Vous êtes sur la page 1sur 7

ENTRE SENTIMENTOS E CUIDADOS: A ENFERMAGEM E A CRIANÇA

GRAVEMENTE ENFERMA
Ribeiro, A.C.1, Silva, L.F.C.2, Filipini, S.M. 3
1
UNIVAP/Enfermagem, anaclaudia_rds@hotmail.com
2
UNIVAP/Enfermagem, , leticia_fernandes_sjc@hotmail.com
3
UNIVAP/Enfermagem, sfilipini@yahoo.com.br
Resumo- Embora a UTI seja o local mais apropriado para a recuperação oferece um dos ambientes mais
tensos do hospital. Este estudo objetivou avaliar os sentimentos vivenciados pela equipe de enfermagem no
cuidado a criança enferma, analisar o quanto a carga psíquica pode acarretar danos à sua saúde e verificar
quais recursos utilizados neste enfrentamento. Estudo quanti/qualitativo com profissionais de enfermagem
de uma UTI pediátrica em um município do Vale do Paraiba. Para a coleta de dados foi empregado um
questionário com questões fechadas para caracterização e abertas em forma de entrevista transcritas
posteriormente. Nossos resultados demonstram que a maioria dos entrevistados acha possível separar o
emocional do profissional no dia-a-dia de trabalho, porém se envolvem emocionalmente em alguns casos.
Concluímos que nossos entrevistados demonstram uma busca de mecanismos pelo equilíbrio do cuidar
racionalmente e o envolver com a criança enferma. Referem preparo para o atendimento, reconhecem o
desgaste emocional em situações de gravidade porém não identificam danos à saúde fisica . A maioria
relaciona a morte de um paciente a sentimentos ruins com enfoque para a impotência.

Palavras-chave: UTI Pediátrica; Sentimentos da equipe de enfermagem.


Área do Conhecimento: Enfermagem

Introdução enferma, analisando o quanto carga psíquica da


atuação da equipe junto à criança internada pode
Embora a UTI seja o local mais apropriado para acarretar danos a saúde destes profissionais e
a recuperação de pacientes graves, oferece um verificar quais recursos utilizados pela equipe de
dos ambientes mais tensos, agressivos e enfermagem no que se relaciona a enfrentamento
traumatizantes do hospital. Os fatores agressivos e superação na convivência com o paciente
atingem principalmente a enfermagem. A Unidade pediátrico, sua enfermidade e possibilidade de
de Terapia Intensiva é geradora de estresse, e as óbito.
principais manifestações clinicas dos profissionais
são: fadiga física e emocional, tensão e Metodologia
ansiedade. É considerado como alto poder
estressante o ambiente de crise, risco de vida, a Trata-se de um estudo qualitativo, realizado
situação entre a vida e a morte, a sobrecarga de com profissionais de enfermagem de uma UTI
trabalho, a utilização incorreta das habilidades pediátrica em um município do Vale do Paraíba,
médicas e principalmente a falta de sob a luz do referencial teórico de Minayo (2008),
reconhecimento pelos profissionais de outras tendo como escolha o método da hermenêutica
especialidades. (VILA; ROSSI, 2002). dialética.
A equipe de enfermagem, por estar em contato Após a aprovação pelo Comitê de Ética em
constante com o paciente, na maioria das vezes, Pesquisa da UNIVAP sob o parecer nº.
estabelece vínculos afetivos com as crianças e H252/CEP/2008, iniciou-se a coleta de dados.
seus familiares, podendo sofrer com perdas e Na primeira etapa deste estudo, utilizou-se um
manifestar esperanças. Pode haver a sensação de questionário, composto por seis perguntas
incapacidade, de não ter feito tudo que poderia e fechadas, com o objetivo de caracterizar a
de não conseguir reparar a vida, principalmente amostra estudada. Em seguida, foi realizada uma
para a família (GONÇALVES, J.R., 2007). entrevista com quinze perguntas abertas, essas
Nosso estudo teve como objetivos avaliar os foram gravadas e posteriormente transcritas para
sentimentos vivenciados pela equipe de a realização da discussão. A partir das falas de
enfermagem no cuidado a criança gravemente nossos atores, foram estabelecidas respostas

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 1


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
comuns ao tema questionado, realizando-se a No primeiro momento assim a gente vai
interpretação dos significados e buscando ficando com muito dó. Os que ficam mais
respaldo na literatura utilizada para revisão atingindo o lado emocional da gente são os
bibliográfica. pacientes oncológicos, os de trauma já chegam
Ressalta-se que todos os participantes da num estado gravíssimo sobre sedação
pesquisa assinaram o Termo de Consentimento (...)(Entrevistado 5)
Livre e Esclarecido (TCLE). Na verdade é um misto de preocupações (...)
se a criança foi bem cuidada se não houve
Resultados negligência da família, é um misto de emoções e
um pouco de dó. (Entrevistado 11)
Caracterização da amostra ...você corre muito porque não dá tempo (...)
Após o término da pesquisa com 14 assim não tem como ter sentimentos, porque você
entrevistados, obtivemos os respectivos corre tanto que não dá. (Entrevistado 13)
resultados: A faixa etária predominante dos Ao questionar os profissionais do setor, se o
entrevistados era de 26-30 anos (62%), seguindo- envolvimento com o paciente acarreta benefícios
se a de 36-45 anos (23%), e a de 46-55 anos ou interferências na sua rotina de trabalho ou até
(15%), em relação ao sexo dos entrevistados, mesmo na sua vida pessoal: 83% acreditam que
verificamos que a grande maioria (93%) pertence este envolvimento traz benefícios e 17% referem
ao sexo feminino e apenas 7% pertencentes ao sofrer interferência no lado profissional.
sexo masculino. Também constatamos que 50% Sabendo da necessidade que o paciente tem
dos entrevistados são casados, 36% são solteiros em receber atenção e cuidado emocional,
e 14% dos voluntários pertencem a outros grupos questionamos aos entrevistados se os mesmos
relacionados ao estado civil. Em relação a sentem-se preparados psicologicamente para
profissão verifica-se que 43% dos entrevistados atender os pacientes pediátricos gravemente
são técnicos de enfermagem, 29% são enfermos de forma correta: 86% relataram que sim
enfermeiros e 28% auxiliares de enfermagem com e 14% que não se sentem preparados.
tempo de formação entre 5 à 10 anos, em Existência de um preparo psicológico e
concordância com a faixa etária encontrada, mas pessoal antes de iniciar sua rotina de trabalho
obtivemos resultados significativos de tempo de Em primeiro lugar quando eu venho trabalhar
formação acima de 10 anos. A maioria dos eu converso com Deus, peço pra Ele me preparar
entrevistados atua no setor entre 2 e 5 anos, mas psicologicamente, para que eu possa desenvolver
também obtivemos resultados significativos na bem o meu trabalho naquela noite (...) é Ele quem
faixa de acima de 10 anos. Nenhum entrevistado me dá força pra tudo! (Entrevistado 5)
relatou trabalhar de 5 a 10 anos no setor. ...uma coisa que eu sempre ponho na minha
As falas de nossos atores foram agrupadas cabeça quando eu tenho que prestar assistência
conforme o tema e significância: ou fazer um procedimento mais invasivo é que eu
Em relação ao envolvimento emocional: vou fazer isso porque é para o bem dessa criança.
58% dos profissionais relatam envolver-se Se eu provocar dor ou sofrimento (...) é para o
emocionalmente e 42% dizem agir sempre com bem de uma criança. (Entrevistado 11)
racionalidade: ....eu acho que não tem preparo (para trabalhar
Geralmente na UTI a gente se envolve bastante na UTI), é mais rotina (...) a gente vem pra cá
com os pacientes, eles não ficam só um dia, ficam pronto... (Entrevistado 3)
vários dias e até meses. (Entrevistado 5) Questionamos os entrevistados sobre a opinião
Eu acho que sim, né? Porque ele acaba dos mesmos referente à importância de haver
pegando confiança em você, e sei lá, é mais fácil apoio psicológico na instituição. Houve uma
pra fazer medicação, pra pegar um acesso... maioria significativa de 93% dos entrevistados que
(Entrevistado 14) consideram um apoio psicológico e emocional por
...procuro sempre agir com racionalidade parte da instituição importante.
quando eu atendo criança... (Entrevistado 11) Importância do preparo psicológico
Questionamos nossos entrevistados se os ....sim é importantíssimo porque existem
mesmos conseguem reconhecer o prejuízo à sua momentos que a pessoa não consegue separar o
saúde em um momento de desgaste emocional: lado racional do emocional... Isso faz que detecte
42% referem conseguir identificar e 58% não quando um funcionário entra em depressão.
conseguem identificar. (Entrevistado 11)
Sentimentos vivenciados ao admitirem uma Nossa! Fundamental pra mim. Pra mim é
criança em estado grave. fundamental, vou falar pra você, eu sinto muita
....é um misto de sentimentos. Tem o estado falta desse serviço! (Entrevistado 12)
emocional que mexe, mas tem que ser racional, ...não sei se faz diferença, pra ser sincera, pra
diferenciar um pouquinho. (Entrevistado 1) mim, eu não vejo. (Entrevistado 13)

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 2


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
Sentimentos vivenciados perante a morte de a-dia do profissional, que são por vezes mais
um paciente. valorizados.
Sentimento ruim, porque a gente sente um Tratando de sentimentos, relata Shimizu (2007)
misto de angústia (...) tenho que pensar que eu fiz que possivelmente os profissionais que possuem
o que eu pude (...) a gente fica pensando aonde maior experiência, estejam mais preparados para
foi que a gente errou de um modo geral. lidar com o processo de morte. O profissional que
(Entrevistado 1) se depara constantemente com o sofrimento, a
Ah, é um sentimento de tristeza com os que morte e o processo de morrer podem construir
vão, porque são pessoas que praticamente nem defesas próprias contra as reações depressivas.
viveram ainda (...).(Entrevistado 5) Costa e Lima (2005) definem o envolvimento
Acredito que a gente sofre muito mais pela do profissional com o paciente como um contato
patologia, a idade não interfere muito, a patologia autêntico e vital na relação terapêutica, pois só
é mais complicado, pelo menos pra mim é. assim promove a empatia e permite que o
(Entrevistado 8) profissional conheça cada vez mais o paciente,
Ai, um sentimento assim de derrota, de atendendo melhor suas necessidades. Porém
impotência e coisas assim que o tempo, ele não existem referências que acreditam que o
apaga, ele ameniza. Eu sinto assim, uma envolvimento com o paciente deve ser na maioria
sensação de impotência total (...) assim de fazer das vezes racional.
mais, a gente poderia ter feito mais. Daí você Para Filizola e Ferreira apud. Travelbee
pergunta: Ah Meu Deus, por quê? Agora, quem (1979), o não envolvimento com o paciente tem
sou eu pra questionar Deus, né? Então, fazer o alcançado os princípios da enfermagem, e os que
quê? Mas é uma sensação horrível. (Entrevistado utilizam esses princípios se justificam
12) considerando que quanto maior é seu
....depende. Se (o paciente) entra e já vai a envolvimento com o paciente menor é o
óbito, tudo bem, mas tem muito (paciente) crônico profissionalismo, e assim sucessivamente. O
aqui, ficam anos. Três anos uma ficou até o ano profissional que permite o envolvimento e a
passado, a gente fica triste, pessoal fica de luto, irracionalidade com o paciente é taxado como
não conversa, todo mundo triste. (Entrevistado 9) inapto e incapaz.
Na maioria das vezes os profissionais
Discussão trabalham buscando o melhor para seus
pacientes. Cuidando para que eles melhorem, sem
Em relação a faixa etária, foi predominante de deixar seqüelas. O enfermeiro se sente realizado
26-30 anos (62%). Gomes (1990) afirma que a quando seu paciente recebe alta da UTI, sai
faixa etária predominantemente jovem encontrada sorrindo e agradecido por ainda estar vivo.
em seu estudo refletiu a situação dos enfermeiros (ALBUQUERQUE, 2007).
do país caracterizado por uma força de trabalho Pauli e Bousso (2003) acreditam que vendo a
jovem, passando a categoria por um processo de criança não melhorar e não reagir o profissional é
rejuvenescimento recentemente. abalado diretamente, ainda mais quando a criança
Em relação ao sexo dos entrevistados, já esta há algum tempo na UTI. Esse contato faz
verificamos que a grande maioria (93%) pertence com que a enfermeira se envolva, exigindo um
ao sexo feminino. Lopes e Leal (2005) referenciam esforço maior do profissional para que haja
a profissão de cuidar do paciente se mantém continuidade no empenho do cuidado.
feminina por vários anos, pelo fato da associação Fica claro pelas respostas dos depoentes como
da mulher como uma figura de mãe. Quanto a também pelos trabalhos consultados, que a
profissão, em concordância com os dados do primeira preocupação da enfermagem é o bem
IBGE (2005) em Estatísticas da Saúde - estar imediato da criança.
Assistência Médico-Sanitária, os técnicos de Conforme estudo de Lorençon (1998), o
enfermagem são maioria em instituições públicas prognóstico de estado terminal e óbito leva a
municipais no estado de São Paulo. vivência e reflexão de sentimentos fortes e
Observamos que a maioria dos entrevistados extremos, pois há o envolvimento emocional, que
são formados entre 5 e 10 anos, em concordância por vezes ultrapassa o limite desejável, para isso
com a faixa etária encontrada, mas obtivemos torna-se importante o preparo especial do
resultados significativos de tempo de formação profissional.
acima de 10 anos. Para Formiga, Germano, Vilar Estudo realizado em 2007 por Gutierrez &
E Dantas (2002), a faixa etária e tempo de Ciampone relata que o aparecimento de uma
formação são indicadores de experiência de doença grave, sem possibilidade de cura mobiliza
trabalho, o que reflete em maturidade, o paciente a enfrentá-la, os familiares a aceitá-la e
conhecimentos mais evidentes e aptidões no dia- aos profissionais de conviverem constantemente
com essa situação.

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 3


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
Quanto à negligência, Souza e Kantorski pessoal na forma de acompanhamento
(2003), em seu estudo relatam a demonstração psicológico.
por parte da equipe de saúde de preocupação Gutierrez e Ciampone (2006) relatam que
com consequências decorrentes de maus tratos e muitas vezes o profissional ao chegar no limite ao
negligência em geral, causadas e/ou relacionadas cuidar do paciente, se depara com o sofrimento e
à família desta criança. Isso demonstra uma o envolvimento excessivo, que por sua vez pode
situação complexa, onde denota-se a presença de acarretar danos a saúde do profissional.
questionamentos, inquietações e conflitos Segundo Pafaro e Martino (2004), o estresse é
vivenciados pela equipe de saúde. hoje em dia um dos maiores fatores responsáveis
Não são todos os profissionais que relatam pelas alterações no bem-estar e estado de saúde
vivenciar sentimentos ruins ao admitir um paciente dos profissionais da saúde. Um elevado grau de
em estado grave, como demonstra Shimizu e estresse diário pode induzir a um esgotamento
Ciampone (2002), há o prazer no trabalho, físico e mental, que geralmente leva ao desgaste a
principalmente em prestar assistência direta ao ao pessimismo, pensamentos e atitudes que
paciente em estado crítico, onde criam a podem levar a condições desfavoráveis na rotina
expectativa de ver evolução no quadro do de trabalho.
paciente. Isso traz conforto e sensações de Em relação ao preparo para o trabalho os
utilidade. profissionais de enfermagem buscam em crenças
Tratar de uma criança hospitalizada requer da religiosas e na espiritualidade força, na tentativa
enfermagem uma atenção ativa e dinâmica. O do alívio dos seus próprios sentimentos e dos
desenvolvimento harmonioso do trabalho só se dá pacientes. (GUTIERREZ, CIAMPONE, 2007).
quando o profissional está bem em seu local de Silvestre (2006) em sua dissertação questiona
trabalho nos aspectos operacionais, sociais e os padrões de comportamento da equipe de
psicológicos. Vimos que há profissionais que não enfermagem, percebendo que em situações
se sentem preparados para lidar com situações corriqueiras nas atuações práticas podem
extremas e inesperadas, por isso, como sugere o padronizar as ações do cuidado, fazendo com que
estudo, deve haver apoio de profissional o profissional atue sem sequer disponibilizar
qualificado para tais trabalhadores após o ingresso atenção, agindo por vezes de forma automática.
no mercado de trabalho, em vista que não é dada Shimizu (2007) relata que, como forma de
a atenção especial para esse assunto já na neutralizar o sofrimento e a angústia causada pelo
graduação. processo de morrer e a morte no dia-a-dia de
A morte é algo freqüente em um hospital, trabalho, os profissionais criam e utilizam alguns
principalmente em UTI. Sabendo disso, mecanismos e estratégias de defesas individuais
Sulzbacher et. al. (2009) falam do despreparo dos ou coletivos, que podem ser negação,
profissionais de enfermagem para lidar, enfrentar naturalização e criação de rotinas. Observamos
e aceitar o sofrimento e a dor do paciente. Como o também a preocupação com o bem-estar dos
contato da equipe é constante e por vezes pacientes e seus cuidados, o que talvez neutralize
duradouro com esse paciente, há duas o fato de realizar alguns procedimentos mais
possibilidades que interferem no cuidado: o invasivos e onde procuram acalmar seus
sofrimento intenso ou a banalização. sentimentos.
Segundo Couto (2008), durante o período de Caldeireiro, Miasso, Corradi-Websyer em seu
graduação de enfermagem, há carência de algo estudo em 2008 constataram que a maioria dos
voltado para aspectos psicológicos e sociais. Esse profissionais que trabalhavam em uma unidade de
despreparo evolui com a falta de apoio seja por emergência não recebiam treinamento e suporte
parte da instituição, do gestor ou até de um adequado para tal função. Tais aspectos mostram-
confidente no local de atuação. Shimizu e se relevantes uma vez que o contato com o novo
Ciampone (2002) sugerem a necessidade de sem o preparo adequado pode constituir
existência de profissionais capacitados para importante fonte de estresse.
trabalhar com o lado psicológico e saúde mental Conforme o estudo de Lima e Teixeira (2007),
dos trabalhadores de enfermagem. o cuidador é sempre afetado, portanto deve haver
Em suas repostas nossos entrevistados uma preocupação com o estado emocional do
relatam a dificuldade em perceber o quanto o profissional e sua forma de viver, pois isto pode
desgaste emocional lhes ocasionam danos a interferir em suas atividades de trabalho. Cuidar
saúde física. Por estarem expostos ao constante então implica em investimento e atenção ao
enfrentamento do sofrimento, sabemos que muitas profissional.
vezes o profissional não consegue perceber o Um bom trabalho depende da equipe como um
quanto está desgastado emocionalmente, por todo (LEITE, VILA, 2005). Assim mais fácil seria
esse motivo é importante o cuidado institucional e se a equipe tivesse um bom entrosamento e
pudesse trocar experiências, conforme solicitam

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 4


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
os profissionais em seus relatos, pois a maioria desempenho profissional, porém não conseguem
concorda e identifica a importância de um apoio relacionar com prejuízos a sua saúde física .
principalmente focado no lado emocional. Alguns profissionais se preparam
Percebemos em certos depoimentos que a emocionalmente de forma particular para o dia-a-
aceitação da morte por parte dos trabalhadores dia de trabalho na UTI Pediátrica, relatando a
torna-se mais difícil quando se trata de crianças. crença religiosa e espiritual na busca de alívio de
Conforme relata Shimizu (2007), o óbito de seus sentimentos. Houve uma minoria, porém, que
pacientes mais idosos ou em estado terminal são relata não haver necessidade desse preparo.
mais aceitos pela equipe, uma vez que associam o Apresentaram divergência ao relatarem se há
tempo já vivido e o fato de ser o percurso natural algum apoio psicológico fornecido pela Instituição,
da vida. Há trabalhadores que associam o porém a maioria absoluta concorda sobre a
sofrimento com ênfase na patologia do paciente, importância desse tipo de apoio para desabafar,
não tanto com a idade. compartilhar experiências e diminuição do
No transcorrer das entrevistas, observamos estresse.
sérios relatos no que se refere a sentimentos
mediante a morte do paciente. Dentre eles demos Considerações Finais
destaque à impotência, sentimento este que foi
citado em vários depoimentos e que, segundo Constatamos que os profissionais de
Costa e Lima (2005), podem provocar na equipe enfermagem atuam em debate com seus próprios
intenso sofrimento, principalmente referente ao sentimentos. Pudemos compreender melhor as
questionamento do que fez ou deixou de fazer, o sensações dos profissionais diante a morte de um
que poderia ter sido feito a este paciente enquanto paciente e a convivência com sua debilidade, e
o mesmo se encontrava em seus cuidados. vimos que nem sempre o profissional é frio como
Assim, verificamos também que os são classificados perante a sociedade, e que este
participantes da entrevista, em sua maioria, título incomoda muito os profissionais da área.
realizam questionamentos e citações religiosas. Acreditamos que assim como cita Minayo
Conforme estudo de Gutierrez e Ciampone (2007), (2008), o campo de pesquisa torna-se um palco de
esse apego à religião influencia a maneira desses interação entre o pesquisador e grupos estudados
profissionais aceitarem a morte. Traz, portanto envolvendo subjetivamente essa inter-relação.
uma situação de conforto em momentos difíceis, Que este trabalho além de conhecimento possa
principalmente no final da vida do paciente. contribuir siginificativamente para compreensão
A intensidade de sentimentos pode ter relação dos sentimentos vivenciados pela equipe em uma
também, para alguns funcionários, com o tempo UTI pediatrica e consequentemente para melhoria
de internação do paciente. Isso se confirma em na qualidade do atendimento ao paciente.
estudo realizado por Costa e Lima (2005), onde foi
constatado que o vínculo pode estar relacionado Referências
ao tempo de internação da criança, o que faz que
o apego criado durante esse período crie um -ALBUQUERQUE, N.M.G. Vivência do enfermeiro
maior envolvimento, tanto com o paciente como no cuidado humano na unidade de terapia
com sua família. intensiva adulto. Dissertação de mestrado em
Enfermagem. Universidade Federal do Rio Grande
Conclusão do Norte, Natal-RN, Fev/2007. Disponível em:
http://bdtd.bczm.ufrn.br/tedesimplificado//tde_busc
Pudemos constatar em nosso estudo que ao a/arquivo.php?codArquivo=1259. Acesso em
admitir uma criança em estado grave nossos 05/04/2009.
voluntários apresentam sentimentos como: dó,
preocupação e pressa para tratamento do -CALDERERO, L.R.A.; MIASSO, I.A., CORRADI-
paciente. Houve unanimidade ao relacionarem a WEBSTER, M.C. Estresse e estratégias de
morte de um paciente a sentimentos ruins, como: enfrentamento em uma equipe de enfermagem de
angústia, tristeza, luto e com enfoque para a Pronto Atendimento. Rev. Eletr. de Enferm.
impotência, sentimento muito relatado. O fato de Ribeirão Preto, v.10, n.1, p.51-62, 2008.
tratar de óbito de crianças é algo que foi citado
como uma aceitação mais difícil. -COSTA, J.C.; LIMA, R.A.G. Luto da equipe:
A maioria dos entrevistados sente-se revelações do profissional de enfermagem sobre o
preparados para atender os pacientes pediátricos cuidado à criança/adolescente no processo de
gravemente enfermos de forma correta, morte e morrer. Rev. Latino-Am. Enferm. São
conseguem reconhecer se estão desgastados Paulo, v.13, n.2, p.151-7. Mar/ Abr. 2005.
emocionalmente e se este desgaste prejudica seu

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 5


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
-COUTO, D.T. Prazer, sofrimento e riscos de 24, jun. 2005 . Disponível em http://www.scielo.
adoecimento dos enfermeiros e técnicos de br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
enfermagem em unidade de terapia intensiva de 83332005000100006&lng=pt&nrm=iso. Acesso em
um hospital público no DF. Tese mestrado [online]. 14/05/2009.
Brasília, 2008.
-LORENCON, M. Auto-percepção de aluna de
-FILIZOLA, C.L.A.; FERREIRA, N.M.L.A. O enfermagem ao desenvolver relação de ajuda a
envolvimento emocional para a equipe de familiares de criança em fase terminal. Rev.
enfermagem: realidade ou mito? Rev. Latino-am. Latino-Am. Enfermagem. Ribeirão Preto, v.6, n.4,
Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 5, número p. 57-65. Out/1998.
especial, p. 9-17, Mai/ 1997.
-MINAYO, M.C.S. O desafio do conhecimento
-FORMIGA, J.M.M; GERMANO, R.M.; VILAR, pesquisa qualitativa em saúde. 11ª edição. São
R.L.A.; DANTAS, S.M.M. Perfil do Paulo, SP. Editora HUCITEC, 2008.p.407
enfermeiro/aluno do curso de especialização –
PROFAE/RN. Universidade Federal do RN. 2002. -PAFARO, R.C.; MARTINO, M.M.F. Estudo do
Disponível em: http://www.observatorio.nesc.ufrn.b estresse do enfermeiro com dupla jornada de
r/texto_perfil05.pdf. Acesso em: 30/04/2009. trabalho em um hospital de oncologia pediátrica de
Campinas. Rev. esc. enferm., USP,
-GOMES, D.L.S. Identificação do enfermeiro de vol.38, no.2, São Paulo, Jun/2004.
saúde pública na força de trabalho de
Enfermagem de Saúde Pública no Departamento -PAULI, M.C.; BOUSSO, R.S. Crenças que
Regional de Saúde-6 de Ribeirão Preto, SP permeiam a humanização da assistência em
(Brasil), Rev. Saúde Pública, vol.24, no.3, São unidade de terapia intensiva pediátrica. Rev.
Paulo, Jun/1990. Latino-Am. Enfermagem, vol.11, no.3, Ribeirão
Preto, Mai/Jun 2003.
-GONÇALVES, J.R. O profissional de saúde em
enfermaria de crianças gravemente enfermas e as -POLES, K.; BOUSSO, R.S. Compartilhando o
implicações do cotidiano do trabalho na sua processo de morte com a família: a experiência da
saúde. Tese Doutorado. Florianópolis, 2007. enfermeira na UTI pediátrica. Rev. Latino-Am.
Enfermagem. São Paulo, v.14, n. 2, p.207-213,
-GUTIERREZ, B.A.O.; CIAMPONE, M.H.T. O Abr 2006.
processo de morrer e a morte no enfoque dos
profissionais de enfermagem de UTIs. Rev. Esc. -SHIMIZU, H. E.; CIAMPONE, M. H. T. As
Enfermagem. USP, São Paulo, v.41, n.4, p.660- representações sociais dos trabalhadores de
667, dez 2007. enfermagem não enfermeiros (técnicos e
auxiliares de enfermagem) sobre o trabalho em
-IBGE (INSTITUTO BRASILEIRO DE Unidade de Terapia Intensiva em um hospital-
GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA.). Estatísticas da escola. Rev. esc. enferm. USP . São Paulo, v.36,
Saúde - Assistência Médico-Sanitária 2005. n.2, p. 148-155, 2002.
Disponível em: http://www.ibge.gov.br/home/estatí
stica/populacao/condicaodevida/ams/2005/tabela1 -SILVESTRE, L. Modos de perceber e lidar com as
2.pdf. Acesso em: 15 jun. 2009. próprias emoções no cotidiano do trabalho da
enfermagem em UTI. Dissertação de mestrado em
-LEITE, M.A.; VILA, V.S.C. Dificuldades Enfermagem. Universidade Federal de Santa
vivenciadas pela equipe multiprofissional na Catarina. Florianópolis, 2006. Disponível em:
unidade de terapia intensiva. Rev. Latino-Am. http://tede.ufsc.br/teses/PNFR0558.pdf. Acesso
Enferm. São Paulo, vol.13, n.2, p.145-150. em: 25/04/2009.
Mar/Abr. 2005.
-SOUZA, G. L.; KANTORSKI, L. P. Maus tratos na
-LIMA, R.M.T.; TEIXEIRA, E.R. A vivência de infância. Farm. Saúde Desenv. Curitiba, v.5, n.3,
quem cuida em terapia intensiva e suas p.213-222. Set/ Dez. 2003.
implicações psicoafetivas. Rev. Enferm. UERJ
[online]. Rio do Janeiro, v.15, n.3, p.381-6. Jul/Set. -SULZBACHER, M.; RECK, A.V.; STUMM, E.M.F.;
2007. HILDEBRANDT, L.M. O enfermeiro em unidade de
tratamento intensivo vivenciando situações de
-LOPES, M.J.M; LEAL, S.M.C. A feminização morte e morrer. Scientia Medica. Porto Alegre,
persistente na qualificação profissional da v.19, n.1, p.11-16. Jan/Mar.2009.
enfermagem brasileira. Cad. Pagu, Campinas, n.

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 6


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba
-VILA, V.S.C.; ROSSI L.A. O significado cultural do
cuidado humanizado em unidade de terapia
intensiva: “muito falado e pouco vivido”. Rev.
Latino-Am Enfermagem, São Paulo, v.10, n. 2, p.
137-144, mar./abr., 2002.

XIII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e 7


IX Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba