Vous êtes sur la page 1sur 86

i

SEBENTA DE DIDÁCTICA
GERAL

Maputo

2016
ii

Emília Gaspar Mabunda


Gina Bento Sainda
Ilídio Armando Punguane
Inácio Machavira
Jacinto Verniz Mbondo
Leia AmoneSibia
Rafael Jorge Mucalanga

SEBENTA DA DIDÁCTICA GERAL

Ciências da Educação

Coordenador: Dr. ElídioMadivádua

Maputo

2016

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


iii

Ficha técnica

Coordenação: Dr. Elídio Madivádua


Maquetização: Jacinto Verniz Mbondo
Revisão Linguística: Felício Matosse e Leia Amone Sibia

Imagem e Arranjos Gráficos: Jacinto Verniz Mbondo

Biografia do Coordenador:

Docente: Dr. Elídio Madivádua – licenciado em Psicologia e Pedagogia pela


Universidade Pedagógica (UP);

 Frequentou o programa de mestrado em Desenvolvimento Curricular e


institucional;
 Desde 2004 – docente das disciplinas de Fundamentos da Pedagogia,
Didáctica Geral e Práticas Pedagógicas.
 Desde 2010 – Chefe do Departamento de Práticas Pedagógicas na
Direcção Pedagógica da UP.

Maputo

2016

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


iv

ÍNDICE
Ficha técnica ................................................................................................. Erro! Marcador não definido.

Introdução................................................................................................................................................... 8

1.1 Objectivos: ........................................................................................................................................ 8

1.2 Metodologia de Trabalho.................................................................................................................. 9

CAPÍTULO 1 ............................................................................................................................................... 10

PLANIFICAÇÃO NO PEA ......................................................................................................................... 10

Introdução................................................................................................................................................. 11

1. Planificação no PEA ......................................................................................................................... 12

1.1 Importância da Planificação no PEA .............................................................................................. 12

1.2 Etapas da Planificação do Ensino. .................................................................................................. 12

1.3 Níveis de Planificação do PEA ....................................................................................................... 13

2. Componentes Básicos da Planificação no PEA ................................................................................ 15

3. Programação do PEA ........................................................................................................................ 15

4. Condições Concretas na Planificação e Realização do PEA ............................................................ 16

Conclusão ................................................................................................................................................. 17

Bibliografia............................................................................................................................................... 18

CAPÍTULO 2 ............................................................................................................................................... 19

AS DIVERSAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DE ENSINO ................................................................ 19

Introdução................................................................................................................................................. 20

1. Características Gerais da Aula .......................................................................................................... 21

2. Tipos de Aula .................................................................................................................................... 21

3. As Características do Processo de Ensino. ....................................................................................... 21

4. Processos Didácticos Básicos ........................................................................................................... 22

4.1 A aprendizagem .............................................................................................................................. 22

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


v

5. O Processo de Assimilação Activa ................................................................................................... 23

6. Estrutura, Componentes e Dinâmica do Processo de Ensino ........................................................... 23

6.1 Triângulo Didáctico ........................................................................................................................ 24

6.2 Características da aprendizagem escolar ........................................................................................ 24

7. Ensino ............................................................................................................................................... 25

7.1 Relação entre Ensino e Aprendizagem ........................................................................................... 26

Conclusão ................................................................................................................................................. 27

Bibliografia............................................................................................................................................... 28

CAPÍTULO 3 ............................................................................................................................................... 29

PLANO DE LIÇÃO ..................................................................................................................................... 29

Introdução................................................................................................................................................. 30

1. Plano de Lição................................................................................................................................... 31

1. Mediadores da Planificação .............................................................................................................. 31

2. Estruturação Didáctica da Aula ........................................................................................................ 31

3.1 Preparação e Introdução da Matéria ............................................................................................... 32

3.2 Tratamento Didáctico da Matéria Nova ......................................................................................... 33

3.3 Consolidação e Aprimoramento dos Conhecimentos e Habilidades .............................................. 33

3.4 A Aplicação .................................................................................................................................... 34

3.5 Controle e Avaliação dos Resultados Escolares ............................................................................. 35

3. As Tarefas de Casa............................................................................................................................ 36

4. Reflexão dos Aspectos Relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola. ..................................... 37

Conclusão ................................................................................................................................................. 38

Bibliografia............................................................................................................................................... 39

CAPÍTULO 4 ............................................................................................................................................... 40

VARIANTES METÓDICAS BÁSICAS NO PEA ..................................................................................... 40

Introdução................................................................................................................................................. 41
Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016
vi

1. O Processo de Ensino e de Aprendizagem ........................................................................................... 42

1.1 As Características do Processo de Ensino Tradicional ................................................................... 42

1.2 Limitações Pedagógicas e Didácticas desse tipo de Ensino ........................................................... 42

1.3 Características do Processo de Ensino-Aprendizagem Moderno. .................................................. 42

2. O Sentido de Métodos ....................................................................................................................... 43

2.1 Relação Objectivo-Conteúdo-Método ............................................................................................ 43

2.2 Classificação dos Métodos de Ensino ............................................................................................ 43

3. Formas de Organização do Ensino-Aprendizagem........................................................................... 47

3.1 Características de cada Forma de Organização do Ensino ........................................................ 47

7. Reflexão dos Aspectos achados relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola............................. 51

Conclusão ................................................................................................................................................. 52

Bibliografia............................................................................................................................................... 53

CAPÍTULO 5 ............................................................................................................................................... 54

MEIOS E RECURSOS NO PEA ................................................................................................................. 54

1. Meios de Ensino ................................................................................................................................ 56

1.1 Descrição de alguns Recursos ........................................................................................................ 56

1.2 Importância dos Recursos de Ensino .............................................................................................. 58

1.3 Critérios e Princípios da Utilização dos Recursos de Ensino ......................................................... 59

2. Técnicas de Ensinar .......................................................................................................................... 59

2.1 Técnicas Expositivo ou de Comunicação ....................................................................................... 59

2.2 Técnicas Interrogativo ou de Indagação ......................................................................................... 59

2.3 Técnicas de Pesquisa ou Experimentação ...................................................................................... 60

3. Critérios para Utilização dos Métodos e Técnicas ............................................................................ 60

4. Relação dos Métodos e Meios no interior do PEA ........................................................................... 60

5. Reflexão dos Aspectos achados Relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola. ....................... 61

Conclusão ................................................................................................................................................. 62
Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016
vii

Bibliografia............................................................................................................................................... 63

CAPÍTULO 6 ............................................................................................................................................... 64

AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA NO PEA ................................................................................................... 64

Introdução................................................................................................................................................. 65

1. Conceitos Básicos ............................................................................................................................. 66

2. Tarefas da Avaliação......................................................................................................................... 66

3. Tipos de Avaliação ........................................................................................................................... 66

3.1 Avaliação Diagnóstica .................................................................................................................... 66

3.2 Avaliação Formativa....................................................................................................................... 67

3.3 Avaliação Somativa/sumativa ........................................................................................................ 69

4. Finalidades de Avaliação .................................................................................................................. 70

5. Objectivos da Avaliação ................................................................................................................... 71

5.1 Relativamente ao Aluno: ................................................................................................................ 71

5.2 Relativamente ao Professor: ........................................................................................................... 71

5.3 Relativamente aos Pais: .................................................................................................................. 71

6. Método de Avaliação ........................................................................................................................ 72

7. Funções de avaliação ............................................................................................................................ 73

8. Fases/Etapas de Avaliação ................................................................................................................... 73

9. Auto-avaliação .................................................................................................................................. 73

Conclusão ................................................................................................................................................. 74

Bibliografia............................................................................................................................................... 75

CAPÍTULO 7 ............................................................................................................................................... 76

TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO................................................................................ 76

Introdução................................................................................................................................................. 77

1. Técnicas e Instrumentos de Avaliação .............................................................................................. 78

2. Procedimentos Auxiliares de Avaliação ........................................................................................... 79


Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016
viii

2.1 Atribuição de Notas ou Conceitos .................................................................................................. 80

3. Princípios da Avaliação .................................................................................................................... 80

4. Reflexão dos Aspectos achados relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola. ........................ 81

Conclusão ................................................................................................................................................. 82

Bibliografia............................................................................................................................................... 83

Conclusão Geral ....................................................................................................................................... 84

Bibliografia Geral ..................................................................................................................................... 85

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


8

Introdução
A Didáctica Geral é uma das Disciplinas da Pedagogia que estuda as técnicas do ensino em todos aspectos
práticos e operacionais. Estuda igualmente os objectivos, os conteúdos, os meios e as condições do
processo do ensino, tendo em vista as finalidades educacionais. Ela investiga o fenómeno “ensino” em
todos os níveis do Processo de Ensino-Aprendizagem (PEA). A Didáctica é uma cadeira relevante para o
profissional da educação pois, visa dirigir, organizar, orientar e estimular a aprendizagem escolar dos
alunos.

Esta sebenta foi elaborada no âmbito da cadeira de Didáctica Geral com finalidade de agrupar os
conteúdos das demais matérias que estudam aspectos da prática educativa escolar, e apoiar os demais
estudantes em conhecimentos relevantes nos conteúdos do PEA. A mesma está organizada em sete (7)
capítulos em que cada um inclui a introdução, desenvolvimento, conclusão e a bibliografia. No entanto, se
enumeram os capítulos em destaque:

 Planificação no Processo de Ensino e Aprendizagem;


 As Diversas Formas de Organização do Ensino;
 O Plano de Lição;
 Variantes metódicas básicas na concretização do PEA;
 Meios e Recursos do Ensino no PEA;
 Avaliação Pedagógica de Aprendizagem;
 Técnicas e Instrumentos da Avaliação.

1.1 Objectivos:

1.1.1 Geral
Proporcionar conhecimentos teóricos e práticos que possibilitem aos estudantes perceber e compreender
duma forma reflexiva e crítica as situações didácticas.

1.1.2 Específicos
 Identificar os métodos, procedimentos e formas de direcção, organização e controlo de ensino face
a situações didácticas concretas;
 Utilizar corretamente os meios de ensino, conforme os objectivos, métodos, conteúdos e as
particularidades dos alunos;
9

 Analisar as diversas formas de organização do PEA;


 Descrever as técnicas e instrumentos de avaliação no PEA;
 Compreender a relação existente entre categorias da didáctica.

1.2 Metodologia de Trabalho


Para elaboração desta sebenta usou-se como metodologias a revisão bibliográfica, análise dos relatórios
dos seminários apresentados pelos grupos, reforçando-se através das obras por eles citadas (Libâneo,
2008,Nivagara s/de Piletti, 2004 e outras), para além das contribuições dadas pelos elementos da turma e
da síntese feita pelo docente durante a elaboração da sebenta.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


10

CAPÍTULO 1

PLANIFICAÇÃO NO PEA

Fig. 1: O 1º grupo, debatendo a cerca dos conteúdos do Capítulo

Elementos do Grupo:

1. Edson Rafael Macaringue


2. Felício Armando Matosse.
3. Fernando Zefanias Mucavele
4. Leia Amone Sibia
5. Mércia Arlindo Chambuli
6. Regimina Baldomero Novela
7. Saquina Júlia Goma
8. Virginia Huo

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


11

Introdução
Sempre que se inicia um empreendimento mais ou menos complexo, tendo em vista alcançar determinadas
metas, torna-se importante fazer uma previsão da acção a realizar. No que se refere ao domínio de
educação, esta necessidade torna-se cada vez mas importante porque planifica-se os conteúdos a leccionar
ao longo do ano lectivo, planificam-se as unidades temáticas, as aulas, visitas de estudo e actividades de
área escolar.

O presente capítulo aborda sobre a planificação no PEA, incluindo os níveis de planificação, a


programação do PEA, as condições concretas na planificação e realização do PEA bem como da
importância e etapas da planificação.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


12

1. Planificação no PEA
De acordo com LIBÂNEO (2008, p.221), planificação é uma tarefa docente que inclui previsões das
actividades didácticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objectivos propostos,
quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino. Na outra vertente, considera-se a
planificação como um meio para se programar as acções docentes, mas é também um momento de
pesquisa e reflexão intimamente ligado a avaliação. (NIVAGARA, s/d, p.218).

1.1Importância da Planificação no PEA


 Com a planificação o professor determina os objectivos a alcançar ao término do PEA, os
conteúdos a serem aprendidos, as actividades a serem realizadas pelo professor e aluno e a
distribuição do tempo; ou seja,
 Permite visualizar previamente a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido em dia lectivo;
 Promove a eficiência do ensino;
 Garante maior segurança na direcção do ensino. (Idem., p.219).

1.2 Etapas da Planificação do Ensino.


Segundo PILLETI (2004, p. 63), a actividade de planificação no PEA, obedece quatro etapas,
nomeadamente:

 Conhecimento da realidade – consiste na sondagem ou busca de dados, o que permite saber quais
as aspirações, frustrações, necessidades e possibilidades dos alunos e do ambiente em que o aluno
está inserido. Para facilitar a compreensão desta etapa, propõe-se que se observe o esquema a
baixo apresentado.

Conhecimento da Realidade

Aluno: (Aspirações,
Frustrações, Necessidades Ambiente: (Escolar e
Sondagem Comunitário)
e Possibilidades)

Diagnóstico
Fig. 2: Esquema da 1ª Etapa da Planificação do Ensino

Fonte: Adaptado de Piltett. Didáctica Geral, (2004, p.64)

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


13

 Elaboração do plano – a partir dos dados fornecidos pela sondagem e interpretados pelo
diagnóstico, temos condições de estabelecer o que é possível alcançar, como fazer para alcançar o
que julgamos possível e como avaliar os resultados.
 Execução do plano – consiste no desenvolvimento das actividades previstas. Na execução, sempre
haverá um elemento não plenamente previsto, às vezes a reacção dos alunos ou as circunstâncias
do ambiente exigirão adaptações e alterações na planificação, pois uma das características de uma
boa planificação deve ser a flexibilidade.
 Avaliação e aperfeiçoamento do plano – depois da execução do que foi planificado, passam a
avaliar o próprio plano com vista a replanificação. Para além de avaliar os resultados do ensino -
aprendizagem, procuramos avaliar a qualidade do nosso plano, a nossa eficiência como professores
e a eficiência do sistema escolar.

1.3Níveis de Planificação do PEA


Na perspectiva de NIVAGARA (s/d, p.232), a planificação do PEA realiza-se em dois níveis
fundamentais: nível central e nível de planificação pelo professor, passando por um nível intermediário, o
da planificação pela escola. No entanto, Libâneo define a planificação tendo em conta os três níveis:
Macro, Meso e Micro planificação.

Os dois autores estabelecem uma relação entre si na medida em que Nivagara aglutina no nível central a
planificação a longo e médio prazo, mantendo o nível do professor a que Libâneo apelidou de planificação
a curto prazo.

1.3.1Nível Central
Neste nível faz-se a planificação curricular a nível da nação que abrange a todos os níveis e graus de
ensino-aprendizagem e, na base disso, procede-se a definição do perfil de saída do nível, grau, curso,
disciplina, ano, a partir do qual se faz:

 A definição dos objectivos gerais, conteúdos e métodos;


 A distribuição destes pelos anos, semestres ou trimestre e pelas unidades do PEA;
 Elaboração dos programas detalhados por disciplina.

Com base nos programas detalhados elabora-se o livro dos alunos, o manual do professor e outros meios
de ensino-aprendizagem.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


14

1.3.2 Nível do Professor


A planificação do professor começa juntamente com os outros colegas, com a elaboração do plano anual
da disciplina (Dosificação), na qual o grupo de disciplina ou de classe faz a distribuição das unidades do
ensino, e além de outras que merecem destaque na planificação anual ou semestral. Em seguida o
professor individualmente ou em grupo elabora o seu plano de aula, ou seja, a previsão do
desenvolvimento de conteúdos para uma aula ou um conjunto de aulas, tendo em conta um carácter
bastante específicos em termo de temas (conteúdo), métodos e técnicas de ensino, objectivos e meios; isto
é, das condições concretas que se realiza o ensino-aprendizagem. Ao iniciar um ano lectivo é importante
perspectivar o PEA a desenvolver ao longo do ano. Para isso, antes das aulas a primeira preocupação do
professor, deve consistir em delimitar globalmente acção a ser aprendida ao longo de todo o ano escolar,
isto é, elaborar a planificação a longo prazo. No desenrolar do ano lectivo é necessário elaborar plano a
médio prazo e a curto prazo.

1.3.3 Longo Prazo (Macro -Planificação)


A planificação a longo prazo engloba os seguintes aspectos: reunir documentos, tais como programas de
ensino, planificação do ano anterior e livros; Marcar as férias, feriados e momento de reuniões
intercalares; Calcular o número de aulas disponíveis ao longo do ano; Analisar cuidadosamente os textos
do programa; Organizar e ordenar conteúdos em blocos unidades de ensino de modo que cada bloco
constitua um todo coerente de aprendizagem a realizar, definindo os objectivos gerais que deverão ser
alcançados; Distribuir o tempo disponível pelas diversas unidades temáticas.

1.3.4 Médio Prazo (Meso-Planificação)


A planificação a médio prazo consiste em planificar uma unidade de ensino, percorrendo os seguintes
aspectos:

 Identificação e ordenação dos conteúdos;


 Definição dos objectivos correspondentes aos conteúdos;
 Identificação dos pré-requisitos necessários a aprendizagem a desenvolver e de novos
conceitos;
 Definição das estratégias a implementar mais adequadas à situação pedagógica e aos objectivos
a atingir, Identificação dos materiais e dos recursos físicos e humanos existentes;
 Definição dos modos ou técnicas de avaliação;
 Distribuição das aulas pelos diferentes conteúdos.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


15

1.3.5 Curto Prazo (Micro-Planificação)


Planificação a curto prazo consiste na planificação de cada aula, onde se define todos os pormenores
essenciais à sua docência tais como:

 Sumário;
 Novos conceitos a serem leccionados;
 Objectivos que os alunos deverão atingir;
 Estratégias;
 Materiais necessários a aula;
 Linguagem específica a utilizar.

2. Componentes Básicos da Planificação no PEA


Na planificação do PEA deve se observar os seguintes componentes:

 Objectivos – consistem em descrição clara do que se pretende alcançar, como resultado da nossa
actividade;
 Conteúdos – constituem a base objectiva da instrução-conhecimento sistematizado e habilidades.
Os conteúdos vêm indicados em linhas gerais, pelos programas de ensino.
 Procedimento de ensino – trata-se de acções, processos ou comportamentos planeados pelo
professor para colocar o aluno em contacto directo com as coisas, factos e fenómenos que
possibilitem modificar a sua conduta, em função dos objectivos previstos;
 Recursos de ensino são materiais que são usados – para facilitar a aprendizagem;
 Avaliação – é um componente essencial do plano de ensino pelo facto de ajudar na determinação
do grau e quantidade de resultados alcançados em relação aos objectivos definidos.

3. Programação do PEA
Programar – é uma acção que visa organizar as actividades curriculares e extra-curriculares ou ainda.
Numa escola em que existe uma equipe de professores e um certo número de turma de várias disciplinas e
anos lectivos, é certamente necessário efectuar uma programação, que começa com a inscrição dos alunos,
com a constituição das turmas mediante critérios previamente definidos e com a elaboração dos horários
de alunos e professores.

A exigência de programas de ensino oficiais, que tem de ser obrigatoriamente comprido exige uma
programação prévia que consiste em saber:

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


16

 Por onde começar;


 Número de aulas necessárias para cada assunto;
 Definição de prioridades;
 Actividade extra curricular.

Um dos aspectos mas importantes da programação é contabilizar o número de aulas efectivamente


disponíveis em cada período escolar, descontando feriados e interrupções de aulas e avaliações. A
confrontação deste número de aulas com aquelas que são consideradas necessárias para cada assunto, leva
à definição de prioridades.

4. Condições Concretas na Planificação e Realização do PEA


Para planificar é necessário ter em conta os seguintes requisitos ou condições:

 As condições prévias dos alunos para aprendizagem ou conhecer o perfil dos alunos, que
proporcionam saber a partir donde se vai ensinar, ou seja, quais os pré requisitos mínimos que os
alunos devem ter para estar em condições de iniciar o estudo de uma determinada unidade lectiva;
 Exigência dos planos e programas oficiais, garantem a implementação do processo de ensino
aprendizagem, ou seja, permitem identificar os métodos, técnicas e estratégias de ensino que serão
utilizados;
 Objectivos e tarefas, pretende-se saber que resultados a obter no final da unidade didáctica ou ano
lectivo, utilizando instrumentos de avaliação previamente preparados em função dos objectivos de
ensino aprendizagem;
 Princípios e condições do processo de transmissão e assimilação activa dos conteúdos são os
recursos disponíveis, ou seja, materiais e equipamento.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


17

Conclusão
Qualquer actividade sistemática, para ter sucesso, precisa de ser planificada. A planificação é uma espécie
de garantia dos resultados. A planificação lectiva é essencial para um ensino de qualidade, na medida em
que representa a síntese do trabalho de preparação do PEA em todos os níveis. Entretanto, nenhuma
planificação pode ser considerada como um fim, mas antes como um meio auxiliar da prática pedagógica,
devendo ser realista e sintética.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


18

Bibliografia
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica, São Paulo, Cortez Editora, 2008.
NIVAGARA, D. Daniel, Didáctica Geral. Aprender a ensinar. Ensino a distância, UP-Maputo s/d.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


19

CAPÍTULO 2

AS DIVERSAS FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DE ENSINO

Fig.3: O 2º grupo debatendo a cerca dos conteúdos deste Capítulo

Elementos do Grupo:

1. César Cassia
2. Gina Bento Sainda
3. Josefe Chico Mafione
4. Orlanda Angelina Mabote
5. Ramalho de Jesus Machado
6. Rui Rafael Mabunda
7. Sérgio Boavida Funjua

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


20

Introdução
A realização de uma aula ou conjunto de aulas pressupõe uma estruturação didáctica e deve ter etapas bem
ordenadas, que estabelecem a sequência do ensino de acordo com a matéria ensinada, as características do
grupo e de cada aluno e as situações didácticas específicas.

Neste capítulo, aborda-se os seguintes temas: Características gerais da aula; Tipos de aulas; Características
do processo de ensino; Processos didácticos básicos ∶ ensino e aprendizagem; Estrutura, componentes e
dinâmica do processo de ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


21

1. Características Gerais da Aula


A aula é a forma didáctica básica de organização do processo de ensino. Cada aula é uma situação
didáctica específica, na qual objectivos e conteúdos se combinam com métodos e formas didácticas, com o
objectivo fundamental de propiciar a assimilação activa dos conhecimentos e habilidades pelos alunos.

A palavra “aula” não se aplica somente á aula expositiva mais também a todas formas didácticas
organizadas e dirigidas de uma forma directa ou indirecta pelo um professor, tendo em vista realizar o
ensino e aprendizagem. Isto é, a aula é toda situação didáctica na qual se põem objectivos conhecimentos,
problemas, com fins instrutivos e formativos que incitam as crianças e jovens a aprender. (Libâneo 2008,
p.178).

2. Tipos de Aula
De acordo com o autor, os professores ganham varias experiencias no decurso dos seus trabalhos, sendo
assim eles ganham em sistema próprio de organização e distribuição das aulas conforme a material
conteúdo, o número de aulas semanais, adequando a cada tipo de aula e os métodos de ensino. A tarefa
docente visa organizar a assimilação activa, o estudo independente dos alunos, a aquisição de métodos de
pensamentos, a consolação do aprendido. Isto implica que as aulas sejam feitas em vários tipos sendo:

a) Aulas de preparação e introdução da matéria nova;


b) Aula de consolidação (exercício, revisão, sistematização, aplicação);
c) Aula de verificação de aprendizagem para avaliação diagnóstica ou de controlo;

Conforme o tipo de aula, a matéria, objectivos e conteúdos escolhe-se o método de ensino dentro das
variações de cada um. (Idem, p. 192).

3. As Características do Processo de Ensino.

Segundo LIBÂNEO (2008, p. 77) o ensino é um processo que se caracteriza por desenvolvimento de
capacidades intelectuais com vista a obedecer uma direcção de acordo com os objectivos definidos, mas
com um carácter intencional e sistemático, onde a actividade do professor deve ser planificada de acordo
com as exigências de ensino e aprendizagem.

O processo de ensino visa alcançar resultados em todos os domínios que ajudam a desenvolver
capacidades cognitivas dos alunos. A actual prática escolar tem criado uma separação nos conteúdos do
ensino, desenvolvimento de capacidades, habilidades e aspectos materiais e aspectos formais do ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


22

A actividade de ensinar é vista como transmissão de matéria aos alunos, escutarem, responderem
perguntas do professor, resolverem exercícios, fazerem o TPC e resolverem as provas de avaliação.

Esta prática não consegue verificar o nível de conhecimentos já adquiridos pelo aluno, para enfrentar nova
matéria, nem de detectar as lacunas individuais durante a assimilação da matéria, razão o aluno vai
progredindo com problemas sérios de aprendizagem. O certo deviam criar mecanismos de ligar o
conhecimento novo com o que se aprendeu antes, por isso é essencial a avaliação permanente para
descobrir as dificuldades dos alunos.

O professor restringe-se apenas dentro da sala de aulas, não se preocupa com o que acontece fora da
escola, esquecendo que forma o homem para se inserir na sociedade. A parte integrante do professor e do
aluno é a realidade social, politica, económica e cultural. Porque o processo de ensino é o conjunto de
actividades para o professor/aluno com o objectivo de dominar e desenvolver as capacidades cognitivas. A
relação professor, aluno e matéria é dinâmica razão que dita neste processo de ensino uma estruturação
das etapas de desenvolvimento de uma aula. Abordaremos esta matéria com profundidade no capítulo 4.

4. Processos Didácticos Básicos


Ensino e aprendizagem – atarefa principal do professor é garantir a unidade didáctica entre ensino-
aprendizagem, através do processo de ensino. O ensino e aprendizagem são duas facetas de um mesmo
processo. O professor planifica, dirige e controla o processo de ensino, tendo em vista estimular e suscitar
a actividade própria dos alunos para a aprendizagem. (Libâneo 2008, p. 81)

4.1 A aprendizagem
A condução do processo de ensino requer uma compreensão clara e segura do processo de aprendizagem:
em que consiste, como as pessoas aprendem, quais as condições externas e internas que o influenciam?
Podemos distinguir a aprendizagem casual e a organizada.

 A aprendizagem casual é sempre espontânea, surge naturalmente da interacção entre as pessoas e


com o ambiente em que vivem, pela convivência social, pela observação de objectos e
acontecimentos, pelo contacto e os meios de comunicação.
 A aprendizagem organizada é aquela que tem por finalidade específica aprender determinados
conhecimentos, habilidades, normas de convivência social. Embora isso possa ocorrer em vários
lugares, é na escola onde são organizadas as condições específicas para a transmissão e
assimilação de conhecimentos e habilidades.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


23

Esta organização intencional, planificada e sistemática das finalidades e condições de aprendizagem


escolar é tarefa específica do ensino. A aprendizagem escolar é, assim um processo de assimilação de
determinados conhecimentos e modos de acção física e mental, organizados e orientados no processo de
ensino. No processo de ensino estabelecemos objectivos, conteúdo e métodos, mas a assimilação deles é a
consequência da actividade mental dos alunos.

4.1.2 Níveis de Aprendizagem


Existem dois níveis de aprendizagem humana: o reflexo e o cognitivo.

a) O nível reflexo refere-se às nossas sensações pelas quais desenvolvemos processos de observação
e percepção das coisas e nossas acções motoras no ambiente;
b) O nível cognitivo refere-se a aprendizagem de determinados conhecimentos e operações mentais,
caracterizada pela apreensão consciente, compreensão e generalização das propriedades e relações
essenciais da realidade (Ibid.).

5. O Processo de Assimilação Activa


Entende-se por assimilação activa ou a apropriação de conhecimento e habilidades, o processo de
percepção, reflexão e aplicação que se desenvolve com os meios intelectuais, motivacionais e atitudinais
do próprio aluno, sob a direcção e orientação do professor.

Para que se realize na escola o processo de assimilação activa de novos conhecimentos, o


desenvolvimento das forças cognoscitivas dos alunos, é preciso acção externa do professor (o ensino e
seus componentes): Objectivos, conteúdos, métodos e formas organizativas.

O professor propõe objectivos e conteúdos tendo em conta características dos alunos e da sua prática da
vida. Os alunos por sua vez, dispõem em seu organismo físico-psicológico de meios internos de
assimilação activa, meios que constituem o conjunto de suas capacidades cognoscitivas, tais como:
Percepção, motivação, compreensão, memoria, atenção, atitudes, conhecimentos já disponíveis. (Libâneo,
p. 83).

6. Estrutura, Componentes e Dinâmica do Processo de Ensino


O processo didáctico se explicita pela acção recíproca de três componentes: os conteúdos, o ensino e
aprendizagem, que operam em referencia a objectivos que expressam determinadas exigências
sociopolíticas e pedagógica e sob conjunto de condições de uma situação didáctica.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


24

6.1 Triângulo Didáctico

Conteudo

Professor Aluno

Fig.4: Relação entre os Componentes didácticos

A relação harmoniosa entre professor, conteúdo e aluno depende do domínio


dos conteúdos para que se realize a aprendizagem; portanto, não se descarta ao
concluirmos que o factor mais importante de aprendizagem é o aluno.

Os conteúdos de ensino compreendem as matérias nas quais são sistematizados os conhecimentos,


formando base para a concretização de objectivos.

6.2Características da aprendizagem escolar


A aprendizagem escolar é uma actividade planificada, intencional, e dirigida e não casual e espontânea. O
processo de assimilação de conhecimentos resulta da reflexão proporcionada pela percepção prático -
sensorial e pelas acções mentais que caracterizam o pensamento.
Na aprendizagem escolar há influências de factores afectivos e sociais, tais como: os que suscitam a
motivação para o estudo, os que afectam as relações professor - alunos, os que interferem nas disposições
emocionais dos alunos para enfrentarem as tarefas escolares, por isso o desenvolvimento escolar se aplica
à organização das unidades didácticas nas aulas. A aprendizagem é um processo gradual e a sólida
aprendizagem decorre da consolidação de conhecimentos e métodos do pensamento e da capacidade de o
aluno lidar de modo independente e criativo com os conhecimentos que assimilou.
A aprendizagem tem um vinculo directo com o meio social que circunscreve não só as condições de vida
das crianças, mas também a sua relação com a escola e o estudo e do significado que carregam em relação
às experiencias sociais na família, na sociedade e no trabalho.
Os professores devem buscar procedimentos didácticos que ajudam os alunos a enfrentarem sua
desvantagem a adquirirem o desejo e o gosto pelo processo de ensino e a elevarem sua expectativa de
vida. O outro aspecto fundamental da aprendizagem em relação ao meio social é a linguagem. A

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


25

linguagem é o veículo para a formação e expressão dos nossos pensamentos. As formas de linguagem
expressam as condições sociais e culturais da vida das pessoas.
Na aprendizagem escolar, a motivação intrínseca precisa de ser apoiada frequentemente na motivação
extrínseca, a fim de manter de pé o interesse, a atenção e o envolvimento dos alunos no trabalho docente.
A aprendizagem escolar não deve ser unidireccional do professor, transferindo conhecimentos para a
cabeça dos alunos, não deve ser aquela em que o objectivo são necessidades e interesses imediatas mas
sim o aluno enfrenta a matéria por suas próprias forças cognitivas confrontando os conteúdo do processo
sistematizado, à experiencia sócio - cultural que trazem do seu meio social às motivações e expectativas.
(Libâneo, 2008, pp. 86-88)

7. Ensino
O ensino é a actividade do professor na organização, selecção e explicação dos conteúdos, organização
das actividades de estudo dos alunos, encaminhando objectivos, métodos, formas organizativas e meios
mais adequados em função da aprendizagem dos alunos. A aprendizagem é actividade de assimilação de
conhecimentos e habilidades dos alunos.

O processo de ensino abrange a assimilação de conhecimentos, mas inclui outras tarefas tais como:
 O professor deve antecipar os objectivos de ensino, explicar a matéria, puxar dos alunos
conhecimentos que já dominam, estimula-los no desejo de conhecer a matéria nova;
 Transformar a matéria em desenvolvimentos significativos e compreensíveis, saber detectar o nível
da capacidade cognitiva dos alunos. O ensino, assim é uma actividade de mediação pela qual são
providas as condições e os meios para os alunos se tornarem sujeitos na assimilação de
conhecimentos.

O ensino tem três funções inseparáveis:


 Organizar os conteúdos para a sua transmissão de modo que os alunos possam ter uma relação
subjectiva com eles;
 Ajudar os alunos a conhecer as suas possibilidades de aprender, indicar métodos de estudo de
forma autónoma e independente;
 Dirigir e controlar a actividade docente para os objectivos de aprendizagem. O ensino é
condicionado por elementos situacionais como o ambiente escolar, os mecanismos de gestão

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


26

escolar, o conselho de pais, os livros didácticos, o material escolar e a unidade de grupo de


professores. (Ibid., pp. 89-90)

7.1Relação entre Ensino e Aprendizagem


A relação entre esses dois aspectos não é mecânica, não é uma simples transmissão do professor para os
alunos que aprendem. O ensino visa estimular, dirigir, incentivar, impulsionar o processo de
aprendizagem. Ele tem um carácter eminentemente pedagógico para dar um rumo definido que assegure a
difusão e o domínio dos conhecimentos sistematizados legados pela humanidade, daí, uma das suas tarefas
básicas seja a selecção e organização do conteúdo de ensino e dos métodos apropriados num processo
organizado na sala de aulas.
A relação entre o ensino-aprendizagem fica comprometida quando o ensino se caracteriza pela
memorização, o professor concentra na sua pessoa a exposição da matéria, quando não suscita o
envolvimento activo dos alunos. (Idem, p. 90).

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


27

Conclusão
Sendo a aula a forma predominante de organização do processo de ensino, onde são criadas,
desenvolvidas, e transformadas as condições necessárias para que os alunos assimilem os conhecimentos,
habilidades, atitudes e convicções que lhes vão ajudar a desenvolver as suas capacidades cognitivas. No
entanto, existe uma relação entre o ensino e a aprendizagem, e que essa relação não é mecânica porque
visa estimular, dirigir e impulsionar este processo.

O PEA tem como objectivo lograr resultados em todos os domínios que ajudam a desenvolver capacidades
cognitivas dos alunos através das aulas.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


28

Bibliografia
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica, São Paulo, Cortez Editora, 2008.

NIVAGARA, D. Daniel. Didáctica Geral. Aprender a ensinar, Ensino a Distância, s/d.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


29

CAPÍTULO 3

PLANO DE LIÇÃO

Fig.5: O 3º grupo debatendo a cerca dos conteúdos doCapítulo

Elementos do grupo:

1. Helena Henriques Pelembe


2. Inácio Machavira
3. Jorge Paninga
4. Lurdes Machaiaia
5. Mariza Feliciano Amado
6. Marta Thandazile
7. YolandaNunguiane

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


30

Introdução
O presente capítulo pretende ilustrar os procedimentos da elaboração do Plano de Lição, este como uma
das esferas na dinâmica do ensino-apendizagem.

Nesta vertente, o mesmo irá falar das etapas ou fases que se seguem na sua elaboração, tais como:
Preparação e Introdução da matéria, Tratamento Didáctico da matéria nova, Consolidação e
aprimoramento dos conhecimentos e habilidades, Aplicação, Controle e avaliação dos resultados
escolares.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


31

1. Plano de Lição
É um detalhamento do plano de ensino, ou seja, é a sequência de tudo o que vai ser desenvolvido num
período lectivo, onde as unidades e subunidades (tópicos) que foram previstas em linhas gerais são
especificadas e sistematizadas para uma situação didáctica real. Na elaboração do plano de aula, deve-se
levar em consideração em primeiro lugar, que a aula é um período de tempo variável. (Libâneo2008, p.
241).

Aula é um conjunto dos meios e condições pelos quais o professor dirige e estimula o processo de ensino
em função de actividade própria do aluno no processo de aprendizagem escolar. Ou seja, é a forma
didáctica básica de organização do processo de ensino. O plano de lição desempenha uma tarefa crucial e
constitui uma das esferas na dinâmica do PEA.

1. Mediadores da Planificação
A planificação se realiza através de mediadores da planificação, o que quer dizer que a escola, os
professores esboçam a tarefa do ensino através de tipos diversos materiais didácticos que oferecem. Não
se confrontam directamente com o programa, mas sim através de mediadores que actuam como guias.
Podemos destacar os seguintes mediadores mais frequentes: (Miguel, 2006)

 Livros de texto;
 Materiais comerciais;
 Guias curriculares;
 Revistas e experiências (casos ouvidos/lidos).

2. Estruturação Didáctica da Aula


Na perspectiva de NIVAGARA (s/d, p. 72) a realização de uma aula ou conjunto de aulas requer uma
estruturação didáctica, isto é, etapas ou passos mais ou menos constantes que estabelecem a sequência do
ensino de acordo com a matéria a ensinar, características do grupo de alunos e situações didácticas
específicas.
O autor considera as seguintes etapas ou funções didácticas:
 Introdução e Motivação
 Mediação e Assimilação
 Domínio e Consolidação
 Controle e Avaliação.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


32

Para Libâneo, a estruturação da aula é um processo que implica criatividade e flexibilidade do professor,
isso para que ele saiba o que fazer em situações didácticas específicas, cujo rumo nem sempre é previsível.
Na sua perspectiva deve-se portanto, entender os passos ou etapas didácticos como tarefas do processo de
ensino relativamente constantes e comuns a todas as matérias considerando se que não há entre elas uma
sequência necessariamente fixa, e que dentro de uma etapa se realizam simultaneamente outras. Na sua
abordagem, distingue cinco passos didácticos que se apresentam: (Libâneo2008, p.170)

 Preparação e introdução da matéria;


 Tratamento didáctico da meteria nova;
 Consolidação e aprimoramento dos conhecimentos e habilidades;
 Aplicação;
 Controle e avaliação.

3.1 Preparação e Introdução da Matéria


Esta fase corresponde especificamente ao momento inicial de preparação para o estudo de matéria nova,
que inclui a preparação prévia do professor, a preparação dos alunos, a introdução da matéria e a
colocação dos objectivos. (Idem, p. 181).

No início da aula, a preparação dos alunos visa criar condições de estudo: mobilização da atenção para
criar uma atitude favorável ao estudo, organização do ambiente, suscitamento de interesse de ligação da
matéria nova em relação à anterior.

A motivação inicial inclui perguntas para verificar se os conhecimentos anteriores estão efectivamente
disponíveis e prontos para o conhecimento novo. Portanto, a actividade do professor é estimular o
raciocínio dos alunos, instiga-los a emitir opiniões próprias sobre o que aprenderam, faze-los ligar os
conteúdos à situações da vida real.

A preparação dos alunos é uma actividade e sondagem das condições escolares prévias dos alunos para
enfrentar o assunto novo. O professor fará, então a colocação didáctica dos objectivos, uma vez que é o
estudo da nova matéria que possibilita o encontro de solução. Os objectivos indicam o rumo do trabalho
docente, ajuda os alunos a terem clareza dos resultados a atingir. A duração desta etapa depende da
matéria, do tipo de aula, do preparo prévio ou do nível de assimilação dos alunos para enfrentar o assunto
novo. Evidentemente, se é o início de uma unidade de ensino, o tempo será maior (Idem, 182)

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


33

3.2Tratamento Didáctico da Matéria Nova


Nesta etapa se realiza a percepção dos objectos e fenómenos ligados ao tema, a formação de conceitos, o
desenvolvimento das capacidades cognoscitivas de observação, imaginação e de raciocínio dos alunos. Na
transmissão prevalece as formas de estruturação e organização lógica e didáctica dos conteúdos. Entre
esses dois aspectos há uma relação recíproca pois os aspectos externos (exposição do professor, a
actividade dos alunos e a interacção), não são suficientes para realizar o ensino, porque o que determina a
forma externa de estruturar o ensino são os aspectos internos (que são capacidades e habilidades mentais
que o aluno tem para adquirir conhecimentos).

A assimilação consciente dos conhecimentos começa com a percepção activa dos objectos de estudo com
os quais o aluno se defronta pela primeira vez ao tema já conhecido que são enfocados de um novo ponto
de vista ou de uma forma mais organizada. Neste contexto, são desenvolvidas algumas actividades que
preparam os alunos para a sua percepção:

 Pedir aos alunos que digam o que sabem sobre o assunto;


 Levá-los a observar objectos e fenómenos e verbalizar o que estão vendo ou manipulando;
 Colocar um problema prático cuja solução seja possível com os conhecimentos da matéria nova;
fazer uma demonstração prática que suscite a curiosidade e o interesse;
 Registar no quadro as informações que os alunos vão dando, de forma a ir sistematizando essas
informações.

3.3 Consolidação e Aprimoramento dos Conhecimentos e Habilidades


É a fase da organização, aprimoramento e fixação dos conhecimentos na mente dos alunos, a fim de que
estejam disponíveis para orientá-los nas situações concretas de estudo e da vida. É preciso aprimorar a
formação de habilidades e hábitos para a utilização independente e criadora dos conhecimentos.

A consolidação dos conhecimentos e da formação de habilidades e hábito incluem os exercícios de


fixação, a recapitulação da matéria, as tarefas de casa e o estudo dirigido. Todavia, para que o aluno
desenvolva as habilidades de raciocínio deve ter compreendido a matéria de que sirva de meio para o
desenvolvimento de pensamento independente, através das actividades mentais.

A consolidação pode dar-se em qualquer etapa do processo didáctico:

 Antes de iniciar a matéria nova, recorda-se, sistematiza-se e são realizados exercícios em relação a
matéria anterior;

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


34

 No estudo do novo conteúdo ocorre paralelamente as actividades de assimilação e compreensão.

De acordo com autor, a consolidação pode ser reprodutiva, de generalização e criativa. A consolidação
reprodutiva tem um carácter de exercitação, isto é, após compreender a matéria os alunos reproduzem
conhecimentos, aplicando-os a uma situação conhecida.

A consolidação generalizadora inclui a aplicação de conhecimentos para situações novas, após a sua
sistematização, implica a integração de conhecimentos de forma que os alunos estabeleçam relações entre
conceitos, analisa os factos e fenómenos sobre vários pontos de vista, façam a ligação dos conhecimentos
com novas situações e factos da prática social.

A consolidação criativa se refere a tarefas que levam ao aprimoramento do pensamento independente e


criativo, na forma de trabalho independente dos alunos sobre a base das consolidações anteriores. O
organograma abaixo, ilustra na constituição da consolidação e as suas características.

A consolidação

Reprodutiva Generalizadora Criativa

aplicação de aprimoramento
carácter de do pensamento
conhecimentos
exercitação independente e
para situações
novas criativo

Fig. 6: composição da consolidação e suas características

3.4 A Aplicação
A aplicação é a culminância relativa do processo de ensino, trata de prover oportunidades para os alunos
utilizarem de forma mais criativa os conhecimentos, unindo teoria e prática, aplicando conhecimentos,
seja na própria prática escolar, seja na vida social. O objectivo de aplicação é estabelecer vínculos do
conhecimento com a vida, de modo a suscitar independência de pensamento e atitudes críticas e criativas

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


35

expressando a sua compreensão da prática social. A função pedagógica-didáctica da aplicação é a de


avançar da teoria à prática, colocar os conhecimentos disponíveis a serviço da interpretação e análise da
realidade. É na aplicação que os alunos podem ser observados em termos do grau em que conseguem
transferir conhecimentos para situações novas, evidenciando a compreensão mais global do objecto do
estudo da matéria.

Na aplicação de conhecimento e habilidades, o professor deve ter em conta aos seguintes aspectos: a
formulação clara dos objectivos e a selecção adequada dos conteúdos; ligação dos conteúdos da matéria
aos factos e a acontecimento da vida social e quotidiano do aluno.

3.5 Controle e Avaliação dos Resultados Escolares


A verificação e controle do rendimento escolar para efeito de avaliação é uma função didáctica que
percorre todas as etapas de ensino. A avaliação do ensino e da aprendizagem deve ser vista como um
processo sistemático e contínuo no decurso do qual vão sendo obtidas informações e manifestações acerca
do desenvolvimento das actividades docentes e discentes atribuindo-lhes juízos de valor.

O controlo e avaliação da aprendizagem dos alunos caracteriza-se por ser simultaneamente meio didáctico
e meio pedagógico, a avaliação é um meio didáctico e pedagógico por causa das suas finalidades.
Nivagara (s/d, p.122).

LIBÂNEO (2008, p. 190) distingue três funções de avaliação:

a) Função pedagógica didáctica - se refere aos objectivos gerais e especificas bem como ao meio e
condições de atingi-lo, uma vez que estes constituem o ponto de partida e os critérios para as
provas e para os de mais procedimentos de avaliação;
b) Função diagnóstica - se refere á análise sistemática das acções do professor e dos alunos, visando
detectar desvios e avanços do trabalho docente em relação aos objectivos conteúdos e métodos;
c) Função de controlo - se refere á comprovação e a qualificação sistemática dos resultados de
aprendizagem dos alunos face aos objectivos e conteúdos opostos através desta função. São
colectados os dados sobre o aproveitamento escolar que submetidos critérios quente a concepção
de objectivos.

Nesta vertente, pretendemos apresentar um modelo de plano debatido pelo grupo, citando o Nivagara.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


36

MODELO DE PLANO DE LIÇÃO

Escola ________________________, Classe _______ Objectivo:


Data: ______/______/20____ Turma ________ Gerais
Disciplina ________________________ _______________________________
Unidade Temática ___________________ Específicos
Tema: ____________________________ _______________________________
Tipo de aula ____________________ _______________________________
Duração - ______________________ ________________________________
Nome do professor ______________________________________

Tempo Função Conteúdo Actividades Métodos Meios Obs.


Didáctica Professor Aluno Didácticos
Introdução e
Motivação.
Mediação e
Assimilação
Domínio e
Consolidação.
Controlo e
Avaliação

Fonte: Adaptado de Nivagara

3. As Tarefas de Casa
As tarefas para casa são um importante complemento didáctico para a consolidação, estreitamente ligada
ao desenvolvimento das aulas. A tarefa para casa consiste de tarefas de aprendizagem realizadas fora do
período escolar.

As tarefas de casa devem ser cuidadosamente planejadas pelo próprio professor, explicadas aos alunos, e
os seus resultados devem ser trabalhados nas aulas seguintes.

As tarefas de casa não devem constituir-se apenas de exercícios; constituem, também, de tarefas
preparatórias para aula (leituras, redacções, observações) ou tarefas de aprofundamento da matéria (um
estudo dirigido individual, por exemplo).

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


37

4. Reflexão dos Aspectos Relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola.


o plano de lição é muito importante e indispensável para o alcance dos seus objectivos pois, é através dele
que consegue monitorar e alcançar os objectivos da aula.

“Antes de ir a sala de aulas planifica-se com cuidado e com muita atenção as aulas”: faz um elogio aos
alunos para motiva-los e para que tenham ânimo de assistirem as suas aulas, faz uma pequena
recapitulação da aula anterior e depois introduz a matéria nova. Em seguida, entra numa conversa
(debate) relacionada com a matéria, dá-se exercícios para medir as habilidades de cada aluno para ter a
certeza de que todos estão no ritmo da aula e por fim dá uma tarefa de casa para eles poderem exercitar o
aprendido.

Tendo em consideração que a planificação é a tarefa prioritária do professor, todos preocupam-se em


planificar, embora alguns dizem não se interessarem com plano, pois, afirma que já são experientes e não
precisam de refazer os seus planos, vimos que a maior parte dos professores dessa escola fazem os planos
de lição sempre que vão leccionar as suas aulas.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


38

Conclusão
O plano de lição é extremamente importante, porque ele orienta as etapas ou fases na condução de uma
aula. Permite estabelecer a relação entre o professor, aluno e os conteúdos. É uma sequencia de tudo o que
vai ser desenvolvido em um período lectivo, com vista a sistematizar todas as actividades que se
desenvolvem no momento em que o professor e o aluno interagem numa dinâmica do PEA. No plano de
lição, os objectivos gerais estabelecem a relação entre os objectivos específicos e as actividades a serem
realizadas.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


39

Bibliografia
CANDAU, Vera Maria. A Didáctica em questão. 17ª ed. .Petrópolis, Editora Vozes, 1999.

LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica. S. Paulo, Cortez Editora, 2008.

MIGUEL, A. Zabalda. Planificação e Desenvolvimento Curricular na Escola, 6ª ed. ASA editores, 2006.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


40

CAPÍTULO 4

VARIANTES METÓDICAS BÁSICAS NO PEA

fig.7: O 4º grupo debatendo a cerca dos conteúdos do Capítulo.

Elementos do Grupo:
1. António Wetimane Nhanombe
2. Belmiro Julião Chivale
3. Crestina Zenaida Soto
4. Jacinto Verniz Mbondo
5. Jozinho Eusébio Júlio
6. Reginaldo António Nhambi
7. Zacarias Manuel Manhique

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


41

Introdução
No processo de ensino-aprendizagem, são desenvolvidas actividades do professor e do aluno, sob a
orientação do professor, os alunos vão atingindo progressivamente o desenvolvimento das suas
capacidades e habilidades. Este capítulo debruçar-se-á sobre o tema Variantes Metódicas básicas na
Concretização do Processo de Ensino-Aprendizagem que inclui os seguintes subtítulos: o Conceito do
Método de Ensino; a Classificação dos Métodos de Ensino; e as Formas de Organização de Ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


42

1. O Processo de Ensino e de Aprendizagem

1.1 As Características do Processo de Ensino Tradicional


Segundo LIBÂNEO, (2008, pp.78-79) a actividade de ensinar é vista, como transmissão da matéria aos
alunos, realização de exercícios repetitivos, memorização de definições e fórmulas. Este é o tipo de ensino
existente na maioria das nossas escolas, uma forma peculiar e empobrecida do que se costuma chamar de
ensino tradicional.

1.2 Limitações Pedagógicas e Didácticas desse tipo de Ensino


 O professor passa a matéria, o aluno recebe e reproduz mecanicamente o que absorveu. O elemento
activo é o professor que fala e interpreta o conteúdo;
 É dada excessiva importância à matéria que está no livro, sem preocupação de torná-la mais
significativa e mais viva para os alunos. Muitos professores querem, terminar o livro até o final do
ano lectivo, como se a aprendizagem dependesse de vencer conteúdos do livro;
 O ensino somente é transmissivo não cuida de verificar, se os alunos estão preparados para enfrentar
matéria nova e, de detectar dificuldades individuais na compreensão da matéria;
 O trabalho docente fica restrito às paredes da sala de aulas, sem preocupar com a prática da vida
quotidiana das crianças fora da escola.

1.3 Características do Processo de Ensino-Aprendizagem Moderno.


 É fundamental que o professor domine bem a matéria para saber seleccionar o que é realmente
básico e indispensável para o desenvolvimento da capacidade de pensar dos alunos.
 O verdadeiro ensino busca a compreensão e assimilação sólida das matérias; para isso, é
necessário ligar o conhecimento novo com o que já se sabe e prover os pré-requisitos se for o
caso.
 O ensino caracteriza-se pelo desenvolvimento e transformação progressiva das capacidades
intelectuais dos alunos em direcção ao domínio dos conhecimentos e habilidades e a sua
aplicação;
 O ensino tem um carácter bilateral em virtude de que combina actividades do professor com
actividade do aluno. O processo de ensino faz interagir dois momentos indissociáveis:
transmissão e assimilação activa de conhecimentos e habilidades;
 O ensino tem, a função principal assegurar o processo de transmissão e assimilação dos
conteúdos do saber escolar;

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


43

 O verdadeiro trabalho docente deve ter como ponto de partida e a sua finalidade, a realidade
social, política, económica, cultural da qual tanto o professor como o aluno são parte integrante;
(Ibid. pp. 79-80).

2. O Sentido de Métodos
Etimologicamente, método quer dizer «caminho para chegar a um fim». Representa a maneira de
conduzir o pensamento ou acções para alcançar um objectivo. É, também forma de disciplinar o
pensamento e as acções para obter maior eficiência no que se deseja realizar (Nivagara, s/d, p.155).

Métodos de ensino são um conjunto de acções, passos, condições externas e procedimentos utilizados
intencionalmente pelo professor para dirigir e estimular o processo de ensino em função da aprendizagem
dos alunos. Ou seja, são as acções do professor pelas quais se organizam as actividades de ensino e dos
alunos para atingir objectivos do trabalho docente em relação a um conteúdo específico. Eles regulam as
formas de interacção entre o ensino e aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo resultado é a
assimilação consciente dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas e operativas
dos alunos. (Libâneo, 2008).

2.1 Relação Objectivo-Conteúdo-Método


Os métodos não tem vida independentemente dos objectivos e conteúdos, assim como a assimilação dos
conteúdos depende tanto dos métodos do ensino e de aprendizagem.

A relação objectivos-conteúdos-métodos tem como característica a mútua interdependência. Portanto, o


método do ensino é determinado pela relação, objectivo e conteúdo, mas pode também influir na
determinação de objectivos e conteúdos, cuja matéria do ensino é elemento de referência para a
elaboração dos objectivos específicos. (Idem, p. 153).

2.2Classificação dos Métodos de Ensino


De acordo com NIVAGARA (s/d, p.163) é difícil dizer com precisão os tipos de métodos de ensino-
aprendizagem. Isso é verdade na medida em que é impossível de identificar uma classificação de métodos
de ensino aceite por todos. Por isso é importante estudar as distintas classificações com o objectivo de o
professor/formador aprofunde seus conhecimentos teóricos para, a partir deles, enriqueça a sua prática
pedagógica.

LIBÂNEO (2008, pp. 161-171) propõem a seguinte classificação dos métodos:

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


44

2.2.1 Métodode Exposição


Neste método, os conhecimentos, habilidades e tarefas são apresentadas, explicadas ou demonstradas pelo
professor. As actividades dos alunos são receptivas, embora não necessariamente passivas.

Entre as formas de exposição, mencionamos a exposição verbal, a demonstração, a ilustração e a


exemplificação.

A exposição verbal ocorre em circunstâncias em que não é possível prover a relação directa do aluno com
o material de estudo. Sua função principal é explicar de modo sistematizado quando o assunto é
desconhecido.

A demonstração é uma forma de representar fenómenos e processos que ocorrem na realidade. Ela se da
através de explicações em um estudo do meio através de explicação colectiva de um fenómeno por meio
de um experimento simples, uma projecção de slides.

A ilustração é uma forma de apresentação gráfica de factos e fenómenos de realidade, por meio de
gráficos, mapas, esquemas e gravuras a partir dos quais o professor enriquece a explicação da matéria.

A exemplificação é um importante meio auxiliar da exposição verbal, principalmente nas classes iniciais
do ensino do primeiro grau. Ocorre quando o professor faz uma leitura em voz alta, quando escreve ou
fala uma palavra, para que os alunos observem e repitam.

2.2.2 Método do Trabalho Independente


O método de trabalho independente dos alunos consiste de tarefas, dirigidas e orientadas pelo professor,
para que os alunos as resolvam de modo relativamente independente e criador. O trabalho independente
pressupõe determinados conhecimentos, compreensão da tarefa e do seu objectivo, o domínio do método
de solução, de modo que os alunos possam aplicar conhecimentos e habilidades sem a orientação directa
do professor.

As tarefas de elaboração pessoal são exercícios nos quais os alunos produzem respostas surgidas do seu
próprio pensamento. O modo prático de solicitar esse tipo de tarefa é fazer uma pergunta ao que o leve a
pensar.

Para que o trabalho independente cumpra a sua função didáctica são necessárias condições prévias que o
professor deve desenvolver:

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


45

 Dar tarefas claras, compreensíveis e adequadas, à altura dos conhecimentos e da capacidade do


raciocínio dos alunos;
 Assegurar condições de trabalho (local, silencio, material disponível);
 Acompanhar de perto o trabalho;
 Aproveitar o resultado das tarefas para toda a classe.

Os alunos, por sua vez, devem:

 Dominar as técnicas do trabalho;


 Desenvolver atitudes de ajuda mútua não apenas para assegurar o clima de trabalho na classe, mas
também para pedir ou receber auxílio dos colegas.

2.2.3 Método de Elaboração Conjunta


A elaboração conjunta é uma forma de interacção activa entre o professor e os alunos visando a obtenção
de novos conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções, bem como a fixação e consolidação de
conhecimentos e convicções já adquiridos. Aplica-se em vários momentos de desenvolvimento da unidade
didáctica, seja na fase inicial de introdução e preparação para o estudo do conteúdo, no decorrer da fase de
organização e sistematização, como ainda na fase de fixação, consolidação e aplicação.

A forma mais típica do método de elaboração conjunta é a conversação didáctica, denomina-se, também,
aula dialogada. A conversação didáctica é “aberta” e o resultado que dela decorre, supõe a contribuição
conjunta do professor e dos alunos.

O professor traz conhecimentos e experiencias mais ricos e organizados; com o auxílio do professor, a
conversação visa levar os alunos a se aproximarem gradativamente da organização lógica dos
conhecimentos e a dominar métodos de elaborar as suas ideias de maneira independente.

A conversação didáctica é, portanto, um excelente procedimento de promover a assimilação activa dos


conteúdos, suscitando a actividade mental dos alunos e não simplesmente uma atitude receptiva. O
professor deve ter sempre uma atitude positiva frente às respostas.

2.2.4 Método de Trabalho em Grupo


O método de trabalho em grupos ou aprendizagem em grupo consiste basicamente em discutir temas de
estudo iguais ou diferentes a grupos fixos ou variáveis, compostos de três a cinco alunos. Este método
deve ser empregue eventualmente, conjugado com os outros métodos de exposição e de trabalho

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


46

independente. A finalidade principal do trabalho em grupo é obter a cooperação e interacção dos alunos
entre si na realização de uma tarefa.

Há muitas formas de organização de grupos entre as quais as seguintes:

 Debate - são indicados alguns alunos para discutir, perante a classe, um tema polémico, cada qual
defendendo uma posição;
 Philips 66- seis grupos de seis elementos discutem uma questão em poucos minutos para
apresentar depois as suas conclusões;
 Tempestade mental – dado um tema os alunos dizem o que lhes vem à cabeça sem, preocupação
de censura a ideias;
 Grupo de verbalização-grupo de observação (GV-GO) – uma parte da classe forma um círculo
central (GV) para discutir um tema, enquanto os demais formam um círculo em volta, para
observarem (GO);
 Seminário – um aluno ou grupo de alunos prepara um tema para apresenta-lo à classe.

Actividade Especial

Denomina-se de actividades especiais aquelas que complementam os métodos de ensino e que concorrem para a
assimilação activa dos conteúdos. Exemplo: o estudo do meio, o jornal escolar, a assembleia de alunos, o museu
escolar, teatro e biblioteca escolar. (Passim).

Em relação aos métodos, Klingberg (s/d), citado por NIVAGARA (s/d, p.170) considera existência de três
variantes metódicas básicas:
 Método expositivo;
 Elaboração conjunta;
 Trabalho independente.

A classificação dos métodos segundo Klingberg tem sido largamente utilizada pelos professores,
particularmente em Moçambique, em virtude de que nela incluir o resto dos métodos e técnicas de ensino
indicados pelos outros autores, mas também parece ser de fácil uso no processo de ensino-aprendizagem.
Por outro lado, devemos notar que a utilização dos métodos de ensino no PEA não ocorre nem deve ser de
forma que se utiliza preferencial e exclusivamente um determinado método de ensino; a combinação e a
alternância dos métodos de ensino é uma das estratégias pedagógicas importantes na utilização dos
métodos de ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


47

3. Formas de Organização do Ensino-Aprendizagem


No ensino se notam diferentes estruturas e formas de organização da aula. O professor e os alunos, assim
como os alunos entre si, trabalham juntos, mas de diferentes maneiras para assegurar que cada aluno
aprenda bem e também para que a aula em geral alcance os objectivos instrutivos e educativos fixados no
plano de ensino. Nivagara (s/d, p.201), cita as seguintes estruturas e formas mais conhecidas de
organização do PEA:
 A aprendizagem frontal;
 A aprendizagem individual;
 A aprendizagem por grupo;
 A aprendizagem aos pares;
 A aprendizagem por secções;
 A aprendizagem por Excursão;
 A aprendizagem por organização do trabalho dos alunos em casa;
 A aprendizagem por organização de turmas complementares com alunos com baixo rendimento
pedagógico.

3.1 Características de cada Forma de Organização do Ensino

Aprendizagem Frontal
Neste tipo de aprendizagem, os alunos são postos em sala de aula, o professor se posiciona à frente deles
e, por sua vez, os alunos um atrás do outro, escutam (atentamente) o professor e, também observam os
seus gestos e movimentos dentro da sala. É a forma mais frequente e mais usual e que as outras a
complementam, é nela onde assentam todas as formas de organização do ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


48

Aprendizagem Individual
Este tipo de aprendizagem caracteriza-se por todos os alunos terem a mesma tarefa, e também é possível
que haja alunos que tenham tarefas distintas dos demais. Mas têm em comum que o professor trata no
sentido que cada aluno trabalhe por si. Duma maneira mais compreensível, apresenta-se um esquema da
seguinte maneira:

Professor

Orienta
Tarefas
Colectiva Individual

O comum é que o professor


trata no sentido que cada aluno
trabalhe por si
Corrige

O professor dá apoio a cada


aluno em função das suas
dificuldades e progressos

Fig. 8:Características de aprendizagem individual

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


49

Aprendizagem em Grupo
A turma é dividida temporariamente em grupo onde
resolvem em conjunto uma tarefa, por sua vez o
professor faz um acompanhamento no sentido de que
dentro dos grupos se atinjam acções colectivas de
aprendizagem, exorta aos alunos para que cheguem a
um acordo na tarefa, a discutindo a via de solução;

Fig.9: Grupo de alunos para uma aprendizagem


Segundo NIVAGARA, (s/d, pp.203-204), diversos
critérios podem ser usados para dividir os alunos em pequenos grupos:
 Pelo resultado de um sociograma, isto é, colocando juntos aqueles alunos que manifestam
afinidade e simpatia mutua;
 Por homogeneidade, segundo o nível de rendimento escolar;
 Por heterogeneidade deliberada;
 Por ordem de chamada ou de localização (os primeiros 5 formam o grupo “A”, os 5 seguintes o
grupo “B”).

Aprendizagem aos Pares


Pode-se considerar como uma forma preliminar do ensino-aprendizagem em grupos, já que este se baseia
também em um trabalho conjunto directo, se bem que
neste caso fala-se de um grupo que aprende quando
somente se trata de dois alunos. Consiste simplesmente
em pedir aos alunos que formem pares, isto é, mini
grupo de duas pessoas “diade” para discutir o assunto,
resolver exercícios ou problemas. (Idem, 204);

Fig.10: Mini grupo formados de 2 elementos

Aprendizagem por Secções


É uma forma de organização em grupo que se utiliza raras vezes pelos professores, em particular em
Moçambique.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


50

Nesta forma de organização do ensino e aprendizagem, muito apropriada para a realização de um ensino
diferenciado, a turma é temporariamente dividida em secções: por exemplo, se divide a turma em três
secções, uma secção trabalha sem a orientação do professor, uma segunda recebe uma breve orientação e
se exorta para o trabalho individual e, finalmente, o professor se ocupa directamente na terceira secção a
qual dá uma explicação prolongada.

Aprendizagem por Excursão


É um tipo de organização do processo de ensino e de aprendizagem que consiste em visitas a industrias,
museus, campos de produção, etc. Durante a excursão, conjuntamente com as observações, se utilizam
diversos métodos/técnicas: narrações, palestras, demonstrações, exemplificações. Nesse aspecto, é
importante elaborar tarefas para casa cujo conteúdo e volume, em sua planificação deve corresponder a
todo o tema estudado;

Ensino de Organização do Trabalho de Casa


Neste ensino, as tarefas de casa estão intimamente ligadas ao trabalho realizado durante as aulas na sala. O
êxito do mesmo depende de como foram orientadas a aula e a tarefa de casa. As tarefas para casa podem
se dividir em: orais, escritas e práticas;
Um dos problemas mais importantes na organização do trabalho para casa dos alunos é o seu volume. Os
alunos de diferentes graus devem empregar diferentes períodos de tempo para a realização de trabalhos
para casa. Nesse aspecto, é importante elaborar tarefas para casa cujo conteúdo e volume, em sua
planificação, correspondem a todo o tema estudado.

Turmas Complementares com Alunos de baixo Aproveitamento Escolar


Na turma existem alguns alunos atrasados e com baixo rendimento escolar. Neste tipo de ensino, faz-se a
selecção dos alunos que apresentam níveis de aprendizagem relativamente baixos. Estes são apoiados em
outros momentos fora do período escolar normal.
Este fenómeno sucede por várias razões:
 Enfermidades prolongadas por parte dos alunos
 Falta de consideração das particularidades individuais dos alunos por parte do professor.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


51

7. Reflexão dos Aspectos achados relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola.


As acções que se realizam na sala de aula que tornam o aluno centro de aprendizagem são várias,
dependendo da iniciativa de cada professor ao desenvolver as seguintes actividades:

 Dar oportunidades aos alunos para procurarem as relações ou mesmo definições a partir dos seus
conhecimentos individuais ou empíricos;
 Retribuir trabalhos em grupo de três ou cinco alunos, para conjugarem as suas ideias ou iniciativas
criadoras a partir do seu seio, uma vez que isso diminui a vergonha e complexo de inferioridade,
quando fosse directamente com o professor;
 O professor deve ser o problematizador das situações do ensino; os alunos procuradores de regras e
de melhorar soluções para as situação apresentadas;
 As soluções que os alunos encontram devem ser discutidas na sala de aula com todos os alunos,
como formas de valorizar a ideia de cada um na busca de soluções comuns;
 As soluções devem partir do consenso englobando professor e alunos como forma amigável e
importante de que os alunos são parte do processo.

Os métodos de ensino aplicam-se em vários momentos, dependendo das circunstâncias da aula. Na


aplicação do método de trabalho em grupo, primeiro planifica-se as tarefas a serem realizadas e clarifica-
se aos alunos as actividades atribuídas e faz-se o acompanhamento e controlo da sua realização.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


52

Conclusão
Os métodos de ensino-aprendizagem são acções do professor e de alunos pelos quais se organizam as
actividades do ensino para se atingir os objectivos do trabalho docente em relação a um conteúdo
específico. Eles regulam as formas de interacção entre ensino e a aprendizagem, o professor e o aluno,
cujo resultado é assimilação dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas pelos
alunos. No entanto, distingue-se três (3) métodos mais usados como: Expositivo, Elaboração Conjunta e
Trabalho Independente.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


53

Bibliografia
FERNANDEZ, F. Addine, Didáctica: Teoria y Prática. Habana, 2004.
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica. São Paulo, Cortez Editora, 2008.

NIVAGARA, D. Daniel, Didáctica Geral. Aprender a ensinar. Ensino a distância, UP-Maputo s/d.

PILETTI, Claudino. Didáctica Geral.23ª ed. Cap.10, Avaliação. São Paulo, Editora Ática, 2004.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


54

CAPÍTULO 5

MEIOS E RECURSOS NO PEA

Fig.11: O 5º grupo debatendo a cerca dos Conteúdos do Capítulo.

Elementos do Grupo:

1. Albertina Machel
2. Amália Helena Manjate
3. Amâncio Ernesto Mondlane
4. Berta Ana Filipe
5. Emília Gimo
6. Rafael Jorge Mucalanga
7. Tomas Cumbana
Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016
55

Introdução

O presente capítulo vai debruçar-se sobre os Meios e Recurso do Processo de Ensino-Aprendizagem, suas
classificações, importância dos critérios e princípios da sua utilização. Esses materiais são relevantes para
a concretização do processo de ensino-aprendizagem.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


56

1. Meios de Ensino
Na óptica de LIBÂNEO (2008, p. 173) os meios de ensino são todos recursos materiais utilizados pelo
professor e pelos alunos para a organização e condução metódica do processo de ensino-aprendizagem.

Na perspectiva Pilettiana os meios de ensino são componentes do ambiente de aprendizagem que dão
origem à estimulação para o aluno. O autor classifica os meios da seguinte maneira:

 Recursos visuais: projecções, cartazes e gravuras.


 Recursos auditivos: rádio, gravações.
 Recursos audiovisuais: cinema, televisão.
 Recursos humanos: professor, aluno, pessoal escolar e comunidade.
 Recursos materiais do ambiente (Natural – água, folha, pedra e Escolar – giz, quadro, cartazes):
 Recursos materiais da comunidade: biblioteca, indústrias, lojas, repartições públicas.

1.1 Descrição de alguns Recursos


Cartaz é uma cartolina ou folha de papel contendo uma ou mais ilustrações e uma mensagem. Os
cartazes podem ser de diversos tamanhos e formatos que servem para:

 Comunicar sugestões, recomendações e informações.


 Despertar o interesse por determinado assunto.
 Dar destaque a comemorações, acontecimentos, datas cívicas, etc.

1.1.1 Vantagens do uso dos cartazes


 Despertam a atenção do aluno;
 São facilmente confeccionados;
 Apresentam custo baixo;
 Podem ser confeccionados pelos alunos, servindo assim como um factor de desenvolvimento de
criatividade;
 Estimulam um trabalho de equipa.

Gravuras – são ilustrações retiradas de revistas jornais ou livros. É um material simples e


acessível. As gravuras servem para:

 Motivar o estudante.
 Desenvolver a observação.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


57

 Complementar ou enriquecer a explanação.

1.1.2 Vantagens do uso das gravuras:


 São pouco dispensáveis, pois os jornais e as revistas estão cada vez mais ricos em gravuras.
Os próprios alunos podem colaborar na obtenção desse material.
 Desperta a atenção do aluno e mantém seu interesse por mais tempo.
 Possibilitam um contacto visual do aluno com a realidade.

Esquematizando os recursos humanos, considera-se da seguinte forma:

Comunidade Escolar

Pessoal Escolar

Professores e Alunos.

Fig.12: Esquema sobre os Recursos Humanos

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


58

Com estas imagens, pretende-se fazer perceber a diferença entre Recursos e Meios de ensino no Processo
de Ensino-Aprendizagem e a sua finalidade.

Plantas Pedras Cartaz Caneta, Giz e Apagador

Recursos de Ensino Meios de Ensino

Frutos Gato Livros, Esquadro e Quadro

Motivam e despertam
interesse dos alunos na aula.

Fig. 13:A diferença entre Meios e Recursos de ensino.

1.2 Importância dos Recursos de Ensino


De acordo com PILETTI (2004, p. 154), a boa selecção e utilização dos meios de ensino contribuem para:

 Motivar e despertar o interesse dos alunos na aula,


 Favorecer o desenvolvimento da capacidade de observação.
 Aproximar o aluno da realidade,
 Visualizar ou contextualizar os conteúdos da aprendizagem,
 Oferecer informações e dados,
 Permitir a fixação da aprendizagem,
 Ilustrar noções mais abstractas,
 Desenvolver a experimentação concreta,
 Facilitar a percepção e compreensão dos factos ou conceitos.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


59

1.3 Critérios e Princípios da Utilização dos Recursos de Ensino


De acordo com SCHMITZ (1984, p. 13) A utilização dos recursos de ensino deve ter em conta alguns
critérios e princípios, nomeadamente:
 Ao seleccionar um recurso de ensino deve-se ter em vista os objectivos a serem alcançados;
 Nunca deve-se utilizar um recurso que não seja conhecido suficientemente de forma a poder
empregá-lo correctamente;
 Na escolha dos recursos deve-se levar em conta a natureza da matéria ensinada;
 As condições ambientais podem facilitar ou dificultar a utilização de certos recursos.
 O tempo disponível é outro elemento importante que deve ser considerado. A preparação e
utilização dos recursos exigem um determinado tempo e, muitas vezes, o professor não dispõe
desse tempo. Então deverá buscar outras alternativas, tais como: utilizar recursos que exigem
menos tempo, solicitar a ajuda dos alunos para preparar os recursos, solicitar a ajuda de outros
profissionais.

2. Técnicas de Ensinar
Sendo as técnicas formas concretas de proceder, é necessário ter clareza sobre os seus diversos tipos de
emprega-las. E claro que cada situação, cada disciplina exige técnicas definidas, que geralmente não
únicas e exclusivas. Por isso devem se variar as técnicas, tanto por causa dos assuntos, como atendendo as
características das diversas situações. O autor distingue três tipos de técnicas:

2.1 Técnicas Expositivo ou de Comunicação


Nesta técnica corresponde mais ao método dedutivo, lógico e verbalizado. Há muitas formas de exposição,
desde a simples palavra do professor, até a comunicação de grupo e os meios de comunicação social
(cartazes, áudio visuais e outros). Portanto, caracteriza-se por transmitir uma mensagem codificada, seja
por palavras ou por símbolos visuais ou sonoros.

2.2 Técnicas Interrogativo ou de Indagação


Implica uma comunicação e aprofundamento do diálogo dos assuntos ou confronto entre diversas
opiniões. Uma das características desta técnica é que não são meras informações ou generalizações como
geralmente acontece na técnica expositivo, existe um elemento de dúvida ou de indagação que é
respondida de várias formas, seja através da resposta oral, pela pesquisa ou reflexão.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


60

2.3 Técnicas de Pesquisa ou Experimentação


São fundamentalmente individuais, embora possam ser realizadas em grupo. Consiste na procura dos
elementos fundamentais de uma situação na sua análise, na posterior síntese e, na comunicação dos
resultados. É uma técnica de alto valor educativo e de grande rendimento.

3. Critérios para Utilização dos Métodos e Técnicas


O critério principal para a decisão sobre o qual o método e técnica que se deverá adoptar, deve ser o que
atende a situação concreta. Um bom método e técnica precisa atenderem as características, capacidades,
objectivos, aspirações, necessidades, possibilidades, recursos e circunstâncias, não só do aluno, mas
também do seu ambiente e de todos elementos envolvidos no processo da educação.

4. Relação dos Métodos e Meios no interior do PEA


Os meios exercem grande influência sobre os métodos, o que em boa medida é extremamente salientar
que os métodos devem adequar-se permanentemente ao desenvolvimento tecnológico de sua época e de
seu lugar para estarem sempre propondo formas motivadoras de ensino, propiciando o acesso do aluno aos
mais eficazes instrumentos informativos, formativos e avaliativos que a sociedade dispõe para fomentar
actividades das mais distintas naturezas e variados níveis de complexidade aos seus alunos.

É preciso ressaltar que não existe nenhum meio de ensino que possa ser utilizado com êxito sem que se
submeta a um método prévio que venha a se responsabilizar pelo estabelecimento das estratégias e
procedimentos segundo os quais se fará efectivamente o uso dos meios ao longo do processo de ensino-
aprendizagem. Especialmente após o advento das novas tecnologias da informação e comunicação,
recursos audiovisuais mais modernos, como computadores, software educacionais, redes telemáticas,
equipamentos multimédia. Os meios parecem ter adquirido alguma autonomia perante os métodos, com
isso ultrapassaram o limite de sua esfera de actuação e comprometeram a concepção sistémica e dinâmica
do processo de ensino-aprendizagem. (Idem, p. 22)

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


61

5. Reflexão dos Aspectos achados Relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola.


Para minimizar a falta ou insuficiência de meios de ensino, o professor deve ser criativo, reciclar alguns
pedaços de pano e esponja para fazer apagador e produzir outros meios com base no material local.Com a
introdução do novo currículo, surgiram novas disciplinas que necessitam de meios e materiais didácticos,
o professor não deve se justificar que não leccionou, por falta de material.Com base de material precária
pode realizar varias actividades que por vezes podem ser mais criativas e educativas do que quando tiver
material já preparado.

O uso dos meios/recursos de ensino no PEA, tem importância na medida em que motiva e desperta
interesse dos alunos na aula; ajuda transparecer a matéria, levando o aluno a compreender os factos reais e
serve ainda para concretizar a aprendizagem do aluno.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


62

Conclusão
Os meios e recursos de ensino são elementos indispensáveis para o PEA, visto que permitem a
concretização da aula, motiva e desperta interesse dos alunos na aula facilitando deste modo a percepção
do aluno e compreensão dos factos e conceitos. A selecção dos meios e recursos dependem do tipo de aula
e das condições concretas em que estas vão decorrer, deste modo o professor deve ter o domínio para fazer
a selecção e o uso correcto dos mesmos.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


63

Bibliografia
LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica. São Paulo, Cortez Editora, 2008.

PILETTI, Claudino. Didáctica Geral.23ª ed. Cap.10, Avaliação. São Paulo, Editora Ática, 2004.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


64

CAPÍTULO 6

AVALIAÇÃO PEDAGÓGICA NO PEA

Fig.14: 5Grupo debatendo acerca dos conteúdos do Capítulo

Elementos do Grupo:

1. Emília Gaspar Mabunda


2. João BairesseGimo
3. José Mateus Zandamela
4. Leia Luís
5. Manuela Benilde Sebastião Langa
6. Noémia David Macovo
7. Paula Lopes Macaringue
8. Rosita Angelina Novela.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


65

Introdução
Este capítulo tem como finalidade fazer uma abordagem sobre os aspectos relativo a avaliação pedagógica
de aprendizagem. Procura também identificar o conceito de avaliação, seus objectivos, funções e tipos,
bem como identificar as etapas do processo de avaliação pedagógica.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


66

1. Conceitos Básicos
Avaliação é uma tarefa didáctica necessária e permanente do trabalho docente que deve acompanhar passo
a passo o processo de ensino e aprendizagem. (Libâneo, 2008)

Segundo o professor Cipriano Carlos citado pelo Libâneo, avaliação é uma apreciação qualitativa sobre
dados relevantes do processo de ensino e aprendizagem que auxilia o professor a tomar decisões sobre o
seu trabalho.

No âmbito escolar, Libâneo considera avaliação escolar como um componente do processo de ensino que
visa, através da verificação e qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes
com os objectivos propostos e, dai, orientar a tomada de decisões em relação as actividades didácticas
seguintes.

2. Tarefas da Avaliação
Nos diversos momentos do processo do ensino, Libâneo destaca as seguintes tarefas de avaliação a
verificação, a qualificação e apreciação qualitativa.

 Verificação: consiste na colecta de dados sobre o aproveitamento dos alunos, através de provas,
exercícios e tarefas ou de meios auxiliares como observação de desempenho e entrevistas;
 Qualificação: faz-se a comprovação dos resultados alcançados em relação aos objectivos e,
conforme o caso, atribuição de notas ou conceitos;
 Apreciação qualitativa: é avaliação propriamente dita dos resultados, referindo-os a padrões de
desempenho esperados.

3. Tipos de Avaliação
Nivagara distingue três tipos de avaliação no PEA, nomeadamente avaliação diagnostica, formativa ou
continua e sumativa.

3.1 Avaliação Diagnóstica


Este tipo de avaliação realiza-se no início do curso, do ano lectivo, do semestre, da unidade ou dum novo
tema. Esta avaliação deve ser realizada no início de novas aprendizagens em qualquer momento da aula.
Pode concluir-se então que a avaliação diagnóstica tem como objectivo verificar o domínio de pré-
requisitos necessários para aprendizagens posteriores. Estes pré-requisitos constituem o ponto de partida
para estabelecer uma estratégia do PEA adequada para os alunos, de forma que o professor possa ajudar a

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


67

todos os seus alunos a terem o domínio do saber, saber fazer e saber ser/estar correspondentes à objectivos
considerados fundamentais.

3.2 Avaliação Formativa


Este tipo de avaliação realiza-se continuamente ao longo das aulas. Também tem uma função formativa,
uma vez que dá a conhecer ao professor e ao aluno se os objectivos estão a ser alcançados, identifica os
obstáculos que estão a comprometer a aprendizagem, permitindo assim estabelecer estratégias que ajudem
os alunos e os professores a ultrapassar as dificuldades detectadas.
A Ana Pais & Manuela Monteiro (1996, pp. 43-49) subdivide este tipo de avaliação no seu livro intitulado
“Avaliação – uma Prática Diária” em duas partes: Avaliação Formativa e Avaliação Formadora, mas
segundo os autores, essas se complementam.

Pais e Monteiro citando Despacho Normativo 338/93, a avaliação formativa é um elemento integrante da
prática educativa que permite a recolha sistemática de informação e a formulação de juízos para a tomada
de decisões adequadas às necessidades dos alunos e do sistema educativo.
Esses autores citando Scriven e Nunziati, fazem a distinção entre a avaliação formativa e a avaliação
formadora, na qual a primeira dirige-se mais para o professor com a finalidade de levar o professor a
actualizar os seus conhecimentos didácticos, a cultivar coerência entre os seus critérios, as escolhas
didácticas e a auto-valorização da sua personalidade perante o aluno. Em outras palavras, diríamos que a
avaliação formativa assegura que os processos se adeqúem as características dos alunos, permitindo a
adaptação do ensino às diferenças individuais.
Avaliação Formadora constitui um percurso de avaliação conduzida por aquele que aprende (alunos) e é
um instrumento de construção dos conhecimentos que o aluno precisa de adquirir. Em esquema abaixo,
visualiza-se as características de cada tipo de avaliação.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


68

Avaliação Formativa
Professor

Formativa Formadora

Aluno
• Actualizar os seus conhecimentos didácticos;
• A procurar coerências entre os seus critérios e Constitui instrumento de
as escolhas didácticas; construção dos conhecimentos que
• A relativizar o peso da sua pessoa no o aluno precisa de adquirir.
comportamento de avaliador.

Fig. 15: A subdivisão de Avaliação Formativa


Fonte: Adaptado de Ana Pais e Manuela Monteiro

No entanto, uma avaliação formativa no verdadeiro sentido da palavra não resulta sem uma regulação
individualizada das aprendizagens. O que significa que a mudança das práticas de avaliação deve ser
acompanhada por uma transformação do ensino, da gestão da turma, de uma atenção especial aos alunos
com dificuldades.
Uma avaliação formativa, de acordo com os autores coloca a disposição do professor informações mais
precisas, mais qualitativas sobre os processos de aprendizagem, as atitudes e tudo o que os alunos
adquiram.
Tendo em conta a função reguladora, é importante não esquecer que a avaliação não é um fim em si. Daí
que seja essencial discutir e negociar os critérios de avaliação para encontrar soluções e tomar decisões.
Não basta apenas conhecer os critérios da avaliação, há que discuti-los e explica-los. Portanto, os
objectivos e os critérios deverão ser claros e bem entendidos pelos intervenientes. (PAIS &MONTEIRO,
1996, pp. 46-47).
Nunziati no livro de Pais & Monteiro, apresenta basicamente dois tipos de critérios: Os critérios de
realização e os critérios de sucesso.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


69

Critérios de Realização – indicam o que se espera dos alunos, visam a regulação de aprendizagem, e
permitem a sua reorientação (aluno e professor).
Critérios de sucesso–referem-se aos produtos da aprendizagem; são critérios de incidência sumativa, pois
incidem mais sobre os produtos que sobre os processos. (Ibid. 47).

3.3 Avaliação Somativa/sumativa


Faz-se no fim de uma determinada etapa de aprendizagem (unidade, trimestre, semestre, ano ou curso),
portanto, é momento de se medir a distância a que o aluno ficou das metas pré-estabelecidas, ou seja,
avaliar se os objectivos traçados foram ou não alcançados pelos alunos.
O importante, em nosso entender, é que a avaliação, contrariamente ao que fazem muitos professores, não
deve servir apenas para «dar notas» aos alunos, classifica-los, mas sim como um instrumento valioso para
condução do PEA. Para o efeito, se impõe ao professor a realização não apenas da avaliação sumativa,
mas cada vez mais da avaliação diagnóstica e formativa. (Nivagara, s/d, pp. 126-130).

De acordo com L. C. Ribeiro, citado por Pais e Monteiro (1996, p. 49) a avaliação sumativa pretende
ajuizar do progresso realizado pelo aluno no final de uma unidade de aprendizagem, no sentido de aferir
resultados já recolhidos por avaliações de tipo formativo e obter indicações que permite aperfeiçoar o
processo de ensino. A avaliação sumativa complementa um ciclo de avaliação em que já foram utilizadas
a avaliação diagnostica e a Formativa. Portanto, no decurso do PEA, ela tem uma função formativa, uma
vez que permite adequar o ensino às necessidades de aprendizagem dos alunos.
Em suma, a avaliação sumativa constitui sempre um balanço final, um balanço de resultados no final de
um segmento de ensino aprendizagem.

De um modo geral, segundo os autores, pode se dizer que os três tipos de avaliação aparecem associados
pela complementaridade das suas funções e podem, por isso, ser utilizados em qualquer altura do ano
lectivo. Vede o esquema a baixo. (Idem, p. 50).

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


70

Avaliação Diagnostica

os três tipos de
avaliação
complementam-se
através das suas
funções e podem ser
utilizados em
qualquer altura do
ano lectivo.
avaliação sumativa
Avaliação Formativa

Fig. 16: Associação dos tipos de avaliação

4. Finalidades de Avaliação
Segundo o manual de apoio e avaliação pedagógico, a avaliação dos alunos é um elemento indispensável
para uma prática educativa integrada, ou seja, é um elemento chave no processo de ensino.

O processo de avaliação tem como finalidade:

 Determinar a selecção dos métodos e recursos educativos para situação específica da aula;
 Orientar o professor na identificação das dificuldades dos alunos, na sua relação com o aluno, bem
com outros professores e pais/encarregados de educação, na busca de soluções para colmatar
algumas dificuldades;
 Auxiliar aos alunos na formação e consolidação do seu próprio processo educativo.
 Melhorar a qualidade do sistema educativo através da introdução de alterações curriculares,
melhorando deste modo a qualidade das estratégias do ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


71

5. Objectivos da Avaliação

5.1 Relativamente ao Aluno:


 Consciencializar o aluno sobre os pontos fortes e francos do seu desempenho;
 Estimular o gosto e interesse pelo estudo a superar as dificuldades encontradas no PEA
 Desenvolver nos alunos uma atitude crítica e participativa, em relação ao PEA, tendo em vista o
desenvolvimento das suas próprias potencialidades.

5.2 Relativamente ao Professor:


 Identificar o nível do desempenho do aluno, os principais problemas e os factores associados;
 Adequar os métodos e matérias de ensino-aprendizagem utilizando a informação recolhida sobre o
desempenho dos alunos;
 Informar regularmente, aos pais sobre o progresso (qualitativo e quantitativo), dos seus educandos.

5.3 Relativamente aos Pais:


 Sugerir em conjunto com o professor e o director da escola, formas e actividades apropriadas para
a melhoria do desempenho do seu educando e da escola em geral.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


72

Os objectivos de avaliação enquadram-se nos três intervenientes do processo de ensino-aprendizagem


(Aluno, Professor e Pais ou encarregados de Educação), como pode-se observar através do esquema a
seguir.

Objectivos de avaliação

Pais/Encarregados
da Educação
Alunos Professor

- Consciencializar o aluno - Identificar o nível do Sugerir com o professor e a


sobre os pontos fortes e desempenho do aluno;
francos do seu desempenho; direcção da escola, formas e
- Adequar os métodos e actividades apropriadas para
- Estimular o gosto e
materiais do EA do aluno;
interesse pelo estudo; a melhoria do desempenho
- Desenvolver uma atitude
- Informar regularmente aos do seu educando e da escola
crítica e participativa, em pais sobre o progresso dos
relação ao PEA. seus educandos, em geral.

Fig. 17:Objectivos de avaliação

6. Método de Avaliação
Segundo PCEB, são propostas para avaliação os seguintes métodos: Formal e informal

● Formal- consiste na realização periódica de teste referenciado a critérios. O uso deste método requer
uma organização, planificação que possa ajudar o professor e o aluno a atingir os seus objectivos
preconizados.

● Informal- consiste numa avaliação levada a cabo dia a dia muitas das vezes realizada de uma forma
casual dentro ou fora da sala.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


73

7. Funções de avaliação
Segundo LIBÂNEO, avaliação escolar cumpre pelo menos três funções: Pedagógico-didáctica,
diagnóstico e de controlo.

7.1 A função pedagógico-didáctica– se refere ao papel da avaliação no cumprimento dos objectivos gerais
e específicos de educação escolar. Cumprindo a sua função didáctica, a avaliação contribui para
assimilação e fixação, pois a correcção dos erros cometidos possibilitam o aprimoramento, a ampliação e
aprofundamento de habilidades, e desta forma o desenvolvimento das capacidades cognoscitivas.

7.2 A função diagnóstica– permite identificar progressos e dificuldades dos alunos e actuação do
professor que por sua vez determina modificações do processo do ensino para melhor cumprir as
exigências dos objectivos.

7.3 A função de controlo – se refere aos meios e frequência das verificações e de qualificação dos
resultados escolares, possibilitando o diagnóstico das situações didácticas.

8. Fases/Etapas de Avaliação
O processo de avaliação compreende as seguintes fases:

 Planificação da avaliação É a condição necessária para o sucesso de qualquer actividade humana,


contribui na melhoria da forma como os alunos aprendem e como são orientados.
 Obtenção da informação A informação pode ser obtida através de um conjunto de técnica e
instrumentos tais como: perguntas informais, testes, questionários, inventários e entrevistas.
 Formulação de juízos de valores Nesta fase o professor faz uma descrição das competências e
dificuldades que o aluno apresenta na aprendizagem de um determinado conteúdo.
 Tomada de decisões Esta constitui a 4ª fase absolutamente decisiva no processo de aprendizagem e
enfatiza a importância das fases precedentes. O professor após a formulação de juízos de valores,
terá que tomar decisões acertadas com base a opinião que tiver emitido.

9. Auto-avaliação
BROWN & SMITH (2000, p. 128) acreditam a auto-avaliação como a capacidade que os estudantes têm
de se avaliar em si mesmo e aos seus colegas, e na importância de utilizar a avaliação por eles feita em
grupo. Para ele, os estudantes aprendem muito uns com os outros, e quando temos um grande numero de
alunos.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


74

Conclusão
A avaliação pedagógica de aprendizagem constitui em linhas gerais, operações fundamentais da avaliação
de resultados de ensino.

A função de avaliar tem hoje um lugar preponderante em qualquer operação de planificação sistemática e
nos mais diversos domínios educacionais. Compreende se facilmente o porquê, num plano modesto ou de
grande dimensão, a curto ou a longo prazo, visam se sempre metas ou objectivos que importam atingirem.

O processo de avaliação visa também orientar o professor na sua relação com o aluno e a comunidade
escolar, permitido desta forma melhorar a qualidade do sistema educativo através da introdução de
alterações curriculares e a escolha de estratégias eficazes de ensino. Para tal, a avaliação deve ser
dinâmica, contínua e sistemática, em toda a sua extensão.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


75

Bibliografia
BROWN, S., SMITH, B..500 Tipson Assessment, Editorial Presença, Lisboa, 2000.

LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica, Avaliação escolar. S. Paulo Cortez Editora, 2008.

MINED-INDE, Plano Curricular do Ensino Básico, 2008.


MINED-INDE, Regulamento Geral do Ensino Básico, 2009.
PAIS, A., MONTEIRO, M., Avaliação – uma Prática Diária, Editorial Presença, Lisboa, 1996.
RIBEIRO, António Carrilho e CARRILHO, R. Lucie. Planificação e Avaliação do ensino-aprendizagem.
Univesidade Aberta, Lisboa-2003.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


76

CAPÍTULO 7

TÉCNICAS E INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO

Fig. 18:7 Grupo debatendo a cerca dos conteúdos do Capítulo.

Elementos do Grupo:

1. Aida Luísa
2. Angelina Francisco Sambo
3. Bento Soares Sambo
4. Célia José Patrique
5. Cláudia C. Mahumane
6. Ercília Bento Manhiça
7. Ilídio Armando Punguane
8. Marcelino Custódio Timbe
9. Mary Conceição Quingui

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


77

Introdução
O presente capítulo aborda as Técnicas e Instrumentos de Avaliação que são procedimentos que
acompanham a evolução estudantil.

Este capítulo tem como objectivo aprofundar a utilização das técnicas e instrumentos comuns de avaliação
como: prova escrita dissertativa, prova escrita de questões objectivas, questões certo-errado (C ou E),
questões de lacunas (para completar), questões de correspondência, questões de múltipla escolha, questões
do tipo “ teste de respostas curtas” ou de evocação simples, questões de interpretação do texto, questões de
ordenação, questões de identificação, observação sobre as provas escritas.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


78

1. Técnicas e Instrumentos de Avaliação


Piletti distingue várias técnicas e instrumentos de avaliação (Diagnóstica, Formativa e Somática). Na
avaliação diagnóstica, podemos utilizar o pré-teste, o teste diagnóstico, a ficha de observação ou qualquer
outro instrumento elaborado pelo professor; na avaliação formativa, temos as observações, os exercícios,
os questionários e as pesquisas; na avaliação somática, os dois tipos de instrumentos mais utilizados são
as provas objectivas e as provas subjectivas.

Em relação as técnicas e instrumentos de avaliação, o autor agrupa-osem:

Medidas de rendimento escolar - visam verificar a quantidade de rendimento que o aluno apresenta.
Portanto, as medidas de rendimento escolar dividem-se em dois tipos:

Provas objectivas: classificam-se em três grupos que são: escolha de uma resposta, evocação de uma
resposta e ordenação de elementos

a) Escolha de uma resposta – este tipo de provas caracteriza-se em:


 Verdadeiro ou falso – consiste em apresentar afirmativas, para que sejam indicadas as certas e
as erradas;
 Múltipla escolha - consiste em apresentar afirmativa incompleta seguida de vários conceitos;
 Associação – consiste em apresentar duas relações de palavras, fases ou símbolos, para que s
alunos associem os conceitos correlacionados.
b) Evocação de uma resposta: engloba os seguintes aspectos
 Completar lacunas - consiste em apresentar frases nas quais faltam palavras importantes, que
deverão ser descobertas pelos alunos.
 Ordenação – consiste em apresentar uma serie de conceitos que deverão ser numerados numa
ordem determinada (cronológica, de importância, de complexidade, etc); evocação – consiste em
fazer uma pergunta que admite resposta simples, imediata, definida, específica e provavelmente
indiscutível;
 Evocação – consiste em fazer uma pergunta que admite resposta simples, imediata, definida,
específica e provavelmente indiscutível.
c) Ordenação de elementos – enquadra os seguintes aspectos ordenação e Montagem.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


79

Provas subjectivas – oferecem estímulos que permitem ao aluno apresentar respostas correctas, segundo o
seu ponto de vista (instruções para escrever, desenhar, esboçar; perguntas e dissertações; frases
incompletas; estímulos verbais e objectos).

2. Procedimentos Auxiliares de Avaliação


Os professores estão sempre interagindo com as crianças nas mais variadas situações escolares: na sala de
aulas, no recreio, nas visitas e passeios fora da escola. A observação dos alunos nessas situações é um
importante procedimento de avaliação.

A observação – visa investigar, informalmente, as características individuais em grupo de alunos, tendo


em vista a identificar os factores que influenciam aprendizagem e o estudo das matérias e na medida do
possível modificado. Entre esses factores podemos citar; as condições prévias dos alunos para enfrentar a
matéria, o tipo de relacionamento entre o professor e os alunos e entre eles, as características
socioculturais dos alunos, a linguagem do professor e dos alunos, as experiencia vividas no meio social e
familiar, a percepção positiva ou negativa em relação à escola e ao estudo.

Para extrair dados da observação que permitam um melhor conhecimento dos alunos individualmente e da
classe como grupo, para aperfeiçoar o processo de ensino e aprendizagem, o professor deve tirar
conclusões após observar os alunos em várias situações de forma que o resultado da observação, não seja
uma simples opinião, mas sim, uma avaliação fundamentada. Caso o professor deseja fazer uma avaliação
mais sistemática de alguns alunos, pode registar observação numa ficha, que cada vez que observar um
aluno assinala ao lado de cada item uma apreciação que pode ser: sempre, quase sempre, raramente, muito
bom, bom, satisfatório ou insatisfatório;

Entrevista – é uma técnica simples e directa de conhecer e ajudar a criança do desempenho escolar, deve
ter sempre um objectivo: ampliar os dados que o professor já tem, tratar de um problema específico
detectado nas observações, esclarecer dúvidas, quanto a determinadas atitudes e hábitos da criança. A
entrevista requer um relacionamento amigável do professor com a criança: colocá-la a vontade, fazer
perguntas claras e compreensíveis, deixá-la falar a maior parte do tempo. (Libâneo 2008, pp. 213-216)

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


80

Ficha sintética de dados dos alunos

É uma ficha individual de registo simples. Pode-se utilizar um caderno comum e indicar em cada folha os
itens necessários, da seguinte forma. A ficha contém dados individuais de cada aluno: nome, apelido,
idade, endereço, nome dos parentes. (Ibid.).

2.1 Atribuição de Notas ou Conceitos


A avaliação escolar tem uma função de controlo, expressando os resultados em notas ou conceitos que
comprova a quantidade e qualidade dos conhecimentos adquiridos em relação aos objectivos.

Neste contexto, as notas ou conceitos traduzem, de forma abreviada, resultados do processo de ensino -
aprendizagem, não é objectivo de ensino apenas expressar níveis de aproveitamento escolar em relação
aos objectivos propostos.

O sistema de notas brasileiro situa o aproveitamento de alunos numa escala numérica de 1 a 10 e o sistema
de conceitos usa menções (excelente, bom, satisfatório e insatisfatório). (Idem).

No contexto Moçambicano a escala numérica é de 1 a 20. Portanto, é possível conjugar os dois sistemas,
primeiro atribuindo notas localizando-as na escala de conceitos.

3. Princípios da Avaliação
Segundo PILETTI (2004, p. 194) para que a avaliação adquira a importância que tem no processo de
ensino-aprendizagem, é necessário seguir, alguns princípios:

a) Estabelecer com clareza o que ser avaliado;


b) Seleccionar as técnicas adequadas aos mesmos fins;
c) Utilizar na avaliação uma variedade de técnicas;
d) Ter consciência das possibilidades e limitações das técnicas de avaliação;
e) A avaliação é um meio para alcançar fins e não um fim em si mesma.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


81

4. Reflexão dos Aspectos achados relevantes sobre o Trabalho Realizado na Escola.


Em relação as técnicas e instrumentos de avaliação usadas pela professora, são de múltipla escolha, pois, o
aluno prova a capacidade que tem de poder analisar os conceitos, censurar e não ser um mero adivinhador
e de prova escrita, porque permite com que o professor avalie o desenvolvimento e a compreensão dos
conteúdos por parte do aluno.

Partindo das ideias acima referenciadas, concluímos que não existe uma técnica mais importante que a
outra, visto que todas permitem a recolha e analise dos dados sobre o desempenho dos alunos.

Das várias técnicas ou procedimentos auxiliares de avaliação, as que têm sido viáveis são as de
observação, porque o professor avalia as capacidades e habilidades dos alunos e também a entrevista
porque permite com que o professor tenha informação sobre o meio social em que o aluno vive. Sobre o
impacto das técnicas e instrumentos de avaliação utilizados pelos professores, os resultados obtidos
permitem perceber a evolução progressiva na compreensão dos conteúdos em paralelo aos objectivos da
classe.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


82

Conclusão
As técnicas e instrumentos de avaliação são indispensáveis para acompanhamento do rendimento
pedagógico individual do aluno, fundamentando as técnicas defendidas por alguns pedagogos, pois, o
docente implementa com vista ao alcance do sucesso da sua actividade. É a partir das técnicas e
instrumentos de avaliação, que no PEA é refeita a classificação do trabalho docente.

Com base nas técnicas e instrumentos de avaliação torna-se possível o controlo do desempenho dos
alunos e, com esses procedimentos, o professor ajuda o aluno a desenvolver as suas capacidades
cognitivas.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


83

Bibliografia
LIBANEO, José Carlos. Didáctica. São Paulo, Cortez Editora, 2008;

NIVAGARA, D. Daniel, Didáctica Geral. Aprender a ensinar. Ensino a distância, UP-Maputo s/d.
PILETTI, Claudino. Didáctica Geral.23ª ed., São Paulo, Editora Ática, 2004.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


84

Conclusão Geral
Resumindo a Didáctica Geral é uma das disciplinas que geralmente usa-se nos sistemas de formação de
professores, se coloca ao centro da formação pedagógica do professor contribuindo significativamente
para desenvolver a compreensão da prática de realização do processo de ensino e aprendizagem que
favoreça um ensino activo e, ainda, desenvolver a capacidade de reflexão do professor sobre o PEA e
sobre a sua prática, de modo a poder melhorá-los. Dos vários conteúdos abordados nesta cadeira, conclui-
se que a planificação lectiva é essencial para um ensino de qualidade, na medida em que representa a
síntese do trabalho de preparação do processo do ensino aprendizagem em todos os níveis. É através da
planificação que se proporciona a forma didáctica básica de organização do processo do ensino (Aula),
onde são criadas, desenvolvidas, e transformadas as condições necessárias para que os alunos assimilem
os conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções que lhes vão ajudar a desenvolver as suas
capacidades cognitivas.

Para que a aula tenha êxito, é necessário que o professor seleccione e domine os métodos para que estes
regulem as formas de interacção entre o ensino e a aprendizagem, entre o professor e os alunos, cujo
resultado é assimilação dos conhecimentos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas dos alunos.
Os meios e recursos de ensino são elementos indispensáveis para o processo de ensino e aprendizagem,
entretanto é necessário que o professor saiba seleccionar os mesmos de acordo o tipo de aula e das
condições concretas em que estas vão decorrer. Após a concretização e assimilação dos conteúdos, surge a
necessidade de avaliar para uma reflexão sobre o nível de qualidade de trabalho escolar tanto do professor
como dos alunos. Avaliação tem como finalidade orientar o professor na sua relação com o aluno e a
comunidade escolar, permitindo desta forma melhorar a qualidade do sistema educativo através da

introdução de alterações curriculares e a escolha de estratégias eficazes de ensino.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016


85

Bibliografia Geral
BROWN, S., SMITH, B..500 Tipson Assessment, Editorial Presença, Lisboa, 2000.

CANDAU, Vera Maria. A Didáctica em questão.17ª ed., Petrópolis, Editora Vozes, 1999.

FERNANDEZ, F. Addine, Didáctica: Teoria y Prática. Habana, 2004.

LIBÂNEO, José Carlos. Didáctica, São Paulo, Cortez Editora, 2008.

MINED-INDE, Plano Curricular do Ensino Básico, 2008.

MINED-INDE, Regulamento Geral do Ensino Básico, 2009

NIVAGARA, D. Daniel, Didáctica Geral: Aprender a ensinar, Ensino a Distância, UP-Maputo s/d.

PAIS, A., MONTEIRO, M., Avaliação – uma Prática Diária, Editorial Presença, Lisboa, 1996.
PILETTI, Claudino. Didáctica Geral.23ª ed. Editora Ática, São Paulo, 2004.

RIBEIRO, A. C. e RIBEIRO L. C.; Planificação e Avaliação do ensino-aprendizagem. Lisboa, 2003.

Sebenta de Didáctica Geral – Maputo/2016