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PEA CAXIAS

Programa de Educação Ambiental


com Foco em Resíduos Sólidos

PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

Livro Técnico

Manual Básico de Hortas Agroecológicas

Rio de Janeiro
Junho de 2008
O Livro Técnico do Projeto Hortas Orgânicas Escolares pertence ao Programa
de Educação Ambiental com Foco em Resíduos Sólidos – PEA Caxias.

PRODUÇÃO E IDEALIZAÇÃO
PEA CAXIAS

Produção de texto e conteúdo do Manual Básico de Hortas Agroecológicas


COOPERATIVA FLOREAL

Capa e projeto gráfico


Marcelo Baêta de Souza Lima

Revisão
Maria Cristina de Assis

EQUIPE TÉCNICA PEA CAXIAS

Coordenação Geral
Jorge Osvaldo Francisco Ferreira
Engenheiro Ambiental e Sanitarista

Coordenação Executiva
Maria Cristina de Assis
Comunicadora Social e Gestora Ambiental

Consultoria Técnica em Biologia


Elisabete Helena Goeldner de Almeida
Bióloga com especialização em Saúde Pública
CRB-2 n.º 450

Consultoria Técnica em Educação Ambiental


Jony Azevedo Godinho
Biólogo e Educador Ambiental

Programa de Educação Ambiental com Foco em Resíduos Sólidos - PEA CAXIAS


Rodovia Washington Luis, 13.501 – Figueira – CEP 25230-005 - Duque de Caxias - RJ
Telefones: 21 2773-0420 / 2773-0412 - ramal 38
E-mail: peacaxias@yahoo.com.br

“COPYLEFT – É livre a reprodução total, parcial ou citações desta obra, desde que seja citada a fonte e que não
seja para fins comerciais.
O conteúdo desse manual é fruto do aprendizado junto aos agricultores e agricultoras, que muito nos ensinaram
e ainda nos ensinam. É também inspirado nos trabalhos de grupos parceiros que muito contribuem no resgate e
na construção do conhecimento agroecológico.
Esperamos que a livre divulgação desses conteúdos venha a contribuir com a educação ambiental.”
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

APRESENTAÇÃO

A Educação Ambiental é considerada uma atividade estratégica por ser


a opção mais viável para o esclarecimento da atual e das novas gerações
quanto ao comportamento harmonioso que deve existir entre as atividades
humanas e o patrimônio ambiental, local e global.

Dentro dessa visão, a PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE


CAXIAS, em parceria com a DELTA CONSTRUÇÕES S.A., empresa respon-
sável pela coleta de lixo no município de Duque de Caxias, está implantando o
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL COM FOCO EM RESÍDUOS SÓ-
LIDOS - PEA, que é composto por cinco projetos específicos, a saber:

• PROJETO VETORES URBANOS E SUAS DOENÇAS


ratos, baratas e mosquitos.
• PROJETO COOPERATIVA COMUNITÁRIA DE COLETA SELETIVA
reciclagem de material.
• PROJETO PARA PRODUÇÃO DE VÍDEOS AMBIENTAIS COM FOCO EM
RESÍDUOS URBANOS.
• PROJETO TEATRO MAMBEMBE 3
Lixo no Lugar Errado, To Fora!
• PROJETO HORTA ORGÂNICA A PARTIR DO REAPROVEITAMENTO DO LIXO.

Como fonte específica de consulta de informações ambientais sobre os


temas desenvolvidos pelo Programa, a PREFEITURA MUNICIPAL DE DUQUE DE
CAXIAS e a empresa DELTA CONSTRUÇÕES S.A., apresentam este Livro Técni-
co sobre Horta Orgânica como fonte de pesquisa e estudo para professores e
alunos da rede escolar municipal.
Para elaboração do presente Livro Técnico, o PEA CAXIAS estabeleceu
uma parceria com a Cooperativa de Trabalhadores em Agroecologia Floreal,
face sua experiência consagrada na Baixada Fluminense, sendo todo o conteú-
do deste Livro supervisionado, revisado e aprovado pela equipe técnica de
implementação do PEA CAXIAS.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

ìndice

APRESENTAÇÃO 3
SOBRE A COOPERATIVA FLOREAL 5
O QUE É AGROECOLOGIA? 6
AGRICULTURA URBANA 7
O PAPEL DAS HORTAS EM ESCOLAS 9

Capítulo 1 - SOLO 11

Capítulo 2 - ADUBAÇÃO 15
2.1. Compostagem ............................................................................ 16
2.2. Utilização de esterco curtido ......................................................... 17
2.3. Adubação verde.......................................................................... 17
2.4. Vermicomposto .......................................................................... 18
2.5. Adubação foliar com biofertilizante ................................................ 18
2.6. Adubação mineral natural ............................................................ 18

Capítulo 3 - PREPARO DA HORTA 19


3.1. Tipos de canteiro ........................................................................ 21
4
3.2. Canteiro de espontâneas ............................................................. 21
3.3. Cultivo com pouca terra ............................................................... 21

Capítulo 4 - PLANTIO E PROPAGAÇÃO 23


4.1. Por semente............................................................................... 24
4.2. Por bulbos ................................................................................. 24
4.3. Por tubérculo ............................................................................. 24
4.4. Por estaca ................................................................................. 25
4.5. Por rizoma ................................................................................. 25
4.6. Associações boas e ruins entre plantas .......................................... 26
4.7. Quadro de plantio ....................................................................... 27
4.8. Cuidados com a horta ................................................................. 28

Capítulo 5 - CONTROLE DE PRAGAS 29


5.1. Insetos ...................................................................................... 30
5.2. Doenças .................................................................................... 32
5.3. Controle biológico ....................................................................... 32
5.4. Controle natural ......................................................................... 32

Capítulo 6 - PLANTAS MEDICINAIS 35


6.1. Uso das plantas medicinais .......................................................... 36
6.2. Algumas plantas e seus preparados .............................................. 40

REFERÊNCIAS 48
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

SOBRE A Cooperativa Floreal

Inserida no contexto da Baixada Fluminense, especificamente em São João


de Meriti, a Cooperativa de Trabalhadores em Agroecologia Floreal surge com o
propósito de prestar assessoria e serviços técnicos com bases agroecológicas.
Considerando de extrema importância questionar a forma degradante
em que as cidades se organizam, priorizamos resgatar e estimular práticas
tradicionais de relação com a natureza. Tratamos deste ponto incentivando: o
cultivo de hortas em quintais, o manejo ecológico de animais, o conhecimento
de ervas e plantas que atuam no combate a enfermidades, o tratamento corre-
to de árvores em ambientes urbanos, produção de material didático (livros,
cartilhas e apostilas) e principalmente o fortalecimento de experiências volta-
das à agricultura ecológica rural e urbana com as quais temos contato por
meio de encontros para troca de conhecimentos e experiências.
A Cooperativa Floreal atua junto a APAC – Associação dos Produtores Autô-
nomos do Campo e da Cidade - localizada em Coelho da Rocha, São João de Meriti.
A APAC nasceu em meados dos anos 80 com o objetivo principal de estabelecer
relações de solidariedade e apoio-mútuo entre trabalhadores urbanos e rurais.
Atualmente gerimos a Horta Comunitária Cativar e Cultivar na sede desta
associação. A horta tem como objetivo principal produzir alimentos saudáveis
através de um espaço que integre as relações de solidariedade dentro da co- 5
munidade. As atividades no terreno ocorrem em forma de mutirões, com o
intuito de trocar experiências e reforçar o caráter do trabalho coletivo.

EQUIPE FLOREAL
Robledo Mendes da Silva
Licenciado em Ciências Agrícolas

Carlos Augusto Gouveia da Silva


Graduando em Engenharia Florestal

Carolina Chaves Peçanha


Graduanda em Zootecnia

Mario Henrique Queiroz da Silva


Geógrafo

Igor Pereira Conde


Licenciando em Ciências Agrícolas

Rafael Barcelos de Almeida Torrão


Graduando em Agronomia

FLOREAL
FLOREAL
COOPERATIVA DE
TRABALHADORES EM
AGROECOLOGIA
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

O que é Agroecologia?

Para entendermos o que é este conceito da Agroecologia, não podemos


pensar apenas na produção de alimentos sem agrotóxicos, mas sim em uma
agricultura que preserve o meio ambiente e busque relações sócio-econômicas
justas entre produtores e consumidores.
A agroecologia procura aproximar novamente homem e natureza, tendo
em vista que através dos anos, o crescimento desordenado das cidades trouxe
entre outros problemas, uma relação onde a maior parte da população se
encontra na posição de meros consumidores dos recursos naturais. Para ga-
rantir que a Agroecologia não seja apenas um novo conjunto de técnicas de
cultivo da terra, procura-se incentivar que o maior número de pessoas possível
entenda como ocorre a produção dos alimentos, para que os problemas sejam
discutidos coletivamente e as soluções estejam ao alcance de todos, seja no
campo ou na cidade. Tentamos entender o sistema agrícola como um todo
percebendo todas as relações que existem entre os elementos, a fim de buscar
sempre o equilíbrio. A Agroecologia é contra as grandes monoculturas, por
afirmar que estas degradam o meio ambiente, o bem estar das populações
tradicionais e trazem benefícios apenas aos grandes empresários, assim como
qualquer ação do atual agronegócio. Em resumo, é contrária a qualquer inici-
ativa que coloque em posição inferior algum segmento da sociedade. Tem
6 como princípios práticos, a sustentabilidade da propriedade, a autonomia do
produtor - urbano ou rural- e a segurança alimentar de todos.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

Agricultura urbana

Existem muitas maneiras e motivos para se praticar a agricultura urba-


na, e diversas vantagens podem ser obtidas através dessa prática, dentre elas
citamos as mais comumente observadas:
• Produção de alimentos - incremento da quantidade e da qualidade de
alimentos disponíveis para consumo próprio.
• Reciclagem de lixo - utilização de resíduos e rejeitos domésticos, dimi-
nuindo seu acúmulo, tanto na forma de composto orgânico para adubação,
como na reutilização de embalagens para formação de mudas, ou de pneus,
caixas, etc. para a formação de parcelas de cultivo, por exemplo.
• Utilização racional de espaços - melhor aproveitamento de espaços
ociosos, evitando o acúmulo de lixo e entulhos ou o crescimento desordenado
de plantas daninhas, onde poderiam abrigar-se insetos peçonhentos e peque-
nos animais prejudiciais à saúde humana.
• Educação ambiental - todas as pessoas envolvidas com a produção e
com o consumo das plantas oriundas da atividade de agricultura urbana pas-
sam a deter maior conhecimento sobre o meio ambiente, aumentando a cons-
ciência da conservação ambiental.
• Desenvolvimento humano - aliada à educação ambiental e à recrea-
ção, ocorre melhoria da qualidade de vida e prevenção ao estresse, além da 7
formação de lideranças e trocas de experiências.
• Segurança alimentar - favorece o controle total de todas as fases de
produção, eliminando o risco de se consumir ou manter contato com plantas
que possuam resíduos de defensivos agrícolas.
• Desenvolvimento local - valoriza a produção local de alimentos e ou-
tras plantas úteis, como medicinais e ornamentais, fortalecendo a cultura po-
pular e criando oportunidades para o associativismo.
• Recreação e Lazer - a agricultura urbana pode ser usada como atividade
recreativa/lúdica, sendo recomendada para desenvolver o espírito de equipes.
• Farmácia caseira - prevenção e combate a doenças através da utiliza-
ção e aproveitamento de princípios medicinais.
• Formação de microclimas e manutenção da biodiversidade - através
da construção de um quintal agroecológico, que favoreça a manutenção da
biodiversidade, proporcionando sombreamento, odores agradáveis e contribu-
indo para a manutenção da umidade, etc., tornando o ambiente mais agradá-
vel e proporcionando, inclusive, qualidade de vida aos animais domésticos.
• Escoamento de águas das chuvas e diminuição da temperatura -
favorece a infiltração de água no solo, diminuindo o escorrimento de água
nas vias públicas, e contribuindo para diminuição da temperatura, devido à
ampliação da área vegetada e respectiva diminuição de áreas construídas.
• Valor estético - a utilização racional do espaço confere um excelente
valor estético, valorizando inclusive os imóveis.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

• Diminuição da pobreza - através da produção de alimentos para con-


sumo próprio ou comunitário (em associações, escolas, etc.), e eventual recei-
ta da venda dos excedentes.
• Atividade Ocupacional - proporciona ocupação de pessoas, evitando o
ócio, contribuindo para a educação social e ambiental, diminuindo a
marginalização dessas pessoas na sociedade.
• Renda - possibilidade de produção em escala comercial, especializada
ou diversificada, tornando-se uma opção para a geração de renda.

8
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

O papel das hortas em escolas

A Horta pode ser um laboratório vivo para diferentes atividades didáti-


cas. Além disso, o seu preparo oferece e várias vantagens para a comunidade.
Dentre elas, proporciona uma grande variedade de alimentos a baixo custo, no
lanche das crianças, permite que toda a comunidade tenha acesso a essa va-
riedade de alimentos por doação ou compra e também se envolva nos progra-
mas de alimentação e saúde desenvolvidos na escola. Portanto, o consumo de
hortaliças cultivadas em pequenas hortas auxilia na promoção da saúde.
Há várias atividades que podem ser utilizadas na escola com o auxílio
de uma horta onde o professor relaciona diferentes conteúdos e coloca em
prática a interdisciplinaridade com os seus alunos. A matemática pode ser um
exemplo com o estudo das diferentes formas dos alimentos cultivados, além
disso, o estudo do crescimento e desenvolvimento dos vegetais pode ser asso-
ciado com o próprio desenvolvimento. Isto é, a importância da terra ter todos
os nutrientes para que a semente se desenvolva em todo o seu potencial, livre
de qualquer doença. Essas atividades também asseguram que a criança e a
escola resgatem a cultura alimentar brasileira e, consequentemente, estilos de
vida mais saudáveis.
Ainda em relação a cultura alimentar, destaca-se que no Brasil, cada
região apresenta uma cultura com características diferentes e isso está direta-
mente relacionado com seus hábitos alimentares. A vasta quantidade de frutas 9
e hortaliças garante uma variedade de cores, formas, cheiros e nutrientes
importantes para a qualidade da alimentação. Por exemplo, na Região Norte,
há consumo de chicória, coentro e mandioca, enquanto que na Região Centro-
oeste, o consumo é de tubérculos como cará e guariroba (Ministério da Saúde,
2000). Assim, a horta também assume um papel importante no resgate da
cultura alimentar de cada região.
Capítulo 1

SOLO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

O solo se forma a partir de uma serie de mudanças que ocorrem nas


rochas. As condições climáticas e a ação de seres vivos são os principais res-
ponsáveis pelas transformações que ocorrem ao longo de muito tempo na
rocha até a formação do solo. Para entendermos melhor este processo, acom-
panhe atentamente a seqüência abaixo:

1- Rocha matriz exposta.


2- Chuva, vento e sol desgastam a rocha formando fendas e buracos.
Com o tempo a rocha vai esfarelando.
3- Microrganismos como bactérias e algas se depositam nestes espaços,
ajudando a decompor a rocha através das substâncias produzidas.
4- Ocorre acúmulo de água e restos dos microrganismos.
5- Organismos um pouco maiores como fungos e musgos, começam a se
desenvolver.
6- O solo vai ficando mais espesso e outros vegetais vão surgindo, além
de pequenos animais.
7- Vegetais maiores colonizam o ambiente, protegidos pela sombra de
outros.
8- O processo continua até atingir o equilíbrio, determinando a paisagem
12 de um local.

Dependendo da composição do material da rocha de origem e da ação


exercida pelo clima e pelos organismos sobre este material formam-se solos
com características diferentes: uns mais férteis (mais ricos em nutrientes)
outros mais pobres em nutrientes. O tamanho e a natureza dos minerais
que compõem o solo determinam características importantes. Um solo muito
rico em areia que se apresenta na forma de grãos relativamente grandes, não
consegue reter a água por muito tempo. A água se infiltra rapidamente pelos
espaços existentes entre os grãos de areia, indo se acumular nas camadas
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

mais profundas. Como retém pouca água e secam com muita facilidade, difi-
cultam o crescimento de plantas. São chamados solos arenosos.
Os solos argilosos contém muita argila que são minerais de tamanho
muito pequeno. A água é retida por muito tempo nos pequenos espaços entre
os grãos de argila, originando o barro. Este tipo de solo, encharca com facilida-
de e por isso também dificulta o crescimento das plantas.
Os solos escuros, ricos em matéria orgânica (também chamada de
húmus) são ricos em nutrientes, principalmente o nitrogênio. O húmus age
ligando os minerais do solo como um cimento e aumentando a capacidade de
retenção de água. Os solos orgânicos apresentam alta fertilidade, e normal-
mente proporcionam excelentes condições para o crescimento das plantas.
Dependendo das condições climáticas e biológicas que interagem sobre a
rocha de origem, o solo pode freqüentemente apresentar características mistas.

13
Capítulo 2

ADUBAÇÃO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

Adubar é oferecer nutrientes à planta. Existem algumas formas de se


fazer adubação: nós podemos usar os restos vegetais de nossa cozinha, num
processo que veremos adiante, e preparar um adubo muito eficiente sem
gastar dinheiro algum. Podemos também utilizar o esterco dos animas para
fazer adubos, ou ainda, fazer o plantio de alguns tipos de plantas e usá-las
como adubo-verde. Na agricultura dita “moderna” utilizam-se adubos quími-
cos, essas substâncias podem contaminar o solo e também custam caro. Nada
melhor do que aproveitarmos o que temos para fazer nossa adubação.

16

2.1 Compost
Compostagem:
ompostagem:
A compostagem é o processo de transformação de materiais grossei-
ros, como restos vegetais da cozinha e esterco animal, em materiais orgâni-
cos utilizáveis na horta. Nesse processo, são os microrganismos que irão
atuar decompondo toda a matéria orgânica tranformando-a num composto
rico em nutrientes.
Na escolha do local, deve-
se considerar a facilidade de
acesso, a disponibilidade de água
e a boa drenagem do solo. Para
iniciar a construção da pilha co-
locamos uma camada de mate-
rial vegetal seco de aproximada-
mente 15 a 20 centímetros, com
folhas, palhas ou galhos picados
formando um pequeno monte.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

Por cima desse monte, deve-se colocar restos de verduras, grama e/ou
esterco. Iremos alternar uma camada de materiais secos e outra de materiais
úmidos. Faremos isto até que a pilha atinja no máximo 1,5 metros de altura
como mostra a figura.
É extremamente importante fazer a revirada do material pelo menos
uma vez a cada duas semanas para que o monte fique decomposto por inteiro.
Outra coisa importante é lembrar-se de molhar o monte pelo menos uma vez
na semana, tomando cuidado para não encharcar.
Ao fim de 3 meses ou antes, se seguirmos essas técnicas, teremos um
composto de cor escura e com cheiro de terra. Esse é o composto resultante
da composteira e podemos usá-lo na nossa horta.
É necessário que façamos a separação do lixo orgânico do inorgânico
em casa. O lixo orgânico vai para a compostagem ( não é recomendado utilizar
restos de cozinha cozidos pois pode haver risco de atrair animais) e o inorgânico
vai para a reciclagem.

17

2.2 Utilização de esterc


de o cur
esterco tido:
curtido:
Podemos utilizar o esterco curtido deixando-o descansar em um local
coberto, formando uma pilha, por algum tempo até que ele esteja seco. É bom
revirarmos a pilha de esterco algumas vezes, para que ocorra secagem homo-
gênea. Podemos usar esterco de vaca, coelho, galinha, cabra, etc..
Obs: Quando deixamos a pilha de esterco exposta ao tempo, corremos
o risco de que os nutrientes contidos no esterco sejam levados pelas águas
da chuva.

2.3 Adubação verde:


verde:
É a utilização de plantas que tem o ob-
jetivo de adubar o solo.Tais plantas podem
ser incorporadas ao solo ou roçadas e
mantidas na superfície, proporcionando, em
geral, uma melhoria das características físi-
cas, químicas e biológicas do solo tais como:
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

descompactação do solo; evitar erosão; disponibilizar nutrientes que antes


não estavam disponíveis no solo; ajudar a aumentar a fauna do solo.

2.4 VermIcomposto:
VermIcomposto:
É um tipo de compostagem onde as minhocas fazem todo o trabalho.
Deve-se dar a elas um composto parcialmente compostado, temperatura ame-
na, sombra e umidade. Elas irão fazer a decomposição da matéria orgânica
nos fornecendo um material conhecido como “húmus de minhoca” que é uma
ótima fonte de nutriente para as plantas.

2.5 Adubação Foliar c


Foliar om Bi
com ofer
Bio tilizante:
fertilizante:
18
É um tipo de adubação onde utilizamos os nutrientes diluídos em água e
os aplicamos, por pulverização, sobre as plantas. Pode ser feito da seguinte
maneira: Faz-se a compostagem dos resíduos orgânicos em um barril adicio-
nando água e deixando curtir. Agitar o composto de tempos em tempos de
tempos em tempos. Este líquido deve ser deixado no barril por alguns dias e
podem ser acrescentados outros materiais para aumentar sua eficiência (cin-
zas, pó de rocha, etc...). Devemos aplicá-lo diluído na proporção 1 parte de
biofertilizante para 9 partes de água.

2.6 Adubação Miner al Na


Mineral tur
Natur al
tural
A adubacão mineral é feita com adubos minerais naturais, tais como: pó
de rochas, pó de osso, restos de mineração etc. Estes adubos fornecem nutri-
entes como cálcio, fósforo, magnésio, potássio e outros, em doses moderadas,
conforme as necessidades da planta. Eles são diferentes dos fertilizantes quí-
micos pois não são fabricados a base de petróleo e tem uma solubilidade mais
lenta ficando mais tempo a disposição da planta.
Capítulo 3

PREPARO DA HORTA
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

1º Passo
Pa
LOC ALIZAÇÃO
LOCALIZAÇÃO
-Terreno plano;
-Terra revolvida (“fofa”);
-Boa luminosidade e voltada para o nascente;
-Disponibilidade de água para irrigação;
-Local deve ser livre de encharcamento;
-Longe de sanitários e esgotos;

2º Passo
Pa
FERR AMENT
FERRAMENT AS
AMENTA
-Enxada: é utilizada para capinar, abrir sulcos e misturar adubos;
-Enxadão: é utilizado para cavar e revolver a terra;
-Regador: serve para irrigar a horta;
-Ancinho: é utilizado para remover torrões, pedaços de pedra e
20 outros objetos, além de nivelar o terreno;
-Pá: serve para fazer o deslocamento de terra;
-Peneira: serve para destorroar a terra e separar pedras, galhos
e sujeiras do terreno;
-Carrinho-de-mão ou baldes: é utilizado para transportar terra,
adubos e ferramentas;

3º Passo
Pa
PREPARO DO C
PREPARO ANTEIRO
CANTEIRO
-Com auxílio de uma enxada, revira-se a terra a uns 15cm
de profundidade;
-Com o ancinho, desmancham-se os torrões, retirando pedras e
outros objetos, nivelando o terreno;
-Se possível peneirar a terra deixando-a bem solta;
-O canteiro deve ter pelo menos um palmo de altura.
-Não existe fórmula secreta para se pensar a forma de um can-
teiro. Ele pode ter vários formatos: circulares, retos, em forma
de lua, etc. Basta usar a criatividade e o bom senso.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

3.1 Tipos dec


de anteiro:
canteiro:
• de tubo de PVC:
Utilizar tubos PVC de 300mm.
Efetuar um corte horizontal, no meio, de modo obter
duas calhas com 10 a 15cm de profundidade.
Em seguida fixar madeira em forma de meia lua nas
laterais. Na parte inferior, fazer orifícios para escoa-
mento da água.

• de Garrafas Pet:
- Cortar a garrafa pet na altura de 23cm e na base
que é o ponto, fazer um orifício em todos os ressaltos
para o escoamento do excesso de água.

• de Pneu:
- Utilizar pneu velho e com uma faca bem amolada, 21
corta-lo ao meio.
Em seguida, inverter as duas metades para que fi-
quem com a aparência de uma bacia. Colocar no fun-
do um tampão de madeira com alguns furos para o
escoamento do excesso de água.

3.2 C anteiro d
Canteiro e Espontânea
de s:
Espontâneas:
Uma prática bastante usada em hortas agroecológicas é o estabeleci-
mento de um canteiro onde possam nascer plantas espontâneas. Esse cantei-
ro tem a função de manter em equilíbrio as populações de pragas e predadores
naturais, e ainda servir como adubo quando for cortado incorporando matéria
orgânica ao solo. Podemos também plantar alguns adubos verdes e/ou plantas
que produzam flores para atrair predadores naturais.

3.3 O cultivo c
cultivo om pouc
com poucaa terr
terraa
Talvez você não possua terras, ou talvez possua somente um pequeno
jardim. Experimente plantar hortaliças trepadeiras e que necessitam de pouco
espaço no solo. Você pode plantá-las crescendo pelo lado de sua casa ou por
cima de cercas, em cantos que não sejam utilizados. Você pode plantar uma ou
duas trepadeiras em cada lugarzinho ensolarado. Alguns exemplos dessas plan-
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

tas são os pepinos, as abóboras, os tomates, o espinafre malabar, o maracujá, o


chuchu e todos os tipos de feijões (por exemplo: fava, feijão-flor, feijão-de-asa,
labe-labe). Você também pode plantar trepadeiras em recipientes grandes, tais
como vasos de barro grandes, latas ou barris cheios de composto.

A maioria das hortaliças trepadeiras crescem melhor se forem planta-


das na estação das chuvas. Faça buracos de no mínimo 30cm quadrados por
22 30cm de profundidade. Misture bastante estrume e composto na terra que foi
retirada para fazer o buraco e, depois, recoloque-a no buraco, pressionando-a
firmemente. Plante três ou quatro sementes no centro e regue-as bem. Quan-
do começarem a crescer, deixe apenas uma ou duas sementes crescendo, a
não ser que você tenha plantado duas ou três hortaliças no mesmo buraco.
Utilize a água que sobra ao se cozinhar ou lavar para regar as trepadeiras. Se
as trepadeiras estiverem suficientemente próximas da casa, você pode fazer
pequenos canais na terra ou utilizar canos de bambu ou troncos ocos para
transportar água diretamente para as plantas. Cubra o solo ao redor das tre-
padeiras com palha, papel, seixos ou um plástico.
As trepadeiras possuem hastes fracas e não conseguem ficar de pé so-
zinhas. Elas precisam do apoio de postes, arames, árvores ou cordões. Apóie
as trepadeiras e assegure-se de que os frutos ou hortaliças não toquem o solo.
Capítulo 4

PLANTIO E PROPAGAÇÃO
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

Ao se pensar o plantio de espécies na horta, deve-se levar em conside-


ração a região geográfica onde vamos plantar (altitude, baixada), o clima do
lugar (quente ou frio) e a época do ano (da chuva ou da seca). Pois existem
plantas que não toleram algumas condições do ambiente e não produzem sa-
tisfatoriamente.

4.1 Por sementes;


Por
Uma das melhores formas de fazer o plan-
tio é por sementes. Faz-se diretamente a semea-
dura no canteiro ou em bandejas para posterior-
mente levá-las a campo. Uma boa alternativa é
fazer esse plantio adensado (muitas sementes por
“buraquinho”) e fazer o desbaste selecionando as
plantas em melhores condições.
Podemos adquirir sementes em: bancos de
sementes comunitários, com agricultores que te-
nham produção própria, em alguns alimentos que
tenham sementes, na natureza, em lojas de pro-
dutos agropecuários ( certificar-se de que as se-
mentes compradas não possuam defencivos ) ou
24 ainda, produzir as sementes em nossa horta.

4.2 Por bulbos:


Por
Um tipo de caule subterrâneo, por exemplo a cebola, o alho,etc.

4.3 Por tubérculos:


Por
Em botânica, chama-se tubérculo ao caule arre-
dondado sem raízes e sem folhas que algumas plantas
verdes desenvolvem abaixo da superfície do solo, geral-
mente como órgãos de reserva de energia (na forma de
amido), Por exemplo: : batata-doce, cará, inhame, etc.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

4.4 Por est


Por ac
estac a:
aca:
Estacas são partes vivas da planta que nós utilizamos como forma de
propagação. Essa estratégia pode ser usada quando temos uma planta e não
conseguimos propagá-la por semente ou ainda quando queremos que uma
planta produza logo, eliminando de seu ciclo natural a germinação e o estágio
juvenil. As estacas podem ser lenhosas ou herbáceas, dependendo da espécie
e/ou melhor parte usada para a propagação.

4.5 Por Rizoma


Por
25
Em botânica, chama-se rizoma a um tipo de caule que algumas plantas
possuem. Ele cresce horizontalmente, geralmente subterrâneo, mas podendo
também ter porções aéreas. O caule da espada-de-são-jorge, do lírio-da-paz e
da bananeira são totalmente subterrâneos. Mas, certos fetos e também as
orquídeas desenvolvem rizomas parcialmente aéreos.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

4.6 Associações bo
Associações as e ruins entre a
boa s plant
as as:
planta
Algumas plantas tem melhor desenvolvimento quando plantadas na pre-
sença de outras plantas.

26
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

4.7 Quadro d
Quadro e planti
de o
plantio

27
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

4.8 Cuidados c
Cuidados om a h
com orta:
ho
A horta deve ser regada duas vezes ao dia, mas lembre-se que isso
varia de região para região, pela diferença de clima entre elas. O solo não pode
ficar encharcado para evitar o aparecimento de fungos e nematóides. A horta
tem que ser mantida limpa, as ervas daninhas e outras sujidades devem ser
retiradas com a mão. A cada colheita, deve ser feita a reposição do adubo para
garantir a qualidade da terra e das hortaliças.

28
Capítulo 5

CONTROLE DE PRAGAS
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

5.1 Insetos
Insetos::
Cochonilhas
Pequenos insetos cuja fêmea não pos-
sui asas, passando todo o seu ciclo de vida
fixada nas plantas, localizando-se preferen-
cialmente na parte inferior das folhas, mas
também algumas espécies fixam-se nos ra-
mos, troncos e raízes. Estes insetos alimen-
tam-se da seiva da planta provocando o
amarelecimento das folhas (quando estão fi-
xadas nas folhas), prejudicando a planta a
ponto de causar seu murchamento e morte
em caso de grande infestação.

Lagarta-rosca
São lagartas escuras, gran-
des, com 3 a 5 centímetros de com-
primento que, durante o dia, ficam
escondidas na terra. À noite ou em
dias encobertos, elas cortam o talo
30 das plantas novas, rente ao solo.

Vaquinhas
Pequenos besouros de cores variadas,
alaranjadas ou verdes com manchas amareladas, que
comem as folhas.

Lagartas-das-folhas
São lagartas de coloração esverdeadas, podendo apresentar listras nas
costas. Medem em geral 3 a 5 centímetros de comprimento. Cortam e masti-
gam as folhas.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

Ácaros
São pragas que precisam de lentes de au-
mento para serem vistas; vivem em colônias no
inferior das folhas novas. As folhas atacadas apre-
sentam descoloração e, às vezes, pode-se notar a
formação da teia.

Pulgões
Insetos muito pequenos de cor esverdeada ou preta,
com asas ou não; vivem em colônias, principalmente nas
folhas ou brotações novas. Sugam as folhas e transmitem
doenças de vírus.

Paquinha e grilo
São insetos que medem cerca de 25 a 30 milí-
metros de comprimento e possuem coloração pardo-es-
cura. Causam danos às culturas, pois alimentam-se de
raízes, tubérculos, hastes e folhas da plantas novas. 31

Lesmas
São moluscos que estragam as folhas, flores e raízes de plantas. Prefe-
rem terrenos úmidos e atacam, principalmente, à noite ou em dias chuvosos.

Tripes
Pequenos insetos que precisam de lentes de
aumento para serem vistas; que vivem em colônias
nas folhas ou nos locais mais escondidos. Sugam
as folhas e transmitem doenças de vírus.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

5.2 Doença
Doenças
enças
São modificações negativas causadas por ataques de fungos, bactérias,
vírus ou nematóides.Existem também as doenças causadas por deficiências
nutricionais: falta de cálcio, magnésio, boro, zinco ou outro nutriente.
• Fungos - provocam o aparecimento de pintas ou pequenas manchas,
geralmente nas folhas, hastes ou frutos. Podem causar secamento ou apodre-
cimento das partes atacadas, murchamento e morte das plantas.
• Bactérias - causam manchas geralmente escuras com borda amare-
lada, podridão, secamento das partes arancadas, murchamento e morte das
plantas.
• Vírus - causam amolecimento, deformação e mau crescimento e des-
coloração das folhas além do desenvolvimento insuficiente das plantas.
• Nematódeos - provocam a formação de nódulos (pipocas) nas raízes,
amarelecimento, murchamento e desenvolvimento precário das plantas.

5.3 Contro
Contro le Bi
ontrole ológic
Bio o:
lógico:
O controle biológico acontece naturalmente em um sistema em equilí-
brio, sendo este o esperado em uma horta agroecológica.
32
• Joaninhas – alimentam-se de pulgões;

• Pássaros – alimentam-se de insetos e caracóis;


• Sapos – alimentam-se de pequenos animais nocivos como larvas,
pulgões e mosquitos;
• Centopéias – comem os ovos das lesmas
• Libélulas (lavadeira) – comem os pulgões.

5.4 Contro
Contro le na
ontrole tur
natur al:
tural:
São técnicas usadas no controle de pragas da horta. São usadas em
casos de extrema necessidade quando o próprio sistema de regulação ecológi-
ca da horta não dá conta de controlar a infestação.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

• Macerado de Samambaia
Colocar 500 g de folhas frescas ou 100 g secas em um litro de água e
deixar em repouso por 1 dia. Ferver por meia hora. Para a aplicação, diluir 1 de
solução para 10 litros de água.
Controla: ácaros, cochonilhas e pulgões.

• Macerado de Fumo
Picar 10 cm de fumo-de-corda e colocar em um litro de água por dois
dias. Diluir em 10 litros de água e pulverizar as plantas.
Controla: cochonilhas, lagartas, pulgões e piolhos.

• Solução de Água com Sabão


Colocar 50 g de sabão caseiro em 5 litros de água quente, deixar esfriar
e pulverizar sobre a planta.
Controla: cochonilhas, lagartas e piolhos.

PROJETO HORTAS COMUNITÁRIAS

33
• Controle de Formigas
Repelir com barreiras de farinha de ossos, casca de ovos moída ou car-
vão vegetal em linhas seguidas sobre o solo.
Para árvores frutíferas, pode-se usar, também, um pano embebido com
suco de pimentamalaguetaou graxa amarrado ao tronco.

• Cravo-de-defunto
Quando plantado nas bordaduras das lavouras, impede o aparecimento
de nematóides nas áreas cultivadas.

• Purunga ou Cabaça
Esta planta também é trepadeira, sendo semelhante à folha da abóbo-
ra. Quando o fruto está maduro (seco), é usado para cuia de chimarão. Quan-
do está verde, o fruto é cortado ao meio e colocado na lavoura. O líquido
existente junto com as sementes atrai insetos, que alí morrem agarrados.
Controla: vaquinha ou patriota.

• Armadilha Luminosa
As lanternas de querosene, que são usadas para iluminação no interior,
podem também ser usadas para o controle da broca-dos-ponteiros (mariposa-
oriental), que ataca bastante o pessegueiro e a nectarineira.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

Colocar a lanterna acesa, a partir das 7 horas da noite, no centro do


pomar ou da horta e deixar até a madrugada, no período de novembro a
fevereiro. As mariposas atraídas pela luz batem no vidro da lanterna, caindo
dentro de um balde d’água, que é colocado logo abaixo. No dia seguinte, os
insetos que sobreviverem deverão ser mortos.

• Saco de Aniagem
Umidecê-lo com um pouco de leite e colocar na lavoura em vários lo-
cais. No dia seguinte, pegar as lesmas que estão aderidas no saco e matá-las.

• Chá de camomila
Colocar um punhado de flores em água fria por um a dois dias. Pulveri-
zar as plantas, principalmente as mudas na sementeira.
Controla: diversas doenças fúngicas.

• Catação
Consiste em catarmos manualmente as pragas da horta e destrui-las.
Controla: insetos
34
• Retirar parte afetada (cortar folhas, galhos, frutos), retirar a parte
afetada pela doença e encaminhar para a coleta pública de lixo;

• Pasta de Argila, Esterco, Areia Fina e Chá de Camomila


Misturar partes iguais de argila (barro), esterco, areia fina e chá de
camomila de modo a formar uma pasta.
Usar para proteger os cortes feitos pela poda e também os ramos ou
troncos doentes durante o outono, após a queda das folhas e antes da floração
e brotação.
Capítulo 6

plantas medicinais
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

Entra as terapias existentes, a fitoterapia é sem dúvida a mais antiga,


utilizada desde os primórdios da civilização, acompanhando a trajetória evolutiva
do ser humano e mantendo-se viva neste final de milênio. Atualmente, insti-
tuições de pesquisas valiam cientificamente as propriedade das espécies já
consagradas por nossos ancestrais, abrindo novas possibilidades de cura. E é
nesse encontro de saber popular com a ciência que a fitoterapia cresce em
importância, sendo considerada uma terapia preventiva, regeneradora e cu-
rativa. Quando adequadamente empregada, tem ação duradoura, sem apre-
sentar efeitos colaterais ao organismo.

6.1 Uso das Plant


da as Med
Planta icinais
Medicinais

1. Antes de usar qualquer planta, procure saber se ela é indicada para o


problema que você quer resolve;
2. Procure conhecer a parte da planta a ser utilizada (raiz, caule, folha,
flor);
3. Conheça o modo correto de preparar a planta (infusão, decocção, etc.);
4. Não apanhe plantas próximas de lavouras que utilizem agrotóxicos,
próximo de águas poluídas, ou na beira de estradas, pois expostas a
36 venenos, as plantas tornam-se prejudiciais;
5. Quando utilizar plantas secas, seque-as na sombra, em local ventilado,
seco e ao abrigo da luz; em recipiente fechado, colocando o nome da
planta, e a data da colheita;
6. Quando comprar plantas para fazer remédios, procure pessoas experi-
entes no uso;
7. Procure conhecer as plantas tóxicas;
8. Cada planta tem seu uso próprio. Umas são para serem tomadas como
chás, outras apenas para uso externo. Tenha cuidado e se informe
corretamente.

BANHO
Faz-se uma infusão ou decocção (veja a seguir) mais concentrada que
deve ser coada e misturada na água do banho. Outra maneira indicada é colo-
car as ervas em um saco de pano firme e deixar boiando na água do banho. Os
banhos podem ser parciais ou de corpo inteiro, e são normalmente indicados 1
vez por dia.

CATAPLASMA
São obtidas por diversas formas:
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

a) amassar as ervas frescas e bem limpas, aplicar diretamente sobre a


parte afetada ou envolvidas em um pano fino ou gase;
b) as ervas secas podem ser reduzidas a pó, misturadas em água, chás
ou outras preparações e aplicadas envoltas em pano fino sobre as partes afe-
tadas;
c) pode-se ainda utilizar farinha de mandioca ou fubá de milho e água,
geralmente quente, com a planta fresca ou seca triturada.

COMPRESSA
É uma preparação de uso local (tópico) que atua pela penetração dos
princípios ativos através da pele. Utilizam-se panos, chumaços de algodão ou
gase embebidos em um infuso concentrado, decocto, sumo ou tintura da plan-
ta dissolvida em água. A compressa pode ser quente ou fria.
Outra forma é molhar a ponta de uma toalha e colocar no local afetado,
cobrindo com a outra ponta da toalha seca, para conservar o calor.

DECOCÇÃO
Preparação normalmente utilizada para ervas não aromáticas (que con-
tém princípios estáveis ao calor) e para as drogas vegetais constituídas por
sementes, raízes,cascas e outras partes de maior resistência à ação da água 37
quente. Numa decocção, coloca-se a parte da planta na quantidade prescrita
de água fervente. Cobre-se e deixa-se ferver em fogo baixo por 10 a 20 minu-
tos. A seguir deve-se coar e espremer a erva com um pedaço de pano de ou
coador. O decocto deve ser utilizado no mesmo dia de seu preparo.

GARGAREJO
Usado para combater afecções da garganta, amigdalites e mau hálito.
Faz-se uma infusão concentrada e gargareja quantas vezes for necessário. Ex.:
Sálvia (máu hálito), tanchagem, malva e romã (amigdalites e afecções na boca).

INALAÇÃO
Esta preparação utiliza a combinação do vapor de água quente com
aroma das substâncias voláteis das plantas aromáticas, é normalmente reco-
mendada para problemas do aparelho respiratório. Colocar a erva a ser usada
numa vasilha com água fervente, na proporção de uma colher de sopa da erva
fresca ou seca em 1/2 litro d’água, aspirar lentamente (contar até 3 durante a
inspiração e até 3 quando expelir o ar), prosseguir assim ritmicamente por 15
minutos. O recipiente pode ser mantido no fogo para haver contínua produção
de vapor. Usa-se um funil de cartolina (ou outro papel duro); ou ainda uma
toalha sobre os ombros, a cabeça e a vasilha, para facilitar a inalação do vapor.
No caso de crianças deve-se ter muito cuidado, pois há riscos de queimaduras,
pela água quente e pelo vapor, por isso é recomendado o uso de equipamentos
elétricos especiais para este fim.
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

INFUSÃO
Preparação utilizada para todas as partes de plantas medicinais ricas
em componentes voláteis, aromas delicados e princípios ativos que se degra-
dam pela ação combinada de água e do calor. Normalmente, trata-se de
partes das plantas tais como flores botões e folhas. As infusões são obtidas
fervendo-se a água necessária, que é derramada sobre a erva já separada,
colocada noutro recipiente. Após a mistura, o recipiente permanece tampado
por um tempo variável entre 5 e 10 minutos. Deve-se coar o infuso, logo
após o término do repouso. Também o infuso deve ser ingerido no mesmo dia
da preparação.

MACERAÇÃO
Preparação (realizada a frio) que consiste em colocar a parte da planta
medicinal dentro de um recipiente contendo álcool, óleo, água ou outro líqui-
do. Folhas, flores e outras partes tenras ficam macerando por 18 a 24 horas.
Plantas onde há possibilidade de fermentações não devem ser preparadas desta
forma.O recipiente permanece em lugar fresco, protegido da luz solar direta,
podendo ser agitado periodicamente. Findo o tempo previsto, filtra-se o líqui-
do e pode-se acrescentar uma quantidade de diluente (água por exemplo), se
achar necessário para obter um volume final desejado.

38
ÓLEOS
São feitos na impossibilidade de fazer pomadas ou compressas. As er-
vas secas ou frescas são colocadas em um frasco transparente com óleo de
oliva, girassol ou milho, depois manter o frasco fechado diretamente sob o sol
por 2 a 3 semanas. Filtrar ao final e separar uma possível camada de água que
se formar. Conservar em vidros que o protejam da luz.

PÓS
A planta é seca o suficiente para permitir sua trituração com as mãos,
peneirar e frasco bem fechado. As cascas e raízes devem ser moídas até se
transformarem em pó. Internamente pode ser misturado ao leite ou mel e
externamente, é espalhado diretamente sobre o local ferido ou misturado em
óleo, vaselina ou água antes de aplicar.

SUCO OU SUMO
Obtém-se o suco espremendo-se o fruto e o sumo ao triturar uma
planta medicinal fresca num pilão ou em liquidificadores e centrífugas. O
pilão é mais usado para as partes pouco suculentas. Quando a planta pos-
suir pequena quantidade de líquido, deve-se acrescentar um pouco de água
e triturar novamente após uma hora de repouso, recolher então o líquido
liberado. Como as anteriores, esta preparação também deve ser feita no
momento do uso.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

TINTURA
Maneira mais simples de conservar por longo período os princípios ati-
vos de muitas plantas medicinais. Deixam-se macerar 250 g da planta fresca
picada em 500 ml de álcool a 80 ou 90% por um período variável entre 8 e 10
dias em local protegido da luz solar, a seguir espremer e filtrar o composto
obtido. No caso de ervas secas, utiliza-se 250 a 300 g de ervas para um litro de
álcool a 70% (7 partes de álcool e 3 de água). Quando possível utilize o álcool
de cereais. Conserve sempre ao abrigo da luz em frasco tampado. Usa-se na
forma de gotas dissolvidas em água para uso interno, ou em pomadas,
unguentos e fricções em uso externo. Os príncipios ativos presentes nas tintu-
ras alcançam rapidamente a circulação sanguínea.

UNGÜENTO E POMADA
A pomada pode ser preparada com o sumo da erva ou chá mais concen-
trado misturado com a banha animal, gordura de coco ou vaselina na forma
líquida. Pode-se ainda aquecer as ervas na gordura depois coar e guardar em
frascos tampados e, ainda, pode ser adicionada a tintura à vaselina. Pode-se
adicionar um pouco de cera de abelha nas preparações a quente da pomada.
As pomadas permanecem mais tempo sobre a pele, devem ficar usadas a frio
e renovadas 2 a 3 vezes ao dia.

39
VINHO MEDICINAL
Usar vinho branco, tinto ou licoroso com graduação alcoólica de aproxi-
madamente 11 GL. Usar 5g de ou mais ervas (ou a dosagem indicada) para
cada 100 ml de vinho. Macerar bem, tampar e deixar em local escuro, ao
abrigo da luz por um período de 10 a 15 dias. Filtra-se o preparado. Toma-se
uma colher antes ou depois das refeições, ou conforme indicações, segundo os
efeitos desejados.

XAROPE
Os xaropes são utilizados normalmente nos casos de tosses, dores de
garganta e bronquite. Na sua preparação, faz-se inicialmente uma calda com
açúcar cristal rapadura, na proporção de 1.5 a 2 partes para cada 1 parte de
água, em voluma, por exemplo, 1.5 a 2 xícara de açúcar ou repadura ralada. A
mistura é levada ao fogo e, em poucos minutos há completa dissolução e a
calda estará pronta, com maior ou menor consistência, conforme desejado,
então são adicionadas as plantas preferencialmente frescas e picadas, coloca-
se em fogo baixo e mexe-se por 3 a 5 minutos, findos os quais o xarope é
coado e guardado em frasco de vidro. Se for desejada a adição de mel em
substituição ao açúcar, não se deve aquecer, neste caso adiciona-se apenas o
suco da planta ou a decocção ou infusão frios. O xarope pode ser preparado
com tinturas, neste caso adiciona-se 1 parte de tintura para 3 partes da mes-
ma calda com açúcar ou rapadura. As decocções podem ainda servir de base
para o xarope, neste caso adiciona-se o açúcar diretamente nas mesmas, po-
dendo submeter a leve aquecimento para facilitar a dissolução do açúcar. A
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

quantidade de plantas a ser adicionada em cada xarope é variável segundo a


espécie vegetal. O xarope pode ser guardado por até 15 dias na geladeira, mas
se forem observados sinais de fermentação, ele deve ser descartado, no caso
dos xaropes preparados com tinturas, o período de conservação tende a ser
maior. O uso de gotas de tintura de própolis no xarope serve como conservante,
além de auxílio terapêutico. Obviamente, os xaropes, devido à grande quanti-
dade de açúcar, não devem ser usados por diabéticos.

De um modo em geral, o horário em que se toma os


preparados fitoterápicos é muito importante para a cura ou
efeitos desejados. Assim tem-se as seguintes regras gerais:

• desjejum ou café da manhã - toma-se os laxativos, depurativos,


diuréticos e vermífugos (meia hora antes) ;
• duas horas antes e depois das refeições principais - toma-se as
preparações antireumáticas, hepatoprotetoras, neurotônicas, contra
a febre e tosse;

40 6.2 Algumas plant


Algumas as e seus prep
planta ar
prepar ados
arados

ALECRIM (Rosmarinus officinalis L.)


Indicações: estimulante digestivo e para falta de apetite (inapetência),
contra azia, para problemas respiratórios e debilidade cardíaca
(cardiotônico), contra cansaço físico e mental, combate hemorróidas,
antiespasmódico (uso interno) e cicatrizante (uso externo).
Parte usada: folhas
Preparo e dosagem:
- xarope - para 1/2 litro de xarope adicionar o suco de 4 xíc. de
cafezinho de folhas frescas, tomar 1 colher de sopa a cada 3
horas (para problemas respiratórios).
- infusão - 1 xíc. de cafezinho de folhas secas em 1/2 litro de
água, tomar xíc. de chá a cada 6 horas.
- tintura - 10 xíc. de cafezinho de folhas secas em 1/2 litro de
álcool de cereais ou aguardente, tomar 1 colher de chá 3 vezes
ao dia em um pouco d’água (para a maioria das indicações, in-
clusive hemorróidas).
- pó - as folhas secas reduzidas a pó têm bom efeito cicatrizante.
Outros usos: Usam-se ramos em armários para afugentar insetos.
Toxicologia: em altas doses pode ser tóxico e abortivo.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

ALECRIM-PIMENTA (Lippia sidoides)


Indicações: para impingens, acne, pano-branco, aftas,
escabiose, caspa, maus odores dos pés, axilas, sarna-infeccio-
sa, pé-de-atleta, para inflamações da boca e garganta, como
antiespasmódico e estomáquico. Seus constituíntes químicos lhe
conferem forte ação antisséptica contra fungos e bactérias.
Parte usada: folhas secas ou frescas.
Preparo e dosagem:
- infusão - 1 colher de chá de folhas picadas para cada xíc. de
água, tomar 2 a 3 xíc. por dia.
- tintura - 200 a 300 g de folhas frescas com 1/2 litro de álcool
e 250 ml de água.Usar como loção em lavagens e compressas.
Para gargarejos e bochechos usar a tintura diluída em duas par-
tes de água.

ALHO (Allium sativum L.)


Indicações: contra hipertensão, picadas de inseto, diurético,
expectorante, antigripal, febrífugo, desinfetante, antinflamatório,
antibiótico, antisséptico, vermífugo (lombriga, solitária e ameba),
para arterioesclerose e contra ácido úrico.
41
Parte usada: dentes (bulbilhos)
Preparo e dosagem:
- maceração - esmagar um ou dois dentes de alho dentro de
um copo com água. Tomar um copo três vezes ao dia (para
gripe, resfriado, tosse e rouquidão).
- tintura - moer uma xíc. (cafezinho) de alho dentro de um recipi-
ente contendo 5 xíc. de álcool 92o GL, deixar em maceração por 10
dias, coar. Tomar 10 gotas em meio copo de água três vezes ao
dia, para problemas do aparelho respiratório (gripes, etc.). Para
hipertensão utilizar uma colher de chá da tintura em meio copo de
água três vezes ao dia ou comer dois dentes de alho pela manhã.
- vermífugo - comer três dentes de alho pela manhã em jejum
durante sete dias.
- dores de ouvido - amassar um dente de alho em uma colher
de sobremesa de azeite morno. Pingar três gotas no ouvido e
tampar com algodão.
- arteriosclerose - comer na alimentação 3 dentes de alho cru
picado, 3 vezes por semana, durante 3 meses.
Toxicologia: contra indicado para pessoas com problemas es-
tomacais e de úlceras, incoveniente para recém-nascidos e mães
em amamentação, e ainda em pessoas com dermatites. Em do-
ses muito elevada, pode provocar dor de cabeça, de estômago,
dos rins e até tonturas.
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ARTEMÍSIA (Chrysanth emum parth enium Bern.)


Indicações: antileucorréico, emenagogo, antiespasmódico,
febrifugo, para dores de cabeça, enxaquecas, artrites, diarréia,
pertubações gástricas e insônia.
Parte usada: folhas e flores.
Preparo e dosagem:
- infusão - 2 a 3 folhas e 3 a 4 flores em 1 xíc. de chá com água,
tomar 1 xíc. por dia.
Outros usos: planta ornamental, repelente de insetos.
Toxicologia: Não deve ser utilizado durante a gravidez, pois
exerce forte ação sobre o útero, podendo causar aborto.

BABOSA (Aloe sp.)


Indicações: o suco das folhas é emoliente e resolutivo, quan-
do usadas topicamente sobre inflamações, queimaduras,
eczemas, erisipelas, queda de cabelo, etc. A polpa é
antioftálmica, vulnerária e vermífuga (uso interno). A folha
despida de cutícula é um supositório calmamente nas retites
hemorroidais. É ainda utilizada externamente nas entorses,
42 contusões e dores reumáticas.
Parte usada: folhas, polpa e seiva.
Preparo e dosagem:
- suco - uso interno do suco fresco, como anti-helmíntico.
- cataplasma - aplicar sobre queimaduras 3 vezes ao dia.
- supositório - em retites hemorroidais.
- resina - é a mucilagem após a secagem. Prepara-se deixando
as folhas penduradas com a base cortada para baixo por 1 ou 2
dias, esse sumo é seco ao fogo ou ao sol,quando bem seco,
pode ser transformado em pó dissolvido em água com açúcar,
como laxante.
- tintura - usam-se 50 g de folhas descascadas, trituradas com
250 ml de álcool e 250 ml de água, a tintura é coada em segui-
da. Deve ser utilizada sob a forma de compressas e massagens
nas contusões, entorces e dores reumáticas.
Toxicologia: não deve ser ingerida por mulheres durante a mens-
truação ou gravidez. Também deve ser evitada nos estados
hemorroidários. Não usar internamente em crianças.
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“Horta Orgânica Escolar”

BOLDO (Vernonia condensata Beker)


Indicações: aperiente, colagogo, colerético, desintoxicante do
fígado, diurético e antidiarrético. Usado popularmente para a
ressaca alcoólica.
Parte usada: folhas.
Preparo e dosagem:
- infusão - 5 folhas por litro d’água, tomar pela manhã (para o
fígado) ou após as refeições (contra diarréia).
- tintura - (aperiente) colocar 1 colher de folhas picadas para 1
xíc. de álcool neutro 70o GL, deixar macerar por 3 dias, tomar 1
colher dissolvida em água antes das refeições.
- maceração - 5 folhas em um copo d’água, tomar 2 a 3 vezes
ao dia (ressaca alcoólica), recomenda-se tomar antes e após
ingestão de bebidas alcoólicas.
Toxicologia: outras espécies do gênero Vernonia não apresen-
tam nenhum efeito tóxico, exceto um glicosídeo cardiotônico
encontrado nas raízes de uma das espécies na África. Não se
aconselha o uso prolongado da planta.

CAPIM-SANTO (Cymbopogon citratusz) 43


Indicações: bactericida, antiespasmódico, calmante, analgési-
co suave, carminativo, estomáquico, diurético, sudorífico,
hipotensor, anti-reumático. Mais utilizado em diarréias, dores
estomacais e problemas renais.
Parte usada: folhas
Preparo e dosagem:
- infusão - 4 xíc. de cafezinho de folhas picadas em 1 litro d’água,
tomar 1 xíc. 2 a 3 vezes ao dias.
Toxicologia: pode ser abortivo em doses concentradas.

ERVA-CIDREIRA-DE-ARBUSTO (Lippia alba (Mill) N. E. Brown)


Indicações: antiespasmódico, estomáquico, carminativo, cal-
mante, digestivo e combate a insônia e asma.
Parte usada: folhas.
Preparo e dosagem:
- infusão - 1 colher de sopa de folhas frescas para cada ½ litro
d’água, tomar 4 a 6 xíc. de chá ao dia.
Outros usos: planta melífera.
Toxicologia: popularmente não se recomenda o uso por
hipotensos (pressão baixa).
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Livro Técnico

FALSO BOLDO (Coleus barbatus)*


Indicações: tônico, digestivo, hipossecretor gástrico (para azia
e dispepsia), carminativo, para afecções do fígado e para ressa-
ca alcoólica.
Parte usada: folhas frescas.
Preparo e dosagem:
- sumo - amassar duas folhas em 1 copo e completar com água,
tomar 2 a 3 vezes ao dia.
- tintura - 20 g de planta fresca em 100 ml de álcool, tomar 20
a 40 gotas no momento do incômodo, ou até 3 vezes ao dia.
Toxicologia: em doses elevadas pode causar irritação gástrica.

FOLHA-DA-FORTUNA (Bryophylum pinnatum Kurtz)


Indicações: emoliente (para furúnculos), cicatrizantes (quei-
maduras) e antinflamatório local (uso externo). Refrescante in-
testinal, para coqueluche e demais infecções das vias respirató-
rias, usada também para úlceras e gastrites (uso interno).
Parte usada: folhas.

44 Preparo e dosagem:
- cataplasma - aquecer a folha e colocar sobre o local afetado
(furúnculos), em queimaduras** ou outros ferimentos fazer uma
pasta com a folha e colocar sobre a região machucada
(cicatrizante).
- suco - bater no liquidificador 1 folha com 1 xíc. de água, tomar
2 vezes ao dia, entre as refeições (úlceras e gastrites).

GENGIBRE (Zingiber officinalis)


Indicações: estimulante gastrintestinal, aperiente, combate os
gases intestinais (carminativo), vômitos, rouquidão; tônico e
expectorante. Externamente é revulsivo, utilizado em
traumatismos e reumatismos.
Parte usada: rizoma (“raiz”).
Preparo e dosagem:
- pulverizar o rizoma e ingerir contra vômitos.
- decocção - preparar com 1 colher (chá) de raiz triturada em 1
xíc. de chá de água, tomar 4 xíc. de chá ao dia.
- cataplasmas - preparar com gengibre bem moído ou ralado e
amassado num pano, e deixar no local (para reumatismos e
traumatismos na coluna vertebral e articulações).
- rizoma fresco - mascar um pedaço (rouquidão).
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

- tintura - 100 g do rizoma moído em 0,5 l de álcool, fazer


fricções para reumatismos.
- xarope - pode ser ralado e adicionado a xaropes, juntamente
com outras plantas.
Toxicologia: o uso externo deve ser acompanhado, para evitar
possíveis queimaduras.

GUACO (Mikania glomerata Spreng.)


Indicações: tem efeito broncodilatador, comprovado. É um
antisséptico das vias respiratórias, expectorante, antiasmático,
febrífugo, sudorífico, anti-reumático e cicatrizante.
Parte usada: folhas ou planta florida.
Preparo e dosagem:
- infusão - 2 xíc. de cafezinho de folhas frescas em ½ l d’água
1 xíc. de chá 4 vezes ao dia (reumatismo e problemas das vias
respiratórias).
- xarope - fazer a decocção com 15-20 folhas de guaco em 100
ml de água, adicionar folhas de poejo ou assa-peixe e gengibre
ralado ( 1 colher de chá), cobrir e deixar esfriar, juntar 150 a 200
g de açúcar ou rapadura e dissolver. Tomar 1 a 2 colheres de 45
sopa 2 a 3 vezes ao dia, para crianças fornecer a metade da
dose (crises de tosse).
Outros usos: é utilizada contra picada de cobras e insetos.
Toxicologia: pode causar vômitos e diarréia quando usado em
excesso.

HORTELÃ-COMUM (Mentha X villosa)


Indicações: digestivo, estimulante e tônico geral, carminativo,
antiespasmódico, estomáquico, expectorante, antisséptico,
colerético e colagogo, vermífugo (giardia/ameba e lombrigas).
Parte usada: folhas frescas ou secas.
Preparo e dosagem:
- bala - tomar 800 g de açúcar, ¼ litros de água filtrada e o
sumo da hortelã. Coloque a água e o açúcar para ferver até
atingir o ponto de bala. Adicione o sumo e a bala está pronta
(vermífugo e expectornte).
- infusão - 5 ou 10 g de folhas picadas, secas ou frescas respec-
tivamente, em 1 l d’água, tomar 1 xíc. de chá 3 vezes ao dia
(uso interno, exceto como vermífugo).
- folhas frescas - ingerir 10 a 16 folhas por dia, em 3 doses
junto às refeições, por 5 a 10 dias (vermífugo).
PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

- pó - triturar folhas secas e peneirar, misturar uma colher de


café do pó com mel, e tomar 3 vezes ao dia, por 7 dias. Para
crianças utiliza-se a metade da dose (vermífugo).
- vermífugo com alho - amassar 3 a 4 folhas frescas com um
dente de alho, colocar numa xícara, acrescentar água fervente,
tampar e deixar esfriar, coar e servir a uma criança 1 vez por
dia, 1/2 hora antes do café da manhã, durante 5 dias.
Toxicologia: pode causar insônia, se tomado antes de dormir,
ou em uso prolongado.

MACAÉ (Leonurus sibiricus)


Indicações: estomáquico, febrífugo, anti-reumático, eupépico,
contra vômitos e gastrinterite. As flores são usadas para bron-
quite e coqueluche.
Parte usada: folhas e flores.
Preparo e dosagem:
- infusão - 20 g de folhas ou flores secas em ½ litro d’água,
tomar 3 vezes ao dia.
- uso externo - friccionar as folhas sobre as partes afetadas
46 (anti-reumático).
- xarope - colocar um punhado das folhas e flores picadas em 1
xíc. de cafezinho de água fervente, abafar, coar, adicionar 2 xíc.
(café) de açúcar, homogeneizar. Para adultos fornecer uma co-
lher (sopa), 3 vezes por dia, crianças devem tomar uma colher
de chá 3 vezes ao dia.
- tintura - misturar duas xíc. (café) de álcool de cereais e 1 xíc.
(café) de água com um punhado da erva picada, deixar em
maceração por 7 dias, agitar sempre, coar, armazenar em vidro
escuro. Tomar 1 colher (chá) diluída em água. Pode ser aplicada
em articulações inflamadas.
Outros usos: insetífugo

MARACUJÁ (Passiflora edulis)


Indicações: é utillizada contra inquietações nervosa, irritação
frequente e contra insônia.
Parte usada: folhas.
Preparo e dosagem:
- infusão - na dose de 4 a 6 xíc. de chá, toma-se 1 a 2 xícaras
à noite.
PROJETO
“Horta Orgânica Escolar”

TANCHAGEM (Plantago sp.)


Indicações: expectorante, antidiarréico (folha), cicatrizante,
adistrigente, emoliente e depurativo. Usada no tratamento da
inflamações bucofaringeanas, dérmicas, gastrintestinais e das
vias urinárias. As sementes são laxativas.
Parte usada: toda a planta.
Preparo e dosagem:
- infusão - 1 xíc. de cafezinho de folhas frescas picadas em 1/2
l d’água, tomar 1 xíc. de chá a cada 6 horas para infecções
bucofaringeanas e 1 xíc. a cada 8 horas para problemas
gastrintestinais.
- gargarejo - acrescentar à infusão 1 colher de sopa de sal
comum, gargarejar 3 vezes ao dia.
- infusão - utilizar 1 colher (sopa) de sementes em 1 copo de
água fervente. Deixar uma noite em maceração. No dias seguin-
te, em jejum, tomar o copo (laxante suave).
- cataplasma - colocar as folhas frescas amassadas sobre feri-
das, para favorecer a cicatrização.
Toxicologia: sem referências bibliográficas.
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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL
Livro Técnico

Referências
Referências

Bibliográfic
Bibliográfic as
ográfica

Herri Lorenzi, Plantas medicinais do Brasil Exóticas e nativas


“Faça o seu minhocário” Cartilha T.A./ FASE
Manual de hortas para escolas- UNB, departamento de nutrição
Cartilha Agroecológica, Instituto Giramundo
Apostila da escola carioca de agricultura familiar, Prefeitura do Rio de Janeiro

Sites

http://www.emater.pr.gov.br
http://educar.sc.usp.br/ciencias/recursos/solo.html#observa
http://diocese.pelotas.tche.br/agroecol.htm
http://www.planetaorganico.com.br/composto2.htm
http://www.cnpab.embrapa.br/educacao/baby/solo.html
http://www.aspta.org.br/programa-parana/BAF%20-%20Sementes%20de%20Horta%20-
48 %20Maria%20Tulio.pdf/view

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