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FILOSOFIA WICCANA

Fonte: The Caudron

A filosofia básica da Antiga Religião fundamenta-se nos caminhos da Natureza, e a


compreensão da espiritualidade pela humanidade é revelada por um sentido de comunidade
saudável. É nessa estrutura sustentadora de códigos de conduta, cortesia comum e respeito
pelos outros que a essência de nossa espiritualidade pode ser compreendida.

Essencialmente, a filosofia da Wicca emana da antiga visão de que tudo foi criado pelos
Grandes Deuses (a partir da mesma fonte procriadora) e de que tudo possui uma “centelha
divina” de seu criador. Na Criação, ensina-se que existem quatro “Reinos”: Mineral,
Vegetal, Animal e Humano, cada um deles expressão ou manifestação da Consciência
Divina. Almas individuais atravessam esses Mundos, adquirindo conhecimento e
experiência, movendo-se rumo à reunião com a Fonte de Todas as Coisas. Num certo
sentido, pode-se dizer que as almas vivenciando o plano físico são como sondas conscientes
enviadas pelo Criador Divino. Da mesma forma, pode-se dizer que as almas são como os
neurônios na mente do Divino Criador, entidades individuais que formam parte de um todo.

Embutida na criação física está a Lei da Causa e Efeito (sendo o “Karma” seu contraponto
espiritual), que serve para manter tudo em um equilibrado movimento. O Karma faz com
que a alma experimente os níveis de energia positiva e negativa que ela própria projeta a
outras almas. Assim, através de muitas existências, a alma é temperada e moldada para que
possa ser funcional nos Mundos Espirituais nos quais um dia habitará. De acordo com as
crenças antigas, a alma pode encarnar fisicamente muitas vezes até se libertar do Ciclo do
Renascimento.

Nos “bastidores” da existência física habitam as forças que animam o mundo. Os antigos se
referiam a essas forças como os Reinos Elementais: Terra, Ar, Fogo e Água. Nessas Forças
ou Reinos, os antigos viam seus agentes ativos como espíritos conscientes. Aos espíritos da
Terra eles deram o nome de “Gnomos”; aos do Ar, de “Silfos”; aos do Fogo,
“Salamandras”; e aos da Água, “Ondinas”. Tudo na Natureza foi criado e é mantido por um
ou mais desses Elementos (e seus agentes). Eis por que os Elementais são chamados em
rituais ou em magia, para que algo possa ser criado ou estabelecido (apesar de, nesse caso,
nós assumirmos a condição de “Criador” que dirige a manifestação).

Todas as formas de vida são respeitadas na Antiga Religião. Tudo possui igual importância.
A única diferença é que as coisas estão meramente em diferentes níveis de evolução dentro
dos Quatro Reinos. Os humanos não são mais importantes do que os animais, que não são
mais importantes do que as plantas e assim por diante. Vida é vida, não importa que forma
física ela adote em um determinado tempo. Somos todos parte da mesma criação e tudo se
conecta e se une.

A Natureza é considerada o Grande Mestre. Os Ensinamentos dos Mistérios nos dizem que
a Fonte Divina depositou no tecido da Criação um reflexo do que a criou. Assim, as leis da
Natureza são reflexos das Leis Divinas ou princípios, os quais operam numa dimensão
acima e numa abaixo da natureza física. Destarte, os antigos cunharam a frase “assim na
terra como no céu”.

Ao estudar os Caminhos da Natureza, obtém-se uma visão (por mais crua que seja) dos
Caminhos Divinos e, a partir destes, podemos ver o retorno das estações
(reencarnação) e as leis de causa e efeito (karma) ligados ao uso (bom ou
mal) da terra, do ar, dos recursos naturais e das criaturas vivas. Esse é um
dos propósitos dos rituais sazonais, pois tais ritos nos saturam e nos
harmonizam com a essência concentrada da Natureza nesses períodos
determinados. Quanto mais acumulamos nas marés sazonais da Natureza,
mais nos tornamos iguais a ela. Ao nos tornarmos como a Natureza, fica mais fácil
compreende-la.

Quando contemplamos os chamados Reinos Inferiores, vemos a cooperação entre diversos


insetos, tais como formigas ou abelhas, e em muitos animais encontramos rebanhos ou
matilhas, etc. (nisso podemos reconhecer o Caminho Divino do Espírito Grupal). Todas as
almas experimentarão tanto o grupo quanto a individualidade, para que possam
compreender a necessidade de autolimitação (como no compromisso e na cooperação). Um
grupo de criaturas trabalhando em conjunto pode defender-se e suprir suas necessidades
melhor do que uma criatura solitária. Na reflexão Divina desse princípio, vemos que uma
alma se enriquece ao dar de si mesma a outra alma, e é isolada quando se posiciona acima
de outra.

Todos já experimentamos o prazeroso sentimento de proporcionar bem-estar a outra pessoa,


e o sentimento de culpa ou de egoísmo ao darmos mais importância a nós do que a um
amigo ou ser amado. Todos experimentamos o sentimento de aceitação e reconhecimento
num grupo, assim como a dor da rejeição. Até mesmo quando obtemos prazer ou alegria
solitariamente sentimos a necessidade de compartilhar esse sentimento com outra pessoa de
algum modo. Disso surge o ensinamento de servir aos outros, pois os Wiccanos sempre
foram os conselheiros ou curandeiros locais.

No que concerne ao ensinamento do relacionamento de uma alma a outra, sabemos que os


antigos criam numa raça de deuses que observavam e interagiam com a humanidade. Para
os antigos, um deus podia representar qualquer força da natureza singular, aparentemente
independente, cujas ações podiam se manifestar na forma de tempestades, tremores de terra,
arco-íris, belas noites estreladas e assim por diante. À medida que o esclarecimento e a
intelectualidade dos humanos cresceu, também cresceu o conceito dos deuses.

Os Wiccanos geralmente vêem seus deuses como Seres cuidadosos e benevolentes, num
papel semelhante ao de um amável pai ou mãe (apesar de muitos Neo-Wiccanos encararem
o Deus e a Deusa como conceitos metafísicos em vez de aspectos da Consciência Divina).
Um pai ou uma mãe cuidam em certos aspectos de uma criança, mas devem basicamente
ensinar a criança a se preparar para viver sua própria vida. Ao correr de seu relacionamento,
a criança nem sempre entenderá os atos de seus pais. No entanto, ainda existirá uma
relação, e esta requer compreensão mútua e comunicação para que um espírito amoroso
floresça.

Por vezes, uma criança pode achar que o pai ou a mãe são injustos ou pouco amorosos, sem
compreender que o pai deve estabelecer limites e regras de comportamento para o próprio
bem da criança. Regras e limites existem na Natureza e são essenciais para a formação de
raciocínio e comportamento maduros (“assim na terra como no céu”). Ainda assim, não é
crença entre os Wiccanos que os deuses coloquem obstáculos ou tragédias no caminho dos
humanos, tampouco que tenha o costume de testar a fé humana. É a lei do Karma, e o azar
de fatos aleatórios, que manifestam o que compreendemos como as agruras e dificuldades
da vida. São os deuses que se mantêm a nosso lado e nos auxiliam a encontrar a força de
que precisamos para prosseguir.
Um dos maiores dogmas de crença na Antiga Religião é o de aceitar as responsabilidades
por nossos próprios atos. Nós fazemos ou destruímos nossas próprias vidas, e ativamos ou
desativamos nosso próprio “quinhão” na vida. Os Deuses estão a postos para nos auxiliar,
mas nós é que devemos realizar o trabalhão. Até mesmo quando fatos aleatórios ou o
Karma aparentemente nos alquebram, somente nós é que podemos lutar para continuar. A
Natureza fornece as chaves para compreender esse processo a fim de que não fiquemos sós;
essas chaves são encontradas nos Mistérios Wiccanos. Na verdade, os Ensinamentos
Misteriosos da Wicca nos auxiliam a encontrar nosso caminho ao seguirmos o caminho
batido dos que já passaram.

Os Wiccanos não podem depositar tudo nas mãos dos deuses e dizer: “Cuide disto agora”.
Devemos ser responsáveis por nós mesmos e por nossas próprias ações (ou falta delas),
pois, mais do que nunca, somos nós mesmos quem trouxemos a situação à sua
manifestação. Quando nos conscientizamos disso, e agimos de acordo, então os deuses se
aliam a nós. É desejo de nossos deuses que sejamos felizes em nossas vidas e que atinjamos
nosso objetivos e ambições antes do fim de nosso período na terra.

Na Antiga Religião, a morte significa simplesmente a passagem de um mundo a outro. O


corpo físico, como a vestimenta da alma, é descartado quando se desgasta ou é danificado
permanentemente. O nascimento é a entrada da alma no mundo. E, “assim na terra como no
céu”, os outros Mundos aparentemente possuem sua próprias versões de nascimento e
morte.

Os ensinamentos nos dizem que deste mundo físico os Wiccanos passam a um mundo
espiritual conhecido como Summerland (ou o Reino de Luna). Esse é um domínio astral
metafísico de prados, lagos e bosques, onde é sempre verão. É um paraíso pagão repleto de
amáveis criaturas das antigas lendas; os próprios deuses residem lá. Ainda assim, o objetivo
espiritual máximo dos Wiccanos não é Summerland, mas a união original que eles a um
tempo compartilharam com a Alma Grupal, habitando em unidade com a Divina Fonte de
Todas as Coisas.

Essa união não é um lugar num plano astral, como o é Summerland, é, isso sim, um estado
de ser. Esse é um dos motivos pelos quais reencarnamos, vivendo nossas diferentes
existências ora como machos, ora como fêmeas, ora ricos, ora pobres, etc., numa sucessão
de personalidades, aprendendo e crescendo, tomando ciência e respeitando as outras almas..
Esse tipo de espiritualidade cria uma vibração mais elevada no interior da alma, permitindo
que ela escape do retrocesso à matéria física, inerente a uma vibração mais baixa.

De tudo o que os Wiccanos compreendem da ordem do mundo físico, surge um código


básico de conduta:
• Se ninguém for prejudicado por uma ação sua (seja física, emocional ou espiritualmente),
então aja como desejar na Vida, de acordo com sua Individualidade mais Elevada. Busque
sua identidade e seu propósito.
• Quando alguém faz algo de bom para você, retribua o gesto bondoso fazendo algo de bom
por outrem, para que a semente plantada dê fruto.
• Mantenha sua palavra e seus juramentos quando os empenhar.
• Não mate ser algum, exceto quando necessitar de alimento ou proteção.
• Reconheça e preste a devida reverência a seus deuses, observando todos os períodos e
festivais sagrados.
• Não despreze as crenças de outrem, simplesmente ofereça o que acredita ser verdade.
• Busque viver em harmonia com os que discordam de você.
• Tente se conscientizar dos que estão a seu redor e encontre a compaixão em seu interior.
• Seja sincero com seus próprios conhecimentos e lute para se afastar do que se opõe dentro
de você.
• Auxilie os outros de acordo com suas necessidades e de acordo com sua habilidade em dar
de si mesmo.
• Respeite a Natureza e lute para viver em harmonia com Ela.

Os Dogmas da Crença Wiccana


A seguir examinaremos um dos principais dogmas da Crença Wiccana, tecendo paralelos
com outras religiões mundiais.

Reencarnação
A reencarnação é a crença no renascimento de uma alma no plano físico após a morte. Esse
ensinamento é um conceito importante na Wicca bem como em outras religiões, como o
budismo, o hinduísmo, o janismo e o sikhismo. Entre os antigos gregos, era conhecida
como palingenesis (“ser gerado novamente”) e era um ensinamento comum no orfeísmo.

Nos antigos cultos de mistérios do sul da Europa, ensinava-se que a alam sobrevive à morte
física e posteriormente reencarna em outro humano ou outro mamífero, libertando-se por
fim do Ciclo do Renascimento. Os antigos romanos registraram que doutrina semelhante era
abraçada pelos druidas no norte do continente.

Os druidas acreditavam que a alma passava para o plano de Gwynvyd se os feitos dos
indivíduos tivessem sido positivos. Se fossem da natureza malilgna, então a alma passaria
para o plano de Abred. Em Gwynvyd, a alma ingressa num estado de bem-estaopriada à sua
natureza após a morte. Em qualquer dos casos, os druidas acreditavam que a alma poderia
retornar novamente a um corpo humano numa vida posterior.

Summerland
Os Wiccanos crêem num mundo “pós-vida” conhecido como Summerland, a Terra do
Verão, no qual as almas repousam e se renovam antes de renascerem no mundo físico. Entre
os cletas, esse mundo era normalmente conhecido como Tir nan Og, a Terra da Juventude
Eterna. Ele é aludido no conhecido verso Wiccano O Chamado da Deusa.

... pois minha é a porta secreta que se abre para a Terra da Juventude, e minha é a taça com
o vinho da vida, e o Caldeirão de Cerridwen, que é o Cálice Sagrado da Imortalidade.

Esse mundo é muito semelhante a outros presentes na mitologia britânica-celta. Nas lendas
do Rei Arthur, encontramos o mundo da Ilha das Macieiras (conhecido como Avalon), onde
habitam os reis e heróis mortos. Entre os druidas, havia um mundo similar conhecido como
a Ilha de Sein ou a Ilha dos Sete Sonos (Enez Sizun). Todos possuem semelhanças com a
Summerland dos Wiccanos.

Na Bruxaria do sul da Europa há um mundo chamado Luna, muito semelhante ao


Summerland Wiccano. É um paraíso pagão repleto de criaturas mitológicas que habitam
belos bosques e campos. Lá, as almas dos bruxos residem por algum tempo, encontrando-se
com os Ancestrais que morreram antes deles, bem como o Deus e a Deusa.

O Deus e a Deusa
A Fonte de Todas as Coisas, também conhecida como o Grande Espírito, é geralmente
personificada na crença Wiccana nas figuras de uma Deusa e de um Deus. Uma vez que a
Wicca é uma religião natural, ela busca um equilíbrio entre o Masculino e o Feminino em
seu conceito de Deidade. Há, porém, algumas tradições que concebem a Deidade apenas
com uma Deusa, que contém as polaridades masculina e feminina em Si mesma. Um
exemplo disso seria a Tradição de Diana. Muitos Neo-Wiccanos vêem a Deidade por uma
filosofia mais oriental, encarando os Deuses como conceitos metafísicos independentes,
associados aos ciclos do Karma e renascimento.

A Deusa na crença Wiccana representa a Grande Mãe dos antigos cultos matrifocais. É
também vista como uma deusa tríplice conhecida como Donzela, Mãe e Anciã. O Deus é o
Deus Cornífero das Florestas, o aspecto da fertilidade tão comum na antiga religião pagã.
Em algumas tradições, ele é representado com chifres de bode, e em outras com chifres de
gamo.

Assim na Terra como no Céu


Este ensinamento aborda a dimensão física como um reflexo de uma dimensão não-física
superior. Tudo o que existe no mundo físico foi antes uma forma de energia numa dimensão
superior que acabou por se manifestar no mundo da matéria física. A expressão física dessa
forma ou conceito se torna mais densa (em todos os aspectos) à medida que penetra na
dimensão física, e ainda assim reflete o conceito básico do princípio superior.

Nos Mistérios Egípcios, ensinava-se que “o que está abaixo é igual ao que está acima, e o
que está acima é igual ao que está abaixo” (a Criação é da mesma natureza que o Criador).
Esse conceito é válido não só para a manifestação da matéria física, mas também está
contida nas Leis da Natureza e nos Princípios da Física. Eis por que, na teologia Wiccana, a
Natureza é vista como o Grande Mestre e por que a Wicca se baseia na reverência à
Natureza. É através de nossa compreensão da Natureza e de suas características que
poderemos compreender os métodos dos Criadores que a tudo originaram, pois a natureza
dos Criadores é refletida em suas criações, assim como o estilo de um artista pode ser
identificado em sua arte.

A Antiga Religião contém certas leis e métodos, pois se baseia no projeto da Natureza (o
qual, por sua vez, reflete a natureza daquilo que o criou – em outras palavras, a Consciência
Divina). A filosofia oriental, de certo modo, prejudicou esse conceito da crença Wiccana, e
hoje muitos Neo-Wiccanos desprezam a antiga estrutura e doutrina dos Ensinamentos
Misteriosos. Eles optam pela filosofia oriental dos Princípios Cósmicos e, enquanto os
Antigos Wiccanos adotam um deus e uma deusa conscientes, muitos Neo-Wiccanos adotam
princípios metafísicos.

Dimensões Ocultas
O ocultismo Wiccano ensina que há sete planos ou dimensões que compõem a existência. A
mais alta dimensão é o Plano Máximo (impossível de ser conhecido a partir de nossa
natureza humana). O mais baixo é a Dimensão Física. Essencialmente, essas são as
freqüências mais alta e mais baixa nas quais a energia vibra ou ressoa num senso
metafísico.

A ordem tradicional na qual essas dimensões são apresentadas é a seguinte:


1. Máxima
2. Divina
3. Espiritual
4. Mental
5. Astral
6. Elemental
7. Física
Na realidade, ela não ocupam o espaço como por nós compreendido, e sua relação entre si
não é literalmente uma acima ou abaixo da outra. Pode-se dizer que elas ocupam o mesmo
espaço ao mesmo tempo, mas existem inúmeros estados diferentes de energia.

Causa e Efeito
Os Wiccanos crêem que tanto as energia as positivas quanto as negativas retornam (em
aspecto semelhante) àquele que as origina. A isso costuma-se dar o nome de Lei Tríplice.
Como “lei”, esse ensinamento diz que “tudo o que fizer retornará a você triplicado”. É
muito semelhante aos Sistemas Místicos Orientais que ensinam o conceito de Karma. Os
Neo-Wiccanos vêem a Lei Tríplice simplesmente como um princípio de “ação e reação”
semelhante às Leis da Física. Os Ensinamentos dos Mistérios da Antiga Wicca o associam à
deusa conhecida como Wyrd.

Magia
Na crença Wiccana, a Magia representa a habilidade de efetuar mudanças de acordo com o
desejo ou a vontade pessoal. Na realidade, é a compreensão de como funcionam os
mecanismos internos da Natureza (o assim chamado Sobrenatural), bem como a
compreensão de como uma pessoa pode solicitar o auxílio de um espírito ou de uma
deidade.

A verdadeira magia não é superstição nem magia popular, tal como os poderes atribuídos às
ervas e ao encantamentos naturais. É a compreensão dos princípios metafísicos e de como
empregá-los para manifestar seus desejos ou necessidades. Freqüentemente a magia requer
a utilização de instrumentos preparados e estados de consciência estabelecidos.

Ética
Os Wiccanos basicamente acreditam na filosofia “viva e deixe viver”, sem violência, e
tendem a tolerar as crenças e credos alheios. Existe uma bondade de espírito básica em
grande parte dos Wiccanos, bem como um esforço em busca de uma coexistência pacífica
com os que os rodeiam. Ainda assim, dão também atenção especial à sua individualidade e
a suas necessidades pessoais, e não costumam “oferecer a outra face” quando agredidos.

Os Wiccanos evitam certas ações nem tanto por acreditarem num a possível punição como
resultado, mas por utilizarem uma noção básica de certo e errado. É errado roubar, é errado
ceifar uma vida sem necessidade, é errado ferir alguém intencionalmente. A conduta sexual
é geralmente vista como uma questão pessoal, e na Wicca tradicional ninguém é julgado
pelo modo como conduz seus assuntos pessoais.

O popular texto conhecido como a Rede Wiccana diz: “Se não prejudicas ninguém, faze o
que desejas”. Alguns Wiccanos entendem que isso significa que uma pessoa pode fazer o
que quiser, desde que ninguém seja prejudicado, livrando assim essa pessoa de qualquer
dívida cármica. Essa não é exatamente a interpretação da Rede segundo a Doutrina dos
Mistérios.

Fazer o que se deseja fazer significa, na verdade, descobrir o seu verdadeiro propósito e
praticá-lo. Isso visa o bem-estar da pessoa, mas não o dano a outrem. Num sentido mais
elevado, esse dogma Wiccano se relaciona ao Misticismo Oriental. É dever do neófito
dominar seus sentidos físicos e ingressar no desprendimento. Uma vez que o aprendiz se
eleve acima dos desejos e necessidades carnais, ele poderá observar o mundo com
desprendimento e desse modo descobrir seu verdadeiro Propósito.
Nesse estágio não há inveja, cobiça ou ciúme, e assim a pessoa pode agir de acordo com o
conhecimento de seu verdadeiro desejo puro, o qual naturalmente não acarreta danos aos
demais, pois não se baseia em relacionamentos, prestígio pessoal ou ganhos pessoais dentro
de uma sociedade. É o verdadeiro desejo de natureza divina no interior da pessoa, agindo de
acordo com seu propósito nesta existência.

Ritual
O ritual é tanto um meio de culto quanto um método de comunicação com as deidades ou
espíritos. É uma linguagem simbólica que permite acessar outras dimensões ou estados de
consciência. O ritual também permite que nos afastemos de nossas personalidades
mundanas e nos tornemos algo maior do que nós mesmos.

Na Wicca, os rituais foram criados para nos ligar às energias das mudanças sazonais de
nosso planeta. Esses períodos de fluxos de energia são demarcados pelos Solstícios e
Equinócios. Outros períodos de poder acontecem exatamente entre estes períodos de poder
e constituem os outros quatro Sabbats.

Muitas Tradições Wiccanas possuem nomes diferentes para os Sabbats Rituais, dependendo
de sua influência cultural. Os Sabbats são normalmente conhecidos como:
• Imbolc ou Candlemas (2 de fevereiro)
• Equinócio de Primavera ou Dia da Dama (21 de março)
• Bealtaine/Beltane ou Roodmas (30 de abril)
• Meio de Verão ou Solstício de Verão (22 de junho)
• Lughnasadh ou Lammas (31 de julho)
• Equinócio de Outono (21 de setembro)
• Samhain ou Hallowmas (31 de outubro)
• Yule ou Solstício de Inverno (22 de dezembro)

Herbalismo
Os antigos ensinamentos nos dizem que em todas as coisas reside uma consciência viva
chama Mana ou Numen. Do mesmo modo que os humanos são almas encapsuladas num
corpo físico, também as plantas possuem uma centelha divina em seu interior (assim como
as pedras, árvores e todos os objetos inanimados). É o poder do Numen ou Mana de uma
planta que é empregado na magia e nos encantamentos. Os antigos criaram uma tabela de
correspondências para diversas plantas aferindo a elas certas qualidades.

A energia coletiva do Numen ou Mana em um ambiente como uma floresta ou um lago é


responsável pelo sentimento de tranqüilidade que experimentamos em tais locais. Por isso
muitas pessoas apreciam acampar ou fazer caminhadas. É também isso que nos atrai a
determinadas áreas ou nos influenciam quando escolhemos um local para sentar ou
estacionar o carro. Em tais casos, estamos respondendo às emanações harmoniosas do
Numen ou Mana.

Em termos remotos, só espíritos da Natureza eram associados ao campos e bosques.


Acreditava-se que o poder de diversas ervas derivava do contato com fadas e outras
criaturas sobrenaturais. Cria-se também que certos corpos planetários, inclusive o Sol e a
Lua, energizavam várias ervas. Dizia-se que a propriedade metafísicas etéreas da Lua
passavam poder às ervas. Essa era uma das razões pelas quais se ensinava que as ervas só
poderiam ser colhidas sob a lua cheia.

Familiares
É uma antiga crença que diz que uma relação psíquica pode ser estabelecida entre um
humano e um animal (ou espírito). Descreve-se quem estabelece entre um humano e um
animal (ou espírito). Descreve-se quem estabelece tal relação como possuidor de um
espírito familiar. Esse conceito remonta aos distantes dias xamânicos dos totens animais
associados aos clãs humanos. Cada clã acreditava que um determinado animal protegia e
auxiliava seus membros. Isso não difere muito de algumas tribos de índios americanos que
atribuíam a si mesmas o nome de diversas criaturas.

Acreditava-se que o uso de uma pena ou pele de animal emprestava à pessoa que a usasse as
qualidades do animal em questão. A pessoa imitava o animal para despertar o poder que
residia na pena ou pele, etc. Ela ficaria familiar com o espírito do animal, e, uma vez que
esse poder podia ser facilmente invocado, dizia-se que essa pessoa possuía um espírito
familiar.

Posteriormente, esse conceito foi expandido para incluir o estabelecimento de um elo


psíquico com uma criatura viva. O espírito vivo da criatura era capaz de possuir o xamã ou
ser enviado em forma espiritual para auxilia-lo em algum trabalho de magia. Durante a
Idade Média, essa era a relação mais comum com um familiar, e é a base da clássica
imagem da bruxa e seu familiar como retratado na arte.

Adivinhação
A adivinhação é a habilidade de discernir o que o futuro nos reserva. Na verdade, ela nos
permite prever o que acontecerá se todos os fatores permanecerem constantes. Os
instrumentos para a adivinhação nos permitem vislumbrar os padrões que se formam, os
quais por sua vez resultam numa manifestação particular de uma situação específica. Assim,
a adivinhação permite que nos preparemos para o que está por vir ou para agir e alterar os
padrões, evitando assim a situação.

Algumas pessoas crêem que o futuro é imutável e aceitam a teoria da predestinação. Se


assim fosse, então tudo estaria num piloto automático e ninguém teria a liberdade de
escolha pessoal. Outros acreditam que os maiores eventos de nossas vidas, como o
casamentos, filhos, acidentes e a morte são predestinados, mas temos liberdade de escolha
no dia-a-dia. A Doutrina Misteriosa nos diz que o padrão de energia básica de nossas vidas
é preestabelecido (como nos mostra a arte da Astrologia), mas que podemos alterá-lo (como
na arte da magia e no dom do livre-arbítrio) como nos aprouver.

Na crença da Antiga Wicca, o futuro ainda não está definido, mas o padrão é estabelecido
pela malha astral e se manifestará se nada o alterar. Tudo o que se manifesta na dimensão
física é antes formado na dimensão astral. Essa é uma das chaves da magia. A adivinhação
nos permite vislumbrar o padrão astral e ver o que se formou no material astral. A
Astrologia nos fornece uma visão geral do que nos espera se nada mudar em nosso trajeto.

Os instrumentos mais comuns empregados nas artes divinatórias são: cartas de tarô, pedras
de runas, psicometria, visões em cristais e leitura de sinais e agouros. Técnicas como
quiromancia e frenologia são agrupadas na categoria psicometria.

Poder Pessoal
Reza um antigo ensinamento que o corpo humano contém zonas de energia. Essa zonas
podem ser aplicadas e acessadas para gerar poder pessoal com uma finalidade de magia. No
Misticismo Oriental, esses centros são chamados de chackras, e ensina-se que há sete zonas
como essas no corpo humano. Na Wicca, o conceito é o mesmo, mas os chackras são
normalmente chamados de centros de poder pessoal.
O primeiro centro se localiza na coroa do crânio e é visto como o ponto de encontro da
consciência humana e divina. O segundo fica no centro da fronte, imediatamente acima e
entre os olhos. É muitas vezes chamado de terceira visão, pois acredita-se que a soma dos
cinco sentidos humanos seja amplificada pela glândula pineal, e que isso produz um sexto
sentido de visão e percepção psíquicas.

O terceiro centro se localiza na região da garganta e é envolvido na influência dos tons e


vibrações que por sua vez afetam os padrões de energia. O quarto se localiza na região do
coração e está relacionado ao padrões de energia de sentimento, sendo portanto
constantemente associado a nossos sentimentos acerca de locais e situações. O quinto centro
está localizado no plexo solar e é o centro através do qual a alma obtém sustento a partir da
energia etérea com a dimensão física.

O sexto centro fica logo abaixo do umbigo e é conhecido como o centro de poder pessoal. É
a esse ponto que associamos nossa própria energia, ou a falta dela. Isso é normalmente
sentido por um friozinho na barriga quando nos deparamos com um desafio (como uma
importante entrevista profissional). O sétimo centro fica na área genital e é associado à
energia em forma pura; em outras palavras, é energia bruta.

O grau de vibração desses centros, bem como a harmonia entre eles, cria um campo de
energia ao redor do corpo humano conhecido como aura. A aura é a representação
energética de quem e o que somos. Quando conhecemos alguém e imediatamente sentimos
empatia ou antipatia, estamos respondendo à energia da aura.

Fonte: Livro Mistérios Wiccanos, de Raven Grimassi