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PORTAL DOS

ORIXÁS

O LIVRO DOS INICIADOS

ITANHAÉM

2011

SUMÁRIO
1. A HISTÓRIA DO PORTAL DOS ORIXÁS

Em 1993, Raquel Lílian ainda não era mãe – nem de sangue e nem de
santo – ainda não era umbandista, mas já tinha sensibilidade fora do comum
sobre o mundo espiritual quando uma amiga lhe indicou um terreiro para
frequentar. Por mais que ela não soubesse começava ali a se formar o Portal
dos Orixás.
Os anos se passaram e Raquel foi agregando valor aos terreiros que
passou. Aprendeu o valor da mão-de-ferro na condução do rebanho e a
importância da firmeza da incorporação na Federação de Umbanda Caboclo
Cobra-Coral e Iansã, conheceu a força da doçura e do carisma do chefe de
terreiro na Casa de Caridade Pai Mané Baiano, casa onde uniu todos os
conhecimentos adquiridos dentro e principalmente fora do terreiro e foi
consagrada Mãe de Santo. Mãe Raquel chegou a chefiar a casa de Mané por
um bom tempo, mas a essa altura já iniciava alguns médiuns na sala de sua
casa. Eles não tinham salão, abriam gira em casa, na casa dos médiuns, nos
lugares que lhes eram permitidos. Não havia congá, no início eram apenas
uma cadeira e um copo d’água e uma vela. Só isso. Mas a fé e união de seus
membros – uma jovem Mãe de Santo, seu irmão caçula, seu marido e dois
amigos considerados desde sempre como da família – foram o suficiente para
assentarem, em 2002, a pedra fundamental do Portal dos Orixás.

Durante anos a rotina de se reunir na casa de amigos se manteve,


contudo o número de adeptos foi crescendo e as salas de estar das casa
ficaram pequenas para tantos médiuns e visitantes que buscavam por um
passe, um benzimento ou apenas uma palavra de carinho para lhes fortalecer
frente às provas da vida. Foi então que em 2007 todos se uniram e compraram
um pequeno terreno, que revenderam e compraram os materiais necessários
para erguer o atual salão em que o Portal dos Orixás abre suas giras a cada
vinte e um dias, sob o comando supremo de Oxalá e com as firmezas do Sr.
Xangô Sete Cachoeiras, chefe da casa.

Ao entrar na casa, olhe sua volta. Tudo o que você ver tem uma história
que se remete às primeiras linhas deste texto e à união de todos que estão e
que já passaram por este templo. Você hoje faz parte dessas história, então
respeite-a.

2. SOBRE O PORTAL DOS ORIXÁS

Fundação: 2001

Coordenação: Raquel Lílian, Cláudio Corrêa e Anderson Machado

Endereço: Rua 22, nº145, Chácara Bopiranga, Itanhaém – SP


Funcionamento: a gira se inicia as 20:30 a cada 21 dias (consulte
calendário)

3. BREVE HISTÓRIA DA UMBANDA

Em 15 de novembro de 1908, compareceu a uma sessão da Federação


Espírita, em Niterói, então dirigida por José de Souza, um jovem de 17 anos de
tradicional família fluminense. Chamava-se Zélio Fernandino De Moraes.
Restabelecera-se, no dia anterior, de moléstia cuja origem os médicos haviam
tentado, em vão, identificar. Sua recuperação inesperada por um espírito
causara enorme surpresa. Nem os doutores que o assistiam nem os tios,
sacerdotes católicos, haviam encontrado explicação plausível. A família
atendeu, então, à sugestão de um amigo, que se ofereceu para acompanhar o
jovem Zélio à Federação.

Zélio foi convidado a participar da Mesa. Sentiu-se deslocado,


constrangido, em meio àqueles senhores. E causou logo um pequeno tumulto.
Sem saber por que, em dado momento, ele disse: "Falta uma flor nesta casa:
vou buscá-la". E, apesar da advertência de que não poderia afastar-se,
levantou-se, foi ao jardim e voltou com uma flor que colocou no centro da
mesa. Serenado o ambiente e iniciados os trabalhos, manifestaram-se
espíritos que se diziam de índios e escravos. O dirigente advertiu-os para que
se retirassem. Nesse momento, Zélio sentiu-se dominado por uma força
estranha e ouviu sua própria voz indagar por que não eram aceitas as
mensagens dos negros e dos índios e se eram eles considerados atrasados
apenas pela cor e pela classe social que declinavam. Essa observação
suscitou quase um tumulto. Seguiu-se um diálogo acalorado, no qual os
dirigentes dos trabalhos procuravam doutrinar o espírito desconhecido que se
manifestava e mantinha argumentação segura. Afinal um dos videntes pediu
que a entidade se identificasse, já que lhe aparecia envolta numa aura de luz.

Se querem um nome - respondeu Zélio inteiramente mediunizado - que


seja este: eu sou o Caboclo Das Sete Encruzilhadas, porque para mim não
haverá caminhos fechados.

E, prosseguindo, anunciou a missão que trazia: estabelecer as bases de


um culto, no qual os espíritos de índios e escravos viriam cumprir as
determinações do Astral. No dia seguinte, declarou ele, estaria na residência
do médium, para fundar um templo, que simbolizasse a verdadeira igualdade
que deve existir entre encarnados e desencarnados.

Levarei daqui uma semente e vou plantá-la no bairro de Neves, onde ela
se transformará em árvore frondosa.

No dia seguinte, 16 de novembro de 1908, na residência da família do


jovem médium, na Rua Floriano Peixoto, 30 em Neves, bairro de Niterói, a
entidade manifestou-se pontualmente no horário previsto - 20 horas.

Ali se encontravam quase todos os dirigentes da Federação Espírita,


amigos da família, surpresos e incrédulos, e grande número de desconhecidos
que ninguém poderia dizer como haviam tomado conhecimento do ocorrido.
Alguns aleijados aproximaram-se da entidade, receberam passes e, ao final da
reunião, estavam curados. Foi essa uma das primeira provas da presença de
uma força superior.

Nessa reunião, o CABOCLO DAS SETE ENCRUZILHADAS estabeleceu


as normas do culto, cuja prática seria denominada "sessão" e se realizaria à
noite, das 20 às 22 horas, para atendimento público, totalmente gratuito,
passes e recuperação de obsedados. O uniforme a ser usado pelos médiuns
seria todo branco, de tecido simples. Não se permitiria retribuições financeiras
pelo atendimento ou pelos trabalhos realizados. Os cânticos não seriam
acompanhados de atabaques nem de palmas ritmadas.

A esse novo culto, que se alicerçava nessa noite, a entidade deu o nome
de Umbanda, e declarou fundado o primeiro templo para sua prática, com a
denominação de tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque: "assim
como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria os que a ela
recorressem, nas horas de aflição".

Através de Zélio manifestou-se, nessa mesma noite, um Preto Velho,


Pai Antônio, para completar as curas de enfermos iniciadas pelo Caboclo. E foi
ele quem ditou este ponto, hoje cantado no Brasil inteiro: "Chegou, chegou,
chegou com Deus, Chegou, chegou, o Caboclo das sete Encruzilhadas".

A partir desta data, a casa da família de Zélio tornou-se a meta de


enfermos, crentes, descrentes e curiosos.

4. O HINO DA UMBANDA

Refletiu a luz divina


com todo seu esplendor
é do reino de Oxalá
Onde há paz e amor
Luz que refletiu na terra
Luz que refletiu no mar
Luz que veio, de Aruanda
Para todos iluminar
A Umbanda é paz e amor
É um mundo cheio de luz
É a força que nos dá vida
e a grandeza nos conduz.
Avante filhos de fé,
Como a nossa lei não há,
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá !
Levando ao mundo inteiro
A Bandeira de Oxalá !

5. O COMPROMISSO DO UMBANDISTA

Ao assumir a umbanda como sua doutrina religiosa, o umbandista


assume um grande compromisso com as forças que regem o universo rumo à
perfeição: o compromisso de se doar ao próximo, aos necessitados.

Doar-se a quem precisa significa ser caridoso, executar a caridade tal


qual Jesus disse “Fora da caridade não há salvação”. O umbandista deve ter
certeza do passo que dá ao assumir este compromisso, pois grande é a
responsabilidade no que tange a vida do próximo, seus problemas e
necessidades. Como umbandista deve-se estar ciente de sua função de
educador e pregador das palavras de bondade, porque muitas vezes os
necessitados por justificada ignorância, afinal não são iniciados e não
conhecem as conseqüências de seus atos, podem confundir o Templo de
Umbanda com uma fonte dos desejos ou algo parecido. Cabe então ao
umbandista fazer valer seu conhecimento e seu compromisso e educá-lo.
Sempre.

Toda vez que há falha no cumprimento do compromisso, aumenta o risco


do não entendimento do que a umbanda realmente é, nesse momento a
umbanda se afasta um pouco de seus objetivos.

Os Orixás, assim como os umbandistas encarnados, também


compartilham desse mesmo compromisso com a caridade. Todos fazem parte
de uma mesma corrente, contudo os Orixás contribuem ainda mais com a sua
sabedoria ancestral e seus dons curativos. Cabe ao umbandista aprender a
cada instante com tudo e todos os envolvidos no círculo umbandista.

O segredo é se doar, é ter foco no próximo e obedecer as leis da


evolução através da caridade. Tentem sempre se colocar no lugar dos irmãos
necessitados e sentir sua dor. Isso é o princípio de tudo.

6. O MÉDIUM

A palavra médium provém do latim, que significa meio, ou seja, o médium


é em essencialmente um meio entre o plano espiritual e o plano terreno. Meio
pelo qual os espíritos se comunicam e agem nas vidas dos encarnados.

Todos são médiuns, independentemente de sua idade ou religião todos


possuem a faculdade de servir de meio entre os planos da carne e do espírito,
bastam fé, doutrina e concentração. Contudo é errado imaginar que a
mediunidade resume-se apenas na incorporação espiritual, ela se manifesta de
incontáveis maneiras e diferentes graus de intensidade. Maneiras que variam
entre a visão, audição, sensibilidade, premonições, incorporação etc. Tudo
para facilitar a comunicação do plano astral e o plano físico. Quanto à
intensidade, um médium pode nascer com um grau elevado de mediunidade
ou, mais comum, ir apresentando sinais sutis dela durante a vida.

Para ambos os casos a boa compreensão do que é a mediunidade se faz


mais do que necessária, a combinação de fé, doutrina e concentração torna-se
essencial para o desenvolvimento do médium.

Fé significa acreditar naquilo que não se pode ver, ou seja, o primeiro


passo para lidar com o dom de servir de meio entre o invisível e o visível é
acreditar que ele existe e é poderoso. Fé não tem nada a ver com religião, a
religiosidade pertence ao campo da doutrina.

Doutrina é a organização de pensamentos e atitudes em forma de regras


com um fim determinado. Uma religião é uma doutrina, a Umbanda é uma
religião doutrinada por preceitos de caridade, fé, humildade e amor. Ao aceitar
a doutrina umbandista,o iniciado aceita seus preceitos e começa a desenvolver
sua mediunidade segundo as regras e pensamentos umbandistas. O
desenvolvimento mediúnico se dará por técnicas que o levam a reforçar seu
poder de concentração afim de reduzir os ruídos entre a comunicação de sua
mente com os planos superiores, elevando o grau de sua mediunidade,
minimizando os riscos de interferências de planos menos evoluídos da
espiritualidade.

7. A INCORPORAÇÃO ESPIRITUAL

É uma das formas mais emblemáticas de manifestação mediúnica, por


mexer com o maior número de sentidos dos expectadores, como a visão, tato,
olfato e proporcionar o diálogo em tempo real entre os planos. Ocorre quando
um espírito se apossa do controle do corpo de um médium, manifestando-se
através da fala, de gestos, emanando energias etc.

Ainda há uma grande nuvem pairando sobre este tipo de manifestação,


principalmente no que tange a presença ou não do espírito do médium em seu
corpo e também sobre a consciência, semi-consciência e inconsciência durante
a incorporação.

Pai Ronaldo Linhares na “Apostila do 25º Barco do Babalawô” lançou luz


e simplicidade sobre o tema ao comparar a incorporação ao ato de dirigir.
Pediu que o iniciado comparasse seu corpo a um carro o qual ele era o dono e
único motorista, até que em um dado momento um outro motorista – outro
espírito – pede para dirigir o veículo, contanto que o iniciado dono do carro
ficasse no banco do carona – respondeu então a primeira pergunta, afirmando
que o corpo do médium compartilham o mesmo corpo durante a incorporação.

Como não está acostumado com o novo “motorista” de seu corpo, fica
atento a tudo o que acontece, cada movimento, onde vai, com quem fala e o
que fala – estado de consciência. Com o passar do tempo, já mais acostumado
com o motorista, sabendo de sua habilidade em dirigir seu veículo, médium
passa a relaxar mais no banco do carona e deixa de reparar nos detalhes da
viagem, focando mais na paisagem e perdendo a noção do tempo que está “no
banco do carona” e quando vê, já está de volta ao comando do carro – semi-
consciência.

Com o passar do tempo e já plenamente acostumado a ceder o comando


de seu carro à outros motoristas, o médium simplesmente relaxa ao ponto de
dormir no banco e não vê nada do passeio, acordando somente no final da
viagem – o médium inconsciente.

Este exemplo trata de um caso padrão em que a consciência vai


desaparecendo com o tempo, contudo há casos de médiuns que mantém a
consciência durante toda a vida ou ainda os que variam o grau de consciência
conforme a situação em que está a gira ou a si próprio. Por isso é
imprescindível a combinação de fatores como a fé, a doutrina e concentração,
bem como a preparação do médium antes da gira e a postura durante e depois
dos trabalhos espirituais.

8. ANTES DE ENTRAR NO TEMPLO

Conflito de caráter

É impossível dissociar a conduta da pessoa dentro e fora do terreiro, ou


seja, a pessoa é umbandista onde quer que ela for, por mais que ela não conte
a ninguém, mas sua conduta deve ser exemplar não importa onde ela for. O
risco do descumprimento dessa máxima é o ruído entre a imagem da pessoa
dentro e fora do templo. Quem o conhecer nesses meios ficará em dúvida
sobre o caráter do umbandista e se perguntará qual é o verdadeiro: a pessoa
que conhece fora do templo ou dentro?

A preparação para o dia de trabalho espiritual

Estamos sempre cercados de espíritos, bons e ruins, e não seria diferente


nos dias de trabalho no templo. Contudo esses dias são especiais para o
umbandista, devendo ele se preparar desde a noite anterior à gira até o
momento dos trabalhos.

Antes de dormir é bom acender uma vela branca para Oxalá e pedir a
ele que interceda junto aos demais Orixás para a segurança de seu espírito
afim de lhe garantir firmeza para encarar as batalhas espirituais que podem vir
a acontecer no templo.

Ao despertar, o faça de forma calma e agradeça a Deus por estar de pé


novamente, peça a Ele forças para mais um dia de preparação da carne e da
mente. Durante o decorrer do dia não coma carne, pois os animais
pressentem o momento da morte (em geral dolorosa) e essa energia negativa é
absorvida por que a ingere e pode prejudicar a incorporação e as defesas
espirituais do médium.

Evite também o uso de bebidas alcoólicas, drogas e outros


psicotrópicos que reduzem a capacidade de concentração, aumentando o
risco de ruídos na relação do médium com os Orixás, podendo gerar grandes
problemas no curso da gira.

Não faça sexo no dia de sessão espiritual, por essa ser uma atividade
de cunho exclusivamente carnal, ela desconfigura toda a preparação
necessária para o médium realizar com plenitude sua missão no terreiro.

Faça uso dos banhos de defesa receitados pela casa, pois estes foram
indicados pelos Orixás que regem o templo e tem como objetivo manter a
firmeza e preparo cultivados durante todo o dia até a hora da gira. No portal
dos Orixás os banhos receitados são de boldo (que pode ser aplicado da
cabeça aos pés) e o de folhas de mangueira (banhar apenas do pescoço para
baixo).
O banho deve ser preparado da seguinte forma: aquecer uma panela com
água até que a fervura se inicie, apagar o fogo e inserir as folhas selecionadas.
Manter a panela tampada com as folhas em infusão até que cheguem a uma
temperatura possível de banhar.

E durante todo o dia evite estresse, brigas e palavrões. Essas atitudes


só fazem afastar sua consciência da paz necessária para os trabalhos
espirituais. Mantenha-se em paz, livre das tentações e com foco no
compromisso assumido com a Umbanda.

Programe seu dia, aproveite todo o seu tempo para evitar atrasos.
Procure chegar com antecedência mínima de 40 minutos, para ter tempo de
cumprir com calma o protocolo estabelecido e os rituais de início da gira.

9. AO ENTRAR NO TEMPLO

O templo é um local sagrado escolhido pelos orixás para abrigar seus


trabalhos espirituais. É mais do que apenas um salão com um altar e uma
cerca, os trabalhos são realizados num plano que escapa aos nossos sentidos.
O que vemos acontecer na maioria das vezes são apenas os médiuns
gesticulando conforme a vontade dos espíritos, porém sua energia e as graças
realizadas escapam à nossa visão. Cada canto, cada passagem e cada objeto
do terreiro é consagrado pelos Orixás e merecem o respeito dos filhos da casa,
por isso há um ritual de reverências a ser cumprido sempre que o umbandista
entrar no templo.

Em silêncio, o filho deve:

1. Pedir licença aos guardiões da casa ao passar pela porta de entrada;

2. Assinar a ata dos trabalhos;

3. Saudar o conga central, de onde vem as energias de paz que regem os


trabalhos;

4. Saudar os atabaques, instrumentos consagrados que evocam os Orixás;


5. Pedir a bênção aos dirigentes do terreiro, que zelam espiritualmente por
todos no templo;

6. Sair pela porta principal e ir saudar a tronqueira, ponto de firmeza de


Exú;

7. Vestir as roupas de ritual e aguardar o início da gira.

Não basta apenas cumprir o protocolo, cada ato deve ser feito de
coração, porque os Orixás não nos enxergam apenas como carne, eles vêem
nossos sentimentos e intenções.

10. CONDUTA DURANTE A GIRA

O mesmo respeito que o médium mostra à gira durante as preparações e


na estrada do templo, deve ser mantido no discorrer dos trabalhos, afinal seria
hipocrisia tanta preparação e tantas reverências para no principal momento
abandonar os preceitos até então seguidos com fervor.

Vale lembrar que há a regra do silêncio na gira, que só deve ser quebrada
em momentos de discussão aberta sobre temas diversos ou, o mais
importante, para entoar cânticos para os Orixás. Neste momento toda a
vibração é necessária e bem vinda, em forma de canto e de palmas, que
elevam a energia do ambiente e pavimentam o caminho para a caridade. Fora
destas situações, manter-se educadamente em silêncio e ficar atento às
orientações dos dirigentes é o mais usual e esperado da conduta dos fiéis.

Pausas para descanso serão executadas estrategicamente durante a gira,


nas quais o médium deverá estar atento às suas prioridades, sejam elas trocas
de roupas, fumar, usar o banheiro ou simplesmente descansar, pois as pausas
são sempre curtas e o mau uso do tempo atrapalha a organização dos
trabalhos.

Evite conversas paralelas à execução dos trabalho, em caso de alguma


dúvida basta consultar o responsável pela gira. Caso sinta a necessidade de
fumar, beber água ou usar o banheiro antes do intervalo, peça licença ao
responsável e vá rápida e discretamente. Caso haja alguém do lado de fora,
aguarde o retorno da pessoa para que possa prosseguir.

Mantenha-se a maior parte do tempo contribuído com a gira em forma de


canto, dança e palmas. Não sente nos bancos a não ser que a gira esteja
paralisada.

11. AS ORAÇÕES

A oração é uma forma de padronizar o clamor aos céus, de forma que os


desejos da corrente subam com mais força aos espíritos que nos guiam.
Quando os momentos de orar forem anunciados, o médium deve empregar o
máximo fervor em respeito à seriedade do momento.

Pai Nosso

Pai nosso, que estais no céu. Santificado seja o Vosso nome,

Venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade,

Assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido.

E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal,

Amém.
Ave Maria

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.

Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.

Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da
nossa morte.

Amém.

Prece de abertura dos trabalhos

Pai Misericordioso e Justo, Criador do Universo, lançai as vossas bênçãos


sobre os vossos filhos em Vosso Sagrado Nome, vão executar neste terreiro,
em benefício dos seus irmãos, também Vossos filhos. Pai Misericordioso e
Justo, daí permissão aos Espíritos de Luz, aos Irmãos superiores, aos Anjos,
aos Santos, aos Orixás e Chefes de Falange e seus comandados, aos
Caboclos e Pretos Velhos, espíritos do mar, dos rios, das fontes e das
cachoeiras, a todos os espíritos puros e purificados, que lancem sobre este
terreiro as suas irradiações salutares, seus fluidos regeneradores, tudo em
benefício dos que aqui vem em busca de alívio, socorro e cura para seus
sofrimentos físicos e espirituais. Oxalá, poderoso e chefe de bondade, lançai
sobre nós os vossos influídos, infundindo em todos nós a resignação, a boa
vontade e a fé para desempenharmos as nossas tarefas. Anjos da guarda,
Guias e Protetores, derramai a Vossa influência sobre os médiuns aqui
presentes, para que possuídos da vossa energia, possam eles transmiti-la aos
irmãos necessitados de amparo. Espíritos de luz, daí aos médiuns a vossa
força para que eles a possam transmitir aos irmãos que tanto necessitam
recebê-la. Que as forças do Universo, sob a ação dos Irmãos, dos Guias, dos
Protetores e dos Anjos da Guarda, venham a se derramar luminosas, benéficas
e fortes neste ambiente, iluminando-nos e purificando-nos com o afastamento
dos maus elementos perturbadores do Espaço e da Terra. Que assim seja

Prece de Cáritas

Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, dai forca àquele que
passa pela provação; dai luz àquele que procura a verdade, pondo no coração
do homem a compaixão e a caridade. Deus, dai ao viajor a estrela guia; ao
aflito a consolação; ao doente o repouso. Pai, dai ao culpado o
arrependimento, ao espírito a verdade, a criança o guia, ao órfão o pai. Senhor,
que a vossa bondade se estenda sobre tudo que Criastes. Piedade Senhor,
para aqueles que não vos conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que
a Vossa bondade permita aos espíritos consoladores derramarem por toda
parte a paz, a esperança e a fé. Deus, um raio, uma faísca do Vosso amor
pode abrasar a terra. Deixa-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e
infinita e todas as lágrimas secarão, todas as dores acalmar-se-ão. Um só
coração, um só pensamento subirá até Vós como um grito de reconhecimento
e amor. Como Moisés sobre a montanha, nos Vós esperamos com os braços
abertos, oh! Poder... oh! Bondade... oh! Beleza... oh! Perfeição, e queremos de
alguma sorte alcançar a Vossa misericórdia. Deus, dai-nos a força de ajudar o
progresso a fim de subirmos até Vós. Dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a
razão; dai-nos a simplicidade que fará de nossas almas, o espelho onde deve
refletir a Vossa Santa e Misericordiosa imagem.

Salve Rainha

Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!

A vós bradamos os degredados filhos de Eva.

A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei,

E depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre,

Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria

Rogai por nós santa Mãe de Deus para que sejamos dignos das promessas de
Cristo. Amém.

Credo

Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra.

E em Jesus Cristo, seu único Filho nosso Senhor.

Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo,

nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos,

foi crucificado, morto e sepultado, desceu à mansão dos mortos,

ressuscitou ao terceiro dia,

subiu aos Céus está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso,

donde há de vir julgar os vivos e mortos.

Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica,

na comunhão dos santos, na remissão dos pecados,


na ressurreição da carne, na vida eterna.

Amém.

Oração às Almas Benditas

Almas santas e benditas,

aqueles que são do meu Senhor Jesus Cristo,

Por três:

por aquelas três almas que morreram enforcadas,

por aquelas três almas que morreram degoladas

e por aquelas três almas que morreram a ferro frio,

juntem todas três, todas seis e todas nove,

para darem três abalos e três pancadas

nos corações dos meus inimigos que ficarão humildes a mim,

debaixo de uma paz e consolação a ponto de terem olhos e não me verem,


terem pernas e não me alcançarem

e de terem braços e não me agarrarem,para sempre sem fim.

Amém

Oração da Fortuna

Mar sagrado que te venho salvar. Água que te venho pedir

Para que me ouro para guardar, Prata para gastar e cobre para dar aos pobres

Que assim seja.

Prece A Oxalá

Nosso Pai Bondoso e Misericordioso. Meu Pai das Colinas, olhai por nós.
Assim como criastes todos os Orixás, Deus eterno e criador do Universo
Celeste. Dai-nos a vossa bênção. Ó Divino Mestre, deixai-nos apoiar em
vosso cajado de esperança para que vosso Manto Sagrado possa proteger-nos
com vossas bênçãos e benevolências. Oxalá iê, Zambiê!

Prece À Iemanjá
Poderosa força das águas. Inaê, Janaína, Sereia do Mar. Saravá minha Mãe
Iemanjá! Leva para as profundezas do teu mar sagrado. Odoiá… Todas as
minhas desventuras e infortúnios. Traz do teu mar todas as forças espirituais
para alento de nossas necessidades. Paz, esperança, Odofiabá… Saravá,
minha Mãe Iemanjá! Odofiabá…

Prece A Xangô
Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dos incautos. Protetor da fé e da harmonia.
Kaô Cabecile do Trovão. Kaô Cabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai
Xangô. Morador no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de
todos os males. De todos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô
meu Pai.
Prece À Iansã
Oiá… Oiá… nossos passos. Iansã, Deusa máxima do Cacurucaia…
Bamburucena, Rainha, Mãe e Protetora. Eparrei nossa mãe Divina. Deusa
divina dos ventos e das tempestades. Deixa-nos sentir também a tua
bonança. Iansã dos relâmpagos, dá-nos uma faísca da tua graça divina.
Eparrei, Eparrei… Oiá!

Prece A Ogum
Orixá, protetor, Deus das lutas por um ideal. Abençoai-me, dai-me forças, fé e
esperança. Senhor Ogum, Deus das guerras e das demandas, livrai-me dos
empecilhos e dos meus inimigos. Abençoai-me neste instante e sempre para
que as forças do mal não me atinjam. Ogum Iê, Cavaleiro Andante dos
caminhos que percorremos. Patacori… Ogum Iê… Ogum meu Pai, vencedor
de demandas… Ogum Saravá Ogum… E que assim seja!

Prece A Oxossi
Okê… Okê Cavaleiro de Aruanda! Okê… Rei dos Caboclos e das Matas!
Senhor Oxossi, que as suas matas possas estar repletas de Paz, Harmonia e
Bem-Aventurança. Meu Pai Oxossi, Rei dos Caçadores, não permita que eu
me torne uma presa dos malefícios nem dos meus inimigos. Okê, Okê, meu Pai
Oxossi! Rei das Matas de Aruanda. Okê Arô!

Prece À Oxum
Canto sereno que assobia, nos regatos lagos e cachoeiras. Senhora faceira de
beleza e ternura. Protetora das crianças e de todos os que necessitam de tua
graça. Mamãe Oxum, Deusa formosa dos rios. A Mãe das Águas Doces,
acolhe-nos em teu seio, proporciona-nos paz e alegria. Saravá Mamãe Oxum!
Ora Iê Ie!
Prece A Obaluaiê-Omulu
Dominador das epidemias. De todas as doenças e da peste. Omulu, Senhor
da Terra. Obaluaiê, meu Pai Eterno. Dai-nos saúde para a nossa mente, dai-
nos saúde para nosso corpo. Refoçai e revigorai nossos espíritos para que
possamos enfrentar todos os males e infortúnios da matéria. Atotô meu
Obaluaiê! Atotô meu Velho Pai! Atotô Rei da Terra! Atotô Babá!

Prece À Nanã Buruquê


Mãe protetora de todos nós. Senhora das águas opulentas. Deusa das chuvas
benévolas. Deixa cair sobre nós a chuva divina da tua bondade fecunda e
infinita. Salubá Nanã Buruquê! Purifica com tuas forças nossa atmosfera para
que possamos ser envolvidos pelos teus olhos maravilhosos. Salubá Nanã
Buruquê! Salubá!

Prece Aos Preto Velhos


Meus benditos Pretos e Pretas Velha. Meus Santos, guias e espíritos
protetores. Mestres divinos da Linha das Almas.. Abençoai esta casa e os
meus passos. Aplacai as forças dos nossos inimigos. Meus queridos Pretos
Velhos, que a sua candura e bondade recaia sobre nó como o véu do divino
amor. Meus Pretos Velhos, dai-nos a fé, a esperança e a felicidade. Eu adorei
as Almas! Saravá, meus Pretos Velhos!

Prece aos Caboclos


Do sabiá, ao primeiro trinado, ergue-se o homem, ainda cansado,
Do sono dormido e que não descansou. Caminha até a porta, com muito vagar,
E olhando o infinito, se põe a rezar a oração do caboclo (dizer o nome do
caboclo)
Que a terra ensinou. Do sol que renasce, o primeiro clarão,
Clareia o caboclo, que de pé no chão vai outra batalha, sozinho enfrentar.
E assim o caboclo, na luta sem fim, caminha ao perfume da flor de jasmim,
Rezando a oração que a terra ensinou.
12. AS DEMANDAS

Dá-se o nome de demanda toda e qualquer força que possa impedir o


perfeito andamento dos trabalhos. É recomendado aos iniciados alertar os
dirigentes sobre qualquer sensação estranha durante a gira para que o
responsável pelo terreiro tome as devidas atitudes e restabelecer o clima de
harmonia

Atenção: Pelo fato dos pontos e orações de demanda serem muito


contundentes é preciso cuidado no momento de entoá-los no templo,
principalmente em dias que houver visitas na casa sob o risco de elas se
sentirem ofendidas.

Pontos de demanda

Tu não jogue pemba preta cá dentro do meu terreiro


O meu coco tem dendê pro inimigo traiçoeiro.

Oh meu são Jorge, meu Sagrado Coração

Criança engatinhando a derrubar velho no chão

Gira tão boa como na Umbanda não há

Quem não pode com mandinga não carrega patuá.

Ogum de Ronda, rondei, rondei

Ogum de Ronda, rondei rondá

Ogum de Ronda, abre os méis caminhos

Ogum de Ronda para eu passar

Bandeira branca é de Ogum

Tá hasteada lá no Humaitá

Ogum de Ronda me fecha as porteiras

Pros inimigos não atravessar.

Quem vence demanda é Ogum Megê

Quem rola as pedras é Xangô, caô.

Flecha de Oxossi é certeira, é.

É é é é.

Oxalá é meu Senhor, ô ô ô ô.

Sete linhas de Umbanda, sete linhas para vencer.

Se Oxalá é meu senhor, ninguém pode perecer.

Mãe Oxum nas cachoeiras, Iemanjá nas ondas do mar.

Se Iansã vem proteger, pai Ogum vai demandar.


Nessa casa tem quatro cantos,

em cada canto tem seu santo.

Olha viva Jesus e Maria

e o Divino Espírito Santo.

Zum zum zum olha lá meu Deus quem é?

Eu juro por Deus e as Almas

O inimigo cai e eu fico em pé.

Lua bonita que clareia o mundo inteiro

Vi são Jorge no espaço iluminar esse terreiro

Lá vem chegando os guerreiros de São Jorge

Todos de espadas na mão, a iluminar esse mundão

Nesse terreiro eles quebram macumbeiro

Eles quebram feiticeiro de baixo de um alazão

Quem foi que disse que esta casa cai?

Cai, cai, cai, mas esta casa não cai

13. SAUDAÇÃO AO BABALORIXÁ

Babalorixá ou Babalaô, quer dizer Pai no santo em língua Iorubá, ao


passo que Ialorixá significa Mãe no Santo na mesma língua. Contudo na
Umbanda usa-se somente a expressão Babalorixá ou Babalaô para se referir
ao homem ou mulher que alcançou o este grau que consideramos um acima do
grau de Pai ou Mãe de Santo, porém os pontos de saudação ao Babalaô
podem ser entoados para saudar os pais da casa, bem como chefes de terreiro
que estiverem em visita oficial e achem necessário a honraria da saudação.
Pontos de louvor ao Babalorixá

Na mata virgem o sabiá cantou

Oxalá mandou saravar Babalaô

Babalaô, Babalaô

Com sua licença Oxalá foi quem mandou

Xauê babá, Babá de Orixá

Xauê Babalaô, Babalaô de Orixá

14. SAUDAÇÃO A EXÚ

Orixá guardião das porteiras do templo merece ser saudado no início dos
trabalhos.

Pontos de saudação aos defensores da cancela

Ô na porteira eu deixei meu sentinela


Eu deixei Sr. Sete Encruzas tomando conta da cancela (trocar o nome do Exú)

Tem morador, de certo tem morador

Na porta onde o galo canta de certo tem morador.

15. A ABERTURA DOS TRABALHOS

Pode-se dizer que é a abertura oficial da gira, pois antes disso os


membros da corrente já vem fazendo uma série de preparativos que vem
desde os banhos em suas respectivas casas, passando pelas orações,
cânticos preparatórios, prévias defumações no templo etc.

É nesse momento que o sacerdote, ou médium indicado por ele, declara aberta
a gira.

Pontos de abertura dos trabalhos


Vou abrir minha jurema, vou abrir meu Juremá.

Com a licença de Mamãe Oxum e nosso Pai Oxalá

Já abri minha jurema, já abri meu jurema,

Com a licença de Mamãe Oxum e nosso Pai Oxalá

Eu abro a nossa gira com Deus e Nossa Senhora

Eu abro a nossa gira, sandolê pemba de Angola.

Nossa gira está aberta com Deus e Nossa Senhora

Nossa gira está aberta sandolê pemba de Angola.

Me abre essa gira Ogum

Não deixe a demanda entrar

É hora, é hora, é hora meu Pai.

É hora de trabalhar.

16. DEFUMAÇÃO

Um dos pontos fortes da preparação da gira onde se fundem os


elementos do fogo, terra, água e ar aliados às folhas e ervas sagradas para
envolver as coroas dos iniciados com a finalidade de nivelar a vibração da
corrente e defender a gira e seus médiuns.

O elemento fogo é ativado na fogueira que vem do braseiro, a terra presente


nos pequenos flocos de argila na mistura de defumação e nas cinzas
resultantes da fogueira, a água está presente na umidade da mistura e sem a
qual ao haveria fumaça, só fogo. E o ar que leva as ervas sagradas em forma
de fumaça para dentro e envolta dos médiuns.
Pontos de defumação

Corre gira Pai Ogum, filhos quer se defumar.

Umbanda tem fundamento, é preciso preparar.

Com incenso e bejoim, alecrim e alfazema,

Defumar filhos de fé com as ervas da Jurema.

Vamos defumar a Umbanda com sete anjos do céu.

A Umbanda cheira a rosa e a rosa cheira a guiné.

Vamos cruzar nosso terreiro,

Vamos cruzar nosso conga.

Vamos cruzar a nossa gira

Na fé pai Oxalá.

Nossa Senhora incensou a Jesus Cristo

Jesus Cristo incensou os filhos seus

Eu incenso, eu incenso essa casa

Na fé de Oxossi, de Ogum e Oxalá

Defuma com as ervas da Jurema

Defuma com arruda e guiné.

Alecrim, bejoim e alfazema,

Vamos defumar filhos de fé!


Defumador que cheira a guiné,

Vamos defumar filhos de fé

A mata queimou, cheirou a guiné

Vamos defumar filhos de fé.

17. AS FERRAMENTAS SAGRADAS

Todo culto religioso possui objetos importantes ou sagrados e a Umbanda


não se difere das demais. Há no templo uma série de objetos consagrados e
de suma importância para a realização da gira. São eles o atabaque, a pemba,
a toalha ou pano de cabeça, o adjá as guias, as velas e o turíbulo.

O atabaque, como já explorado nesta obra é um instrumento milenar que


serve de condutor de energias, que através de seu som é capaz de elevar ou
cadenciar o ritmo dos trabalhos e seu operador, o ogâ, é iluminado pelos
Orixás para que através de sua força conduzam o ritmo da gira.

A pemba pode muito bem ser confundida com um simples giz e a linha
tênue, porém gigantesca, que separa a pemba do giz comum é o seu uso. A
pemba é um giz consagrado para uso no templo. É com ela que os Orixás
riscam seus pontos, ou seja, imprimem na terra seus nomes e magias com
símbolos do astral.

A toalha de cabeça é o acessório responsável por embalar o fiel no ritual


mais emblemático da abertura de uma gira: o bater cabeça. Esta toalha deve
ser feita de pano virgem, sem uso antes deste e também não pode ter outro
uso após a consagração no terreiro.

O adjá é uma espécie de sino usado para anunciar ou provocar o advento


de uma entidade na terra. Somente os membros mais antigos e preparados da
casa têm permissão para manusear o adjá, que pode ter de duas a doze
bocas, conforme o culto.

Guias ou fios de conta são colares ritualísticos com cores que


representam os Orixás cultuados. O ideal é que seu comprimento seja da nuca
ao umbigo. Quanto à sua grossura, podem ser de miçanguinhas (para médiuns
iniciantes), e ir avançando de tamanho para miçangas de tamanho normal,
contas de porcelana e cristal conforme o desenvolvimento da mediunidade de
cada iniciado. Os brajás também pertencem à classe das guias mas são
compostos de três ou sete fios e são de uso exclusivo dos membros da
padrinhagem – padrinhos, madrinhas, pais e mães de santo.

As velas são largamente utilizadas na maioria dos cultos religiosos como


forma de representar a chama divina que erguerá nossas preces aos céus. No
culto umbandista são usadas velas com as cores representativas dos Orixás.
No caso específico do Portal dos Orixás não são usadas as velas de cor preta
e preta-e-vermelha por orientação do Sr. Exu Rei das Sete Encruzilhadas, que
recomenda apenas o uso da cor vermelha nas giras de esquerda. Ao acender
uma vela de ritual, seja no terreiro ou para oração em casa, o fiel deve atear
fogo em seu cume e em seguida circundar a cabeça com a vela no sentido
horário enquanto inicia a oração. Isso serve para iniciar a iluminação da coroa
do iniciado.
O turíbulo é o recipiente usado para defumar o templo. Nele são
colocados o carvão e as essências de defumação.

Pontos de saudação às ferramentas

Ô salve a pemba,

Também salve a toalha.

Salve a coroa

É de nosso Zambi, é maior

18. BATER CABEÇA

O ritual mais sério e emblemático da abertura dos trabalhos é o bater


cabeça. É nesse momento em que todos os fiéis iniciados da casa se deitam
sobre a toalha branca consagrada para agradecer e pedir proteção aos
sagrados Orixás. Após deitar e se levantar, o iniciado saúda os atabaques e a
porteira, se curvando em reverência. Em seguida pedem a bênção aos seus
zeladores de santo, curvando-se e depois abraçando-os. Após isso voltam aos
seus lugares para engrossar o coro de cânticos deste ritual.

Pontos para bater cabeça

No reino dos Orixás, filhos vão se ajoelhar.

Saudando a nossa Babá, que vai bater cabeça aos pés de Oxalá.

A Lua lá no céu surgiu, eu bati a cabeça ao meu Pai Xangô.

Ô ô ô ô ô ô ô a lua era mais forte e clareou

A lua nasce por de trás da cachoeira

Anunciando Pai Xangô lá nas pedreiras

Bate cabeça filhos de fé

E peça a Pai Xangô o que quiser.

Cachoeira da mata virgem onde mora meu Pai Xangô

Pedra rolou Nanã Burukê, pedra rolou sarava Pai Xangô

Ê ê ê ê ê ah, se ele é filho de pemba bate cabeça lá no conga.

19. O SINCRETISMO

Sincretismo, segundo o dicionário Aurélio, é um sistema filosófico ou


religioso que tende a fundir numa só várias doutrinas diferentes. É natural em
várias religiões este tipo de adaptação, pois facilita o entendimento dos leigos.
O sincretismo dos Orixás teve início nos tempos da escravidão, quando os
negros africanos eram proibidos de cultuar seus Orixás por eles serem
considerados pagãos pelos senhores brancos. Então começaram a definir
semelhanças entre os deuses do culto africano e os santos católicos, assim
quando iniciavam seus rituais utilizavam as imagens de santos portugueses e,
atrás dessas peças, escondiam as ferramentas dos seus Orixás.

Séculos depois a Umbanda ainda uma religião nova que também cultuava
Orixás, manteve a tradição do sincretismo, por isso não é raro ouvir nos pontos
cantados menções a santos do catolicismo. Na maioria dos terreiros o conga
central possui imagens de santos católicos justamente para honrar esta
tradição.

20. OXALÁ

É o Orixá da pureza e do equilíbrio. Logo abaixo de Zambi – o equivalente


a Deus, que é cultuado, mas não incorpora em ninguém – Oxalá é o Orixá de
maior elevação no panteão umbandista. Os filhos de Oxalá são tão raros
quanto sua presença incorporada no terreiro, as aparições deste Orixá só se
dão em ocasiões de elevada pureza espiritual no templo e devem ser
encaradas como um presente celestial aos filhos.

 Saudação: Ô Zambi iê (Oxalá iê)

 Cor da vela e das guias: branca (união de todas as cores-luz).

 Sincretismo: Jesus.

 Dia da semana: todos, especialmente sexta-feira.

 Principal erva: boldo (tapete de Oxalá).

 Oferenda: em um prato branco ou de barro, colocar canjica cozida


apenas com água e enfeitar com pequenos flocos de algodão branco e
flores brancas. Acender velas brancas em volta e colocar copos com
água.

Pontos cantados de Oxalá

Oxalá meu pai

Tem pena de nós, tenha dó.

Se a volta do mundo é grande,

Seus poderes são maior.

Quando Jesus bater nas portas do seu coração.

Deixe-o entrar, deixe-o entrar

É a Umbanda quem lhe chama, irmão.

Jesus bateu e lhe chamou.


Deixe-o entrar, deixe-o entrar

É a Umbanda quem lhe chama irmão.

Era uma luz, era uma luz

Era uma estrela, nosso Rei Oxalá

Eu vi brilhar, eu vi brlhar

Uma luz no céu eu vi brilhar.

Pombinha branca mensageira de Oxalá.

Vai dizer que somos soldados de Jesus

Nós marchamos até o calvário carregando a nossa cruz.

Nós somos soldados de Jesus

Marchamos carregando a nossa cruz

Com fé e devoção, chegáramos até voz.

Oh virgem da conceição.

Quem pode é Deus, meu irmão quem pode é Deus.

O mundo é grande meu irmão, maior é Deus.

Atirei uma pedra e a terra abalou

O mundo estava torto e Santo Antônio endireitou.

21. OXOSSI (OXOSSE)


O Orixá que reina nas matas e trabalha com as folhas e raízes para curar
e vencer demandas. Na Umbanda são representados pelos caboclos,
entidades de luz sob a forma de índios que chegam no templo bradando alto,
girando e dançando ao som dos atabaques. São sérios e diretos no que fazem.
Sempre.

 Saudação: Oxossi iê, Okê Caboclo, Okê Arô

 Cor: verde

 Sincretismo: São Sebastião

 Dia da semana: quinta-feira

 Principal erva: Folha de manga, folha de eucalipto.

 Oferenda: Prato de barro com frutas diversas, velas verdes, água de


côco ou vinho. Se não for ofertar no templo, oferte na mata fechada.

Pontos cantados de Oxossi

No centro da mata virgem uma linda jibóia eu vi.

Mas era Sr. Flecha de Fogo chegando agora para trabalhar.

Ele é pajé, ele é pajé.

Flecha de Fogo ele é pajé.

Pega a pemba, rica o ponto, firma o ponto e não bambeia

Flecha de Fogo está chegando na aldeia.

Na aldeia de meu pai Cobra Coral eu só trabalho pra me defender.

Eu entrego meu corpo a Deus, essa batalha tenho que vencer.


Mas eu chamei caboclo foi pra trabalhar.

Aqui não tem areia, areia só fica no mar.

Se meu pai é Oxossi quero ver balancear

Arreia, Arreia Capangueiro da Jurema, ô Juremá

Tava na mata eu tava trabalhando

Senhor Oxossi passou me chamando

Eu vou, eu vou onde ele mora

Mora nas matas de Nossa Senhora

Ele atirou, ele atirou e ninguém viu

Seu Sete Flecha é quem sabe, onde a flecha caiu

Caboclo afirma seu ponto na pontinha do cipó

Deu meia noite na lua, deu meio dia no sol

Dentro da mata virgem uma linda cabocla eu vi

Com seu saiote feito de pena era Jurema, filha de Tupi

Jurema, Jurema, Jurema linda cabocla filha de Tupi

Ela vem lá do Juremá, vem firmar seu ponto neste congá

Ô cadê, Vira Mundo pemba?

Ta na pedreira pemba, com seu tambor e pemba

Galinha preta na encruzilhada, galo preto de madrugada


Azeite de dendê, farofa amarela depositei numa panela

Estava na mata, estava na mata, estava bem escondidinho

Estava na mata, estava na mata, caçando meu passarinho

É sangue, é sangue, sangue Carirí.

Quem tem sangue de caboclo tá na hora de cair.

Ô Juremê, ô Juremá sua flecha caiu serena ô Jurema dentro desse conga

Salve São Jorge Guerreiro, salve São Sebastião

Salve a cabocla Jurema com a sua proteção

Um grito na mata ecoou, foi Seu Pena Branca quem chegou

Com sua flecha e seu cocar Seu Pena Branca vem nos ajudar

Olha o meu passarinho azulão

Quando voa não pousa no chão

Mas que lindo caboclo de pena

Com peito de ema e bodoque na mão

Quem pode me levar não me leva

Quem não pode quer me levar

Mas que lindo caboclo de pena

Com peito de ema e bodoque na mão

Pai Marinho nasceu na Umbanda


Mamãe Oxum acabou de criar

Pai Marinho é o rei da Umbanda

Ele é filho da filha da cobra coral.

Quando ele vem lá do oriente,

Vem em nome de Oxalá.

Sua missão é muito grande:

Espalhar a caridade dentro desse jacutá.

Vamos saravá Ogum, vamos saravá Oxalá.

Saravá o Pai Marinho, ele é nosso rei, O dono desse jacutá.

Bota fogo no mato chama, chama que ele vem

Ele vem chegando, vem de vagarinho

Afirmar seu ponto vem fazer seu ninho.

Caboclo roxo da pele morena

Ele é Oxossi caçador lá da Jurema

Ele jurou e tornou a jurar

Pelos conselhos que a Jurema vai lhe dar

Jurema preta princesa rainha

É dona da cidade lá no Juremá

Dona do sol e da lua, rinha da terra e do mar.

É dona da cidade lá no Juremá.


Pisa caboclo quero ver você pisar

Pisa lá que eu piso cá, quero ver você pisar

Pisa caboclo quero ver você pisar

Na batida do meu samba quero ver você sambar.

Ê Ogum iê, tatá cumá dendê

Ogum iê.

Quem manda a gira girar,

Ô manda a gira girar.

Se ele é filho da Jurema e neto de Iorucá

Ele entra na linha e manda a gira girar.

Arreia folha por folha, tatá mirô.

Arreia maracanã, tatá mirô.

Se ele é filho da Jurema, tatá mirô

Nascido no Juremá, tatá mirô.

Caboclo não tem caminho para caminhar

Caminha por cima da folha, por baixo da folha

Em todo lugar. Okê caboclo.

Estava na beira do rio sem poder atravessar

Chamei pelo caboclo, Caboclo Tupinambá.

Tupinambá, chamei. Chamei, tornei chamar ê ah.

Vestimenta de caboclo é samambaia

É samambaia, é samambaia
Saia caboclo não me atrapalha

Saia do meio da samambaia

Oxossi iê, Oxossi ah,

Oxossi iê malembolê, malembolá.

Tem pena dele, oh Zambi tenha dó

Ele é filho de Zambi, oh Zambi tenha dó.

Flecha de fogo e Oxossi curiou, com sua flecha ele atirou

Com seu bodoque de guerreiro

Ele trouxe paz, trouxe esperança nesse terreiro de Umbanda

Com sua flecha e sua lança

Com seu bodoque de guerreiro, Ele é chefe de terreiro.

E na Umbanda ele é o maior.

Nas matas já piou a sucuri. Já cantou a juriti.

A Umbanda é a verdade.

Lê lelê, lelê lelê lelê lelê leá

Lê lelê Caboclo Sete-Flechas no congá

Saravá seu Sete-Flechas ele é o rei das matas

A sua bodoque atira, ô caboclo, a sua flecha mata

Eu vi o sol, eu via lua.

Eu vi a lua e quis brincar com ela

Eu vi o sol, eu vi a lua.
Senhor Oxossi mora dentro dela.

Seu caçador na beira do caminho, não me mate essa coral na estrada

Se ele abandonou sua choupana, caçador

Foi no romper da madrugada..

Se a coral é sua cinta, a jibóia é sua laça

Kizoa, kizoa, kizoa eu, caboclo mora nas matas

Caboclo flecheiro tu és a nação do Brasil

Tu és a nação brasileira, caboclo

As cores da nossa bandeira

Caboclo pega a sua flecha, pega o seu bodoque

O galo já cantou

O galo já cantou na Aruanda

Oxalá te chama para sua banda

A despedida de caboclo faz chorar

Faz chorar, faz soluçar. Faz chorar.

A sua aldeia é longe, eles vão embora.

E vão beirando o rio azul.

Adeus umbanda os caboclos vão embora.


E vão beirando o rio azul.

22. MOÇAMBIQUEIROS

Linha pouco desenvolvida na maioria dos terreiros de Umbanda, formada por


espíritos de índios brasileiros o povo Moçambiqueiro tem um jeito único e
hipnotizante de dançar e vibram, assim como os caboclos, na força de Oxossi.

Ponto cantado de moçambiqueiro

Moçambiqueiro não bebe pinga, Moçambiqueiro não bebe água.

Moçambiqueiro não bebe vinho, bebe o sereno da madrugada

É de Moçambique, é de Moçambique, é de Moçambique, é de Moçambique!

23. XANGÔ

O Orixá da justiça divina, do equilíbrio entre o que devemos e o que


podemos cobrar. Recorre-se a ele quando se sente que a vida está em dívida
consigo, então Xangô providencia de forma implacável o equilíbrio, o que lhe é
justo e certo. Xangô se apresenta no terreiro de duas formas: Xangô velho e
Xangô novo. Ambos sempre empunhando sua machadinha de pedra, pois a
pedreira é o seu ponto de força.

 Saudação: Caô Cabecilê

 Cor: Marrom

 Sincretismo: São Jerônimo, São João Batista

 Dia da semana: quarta-feira

 Principal erva: Erva de São João.

 Oferenda: Prato de barro ou madeira com quiabos, fruta do conde e


mel. Acompanhados de cerveja preta, flores amarelas e velas marrons.
Pontos cantados de Xangô

O leão roncou nas matas

A pedreira estremeceu

Xangô, meu Pai Xangô

Vem olhar os filhos seus

Xangô é rei, é rei nagô.

Bate palmas pra coroa de Xangô

Ele vem de Aruanda, ele vem trabalhar

Ele vence demanda ele é seu airá.

Caô, cão a justiça chegou, Xangô.

Ô lírio olha a sua planta, ô lírio olha o seu conga

Onde o rouxinol cantava, onde Xangô morava

Xangô, Xamgô vai buscar quem mora longe

Busca Oxossi nas matas, Ogum no Humaitá

Mamãe Oxum nas cacgoeiras

Ô Iansã, Ô iemanjá!

Dizem que Xangô mora na pedreira


Mas essa não é sua morada verdadeira

Xangô mora na Cidade de Luz

Onde mora Santa Bárbara, Virgem Maria e Jesus

Caô, caô chegou meu pai Xangô

Tanta pedra no caminho já rolou

Tanta pedra no caminho já quebrou

Sua justiça é soberana ninguém pode duvidar

Xangô é rei, veio para ficar

Sua justiça é soberana ninguém pode duvidar

Xangô é rei em nosso conga.

Em cima daquela pedreira tem um livro que é de Xangô

Caô, caô, caô cabecilê.

Ele é filho da cobra coral, ele é filho da cobra coral

Ele é filho da cobra coral, caô!

Singanga ê, ê luango

Singangaê ô, ê luango

Aruê gangaô no boiamin gangaê

Aruê gangaô no boiamin gangá

Xangô é tabiararaê

Xangô é tabiararaê ô
Quem rola as pedras nas pedreiras é xangô

Vibrou na coroa de Zambi, vibrou na coroa de Zambi

Vibrou na coroa de zambi é Xangô

Vibrou na coroa de Zambi, vibrou na coroa de Zambi

Vibrou na coroa de Zambi é maior

Vibrou na coroa de Zambi, vibrou. Vamos saravá meu pai Xangô

Quem é que vem de Aruanda? Que é que vence demanda?

Quem é o dono das pedras? É Xangô.

Pedra rolou Pai Xangô, lá nas pedreiras

Afirma o ponto meu Pai nas cachoeiras

Tenho meu corpo fechado, Xangô é meu protetor

Afirma o ponto meu pai, pai de cabeça chegou

Xangô morreu foi com a idade, ele morreu sentado numa pedra

Ele escreveu na justiça

Quem deve paga, quem merece recebe

Xangô Agodô

Quando baixa nesse terreiro irradia muita alegria, muita paz e grande amor.

É um orixá respeitado, orgulho de quem o recebe.

Caridade aos necessitados, sai de mancinho e ninguém percebe.

Xangô Agodô
Quando baixa nesse terreiro irradia muita alegria, muita paz e grande amor.

Ele vem vindo, olha ele lá! Vem bem contente e até sorrindo.

Ele vem trazendo, ele vem trazendo as bênçãos de Oxalá.

Xangô meu pai na umbanda

Vem de Aruanda ele é meu Orixá

No alto de uma pedreira Ele faz justiça, pra seus filhos ajudar

Xangô, na sua aldeia não há maldades

Só o amor pode reinar

Tu me ensinastes a fazer a caridade

E pela terra a Umbanda exaltar

Meu pai com sua machada

Ele não ataca é só pra me guardar

E no seu livro ele escreva o meu destino

Meu pai Xangô ilumina meus caminhos

Ele é Xangô, Caô caô

Vencedor de demanda ele é meu protetor

Lé lé lé ô caô

Lé lé lé quimbandolé

Lé lé lé ô caô!

Xangô caô deixe essa pedreira aí

Umbanda está lhe chamando, deixe essa pedreira aí


Sentado na pedreira de Xangô eu fiz um juramento até o fim

Se um dia me faltar a fé no meu senhor que role essa pedreira sobre mim

Meu pai Xangô está no reino, meu pai xangô é Orixá

Olha seus filhos que pedem, meu pai. Justiça e paz nesse congá.

Por de trás daquela serra tem uma linda cachoeira

É do meu pai Xangô que arrebentou sete pedreiras

Meu pai Xangô já berimbou na aldeia

Xangô já berimbou na aldeia

Já berimbou, já berimbou na aldeia

Xangô já berimbou na aldeia.

Xangô já vai, já vai pra Aruanda

A bênção meu pai, proteção pra nossa banda.

24. NANÃ BURUQUÊ

Senhora das almas, tida como a Orixá mais velha Nanã é carinhosamente
apelidade de “Avó da Umbanda”. Enquanto Omolú reina na passagem dos
encarnados para o plano imortal, Nanã Buruquê embala as almas com carinho
para que elas encarnem no plano terreno. Quando ela chega no terreiro é
importante saudá-la com fé e respeito assim como respeitamos os sábios mais
velhos. Nanã vibra no lodo, na lama do fundo dos rios, no barro que Deus usou
para moldar o homem.

 Saudação: Saluba Nanã

 Cor: Lilás ou roxo

 Sincretismo: Santa Ana (Sant’Ana)

 Dia da semana: sábado

 Principal erva: pétalas de flores roxas.

 Oferenda: Prato de barro com folhas e frutas roxas como repolho roxo,
uvas, ameixas etc. acompanhado de velas lilases, água, vinho ou
champanhe.

Pontos cantados de Nanã Buruquê

Auê Nanã, Nanã, Nanã nauê

Auê Nanã, Nanã de Buruquê

Saluba minha velha, saluba nanauê

Saluba minha velha, auê Nanã de Buruquê

Saluba eu, saluba eu Nanã, saluba eu Nanã

Ô Nanã Buruquê

E nas ondas do mar eu vi Nanã

É Nanã Buruquê

Nanã é uma velha bem bela que mora no fundo do mar

Saluba Nanã, saluba Nanã, saluba nana que mora no fundo do mar
Atraca atraca que aí vem Nanã ê ah.

É nana, é Oxum que vem sarava ê ah.

É Nanã, é Oxum e a sereia do mar ê ah.

São flores Nanã são flores

São flores Nanã Buruquê

São flores Nanã são flores

São do seu filho Obaluaê

A sineta do céu bateu, Oxalá já diz que é hora.

É hora, é hora. Nanã Buruquê que já vai embora.

25. OGUM

Orixá guerreiro e vencedor de demandas. Ogum é o senhor dos caminhos e o


comandante maior da linha de Exú. Quando as forças negativas tentam
interferir nos trabalhos, é a ele que recorrem primeiro. No terreiro vêm com a
forma de nobres cavaleiros. Há diversas variações deste Orixá: Megê, Beira-
Mar, rompe-Mato, Arranca-toco, Dilê, Naruê, etc.
 Saudação: Ogum iê, Patacorí Senhor Ogum

 Cor: Vermelho

 Sincretismo: São Jorge

 Dia da semana: terça-feira

 Principal erva: Espada de São Jorge.

 Oferenda: Prato de barro com inhames espetados com palitos ou


espinhos de coqueiro múltiplos de sete, acompanhados de cerveja,
espadas de São Jorge e velas vermelhas.

Pontos cantados de Ogum

Ogum dilê lê lê

Ogum de lá lá lá

Ogum Dilê lê lê

Sereia do mar é maré.

Ogum Dilê pelo mundo andei

Ogum Dilê pelo mundo andar

Mas olha eu senhor Ogum

Pelo mundo andei, pelo mundo andar.

Por amor à pemba, por amor à pemba

Viva terreiro de meu pai Ogum

Ogum já venceu, já venceu, já venceu.

Ogum vem de Aruanda e quem lhe manda é Deus


E olha a ronda e olha a ronda

E rolha a onda Ogum general de Umbanda

Segura essa banda meu pai que já começou a rodar

Bota o inimigo pra fora, segura o terreiro, segura o conga.

A água com a areia não pode se demandar

A água vai embora, a areia fica no lugar

Seu Beira-mar escreveu seu nome na areia, escreveu seu nome na areia

Para a água não levar.

Ogum iê Ogum ia. Eu peço licença pra saravá

Se meu pai é Ogum das bandas de lá. Eu peço licença pra saravá

Filho de pemba bebe água no rochedo

Filho de Ogum corre canto e não tem medo

Vou pedir ao criador que derrame seu amor

Aos nossos guias e ao nosso Babalaô.

Ogum em seu cavalo branco. Ele vem, ele vem chegando

No terreiro de Umbanda ele é Ogum, Ogum que vence demanda

Cavaleiro bateu na minha porta

Passei a mão na pemba e fui ver quem é.

Era são Jorge guerreiro, minha gente

Cavaleiro da força e da fé.


Eu tenho sete espadas pra me defender

Eu tenho Ogum em minha companhia.

Ogum é meu pai, Ogm é meu guia

Ogum vai baixar na fé de Deus e da Virgem Maria

Auê auê Ogum Beira-Mar auê

Iansã virou o tempo para Ogum não governar

Mas durante o barra vento Ogum se pôs a cantar.

Pisa na linha de Umbanda que eu quero ver Ogum sete Ondas

Pisa na linha de Umbanda que eu quero ver Ogum Beira-Mar

Pisa na linha de Umbanda que eu quero ver Ogum Ogum Iara, Ogum Megê

Olha as ondas do mar.

Senhor Ogum de ronda que bela coroa

Pelo amor de Deus Senhor Ogum não me deixe a toa.

Quem está de ronda é São Jorge, deixa São Jorge rondar

São Jorge é guerreiro que manda na terra, que manda no mar.

Saravá meu pai, saravá meu pai.

Girar é bom, girar é bom, girar é bom, é bom girar.

Salve Ogum Megê, Ogum rompe Mato e Ogum beira-Mar.

Ele trabalha na areia, meu pai, ele trabalha no mar.


Ele trabalha na terra, meu pai. É o Ogum Beira-Mar.

Ogum em seu cavalo corre e a sua espada reluz

Ogum, Ogum Megê

Sua bandeira cobre os filhos de Jesus, Ogum iê

Se meu pai é Ogum vencedor de demanda

Ele vem de aruanda pra salvar filhos de umbanda

Ogum, Ogum. Ogum Iara

Salve os campos de batalha salve a sereia domar

Ogum, Ogum, Iara. Se ele é Ogum, Ogum Iara

Ogum não devia beber, Ogum não devia fumar

Mas a fumaça é a nuvem que passa e a cerveja é a onda do mar

Beira Mar, auê, Beira Mar

Ogum já jurou bandeira na ponta do Humaitá

Ogum já venceu demanda, vamos todos sarava

Ogum é tata doiô, Ogum é meu orixá

É sentinela de Oxum, é remador de Iemanjá

É general de Olorum, ele é Ogum Beira Mar

Oxossi assobiou pra passar no Humaitá

Foi pra falar com Ogum Megê, Mensageiro de Oxalá


Eles trabalham na areia meu pai, eles trabalham no mar

Salve Ogum Megê, Ogum Rompe Mato e Ogum Beira Mar

Ogum Megê, não me deixe sofrer tanto assim, meu Pai

Quando eu morrer, vou passar na aruanda

Pra ver Ogum, sarava filho de Umbanda

A primeira espada quem ganhou, Foi Ele

Mas ele éOgum, Ogum Megê

Vem de Aruanda pra seus filhos proteger

Seur Ogum Beira Mar o que trouxe do mar?

Quando ele vem, vem beirando areia

Vem trazendo no braço direito o rosário de mamãe sereia

Seu cavalo corre, sua espada reluz

Sua bandeira cobre todos os filhos de Jesus

Seu cavalo corre, sua espada reluz

Auê seu Ogum Iara aos pés da Santa Cruz

Mandei arrear meu cavalo

Pai Ogum já vai viajar.

Adeus Guerreiro de Umbanda

Ele vai e torna a voltar.


Selei, selei o seu cavalo eu selei

Meu pai Ogum já vai embora, seu cavalo eu selei.

26. OBALUAÊ, OMOLÚ

O Senhor das Almas, Orixá que reina na passagem do espírito do plano


encarnado para o desencarnado, por isso seu ponto de firmeza é no cemitério
(Kalunga Pequena). Obaluaê (Abaluaê, Omolú) é um orixá sério e deve ser
tratado com muito cuidado e respeito. Em muitas casa se deitam aos seus pés
em reverência.

 Saudação: Atotô

 Cor: cor da palha, branco e preto, nas velas pode acender na cor laranja
ou amarela.

 Sincretismo: São Lázaro

 Dia da semana: segunda-feira

 Principal erva: Palha da Costa, palha de milho.

 Oferenda: Prato de barro com pipoca frita no azeite de dendê e sem sal.
Acender velas nas cores do Orixá, servir água ao redor também.

Pontos cantados de Omolú

Seu Abaluaê Sete Montanhas

Peço malembe para o meu caburetê

Peço saúde, peço paz e proteção

Peço malembe para dar aos meus irmãos.

Peço saúde peço paz e proteção

Peço malembe para o meu caburetê


Peço saúde pra ajudar aos meus irmãos.

Quem disse que meu pai é velho?

É velho mas é coroa

No reino de Obaluaê tem lindos campos de flores.

Casinha branca, casinha branca que eu mandei fazer

Para oferecer ao meu pai Omolú, seu Atotô Obaluaê

Ô salve mamãe Oxum, salve Nanã Buruquê

Seu Atotô Obaluaê!

Ô seu Omolú ele é Orixá

O seu tesouro é osso. Ô cangerê, ô cangerá.

Meu pai Oxalá é o rei venha me valer

É o velho Omolú, atotô Obaluaê

Attô Obaluabê, atotô Babá.

Atotô Obaluaê, Omolú é Orixá.

Se ver um velho no caminho pede a bênção

Benção de Deus, benção de Deus

Benção de Deus abaluaê benção de Deus.

Andei andei, meu pai, pra perceber

Que a minha cina meu pai é padecer

Ô abre a porta, meu pai, pra receber


O seu Omolú, meu pai, Abaluaê.

Na pedra fria, no pé do morro eu sei que mora um velho lá

Ele é curador, ele é rezador, ele é Xapanã, ele vai me curar.

Seu Omolú ê, seu Omolú ê, seu Omolú ê

Omolú é Orixá.

Saravá seu Omolú. Omolú ê

Saravá seu Omolú, Omolú é Orixá.

Era um velho muito velho que morava numa casa de palha

Na beira da casa ele tinha

Velame miquiçangue, miquiçangue velame

No seu alanguê.

Seu Omolú que belo belo

Omolú que belo faz.

Ele é um grande Orixá, ele é o chefe da Kalunga

Ele é o seu atotô, Abaluaê.

O velho Omolú vem chegando de vagar

Apoiado em seu cajado ele vem nos ajudar.

Omolú é dono da terra

Atotô Abaluaê!
Seu Omolú vai embora pra cidade da Jurema

Oxalá está lhe chamando na cidade da jurema

Ele vai ser coroado na cidade da Jurema

E na coroa de Inhaé

27. OXUM

Orixá da beleza, doçura e vaidade. Oxum vibra nos rios e na água doce e
no terreiro traz consigo o balanço das águas correntes. Seus filhos em geral
são sensíveis, carismáticos e apegados à própria imagem.

 Saudação: Ora iê iê ô, Daiê iê ô

 Cor: Azul marinho, Azul Royal. Em algumas casas o amarelo e o


dourado.

 Sincretismo: Nossa Senhora Aparecida

 Dia da semana: Sábado

 Principal erva: folhas de lírio.

 Oferenda: Prato de barro com cereja, maçã, pêra, melancia, goiaba,


figos enfeitado com fitas nas cores do Orixá. Acompanham velas azuis,
e champanhe de maçã.

Pontos cantados de Oxum

Eu vi mamãe Oxum nas cachoeiras

Sentada na beira de um rio

Colhendo lírio, lírio ê. Colhendo lírio, lírio ah.


Colhendo lírio pra enfeitar nosso congá.

Saravá mamãe Oxum, Iansã, Iemanjá

Ogum venceu demanda na fé de Oxalá.

Foi na beira do rio onde Oxum chorou

Oraiê iê ô, choram os filhos seus.

Cida e o barquinho de Cida, Cida navega no mar

Cida é Mamãe Oxum eô eô. Cida navega no mar.

Daiê iê ô, daiê iê ô Mamãe Oxum

Daiê iê Mamãe Oxum, Daiê iê Oxumaré.

Ela é uma flor no jardim do senhor

Ela é uma rosa, uma rosa em botão

Ela é moça bonita, ela é moça bonita do meu coração.

Oh flor de maio, flor de maio

Se a minha mãe Oxum é linda, flor de maio

Oraiê iê oh flor de maio.

Mamãe Oxum tem proteção de Zambi

Olhai seus filhos com olhar sereno

Ela é grandeza, ela é pureza

Mamãe Oxum traz os seus filhos pra clareza.


Clareia, clareia, clareia Mamãe Oxum clareia

Clareia as cachoeiras, ilumina o terreiro

Seu filhos estão saudando Oraiê iê ô!

Oraiê iê ô, oraiê iê ô

De um lado só veste pena, do outro lado só brilha ouro

Oraiê iê ô, ê Mamãe Oxum me mostra o seu tesouro.

Eu vi mamãe Oxum chorando, foi uma lágrima que eu fui aparar

Oraiê iê ô minha mãe Oxum, deixa nossa banda melhorar

Rainha minha senhora, rainha da cachoeira

Abençoe este terreiro, vai louvar a vida inteira

Aiê iê ô minha mãe de Aruanda

Aiê iê ô Mamãe Oxum Segura a Banda

O colar da Oxum é da cor do ouro

O colar da Oxum é de ouro só

É de ouro só, é de ouro só.

Quando o atabaque soa filhos de Umbanda chora.

Adeus, adeus, adeus conga


Mamãe Oxum já vai embora.

28. IEMANJÁ

A mãe de todas as mães. Assim é conhecida Iemanjá, senhora bela e


guardiã do amor em seu sentido mais terno. Orixá que reina no mar e protege
os pescadores. No terreiro vem cantando o seu canto que é quase um choro e
é natural filhas de Iemanjá chorarem nesse momento também. Em reverência
jogamos água ou alfazema em suas mãos.

 Saudação: Odociá, Odociaba, Odô fiaba, Odô yá

 Cor: azul claro


 Sincretismo: Nossa Senhora dos navegantes
 Dia da semana: Sábado
 Principal erva: Lavanda, alfazema, aloe-vera
 Oferenda: Prato de barro ou travessa com manjar branco, rosas
brancas, fitas azuis acompanhada de velas da cor do orixá, água ou
champanhe incolor.

Pontos cantados de Iemanjá


Iê Iemanjá,

Rainha das ondas, sereia do mar

Mas como é lindo o canto de Iemanjá faz até os pescador horar.

Quem escuta a Mãe D’água cantar

Vai com ela pro fundo do mar.

Eu vi uma moça na beira d’água. Solte o cabelo Janaína e cai na água

Ela é uma moça, é Janaína. Quem não conhece a princesa Janaína?

Eu sou filho de Iabá, Iabá é minha mãe

Ô rainha do tesouro e Odociaba no fundo do mar

Odociaba no fundo do mar, odociaba no fundo do mar.

Tem areia ô tem areia

Tem areia no fundo do mar tem areia

No fundo do mar tem uma pedra

E em cima da pedra, outra pedra

Em cima da pedra tem sereia

E no fundo do mar tem areia

Navio negreiro no fundo do mar

Correntes pesadas na areia a arrastar

A negra escrava se pôs a cantar

Saravá minha mãe Iemanjá


Virou a caçamba de fundo pro mar

E quem nos salvou foi mãe Iemanjá

Saravá minha mã Iemanjá.

Saia do mar linda sereia. Saia do mar venha brincar na areia

Saia do mar sereia bela. Saia do mar venha brincar com ela

Janaina é flor, é flor do mar

Janaina é a moça dos orixás

Quem duvida vem ver a Janaina trabalhar

Mas quando a maré baixar vou ver Janaina ê

Vou ver Janaina ê, vou ver Janaina á

Iemanjá odociaba. Iemanjá hoje é seu dia de beleza. Salve a sereia do mar.

Lá vou eu pra beira do mar levar flores pra mãe Iemanjá

É a minha oferenda à Rainha Suprema do Mar

Venha comigo irmão, vamos pra beira do mar

É oito de Dezembro vamos todos saravá.

Hoje é dia de Nossa Senhora, de nossa Mãe Iemanjá

Calunga ê, ê, ê, ê, ê. Calunga a, a, a, a, a,

Viva as estrelas no céu viva os peixinhos no mar

Calunga ê, ê, ê, ê, ê. Calunga a, a, a, a, a.

Olhei pro céu e vi estrela correr

Lã nas pedreiras eu vi pedra rolar


Os caboclinhos sentados na areia

E a mãe sereia começou a cantar no mar

E no seu canto ela sempre dizia

Que só queria ter asas pra voar

Subir no céu e ver a estrela guia

Descer na umbanda e ver seus filhos trabalhar

Minha baleia bonita me leva pro fundo do mar

Minha hora está chegando e eu não consigo nadar

29. IANSÃ

Orixá dos ventos e tempestades, Iansã é senhora dos raios, guerreira e


controladoras dos eguns. No terreiro Iansã pode se apresentar de várias
formas e cada terreiro possui uma que é mais comum, como a de balé e a
guerreira.

 Saudação: Eparrei

 Cor: Amarelo
 Sincretismo: Santa Bárbara
 Dia da semana: quarta-feira
 Principal erva: Erva de Santa Bárbara, espada de Iansã
 Oferenda: Prato de barro com acarajé completo, mangas, abacaxis,
velas vermelhas e licor de menta e flores amarelas.
Pontos cantados de Iansã

Iansã tem um leque de penas para abanar dia de calor

Iansã mora nas pedreiras eu quero ver meu pai Xangô

Eram duas ventarolas, eram duas ventarolas

Venta aqui, venta no mar

Uma era Iansã: Eparrei!

A outra era Iemanjá: Odociá

Vem Iansã, Iansã

Segura seu erê Iansã

Iansã, Iansã segura seu erê!!

No amanhecer é que essa estrela brilha


No amanhecer é que ela se ilumina
Iansã, senhora do amanhecer
Sua espada brilha pra nos proteger
É Oiá, Iansã que nos conduz
É Oiá, Iansã com sua luz

É Santa guerreira, ela é


Se preciso for
Para acabar com a guerra
E espantar a dor
É Oiá, Iansã que nos conduz
É Oiá, Iansã com sua luz

Ao rodopiar faz o vento


E a chuva cai
Pra lavar a terra
Semear a paz
É Oiá, Iansã que nos conduz
É Oiá, Iansã com sua luz
Iansã ela é dona do mundo

Dona do fogo, da faísca e do trovão.

Eparrei Iansã de Aruanda

Santa Bárbara com a espada na mão

Moça bonita sua espada é gloriosa

Sua coroa é cravejada de brilhantes

Seu aruê, seu aruá

É Santa Bárbara rainha do céu e do mar

Balé de Iansã, ô Iansã olha quem é.

Mas olha o tempo virou tempo, Iansã olha quem é.

Santa Bárbara ela é guerreira

Santa Bárbara é que vem guerrear

Ô guerreira da terra, guerreira do mar

É Santa Bárbara que vem guerrear

Iansã Orixá de Umbanda rainha do nosso congá

Saravá Iansã lá na Aruanda, eparrei. Eparrei Iansã venceu demanda

Iansã saravá pai Xangô. No céu uma estrela brilhou

E lá nas matas o leão cantou. Saravá Iansã, saravá Xangô.

Eu saí a procurar
Um fundamento, ninguém vem a saber

Ô abre a porta venha receber

A Iansã, Santa Barbara de Nagô

Iansã já vai, já vai pra Aruanda

A benção minha mãe, proteção pra nossa banda.

30. PRETOS VELHOS

Uma das linhas mais sagradas e das mais antigas trabalhadas na


Umbanda (veja Breve História da Umbanda, no início do livro). De maneira
geral são espíritos de velhos escravos, mas isso não é uma regra. A principal
característica dos Pretos Velhos é a doçura, suavidade e simplicidade em seu
ser. São ótimos conselheiros e curadores. Fazem parte da linha das almas
(Orumilá) assim como Omolú, Nanã e parte dos Exús.

 Saudação: Adorei as Almas

 Cor: Preto e branco

 Dia da semana: sexta-feira


 Principal erva: Arruda e guiné.

 Oferenda: Prato de barro feijão preto cozido, a arroz e farofa,


acompanhado de café ou vinho e velas na cor do Orixá.

Pontos cantados de Preto-velho

Quem manda na terra é almas. Quem manda nas almas é Deus

Quem manda na linha das almas no céu algum dia bem diz

Preto-velho quando vem, ele vem beirando a luz

Pedindo a proteção para os filhos de Jesus

Eu andava perambulando sem ter nada pra comer

Eu pedi às santas almas para vir me proteger

Foi as almas que me ajudou. Viva Deus, Nossa Senhora, meu Divino salvador.

As almas dá, as almas dá. As almas dá pra quem sabe aproveitar, as almas dá.

Os filhos pedem pras almas. As almas pedem pro santo

O santo pede pra deus abençoar filhos teus.

Que cheirinho bom, que cheirinho de café

É que a Vó Benta está coando na cozinha da senzala para o Pai José

A benção meus filhos Vó Benta, a benção meu Pai José

É que a Vó Benta está coando na cozinha da senzala para o Pai José

Aruê meu cativeiro, olha meu cativeiro meu cativerá


Preto-velho estava cansado, entra na senzala e batia o tambor

Preto-velho dá via Yayá, dava viva sinhá, dava viva sinhô

É o vento que balança a folha guiné. É o vento que balança a folha.

É, é é Pai Guiné. É o vento que balança a folha

Senzala em festa, Umbanda em alegria

Oxalá pai da verdade chegou o nosso dia

Clareou, clareou. Clareou e tornou clarear

Quando a lua clareia o terreiro, preto-velho é que vem trabalhar.

Quem vem chegando é Vô Bento de Angola

Os seus cabelos brancos e encaracolados

Tem a brancura da pureza e da harmonia

Abençoados pelo filho de Maria

Preto na senzala bateu sua caixa. Deu viva Iaia!

Preto na senzala bateu sua caixa. Deu viva Ioio!

Viva Iaia, Viva Ioio!

Viva Nossa Senhora, cativeiro já acabou!

Preto velho trabalha São Cipriano e Jacó

Trabalha qua chuva e o vento

Trabalha com a lua e o sol


Sol, sol, sol sozinho sol.

Oi quindinha, quindinha, quindinha Mussungo mora lá no mar

Mora lá no mar oi Mussungo, joga Mussungo no mar.

Sua casa é muito longe Mussungo, ninguém pode ir lá

Ninguém pode ir lá ô Mussungo. Joga Mussungo no mar.

Dentro de um canavial, um negro se libertou

E lá não tinha pra ele nem chibata nem feitor

Pai José de Aruanda é um grande lutador

Hoje baixa no terreiro, trazendo paz e o amor

Sua sabedoria, seus ensinamentos

Vão de canto a canto aliviando o sofrimento

Vem na força da reza, vem na força das ervas

Vem tirando todo o mal, a mandinga ele quebra

Foi Xangô quem lhe trouxe, Aambi coroou

Agradeço dia a dia, viva a Deus nosso senhor

Cateretê de preto velho

Ah como sai fumaça

Preto velho tá cansado de tanto trabalhar

Preto velho tá cansado de tanto corimbar


Congo, Rei Congo trazei os pretos velhos

Vamos saravá na linha de congo

Adorei as almas e as almas me atenderam

É as santas almas lá do cruzeiro

Quem é aquele velhinho que vem no caminho cantando de vagar?

Com seu cachimbo na boca pitando fumaça, soltando pro ar.

Mas ele é do cativeiro

Ele é Pai Benedito

Ele é mirongueiro

Foi lá no cruzeiro das almas onde as almas vão rezar

As almas choram de alegria quando seus filhos combinam

Também choram de tristeza quando não quer combinar

A fumaça do cachimbo da vovó sobe pro alto só não vê quem não quer

Sobe pro alto só não vê quem não quer, sobe pro alto só não vê quem não
quer.

Pai Joaquim cadê Pai Mané? Foi na mata apanhar guiné

Dia a ele que quando vier que suba as escadas na ponta do pé

Meu cachimbo está no toco, mandei moleque buscar

No alto da derrubada meu cachimbo ficou lá

As almas acenderam o candeeiro


Ê ê lá no fundo do mar.

Vovó não quer casca de coco no terreiro

Que é pra não lembrar os tempos de cativeiro

Pisa na linha de congo meu filho, filho meu.

Pisa na linha de congo devagar, filho meu.

Pisa na linha de congo destemido filho meu!

Pai congo trabalha na Angola para te ajudar,

Olha o congo a girar!

Preto velho que nasceu no cativeiro

Quando baixa no terreiro de cachimbo e pé no chão

Pega a pemba, risca o ponto e faz mironga

Saravá Maria Conga, saravá meu Pai João.

Ele vem beirando o rio, ele vem beirando o mar

Sarava Santo Antônio da Calunga, Benedito e Beira Mar

Lá vem vovó descendo a serra com sua sacola

Com seu patuá, seu rosário, ela vem de angola

Eu quero ver Vovó, eu quero ver.

Eu quero ver se filho de Umbanda tem querer

Senzala em festa, Umbanda em alegria

Oxalá Pai da verdade chegou o nosso dia


No dia mais bonito da história uma princesa anunciou

Que os pretos velhos e seus filhos da escravidão se libertou

Ao pretos velhos presos na senzala tão feliz se pos a cantar

E agradecer a todos os Santos e também a nosso Pai Oxalá

Na macumba lelê lelelê lelê ô. Na Macumba lelê na batida do tambor.

Cambinda Mamãe, ê. Cambinda Mamãe, ah.

Segura Cambinda que eu quero ver

Filho de Umbanda não tem querer

Vovó tem sete saias, na última saia tem mironga

Vovó veio de Angola pra salvar filho de Umbanda

Com seu patuá e a figa de guiné

Vovó veio de Angola pra salvar filho de fé

Arriou na linha de congo. É de congo, é de congo aruê

Arriou na linha de congo agora que eu quero ver

Salve o congo, salve o recongo

Salve o povo de Inhansã. Salve São Jorge Guerreiro, Salve São Sebastião.

Pombinho de Zambi, pombinho de Obatalá

Vai meu pombo branco pra senzala de Aruanda

Busca os pretos velhos para trabalhar


Lá vão os pretos velhos subindo pro céu

E Nossa Senhora cobrindo com seu véu

Vovó Benta vai embora

Sacode a poeira da sua saia (todos sacodem as vestes)

Os pretos velhos vão embora pra cidade da Jurema

Oxalá tá lhe chamando na cidade da Jurema

E eles vão ser coroados na cidade da Jurema

E na coroa de Inhaé

31. ERÊ, IBEJI

Os espíritos das crianças também tem vez na Umbanda. Assim como


Jesus ordenou que fossem a Ele as crianças, pois elas possuem a inocência e
serenidade ideais para a evolução do espírito rumo à pureza, a Umbanda tem
as portas abertas aos Erês. No terreiro eles vem fazendo festa, sorrindo e
brincando com todos, mas sem deixar de lado o compromisso com a verdade.
São excelentes para trabalhos de purificação e elevação das energias dos
ambientes e também para a fertilidade.

 Saudação: Ibeji Ibejá

 Cor: Azul claro e rosa claro


 Sincretismo: São Cosme e São Damião
 Dia da semana: Domingo
 Principal erva: Erva cidreira, camomila, erva doce
 Oferenda: Prato de barro ou travessa com doces variados, refrigerante,
suco de frutas, velas na cor do Orixá.
Pontos cantados de Ibeji

Cosme e Damião dois santos de caridade

Vai ter festa no terreiro, testemunha da verdade

Cosme e Damião a sua casa cheira

Cheira Cravo, cheira rosa

Cheira flor de laranjeira

Eu vi dois, dois na beira do mar

Dois, dois Mamãe Iemanjá

São Cosme e São Damião venha nos ajudar

Ajuda todas crianças em primeiro lugar

Ajuda eu São Cosme, ajuda eu!

O meu anel de pedra branca que eu perdi no mar azul

Quem achou foi Doum

Cosme e Damião,

Damião, cadê Don Um?

Don um foi passear no cavalo de Ogum

Eu quero doce, eu quero bala

Eu quero açúcar pra passar na sua cara


Fui no jardim colher as rosas,

A vovozinha deu-me a rosa mais formosas,

Cosme Damião, ô Doum,

Crispim, Crispiniano são os filhos de Ogum

Bahia é trra de dois, é terra de dois irmãos,

Governador da Bahia é Cosme, São Damião

Papai me compre um balão com todas crianças que tem lá no céu

Tem doce papai, tem doce papai, tem doce lá no jardim

Cosme e Damião quer bandeira

Quer bandeira pra brincar, quer bandeira

Cadê sua camisa Doum? Foi jogar bola

Foi jogar bola Doum na terra de Angola

Viva Cosme e Damião, ô viva!

Viva todos Orixás, ô viva!

Eu vou pedir a Deus do céu, ô viva!

Para ele me ajudar, ô viva!

Eu vi Don um na beira d'água,

Comendo arroz bebendo água


Andorinha que voa, voa andorinha

Leva esses anjos pro céu, andorinha

Vai, vai, vai andorinha

Leva esses anjos pro céu andorinha.

32. CIGANOS

A história do povo cigano é tão marcada pelo misticismo e preconceito


quanto a dos índios e pretos velhos – pioneiros da Umbanda. Durante séculos
foram perseguidos e ignorados, o que gerou um imenso carma a ser resgatado
e foi na Umbanda que encontraram abrigo espiritual para fazer o bem e pregar
suas palavras de liberdade e alegria. No terreiro os ciganos vem com muita
festa e dança, trabalhando com cores, incensos, fogo, baralhos e facas. Eles
lêem a sorte e quebram demandas.

 Saudação: Ori Babá

 Cor: Multiplas cores


 Dia da semana: sexta-feira
 Principal erva: Rosas e flores silvestres
 Oferenda: Prato de barro ou travessa com frutas, pães, azeite, vinho,
licores, velas vermelhas e amarelas e fitas coloridas.

Pontos cantados de Ciganos

Ela é uma cigana faceira, ela é.

Ela é das sete linhas e não é de candomblé.

Ela vem de muito longe pros seus filhos ajudar

Ela vem de muito longe saravá nesse congá.


Cigana não te dou meu coração, não posso com você morar

Sua casa é na encruza, Tranca-rua é quem mora lá.

Deu uma ventania, ô ganga. No alto da Serra.

Era Dona cigana, ô ganga.Que vem descendo em terra.

Ciganinha, ciganinha eu preciso de você

Vamos jogar o jogo da amarelinha

Se eu perder você me ganha, se eu ganhar, você é minha.

Ela é ciganinha da sandália de pau

Quando ela chega no reino ela faz o bem e leva o mal.

Quem te conhece chora

É hora do cigano ir embora

Adeus filhos de Umbanda

Até logo e até quando ele voltar.

É hora, é hora. Boa viagem.

Os ciganos vão embora. Boa viagem.

Eles vão com Deus. Boa viagem.

E Nossa Senhora. Boa viagem.

Até um dia. Boa viagem.

Dia de ele voltar. Boa viagem.

E saudade vai deixar. Boa viagem.

E saudade vai levar. Boa viagem.


33. BAIANOS

A terra mais mística do Brasil também está representada na Umbanda: a


Bahia e seus baianos são figuras freqüentes em qualquer terreiro. Eles são um
misto de alegria e seriedade, quebram trabalhos de baixa magia, auxiliam no
alívio de doenças e a vencer demandas diversas. No Portal dos Orixás
juntamente dessa linha se manifesta a linha do cangaço na qual encontramos
figuras como Lampião, Maria Bonita, Gumercindo e Zé das Pimentas. Ambas
as linhas apresentam características muito semelhantes, por isso se
manifestam em juntos.

 Saudação: Amei a Bahia


 Cor: Amarelo
 Dia da semana: quarta-feira
 Principal erva: Rosas brancas ou amarelas, cravos vermelhos
 Oferenda: Prato de barro ou travessa farofa, carne seca, coco, água de
coco, pimentas, velas amarelas, cachaça.

Pontos cantados de baianos

Bahia, ô África, vem cá nos ajudar.

Força baiana, força africana


Força divina vem cá, vem cá.

Meu facão bateu embaixo, a bananeira caiu.

Cai, cai bananeira. A bananeira caiu.

Coquinho, coquinho baiano, coquinho lá da Bahia

Coquinho venceu demanda, Nossa Senhora da Guia

Eu fui à Bahia e implorei ao meu Senhor do Bonfim

Que ele me ajudasse a seguir na Umbanda meu caminho até o fim.

Meu Senhor do Bonfim me ajude

Eu preciso de paz e saúde.

Baiano chegou na aldeia na luz da lua cheia

Estremece os corações e a fá se encendeia

Pisa leve, pisa manso meu nego, a lua andeia

Arreia o congá, Odoiá Mamãe sereia

Ô quando pisa na areia o mar se abalanceia

Joga a rede pescador, proteção mãe das candeias.

Se a palha do coqueiro é alto. Mas pro baiano não tem altura não

Eu quero o coco, eu quebro, eu quebro o coco.

Eu quebro o coco aqui e em qualquer lugar.

Baiano que vem da Bahia vem beirando beira-mar


Bote a canga no sereno, deixe a canga serenar

Sou eu baiano da Serra da Mantiqueira

Sou eu baiano, vem sela qualquer maneira.

Se ele é baiano, ele é baiano feiticeiro

Se ele é baiano, ele é baiano macumbeiro

A sua faca na cintura é um desafio

Que ele chegou pra iluminar todos seus filhos

Vamos baianada pisar no catimbó, amarrar meu inimigos na pontinha do cipó

Vamos baianada pisar no cangerê, amarrar meus inimigos que não tem o que
fazer

Baiana da saia rendada, tabuleiro tem acarajé

A Baiana sai requebrando quando dança o candomblé

O Bahia, Bahia do Nosso Senhor do Bonfim

O Bahia peça a Oxalá por mim

Peça a Oxalá por mim

Quando eu fui la pra Bahia minha mãe me avisou

Quem mexe com Baiano mexe com nosso Senhor

Quando eu vim da Bahia a estrada eu não via

Cada encruza que eu passava uma vela eu acendia

Oi na Bahia ninguém pode com Baiano


Quebra coco, arrebenta sapucaia

Quero ver quem pode mais

Na Bahia tem vou mandar buscar

Lampião de vidro oi sadona, para clarear

Pisa Baiano, Pisa lá, que eu piso cá

Pisa Baiano quero ver você pisar

O meu irmão, o irmão meu

Cadê meu irmão que não vem brincar mais eu?

Mas olha eu camarada, camarada meu

Sou Severino que chegou aqui agora

Camdomblé Bato no Keto

Umbanda bato na angola

Gira, gira girador Zé Pelintra aqui chegou

Na fé da Virgem Maria, na paz do nosso Senhor

Seu Zé é guardião contra o mau ele é doutor

Não fica inimigo na casa, Zé Pelintra já guardou

Zé, o Zé. Zé da brilhantina

Zé, o Zé namorado das meninas

Foi Zé que cortou o pau, foi Zé que fez a jangada


Foi Zé que roubou a moça e casou na encruzilhada

Zé Pilintra tem dois filhos, todos dois Zé Pilintrinha

Um tinha duas cabeças e outro nem cabeça tinha

Seu Doutor, seu Doutor. Bravo senhor.

Zé Pilintra chegou. Bravo senhor.

Com os poderes de Deus. Bravo senhor.

Zé Pilintra Sou eu. Bravo senhor.

Malandro com malandro, marido e mulher.

Malandro com malandro Zé Pilintra é.

Meu senhor não maltrate esse negro, que esse negro caro me custou.

Ele usa camisa listrada, calça de veludo e anel de doutor.

Esse negro é doutor? Seu é sim senhor!

Esse é senhor? Seu Zé sim senhor!

Mas ele é seu doutor. Seu Zé sim senhor.

Mas ele é seu senhor. Seu Zé sim senhor.

Mexa comigo que eu não mexo com ninguém

Que mexer comigo pode, se puder comigo tem.

Conhecer a boemia tem que ver romper o dia.

E ouvir aquela história que passou lá na Bahia.

Quem não conhece negro Zé alforriado?

De terno branco, pano bom bem engomado.


Diz a história negro Zé já foi doutor

E apesar da boemia ele só teve um grande amor.

De terno branco, seu punhal de aço puro

Seu ponto é seguro quando vem pra trabalhar

Segura o negro que esse negro é Zé Pilintra

Na descida do morro ele vem trabalhar

Ô meu limão, ô meu limoeiro. Ô meu limão, ô meu limoá.

Eu sou Zé Pilintra, Zé Pilintra eu sou.

Joguei meu punhal no ponto pra meu ponto afirmar

Chamei meus camaradas pra demanda derrubar.

Ô Zé, ô Zé enganador. Enganou filha de moça com palavras de amor.

Mas não fui eu que enganei ela, foi ela quem me enganou.

Seu Zé Pilintra quando vem ele traz sua magia

Para saudar todos seus filhos e retirar feitiçaria

Pisa na Aruanda, Zé Pilintra eu quero ver.

Mulher, mulher cuidado com seu marido

Se ele é bom na faca, eu sou no facão

Se ele é bom na reza, eu na horação

Se ele diz que sim, eu digo que não.

Eu sou Zé Pilintra, ele é Lampião.


A malandragem já fala por si só, o nome dele é Zé Pilintra é o rei do Catimbó

Ele nasceu e se criou nas Alagoas

E sua vida sempre levou numa boa

Hoje ele vem no batuque do terreiro

Ele chega sambando e sapateando, ele é Mestre Juremeiro

Confio nele, nele eu tenho fé

Resolve qualquer problema com a força do seu axé.

É meu amigo, é um grande camarada

Me defende dos perigos ao longo da minha estrada

Com suas mandingas desata qualquer nó

Ele é seu Zé Pilintra, é o rei do catimbó.

Seu Zé feche a porteira, cancelas e tronqueira não deixe o mal entrar

O galo já cantou na Aruanda, farofa na fundanga quero ver queimar.

Dim, dim, dim , dim, dim, dimdim, dim. Dimdim, dim, dimdim

Girando cruzado no meio do terreiro chegou

O rei da Bahia, do Congô e da lei de Nagô

Chegou Zé Pilintra que veio do lado de lá

Fumando e bebendo e gritando: vamos saravá

Saravá ô saravá. Saravá ô saravá

Eu risquei um ponto para saravá o Seu Zé


Maria Padilha é rainha do Candomblé

Candomblé ô Candomblé. Candomblé ô Candomblé.

Zé Pilintra, Zé Pilintra boêmio da madrugada

Vem na linha das almas e também na encruzilhada

O amigo Zé Pilintra que nasceu lá no sertão

Enfrentou a boemia com seresta e violão

Hoje na lei de Umbanda acredito no senhor

Pois sou seu filho de fá, pois tem fama de doutor

Com magia e mironga dando forças ao terreiro

Saravá Seu Zé Pilintra, o amigo verdadeiro

Se ele é baiano agora que eu quero ver.

Comer pimenta da costa com azeite de dendê.

Baiano bom, baiano bom

Baiano bom é o que sabe trabalhar

Baiano bom é o que sobe no coqueiro, tira o coco, bebe a água

E deixa o coco no lugar

Bolim, bolim, bolim, meu bolim bambolear

Sou baiano bamboleiro vim aqui bambolear.

Também jogo capoeira, quero ver você jogar.

No congá tem coco, nesse coco tem dendê

Baiano quebre esse coco, tira a água que eu quero beber.


Um baiano, um coco.

Dois baiano, dois cocos.

Três baianos uma cocada

Quatro baianos uma baianada.

Fui fazer uma caçada, mas foi tão pequenininha

Com um facão de sete palmos fora o cabo e a bainha

Uma sacola de ovos e setecentas galinhas.

É lampi, é lampi, é lampi. É lampi, é Lampião.

O seu nome é Virgulino, o apelido é lampião.

Quando eu vim lá da Bahia eu trouxe meu patuá

Terreiro que tem mironga, baiano que mirongar

Bahia ê ê ê, Bahia ê ê á.

Se entrega Corisco! Eu não me entrego não

Eu não sou passarinho Pra viver lá na prisão

Se entrega Corisco eu não me entrego não

Não me entrego ao tenente, não me entrego ao capitão

Eu me entrego só na morte de parabelo na mão

Coqueiro do norte está balançando

A Bahia tá me chamando.
No barco eu vim, no barco eu vou

No barco de ouro de São Salvador.

Agora pro seu morro vai subir, meu Deus ele já vai embora.

Conversa de malandro não tem fim

Boa noite meu senhor, boa noite minha senhora.

Pisa Seu Zé, pisa. Pisa Seu Zé, pode pisar.

Lima Seu Zé, limpa. Limpa Seu Zé, pode limpar. (todos sacodem as
vestes)

34. BOIADEIROS
Certamente um dos povos mais sofridos e, mesmo assim, felizes de
nossa terra. Os boiadeiros conquistaram seu espaço na Umbanda graças as
lições de vida que tem para transmitir e aos trabalhos em pro do bem e da
caridade que fazem. São povo simples e sem rodeios, quando chegam no
terreiro vem bradando como se estivessem tocando suas boiadas.

 Saudação: Getuá (Oxetuá)

 Cor: Amarelo ou laranja


 Dia da semana: quarta-feira
 Principal erva: Rosas brancas ou amarelas, espada de São Jorge
 Oferenda: Prato de barro ou travessa farofa, carne cozida ou seca,
arroz carreteiro, feijão tropeiro, conhaque ou cachaça e velas amarelas.

Pontos cantados de Boiadeiros

E lá vem vindo, e lá vem só. E lá vem vindo a força maior

E lá vem vindo Boiadeiro, e lá vem só. E lá nascendo a força maior.

Me chamam de Boiadeiro, não sou Boiadeiro não

Eu sou laçador de gado, Boiadeiro é meu padrão.

Getuá, getuá. O meu laço é de laçar.

Getuá, getuá. Laço de laçar meu boi.

Ô lalaê, lalaê lalailá.

Ô laê lalailá, ô laê lalailá, ô lalaê lalailá.

E aproveita o rala bucho, Maricota venha cá.


Se tu rala, eu também ralo. Então nós dois vamos ralar.

Maracujá só é bom quando está murcho, aproveita o rala bucho, Maricota


venha cá.

Venha pra cá, vai pra lá, o que é que tem?

Aqui não tem ninguém, não podemos trabalhar.

Vem cá Zefinha me dá essa flor. Ela dizia: não dô, não dô, não dô.

Mas a Zefinha demorou para me dar aquela flor que eu tanto quis cheirar.

Passou-se muito tempo nesse puxa-puxa e quando ela me deu a flor já tava
murcha.

Cadê meu laço, laço de laçar meu boi? Meu boi fugiu, e eu não sei onde ele foi.

Cadê minha corda que eu quero laçar? O meu boi fugiu e eu não sei aonde
está.

A menina do sobrado mandou me chamar por seu criado

Eu mandei dizer a ela que estou vaquejando o meu gado

Sou eu Boiadeiro que gosta do samba arroxado.

Bóia Boiadeiro, Boiadeiro bóia

Se eu contar minha história Boiadeiro chora

Se eu nunca chorei, vou chorar agora.

Se eu perdi meu boi foi no romper da aurora

Seu Boiadeiro por aqui choveu, choveu que água rolou

Foi tanta água que meu boi bebeu

Foi tanta água que meu boi nadou

Na minha boiada me falta um boi. Me falta um me faltam dois.

Na minha boiada me fata um boi. Me faltam dois, me faltam três.


Morena linda porque me olhas?

Não me conhece, mas porque tu me namoras?

Seu marido é ele, morena. Seu amor sou eu.

Eu tenho meu chapéu de couro, eu tenho a minha guiada.

Eu tenho meu lenço vermelho para tocar minha vaquejada.

Eu tenho a minha faca, não levo desaforo.

Aonde eu mato o boi ali mesmo eu tiro o couro

Se meu boi morreu, o mocotó é meu.

Pra pagar o prejuízo que meu boi me deu.

Eu toquei o meu berrante, era pra gado escutar.

Sou Tião Capixaba e não deixo a demanda passar

Aqui só passa meu gado, demanda não deixo entrar.

Foi nesse passo que eu saí da minha aldeia

Montado em meu cavalo com meu chapéu de lado

Quando eu saí a minha mãe me abençoou.

Os boiadeiros vão embora, aleluia eu! Com Deus e Nossa Senhora, aleluia eu!

Ah, ah, ah aleluia eu!

É hora, é hora. Boa viagem. Os ciganos vão embora. Boa viagem.


Eles vão com Deus. Boa viagem. E Nossa Senhora. Boa viagem.

Até um dia. Boa viagem. Dia de ele voltar. Boa viagem.

E saudade vai deixar. Boa viagem. E saudade vai levar. Boa viagem.

35. MARINHEIROS

Cada dia num porto, em cada porto uma história, cada história um aprendizado.
Essa é a sina dos marinheiros e com tanto conhecimento e tanta boa vontade
foi na Umbanda que essa linha de trabalhadores bem humorados da Luz
aportou para praticar o bem. No templo eles chegam cheios de alegrias e boa
conversa, principalmente com as mulheres. Mas prestem atenção: é numa
brincadeira que surgem as grandes verdades.

 Saudação: Salve a marujada (ou simplesmente “Salve”)


 Cor: azul claro e branco (há casos que o guia trabalha com outras
cores)
 Dia da semana: sem especificação
 Principal erva: Rosas brancas, lírios, copo de leite
 Oferenda: Prato de barro ou travessa com peixes, camarões ou outros
frutos do mar acompanhado de velas azul-claras e brancas, cerveja,
cachaça ou rum.

Pontos cantados de Marinheiros

Mas eu não sou daqui. Marinheiro só. Eu não tenho amor. Marinheiro só.

Eu sou da Bahia. Marinheiro só. De são salvador. Marinheiro só.

Marinheiro, marinheiro. Marinheiro só. Quem te ensinou a nadar? Marinheiro


só.

Foi to tombo do navio? Marinheiro só. Ou foi o balanço do mar? Marinheiro só.

Lá vem, lá vem. Marinheiro só. Ele vem faceiro. Marinheiro só.

Todo de branco. Marinheiro só. E com seu bonezinho. Marinheiro só.


Mas eu não sou daqui. Marinheiro só. E nem sou de lá. Marinheiro só.

Eu sou marinheiro. Marinheiro só. Minha casa é no mar. Marinheiro só.

Marinheiro, marinheiro. Marinheiro só. Marinheiro é meu amigo. Marinheiro só.

Não deixe o barco afundar. Marinheiro só. Vem me livrar do perigo. Marinheiro
só.

Vem marinheiro, dá licença de passar.

Meu navio entrou no porto, ele vem de alto mar.

Já cruzei a hora grande, mar revolto eu enfrentei.

Vou chamar pela pesqueira para ver se ela vem.

Quando eu pisar em terra vou falar pra minha velha:

Meu navio foi no balanço, é no balanço que ele vai!

Martim Pescador que vida é a sua?

Bebendo cachaça e caindo na rua.

Eu bebo minha pinga, eu bebo muito bem.

Eu bebo minha pinga, não é da conta de ninguém.

Eu também sei nadar, eu também sei nadar no mar.

Eu também sei, também sei, também sei nadar.

Na barra apitou o navio. Perguntando se podia entrar.

A barra está toda tomada, seu marujo. Nessa barra aqui quem manda é Oxalá.

Marujo bebe na boca do garrafão

Pisa de pé em pé para não cair no chão


Marujo bebe na boca do garrafão

Samba a noite inteira com a garrafa na mão

Marinheiro é hora, é hora de vir trabalhar

É pau, é chuva, é pedra marujo nas ondas do mar

Rema canoa marinheiro. Rema canoa devagar

Essa canoa só feita para Martin para angolar

Saltei em terra meu navio ficou no mar

De longe eu vejo uma faixa azul

Seu moço perguntou quem era

Sou Capitão filho de Mamãe Oxum

Pisa Pereira, quero ver você pisar

A pisada do Pereira faz a areia levantar.

Ô cachaça não me aborreça

Desce pra barriga, cachaça, não suba pra cabeça.

Tido vem ver, tido vem cá

Venha ver como é bonito a marujada trabalhar.

Não vá beber, não vá se embriagar, não vá cair na rua pra polícia te pegar.
Eu já bebi, eu já me embriaguei, eu já caí na rua e a polícia nada fez.

Seu marinheiro sua morada é no mar.

Eu vou, eu vou remando. Remando para o mar.

Seu Marinheiro que balanço é esse?

É meu barquinho que vi para o mar levando flores belas pra mãe Iemanjá.

Eu sou Marinheiro do Egito, eu tenho Bom Jesus pra me ajudar.

Eu sento na proa do navio, Santa Bárbara, jogo minha âncora no mar.

Minha jangada vai sair pro mar, pra trabalhar meu bem querer.

Se Deus quiser quando eu voltar do mar um peixe bom eu vou trazer.

Meus companheiros também vão voltar e a Deus do céu vamos agradecer.

Marinheiro jangadeiro o que é que traz nessa canoa?

Trago ouro, trago prata, trago cachaça da boa.

A onda me trouxe e o vento me leva

Quando a onda passar eu me sento na pedra

E a marola do mar vai levando

Marinheiro é que vai navegando

Adeus camarada, adeus. Adeus que eu já me vou.

É no balanço do mar que eu vim. É no balanço do mar que já me vou.


Minha baleia bonita me leva pro fundo do mar

Minha hora está chegando e eu não consigo nadar.

36. EXÚ, POMBAGIRA, EXÚ-MIRIM

Os guias que trabalham na esquerda nada tem de maldade, eles simplesmente


trabalham no lado negativo do astral em prol da Luz, o que os torna mais duros
no trato com as coisas e pessoas. Em geral são extremamente sérios e
inteligentes, contudo isso é situacional, pois assim como os encarnados, os
povos da esquerda tem seus momentos de alegria e seriedade. São
extremamente respeitados no astral por seus serviços prestados, afinal são
eles quem garantem a segurança dos trabalhos espirituais, impedindo que os
espíritos de baixa luz se façam presentes. Na linha da esquerda todo ser é
Exú, o nome do Orixá que reina nessa vibração, todavia dá-se o nome de Exú
à entidade masculina e adulta enquanto a mulher é chamada de Pombagira,
Pombogira ou simplesmente Exú-mulher. As entidades juvenis desse campo
são denominados Exú-Mirim.

 Saudação: Laroiê

 Cor: preto e vermelho


 Sincretismo: há quem correlacione com Santo Antônio ou com o Diabo
 Dia da semana: sexta-feira
 Principal erva: Pimenta, arruda, folha de mangueira
 Oferenda: Exú: Prato de barro com farofa amarela, pimentas, cebolas,
bifes, palitos de fósforo (ou espinhos de coqueiro), velas vermelhas,
charutos e cachaça. Pombagira: champanhe, rosas, cigarros e velas
vermelhas. Exú-mirim: doces, cigarros e cachaça.

Pontos cantados de Exú, Exú-Mirim e Pombagira

Tava dormindo na beira do mar

Quando a umbanda me chamou pra trabalhar

Agora Exú do logo vai me guiar

O inimigo está guarnido na porteira do curral

Ponha a mão nas suas armas, vai guerrear

Bota o inimigo pra fora para nunca mais voltar.

Marabô iê, Marabo iá

Cadê Marabô, cadê Marabô, cadê Marabô, Marabo iá

Na praia deserta eu vi Exú então meu corpo tremeu todo

Acendi a minha vela, acendi o meu charuto

Arriei o meu marafo e saudei Exú do Lodo, eu saudei Exú do Lodo

Ogum, Exú pede licença pra seus filhos ajudar. Ogum

Mas ele é um Exú guerreiro, vem trazendo forças para esse terreiro

Já deu a meia noite meus irmãos, as doze horas já bateu

Mas se levanta quem está sentado, meus irmãos, para saudar Exú do Lodo

Balança figueira, balança fiqueira, balança figueira quero ver Exú cair

Cadê Seu Tranca-Ruas que eu não vejo ele aí?


O Sino da igrejinha faz delém, dlem dlom

Deu meia noite o galo já cantou. Seu Tranca-Ruas que é dono da gira

Oi corre gira que Ogum mandou

Exú é do querer querer, na hora grande é que eu quero ver

Exú é do romper da aurora, Exu do Lodo toma conta agora

I quá quá quá, mas que linda risada que Exú vai dar.

Mas que linda risada que quá quá quá, que linda risada que Exú vai dar.

Seu Tranca-ruas é uma beleza eu nunca vi um Exú assim

Seu Tranca-Ruas é uma beleza ele é madeira que não dá cupim.

Ô luar, ô luar. Ô luar! Ele é dono da rua, ô luar.

Quem cometeu as suas faltas peça perdão à Tranca-Ruas. Ô luar.

Quanto sangue derramado, ô luar. Em cima do frio chão...

Seu Tirirí trabalhador da madrugada

Toma conta, presta conta no romper da madrugada

Deu meia noite quando o malvado chegou

Vestido de capa preta dizendo que era doutor

Mas ele era Exú dizendo que era doutor


Eu vi Exú dando gargalhadas , com tridente na mão, sua capa bordada

Mas ele é Exú Tirirí morador lá da Kalunga vem firmar seu ponto aqui.

Ninguém pode comigo, eu posso com tudo

Lá na encruzilhada ele é Exú veludo

Exú veludo seu cabrito deu um berro

Arrebentou cerca de arame, estourou portão de ferro.

Santo Antônio de batalha faz de mim trabalhador

Corre gira Pombagira, Tranca-Rua e Marabô

Na beirada do caminho esse congá tem segurança

Na porteira tem vigia, meia noite o galo canta.

Mas eu tenho uma lança, eu tenho uma lança, eu tenho uma lança na terra

Eu tenho uma lança, eu tenho uma lança, eu tenho uma lança no fundo do mar

Eu vi um homem de baixo da amendoeira

Era osso só, é Tatá-Caveira

Exu Caveira, Caveira. Quem te chamou aqui?

Exú tem chifre, Exú tem rabo, olha que Exú é danado.
Portão de ferro, cadeado de madeira

Na porta do cemitério onde mora Exú Caveira

Sete porteiras, Sete Encruzilhadas

Exú é da banda Cruzada

Eu fui no mato o ganga, cortar cipó o ganga

Eu vi um bicho o ganga, de um olho só o ganga

Não era bicho o ganga. Não era nada o ganga

Era Omolú o ganga. De um olho só o ganga

Tava curiando na encruza quando a banda me chamou

Exú no terreiro é Rei, na encruza ele é doutor

Exú vence demanda, Exú é curador

Coroado é Rei e já ganhou coroa

A sua gargalhada, oi, não é a toa.

Ele vem vindo por de trás da bananeira

Saravá rei Omolú, Exú Tatá-Caveira

Soltei um pomo lá nas matas e na pedreira não pousou

Foi pousar na encruzilhada, seu Tranca-Ruas quem mandou


Diz Exú não é marinheiro pra amarrar toco no mar

Chove chuva, cai sereno, toco no mesmo lugar

Viva as almas, salve a coroa e a fé.

Salve Exú das almas, ele é Tranca-Ruas de fá.

Boa noite gente como vai, como passou?

Sete Encruza é pequenininho, mas é bom trabalhador.

Sua capa de veludo quando venho eu deixo lá

Quando dava meia noite, todo Exú ia buscar

Ina mojubá ê, ina mojubá ê.

Exú Cainana quem te matou, Cainana?

Foi seu Tranca-Ruas? Foi seu Marabô? Foi Tatá-Caveira, Cainana, quem te
matou?

Galo cantou na beirada do terreiro

Pra saudar a encruzilhada onde mora Exú Guerreiro

Eu vi gemer, Joaquim, eu vi chorar.

Naquele morro eu vi pombo avoar.

Exú fez uma casa sem porteira e sem janela

Ainda não achou morador pra morar nela

Sou Exú trabalho no canto, quando canto desmancho o quebranto


Sete cordas tem minha viola, tô na gira de lenço e cartola

Viola é tridente, cigarro é charuto, bebida é marafo

Sou sete da Lira, derrubo inimigo, ponteiro de aço

É ele quem comenda esse terreiro, é ele quem segura esse congá.

Por isso vamos cantar e bater palmas,

Seu Sete encruzas das almas vamos homenagear

Ina, ina é mojubá. É, é mojuba.

E no calor de nossas almas, seu sete encruzas das almas vamos homenagear.

A lua brilhando está, ilumina-se na sua tumba

Se escuta seu gargalhar e estremece na Kalunga

Seu homem, está por sair. Vamos cantar em louvor

E se precisar de mim é só gritar seu Atotô

Ô, ô, ô, ô, ô vamos gritar seu Atotô. Ô, ô, ô, ô, ô Tatá-Caveira já chegou.

Eu tenho fé, eu tenho fé. Tenho fé nesse exú que é Tranca-Ruas de Embaré

Salve a porteira, a sua encruzilhada, salve a sua gargalhada, sua coroa de rei

Salve a vela e o punhal em sua mão,

Salve a grande proteção que nesse Exú eu encontrei

Você está vendo esse moço que no cruzeiro está?

Ele é o Exú tranca-Ruas filho das almas também

Preste a ele uma grande homenagem quando por ele passar

Ele é o Exú tranca-Ruas filho das almas também

Tome cuidado não vá se enganar, reuna os caminhos e ele poderá passar


Malelê, malelê, malelê maleloá

Exú do Lodo malelê, malelê, malelê, maleloá

Exú do fogo, do caldeirão

Ele trabalha com fogo e derruba o inimigo no chão

A porta do inferno estremceu, todos correram para ver quem é

Eu dei uma gargalhada lá na encruzilhada. Maria Padinha e o compadre Lucifer

Exú ganhou um galo, mas não quis comer sozinho

Ele chamou seus camaradas, pedaço por pedacinho

Aí chegou seu Lucifer, a Pombagira não é homem ela é mulher

Santo Antônio pequenino botou fogo no paiol, ô ganga

É Exú, pisa no toco de um galho só

Exú pisa no toco, pisa no galho, o galho balança e Exú não cai ô ganga

É Exú, pisa no toco de um galho só.

O garfo de Exú é firme, a capa de Exú me rodeia

Passei pela encruzilhada, passei pela encruzilhada

Passei pela encruzilhada Exú não bambeia.

Cemitério é praça linda, ninguém lá passear

Cada tumba é casa branca, casa de Exú morar


Unhas grandes, braços fortes

Seu Capa Preta vem trazendo a sorte

Exú Apavenã, Exú Apavenã

Embauê, embauê, Exú Apavenã

Ilê mafê i mafambo

Icomessuê, á, á, á. Icomensuá

Meia Noite auê Meia Noite

Meia noite o galo canta, meia noite o bode berra

Meia noite seu Meia Noite no portão do cemitário, ganga.

Ô meu Senhor das almas de mim não faça pouco

Olha lá que ele é Exú, exú arranca Toco.

Seu Marabô ele é pequenininho, mas pra mim ele é grande demais.

Todos pedidos que eu faço, Marabô, ele me satisfaz.

Calungaê, calunga ah, Exú que veio pra demanda quebrar

Exú que veio pra demanda quebrar

Esse Exú é Marabô abará

Inferno pegou fogo, seu toco preto apagou.


Foi na gira de Exú, seu Marabô. Seu toco preto se apagou.

Santo Antônio pequenino amansador de burro bravo

Quem mecher com nossa gira vai mecher com Coroado

Rodeia, rodeia, rodeia Santo Antonio rodeia

Deu meia noite em ponto o galo cantou.

Cantou pra anunciar que Tiriri chegou.

Ele vem da Calunga de capa, cartola e tridente na mão.

Esse Exú de fé é quem nos trás Axé e nos dá proteção.

Ele é Exú Odara e vem nos ajudar, com seu punhal ele fura,

Ele corta demanda, ele salva,ele cura. Exú é mojubá, Laruê!

Laruê Exú, Exú é mojubá. Eu perguntei a ele o que é Exú, ele vem me falar.

Exú é caminho, é energia, é vida, é determinação,

É cumpridor da Lei, Exú é esperto, Exú é guardião,

Exú é trabalho, é alegria veloz, Exú é viver, é a magia, é o encanto

É o fogo, é o sangue na veia vibrando, Exú é pra dizer: Laruê!

Laruê Exú, Exú é mojubá. Traz sua falange Exú Tiriri para trabalhar, Laruê Exú!

Vem seu Tranca-Ruas, Maria Padilha e Exú Marabô

Sete Encruzilhadas, seu Zé Pilintra aqui chegou

Maria Mulambo, Maria Farrapo e Dona Figueira

Dona Sete Saias, Pombogira menina e Rosa Vermelha

Sete Catacumbas, Exú Caveira firmam ponto aqui

E o Exú Capa Preta anunciou a festa do Exú Tiriri. Deu meia noite em ponto!
A terra tremeu, a terra tremeu

Quando o Coroado no terreiro apareceu.

Ê puerê, ê puerá

Olha a mosca varejeira, salve Exú caveira!

Casa de lei não é pra brincar

Aqui mora, Tatá Caveira, Marabô e Abará

Vou fazer minha oração bambeia, foi seu Capa Preta quem me deu.

Minha oração tem mironga, Exú. Meus inimigos não me vencem não.

Naquela encruzilhada tem um rei e esse rei é Tirirí

Nessa tronqueira tem outros reis: Seu Sete Encruza e a Rainha Pombagira

Prende o galo preto, me solta o carijó

Na virada da meia noite seu Marabô é o maior.

Pombagiras

Ela é Pombogira aqui, aqui e em qualquer lugar

Cuidado moço ela é perigo. Ela é dona Rainha mulher de sete maridos

Deu meia noite, a lua se escondeu


Lá na encruzilhada dando a sua cargalhada, a Padilha apareceu.

É laroiê, é laroiê, é laroiê. É mojubá, é mojubá, é mojubá

Se ela é odara, dando a sua gargalhada

Quem tem fé em Pombagira é só pedir que ela dá

Auê pombogirê, auê pombogirá

Auê pombogirê, pombogirê, Pombogira!

A bananeira que eu plantei à meia noite, foi que deu cacho no meio do terreiro

Toma cuidado que essa velha é maluca, firma seu ponto que essa velha é
feiticeira

Pombagira dá, Pombogira toma

Pombogira é mulher mandona

Sete, sete ô lebara

Sete, Sete lebara ô

Vem Pombogira, vem tomar xoxô

Vencedora de demanda vem tomar xoxô

De vermelho e negro vestindo à noite, um mistério traz

De colar de ouro, brinco dourado a promessa faz

Se é preciso ir, você pode ir, peça o que quiser

Mas cuidado amigo, ela é bonita, ela é mulher

E no canto da rua girando, girando, girando está

Ela é moça bonita, girando, oi girando, oi girando lá


Oi girando está ,olelê. Oi girando lá, olalá.

Arreda homem que aí vem mulher

Ela é a Pombagira Rainha do cabaré

A noite traz os mistérios no cair da aurora e a qualquer uma chga minha


senhora

Levando alegria e axé ao meu terreiro, a sua saia rodada tem mistério

Na gira da Pombagira das Sete Saias, na gira que quando gira traz esperança

Girando com a Pombagira das Sete Saias, levando sua beleza quando ela
dança

Maria Mulambo ela mereceu ganhar, ganhar o que ganhou

Foram sete rosas na Kalunga, sete marafos e uma saia de setim

E como tudo isso não bastasse ela ganhou uma coroa de Atotô

Atotô meu pai, Atotô meu senhor (laroiê Exú!)

Maria mulambo mereceu o que ganhou

Tenda tendá, Pobogira tendá

Tenda tendá, Pombogira tendaó

Juraram de me matar na porta do caberé

Toda noite eu estou lá, só não mata quem não quer

Maria Padilha você é a flor perfeita

Que vem dentro dessa seita para aqueles que tem fé.
Tu és a rosa que perfuma a Umbanda, vencedora de demanda

Com amor e muito axé. Maria Padilha não me deixe andar sozinho

Ponha rosa sem espinhos no caminho onde eu passar

Ó Pombogirê, ó Pombagirá, faça um tapete de rosa pra que eu possa


caminhar.

Exú-Mirim

Oh meu senhor das almas tenha pena de mim.

Eu sou pequenininho, eu sou Exú-Mirim

Eu sou pequenininho eu não sei de nada

Eu sou Exú-Mirim das Sete encruzilhadas

Exú Caveirinha venha trabalhar. Levanta dessa Tumba e faz pedra Rolar

Na mão esquerda a foice, na cinta o Punhal

Não sai da linha mano pra não se dar mal

Subida de Exú

A sua banda está lhe chamando, ele vai se retirar

Vai pra linha das almas, sua banda é de lá.


Seu Exú pra que tanta demora? Dono da casa disse é hora, é hora, é hora.

Exú já comeu, Exú já bebeu, agora quem manda na banda sou eu.

Exú trabalhou, Exú curiou

Exú vai embora, seu chefe mandou.

Pelo pé, pelo pé. Encruzilhada já te chama.

Pelo pé, pelo pé. Encruzilhada te chamou.

37. O ENCERRAMENTO DA GIRA

Encerrar os trabalhos espirituais de forma consistente e segura é tão


importante quanto abrir com a mesma firmeza. Não são os médiuns que
decidem a hora de encerrar os trabalhos, por mais que estes possam tentar
acelerar o desenrolar da gira essa é uma decisão que vem do astral, assim que
os Orixás decidem que já fizeram tudo o que era cabido de fazer no terreiro e
que a partir daquele momento irão acompanhar os fieis espiritualmente até
suas casas.

Os procedimentos para a abertura dos trabalhos são válidos também para


o encerramento desde que o responsável pela casa julgue necessário. As
preces, defumação e cânticos podem ser repetidos, contudo é mais usual a
execução de orações e pontos cantados específicos para o encerramento da
gira, bem como pontos de demanda e salva de palmas para agradecer aos
mentores de luz que acompanharam o desenvolvimento.

Os presentes na gira devem retirar suas guias respeitosamente e guardá-


las em local próprio e novamente saudar os locais sagrados do terreiro e pedir
a bênção aos pais e padrinhos da casa tal qual aconteceu na entrada. Se pediu
proteção ao entrar, deve pedir ao sair.

Pontos de encerramento

Vou fechar minha Jurema, vou fechar meu Juremá.

Com a licença de Mamãe Oxum, e nosso Pai Oxalá.

Já fechei minha Jurema, já fechei meu Juremá.

Com a licença de Mamãe Oxum e nosso Pai Oxalá.

Eu fecho a nossa gira com Deus e Nossa Senhora.

Eu fecho a nossa gira sandolê pemba de Angola.

Nossa gira está fechada com Deus e Nossa Senhora.

Nossa gira está fechada, sandolê pemba de Angola.

Adeus Congá, Congá de alegria

Adeus Congá de ouro, Até um outro dia.

Tambor você fica aqui. Tambor vou me retirar.

Adeus Umbanda, adeus Congá. Adeus Umbanda, meu zelador de Orixá.

Seu Sete Espadas que me acompanha, seu Zé Pilintra ele é rei nagô.

Seu Sete encruza que é o dono da gira, me fecha a gira que Ogum mandou.
Prece de encerramento

Com a graça do Divino mestre chegamos ao término dos nossos trabalhos.


Elevemos nossos pensamentos ao todo poderoso agradecendo as bênçãos
pelas graças e caridades. Pai , eis que estamos aqui diante de Vós de coração
aberto repletos de alegria , pelas graças e pedidos alcançados juntos ao
nossos guias e mentores espirituais . Agradecemos os raios de luz que
iluminaram vossos enviados e estiveram entre nós e a Vós lhe pedimos Pai a
nos iluminar. Através das palavras amigas dos Orixás e mentores de luz que
enriqueceram este terreiro.

Permita que ao retorno de nossos lares possamos encontrá-lo de uma maneira


melhor que a deixamos. Proteja nossas crianças e nossos velhos, e nos dê
sempre a certeza que pela Umbanda e caridade possamos a cada dia ser
dignos de seu amor para evoluirmos nosso espírito .

Em nome de Pai Oxossi e Mãe Oxum, donos de minha coroa eu dou por
encerrado nossos santos e benditos trabalhos em nome do Oxalá, Ogum e
Iansã.

38. SITUAÇÕES ESPECIAIS

Visita de um Pai/Mãe de Santo ou comitiva de terreiro ao seu


templo: assim como tratamos bem quem nos visita em casa, no templo ocorre
o mesmo. É natural que o terreiro visitante queria ser anunciado e é exigido do
templo anfitrião que ofereça a honraria da apresentação ao menos na primeira
visita, pois nas próximas todos já estarão habituados com os visitantes. Após a
apresentação formal da casa visitante e os agradecimentos ao chefe do outro
terreiro pela visita, é de bom tom entoar um cântico de homenagem ao Babalaô
enquanto todos em fila o cumprimentam e em seguida saúdam os demais
membros da comitiva. Os Babalaôs visitantes devem bater cabeça logo em
seguida dos chefes do terreiro anfitrião.

Visitando um outro templo: mantendo a relação entre o templo e a casa de


cada um, basta lembrar que quando criança seus pais não os deixavam visitar
ninguém sem a presença deles e a mesma regra vale para o templo. Todo filho
de santo deve visitar alguma casa acompanhado de um responsável seja ele o
zelador espiritual ou um médium mais velho que tenha essa permissão. Ao sair
do templo é de bom tom entoar um canto de agradecimento como o que segue:

Quando eu cheguei nessa casa eu louvei Maria

Eu louvei chefe da casa, eu louvei o Santo dia.

Recados cantados: cada cântico traz consigo uma mensagem, contudo


alguns são bem específicos, por isso vale a pena prestar muita atenção ao que
é entoado pela corimba, pois ela pode estar dando um recado importante,
chamando os médiuns para dentro do terreiro no fim de um intervalo,
comunicando que alguém errou a letra de um ponto, alertando uma demanda
ou um “Ensuará”, em que o corimbeiro de improviso avisa algo. Há pontos que
repreendem más condutas:

Afirma o pensamento pra corrente não quebrar

Pai Joaquim tá trabalhando, não é hora de brincar

O Pial (A Piaba): é uma dança sagrada nos terreiros em que se estende de


fronte aos atabaques um pau (o Pial) sobre o qual todos dançarão. A pessoa
que iniciar a dança deve saudar a Piaba e iniciar uma dança livre sobre ela até
chegar próximo ao atabaque, assim que sair deve tocar com a sola do pé o
próximo a dançar e assim sucessivamente.

Pial, Pial. Passa por cima do pau, ô Pial

Que a maré tá cheia, Pial. Passa por cima do pau ô Pial.

Exaltando um Orixá: todo Orixá vem firme e cheio de luz, porém há


momentos em que ele irradia tamanha alegria, que os membros da corrente
resolvem saudá-lo com mais veemência. Nessa hora se pode entoar o seguinte
ponto:

O Orixá é bom, bate palmas pra ele.

O Orixá é bom, barra vento pra ele.


Descarrego: prática em que um Orixá retira maus espíritos de alguém com a
ajuda de médiuns de transporte que prendem em si os eguns (espírito de baixa
luz) até que o Orixá o retire e encaminha à Luz. A corrente acompanha
cantando os pontos:

Descarrega, descarrega filho. Leva pras ondas do mar

Se a onda do mar é sagrada, mamãe Iansã é quem vai descarrega

Descarrega, Descarrega, quero ver descarregar

A mandinga vai embora, o filho fica no lugar.

39. CONCLUSÃO

Esta obra foi concebida a partir da necessidade de atualizar o conhecimento


adquirido e desenvolvido durante anos de transformações no Portal dos Orixás.
Cada pessoa que entra agrega coisas novas e boas, assim como as que se
vão deixam saudades e ensinamentos. Nada do que foi escrito nessas páginas
é uma verdade absoluta sobre a Umbanda, apenas o retrato da realidade deste
templo e da doutrina que ele prega. Esperamos que este pequeno guia sirva de
amparo nos estudos e pavimente o caminho para a evolução intelectual,
pessoal e espiritual de quem o ler.

Axé.

Cláudio Corrêa Rodrigues


www.serumbandista.blogspot.com
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