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27 de Fevereiro de 2020

Passo a passo para o cidadão “comum” que deseja adquirir


uma arma de fogo para defesa pessoal

Considerações legais e administrativas.

O “Estatuto do Desarmamento” (Lei nº 10.826/2003) e o “Referendo


do Desarmamento” (autorizado pelo Decreto Legislativo nº 780/2005)
não proibiram o cidadão “comum” (que não é membro das forças de
segurança pública, nem colecionador, caçador ou atirador desportista)
de possuir armas de fogo para defesa pessoal.

O Referendo de 2005 (com votação obrigatória) possuía por finalidade


consultar os brasileiros exclusivamente sobre a possível vedação do
comércio de armas de fogo e munições em território nacional, prevista
no art. 35 do “Estatuto do Desarmamento”.

A seguinte pergunta foi objeto da consulta popular: “O comércio de


armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. O resultado
foi que 63,94% dos votantes responderam “Não”, impedindo o
dispositivo de entrar em vigor. /
Entretanto, o povo brasileiro foi “consultado” exclusivamente sobre
este artigo do Estatuto. As demais disposições da Lei permanecem em
vigor até hoje e, apesar de não proibirem o comércio de armas de fogo,
dificultam muito os procedimentos de aquisição e registro (ou
renovação de registro) e quase inviabilizam a autorização de porte.

Atualmente existem dois grandes órgãos públicos responsáveis pelo


“controle” das armas de fogo existentes no território nacional: O
SIGMA – Sistema de Gerenciamento Militar de Armas – vinculado ao
Exército Brasileiro, que regula o armamento das forças armadas e
auxiliares e, também, dos caçadores, colecionadores e atiradores
esportistas; e o SINARM – Sistema Nacional de Armas – vinculado ao
Departamento de Polícia Federal, que centraliza o controle das demais
armas de fogo.

O cidadão “comum”, quando pretende adquirir uma arma de fogo para


defesa pessoal, renovar o registro ou requerer autorização de porte,
deve dirigir-se ao SINARM – Polícia Federal e realizar os
procedimentos a seguir descritos.

AQUISIÇÃO DE ARMA DE FOGO

Para adquirir uma arma de fogo de uso permitido (são armas de fogo
de uso permitido aquelas que se enquadram no disposto no art. 17 do
Decreto nº 3.665/2000 – R-105. Ex: Revólver calibre.38 SPL, pistola

/
calibre.380 Auto, espingarda calibre 12.), para defesa pessoal, o
cidadão deverá demonstrar à Polícia Federal que preenche os seguintes
requisitos e apresentar os seguintes documentos:

a) idade mínima de 25 anos;

b) cópias autenticadas do RG, CPF e comprovante de residência;

c) elaborar uma declaração por escrito expondo os fatos e


circunstâncias que justifiquem o pedido de aquisição de arma de
fogo, demonstrando a efetiva necessidade;

d) comprovar idoneidade, apresentando certidões negativas


criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e
Eleitoral e comprovar, também, não estar respondendo a
inquérito policial ou processo criminal;

e) ocupação lícita;

f) aptidão psicológica, que deverá ser atestada por psicólogo


credenciado pela Polícia Federal (lista de psicólogos
credenciados:)

g) capacidade técnica, que deverá ser atestada por instrutor de


tiro credenciado pela Polícia Federal (lista de instrutores
credenciados);

h) fotografia 3x4 recente;

i) entregar o requerimento de autorização para aquisição de arma


de fogo preenchido (disponível no site do DPF);

j) pagar a taxa de emissão de certificado de registro de arma de


fogo (R$ 60,00 – nos termos do art. 11, I e Anexo da Lei
10.826/2003), caso seja deferido o pedido.

Já em posse da autorização devidamente emitida pelo Departamento


de Polícia Federal o cidadão poderá adquirir a arma de fogo em
qualquer estabelecimento comercial autorizado, no prazo de 30 dias.

/
Após adquirir a arma de fogo, deverá apresentar a nota fiscal emitida
pelo estabelecimento comercial e o comprovante de pagamento da taxa
de R$ 60,00 para, finalmente, requerer o registro da arma junto ao
SINARM e a guia de trânsito para transportá-la até a sua residência ou
local de trabalho.

O lojista somente entregará a arma ao novo proprietário se ele já


estiver com o registro e com a guia de trânsito em mãos, ambos
emitidos pela Polícia Federal.

Importante salientar que o registro de arma de fogo de uso permitido


autoriza apenas a posse da arma, que deverá permanecer sempre no
local registrado junto ao SINARM (residência ou local de trabalho
quando titular ou responsável legal do estabelecimento ou empresa),
com validade máxima de 3 anos podendo ser renovado sucessivas vezes
desde que demonstre preencher novamente os requisitos
supramencionados.

O cidadão que possui ou mantem sob a sua guarda arma de fogo ou


munição de uso permitido no interior da sua residência ou local de
trabalho sem este registro estará incidindo no crime previsto no art. 12
da Lei nº 10.826/2003, com pena de detenção de 1 a 3 anos e multa.

Já o indivíduo que for flagrado portando a arma em qualquer outro


local, que não seja o local que consta no registro junto ao SINARM,
estará incidindo no crime previsto no art. 15, da mesma Lei, com pena
de reclusão de 2 a 4 anos e multa, mesmo que o registro esteja regular.

Uma parte considerável dos requerimentos de aquisição ou renovação


de registro de arma de fogo são deferidos, bastando demonstrar
preencher todos os requisitos acima arrolados.

RENOVAÇÃO DE REGISTRO DE ARMA

DE FOGO

/
Quem já possui uma arma de fogo, devidamente registrada junto ao
SINARM, cujo registro esteja chegando ao término da validade deverá
comprovar preencher os mesmos requisitos acima descritos,
preenchendo formulário de renovação de registro e realizando os
mesmos testes necessários à aquisição. Também deverá pagar a taxa de
R$ 60,00.

Embora exista um entendimento (ainda) majoritário de que o


indivíduo que possui uma arma de fogo devidamente registrada, mas
que perde o prazo para renovação do registro, e é flagrado no local
autorizado pelo SINARM com o documento vencido esteja incidindo no
crime previsto no art. 12 do “Estatuto do Desarmamento”, com pena de
1 a 3 anos e multa, existe uma recente decisão do STJ noHabeas
Corpus nº 294.078-SP (2014/0106215-5) com entendimento diverso.

AUTORIZAÇÃO PARA PORTE DE ARMA

DE FOGO

O porte de arma de fogo (direito de portar a arma em qualquer outro


local que não seja o autorizado no registro), em regra, é proibido para o
cidadão “comum” nos termos do art. 6º, do “Estatuto do
Desarmamento”. Entretanto, existem exceções.

O caçador de subsistência (que abate animais, cujas caças são


permitidas, para se alimentar) poderá ter o requerimento de porte
deferido, mas o seu porte autorizará a utilização da arma
/
especificamente para esta finalidade.

Já o cidadão que precisa portar uma arma de fogo para a sua defesa
também poderá ter o requerimento de porte deferido, mas são cada vez
mais raros os casos onde a Polícia Federal tem compreendido como
necessária tal autorização.

Para requerer o porte de arma de fogo o cidadão já deverá possuir uma


arma devidamente registrada junto ao SINARM e, além de demonstrar
preencher todos os requisitos supramencionados para o registro,
deverá provar a efetiva necessidade do porte por exercício de atividade
profissional de risco ou ameaça à sua integridade física (elaborando
declaração por escrito e juntando provas que demonstrem a
necessidade do porte).

Os testes de aptidão psicológica e capacidade técnica para o porte de


arma de fogo são mais rigorosos do que os realizados para o registro e,
no caso do porte, será realizada uma entrevista com o interessado para
que explique os motivos do requerimento ao Policial Federal
responsável pela emissão da autorização.

No caso de ser deferido o pedido, deverá ser paga mais uma taxa no
valor de R$ 1.000,00, referente à expedição do porte, que terá a
validade máxima de 5 anos (normalmente autorizam por no máximo 3
anos, para coincidir com a validade do registro), podendo ser renovado
se comprovados novamente os requisitos.

Sempre que o cidadão que possui autorização para portar a arma de


fogo estiver com a arma fora do seu local de registro (casa ou local de
trabalho) deverá estar em posse dos documentos de registro e de porte,
além da sua identificação.

Para requerer o porte de arma é necessário, portanto, apresentar os


mesmos documentos necessários ao registro, informando ao psicólogo
e instrutor de tiro que deverá realizar os exames específicos para o

/
porte e, também, deverá agendar entrevista no Departamento de
Polícia Federal.

Existem inúmeros projetos de lei visando revogar o “Estatuto do


Desarmamento”. Alguns objetivam facilitar o acesso dos cidadãos às
armas de fogo, outros são ainda mais rigorosos e visam extinguir este
direito. Até que ocorram mudanças políticas e legais os procedimentos
acima descritos continuam sendo os necessários para que o “cidadão de
bem” possa exerecer plenamente o seu direito à legítima defesa.

REFERÊNCIAS:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826compilado.h
tm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3665.htm

http://legis.senado.gov.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?
id=252463

http://www.dpf.gov.br/servicos/armas/armas

https://www.defesa.org/

http://jus.com.br/artigos/32055/posse-de-arma-de-fogo-
comoregistro-vencido

ATUALIZAÇÃO DO ARTIGO EM

19/10/2015:

A Portaria Interministerial nº 702, de 31 de agosto de 2015, do


Ministério da Justiça, alterou os valores definidos em Lei majorando as
seguintes taxas:

/
Registro (e renovação de registro): passou de R$ 60,00 para R$
91,35;

Porte (e renovação do porte): passou de R$ 1.000,00 para R$


1.522,49.

Estas alterações parecem continuar no sentido de inviabilizar que uma


pessoa que possua condições financeiras precárias (que muitas vezes
reside/trabalha em local desprivilegiado e pode vir a necessitar ainda
mais de uma arma de fogo) tenha condições de exercer o seu direito à
legítima defesa.

Outra questão constatada recentemente é que, na prática, a entrevista


para concessão de porte de arma de fogo só está sendo realizada pela
Autoridade Policial quando o cidadão requerente demonstra
claramente (através de documentos) o preenchimento dos requisitos
legais, em especial da necessidade (em decorrência do exercício de
atividade profissional de risco ou de ameaça à sua integridade física).

Fonte: Jus

https://amitafamitaf.jusbrasil.com.br/artigos/249964506/passo-a-passo-para-o-
Disponível em:

cidadao-comum-que-deseja-adquirir-uma-arma-de-fogo-para-defesa-pessoal