os tiver.
AVALIAÇÃO
Dentre a miscelânea de contos infantis, optamos em trabalhar com uma representação teatral do "Conto
a Dona Baratinha", cujo objetivo é o resgate do repertório de estórias folclóricas e populares,
pertencentes à tradição oral que foram transmitidos de geração em geração, através dos familiares das
crianças a elas, e incentivar o hábito de ouvir, e re-contar, através da rememoração, pois a arte de narrar
sempre esteve mergulhada nas artes da memória e da repetição. Autoria da história "Conto a Dona
Baratinha" (autor desconhecido).O grupo é composto por 06 membros, cuja distribuição é: uma
narradora que fará as falas dos personagens e o restante do grupo representará os personagens em forma
de mímicas.A narração do conto infantil será apresentado em 30 minutos.
Considerações Finais
Não há necessidade de esperar pela alfabetização formal para que as crianças se envolvam com a leitura
de histórias infantis e a produção de textos.
Entretanto, para que elas se tornem efetivamente leitoras e autoras dos próprios textos, faz-se necessário
que, em algum momento do processo de alfabetização, tenham não somente adquirido conhecimentos
específicos do código alfabético, mas também e, sobretudo dos aspectos lingüístico-discursivos em que
ele se insere.
Afinal, parafraseando Smolka (1993): "Não se 'ensina' ou não se 'aprende' simplesmente a ler e a
escrever. "Aprende-se uma forma de linguagem, uma forma de interação, uma atividade, um trabalho
simbólico."
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS
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Basílio; BECHARA, Evanildo; FREITAS, Horácio Rolim de; CARVALHO E SILVA, Maximiano de
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M.A. (org.). A concepção da escrita pela criança. Campinas, Pontes, 1988.
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da escrita. Campinas, ABL/Mercado das Letras, 1995.
OLIVEIRA, Ieda de, O Contrato de Comunicação da Literatura Infantil e Juvenil. Rio de Janeiro:
Lucerna, 2003.
REGO, L.L.B. Literatura infantil: uma nova perspectiva da alfabetização na pré-escola. São Paulo,
FTD, 1990
SMOLKA, A.L.B. A criança na fase inicial da escrita: a alfabetização como processo discursivo.
São Paulo, Cortez, 1993.
TERRA, Ernani; NICOLA, José de; CAVALLETE, Floriana Toscano. Português para o ensino médio:
língua, literatura e produção de textos. São Paulo: SCIPIONE,2002.
VYGOTSKY, L.S. Pensamento e linguagem. Trad. Jeferson Luiz Camargo. São Paulo, Martins Fontes,
1987.
__________ .Formação social da mente. Trad. José Cipolla Neto et alii. São Paulo, Martins Fontes,
1991.
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