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EXPOENTE 10

MATEMÁTICA A MANUAL DO
PROFESSOR

Daniela Raposo
Luzia Gomes

MANUAL CERTIFICADO
FACULDADE DE CIÊNCIAS
DA UNIVERSIDADE DO PORTO

DE ACORDO COM
NOVO PROGRAMA E
METAS CURRICULARES

VOL. 1
PREFÁCIO

A alteração do Programa de Matemática A, com as Metas Curriculares como pano de fundo,


implicou a elaboração de novos manuais para o 10.o ano.

Assim, procurando ir ao encontro das Metas Curriculares definidas para este ano de esco-
laridade, surge um manual que pretende ajudar os alunos a construir de forma bem cimentada
as bases para um Ensino Secundário de sucesso. Acreditamos que todos são capazes!

A nossa experiência de sala de aula reforça a convicção de que o aluno deve ser o principal
agente neste complexo processo de aprendizagens. Desta forma, este manual caracteriza-se
por uma componente prática muito forte, com:

– exercícios resolvidos pensados de forma a consolidar a matéria teórica e servir de orien-


tação ao trabalho dos alunos;

– exercícios de margem de forma a tornar os alunos capazes de conhecer e utilizar uma


variedade de procedimentos de cálculo;

– uma bateria de exercícios, na rubrica Aprende Fazendo, que permitirá aos alunos a mobi-
lização de conhecimentos de factos, de conceitos e de relações, bem como a seleção e apli-
cação adequada de regras e procedimentos, anteriormente estudados e trabalhados;

– classificação dos exercícios do Aprende Fazendo por grau de dificuldade, de maneira


a dar ao aluno um feedback da evolução do seu desempenho e uma motivação que o faça
querer ir mais além;

– chamadas de atenção para erros frequentes, na rubrica Erro Típico.

O Manual foi desenvolvido em articulação com o Caderno de Exercícios e Testes, que inclui
exercícios adicionais para todos os conteúdos e permite a simulação de momentos de avaliação.

Antes de terminar não podemos deixar de agradecer à Professora Doutora Cláudia Mendes
Araújo, pela disponibilidade, a troco apenas do sentido de colaboração construtiva, à Faculdade
de Ciências da Universidade do Porto, nas pessoas das Professoras Doutoras Gabriela Chaves
e Lucinda Lima, pela forma dedicada e profissional com que trabalharam no processo de avalia-
ção e certificação do Manual, ao Professor Doutor Filipe Carvalho, muito mais do que revisor
científico, indispensável na própria elaboração deste manual, à Dra. Alexandra Queirós, incansável
parte desta equipa e aos nossos colegas que tiveram sempre uma palavra de apoio.

Por último, mas não menor agradecimento, às nossas famílias que nos apoiaram incondi-
cionalmente e sem as quais este livro não teria sido possível.

As Autoras
APRESENTAÇÃO

O Manual Expoente 10 é constituído por SEPARADOR


2 volumes. DE TEMA
No 1.o volume apresentam-se os te- com referência
às unidades que TEMA I
mas Introdução à lógica bivalente e à
teoria dos conjuntos, Álgebra e Geometria o compõem Introdução à lógica bivalente e
à teoria dos conjuntos
1. Proposições

analítica. No 2.o volume incluem-se os Desafios


2. Condições e conjuntos

temas Funções reais de variável real e Observa os dilemas do Raposo no vídeo “Mulheres
que sabem o que querem”.

1.º dilema
Vídeo
“Mulheres que sabem o
que querem.”

Segundo a Rebeca, restaurantes bons não são baratos!

Estatística. De acordo com a Vanessa, restaurantes baratos não são bons!


Para o Raposo, as duas amigas têm uma opinião bastante diferente sobre o restaurante.
Será que elas de facto estão a dizer coisas diferentes?
Ou será que não passa da mesma afirmação dita por outras palavras?

2.º dilema
Nesse mesmo dia, a Rebeca contou ao Raposo que ela, a Vanessa e a Sara vestem sempre
saia ou calças e têm três regras que não podem ser quebradas:

DESAFIOS
• Sempre que a Sara leva saia, a Vanessa leva calças.
• A Sara leva saia se e só se a Rebeca levar calças.
• A Vanessa e a Rebeca nunca vão as duas de calças.
Finalmente, a Vanessa diz ao Raposo que uma das três amigas usou saia na segunda-feira,

em articulação com vídeos exclusivos do


calças na terça-feira, e que está apaixonada por ele.
Consegues descobrir qual das três amigas está apaixonada pelo Raposo?
No final deste tema voltaremos a estes problemas. Rogério Martins

matemático Rogério Martins, disponíveis


em . Estes desafios são
retomados no final do tema

CONTEXTUALIZAÇÃO
HISTÓRICA
NOTAS enquadramento histórico
dos assuntos tratados

TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos UNIDADE 1 Proposições

LTC10_1.2 2. Verificação de que V é o elemento neutro da conjunção


LTC10_1.7 LTC10_1.13
LTC10_1.12
A proposição (p ∧ V) é verdadeira exatamente quando ambas as proposições p e V são Primeiras leis de De Morgan
verdadeiras. Como a proposição V é sempre verdadeira, a proposição p ∧ V é verdadeira Dadas duas proposições p e q, tem-se que: Contextualização histórica
Nota
exatamente quando a proposição p é verdadeira. Desta forma, a proposição (p ∧ V) é 1. (∼(p ∧ q)) ⇔ (∼p ∨ ∼q)
A associatividade da equivalente à proposição p.
conjunção e da disjunção
2. (∼(p ∨ q)) ⇔ (∼p ∧ ∼q)
permite escrever sem 3. Verificação de que V é o elemento absorvente da disjunção
ambiguidades proposições
Consideremos todos os valores lógicos que p pode assumir e para cada uma das possi-
na forma Demonstração de 1.
p ∧ q ∧ r e p ∨ q ∨ r. bilidades determina-se o valor lógico de (p ∨ V).

p p ∨V Começamos por considerar todas as possibilidades de sequências de valores lógicos


13 Prova, através de uma que p e q podem assumir e, para cada uma das possibilidades, determina-se o valor lógico
Augustus De Morgan
tabela de verdade, a V V de ∼(p ∧ q) e de ∼p ∨ ∼q: (1806-1871)
propriedade distributiva da
F V Matemático e lógico
conjunção em relação à
britânico, formulou as Leis
disjunção.
p q p∧q ∼(p ∧ q) ∼p ∼q ∼p ∨ ∼q de De Morgan e introduziu
(p ∧ (q ∨ r)) Observa-se que a coluna correspondente à proposição (p ∨ V) é constituída apenas pelo e tornou rigorosa a noção
⇔ ((p ∧ q) ∨ (p ∧ r))
valor lógico V. Logo, (p ∨ V) ⇔ V. V V V F F F F de “indução matemática”.
O seu maior contributo
Recorda V F F V F V V para a ciência consistiu na
Princípio do terceiro Tradução simbólica dos princípios do terceiro excluído e de não contradição reforma da lógica, abrindo
excluído
F V F V V F V o caminho para o
Dada uma proposição p, tem-se que: nascimento da lógica
Uma proposição ou é
(p ∨ ∼p) ⇔ V Princípio do terceiro excluído F F F V V V V simbólica.
verdadeira ou a sua
negação é verdadeira, isto (p ∧ ∼p) ⇔ F Princípio de não contradição
é, verifica-se sempre um
Observa-se que as colunas correspondentes às proposições ~(p ∧ q) e ∼p ∨ ∼q são iguais. 16 Considera as proposições
destes casos e nunca um p, q e r. Escreve o mais
terceiro. Logo, (~(p ∧ q)) ⇔ (∼p ∨ ∼q), como queríamos demonstrar.
Exercício resolvido simplificadamente possível
Princípio de não Constatamos que: proposições equivalentes à
contradição Considera as proposições p e q. Simplifica as seguintes proposições e indica, sempre negação das seguintes
Uma proposição não pode proposições.
que possível, o respetivo valor lógico.
ser simultaneamente Dizer que a negação da conjunção de duas proposições é verdadeira é equivalente a) p ∨ ∼q
verdadeira e falsa. a) ∼p ∨ (p ∨ q) b) ∼p ∧ q
a dizer que a disjunção das negações das duas proposições é verdadeira.
c) p ∨ (q ∧ ∼r)
b) ∼p ∧ (p ∨ q)
14 Considera as proposições
p e q. Simplifica as 17 Sejam p e q as
Exemplo
seguintes proposições e Sugestão de resolução proposições:
indica, sempre que
Dizer que a proposição “~(√∫2 = 1 ∧ √∫2 = 2)” é verdadeira é o mesmo que dizer que a p: “A Ana é escritora.”
possível, o respetivo valor a) ∼p ∨ (p ∨ q)
lógico. afirmação “(∼√∫2 = 1) ∨ (∼√∫2 = 2)”, ou, de forma equivalente, que a afirmação “√∫2 ≠ 1 ∨ q: “A Ana é famosa.”
⇔ (∼p ∨ p) ∨ q (propriedade associativa da disjunção)
a) p ∧ (~p ∧ q) √∫2 ≠ 2” é verdadeira. Traduz em linguagem
⇔V∨q (princípio do terceiro excluído: (∼p ∨ p) ⇔ V) corrente a negação das
b) p ∨ (~p ∨ q)
⇔V (V é o elemento absorvente da disjunção) seguintes proposições.
c) p ∧ (~p ∨ q) a) p ∧ q b) p ∨ q
b) ∼p ∧ (p ∨ q) Dizer que a negação da disjunção de duas proposições é verdadeira é equivalente a
c) ~p ∨ q d) ~p ∧ ∼q
15 Prova, utilizando tabelas ⇔ (∼p ∧ p) ∨ (∼p ∧ q) (propriedade distributiva da conjunção em relação dizer que a conjunção das negações das duas proposições é verdadeira.
de verdade, a seguinte lei à disjunção) Soluções
de De Morgan. ⇔ F ∨ (∼p ∧ q) (princípio da não contradição: (∼p ∧ p) ⇔ F) 16. a) ∼p ∧ q b) p ∨ ∼q
~(p ∨ q) ⇔ (∼p ∧ ~q) c) ∼p ∧ (∼q ∨ r)
⇔ ∼p ∧ q (F é o elemento neutro da disjunção) Exemplo
17. a) “A Ana não é escritora ou
Soluções Observe-se que não é conhecido o valor lógico desta proposição, que vai de- Dizer que a proposição “~(10 é múltiplo de 3 ∨ 10 é múltiplo de 7)” é verdadeira é o não é famosa.” b) “A Ana não é
14. a) Proposição falsa. pender dos valores lógicos das proposições p e q. mesmo que dizer que a afirmação “(10 não é múltiplo de 3) ∧ (10 não é múltiplo de 7)” escritora nem é famosa.” c) “A
b) Proposição verdadeira. Ana é escritora e não é famosa.”
é verdadeira.
c) p ∧ q d) “A Ana é escritora ou é famosa.”

20 21

RECORDA EXERCÍCIOS
dos conteúdos
trabalhados na página

TEMA IV Funções reais de variável real UNIDADE 3 Generalidades acerca de funções reais de variável real

Texas TI-nspire 2. Determinar valores aproximados dos zeros de uma função Texas TI-84 Plus
Pressiona a tecla ON e escolhe a opção adicionar Gráficos. Representa graficamente a função:
Considera a função f definida por:
f(x) = x3 + x2 – 4x – 4
De seguida, digita a expressão analítica de f na janela f1(x) =:
Determina os seus zeros, com recurso à calculadora.

Casio fx-CG 10/20


De acordo com as instruções anteriores, representa graficamente f.
Pressiona as teclas 2ND TRACE
Pressiona a tecla SHIFT e simultaneamente G-SOLV (F5): e escolhe a opção 2:zero:

Pressiona a tecla MENU e escolhe as opções Janela/Zoom e 1:Definições de janela, onde


poderás escolher os valores mínimo e máximo de cada uma das variáveis:
Com as setas posiciona o
cursor à esquerda do zero que
pretendes determinar e
pressiona ENTER:
CALCULADORA
apresentam-se explicações
TAREFAS RESOLVIDAS
Com as setas posiciona o cursor
de procedimentos com
Das opções apresentadas, escolhe a primeira: ROOT (F1)
à direita do zero que pretendes
determinar e pressiona ENTER:
de introdução aos
calculadoras gráficas dos
Pressiona OK e voltarás à janela onde tens a expressão analítica da função.
conteúdos
Pressiona ENTER e obterás a representação gráfica da função:

Carrega para a direita no cursor, uma vez e depois outra, de forma a encontrar os outros
Pressiona ENTER novamente:
seguintes modelos: Texas
zeros:

TI-84 Plus; Texas TI-nspire


e Casio fx-CG10/20
Repete o processo para
Os zeros de f são: –2, –1 e 2 determinar cada um dos outros
zeros.
38 39
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos UNIDADE 2 Condições e conjuntos

LTC10_2.5 Condições impossíveis Exercício resolvido 46 Completa com ⇒, ⟺ e ⇐


as seguintes condições
Vimos que, em R, a condição x2 – 2 = 0 é possível. Completa com ⇒, ⇔ e ⇐ as seguintes condições (substituindo as reticências por (substituindo as reticências
um destes símbolos), de modo a que sejam universais em R. por um destes símbolos),
Consideremos, agora, a mesma condição x2 – 2 = 0, mas num universo diferente, em de modo que sejam
N. Neste universo, a condição é impossível, pois qualquer que seja o número natural a) x > 2 … x2 > 4

EXERCÍCIOS RESOLVIDOS
universais em R.
pelo qual se substitui a variável x transforma a condição numa proposição falsa. a) x = 3 … x2 = 9
36 Justifica que: b) (x – 1)(x – 2) = 0 … x = 1
b) x2 = 9 … x = 3
a) em N, x2 + 2x = 0 é Repara que:
c) x = 3 … x4 = 81 c) x2 = 9 … x = 3 ∨ x = –3
uma condição
• para x = 1, 12 – 2 = 0 é uma proposição falsa; d) x > 3 … x2 > 9

aplicações dos conteúdos


impossível; d) x > 3 … x3 > 27
b) em R, x2 + 2 < 0 é uma
• para x ≥ 2, x2 – 2 ≥ 2, pelo que x2 – 2 = 0 é também uma proposição falsa. e) x = 3 … x3 = 27
condição impossível; e) |x + 3| < 2 … x + 3 < 2
Assim, não existem números naturais que verifiquem esta condição.
Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano
c) em [4, +∞[, Recorda
(x – 3)(x + 1) = 0 é uma Definição p(x) ⇐ q(x) é o mesmo que

que estão a ser estudados


condição impossível.
q(x) ⇒ p(x).
Uma expressão proposicional impossível ou condição impossível, num determinado Sugestão de resolução
universo, é uma expressão que se transforma numa proposição falsa para qualquer
a) “x > 2 ⇒ x2 > 4” é uma condição universal em R, pois toda a concretização 47 Mostra que as seguintes
concretização das suas variáveis nesse universo.
37 Indica um universo onde a da variável x que satisfaz a primeira condição “x > 2” verifica igualmente a condições não são
universais em R,
condição 2x < 10 seja: segunda x2 > 4.
indicando um número real
a) possível, mas não Exemplos
b) “(x – 1)(x – 2) = 0 ⇐ x = 1” é uma condição universal em R, pois toda a que substituído na variável
universal; x transforme a condição
As seguintes condições são impossíveis em R: concretização da variável x que satisfaz a condição “x = 1” verifica igual-

DEFINIÇÕES
b) universal; numa proposição falsa.
1. x2 = –3 mente a condição “(x – 1)(x – 2) = 0”.
c) impossível. a) x2 = 1 ⇔ x = 1

2. x + 1 < x c) “x = 3 ⇒ x4 = 81” é uma condição universal em R, pois toda a concretiza- b) x4 = 16 ⇔ x = 2


ção da variável x que satisfaz a primeira condição “x = 3” verifica igualmente c) x2 > 9 ⇔ x > 3
3. x2 + 2x + 3 = 0
a segunda “x4 = 81”. d) |x – 1| = 2 ⇔ x – 1 = 2

destacadas para uma mais


Resolvendo a equação, vem:
38 Considera as seguintes d) “x > 3 ⇔ x3 > 27” é uma condição universal em R, pois para toda a con-
condições: x2 + 2x + 3 = 0 ⇔ x = –2 ± √∫4∫ –∫ ∫ 4
∫ ∫¥
∫ ∫3

APRENDE FAZENDO
2 cretização da variável x as condições “x > 3” e “x3 > 27” assumem o mesmo
a) (x – 1)(x + 1) = x2 – 1 Pág. 72
⇔ x = –2 ± √∫–∫8
valor lógico. Exercício 45
b) x2 = 0

fácil identificação
3
c) x2 + 1 =0 e) “|x + 3| < 2 ⇒ x + 3 < 2” é uma condição universal em R, pois toda a con-
Obtemos uma condição impossível em R. CADERNO DE EXERCÍCIOS
d) –x < 0 cretização da variável x que satisfaz a condição “|x + 3| < 2” verifica igual- E TESTES
4. x ≠ x mente a condição x + 3 < 2. Pág. 6
Classifica cada uma das
condições em N, Z e R. Exercício 13
Esquematizando / Resumindo
Soluções

46. a) ⟹
A classificação de condições num dado universo pode ser sintetizada no seguinte
b) ⟸
Soluções esquema: Erro típico c) ⟺
Universais – todas as concretizações das variáveis
37. Por exemplo: d) ⟹
dão origem a uma proposição verdadeira.
a) R e) ⟺
Possíveis Um erro muito comum na resolução da alínea a) do exercício anterior é escrever
b) ]–∞, 5[ 47. a) –1∈R e (–1)2 = 1 ⇔ –1 = 1
c) {5, 7, 10}
Não universais – se pelo menos uma x > 2 ⇔ x2 > 4 é uma proposição falsa.
concretização das variáveis der origem a uma
38. Expressões proposição verdadeira e uma concretização
 b) –2∈R e (–2)4 = 16 ⇔ –2 = 2 é
a) É universal em N, Z e R. proposicionais der origem a uma proposição falsa. Erro! uma proposição falsa.
ou condições
b) É impossível em N e é c) –4∈R e (–4)2 > 9 ⇔ –4 > 3 é
Repara que “x > 2 ⇔ x2 > 4” não é uma condição universal em R. Se fizermos
possível em Z e R. uma proposição falsa.
c) É impossível em N, Z e R. Impossíveis – todas as concretizações das a concretização de x por –3, obtemos a proposição –3 > 2 ⇔ (–3)2 > 4, que é d) –1∈R e |–1 – 1| = 2
d) É universal em N e é possível
variáveis dão origem a uma proposição falsa. uma proposição falsa, uma vez que (F ⇔ V) ⇔ F. ⇔ –1 – 1 = 2 é uma proposição
em Z e R. falsa.

34 41

ESQUEMATIZANDO/ ERRO TÍPICO


RESUMINDO alerta para erros que
sínteses intercalares são frequentemente
cometidos e que
devem evitar

REMISSÕES PARA
O “APRENDE FAZENDO”
E PARA O CADERNO
DE EXERCÍCIOS E TESTES

SOLUÇÕES
exclusivas da Edição do Professor,
surgem no fim de cada página

NO FINAL
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos Itens de construção

Aprende Fazendo

Itens de seleção Itens de construção


DO MANUAL
1 Sejam p e q as proposições: 14 Das expressões seguintes, indica as que são designações e as que são proposições.

• Soluções
p: “O Afonso usa óculos.” a) “52 × (p – 3)”
q: “O Afonso usa chapéu.” b) “ 1 + 1 = 1 ”
3 3 6
a) Em linguagem simbólica, a proposição “O Afonso usa óculos ou chapéu” pode escrever-se como:
c) “17 é um número primo.”
(A) p ∧ q (B) p ∨ q (C) ∼p ∨ q (D) ∼p ∧ ∼q
d) “O triângulo de vértices A, B e C.”
b) Em linguagem simbólica, a proposição “O Afonso não usa óculos nem chapéu” pode escrever-se
como: e) “Há triângulos no plano com dois ângulos retos.”

APRENDE FAZENDO
(A) p ∧ q (B) p ∨ q (C) ∼p ∨ q (D) ∼p ∧ ∼q f) “√∫3 > p + 1”

g) “–5 ∈N”
Soluções: a) Opção (B) b) Opção (D)
h) “{1, 2, 3}”

conjunto de exercícios
i) “{1, 2, 3, 6} é o conjunto dos divisores naturais de 6.”
2 Sabe-se que a ⟺ b é uma proposição falsa. Então, acerca dos valores lógicos das proposições a e b,
podemos concluir que: j) “Existe um número primo que é par.”

(A) a e b são ambas verdadeiras. Soluções: São designações: a), d) e h). São proposições: b), c), e), f), g), i) e j)

de aplicação e consolidação;
(B) a e b são ambas falsas.
15 Indica o valor lógico das proposições do exercício anterior.
(C) a e b têm valor lógico diferente.
Soluções: b), e), f) e g) são proposições falsas. c), i) e j) são proposições verdadeiras.
(D) nada se pode concluir.

organizados em itens de seleção


Solução: Opção (C)

Nas atividades
16 Considera as proposições:
p: “Eu gosto do verão”.
3 Das expressões seguintes, considerando x um número real, qual delas não é uma expressão proposi- q: “Eu não gosto do inverno”.
r: “Eu gosto da primavera”.

e itens de construção e em grau


cional?

assinaladas com
(A) “O dobro de x é 7.” (B) 2x + 7 Traduz em linguagem corrente as seguintes proposições.

(C) x > 2 ∧ x < 7 (D) “x é múltiplo de 2 e de 7.” a) p ∧ q b) q ∨ r c) ~p ∧ ~q

d) ~q ∨ r e) ~(p ∨ r) f) ~p ∧ ~r

de dificuldade devidamente
Solução: Opção (B)

4 Considera os conjuntos A, B e C:
Soluções: a) “Eu gosto do verão e não gosto do inverno.” b) “Eu não gosto do inverno ou gosto da primavera.” c) “Eu não
gosto do verão e gosto do inverno.” d) “Eu gosto do inverno ou da primavera.” e) “Não é verdade que eu goste do verão ou
da primavera.” f) “Eu não gosto do verão nem da primavera.” este símbolo não
identificado
A = {1, 2}, B = {2, 1} e C = {n ∈N: n2 ≤ 9}

escrevas no manual.
17 Determina o valor lógico das proposições p e q, sabendo que a proposição:
Qual das opções seguintes é verdadeira?
a) p ∧ q é verdadeira; b) p ∨ q é falsa; c) ~p ∧ q é verdadeira.
(A) A = B = C (B) A = B e C ⊂ A (C) B = C (D) A = B e A ⊂ C
Soluções: a) p e q são proposições verdadeiras. b) p e q são proposições falsas. c) p é uma proposição falsa e q é uma
Solução: Opção (D) proposição verdadeira.

62 65
ÍNDICE

Apresentação ....................................................................................................... 03

TEMA I

Introdução à lógica bivalente e à teoria dos


conjuntos
Introdução ............................................................................................................. 12
1. Proposições ...................................................................................................... 13
1.1. Termos e proposições ...................................................................................... 13
1.2. Operações e propriedades sobre proposições................................................ 14

2. Condições e conjuntos ................................................................................... 30


2.1. Expressões proposicionais ou condições. Expressões designatórias ............ 30
2.2. Classificação de uma condição num dado universo ...................................... 33
2.3. Cálculo proposicional com variáveis ............................................................. 35
2.4. Equivalência como dupla implicação. Condição necessária e
condição suficiente ....................................................................................... 42
2.5. Quantificadores ............................................................................................ 42
2.6. Segundas leis de De Morgan ......................................................................... 48
2.7. Conjuntos definidos por condições ................................................................ 50
2.8. Inclusão de conjuntos ................................................................................... 55
2.9. Interseção de dois conjuntos ........................................................................ 57
2.10. União (ou reunião) de dois conjuntos ............................................................ 57
2.11. Complementar de um conjunto. Complementar de um conjunto
em relação a outro ....................................................................................... 58

Aprende fazendo ....................................................................................................... 62


Desafios .................................................................................................................... 73

TEMA II

Álgebra
1. Radicais ............................................................................................................. 76
1.1. Monotonia da potenciação ............................................................................... 76
1.2. Raízes de índice n ∈N, n ≥ 2 ........................................................................... 79
ÍNDICE

1.3. Propriedades algébricas de expressões com radicais .................................... 83


1.4. Passagem de fatores para fora de um radical ................................................. 92
1.5. Racionalização de denominadores .................................................................. 95

2. Potências de expoente racional ................................................................... 101


2.1. Potências de expoente inteiro ....................................................................... 101
2.2. Potências de expoente racional ................................................................... 102
Aprende fazendo ...................................................................................................... 106

3. Divisão inteira de polinómios ........................................................................ 114


3.1. Generalidades (revisões) ............................................................................... 114
3.2. Adição, subtração e multiplicação de polinómios (revisão) ............................ 117
3.3. Divisão inteira de polinómios ........................................................................ 119
3.4. Regra de Ruffini ........................................................................................... 122
3.5. Divisibilidade por x – a. Teorema do Resto .................................................... 127
3.6. Multiplicidade da raiz de um polinómio .......................................................... 131
3.7. Decomposição de um polinómio em fatores ................................................. 134
3.8. Determinação dos zeros de um polinómio .................................................... 138
3.9. Resolução de algumas inequações polinomiais de grau superior ao segundo ... 140
Aprende fazendo ...................................................................................................... 142
Desafios .................................................................................................................. 151

TEMA III

Geometria analítica
1. Geometria analítica no plano ....................................................................... 154
1.1. Referenciais ortonormados ............................................................................ 154
1.2. Distância entre dois pontos no plano ............................................................. 155
1.3. Coordenadas do ponto médio de um segmento de reta ................................. 157
1.4. Equação / inequação cartesiana de um conjunto de pontos ........................... 161
1.5. Inequações cartesianas de semiplanos ......................................................... 162
1.6. Mediatriz de um segmento de reta ................................................................. 167
1.7. Circunferência e círculo ................................................................................. 170
1.8. Elipse ............................................................................................................. 176
Aprende fazendo ...................................................................................................... 182
ÍNDICE

2. Cálculo vetorial no plano............................................................................... 190


2.1. Revisões ....................................................................................................... 190
2.2. Operações com vetores .............................................................................. 195
2.3. Operações com coordenadas de vetores .................................................... 206
2.4. Retas no plano ............................................................................................. 216

Aprende fazendo ..................................................................................................... 230

3. Geometria analítica no espaço .................................................................... 238


3.1. Referencial ortonormado do espaço ............................................................ 238
3.2. Equações de planos paralelos aos planos coordenados .............................. 244
3.3. Equações de retas paralelas aos eixos coordenados .................................. 245
3.4. Distância entre dois pontos no espaço ........................................................ 246
3.5. Coordenadas do ponto médio de um segmento de reta ............................... 247
3.6. Plano mediador de um segmento de reta ..................................................... 248
3.7. Superfície esférica e esfera .......................................................................... 251

4. Cálculo vetorial no espaço ........................................................................... 257


4.1. Vetores do espaço ....................................................................................... 257
4.2. Operações com coordenadas de vetores .................................................... 260
4.3. Vetor posição de um ponto e respetivas coordenadas ................................ 262
4.4. Operações com vetores do espaço a partir das suas coordenadas ............ 262
4.5. Equações de retas no espaço ..................................................................... 265

Aprende fazendo ..................................................................................................... 268


Desafios .................................................................................................................. 277

Soluções .............................................................................................................. 278

TEMA IV – Funções reais de variável real


VOL. 2
TEMA V – Estatística
Desafios

Observa os dilemas do Raposo no vídeo “Mulheres


que sabem o que querem”. Vídeo
“Mulheres que sabem o
que querem.”
1.º dilema
Segundo a Rebeca, restaurantes bons não são baratos!
De acordo com a Vanessa, restaurantes baratos não são bons!
Para o Raposo, as duas amigas têm uma opinião bastante diferente sobre os restaurantes.
Será que elas de facto estão a dizer coisas diferentes?
Ou será que não passa da mesma afirmação dita por outras palavras?

2.º dilema
Nesse mesmo dia, a Rebeca contou ao Raposo que ela, a Vanessa e a Sara vestem sempre
saia ou calças e têm três regras que não podem ser quebradas:
• Sempre que a Sara leva saia, a Vanessa leva calças.
• A Sara leva saia se e só se a Rebeca levar calças.
• A Vanessa e a Rebeca nunca vão as duas de calças.
Finalmente, a Vanessa diz ao Raposo que uma das três amigas usou saia na segunda-feira,
calças na terça-feira, e que está apaixonada por ele.
Consegues descobrir qual das três amigas está apaixonada pelo Raposo?
No final deste tema voltaremos a estes problemas. Rogério Martins
TEMA I
Introdução à lógica bivalente e
à teoria dos conjuntos
1. Proposições

2. Condições e conjuntos
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Introdução

Tarefa resolvida

Lê atentamente este conhecido problema de lógica e tenta resolvê-lo.

Um prisioneiro encontrava-se numa cela com duas saídas, cada uma delas com
um guarda. Cada saída dava para um corredor diferente, um dos quais conduzia à
liberdade e o outro a um fosso com crocodilos. Só os guardas sabiam qual era a saída
certa, mas enquanto um deles dizia sempre a verdade o outro mentia sempre. O pri-
sioneiro não sabia qual era a saída certa nem qual era o guarda que dizia a verdade.

Se fosse permitido ao prisioneiro fazer a um dos guardas, ao acaso, uma única


pergunta, que pergunta deveria ele fazer para saber qual a porta certa?

Sugestão de resolução

A pergunta poderia ser: Guarda, se eu perguntar ao seu colega qual é a porta


que me conduz à liberdade, qual é a que ele me indica?
Designando por A a porta certa (a que dá acesso à liberdade) e por B a porta
errada (a que conduz ao fosso de crocodilos):
• Se a pergunta for dirigida ao guarda que diz sempre a verdade, ele vai res-
ponder que o colega (que é mentiroso) indicará a porta B (porta errada);
• Se a pergunta for dirigida ao guarda mentiroso, ele vai mentir, ou seja, vai
responder que o colega (que diz a verdade) indicará a porta B (porta errada).
Repara que seja qual for o guarda a quem se faz a pergunta, irá sempre ser ob-
tida como resposta a porta errada, a que conduz ao fosso de crocodilos. Claro
que tendo conhecimento da porta errada, tem-se conhecimento da porta certa!
Claro que o mais provável é não te deparares com uma situação destas no dia
a dia mas, atendendo à complexidade do mundo em que vivemos, serás confron-
tado com vários problemas de natureza muito distinta e é fundamental seres
capaz de raciocinar bem.

O estudo deste tema, que vamos agora iniciar, pretende estruturar o pensamento
e desenvolver o raciocínio abstrato dos alunos. No final desta unidade deverás re-
conhecer a importância da linguagem formal (simples e rigorosa) na construção de
uma teoria matemática e na elaboração de análises objetivas e coerentes, enquanto
que a linguagem corrente está muitas vezes sujeita a duplos sentidos e contradições.

12
UNIDADE 1 Proposições

UNIDADE 1
Proposições

1.1. Termos e proposições


As expressões utilizadas pela linguagem matemática formal são, na sua essência, se- LTC10_1.1
melhantes às utilizadas pela linguagem corrente. No entanto, a sua interpretação e análise
podem ser diferentes. Tal como já foi dito, ao contrário da linguagem corrente, a lingua-
gem formal não pode estar sujeita a duplas interpretações ou contradições. Em particular,
vamos estudar dois tipos de expressões: termos ou designações e proposições. Resolução
Todos os exercícios de “Proposições”.

Definição 1 Das expressões seguintes,


indica as que são
Termo ou designação é uma expressão que designa um objeto. designações e as que são
proposições.
a) “32”
b) “32 = 6”
Exemplos
c) “2 é o único número
1. “p” primo par.”
d) “A reta r que passa pelo
2. “4 + √∫3 – 1”
ponto A e é
3. “O número real cujo dobro é 10.” perpendicular à reta s.”

4. “O mínimo múltiplo comum entre 3 e 16.” e) “√∫2 > π”

2 Indica o valor lógico das


Definição proposições do exercício
anterior.
Proposição é uma expressão à qual se pode atribuir um valor lógico “verdadeiro” ou
“falso”. APRENDE FAZENDO
Págs. 62 e 65
É comum as proposições serem representadas por p, q, … Exercícios 1, 2, 14 e 15

CADERNO DE EXERCÍCIOS
E TESTES
Exemplos Pág. 4
Exercícios 1 e 2
1. “p é um número irracional.”
Soluções
2. “4 + √∫3 – 1 = 3 + √∫3”
1. a) Designação.
3. “4 é o número real cujo dobro é 10.”
b) Proposição.
4. “O mínimo múltiplo comum entre 3 e 16 é 19.” c) Proposição.
d) Designação.
e) Proposição.
2. b) Proposição falsa.
Repara que proposições são afirmações às quais tem sentido atribuir um dos valores ló- c) Proposição verdadeira.
gicos, “verdadeiro” ou “falso”, e que se costumam representar por V ou F, respetivamente. e) Proposição falsa.

13
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.2 Nos exemplos apresentados na página anterior, as duas primeiras proposições são ver-
LTC10_1.4 dadeiras e as duas últimas são falsas.
As relações lógicas entre proposições são o objeto de estudo da lógica proposicional.
Admitem-se neste estudo os princípios que seguidamente apresentamos.

Princípio do terceiro excluído


Uma proposição ou é verdadeira ou a sua negação é verdadeira, isto é, verifica-se
sempre um destes casos e nunca um terceiro.
Princípio de não contradição
Uma proposição não pode ser simultaneamente verdadeira e falsa.

Definição

Equivalência de proposições
Duas proposições, p e q, dizem-se equivalentes se tiverem o mesmo valor lógico. Sim-
bolicamente, escreve-se frequentemente p ⇔ q para afirmar que p e q são equivalentes.

Observa que o sinal ⇔ significa apenas que são iguais os valores lógicos das proposi-
ções em questão, ou são ambas verdadeiras ou são ambas falsas, não se referindo ao sig-
nificado das mesmas.

1.2. Operações e propriedades sobre proposições


À semelhança do que acontece habitualmente, quando pensamos e construímos raciocí-
3 Escreve a negação de cada nios a partir de afirmações simples, que, à partida, podem assumir qualquer um dos valores
uma das seguintes lógicos, verdadeiro ou falso, é possível construir novas (proposições compostas) a partir de
proposições. proposições mais simples, utilizando operações que designamos por operações lógicas.
a) “Paris é a capital de
Espanha.”
b) “Saramago escreveu o Negação
Memorial do
Convento.”
A negação surge com frequência na linguagem corrente através da utilização de palavras
c) “Todas as crianças
como “não”, “nunca”, “nem” e “não é verdade que”.
gostam de brincar com
legos.” Por exemplo, consideremos a proposição: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol”.
A sua negação é uma nova proposição: “Cristiano Ronaldo não é jogador de futebol”.
Soluções
Definição
3. Por exemplo:
a) “Paris não é a capital de
Espanha.” Dada uma proposição p, não p é uma nova proposição que é verdadeira se p é falsa
b) “Não é verdade que e é falsa se p é verdadeira.
Saramago tenha escrito o
Memorial do Convento.”
A proposição “não p”, que também se diz a negação de p, representa-se por “~p”
c) “Nem todas as crianças ou “¬p”.
gostam de brincar com legos.”

14
UNIDADE 1 Proposições

O valor lógico da negação de uma proposição pode ser obtido a partir do valor lógico
LTC10_1.5
da proposição dada, o que pode ser facilmente resumido na seguinte tabela, habitual-
mente designada por tabela de verdade da negação:
p ~p
Nota
V F Uma proposição verdadeira
(ou falsa) pode ser também
F V
representada por V (ou F)
sempre que esta notação
Assim, sendo V uma proposição verdadeira e F uma proposição falsa, temos que: não for ambígua.

(∼V) ⇔ F e (∼F) ⇔ V

Exemplos 4 Escreve a negação de cada


uma das seguintes
1. p: “A Matemática é uma ciência.” proposições. Indica o
~p: “Não é verdade que a Matemática seja uma ciência.” valor lógico da proposição
e da sua negação.
ou, de forma equivalente:
a) “12 é um número
~p: “A Matemática não é uma ciência.” natural.”
2. p: “Todos os matemáticos estudam lógica.” b) “1 + 2 ¥ 3 = 9”
~p: “Não é verdade que todos os matemáticos estudem lógica.” c) “√∫2 ∈Q”
ou, de forma equivalente: d) “3 não é um divisor

~p: “Nem todos os matemáticos estudam lógica.” comum de 6 e de 9.”


e) “Nem todos os números
3. p: “Nenhuma pessoa morena tem olhos azuis.”
múltiplos de 5 terminam
~p: “Não é verdade que nenhuma pessoa morena tenha olhos azuis.” em 5.”
ou, de forma equivalente:
~p: “Algumas pessoas morenas têm olhos azuis.”
4. p: “√∫9 + 2 ¥ 5 = 25”
~p: “~(√∫9 + 2 ¥ 5 = 25)” Soluções
ou, de forma equivalente: 4.
~p: “√∫9 + 2 ¥ 5 ≠ 25” a) “12 é um número natural.” –
proposição verdadeira
5. p: “p > 3,1”
“12 não é um número natural.”
~p: “~(p > 3,1)” – proposição falsa
b) “1 + 2 ¥ 3 = 9” – proposição
falsa
Lei da dupla negação “1 + 2 ¥ 3 ≠ 9” – proposição
verdadeira
Dada uma proposição p, tem-se que:
c) “√∫2 ∈Q” – proposição falsa
~(~p) ⇔ p “√∫2∉Q” – proposição
verdadeira
d) “3 não é um divisor comum
Repara que a dupla negação equivale à afirmação. de 6 e de 9.” – proposição falsa
“3 é um divisor comum de 6 e
Exemplo de 9.” – proposição verdadeira
e) “Nem todos os números
p: “11 é um número primo.” múltiplos de 5 terminam em 5.”
– proposição verdadeira
~p: “11 não é um número primo.”
“Todos os números múltiplos de
~(~p): “Não é verdade que 11 não é um número primo”. 5 terminam em 5.” – proposição
A afirmação acima equivale a afirmar que “11 é um número primo”. falsa

15
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.6
Conjunção

A conjunção de duas proposições surge com frequência na linguagem corrente através da


utilização da palavra “e” ou de outras expressões, como poderás observar nos exemplos à frente.
Consideremos as proposições: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol”.
“Cristiano Ronaldo é natural da Madeira”.
A sua conjunção é uma nova proposição: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol e é
natural da Madeira”.

Definição

Dadas duas proposições p e q, a conjunção de p e q é uma nova proposição que é


verdadeira se e somente se p e q forem simultaneamente verdadeiras.
A nova proposição representa-se por “p ∧ q” e lê-se p e q.

5 Sejam p e q as O valor lógico da conjunção pode ser obtido a partir dos valores lógicos das proposições
proposições:
p e q dadas, como se encontra resumido na seguinte tabela de verdade:
p: “As rosas são
vermelhas.” p∧q ou:
q: “As margaridas são
p q V F p q p∧q
brancas.”
Traduz em linguagem V V F V V V
corrente as seguintes
proposições. F F F V F F
a) p ∧ q
b) (~p) ∧ q F V F

F F F

6 Considerando as Assim, sendo V uma proposição verdadeira e F uma proposição falsa, temos que:
proposições p e q do
exercício anterior, traduz (V ∧ V) ⇔ V (V ∧ F) ⇔ F (F ∧ V) ⇔ F (F ∧ F) ⇔ F
simbolicamente:
Exemplos
a) “As rosas são vermelhas
e as margaridas não são 1. p: “Os ovos moles são típicos de Aveiro.”
brancas.”
q: “Os moliceiros são típicos de Aveiro.”
b) “Nem as rosas são
p ∧ q: “Tanto os ovos moles como os moliceiros são típicos de Aveiro.”
vermelhas nem as
margaridas são Como as duas proposições são verdadeiras, a conjunção das duas é também uma pro-
brancas.” posição verdadeira.
2. p: “Chanel foi um importante matemático.”
q: “Picasso foi um importante matemático.”
Soluções
p ∧ q: “Quer Chanel, quer Picasso foram importantes matemáticos.”
5.
Como as duas proposições são falsas, a conjunção das duas é também uma proposição falsa.
a) “As rosas são vermelhas e as
margaridas são brancas.” 3. p: “2 é um número ímpar.” q: “2 é um número primo.”
b) “As rosas não são vermelhas p ∧ q: “2 é um número ímpar e 2 é um número primo.”
e as margaridas são brancas.” Como uma das proposições é falsa, a conjunção das duas é uma proposição falsa.
6.
a) p ∧ (~q) 4. p: “32 > 4” q: “|–3| < 3” p ∧ q: “32 > 4 ∧ |–3| < 3”
b) (~p) ∧ (~q) Como uma das proposições é falsa, a conjunção das duas é uma proposição falsa.

16
UNIDADE 1 Proposições

Disjunção LTC10_1.7

A disjunção de duas proposições surge com frequência na linguagem corrente através


da utilização da palavra “ou”.
Consideremos as proposições: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol de um clube”.
“Cristiano Ronaldo é jogador da seleção nacional”.
A sua disjunção é uma nova proposição: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol de
um clube ou é jogador da seleção nacional”.
Definição
7 Sejam p e q as
Dadas duas proposições p e q, a disjunção de p e q é uma nova proposição que é falsa proposições:
se e somente se p e q forem simultaneamente falsas. p: “7 é um número
racional.”
Esta proposição representa-se por “p ∨ q” e lê-se p ou q.
1
q: “ é um número inteiro.”
3
O valor lógico da disjunção p ∨ q pode ser obtido a partir dos valores lógicos das pro- Traduz em linguagem
corrente as seguintes
posições p e q dadas, como se encontra resumido na seguinte tabela de verdade:
proposições.
p∨q ou: a) p ∨ q
b) (~p) ∨ q
p q V F p q p∨q
c) (~p) ∨ (~q)
V V V V V V
F V F V F V

F V V

F F F

Assim, sendo V uma proposição verdadeira e F uma proposição falsa, temos que:
(V ∨ V) ⇔ V (V ∨ F) ⇔ V (F ∨ V) ⇔ V (F ∨ F) ⇔ F 8 Indica o valor lógico de
todas as proposições
Exemplos consideradas no exercício
anterior.
1. p: “2 é um número ímpar.” q: “2 é um número primo.”
p ∨ q: “2 é um número ímpar ou 2 é um número primo.”
APRENDE FAZENDO
Como uma das proposições é verdadeira, a disjunção das duas é uma proposição verdadeira.
Págs. 65 e 68
2. p: “–32 > 4” q: “|–3| < 3” p ∨ q: “–32 > 4 ∨ |–3| < 3” Exercícios 16 e 25
Como as duas proposições são falsas, a disjunção das duas é também uma proposição falsa.
Soluções
3. p: “7 ∈N” q: “7 > p” p ∨ q: “7 ∈N ∨ 7 > p”
Como ambas as proposições são verdadeiras, a disjunção das duas é uma proposição 7.
a) “7 é um número racional ou
verdadeira. 1
é um número inteiro.”
3
Repara que em linguagem corrente e num contexto não matemático, a palavra “ou” por
b) “7 não é um número racional
vezes tem uma interpretação diferente desta que acabamos de definir. Por exemplo, 1
ou é um número inteiro.”
quando dizemos “ou vou à praia ou vou ao cinema”, está implícito que as situações não 3
c) “7 não é um número racional
podem ocorrer em simultâneo (disjunção exclusiva). 1
ou não é um número inteiro.”
Num contexto matemático, a disjunção exclusiva é menos utilizada. Assim, quando fa- 3
8. p; p ∨ q e (~p) ∨ (~q) são
lamos em disjunção ou simplesmente utilizamos a palavra “ou” estamos a considerar a
proposições verdadeiras.
disjunção conforme definida acima, isto é, uma disjunção de duas proposições é verda- q e (~p) ∨ q são proposições
deira quando pelo menos uma delas é verdadeira. falsas.

17
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

9 Sejam p e q duas Prioridades das operações lógicas


proposições das quais se
sabe que p ∧ q é uma Tal como acontece nas operações numéricas, os parênteses indicam quais as operações
proposição verdadeira e F lógicas que devem ser efetuadas em primeiro lugar. Para simplificar a escrita, convencio-
é uma proposição falsa.
nou-se que em qualquer sequência de operações lógicas, a menos de utilização de pa-
Indica o valor lógico de
cada uma das seguintes rênteses, a negação tem prioridade relativamente à conjunção e à disjunção.
proposições.
Exercícios resolvidos
a) p
b) ~q
1. Sejam p e q duas proposições das quais se sabe que p ∨ q é uma proposição falsa.
c) p ∨ q
Indica o valor lógico de cada uma das seguintes proposições:
d) ~(p ∨ q)
e) p ∧ ~q a) ∼p b) p ∧ q c) ~p ∨ q

f) p ∧ F
g) p ∨ F Sugestão de resolução

Sabemos que para a proposição p ∨ q ser falsa, as proposições p e q têm de


ser ambas falsas. Assim:
a) ∼p é uma proposição verdadeira, visto ser a negação de uma proposição falsa.

b) p ∧ q é uma proposição falsa, visto ser a conjunção de duas proposições falsas.

10 Indica o valor lógico de c) ~p ∨ q é uma proposição verdadeira, visto ser a disjunção de uma proposição
cada uma das seguintes verdadeira (∼p) com uma proposição falsa (q).
proposições.
a) “15 é um número primo
e ímpar.” 2. Indica o valor lógico de cada uma das seguintes proposições.
b) “Tanto 2 como 5 são a) “222 é múltiplo de 3 e 3 é um número par.”
divisores de 100.”
c) “16 é múltiplo de 5 ou b) “222 é múltiplo de 3 ou 3 é um número par.”
de 6.”
c) “7 é menor ou igual a 7.”
d) “p > 3,14 ∨ –1 < –2”

Sugestão de resolução

APRENDE FAZENDO a) A proposição “3 é um número par“ é falsa, logo, a conjunção das duas, “222
Pág. 65 é múltiplo de 3 e 3 é um número par”, é uma proposição falsa.
Exercício 17
b) A proposição “222 é múltiplo de 3“ é verdadeira, logo, a disjunção das duas,
Soluções “222 é múltiplo de 3 ou 3 é um número par”, é uma proposição verdadeira.
9. c) A proposição “7 é igual a 7“ é verdadeira, logo, a disjunção das duas, “7 é
a) Proposição verdadeira.
menor ou igual a 7”, é uma proposição verdadeira.
b) Proposição falsa.
c) Proposição verdadeira.
d) Proposição falsa.
e) Proposição falsa.
f) Proposição falsa. Erro típico
g) Proposição verdadeira.
10.
a) Proposição falsa.
Um erro comum consiste em considerar que a afirmação “7 é menor ou igual a
b) Proposição verdadeira. 7” é uma afirmação falsa. Contudo, como acabámos de verificar na alínea c) do
c) Proposição falsa. exercício resolvido anterior, a afirmação “7 é menor ou igual a 7” é verdadeira.
d) Proposição verdadeira.

18
UNIDADE 1 Proposições

Propriedades da conjunção, disjunção, negação e suas relações LTC10_1.12


LTC10_1.14

Algumas das propriedades que já conheces sobre operações com números também se 11 Constrói uma tabela de
aplicam às operações sobre proposições. verdade para as seguintes
Sejam p, q e r proposições que assumem qualquer valor lógico, V uma proposição ver- proposições.
dadeira e F uma proposição falsa. a) ~p ∨ q b) ~(p ∨ q)
c) p ∧ ~q
Propriedades Conjunção Disjunção
Nota
Comutatividade (p ∧ q) ⇔ (q ∧ p) (p ∨ q) ⇔ (q ∨ p) Chama-se tautologia a
uma proposição composta,
Associatividade ((p ∧ q) ∧ r) ⇔ (p ∧ (q ∧ r)) ((p ∨ q) ∨ r) ⇔ (p ∨ (q ∨ r))
que é verdadeira quaisquer
Existência de (p ∧ V) ⇔ (V ∧ p) ⇔ p (p ∨ F) ⇔ (F ∨ p) ⇔ p que sejam os valores
elemento neutro V é o elemento neutro F é o elemento neutro lógicos das proposições
elementares que a formam.
Existência de (p ∧ F) ⇔ (F ∧ p) ⇔ F (p ∨ V) ⇔ (V ∨ p) ⇔ V
elemento absorvente F é o elemento absorvente V é o elemento absorvente 12 Constrói uma tabela de
verdade para provar que a
Idempotência (p ∧ p) ⇔ p (p ∨ p) ⇔ p
seguinte expressão é uma
Distributividade da tautologia.
conjunção em relação (p ∧ (q ∨ r)) ⇔ ((p ∧ q) ∨ (p ∧ r)) p ∨ (~p ∨ q)
à disjunção
APRENDE FAZENDO
Distributividade da
disjunção em relação (p ∨ (q ∧ r)) ⇔ ((p ∨ q) ∧ (p ∨ r)) Págs. 66 e 68
Exercícios 18 e 26
à conjunção
Soluções
A demonstração de cada uma destas propriedades pode ser feita recorrendo a tabelas 11. a) p q ~p ~p ∨ q
de verdade ou mostrando que as proposições assumem o valor lógico V (ou F) exatamente
V V F V
nas mesmas situações. A título de exemplo, vamos demonstrar: V F F F
1. Propriedade comutativa da conjunção F V V V
F F V V
Começamos por considerar todas as possibilidades de sequências de valores lógicos
que p e q podem assumir: b)
p q p ∨ q ~(p ∨ q)
p q p∧q q∧p
V V V F
V V
V F V F
V F F V V F
F V F F F V

F F c)
p q ~q p ∧ ~q
Para cada uma das possibilidades determina-se o valor lógico de p ∧ q e de q ∧ p:
V V F F
V F V V
p q p∧q q∧p
F V F F
V V V V F F V F
V F F F 12.
F V F F p q ~p ~p ∨ q p ∨ (~p ∨ q)

F F F F V V F V V
V F F F V
Observa-se que as colunas correspondentes às proposições p ∧ q e q ∧ p são iguais. F V V V V
Logo, (p ∧ q) ⇔ (q ∧ p). F F V V V

19
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.2 2. Verificação de que V é o elemento neutro da conjunção


LTC10_1.7
LTC10_1.12
A proposição (p ∧ V) é verdadeira exatamente quando ambas as proposições p e V são
verdadeiras. Como a proposição V é sempre verdadeira, a proposição p ∧ V é verdadeira
Nota
exatamente quando a proposição p é verdadeira. Desta forma, a proposição (p ∧ V) é
A associatividade da equivalente à proposição p.
conjunção e da disjunção
permite escrever sem 3. Verificação de que V é o elemento absorvente da disjunção
ambiguidades proposições
Consideremos todos os valores lógicos que p pode assumir e para cada uma das possi-
na forma
p ∧ q ∧ r e p ∨ q ∨ r. bilidades determina-se o valor lógico de (p ∨ V).

p p ∨V
13 Prova, através de uma
tabela de verdade, a V V
propriedade distributiva da
conjunção em relação à F V
disjunção.
(p ∧ (q ∨ r)) Observa-se que a coluna correspondente à proposição (p ∨ V) é constituída apenas pelo
⇔ ((p ∧ q) ∨ (p ∧ r))
valor lógico V. Logo, (p ∨ V) ⇔ V.
Recorda

Princípio do terceiro Tradução simbólica dos princípios do terceiro excluído e de não contradição
excluído
Dada uma proposição p, tem-se que:
Uma proposição ou é
verdadeira ou a sua (p ∨ ∼p) ⇔ V Princípio do terceiro excluído
negação é verdadeira, isto (p ∧ ∼p) ⇔ F Princípio de não contradição
é, verifica-se sempre um
destes casos e nunca um
terceiro.
Exercício resolvido
Princípio de não
contradição Considera as proposições p e q. Simplifica as seguintes proposições e indica, sempre
Uma proposição não pode
que possível, o respetivo valor lógico.
ser simultaneamente
verdadeira e falsa. a) ∼p ∨ (p ∨ q)

b) ∼p ∧ (p ∨ q)
14 Considera as proposições
p e q. Simplifica as
seguintes proposições e Sugestão de resolução
indica, sempre que
possível, o respetivo valor a) ∼p ∨ (p ∨ q)
lógico. ⇔ (∼p ∨ p) ∨ q (propriedade associativa da disjunção)
a) p ∧ (~p ∧ q)
⇔V∨q (princípio do terceiro excluído: (∼p ∨ p) ⇔ V)
b) p ∨ (~p ∨ q)
⇔V (V é o elemento absorvente da disjunção)
c) p ∧ (~p ∨ q)
b) ∼p ∧ (p ∨ q)
15 Prova, utilizando tabelas ⇔ (∼p ∧ p) ∨ (∼p ∧ q) (propriedade distributiva da conjunção em relação
de verdade, a seguinte lei à disjunção)
de De Morgan. ⇔ F ∨ (∼p ∧ q) (princípio da não contradição: (∼p ∧ p) ⇔ F)
~(p ∨ q) ⇔ (∼p ∧ ~q)
⇔ ∼p ∧ q (F é o elemento neutro da disjunção)
Soluções Observe-se que não é conhecido o valor lógico desta proposição, que vai de-
14. a) Proposição falsa. pender dos valores lógicos das proposições p e q.
b) Proposição verdadeira.
c) p ∧ q

20
UNIDADE 1 Proposições

LTC10_1.13
Primeiras leis de De Morgan
Dadas duas proposições p e q, tem-se que: Contextualização histórica

1. (∼(p ∧ q)) ⇔ (∼p ∨ ∼q)


2. (∼(p ∨ q)) ⇔ (∼p ∧ ∼q)

Demonstração de 1.

Começamos por considerar todas as possibilidades de sequências de valores lógicos


que p e q podem assumir e, para cada uma das possibilidades, determina-se o valor lógico
Augustus De Morgan
de ∼(p ∧ q) e de ∼p ∨ ∼q: (1806-1871)
Matemático e lógico
britânico, formulou as Leis
p q p∧q ∼(p ∧ q) ∼p ∼q ∼p ∨ ∼q de De Morgan e introduziu
e tornou rigorosa a noção
V V V F F F F de “indução matemática”.
O seu maior contributo
V F F V F V V para a ciência consistiu na
reforma da lógica, abrindo
F V F V V F V o caminho para o
nascimento da lógica
F F F V V V V simbólica.

Observa-se que as colunas correspondentes às proposições ~(p ∧ q) e ∼p ∨ ∼q são iguais. 16 Considera as proposições
Logo, (~(p ∧ q)) ⇔ (∼p ∨ ∼q), como queríamos demonstrar. p, q e r. Escreve o mais
simplificadamente possível
Constatamos que: proposições equivalentes à
negação das seguintes
proposições.
Dizer que a negação da conjunção de duas proposições é verdadeira é equivalente a) p ∨ ∼q

a dizer que a disjunção das negações das duas proposições é verdadeira. b) ∼p ∧ q


c) p ∨ (q ∧ ∼r)

17 Sejam p e q as
Exemplo
proposições:
Dizer que a proposição “~(√∫2 = 1 ∧ √∫2 = 2)” é verdadeira é o mesmo que dizer que a p: “A Ana é escritora.”
afirmação “(∼√∫2 = 1) ∨ (∼√∫2 = 2)”, ou, de forma equivalente, que a afirmação “√∫2 ≠ 1 ∨ q: “A Ana é famosa.”

√∫2 ≠ 2” é verdadeira. Traduz em linguagem


corrente a negação das
seguintes proposições.
a) p ∧ q b) p ∨ q
Dizer que a negação da disjunção de duas proposições é verdadeira é equivalente a
c) ~p ∨ q d) ~p ∧ ∼q
dizer que a conjunção das negações das duas proposições é verdadeira.
Soluções
16. a) ∼p ∧ q b) p ∨ ∼q
Exemplo c) ∼p ∧ (∼q ∨ r)
17. a) “A Ana não é escritora ou
Dizer que a proposição “~(10 é múltiplo de 3 ∨ 10 é múltiplo de 7)” é verdadeira é o não é famosa.” b) “A Ana não é
mesmo que dizer que a afirmação “(10 não é múltiplo de 3) ∧ (10 não é múltiplo de 7)” escritora nem é famosa.” c) “A
Ana é escritora e não é famosa.”
é verdadeira.
d) “A Ana é escritora ou é famosa.”

21
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.8 Exercício resolvido

Utiliza as primeiras leis de De Morgan para encontrar proposições cujo valor lógico
18 Sejam p, q e r as
seja o oposto do das seguintes:
proposições:
p: “O João gosta de a) “O Pedro é músico ou é matemático.”
Matemática.”
q: “O João faz muitos b) “1 é simultaneamente positivo e negativo.”
exercícios.”
c) “7 é maior ou igual a 7.”
r: “O João não tem bons
resultados.”
a) Utilizando operações Sugestão de resolução
lógicas entre p, q e r,
escreve as seguintes Sabemos que:
proposições em
linguagem simbólica. (∼(p ∧ q)) ⇔ (∼p ∨ ∼q) e (∼(p ∨ q)) ⇔ (∼p ∧ ∼q)
i. “Se o João faz muitos Assim, aplicando as primeiras leis de De Morgan, obtemos as seguintes pro-
exercícios, então
posições cujo valor lógico é o oposto das do enunciado:
gosta de Matemática.”
ii. “Se o João tem bons a) “O Pedro não é músico nem é matemático.”
resultados, então faz
muitos exercícios.” b) “1 não é positivo ou 1 não é negativo.”

iii. “Se o João gosta de c) “7 não é maior do que 7 e 7 é diferente de 7.”


Matemática e faz
muitos exercícios,
então tem bons
resultados.”
b) Traduz em linguagem
Implicação
corrente as seguintes
proposições.
A implicação entre proposições surge com frequência na linguagem corrente, através
i. (~p ∨ r) ⇒ ∼q
da utilização das expressões “… implica…” ou “se…, então… ” ou ainda ”… é condição
ii. p ⇒ (q ∧ ∼r)
suficiente para…”.
APRENDE FAZENDO Consideremos as proposições: “Cristiano Ronaldo é jogador de futebol”.
Págs. 66, 68 e 71
“Cristiano Ronaldo está bem preparado fisicamente”.
Exercícios 19, 27, 28, 29
e 44 A implicação entre estas proposições é uma nova proposição: “Se Cristiano Ronaldo é
jogador de futebol, então está bem preparado fisicamente”.
CADERNO DE EXERCÍCIOS
E TESTES
Pág. 5
Definição
Exercício 4
A implicação entre duas proposições, uma primeira, p, e uma segunda, q, é uma nova
Soluções
proposição que é verdadeira nos casos em que:
18.
a) i. q ⇒ p • a primeira é verdadeira e a segunda também;
ii. ∼r ⇒ q • a primeira é falsa e a segunda é verdadeira;
iii. (p ∧ q) ⇒ ∼r • a primeira é falsa e a segunda é falsa.
b) i. “Se o João não gosta de
Matemática ou não tem bons e é falsa no caso em que:
resultados, então o João não faz
muitos exercícios.” • a primeira é verdadeira e a segunda é falsa.
ii. “Se o João gosta de
Este proposição composta representa-se por “p ⇒ q” e lê-se p implica q.
Matemática, então faz muitos
exercícios e tem bons Diz-se que p é o antecedente e q é o consequente da implicação.
resultados.”

22
UNIDADE 1 Proposições

O valor lógico da implicação pode ser obtido a partir dos valores lógicos das proposi- 19 Sejam p e q duas
ções p e q dadas, como se encontra resumido na seguinte tabela de verdade: proposições tais que
p ⇒ q é falsa. Indica o
p⇒q ou:
valor lógico de cada uma
das seguintes proposições.
p q V F p q p⇒q a) p

V V F b) ∼q
V V V
c) p ∨ q
F V V V F F d) ~p ∨ q
e) p ∧ ~q
F V V
f) q ⇒ p
F F V g) ~q ⇒ ~p

Assim, sendo V uma proposição verdadeira e F uma proposição falsa, temos que:
(V ⇒ V) ⇔ V (F ⇒ V) ⇔ V (F ⇒ F) ⇔ V (V ⇒ F) ⇔ F

Expressões como “para se ser feliz é necessário ter dinheiro” ou “se encontrar emprego
então vou ser feliz” podem ser traduzidas em linguagem formal, através de uma impli-
cação.
No entanto, o sentido que damos a estas expressões no dia a dia é muitas vezes diferente
daquele que a implicação tem na definição aqui dada. Repara que quando alguém diz
“se amanhã estiver sol então vou à praia” leva-nos a pensar que se não estiver sol então
não irá à praia. Com esta interpretação, a proposição não pode ser traduzida por uma
implicação, tal como a definimos.

Apesar de ser possível traduzir proposições da linguagem corrente para a linguagem Nota
formal e vice-versa, esta tradução deverá ser feita com muito cuidado. Para evitar cometer A proposição p ⇒ q tam-
erros, é importante perceber devidamente cada um dos conceitos. bém pode ser escrita como
q ⇐ p, mantendo o mesmo
significado.
Quando a partir de duas proposições p e q construímos uma proposição composta O símbolo ⇐ lê-se “… é
p ⇒ q não estamos a afirmar que esta é verdadeira ou falsa, nem sequer a dizer que as implicado por…”, “… se…”,
proposições p e q estão relacionadas. “… desde que… ”, “… con-
tando que…” ou ainda “…
é condição necessária
A proposição p ⇒ q é apenas uma proposição que, em função dos valores lógicos de para…”.
p e de q, toma um valor lógico de acordo com a definição apresentada.
APRENDE FAZENDO
Pág. 64
Exercício 10
Exemplo
Soluções
É verdade que a proposição “a Terra não é um planeta” implica a proposição “ 1 + 1 = 3”, 19.
pois ambas as proposições são falsas e, como vimos, (F ⇒ F) ⇔ V. a) Proposição verdadeira.
b) Proposição verdadeira.
No entanto, em linguagem corrente, esta afirmação é desprovida de sentido, já que c) Proposição verdadeira.
“1 + 1 = 3” não é uma consequência de a Terra não ser um planeta. d) Proposição falsa.
e) Proposição verdadeira.
Em geral, quando se usa esta relação em linguagem corrente pretende-se estabelecer uma f) Proposição verdadeira.
relação de causalidade entre as proposições envolvidas. g) Proposição falsa.

23
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.8 Propriedades da implicação e suas relações com outras operações


LTC10_1.10
LTC10_1.15
LTC10_1.16
lógicas

20 Utiliza tabelas de verdade


para mostrar que
Transitividade
quaisquer que sejam os Dadas três proposições p, q e r:
valores lógicos de p, q e r, Se p ⇒ q e q ⇒ r, então p ⇒ r.
a expressão
((p ⇒ q) ∧ (q ⇒ r))
Simbolicamente:
⇒ (p ⇒ r) [((p ⇒ q) ∧ (q ⇒ r)) ⇒ (p ⇒ r)] ⇔ V
é sempre verdadeira
(transitividade da Relação da implicação com a disjunção e negação
implicação).
Sendo p e q duas proposições, tem-se que:
(p ⇒ q) ⇔ (∼p ∨ q)

21 Encontra uma proposição


equivalente a p ∨ q, Para demonstrar esta última propriedade, comecemos por considerar todas as possibi-
utilizando apenas os lidades de sequências de valores lógicos que p e q podem assumir e, para cada uma das
operadores ~ e ⟹. possibilidades, determina-se o valor lógico de p ⇒ q e de ~p ∨ q:

p q p⇒q ~p ~p ∨ q
22 Utilizando a linguagem V V V F V
corrente, nega a seguinte
proposição: “Se 10 é um V F F F F
número par, então é
divisível por 2”. F V V V V

F F V V V

23 Considera as proposições
p, q e r. Escreve o mais Repara que as colunas que dizem respeito a p ⇒ q e ~p ∨ q são iguais, ficando assim
simplificadamente possível provado o que se pretendia.
proposições equivalentes à
negação das seguintes
proposições. Negação da implicação
a) p ⇒ ∼q Dadas duas proposições p e q, tem-se que:
b) ∼p ⇒ q (~(p ⇒ q)) ⇔ (p ∧ ∼q)
c) (p ∧ q) ⇒ r
d) p ⇒ (q ∧ r)
A proposição ~(p ⇒ q) é verdadeira exatamente quando p ⇒ q é uma proposição falsa.
Por sua vez, p ⇒ q é falsa quando p é uma proposição verdadeira e q é uma proposição
falsa, ou seja, quando tanto p como ~q são proposições verdadeiras. É precisamente nesta
Soluções
situação que a proposição p ∧ ~q é verdadeira. Provamos desta forma que ~(p ⇒ q) é equi-
21. (p ∨ q) ⇔ (∼p ⇒ q)
valente a p ∧ ~q.
22. “10 é um número par e não
é divisível por 2.”
23.
Implicação contrarrecíproca
a) p ∧ q
b) ∼p ∧ ∼q Sendo p e q duas proposições, tem-se que:
c) p ∧ q ∧ ~r (p ⇒ q) ⇔ ((∼q) ⇒ (~p))
d) p ∧ (~q ∨ ~r)

24
UNIDADE 1 Proposições

A demonstração desta propriedade pode ser feita recorrendo a tabelas de verdade. 24 Considera as proposições
Começamos por considerar todas as possibilidades de sequências de valores lógicos que p e q. Simplifica as
p e q podem assumir e, para cada uma das possibilidades, determina-se o valor lógico de seguintes proposições e
p ⇒ q e de ~q ⇒ ~p: indica, sempre que
possível, o respetivo valor
lógico.
p q p⇒q ∼q ∼p ∼q ⇒ ∼p
a) p ⇒ (p ∨ q)
V V V F F V b) p ⇒ (p ∧ q)
c) (p ∧ q) ⇒ (p ∨ q)
V F F V F F

F V V F V V

F F V V V V

Repara que as colunas que dizem respeito a p ⇒ q e ~q ⇒ ~p são iguais, ficando assim
provado o que se pretendia.

Um outro processo de verificar que ((p ⇒ q) ⇔ ((∼q) ⇒ (~p))) consiste em recorrer a


propriedades já verificadas previamente:
p⇒q
⇔ ~p ∨ q (relação da implicação com a disjunção e negação)
⇔ q ∨ ~p (propriedade comutativa da disjunção)
⇔ ~(~q) ∨ ~p (lei da dupla negação)
⇔ (∼q ⇒ ~p) (relação da implicação com a disjunção e negação)

Exercício resolvido

Considera as proposições a e b. Simplifica as seguintes proposições e indica, sempre


que possível, o respetivo valor lógico.
a) (∼a ⇒ ∼b) ∨ (∼a ∨ b)
APRENDE FAZENDO
b) (a ⇒ ~b) ⇒ b Págs. 69, 70 e 71
Exercícios 32, 41, 42 e 43

Sugestão de resolução CADERNO DE EXERCÍCIOS


E TESTES
a) (∼a ⇒ ∼b) ∨ (∼a ∨ b) Pág. 5
Exercício 5
⇔ (a ∨ ∼b) ∨ (∼a ∨ b) (lei da dupla negação e relação da implicação com
a disjunção e negação) Soluções
⇔ (a ∨ ∼a) ∨ (∼b ∨ b) (propriedades comutativa e associativa da disjunção) 24.
⇔ V ∨V (princípio do terceiro excluído: (p ∨ ∼p) ⇔ V) a) Proposição verdadeira
(tautologia).
⇔V (V é o elemento absorvente da disjunção) b) ~p ∨ q ou p ⇒ q
c) Proposição verdadeira
(continua) (tautologia).

25
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_1.3 Exercício resolvido

(continuação)
b) (a ⇒ ~b) ⇒ b
25 Sejam p, q e r as
proposições: ⇔ (~a ∨ ~b) ⇒ b (relação da implicação com a disjunção e negação)
p: “A Ana vai à festa.” ⇔ ∼(~a ∨ ~b) ∨ b (relação da implicação com a disjunção e negação)
q: “A Berta vai à festa.”
r: “O Carlos vai à festa.” ⇔ (a ∧ b) ∨ b (lei da dupla negação e lei de De Morgan)
a) Utilizando operações ⇔ (a ∧ b) ∨ (V ∧ b) (V é o elemento neutro da conjunção)
lógicas entre p, q e r,
⇔ (b ∧ a) ∨ (b ∧ V) (propriedade comutativa da conjunção)
escreve as seguintes
proposições em ⇔ b ∧ (a ∨ V) (propriedade distributiva da conjunção em relação
linguagem simbólica. à disjunção)
i. “A Ana vai à festa se e
⇔b∧V (V é o elemento absorvente da disjunção)
só se o Carlos vai à
festa.” ⇔b (V é o elemento neutro da conjunção)
ii. “A Berta vai à festa se
Observe-se que não é conhecido o valor lógico desta proposição.
e só se o Carlos não
vai à festa.”
b) Traduz em linguagem
corrente as seguintes
proposições.
Equivalência
i. r ⇔ (p ∧ q)
ii. (p ∨ ~r) ⇔ q A equivalência surge com frequência na linguagem corrente através da utilização das
expressões “… é equivalente…” ou “… se e só se…”, “… é condição necessária e sufi-
ciente… ”.
Já falámos da equivalência entre proposições, ou seja, da afirmação de que duas pro-
posições têm o mesmo valor lógico. Podemos também utilizar a equivalência para cons-
truir uma proposição composta a partir de duas proposições. O símbolo utilizado em
Convenção ambas as situações é o mesmo, pelo que elas se distinguem de acordo com o contexto
A expressão “se e só se” pode onde aparecem. Apesar destes dois conceitos serem diferentes, eles estão relacionados.
ser abreviada para “sse”. De facto, como poderás verificar na definição de equivalência enquanto operador lógico,
a nova proposição é verdadeira exatamente nas situações em que as proposições que são
utilizadas para a criar são equivalentes, de acordo com a definição de equivalência defi-
nida anteriormente.
Consideremos as proposições: “Cristiano Ronaldo recebeu a Bola de Ouro em 2013”.
“Cristiano Ronaldo foi o melhor jogador de futebol do
mundo para a FIFA, em 2013”.
A equivalência entre estas proposições é uma nova proposição: “Cristiano Ronaldo re-
Soluções
cebeu a Bola de Ouro em 2013 é equivalente a Cristiano Ronaldo foi o melhor jogador
25. de futebol do mundo para a FIFA, em 2013”.
a)
i. p ⇔ r Definição
ii. q ⇔ ∼r
b)
A equivalência entre duas proposições, p e q, é uma nova proposição que é verda-
i. “O Carlos vai à festa se e só se
a Ana e a Berta vão à festa.”
deira quando as duas proposições têm o mesmo valor lógico e é falsa se têm valores
ii. “A Ana vai à festa ou o Carlos lógicos diferentes. Esta proposição representa-se por “p ⇔ q” e lê-se p é equivalente a
não vai se e só se a Berta vai à q ou p se e só se q.
festa.”

26
UNIDADE 1 Proposições

O valor lógico da equivalência pode ser obtido a partir dos valores lógicos das propo-
LTC10_1.11
sições p e q dadas, como se encontra resumido na seguinte tabela de verdade:
p⇔q ou:
26 Sejam p e q duas
p q V F p q p⇔q proposições tais que p é
verdadeira e p ⇔ q é falsa.
V V F V V V Indica o valor lógico de
cada uma das seguintes
F F V V F F proposições.
a) q
F V F b) p ∨ q
c) p ∧ q
F F V
d) p ⇒ q
e) ~(p ∧ ~q)
Assim, sendo V uma proposição verdadeira e F uma proposição falsa, temos que:
f) ~p ⇒ q
(V ⇔ V) ⇔ V (F ⇔ F) ⇔ V (V ⇔ F) ⇔ F (F ⇔ V) ⇔ F g) p ⇔ (~q)

Exemplos

1. p: “p = 3”
q: “1 é número primo”.
p ⇔ q: “p = 3 se e só se 1 é número primo”.
A afirmação acima é uma proposição verdadeira, pois tanto p como q são proposições
falsas.
2. p: “2 – 2 = 0”
q: “p é um número racional”.
p ⇔ q∶ “2 – 2 = 0 se e só se p é um número racional”.
A afirmação acima é uma proposição falsa, pois p é uma proposição verdadeira e q é
uma proposição falsa.
3. p: “3 é ímpar”.
q: “Faro é uma cidade”.
p ⇔ q: “3 é ímpar se e só se Faro é uma cidade”.
A afirmação acima é uma proposição verdadeira, uma vez que p e q são ambas pro-
posições verdadeiras.

Claro que a afirmação “3 é ímpar se e só se Faro é uma cidade” não faz sentido em lin-
guagem corrente. Mas a equivalência num contexto matemático afirma apenas uma re-
lação entre os valores lógicos das proposições e, de facto, (V ⇔ V) ⇔ V. APRENDE FAZENDO
Págs. 64 e 69
Exercícios 9, 30 e 31
Propriedades da equivalência e suas relações com outras operações
Soluções
lógicas
26.
a) Proposição falsa.
b) Proposição verdadeira.
Princípio da dupla implicação c) Proposição falsa.
Sejam p e q duas proposições que assumem qualquer valor lógico. Tem-se que: d) Proposição falsa.
e) Proposição falsa.
(p ⇔ q) ⇔ ((p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p)) f) Proposição verdadeira.
g) Proposição verdadeira.

27
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

27 Considera as proposições
Demonstração
p e q. Prova, utilizando as A demonstração desta propriedade pode ser feita recorrendo a tabelas de verdade.
propriedades das
Começamos por considerar todas as possibilidades de sequências de valores lógicos que
operações lógicas, que:
p e q podem assumir e, para cada uma das possibilidades, determina-se o valor lógico de
(p ⇔ q)
⇔ ((p ∧ q) ∨ (∼p ∧ ∼q)) p ⇔ q e de (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p):

p q p⇔q p⇒q q⇒p (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p)

V V V V V V

V F F F V F

F V F V F F

F F V V V V

Repara que as colunas que dizem respeito a p ⇔ q e (p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p) são iguais, ficando


28 Recorrendo a tabelas de
verdade, prova que
assim provado o que se pretendia.
quaisquer que sejam as
Exercícios resolvidos
proposições p e q se tem:
∼(p ⇔ q)
1. Considera as proposições p e q. Prova, utilizando as propriedades das operações
⇔ ((p ∧ ∼q) ∨ (q ∧ ∼p))
(negação da equivalência). lógicas, que:
(∼(p ⇔ q)) ⇔ ((p ∧ ∼q) ∨ (q ∧ ∼p)) (negação da equivalência)

Sugestão de resolução

Demonstremos esta propriedade recorrendo a propriedades das operações ló-


gicas já verificadas previamente:
∼(p ⇔ q)
⇔ ∼((p ⇒ q) ∧ (q ⇒ p)) (princípio da dupla implicação)
⇔ ∼(p ⇒ q) ∨ ∼ (q ⇒ p) (lei de De Morgan)
⇔ (p ∧ ∼q) ∨ (q ∧ ∼p) (negação da implicação)

29 Considera as proposições 2. Sejam p e q duas proposições sobre as quais se sabe que p e p ⇔ q são verdadeiras.
p e q. Simplifica a Indica o valor lógico de cada uma das seguintes proposições.
proposição: a) ~p ∧ q b) (~p ∧ q) ⇒ p
(p ⇔ q) ⇒ p

Sugestão de resolução

Sabemos que para a proposição p ⇔ q ser verdadeira os valores lógicos das


proposições p e q têm de ser iguais. Como é referido que a proposição p é
verdadeira, então a proposição q tem de ser igualmente verdadeira. Assim:
a) ~p ∧ q é uma proposição falsa, uma vez que uma das proposições que cons-
APRENDE FAZENDO tituem a conjunção é falsa.
Pág. 70
Exercício 40 b) (~p ∧ q) ⇒ p é uma proposição verdadeira, visto ser a implicação entre duas
proposições cuja proposição antecedente (~p ∧ q) é uma proposição falsa
Solução (pela alínea anterior).
29. p ∨ q

28
UNIDADE 1 Proposições

Prioridades das operações lógicas LTC10_1.9

Em qualquer sequência de operações lógicas, dá-se sempre a prioridade às operações


entre parênteses; depois, respeitam-se as seguintes prioridades: negação; conjunção e
disjunção; implicação e equivalência.

Esquematizando / Resumindo

Numa expressão com várias operações lógicas, à semelhança do que fazes nas
operações numéricas, deves efetuar, por esta ordem:
• a negação;
• a conjunção e a disjunção;
• a implicação e a equivalência.

Exercício resolvido 30 De acordo com as


convenções adotadas
Considera as proposições p e q. Simplifica a seguinte proposição: relativamente à prioridade
das operações lógicas,
p ⇒ p ∧ (q ∧ ∼p) reescreve as seguintes
proposições eliminando os
parênteses desnecessários.
Sugestão de resolução
a) a ⇒ (b ∨ c)
p ⇒ p ∧ (q ∧ ∼p) b) (a ⇒ b) ∨ c
⇔ p ⇒ (p ∧ ∼p) ∧ q (propriedades comutativa e associativa da conjunção) c) (a ⇔ b) ⇒ (∼c)

⇔p⇒F∧q (princípio de não contradição: (p ∧ ∼p) ⇔ F) d) (a ∨ (b ∧ ∼c)) ⇔ a

⇔p⇒F (F é o elemento absorvente da conjunção) e) ((∼a) ⇒ b) ∧ c

⇔ ∼p ∨ F (relação da implicação com a disjunção e a negação)


⇔ ∼p (F é o elemento neutro da disjunção)

APRENDE FAZENDO
Pág. 63
Exercício 5
Erro típico

CADERNO DE EXERCÍCIOS
Observa um erro comum na resolução do exercício anterior: E TESTES
Págs. 4, 5 e 6
p ⇒ p ∧ (q ∧ ∼p) Exercícios 3, 6, 7, 8, 9,
10, 11 e 12
⇔ (∼p ∨ p) ∧ (q ∧ ∼p)

Erro!
Testes interativos
– Proposições I.
⇔ V ∧ q ∧ ∼p – Proposições II.
⇔ q ∧ ∼p
Soluções
O erro consistiu no desrespeito pelas prioridades das operações lógicas. Repara 30.
que foi efetuada uma implicação antes da conjunção. Esta seria uma resolução a) a ⇒ b ∨ c
b) (a ⇒ b) ∨ c
correta se o enunciado fosse (p ⇒ p) ∧ (q ∧ ∼p) e não p ⇒ p ∧ (q ∧ ∼p), que se
c) (a ⇔ b) ⇒ ∼c
convencionou ser o mesmo que p ⇒ (p ∧ q ∧ ∼p). d) a ∨ (b ∧ ∼c) ⇔ a
e) (∼a ⇒ b) ∧ c

29
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

UNIDADE 2
Condições e conjuntos

Na unidade anterior trabalhámos com termos e proposições. Como sabes, os termos


Resolução são expressões que designam objetos (p, 2 + 3 ¥ 5,…) e as proposições são expressões
Todos os exercícios de “Condições e
conjuntos”. que traduzem afirmações acerca das quais tem sentido afirmar se são verdadeiras ou falsas
(p = 3, 2 + 3 ¥ 5 = 17, …).
Porém, quer em linguagem corrente, quer em contexto matemático, utilizamos também
outros tipos de expressões.

2.1. Expressões proposicionais ou condições.


Expressões designatórias
Nota Afirmações do tipo “um número é negativo” ou “x – 2(x – 3) = 5” não são verdadeiras
nem falsas, pois não sabemos a que nos estamos a referir. Nas afirmações anteriores, as
O domínio de uma variável
é o conjunto de objetos a palavras “um número” e a letra x não são designações, mas sim variáveis.
que essa variável se refere;
caso não seja referido, Definição
deverá estar implícito no
contexto em que se insere.
Chama-se variável a um símbolo que pode tomar o valor de qualquer elemento de
um conjunto, não vazio, denominado o domínio ou universo dessa variável. Geral-
mente uma variável representa-se por uma letra, letra à qual se pode acrescentar ou-
31 Indica as constantes e as
variáveis presentes nas tros símbolos como, por exemplo, índice, plicas e asteriscos.
seguintes fórmulas que
Chama-se constante às designações ou termos, isto é, às expressões que têm um
representam áreas de
superfícies. único valor (o designado).
a) Área de uma superfície
esférica: 4 3
Por exemplo, na fórmula V = pr , que permite calcular o volume (V) de uma esfera
A= 4pr2 3
(r – raio) em função do raio (r), as letras V e r são variáveis que têm por domínio o conjunto dos nú-
4
b) Área lateral de um meros reais positivos e os símbolos , p e 3 são constantes. No entanto, as mesmas letras
cone: 3
A = prg podem representar constantes, num contexto em que o volume e o raio sejam já deter-
(r – raio da base; minados ou pré-fixados.
g – geratriz)
Retomando as afirmações “um número é negativo” ou “x – 2(x – 3) = 5”, repara que a
primeira, quando substituímos “um número” por um objeto no universo dos números
Soluções
reais, se transforma numa proposição verdadeira ou numa proposição falsa (“–2 é nega-
31.
tivo” ou “5 é negativo”). O mesmo acontece na segunda quando substituímos x por um
a) Constantes: 4 e p
Variáveis: A e r
objeto no universo dos números reais: se substituirmos x por 1 obtemos uma proposição
b) Constantes: p verdadeira (1 – 2 ¥ (1 – 3) = 5), e se substituirmos x por qualquer número real diferente
Variáveis: A, r e g de 1 obtemos uma proposição falsa.

30
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Definição LTC10_2.1

Expressão proposicional ou condição é uma expressão com variáveis que se transforma


numa proposição quando se substituem essas variáveis por objetos do domínio consi-
derado. À substituição de uma variável por um objeto também se chama concretização
da variável.

Esquematizando / Resumindo

Expressão proposicional x=a Proposição


ou condição
p(a)
p(x) substituindo x
por um objeto a
32 Das expressões seguintes,
seleciona as que são
expressões proposicionais,
Exemplos do domínio R.
a) –2x + 1 > 9
1. x2 – 3x + 2 = 0 b) 3x + y = z
Esta expressão transforma-se numa proposição verdadeira ou falsa quando substituímos c) “O simétrico de x.”
x por um número real. d) “O simétrico de x é y.”
Por exemplo, se substituirmos x por 1, temos: e) p + √∫2
12 – 3 ¥ 1 + 2 = 0, que é uma proposição verdadeira. f) x ∈]–∞, 2]
Se substituirmos x por 0, temos:
02 – 3 ¥ 0 + 2 = 0, que é uma proposição falsa.
2. x + y + xy > 0
Esta expressão também se transforma numa proposição quando substituímos x e y por
números reais. Note-se que uma expressão proposicional pode ter uma ou mais variá-
veis e cada variável pode aparecer mais do que uma vez.
3. “b é múltiplo de a.”

Repara que os cinco operadores lógicos estudados atrás (negação, conjunção, dis-
junção, implicação e equivalência) permitiram formar novas proposições a partir de
proposições mais simples, e da mesma maneira permitem criar novas expressões
proposicionais partindo de expressões proposicionais mais simples.
4. x ≥ 5 ∧ x < 8

5. “Se um polígono é um quadrado, então o polígono é um retângulo.”

6. x ¥ y = 0 ⇔ x = 0 ∨ y = 0
APRENDE FAZENDO
Pág. 62
Regras a ter em consideração quando se substitui variáveis por constantes Exercício 3

• Caso uma variável apareça mais do que uma vez, esta deve ser substituída pelo mesmo
Solução
objeto todas as vezes que aparecer.
32. As expressões
• Variáveis distintas podem ser substituídas pelo mesmo objeto ou por objetos diferentes. proposicionais são: a), b), d) e f)

31
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

33 Considera as variáveis x e Exercício resolvido


y que têm domínio R.
Encontra, se possível, para Sejam x e y variáveis reais. Para cada uma das expressões proposicionais seguintes,
cada uma das expressões indica, se possível, uma concretização das variáveis que a transforma numa propo-
proposicionais seguintes,
exemplos de
sição verdadeira e outra que a transforma numa proposição falsa.
concretizações das a) p(x): 2x2 = –8x – 6 b) p(x, y): x – y < 2x c) p(x): x2 < x
variáveis que as
d) p(x): x2 > –1 e) p(x): x = x + 1
transformem em
proposições verdadeiras e
em proposições falsas. Sugestão de resolução
a) p(x): x2 + 1 é um
número par. a) Por exemplo, para x = –1 obtemos 2 ¥ (–1)2 = –8 ¥ (–1) – 6, pelo que p(–1)
b) p(x): x2 – x – 6 = 0 é uma proposição verdadeira, e para x = 0 obtemos 2 ¥ 02 = –8 ¥ 0 – 6, logo
c) p(x, y): x + y > x p(0) é uma proposição falsa.
d) p(x): x2 + 1 é um b) Por exemplo, para x = 1 e y = 1 obtemos 1 – 1 < 2 ¥ 1, isto é, 0 < 2, pelo
número positivo.
que p(1, 1) é uma proposição verdadeira, e para x = 1 e y = –2 obtemos
e) p(x): x – 2 = x + 3
1 – (–2) < 2 ¥ 1, isto é, 3 < 2, pelo que p(1, –2) é uma proposição falsa.
1 h 1 h2 1 1 1 h1h
c) Por exemplo, para x = obtemos i i < , isto é, < , logo p i i é uma
34 Das expressões seguintes, 3 j3j 3 9 3 j3j
indica as que são proposição verdadeira, e para x = 2 obtemos 22 < 2, isto é, 4 < 2, pelo que
proposicionais e as que
p(2) é uma proposição falsa.
são designatórias.
a) 3x = 10 d) Por exemplo, para x = 1 obtemos 12 > –1, pelo que p(1) é uma proposição

b) “O triplo de x é superior verdadeira.


a 10.” Como o quadrado de todos os números reais é superior a –1, não é possível
c) “O triplo de x.” encontrar uma concretização da variável x por um número real que dê ori-
d) x + p gem a uma proposição falsa.
1
e) x < –5 ∨ x ≥ e) Por exemplo, para x = 0 obtemos 0 + 1 = 1, pelo que p(0) é uma proposição
4
f) x ∉{1, 3, 5,15} falsa.
Como nenhum número real é igual a si próprio acrescido de uma unidade,
Soluções não é possível encontrar uma concretização da variável x que origine uma
proposição verdadeira.
33.
a) Por exemplo, p(3) é uma
proposição verdadeira e p(4) é
uma proposição falsa.
b) Por exemplo, p(–2) é uma
Outro tipo de expressões muito utilizadas que envolvem variáveis são as expressões
proposição verdadeira e p(0) é designatórias.
uma proposição falsa.
c) Por exemplo, p(1, 2) é uma Definição
proposição verdadeira e
p(1, –3) é uma proposição falsa.
d) Qualquer concretização de x
Expressão designatória é uma expressão com variáveis que se transforma num termo
por um número real transforma quando se substituem essas variáveis por objetos.
p(x) numa proposição
verdadeira.
e) Qualquer concretização de x Exemplos
por um número real transforma
p(x) numa proposição falsa. 1. x2 – 3x + 2. Por exemplo, se substituirmos x por 1, temos 12 – 3 ¥ 1 + 2 , que é um termo.
34. a), b), e) e f) são expressões
2. x + y + xy. Para x = 1 e y = 2 temos 1 + 2 + 1 ¥ 2.
proposicionais. c) e d) são
expressões designatórias. 3. m.m.c. (a, b). Para a = 12 e b = 8 temos m.m.c. (12,8).

32
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

2.2. Classificação de uma condição num dado universo LTC10_2.3


LTC10_2.5

Consideremos, em R, a condição x2 – 2 = 0.
Como sabes, a variável x presente na condição acima pode ser concretizada por qual-
quer número real.
Recorda
Se substituirmos x por √∫2 (concretização da variável) obtemos (√∫2)2 – 2 = 0, que é uma
proposição verdadeira. N = {1, 2, 3, …} é o
conjunto dos números
Diz-se, neste caso, que √∫2 verifica a condição ou que √∫2 é solução da condição. naturais.
Z = {…, –2, –1, 0, 1, 2, …}
Se substituirmos x por 2 obtemos 22 – 2 = 0, que é uma proposição falsa. Logo, 2 não
é o conjunto dos números
verifica a condição e, como tal, não é solução da condição. inteiros.
Z–0 = {0, –1, –2, …} é o
conjunto dos números
inteiros não positivos.
Z– = {–1, –2, –3, …} é o
Condições possíveis conjunto dos números
inteiros negativos.
Em R, a condição x2 – 2 = 0 é possível, por admitir números reais (√∫2 e –√∫2) como soluções. Z+0 = {0, 1, 2, …} é o
conjunto dos números
inteiros não negativos.
Definição Z+ = N = {1, 2, 3, …} é o
conjunto dos números
Uma expressão proposicional ou condição diz-se possível, num determinado uni- inteiros positivos.
verso, se existe pelo menos uma concretização das variáveis que a transforma numa Q = Z ∪ {números
fracionários} é o conjunto
proposição verdadeira.
dos números racionais.
R = Q ∪ {números
irracionais} é o conjunto
Consideremos, em R, a condição x2 ≥ 0. dos números reais.

Esta condição transforma-se numa proposição verdadeira, qualquer que seja o número
1
real pelo qual se substitui a variável x. 1 N 2 Z 2 Q R
1 π
–1 0 3 √∫2
Expressões proposicionais deste tipo dizem-se universais. e

Definição

Uma expressão proposicional universal ou condição universal, num determinado


universo, é uma expressão que se transforma numa proposição verdadeira para qual-
quer concretização das suas variáveis nesse universo.
35 Justifica que:
a) em N, 10x > 1 é uma
condição universal;
Exemplos b) em Z, x2 ≠ 13 é uma
condição universal;
As seguintes condições são universais em R:
c) em R–, x2 = 13 é uma
1. (a – b)(a + b) = a2 – b2 condição possível, mas
não universal.
2. x2 > –1

3. x + 1 > x

4. x = x

33
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.5 Condições impossíveis

Vimos que, em R, a condição x2 – 2 = 0 é possível.


Consideremos, agora, a mesma condição x2 – 2 = 0, mas num universo diferente, em
N. Neste universo, a condição é impossível, pois qualquer que seja o número natural
pelo qual se substitui a variável x transforma a condição numa proposição falsa.
36 Justifica que:
a) em N, x2 + 2x = 0 é Repara que:
uma condição
• para x = 1, 12 – 2 = 0 é uma proposição falsa;
impossível;
b) em R, x2 + 2 < 0 é uma
• para x ≥ 2, x2 – 2 ≥ 2, pelo que x2 – 2 = 0 é também uma proposição falsa.
condição impossível;
Assim, não existem números naturais que verifiquem esta condição.
c) em [4, +∞[,
(x – 3)(x + 1) = 0 é uma Definição
condição impossível.

Uma expressão proposicional impossível ou condição impossível, num determinado


universo, é uma expressão que se transforma numa proposição falsa para qualquer
concretização das suas variáveis nesse universo.
37 Indica um universo onde a
condição 2x < 10 seja:
a) possível, mas não Exemplos
universal;
As seguintes condições são impossíveis em R:
b) universal;
c) impossível. 1. x2 = –3

2. x + 1 < x

3. x2 + 2x + 3 = 0
Resolvendo a equação, vem:
38 Considera as seguintes
condições: x2 + 2x + 3 = 0 ⇔ x = –2 ± √∫4∫ ∫–∫ 4
∫ ∫¥
∫ ∫3

2
a) (x – 1)(x + 1) = x2 – 1
b) x2 = 0 ⇔ x = –2 ± √∫–∫8
3
c) x2 + 1 =0
Obtemos uma condição impossível em R.
d) –x < 0
4. x ≠ x
Classifica cada uma das
condições em N, Z e R.
Esquematizando / Resumindo

A classificação de condições num dado universo pode ser sintetizada no seguinte


Soluções esquema:
Universais – todas as concretizações das variáveis
37. Por exemplo:
dão origem a uma proposição verdadeira.
a) R
Possíveis
b) ]–∞, 5[
Não universais – se pelo menos uma
c) {5, 7, 10}
concretização das variáveis der origem a uma
38. Expressões proposição verdadeira e uma concretização
a) É universal em N, Z e R. proposicionais der origem a uma proposição falsa.
ou condições
b) É impossível em N e é
possível em Z e R.
c) É impossível em N, Z e R. Impossíveis – todas as concretizações das
variáveis dão origem a uma proposição falsa.
d) É universal em N e é possível
em Z e R.

34
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

2.3. Cálculo proposicional com variáveis


As operações lógicas (conjunção, disjunção, negação, equivalência e implicação) já es-
tudadas sobre proposições também se aplicam a expressões proposicionais.

Conjunção de condições Recorda

(V ∧ V) ⇔ V
Considera, em N, as condições:
(V ∧ F) ⇔ F
p(n): “n é divisível por 2.” e q(n): “n é divisível por 5.” (F ∧ V) ⇔ F
(F ∧ F) ⇔ F
Se ligarmos as duas condições p(n) e q(n) através do operador lógico “∧” obtemos uma
nova condição:
p(n) ∧ q(n): “n é divisível por 2 e n é divisível por 5.” 39 Considera as variáveis x e
y que têm domínio R.
Façamos algumas concretizações da variável n nas condições p(n), q(n) e p(n) ∧ q(n) e, Encontra, se possível, para
de seguida, estudemos os respetivos valores lógicos das proposições assim obtidas: cada uma das expressões
proposicionais seguintes,
exemplos de
concretizações das
n p(n) q(n) p(n) ∧ q(n) variáveis que as
transformem em
1 F F F proposições verdadeiras e
em proposições falsas.
2 V F F
a) “x é múltiplo de 2 ∧ x é
5 F V F múltiplo de 3.”
a) 2x + y = 0 ∧ –x + 2y = 5
10 V V V

… … … … Nota
De um modo geral, dados
dois números reais a e b,
escreve-se, de uma forma
Tendo em conta o que foi visto para a conjunção de proposições, conclui-se que:
mais simplificada:
x>a∧x<b⇔a<x<b
A conjunção de condições é verificada para todo o objeto n que verifique simulta- x≥a∧x≤b⇔a≤x≤b
x≥a∧x<b⇔a≤x<b
neamente as duas condições dadas, e apenas por esses objetos.
x>a∧x≤b⇔a<x≤b

Soluções
Exemplos
39. Por exemplo:
a) Se x = 6 a expressão
1. Em R, a conjunção das condições “x2
= 9” e “x < 0” é a condição “x2 = 9 ∧ x < 0”.
proposicional transforma-se
O único objeto que verifica a nova condição é –3. numa proposição verdadeira, e
se x = 4 transforma-se numa
2. Em R, a conjunção das condições “x > 2” e “x ≤ 5” é a condição “x > 2 ∧ x ≤ 5”.
proposição falsa.
Esta condição também pode ser escrita como “2 < x ≤ 5”. b) Se (x, y) = (–1, 2) a expressão
proposicional transforma-se
3. No universo dos polígonos, a conjunção das condições “X é um retângulo” e “X é um
numa proposição verdadeira, e
quadrado” é a condição “X é um retângulo e X é um quadrado”. se (x, y) = (0, 1) transforma-se
Os únicos objetos que verificam a nova condição são os quadrados. numa proposição falsa.

35
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Como, para uma conjunção de condições se verificar para um determinado objeto, é


LTC10_2.5
necessário que esse objeto verifique simultaneamente ambas as condições que a com-
põem, podemos facilmente obter a propriedade que se segue.
40 Considera as variáveis x e
y que têm domínio R.
Encontra, se possível, para Propriedade
cada uma das expressões
A conjunção de qualquer condição com uma condição impossível é uma condição
proposicionais seguintes,
exemplos de impossível.
concretizações das
variáveis que as Exemplo
transformem em
proposições verdadeiras e “x ≠ x ∧ x < 0” é uma condição impossível em R, pois qualquer que seja o número real
em proposições falsas.
substituído na variável x transforma a condição “x ≠ x ∧ x < 0” numa proposição falsa.
a) “x é múltiplo de 2 ∨ x é
múltiplo de 3.” Qualquer que seja a concretização da variável x na condição “x ≠ x ∧ x < 0”, obteremos
b) 2x + y = 0 ∨ –x + 2y = 5 sempre a conjunção de uma proposição falsa com uma outra proposição, que será sempre
c) ~(x > 2) uma proposição falsa.

Recorda
Disjunção de condições
(V ∨ V) ⇔ V
(V ∨ F) ⇔ V Considera, em N, as condições:
(F ∨ V) ⇔ V
p(n): “n é divisível por 2.” e q(n): “n é divisível por 5.”
(F ∨ F) ⇔ F
Se ligarmos, agora, as duas condições p(n) e q(n) através do operador lógico “∨” obtemos
Notas
uma nova condição:

De um modo geral, dados


p(n) ∨ q(n): “n é divisível por 2 ou n é divisível por 5.”
dois números reais x e a, Façamos algumas concretizações da variável n nas condições p(n), q(n) e p(n) ∨ q(n) e,
escreve-se, de uma forma de seguida, estudemos os respetivos valores lógicos das proposições obtidas:
mais simplificada:
1. x > a ∨ x = a ⇔ x ≥ a n p(n) q(n) p(n) ∨ q(n)
x<a∨x=a⇔x≤a
2. ~(x > a) ⇔ x ≤ a 1 F F F
~(x < a) ⇔ x ≥ a
~(x ≥ a) ⇔ x < a 2 V F V
~(x ≤ a) ⇔ x > a
5 F V V
Soluções
10 V V V
40. Por exemplo:
a) Se x = 2 a expressão … … … …
proposicional transforma-se
numa proposição verdadeira, e Tendo em conta o que foi visto para a disjunção de proposições, conclui-se que:
se x = 5 transforma-se numa
proposição falsa.
b) Se (x, y) = (0, 0) a expressão
A disjunção de condições é verificada por todo o objeto n que verifique pelo menos
proposicional transforma-se uma das condições dadas, e apenas por esses objetos.
numa proposição verdadeira, e
se (x, y) = (1, 0) transforma-se
numa proposição falsa. Exemplos
c) Se x = 2 a expressão
proposicional transforma-se 1. Em R, a disjunção das condições “x = 3” e “x = –3” é a condição “x = 3 ∨ x = –3”.
numa proposição verdadeira, e
2. Em R, a disjunção das condições “x > 2” e “x = 2” é a condição “x > 2 ∨ x = 2”.
se x = 5, transforma-se numa
proposição falsa. Esta condição também se pode escrever na forma “x ≥ 2”.

36
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Como, para uma disjunção de condições se verificar para um determinado objeto, basta LTC10_2.3
que esse objeto verifique uma das condições que a compõem, podemos facilmente obter LTC10_2.5

as propriedades que se seguem.

41 Considera as condições,
no domínio dos números
Propriedade reais, x = x, x ≠ x, x ∈Z–,
A disjunção de qualquer condição com uma condição possível é uma condição possível. x ∈Q, x ∈∅ e x ∉∅.
a) Indica as que são
universais, as que são
Exemplo possíveis mas não
universais e as que são
“x2 – 2 = 0 ∨ x > 1” é uma condição possível em R, pois existe pelo menos um número impossíveis.
real que substituído na variável x transforma a condição “x2 – 2 = 0 ∨ x > 1” numa b) Para cada uma das
proposição verdadeira: condições seguintes, no
domínio dos números
• para x = √∫2, (√∫2)2 – 2 = 0 ∨ √∫2 > 1 é uma proposição verdadeira; reais, indica se é
universal, possível mas
• para x = –√∫2, (–√∫2)2 – 2 = 0 ∨ –√∫2 > 1 é uma proposição verdadeira.
não universal ou
Repara que todas as soluções da condição “x2 – 2 = 0” são soluções da condição impossível.
“x2 – 2 = 0 ∨ x > 1”. i. x = x ∧ x ∈∅
ii. x ∉∅ ∨ x ∈Q
iii. x ≠ x ∧ x ∈Z

Propriedade iv. x ∈Q ∨ x ∈∅

A disjunção de qualquer condição com uma condição universal é uma condição v. x ≠ x ∨ x ∉∅

universal.
Recorda

(V ∨ V) ⇔ V
Exemplo
(V ∨ F) ⇔ V
“x2≥ 0 ∨ x < 0” é uma condição universal em R, pois qualquer que seja o número real
substituído na variável x transforma a condição “x2 ≥ 0 ∨ x < 0” numa proposição verdadeira.
APRENDE FAZENDO
Qualquer que seja a concretização da variável x na condição “x2 ≥ 0 ∨ x < 0”, obteremos Pág. 64
sempre a disjunção de uma proposição verdadeira com uma outra proposição, que será Exercício 12

sempre uma proposição verdadeira.


Soluções
41.
Exercício resolvido
a) x = x é uma condição
universal. x ≠ x é uma condição
Considera, em R, as condições: impossível. x ∈Z– é uma
condição possível, mas não
“x2 = –1”, “x2 > –1” e “x2 > 2”
universal. x ∈Q é uma condição
a) Indica para cada condição se é universal, possível ou impossível em R. possível, mas não universal.
x ∈∅ é uma condição
b) Para cada uma das condições seguintes, indica se é universal, possível ou impos- impossível. x ∉∅ é uma
sível em R. condição universal.
b)
i. x2 = –1 ∧ x2 > 2 ii. x2 = –1 ∨ x2 > 2 i. Condição impossível.
ii. Condição universal.
iii. x2 = –1 ∧ x2 > –1 iv. x2 ≥ –1 iii. Condição impossível.
iv. Condição possível, mas não
Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano
universal.
(continua)
v. Condição universal.

37
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Exercício resolvido
(continuação)

42 Para cada uma das


Sugestão de resolução
condições seguintes,
indica se é universal,
a) • “x2 = –1” é uma condição impossível em R, pois transforma-se numa pro-
possível ou impossível em
R. posição falsa para qualquer concretização da variável x por um número real.
a) x2 = 0 ∨ –x < 0
• “x2 > –1” é uma condição universal em R, pois transforma-se numa pro-
b) x2 + 1 = 0 ∧ x2 = 0
posição verdadeira para qualquer concretização da variável x por um nú-
c) x2 + 1 = 0 ∧
mero real.
(x – 1)(x + 1) = x2 – 1
d) x2 + 1 = 0 ∨ –x < 0 • “x2 > 2” é uma condição possível, mas não universal em R, pois existe
e) x2 + 1 = 0 ∨ pelo menos um valor real que concretizado na variável x transforma a
(x – 1)(x + 1) = x2 – 1 condição numa proposição verdadeira (por exemplo 3) e pelo menos um
valor real que concretizado na variável x transforma a condição numa pro-
posição falsa (por exemplo 1).

b) i. “x2 = –1 ∧ x2 > 2” é uma condição impossível por se tratar da conjunção


de uma condição com uma condição impossível.
ii. “x2 = –1 ∨ x2 > 2” é uma condição possível por se tratar da disjunção de
uma condição com uma condição possível. No entanto, não é universal,
pois existe pelo menos um valor real que concretizado na variável x trans-
forma a condição numa proposição falsa (por exemplo 1).
iii. “x2 = –1 ∧ x2 > –1” é uma condição impossível por se tratar da conjunção
de uma condição com uma condição impossível.
iv. “x2 ≥ –1” também pode ser escrita como uma disjunção:

“x2 = –1 ∨ x2 > –1”


É uma condição universal por se tratar da disjunção de uma condição
com uma condição universal.

Negação

Considera em N, a condição p(n):


“n é divisível por 2.”
Se colocarmos o sinal ~ antes da condição p(n), obtemos uma nova condição:
~p(n): “n não é divisível por 2.”
que é satisfeita pelos objetos que não satisfazem a primeira condição e apenas por estes.
Soluções
42. Exemplos
a) Condição possível.
b) Condição impossível. 1. Nos números naturais superiores a 1, a negação da condição, “n é primo” é a condição
c) Condição impossível. “~(n é primo)”, que é equivalente a “n é composto”.
d) Condição possível.
e) Condição universal. 2. Em R, a negação da condição “x > 2” é a condição “~(x > 2)”, que é equivalente a “x ≤ 2”.

38
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Como a negação de uma condição se verifica para um determinado objeto quando e


LTC10_2.6
só quando este não verifica a própria condição, podemos facilmente obter as propriedades
que se seguem.

Propriedade
A negação de uma condição universal é uma condição impossível.

Seja p(x) uma condição universal. A concretização da variável x por um qualquer objeto
do seu domínio transforma a condição numa proposição verdadeira, pelo que não existe
nenhum objeto do domínio considerado que satisfaça a condição ~p(x). Podemos então
concluir que ~p(x) é uma condição impossível.

Propriedade
A negação de uma condição impossível é uma condição universal.

Seja p(x) uma condição impossível. A concretização da variável x por um qualquer ob- Recorda
jeto do seu domínio transforma a condição numa proposição falsa. Desta forma, qualquer
(V ⇔ V) ⇔ V
objeto do domínio considerado satisfaz a condição ~p(x). Podemos então concluir que
(F ⇔ F) ⇔ V
~p(x) é uma condição universal. (V ⇔ F) ⇔ F
(F ⇔ V) ⇔ F

Equivalência de condições 43 Averigua se as seguintes


condições são universais
Considera, em N, as condições: em N.
a) x2 = 4 ⇔ x = 2
p(n): “n é divisível por 3.” e q(n): “n é divisível por 2.”
b) 2x ≤ 6 ⇔ x ∈{1, 2, 3}
Façamos algumas concretizações da variável n nas condições p(n), q(n) e p(n) ⟺ q(n)
44 Averigua se as seguintes
e, de seguida, estudemos os respetivos valores lógicos das proposições obtidas:
condições são universais
em R.
n p(n) q(n) p(n) ⇔ q(n)
a) x2 = 4 ⇔ x = 2
1 F F V b) x2 = 4 ⇔ x = 2 ∨ x = –2
c) 2x ≤ 6 ⇔ x ∈{1, 2, 3}
3 V F F
d) 2x ≤ 6 ⇔ x ∈]–∞, 3]

8 F V F
APRENDE FAZENDO
12 V V V Pág. 66
Exercício 20
20 F V F
Soluções
… … … …
43.
a) Sim
Tendo em conta o que foi visto para a equivalência de proposições, conclui-se que: b) Sim
44.
a) Não
A equivalência de condições é verificada por todo o objeto n que transforma as con- b) Sim
dições dadas em proposições com o mesmo valor lógico e apenas por esses objetos. c) Não
d) Sim

39
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Exemplos

1. Em R, considera as condições “2x + 1 = 5” e “20x = 40”.


Para x = 2 obtém-se as proposições 2 ¥ 2 + 1 = 5 e 20 ¥ 2 = 40, que são ambas verdadeiras.
Para qualquer concretização da variável x por um valor diferente de 2, nas duas
condições, obtém-se duas proposições falsas. Por este motivo, dizemos que a nova
condição “2x + 1 = 5 ⇔ 20x = 40” é satisfeita por todo o número real, isto é, é uma
condição universal em R.
2. Em R, considera as condições “x2 = 9” e “x = 3”.
Para x = 3 obtém-se as proposições 32 = 9 e 3 = 3, que são ambas verdadeiras, e para
x = –3 obtém-se as proposições (–3)2 = 9 e –3 = 3, sendo a primeira verdadeira e a se-
gunda falsa. Por este motivo, dizemos que a nova condição “x2 = 9 ⇔ x = 3” não é satis-
feita por todo o número real, isto é, não é uma condição universal em R.

Recorda Implicação de condições


(V ⇒ V) ⇔ V
Considera, em N, as condições:
(F ⇒ V) ⇔ V
p(n): “n é divisível por 3.” e q(n): “n é divisível por 2.”
(F ⇒ F) ⇔ V
(V ⇒ F) ⇔ F Façamos algumas concretizações da variável n nas condições p(n), q(n) e p(n) ⇒ q(n)
e, de seguida, estudemos os respetivos valores lógicos das proposições obtidas:

n p(n) q(n) p(n) ⇒ q(n)

1 F F V

3 V F F

8 F V V
45 Averigua se as seguintes 12 V V V
condições são universais
em R. 20 F V V
a) x < 2 ⟹ x < 4
… … … …
b) x < 4 ⟹ x < 2
c) x = 1 ⟹ x2 = 1
Tendo em conta o que foi visto para a implicação de proposições, conclui-se que:
d) x2 = 1 ⟹ x = 1

A implicação de condições só não é verificada por todo o objeto n que transforma


a primeira condição numa proposição verdadeira e a segunda numa proposição falsa.

Exemplo

Em R, considera as condições “x = 2” e “x2 = 4”.


Para x = 2 obtém-se as proposições 2 = 2 e 22 = 4, que são ambas verdadeiras, e para x = –2
Soluções obtém-se as proposições –2 = 2 e (–2)2 = 4, sendo a primeira falsa e a segunda verdadeira.
45. Para qualquer concretização da variável x por um valor diferente de 2 e de –2, nas duas
a) Sim
condições, obtém-se duas proposições falsas. Por este motivo, dizemos que a nova condição
b) Não
c) Sim
“x = 2 ⇒ x2 = 4” é satisfeita por todo o número real, isto é, é uma condição universal em R.
d) Não Por outro lado, a condição p(x): x2 = 4 ⇒ x = 2 é possível mas não é universal em R.

40
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Exercício resolvido 46 Completa com ⇒, ⟺ e ⇐


as seguintes condições
Completa com ⇒, ⇔ e ⇐ as seguintes condições (substituindo as reticências por (substituindo as reticências
um destes símbolos), de modo a que sejam universais em R. por um destes símbolos),
de modo que sejam
a) x > 2 … x2 > 4 universais em R.
a) x = 3 … x2 = 9
b) (x – 1)(x – 2) = 0 … x = 1
b) x2 = 9 … x = 3
c) x = 3 … x4 = 81 c) x2 = 9 … x = 3 ∨ x = –3

d) x > 3 … x3 > 27 d) x > 3 … x2 > 9


e) x = 3 … x3 = 27
e) |x + 3| < 2 … x + 3 < 2
Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano
Recorda

p(x) ⇐ q(x) é o mesmo que


q(x) ⇒ p(x).
Sugestão de resolução

a) “x > 2 ⇒ x2 > 4” é uma condição universal em R, pois toda a concretização 47 Mostra que as seguintes
da variável x que satisfaz a primeira condição “x > 2” verifica igualmente a condições não são
universais em R,
segunda x2 > 4.
indicando um número real
b) “(x – 1)(x – 2) = 0 ⇐ x = 1” é uma condição universal em R, pois toda a que substituído na variável
x transforme a condição
concretização da variável x que satisfaz a condição “x = 1” verifica igual-
numa proposição falsa.
mente a condição “(x – 1)(x – 2) = 0”.
a) x2 = 1 ⇔ x = 1
c) “x = 3 ⇒ x4
= 81” é uma condição universal em R, pois toda a concretiza- b) x4 = 16 ⇔ x = 2
ção da variável x que satisfaz a primeira condição “x = 3” verifica igualmente c) x2 > 9 ⇔ x > 3
a segunda “x4 = 81”. d) |x – 1| = 2 ⇔ x – 1 = 2

d) “x > 3 ⇔ x3 > 27” é uma condição universal em R, pois para toda a con-
APRENDE FAZENDO
cretização da variável x as condições “x > 3” e “x3 > 27” assumem o mesmo
Pág. 72
valor lógico. Exercício 45
e) “|x + 3| < 2 ⇒ x + 3 < 2” é uma condição universal em R, pois toda a con-
CADERNO DE EXERCÍCIOS
cretização da variável x que satisfaz a condição “|x + 3| < 2” verifica igual- E TESTES
mente a condição x + 3 < 2. Pág. 6
Exercício 13

Soluções

46. a) ⟹
b) ⟸
Erro típico c) ⟺
d) ⟹
e) ⟺
Um erro muito comum na resolução da alínea a) do exercício anterior é escrever
47. a) –1∈R e (–1)2 = 1 ⇔ –1 = 1
x > 2 ⇔ x2 > 4 é uma proposição falsa.
 b) –2∈R e (–2)4 = 16 ⇔ –2 = 2 é
Erro! uma proposição falsa.
c) –4∈R e (–4)2 > 9 ⇔ –4 > 3 é
Repara que “x > 2 ⇔ > 4” não é uma condição universal em R. Se fizermos
x2
uma proposição falsa.
a concretização de x por –3, obtemos a proposição –3 > 2 ⇔ (–3)2 > 4, que é d) –1∈R e |–1 – 1| = 2
uma proposição falsa, uma vez que (F ⇔ V) ⇔ F. ⇔ –1 – 1 = 2 é uma proposição
falsa.

41
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.2 2.4. Equivalência como dupla implicação.


Condição necessária e condição suficiente
48 Dá a forma de implicação
aos enunciados seguintes. Consideremos duas condições, p(x) e q(x), tais que p(x) ⇒ q(x) é uma condição universal.
a) Ser peixe é condição Diz-se que:
suficiente para ter • p(x) é condição suficiente para que se verifique q(x);
guelras.
e:
b) Ser retângulo é
condição necessária
• q(x) é condição necessária para que se verifique p(x).
para ser quadrado.
Exemplos
c) É condição necessária
para que dois lados de 1. No universo dos seres vivos, a condição universal “Se x é cobra, então x é réptil” pode
um triângulo sejam
ser traduzida em:
iguais que os ângulos
opostos sejam iguais. • “ser cobra” é condição suficiente para “ser réptil”;
e:
• “ser réptil” é condição necessária para “ser cobra”.
2. Em R, a condição universal “x = y ⇒ x2 = y2” pode ser traduzida em:
• “x = y” é condição suficiente para “x2 = y2”;
e:
• “x2 = y2” é condição necessária para “x = y”.
Se duas condições p(x) e q(x) são tais que p(x) ⇒ q(x) e q(x) ⇒ p(x) são condições uni-
49 Exprime sob a forma de
versais, então p(x) ⇔ q(x) também é uma condição universal.
um enunciado de [(p(x) ⇒ q(x)) ∧ (q(x) ⇒ p(x))] ⇔ ((p(x) ⇔ q(x)) é uma condição universal
condição necessária, ou Diz-se que p(x) é uma condição necessária e suficiente para que se verifique q(x).
suficiente, ou necessária e
suficiente as seguintes 3. Em R, a condição universal “x ¥ y = 0 ⇔ x = 0 ∨ y = 0” pode ser traduzida em:
proposições. • “x ¥ y = 0” é condição necessária e suficiente para “x = 0 ∨ y = 0”.
a) x > 3 ⇒ x2 >9
b) x(x – 1) = 0 ⇐ x = 1
c) x2 = y2 ⇔ x = y ∨ x = –y 2.5. Quantificadores
Expressões como “todos os meus colegas são mais altos do que eu”, “existem cães ama-
relos”, “nenhum peixe sabe voar” ou “não existem números reais negativos” são proposi-
ções, pois a qualquer uma delas se pode atribuir um valor lógico. No entanto, o facto de
Soluções conterem quantificações (“todos”, “nenhum” ou “existem”) requer alguns cuidados adicio-
48. nais. Em seguida, apresentamos os conceitos de quantificador universal e de quantificador
a) “x é peixe ⇒ x tem guelras” existencial que serão utilizados em problemas que envolvam este tipo de proposições.
b) “x é quadrado ⇒ x é
retângulo”
c) “(Dois lados de um triângulo
Quantificador universal
são iguais) ⇒ (os ângulos
opostos são iguais)” Definição
49.
a) “x > 3” é condição suficiente O quantificador universal é um instrumento lógico que, aplicado a uma variável x
para “x2 > 9”.
num universo U, transforma uma condição p(x) em U numa proposição ∀ x ∈U, p(x),
b) “x(x – 1)” é condição
necessária para “x = 1”.
a qual é verdadeira se a condição for universal e é falsa se a condição não for uni-
c) “x2 = y2” é condição versal.
necessária e suficiente para O quantificador universal representa-se pelo símbolo ∀.
“x = y ∨ x = –y”.

42
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Em linguagem corrente, o quantificador universal surge com frequência através da uti- LTC10_2.7
lização de expressões como “qualquer que seja…”, “para todo… ” “todos…”, “cada…” LTC10_2.9

ou “sempre…”.
50 Traduz em linguagem
corrente as seguintes
Notações
proposições e indica o seu
As notações usadas para o quantificador universal são: valor lógico.
• ∀ x ∈U, p(x) • (∀ x ∈U), p(x) • ∀x ∈U p(x) a) ∀ x ∈N, x + 1 ≥ 2
b) ∀ x ∈R, x + 1 ≥ 2

Exemplos c) ∀ x ∈R, |x| ≥ 0

1. Consideremos a afirmação: “O quadrado de qualquer número real é maior ou igual a


zero”.
Se pretendermos traduzir esta proposição para linguagem formal, uma vez que ela con-
tém uma quantificação, é importante identificar três aspetos: quantificador, conjunto
universo e condição.
Neste exemplo, temos o quantificador universal, o universo dos números reais e a 51 Escreve as seguintes
proposições na forma de
condição p(x): x2 ≥ 0.
uma implicação
Esta proposição pode então ser traduzida simbolicamente por ∀ x ∈R, x2 ≥ 0. quantificada.
2. Consideremos agora, no conjunto dos números reais, a proposição ∀x ∈R, x ∈N ⇒ x ≥ 1. a) ∀ x ∈N, 2x ≥ x + 1

Esta proposição é verdadeira, uma vez que a condição x ∈N ⇒ x ≥ 1 se verifica para b) ∀ x ∈R, |x| ≥ x

todos os números reais.


Repara que, se x ∉N, então o antecedente é falso, pelo que, independentemente do
valor lógico do consequente, a implicação é verdadeira.
Por outro lado, se x ∈N, então o antecedente é verdadeiro, pelo que, a implicação só
será verdadeira se o consequente for verdadeiro.
Desta forma, a proposição ∀x ∈R, x ∈N ⇒ x ≥ 1 é equivalente à proposição ∀ x ∈N,
x ≥ 1.
4. ∀ x ∈N, x ≥ –1 (pode ler-se: “qualquer que seja o número natural x, tem-se x ≥ –1”) é
uma proposição verdadeira, pois a condição x ≥ –1 é universal em N.
APRENDE FAZENDO
5. No conjunto dos números reais, ∀ x ∈R+, 2x > x (pode ler-se: “qualquer que seja o
Pág. 70
número real positivo x, 2x > x”) é uma proposição verdadeira, pois x ∈R+ ⇒ 2x > x é Exercício 36
uma condição universal. Repara que a proposição ∀ x ∈R+, 2x > x pode ser reescrita
usando o quantificador universal e a implicação ∀ x ∈R, x > 0 ⇒ 2x > x. Soluções
50.
6. ∀ x ∈R, x2 > 0 (pode ler-se: “qualquer que seja o número x real, tem-se x2 > 0”) é uma
a) “Qualquer que seja o número
proposição falsa, pois x2 > 0 não é uma condição universal em R. natural x, tem-se x + 1 ≥ 2.” –
proposição verdadeira
Para constatar que esta condição não é universal em R, basta encontrar um número b) “Para todo o número real x,
tem-se x + 1 ≥ 2.” – proposição
real que substituído na variável x transforme a condição numa proposição falsa. A um
falsa
número real nessas condições damos o nome de contraexemplo. c) “O valor absoluto de um
número x é superior ou igual a
Definição zero, qualquer que seja o
número real x.” – proposição
verdadeira
Designa-se por contraexemplo para a proposição ∀ x ∈U, p(x), um elemento a ∈U 51.
tal que ~p(a). a) ∀ x, x ∈N ⇒ 2x ≥ x + 1
b) ∀ x, x ∈R ⇒ |x| ≥ x

43
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Exemplo
LTC10_2.19

Considera a proposição: “Todos os números primos são ímpares”.


52 Prova que a seguinte Um contraexemplo para esta proposição é o número 2, pois 2 é um número primo e não
proposição é falsa: é ímpar.
“qualquer número natural
que seja múltiplo de 2 é No caso particular da proposição ∀ x ∈U, p(x) ⇒ q(x), um contraexemplo corresponde
múltiplo de 10”.
a um elemento de U que não verifique a implicação. A condição p(x) ⇒ q(x) não se ve-
rifica para as concretizações que verifiquem p(x) mas não verifiquem q(x). Desta forma,
53 Prova, em R, que se x > 8
então x2 + x > 9x. para provarmos que a proposição ∀x ∈U, p(x) ⇒ q(x) basta encontrar uma concretização
da variável que verifique p(x) e não verifique q(x).
54 Mostra que as seguintes
proposições são falsas, Exercícios resolvidos
apresentando um
contraexemplo. 1. Prova, em R, que se x > 5 então x2 + x > 6x.
a) “O quadrado de
qualquer número
natural é um número Sugestão de resolução
par”.
A condição desta proposição é uma implicação. Desta forma, qualquer con-
b) ∀ x ∈R, x > 0 ∨ x < 0
cretização que não verifique o antecedente verifica automaticamente a con-
c) “Todos os divisores de
12 são divisores de 6”. dição. Assim, para provarmos que a proposição é verdadeira basta provar que
se o antecedente é verificado, então o consequente também é verificado. Co-
55 Traduz em linguagem mecemos então por supor que x > 5 (hipótese) e provemos que x2 + x > 6x
corrente as seguintes (tese).
proposições e indica o seu
valor lógico. Como 5 > 0, então x > 0.
a) ∃ x ∈N: x2 – 9 = 0 Utilizando uma propriedade da multiplicação, vem que x ¥ x > 5 ¥ x.
b) ∃ x ∈R: x2 –9=0 Por uma propriedade da adição, vem que x ¥ x + x > 5 × x + x.
Logo, x2 + x > 6x.
APRENDE FAZENDO
Pág. 72 Provamos assim que se x > 5, então x2 + x > 6 x.
Exercício 47

CADERNO DE EXERCÍCIOS 2. Prova que é falsa a seguinte proposição: “qualquer número natural que seja múl-
E TESTES
Pág. 9 tiplo de 5 é múltiplo de 10”.
Exercício 21 Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano

Soluções
Sugestão de resolução
54. a) 3 é um número natural e
o seu quadrado, 9, não é um Para provar que a proposição é falsa, basta encontrar um número natural que
número par. seja múltiplo de 5 e que não seja múltiplo de 10.
b) 0 ∈R e não é verdade que
5 é um número natural que é múltiplo de 5 e não é múltiplo de 10. Assim,
0 > 0 ∨ 0 < 0.
c) 4 é divisor de 12 e não é provamos que a proposição é falsa. c.q.d
divisor de 6.
55. a) “Existe pelo menos um
número natural x tal que 3. Mostra que as seguintes afirmações são falsas, apresentando um contraexemplo.
x2 – 9 = 0.” – proposição
verdadeira a) Todos os quadriláteros do plano têm diagonais perpendiculares.
b) “Existe pelo menos um
número real x tal que x2 – 9 = 0.” b) ∀ x ∈R, x2 > 0
– proposição verdadeira

44
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

LTC10_2.4
LTC10_2.20

Sugestão de resolução

a) Um retângulo não quadrado é um quadrilátero e as suas diagonais não são


perpendiculares.
b) 0 ∈R e 0 não é maior do que 0.

Sabemos, das propriedades das proposições, que a proposição p ⇒ q e a proposição


~q ⇒ ~p são equivalentes. Desta forma, os elementos de um universo que verificam a con-
dição p(x) ⇒ q(x) são precisamente os elementos que verificam a condição ~q(x) ⇒ ~p(x).
Desta forma, provar que para todo x pertencente a U, p(x) ⇒ q(x) é o mesmo que provar
que para todo x pertencente a U, ~q(x) ⇒ ~p(x). À proposição ∀ x ∈U, ~q(x) ⇒ ~p(x) cha-
mamos contrarrecíproco e a este método de prova chamamos demonstração por con-
trarrecíproco.

Exercício resolvido 56 Demonstra por


contrarrecíproco que “para
todo o número real x, se
Demonstra por contrarrecíproco que “se o quadrado de um dado número natural n
x2 ≥ x, então x ≤ 0 ou x ≥ 1”.
é ímpar, então n é ímpar”.

Sugestão de resolução

Iremos demonstrar esta proposição pelo contrarrecíproco. Para provar que


“∀ n ∈N, n2 é ímpar ⇒ n é ímpar”, vamos provar a implicação contrarrecíproca
“∀ n ∈N, n é par ⇒ n2 é par”.
Suponhamos que n é par. Então, existe k ∈N tal que n = 2k, pelo que
n2 = (2k)2 = 4k2 = 2(2k2). Assim, n2 = 2k’, sendo k’ = 2k2 ∈N. Logo, n2 é par.
Provamos assim que ∀ n ∈N, n é par ⇒ n2 é par e, por conseguinte, que ∀ n ∈N,
n2 é ímpar ⇒ n é ímpar. c.q.d.

Quantificador existencial

Consideremos a afirmação: “Existe um número real que é superior ao seu quadrado”.


A afirmação anterior pode ser traduzida simbolicamente por ∃ x ∈R: x > x2.

Definição APRENDE FAZENDO


Págs. 63, 69 e 72
O quantificador existencial é um instrumento lógico que aplicado a uma variável x Exercícios 6, 8, 33 e 48

num universo U, transforma uma condição p(x) em U numa proposição ∃ x ∈U: p(x),
CADERNO DE EXERCÍCIOS
a qual é verdadeira se a condição for possível (universal ou não universal) e é falsa se E TESTES
a condição não for possível. O quantificador existencial representa-se pelo símbolo ∃. Pág. 9
Exercícios 22 e 23

45
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Em linguagem corrente, o quantificador existencial surge com frequência através da uti-


LTC10_2.8
lização de expressões como “existe pelo menos um…”, “há pelo menos um…”.

Notações
As notações usadas para o quantificador existencial são:
• ∃ x ∈U: p(x) • (∃ x ∈U): p(x) • ∃x ∈U p(x)

Exemplos

1. Consideremos a afirmação: “Algum número real é superior ao seu quadrado”.


Se pretendermos traduzir esta proposição para linguagem formal, uma vez que ela con-
57 Escreve as seguintes
tém uma quantificação, é importante identificar três aspetos: quantificador, conjunto
proposições na forma de
uma conjunção universo e condição. Neste exemplo, temos o quantificador existencial, o universo dos
quantificada. números reais e a condição p(x): x > x2.
a) ∃ x ∈N: 2x = x + 1 Esta proposição pode então ser traduzida simbolicamente por ∃ x ∈R: x > x2.
b) ∃ x ∈R: x5 = 12
2. Consideremos agora, no conjunto dos números reais, a proposição ∃ x ∈R: x ∈N ∧ x > x2.
Esta proposição é falsa, uma vez que a condição x ∈N ∧ x > x2 não se verifica para
nenhum dos números reais. Repara que se x ∉N então uma das proposições que dão
origem à conjunção é falsa e, portanto, a conjunção é falsa. Por outro lado, se x ∈N
então a conjunção será verdadeira se a condição x > x2 o for, o que nunca se verifica
para números naturais. Desta forma, a proposição ∃ x ∈R: x ∈N ∧ x > x2 é equivalente
58 Traduz em linguagem
à proposição ∃ x ∈N: x > x2.
simbólica as seguintes
proposições.
a) “Existe pelo menos um
Exemplos
número inteiro inferior
1. ∃ x ∈R: x3 = –1 (pode ler-se: “existe pelo menos um número real x tal que x ao cubo é
a 10.”
b) “Todo o número natural
igual a –1”) é uma proposição verdadeira, pois x3 = –1 é uma condição possível em R.
é positivo.” 2. ∃ x ∈Z+0: x2 – x = 0 (pode ler-se: “existe pelo menos um número inteiro x não negativo tal
c) “Existe pelo menos um que x2 – x = 0”) é uma proposição verdadeira, pois x2 – x = 0 é uma condição possível
número real tal que o
dobro é igual à sua
em Z+0.
metade.” 3. ∃ x ∈]1, 8[: x + 10 = 18 (pode ler-se: “existe pelo menos um x real compreendido entre
1 e 8 (exclusive) tal que x + 10 = 18") é uma proposição falsa, pois x + 10 = 18 é uma
condição impossível em ]1, 8[.
APRENDE FAZENDO
Pág. 67 Esquematizando / Resumindo
Exercício 21

CADERNO DE EXERCÍCIOS A relação entre os quantificadores de uma condição e a classificação dessa mesma
E TESTES
Pág. 7
condição pode ser resumida neste diagrama:
Exercícios 14 e 15
é uma proposição verdadeira. p(x) é uma condição universal.

Soluções ∀ x ∈U, p(x)


Existe um p(x) não é uma
57. é uma proposição falsa.
contraexemplo condição universal.
a) ∃ x: x ∈N ∧ 2x = x + 1
b) ∃ x: x ∈R ∧ x5 = 12
é uma proposição verdadeira. p(x) é uma condição possível.
58.
a) ∃ x ∈Z: x < 10 ∃ x ∈U: p(x)
b) ∀ x ∈N, x > 0 é uma proposição falsa. p(x) é uma condição impossível.
x
c) ∃ x ∈R: 2x =
2

46
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Exercício resolvido LTC10_2.6

Considera o conjunto C = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7} e seja p(x) a condição “x é um número


irracional” e q(x) a condição “x é divisor de 10”.
a) Indica o valor lógico de cada uma das seguintes proposições.
59 Escreve a proposição
• ∀ x ∈C, p(x) “∀ x ∈{1, 2, 3}, 3x é
• ∃ x ∈C: p(x) ímpar” na forma de
• ∀ x ∈C, q(x) conjunções sucessivas e
indica o seu valor lógico.
• ∃ x ∈C: q(x)
b) Quanto a cada uma das condições p(x) e q(x), indica se é possível, impossível ou
universal em C.

Sugestão de resolução

a) • ∀ x ∈C, p(x) é uma proposição falsa, pois não é verdade que todo o ele-
mento de C seja um número irracional, ou seja, p(x) não é uma condição
universal em C.
60 Escreve a proposição
• ∃ x ∈C: p(x) é uma proposição falsa, pois não é verdade que haja pelo “∃ x ∈{1, 2, 3}: 3x é
menos um elemento de C que seja um número irracional, ou seja, p(x) é ímpar” na forma de
uma condição impossível em C. disjunções sucessivas e
indica o seu valor lógico.
• ∀ x ∈C, q(x) é uma proposição falsa, pois não é verdade que todo o elemento
de C seja um divisor de 10, ou seja, q(x) não é uma condição universal em C.
• ∃ x ∈C: q(x) é uma proposição verdadeira, pois existe pelo menos um ele-
mento de C que é divisor de 10 (o número 1, por exemplo), isto é, q(x) é
uma condição possível em C.
b) Pela alínea anterior, concluímos que p(x) é uma condição impossível em C
e q(x) é uma condição possível em C.

Observação sobre relações entre os quantificadores e as operações


de conjunção e disjunção

Num universo finito o quantificador universal equivale a conjunções sucessivas de pro-


posições. Vejamos um exemplo:
Consideremos o universo A = {2, 4, 6}. A proposição “∀ x ∈A, x é par” equivale a afirmar
que todo o elemento de A é par, isto é, “2 é par ∧ 4 é par ∧ 6 é par”, que são conjunções
sucessivas.
Já o quantificador existencial, num universo finito, equivale a disjunções sucessivas de
Soluções
proposições.
59. “3 é ímpar ∧ 6 é ímpar ∧ 9 é
Consideremos o mesmo universo A = {2, 4, 6}. A proposição “∃ x ∈A: x é divisor de 16” ímpar.” – proposição falsa
equivale a afirmar que existe pelo menos um elemento de A que é divisor de 16, isto é, 60. “3 é ímpar ∨ 6 é ímpar ∨ 9 é
“2 é divisor de 16 ∨ 4 é divisor de 16 ∨ 6 é divisor de 16”, que são disjunções sucessivas. ímpar.” – proposição verdadeira

47
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.6 2.6. Segundas leis de De Morgan


61 Utilizando as segundas leis Estudemos agora o que acontece quando os quantificadores são precedidos do símbolo
de De Morgan, escreve
proposições equivalentes à
de negação. Consideremos, em linguagem corrente, as seguintes proposições:
negação das seguintes “Todos os alunos desta turma gostam de Matemática.”
proposições e indica o seu “Existe pelo menos um aluno desta turma que é disléxico.”
valor lógico.
a) “∀ x ∈{1, 2, 3}, 3x é A negação destas proposições em linguagem corrente pode ser traduzida por:
ímpar.”
x “Existe pelo menos um aluno desta turma que não gosta de Matemática.”
b) ∃ x ∈R: x + 3 =
2
“Qualquer que seja o aluno desta turma, ele não é disléxico.”
c) ∀ x ∈N, x + 1 > 0

62 Utilizando as segundas Consideremos as proposições acima num contexto matemático, sendo A o universo dos
leis de De Morgan, alunos da turma:
escreve afirmações “∀ x ∈A, x gosta de Matemática.” “∃ x ∈A: x é disléxico.”
equivalentes à negação
das seguintes proposições. A negação destas proposições em linguagem simbólica é:
a) “Todos os americanos
gostam de comida de “∃ x ∈A: x não gosta de Matemática.” ”∀ x ∈A, x não é disléxico.”
plástico.”
Em linguagem simbólica podemos escrever:
b) “Existe pelo menos um
italiano que não gosta “~(∀ x ∈A, x gosta de Matemática) ⇔ ∃ x ∈A: x não gosta de Matemática.”
de massa.” “~(∃ x ∈A: x é disléxico) ⇔ ∀ x ∈A, x não é disléxico.”
c) “Há números naturais
cujo triplo é um Estas duas propriedades são designadas por segundas leis de De Morgan.
número primo.”
d) “Existe um número real
que é inferior à sua raiz”. Segundas leis de De Morgan
APRENDE FAZENDO Seja p(x) uma proposição num dado universo U. Tem-se que:
Págs. 63, 64, 67, 69 e 72 • ∼(∀ x ∈U, p(x)) ⇔ ∃ x ∈U: ∼p(x) • ~(∃ x ∈U: p(x)) ⇔ ∀ x ∈U, ~p(x)
Exercícios 7, 11, 22, 34,
35 e 46

CADERNO DE EXERCÍCIOS
E TESTES Exercício resolvido
Págs. 7 e 8
Exercícios 16 e 20 Utilizando as segundas leis de De Morgan escreve afirmações equivalentes à nega-
ção das seguintes proposições.
Animação
a) “Todos os homens são mortais.”
Resolução do exercício 63.
b) “Existe pelo menos uma rapariga que não é vaidosa.”
Soluções
61. a) “∃ x ∈{1, 2, 3}: 3x não é
Sugestão de resolução
ímpar.” – proposição verdadeira
x
b) “∀ x ∈R, x + 3 ≠ .” a) Dado que a negação transforma o quantificador universal em quantificador
2
– proposição falsa
existencial, seguido da negação da expressão proposicional em causa, tem-se
c) “∃ x ∈N: x + 1 ≤ 0.”
– proposição falsa que a negação da afirmação é equivalente a: “Existe pelo menos um homem
62. a) “Existe pelo menos um que é imortal”.
americano que não gosta de
b) Uma vez que que a negação transforma o quantificador existencial em quan-
comida de plástico.” b) “Todos
os italianos gostam de massa”. tificador universal, seguido da negação da expressão proposicional em
c) “O triplo de qualquer número causa, tem-se que a negação da afirmação é equivalente a: “Todas as rapa-
natural não é um número primo.” rigas são vaidosas”.
d) “Todos os números reais são
superiores ou iguais à sua raiz.”

48
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

63 Considera o conjunto
Erro típico
U = {6, 7, 8, 10} e seja a(x)
a condição “x é um
Um erro comum na resolução da alínea a) do exercício anterior é considerar que: número composto” e b(x)
a condição “x admite resto
A negação de “Todos os homens são mortais” é “Todos os homens são imortais”. 3 na divisão por 6”.
a) Indica o valor lógico de
 cada uma das seguintes
Erro! proposições.
∀ x ∈U, a(x)
O erro consistiu em não se ter trocado o quantificador. Repara que a resposta correta ∀ x ∈U, b(x)
é: “Existe pelo menos um homem que é imortal”. ∃ x ∈U: a(x)
∃ x ∈U: b(x)
b) Escreve proposições
equivalentes à negação
das proposições da alínea
Exercício resolvido anterior, começando com
um quantificador e
traduzindo-as também
Escreve proposições equivalentes à negação das seguintes proposições, utilizando em proposições
as segundas leis de De Morgan. equivalentes na
linguagem corrente.
a) ∃ x ∈Q: x2 = 3 c) Considera cada uma
das condições a(x), b(x),
b) ∀ x ∈N, x ≥ 1 ~a(x) e ~b(x). Indica se
é possível, impossível
ou universal em U.
Sugestão de resolução
64 Considera a proposição
a) ~(∃ x ∈Q: x2 = 3) b) ~(∀ x ∈N, x ≥ 1) “∀ x ∈{π, √∫2, 3}, x é natural”.
a) Escreve-a na forma de
⇔ ∀ x ∈Q, ~(x2 = 3) ⇔ ∃ x ∈N: ~(x ≥ 1)
conjunções sucessivas.
⇔ ∀ x ∈Q, x2 ≠ 3 ⇔ ∃ x ∈N: x < 1 b) Aplicando as primeiras
leis de De Morgan,
nega a proposição
obtida na alínea
anterior e escreve a
proposição assim obtida
Observação na forma quantificada.

Num universo finito, as segundas leis de De Morgan podem ser interpretadas como ge- Soluções

neralizações das primeiras leis de De Morgan. 63. a) Prop. falsa; prop. falsa;
prop. verdadeira; prop. falsa.
Repara que uma proposição definida por um quantificador universal (existencial) pode b) ∃ x ∈U: ~a(x) – “Existe pelo
ser escrita como uma conjunção (disjunção) sucessiva de proposições e, assim, a sua ne- menos um elemento de U que
não é um número composto”.
gação será uma disjunção (conjunção) sucessiva de proposições. ∃ x ∈U: ~b(x) – “Existe pelo
menos um elemento de U que
Finalmente, a disjunção (conjunção) sucessiva de proposições facilmente se poderá es- não admite resto 3 na divisão
crever utilizando um quantificador existencial (universal). por 6”. ∀ x ∈U: ~a(x) – “Todo o
elemento de U é um número
não composto”. ∀ x ∈U, ~b(x)
Exemplo – “Todo o elemento de U
admite resto diferente de 3 na
divisão por 6”. c) a(x) é possível
Considera a proposição “∃ x ∈{1, 2, 3}: x é primo” e a respetiva negação.
em U; b(x) é impossível em U;
~(∃ x ∈{1, 2, 3}: x é primo) ~a(x) é possível em U; ~b(x) é
!

universal em U.
⇔ ~(1 é primo ∨ 2 é primo ∨ 3 é primo) Primeiras Segundas 64. a) “p é natural ∧ √∫2 é natural
!

leis de leis de ∧ 3 é natural” b) “p não é


⇔ 1 não é primo ∧ 2 não é primo ∧ 3 não é primo natural ∨ √∫2 não é natural ∨ 3
De Morgan De Morgan
⇔ ∀ x ∈{1, 2, 3}, x não é primo não é natural” “∃ x ∈{p, √∫2, 3}: x
não é natural.”
49
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.11 2.7. Conjuntos definidos por condições


Contextualização histórica Como sabes, em Matemática a palavra conjunto é usada para designar uma coleção de
objetos vista em si própria como um objeto matemático. Os objetos que constituem a co-
leção chamam-se elementos do conjunto e diz-se que pertencem ao conjunto. Diz-se
também que o conjunto contém os seus elementos.

Exemplos

São exemplos de conjuntos as coleções de:


1. disciplinas de 10.º ano do curso de ciências e tecnologias.

Georg Cantor (1845-1918) 2. alunos da turma 10.º A de uma determinada escola.


Georg Cantor era oriundo
3. todos os números inteiros.
de uma família de
músicos, mas preferiu os
Os conjuntos representam-se, geralmente, por letras maiúsculas, A, B, C, ..., X, Y, Z e os
estudos matemáticos.
Estudou nas universidades seus elementos por letras minúsculas, a, b, c, …, x, y, z.
de Zurique e de Berlim e
foi professor catedrático Definição
na universidade de Halle.
O seu trabalho com Sejam A um conjunto e x um objeto.
conjuntos infinitos conduziu
ao desenvolvimento da Se x é um dos objetos de A, dizemos que x pertence a A e escrevemos x ∈A.
teoria de conjuntos como
uma teoria fundamental
Se x não é um dos objetos de A, dizemos que x não pertence a A e escrevemos x ∉A.
da Matemática.
Apesar de nos seus últimos Exemplos
anos sofrer de uma doença
mental, foi o principal 1. Seja A o conjunto das disciplinas de 10.º ano do curso de ciências e tecnologias. Então,
organizador do primeiro
“Matemática ∈A” e “História ∉A”.
Congresso Internacional
de Matemática, que se 2. Sendo Z o conjunto dos números inteiros, “0 ∈Z” e “–
1 ∉Z”.
realizou em Zurique no 2
ano de 1897. Um conjunto fica bem definido pelos elementos que lhe pertencem. Podemos então
definir a igualdade de conjuntos.
65 Seja A = {0, 2, { }, {1}}.
Indica, justificando, o Definição
valor lógico das
afirmações seguintes. Dois conjuntos A e B dizem-se iguais, e escreve-se A = B, se e somente se:
a) 0 ∈A
∀ x, x ∈A ⇔ x ∈B
b) 1 ∈A
c) 2 ∉A
Desta definição resulta que:
d) { } ∉A
e) {1} ∉A • dois conjuntos são iguais quando e apenas quando têm os mesmos elementos;
• se existir um elemento num dos conjuntos que não é elemento do outro A e B são di-
Soluções
ferentes.
65. a) Verdadeira, pois 0 é um
elemento de A. b) Falsa, pois 1 Definição
não é um elemento de A.
c) Falsa, pois 2 é um elemento
Ao único conjunto que não tem qualquer elemento chamamos conjunto vazio.
de A. d) Falsa, pois { } é um
elemento de A. e) Falsa, pois {1} Representa-se por { } ou por ∅.
é um elemento de A.

50
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Conjuntos definidos em extensão LTC10_2.10


LTC10_2.12

Seja A o conjunto dos divisores inteiros não negativos de 12. Se enumerarmos explici-
tamente os elementos que o constituem, ou seja, se escrevermos A = {1, 2, 3, 4, 6, 12},
diz-se que estamos a definir o conjunto A em extensão.

Definição

Sejam a1, …, ak (k ∈N) objetos.


{a1, …, ak} representa o conjunto A cujos elementos são exatamente a1, …, ak.
Designa-se por definição em extensão do conjunto A de elementos a1, …, ak a igual-
dade A = {a1, …, ak}. 66 Define em extensão os
seguintes conjuntos.
a) Conjunto dos números
Notas primos inferiores a 50.
1. No conjunto {a1, …, ak} não importa a ordem pela qual os seus elementos estão in- b) Conjunto dos divisores

dicados, nem o número de vezes que um dado elemento aparece, isto é, por exem- inteiros não negativos
de 18.
plo, {a, b, c} = {c, a, b} = {a, a, c, b}.
2. Em rigor, um conjunto com um número infinito de elementos não pode ser definido
em extensão. Nestas situações é comum o uso de uma notação que permita perceber
os elementos não expressos.

Exemplos

1. O conjunto dos quadrados perfeitos inferiores a 100 pode ser definido em extensão da
seguinte forma:
{1, 4, 9, 16, 25, 36, 49, 64, 81}
2. O conjunto dos números inteiros relativos pode ser definido em extensão do seguinte
modo:
Z = {…, –3, –2, –1, 0, 1, 2, 3, …}

Conjuntos definidos em compreensão Recorda

Seja a ∈R:
Considera, no universo U dos números naturais inferiores a 8, a condição “x é ímpar”.
[a, +∞[ = {x ∈R: x ≥ a}
Verificam esta condição os números 1, 3, 5 e 7. ]a, +∞[ = {x ∈R: x > a}
O conjunto A de todos os números naturais inferiores a 8 que verificam a condição pode ]–∞, a] = {x ∈R: x ≤ a}
]–∞, a[ = {x ∈R: x < a}
ser definido em extensão por A = {1, 3, 5, 7}.
Uma outra forma de o definir é por meio da referida condição, que é verificada por
todos os elementos do conjunto e só por esses, e representa-se simbolicamente por
A = {x ∈U: x é ímpar}.

Definição
Soluções
Seja p(x) uma condição. 66.
{x: p(x)} representa um conjunto A tal que ∀ x, x ∈A ⇔ p(x). Designa-se por definição a) {2, 3, 5, 7, 11, 13, 17, 19, 23,
em compreensão do conjunto A pela condição p(x) a igualdade A = {x: p(x)}. 29, 31, 37, 41, 43, 47}
b) {1, 2, 3, 6, 9, 18}

51
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

A = {x: p(x)} lê-se “A é o conjunto dos elementos x tais que p(x) ”. Está implícito nesta
LTC10_2.13
notação que a variável x varia num universo que se admite que contém todos os objetos
que satisfazem a condição p(x).

Definição

Seja p(x) uma condição e U um conjunto. O conjunto {x: x ∈U ∧ p(x)} diz-se o con-
junto definido por p(x) em U ou conjunto-solução de p(x) em U e representa-se por
{x ∈U: p(x)}.

67 Define em extensão os
Exemplos
seguintes conjuntos.
1. O conjunto {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9} pode ser definido em compreensão por:
a) {2n – 1: n ∈N}
b) {5n: n ∈N}
{x ∈N: x < 10}
c) {n2: n ∈N ∧ 5 ≤ n ≤ 10}
2. O conjunto dos números primos inferiores a 20 pode ser definido em compreensão por:
{x ∈N: x é primo ∧ x < 20}
68 Define em extensão os
3. No universo dos números naturais, o conjunto dos naturais n que são quadrados dos
conjuntos definidos em N
por cada uma das números pares inferiores a 5 pode ser definido em compreensão pela condição:
seguintes condições. “n = x2, para algum x ∈N tal que x é par ∧ x < 5”
a) 2x2 +x–1=0
Pode-se representar este conjunto da seguinte forma, que é mais sugestiva:
b) x2 + x + 1 = 0
c) 2x – 4 < 6 {x2 ∈N: x é par ∧ x < 5}
d) |1 – 2x| < 4

Assim, num determinado universo, toda a condição admite um conjunto que lhe corres-
ponde – o conjunto dos valores do universo que a transformam numa proposição verdadeira
69 Averigua se as seguintes
– designado por conjunto de verdade, conjunto-solução ou conjunto dos valores que veri-
condições são
equivalentes em R. ficam a condição.
Í 1Í 3
a) Í x – Í = e
Í 2Í 2


x2 – x – 2 = 0
b) x2 – 10 = 0 e x – √∫1∫0 = 0
Condição Conjunto

APRENDE FAZENDO
Págs. 67 e 70
Exercícios 23, 24, 37 e 38
Propriedades
Soluções Duas condições equivalentes definem o mesmo conjunto.
67. Duas condições não equivalentes definem conjuntos distintos.
a) {1, 3, 5, 7, 9, …}
b) {5, 10, 15, 20, 25, …}


c) {25, 36, 49, 64, 81, 100}
68.
a) { } b) { } c) {1, 2, 3, 4} d) {1, 2} Condições Conjuntos
69. equivalentes iguais
a) Sim b) Não

52
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Exemplos 70 De entre os conjuntos que


se seguem, indica aqueles
1. Em R, as condições “x2 – 1 = 0” e “(x – 1)(x + 1) = 0” são equivalentes, pois todas as soluções
que são iguais.
da primeira são solução da segunda e vice-versa, isto é, têm o mesmo conjunto-solução.
a) {x ∈R: x2 + 3 = 4x},
{x ∈R: x2 – 1 = 0} = {x ∈R: (x – 1)(x + 1) = 0} {1, 3} e {n ∈N: n é
ímpar ∧ n < 5}
2. Em R, as condições “x2 = 4” e “|x| = 2” são equivalentes, pois todas as soluções da
b) {1, 2, 3, 4}, {2, 1, 3, 4},
primeira são solução da segunda e vice-versa, isto é, têm o mesmo conjunto-solução. {4, 2, 3, 1, 2, 3} e
{x ∈R: x2 = 4} = {x ∈R: |x| = 2} {1, 2, 2, 3}

3. Em R, as condições “x = 2” e “|x| = 2” não são equivalentes, pois existe uma solução


da segunda que não é solução da primeira, ou seja, não têm o mesmo conjunto-solução.
{x ∈R: x = 2} ≠ {x ∈R: |x| = 2}

Exercício resolvido

De entre os conjuntos que se seguem, indica aqueles que são iguais.

a) {x ∈R: x2 + 6 = 5x}, {2, 3} e {n ∈N: 3 < n2 < 10}

b) {1, 2, 3}, {2, 1, 3}, {2, 3, 1, 2, 3} e {1, 2, 2}

Sugestão de resolução

a) O conjunto definido por {x ∈R: x2 + 6 = 5x} é o conjunto dos números reais


que são solução da equação x2 + 6 = 5x.
x2 + 6 = 5x ⇔ x2 – 5x + 6 = 0

⇔ x = 5 ± √∫2∫5∫ ∫–∫ 4
∫ ∫¥
∫ ∫1
∫ ∫¥
∫ ∫6

2
⇔x=3 ∨ x=2

Ou seja, {x ∈R: x2 + 6 = 5x} = {2, 3}.


O conjunto definido por {n ∈N: 3 < n2 < 10} é o conjunto dos números naturais
cujo quadrado é superior a 3 e inferior a 10.
Os números 2 e 3 são os únicos naturais que obedecem a esta propriedade,
logo {n ∈N: 3 < n2 < 10} = {2, 3}.
Assim, {x ∈R: x2 + 6 = 5x} = {2, 3} = {n ∈N: 3 < n2 < 10}.

b) {1, 2, 3} = {2, 1, 3} = {2, 3, 1, 2, 3}, uma vez que não importa a ordem pela
qual os elementos estão indicados, nem o número de vezes que um dado
elemento aparece. Soluções

Como 3 ∉{1, 2, 2}, concluímos que este é um conjunto distinto de todos os 70.
a) {x ∈R: x2 + 3 = 4x} = {1, 3} =
outros.
= {n ∈N: n é ímpar ∧ n < 5}
b) {1, 2, 3, 4} = {2, 1, 3, 4} =
= {4, 2, 3, 1, 2, 3}

53
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Em particular:
1. O conjunto vazio pode ser definido em compreensão por uma condição impossível.
Por exemplo, ∅ = {x ∈R: x2 < 0} = {x: x ≠ x}.

Condição
impossível fi Conjunto
vazio

2. O universo pode ser definido em compreensão por uma condição universal.


Por exemplo, no universo R, R = {x ∈R: x2 ≥ 0}.
Qualquer que seja o universo, à condição “x = x” corresponde o universo.

Seja U = {–5, –√∫5, –1, 0, 1,


71
√∫5, 5, 25}. Define em
Condição
Universo
extensão os seguintes universal
conjuntos.
a) A = {x ∈U: x ∈Z–}
b) B = {x ∈U: |x| < 3} Exercícios resolvidos
c) C = {x ∈U: x2 ∈U}
d) D = {x2: x ∈U} 1. Seja U = {–3, –√∫3, –1, 0, 1, √∫3, 3, 9}. Define em extensão os seguintes conjuntos.

a) A = {x ∈U: x ∈Z–}

b) B = {x ∈U: |x| < 3}


72 Define em compreensão
cada um dos seguintes
c) C = {x ∈U: x2 ∈U}
conjuntos.
a) {3, 6, 9, 12, 15, …}
d) D = {x2: x ∈U}
b) {–5, 5}
c) {1, 2, 5, 10}
d) { }
Sugestão de resolução
e) R

a) A = {x ∈U: x ∈Z–} é o conjunto dos elementos de U que são inteiros nega-


tivos, isto é, podemos defini-lo em extensão por A = {–3, –1}.
Soluções
b) B = {x ∈U: |x| < 3} é o conjunto dos elementos de U cujo valor absoluto é
71.
inferior a 3.
a) {–5, –1}
b) {–√∫5, –1, 0, 1, √∫5}
Assim, pode ser representado em extensão por B = {–√∫3, –1, 0, 1, √∫3}.
c) {0, 1, 5, 25}
d) {25, 5, 1, 0, 625} c) C = {x ∈U: x2 ∈U} é o conjunto dos elementos de U cujo quadrado também
72. Por exemplo: é elemento de U. Podemos defini-lo em extensão por C = {–3, –√∫3, –1, 0, 1,
a) {3n: n ∈N} ou {n ∈N: n é
√∫3, 3}.
múltiplo de 3}
b) {x ∈R: |x| = 5} =
d) D = {x2: x ∈U} é o conjunto constituído pelos quadrados dos elementos de
= {x ∈R: x = 5 ∨ x = –5}
c) {n ∈N: n é divisor de 10} U, isto é, D = {9, 3, 1, 0, 81}.
d) {x ∈R: |x| < 0}
e) {x ∈R: |x| ≥ 0}

54
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

LTC10_2.15
2. Define em compreensão cada um dos conjuntos que se seguem.

a) {2, 4, 6, 8, 10, …}

b) {–1, 1}

Sugestão de resolução

a) Os elementos do conjunto {2, 4, 6, 8, 10,…} são os números pares naturais,


logo pode ser definido por {n ∈N: n é par} ou {2n: n ∈N}.

b) {–1, 1} = {x ∈R: |x| = 1} (por exemplo).

2.8. Inclusão de conjuntos


Consideremos a proposição:
“∀ x, x é um número natural ⇒ x é um número inteiro.”
As condições “x é um número natural” e “x é um número inteiro relativo” correspondem
respetivamente aos conjuntos N e Z.
Assim, podemos reescrever a proposição acima da seguinte forma:
“∀ x, x ∈N ⇒ x ∈Z”
Por outras palavras, todo o elemento de N é também elemento de Z. Dizemos, então,
que o conjunto N está contido no conjunto Z.
U
Definição B
A

Sejam A e B conjuntos.
Diz-se que A está contido em B ou que A é um subconjunto de B ou A é uma parte
de B, e escreve-se A ⊂ B, se:
∀ x, x ∈A ⇒ x ∈B

Da definição resulta que:


• A está contido em B se e só se todo o elemento de A é também elemento de B;
• se existir um elemento de A que não seja um elemento de B, então A não está contido
em B e A não é um subconjunto de B; escreve-se A ⊄ B.

Implicação
entre condições fi Inclusão
de conjuntos

55
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.17 Exemplos
LTC10_2.18
1. Seja M2 o conjunto dos múltiplos de 2 e M10 o conjunto dos múltiplos de 10. Tem-se

73 Considera que A é um
M10 ⊂ M2, pois todo o múltiplo de 10 é também um múltiplo de 2.
subconjunto de B e que B 2. No universo dos quadriláteros, seja Q o conjunto dos quadrados e R o conjunto dos
é um subconjunto de C.
Considera ainda que
retângulos.
1 ∈A, 2 ∈B, 3 ∈C e que Tem-se Q ⊂ R, uma vez que todo o quadrado é também um retângulo.
4 ∉A, 5 ∉B e 6 ∉C.
Quais das afirmações
Considera, agora, os conjuntos N e Z+, conjunto dos números naturais e dos números
seguintes são
necessariamente inteiros positivos.
verdadeiras?
Repara que se verifica ao mesmo tempo que N ⊂ Z+ e Z+ ⊂ N, pois todo o elemento
a) 1 ∈B
de N é elemento de Z+ e todo o elemento de Z+ é elemento de N, o que significa que N
b) 2 ∈A
e Z+ são constituídos pelos mesmos elementos, isto é, N = Z+.
c) 3 ∉A
d) 4 ∈B
e) 5 ∉A
Princípio da dupla inclusão
f) 5 ∈C
Sejam A e B conjuntos.
g) 6 ∉B
A = B se e só se A ⊂ B e B ⊂ A.

Nota Já vimos anteriormente que a proposição A = B é equivalente à proposição:


∀ x, x ∈A ⇔ x ∈B
O método utilizado na
prova do princípio da Pelo princípio da dupla implicação, esta proposição é equivalente à proposição:
dupla inclusão, no qual
∀ x, ((x ∈A ⇒ x ∈B) ∧ (x ∈B ⇒ x ∈A))
utilizamos a proposição
“∀x, (p(x) ⇒ q(x)) ∧ Esta proposição é verdadeira se e só se a condição:
∧ ∀x, (q(x) ⇒ p(x))” para
(x ∈A ⇒ x ∈B) ∧ (x ∈B ⇒ x ∈A)
provar a proposição “∀x,
p(x) ⇔ q(x)” designa-se por for universal no universo considerado.
demonstração por dupla
Uma vez que se trata da conjunção de duas condições, a condição:
implicação.
(x ∈A ⇒ x ∈B) ∧ (x ∈B ⇒ x ∈A)
é universal nas situações em que ambas as condições:
(x ∈A ⇒ x ∈B) e (x ∈B ⇒ x ∈A)
são universais.
Isto acontece se e só se as proposições:
APRENDE FAZENDO ∀ x, (x ∈A ⇒ x ∈B) e ∀ x, (x ∈B ⇒ x ∈A)
Págs. 62, 64 e 72 são verdadeiras, isto é, se e só se a proposição:
Exercícios 4, 13 e 49
∀ x, (x ∈A ⇒ x ∈B) ∧ ∀ x, (x ∈B ⇒ x ∈A)
CADERNO DE EXERCÍCIOS é verdadeira.
E TESTES
Pág. 9 Pela definição de inclusão de conjuntos, temos que a proposição:
Exercício 24 ∀ x, (x ∈A ⇒ x ∈B) ∧ ∀ x, (x ∈B ⇒ x ∈A)
é equivalente à proposição:
Soluções
A⊂B∧B⊂A
73. As afirmações
necessariamente verdadeiras são: Mostramos assim que os conjuntos A e B são iguais se e só se A está contido em B e B
a), e) e g) está contido em A.

56
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

2.9. Interseção de dois conjuntos LTC10_2.14

Consideremos, em N, as condições a(n): “n é divisor de 10” e b(n): “n é divisor de 12”


Recorda
a que correspondem os conjuntos A e B:
Sejam a, b ∈R:
A = {1, 2, 5, 10} e B = {1, 2, 3, 4, 6, 12}
[a, b] = {x ∈R: a ≤ x ≤ b}
Então, a condição a(n) ∧ b(n) corresponde ao conjunto dos números que são divisores ]a, b[ = {x ∈R: a < x < b}
de 10 e são divisores de 12, isto é, que pertencem simultaneamente aos conjuntos A e B. [a, b[ = {x ∈R: a ≤ x < b}
A ∩ B = {x: x ∈A ∧ x ∈B} = {1, 2} ]a, b] = {x ∈R: a < x ≤ b}

U
Definição A B

Dados dois conjuntos A e B, chama-se interseção de A com B, e representa-se por A«B


A ∩ B, ao conjunto de todos os objetos que satisfazem a condição de pertencer si-
multaneamente a A e a B.
Simbolicamente, A ∩ B = {x: x ∈A ∧ x ∈B}.

Conjunção
de condições fi Interseção
de conjuntos

Exemplos Recorda

1. Sejam A = {2n – 1: n ∈N} e B = {5, 6, 7, 8, 9, 10}. Temos que A ∩ B = {5, 7, 9}. Dois conjuntos A e B
dizem-se disjuntos se a sua
2. Consideremos os intervalos de números reais ]–3, 2] e ]–1, 4[. interseção é o conjunto
vazio. Simbolicamente,
A ∩ B = { }.

–3 –1 0 2 4 x

Então, em R, ]–3, 2] ∩ ]–1, 4[ = ]–1, 2].

2.10. União (ou reunião) de dois conjuntos


Consideremos, novamente, as condições, em N, a(n): “n é divisor de 10” e b(n): “n é
divisor de 12” a que correspondem os conjuntos A e B:
A = {1, 2, 5, 10} e B = {1, 2, 3, 4, 6, 12}
Então, a condição a(n) ∨ b(n) corresponde ao conjunto dos números que são divisores de
10 ou são divisores de 12, isto é, que pertencem a pelo menos um dos conjuntos A e B.
A ∪ B = {n ∈N: n ∈A ∨ n ∈B} = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 10, 12}

57
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

LTC10_2.14 Definição
LTC10_2.16
U
A B Dados dois conjuntos A e B, chama-se reunião de A com B, e representa-se por A ∪ B,
ao conjunto de todos os objetos que satisfazem a condição de pertencer a pelo menos
A∪B um dos conjuntos A e B.
Simbolicamente, A ∪ B = {x: x ∈A ∨ x ∈B}.

74 Considera as seguintes
condições definidas em N:
Disjunção
de condições fi Reunião
de conjuntos

a(n): n é um número primo. Exemplos


b(n): n é múltiplo de 3.
c(n): n é divisor de 18. 1. Sejam A = {2n – 1: n ∈N} e B = {5, 6, 7, 8, 9, 10}. Tem-se que:
d(n): n é inferior a 10. A ∪ B = {n ∈N: n é ímpar ∨ 5 ≤ n ≤ 10}
Define em extensão cada
2. Consideremos os intervalos de números reais ]–3, 2] e ]–1, 4[.
um dos seguintes
conjuntos.
P = {n: a(n) ∧ d(n)}
Q = {n: b(n) ∧ c(n)} x
–3 –1 0 2 4
R = {n: c(n) ∨ d(n)}
S = {n: ~c(n) ∧ d(n)} Então, em R, ]–3, 2] ∪ ]–1, 4[ = ]–3, 4[.
Caderno de Apoio às Metas
Curriculares, 10.º ano

2.11. Complementar de um conjunto. Complementar de


um conjunto em relação a outro
Consideremos a condição, em N, c(n): “n é par” a que corresponde o conjunto C:
C = {2, 4, 6, 8, 10, …}
Então a condição ~c(n) corresponde ao conjunto dos números naturais que não são
pares, isto é, que não pertencem ao conjunto C. Este último conjunto é designado por

complementar de C e é representado por C.

C = {n ∈N: n ∉C} = {1, 3, 5, 7, 9, …}
U
Definição
A A

Num dado universo U, chama-se complementar de um conjunto A, e representa-se



por CA ou A, ao conjunto de todos os elementos de U que não pertencem a A.

Simbolicamente, A = {x ∈U: x ∉A}.

Soluções


74. P = {2, 3, 5, 7}
Q = {3, 6, 9, 18} Negação Complementar
R = {1, 2, 3, 6, 9, 18, 4, 5, 7, 8} de condição do conjunto
S = {4, 5, 7, 8}

58
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

Exemplos
LTC10_2.16

1. Consideremos, no universo dos números naturais, o conjunto A = {1, 2, 3, 4, 5}. O seu


complementar é o conjunto dos números naturais superiores a 5.
2. Consideremos ]–3, 2] um intervalo de números reais.

x
–3 –1 0 2

Então, em R, ∫]–3∫, 2] = ]–∞, –3] ∪ ]2, +∞[.

O conceito de conjunto complementar pode ser generalizado, como veremos a seguir.


Consideremos, mais uma vez, as condições, em N, a(n): “n é divisor de 10” e b(n): “n é
divisor de 12” a que correspondem os conjuntos A = {1, 2, 5, 10} e B = {1, 2, 3, 4, 6, 12}.
Então a condição a(n) ∧ ~b(n) corresponde ao conjunto dos números que são divisores
de 10 e não são divisores de 12, isto é, que pertencem a A e não pertencem a B.
Representa-se este conjunto por A\B.
A\B = {n ∈N: n ∈A ∧ n ∉B} = {5, 10}

U
Definição A B

Dados dois conjuntos A e B, chama-se diferença entre A e B, e representa-se por A\B

A\B, ao conjunto {x ∈A: x ∉B}.


Se B ⊂ A, designa-se por complementar de B em A.

Notas
Num dado universo U:

1. A\B = A ∩ B

2. A = U\A
3. Em geral, A\B ≠ B\A.

Exemplos

1. Em R, dados os conjuntos A = {–10, –p, –1, 0, 2} e B = [–2, +∞[, temos que:

–10 –p –2 –1 0 2 x

A\B = {–10, –p}


B\A = [–2, –1[ ∪ ]–1, 0[ ∪ ]0, 2[ ∪ ]2, +∞[
2. Sejam A = {2n – 1: n ∈N} e B = {5, 6, 7, 8, 9, 10}. Temos que:
A\B = {n ∈N: n é ímpar ∧ (n < 5 ∨ n > 10)}
B\A = {6, 8, 10}

59
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

75 Considera os seguintes Exercícios resolvidos


conjuntos de números
reais: 1. Considera os seguintes conjuntos de números reais:
A = {x ∈R: x ≤ 5} 3a a
B = {x ∈R: x ≤ –p}
E = {x ∈R: x < 4} F = {x ∈R: x ≤ –√∫2} b G = bx ∈R: x ≥ –
c 2c
a 7a Define, sob a forma de intervalo ou de união de intervalos disjuntos, os seguintes
C = bx ∈R: x > – b
c 2c
Define, sob a forma de conjuntos, considerados como subconjuntos de R.
intervalo ou de união de a) E ∪ F b) F ∪ G c) E ∩ F
intervalos disjuntos, os

seguintes conjuntos. d) E ∩ G e) E ∩ (F ∩ G) f) E
a) A ∪ B –
g) G h) E\F i) E\(F ∩ G)
b) B ∪ C
Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano
c) A ∩ B
d) A ∩ C
Sugestão de resolução
e) A ∩ (B ∩ C)

f) A E = {x ∈R: x < 4} = ]–∞, 4[ F = {x ∈R: x ≤ –√∫2 } = ]–∞, –√∫2]

g) C a 3a È 3 È
G = bx ∈R: x ≥ – b = Í– , +∞ Í
h) A\B c 2c Î 2 Î
i) A\(B ∪ C)
a) E ∪ F = ]–∞, 4[ ∪ –∞, –√∫2] ]
= ]–∞, 4[
–√∫2 0 2 4 x
È 3 È
]
b) F ∪ G = –∞, –√∫2 ∪ Í – ] , +∞ Í
Î
Î 2
= ]–∞, +∞[ 3 –√∫2 0 4 x

2

c) E ∩ F = ]–∞, 4[ ∩ –∞, –√∫2] ]


= ]–∞, –√∫2]
x
–√∫2 0 2 4
È 3 È
d) E ∩ G = ]–∞, 4[ ∩ Í – , +∞ Í
Î 2 Î
È 3 È x
= Í– , 4Í –
3 0 4
Î 2 Î 2

h È 3 Èh
e) E ∩ (F ∩ G)= ]–∞, 4[ ∩ i –∞, –√∫2 ∩ Í –
j
] ] , +∞ Í i
Î 2 Îj
È 3 È
= ]–∞, 4[ ∩ Í– , –√∫2Í
Î 2 Î
Soluções
È 3 È 3 –√∫2 0 4 x

75. = Í– , –√∫2Í 2
Î 2 Î
a) ]–∞, 5]
b) ]–∞, +∞[
c) ]–∞, –p] 3 –√∫2 0 4 x

2
È 7 È –
d) Í – , 5Í
Î 2 Î f) E = ]–∞,– 4[ = [4, +∞[ E

È 7 È
e) Í – , –p Í
4 x
– È 3 –
Î 2 Î 0 2
È È 3È
f) ]5, +∞[ g) G = Í– , +∞ Í = Í –∞, – Í G
Î 2 Î Î 2Î
È 7È x
g) Í –∞, – Í 3 0 4
Î 2Î –
2
h) ]–p, 5]
i) ∅

60
UNIDADE 2 Condições e conjuntos

76 Considera os seguintes
conjuntos:
]
h) E\F = ]–∞, 4[\ –∞, –√∫2 ] A = {x ∈N: 1 – x > 0 ∨
= ]–√∫2, 4[ 3x – 6 < 12}
–√∫2 0 2 4 x B = {x ∈R: x2 – x – 2 = 0}
h È 3 Èh C = {x ∈R: |x – 2| > 1}
i) E\(F ∩ G) = ]–∞, 4[\ i –∞, –√∫2 ∩ Í–
j
] ] , +∞ Í i
Î 2 Îj Define em extensão ou na
forma de intervalo os
È 3 È
= ]–∞, 4[\Í– , –√∫2Í seguintes conjuntos.
Î 2 Î
a) A
È 3È 3 –√∫2 0 4 x b) B
= Í –∞, – Í ∪ ]–√∫2, 4[ –
2
Î 2Î c) A\C
d) A ∩ B

3 –√∫2 0 4 x e) B ∩ C

2
f) A ∪ B

2. Considera os seguintes conjuntos:

A = {n ∈N: 2n – 5 < 10 ∧ n é ímpar}, B = {x ∈R: x2 – 8 = 2x} e


C = {x ∈R: x ≤ –2 ∨ x ≥ 2}
Define em extensão ou na forma de intervalo os conjuntos A, B, A\C e B ∩ C.
Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano

Sugestão de resolução

A = {n ∈N: 2n – 5 < 10 ∧ n é ímpar} = {n ∈N: n < 7,5 ∧ n é ímpar}


= {1, 3, 5, 7}
Cálculo auxiliar
2n – 5 < 10 ⇔ 2n < 15 APRENDE FAZENDO
15 Pág. 70
⇔n< ⇔ n < 7,5 Exercício 39
2

B = {x ∈R: x2 – 8 = 2x} = {4, –2} CADERNO DE EXERCÍCIOS


E TESTES
Cálculo auxiliar Pág. 8
x2 – 8 = 2x ⇔ x2 – 2x – 8 = 0 Exercícios 17, 18 e 19

⇔ x = 2 ± √∫4∫ ∫–∫ 4
∫ ∫¥
∫ ∫ (∫ ∫–∫8∫)
2

⇔ x = 2 ± √∫3∫6 ⇔ x = 4 ∧ x = –2
Testes interativos
2 – Condições e conjuntos I.
– Condições e conjuntos II.

C = {x ∈R: x ≤ –2 ∨ x ≥ 2} = ]–∞, –2] ∪ [2, +∞[


A\C = {1, 3, 5, 7}\(]–∞, –2] ∪ [2, +∞[) Soluções
= {1} 76.
–2 –1 0 1 2 3 4 5 6 7 x
a) {1, 2, 3, 4, 5}
B ∩ C = {4, –2} ∩ (]–∞, –2] ∪ [2, +∞[) b) {–1, 2}
c) {1, 2, 3}
= {4, –2}
–2 –1 0 1 2 3 4 5 6 7 x d) {2}
e) {–1}
f) {–1, 1, 2, 3, 4, 5}

61
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de seleção

1 Sejam p e q as proposições:
p: “O Afonso usa óculos.”
q: “O Afonso usa chapéu.”
a) Em linguagem simbólica, a proposição “O Afonso usa óculos ou chapéu” pode escrever-se como:

(A) p ∧ q (B) p ∨ q (C) ∼p ∨ q (D) ∼p ∧ ∼q

b) Em linguagem simbólica, a proposição “O Afonso não usa óculos nem chapéu” pode escrever-se
como:
(A) p ∧ q (B) p ∨ q (C) ∼p ∨ q (D) ∼p ∧ ∼q

Soluções: a) Opção (B) b) Opção (D)

2 Sabe-se que a ⟺ b é uma proposição falsa. Então, acerca dos valores lógicos das proposições a e b,
podemos concluir que:
(A) a e b são ambas verdadeiras.

(B) a e b são ambas falsas.

(C) a e b têm valor lógico diferente.

(D) nada se pode concluir.

Solução: Opção (C)

3 Das expressões seguintes, considerando x um número real, qual delas não é uma expressão proposi-
cional?
(A) “O dobro de x é 7.” (B) 2x + 7

(C) x > 2 ∧ x < 7 (D) “x é múltiplo de 2 e de 7.”

Solução: Opção (B)

4 Considera os conjuntos A, B e C:
A = {1, 2}, B = {2, 1} e C = {n ∈N: n2 ≤ 9}
Qual das opções seguintes é verdadeira?
(A) A = B = C (B) A = B e C ⊂ A (C) B = C (D) A = B e A ⊂ C

Solução: Opção (D)

62
Itens de seleção

5 Qual das seguintes proposições é uma tautologia?


(A) (p ∧ q) ⇔ (~p ∧ ~q)

(B) ~(p ∧ q) ⇒ (p ∨ q)

(C) p ⇒ (p ∨ q)

(D) (p ∨ ~p) ⇒ (p ∧ ~p)

Solução: Opção (C)

6 Considera a proposição ∀ x, p(x) ⇒ q(x). Qual das seguintes proposições é equivalente à anterior?
(A) ∀ x, p(x) ∧ ~q(x)

(B) ∀ x, ~p(x) ⇒ ~q(x)

(C) ~(∀ x, p(x) ⇒ q(x))

(D) ∀ x, ~q(x) ⇒ ~p(x)

Solução: Opção (D)

7 Considera a seguinte proposição:


“Todas as crianças acreditam no Pai Natal.”
Indica qual das seguintes proposições é equivalente à negação da proposição anterior.
(A) “Nenhuma criança acredita no Pai Natal.”

(B) “Todas as crianças não acreditam no Pai Natal.”

(C) “Existe pelo menos uma criança que não acredita no Pai Natal.”

(D) “Existe pelo menos uma criança que acredita no Pai Natal.”

Solução: Opção (C)

8 Considera a seguinte condição:


“Se um triângulo é retângulo, então não é equilátero”.
Indica qual das seguintes proposições é equivalente à contrarrecíproca da proposição anterior.
(A) “Se um triângulo é equilátero, então não é retângulo.”

(B) “Se um triângulo não é equilátero, então é retângulo.”

(C) “Se um triângulo não é equilátero, então não é retângulo.”

(D) “Se um triângulo é retângulo, então é equilátero.”

Solução: Opção (A)

63
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de seleção

9 Sabe-se que a ⟺ b é uma proposição falsa. Então, qual das proposições seguintes é necessariamente
verdadeira?
(A) a ∧ b (B) a ∨ b (C) ~a ∧ ~b (D) a ⇒ b

Solução: Opção (B)

10 Sabe-se que p ⇒ (q ⇒ r) é uma proposição falsa. Então, acerca dos valores lógicos das proposições
p, q e r, podemos concluir que:
(A) p e q são falsas e r é verdadeira. (B) p e r são verdadeiras e q é falsa.

(C) q e r são falsas e p é verdadeira. (D) p e q são verdadeiras e r é falsa.

Solução: Opção (D)

11 Considera a proposição ~(∀x, p(x) ⟹ q(x)). Qual das seguintes proposições é equivalente à anterior?
(A) ∃ x: p(x) ∧ ~q(x) (B) ∃ x: ~p(x) ⟹ ~q(x)

(C) ∀x, p(x) ⟹ q(x) (D) ∀ x, p(x) ∧ ~q(x)

Solução: Opção (A)

12 Dado um conjunto U, considera as seguintes afirmações:


(i) A disjunção de qualquer condição com uma condição universal em U é uma condição universal
em U.
(ii) A conjunção de qualquer condição com uma condição impossível em U é uma condição impos-
sível em U.
Podemos afirmar que:
(A) ambas as proposições são falsas. (B) ambas as proposições são verdadeiras.

(C) (i) é falsa e (ii) é verdadeira. (D) (i) é verdadeira e (ii) é falsa.

Solução: Opção (B)

13 Considera os conjuntos A, B e C, dos quais se sabe que A ⊂ B e B ⊂ C. Sabe-se ainda que a ∈A, b ∈B,
c ∈C e que d ∉A, e ∉B e f ∉C.
Qual das seguintes afirmações é necessariamente verdadeira?
(A) b ∈A (B) a ∈C (C) d ∈B (D) c ∉A

Solução: Opção (B)

64
Itens de construção

Itens de construção

14 Das expressões seguintes, indica as que são designações e as que são proposições.
a) “52 × (p – 3)”

b) “ 1 + 1 = 1 ”
3 3 6
c) “17 é um número primo.”

d) “O triângulo de vértices A, B e C.”

e) “Há triângulos no plano com dois ângulos retos.”

f) “√∫3 > p + 1”

g) “–5 ∈N”

h) “{1, 2, 3}”

i) “{1, 2, 3, 6} é o conjunto dos divisores naturais de 6.”

j) “Existe um número primo que é par.”

Soluções: São designações: a), d) e h). São proposições: b), c), e), f), g), i) e j)

15 Indica o valor lógico das proposições do exercício anterior.

Soluções: b), e), f) e g) são proposições falsas. c), i) e j) são proposições verdadeiras.

16 Considera as proposições:
p: “Eu gosto do verão”.
q: “Eu não gosto do inverno”.
r: “Eu gosto da primavera”.
Traduz em linguagem corrente as seguintes proposições.
a) p ∧ q b) q ∨ r c) ~p ∧ ~q

d) ~q ∨ r e) ~(p ∨ r) f) ~p ∧ ~r

Soluções: a) “Eu gosto do verão e não gosto do inverno.” b) “Eu não gosto do inverno ou gosto da primavera.” c) “Eu não
gosto do verão e gosto do inverno.” d) “Eu gosto do inverno ou da primavera.” e) “Não é verdade que eu goste do verão ou
da primavera.” f) “Eu não gosto do verão nem da primavera.”

17 Determina o valor lógico das proposições p e q, sabendo que a proposição:


a) p ∧ q é verdadeira; b) p ∨ q é falsa; c) ~p ∧ q é verdadeira.

Soluções: a) p e q são proposições verdadeiras. b) p e q são proposições falsas. c) p é uma proposição falsa e q é uma
proposição verdadeira.

65
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de construção

18 Constrói uma tabela de verdade para cada uma das seguintes proposições.
a) ~p ∧ q b) ~(p ∧ q) c) p ∨ (~p ∧ q)

Solução:
a) b) c)
p q ∼p ∼p ∧ q p q p ∧ q ∼(p ∧ q) p q ∼p ∼p ∧ q p ∨ (∼p ∧ q)
V V F F V V V F V V F F V
V F F F V F F V V F F F V
F V V V F V F V F V V V V
F F V F F F F V F F V F F

19 Utilizando as primeiras leis de De Morgan, escreve afirmações equivalentes à negação das seguintes
proposições.
a) “p é um número irracional e é superior a 2.”

b) “15 não é um número par nem é um número primo.”

c) “O Joaquim é um bebé ou não sabe falar.”

d) “A Margarida é um bebé e não sabe nadar.”

Soluções: a) “p não é um número irracional ou não é superior a 2.” b) “15 é um número par ou é um número primo.”
c) “O Joaquim não é um bebé e sabe falar.” d) “A Margarida não é um bebé ou sabe nadar.”

20 Considera as expressões proposicionais seguintes, relativas a números reais.


p(x): 5x + 1 ≥ 0
q(x): |x| < 0
r(x): x(x – 2 )= 0
s(x): x(x + 2) = 0
t(x): 2x2 ≥ 0
a) Indica, para cada condição, se é universal, possível ou impossível em N e em R.

b) Escreve condições equivalentes à negação das condições dadas, sem utilizar o símbolo ~.

c) Indica se cada uma das seguintes condições é universal, possível ou impossível, em R.

(i) p(x) ∧ q(x)


(ii) q(x) ∨ r(x)
(iii) r(x) ∨ s(x)
(iv) s(x) ∨ t(x)

Soluções: a) p(x) é uma condição universal em N e possível em R; q(x) é uma condição impossível em N e impossível em
R; r(x) é uma condição possível em N e possível em R; s(x) é uma condição impossível em N e possível em R; t(x) é uma
condição universal em N e universal em R. b) ~p(x): 5x + 1 < 0; ~q(x): |x| ≥ 0; ~r(x): x(x – 2) ≠ 0; ~s(x): x(x + 2) ≠ 0; ~t(x): 2x2 < 0
c) (i) Condição impossível. (ii) Condição possível. (iii) Condição possível. (iv) Condição universal.

66
Itens de construção

21 Supõe que a variável x toma valores no conjunto de todos os gatos e considera:


p(x): “x é malhado.” q(x): “x gosta de leite.” r(x): “x é preto.”
a) Traduz as seguintes quantificações em linguagem corrente.

(i) ∃ x: p(x) (ii) ∀ x, q(x) (iii) ∀ x, p(x) ∨ r(x) (iv) ∃ x: r(x) ∧ ~q(x)

b) Traduz as seguintes quantificações em linguagem simbólica.

(i) “Existe pelo menos um gato que não é malhado nem preto.”

(ii) “Existe pelo menos um gato que gosta de leite ou é preto.”

(iii) “Todos os gatos que gostam de leite são malhados.”

(iv) “Todos os gatos são malhados se e só se não são pretos.”

Soluções: a) (i) “Existe pelo menos um gato malhado.” (ii) “Todos os gatos gostam de leite.” (iii) “Todos os gatos são malhados
ou são pretos.” (iv) “Existe pelo menos um gato preto que não gosta de leite.” b) (i) ∃ x: ~p(x) ∧ ~r(x) (ii) ∃ x: q(x) ∨ r(x)
(iii) ∀ x, q(x) ⇒ p(x) (iv) ∀ x, p(x) ⇔ ~r(x)

22 Utilizando as segundas leis de De Morgan, escreve afirmações equivalentes à negação das seguintes
proposições.
a) “Todos os homens são ambiciosos.”
Animação
b) “Existe um ator famoso que não tem formação em teatro.” Resolução do exercício.

Soluções: a) “Existe pelo menos um homem que não é ambicioso.” b) “Todos os atores famosos têm formação em teatro.”

a 1 a
23 Seja U = b1, –1, ,0, 5, 25b. Define em extensão cada um dos seguintes conjuntos.
c 5 c
a) {x ∈U: x ∈N}

b) {x ∈U: x ∈Z–}

c) {x ∈U: x2 > 10}

d) {x ∈U: 2x ≤ 0}

e) {x ∈U: x é um número irracional}

Soluções: a) {1, 5, 25} b) {–1} c) {5, 25} d) {–1, 0} e) ∅

24 Define em compreensão cada um dos conjuntos que se seguem (admitindo-se que os elementos não
expressos são os sugeridos pela sequência).
a) {3, –3}

b) {1, 3, 5, 7, 9, 11, 13, 15, …}

c) {1, 4, 9, 16, 25, 36, …}

Soluções: a) {x ∈R: x = 3 ∨ x = –3} (por exemplo) b) {x ∈N: x é ímpar} c) {x2: x ∈N}

67
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de construção

25 Considera as proposições p, q e r:
p: “9 é um número primo.”
q: “p = 3,14”
r: “27 é múltiplo de 9.”
a) Escreve em linguagem simbólica as seguintes proposições.

(i) “p ≠ 3,14 e 27 é múltiplo de 9.”


(ii) “9 não é primo ou p = 3,14.”
(iii) “Se p = 3,14, então 27 não é múltiplo de 9.”

b) Traduz em linguagem corrente as seguintes proposições.

(iv) p ∨ ~r (v) ~(p ∧ q) (vi) ~r ⟹ (~q ∨ p)

c) Indica o valor lógico das proposições presentes neste exercício.

Soluções: a) (i) ~q ∧ r (ii) ~p ∨ q (iii) q ⟹ ~r b) (iv) “9 é um número primo ou 27 não é múltiplo de 9.” (v) “Não é verdade
que 9 seja um número primo e que p = 3,14.” (vi) “Se 27 não é múltiplo de 9, então p ≠ 3,14 ou 9 é um número primo.”
c) p e q são falsas; r é verdadeira; (i), (ii), (iii), (v), (vi) são verdadeiras e (iv) é falsa.

26 Constrói uma tabela de verdade para cada uma das seguintes proposições e indica se alguma delas é
uma tautologia.
a) ~(p ⟹ ~q) b) p ⟺ (p ∨ q) c) (p ⟹ q) ⟺ (~p ∨ q)

Soluções: Consultar na página 282.

27 Prova que quaisquer que sejam as proposições p e q se tem p ∨ (p ∧ q) ⇔ p:


a) utilizando uma tabela de verdade;

b) utilizando as propriedades das operações lógicas.

28 Considera as proposições p e q. Simplifica as seguintes expressões que definem proposições e indica,


sempre que possível, o respetivo valor lógico.
a) q ∨ (p ∨ ~q) b) q ∧ (p ∧ ~q) c) q ∧ (~q ∨ p)

d) ~p ∧ (p ∨ q) ∧ ~q e) p ∨ (~p ∧ q) ∨ ~q

Soluções: a) Proposição verdadeira. b) Proposição falsa. c) q ∧ p d) Proposição falsa. e) Proposição verdadeira.

29 Considera as proposições p, q e r. Escreve o mais simplificadamente possível, e sem utilizar os operadores


⇒ e ⇔, proposições equivalentes à negação das seguintes proposições.
a) p ∧ ∼q b) ~p ∨ ~q c) p ∧ (~q ∨ r) d) ~p ⇒ q

e) p ⇒ (q ∨ r) f) (q ∨ r) ⇒ p g) (p ⇒ q) ∨ r h) p ⇔ ~q

Soluções: a) ∼p ∨ q b) p ∧ q c) ∼p ∨ (q ∧ ~r) d) ~p ∧ ~q e) p ∧ ~q ∧ ~r f) (q ∨ r) ∧ ~p g) p ∧ ~q ∧ ~r h) (p ∧ q) ∨ (~q ∧ ~p)

68
Itens de construção

30 Considera as proposições p e q tais que q é falsa e p ⇒ q é verdadeira. Indica o valor lógico de cada
uma das seguintes proposições.
a) p b) p ∨ q c) ~(p ∨ q) d) ~p ∧ ~q

e) ~p ∨ q f) ~q ⇒ p g) p ⇔ q h) ~p ⇔ q

Soluções: a) Proposição falsa. b) Proposição falsa. c) Proposição verdadeira. d) Proposição verdadeira. e) Proposição verdadeira.
f) Proposição falsa. g) Proposição verdadeira. h) Proposição falsa.

31 Considerando as proposições p e q, escreve em função da negação e da conjunção proposições equi-


valentes às seguintes.
a) p ∨ q b) p ⇒ q c) p ⇔ q

Soluções: a) ~(~p ∧ ∼q) b) ~(p ∧ ∼q) c) ~(p ∧ ∼q) ∧ ~(q ∧ ∼p)

32 Determina o valor lógico das proposições p, q e r sabendo que a proposição:


a) ~(p ∧ q) ∨ r é falsa; b) r ∧ ~(p ⇒ q) é verdadeira.

Soluções: a) p e q são proposições verdadeiras; r é falsa. b) p e r são proposições verdadeiras; q é falsa.

33 Para cada uma das expressões proposicionais seguintes, escreve expressões equivalentes à respetiva
negação e a implicação contrarrecíproca.
a) “Se um aluno está distraído, então a professora repreende-o.”

b) “x = 3 ⇒ x2 = 9”

c) “Se n é um múltiplo de 10, então n é um múltiplo de 5.”

Soluções: a) Negação: “Um aluno está distraído e a professora não o repreende.” Contrarrecíproca: “Se a professora não
repreende um aluno, então o aluno não está distraído.” b) Negação: “x = 3 ∧ x2 ≠ 9”; Contrarrecíproca: “x2 ≠ 9 ⇒ x ≠ 3” c)
Negação: “n é um múltiplo de 10 e não é um múltiplo de 5.” Contrarrecíproca: “Se n não é um múltiplo de 5, então não é
um múltiplo de 10.”

34 Utilizando as segundas leis de De Morgan, escreve afirmações equivalentes à negação das seguintes
proposições.
a) “Existe um número real x que é maior que o seu quadrado.”

b) “x2 – 2x ≥ 0 verifica-se para todo o número real x.”

c) “Existe um número natural x que é solução da equação x3 = 25.”

Soluções: a) “Todos os números reais são inferiores ou iguais ao seu quadrado.” b) “Existe pelo menos um número real x
que não verifica x2 – 2x ≥ 0.” c) “Qualquer número natural x não é solução da equação x3 = 25.”

35 Traduz em linguagem simbólica as quantificações e as respetivas negações presentes no exercício an-


terior.

Soluções: a) ∃ x ∈R: x > x2; ∀ x ∈R, x ≤ x2 b) ∀ x ∈R, x2 – 2x ≥ 0; ∃ x ∈R: x2 – 2x < 0 c) ∃ x ∈N: x3 = 25; ∀ x ∈N, x3 ≠ 25

69
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de construção

36 Mostra que as seguintes proposições são falsas, apresentando um contraexemplo:


a) “A soma de dois números primos é um número primo.”

b) “Todos os números primos formados por dois algarismos têm os algarismos distintos.”

c) “∀ x ∈N, x2 – 2x ≥ 0”

Soluções: a) A proposição é falsa, pois, por exemplo, 3 e 5 são números primos e a sua soma, 8, não é um número primo.
b) A proposição é falsa, pois, por exemplo, 11 é um número primo formado por dois algarismos e estes não são distintos.
c) A proposição é falsa, pois, por exemplo, 1 é um número natural e não se verifica que 12 – 2 ¥ 1 ≥ 0.

37 Considera as seguintes condições definidas em N.


p(n): “n é um número primo.” q(n): “n é divisor de 12.” r(n): “n é inferior a 9.”
Define em extensão cada um dos seguintes conjuntos.
a) P = {n: p(n) ∧ r(n)} b) Q = {n: q(n) ∨ r(n)} c) R = {n: q(n) ∧ ~p(n)}

Soluções: a) {2, 3, 5, 7} b) {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 12} c) {1, 4, 6, 12}

38 Define em extensão cada um dos seguintes conjuntos.


a) {x ∈N: x – 4 < 0 ∨ x2 – 36 = 0} b) {x ∈N: x – 4 < 0 ∧ x2 – 36 = 0}

c) {x ∈R: x – 4 > 0 ∧ x2 – 36 = 0} d) {x ∈R: x – 4 < 0 ∧ x2 – 36 = 0}

Soluções: a) {1, 2, 3, 6} b) ∅ c) {6} d) {–6}

39 Considera os seguintes conjuntos de números reais.


A = {0, 1, 2, 3}; B = {x ∈R: x > 2} e C = {x ∈R: 1 < x ≤ 6}
Determina:
a) A ∪ B b) B ∪ C c) A ∩ C d) B ∩ C
– – –
e) (A ∩ C) ∩ B f) A g) B h) C

i) A\B j) B\A k) C\(A ∩ B)

Soluções: a) [2, +∞[ ∪ {0, 1} b) ]1, +∞[ c) {2, 3} d) ]2, 6] e) {3} f) R\{0, 1, 2, 3} g) ]–∞, 2] h) ]–∞, 1] ∪ ]6, +∞[ i) {0, 1, 2}
j) ]2, +∞[\{3} k) ]1, 6]\{3}

40 Constrói uma tabela de verdade para a seguinte proposição.


(p ⇔ ~r) ∨ (q ∧ r)

Solução: Consultar na página 282.

41 Sabe-se que (p ⇒ ~q) ∧ (~r ⇒ q) ∧ p é uma proposição verdadeira. Qual é o valor lógico de p, de q
e de r?
Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano

Solução: As proposições p e r são verdadeiras; a proposição q é falsa.

70
Itens de construção

42 Escreve o mais simplificadamente possível, e sem utilizar o operador ⇒, proposições equivalentes às


seguintes.
a) (p ⇒ ~q ∧ ∼r) ⇒ q b) (p ⇒ ~q) ∧ (∼r ⇒ q)

Soluções: a) q ∨ (p ∧ r) b) (~p ∨ ~q) ∧ (r ∨ q)


Animação
Resolução do exercício.

43 a) Considera as proposições:

p: “O FCP ganha o campeonato deste ano.”


q: “O SLB ganha o jogo de hoje.”
Utilizando operações lógicas entre p e q, escreve a seguinte proposição em linguagem simbólica:
“O FCP ganha o campeonato deste ano, exceto se o SLB ganhar o jogo de hoje.”
b) Considera as proposições:

a: “A Carolina vai ao cinema.”


b: “A Carolina come pipocas.”
c: “O filme é de terror.”
Utilizando operações lógicas entre a, b e c, escreve a seguinte proposição em linguagem simbólica:
“A Carolina não come pipocas quando vai ao cinema, a menos que o filme seja de terror.”

Soluções: a) ~q ⇒ p b) ~c ⇒ (a ⇒ ~b)

44 Considera uma operação lógica º, dita “ou exclusivo” ou “disjunção exclusiva” tal que, dadas pro-
posições p e q, p º q é verdadeira quando, e apenas quando, p e q têm valores lógicos distintos.
Resolve as seguintes questões.
a) Constrói uma tabela de verdade para p º q.

b) Dadas proposições p e q, constrói uma proposição equivalente a p º q, partindo de p e q e utili-


zando apenas as operações ∧, ∨ e ∼.
c) Indica, justificando, se, dadas proposições p e q, alguma das seguintes proposições é sempre ver-
dadeira, quaisquer que sejam os valores lógicos de p e q.
(i) ~(p º q) ⇔ p ∧ q (ii) ~(p º q) ⇔ p ∨ q

(iii) ~(p º q) ⇔ (p ⇒ q) (iv) ~(p º q) ⇔ (p ⇔ q)

Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano

Soluções: a) p q pºq b) (p ∧ ∼q) ∨ (q ∧ ∼p) c) Apenas (iv) é sempre verdadeira.

V V F Animação
Resolução do exercício.
V F V
F V V
F F F

71
TEMA I Introdução à lógica bivalente e à teoria dos conjuntos

Aprende Fazendo

Itens de construção

45 Escreva cada uma das expressões proposicionais seguintes em linguagem simbólica, a partir de ex-
pressões mais simples e das operações lógicas.
a) “Ser mamífero é condição necessária para ser felino.”

b) “Ser múltiplo de 6 é uma condição suficiente para que um número seja múltiplo de 3.”

c) “É condição necessária e suficiente para que o produto de dois números reais seja nulo que pelo
menos um deles seja zero.”

Soluções: a) p(x): “x é mamífero.” b) p(x): “x é múltiplo de 6.” c) p(x, y): “x × y = 0”


q(x): “x é felino.” q(x): “x é múltiplo de 3.” q(x, y): “x = 0 ∨ y = 0”
q(x) ⇒ p(x) p(x) ⇒ q(x) p(x, y) ⟺ q(x, y)

46 Dado um conjunto U e uma condição p(x), mostra que:


a) se p(x) é uma condição universal em U, então ~p(x) é uma condição impossível em U;

b) se p(x) é uma condição impossível em U, então ~p(x) é uma condição universal em U.

Adaptado de Caderno de Apoio às Metas Curriculares, 10.º ano

47 Mostra que as seguintes proposições são falsas.


a) Qualquer quadrilátero que tenha os ângulos iguais também tem os lados iguais.

b) Para todos os valores reais x e y tais que x > y, tem-se que x2 > y2.

Soluções: a) A proposição é falsa, pois, por exemplo, um retângulo é um quadrilátero que tem os ângulos iguais, e, no entanto,
não tem os lados iguais. b) A proposição é falsa, pois, por exemplo, –2 e –3 são valores reais tais que –2 > –3 e, no entanto,
não se tem que (–2)2 > (–3)2.

48 Demonstra, por contrarrecíproco, que se um número natural n não é divisível por 3, então não é di-
visível por 12.

49 Demonstra, por dupla implicação, que para todo o número natural n, n2 é par se e só se n é par.

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Desafios

Desafios

Revê novamente os problemas apresentados no vídeo “Mulheres que sabem o que querem” e que
também se encontram resumidos no início do capítulo (página 10).
1 Considera os seguintes conjuntos:
R = {Restaurantes} A = {Restaurantes bons} B = {Restaurantes baratos}
Observa como a proposição “restaurantes bons não são baratos!” pode ser apresentada sim-
bolicamente por ∀ x ∈R, x ∈A ⇒ x ∉B.
a) Representa, de forma análoga, a proposição “restaurantes baratos não são bons!”.

b) Usa a propriedade da implicação contrarrecíproca para mostrar que as duas proposições an-
teriores são equivalentes.
c) Escreve em linguagem corrente a proposição ∀ x ∈R, ~(x ∈A ∧ x ∈B)

d) Que relação existe entre a proposição da alínea anterior e a apresentada na alínea a)?

2 Considera as seguintes proposições:


s: “A Sara leva saia.” v: “A Vanessa leva saia.” r: “A Rebeca leva saia.”
a) Usando operações lógicas entre s, v e r, escreve as seguintes proposições em linguagem simbólica.
• “Sempre que a Sara leva saia, a Vanessa leva calças.”
• “A Sara leva saia se e só se a Rebeca levar calças.”
• “A Vanessa e a Rebeca nunca vão as duas de calças.”
b) Completa a tabela de verdade seguinte.

s v r ∼v ∼r s ⇒ ∼v s ⇔ ∼r v∨r

V V V

V V F

V F V

V F F

F V V

F V F

F F V

F F F

c) Identifica as linhas da tabela anterior onde as três proposições da alínea a) são todas verdadeiras.

d) Vamos supor que todas as afirmações da alínea a) são verdadeiras e que há uma mulher que
levou calças num dos dias, saia noutro e que está apaixonada. Qual delas está apaixonada?

Soluções: Consultar na página 283.

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