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Crítica à razão dualista

Capítulo 1: Uma breve colocação do problema

1). Objetivo: revisão do modo de pensar a economia (p. 29)


2) Pressupostos: Não separar a economia da política (p. 30)
3) Crítico à teoria cepalina e à persepectiva conservadora dos economistas do
Brasil (p. 29)
3.1) CEPAL se esquece de que a tarefa primeira do sistema é a própria
reprodução e não a satisfação da vida das pessoas (“perspectiva ético-
finalista”) (p. 29) -> expectativa de Prebisch de “reformar” o
comportamento dos países centrais (NR da p. 31)
3.1.1) Único interlocutor válido (p.31)
3.1.2) A “crítica ao conceito de modo-de-produção subdesenvolvido”
é radical. Trata-se de compreender o “moderno” e o “atraso” (que
existiram em quase todos os modos de-produção e em qualquer
período em termos de “oposição formal”) como unidade
orgânica. (p. 32)
3.2) Economistas conservadores: dialética vulgar, como se a “sorte das
partes pudesse ser reduzida ao comportamento do ‘todo’” -> “teoria do
crescimento do bolo”. (p. 29)
3.2.1) “Sem razão”. (p.32)
4) O “subdesenvolvimento” é uma produção da expansão do capitalismo. Raras
foram as vezes que o capitalismo encontrou um “modo-de-produção anterior”
(casos México e Peru). O subdesenvolvimento é uma “forma capitalista e não
histórica” (p. 33)
5) Desta forma a maneira correta de colocar o problema é: “Ao enfatizar o
aspecto da dependência – a conhecida relação centro-periferia –, os teóricos do
“modo de produção subdesenvolvido” quase deixaram de tratar os aspectos
internos das estruturas de dominação que conformam as estruturas de
acumulação próprias de países como o Brasil: toda a questão do
desenvolvimento foi vista pelo ângulo das relações externas, e o problema
transformou-se assim em uma oposição entre nações, passando despercebido
o fato de que, antes de oposição entre nações, o desenvolvimento ou o
crescimento é um problema que diz respeito à oposição entre classes sociais
internas” (p.33)
6) A perspectiva cepalina não responde quem tem predominância: leis internas
de articulação que gerem o “todo” ou se são leis de ligação com o resto de
sistema que comandam sua estrutura de relações (p. 33)
6.1) Assim, a proeminência da teoria do subdesenvolvimento conformou
para que não se formasse uma teoria do capitalismo no Brasil. Os
“estereótipos” de “interesse nacional”, “internacionalização do centro de
decisões”, “interesse nacional” “desviou a atenção teórica e a ação
política do problema da luta de classes”. Isso justamente no período em que o
país estava se industrializando. Por isso, “A teoria do subdesenvolvimento foi,
assim, a ideologia própria do chamado período populista; se ela hoje não
cumpre esse papel, é porque a hegemonia de uma classes afirmou de tal
modo que a face já não precisa de máscara” (p. 34)

Capítulo 2: “O desenvolvimento capitalista pós anos 1930 e o


problema da acumulação”.

1) Revolução de 1930: fim e início de um novo ciclo


1.1) Importância da Indústria (em percentual do PIB somente supera a
agircultura em 1956)0
1.2) Novo modelo de acumulação (“destruição das regras do jogo
segundo as quais a economia se inclinava para as atividades agrário-
exportadoras e, de outro, de criação das condições institucionais para a
expansão das atividades ligadas ao mercado interno”) (p. 35)
1.3) “Realização parcial interna crescente” (p. 35)
2) A importância da legislação trabalhista neste novo regime de acumulação
(p.36)
2.1) O salário mínimo
2.2) Chico critica as tendências – como Inácio Rangel, por exemplo – que
achava que o salário mínimo alcançava “níveis institucionais” e, portanto,
maior do que se obteria pela barganha entre capital e trabalho. (p. 36)
2.3) As correntes que defendem que entre 1930 e 1964 ocorreu um
“distributivismo” (o qual na nota de rodapé ele até reconhece que pode ter
ocorrido do ponto de vista político). (NR: p. 36)
2.4) As mesmas correntes abstraem o papel do Estado na conformação
do mercado. (p.38)
2.4.1) Por isso é complicado supor que os níveis do salário mínimo
estivessem “acima” do custo de reprodução do trabalho. Até
pq a própria legislação foi elaborada como “salário de subsistência”.
(p.38)
2.4.2) Não há cláusula de aumento do salário mínimo relacionado
ao aumento da produtividade do trabalho. (p.38)
2.4.3) O mais importante, contudo, é a formação de um “exército
industrial de reserva” (p.38)
2.4.3.1) A legislação trabalhista igualava reduzindo o preço
da força de trabalho (pelo estabelecimento de um
denominador comum) (p.39)
2.4.3.2) Se o estabelecimento do salário mínimo estive “por
cima” dos níveis de barganha, haveria alguma crise no sistema de
acumulação. O que se viu é justamente o contrário (p. 39)
2.4.4) O Estado assume outras formas de intervenção para
consolidar o novo regime de acumulação. Regulação do preço do
trabalho, investimento em infraestrutura, confisco cambial ao café,
rebaixar o custo de capital (subsídio cambial). O “preço social”
como mecanismo fundamental para destruir o antigo regime de
acumulação e estabelecer o novo. (p.41-42)
2.4.5) O papel da agricultura (estimulá-la, mas não de forma que
ela se torne o centro dinâmico do sistema). (p.42)
2.4.5.1) O setor exportador: trazer divisas (p.42)
2.4.5.2) O setor destinado aos produtos internos: alimentar as
massas urbanas, não elevar o custo da alimentação e das matérias-
primas. (p. 42-3)
2.4.5.2.1) Acumulação primitiva, não pela propriedade,
mas pelo trabalho excedente (especialmente o trabalho
morto). O camponês “abre” o caminho – planta para
subsistência – e depois o proprietário “se aproveita” do
trabalho do camponês. (p. 43).
2.4.5.2.2) Dado o caráter elástico da mão-de-obra e das
terras, ocorre o que Ruy Miller Paiva chamou de
“mecanismos de autocontrole no processo da melhoria
técnica da agricultura”. Ou seja, em algumas situações é
possível que o o “cultivo atrasdo” seja mais rentável que o
o moderno. Exemplo de Itapeva. (p. 45)
2.4.5.3) O custo agrícola não subiu, se comparado ao
industrial. Formação de um proletariado rural (sem direitos e
sem estatuto de proletariado) que atuava nos setores da
agricultura voltados à exportação e ao mercado interno, com
custo baixo de reprodução (salários baixos). (p.45)
2.4.5.3.1) Dessa forma, a simbiose ocorria, pois o
desenvolvimento urbano estimulava o desenvolvimento
agrícola assentado numa alta exploração da força de
trabalho. (p. 45-46)
2.4.5.3.2) O contrario também é verdadeiro. O
proletariado rural -> exército de reserva. Preço dos
alimentos baixo (determinados pela alta exploração e pelo
baixo custo de reprodução da força de trabalho rural(p.
46)
2.4.6) “Em outras palavras, o preço de oferta da força de trabalho
urbana se compunha basicamente de dois elementos: custo da
alimentação 8 – determinado este pelo custo de reprodução da
força de trabalho rural – e custo de bens e serviços propriamente
urbanos; nestes, ponderava fortemente uma estranha forma de
“economia de subsistência” urbana, que se descreverá mais
adiante, tudo forçando para baixo o preço de oferta da força de
trabalho urbana e, conseqüentemente, os salários reais.” (p. 46)
2.4.7) Tudo isso no contexto de aumento de produtividade ->
enorme acumulação. (p. 46) Ou seja, os setores “atrasado” e
“moderno”, antes se complementam. (p. 47). O erro da CEPAL foi
tomar a oposição formal existente entre os dois setores no Chile e
generalizá-lo para toda a América Latina (p. 47)
2.4.7.1) O crescimento da indústria de carros não se traduz
em uma grande produção, por exemplo e uma grande produção
de tratores. Ou seja, a indústria não precisa do mercado rural para
se viabilizar. (p.47)
2.5) A industrialização tem sido “exageradamente” explicada em função
da “substituição de importações”. (p. 48)
2.5.1) Esse modelo interpretativo está na raiz do dualismo cepalino
(p. 48)
2.5.2) Falta na perspectiva cepalina a ideia de “mais-valia” (p.49)
2.5.3) A ideia de que a industrialização ocorreu por conta do
consumo e não da produção/acumulação (p. 50). Veja o caso da
Argentina que se industrializou no período de 1870-1930 (regime live-
cambista, ampla capacidade de importação).
2.5.4) Observar que como o processo de industrialização foi
determinado pelo necessidade de acumulação, o aumento da
desigualdade (“modelo concentracionista”) ocorre simplesmente
porque os ganhos de produtividade não são distribuídos/divididos no
salaŕio (p.50)
2.5.5) A crise cambial é a”substituição de importações” é a “forma”
dada pela crise “cambial”. Condição necessária, mas não suficiente. (p.
51)
2.6) Sobre a história da produção. No Brasil – tal qual ocorrido na
Argentina – começou-se a produzir internamente os bens de consumo
não-duráveis para as classes populares. (p. 50) Em uma segunda etapa, o
processo dirigiu-se à produção de bens duráveis, intermediários e de
capital (p.51).
2.6.1) Ainda no nível do discurso dos planos de desenvolvimento é
fácil perceber que realmente a variável privilegiada é a dos efeitos
interindustriais das novas produções, isto é, a produção e a
acumulação. Pouco importa, para a rationale da acumulação, que os
preços nacionais sejam mais altos que os dos produtos importados: ou
melhor, é preciso exatamente que os preços nacionais sejam mais
altos, pois ainda quando eles se transmitam interindustrialmente a
outras produções e exatamente por isso elevem também a média dos
preços dos demais ramos chamados “dinâmicos”, do ponto de
vista da acumulação essa produção pode realizar-se porque a redefinição
das relações trabalho-capital deu lugar à concentração de renda
que torna consumíveis os produtos e, por sua vez, reforça a
acumulação, dado que a alta produtividade dos novos ramos em
comparação com o crescimento dos salários dá um “salto de
qualidade”, reforçando a tendência à concentração da renda. O que é
absolutamente necessário é que os altos preços não se transmitam
aos bens que formam parte do custo de reprodução da força de
trabalho, o que ameaçaria a acumulação. (p.51)
2.6.1.1) A realização da acumulação é interna, portanto não
importa se o preço não é competitivo.
2.7) A questão dos serviços. Os teóricos do subdesenvolvimento acham
que os serviços “são um peso morto” e que são “inchados” pois possuem um
peso que não deveriam ter.
2.7.1) “A discussão anterior serve para introduzir a seguinte
questão: como se explica a dimensão do Terciário numa economia como
a brasileira? Entre 1939 e 1969, a participação do Terciário no produto
interno líquido manteve-se entre 55% e 53%, enquanto a porcentagem
da população economicamente ativa, isto é, da força de trabalho, saltava
de 24% para 38%” (p. 54)
2.7.2) A questão é entender que o setor terciário é fundamental
para o “modo de acumulação urbano” (p. 55)
2.7.3) Como o setor terciário ajuda na acumulação: “Mesmo certos
tipos de serviços estritamente pessoais, prestados diretamente ao
consumidor e até dentro das famílias, podem revelar uma forma
disfarçada de
exploração que reforça a acumulação. Serviços que, para serem
prestados fora das
famílias, exigiriam uma infra-estrutura de que as cidades não
dispõem e, eviden-
temente, uma base de acumulação capitalística que não existe. A
lavagem de roupas
em casa somente pode ser substituída em termos de custos por
lavagem industrial que
compita com os baixos salários pagos às empregadas domésticas;
o motorista par-
ticular que leva as crianças à escola somente pode ser substituído
por um eficiente
sistema de transportes coletivos que não existe. Comparado com
um americano
médio, um brasileiro da classe média, com rendimentos monetários
equivalentes,
desfruta de um padrão de vida real mais alto, incluindo-se neste
todo tipo de
serviços pessoais no nível da família, basicamente sustentado na
exploração da mão-
de-obra, sobretudo feminina.” (NR: p. 58)
2.8) Em síntese: “A originalidade consistiria talvez em dizer que – sem
abusar do gosto
pelo paradoxo – a expansão do capitalismo no Brasil se dá introduzin-
do relações novas no arcaico e reproduzindo relações arcaicas no novo,
um modo de compatibilizar a acumulação global, em que a introdução
das relações novas no arcaico libera força de trabalho que suporta a
acumulação industrial-urbana e em que a reprodução de relações arcai-
cas no novo preserva o potencial de acumulação liberado exclusivamente
para os fins de expansão do próprio novo. Essa forma parece absoluta-
mente necessária ao sistema em sua expressão concreta no Brasil,
quando
se opera uma transição tão radical de uma situação em que a realização
da acumulação dependia quase integralmente do setor externo, para
uma situação em que será a gravitação do setor interno o ponto crítico
da realização, da permanência e da expansão dele mesmo. Nas
condições
concretas descritas, o sistema caminhou inexoravelmente para uma
concen-
tração da renda, da propriedade e do poder, em que as próprias medidas
de intenção corretiva ou redistributivista – como querem alguns –
transformaram-se no pesadelo prometeico da recriação ampliada das
tendências que se queria corrigir.” (p.60)

CAPÍTULO 3: UM INTERMEZZO PARA A REFLEXÃO POLÍTICA:


REVOLUÇÃO BURGUESA E ACUMULAÇÃO INDUSTRIAL NO BRASIL
1) O modo de produção da economia brasileir anão repete ipsis litteris o
modelo clássico (p. 62)
2) A transformação estrutural experimentada pelo BR pós-1930 advinha das
relações de produção vigentes. Ainda que o contexto internacional (DIT) fosse
adverso. Diferença com a tese da dependência que supõe uma sincronia entre
movimento interno e externo. (p. 62)
3) Ponto de vista interno: substituição das classes rurais pelas urbanas na
pirâmide do poder (p. 62)
3.1) Isso não exige uma ruptura completa do poder. Pois ao contrário do
“modelo clássico” não há uma crise na “totalidade da economia e da
política” (p. 63), mas sim uma crise nas relações externas com o resto do
sistema (p. 63)
4) Ponto de vista externo: crise dos anos 1930 cria o vazio, mas não
alternativa. Segunda Guerra Mundial reativa o papel de exportador de
matérias-primas da periferia.
4.1) Esse “vazio” criado pela crise impacta a hegemonia das classes
rurais. O novo regime de acumulação deveria substituir o acesso externo da
economia primário-exportadora (p. 64)
4.2) O desfio no pós-guerra: reconstruir as economias para evitar o
avanço do socialismo no centro. O estímulo industrial a esses países do
centro desvia recursos que poderiam ser alocados para países capitalistas
não indutrializados e reforça a tese de Prebisch. (p.62)
5) A forma política: o populismo
5.1) A condição suficiente será encontrar um novo modo de acumulação
que substitua o acesso externo da economia primário-exportadora. E, para
tanto, é preciso adequar antes as relações de produção. O populismo é a larga
operação dessa adequação, que come-
ça por estabelecer a forma da junção do “arcaico” e do “novo”, corpo
rativista como se tem assinalado, cujo epicentro será a fundação de
novas formas de relacionamento entre o capital e o trabalho, a fim de
criar as fontes internas da acumulação. A legislação trabalhista criará as
condições para isso. (p.64)
5.2) Pacto de classe para “liquidar” o domínio da classe rural (p. 64)
5.3) A aliança serve para impedir que o boom do café no pós-guerra
reverta a situação ao pré 1930. Convivência entre política aparentemente
contraditórias que penalizam a produção para exportação, mas que
mantém a capacidade de importação do sistema.
5.3.1) Daí que o trabalhador rural não tenha sido atingido pelas leis
trabalhistas. Isso proporciona o acumulação primitiva, muito conveniente
para a acumulação global.

6) Termina o capítulo retomando os argumentos da especificidade brasileira.

CAPÍTULO 4: A ACELERAÇÃO DO PLANO DE METAS: AS PRÉ-CONDIÇÕES


DA CRISE DE 1964

1) O problema do financiamento do modelo de JK, que recorre ao


endividamento externo privado. Isto suscita pressões sobre a balança de
pagamentos. (p. 73)
1.1) Associação com capital estrangeiro (transferência de tecnologia).
1.2) Os tipos de indústrias privilegiados por exemplo.
2) Nesse sentido: “Mas o enfoque que se privilegia aqui é o de que, nas
transformações que ocorrem desde os anos 1930, a expansão capitalista no
Brasil foi muito mais o resultado con-
creto do tipo e do estilo da luta de classes interna que um mero reflexo
das condições imperantes no capitalismo mundial. ” (p. 74)
2.1) Isso não significa pensar a questão de maneira isolada do
movimento internacional, mas de entender que o vácuo dos anos 1930
não foi preencido com estagnação, pois havia condições estruturais que
poderiam alimentar tanto a formação do mercado interno quanto a
acumulação (p. 74-75)
2.2) Reconhecer que havia uma racionalidade dos atores no processo. O
expoente máximo e mais bem acabado dessa racionalidade é o Plano de
Metas. (p. 75)
2.3) Nesta racionalidade, o papel do Estado brasileiro atuou para
beneficiar o capital.
2.3.1) Não no sentido de transferir tecnologia para o capital
nacional (p. 76)
2.3.2) A predominância e a força do capital estrangeiro não se
traduziu em uma desnacionalização do processo de tomada de
decisões.
2.3.2.1) O que o Estado brasileiro oferecia era o próprio
mercado.
3) Retoma a hipótese de que o salário mínimo foi um elemento central para
acumulação (pensar qque o salário não acompanhou a produtividade) (p. 77-
85)
4) Retoma o argumento do papel da agricultura e de seu papel no aumento da
taxa de exploração (p.85-87)
5) A crise econômica 1961/63 que “culmina em 64” (p. 87)
5.1) Não é só uma crise de realização (p.87)
5.1.1) Muito do problema de realização se deve ao caráter
concentracionista – qqwue num contexto de corrosão de salários,
prejudica a realização dos setores da indústria mais ligados ao consumo
popular,
5.2) A crise que se gesta, repita-se, vai se dar no nível das relações de
produção da base urbano-industrial, tendo como causa a assimetria da
distribuição dos ganhos da produtividade e da expansão do sistema.
Ela decorre da elevação à condição de contradição política principal da
assimetria assinalada: serão as massas trabalhadoras urbanas que
denun-
ciarão o pacto populista, já que, sob ele, não somente não participavam
dos ganhos como viam deteriorar-se o próprio nível da participação
na renda nacional que já haviam alcançado. (p.88)
5.3) O argumento econômico é demosntrado pela questão alimentar. De
como o salário não conseguia garantir a reprodução da mão-de-obra
(p.88-90)
5.4) Discorda-se, assim, radicalmente da interpretação de
M. da C. Tavares e J. Serra*, de que a crise é motivada pela redução
das expectativas de inversão e, mais ainda, de que esta não tinha
condições de concretizar-se, ameaçada pela falta de financiamento e
pelo incremento dos salários12. Nenhum dado aponta nessa direção, e
permanecer dentro dela é cair num lamentável economicismo que
confunde a realidade formal das variáveis da análise econômica com
o substrato que elas descrevem. Tomar a redução do nível da inversão
em 1963 comparado a 1962, tal como se vê nas contas nacionais,
como indicação de que esta se havia esgotado, é apenas tomar um
dado ex post : é evidente que, nas condições descritas, quando as
classes
trabalhadoras tomam a iniciativa política, tem início um período de
agitação social. (p.91)
5.5) “Pensar que, nessas condições,
poder-se-iam manter os horizontes do cálculo econômico, as projeções de
investimentos e a capacidade do Estado de atuar mediando o conflito
e mantendo o clima institucional estável, é voltar ao economicismo: a
inversão cai não porque não pudesse realizar-se economicamente, mas
sim
porque não poderia realizar-se institucionalmente” (p. 91-92)

CAPÍTULO 5: A EXPANSÃO PÓS-1964: NOVA REVOLUÇÃO ECONÔMICA


BURGUESA OU PROGRESSÃO DAS CONTRADIÇÕES?

1) PAEG -> recessão para combater a inflação (p. 93)


2) Foi somente quando começou a praticar-se uma política seletiva de
combate à inflação, que se retomou a expansão do sistema: o termo
seletiva não deve ser confundido com outra quase lei de seletividade
derivada de prioridades sociais. A política seletiva implantada distingue,
antes, seletividade de classes sociais e privilegia as necessidades da produ-
ção. (p. 94) -> seletiva pois transfere o custo do combate à inflação para as
classes mais baixas ao buscar que a alteração nos custos da reprodução não
alcancem o nível da produção.
2.1) Isso alimenta e é alimentada por uma estrutura
concentrada/concentradora de renda (p. 95-97)
2.2) Ele questiona a hipótese Conceição Tavares e Serra da
“redistribuição intermediária”. (98-99).
3) A repressão salarial, então, sustenta uma superacumulação (p.100)
4) Essa condição se acentua com a aceleração do período 1957/1962 (feita,
lembre-se, em condições adversas de balanço de pagamento).
4.1) A implantação de ramos “dinâmicos” que exigem um grau
monopolístico exigem uma constante alta da taxa de lucro. Daí o quadro de
repressão salarial (p.101)
4.2) Assim, mantendo-se alta a taxa de lucro e, pelo subsídio ao
capital, elevando-se a taxa de lucro potencial nas áreas e setores ainda
não monopolizados, forma-se um superexcedente nas superempresas
que alastram sua influência e seu controle às outras áreas da economia.
O conglomerado, que é a unidade típica dessa estruturação
monopolística,
não é, ao contrário do que se pensa, uma estruturação para fazer circular
o excedente intramuros do próprio conglomerado, mas uma estruturação
de expansão. A manutenção de taxas de lucros elevadas é a condição
para
essa expansão. (p.102)