Vous êtes sur la page 1sur 6

Civilizações Orientais

1.2) Babilônia (Código de Hamurabi) e Assíria


Distinguem-se na região da Mesopotâmia (Tigre e Eufrates) os seguintes períodos históricos:
Disso podemos concluir que
- dos Sumérios (fim do 4o. milênio – 2.350); a cultura da Mesopotâmia
- dos Acádio-Sumérios (séculos XXIV-XX); tem sua origem na fusão dos
- dinastia Akkad (nomeadamente Sargon); Sumérios com os Acádios, e
- 3a. dinastia de Ur (nomeadamente Ur-Nammu); que, ao final do terceiro
- período paleobabilônico (1900-1530, aproximadamente); Milênio há uma invasão de
Amorreus que conseguem a
- dinastias de Esnunna, de Isin, de larsa; unificação política e
- reino de Mari; cultural. Esta unificação
- dinastia babilônica (Hammurabi, 1728-1686 a.C.); estará concluída já nos
- período Kassite (séculos XVI a XII antes de Cristo); tempos de Hamurabi (sexto
- império assírio (séculos XI a VII antes de Cristo); rei da nova dinastia, século
XVIII a.C.).
- dinastias neobabilônica (626-539).

O conjunto de direitos da maior parte dos povos do Próximo Oriente da antigüidade


são conhecidos como “direitos cuneiformes”, sendo os que se serviram de um processo de escrita,
parcialmente ideográfico, em forma de cunha ou prego. Há grande diversidade étnica, e diversos
sistemas jurídicos, correspondendo às diversas regiões da Suméria, Acádia, Babilônia, Assíria,
Mitanni, Urartu e centros ainda mais próximos do Mediterrâneo, como Alalakh e Ugarit, e ao norte, na
Turquia atual, formou-se no segundo milênio o reino dos Hititas (Gilissen, p. 58).

Traço comum a Babilônios e Assírios é o espírito de conquista, ligado à máxima


crueldade, contrastando com os Egípcios. A concepção mais antiga de poder político é teocrática: a
cidade era regida por um deus protetor, seu senhor.. É, de todo modo, um princípio que teria nascido
no Egito, mas que constituirá um bem comum de toda a Antigüidade pagã, e assim Ciro, Alexandre
Magno, Augusto, serão vistos como “deuses imperiais” e tal concepção só será superada com o
advento do Cristianismo(Truyol Serra, p. 28).

1.2.3) O Direito

Ainda que não possamos chamar de “Códigos” as recolhas de leis mais antigas, a
seguir enumeradas, podemos, entretanto, concluir que se tratam dos primeiros esforços da humanidade
para formular regras de direito. Os mais antigos “códigos” ou esforços… são os que seguem:

a) Ur-Nammu (cerca de 2.040 a.C.). Após o desmembramento do reino de Ur, vários


principados iniciaram a redação de recolhas jurídicas, como Esnunna e Lipit-Istar.
b) Esnunna, escrito cerca de 1930 a.C.;
c) Lipit-Istar, do rei Isin, escrito cerca de 1880 a.C.;
d) Hammurabi, conhecido como o monumento jurídico mais importante da antiguidade antes de
Roma, ( texto redigido por volta de 1694 a.C).

O que chama atenção no Código de Hamurabi é o caráter secularizado de sua


disciplina jurídica, e a noção de uma esfera do Direito, distinta da Moral e da Religião. Além disso, a
administração da justiça pertence não só a tribunais sacerdotais mas, ainda, quase que por completo, a
juízes civis, profissionais, que atuam em tribunais coletivos e reconhecem às partes litigantes o
direito de apelação perante o rei (Truyol Serra, p. 29). O que subsite do direito anterior, na época de
Hamurabi, é o poder paternal, mais extenso do que no Egito, pois o pai insolvente pode entregar sua
mulher e filhos ao credor para que eles trabalhassem ao seu serviço, também subsistia a poligamia

1
permitindo ao marido cuja esposa é estéril tomar uma outra mulher e além disso, mantinham-se
disposições severas quanto ao direito penal.

Já sob o Império Assírio, se vê certa imperfeição e rudeza, em tudo que se comparar


com os babilônios, como num código do século XIV a.C., e a legislação nele contida representa um
grau menor de evolução do que atingido no de Hamurabi. As penas são mais severas e a lei de talião
não varia com as condições sociais das pessoas (Truyol, p. 29). As recolhas mais antigas datam de
ainda antes de Hammurabi, cerca de 1950-1870, um segundo grupo de tabuinhas datam de cerca de
1450-1250, e um terceirro, cerca de 750-700 (Gilissen, p. 62).

1.3) Irã (Pérsia)

o Irã formou-se a partir dos povos Medos e Persas, ambos de origem ariana e com
linguagem afim e semelhante ao que ocupou a India. Os movimentos migratórios teriam parado já
entre os séculos XV e XIII da nossa era. Os Medos eram conhecidos por serem mais especultaivos, à
diferença dos Persas, mais práticos. A importância histórica do Irã deve-se à sua contribuição para
que os povos se relacionem entre si, sendo os intermediários da interação devido à posição geográfica
favorável assim como souberam aproveitar a experiência e o conhecimento de diferentes culturas. Sua
religião tradicional foi transmitida pela tribo meda dos Magos e que foi reformada por Zoroastro
(Zaratustra), e que se conservou no Avesta, que teria uma redação por volta do século IV a.C.
O ideal político iraniano é de um império mundial fundamentado na coordenação de
interesses por uma finalidade comum de que em todo lugar reine a paz e a justiça. Contrasta, assim,
com o imperialismo Assírio e Babilônico que se baseiam na exploração e no terror (p. 34). Entre as
figuras mais relevantes destacam-se Ciro II, (O Grande, século Vi a.C.). Para Israel Ciro foi o
instrumento de Deus que pôs fim ao Cativeiro enquanto que os Gregos viam nele o monarca perfeito,
conforme referido por Antístenes e Xenofonte. Depois detacou-se Dario I (521-486) que se revelou
como encarnação de uma idéia poderosa, cativando a todos por seu ideal de organização da
humanidade e onde a pluralidade era integrada numa unidade superior, servindo de modelo a
Alexandre Magno. Tudo isso se deve à qualidade de seu conteúdo religioso.
Ahura-Mazda é exaltado como grande Deus que criou a paz para os homens, tendo a
justiça como elemento primordial do ofício de reinar – o rei ama o que é reto e odeia a iniquidade,
lembrando tanto os melhores precedentes egípcios quanto o tom dos livros sagrados dos Hebreus. A
tolerância religiosa para com os povos e minorias ganhou, sob o zoroastrismo, uma dimensão de maior
profundidade: a tolerância só foi ocasionalmente desmedida (com os Sassânidas 224-651) por razões
políticas e por receio da conexão com os cristãos com Bizâncio, então seu grande rival, até a
destruição do Império Persa pelos árabes entre 634-642.

1.4) HEBREUS

Os Hebreus, situados entre Egito e Mesopotâmia são Semitas que viviam em tribos
nômades, conduzidas por chefes. Eles atravessam a Palestina na época de Hammurabi e penetram no
Egito, retornam (Êxodo) à Palestina e se instalam aí entre os Hititas e os Egípcios, no início do século
XII, ou ainda antes. Após o período de sedentarização é estabelecido um poder único sobre o conjunto
de tribos, cujo poder pertence ao rei, autoridade que se reforça nos séculos XI e X. O apogeu do reino
de Israel situa-se na época de Davi (1029-960) e de seu filho Salomão (960-935). Disputas internas
provocarão a divisão em dois reinos, o reino de Israel do Norte, ocupado pelos Assírios em 721, e o
reino de Judá ao Sul, à volta de Jerusalém, que resistiu até 586. A Palestina foi ocupada seguidamente
por Persas, Macedônios, Romanos, e a revolta contra estes últimos levará, nos séculos I e II depois de
Cristo à sua dispersão (diáspora) e apesar da perda da unidade política, continuarão sempre com a
unidade espiritual (Gilissen, p. 66).
A maior característica do Povo hebraico é sua religiosidade, toda sua história é
ligada ao sagrado, como povo eleito por Deus para receber a palavra e preparar o advento do seu reino.
Para os cristãos o papel de Israel insere-se na História da Redenção como fase prévia, e com isso tem
caráter único insuscetível de explicação racional. Foi necessário lutar muito contra as tendências

2
politeístas em que Israel estava mergulhada – afinal, a novidade mais radical e a própria superioridade
do Antigo Testamento situa-se justamente na afirmação do monoteísmo, que no Oriente Antigo
aparecia só como “tendência”. A história de Israel é, assim, a história de sua vocação monoteísta,
sendo que coube a Isaías o privilégio de dar à idéia de Deus a de senhor e juiz de todos os povos. E
com o Novo Testamento já estamos fora do judaísmo, pois a mensagem do Novo Testamento é para
todos os homens e povos e o papel de Israel como transmissor da Revelação termina
O conceito hebraico de justiça é reflexo da concepção monoteísta de Deus. As
invocações à justiça, são muito intensas e seu sentido ultrapassa em muito o que comumente
considera-se moral e direito hoje, já que abarca também a esfera religiosa. Com isso o conceito de
justiça tem dupla dimensão: divina e humana. A justiça é tanto um atributo de Deus, sendo um de
seus desejos, que acaba sendo norma suprema de conduta para o homem, consistindo assim na
observância integral dos Mandamentos de Deus. Ser justo é comportar-se com a moral ditada por Deus
– o varão justo é fiel cumpridor da Lei de Deus. A coação encontra fundamento para manutenção da
ordem moral e jurídica na lei de talião, mas leva emconta a intenção e estabelece o princípio da
responsabilidade individual no ordenamento penal (Cfe. Truyol Serra, p. 37-40).
A base hebraica foi estabelecida por Moisés no século XIII a.C. porque lhe
transmitiu os fundamentos da religião, da moral, Direito, através dos 5 livros: Gênese, Êxodo,
Levítico, Números e Deuteronômio. Os judeus os agruparam sob o nome de Tora, ou Lei, que os
judeus alexandrinos chamam de Pentateuco e que vai a partir daí pertencer às Bíblias cristãs. Os textos
datam de diferentes períodos, certas partes remontam ao início do segundo milênio, outras são
redigidas entre os séculos XII e V e a forma definitiva seria por volta de 450 a.C (Gilissen, p. 68).
Não é preciso muito para concluir que a Lei de Moisés impõe-se como legislação
positiva. Informa Truyol Serra que não faltam crueldades nos anais de Israel, mas tem como núcleo o
decálogo e caracteriza-se paradoxalmente por sua humanidade. Há um grande espírito social da lei
mosaica relativo à proteção a viúvas e órfãos, ano sabático, proibição do empréstimo com usura e
preceitos de socorro aos pobres. Tudo culmina na instituição do ano de Jubileu, de 50 em 50 anos onde
há um perdão geral e um reajuste da riqueza, na busca de se manter a maior igualdade possível.
Ainda Thora tenha conservado uma autoridade considerável, houve necessidade de
adaptá-la à evolução da sociedade hebraica, o que foi feito pelos padres, chamados rabinos,
comentadores da “lei escrita”. Suas interpretações e adaptações formaram a “lei oral”, e suas origens
são, segundo a tradição judia, quase tão antigas quanto a “lei escrita”. Ela desenvolveu-se em especial
na época do “Segundo Templo”, ou seja, entre a volta do cativeiro de babilônia (515 a.C.) e a diáspora
(70 d.C.), pois na sua volta para a Judéia os hebreus tiveram de se adaptar a novos modos de vida para
os quais o velho direito bíblico não era suficiente. Os Rabi alargaram a Thora por meio de um trabalho
doutrinal, de caráter exegético, incorporando também tradições e costumes novos. No começo do
século II da nossa era a obra de um Rabino chefe espiritual da comunidade judaica da Palestina
procedeu a uma nova redação da “lei oral”, e sua obra foi chamada Michna, ou seja, “ensino”, dando
início a outras redações. Na verdade trata-se de uma recolha confusa de opiniões de rabinos sobre
matérias religiosas e jurídicas e a opinião das minorias é mencionada ao lado da da maioria dos
“Sábios” (Gilissen, p 69).
Após tantos comentários e interpretações da Michna, feita por rabinos dos séculos II,
IV e V d.C., uns trabalhando na Palestina sob dominação romana, outros na diáspora em Babilônia, os
comentários chamados Guémara (ou seja, “ensino tradicional”) cedo se tornaram mais abundantes
do que o texto da Michna em si mesma. Depois um esforço de sistematização agrupando Michna e
Guémara foi feito através do Talmude, isto é, “estudo”, inicialmente em Jerusalém (350-400 d.C.)
depois na Babilônia (cerca de 500), aproximadamente na mesma época da grande codificação de
Justiniano. O Talmude da Babilônia, por fim, irá prevalecer sobre o da Palestina, pois era mais
completo e mais claro, compreendendo uma grande quantidade de textos jurídicos e religioisos, que
significam “explicações da lei”.
A política dos Hebreus decorre logicamente da religião mosaica. É ela que deu a
Israel um selo singular entre os povos do Antigo Oriente. Ainda que seja designada como “teocracia”,
ela tem um significado sui generis. A autoridade suprema pertence a Deus no sentido próprio da
palavra. Deus rege o destino do povo. A teocracia hebraica caracteriza-se pela limitação que a
soberania direta de Deus impõe sobre o poder real.

3
1.5) O direito na história da Índia –
1.5.1) Idade do hinduísmo: há coisas absolutamente estranhas quanto a cultura indiana, pois se de um
lado dão grande importância para a idéia de um absoluto imutável, em conexão com isso há uma total
carência de sentido histórico, sendo que em conseqüência disso não foram utilizadas cronologias
seguras até o período da conquista islâmica – o que torna muito difícil a indicação das datas dos
monumentos literários hindus. Contrastando com a visão chinesa, otimista, a visão hindu do mundo é
pessimista (Serra, p. 66). Assim, o hindu nunca deu importância a cronologia, entendendo que não há
porque dar-lhe importância já que o desenrolar das contingências é desprezível quando comparado
com a busca do Absoluto1… Se acompanharmos as histórias da mitologia hindu, teremos que acreditar
então que o hinduísmo tem a idade de trilhões de anos. Parte da mitologia diz que teria se originado
imediatamente depois do final da era glacial. Alguns datam sua origem a 6.000 ou 7.000 antes de
Cristo. Alguns teólogos alemães, como Max Muller situam o hinduísmo cerca de 3.000 antes de Cristo
– segundo esta teoria tribos nômades da europa vieram para a India e se situaram nas margens dos
rios Indo, Ganges e Brahamaputra. Estas tribos eram chamadas de Arianos, devido a sua cor clara, e
após sua fixação, eles iniciaram o processo de desenvolvimento do pensamento chamado depois de
hinduísmo.
1.5.2) A a história primitiva da Índia: Anteriormente à chegada dos Arianos, sabe-se que existia um
povo habitando as margens do rio Indo, tão importante quanto o rio Nilo, do Egito, e que depois
apareceu um povo de raça ariana, cuja origem exata é desconhecida, que dominou aqueles que ali
viviam, mas que com a mistura entre vencedores e vencidos, fez surgir o hinduismo2. Dos povos
anteriores aos arianos sabe-se que dividiam-se sob nomes genéricos de Nagas (ao Norte) e Drávidas
(ao Sul), e há pouco tempo descobriu-se vestígios de uma cultura sumero-dravídica em Mohenjodaro,
que pode ter sido um grau pré-histórico para os estratos mais antigos do mundo mesomptâmico. De
todo modo, considera-se então, como ponto de partida para a cultura indiana a invasão dos Arianos, tal
como aconteceu, aliás, no Irã (Serra, p. 66).
1.5.3) O surgimento do hinduísmo: Os Hidus, de outro lado, entendem que o hinduísmo iniciou com
o Sruti, que literalmente é aquele que é ouvido – alguns dizem que é Rishis quem perfectibilizou-se
através da meditação, tendo ouvido em seus corações verdades eternas. Essas verdades foram
ensinadas a seus discípulos telepaticamente. De fato, por longo período os Vedas e Upanishads eram
em formato Sruti, e mesmo a palavra Upanishad significa: Upa = perto; Ni = down; shad (sentado) o
que implica que é ensinado do Guru para o discípulo quando o discípulo senta bem perto do Guru. E
há mais: de acordo com a escola de mimamsa todo Sruti existiu desde a eternidade na forma de sons.
Por isso os sons das palavras dos Vedas e Upanishads são muito importantes3.
1.5.4) O bramanismo: consiste na interpretação da tradição religiosa ariana, recolhida dos
antiqüíssimos Vedas (1.500-1000 a.C.). Os Vedas são coleções de hinos sagrados tidos como
“revelação divina”. Aos Vedas foi acrescentado com o passar dos séculos, a tradição, constituída por
comentários e exegeses que se estendem para além das doutrinas primitivas, destacando-se as
Upanixads, e os Dharmaçutras (500-200 a.C.) – estes constituindo-se de recolhas de aforismos e
ensinamentos diversos em forma de sentenças relativas ao dharma, ao conjunto de preceitos que
regem a vida humana nos seus aspectos religioso, moral, jurídico e social. A partir dos Dharmaçutras
surgiram reelaborações, os chamados tratados do dharma, sendo o mais famoso deles o de Manu, mais
conhecido como Código ou Leis de Manu. Nos confins do século VI e V antes de Cristo verifica-se a
formação de um novo espírito ou o domínio de um pensamento mais evoluído. Para conseguir manter
uma supremacia os brâmanes põem em ação um certo número de expedientes que poderão garanti-los
contra uma invasão popular mantendo-lhes a exclusividade do sagrado. Conservam o panteão védico,
mas põem em relevo a concepção de um ser único, definindo-o como a única realidade do mundo, um
ser total, que tem o nome de braman – e da mesma essência que ele é formada a alma individual o
atman. A ação do Brahman é vista através da ordem do universo, enformado pelo dharma que é a lei

1
CROUZET, v.2, p. 474.
2
PINHEIRO, Ralph Lopes. História resumida do direito, 9a. ed., Rio de Janeiro:Thex editora, 2000. P. 50-51.
3
VISWANATHAN, Ed. Am I a Hindu? Rupa & Co.: Calcutta, 1998. 8a. ed., p. 24. Ao lado do Sruti faz também
parte do que chamaHindu scriptures o Smirti (aquele que é lembrado) – ambas são consideradas “revelações de
Deus” tal como a literatura bíblica é considerada inspiração divina.
4
cósmica que se manifesta tanto no mundo natural quanto no mundo moral. O homem possui um
princípio vital, o âtman, através do qual ele participa do Brahman. Os desejos, o querer, o karma
fazem com que o âtman volte uma e outra vez a encarnar numa personalidade empírica, perpetuando-
se a dor de viver, mas a vivência da dor leva a aspirar a supressão das reencarnações. Com a
influência do budismo e outros movimentos espirituais a salvação foi se reduzindo em escapar deste
círculo angustiante de transmigrações através do aniquilamento do eu, através da extinção do karma,
da vontade de viver. O hinduísmo adotou o conceito budista e denominou esta aniquilação de
brahmanirvana, concebendo-a como imersão na eterna quietude do Brahman4.
1.5.5) O direito hindu: O direito hindu é um direito dominado por uma doutrina religiosa, o
hinduísmo, fixada nomeadamente nos escritos sagrados. Quando falamos “direito hindu” é importante
destacar que é um direito religioso e tradicional para que não se confunda com o direito indiano, que é
um direito territorial da Índia, enquanto estado moderno, constituído por leis da República indiana,
teoricamente aplicado a todos os habitantes, apesar de que, em muitos domínios, os direitos das
comunidades religiosas subsistem sobre o direito da República. Assim, as recolhas que originaram o
Veda, são basicamente quatro, a mais importante é o Rigveda, datado de cerca de 1100 a.C. tendo
como origem a “revelação” dos eleitos, ou o que se chama Sruti (Revelação). Depois apareceram
certas escolas que tentaram desenvolver uma ciência do dharma, surgindo inúmeros livros,
verdadeiros tratados escritos em sânscrito clássico, onde as regras de conduta são colocadas de
maneira mais clara, fácil de compreender e sistemática, aproximando-se até da formulação das regras
jurídicas dos direitos romanistas. São veradadeiros “livros de direito”, conhecidos assim como
dharmasastra, e no total constituem cerca de uma centena, sendo o mais célebre o Código de Manu.
Uma das idéias mais importantes que vem do Rig veda é a idéia de ordem cósmica
chamada Rta. Rta significca ördem cósmica e sacra” e mais recentemente como strutura harmônica
da realidade. Mais tarde esta ordem cósmica virá a ser conhecida como Dharma – que não se tornou
apenas a lei universal, mas também a lei moral do hinduísmo. Na verdade a palavra “direito”
sequer existe em sânscrito, e os Hindus não conhecem o conceito das regras de comportamento
sancionadas por um constrangimento físico. O que o direito hindu possui que se assemelha mais a
nossa expressão direito é o dharma, traduzido de forma mais aproximada como “dever”. Dharma é
assim o conjunto de regras que o homem deve seguir em razão da sua condição na sociedade, ou
conjunto de obrigações que se impõe aos homens porque derivam da ordem natural das coisas. O
dharma seria assim, um conjunto de regras que revelam naturezas distintas, ora de fundo moral,
ora de direito, ora religioso, ora de rituais ou de civilidade.
O direito hindu, assim, caracteriza-se como “direito revelado”, os homens devem
seguir certas regras porque elas foram “reveladas” pela divindade – e estão escritas nos livros
sagrados. Também caracteriza-se por consagrar a desigualdade social, já que cada homem tem um
lugar na sociedade porque pertence a uma casta, situada num lugar preciso e definitivo da hierarquia
social.
1.5.6) O Código de Manu
O ideal brâman das castas reflete-se com nitidez no Manava-dharma-çastra, ou
Código de Manu, denominado assim porque teria sido promulgado por Manu, filho de Brhama e pai
dos homens. Na verdade, Manu seria um personagem mítico, nascido de Brama. Apesar de ser uma
recolha de material muito antigo, a redação de sua compilação parece datar do século II a.C. e II d.C.
Não é um “código” como um corpo de leis, mas coleção de preceitos religiosos, morais, jurídicos,
políticos, destinados às diferentes castas.
O Código de Manu é formado por cerca de 5.400 versículos, divididos em 12 livros.
Os primeiros expõe o modo de vida de Brama; o livro 7 trata do conjunto de deveres que incumbem
aos rajás e os livros 8 e 9 contêm os modos de resolver os litígios pela justiça real. Apenas a partir do
século VIII d.C. é que cessa-se de escrever novas Dharmasastra, e as recolhas existentes são
consideradas sagradas5. Uma das mais importantes partes é a descrição do sistema de castas6. Manu
escreveu que: Para o nascimetno do mundo, Brhaman criou Brahmanas – de sua face, Cxatrias

4
SERRA, Truyol, p. 67.
5
GILISSEN, p. 104.
6
Ver THE LAWS OF MANU, with an introduction and notes translated by DONIGER, Wendy & SMITH,
Brian K. Penguin Books, 1991.362p.
5
(guerreiros), de seus braços, vaishyas (comerciantes e agricultores)de suas pernas, e Shudras
(trabalhadores manuais ou escravos) de seus pés.
1.5.7) A doutrina política
A doutrina política é baseada no mais absoluto pessimismo antropológico.
Dificilmente se encontraria um homem virtuoso, de modo que o castigo é o que governa todo o gênero
humano. O temor geral do castigo, e só ele, é o que permite às criaturas gozar do que lher pertence e
as impede de se afastarem de seus deveres. O poder se justifica, então, pela função repressiva, para
evitar o caos. O estado natural que se evoca, para justificar então a ação do rei é o de que haveria luta
de todos contra todos e onde imperaria a insegurança e o medo. Não se está aqui, entretanto, diante da
voracidade do lobo hobbesiano, mas a imagem do Código de Manu e do poema épico Mahabharata,
que será renovado por Espinosa, do peixe grande que come naturalmente o pequeno. A função real,
portanto, tem por fim impedir a anarquia do homo homini piscis – e a política é a arte de manejar a
coação, e exige uma adequada preparação do príncipe (Serra, p. 68-69).
1.5.8) O budismo
Ao contrário do bramanismo, que torna o sistema de castas cada vez mais rígido, o
budismo antigo apóia-se nas classes inferiores da sociedade, sem procurar niverlar as classes sociais
por “baixo”, esforçando-se mais para diminiuir do que extinguir o supremo poderio dos brâmanes. O
budismo virá dizer que não será a realização perfeita de um ritual que romperá o ciclo dos
renascimentos, mas sim a prática da virtude que decorre da responsabilidade individual. Tanto o
privilégio social do nascimento como a hereditariedade da casta são arruindados – e neste ponto o
budismo representa uma verdadeira revolução social.

1.6) CHINA – Confucionismo versus Taoísmo – não cai no GA


O Confucionismo, filosofia que encarna o real e o concreto, foi fundado por Kung-fu-tsé,
“Mestre Kung”, conhecido como “Confúcio” (551-479 a.C.), e teve como rival o Taoísmo, que
encarna tendências místicas. Confúcio tem a intenção de restaurar a “antiga sabedoria”, e daí a
importância que atribui à observância dos ritos ancestrais (Li). Pode se falar, segundo Truyol Serra, de
um “positivismo confuciano”, pois as relações essenciais das coisas entre si é que serão critério da
moral e do Direito. E tais relações foram reduzidas por Confúcio na experiência da vida humana.
Com isso, Confúcio interessou-se em determinar as relações essenciais na sociedade, que reduziu a
cinco: aquelas entre príncipe e seus ministros; entre pai e filhos; entre marido e mulher; entre irmãos
mais velhos e mais novos; e entre amigos. Surgem a partir daí círculos de deveres fundamentais. Cada
relação implica um título, e o indivíduo deve proceder segundo o título que seu papel lhe prescreve.
De seu ato sobrevirá censura ou elogio. Também as virtudes cardeais serão cinco, para Confúcio:
sabedoria (ou prudência), benevolência (ou humanidade), fidelidade; veneração (ou respeito); fortaleza
(ou coragem). Entre todas, a benevolência é a primeira, similar à amizade aristotélica, podendo ser
resumida na fórmula ter retidão de coração e amar o próximo como a si mesmo. Por trás disso
encontramos uma concepção otimista de ser humano.
Com relação à Política, Confúcio assemelha-se muito a Platão, entendendo que o sábio
desempenha importante papel no Governo, deverndo formar o Imperador que assegura por sua pessoa
a harmonia entre o Céu e a Terra, mantendo, pois, Confúcio, a antiga idéia chinesa quanto ao papel do
Imperador de ligação entre o Céu e a Terra. Um dos principais discípulos de Confúcio foi Mêncio
(372-289 a.C.), que limita ainda mais as preocupações com os problemas concretos da vida social.
Já o Taoísmo tem como suposto fundador Lao-Tse (“Velho Mestre”), que era arquivista do
Império oriundo do sul da China. Basicamente eram adeptos do taoísmo sábios inclinados à solidão e
contemplação, e era antes de um modo de saber, um modo de viver. A escola centra-se na idéia de
Tao, o caminho, a via, como expressão do ritmo cósmico, um princípio secreto da vida universal Para
permitir que entre os grupos exista um equilíbrio espontâneo, a doutrina da “inação” ou “não
interferência” exerce papel fundamental, tornando-se claro no taoísmo uma contraposição entre
natureza e convenção, naturalidade e artifício, princípio (quietismo) que se estende ao conjunto da
humanidade – um pacifismo que repele qualquer recurso às armas (SERRA, Truyol, p. 53-56)..