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TRAQUINA, Nelson. O estudo do jornalismo no séc. XX. São Leopoldo: Unisinos, 2003.

Teorias das notícias: o estudo do jornalismo no séc. XX.


TRAQUINA, Nelson. Teorias do jornalismo vol. I. Florianópolis: Insular, 2005. Teorias do
jornalismo.

Resenha1 “O estudo do jornalismo no séc. XX – Nelson Traquina”


Adriana Queiroz

Nelson Traquina é uma das principais referências nos estudos das Teorias do
Jornalismo. O pesquisador português foi professor catedrático do Departamento de
Ciências da Comunicação na Universidade Nova de Lisboa e fundou o Centro de
Investigação Media e Jornalismo. Nesta resenha, a reflexão sobre os pensamentos do
autor será feita com base nos livros “O estudo do jornalismo no séc. XX” e “Teorias do
Jornalismo”.
“Por que as notícias são como são?”, essa pergunta-chave dá origem a vários estudos
de jornalismo e norteia as análises de Traquina. Por sua complexidade, esse
questionamento resulta em diversos desdobramentos que são reavaliados até hoje. O
autor aborda desde a Teoria do Espelho até a Teoria Interacionista, que apresentam
diferentes reflexões sobre os critérios que definem que tipo de acontecimento será
transformado em notícia. Na análise, Nelson Traquina aponta as principais
características de cada teoria, algumas semelhanças e diferenças entre elas e, por fim,
as limitações de cada paradigma.
Considerando o campo da comunicação como um todo, podemos acrescentar a esse
grupo a Teoria da Agulha Hipodérmica ou Bala Mágica, na qual as mensagens têm
efeito direto na audiência, sem nenhum tipo de resistência ou mediação, ou seja,
considera que o receptor é passivo. Uma teoria da década de 30 que tem relação com a
psicologia behaviorista, que estuda o comportamento com base no estímulo e resposta.
Interpretação logo superada pelos pesquisadores de comunicação, já que a forma de
recepção de uma mensagem depende de questões culturais, sociais, econômicas, entre
outras.
Retomando Traquina, começamos com a Teoria do Espelho que define as notícias
como reflexos da realidade social. Essa teoria entende que o jornalista é um
“comunicador desinteressado” que tem a missão de informar e buscar a verdade, sem

1
Atividade da Disciplina “Teorias do Jornalismo” ministrada pelo Prof. Dr. Mário Luiz Fernandes (UFMS).
interferência de fatores pessoais, ideológicos ou organizacionais. Desta forma, “as
notícias são como são porque a realidade assim as determina” (p.146).
Essa teoria surge a partir de dois contextos históricos. O primeiro está relacionado ao
“novo jornalismo”, que separa fatos e opiniões, em meados do séc. XIX, como se fato
fosse algo concreto e delimitado e a notícia fosse a exata representação do mesmo,
enquanto que a opinião seria, então, aquela que permite as interferências pessoais e
culturais do jornalista; e o segundo é o conceito de objetividade que passa a ditar as
regras do campo jornalístico a partir dos anos 20 e 30, devido a influência do
positivismo. Sabemos que a Teoria do Espelho é insuficiente para explicar o complexo
processo de produção da notícia, no entanto, foi importante para o desenvolvimento das
correntes posteriores. Além disso, essa teoria ainda é usada como forma de legitimação
do campo jornalístico, principalmente, no atual contexto de ameaça à credibilidade do
jornalismo diante das chamadas “fake news”.
A Teoria da Ação Pessoal ou a Teoria do Gatekeeper surgiu nos anos 50 graças aos
estudos de David White. O conceito “original” de gatekeeper foi elaborado pelo
psicólogo Kurt Lewin em uma pesquisa sobre o processo de seleção da compra de
alimentos pelas mulheres americanas. White havia sido assistente de pesquisa de
Lewin e utilizou o mesmo conceito para estudar o papel do jornalista na seleção de
acontecimentos que serão transformados em notícia.
Em sua pesquisa, o autor concluiu que “o processo de seleção é subjetivo e arbitrário” e
depende de um “conjunto de experiências, atitudes e expectativas” (p.150). Centrada na
figura do jornalista, é uma teoria de natureza microssociológica, na qual “as notícias são
explicadas como um produto das pessoas e das suas intenções” (p.150). Essa é uma
teoria revisada em vários estudos como de Michael Schudson (1989) e Pamela
Schoemaker (2011) e passa a ter novas perspectivas com os avanços das tecnologias
digitais.
Por outro lado, pesquisas posteriores identificaram que fatores organizacionais podem
ter um peso maior no processo de seleção da notícia. Assim, surge a Teoria
Organizacional a partir dos estudos de Warren Breed. Essa teoria sai do campo
individual para um nível mais vasto: a organização jornalística. O jornalista é submetido
a um processo de socialização ou adequação à política editorial da empresa, enfrenta
constrangimentos organizacionais e acaba conformando-se com as normas impostas
num “processo de osmose” (p.153).
Traquina (2005) resgata os fatores apresentados por Breed que contribuem para o
conformismo estão: (1) autoridade institucional e as sanções (atribuição de tarefas,
cobertura de determinadas pautas, ausência de assinatura no texto); (2) sentimentos de
obrigação e estima para com os superiores (respeito e admiração pelos jornalistas mais
experientes); (3) aspirações à mobilidade (quanto mais alinhado com a linha editorial,
maior a chance de promoção); (4) ausência de grupos de conflito (pouca atuação
sindical); (5) prazer da atividade (tarefas interessantes, testemunhar acontecimentos
significantes); (6) as notícias como valor (jornalista se concentra em obter mais notícias
e não contestar política editorial).
Em contrapartida, Breed também aponta questões que ajudam o jornalista a driblar o
controle da empresa como (1) normas editoriais vagas; (2) o jornalista tem melhor
conhecimento sobre o fato e, quando está na rua, pode decidir quem entrevistar e quem
ignorar; (3) a tática da “prova forjada”, na qual o jornalista passa a pauta para o veículo
concorrente na intenção de chamar a atenção de seu editor sobre o tema; (4) a
autonomia do jornalista sobre certas matérias; (5) o status do jornalista, ou seja,
jornalistas mais experientes e reconhecidos no campo tendem a ter maior liberdade.
Desta forma, “as notícias são o resultado do processo de interação social que têm lugar
dentro da empresa jornalística” (p.157). O próprio profissional se antecipa a certas
expectativas e orientações dos editores e busca adequar a notícia ao veículo de
comunicação.
Também há uma dimensão econômica em que a notícia precisa satisfazer as exigências
do leitor e chegar o mais rápido possível a essa audiência, o que torna a notícia um
produto perecível e favorece a cultura do “furo jornalístico” (p.160).
As pesquisas posteriores vão considerar fatores externos ao campo jornalístico. É o
caso das Teorias de Ação Política. Essas teorias surgem em um novo contexto
marcado pelos estudos sobre ideologia a partir de autores marxistas como Antonio
Gramsci, e também pela influência da semiótica francesa de Roland Barthes (1967) e
da escola culturalista britânica de Stuart Hall (1978).
Dentro dessa teoria, a mídia noticiosa é vista de forma instrumentalista, ou seja, serve
objetivamente a interesses políticos (p.163). Assim, as notícias são consideradas
“distorções sistemáticas”. Na versão dos teóricos de direita, como Kristol (1975) e Efron
(1979), as notícias propagam opiniões anticapitalistas, os jornalistas detêm o controle
pessoal sobre o produto jornalístico e estão dispostos a injetar suas preferências
políticas nos conteúdos noticiosos (p.164).
Já na perspectiva de esquerda, como de Herman e Chomsky (1989), o jornalista não é
protagonista, e sim apenas um executor de tarefas a serviço do capitalismo. Em alguns
casos, pode ser conivente com a elite. Este modelo defende que há uma relação direta
entre o processo de seleção das notícias e a estrutura econômica da empresa
jornalística. Assim, os capitalistas (mundo dos negócios e o governo) ditam aos
diretores e jornalistas o que é notícia, conforme os interesses comerciais e ideológicos.
Traquina (2005) faz uma crítica à versão da esquerda apontando que a mesma reduz
por completo a ideologia do jornalista e ignora que este tem certo grau de autonomia, e
raramente os donos de veículo de comunicação atuam de forma direta sobre os
editores e jornalistas.
As Teorias Construcionistas surgem como contraponto ao conceito de que a notícia é
uma “distorção” e colocam em xeque as ideias de notícia como espelho da realidade ou
resultado da ideologia jornalística. Emergem nos anos 70 a partir de estudos
etnográficos nas redações e defendem as notícias como construção. As premissas
dessa teoria são baseadas no livro “A Construção Social da Realidade”, dos sociólogos
Peter Berger e Thomas Luckmann. Entre os principais teóricos também estão Hall
(1973), Tuchman (1978) e Molotch e Lester (1974/1993).
Traquina (2005) explica que as teorias construcionistas rejeitam a teoria do espelho por
diversas razões, entre elas: (1) é impossível estabelecer uma diferença entre a
realidade e os veículos de comunicação que devem “refletir” essa realidade, uma vez
que as notícias ajudam a construir a própria realidade; (2) a própria linguagem não é
neutra, não pode transmitir os fatos de forma fidedigna; (3) a mídia noticiosa faz sua
própria representação dos acontecimentos, devido a diversos fatores organizacionais,
limitações de orçamento e imprevisibilidade dos fatos (p.168).
O paradigma que apresenta as notícias como construção social da realidade enfrenta
resistência dos jornalistas devido ao discurso de legitimidade do campo jornalístico e a
defesa de que a notícia é apenas o relato do acontecimento. Traquina (2005) faz
referência a autores como Michael Schudson (1982/1993) e Gaye Tuchman
(1976/1993) para reafirmar que entender o processo noticioso como construção da
realidade, não significa “inventar” fatos ou desqualificar o trabalho do jornalista, e sim
reconhecer que existe um processo de apreensão da realidade, que está submetido a
diversos fatores conscientes e inconscientes do profissional. Nesse processo, é
importante destacar a dimensão cultural das notícias, os contextos aos quais elas estão
inseridas. E ainda como determinados mapas de significados (Hall, 1978/1993)
condicionam a produção de notícias.
Os estudos etnográficos desenvolvidos para a elaboração das teorias construcionistas
contribuíram para a compreensão do jornalismo em razão dos seguintes pontos
apresentados por Traquina (2005): (a) ênfase ao processo de produção da notícia a
partir da rede de relações entre os jornalistas e a conexão cultural proveniente da
comunidade profissional; (b) reconhece que as rotinas produtivas são cruciais no
processo de produção da notícia; (c) corrige as teorias instrumentalistas que definem as
notícias como resultado de uma conspiração entre agentes sociais e a intenção
consciente de distorção da notícia.
Na perspectiva construtivista, a própria pirâmide invertida que prioriza as respostas das
perguntas “O que? Quem? Onde? Quando?” cria a necessidade de excluir e selecionar
diferentes aspectos de um acontecimento e implica no enquadramento do fato,
processo que resulta na construção da realidade.
As teorias construcionistas podem ser estruturalistas ou interacionistas. A Teoria
Estruturalista retoma parte do entendimento da teoria de ação política por considerar o
papel dos media na reprodução da “ideologia dominante”, no entanto, “reconhece a
“autonomia relativa” dos jornalistas em relação a um controle econômico direto” (p.175).
Com ênfase na perspectiva culturalista, essa teoria foi desenvolvida a partir das
considerações de Stuart Hall (1973).
A notícia resulta de um processo de interação social entre jornalistas e fontes, jornalista
e sociedade; e entre os próprios jornalistas. É um produto social resultante de vários
fatores como a organização burocrática dos media; a estrutura dos valores-notícia e a
prática e a ideologia profissional dos jornalistas; e “o próprio momento de “construção”
da notícia que envolve um processo de “identificação e contextualização” em que
“mapas” culturais do mundo social são utilizados na organização” (p.176).
Traquina (2005) também explica que essa teoria utiliza conceitos de Gramsci para
defender que “as notícias, como parte da produção da indústria cultural, contribuem
para a “hegemonia ideológica” (p.177). A mídia reproduz a ideologia dominante em
razão de sua relação estrutural com o poder e torna-se um aparelho ideológico do
Estado.
O autor destaca considerações de Hall (1973/1993) que chama a atenção para as
regras que ditam o funcionamento do campo jornalístico. As pressões constantes contra
o relógio e as exigências de imparcialidade e objetividade resultam em uma preferência
pelas fontes oficiais, os chamados “definidores primários” que vão moldar todas as
interpretações e abordagens subsequentes do fato. Ou seja, o modo de se fazer
jornalismo (rotinas, valores e processos) está alinhado à ideologia dominante.
Esta é a primeira teoria que considera as fontes como um fator determinante no
processo de seleção e construção da notícia. No entanto, Traquina (2005) afirma que a
teoria estruturalista é criticada devido ao seu determinismo excessivo. Os estruturalistas
encaram as fontes oficiais como um bloco unido e uniforme; minimizam a existência de
disputa entre as próprias fontes e desconsideram que pode haver uma resistência dos
jornalistas quanto às versões apresentadas e que esta relação entre fontes e jornalistas
é dinâmica.
Ainda dentro da perspectiva construtivista, está a Teoria Interacionista. Os principais
teóricos dessa teoria são Tuchman (1978), Motoch e Lester (1974/1993). Para a teoria
interacionista, a notícia é uma construção resultado da interação entre jornalistas e
fontes, jornalista e sociedade, e entre os próprios jornalistas. A diferença em relação à
teoria estruturalista é a importância da fonte no processo de seleção e construção da
notícia. Enquanto os estruturalistas consideram que a fonte determina o que é notícia e
o jornalista assume um papel passivo, os interacionistas ponderam esse poder das
fontes ao processo de edição feito pelos jornalistas, ou seja, são os profissionais que
definem qual parte da entrevista será destacada e que inserem o contexto dessa “fala”.
Assim, “as notícias são resultado de um processo de produção, definido como a
percepção, seleção e transformação de uma matéria-prima (os acontecimentos) num
produto (as notícias)” (p.180).
Conforme Traquina (2005), dentro da perspectiva interacionista, “os jornalistas vivem
sob a tirania do tempo” (p.181). Desta forma, a pressão do deadline e a
imprevisibilidade dos acontecimentos, que podem surgir em qualquer lugar, a qualquer
hora, exigem que os profissionais estabeleçam uma ordem no espaço e no tempo.
A ordem no espaço está baseada em três estratégias apresentadas por Tuchman: (1) a
territorialidade geográfica (os jornais dividem o mundo em áreas de responsabilidade
territorial, com a distribuição dos correspondentes); (2) especialização organizacional
(sentinelas que produzem acontecimentos conjugados com noticiabilidade); e (3)
especialização temática (editorias).
Uma das críticas de Traquina (2005) a esse modelo é que a distribuição geográfica, por
exemplo, privilegia as capitais em detrimento de acontecimentos em cidades do interior.
Estas últimas, geralmente, só conseguem espaço no noticiário quando há desordem, ou
seja, fatos negativos como crimes, acidentes ou tragédias.
Em relação a especialização organizacional, o que ocorre é que enquanto alguns temas
tem uma cobertura sistemática como assembleia, governo e polícia; outros
acontecimentos são noticiados esporadicamente. E o ponto negativo da especialização
temática é que esta contribui para homogeneidade entre diferentes produtos
jornalísticos.
O outro ponto de organização do trabalho jornalístico é a ordem no tempo, que
considera os seguintes fatores: o “biorritmo” das redações leva a descartar alguns
acontecimentos e a selecionar outros; há um planejamento de acontecimentos previstos
dentro do horário de “expediente” no qual estão presentes o grosso dos repórteres,
fatos fora desse período exigem uma justificativa mais elaborada para a cobertura; e,
por fim, o ritmo de trabalho e o imediatismo dos acontecimentos leva à ênfase dos fatos
e não das problemáticas.
Traquina (2005) destaca que a teoria interacionista “encara o processo de produção das
notícias como um processo interativo onde diversos agentes sociais exercem um papel
ativo no processo de negociação constante” (p.184). Desta forma, compreender que a
atuação de determinados agentes na organização do trabalho jornalístico “ajuda a
potencializar toda a dinâmica e complexidade do xadrez jornalístico” (p.184). Esses
agentes foram identificados por Molotch e Lester (1974/1993) como: (a) promotores de
notícia (new promotors), que são o executor (gerador do acontecimento) e informador
(fonte); (b) news assemblers, que são os jornalistas; e (c) consumidores de notícia
(news consumers). Os autores esclarecem que cada agente atua com determinados
interesses ou intencionalidades, salientam a concorrência entre os promotores para dar
visibilidade ou construir determinadas notícias e apontam a “necessidade de
acontecimentos” por parte dos jornalistas e das fontes e a necessidade de notícias por
parte dos consumidores.
Molotch e Lester também apresentam uma análise sobre o acesso ao campo jornalístico
como uma questão central do jornalismo. Conforme Traquina (2005), os autores
identificam três tipos de acesso: habitual, disruptivo e direto.
O acesso habitual diz respeito aquelas situações em que a “necessidade de
acontecimento” da fonte coincide com os interesses dos meios de comunicação. Já o
acesso disruptivo é caracterizado pela “fabricação” do acontecimento para gerar notícia,
um protesto, uma situação de conflito que possa “intervir no plano diário de ocorrências
e acontecimentos” (p.188). No acesso direto, o próprio jornalista por meio de
reportagens ou do jornalismo investigativo gera acontecimentos que interferem na
construção da realidade.
Outra questão abordada é a relevância da distribuição da rede noticiosa. A escolha das
fontes e a extensão da rede noticiosa estão relacionadas com as questões de
noticiabilidade. A relação entre fonte e jornalista está alicerçada na seriedade e na
garantia de sigilo, por exemplo. Conforme Traquina (2005), qualquer pessoa pode ser
uma fonte de informação. “Uma fonte é uma pessoa que o jornalista observa ou
entrevista e que fornece informações. Pode ser potencialmente qualquer pessoa
envolvida, conhecedora ou testemunha de determinado acontecimento ou assunto”
(p.190).
O jornalista precisa investir no cultivo de fontes e gerar um clima de confiança, podendo
até mesmo inverter o processo e dar uma informação à fonte para conseguir novas
informações.
Na cultura jornalística, existem ainda critérios de avaliação das fontes quanto à
autoridade (prestígio e respeitabilidade da fonte), produtividade (quantidade e qualidade
da informação e a velocidade do trabalho jornalístico) e credibilidade (fontes credíveis).
A autoridade é um critério fundamental e, muitas vezes, o jornalista “pode utilizar a fonte
mais pelo que é do que pelo que sabe” (p.191).
A produtividade explica uma das razões pela qual as fontes institucionais estão
presentes com frequência no processo de produção da notícia. Munidas de assessores
de imprensa ou não, essas fontes conseguem dar informações em qualidade e
quantidade suficientes e tempo hábil para o deadline do jornalista.
E o critério da credibilidade está diretamente relacionado à qualidade da informação
fornecida e ao histórico das fontes, aquelas que já são conhecidas no meio jornalístico
por repassar material credível conquistam mais espaço na produção de notícias.
A rotinização do trabalho jornalístico é outro fator determinante na produção de notícias.
Fatores como o equilibro da cobertura, o respeito às normas estabelecidas
externamente, a pressão do tempo, a imprevisibilidade dos fatos, o papel das fontes, a
logística para a cobertura e o “centro” de decisão da cobertura, que diminui o papel do
repórter, interferem diretamente nos critérios de seleção e produção da notícia.
Assim, Traquina (2005) explica que os interacionistas defendem que os jornalistas,
confrontados com a abundância de acontecimentos e a escassez do tempo são
obrigados a criar uma “rotina do inesperado, tendo como consequência, devido aos
critérios profissionais que utilizam na avaliação das fontes, a dependência dos canais de
rotina” (p.196).
Essa dependência gera consequências, por exemplo, na relação entre jornalistas e
fontes. O contato constante e a relação de confiança podem ser perigosos, uma vez
que favorecem a construção de um clima de “cumplicidade”, no qual o profissional perde
a capacidade ou a coragem de questionar as informações repassadas. Além disso,
conhecendo o trabalho jornalístico, as fontes passam a usar estratégias de manipulação
para conseguir espaço no noticiário.
A análise de Traquina (2005) nos permite compreender a evolução das teorias que
buscam explicar “Por que as notícias são como são” e também a complexidade do
processo de produção jornalística. Cada paradigma apresentado contribuiu para
elaboração de novas teorias e perspectivas, que passaram a considerar diversos
fatores e graus de influência no trabalho jornalístico.