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UNIVERSIDADE FEDERAL DE JUIZ DE FORA

INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS


DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
BRASIL COLÔNIA
MÔNICA RIBEIRO
THIAGO FIRMINO DE SOUZA
TEMAS: COLÔNIA, BRASIL, INQUISIÇÃO, HERESIA, IGREJA, COSTUMES
SEXUAIS, CONDIÇÕES MORAIS.

VAINFAS, Ronaldo. Inquisição, Moralidade e Sociedade Colonial. IN: Trópico dos


Pecados: moral, sexualidade e Inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira,
1997. Página 221 a 244.

FICHAMENTO

Ronaldo Vainfas é um dos maiores expoentes da atual historiografia nacional.


Doutorou-se pela USP e é professor da UFF. Nesse livro, Vainfas trata de como a moral
atuava nos comportamentos dos colonos, e mais especificamente nesse capítulo fichado,
o papel da Inquisição.

 Nunca houve um tribunal na colônia aos moldes tradicionais. O Santo Ofício


chegou ao Brasil por meio das visitações. Os encarregados dos negócios
inquisitoriais eram os bispos.
 Esses bispos não pertenciam necessariamente aos quadros inquisitoriais e não
passavam por exames minuciosos do Santo Ofício. Eram formados por uma
débil Igreja colonial e não podiam condenar hereges, cabendo a eles remeter os
pecadores a Lisboa.
 A visitação inquisitorial na Bahia e em Pernambuco (1591-1595) inaugura a
atuação do Santo Ofício no Brasil. Seu objetivo era estabelecer “perseguições
contra cristãos-novos, ânimo de expandir o catolicismo, investigações da fé” 1.
As inspeções se tornaram constantes, sendo recebias com pânico pela população.
o Suas atribuições, porém, eram limitadas, julgando os casos de bigamia,
blasfêmias e culpas menores. Instruía o processo quanto aos demais
acusados, mandando-os para Lisboa.
 As visitas consistiam na leitura do Edital da Fé, estimulando a confissão e a
denúncia sob pena de excomunhão maior. Uma lista dos crimes que deveriam
ser notificados ao Santo Ofício também era pregada.
 O tempo da Graça tinha início, no qual os confitentes espontâneos ficariam
livres de penas corporais e do confisco de bens.
 Principalmente em um período de guerra vivido no reino, seguido da
Restauração, a Inquisição perdeu presença na colônia. Para formar um
contrapeso, foram aumentadas as responsabilidades dos familiares e comissários.
As devassas também se tornaram mais frequentes, substituindo as visitações
inquisitoriais.
o Isso também ocorreu, com as devidas proporções, em terras lusitanas.
 Essas visitas diocesanas possuíam um rito processual mais simples, coma coleta
de testemunhos. A denúncia era estimulada e a confissão, ou pelo menos o

1
VAINFAS, Ronaldo. Inquisição, Moralidade e Sociedade Colonial. IN: Trópico dos Pecados: moral,
sexualidade e Inquisição no Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteir, 1997. Página: 222.
período da Graça, fora extinta (embora a confissão sacramental ainda fosse
regular). O visitador ouvia a denúncia e o acusado, dando-lhe uma pena. Apenas
em casos extremos e ele era enviado ao Santo Ofício.
 Mas essas visitas de bispos em muito lembravam as visitas inquisitoriais, cujos
objetivos pedagógicos e repressivos eram semelhantes: “ensinar a fé católica e
doutrinar fora de todas as heresias, e conservar bons costumes, emendar os
maus, incitar o povo com admoestações à religião, paz e inocência” 2. O segredo
também era algo presente nas duas visitações, onde o acusado não sabia quem
procedera e o porquê da acusação.
 A chamada “pedagogia do medo” fazia com que a população aderisse ao apelo
das autoridades eclesiásticas. Ela era associada “ao segredo dos processos, ao
pavor da morte na fogueira, do confisco dos bens e da infâmia que recaía sobre
os condenados do Santo Ofício”3.
 As devassas eram frequentes e expunham a vida de todos ao julgamento público.
Procissões de fé e execução de sentenças em público aumentavam o medo da
população. Esse medo era interessante a instituição inquisitorial por estimular
confissões e delações para aliviar a consciência.
 Por outro lado, o medo levava – tanto no âmbito individual quanto coletivo – a
fugas, pactos de silêncio, reinvenção de histórias a serem contadas. Também
arruinava solidariedades, lealdades familiares, desfazia amizades, rompia laços
de vizinhança, afetos e paixões.
o Havia também as acusações por defesa, onde o delator tentava fazer com
que o crime do acusado fosse entendido e tivesse uma pena leve, o que
não aconteceria caso um inimigo o delatasse.
 Essas acusações e delações eram vistas como submissão ao poder eclesiástico.
o A princípio, a Inquisição deveria chegar a todos, não importando
privilégios ou classe social. Mas não era bem assim que acontecia.
o Os mais ricos e privilegiados eram os que mais delatavam, por ter mais a
perder enquanto os abastados mal ousavam a ter tal atitude.
o Os mais pobres e desclassificados eram os mais acusados de crimes
sexuais e morais.
o Índios e negros estavam a margem da religiosidade e pouco delatavam e
confessavam. Mas o caráter de suas palavras era posta em dúvida devido
a sua inferioridade.
o O número de mulheres na colônia era bem limitado e por isso apareciam
tão pouco em qualquer lado do processo. Mas na denúncia foi onde
particularmente apareciam mais.
 Dessa maneira, surgem alguns padrões:
 Delator típico: branco, casado, português, bem posicionado e cristão-velho.
 Denunciados típicos (mais heterogêneo): homem simples, colono pobre,
trabalhador manual ou servil, português, mazombo e até mestiço.
 Portanto, a Inquisição estava vulnerável as hierarquias sociais. Não se
estabeleceu de maneira direta na colônia, mas teve um importante papel de
modelar comportamentos e maneiras. Além disso, dava um certo poder de
submissão ao bispo e ao inquisidor.

2
Idem, Página 227.
3
Idem, Página 230.

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