Vous êtes sur la page 1sur 77

Fixação Biológica do Nitrogênio

FBN
Ênfase em leguminosas

1
Fotos: Stoller do Brasil Ltda.
A ANPII
• A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de
inoculante é uma entidade sem fins lucrativos que congrega
produtores e importadores de inoculante, visando difundir o
uso deste importante insumo biológico, bem como
desenvolver ações contínuas para o melhoria de qualidade
dos produtos colocados à disposição dos agricultores.
• Fundada em 1990, a entidade vem seguidamente realizando
palestras e outras ações que levam ao agricultor brasileiro as
mais atualizadas informações sobre esta importante
tecnologia.
• Com este curso, a ANPII leva a informação aos agrônomos,
técnicos agrícolas, estudantes de agronomia e agricultores,
mostrando os aspectos teóricos e práticos para a máxima
rentabilidade das lavouras de leguminosas.

2
Empresas filiadas à ANPII

Para acessar as páginas das empresas, vá até a página da ANPII: 3


www.anpii.org.br
Estrutura do curso
• O curso está estruturado de forma a dar uma continuidade entre
todos os tópicos, visando a formação de um raciocínio lógico entre
os diversos módulos. Assim, é importante que se termine e entenda
perfeitamente o conteúdo de um módulo antes de passar para o
seguinte. Para navegar dentro dos módulos, clique nos botões de
Informação - - e será encaminhado para outro slide com a
ampliação das informações. Após, clicar no botão de retorno - - e
retornará ao slide no qual se encontrava.
• Responda às questões do final do módulo antes de acessar o
gabarito, para ver se de fato entendeu bem. Se o acerto foi baixo,
refaça o módulo, procurando focar nas questões onde ocorreram os
erros.
• Entre nas páginas cujos links se encontram nas aulas ou no final do
curso. Eles trazem informações sobre o assunto.

4
Módulo 1
A importância do nitrogênio para o seres
vivos. O N na natureza. O papel dos
microrganismos. A transformação do N
atmosférico em N assimilável pelas plantas.A
fixação biológica.

5
A importância do nitrogênio para a
vida na terra
• Todos os seres vivos necessitam de proteínas para seus processos
vitais. E como as proteínas possuem elevadas quantidades de
nitrogênio, este nutriente é essencial para todos os seres vivos da
terra. Os animais herbívoros assimilam nitrogênio através dos
pastos, os carnívoros através da proteína de outros animais e os
onívoros, como o homem, tanto pelas proteínas vegetais como
animais.
• Nenhum ser vivo, a não ser alguma espécies de microrganismos,
possui a capacidade de aproveitar o nitrogênio existente no ar.
• Este é um dos paradoxos da natureza. O N existe em abundância
na atmosfera: 79% do ar é composto de nitrogênio mas, ao mesmo
tempo, este nutriente é considerado escasso nos solos e caro para
a alimentação.

6
A química do N na natureza
• Esta indisponibilidade do N atmosférico ocorre porque a forma como
ele se encontra é uma molécula com tríplice ligação, tornando a
molécula muito pouco reativa - N N.
• Para romper esta ligação há necessidade de grande quantidade de
energia. Para transformar o N atmosférico em amônia nas indústrias
de fertilizantes, é necessária uma temperatura de 500º C e 250 atm.
de pressão, além do consumo de elevadas quantidades de gás
natural.

• A reação: N2 + 3 H2 2 NH3

• Quando ocorrem descargas elétricas na atmosfera, durante as


tempestades, uma certa quantidade de moléculas de N2 é rompida e o
nitrogênio, aí sob a forma de óxidos, é carreado pelas chuvas para o
solo. Estima-se, de uma maneira geral, que este aporte do nutriente
seja, em média, de 10 kg/ha, variando para mais em regiões tropicais
e para menos em regiões frias.
7
A transformação biológica do nitrogênio
• Aparentemente paradoxal, por sua abundância no ar e escassez no solo, o N
conta com mecanismos biológicos para sua incorporação ao sistema solo-
planta.
• Um grupo de microrganismos, chamados diazotróficos, que habitam o solo e
outros ambientes, possui a capacidade de, em condições ambientais,
combinar o nitrogênio com amônia, incorporando-o às cultura perenes ou
anuais. Durante milhares de anos as plantas foram abastecidas de nitrogênio
graças ao aporte pelas chuvas e pelo sistema biológico.
• Como estes microrganismos realizam a reação? Na forma de vida livre ou em
associações simbióticas, estas bactérias ou os sistemas por eles gerados,
possuem um complexo enzimático denominado Nitrogenase, que catalisa a
reação, tornado-a possível sem as condições drásticas de energia
necessárias quando não se dispõe do catalisador biológico. Você lembra
como atua um catalisador? Se não lembrar, clique no ícone ao lado e vá até o
slide que mostra isto.
• De uma forma esquemática, estas transformações do N na natureza podem
ser sintetizadas no Ciclo do Nitrogênio. Clique no ícone para ver:

8
Os organismos fixadores de nitrogênio
• Por fixação do nitrogênio entende-se o processo pelo qual este
elemento passa da forma molecular como se encontra na atmosfera,
para uma forma química, orgânica ou inorgânica, disponível para
organismos. Assim, tanto o processo químico como os processos
biológicos são classificados como formas de fixar o nitrogênio.
• Na natureza existe um número ainda não determinado de
microrganismos capazes de fixar o nitrogênio. Ano após ano
descobrem-se novos microrganismos, em sua maioria oriundos do solo,
que realizam o processo e incorporam o nutriente ao solo.
• De uma forma didática, estes organismos podem ser classificados em
três categorias:
– De vida livre não associativos
– De vida livre associativos
– Simbióticos.
• A grande maioria dos estudos sobre fixação é sobre bactérias, mas
existem outros organismos fixadores, como algas (Azola, p.ex.). Alguns
fungos também podem fixar N mas sob condições muito específicas,
segundo alguns autores.

9
"A mente que se abre a uma nova
idéia, jamais voltará ao seu
tamanho original." (Albert Einstein)

10
Bactérias fixadoras
• De vida livre, não associativas.
– Estas bactérias vivem de forma livre no solo e
algumas em água, mais ou menos independente da
cobertura vegetal e das condições de solo. Ocorrem
com mais intensidade em solos com elevado teor de
matéria orgânica, pois ali encontram nutrientes em
grande quantidade. Estas bactérias possuem a
enzima nitrogenase em seu corpo, fixam o N para
formar suas proteínas e depois o liberam para o solo.
– Os principais gêneros deste tipo são:
• Azotobacter
• Derxia
• Beijerinckia
• Clostridium (anaeróbica)

11
Bactérias fixadoras
• De vida livre associativas
– Estas bactérias podem viver livremente no solo mas também se associam
com raízes de várias plantas, alojando-se nas camadas superficiais das
raízes, fixando nitrogênio e transferindo parte deste para a planta.
– Alguns autores as classificam associativas facultativas e obrigatórias.
– Hoje estas bactérias são objeto de muitos estudos, já estando em
desenvolvimento inoculantes para uso em diversas gramíneas, como
milho, trigo, arroz e cana de açúcar. Além do efeito na fixação do N, estas
bactérias também tem, em maior ou menor grau, poder de estimular o
enraizamento das plantas, pela produção de hormônios de crescimento.
– O principais gêneros são:
• Azotobacter (A. paspali)
• Azospirillum
• Herbaspirillum
• Burkholderia
• Glucanoacetobacter

12
Vamos curtir Portinari?

13
Bactérias fixadoras
• Simbióticas
– Como o nome está dizendo, estas bactérias formam sistemas simbióticos com
plantas, criando novas estruturas – nódulos – onde vai ser gerada a enzima
nitrogenase e um complexo sistema bioquímico. A enzima nitrogenase não
existe na planta e nem na bactéria. Só será formada dentro da nova estrutura.
– A simbiose só ocorre nas plantas da família das Leguminosas.
– No interior do nódulo ocorre a transformação do nitrogênio molecular, aportado
pela solução do ar no solo, em amônia, que vai sofrer diversas transformações e
se deslocar através da seiva para a parte aérea da planta. Por sua vez, a
bactéria vai se nutrir de carboidratos aportados pela planta, formando, assim, um
típico sistema simbiótico.
– Este sistema é conhecido desde o sec. XIX e vem sendo utilizado na agricultura
desde meados do Sec. XX. Hoje, o uso destas bactérias já se constitui em uma
excelente tecnologia agrícola, trazendo benefícios tanto para aumento de
produtividade nas culturas de leguminosas, como no enriquecimento do solo em
nitrogênio, melhorando sua fertilidade. Clique no ícone ao lado e veja como se
forma o nódulo:

14
Questões importantes.
• Tente responder estas questões sem olhar nos
slides anteriores. Depois confira os acertos
(esperamos 100%...)
– Como se explica que o nitrogênio sendo tão abundante
na atmosfera seja escasso nos solos e sua aquisição
sob forma de fertilizante mineral tão cara?
– Porque a reação de transformação do N2 em amônia
requeira tanta energia quando feita no laboratório e se
realize à temperatura ambiente no interior do nódulo?
– Qual a diferença fundamental entre as bactérias de vida
livre e as simbióticas?

15
Fim do primeiro módulo

16
Papel do catalisador
Reação: A + B C
Sem catalisador

Energia
necessária

A+B
Com catalisador C

Progresso da reação

O catalisador baixa o nível de energia necessário para a reação


17
Ciclo do nitrogênio

a) raízes de plantas capturam o nitrogênio no ar;


b) proteínas então são formadas pelas plantas;
c) animais se alimentam das proteínas formadas;
d) microrganismos decompõe a matéria orgânica disponibilizando o nitrogênio nas formas minerais
e) bactérias criam nitratos são criados pela conversão da amônia; Fonte:
f) fertilizantes são utilizados pelo homem; 18
/www.algosobre.com.br/quimica/ciclos-
g) plantas absorvem os nitratos contidos nos fertilizantes quimicos.html
Formação do nódulo

Formação de Nódulos
Efeito rizosfera

Encurvamento do
pelo radicular

Formação do nódulo

19
N. D. Denardin (2008) R
Módulo 2
O inoculante. Classificação do rizóbio.
Seleção de estirpes. Produção. Padrões
de qualidade. Número de bactérias por
semente. Cadeia do inoculante.

20
Inoculantes
 Inoculante, por definição legal, tal como se encontra na legislação do Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, é “todo o produto que
contenha microrganismos favoráveis ao crescimento de plantas”.
 Como vemos, o inoculante contém microrganismo sendo, portanto, um produto
vivo. Esta é a forma de se inserir a bactéria no solo, para estar presente junto às
raízes, no momento em que esta se formar a partir da germinação das sementes.
 Como veremos adiante, hoje existem inoculantes em duas formas físicas: sólidos
(em pó, tendo a turfa como sua suporte para as bactérias) e fluídos (líquidos, com
a bactéria estabilizada em seus processos metabólicos por protetores celulares).
 Antigamente as bactérias fixadoras eram todas classificadas dentro de um
gênero, Bacillus radicícola. Posteriormente foram classificadas como Rhizobium
e, atualmente com os novos critérios de genética são classificadas em diversos
gêneros e espécies.
 É importante que se saiba que as bactérias são específicas para determinados
grupos de plantas. Assim, um gênero que nodula a soja não irá nodular o feijão e
vice versa. No slide a seguir vemos a tabela de classificação.

21
Estirpes
 Além da divisão em gênero e espécie, as bactérias se subdividem em estirpes, antigamente chamadas
raças (strains, em inglês, cepas em espanhol e souches em francês). Estas estirpes se diferenciam entre
si pela maior ou menor capacidade de fixar o nitrogênio e transferi-lo para as plantas.
 Assim como se selecionam plantas e animais por suas características produtivas, também existe um
enorme trabalho para selecionar estirpes de rizóbios, para que as mais produtivas sejam incorporadas ao
inoculante. As estirpes selecionadas passam a ser recomendadas e são cadastradas pelo MAPA para que
possam ser usadas na produção de inoculantes. Por lei, as empresas só podem produzir Inoculantes com
as estirpes recomendadas, o mesmo acontecendo com empresas estrangeiras que exportam seus
Inoculantes para o Brasil
 O Brasil tem um sistema de seleção e de recomendação que é modelo para o mundo, pois o sistema já tem
mais de vinte anos de funcionamento e as estirpes usadas no país são de alta eficiência.
 Entidades como a Embrapa Soja, a Embrapa Cerrado, a Embrapa Agrobiologia e a EMBRAPA Centro
Oeste, bem como a FEPAGRO (P. Alegre, RS) e o IAC (Campinas, SP), entre outras, mantém um intenso
programa de seleção de estirpes.
 Após o processo de seleção os trabalhos são apresentados na reunião da RELARE (Rede de Laboratórios
para Recomendação, Padronização e Difusão de Tecnologia de Inoculantes Microbianos de Interesse
Agrícola) e, se aprovados o MAPA cadastra as estirpes.
 O processo de seleção é longo e complexo. Começa em casa de vegetação, em vasos com areia e solução
nutritiva, passa para vasos com solo e depois são feitos testes de campo em diversas regiões do Brasil,
com experimentação em rede, por três ou mais anos.

22
Classificação do rizóbio
Bactéria Leguminosa
Bradyrhizobium japonicum Soja
Bradyrhizobium elkanii
Rhizobium leguminosarum, biovar Feijão
phaseoli
Rhizobium tropici
Rhizobium etli
Rhizobium leguminosarum, biovar vicae Lentilha, ervilha

Rhizobium leguminosarum, biovar trifolii Trevos

Sinorhizobium meliloti Alfafa, trevo carretilha

Mesorhizobium loti Lotus corniculatus

Bradyrhizobium spp. Amendoim, leguminosas tropicais


Icentrosema, mucuna, caupí,etc.). 23
Cansou? Viaje um pouco por estas montanhas

24
24
Produção de inoculante
 Já vimos que os inoculantes devem ser produzidos com estirpes selecionadas.
Estas estirpes ficam guardadas em um Banco de Estirpes, localizado na
FEPAGRO, órgão da Secretaria de C&T do R. G. do Sul, em Porto Alegre.
Anualmente este Banco envia as estirpes liofilizadas para as empresas
registradas no MAPA (o registro é condição obrigatória para a produção).
 Aí se inicia todo um processo super cuidadoso visando a produção do
inoculante. A ampola recebida é aberta cuidadosamente em câmara assética
(câmara de fluxo laminar) e repicada para tubo ou placa de Petri com meio de
cultura apropriado, onde irá se desenvolver. A seguir, vai sendo cultivada
sempre em maior escala, até chegar aos fermentadores para ser cultivada em
grande volume de meio de cultura líquido. Conforme a indústria, há
fermentadores de diversos tamanhos,podendo variar de 200 a 2.000 L ou mais.
Estes fermentadores são aerados com ar filtrado em filtros absolutos. O caldo
também é permanentemente agitado, para perfeita homogeneização do
crescimento bacteriano.
 Aliás, você conhece a curva típica de crescimento bacteriano? Se não lembra,
clique no ícone ao lado para ver.

25
Produção de inoculante
 Após o caldo atingir uma elevada concentração (acima de 5 X 109 bactérias por
mL), é feita a segunda etapa do processo: mistura com a turfa (inoculante em pó)
ou com os protetores celulares (inoculante líquido).
 No caso do pó, a turfa é extraída da jazida, seca, moída e tem seu pH corrigido. A
seguir é embalada já na embalagem final e enviada para esterilização por raios
gama, para eliminar todos os microrganismos ali existentes, ficando apta a
receber a cultura do rizóbio que crescerá livre de competição e antagonistas.
Como operação seguinte, o caldo é injetado nos pacotes e o inoculante ficará
alguns dias em maturação para que a bactéria se desenvolva na turfa.
 No caso do líquido, a bactéria é misturada com substâncias protetoras, também
esterilizadas, e daí vai para as embalagens finais, que podem ser frascos ou
sachês, conforme a empresa.
 Todas estas operações são de extrema complexidade e devem ser executadas por
pessoal especializado e em ambientes dotados da maior assepsia, pois o risco de
contaminação por microrganismos do ar é muito grande.
 O que sempre deve ser transmitido ao agricultor é que o inoculante é um produto
de alta tecnologia, apesar de seu baixo preço. Dentro de cada pacote de
inoculante existe um grande trabalho de pesquisa, feito por cientistas de alta
capacidade e uma produção super cuidadosa, para garantir um produto de
elevada qualidade.

26
Padrões de qualidade
 O inoculante hoje é regulado por Lei específica e por diversas portarias
do MAPA, visando garantir que o produto chegue dentro das condições
especificadas às mãos do agricultor. Os fiscais do Ministério fiscalizam
rigorosamente as empresas de inoculantes, coletando amostras que
são enviadas ao laboratório de referência (FEPAGRO) para análise
oficial. As empresas que tiverem amostras fora do padrão poderão ser
penalizadas por multas, embargo do produto ou até suspensão ou
cassação do registro.
 Para obter registro, um inoculante deverá garantir no mínimo 1 X 109
(um bilhão) de células de Rhizobium/Bradyrhizobium por grama ou mL
de produto até o final do prazo de validade, que não poderá ser menor
que seis meses. Cada empresa poderá registrar qualquer concentração
acima desta, garantindo-a até o vencimento.
 O inoculante também deverá ter um baixo nível de contaminantes. A
legislação exige que o inoculante não apresente contaminantes abaixo
da diluição 1 X 10-5

27
Não sabendo que era
impossível, ele foi lá e fez.

28
Número de bactérias por semente
 Tão importante quanto se ter um elevado número de bactérias por grama, é se saber quantas
bactérias são necessárias por semente, para se obter uma elevada nodulação. Já vimos no Módulo 1
que as bactérias deverão estar ao redor do pelo radicular para que este se curve e forme o nódulo. A
pesquisa vem trabalhando há alguns anos para determinar o número mínimo de bactérias que deverão
ser colocadas em torno de cada semente, para que tenhamos uma nodulação eficaz.
 Esta número era de 80.000 ha 15 anos, depois aumentou para 16.000, mais tarde para 300.000, para
600.000 e, atualmente, a recomendação da RELARE e da Reunião de Pesquisa de soja é de 1.200.000
bactérias por semente, embora na legislação ainda permaneça o número de 600.000 bact/sem.
 Por que será que houve um aumento tão grande? Dois fatores são primordiais:
 Aumento da produtividade da soja. Há alguns anos atrás a produtividade era de 1.800 a
2.200 kg/ha. Atualmente exige-se no mínimo 3.000 kg/ha. Ora, se necessitamos mais grãos,
também necessitamos mais nitrogênio, o que exige mais bactérias.
 Uso de produtos (fungicidas, inseticidas e micro nutrientes) nas sementes. Estes produtos,
em maior ou menor grau, causam mortalidade de bactérias, o que exige que se coloque um
número mais elevado, prevendo uma taxa de mortalidade. Este assunto, produtos no
tratamento das sementes, será visto no módulo 4
 Se desejar ver resultados que mostrem o efeito do número de bactérias por semente, clique
no ícone ao lado

29
Evolução do número de bactérias por
semente – recomendação da pesquisa
1400000
1.200.000 Atual, aprovado
1200000 Em 2008
1000000

800000

600000 600.000
Bact/sem.
400000
160.000 300.000
200000 80.000

Cálculo do número de bactérias por semente:

Conc. Inoculante X dosagem 350.000 = Número médio de


Bact/sem. = ------------------------------------ sementes em uma saco de 50 kg.
350.000 30
Cadeia do inoculante

INFORMAÇÃO ASSISTÊNCIA FISCALIZAÇÃO


ADEQUADA TÉCNICA

PRODUTOR AGRICULTOR
PESQUISA
DE INOCUL.

ESTIRPES INOCULANTE USO CORRETO


EFICIENTES DE ALTA DO
QUALIDADE PRODUTO
Elaboração: Solon C. de Araujo 31
A cadeia do inoculante
 A cadeia do inoculante começa com a pesquisa, que seleciona estirpes de elevada
eficiência e as disponibiliza para a produção dos inoculantes.
 Por sua vez, os produtores de inoculante tem a obrigação de oferecer produtos de
elevada qualidade, com concentrações de bactérias que permitam atingir 1 milhão
e duzentas mil bactéria por semente em doses viáveis para o agricultor.
 À assistência técnica cabe difundir a noção da importância do inoculante para o
processo produtivo e a maneira correta de seu uso.
 A fiscalização deve assegurar que o produto que chega ao agricultor esteja dentro
dos padrões de garantia.
 Finalmente, o agricultor, beneficiário final de todo o processo, deve usar
corretamente o produto, tratando-o como um insumo de elevada importância para
a produtividade de sua lavoura.
 Assim, o inoculante é uma cadeia, onde cada um deve fazer corretamente seu
papel. Basta que um dos agentes falhe em seu trabalho para que toda a
tecnologia se perca e não resulte em benefício. Todos, como em uma equipe,
devem fazer bem seu papel para que o agricultor tenha ganhos de produtividade
com o uso de inoculante.

32
Cada um tem que fazer sua
parte bem feita...

33
Questões importantes
 Pode-se inocular sementes de feijão com um inoculante para
soja? Porque?
 Pela legislação hoje existente, uma empresa que selecione uma
ótima estirpe de Bradyrhizobium pode produzir inoculantes com
ela?
 Uma empresa deseja registrar seu inoculante com 500 milhões
de bactérias por grama. O MAPA aceitará este registro? E com 2
bilhões por grama?
 Um inoculante com concentração de 4 milhões de bact/g e
usado na dosagem de 120 g/saca 50 kg, quantas bactérias
aportará por semente? Este número está dentro do
recomendado pela pesquisa?

34
Parabéns
 Você terminou mais uma módulo, já
está na metade do curso.
 Se tiver dúvidas ou desejar enviar
sugestões, nos contate através do
“Fale conosco” da página
www.anpii.org.br

35
Curva típica de crescimento
bacteriano

A – Lag fase. Período de adaptação da bactéria ao novo meio. As células crescem em tamanho,
mas quase não se reproduzem.
B – Fase Log ou exponencial. As bactérias se reproduzem em progressão geométrica constante,
até atingir o máximo de concentração.
C – Fase estacionária. O número de células novas se iguala ao de células que morrem. A
população permanece estável. Pela Isto ocorre devido à escassez de nutrientes e excesso de
dejetos.
D – Declínio. A mortalidade de células supera à reprodução. A população vai diminuindo. Os
nutrientes já estão no final e os metabólitos liberados no meio o tornam impróprio para as bactérias.
• O tempo destas fases poderá variar conforme as condições de cultivo: disponibilidade de
nutrientes, temperatura, aeração, etc.
• Esta não é uma curva típica de Bradyrhizobium. No caso desta bactéria, os tempos e 36
concentrações seriam diferentes, mas o formato é o mesmo.
Bactérias por semente.

Embrapa Soja

4600

4500

4400
kg/ha

4300
Kg/ha
4200

4100

Inoc. + 600 mil 1 milhão 200 mil


Embrapa, S/ Inoc.
documento 283 200 kg Bact/sem. bact/sem.
2007 37
N/Ha.
Módulo 3
Resultados experimentais
com o uso de inoculantes.
Ganhos da inoculação para
a cultura seguinte.

38
Crenças...
 O uso de inoculante é essencial em plantio de primeiro ano, pois a bactéria
ainda não existe no solo e, sem ela, não haverá N disponível para a planta.
Nos primeiros plantios de soja no cerrado, sem o uso de inoculante, as
plantas não cresciam, ficavam amareladas e só se obtinha produção com a
adubação com N mineral. Posteriormente, com a seleção de estirpes de
Bradyrhizobium adequado ao cerrado, as plantas nodularam
abundantemente e hoje todos conhecem as notáveis produtividades
alcançadas nos solos sob cerrado.
 Entretanto, nos anos seguintes, depois de vários cultivos sucessivos, a
bactéria se estabelece no solo e vai produzir nódulos mesmo sem o uso
continuado do inoculante. Estes nódulos irão fixar nitrogênio, o que pode
levar à crença de que a inoculação não será mais necessária.
 Inúmeros agricultores deixam de usar o produto por acreditarem que novas
inoculações não resultam em aumentos de produtividade, deixando, assim,
de obter maiores ganhos em suas lavouras.
 O simples fato de existirem nódulos em uma planta não é segurança de se
obter muito N. Como vimos anteriormente, a soja necessita de grandes
quantidades de N e isto só pode ser obtido com nódulos vigorosos e no sue
máximo potencial de fixação, o que é obtido com o uso anual de inoculante

39
Dados de pesquisa
 A pesquisa demonstra de forma inequívoca que a
reinoculação, ou seja, a inoculação anual, traz
resultados altamente compensadores no aumento
de rendimento nas lavouras.
 Há, também vários trabalhos demonstrando que uma
leguminosa, além de fixar todo o N que ela
necessita, deixa o solo enriquecido neste nutriente,
o que vai beneficiar a cultura seguinte.
 Nos slides seguintes vamos expor vários trabalhos
que demonstram isto de forma muito clara. São
dados de diversas entidades de pesquisa, resultado
do trabalho de vários anos de muitas instituições de
pesquisa e em diversos locais do Brasil

40
DADOS DE PESQUISA
INOCULAÇÃO E NITROGÊNIO EM SOJA

2750
2688
K 2700 %
g 2650
2638 +8
2600 2580
g 2535 2527
2550
r
2500
ã
2450
o
2400
s
c/inoc

Kg N plantio
S/inoc + N
/

enchim.grãos
Kg N pré flor.
inocC/ + 30

C/inoc. + 50

C/inoc. + 50
h

Kg N
a

TRATAMENTOS

Adaptado de
41
Comunicado Técnico 74 -Embrapa
Comentários
 Estes resultados são de um ensaio feito pela Embrapa Soja em
Jaciara, no MT, em um solo onde havia sido plantada soja
inoculada por cinco anos seguidos. No sexto ano foi montado o
ensaio e os resultados mostram que o Bradyrhizobium existente
no solo foi suficiente para fazer a soja produzir 2.500 kg/ha.
 Entretanto, quando se fez uma nova inoculação houve um
aumento de 8%, mostrando que a bactéria existente no solo é
suficiente para um determinado nível de produtividade. Mas se
queremos produzir mais, é necessário fazer uma nova
inoculação.
 É interessante notar que no tratamento com 30 kg de N no sulco
e mais a inoculação, teve uma produção mais baixa. Poderíamos
supor que o N mineral mais o N da FBN poderia aumentar a
produção de grãos, mas o efeito foi contrário. Isto se deve ao
fato de que o N mineral na base inibe a formação de nódulos e,
portanto, prejudica o fornecimento de N durante o ciclo da
planta. Isto será melhor explanado do módulo 4.

42
Reinoculação

 Em 13 experimentos conduzidos
em 7 locais, a reinoculação
aumentou o rendimento em até 23%
e o N total dos grãos em até 25%.

Experimentos em Rede Nacional (Embrapa Soja, Embrapa


Cerrados, Embrapa Arroz e Feijão, Embrapa Trigo, Embrapa
Agropecuária Oeste, FECOTRIGO, UFRGS). Mariângela
Hungria – Embrapa Soja 43
Ganhos de produtividade

44
Mais resultados
 Universidade de Uberlândia, em áreas com cinco
anos de cultivo de soja. Este experimento foi
encomendado pelos próprios agricultores, através
da Fundação Triângulo, de Uberaba, MG.
– Inoculante em pó, aumentou o rendimento de
grãos em 29%
– Inoculante líquido em 27%
– Resultados apresentados na reunião da soja, 12
a 14 de agosto de 2003, Uberaba.

45
Resultados da RELARE - 2004
 Trabalhos realizados nos estados do RS, PR, MT, DF e
GO

 Foram instalados 29 ensaios com populações médias


da bactéria nos solos de 103 a 105 células / grama.

 Ensaios com rendimentos acima de 2.400 kg/ha.

 Em todos os ensaios, foram obtidos incrementos


médios de produtividades de 8% com a reinoculação.

 A reinoculação proporcionou incrementos de até 1.950


kg/ha. Mariângela Hungria – Embrapa Soja, 2004
46
E daí? Vale ou não vale a pena
inocular todos os anos?
 Os dados são incontestáveis. Existem muito mais
resultados, de diversas partes do Brasil e de outros
países comprovando as vantagens da inoculação
anual.
 Uma pesquisa na literatura trará ainda mais
resultados que devem ser usados pelos agrônomos
da assistência técnica para mostrar ao agricultor as
vantagens econômicas desta prática agrícola.
 A seguir, vamos ver como a inoculação, além de
aumentar a produtividade na leguminosa, ainda vai
economizar nitrogênio para a cultura que a suceder,
seja milho, trigo, arroz ou outra.

47
Tá bom...um cafezinho, um
pequeno descanso.

48
Efeito
Efeito de
de inoculação
inoculação na
na cultura
cultura seguinte
seguinte

Efeito da nodulação da soja na produção de


trigo
1.974
2.000 1.529
1.500
Prod. de
trigo (kg/ha) 1.000
500
0
Soja. Soja. não
nod nod
Linhagens de soja
Neste experimento, foram plantadas áreas com soja nodulada e ;áreas com
soja não nodulada. Após a colheita da soja, foi plantado trigo. Na área onde a
soja estava nodulada, o trigo produziu 30% a mais do que na área de soja sem
nódulos. A soja, além de produzir o N total para sua produção, ainda deixou N
no solo para beneficiar o trigo.

Adaptado de Mascarenhas, H.A.A. et al – 2003. 49


Comentários
 Como podemos ver nos slides anteriores, a inoculação é um
processo gerador de rentabilidade para o agricultor, seja pelo
aumento da produtividade na leguminosa em que é usado,
seja pela economia de nitrogênio na cultura que a sucede.
 Esta tecnologia é umas poucas que pode ser utilizada por
todos os agricultores, desde os mais capitalizados até os de
menor porte,pois o investimento para sua utilização é
extremamente baixo, estando ao alcance de todos.
 Assim, para se obter mais lucro com pouco investimento, o
uso de inoculante é uma excelente ferramenta. Entretanto,
vale enfatizar que todos devem fazer corretamente seu papel
na cadeia: a pesquisa, a assistência técnica, o produtor de
inoculante, os órgãos de fiscalização e o agricultor.

50
FBN em outras leguminosas
 Nos slides anteriores falamos muito sobre soja, mas isto não significa que
outras leguminosas não possam se beneficiar do processo de fixação do
nitrogênio. Muito pelo contrário.
 Feijão, feijão caupi, amendoium, trevos, alfafa, mucuna, crotalária,
tremoço e espécies arbóreas utilizam inoculante com muito sucesso,
diminuindo ou até eliminado totalmente o N mineral.
 Trabalhos recentes de pesquisa com feijão têm demonstrado excelentes
resultados com o uso de inoculantes. É uma prática ainda pouco
difundida, mas que deverá se estender cada vez mais, pela economia que
traz para o agricultor.
 O feijão caupi, ou feijão de corda, largamente cultivado no Nordeste do
Brasil e também em algumas regiões do MT e do PA, tem apresentado
excelentes resultados com novas estirpes que foram recentemente
selecionadas e que estão tendo enorme sucesso no aumento da
produtividade.
 Assim, sempre que se pensar em plantar qualquer leguminosa, é
importante consultar o agrônomo responsável, bem como as empresas
participantes da ANPII para verificar a disponibilidade do respectivo
inoculante.

51
Questões importantes
 As bactérias que permanecem no solo por
vários anos são suficientes para se obter
elevadas produtividades nas
leguminosas?
 Qual a média de aumentos de
produtividade que se obtém com a
reinoculação?
 Em média, quanto a soja deixa de N para
a cultura seguinte?

52
Mais um módulo terminado
 Parabéns, mais um módulo finalizado com
sucesso.
 Veja como aos poucos você está
acumulando conhecimentos seqüenciais
sobre a importante técnica da FBN.
 No módulo seguinte você terá informações
sobre a forma correta de usar o inoculante e
sobre os fatores que afetam positiva e
negativamente o funcionamento do produto.

53
Módulo 4
Tipos de inoculante. Modo de
usar. Fatores que influenciam o
resultado do inoculante.

54
Tipos de inoculantes
• Os primeiros inoculantes, ainda sem finalidade comercial, eram
uma simples cultura da bactéria em meio de cultura agarizado. As
bactérias eram dissolvidas em água no momento do uso e
misturadas com as sementes. Este inoculante, entretanto, era de
baixa durabilidade e deveria ser conservado em refrigerado até o
momento do uso, o que o tornava pouco prático para uso extensivo.
• Diversos veículos foram testados para o desenvolvimento e
manutenção do rizóbio, sendo que a turfa (um solo com elevado
teor de matéria orgânica, geralmente em áreas com baixa
drenagem) mostrou-se como o melhor suporte para a bactéria.
• Posteriormente outros tipos de substratos foram testados, mas
nenhum demonstrou a qualidade da turfa para a obtenção de
elevadas concentrações da bactéria por um período útil. No módulo
2 vimos quais as concentrações que um inoculante deve ter.
• Em torno de 1990 começaram a surgir os inoculantes líquidos, mais
práticos de usar e que hoje ocupam cerca de 70% do mercado.

55
Inoculante turfoso
• A turfa é retirada das jazidas, seca e moída. Seu pH, geralmente muito
baixo, é corrigido. A seguir a turfa é embalada já no pacote no qual será
comercializada, hermeticamente fechada e esterilizada por raios gama ou
feixe de elétrons. Esta esterilização é necessária para eliminar os
microrganismos existentes no material original, um solo altamente
propício para o desenvolvimento de microrganismos. Se estes
permanecessem na turfa iriam competir e até em alguns casos ser
antagônicos ao rizóbio, impedido as elevadas concentrações
necessárias.
• Após a esterilização, que não é feita nas empresas produtoras de
inoculantes mas em empresas especializadas neste ramo, o caldo de
cultura com o Bradyrhizobium ou Rhizobium é injetado no pacote de
turfa em condições asséticas e feita uma mistura, para que toda a turfa
fique impregnada com o caldo bacteriano. Alguma s empresas adicional
aditivos que beneficiam o desenvolvimento das bactérias.
• Nesta turfa, esterilizada e enriquecida com o meio de cultura, o
microrganismo irá se desenvolver dentro da típica curva de crescimento
bacteriano, conforme vimos no módulo 1. Esta curva é que irá determinar
o prazo de validade do produto.

56
Inoculante líquido
• Visando facilitar o uso do inoculante, foram
desenvolvidos inoculantes líquidos, sem a presença de
turfa. Neste caso, o caldo de cultura após atingir o
máximo de concentração, é misturado com substâncias
chamadas “protetores celulares”, que reduzem
drasticamente o metabolismo da bactéria, deixando-a em
estado que simplificadamente, poderemos chamar de
dormência. Nesta situação a bactéria diminui sua
respiração, sua nutrição e sua reprodução, mas
permanece viva por um determinado período.
• Desta forma, o comportamento da bactéria é bem
diferente nos dois tipos de inoculante: no turfoso, a
bactéria está em pleno crescimento, como em qualquer
meio de cultura, enquanto no líquido ele entre já na
concentração máxima e vai morrendo lentamente.
57
Outros tipos de inoculante
• Oleoso.
– Foi comercializado durante cerca de quatro anos e retirado do mercado,
pois as bactérias eram liofilizadas e ficavam muito fragilizadas,
apresentando elevada mortalidade, em especial em solos com alguma
adversidade.
• Gel.
– Também mais ou menos na mesma época do inoculante oleoso foi
produzido um inoculante em gel. A bactéria, liofilizada, era diluída em
água juntamente com um polímero que virava um gel. Também foi
retirado do mercado poucos anos depois, pelo mesmo motivo anterior.
• Inoculante líquido-turfoso.
– Recentemente surgiram inoculantes líquidos aos quais é acrescentada
uma certa quantidade de turfa, visando usar os benefícios do líquido
(facilidade de uso) e da turfa (proteção às bactérias). Ainda não se
firmaram no mercado e necessitam de mais estudos da pesquisa par ver
se resultam em vantagens frente aos demais inoculantes.

58
Modo de usar o inoculante
• Como vimos no módulo 1,o inoculante é uma cadeia, onde todos
tem que cumprir seu papel corretamente para que a tecnologia
funcione. Assim, o agricultor, aquele que vai usar o produto, também
deve fazê-lo de forma cuidadosa, levando em conta uma série de
fatores para que o produto funcione.
• Antes de usar o produto, temos que dar atenção a diversos pontos:
– Validade do produto. Nunca usar produto vencido.
– Não usar produto específico para uma leguminosa em outra cultura. Já
vimos que os inoculantes são específicos. Se sobrou uma caixa de
inoculante para soja, não poderá ser utilizada no plantio de feijão, e vice
versa.
– O inoculante é um produto vivo, portanto sujeito a limites de temperatura.
Nunca armazenar inoculante em freezer. Guardá-lo no local mais fresco
que tiver na fazenda, evitando elevadas temperaturas.
– Não expor o produto ao sol. O sol emite raios ultravioleta, aquece e
seca, três inimigos das bactérias. Portanto, sempre que for inocular as
sementes, faça o procedimento à sombra.

59
Modo de usar
• O princípio básico da inoculação é colocar 1 milhão e duzentas mil
bactérias em cada uma das sementes. Obviamente que isto só pode
ser feito com uma boa mistura. Assim, podemos usar, para uma boa
mistura, algumas formas:
– Máquina de tratamento de sementes. Existem no mercado diversas
máquinas desenvolvidas especificamente para o tratamento de
sementes. Estas máquinas possuem duas caixas em linha, sendo que na
primeira se colocam os fungicidas, inseticidas, micro nutrientes e outros
produtos. Na segunda caixa vai apenas o inoculante. Assim, a semente é
tratada primeiro com os defensivos e, por último, com o inoculante.
Existem caixas para inoculante líquido e turfoso, conforme o caso.
– Betoneira ou tambor com eixo excêntrico. Quando se utiliza betoneira ou
os tambores com eixo excêntrico, em primeiro lugar colocam-se as
sementes no recipiente seguido de todos os produtos que serão usados
no tratamento das sementes, menos o inoculante. Fazer o tambor girar
diversas vezes até que as sementes estejam todas bem recobertas
pelos produtos. A seguir, coloca-se o inoculante e gira novamente, até
que as sementes estejam recobertas pelo inoculante.

60
Equipamentos para tratamento
de sementes

61
Cuidados na inoculação
• O processo de inoculação deve ser feito à sombra, como já vimos anteriormente.
• Quando não se usar produtos para o tratamento das sementes, deve-se umedecer
as sementes com 200 a 330 mL de água por saca de 50 kg. Para aumentar a
aderência, pode-se usar água açucarada (solução a 10%).
• Semear o mais rápido possível após a inoculação, em especial se forem usados
fungicidas ou micronutrientes nas sementes. O ideal é semear na seqüência da
inoculação. Mas se isto não for possível, deve-se semear no máximo doze horas
após a inoculação. No caso de se prever um tempo maior, que nunca poderá
passar de 18 horas, deve-se aumentar a dose de inoculante.
• Em solos de primeiro ano de plantio, a dose recomendada é sempre o dobro da
dose normal. Solos de primeiro ano de cultivo de soja são muito adversos à
bactéria, causando uma elevada mortalidade.
• Hoje estão em testes diversos produtos que podem preservar a bactéria viva nas
sementes por período de vários dias, permitindo a inoculação antecipada. Estes
produtos deverão ter laudos da pesquisa que comprovem sua eficiência e, em
breve, o MAPA publicará a nova legislação sobre o uso deste produtos.

62
Cansou? Um cafezinho vai bem...

63
Fatores que influenciam na FBN
• O processo de fixação envolve dois organismos
vivos: a planta e a bactéria. Portanto, ambas
estão sujeitas a inúmeros fatores ambientais eu
podem favorecer ou prejudicar o processo e que
devem tomar a atenção do agricultor para se
obtenha o máximo rendimento da tecnologia.
• Além dos fatores que já vimos em módulos
anteriores, como uso de bactérias eficientes,
uso na quantidade adequada, trabalho à sombra
mistura com as sementes, existem outros
fatores importantíssimos que vamos ver a
seguir.
64
Micronutrientes
• Os micronutrientes são essenciais para todos os processos metabólicos da planta. Dois
se destacam de forma acentuada (molibdênio –Mo e cobalto – Co). O molibdênio faz
parte da enzima nitrogenase, do centro ativo da enzima, e em sua ausência a enzima
não fará seu papel de desdobrar a molécula de N2. Como as fontes minerais de Mo no
solo são muito poucas e anualmente as culturas vão esgotando o nutriente existente
originalmente, torna-se necessária sua reposição para que se obtenham elevadas
produtividades. Hoje, na cultura da soja, o uso de Mo já é uma prática indispensável e
não se admite cultivar soja ou feijão sem a adição de Mo.
• O cobalto, por sua vez, faz parte da cobalamina (vitamina B12 ), essencial nos processos
bioquímicos da fixação. Também faz parte do processo de formação da nitrogenase e
da leghemoglobina.
• Entretanto, se estes nutrientes tem um papel altamente positivo no processo de FBN,
sua aplicação deve ser muito bem cuidada, pois podem ocorrer efeitos adversos. Sua
aplicação na forma de sais (molibdato de sódio ou de potássio) e sulfato ou cloreto de
cobalto), quando em contato com as bactérias, causam elevadas mortalidades e não
devem ser usados nestas formas.Existem no mercado formulações de Mo e Co com um
grau de compatibilidade mais elevado com as bactérias do inoculante.
• Outra forma de aplicar o MO e Co e via foliar. Os resultados de pesquisa tem
demonstrado que tanto a aplicação via sementes como via foliar apresentam os
mesmos níveis de produtividade.

65
Outros micronutrientes.
• Outros micronutrientes exercem papéis importantes no processos
metabólicos e devem estar presentes nos níveis exigidos pela
planta. Como a FBN é um processo altamente interativo entre
bactéria e planta, muitas vezes fica difícil separar o efeito que sobre
um dos componentes da simbiose. De forma geral, podemos dizer
que o que é bom para a planta também é bom para a simbiose e
vice versa.
• Entretanto, ainda falando sobre micronutrientes, sabe-se que as
plantas necessitam de cobre, zinco, manganês (em especial a soja)
e muitos outros. Tentando aproveitar a semente como veículo para
estes micronutrientes, há produtos no mercado que preconizam o
uso destas misturas nas sementes, o que vai causar uma
mortalidade quase total das bactérias do inoculante. Assim, estes
produtos, em vez de aumentar a produtividade, poderão reduzi-la,
resultando em prejuízo para o agricultor.

66
"Ciência é conhecimento
organizado. Sabedoria é vida
organizada."

Immanuel Kant

67
Macro nutrientes.
• O cálcio e o fósforo exercem papel preponderante no processo de
FBN.
• O cálcio, além de seu papel na correção da acidez do solo, também
atua na fixação do N e sua presença, nos níveis recomendados
pela análise de solo, é essencial.,
• O suprimento de fósforo também está diretamente ligado ao
processo de fixação do nitrogênio. Existem trabalhos que mostram
de forma muito clara que o suprimento de P nas quantidades
recomendadas para a cultura, influenciam diretamente no
suprimento de N via fixação biológica.
• O nitrogênio, como vimos anteriormente (slide 29) pode reduzir a
nodulação e prejudicar a produtividade. Quantidades de N
disponível acima de 20 kg/ha, são prejudiciais à nodulação.
Segundo as informações da pesquisa, o N mineral é totalmente
dispensável quando se faz uma boa inoculação. Mas caso se
deseje utilizar algum N na base, a quantia nunca deverá ultrapassar
os 15 kg/ha.

68
Fatores do solo
• Como vimos anteriormente, o que é bom para a planta também é bom para a FBN. Assim, os
fatores de solo exercem influência muito grande na formação dos nódulos e na taxa de fixação.
• Alguns fatores de solo importantes
– Acidez. A elevada acidez prejudica a multiplicação das bactérias e, conseqüentemente, o aporte de N.
Assim, para o pleno funcionamento do sistema, é essencial a correção da acidez, conforme indicado na
análise de solo.
– Matéria orgânica. A matéria orgânica favorece a multiplicação das bactérias, aumentando as chances de
formação de nódulos.Já foi observado que em solos sob plantio direto a taxa de FBN é maior que em
solos sob plantio convencional.
– Umidade. Nenhum ser vivo vive sem água e o rizóbio não é exceção. Assim, solos muito secos causam
a mortalidade das bactérias. Muitas vezes agricultores se podem inocular e “plantar no pó”. Se o solo
estiver muito seco e demorar a chover, com certeza haverá alta mortalidade de bactérias. O excesso de
umidade, quando o solo fica alagado por algum tempo, diminui a taxa de fixação, mas não mata a
bactéria. Quando o solo voltar a seu estado normal, a fixação será retomada em seu ritmo normal.
– Compactação. Solos muito compactados dificultam a penetração do nitrogênio no solo e, portanto,
dificultam a fixação. Por outro lado, a compactação dificulta a expansão do nódulo, que fica com seu
tamanho reduzido, diminuindo a massa nodular.
– Temperatura. Como todo o ser vivo, os rizóbios tem seus limites de temperatura. Temperaturas muito
elevadas, durante certo período de tempo, contribuem para parar o desenvolvimento das bactérias ou
até mesmo matá-las. Acima de 40º o processo de reprodução é paralisado e acima de 500 o processo de
mortalidade já é elevado. Desta forma, recomenda-se manter e operar com o inoculante em ambientes
com a temperatura mais baixa.

69
Inoculantes e fungicidas
• Há cerca de 20 anos, a semente de soja recebia apenas o inoculante antes
do plantio. Com o aparecimento de doenças de solos e outras transmitidas
pelas sementes, passou-se a usar fungicidas, como já vimos anteriormente.
Muitos destes fungicidas apresentam maior ou menor toxicidade ao rizóbio,
causando expressiva mortalidade.
• Durante um certo tempo, pensou-se até que as duas tecnologias,
inoculação e uso de fungicidas, seriam incompatíveis. Hoje, entretanto,
temos como usar as duas tecnologias e tirar lucro com ambas, desde que
se tomem algumas precauções:
– Usar somente fungicidas recomendados pela pesquisa.
– Usar os fungicidas que apresentem menor poder tóxico. No site
www.cnpso.embrapa.br encontra-se uma lista dos produtos mais compatíveis
com o Rhizobium.
– Usar o inoculante na dosagem que propicie de 600.000 bact/sem (conforme
legislação) a 1.200.000 bact/sem, conforme recomendação da pesquisa (vide
módulo 2)..
– Semear o mais rápido possível após a inoculação.

70
Inoculantes e outros produtos usados nas sementes.
• Mais recentemente começaram a ser usados inseticidas nas sementes de soja,
visando prevenir pragas que atacam a soja recém germinada. Ainda não existem
muitos testes com estes produtos, mas os primeiros resultados mostram um efeito
relativamente pequeno sobre as bactérias do inoculante. Entretanto, como surgem
constantemente novos produtos no mercado, é sempre importante fazer um
acompanhamento de seus efeitos sobre o inoculante, seja consultando os
fabricantes dos inseticidas e do inoculante, seja consultando os órgãos de pesquisa.
• Com relação ao micronutrientes, já vimos que os sais de Mo e Co são altamente
tóxicos para o Rhizobium, devendo-se dar preferência aos produtos formulados, que
atenuam o efeito salino, embora não sejam totalmente inócuos. As formulações que
contenham outros metais pesados, como cobre, zinco, manganês e outros NÃO
DEVEM SER USADOS SOBRE AS SEMENTES.
• Grafite. O grafite, bastante usado para facilitar o fluxo de sementes nas semeadeira,
se usado na dosagem recomendada não chega a causar problema à bactéria.
Entretanto, como se trata de um produto barato, muitas vezes sua dosagem é
exagerada, podendo causar desidratação das bactérias e prejudicar a nodulação.
• Para o uso de qualquer outro produto que venha a ser usado sobre as sementes,
juntamente com o inoculante, deve haver uma consulta aos fabricantes ou aos
órgãos de pesquisa, para não colocar em risco a FBN, uma tecnologia, como já
vimos, essencial para elevadas produtividades.

71
Questões importantes
• Porque o molibdênio é importante na FBN?
• Quais providências devem ser tomadas no processo
de inoculação para se diminuir o efeito negativo dos
fungicidas?
• A adição de 30 kg de N/ha, na adubação no sulco,
poderá aumentar a produção, pela soma deste N
com o N da fixação?
• É possível usar produtos à base de Mn, Zn e Cu em
mistura com as sementes inoculadas? Justifique.

72
Artigos
• Para maiores informações sobre os processos
de FBN, procure ler mais artigos.
• Na página da ANPII, na seção “artigos”, você
encontrará material de leitura. Esta página
estará sendo constantemente atualizada, com
novos textos.
• Acesse os links indicados a seguir, onde
também poderão ser obtidas importantes
informações sobre o tema.

73
A ANPII e as empresas filiadas
• A ANPII é uma associação de empresas que, como
vimos no início, preza a qualidade do produto acima de
tudo.
• O propósito da Associação é, em breve, estabelecer um
processo de certificação dos produtos de suas afiliadas,
visando assegurar, em toda sua plenitude, a qualidade
dos inoculantes produzidos pelas empresas.
• Além do mais, a Associação promove seguidamente
eventos que visam a evolução dos inoculantes
comercializados no Brasil.
• Por tudo isto, sempre que for adquirir inoculantes, prefira
sempre os produzidos pelas empresa filiadas à ANPII.

74
Muito bem!!!!
Você terminou o quarto módulo e o
curso.
Parabéns e obrigado por sua
participação.
Se você ainda não se cadastrou no site da ANPII (
www.anpii.org.br) faça-o agora, para ser comunicado
sobre atualizações do curso.
Para o próximo ano, pretendemos inserir um módulo
sobre genética de Rhizobium, para que todos se
mantenham atualizados sobre o tema.

75
Links interessantes
• www.anpii.org.br
• www.relare.org.br
• www.cnpso.embrapa.br
• www.cnpab.embrapa.br
• www.cnpao.embrapa.br
• www.cpac.embrapa.br
• www.cena.usp.br

76
Créditos
• Este curso é uma iniciativa da ANPII, através de sua Diretoria e
do apoio de todos os associados.
• Foi elaborado especialmente para a ANPII pela SCA Consultoria
e Treinamento Ltda, através do Eng. Agr. Solon C. de Araujo.
• Colaboraram com sugestões e aportes de conhecimentos:
– Eng. Agr. Mariel Bizarro e Eng. Agr. Marcelo Kerkhoff, da Turfal
– Eng. Agr. Valter Toledo, da BASF-AGRO
– Eng. Agr. Fernando Martins, da Bio Soja
• Agradecemos a todos os pesquisadores da área que, através de
suas publicações e cursos, vêm divulgando por todo o Brasil
esta tecnologia e que mostraram os resultados de experimentos
que comprovam a viabilidade econômica da FBN.

77