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Estado Novo

Fátima Fonseca - Estudante nº 43 540


História e Geografia de Portugal
Curso Superior de Educação Sócioprofissional
Escola Superior de Educação Jean Piaget

1
Introdução

No âmbito da disciplina de História e Geografia de Portugal do curso de Educação


Sócioprofissional da Escola Superior de Educação Jean Piaget, elaborei o presente trabalho sobre a
temática do Estado Novo e o governo de Salazar.
Este trabalho visa desmistificar a ideia instalada da era salazarista e, assim, permitir-me conhecer
melhor uma época marcante e decisiva na história de Portugal.
Dividi o trabalho em quatro fases, sendo elas:
a) Antecedentes do Estado Novo: onde falo da ditadura militar que veio a dar origem ao
Estado Novo.

b) Estado Novo: onde apresento os momentos mais marcantes do Estado Novo, entre 1933 e
1974.

c) As figuras do Estado Novo: aqui estão algumas informações adicionais sobre as três
figuras que me pareceram ser as mais importantes – António de Oliveira Salazar, António Ferro e
Marcelo Caetano.

d) Os mecanismos do Estado Novo: à imagem da fase anterior, aqui estão informações


adicionais sobre a União Nacional, a Mocidade Portuguesa, a Legião Portuguesa e a P.I.D.E., sendo
estes os mais importantes mecanismos utilizados pelo Estado Novo e seus defensores.

Muito mais haveria para dizer sobre esta época da história de Portugal. Mesmo assim, penso que as
informações adoptadas para este trabalho dão uma visão global, concisa, clara e objectiva sobre a
temática escolhida.

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Antecedentes do Estado Novo
Na sequência do golpe de Estado de 28 de Maio de 1926, é implementado em Portugal a ditadura
militar, um regime político caracterizado:
a) pela suspensão das instituições básicas do regime republicano, consagradas na
Constituição liberal-parlamentar de 1911;
b) pelo domínio do aparelho de Estado pelos militares, que transportam para aqui conflitos
político-ideológicos e corporativos;
c) pela instabilidade política inerente ao heterogéneo bloco de apoio à Ditadura que se
reflecte na extrema dificuldade de institucionalização de um novo regime político, alternativo ao
derrubado.
As primeiras medidas da Ditadura Militar foram a dissolução do Parlamento, afastamento do
presidente da Republica eleito por este, limitação à actvidade dos partidos políticos e das
associações sindicais. Durante a sua vigência foram progressivamente limitadas as liberdades de
expressão, reunião e associação. Golpe mais negativo (do regime anterior) do que positivo, o 28 de
Maio foi inicialmente suportado por republicanos conservadores, monárquicos integralistas e
liberais, fascistas, e mesmo por sectores da esquerda republicana.
O próprio golpe passa por negociações e sobressaltos complexos entre as diversas alas que nele
participam, levando ao afastamento primeiro da ala liberal, personificada pelo almirante Cabeçadas,
e depois do próprio chefe militar do golpe, general Gomes da Costa.
Com a crise económica e a agitação política da 1ª República (que se prolongou inclusive após o
Golpe militar de 28 de Maio de 1926), a Ditadura Militar chamou o Dr. António Oliveira Salazar,
em Junho de 1926, para a pasta das finanças. Volvidos treze dias, este renunciou ao cargo e
retornou a Coimbra por considerar insatisfeitas as condições que achava indispensáveis ao seu
exercício.
Em 27 de Abril de 1928, após a eleição do Marechal Carmona e na sequência do fracasso do seu
antecessor em conseguir um avultado empréstimo externo com vista ao equilíbrio das contas
públicas, Salazar reassumiu a pasta, exigindo o controlo sobre as despesas e receitas de todos os
ministérios. Satisfeita a exigência, impôs forte austeridade e rigoroso controlo de contas,
conseguindo um "milagre" nas finanças públicas logo no exercício económico de 1928-29.
Na imprensa, que era controlada pela censura, Salazar seria muitas vezes retratado como salvador
da pátria. O prestígio ganho, a propaganda, a habilidade política na manipulação das correntes da
direita republicana, de alguns sectores monárquicos e dos católicos consolidaram o seu poder. A
Ditadura dificilmente o podia dispensaria e o Presidente da República consultava-o em cada
remodelação ministerial.
Enquanto a oposição democrática se desvanecia em sucessivas revoltas sem êxito, procurava-se dar
rumo à Revolução Nacional imposta pela ditadura. Salazar, recusando o regresso ao
parlamentarismo e à democracia da Primeira República, criou a União Nacional em 1930, visando o
estabelecimento de um regime de partido único.
Em 1932 foi publicado o projecto de uma nova Constituição que viria a ser aprovada em 1933
através de um plebiscito. Com esta constituição, Salazar criou o Estado Novo, uma ditadura
antiliberal e anticomunista, que se orientou segundo os princípios conservadores autoritários: Deus,
Pátria e Família. Toda a vida económica e social do país esteve organizada em corporações de
nomeação e direcção estatal - era também um Estado Corporativo. (Fonte: Dicionário
Enciclopédico da História de Portugal – Ditadura Militar)

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Estado Novo
Durante os anos 20 já se encontravam espalhadas pela Europa várias experiências ditatoriais e
fascinizantes que viriam a ser modelos político-organizativos do Estado Novo. Eram regimes
ditatoriais de diferente estrutura, assentes no ideário da ordem e no culto do chefe, como os de
Pilsudski na Polónia, de Mussolini em Itália, Dolfuss na Áustria e Horthly na Hungria.
O Estado Novo português, à semelhança do modelo fascista italiano, baseia-se no corporativismo,
no partido único e no culto do chefe. Este modelo é deliberadamente implantado na década de 30,
sendo 1933 o grande momento da viragem jurídica e institucional.
A 19 de Março de 1933 foi promulgada a Constituição, que definiu o carácter corporativo do
regime. Seguiram-se-lhe os instrumentos jurídicos de aplicação do corporativismo e de conciliação
de classes sob a direcção do Estado intervencionista, como os decretos-lei do Estatuto do Trabalho
Nacional, decalcado da Carta del Lavoro italiana, dos Sindicatos Nacionais, das Casas do Povo e
dos Grémios Obrigatórios. No ano seguinte foi publicado o decreto sobre os Grémios Facultativos,
enquanto os do ano anterior surtiam efeito.
A 20 de Agosto de 1932 foram aprovados os estatutos do partido único – a União Nacional – pelo
Decreto 21 608. Este foi criado por iniciativa governamental em 1930 com Salazar, ministro das
Finanças, desde 1928, e presidente do Conselho de Ministros desde 1932, como o presidente da
novel associação antipartidos.
A imagem de marca do chefe e do regime não se pode desligar de António Ferro, secretário da
Propaganda Nacional desde 1933, responsável por reforçar o poder de um e o apoio de massas do
outro. O poder pessoal de Salazar não deixa de crescer: em 1936 é presidente do Conselho de
Ministros e ocupa as pastas das Finanças, da Guerra e dos Negócios Estrangeiros. As três últimas só
as abandonou, respectivamente, em 1940, 1944 e 1947.
A consolidação do regime nasceu da aniquilação das oposições internas de esquerda e de direita.
Foram proibidos os partidos republicanos e desmantelada a Confederação Geral do Trabalho,
ficando o Estado Novo a braços com os oficiais republicanos nas Forças Armadas e com as forças
monárquicas e católicas. Em 1934 a situação resolveu-se quanto aos últimos, com o convite à
dissolução das suas organizações e integração na União Nacional.
O Estado Novo atinge maior radicalização durante o período da Guerra Civil de Espanha,
deflagrada em Julho de 1936. Salazar aliou-se ao General Francisco Franco, enviando forças
militares portuguesas para Espanha (o que nunca foi reconhecido oficialmente). E assim, no início
do conflito, surgem em Portugal as organizações paramilitares: Mocidade Portuguesa e Legião
Portuguesa, do tipo milícias, mais uma vez seguindo o modelo italiano.
Neste momento o regime havia já passado por várias tentativas de derrube, como a greve geral de
Janeiro de 1934, à qual faltou apoio militar, e a gorada tentativa de revolta de Setembro de 1935,
sob direcção da extrema-direita.
Em 8 de Setembro de 1936, teve lugar em Lisboa a “Revolta dos Marinheiros”, também conhecida
como “Motim dos Barcos do Tejo”, mais uma aparatosa acção levada a cabo durante a Guerra Civil
Espanhola contra a ditadura portuguesa. A acção foi desencadeada pela Organização Revolucionária
da Armada (ORA), estrutura criada em 1932 para agrupar as células do Partido Comunista
Português (P.C.P.) da Marinha. A organização editava um mensário intitulado “O Marinheiro
Vermelho”. Mais uma tentativa falhada.
A esta seguem-se outras tentativas falhadas. Delas fazem parte o atentado pessoal a Salazar em
Julho de 1937, que dele saiu ileso; em Março de 1959 falha nova tentativa de insurreição militar
com o apoio de civis. Em 1962 surge mais uma tentativa, no assalto ao quartel de Beja, para o
derrube do regime.

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Com a Segunda Gerra Mundial, e como responsável pela pasta dos negócios estrangeiros desde a
Guerra Civil Espanhola, o imperativo do governo de Salazar é manter a neutralidade. Próximo
ideologicamente do Eixo, o regime português escuda-se nisso e também na aliança com a Inglaterra
para manter uma política de neutralidade.
Iniciou uma intensa actividade diplomática junto de Franco tentando evitar que a Espanha se aliasse
à Alemanha e à Itália. Com a Espanha fora da guerra, a estratégia de neutralidade é um imperativo
da diplomacia por forma a não provocar hostilidades. Nesse sentido, Salazar não tolerou desvios
dos diplomatas que arriscassem a sua política externa.
Quando o cônsul português, Aristides de Sousa Mendes, em Bordéus concedeu vistos em grande
quantidade a judeus em fuga aos nazis, ignorando instruções do Ministério dos Negócios
Estrangeiros, Salazar foi implacável com ele e demitiu-o, retirando-lhe os direitos à totalidade da
pensão de reforma, acabando o ex-cônsul por passar o final da sua vida na miséria em Portugal. Da
mesma forma viria Salazar a agir com o embaixador de Portugal em Londres, Armindo Monteiro,
por manifestar publicamente uma posição anglófila.
Em 1943 os Aliados procuraram utilizar a Base das Lajes nos Açores, como base de apoio para as
missões no Oceano Atlântico e no Teatro de Operações Europeu. O governo de Portugal, não
evitando a pressão, cedeu, se bem que Salazar aproveitou a oportunidade para negociar como
contrapartida o fornecimento de armamento e a garantia da restituição da soberania portuguesa a
Timor no fim da Guerra.
A balança comercial portuguesa manteve saldo positivo durante boa parte do conflito (anos de
1941, 1942 e 1943). Tal deveu-se à posição de neutralidade de Portugal e à consequente abertura
dos canais diplomáticos e comerciais com ambas as partes beligerantes. As exportações
ultrapassaram as importações. Esta hábil gestão da neutralidade trouxe, no final da guerra, os
benefícios da paz sem ter de pagar o preço da guerra.
Portugal foi uma das poucas zonas de paz num mundo a "ferro e fogo", serviu de refúgio a muitas
pessoas de várias proveniências. Um desses refugiados foi o arménio Calouste Gulbenkian, que
permaneceu no país tendo legado uma das mais importantes instituições ao serviço da cultura em
Portugal.
Em Portugal, embora se reconhecesse o mérito da obra de Salazar no que respeita à reorganização
financeira, à restauração económica e à defesa da paz, muitos entenderam que tinha chegado a
oportunidade de mudança política. Assim, o País era agitado pelos movimentos grevistas de 1942-
1943, parcialmente dirigido pelo P.C.P. Em 1944-1945, acompanhando a agitação social, surge o
ilegal Movimento de Unidade Antifascista (M.U.N.A.F.), que conta com o apoio do P.C.P. e dos
republicanos históricos.
Ainda em 1944 regista-se mais um levantamento militar sem consequências para o poder, a revolta
da Mealhada. Ao terminar o conflito, o regime vê-se confrontado com um amplo movimento
político de oposição, semiespontâneo, que originou o Movimento de Unidade Democrática,
perspectivando o fim do regime, devido à vitória das democracias.
Terminada a Segunda Guerra Mundial, Salazar dirigiu a política externa Portuguesa claramente para
o "bloco Ocidental", como já tinha sido patente nos últimos anos da Guerra pela cada vez maior
colaboração com os Aliados, que incluiu a cessão da Base das Lajes. Do ponto de vista militar,
Portugal foi membro fundador da NATO em 1949 ao lado do Reino Unido, sempre visto por
Salazar como o tradicional aliado de Portugal.
Do ponto de vista de integração económica, foi também membro fundador em 1960 da Associação
Europeia de Comércio Livre (EFTA), juntamente com a Áustria, Dinamarca, Noruega, Suécia,
Suíça e Reino Unido. Isto permitiu uma maior abertura ao comércio internacional da economia
Portuguesa que, deste modo, cresceu exponencialmente nos anos que se seguiram. Entre 1960 e
1972 o volume do comércio externo Português quadruplicou. Nesse ano já cerca de 70% do

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comércio externo da Metrópole era feito com os outros estados membros da EFTA, representando
as colónias uma percentagem bem mais diminuta.
Apesar de não ter relações diplomáticas com países do bloco Comunista, manteve relações
comerciais quer com a República Popular da China, que durante as décadas de cinquenta e sessenta
fazia uma boa parte do seu comércio externo através de Macau, e outros países Socialistas
Asiáticos. Em 1961, no seguimento da invasão do Estado Português da Índia, corta relações
diplomáticas com a União Indiana.
Com o início das guerras coloniais, em 1961, um novo período começa, caracterizado por uma
maior abertura exterior e por um processo de industrialização do País. É o novo arranque da
industrialização, iniciada nos anos da guerra, face a uma conjuntura de maiores facilidades
concorrenciais, desenvolvida em 1951-1952 e continuada com o Primeiro Plano de Fomento (1953-
1958).
Em Março de 1961, no norte de Angola acaba por estalar uma sangrenta revolta, com o assassínio
de colonos civis. A chacina merece de Salazar a resposta “Para Angola rapidamente e em força”.
Defensor de uma política colonialista, Salazar alimenta as fileiras da guerra colonial, que se espalha
à Guiné e a Moçambique, com o propósito de manter as chamadas províncias ultramarinas sob a
bandeira portuguesa.
Nos termos da Resolução 1514 da Assembleia Geral das Nações Unidas, a ONU e muitos dos seus
Estados membros começam a pressionar o governo de Salazar para acelerar a descolonização. Este
recusa a descolonização, mas colabora sempre com o Comité de Tutela das Nações Unidas. No
âmbito dessa colaboração, Salazar providenciava anualmente estatísticas e dados nos quais
demonstrava os esforços portugueses em melhorar a vida das populações das suas colónias.
Nessa altura são fundadas as primeiras Universidades na África Portuguesa, bem como uma rede de
escolas e hospitais que ainda corresponde hoje em dia, com poucas alterações, às redes escolar e
hospitalar dos países independentes que formavam o Império Português. Mesmo assim, e desde o
final da Segunda Guerra Mundial, que a comunidade internacional e a ONU vinham a defender a
implementação de uma política de descolonização em todo o mundo.
O Estado português recusou-se a conceder a autodeterminação aos povos das regiões colonizadas.
Salazar, praticando uma política de isolacionismo internacional sob o lema “Orgulhosamente sós”,
levou Portugal a sofrer consequências extremamente negativas a nível cultural e económico.
Em 1968, o Regime é de novo abalado com o acidente de Salazar, que o impossibilita de
desempegar qualquer cargo público. Marcelo Caetano é chamado a constituir o novo governo e
inicia uma nova etapa do Estado Novo a que chamará “evolução na continuidade”.
As guerras coloniais desenvolviam-se em três frentes perante o isolamento internacional do País.
Com a morte física de Salazar, em 1970, tornou-se mais aguda a luta entre conservadores e liberais
e Marcelo Caetano não conseguiu orientar o País para soluções duradouras. A revisão constitucional
de Marcelo Caetano, em 1971, apesar da integração de um sector liberal na Assembleia Nacional,
não trouxe alterações de fundo.
Sob novas designações, as instituições fundamentais do regime mantiveram-se, reforçou-se o poder
executivo, mas a liberalização não se verificou. A oposição fez o seu aparecimento com atentados
bombistas, enquanto se multiplicaram as acções grevistas. Em Março de 1974 verificou-se uma
revolta militar nas Caldas da Rainha, que prenunciava o fim próximo do regime.
Problemas corporativos no seio do oficialato miliciano, suporte efectivo das guerras coloniais,
conduziram à preparação do golpe militar que, em 25 de Abril de 1974, derrubou o Estado Novo.
(Fonte: Dicionário Enciclopédico da História de Portugal e Wikipedia)

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As figuras do Estado Novo
António de Oliveira Salazar
António de Oliveira Salazar nasceu a 28 de Abril de 1889 em Santa Comba Dão e morreu em
Lisboa a 27 de Julho de 1970. Político português e professor catedrático da Universidade de
Coimbra, notabilizou-se pelo facto de ter exercido, de forma autoritária e em ditadura, o poder
político em Portugal entre 1932 e 1968.
Como ministro das Finanças entre 1928 e 1932, procedeu ao saneamento das finanças públicas
portuguesas, dirigiu os destinos de Portugal, como Presidente do Conselho de Ministros, entre 1932
e 1968. Instituiu o Estado Novo e a União Nacional, utilizando a Propaganda e a Repressão como
medidas para garantir a força do Regime.
“Com a criação da Censura, da organização de tempos livres dos trabalhadores FNAT, da Mocidade
Portuguesa (Masculina e Feminina), o Estado Novo garantia a doutrinação de largas massas da
população portuguesa, enquanto que a PVDE (posteriormente PIDE), em conjunto com a Legião
Portuguesa, garantiam a repressão de todos os opositores ao regime autoritário, normalmente
julgados nos Tribunais Militares Especiais e posteriormente, nos Tribunais Plenários, sem que se
observassem as garantias de defesa aos réus, pois era norma as testemunhas de acusação serem
igualmente agentes daquelas polícias políticas. Uma das características das penas aplicadas era de
serem de X tempo e "um dia". “ (Fonte: Wikipedia)
O Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, surge como destino para vários opositores
ao regime. Para lá eram deportados, onde morreram mais de trinta pessoas em pouco mais de nove
anos. O Campo de Concentração do Tarrafal foi encerrado em consequência dos resultados da
Segunda Guerra Mundial.
“Apoiando-se na doutrina social da Igreja Católica, Salazar orienta-se para um corporativismo de
Estado autoritário, com uma linha de acção económica nacionalista assente no ideal da autarcia.
Esse seu nacionalismo económico levou-o a tomar medidas de proteccionismo e isolacionismo de
natureza fiscal, tarifária, alfandegária, para Portugal e suas colónias, que tiveram grande impacto
sobretudo até aos anos sessenta.” (Fonte: Wikipedia)

António Ferro
António Ferro nasceu e morreu em Lisboa no ano de 1895 e de 1956, respectivamente. Foi escritor,
jornalista e político português.
Como jornalista participou na revista Orpheu, nos diários O Jornal (1915), O Século e Diário de
Notícias. Dirigiu a revista Ilustração Portuguesa e fundou a revista Panorama. Em 1921 publicou o
manifesto modernista “Nós”.
Logo após a ter publicado um livro de entrevistas com o Salazar (Salazar, o Homem e a Obra), este
convidou-o para seu colaborador com as funções simultâneas de chefe da propaganda e de
responsável pelo sector cultural. De 1933 a 1949, António Ferro dirigiu o Secretariado da
Propaganda Nacional (SPN), tendo formulado a política de fomento cultural e de propaganda do
regime. Foi mesmo Ferro que sugeriu a criação do Secretariado de Propaganda Nacional, que no
final da Segunda Guerra Mundial passou a chamar-se Secretariado Nacional de Informação (SNI).
Esteve ligado às áreas do espectáculo, jornalismo, turismo e às actividades culturais em geral. Foi
comissário-geral das exposições internacionais de Paris (1935) e de Nova Iorque (1938), fundador
do Museu de Arte Popular, do Grupo de Bailado Verde Gaio e presidente da Emissora Nacional
(1941). Como era um homem de cultura e de espírito, Ferro serviu-se do organismo criado para
defender e divulgar alguns dos artistas mais arrojados do seu tempo. Travou lutas com os
conservadores do regime em defesa da arte moderna. (Fonte: Wikipedia)

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Marcelo Caetano
Marcelo Caetano nasceu em Lisboa a 17 de Agosto de 1906, vindo a falecer no Rio de Janeiro a 26
de Outubro de 1980. Foi um jurista, professor universitário de direito, historiador e político, tendo
sido o último Presidente do Conselho do Estado Novo.
Ingressou na carreira política nos anos 30 e apoiou o regime autoritário de Salazar. Colaborou na
redacção do Estatuto do Trabalho Nacional e da Constituição de 1933 e ocupou, a partir da década
de 1940, alguns dos cargos mais importantes no Estado Novo. Em 1934, apresentou o projecto de
Código Administrativo, que regula todos os aspectos da administração autárquica: o orgânico, o
financeiro, o pessoal e o contencioso. Este veio a tornar-se no Código adoptado nesse ano. Presidiu
à comissão que reviu o Código e publicou um novo em 1939. Em 1937, publicou o Manual de
Direito Administrativo.
De 1944 a 1947 foi Ministro das Colónias e de 1955 a 1958 foi presidente da Câmara Corporativa e
Ministro da Presidência do Conselho de Ministros. Nesta última data, na sequência de uma crise
política interna do regime, viu-se afastado por Salazar da posição de número dois do regime,
aceitando porém assumir funções destacadas no partido único, União Nacional, como presidente da
comissão executiva da UN. Em 1968, na altura do afastamento de Salazar, foi nomeado Presidente
do Conselho de Ministros.
Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, Marcelo Caetano foi destituído de todos os seus cargos,
exilando-se no Brasil com a família. (Fonte: Wikipedia)

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Os mecanismos do Estado Novo
União Nacional
A União Nacional (UN) foi fundada em 30 de Julho de 1930, constituída para apoiar a criação e a
manutenção do regime político que se estabeleceu em Portugal com a aprovação da Constituição de
1933 - o Estado Novo.
A partir de 1934, a União Nacional concorreu às eleições para a Assembleia Nacional em sistema de
lista única. O Movimento de Unidade Democrática tentou em 1945 e 1949 candidar-se às eleições
presidenciais, no entanto acabou por se retirar em ambas as eleições, por falta de condições para
apresentar a sua candidatura e, assim, apenas a União Nacional se apresentou a sufrágio.
O cargo de Presidente da Comissão Central da União Nacional cabia sempre ao primeiro-ministro
em exercício. Primeiro António de Oliveira Salazar e depois Marcelo Caetano. Isto devia-se a ser
uma organização centralizada e intimamente ligada ao Governo.
Mais uma vez a Repressão funcionou para reforçar o poder do partido único. Este monopolizou por
mais de uma década a representação política, dado que toda a oposição era perseguida. Apenas em
1945, como reflexo do desfecho do conflito mundial, Salazar cedeu algumas liberdades formais e
pontuais às oposições, tolerando a sua participação em campanhas eleitorais e a consequente
apresentação de listas.
Apesar dessa abertura, a União Nacional garantiu o monopólio da representação parlamentar,
elegendo sempre a totalidade dos deputados e asseguraram que os Presidentes da República eleitos
durante a vigência do regime fossem sempre aqueles que ela escolhia e apoiava. (Fonte: Wikipedia)

Mocidade Portuguesa
A Mocidade Portuguesa, foi criada pelo Decreto-Lei nº 27 084 de 19 de Maio de 1936, em execução
da base XI da Lei nº 1941 de 11 de Abril do mesmo ano, e terminou em 1974.
Na origem da Mocidade Portuguesa encontram-se a Liga da Mocidade Portuguesa de 1933 e a
Acção Escolar Vanguarda (AEV) de 1934. Formalmente independente, aparece ligada quer ao SPN,
quer à União Nacional. Com a passagem para a alçada do Ministério da Instrução, a AEV dissolve-
se rapidamente e é enquadrada, em 1936, na Mocidade Portuguesa através do Decreto-Lei nº 27
084, na vigência do Ministro Carneiro Pacheco.
O regulamento da Mocidade Portuguesa seria aprovado pelo Decreto-Lei nº 27 311 de 4 de
Dezembro de 1936. Funcionando sobre a direcção de um comissário nacional nomeado pelo
ministro da Educação Nacional, era constituída por quatro escalões etários: “lusitos”, dos 7 aos 10;
“infantes”, dos 10 aos 14; “vanguardistas”, dos 14 aos 17; e “cadetes”, dos 17 aos 25 anos.
Os dois primeiros escalões eram de filiação obrigatória. A organização, de carácter paramilitar,
compunha-se de “quinas” (seis elementos); “castelos” (30 elementos); “bandeiras” (120 elementos);
e “falanges” (240 elementos). Cada “quina” era dirigida por um chefe de “quina”, tendo os
dirigentes de níveis superiores a designação de “comandantes”. A estrutura assentava nos centros da
Mocidade Portuguesa espalhados pelo País.
Em 1951 existiam 546 centros da Mocidade Portuguesa, sendo 297 esolares, 153 extraescolares e
96 especializados. As actividades da Mocidade Portuguesa passaram a ter, sobretudo, um carácter
assistencial e desportivo. Pelo Decreto-Lei nº 47 311 de 12 de Novembro de 1966 a sua acção foi
restringida às actividades circum-escolares, acção social escolar e ocupação de tempos livros da
juventude não escolar. (Fonte: Dicionário Enciclopédico da História de Portugal – Mocidade
Portuguesa)

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Legião Portuguesa
Formação de milícias criada pelo Decreto-Lei nº 27 058 de 30 de Setembro de 1936, na sequência
de uma manifestação e comício realizados no Campo Pequeno, em Lisboa, em Agosto desse ano, e
promovidos por forças nacionalistas apoiantes de rebelião franquista em Espanha que pediam ao
Governo a criação de uma força civil paramilitar de defesa do regime contra a “ameaça comunista”.
Dirigida por uma junta central, nomeada pelo ministro do Interior, a Legião estava estritamente
subordinada ao Governo e às ordens das autoridades civis e militares encarregadas da “manutenção
da ordem pública”. Era aberta ao indivíduos com mais de dezoito anos, que prestavam um
juramento político e recebiam treino militar.
De acordo com o respectivo regulamento, os legionários envergavam um uniforme que constava de
uma camisa verde de “tipo colonial” com a cruz de Cristo (o símbolo da organização) do lado
esquerdo do peito, calça (com ou sem polaina) e barrete de bivaque. Faziam a saudação romana. A
sua organização militar era idêntica à do Exército, com outras designações: quinas, secções, lanças,
terços e batalhões. A filiação era formalmente voluntária, se bem que a realidade demonstrou que a
manutenção ou acesso a muitos lugares públicos ou privados dependia da inscrição na Legião.
Até à Segunda Guerra Mundial, a organização manteve o seu carácter fascizante de milícia
paramilitar de defesa do regime. No pós-guerra, o governo tentou atribuir-lhe a natureza de
“organização civil de defesa do território”, confiando-lhe aparentemente tarefas menos politizadas
de defesa civil e socorro às populações, sem prejuízo de uma continuada e particularmente intensa
acção doutrinária e propagandística anticomunista.
No entanto, e desaparecido o fulgor dos primeiros tempos, além de um grupo de pressão ao serviço
de certos hierarcas do regime, a Legião era sobretudo uma política de informações paralela à polícia
política do regime, com ela colaborando ou concorrendo, e uma tropa de choque que tomava a seu
cargo certas operações “sujas”: espancamentos de oposicionistas, agressão de manifestantes,
arruaça em reuniões públicas hostis ao governo, assalto e destruição de livrarias “suspeitas”,
ameaças de morte, fraudes eleitorais, etc, além da acção de informação e vigilância policiais.
Para o efeito, dispunha de um bem fornecido ficheiro policial, de um sofisticado sistema de
comunicações, de redes de informadores e de uma “força automóvel de choque” (FAC), que fazia
vigilância e intervinha nas “operações” de rua.
Foram presidentes da Junta Central da Legião as mais gradas figuras civis e militares do Estado
Novo, como o Professor Costa Leite “Lumbrales”, o Marechal Craveiro Lopes ou o Comandante
Henrique Tenreiro. A sede central da Legião (no quartel da Penha de França, Lisboa) e as demais
instalações foram ocupadas e encerradas pelas forças armadas no 25 de Abril de 1974, tendo sido a
organização dissolvida.
O seu espólio foi inicialmente confiado aos Serviços de Extinção da PIDE, da Legião Portuguesa,
do EMGFA, tendo o respectivo arquivo transitado recentemente (Maio de 1985) para a guarda do
Arquivo Nacional da Torre do Tombo. (Fonte: Dicionário Enciclopédico da História de Portugal –
Legião Portuguesa)

PIDE
A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), foi a polícia política portuguesa entre 1945 e
1969. Foi criada pelo Decreto-Lei n.º 35 046, de 22 de Outubro de 1945, substituindo a Polícia de
Vigilância e Defesa do Estado, de quem herdou a estrutura, métodos e funções.
Apresentada como um "organismo autónomo da Polícia Judiciária", nos moldes da Scotland Yard, a
PIDE foi realmente uma polícia política cuja principal função consistiu na repressão de qualquer

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forma de oposição ao Estado Novo de Salazar.
A função da PIDE ia além da de polícia política, sendo igualmente responsável pelo controlo de
estrangeiros e fronteiras, pela informação e contra-espionagem, pelo combate ao terrorismo e pela
investigação de crimes contra a segurança do estado.
A PIDE exercia actividade em todo o território português no sentido de evitar dissidências nas
organizações civis e militares, usando meios e métodos baseados nas técnicas alemãs aplicadas na
Gestapo. Foi considerada por muitos historiadores uma das polícias mais eficientes de sempre.
Justificava as suas actividades com o combate ao internacionalismo proletário e comunismo
internacional.
Pelo Decreto-Lei n.º 49 401, de 24 de Novembro de 1969, o Governo presidido por Marcelo
Caetano substituiu a PIDE pela Direcção-Geral de Segurança (DGS), que, por sua vez, foi extinta
na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, pelo Decreto-Lei n.º 171/74, de 25 de Abril.
A PIDE era temida pela utilização da tortura e foi responsável por alguns crimes sangrentos, como o
assassinato do militante do Partido Comunista Português (PCP) José Dias Coelho e do General
Humberto Delgado.
Durante as guerras coloniais, a polícia política, até aí virtualmente ausente dos territórios africanos,
assumiu nos três teatros de operações a função de serviço de informações e, constituindo,
enquadrando e dirigindo milícias próprias, compostas por africanos, por vezes desertores das
guerrilhas, colaborou com as forças militares no terreno.
Neste âmbito, poderá a sua acção ter também ultrapassado as fronteiras; com efeito, são-lhe
atribuídas responsabilidades, quer no atentado que vitimou o dirigente da FRELIMO Eduardo
Mondlane, quer na manipulação dos descontentes do PAIGC que, num "golpe de Estado" dentro do
partido, assassinaram o dirigente independentista Amílcar Cabral. (Fonte: Wikipedia)

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Conclusão

Depois de recolhidas informações históricas, (naturalmente aleatórias, segundo o autor), tentei


absorver os conhecimentos vividos por contemporâneos do “Estado Novo”, até por força da minha
profissão.
Concluí que Salazar não era dado a cópias de regimes e minimamente a ideologias importadas.
Pura e simplesmente era Português.
Podemos talvez acusá-lo de nacionalismo exacerbado (?).
Entretanto, analisando a conjuntura nacional e internacional, a partir da implantação da República
Portuguesa (5 de Outubro de 1910) até à sua morte, sou forçada a interiorizar que Salazar era
dotado de uma inteligência e seriedade nacional ímpar.
Senão vejamos:
A implantação da República fez surgir ideias novas, revolucionárias, baseadas na teoria de
Engels e Marx, culminadas com a revolução soviete na Rússia por Lenine (1917).
Estes ideiais semearam o caos económico e político em Portugal (em 1974, após a Revolução dos
Cravos, assistimos a uma réplica dos mesmos ideais).
Sendo Salazar proveniente de uma criação humilde, e logo católica, foi de certa forma um ser
priveligiado no percurso académico com as dificuldades inerentes.
Experiência de vida, diriam alguns (não aplicável aos políticos actuais).
Na verdade, Salazar enfrentou, no início da sua vida política, o mais terrível dos flagelos numa
Família (leia-se País), a bancarrota e a desorganização total leva quase sempre à desunião.
Logo de seguida teve entre mãos uma guerra civil espanhola (1936-1939) que geriu com
superioridade, defendendo os interesses nacionais.
Assistiu, logo de imediato, a uma Segunda Guerra Mundial (1939-1945) da qual soube tirar os
proveitos económicos conhecidos com a inteligência dos grandes estadistas, priveligiando sempre a
Nação Portuguesa.
Entretanto, o mundo geopolítico mudou no pós-guerra. (Orgulhosamente sós!) Interiorizava,
possivelmente, uma vitória política e económica pessoal da qual Salazar não soube libertar-se no
momento adequado no que respeita às províncias ultramarinas.
Não deixemos entretanto levar-nos por pseudo-democráticos que tentam apagar a imagem de um
homem português dedicado, honesto, nacionalista que nasceu pobre e assim morreu.

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