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ALMEIDA, Alfredo Wagner Berno.

Perito e perícias: Novo capítulo de (des)naturalização da


antropologia. A luta contra positivistas e contra o empirismo vulgar. In:

O autor apresenta a NOÇÃO DE PERÍCIA segundo diferentes planos de reflexão consoante aos
três lugares institucionais em que os gêneros de documentos lhes são correspondentes:
LAUDO; PARECER E RELATÓRIO DE IDENTIFICAÇÃO ÉTNICA.

Todos esses gêneros ou modalidades de produção de conhecimento têm sido designadas


indistintamente como PERÍCIA. Segundo o autor remete:

1. Aos significados sociológicos mencionados por Weber, Foucault e Bourdieu(???)


2. À noção jurídico-formal os termos do Código de Processo Civil, Lei 5. 869,11 de janeiro
de 1973
3. À noção que estabelece correspondência entre perícia e forma de intervenção por
parte de associações voluntárias da sociedade civil em situações de conflitos sociais
externos.

Os chamados laudos antropológicos podem ser demandados pela PGR como referidos pela
Justiça Federal, consoante o Código de Processo Civil. Com a ação da Procuradoria datamos
através do instrumento de outubro de 1988, balizado pela Constituição e lê-lo no que
concerne aos antropólogos, a partir de convênios firmados entre o PGR e a ABA que versam
sobre a identificação étnica ou sobre questões que envolvam interesses de povos indígenas, de
comunidades remanescentes de quilombos, minorias e outros assuntos referentes às
atribuições do MPF.

Prova etnográfica/evidência etnográfica  compatibilização do discurso antropológico com o


discurso jurídico-formal, objeto da etapa que Malinowski defendia como de “acesso
superficial” em Coral Gardens... e aparentemente pode ser uma ponte entre eles. para além d
similitude dos termos estão em jogo procedimentos distintos no trabalho de campo e
expectativas diferentes sobre o trabalho científico.

Pelo código mencionado, o perito deve se cingir à verificação, ao reconhecimento de um dado


que existe e “que é”, não lhe compete interpretar ou relativizar possíveis evidências. E os
domínios pensados como científicos para os legisladores parecem ser aqueles
correspondentes às ciências naturais.

Segundo o autor, a questão central é evitar os riscos da normatização, reportando ao aspecto


relacional dos procedimentos metodológicos, do contrário, pode-se chegar a transformação da
antropologia em mero conhecimento útil. Levado ao limite, este pragmatismo é uma forma de
positivismo, pois acaba atestatório do que tem sido criticado por todos nós.

Não há uma sistemática perfeita. Ela é dinâmica e se altera segundo os processos sociais e as
realidades localizadas.

O Código de Processo Civil implicitamente separaria o perito antropológico dos demais


assistentes técnicos. Há um conflito escondido ou não revalado nos laudos periciais, que
obriga a usar termos como “prova”, redefinidos para fins de ajuste às exigências jurídico-
formais.

No âmbito das perícias, o trabalho é interdisciplinar. Há situações de intercâmbio de


conhecimento que estreitam os laços, mas há igualmente fatores contrastantes que demarcam
a diferença dos demais técnicos. São eles que permitem falar nessa “solidão do antropólogo”,
justamente por transcender as evidências, e por fazer isso, entra-se em rota de colisão com os
técnicos de outras áreas.

O autor exemplifica isso através de dois exemplos: Alcântara-MA e Porto Corís-MG, em que se
pretendia identificar comunidades remanescentes de quilombo e só se detectou ruínas de casa
grande e engenho. Nesse sentido, o autor argumenta que para o trabalho etnográfico em que
o dado é construído, trata-se de inverter e relativizar a evidência, e a ruína da casa grande
torna-se indicativa das comunidades quilombolas em virtude do sistema de representação e
do uso que dela fazem os agentes sociais observados. A evidência não estaria na ruína, mas na Commented [c1]: Perda do babaçual em Demanda não é
apenas a evidencia de um dano ambiental, mas uma evidencia do
relação que os quilombolas mantêm com elas. impacto social, cultural, justamente pelas relações estabelecidas
com e através dele.
Nestes casos, a dupla evidência do documento e das ruínas parece ser de uma objetividade a RECIPROCIDADE COM OUTROS GRUPOS –MUTIRÃO
LAZER
toda prova, aparentemente indiscutível. Os antropólogos privilegiam os atos dos agentes TRABALHO-SUSTENTO-ECONOMIA
sociais que hoje são capazes de administrar esta memória em prol e seus interesses coletivos. SOCIABILIADE – APRENDIZAGEM
IDENTIDADE DO GRUPO
Representação e atos são levados em conta.

Para os geógrafos, a questão da fixidez dos limites das áreas de identificadas às vezes se torna
um princípio operativo. Para cartógrafos e geógrafos uma alteração arbitrária dos limites que
idealmente deveriam ser os mesmos, entretanto, a observação etnográfica, contrariando
novamente a evidência, opera com o conceito de território como produto de uma construção
social do grupo identificado. O território se materializa em extensões que se caracterizam pela
dinâmica e não pelo congelamento.

Um trabalho de identificação pode ser uma peça na complexa engrenagem de resgatar a


memória de uma territorialidade específica, importando os processos sociais em curso.

O olhar dos advogados também é de estranhamento face a essa postura de contratriar


evidências.

Ao imaginar a perícia enquanto campo de disputas, pode-se entender como os antagonismos


têm força para reverter o dito. A “solidão” aqui consiste num repertório de perguntas que
estabelece uma interlocução aparentemente imaginária, mas que deixa transparente o quanto
o trabalho pericial também é um jogos de poder.

Outro condicionante apontado pelo autor é sobre os prazos da perícia. O que faz distinguir
etnografia e observações de natureza etnográfica.

O autor defende e propõe uma espécie de “proteção” intelectual para não se correr o risco de
o antropólogo passar por “inventores de áreas” diante de situações de conflito que envolvem
grandes empreendimentos.
Da mesma forma que o antropólogo classifica a ideologia da “prova do fato”somos também
retrucados no lugar comum de outras formações acadêmicas que talvez ainda nos vejam como
ciência menor que conspira contra as evidências.