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A ORIGEM HUMANA

Neste conteúdo são abordados temas e idéias como:


- a teoria evolucionista e a explicação da biologia para a origem e evolução do ser humano;
- a colaboração da teoria antropológica sobre a visão da biologia e do evolucionismo; a
antropologia defende que a explicação puramente biológica é apenas uma parte de nossa
complexa evolução – o papel do comportamento cultural também foi determinante para
surgimento de nossa espécie como é hoje.
- a antropologia afirma que é falsa a afirmação que o ser humano é determinado pelo clima ou
pela herança genética; sim, as populações se adaptam a diferentes meio ambientes para
sobreviver, mas não é o meio ambiente que determina nosso comportamento; sim, cada
indivíduo é resultado de uma herança genética, o que não significa que é “escravo” dessa
herança.
 

 
Voltar às origens da cultura é também voltar à origem da humanidade. Ter costumes e hábitos
aprendidos é um comportamento relacionado com a nossa sobrevivência e evolução enquanto
espécie. O tema possibilita uma abordagem que ressalta a importância da compreensão do ser
humano como um ser bio-psico-social, ou seja, somos seres cujo comportamento é
determinado ao mesmo tempo:
BIO - por nossas características orgânicas (o tipo de aparelho físico que temos e como
podemos utilizá-lo);
PSICO - por nossas experiências pessoais racionais e afetivas de mundo e;
SOCIAL - pelo meio social onde vivemos.
 
Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o
nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda
se comunicar através desta ou daquela língua?
Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a
História, tem explorado profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação
ao resto do mundo animal que nos cerca. Até o momento puderam concluir que nosso
comportamento é fruto de um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram
nossos ancestrais. Esse trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura
foram responsáveis por tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato
“natural” não necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”.
Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber que alimentos são
comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou
descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse
fato pode ter para nossa compreensão de ser humano?
O ser humano é uma espécie moldável e criativa. Em cada grupo social, as respostas às
necessidades e a qualidade dos vínculos sociais resultam de uma história que é única àquele
grupo. Portadores das marcas da história, das experiências coletivamente vividas, das
soluções criadas, cada grupo vai construindo um conjunto absolutamente único que é sua
cultura.
 
Vamos supor que você tome uma parcela da população norte-americana de hoje e os coloque
para viver durante um longo período de tempo em um outro local, com características
ambientais muitos semelhantes às quais estão acostumados. Daqui a algumas gerações, se
você for analisar esse grupo e o grupo de origem, poderá ver que existem características que
os diferenciam. E assim se dá, quanto mais o tempo passa. Qualquer coletividade está sujeita
a um destino próprio. E a cultura é o resultado, a cada momento, dessa experiência de vida
que não se repete exatamente com os mesmos eventos, da mesma forma em todos os lugares.
 
A diversidade cultural é inerente ao ser humano. Onde quer que se forme um grupo social, o
resultado será sempre o mesmo: uma cultura própria.
A antropologia propõe que a cultura é a base de nossa forma de encarar o mundo à nossa
volta e dar formas e significados a ele.
Mas afinal, em que momento de nossa evolução o ser humano passou a viver distante da
natureza e dos instintos, e passou a depender da cultura?
Ou ainda, como podemos relacionar a evolução de nossa espécie e a influencia da cultura no
desenvolvimento geral da Humanidade?
Somos seres culturais, portanto todo o nosso comportamento depende de uma combinação
complexa entre característica inatas (que fazem parte de nossa natureza, nossa carga
genética) e meio social.
 
Vamos considerar que grande parte das coisas que realizamos em nosso dia-a-dia, incluindo
planos pessoais e organização de regras de convivência, é resultado de um modelo coletivo
de pensar como devemos ser?
 
Isto significa que aprendemos a estar no mundo, e não simplesmente somos “jogados” nele.
Desde a língua que falamos para nos comunicar, até os símbolos que associamos a crenças,
sonhos e mensagens, são criados de acordo com uma mentalidade coletiva comum. Esse
“modelo” para nos comunicar e dar sentido ao que pensamos, é dado pela nossa cultura.
E em cada uma das culturas humanas, aquilo que nos faz rir, chorar ou sonhar varia
imensamente.
 
Mas, quando o ser humano passou a se comportar de forma cultural?
Segundo a antropologia, o ser humano nunca foi uma espécie apenas por suas habilidades
orgânicas, como capacidade de raciocínio e postura ereta.
 
Pelo contrário, essas características foram acentuadas, pois nossos ancestrais se
comportavam de forma cultural. Nesse comportamento podemos citar:
- desenvolvimento de tecnologia e de saberes;
- desenvolvimento de linguagens para a comunicação;
- regras de comportamento em grupo;
- idéias e crenças;
- tradições e hábitos comuns, etc...
 
Parece a você que todo ser humano tem como qualidade inata (que nos pertence desde o
nascimento) certos comportamentos como preferir alguns tipos de roupas ou alimentos, e ainda
se comunicar através desta ou daquela língua?
 
Pois a Antropologia, junto com outras ciências como a Arqueologia, a Paleontologia e a
História, explorou profundamente essa questão sobre a diferença do Homem em relação ao
resto do mundo animal que nos cerca, e puderam concluir que nosso comportamento é fruto de
um processo histórico no qual BIOLOGIA e CULTURA modelaram nossos ancestrais. Esse
trabalho conjunto entre nosso desenvolvimento biológico e a cultura foram responsáveis por
tamanhas mudanças em nossa espécie, que hoje achamos um fato “natural” não
necessitarmos entrar na “luta pela sobrevivência”, na “lei da selva”.
 
Quem começou a inventar palavras para dar nomes às coisas, ou saber quais alimentos são
comestíveis e como devemos prepará-los? Quem inventou o primeiro tipo de calçado, ou
descobriu como fabricar o vidro? Enfim, como surgiu a cultura? Que importância decifrar esse
fato pode ter para nossa compreensão de ser humano?
 
Uma resposta bastante simplista, e que se encontra repetida muito comumente, é aquela que
afirma que somos capazes de desenvolver cultura, pois somos biologicamente dotados de
inteligência. Mas, por que nosso cérebro se desenvolveu de forma a permitir esse tipo de
inteligência que os humanos se gabam por ter exclusividade?
Essa questão foi investigada largamente por especialistas tanto das áreas de conhecimento
das ciências biológicas como das ciências humanas.
 
Eles acabaram por definir que não houve na evolução humana apenas um fator isolado que
tenha, de forma surpreendente, nos dotado dessa inteligência. Pelo contrario, nossa evolução
biológica teve influencia de muitos fatores, entre eles, o comportamento de nossos ancestrais.
 
Conforme o aumento gradativo do cérebro[1] permitia o desenvolvimento de habilidades mais
complexas, como fala e fabricação de instrumentos, mais necessário à sobrevivência seria ter
essas capacidades. Assim, os indivíduos cujo cérebro não era desenvolvido o suficiente para
adquirir fala ou fabricar instrumentos, não deixavam descendentes, pois tinham menores
chances de sobrevivência.
 
Então, isso é a “seleção natural” na teoria da evolução de Darwin.
Assim, a cada geração, um cérebro mais complexo e seu uso para desenvolver habilidades
sociais, eram fundamentais aos nossos ancestrais humanos.
 
Portanto, se diz atualmente entre muitos cientistas, que somos “biologicamente culturais”, ou
“culturalmente biológicos”. Um fator (biologia) ajudou a modelar o outro (cultura), e vice-versa.
 
Leia aos trechos abaixo, que podem ser encontrados no texto que está indicado na bibliografia
complementar:
 
“O modo de vida estritamente cultural impõe uma série de exigências para seu funcionamento.
Para começar, aumenta muito a importância da proximidade e das relações sociais por um
lado, e da inteligência, por outro. Nenhuma espécie envereda por um caminho destes
impunemente. Dentro de um jogo complicado, pode-se pensar que a cultura, ao aumentar as
chances de sobrevivência do grupo, também aumenta a sua dependência da cultura para
sobreviver. Ao mesmo tempo em que liberta, submete.
Escapa-se de uma armadilha, entrando em outra.
Compreender o impacto da cultura na evolução humana tem sido um desafio constante.
Ao que tudo indica, assim que nossos ancestrais desenvolveram uma dependência da cultura
para sobreviver, a seleção natural começou a favorecer genes para o comportamento cultural.
(...)
A própria cultura é uma característica biológica
Há, porém, mais do que isso: o ser cultural do homem deve ser entendido como biológico.
Há mais do que um jogo de palavras na afirmação de que o homem é naturalmente cultural, ou
ainda, de que a chave para a compreensão da natureza humana está na cultura e a chave para
a da cultura está na natureza humana. O homem é a um só tempo, criatura e criador da cultura.
Nas palavras de Morin (1973, p.92), "o que ocorreu no processo de hominização foi uma
aptidão natural para a cultura e a aptidão cultural para desenvolver a natureza humana". Desse
modo, "desaba o antigo paradigma que opunha natureza e cultura" (p.94). Entretanto, apesar
da força do argumento, mesmo várias décadas depois, ainda não se foi muito adiante.”
(BUSSAB, Vera S. R.; RIBEIRO, Fernando L.; “Biologicamente Cultural”, texto disponível
em: http://pet.vet.br/puc/vera%20bussab.pdf )
 
 
Um exemplo: sabemos que o surgimento da fala tem relação com duas características que são
a posição da laringe resultante da postura ereta e a utilização das mãos para trabalhos de
fabricação de instrumentos. Ao fabricar os chamados instrumentos de “pedra lascada”, nosso
ancestral permitiu operações mais complexas e passou a utilizar uma área do cérebro, que é a
mesma que nos permite falar.
 
Segundo uma grande quantidade de pesquisas arqueológicas, que consiste na teoria científica
mais aceita, a origem dos primeiros humanos ocorreu no continente africano entre 200 e 100
mil anos atrás.
 
Esse grupo teria começado sua imigração para fora da África entre 65 e 50 mil anos atrás,
povoando os outros continentes. Nesse longo caminho, as famílias humanas foram adquirindo
características físicas diferentes em função tanto da necessidade de adaptação a novos meios,
como pela combinação da carga genética de cada grupo.
 
Existe toda uma corrente de pensadores na Antropologia, inaugurado pelo americano Alfred
KROEBER, que defendem inclusive, que a cultura é uma característica que torna a
humanidade completamente diferente em seu curso evolutivo, pois enquanto as outras
espécies passam por modificações anatômicas ao longo do tempo para se adaptar a novas
condições, o Homem utiliza um “equipamento extra-orgânico”, que é a cultura.
 
Leia o trecho que se encontra no livro de nossa bibliográfica básica para esclarecer melhor
essa questão:
A baleia não é só um mamífero de sangue quente, mas é reconhecida como o descendente
remoto de animais terrestres carnívoros. Em alguns milhões de anos ... esse animal perdeu
suas pernas para correr, suas garras para segurar e dilacerar, seu pêlo original e as orelhas
externas que, no mínimo, nenhuma utilidade teriam na água, e adquiriu nadadeiras e cauda,
um corpo cilíndrico, uma camada de banha e a faculdade de reter a respiração. Muita coisa
perdeu a espécie, mais, talvez, em conjunto do que ganhou. L certo que algumas de suas
partes degeneraram. Mas houve um novo poder que ela adquiriu: o de percorrer
indefinidamente o oceano.
Encontramos o paralelo e também o contraste na aquisição humana da mesma faculdade. Não
transformamos, por alteração gradual de pai a filho, nossos braços em nadadeiras e não
adquirimos uma cauda. Nem precisamos absolutamente entrar na água para navegar.
Construímos um barco. E isto quer dizer que preservamos intactos nossos corpos e faculdades
de nascimento, inalterados com relação aos de nossos pais e dos mais remotos ancestrais. Os
nossos meios de navegação marítima são exteriores ao nosso equipamento natural. Nós os
fazemos e utilizamos, ao passo que a baleia original teve de transformar-se ela mesma em
barco. Foram-lhe precisas incontáveis gerações para chegar à sua condição atual.
(LARAIA, Roque de Barros. Cultura - Um Conceito Antropológico, Rio de Janeiro: JORGE
ZAHAR, 21ª Ed, 2007, pgs 40-41)
 
Kroeber chama a cultura de “superorgânico”, pois dota a humanidade de uma flexibilidade
adaptativa a tantos ambientes, que compensa a falta de expressividade de nosso organismo.
 
Explicando. Frente a outros animais, o ser humano não possui capacidades anatômicas muito
destacadas como velocidade, olfato, visão ou mesmo força física.
Entretanto, ao utilizar os recursos da inteligência de forma cultural, superamos limites de nosso
organismo.
 
Portanto, a origem da cultura humana coincide com a origem de toda nossa espécie. Ela
sempre existiu, e faz parte de nossa forma de sobrevivência.
 
Já outros antropólogos, compreendem que esse debate sobre a evolução de nossa espécie,
não é mais importante que o debate sobre nossa condição de existência. Para um grupo
iniciado pelo francês Claude Lévi-Strauss, o foco dessa questão sobre a origem da cultura está
em conseguir perceber a importância do impacto do comportamento orientado por valores e
regras, muito mais do que as considerações sobre nosso equipamento biológico.
 
Assim, Lévi-Strauss afirma que o fato de possuir cultura, dota a espécie humana de uma
característica fenomenal, que é a de ter nos distanciado dos instintos.
Ou seja, para ele, é importante perceber como a cultura nos moldou como seres que agem não
apenas preocupados com realizações praticas de sobrevivência, e sim, como agimos o tempo
todo pautados em uma moral, uma ética de mundo que nos dá consciência.
 
Ele afirma inclusive, que entre todas as atitudes humanas que nos caracteriza como uma
espécie cultural, uma tem importância especial, por marcar em nossa evolução, o momento em
que o ancestral humano deixou de agir como animal e passou a agir como Homem.
Esse momento teria sido a instituição da regra, que é universal ao ser humano, que proíbe as
relações incestuosas. Ou seja, relações sexuais entre indivíduos relacionados por vínculos
familiares muito diretos, como pais e filhos, ou tios e sobrinhos.
 
Segundo Lévi-Strauss, não há sustentação na afirmação simplista de que tenha sido apenas
pela observação de problemas genéticos resultantes dessas relações que o ser humano tenha
instituído essa regra.
O horror moral que provoca em qualquer ser humano, a notícia de que algum individuo tenha
burlado essa regra, supera em qualquer condição o horror a uma prole com problemas
genéticos. É uma regra de ordem moral, muito mais do que de efeito prático. Concorda?
 
Pois bem, trata-se de uma das únicas regras que tem validade universal em nossa espécie. Ou
seja, não depende de época ou cultura. Todo se humano, em qualquer sociedade evita e pune
essa prática. Então, podemos pensar que de fato, ela tem uma importância especial.
 
Sua importância, para Lévi-Strauss, está no fato de ter retirado definitivamente o ser humano
da esfera da natureza, dos instintos.
A partir do momento em que nossos ancestrais formularam essa regra, inaugura-se a cultura. É
um marco simbólico, entenda. Mas uma forma muito importante de explicar nossa espécie.
 
Outros animais podem fabricar coisas, e ter atitudes inteligentes, ou memória.
 
Mas é muito mais difícil um animal, e todos os indivíduos de sua mesma espécie, aos mesmo
tempo, controlarem um instinto, conseguindo agir de forma a negá-lo. Os animais
domesticados quase sempre o conseguem. Mas já não fazem parte da natureza. Como o nome
diz, são “domesticados”, vale dizer, seu comportamento passa a ser orientado por outras
regras que não o instinto.
E, mesmo assim, não se pode garantir que seu instinto não venha a aflorar em certas
situações, como a exposição a alimentos, situações de agressividade contra os próprios donos
e assim por diante.

Resumindo, a contribuição de Kroeber para a ampliação do conceito de cultura pode ser


relacionada nos seguintes pontos:
1. A cultura, mais do que a herança genética, determina o comportamento do homem e justifica
as suas realizações.
2. O homem age de acordo com os seus padrões culturais. Os seus instintos foram
parcialmente anulados pelo longo processo evolutivo por que passou. (Voltaremos a este ponto
mais adiante.)
3. A cultura é o meio de adaptação aos diferentes ambientes ecológicos. Em vez de modificar
para isto o seu aparato biológico, o homem modifica o seu equipamento superorgânico.
4. Em decorrência da afirmação anterior, o homem foi capaz de romper as barreiras das
diferenças ambientais e transformar toda a terra em seu hábitat.
5. Adquirindo cultura, o homem passou a depender muito mais do aprendizado do que a agir
através de atitudes geneticamente determinadas.
6. Como já era do conhecimento da humanidade, desde o Iluminismo, é este processo de
aprendizagem (socialização ou endoculturação, não importa o termo) que determina o seu
comportamento e a sua capacidade artística ou profissional.
7. A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda a experiência histórica das
gerações anteriores. Este processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo.
8. Os gênios são indivíduos altamente inteligentes que têm a oportunidade de utilizar o
conhecimento existente ao seu dispor, construído pelos participantes vivos e mortos de seu
sistema cultural, e criar um novo objeto ou uma nova técnica. Nesta classificação podem ser
incluídos os indivíduos que fizeram as primeiras invenções, tais como o primeiro homem que
produziu o fogo através do atrito da madeira seca; ou o primeiro homem que fabricou a primeira
máquina capaz de ampliar a força muscular, o arco e a flecha etc. São eles gênios da mesma
grandeza de Santos Dumont e Einstein. Sem as suas primeiras invenções ou descobertas, hoje
consideradas modestas, não teriam ocorrido as demais. E pior do que isto, talvez nem mesmo
a espécie humana teria chegado ao que é hoje.
(LARAIA, R. B. Cultura, um conceito antropológico, RJ: Jorge Zahar, 2005, pgs. 48-49)
 

 HISTÓRICO DA BIOÉTICA

            Todo estudo que envolve o ser humano, de forma direta ou indireta, individualmente ou
coletivamente, incluindo o manejo de informações ou materiais, necessita de diretrizes
bioéticas para que o participante dessas pesquisas seja protegido.

2.1 Principais fatos históricos relacionados com a Bioética

Mesmo antes do neologismo Bioética existir, houveram fatos históricos que contribuíram para
seu surgimento. A partir de agora, vamos ver quais foram esses fatos e como ocorreram suas
contribuições para a criação desse conceito tão atual e essencial no mundo de hoje.
1900: foi elaborado o primeiro documento que estabelecia os princípios éticos da
experimentação em humanos. Esse documento foi formulado pelo Ministério da Saúde da
Prússia.

Observação

A aplicação desse documento não ultrapassou a região onde foi elaborado. Em 1930 em uma
área vizinha 100 crianças foram submetidas a testes com a vacina BCG, sem consentimento
de seus pais, 75 delas morreram - desastre de Lübeck.

1931: Devido a limitada repercussão do documento de 1900 e a desastres como o de Lübeck,


o Ministro do Interior da Alemanha estabeleceu 14 novas diretrizes para pesquisas em seres
humanos, que determinavam padrões técnicos e éticos da pesquisa. Para alguns historiadores,
esse documento era ainda mais preciso e amplo do que a própria Declaração de Helsinque. No
entanto, nem todo esse cuidado foi suficiente para impedir as experiências realizadas com os
seres humanos durante o período nazista.

Lembrete

A Declaração de Helsinki foi elaborada em 1964 e, foi redigida especialmente em detrimento da


proteção dos participantes das pesquisas. Esse documento direciona ainda hoje as pesquisas
com seres humanos.

1933-1945: Período nazista e 2ª Guerra Mundial. Nesse período algumas leis foram criadas em
prol de atitudes racistas:

     1. Lei de 14 de julho de 1933 - Sobre a esterilização, essa lei foi elaborada para prevenir
uma descendência doente e foi complementada com outros documentos, mas, sobretudo
interditava o casamento entre pessoas de “raças diferentes”.

     2. Circular de outubro de 1939 - Sobre a eutanásia em doentes incuráveis, criando seis
institutos para a prática da eutanásia.

     3. Criação de campos de extermínio, a partir de 1941.

1945: Fim da 2ª Guerra Mundial e das atrocidades cometidas pelos nazistas contra os seres
humanos.

1946: Julgamento de Nuremberg – Tribunal de Guerra.

1947: Julgamento de Médicos Nazistas no Tribunal de Nuremberg onde 20 médicos e 3


administradores foram julgados por “assassinatos, torturas e outras atrocidades cometidas em
nome da ciência médica”.

1947: Código de Nuremberg.


1948: Declaração Universal dos Direitos Humanos – ONU

1953: Descoberta da Estrutura do DNA

1954: Primeiro Transplante Renal,

1960: Comitê de Seleção de Diálise de Seattle (God Commission)

Observação

A God Commission esteve envolvida com o primeiro problema ético, historicamente conhecido


como “bioético” onde O Seattle Artificial Kidney Center possuía 9 leitos destinados ao
tratamento de diálise, raro e caro e assim foi criada uma comissão para decidir quem poderia,
ou não fazer o tratamento.

1960: Pílula Anticoncepcional que revolucionou a vida sexual e social ocidental. A mulher
passa a querer autonomia para gerir seu corpo (debates sobre a questão do aborto).

1964 – Declaração de Helsinki (versões 1975, 1983, 1989, 1996, 1999 e 2000).

1966: Artigo denuncia inúmeros casos de artigos científicos publicados com inadequações
éticas.

1967: Primeiro transplante de coração

1968: Definição de Morte Cerebral

1969/1970 – É fundado o Hastings Center em Nova York por Daniel Callahan, católico com
formação em teologia e filosofia esse centro reunia grupos que tinham o objetivo de
desenvolver regras e normas éticas para problemas específicos.

1970  - Potter cria o neologismo Bioethics.

1971 – Fundado o Instituto Kennedy de Ética na Universidade de Georgetown, primeiro Centro


Nacional para a Literatura de Bioética e com o  primeiro programa de pós-graduação em
Bioética do mundo, foi fundado por André Hellegers.

1971 – Potter publica o livro “Bioethics – Bridge to the Future”.

1932-1972 - Nesse período ocorrem três casos que mobilizaram a opinião pública americana:

 1963 - Hospital Israelita de Doenças Crônica, em Nova York - foram injetadas células
cancerosas vivas em idosos doentes;
 Entre 1950 e 1970 - Hospital Estadual de Willowbrook, em Nova York- injetaram o vírus
da hepatite em crianças com deficiência mental;
 1932 - Estado do Alabama- caso Tuskegee

1974 –1978 – Relatório Belmont

1973 - Caso Roe x Wade


1975- Caso Karen Ann Quinlan

1978 – Publicação da Encyclopedia of Bioethics,

1978 - Nascimento de Louise Brown, o primeiro bebê de proveta,

1979 – Livro Principles of Biomedical Ethics de T. Beauchamp & J. Childress, considerado o


texto de referência da corrente bioética conhecida como principlism (principialismo),

1997 - Nasce a Ovelha Dolly - primeiro mamífero clonado 2000 - O Genoma Humano

Muitos outros fatos foram responsáveis pelas mudanças comportamentais no campo das
pesquisas. Nesse momento, vamos  interromper essa cronologia para explicar com mais
detalhes alguns desses principais fatos.

              2.2 Um mergulho nos fatos históricos

Como já vimos, apesar do ministério do Interior da Alemanha (1931), ter estabelecido regras
quanto ao controle de experimentos com seres humanos 1, durante toda a 2ª Guerra Mundial
(1939-1945), essas normas não foram aplicadas.

Os "experimentos" realizados nesse período, em nome da "ciência" eram aplicados em


ciganos, judeus, poloneses e russos nos campos de concentração e a desculpa para aplicarem
as regras de 1931, era de que essas pessoas eram seres inferiores (pela ideologia nazista) e
portanto, podiam e eram tratadas como cobaias2.

A maioria desses "cientistas" eram médicos que queriam expandir seus conhecimentos e não
se importavam em sacrificar outro ser humano.  Essas cobaias humanas, como estavam
exiladas e eram consideradas inferiores,  suas ausências,  poderiam até mesmo, ser
consideradas um benefício para humanidade.

Dentre os experimentos nazistas ocorridos naquela época podemos citar:

1. Encaminhamento de judeus russos para o Museu da Universidade de Strasbourg, na


França. O diretor do museu encomendou uma coleção de esqueletos para que a
evolução da espécie humana pudesse ser exemplificava. Para esse simples pedido,
123 pessoas foram sacrificadas. A foto abaixo nos dá uma ideia de como os
prisioneiros eram tratados.
 
 
  
 

Figura 4: Crianças, vítimas das experiências "médicas" do monstruoso Dr.Josef Mengele, em


Auschwitz-Birkenau. Polônia, 1944 — National Museum of Auschwitz-Birkenau, onde a
dignidade humana não estava presente em momento algum. Fonte: enciclopédia do
Holocausto

1. Pesquisas sobre hipotermia mataram centenas de prisioneiros do campo de Dachau.


Os prisioneiros eram deixados em câmara frigorífica até morrer, para analise do tempo,
individual e coletivo, do ser humano submetido a baixas temperaturas.

Figura 5 - Vítima de uma experiência "médica" nazista sendo forçada dentro de um recipiente
com água quase congelada gelada no campo de concentração de Dachau. O monstruoso
"médico" das SS, Sigmund Rascher, supervisiona a experiência. Alemanha, 1942. Fonte:
enciclopédia do Holocausto

1. O professor de medicina Julius Hallervorden, coletava e armazenava cérebros de


pacientes com transtornos mentais, exterminados pelo regime nazista. Sua coleção era
composta por 697 cérebros2.
2. Joseph Mengele foi o mais sanguinário dos pesquisadores nazistas. Suas experiências
exterminaram cerca de 400 mil pessoas em Auschwitz. Dentre os experimentos feitos
por Mengele, está a injeção de tinta azul em olhos de crianças, a união de veias de
gêmeos, amputação de membros de prisioneiros, dissecação de anões vivos e coleta
de milhares de órgãos em seu laboratório, entre outros3,4,5.

2.2.1 Código de Nuremberg, 1947

Os experimentos exemplificados acima foram julgados na cidade de Nuremberg, situada ao


norte da Bavária, Alemanha. O tribunal foi composto com o objetivo de decidir sobre os
assassinatos cometidos por médicos do regime nazista “em prol da ciência”. Começou em
Dezembro de 1946 e terminou em julho de 1947. O Código de Nuremberg criado depois desse
julgamento, foi formulado em Agosto de 1947 por juízes dos EUA e descrevia 10 principais
pontos que por lei, teriam que ser seguidos nas pesquisas que envolvessem seres humanos
(Figura 6). Esse conjunto de normas éticas para a pesquisa clínica foi publicado em 1949.

1. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial.


2. O experimento deve produzir resultados vantajosos para a sociedade e seus resultados
podem ser obtidos de outro modo.
3.  O experimento deve estar baseado em resultados de experimentação em animais e,
no conhecimento prévio do que está sendo estudado, de forma que os resultados já
conhecidos justifiquem o experimento.
4. O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar sofrimentos e danos
desnecessários (físicos ou materiais).
5. Nenhum experimento pode ser realizado se existirem razões de que possa ocorrer
morte ou invalidez permanente. A exceção do próprio médico pesquisador de se
submeter ao experimento.
6. O grau de risco aceitável deve ser limitado pela importância do problema que o
pesquisador se propõe a resolver.
7. Devem ser tomados cuidados especiais para proteger o participante da pesquisa de
qualquer possibilidade de dano, invalidez ou morte, mesmo que remota.
8. Os experimentos devem ser conduzidos apenas por pessoas cientificamente
qualificadas.
9. O participante do experimento deve ter a liberdade de se retirar no decorrer do
experimento, se assim o desejar.
10. O pesquisador deve estar preparado para suspender os procedimentos experimentais
em qualquer estágio, caso haja motivos razoáveis para acreditar que a continuação
dessa pesquisa poderá resultar em dano, invalidez ou morte para os participantes 6.

A introdução desse código trouxe para pesquisa médica uma fase mais organizada e com
regulamentações mais consistentes, onde os pesquisadores se viram obrigada a apresentar
uma postura de maior responsabilidade frente às novas normas 7.

 
 
 
 

 
 
 

Figura 6 - O Procurador Geral Norte-Americano Robert Jackson inicia a leitura dos autos de
acusação quando da abertura do Tribunal Militar Internacional. Nuremberg, Alemanha. Dia 21
de novembro de 1945. Fonte: enciclopédia do Holocausto

2.2.2 Declaração de Helsinki, 1964

Mesmo com o código de Nuremberg os seres humanos ainda estavam bastante desprotegidos
quando submetidos à pesquisas. Com a intenção de preencher as lacunas deixadas pelo
documento elaborado em Nuremberg e tornar a regulamentação nas pesquisas ainda mais
rigorosa, em 1964  na 18ª reunião da Associação Médica Mundial (AMM) ocorrida em Helsinki,
Finlândia, foi elaborada uma declaração.

A Declaração de Helsinki utilizou a Declaração de Genebra (1948), que regulamentava a ética


médica, como uma de suas bases e com isso um documento mais completo, com diretrizes e
normas de pesquisa clínica que envolvesse seres humanos, foi elaborado. Essa declaração em
pouco tempo se tornou referência na área.

A Declaração de Helsinki tem como principal fundamento, o bem estar do ser humano, que
“deve ter prioridade sobre os interesses da ciência e da sociedade". O Termo de
Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) passou a receber atenção especial após esse
período e será detalhado ainda nessa unidade7.

De acordo com essa declaração, o projeto e a execução de cada procedimento experimental


envolvendo seres humanos, devem ser claramente formulados em um protocolo experimental
que será avaliado por uma comissão independente, para ser analisado, comentado e orientado.
Este comitê de ética independente deve agir de acordo com as regulações e leis locais do país
onde a pesquisa será conduzida. Os princípios básicos para toda pesquisa clínica de acordo
com a Declaração de Helsinki são:

1. É dever do médico na pesquisa clínica, proteger a vida, saúde, privacidade e dignidade


do ser humano.
2. As pesquisas devem estar em conformidade com os princípios científicos e baseados
no conhecimento da literatura científica.
3. Cuidados apropriados devem ser tomados na conduta da pesquisa quando houver o
risco de afetar o ambiente. O bem estar de animais usados em pesquisas também
deve ser respeitado.
4. O desenho e a realização de cada procedimento experimental (com seres humanos)
devem ser discutidos no protocolo experimental.
5. O comitê responsável pela análise do projeto tem direito de monitorar os estudos em
andamento e, o pesquisador tem obrigação de fornecer informações para essas
monitorias.
6. Pesquisas clínicas envolvendo seres humanos somente deverão ser conduzidas por
indivíduos cientificamente qualificados sob supervisão de um médico competente.
7. Todo projeto de pesquisa clínica envolvendo seres humanos deve ser precedido pela
avaliação cuidadosa dos possíveis riscos e encargos para o paciente. O desenho de
todos os estudos deve ser publicamente disponível.
8. Os investigadores devem interromper qualquer investigação se a relação
risco/benefício tornar-se desfavorável ou se houver provas conclusivas de resultados
positivos e benéficos.
9. Pesquisas clínicas só deverão ser conduzidas se a importância dos objetivos exceder
os riscos e encargos inerentes ao paciente.
10. A Pesquisa clínica é justificada apenas se houver uma probabilidade razoável de que
as populações nas quais a pesquisa é realizada se beneficiarão dos resultados da
pesquisa.
11. Os participantes devem ser voluntários e estar informados sobre projeto de pesquisa.
12. O direito do paciente de resguardar sua integridade deve sempre ser respeitado.
13. Todo paciente em potencial deve estar adequadamente informado quanto aos
objetivos, métodos, fontes de financiamento, possíveis conflitos de interesse, afiliações
institucionais do pesquisador, benefícios antecipados e riscos em potencial do estudo.
14. O participante deverá ser informado da liberdade de se abster de participar do estudo
ou de retirar seu consentimento em participante a qualquer momento, SEM retaliação.
15. O TCLE deve ser obtido após o participante não ter mais dúvidas.
16. O investigador deverá ter especial atenção em relação aos que possuem relação de
dependência com o médico ou que possam consentir na realização do estudo sob
coação.
17. Para participantes de pesquisa, legalmente incompetentes, o investigador deverá obter
o consentimento informado do representante legalmente autorizado.
18. Pesquisas com indivíduos dos quais não é possível obter consentimento, incluindo
consentimento por procuração ou superior, deverá ser realizado apenas se, a condição
física/mental que impede a obtenção do consentimento informado seja uma
característica necessária para a população da pesquisa.
19. Os resultados das pesquisas devem ser publicados mesmo que negativos 8.

ETICA X MORAL X DIREITO

Todo ser humano é dotado de uma consciência moral, que o permite distinguir entre o certo e o
errado o justo e o injusto, o bom e o ruim, sendo portanto, capaz de avaliar suas ações; ou
seja, capaz de ética. Muitas decisões enfrentadas em situações do cotidiano dependem daquilo
que julgamos como bom, justo ou moralmente correto, sendo que estes julgamentos fazem do
homem, em comparação aos demais seres vivos presentes na natureza, um ser
completamente distinto já que o agir humano acontece conforme os valores, ou seja o homem
é o único ser vivo que avalia sua ação e sua realidade a partir de valores. 1 Mas então, o que
vem a ser a ética, a moral e o direito?

Podemos definir moral como um conjunto de normas e regras baseados nos costumes e nas
tradições de cada sociedade em uma determinada época histórica de acordo com os preceitos
estabelecidos por uma determinada sociedade ou por um determinado grupo local; sendo
portanto uma regulação de comportamentos e valores, com uma definição cultural não
podendo portanto, ser considerado como ciência. “A moral traça princípios para que o homem
consiga ter uma ação moralmente correta. Questionamentos como Ser ou não ser justo, quais
valores devem nortear minha existência; que tipo de ser humano devo ser nas relações comigo
mesmo e com os outros; são ponderações características do campo moral.” 2

O Direito procura estabelecer as regras de uma sociedade delimitada pelas fronteiras do


Estado, pois as leis possuem uma base territorial, e valem apenas para aquela área geográfica.
O Direito Civil, utilizado no Brasil, baseia-se na lei escrita. O Direito, impõe regras de conduta
que devem ser observadas, e cumpridas, podendo haver punição nos termos da lei para
aqueles que não as cumprirem.  A “Teoria do Mínimo Ético” classifica o Direito como uma parte
da Moral; e portanto, o Direito portanto seria um conjunto de normas morais consideradas
essenciais para a sobrevivência da sociedade.3

Já a Ética nada mais é do que uma ciência, uma disciplina filosófica que estuda estes valores e
princípios morais de uma sociedade e seus grupos, e procura refletir sobre estes valores e
princípios com o objetivo de encontrar um equilíbrio e um bom funcionamento social, para que
ninguém saia prejudicado, estando relacionada, portanto, com o sentimento de justiça social,
porém não pode ser confundida com lei. Ela é o estudo da ação –práxis; o estudo sobre o
“conhecimento” – como a ciência, ou a lógica – e o estudo sobre o “valor” – seja ele artístico,
moral, ou científico e está presente o tempo todo, em decisões familiares, políticas, ou
profissionais.  “A ética é estudo sistematizado das diversas morais, onde ficam explícitos seus
pressupostos, seus objetivos e valores que sustentam determinada moral. É uma disciplina
teórica sobre a prática humana que se traduz no comportamento moral.” 4

Para o filósofo espanhol Adolfo Sánches Vásquez, no séc. XX moral consiste em uma reflexão
que a pessoa faz de sua própria ação; e a ética consiste em um estudo dos discursos morais, e
os critérios de escolha para se valorizar e padronizar as condutas numa família, empresa ou
sociedade.5

 A palavra Ética deriva do grego ethos, que quer dizer o modo de ser, o caráter. Porém os
romanos traduziram o ethos grego para o latim mos, moris, cujo significado é costume, do qual
se originou a palavra moral e portanto, as duas palavras sinalizam um tipo de conduta – o
comportamento propriamente humano, que não é natural. O "ethos" (caráter) e o "mos"
(costume) indicam um tipo de comportamento humano que não é natural, ou seja o homem não
nasceu com este comportamento como se fosse um instinto, ele foi “adquirido ou conquistado
por hábito".6 A ética é histórica e socialmente construída, tomando como referência as relações
coletivas dos humanos. A ética corresponde a preocupação em como os indivíduos tornam
reais suas relações sociais, o que a caracteriza como uma reflexão crítica a respeito dos atos
morais dos sujeitos, considerando determinada realidade. Podemos ainda afirmar que a ética é
algo conquistado e adquirido pelo hábito, no sentido do comportamento humano. 7

 A ética é uma crítica reflexiva, que situa-se no campo dos princípios morais que orienta as
ações humanas cuja principal função é problematizar as atitudes e suas finalidades tomando
como referência outros indivíduos de determinada sociedade. Na conduta dos humanos, há
duas éticas que estabelecem, entre si, uma relação de contradição – ética da responsabilidade
que leva os humanos a orientarem suas condutas, refletindo sobre possíveis repercussões das
atitudes que possam vir a tomar em determinado contexto social e ética das finalidades que
leva os humanos a agirem conforme seus sentimentos e valores, o que muitas vezes implica
ações dotadas de certa ingenuidade prevalecendo a noção de eficácia e não o caráter refletido
da própria ética.8

O homem é o único ser vivo dotado de consciência lógica e de moral, que permite que ele
observe a sua conduta e formule o seu juízo moral sobre as suas intenções e seus atos; ou
seja, o homem após o discernir entre o verdadeiro e o falso, poderá escolher o seu próprio
caminho, ele terá a liberdade de escolha para seguir o caminho certo ou errado de acordo com
os seus julgamentos baseados em sua consciência moral. Além disso, o homem possui uma
voz interior que lhe indica o caminho da virtude (qualidade ou ação digna do homem – do latim
“virtus”) como uma prática constante do bem e o uso da liberdade com responsabilidade moral,
assumindo a responsabilidade pela sua existência. Porém, existe o vício (prática constante do
mal) o oposto da virtude e portanto se o ser humano atrvés do uso da liberdade sem qualquer
responsabilidade moral, escolher o caminho do vício ele assume a irresponsabilidade por sua
própria existência.

A consciência, também denominada de “ego” psicológico, indica a percepção que a pessoa tem
de si mesmo e dos outros e para a ética a consciência significa o julgamento interno que cada
pessoa faz de seus atos e dos atos dos outros, estando baseada nos valores e no conjunto das
potencialidades de cada um formando portanto uma consciência individual ou grupal e
consequentemente a consciência profissional, ou seja a maneira como cada profissão
interpreta, analisa e julga os problemas éticos. Já os valores não são vistos, porém são
sentidos e são os motores do agir humano e uma forma de exteriorização das potencialidades
que impulsionam o agir do homem.9

Os valores morais variaram de acordo com o período histórico e deram origem a moralidade e
á concepções éticas diversas. Podemos definir moralidade como um sistema de
comportamento que diz respeito aos padrões de comportamento certo ou errado. A palavra
carrega os conceitos de: (1) padrões morais, no que diz respeito ao comportamento, (2)
responsabilidade moral, no que diz respeito à nossa consciência e (3) identidade moral, ou
alguém que é capaz de agir certo ou errado, sendo os sinônimos mais comuns incluem ética,
princípios, virtude e bondade; a moralidade descreve os princípios que sem eles a sociedade
não poderia sobreviver por muito tempo e estes mesmos princípios regem o nosso
comportamento. Nos dias de hoje, a moralidade é considerada como pertencente a um
determinado ponto de vista religioso, mas, por definição, vemos que este não é o caso pois
cada um adere a uma doutrina moral de algum tipo. A moralidade é importante para: (1)
assegurar um relacionamento justo e harmônico entre os indivíduos, (2) ajudar a tornar-nos
pessoas boas para que possamos ter uma boa sociedade e (3) manter um bom relacionamento
com o poder que nos criou. (Disponível
em http://www.allaboutphilosophy.org/portuguese/moralidade.htm).