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29/11/2010 Uma nova abordagem da Filosofia sob…

Filosofia Experimental _____ X-PHI


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Alfred Mele sobre a concepção de senso comum da Fraqueza da Vontade

15/10/2010...3:28 PM

Uma nova abordagem da Filosofia sobre velhos


problemas (compilação)
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J. Knobe, K. A. Appiah, T. Maudlin, T. Williamson, B. Leiter, E. Sosa


Podem os métodos experimentais oferecer novos horizontes aos departamentos de Filosofia, que têm
vindo a ser atacados por não integrarem uma componente prática?

Tradução: Rodrigo Cid

Revisão: Susana Cadilha

http://www.nytimes.com/roomfordebate/2010/08/19/x-phis-new-take-on-old-problems

Um retorno à tradição
Joshua Knobe é professor assistente de ciências cognitivas e filosofia da Universidade de Yale. Ele
estuda o papel da moralidade na cognição humana.

Se você tivesse apresentado essa questão a grandes figuras da história da filosofia – qualquer um desde
Platão a Nietzsche –, eu suspeito que eles nem mesmo teriam entendido o que essa questão poderia querer
dizer. Tradicionalmente, ninguém se preocupou muito com a distinção entre filosofia e psicologia. É esperado
dos filósofos que pensem, num nível bem amplo e fundamental, sobre a natureza da cognição humana. E,
para realizarem tal objetivo, é deles esperado que façam uso de todos os recursos intelectuais disponíveis,
incluindo a psicologia, a história, a literatura, e muito mais além disso.

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No século 20 algo peculiar ocorreu. Algumas pessoas começaram a sentir que a filosofia deveria ser
entendida como um campo altamente especializado e técnico que poderia ser separado do resto do mundo
intelectual. Então houve um senso crescente de que poderia haver uma disciplina da filosofia que
simplesmente ignorasse as questões sobre como os seres humanos de fato pensam e sentem e se enfocasse,
ao invés disso, em questões que pudessem ser resolvidas a partir “da poltrona”. This period strikes me as an
aberration, a major departure from the way in which philosophy has traditionally been understood. Esta ideia
parece-me uma aberração, porque se afasta consideravelmente do modo como a filosofia, tradicionalmente,
é concebida.

Penso que isso a que estamos assistindo agora – com o surgimento do interesse na filosofia experimental – é
melhor entendido como um retorno a uma compreensão mais tradicional do que é a filosofia. Parece
enganador descrever esse novo movimento em termos de filósofos pegando idéias da psicologia. O que
vemos é antes uma vontade crescente de ignorar totalmente a distinção entre filosofia e psicologia. Assim,
atualmente, podemos observar um grupo de jovens filósofos indo a campo e conduzindo seus próprios
estudos, colaborando com psicólogos, publicando em periódicos de psicologia (muitas pessoas no campo
nem mesmo sabem quais dos pesquisadores deveriam oficialmente contar como filósofos e quais deveriam
contar como psicólogos.)

Acho estranho que as pessoas às vezes tomem esses desenvolvimentos recentes como um modo de, de
alguma maneira, levar as coisas numa direção nova e radical. Uma resposta mais natural seria dizer que eles
estão levando as coisas de volta para seu antigo caminho, de volta ao caminho do imortal Tratado da
Natureza Humana, de David Hume (1739), com seu subtítulo “Uma Tentativa de Introduzir o Método
Experimental de Raciocínio nos Assuntos Morais”.

Voltando a Aristóteles
K. Anthony Appiah é o autor de “Experiments in Ethics” e “The Honor Code“, e foi Presidente da
Eastern Division of the American Philosophical Association (Divisão Leste da Associação Americana
de Filosofia). Ele ensina filosofia em Princeton.

Neste momento, ética, filosofia da mente e filosofia da linguagem estão obviamente a tirar vantagem da
grande proximidade com a ciência da computação, a psicologia, a linguística e a neurociência. Agora (tanto
quanto no passado), filósofos individuais beneficiam da participação na experimentação e do engajamento
efectivo com a teoria científica corrente.

Isso é novo? Não. Aristóteles estudou os polvos e outros moluscos. Em The Passions of the Soul (1649),
Descartes discutiu o modo como os “movimentos dos músculos, e todas as sensações semelhantes,
dependem de nervos, que são como pequenos fios ou tubos provenientes do cérebro”… William James
migrou do departamento de fisiologia de Harvard para o seu departmento de filosofia em 1881.

A filosofia sempre trabalha melhor em diálogo com o resto das disciplinas, dentro e fora da academia. Você
me pergunta sobre as interações da filosofia com as ciências psicológicas, mas a filosofia está também em
diálogo com a física, antropologia, literatura e estudos literários, por exemplo. É verdade que há discussões
que são apenas do interesse de filósofos. Elas podem ser valorosas também, mas não esgotam tudo o que há
para saber.

A idéia de que a filosofia tem um método distintivo ou especial – reflexão fenomenológica, análise conceitual,
ou o que vc disser – simplesmente deixa de fora muito do que, hoje em dia, é verdadeiramente útil para as
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pessoas em departamentos de filosofia (como também o foi no passado). Eu suspeito que isso será verdade
para amanhã também.

O ponto principal da pesquisa universitária é perceber que temos muito a ganhar se prosseguirmos com os
estudos multidisciplinares. De outro modo, trabalharíamos todos apenas em institutos de pesquisa de
disciplinas isoladas. As unidades de pesquisa que fecharam seus programas de filosofia perderam um dos
departamentos chave para fazer ligações trans-disciplinares e, assim, minaram a sua capacidade de fazer
aquilo que deveria ser a sua missão. Então – para colocar o caso, sem dúvida, de maneira um pouco
polêmica – a questão real não é sobre a viabilidade da filosofia na universidade, mas é sobre a viabilidade de
uma universidade sem a filosofia.

O Estudo da Realidade, por Any Name


Tim Maudlin é um professor de filosofia na Rutgers University, onde ele se especializou em filosofia
da ciência, filosofia da física e metafísica.

Toda a realidade é assunto da filosofia e assim também para qualquer método que ajude a revelar como as
coisas podem ser relevantes para a pesquisa filosófica. Filósofos da física (tal como físicos) querem saber a
natureza da realidade física; filósofos da mente (tal como cientistas cognitivos) querem saber como nós
formamos conceitos e raciocinamos sobre o mundo.

Talvez seja bastante frequente que os filósofos interessados na mente tenham tentado fazer generalizações a
partir de casos singulares: o seu próprio. A partir da introspecção sobre como ele ou ela pensa sobre as
coisas, o filósofo pode pular para a conclusão de que todos pensam do mesmo modo. Uma consequência
salutar da filosofia experimental é sujeitar as afirmações genéricas sobre como a mente funciona, ou sobre
como a linguagem opera, a uma quantidade adequada de dados empíricos. Isto não equivale a uma
revolução no método filosófico, mas a um melhoramento natural dos padrões de evidência.

Se os filósofos investigam muitas das mesmas questões que são objecto de estudo das ciências naturais,
podemos nos perguntar por que a filosofia deveria existir como um campo independente. Há uns poucos
séculos atrás todas as coisas feitas na universidade eram uma espécie de filosofia – que é, afinal de contas,
apenas o amor pela sabedoria. Por exemplo, a grande obra de Newton chama-se “Os princípios
matemáticos da filosofia natural”.

À medida que disciplinas como a física e as ciências cognitivas foram institucionalizadas, algum trabalho
filosófico migrou para outras áreas da universidade. Mas os departamentos de filosofia continuaram a ser
lugares onde questões fundamentais podem ser perseguidas, onde a busca pelo puro entendimento mais do
que as aplicações práticas tem precedência sobre tudo o mais.

Em 1963, o grande físico P. A. M. Dirac escreveu um artigo sobre a física moderna, com particular
incidência sobre a teoria quântica. Dirac dividiu os problemas na compreensão da teoria quântica em
problemas de dificuldade de Classe 1 e dificuldade de Classe 2. As dificuldades de Classe 2 são puramente
matemáticas: elas envolvem o surgimento de infinitos quando se tenta solucionar as equações. As dificuldades
de Classe 1 têm que ver com o seguinte problema: “como se pode formar uma figura consistente por detrás
das regras da teoria quântica?”. Dirac aconselhou os físicos a se focarem nas dificuldades da Classe 2. “É
apenas o filósofo”, ele escreveu, “querendo ter uma descrição satisfatória da natureza, que se importa com as
dificuldades da Classe 1”.

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Pode ser surpreendente, e até desolador, ouvir que um físico como Dirac pôs de lado a busca por um
entendimento compreensível da realidade física: este deve ser o tipo de questão que primordialmente ocupa a
mente de um físico. Mas enquanto o desejo de compreender existir, e o valor de tal compreensão for aceito,
os departamentos de filosofia irão florescer.

É imitação de psicologia?
Timothy Williamson é Professor Wykeham de Lógica na Universidade de Oxford.

Em princípio, a filosofia pode usar evidência de qualquer fonte confiável de conhecimento que seja. Isso
obviamente inclui descobertas da psicologia experimental, da neurociência e das ciências cognitivas, tal como
inclui evidências da matemática e da história. Nas áreas da filosofia contemporânea, tal como a filosofia da
mente, tais evidências experimentais são usadas frequentemente.

Não é incomum os filósofos atualmente se engajarem em pesquisas em conjunto com psicólogos, cientistas
cognitivos, e outros – ao, por exemplo, sugerirem novos tipos de experimentos. Eu mesmo já fiz um pouco
disso. Quando chegamos às questões filosóficas sobre como adquirimos conhecimento por percepção,
memória e raciocínio, seria loucura sugerir que nada relevante pode ser aprendido a partir de resultados
empíricos.

O ponto principal é perceber qual é o modo mais efetivo de cada lado aprender com o outro. Existem
filósofos que odeiam a filosofia e que adorariam trocar a metodologia tradicional da filosofia (uma
combinação de raciocínio abstrato e exemplos particulares), por algo como uma imitação da psicologia. Sem
ao menos definir adequadamente o que é que eles estão atacando, eles usam resultados experimentais com
um espírito seletivo e não-científico na tentativa de desacreditar a metodologia tradicional.

Em outros casos, experimentalistas tiram ilações para o estudo da moralidade a partir de exames cerebrais,
de um modo comicamente ingênuo, sem se aperceberem da quantidade de pressuposições filosóficas das
quais partem acriticamente em suas inferências – precisamente porque eles negligenciam as habilidades
filosóficas tradicionais ao fazer distinções e avaliar argumentos. O perigo é a publicidade de tais trabalhos
não-refinados darem um mau nome a desenvolvimentos construtivos nos quais os resultados experimentais
esclarecem questões filosóficas.

A filosofia pode contribuir em muito para a busca da verdade ao refinar seus próprios métodos distintivos, e
não ao imitar outras disciplinas. Não precisamos de filósofos como experimentalistas amadores ou como
escritores de ciência pop. Ajudamos mais por meio de nossa habilidade em lógica, ao imaginar novas
possibilidades e questões, ao organizar teorias sistemáticas abstratas, ao fazer distinções e outras habilidades
similares.

A maioria dos filósofos contemporâneos entende que podemos aprender e ensinar melhor se a nossa
disciplina estiver continuamente em interação com outras, tanto experimentais como não-experimentais.

Onde estão as crianças inteligentes


Brian Leiter é professor de direito e diretor do Centro de Direito, Filosofia e Valores Humanos na
Universidade de Chicago. Ele escreve um blog sobre filosofia acadêmica.
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Os filósofos, da antiguidade até ao presente, têm se preocupado com a natureza da mente e da ação
humana, com as fontes da motivação, com as contribuições relativas à razão e à paixão no comportamento
humano e com a capacidade dos indivíduos de exercer controle consciente de suas vidas.

Uma vez que a revolução científica do início da era moderna chegou às ciências humanas no fim do século
19, um novo conjunto de instrumentos se tornou disponível para avaliar a precisão das asserções sobre esses
tópicos filosóficos perenes com relação à mente e à ação. A idéia de que o trabalho filosófico nesses tópicos
poderia prosseguir independentemente de o que hoje é chamado de “ciência cognitiva” – uma idéia que
alguns filósofos retrógrados ainda abraçam – é infeliz. Pela mesma razão, a ciência cognitiva precisa da
filosofia, para esclarecer suas descobertas e enquadrar suas consequências.

Porém, a centralidade da ciência cognitiva para a filosofia que vale a pena é ortogonal ao tópico sobre qual o
lugar atual da filosofia na universidade. A filosofia tem sido, por ao menos 30 anos, a mais interdisciplinar de
todas as disciplinas humanísticas, uma que interage continuamente com a psicologia, com a biologia, com a
física, com a linguística, com o direito, com a matemática e com a medicina – apenas para citar alguns dos
campos que contam com os filósofos entre seus membros ativos e contribuidores.

Apesar disso, a filosofia, tal como outros campos do saber, está sob ataque em muitas instituições de
educação superior. Esse ataque tem outras causas. A presente crise do capitalismo tem aumentado a
ansiedade sobre o “valor de mercado” a curto prazo de todos os cursos. Essa pressão tem sido sentida mais
agudamente em faculdades mais dependentes de receitas advindas de matrículas. Enquanto as chamadas
universidades “elite” têm sustentado uniformemente e, em alguns casos, aumentado seu comprometimento
com a filosofia e outras disciplinas das humanidades, outras faculdades têm tido uma visão mais curta. Eu sou
cético de que, nessas faculdades, a filosofia informada pela ciência cognitiva teria uma melhor chance de
escapar do revólver do administrador.

O que poderia ajudar a filosofia é o reconhecimento mais amplo de que ela permanece a única disciplina
humanística que realmente ensina os estudantes a pensarem criticamente e analiticamente, e que isso explica o
facto de os estudantes de filosofia serem os líderes nas performances em exames profissionais de faculdades
como o LSAT. Mesmo no século 21, a inteligência importa – para advogados, para médicos, para
solucionadores de problemas em todos os campos, e também para ter uma boa vida. Depois de
aproximadamente 20 anos ensinando direito, posso confirmar que ninguém é mais inteligente que o aluno
sério de graduação em filosofia. Qualquer faculdade que corte a filosofia de seus cursos pode também
colocar um sinal dizendo: “crianças inteligentes devem se candidatar a outro lugar”.

Até à data, resultados não-convincentes


Ernest Sosa é professor de filosofia na Universidade Rutgers, especialista em epistemologia.

Ao longo de sua longa história, a filosofia tem tratado seus tópicos distintivos por meio de pensamento e
dialética, e esses ainda são em grande parte os modos como essas questões são tratadas, e adequadamente
tratadas – mesmo que a dialética seja atualmente conduzida não em pórticos, mas em periódicos e blogs. De
modo compatível, as metodologias empíricas têm também frequentemente tido um papel importante para a
filosofia.

Em princípio, a filosofia experimental é um desenvolvimento bem vindo; na prática, seus ataques aos métodos
tradicionais não têm sido convincentes.

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Extrai algo das ciências não é em si mesmo algo novo. Os filósofos vêm fazendo isso por muito tempo.
Apenas pense em como a física relativista se relaciona com a filosofia do espaço e do tempo, ou como o
fenômeno do cérebro dividido se relaciona com tópicos de identidade pessoal, para pegarmos apenas dois
exemplos. O que é novidade é que os filósofos experimentais não se limitam a usar os dados da ciência, mas
tornam-se eles próprios cientistas. The novelty is rather that experimental philosophers do not so much
borrow from the scientists as that they become scientists [Antes, o que é novo é que os filósofos
experimentais não tomam tanto emprestado dos cientistas que os torne cientistas.].

Eles fazem isso desenhando e realizando experimentos que intentam esclarecer tópicos filosoficamente
interessantes. E, se os filósofos estão mal equipados para esquadrinhar o cérebro ao modo dos
neurocientistas, ou a mente ao modo dos psicólogos ou cientistas cognitivos, basta ampliar a auto-concepção
do movimento [da filosofia experimental] para incluir o trabalho colaborativo interdisciplinar, desde que os
cientistas demonstrem suficiente interesse por tais questões com significância filosófica, como sem dúvida
alguns têm feito. De fato, muitos filósofos experimentais já definem o movimento desse modo interdisciplinar.

Concebida dessa forma, a filosofia experimental é um desenvolvimento bem vindo. Agora, os filósofos
experimentais fazem parte dos “filósofos de X”, que têm por muito tempo trabalhado na fronteira entre a
filosofia e X, seja X matemática, física, biologia, etc.

Se o desenvolvimento é bem vindo em princípio, isso é uma coisa. O quão importante e correto seus
resultados têm sido até agora, isso é outra coisa. Neste ponto, a figura pode complicar-se. Os ataques à
metodologia tradicional baseados em resultados experimentais não têm sido convincentes. No entanto, esses
e outros resultados vêm lançando desafios interessantes e promovendo uma controvérsia saudável sobre a
natureza e a direção adequada da nossa disciplina, uma controvérsia distintamente filosófica cujo objeto é
então a própria filosofia.

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