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EXTENSÃO DE TETE
CURSO DE GESTÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO COMUNITÀRIO
Curso de Licenciatura em Gestão Ambiental
Cadeira de Noções do Direito Ambiental.
3º Ano, Iº Semestre – 2020
Ficha 3.
CONSTITUIÇÃO AMBIENTALISTA.
Introdução.
Como sabemos, em 1972 com a Declaração de Estocolmo 1.o ambiente abandou o seu
papel secundário que, até aquela data, desempenhava no cenário internacional, para
se transformar no protagonista das preocupações mundiais.
Contudo em Moçambique, somente vamos ˝ouvir falar˝em direito ao ambiente com a
Constituição de 1990,ao dispor que ˝todo o cidadão tem direito de viver num ambiente
equilibrado e o dever de o defender˝, e que, em consequência disso,˝ o Estado promove
iniciativas para garantir o equilíbrio ecológico e a conservação e preservação do
meio ambiente visando a melhoria da qualidade da vida dos cidadãos ˝
Em 2004,reforça-se esta previsão com aprovação do novo testo da Constituição da
República de Moçambique (CRM2004),que estipula, logo, como objectivo
fundamental do Estado Moçambicano a ˝qualidade de vida dos cidadãos ˝ e, em
contrapartida, como dever fundamental dos indivíduos ˝defender e conservar o
ambiente˝ Para além disso, prevê expressamente no art.90 CRM,com epigrafe ˝Direito
ao Ambiente ˝que todo o cidadão tem direito de viver num ambiente equilibrado e o dever de o
defender˝
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O Estado e autarquias locais com a colaboração das associações na defesa do
ambiente, adoptam políticas de defesa do ambiente e velam pela utilização racional
de todos recursos naturais (n˚2 do art.90 CRM). E no art.117.CRM,com epigrafe
˝Ambiente e qualidade de vida ˝ que˝ O Estado promove iniciativas para garantir o equilíbrio
ecológico e a conservação e preservação do meio ambiente visando a melhoria da qualidade da
vida dos cidadãos ˝
Com o fim de garantir o direito ao ambiente no quadro de um desenvolvimento
sustentável, o Estado adopta políticas visando (nos termos das alíneas a),b),c),d) e e)
do n˚2 do art.117 CRM):
a) Prevenir e controlar a poluição e a erosão;
b) Integrar os objectivos ambientais nas políticas sectoriais;
c) Promover a integração dos valores ambientais nas políticas e programas
educacionais;
d) Garantir o aproveitamento racional dos recursos naturais com salvaguarda da
sua capacidade de renovação, da estabilidade ecológica e dos direitos das
gerações vindouras;
e) Promover o ordenamento do território com vista a uma correcta localização
das actividades e a um desenvolvimento sócio-económico.
Por seu turno, a sociedade no seu todo e os cidadãos em particular têm um papel
crucial no exercício do direito ao ambiente, porquanto, a Constituição ao estabelecer
direitos fundamentais determina igualmente os correspectivos deveres. É assim que
ao direito de viver num ambiente equilibrado corresponde o dever de o defender (art.90
CRM).
Nesta identidade de princípios, de direitos e deveres, o homem moçambicano como
ser eminentemente social e que a sua grande maioria vive em meios comunitários,
particularmente a nível rural, sem pretender de descurar a onda de movimento
associativo a nível urbano, pode e deve associar – se em organizações que prossigam
a realização dos objectivos supramencionados.
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Principio 1, Declaração de Estocolmo sobre o ambiente humano, 1972,dispõe que ˝O homem tem o
direito fundamental á liberdade, á igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, em um meio ambiente
de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem -estar e é portador solene de obrigação de
proteger e melhorar o meio ambiente, para gerações presentes e futuras ˝
O direito de constituir uma associação está consagrado na constituição (art.52 CRM.
Liberdade de associação) e por sua vez, as associações como pessoas colectivas com
pessoalidade jurídica própria, podem prosseguir os seus fins, criar instituições e
usufruir de património próprio (art.º. 76/2), cuja criação se mostra regulada pela lei
ordinária (Lei n˚8/91 de 18 de Julho; que regula o direito a livre associação).
II. A Aspectos Legais e Institucionais da Gestão do Ambiente.
1.Historial.
As questões relativas á protecção ambiental em Moçambique começaram a ser
tratadas ao nível institucional, por um sector designado ˝DEVISÃO DO MEIO
AMBIENTE˝, integrado no então Instituto de Planeamento Físico (INPF) criado em
1984.
Em 1992,foi Criada a comissão Nacional do Ambiente (CNA),fundamentalmente
com objectivos de preparar a participação de Moçambique na cimeira do Rio de
Janeiro sobre Ambiente e Desenvolvimento.
Depois das eleições multipartidárias de 1994 e na formação do novo Governo,
colocava-se a questão da necessidade de uma instituição que assegurasse a
integração dos princípios relativo á protecção e gestão ambientais estabelecidos na
Agenda 21,no âmbito das diversas políticas sectoriais com as respectivas estratégias
de implementação.
Foi então decidido criar o Ministério para Coordenação da Acção Ambiental
(MICOA)
A nível legislativo e até 1994, o panorama caracterizava-se de legislação sectorial
onde se salientam aspectos pertinentes ao licenciamento para o uso e
aproveitamento de recursos naturais.
Em 1995 foi aprovado o Plano Quinquenal do Governo para o quinquénio 95/99,no
qual o meio ambiente constitui uma componente específica, tendo o Conselho de
Ministros aprovado a Política Nacional do Ambiente através da Resolução N˚5/95, de
3 de Agosto/1995.
Docente: Carlos Simone Manhoso (MSc / Jurista).
Tete,25 de Fevereiro 2020
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