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Hardware

PC&CIA # 81 # Abril 2008

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i índice

Seção do leitor
3
Notícias
4
Robonews - USA
7

10 Robcom – Construa um
robô de competição 10
Respondendo a pedidos dos leitores republicamos o Robô
de Combate, feito a partir de uma montagem econômica
por Newton C. Braga

Motor experimental
com reed-switch 20
Aprenda a montagem de um motor experimental feita
a partir do reed-switch
por Newton C. Braga

Sensores piroelétricos
e as lentes de Fresnel 23
Veja como funcionam e como implantá-los em alarmes
e detectores de incêndio
por Newton C. Braga

23 Transdutores
piezoelétricos 26
Confira sua funcionalidade e como usá-los em seus experimentos de
telefone, rádio de galena, transmissor, gerador de ruídos e sirene
por Newton C. Braga

Controle de potência
usando SCRs 30
Descrição de alguns blocos de projetos baseados em SCRs
por Newton C. Braga

26
Mecatrônica Fácil nº40

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Leitor
L

Seção do
Leitor
Robo Octa-1: Linguagem Ladder para Curso de Eletrônica Digital
MF01 e MF38 Basic Step M8 e M16 - MF35 de Newton C. Braga

“O colégio técnico no qual leciono “Ao ler o artigo ‘Programação “Ao ir na banca de jornais encon-
a disciplina “Projeto Mecatrônico” em Linguagem Ladder para Basic trei uma reedição do Curso de Eletrô-
é assinante da revista Mecatrônica Step M8 e M16’, publicado na revista nica Digital do autor Newton C. Braga,
Fácil, e por sugestão de um dos Mecatrônica Fácil nº 35, me interessei nº 1. Gostaria de saber se é somente
alunos matriculados no curso, o pro- pelo projeto. Gostaria de saber se o esta edição ou se existe a nº 2, e
jeto do Robô Octa 1 veiculado na 1ª cabo de comunicação tem esquema caso haja, como faço para adquirir um
edição da revista foi adotado como de ligação com o PC e onde posso exemplar?”
‘projeto de conclusão do curso’. encontrá-lo?” Niraldo Goretti Filho
O fato é que desenvolvemos o Nadson Argolo Juiz de Fora - MG
projeto ao longo do semestre e com- Salvador -BA
pramos os componentes listados na Niraldo, o livro Curso de Eletrônica
matéria. Agora, a 45 dias da forma- Caro leitor, não existe esquema de Digital foi reeditado e não possui con-
tura da turma, um dos alunos perdeu ligação com o PC. A concexão é feita tinuação. Caso queira adquiri-lo, en-
o exemplar, o que está prejudicando a através da porta serial (DB-9) e infor- tre em contato com nossa loja Saber
conclusão de seu projeto. mamos que este cabo não poderá ser Marketing (www.sabermarketing.
Tentei então, através do site: construído pelo leitor. O cabo utiliza- com.br), ou, se preferir faça através
www.sabermarketing.com.br adqui- do no artigo “Programação em Lin- do telefone 011- 2095-5330. O livro
rir outro, porém o mesmo não está guagem Ladder para Basic Step M8 e está disponível em nossa loja pelo o
mais disponível e gostaria de contar M16’” pode ser adquirido na loja Tato preço de R$ 18,90 + frete.
com o apoio de vocês, se possível.” Equipamentos (www.tato.ind.br).
Gilmar Tavares
Professor de Mecatrônica Controle de Motor CC pela
Colégio Batista Mineiro porta serial do PC - MF37
Ouro Branco – MG
Ao ler uma parte da revista , edição
Professor, com 37, encontrei uma matéria que muito
grande prazer inforinfor- me interessa . A matéria chama-se
mamos que este “Controle de motor CC pela porta se-
artigo foi republicado rial do PC” e cita que o código pode
recentemente em ser obtido pelo site Mecatrônica Atual,
nossa revista, devido na seção Downloads, porém não o
a constantes soli- encontrei. Seria possível providencia-
citações de nossos rem este código para mim?
leitores, sobre os André Algarte
exemplares já esgo-
tados. Peça para seu Olá André, atendendo ao seu pe-
aluno que procure o dido o download já está disponível
artigo no exemplar em nosso portal de Mecatrônica
nº 38 da Mecatrô- (www.mecatronicaatual.com.
nica Fácil. br),entre e confi ra!

Mecatrônica Fácil nº40 3


n notícias

Olímpiada do
Conhecimento 2008
ocorre em Santa Catarina,
Rio Grande do Sul e Paraná

Alunos dos cursos técnicos do Senai participam do


maior torneio de educação profissional da América
Latina

Eletrônica Industrial, Mecatrô- acumulados no curso”, afirma o coor-


nica, Mecânica Geral, Robótica, entre denador-executivo da Olimpíada do
outros cursos estarão presentes na Conhecimento, Antonio Carlos Dias.
Olimpíada do Conhecimento deste Em Blumenau as provas vão acon-
ano. A competição ocorre a cada dois tecer de 11 a 14 de junho, no Parque
anos e tem como objetivo incentivar Vila Germânica, e para os visistantes
os estudantes do Serviço Nacional de Porto Alegre as provas poderão
de Aprendizagem Industrial (Senai) e ser vistas no Centro de Exposições da
também avaliar os métodos de edu- FIERGS em 24 a 27 de julho. A expec-
cação aplicados nas escolas. tativa de Blumenau para 2008 é rece-
Para participar da olimpíada os ber 30 mil pessoas e reunir 182 alunos
interessados devem possuir e domi- competidores. Já Curitiba se prepara
Créditos: Banco de mídia por José Paulo Lacerda

nar as qualidades de um profissional, para ser o palco de 14 provas do setor


possuindo todas as habilidades e industrial na Universidade Positivo
conhecimentos das novas tecnolo- entre os dias de 13 a 16 de agosto,
gias para solucionar situações seme- contando que todos os estados parti-
lhantes as do mercado de trabalho. ciparão da prova de robótica móvel.
Os competidores precisam passar Tanto Porto Alegre, Blumenau,
pelas etapas escolares, estaduais e quanto Curitiba terão eventos parale-
nacional, com avaliações que contem- los, como o Inova Senai que trará tra-
plam provas de planejamento, processo balhos de docentes e alunos de todo o
de execução, produto e qualidades país. Os ganhadores da competição,
pessoais. “Ao serem selecionados na organizada pelo Senai, representarão o
etapa estadual, os alunos iniciam, de Brasil no WorldSkills International junto
imediato, um processo de treinamento com mais 45 países no intercâmbio tec-
que aprofunda os conhecimentos nológico em 2009, no Canadá.

Créditos: Banco de mídia por José Paulo Lacerda


Créditos: Banco de mídia por José Paulo Lacerda

Alunos Everton Toigo e Felipe Mendonça da Trindade


 na disputa de mecatrônica TesteMecatrônica Fácil nº40
em Robótica Industrial

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notícias n

Maratona de
Eficiência Energética
premia ganhadores
com Veículos Fiat
A quinta edição da ‘Maratona de Efi- EESM-03, da Santa Maria, que per-
ciência Energética’ premiou os ganha- correu com uma bateria de moto 125
dores das Universidades Anhembi cc (12 V-6 Ah). A comemoração das
Morumbi e Santa Maria com veículos equipes aconteceu em grande estilo
da Fiat Automóveis e motores da FPT ao som da música tema de Ayrton
para uso didático. A competição ocor- Senna.
reu entre os dias 24 e 26 de julho, no Para 2009, a Maratona de Efi-
Kartódromo de Interlagos, e contou ciência Energética inovará com a
com 28 carros elétricos e à gasolina. abertura da categoria “Biocombustí-
O desafio lançado para os estudan- veis” em parceria com o fabricante
tes foi o de criar veículos que sejam de motores Yanmar.
ecológicos e mais econômicos, trans-
formando as aulas teóricas em pura
diversão. A categoria “Gasolina” ficou
para a equipe Errba 3, da Universi-
dade Anhembi Morumbi, com a meta
de 343,17 km/l. O piloto, Ricardo Case-
miro Anthero, participa pela terceira vez
consecutiva da competição. “Desde
a minha primeira participação, ganhei
muito conhecimento, desenvolvi habili-
dades e aprendi a trabalhar em equipe.
No ano passado tivemos dificuldades
com o Errba 2, mas não desistimos,
superamos e conquistamos o 1º lugar
na prova”, afirma o aluno.
Já o primeiro e segundo lugares
da categoria “Elétrico” em mobilidade
sustentável foram conquistados pela

Mecatrônica Fácil nº40 

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n notícias

FEI desenvolve robô para


estrear na Competição
Brasileira de Robótica
Como um bom brasileiro, robô chuta e dribla para
disputar partidas de futebol

Os projetistas do robô, desenvol- com quatro baterias, sendo cada lhas, certificados e passagens para
vido para a Competição Brasileira de uma de 7,4 volts. “Trabalhamos participarem de competições mun-
Robótica, são estudantes dos cursos há um ano no projeto e ele poderá diais, pela Olimpíada Brasileira de
de Ciência da Computação, Enge- permitir à FEI participar em even- Robótica (OBR).
nharias Elétrica e Mecânica do centro tos internacionais”, diz o professor A final da Competição Brasileira
universitário da Fundação Educacio- e coordenador do curso de Ciência de Robótica será realizada junto com
nal Inaciana (FEI). A invenção possui da Computação da FEI, Flávio Toni- a Competição Latino-Americana de
quinze centímetros de altura e formato dandel. Robótica e Olimpíada Brasileira de
cilíndrico, sendo capaz de chutar, andar A Competição Brasileira de Robó- Robótica em Salvador, Bahia, entre
em todas as direções sem precisar virar tica (CBR) tem como objetivo fazer os dias 25 e 30 de outubro deste ano.
e até de driblar os adversários. com que estudantes e pesquisadores As fichas de inscrição para a OBR já
Projetado para participar na cate- de Robótica Móvel interajam, e ainda podem ser efetuadas, variando por
goria Small Size, o robô é composto despertar interesse pelas áreas de modalidades, entre os dias 14 de abril
por cincos motores e quatro rodas, Ciência e Robótica. Os participantes e 29 de agosto de 2008.
que garantem a estabilidade e acele- ganham, além da experiência desen- Saiba mais:
ração mais uniforme, além de contar volvida ao longo dos desafios, meda- http://obr.ic.unicamp.br

 Mecatrônica Fácil nº40

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notícias n
Robonews
Jeff Eckert

Nova tecnologia
de toque
Crédito: Projeto BIOTACT .

seus bigodes para frente e para trás


para colher informações de suas vizi-
nhanças. Assim, um robô que tenha
centenas de sensores na forma de
Concepção artística do “ScratchBot” empregando o bigodes pode ser capaz de procurar,
sensor BIOTACT. identificar e seguir objetos que se mo-
vam, mesmo em lugares em que a vi-
são de máquinas seja problemática.
Um dos problemas da robótica Touch, www.biotact.org) você pode O desafio é desenvolver novos
consiste em colocar nas máquinas encontrar o projeto criado pela União métodos biométricos computacionais
o sentido do toque, e para resolver Européia envolvendo nove grupos de e tecnologias que permitam implantar
isso: o que poderia ser melhor para pesquisa em sete países. isso. Para essa finalidade o consór-
aprendizagem do que o sensível ami- A meta é emular a maneira que cio foi dotado de uma verba de 11,8
go rato? No site da BIOTACT (BIOmi- mamíferos como ratos e mussara- milhões de dólares em 4 anos, o que
metic Technology for vibrissal Active nhos etruscos podem movimentar parece ser suficiente.

Showcase
Créditos: Roboexotica.com.

de Robôs
No começo, parecia com tri- (ambiente), ou para documentar a
bos germânicas unindo um fetiche crescente ocorrência do hedonismo
curioso de linkar robótica com cam- na comunicação homem-máquina”.
pos ostensivos de diferentes áreas Pense nisso!
como sociologia, filosofia e arte. Foi Mas, você pode parar de se pre-
na robótica, no décimo aniversário ocupar, pois a Roboexotica pretende
da conferência Roboexotica, que re- preencher esse vácuo. Ela consiste
centemente veio à luz. geralmente numa série de eventos
De acordo com o criador do (exibições, conferências, workshops,
evento, baseado em Viena (www. música e apresentação de filmes)
roboexotica.com): “Até recente- espalhados por vários locais de Vie-
mente, nenhuma atenção fora dada na. Este ano, depois de 4 seções na
para se discutir publicamente as Áustria, ela será apresentada em São
regras da robótica como um index Francisco (EUA).
para a integração das inovações
tecnológicas com o Lebenswelt

Mecatrônica Fácil nº40 Um participante da Roboexotica 2007.




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n notícias

Mini-robôs de rede
O iRobot irá aproveitar fundos do o financiamento, a empresa vai pro- ser pequeno o bastante para que
governo americano para ser desen- duzir o robô LANdroid, encontrado no um simples combatente de infantaria
volvido, sendo que a verba conta com site (www.irobot.com). possa carregar diversos robôs bara-
até US 3 milhões durante três anos, Ele é um dispositivo repetidor por- tos (a ponto de serem descartados)
do Defense Advanced Research Pro- tátil de comunicações e, de acordo e robusto o suficiente para ser usado
jects Agency (www.darpa.gov). Com com o contratante, “este robô vai em combate, adequadamente esperto
para detectar de modo autônomo e
Créditos: DARPA.
evitar obstáculos, ao mesmo tempo
que navega em ambiente urbano”.
O objetivo é possibilitar a ope-
ração de redes em áreas urbanas
onde construções ou outros objetos
possam operar as operações sem fio.
Em operação, cada um dos peque-
nos robôs vai se movimentar até
encontrar um local apropriado para
funcionar como um nodo, e então
comunicar-se com o resto da equipe
de robôs para formar uma rede. Se
um deles for destruído, os outros
ajustarão suas posições para manter
o sistema funcionando.
Uma visão do que um robô LANdroid pode parecer.

Robô ajuda na
Créditos: Prosurgics.
endoscopia
O dispositivo focalizado é o En-
doAssist, um manipulador endoscópi-
co robótico oferecido pela Prosurgics
Ltd. Usado em cirurgia invasiva torá-
cica e abdominal, ele é útil para diver-
sas aplicações em cirurgia geral. Seu
destaque é que o cirurgião controla os
ângulos da câmera simplesmente mo-
vimentando sua cabeça. Por exem-
plo: vire a cabeça para a esquerda e
a câmera também se move.
Você ainda pode buscar detalhes,
aplicar o zoom, ou mesmo modificar
a visão em qualquer direção. Para
mais detalhes, consulte no endereço:
www.prosurgics.com/prosurgics_
endoassist.htm.

O manipulador robótico EndoAssist.

 Mecatrônica Fácil nº40

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notícias n
O abutre raramente vem
para casa descansar
Em um nível mais celestial, a 1 são a Aurora Flight Sciences (www. energia solar durante o dia e a arma-
DARPA está financiando uma com- aurora.aero), Boeing (www.boeing. zena para a noite. Ele combina três
petição para desenvolver um veículo com) e a Lockheed Martin (www. aeronaves numa estrutura em Z de
aéreo não tripulado que deverá bater lockhedmartin.com). 150 metros.
recordes de resistência. O pássaro Uma variedade de abordagens A Boeing espera elaborar um pro-
drenará 5 kW de energia, carregará para a propulsão, incluindo as de sol- jeto baseado no existente Britânico
450 kg de peso e ficará no ar por dar e combustão interna, deverão ser Zewphyr de alta altitude em parceria
pelo menos 5 anos, permanecendo consideradas, no entanto, também com a QinetiQ (www.qinetiq.com). A
em seu espaço 99% do tempo e ao estão em pauta a propulsão nuclear Lockheed Martin também trabalha no
mesmo tempo, combatendo ventos e recursos mais leves do que o ar. O projeto.
encontrados nas altas altitudes, que projeto vencedor deverá estar com os Os competidores têm 12 meses para
estarão na faixa de 18 000 a 27 000 padrões do espaço, não com os da mostrar os seus projetos iniciais para a
metros. aviação, uma vez que somente um análise da DARPA. A fase 2 terminará
O objetivo é proporcionar missões “pseudo-satélite” deve ser capaz de com três meses de vôos de teste de um
de inteligência, vigilância, reconhe- demandar esses recursos. demonstrador em subescala. A fase
cimento e comunicação em locais de A oferta da Aurora deve ser ba- final será de 1 mês de testes com um
interesse. Os contratantes para a fase seada no projeto Odysseus, que usa veículo em tamanho real.

Uribot opera no
aeroporto de Kobe
Crédito: Impress Watch Corp.
Ultimamente, a mais estranha apli-
cação da robótica é o Dasubee, um
robô projetado especificamente para
limpar vasos sanitários. Um exemplar
já está em operação no aeroporto de
Kobe, no Japão.
Um astuto observador deverá notar
que ele se parece com um elefante. O
projetista Susumu Kanai revelou que
seu projeto foi inspirado na tromba do
paquiderme, que se assemelha a um
poderoso canhão de água, empre-
gado pelo robô. As orelhas são as
mãos e os olhos são botões de partida
e parada. O pequeno chapéu amarelo
é um tanque de 50 litros.
Usando um detergente antibac-
terial especialmente desenvolvido, o
Dasubee pode limpar um vaso sanitá-
rio em apenas 10 segundos. Se você
ainda está relutante em comprar um,
considere que ele também possui
recursos para limpar o chão. Você
poderá comprá-lo por 9 500 dólares.

Mecatrônica Fácil nº40 Dasubee, o robô urinal e seu orgulhoso operador.




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p projeto

ROBCOM
Construa um robô
de competição
Montagem absolutamente
econômica ao alcance
de todos.

Descrevemos a montagem de um Newton Braga


robô de combate empregando
material improvisado (de
sucata) sem nenhum com-
ponente crítico. Ideal para
ser usado em cursos dos
níveis fundamental e médio,
e também técnicos, com ele-
mentos que podem ser asso-
ciados tanto às disciplinas
normais do currículo como
introduzindo conceitos de
tecnologia bastante atuais.
O que mais se destaca no
projeto é o aspecto lúdico,
já que os robôs podem par-
ticipar de combates em
duplas ou de guerras com
duas equipes se digladiando.
Veja neste artigo
como você e
seus amigos
podem realizar
uma guerra de
robôs ou ainda
implementar
esta fantástica atividade em
sua escola.

10 Mecatrônica Fácil nº40


projeto p
1 2
Movimentos do ROBCOM. Arena de combate.

combate que pode ser montado e balão com anteparos para um comba-
controlado por estudantes até mes- te de habilidade.
mo das últimas séries do ensino A finalidade da “briga” a de que,
fundamental. O custo total estimado num combate entre dois robôs, um
Se os temas “robótica” de cada robô, incluindo os compo- deles tenha de estourar o balão do
e “mecatrônica” já estão em alta em nentes eletrônicos, não deverá su- outro!
todos os níveis de ensino, a Guerra perar os R$ 30,00. Um aperfeiçoamento que pode
de Robôs tem um destaque ainda ser introduzido no projeto, isso para
maior com a realização inclusive de ROBCOM - Um robô cursos mais avançados, é colocar um
competições internacionais de altíssi- “de briga” sistema de interruptores de lâmina ou
mo nível. A idéia básica do ROBCOM é a de mesmo sensores fotoelétricos de tal
No entanto, quando se fala em um pequeno veículo (robô) controla- forma que no momento em que o ba-
Guerra de Robôs, o primeiro obstácu- do por um cabo de 3 metros de com- lão for estourado a alimentação seja
lo que todos lembram é a inacessibili- primento, que pode realizar qualquer cortada, e o robô “morra”, não mais se
dade da tecnologia que um verdadeiro movimento comandado por um joysti- movimentando.
robô de combate deve possuir. Custo ck, o qual é formado por duas chaves A competição pode ser realizada
elevado, peças que não podem ser de 3 posições. em uma “arena” formada por 4 sarra-
encontradas com facilidade e conhe- Na posição de repouso, os moto- fos de 2,5 ou 3 m, conforme ilustra a
cimento de uma tecnologia que não res do robô não são alimentados e ele figura 2.
está ao nosso alcance (senão dos es- permanece em repouso. As regras adicionais incluem a
tudantes mais avançados de cursos Pressionando-se os dois botões proibição dos combatentes entrarem
técnicos e engenharia) é o que logo para a frente, o robô avança em linha na arena ou puxarem os veículos pe-
vem à mente. reta, e pressionando-se os dois para los fios.
Isso já ocorreu quando tivemos trás o robô recua em linha reta. Quan- Para uma guerra, uma arena de
que enfrentar o desafio de montar um do pressionamos um botão apenas 6 x 3 metros poderá ser elaborada,
veículo mecatrônico que estivesse ao para frente, o robô avança virando com dois exércitos, cada qual carre-
alcance até mesmo dos estudantes para a esquerda (ou direita) conforme gando bexigas de uma cor diferente.
de escolas de nível fundamental, sem o botão. Se pressionarmos um botão O “mata-mata” deverá terminar ape-
tecnologia dominada ou recursos téc- para trás, o robô recua girando para a nas quando um ou mais robôs com
nicos de um laboratório. esquerda ou para a direita. Uma cur- bexigas de uma cor permanecerem,
A criação do VM-1, publicado na va, ou manobra de giro, sem sair do determinando o exército vencedor.
Edição Número 3 desta revista, foi o lugar, pode ser obtida pressionando-
resultado desse projeto. se um botão para frente e o outro para O ROBCOM – Descrição
Entretanto, não ficamos apenas trás. do robô
nesse veículo. Nosso desafio seguin- Tudo que foi dito é mostrado na Para tornar o robô muito acessível
te foi fazer justamente o mesmo com figura 1. optamos pelo controle via cabo e pela
um robô de combate. Trabalhamos no Fica claro que pelo manuseio transmissão por acoplamento direto
projeto com os nossos alunos do Co- dos botões com habilidade, o ope- do motor às rodas, evitando assim o
légio “Mater Amabilis”, de Guarulhos rador pode realizar qualquer movi- uso de caixas de redução.
- SP, e o resultado é o ROBCOM que mento com o robô. Mas, e a idéia do Deve-se levar em conta que um
agora descrevemos neste artigo. combate? sistema de transmissão via rádio,
Usando peças absolutamente A idéia é simples: vamos prender além do custo elevado, esbarra no
acessíveis, dando as possibilidades em cada robô um balão de borracha e problema das dificuldades de ajustes,
de criação sobre um projeto bási- montar na sua parte frontal (ou lateral) interferências e ainda na questão de
co (altamente recomendada pelos agulhas de até 10 cm de comprimen- se encontrar uma freqüência diferente
parâmetros do ensino moderno), to. Limitamos o número de agulhas a para cada um dos participantes, prin-
chegamos a um pequeno robô de quatro, e proibimos de se proteger o cipalmente se eles forem muitos.

Mecatrônica Fácil nº40 11


p projeto
a) Parte elétrica lhas pequenas que propulsionam o tamos, pode admitir variações dentro
Para a parte elétrica temos um veículo. de regras que sejam estabelecidas
circuito muito simples onde usamos A parte importante da montagem pelos que organizarem uma eventual
chaves reversíveis de 3 posições, eletrônica é mostrar como podemos competição.
conforme apresentamos na figura 3. controlar os motores (sentido de rota- As rodas traseiras são formadas
Cada uma das chaves controla ção), invertendo o sentido da corrente por dois CDs colados em rodinhas
(por um cabo de 4 x 26 (4 fios AWG através das chavinhas. de carrinhos de brinquedo com mo-
26) bem flexível) os dois motores que vimento livre. Para a transmissão do
ficam montados no veículo. b) Parte mecânica movimento, o eixo do motor é encos-
As chaves são fixadas numa cai- Na figura 4 vemos o robô na sua tado diretamente na borda do CD.
xinha juntamente com as quatro pi- versão básica que, conforme já salien- Dessa forma, temos uma redução
natural da velocidade e um aumento
3 de torque dado justamente pela rela-
Circuito elétrico.
ção entre o diâmetro do CD e o diâ-
metro do eixo do motor.
Para melhorar a eficiência do sis-
tema de propulsão adotamos três me-
didas:
1. Colocamos uma pequena “luva”
no eixo do motor, que nada mais é
do que um pedaço de capa de fio
plástico rígido ou mesmo um tubi-
nho plástico.
2. Recobrimos o CD com uma es-
pécie de “pneu”, que pode ser fei-
to envolvendo-o com fita isolante
comum ou colando um pedaço de
borracha de tubo de nylon ou outro
4 material semelhante a borracha.
Características mecânicas.
3. Montamos o motor em um supor-
te flutuante (móvel) com um elástico
para pressioná-lo sobre o CD.

Na figura 5 ilustramos como a sus-


pensão móvel é feita, garantindo que
o motor não trave devido às pequenas
excentricidades na montagem da roda.
A roda dianteira é do tipo “livre”,
podendo ser obtida de cadeiras de
escritório, móveis, etc., sendo encon-
trada a um custo bastante baixo em
casas de materiais de construção e
material elétrico.
O chassi poderá ser feito de pa-
pelão, madeira ou plástico. Caixas de
CDs resultam em excelentes mate-
5 riais para a montagem do chassi e da
Detalhes dos sistemas de propulsão.
própria suspensão do motor.

Montagem passo-a-passo
A implementação, principalmente
com finalidades pedagógicas, exige
um detalhamento completo do pro-
cesso de montagem, especialmente
para treinamento de professores.

Montagem da Parte Elétrica


a) Ligação das Chaves
As chaves devem ser fixadas
numa caixinha plástica que irá ser-

12 Mecatrônica Fácil nº40

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projeto p
6 7 8
Ligações das chaves (esquema). Fios cortados e chaves Soldando os fios.

9 10 11
Ligações das chaves. Desencapando o cabo. Cabo desencapado

12 13
Soldando os fios do cabo ao motor. Fios do cabo soldado
vir de controle remoto. A caixa deve
ser furada para que as chaves se
encaixem e haja lugar para colocar
as pilhas. Uma saboneteira de plás-
tico serve perfeitamente para essa
finalidade.
Começamos por soldar os 6 fios
de aproximadamente 5 cm da forma
exibida nas figuras 6 a 9.

b) Preparação do Cabo
O cabo é preparado cortando-se
aproximadamente 7 cm da capa que c) Soldagem do Cabo Veja nas figuras 14 e 15 a corres-
o recobre nas duas extremidades, aos Motores pondência da numeração dos fios.
usando-se para isso um estilete. Nes- Os fios 1 e 2 serão soldados a um Não faça trocas, pois se isso ocorrer,
sa operação, vista nas figuras 10 e dos motores, enquanto os fios 3 e 4 o robô não irá funcionar.
11, deve-se tomar o máximo cuidado serão soldados ao outro motor. Pos-
para que os 4 fios internos não sejam teriormente, se os motores ficarem e) Circuito elétrico
danificados. Guarde os pedaços de com sentidos invertidos bastará inver- Veja na figura 16 a montagem da
capa de fio, pois eles servem para ter a ligação dos fios de um deles. As fiação.
prender o eixo das rodas - veja parte figuras 12 e 13 revelam como isso
mecânica. deve ser feito. Teste da Parte Elétrica
As pontas dos fios internos de- O cabo deve ser preso junto à Terminando de montar o circuito
vem ter 0,5 cm descascados para base móvel para se evitar que eles elétrico, já é possível fazer um teste
soldagem. forcem os terminais dos motores ,em de funcionamento. Para isso, coloque
Os cabos desse tipo possuem caso de um puxão mais forte. pilhas no suporte. Apertando os dois
condutores com cores diferentes que botões para a frente, os dois motores
devem ser identificados com os núme- d) Soldagem do Cabo devem girar no mesmo sentido. Se
ros 1,2,3 e 4 (marque em um papel as às Chaves isso não ocorrer, inverta os fios de um
cores correspondentes para não fazer O próximo passo consiste na sol- deles. Se algum motor não funcionar
confusão depois). dagem dos fios do cabo às chaves. ou o dois, verifique todas as ligações,

Mecatrônica Fácil nº40 13

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p projeto
se as soldas estão corretas ou se va interessante é usar duas caixinhas A furação é feita colocando-se
você não cortou acidentalmente os plásticas de CD montadas em oposi- uma caixinha sobre a outra na posi-
fios do cabo. ção, conforme ilustra a figura 17. ção em que as tampas abrem para
Para o caso do papelão devem ser lados opostos e marcando-se com
f) A caixa de controle previstas abas, que irão dar maior re- uma caneta hidrográfica o local de
Com o teste realizado será possí- sistência mecânica ao conjunto. dois furos (não será necessário usar
vel fechar as chaves e o suporte de os quatro).
pilhas na caixa de controle. Com isso, b) Roda Frontal Feita a marcação, use a ponta de
essa fase da montagem estará termi- Na parte frontal deve ser fixada a um ferro de soldar aquecido para fazer
nada. roda livre. Há duas possibilidades, con- os furos, tirando (depois) as rebarbas
forme o tipo de roda adquirida. Algumas do plástico com um estilete. A roda é
Parte Mecânica possuem 4 furos para fixação por pa- presa com parafusos de 3/4 “x 1/4” ou
a) Montagem do Chassi rafuso, enquanto que outras possuem próximo disso, com porcas e arruelas.
O chassi pode ser feito de pape- apenas um pino. Nas figuras 18 e 19 Uma folha de metal rígido ou mes-
lão, plástico ou madeira com as di- mostramos a fixação de uma roda com mo plástico é colada na parte de bai-
mensões aproximadas indicadas: de quatro furos, usando dois, no caso do xo do chassi de modo a evitar que ele
25 cm x 12 cm. Uma solução alternati- chassi feito com caixas de CD. dobre. As figuras 20 e 21 mostram
esta parte da montagem.
14 15 O importante na escolha da roda é
Soldando os fios do cabo das chaves Fios do cabo soldados.
que ela seja a mais leve e mole possí-
vel para poder acompanhar os movi-
mentos rápidos do robô.

c) Rodas Propulsoras
As rodas propulsoras são feitas
com CDs comuns.
Inicialmente colocamos em torno
de cada CD fita isolante para servir de
“pneus”, de modo a aumentar a ade-
rência do robô em relação ao solo e
a própria transmissão de movimento
16 pelo motor (figura 22)
Circuito elétrico pronto.
Em cada CD colamos uma rodi-
nha de plástico e o eixo tirado de
um carrinho de brinquedo. A roda
plástica da outra extremidade é re-
tirada, veja as figuras 23 e 24.
O ponto crítico nessa fixação é
que a centralização da rodinha no CD
deve ser perfeita. Se houver excentri-
cidade, a roda poderá jogar afetando
a mobilidade do robô.
Devemos cuidar também para que
o eixo escolhido não seja muito curto
(deve ter pelo menos 4 cm) de maneira

17 18 19
Caixas de CDs. Roda livre. Furando o chassi.

14 Mecatrônica Fácil nº40

MF40_Robcom.indd 14 5/8/2008 11:14:46


projeto p
20 21
Inserindo chapa de metal. Chassi com a roda livre.

22 23
Fazendo um pneu com a fita isolante. Colando um roda de brinquedo no CD.

24 25 26
Rodas e eixos do ROBCOM. Material para a fixação das rodas. Peças de fixação.

que as rodas fiquem firmes, não “jogan- das é colocado entre os pedaços de eles tenham apenas os eixos apoiados
do” com o movimento do robô. papelão. Deve-se cuidar para que a nas rodas propulsoras. A pressão do
sua fixação seja tal que não impeça o eixo sobre as rodas propulsoras é ga-
d) Fixação das Rodas movimento das rodas e que não fique rantida por um elástico, conforme reve-
Propulsoras nenhum jogo. lam as fotos. (Figuras 29 e 30)
Para a fixação usamos dois peda- Nas extremidades do eixo são co- Um ponto importante, ao se colar
ços de canudinhos de refresco, que locados dois pedacinhos de capa de os motores é que eles devem ser ali-
são cortados de modo a deixar apro- fio (que podem ser aproveitados do nhados com as rodas CDs de modo
ximadamente meio centímetro do eixo cabo - veja parte elétrica) para impe- que seus eixos se apoiem exatamente
de cada roda livre. dir que ele escape. A figura 28 mos- sobre elas, sem o perigo de escapar.
Cortamos depois pedaços de pa- tra esta fase da montagem. Observe que no eixo de cada motor
pelão nas formas indicadas nas figu- colocamos um “prolongador”, que nada
ras 25 e 26 e os colamos na base do e) Preparação da Base Articula- mais é do que um pedacinho de tubo
robô da forma apresentada na figura da e Fixação do Motor de tinta de caneta esferográfica vazia.
27. Os motores são fixados na base ar- Esse sistema tem a vantagem de
O canudinho que vai servir de bu- ticulada, que no nosso caso é a tampa não forçar o motor, mesmo em fun-
cha para a passagem do eixo das ro- móvel da caixa de CD, de modo que ção de balanços da roda devidos a

Mecatrônica Fácil nº40 15

MF40_Robcom.indd 15 5/8/2008 11:15:28


p projeto
27 ser preso ao conjunto com a ajuda
Peças de fixação das rodas coladas no chassi.
de uma braçadeira, ou outro recurso
equivalente.

f) Armas e Balão
As armas consistem de agulhas
de tricô ou de costura de no máximo
10 cm de comprimento que podem
ser fixadas em um anteparo na parte
frontal, conforme ilustram as figura
31 a 33.
Será importante, caso o robô seja
manuseado por estudantes, que no
transporte as agulhas fiquem prote-
gidas com canudinhos plásticos para
28 evitar acidentes.
Fixando as rodas
No robô original usamos 3 agu-
lhas, mas existe a possibilidade de se
utilizar mais e que estas possam ser
fixadas em outras posições além da
indicada. Duas na frente e duas nas
laterais, por exemplo.
O balão deverá ser fixado no cen-
tro do robô de modo a ficar voltado
para trás. (figura 34)
Note na figura 35, um exemplar
da caixa de controle.

Teste Final de
29 Funcionamento
Colando os motores.
O teste final de funcionamento
consiste em verificar se o robô se
move corretamente nas direções de-
sejadas e com boa agilidade. Deve-se
ter atenção para com o motor, verifi-
cando se o eixo não escapa durante o
movimento ou se ele não trava.

Treino e combate
Evidentemente, antes de partir
para um combate, os operadores dos
robôs devem passar por um bom trei-
30 desalinhamentos ou excentricidade, no que lhes garanta total controle so-
Colocação do elástico.
como também de evitar travamentos bre todos os movimentos.
ou mesmo problemas, caso o robô O combate é realizado numa are-
venha a travar num combate. na formada por 4 sarrafos de 3 metros
O motor irá girar em falso, sem de comprimento, ou próximo disso.
perigo de haver uma sobrecorrente Em uma primeira possibilida-
capaz de causar sua queima. de os robôs são colocados dois a
Essa parte articulada terá o local dois, e fazem uma luta simples onde
para se colocar um parafuso com por- um deve estourar o balão do outro.
ca para prender o elástico. O furo para Aquele que tiver o balão estourado é
esse parafuso é feito com o soldador. desclassificado, ficando o outro para
Na parte inferior não articulada do a luta seguinte. Com eliminatórias
CD fazemos outro furo, onde um novo simples, pode-se chegar ao grande
parafuso prenderá a outra extremida- campeão.
de do elástico (ver figura 30). No final do combate, os competi-
Para evitar puxões do fio, que dores poderão ser divididos em dois
podem rompê-lo ou fazer com que “exércitos” cada qual com balões de
se soltem dos motores, o cabo pode uma cor.

16 Mecatrônica Fácil nº40

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projeto p
31 32 33
Anteparo de papelão. Agulhas fixadas ao anteparo Armas fixadas no chassi.

34 35
ROBCOM pronto. Caixa de controle.

Lista de materiais:

a) Parte Elétrica:
M1, M2 - Motores de corrente
contínua de 6 V (Mabuchi ou
equivalente) - Observação: os
dois motores devem ser iguais

S1, S2 - Chaves de 2 pólos x 3


posições - de contato momentâ-
neo
Em um processo de “mata-mata”, custo, acrescentando-se ainda o de- B1 - 4 pilhas pequenas
ganhará a batalha o exército que ficar senvolvimento das habilidades manu-
com um ou mais balões intactos da ais (com ênfase à coordenação motora Diversos: 3 metros de cabo 4 x
mesma cor. fina), é algo extremamente atraente. 24 AWG, 1 metro de fio comum,
Assim, a inclusão de um projeto como suporte de 4 pilhas, solda, etc.
Outra competição este pode ser facilmente realizada no
Uma outra competição que pode ensino de diversos temas curriculares b) Parte Mecânica
ser realizada com os robôs para me- importantes ligados a Ciências (do en- 1 base de madeira, plástico ou
dir a habilidade no controle é uma sino fundamental) e Física (do ensino papelão de 25x12cm
corrida de obstáculos, onde cada médio) com destaque para os seguin- 1 caixa de CDs
competidor tem que dirigir seu veículo tes temas: 2 CDs
por entre cones sem bater. Cada um • Funcionamento do motor elétrico 1 roda livre (de cadeira)
Papelão grosso
terá o tempo cronometrado e vencerá • Circuito elétrico simples e inver-
Canudinho de refresco
aquele que fizer o percurso em menor são do sentido de circulação da
Rodinha e eixo de carrinho
tempo e com menos faltas. corrente de brinquedo de até 3 cm de
• Velocidade e movimento diâmetro
PCNs – Agregando valor ao • Transmissão de movimento Quatro agulhas de até 4 cm de
currículo do ensino médio e • Conceito de redução de velocida- comprimento
fundamental de e aumento de torque - redução Um balão de borracha
Uma das exigências do ensino mo- • Inércia Elástico
derno é justamente agregar tecnologia • Estratégia e controle Parafusos e porcas de 1” x 1/4”
ao aprendizado das disciplinas tradi- • Conversão de energia (elétrica ou 3/4” x 1/8”
cionais. A possibilidade de se fazer em mecânica).
isso com material simples e de baixo f

Mecatrônica Fácil nº40 17

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p projeto

A estrutura
de plástico
do ROBCOM
José Francci Júnior

No projeto do robô de mobilidade do conjunto - é possível de 2 mm. Resolvemos deixar as pil-


combate procuramos seguir o con- executar giros de 360º com os mo- has na caixa de comando para que
hecimento de estruturas modulares tores invertidos sem que o robô saia o robô, mais leve, tenha maior agi-
reutilizáveis, portanto, criamos um do lugar. lidade. O cabo de comando foi preso
módulo motriz em forma de caixa As peças exclusivas desse pro- firmemente à estrutura por uma bra-
contendo os motores e mais o espaço jeto são o escudo de proteção da çadeira de plástico para evitar danos
livre para, eventualmente, acomodar bexiga e a lança com os agulhões; nas soldas durante as manobras.
caixas de pilhas ou baterias. foram construídas com ênfase na Toda a construção foi executada
As duas rodas livres em eixos resistência, pois sofrem impactos com plástico poliestireno de 1 mm
de metal estão fixadas a estruturas durante o combate e devem perman- (peças amarelas) e 2 mm (peças
tipo viga “T“ invertidas, que também ecer íntegras. brancas) com os módulos parafusa-
poderão ser utilizadas em projetos As chaves e as pilhas foram insta- dos entre si para permitir futuras des-
futuros. Optamos por duas rodas ladas na caixa de comando construí- montagens. É isso aí pessoal, não é
livres para explorar ao máximo a da em chapa de plástico poliestireno difícil, mãos à obra!

1 2 3
Construção do módulo motriz. Construção das rodas principais. Construção da caixa de comando.

4 5 6
Detalhe das vigas de suporte das rodas Detalhe das rodas livres construídas Detalhe das rodas livres, note o reforço
livres. a partir de roda de aeromodelo de 1 com cinta de chapa de plástico poliesti-
polegada e meia, com eixo de metal e reno de 1 mm.
suspensão.

18 Mecatrônica Fácil nº40

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projeto p
7 8 9
Chassi completo do robô de competição. Detalhe da braçadeira de plástico que fixa Construção do escudo de proteção da
o cabo de comando no chassi. bexiga.

10 11 12
Detalhe da construção da lança; note que O conjunto escudo e lança. Detalhe da instalação da caixa de
os agulhões foram fixados com massa comando. O cabo de comando foi
epóxi. fixado à caixa com cola de silicone.

13 14 15
Caixa de comando completa. Robô de competição completo sem Robô de competição completo sem
pintura. pintura (II).

16 17 18
Detalhes do robô de competição (I). Detalhes do robô de competição (II). Robô de competição completo pintado.

Mecatrônica Fácil nº40 19

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m montagem

Motor
experimental
com reed-switch
Trazemos, agora, um projeto bastante interessante
que pode ser elaborado a partir de um reed-switch e
um motor experimental muito simples que funciona
com pilhas. Descrevemos neste artigo a montagem
desse motor experimental.

Newton C. Braga

O projeto de motor expe- Na figura 1 temos sua estrutura ção diferente que ficará clara ao anali-
rimental com reed-switch é ideal para básica: uma bobina gira entre os pó- sarmos como ele funciona.
implementação como atividade pa- los de um ímã e a cada meia volta um
ralela (tema transversal) de Ciências sistema de escovas comuta a corrente Funcionamento
nos cursos fundamentais. Sua simpli- de modo que, com sua inversão, as Conforme mostra a figura 2, te-
cidade e o fato de se trabalhar com forças magnéticas mantenham o mo- mos um rotor que pode ser feito com
material fácil de manusear, sem a ne- tor em movimento. um pedaço de cabo de vassoura ou
cessidade de soldagens, são atrativos Nosso motor opera segundo o mes- mesmo dois copos de plástico, em
que devem ser considerados. mo princípio: forças magnéticas cria- que dois ímãs permanentes pequenos
O princípio de funcionamento des- das pela corrente que passa através são presos.
se motor é o mesmo da maioria dos de uma bobina. No entanto, em lugar Esses dois ímãs são obtidos de
pequenos motores de corrente contí- de fazermos a bobina girar e manter o motores de brinquedos, ou podem ser
nua encontrados em aplicações do- ímã fixo, desenvolvemos uma disposi- ímãs de geladeira.
mésticas e brinquedos.
2
Exemplo de rotor experimental
1
Estrutura básica do motor

20 Mecatrônica Fácil nº40

MF40_Motor_vFinal.indd 20 5/8/2008 11:23:22


montagem m
3 4 5
Interruptor de lâminas Posição inicial do motor 2ª posição do motor, após girar

Uma bobina é colocada de modo d) Da mesma forma que na fase 6


3ª posição do motor,
que seu campo possa atuar sobre es- anterior, o motor gira até esta que continua girando
ses ímãs e do lado oposto do rotor te- posição por inércia, pois o
mos um reed-switch. reed-switch é aberto desligan-
O reed-switch nada mais é do que do a corrente tão logo o ímã
um interruptor de lâminas que funcio- (A) saia da sua frente.
na com a ação de um campo magnéti-
co, observe a figura 3. O movimento continua a ocorrer
Quando aproximamos um ímã de dessa forma enquanto houver ten-
um reed-switch, o campo magnético são disponível para produzir o campo
imanta as lâminas que se aproximam magnético quando, então, o red-switch
fechando os contatos do circuito e dei- é fechado.
xando a corrente circular. Veja que o ponto crítico na mon-
No caso de nosso motor, temos as tagem desse motor é colocar os ímãs 7
4ª posição do motor,
seguintes fases para o seu funciona- com as polaridades certas para que que continua a girar
mento, partindo da figura 4: eles sejam repelidos quando a bobina
a) Com o motor na posição da fi- é energizada. Isso significa que você
gura 4, o ímã (B) atua sobre o precisa verificar antes qual é a posição
reed-switch de modo que ele em que acontece a repulsão e saber
fecha seus contatos, e com onde estão os pólos dos ímãs que
isso deixa uma corrente fluir você está usando.
pela bobina. Essa corrente cria
um campo magnético de tal Montagem
polaridade que repele o ímã Na figura 8 temos o diagrama ele-
(A) que se encontra nas suas trônico do motor.
proximidades. Então o motor Na figura 9 a disposição dos diver-
começa a girar, indo para a po- sos componentes da montagem.
sição ilustrada na figura 5. O eletroímã pode ser montado en-
b) Tão logo o ímã (B) se afasta rolando-se de 100 a 300 espiras de 8
Diagrama eletrônico do motor
do reed-switch, a corrente no fio esmaltado fino (28 a 32 AWG) em
circuito é interrompida, mas o um parafuso ou prego de 3 a 5 cm de
motor continua girando a partir comprimento. Um parafuso será me-
do impulso dado no momento lhor, pois ele poderá ser fixado mais
anterior. Isso ocorre até que ele facilmente através de dois pequenos
atinja a posição da figura 6. “L” de papelão.
c) Na posição da figura 6, o imã O reed-switch pode ser de qualquer
(A) agora está diante do reed- tipo comum de baixo custo com dois
switch, atuando sobre ele de contatos normalmente abertos. Ele
modo que o circuito seja nova- pode ser fixado em uma ponte de ter-
mente fechado. Uma corrente minais de parafusos ou mesmo colado Os eixos podem ser dois alfinetes,
pode então circular pela bobi- numa base de madeira ou papelão na pregos ou ainda um fio metálico rígido
na criando um campo magné- posição apropriada. que atravesse o conjunto. Esse eixo
tico. Essa corrente é tal que o O rotor pode ser feito de madeira, pode ser apoiado em dois suportes de
campo gerado repele o ímã (B) copos plásticos ou qualquer material papelão, plástico ou madeira.
que se encontra diante dela. O que resulte em um cilindro de 3 a 5 cm Todo o conjunto pode ser montado
motor continua a girar, indo até de diâmetro e de 5 a 10 cm de com- sobre uma base de plástico ou madei-
a posição da figura 7. primento. ra de 15 x 15 cm ou maior.

Mecatrônica Fácil nº40 21

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m montagem

9
Disposição dos componentes na montagem

Para as 4 pilhas pequenas é utili- Temas Transversais


zado um suporte comum. A polarida- Os motores elétricos podem ser en-
de da ligação vai determinar a atração caixados no currículo de Ciências em
ou repulsão dos ímãs conforme sua diversos pontos.
polaridade. Um deles consiste no estudo da con-
Feita a montagem, verifique se o versão de energia, onde podemos expli-
cilindro gira livremente com o peso car de que modo podemos obter energia
dos ímãs bem distribuído, e se os ímãs mecânica a partir de energia elétrica.
passam bem próximos tanto da bobina Procurar depois enumerar quais são os
quanto do reed-switch quando o cilin- aparelhos encontrados em casa que em-
dro gira. pregam motores elétricos é um interes-
sante trabalho de pesquisa para o ensino
Prova e Uso fundamental.
Para provar o motor, coloque o ci- Para o ensino médio, podemos encai-
lindro inicialmente na posição em que xar a montagem do motor como ativida-
ele fique com os ímãs alinhados com de relacionada com o eletromagnetismo
o eletroímã e com o reed-switch. As e magnetismo, onde campos e correntes
pilhas devem estar no suporte. Nesse podem ser analisados na prática. Indo
momento, uma força deve se manifes- além, pode-se explorar os conceitos de
tar colocando-o em movimento. Ajude torque e velocidade.
o movimento inicial com um pequeno Nos dois casos, os conceitos de po-
impulso. tência e conservação da energia podem
Se o motor parar, observe a polari- ser explorados com a profundidade que
dade dos ímãs ou das próprias pilhas. cada nível de conhecimento dos alunos
Com a polaridade invertida, o cilin- permita. f
dro tende a estancar seu movimento
quando os ímãs se alinham com a bo- Lista de materiais
bina e reed-switch. B1 - 6 V – 4 pilhas pequenas ou 3 V – 2
Comprovado o funcionamento, seu pilhas pequenas
motor experimental está pronto para S1 - Reed-switch
L1 - Bobina (eletroímã) – ver texto
ser usado em demonstrações.
Diversos:
Dois ímãs pequenos (perferivelmente
retangulares - barra), suporte de pilhas,
cilindro de plástico ou madeira, base de
montagem, fios, barra de terminais, etc.

22 Mecatrônica Fácil nº40

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dispositivos
d
Sensores piroelétricos
e as lentes de Fresnel
Os sensores piroelétricos per-
mitem obter a “visão infraver-
melha” dos robôs. No entanto,
eles precisam de elementos
Newton Braga
adicionais para operar e um
deles é a lente de Fresnel.
Veja, como funcionam os sensores, essas lentes e
como elas são usadas em conjunto com os sensores
piroelétricos de infravermelho (sensores de pre-
sença) em alarmes e detectores de incêndios.

1 2
Emissão de radiação infravermelha Câmera com visão infravermelha Sony Cyber-shot DSC-H9
pelo corpo

Os sensores piroelétricos
operam com a radiação infravermelha
muito fraca que é emitida por qualquer
corpo que se encontre a uma tempe-
ratura acima do zero absoluto.
É o caso de pessoas, que tenham
os seus corpos aquecidos a uma De acordo com a figura 3, a inci- 3
Polaridades opostas nas faces
temperatura maior do que a do meio dência de raios infravermelhos faz
do material
ambiente, consistindo assim numa com que as faces do material fiquem
fonte emissora de radiação infraver- carregadas com polaridades opostas.
melha, conforme mostra a figura 1. Para termos um sensor eficiente
Se pudéssemos ver a radiação basta, então, colocar esse material num
infravermelha, uma pessoa parece- encapsulamento que seja transparente
ria “acesa” no escuro. É isso o que aos raios infravermelhos e agregar um
ocorre justamente quando usamos circuito amplificador, uma vez que as
os visores noturnos ou câmeras com cargas liberadas são muito pequenas
visão infravermelha, como o exempli- para acionar um circuito comum.
ficado na figura 2. Na figura 4 temos um sensor típico
Os sensores piroelétricos têm que faz uso de transistores de efeito
como elemento básico um material de campo, visto que eles podem ser Esse é o tipo de sensor que encon-
que libera cargas elétricas quando controlados pelas cargas elétricas libe- tramos em portas automáticas e para
recebe radiação infravermelha. radas pela radiação infravermelha. a detecção de intrusos. Contudo, os

Mecatrônica Fácil nº40 23

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dispositivos
d
4 5 6
Sensor DG-85, da Paradox Lentes plásticas com estrias diversas Concentração da radiação incidente
num único foco pela lente com estrias

sensores precisam de alguns recur- acordo com o índice de refração do


sos adicionais para funcionar. material de modo a concentrar a radia-
ção incidente em cada uma num foco
As Lentes de Fresnel único, conforme ilustra a figura 6.
Diante dos sensores de alarmes e Cada estria funciona como uma
abertura de portas que utilizam sen- “microlente” que pode dirigir a luz 7
Dificuldade no uso de lentes
sores piroelétricos encontramos lentes captada para um foco.
comuns grandes
plásticas arredondadas as quais pos- Pelas suas dimensões esta lente
suem diversas estrias. (figura 5). pode ser extremamente fina, elimi-
Estas peças são denominadas nando-se a problema da absorção do
Lentes de Fresnel e cumprem com material que afetaria o seu desempe-
uma função importante no funciona- nho na faixa dos infravermelhos.
mento dos sensores. Nos sensores modernos estas
Explicaremos a seguir, o que são lentes são projetadas por computa-
essas lentes, o que pode dar um dores de modo a garantir que a luz
excelente material inclusive para os desviada por cada estria seja dirigida
estudantes de engenharia mecatrô- diretamente para o foco, obtendo-se
nica e mesmo de física. assim uma imagem muito mais precisa Na prática, entretanto, existe um
para o objeto que está diante dela. limite para as dimensões da lente e
As aplicações A principal vantagem deste tipo de portanto para a quantidade de radia-
Quando se deseja detectar movi- lente está no fato de que as suas dimen- ção que ela pode captar. Não se reco-
mento ou ainda radiação de fontes de sões dependem apenas da quantidade menda que o seu diâmetro seja maior
infravermelho muito fracas, é impor- de estrias usadas no projeto. que a distância focal.
tante usar lentes com pequena dis- Nas lentes comuns, quanto maior for A radiação incidente em regiões
tância focal e grande abertura. a dimensão, mais crítica se tornará sua para além deste limite, simplesmente
Materiais comuns, entretanto, elaboração, pois a curvatura deve ser reflete de volta para a lente.
como o vidro ou mesmo o cristal, mantida dentro de limites rígidos de pre-
não podem ser utilizados no caso da cisão para que a energia captada seja Fórmulas e Projetos
radiação infravermelha por apresen- dirigida para o foco, veja a figura 7. Uma lente é definida como um
tarem grandes perdas. As pessoas que possuem telescó- dispositivo que possui propriedades
Isso ocorre principalmente na faixa pios sabem como é crítico obter um refratoras que permitem seu uso para
dos 6 aos 14 μm (micrômetros), que é bom instrumento que tenha uma obje- coletar raios paralelos de radiação (visí-
justamente a faixa onde os sensores tiva grande (para pode captar mais vel ou infravermelha), concentrando-os
usados nestes aparelhos operam. luz, e portanto, ter a capacidade de num único ponto denominado foco.
Porém, materiais como o polieti- permitir a observação de objetos de O foco será tanto mais próximo
leno, que possuem propriedades de menor brilho). da lente quanto maior for seu “poder”
condução melhores na faixa dos infra- No caso das lentes de Fresnel refrator, observe a figura 8.
vermelhos, não podem ser moldados basta repetir as estrias, tendo-se A distância focal é definida como
de modo a formar uma lente comum. apenas o cuidado de modificar a dire- a distância entre o ponto focal e o
O que se faz então é utilizar uma ção em que a luz seja refratada de centro da lente.
lente com estrias, em que a sua dis- modo a incidir no foco e obter com Esta distância pode ser calculada
tância e inclinação são calculadas de isso lentes de qualquer tamanho. pela seguinte fórmula:

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dispositivos
d
8 9
Foco mais próximo em lentes mais Distância focal f de uma lente
refratora

10 10
Montagem do sensor no foco da lente Cobertura zonal da lente

1/f = (n-1) x (1/r) Nesta figura mostramos a monta-


Onde: gem típica de um sensor no foco da
f é a distância focal lente de modo a se obter o seu funcio-
n é o índice de refração da lente (1,5 para namento correto.
o polietileno) Nela também indicamos o modo de
r é o raio de curvatura da lente no seu se montar uma lente de 15 elementos
centro. da Philips Componentes diante de um
sensor como o RPY97 (Philips), que
Além disso , a posição do objeto e possibilita a cobertura de uma distân-
da imagem podem ser calculadas por cia até 12 metros com uma abertura
outra fórmula: de 90 graus volumétricos.
1/f = 1/L’ - 1/L Na figura 11 mostramos um grá-
fico que apresenta a cobertura zonal
As distâncias envolvidas nesta fór- nominal desta lente numa aplicação
mula são dadas na figura 9. típica em um sensor piroelétrico.
Observe que o “modo de visão”
Lentes de Fresnel Multi- desta lente apresenta estrias onde
elementos temos faixas em que a sensibilidade
Para serem empregadas com é máxima.
sensores piroelétricos são colocadas É por este motivo que este tipo de
lentes de Fresnel multi-elementos de lente não serve para aplicações ópti-
polietileno, que favorecem a captação cas que envolvam a captação de deta-
de energia na faixa da radiação infra- lhes de uma imagem, mas apenas o
vermelha. direcionamento de radiação.
Como cada elemento tem a radia-
ção detectada refratada em uma dire- Conclusão
ção que depende da posição do objeto As lentes de Fresnel são elemen-
focalizado, a passagem diante da tos fundamentais para o funciona-
lente de um objeto que se movimenta, mento dos sensores piroelétricos.
faz com que ocorra um processo de Sem elas, a quantidade de radia-
modulação na radiação presente no ção captada pela pequena superfície
foco, gerando assim o sinal no ele- do sensor não seria suficiente para
mento sensor que o circuito precisa se obter a sensibilidade desejada em
para acionar um circuito externo. uma aplicação prática.
Isso significa que um sinal rela- Da mesma forma, somente com
tivamente forte pode ser gerado no este tipo de lente pode-se obter a
momento em que qualquer fonte de precisão necessária e a sensibilidade
radiação infravermelha se mover com uma radiação que, normalmente,
diante do sensor que esteja no foco não pode ser trabalhada com lentes
de uma destas lentes, conforme exibe comuns de vidro.
a figura 10. f

Mecatrônica Fácil nº40 25

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dispositivos
d

Transdutores
piezoelétricos
Os transdutores piezoelétricos podem ser
encontrados em diversos formatos e com
muitas aplicações práticas possíveis. Na
verdade, os tipos mais comuns são muito
baratos e até podem ser aproveitados de
equipamentos fora de uso.
Veja neste artigo como funcionam esses
transdutores e como fazer algumas
experiências bastante interessantes,
utilizando-os.

Newton C. Braga

Piezoeletricidade
Existem materiais, denominados Cristais como o visto na figura 3
piezoelétricos, que, quando submetidos são usados para controlar a freqüên-
a uma deformação mecânica, geram cia de osciladores em relógios, trans-
cargas elétricas que aparecem em suas missores, computadores, instrumen-
faces, como mostra a figura 1. tos eletrônicos, de modo a se obter
Da mesma forma, se esses mate- um sinal preciso.
riais forem submetidos a uma tensão Cristais com freqüências que vão
elétrica, eles sofrem uma deformação de algumas dezenas de quilohertz a
mecânica, ou seja, podem curvar-se, centenas de megahertz podem ser
alongar-se ou mudar sua espessura, encontrados nos equipamentos ele-
conforme ilustra a figura 2. trônicos de todos os tipos.
O cristal de quartzo é um material Um outro tipo de material piezoe-
que apresenta essas propriedades, létrico, com grande gama de aplica-
podendo ser usado, por esse motivo, ções na eletrônica, é a cerâmica de
para gerar sinais elétricos de freqüên- Titanato de Bário.
cia fixa. De fato, se um cristal de Além de ser mais barata, ela pode
quartzo for excitado eletricamente, ele ser fabricada facilmente em diversos
tende a vibrar numa única freqüên- formatos e é fisicamente muito resis-
cia, de forma precisa, dada pelas tente. Essa cerâmica é usada principal-
suas dimensões e o formato em que mente na fabricação de transdutores
ele é cortado. semelhantes aos da figura 4.

26 Mecatrônica Fácil nº40

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dispositivos
d
1 2 3
Cargas elétricas Deformação mecânica Cristais

4 5 6
Transdutores de cerâmica Conversão de vibrações sonoras Exemplo de aplicação
em sinais elétricos para gerar altas tensões

7
Ligação de 4 transdutores em paralelo

Quando aplicamos um sinal de Mas, para os leitores, será interes-


áudio nas pastilhas de titanato de bário sante empregar os transdutores em
elas vibram na mesma freqüência, alguns experimentos que podem até
transformando esses sinais em sons. ser usados nas escolas, como temas
Transdutores sonoros de aviso em transversais para o estudo de ciên-
computadores, brinquedos, equipa- cias ou ainda como atividade para as
mentos de consumo, etc usam esses eletivas que envolvam tecnologia.
transdutores, quer seja na forma
direta de pastilhas quer seja na forma Projetos
de cápsulas. Para os experimentos que vamos 8
Circuito completo do rádio
Se o sinal aplicado vier de um descrever a partir de agora recomen-
amplificador, por exemplo, o transdutor damos o uso de transdutores cerâmi-
funcionará como um fone de ouvido. cos (piezoelétricos) do tipo visto na
Mas, esses transdutores também figura 4.
funcionam de forma inversa, captando O leitor, entretanto, deve ter cui-
vibrações ou sons. Assim, se falarmos dado para não confundir transdutores
diante de um transdutor deste tipo, ele magnéticos (que têm o mesmo formato
vai converter as vibrações sonoras em alguns casos) e que não servem.
correspondentes ao som em sinais Os transdutores piezoelétricos são
elétricos, conforme exibe a figura 5. leves e podemos ver pelas aberturas
O transdutor operará como um micro- o cristal interno. Os tipos magnéticos
fone. são pesados.
Acoplado a um objeto, ele poderá 9
Aspecto da montagem
também ser usado para detectar 1. Telefone
vibrações mecânicas. A descrição completa de um tele-
Finalmente, existe uma aplicação fone usando 4 transdutores foi feita na
interessante que é a de gerar altas revista Eletrônica Total número 102.
tensões. Se a uma cerâmica de tita- O projeto consiste em se ligar em
nato de bário acoplarmos um sistema paralelo quatro transdutores, de modo
que lhe dê uma boa pancada quando que dois funcionem como fones e dois
acionarmos um gatilho, poderemos como microfones, numa disposição
gerar faíscas que alcançam os 4 000 igual à da figura 7.
volts ou mais, conforme mostra a Veja que não há distinção entre
figura 6. qual vai funcionar como fone ou como
Esse sistema é utilizado em acen- microfone, pois cada transdutor opera
dedores de fogão bastante eficientes. nos dois modos.

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dispositivos
d
10 O cabo que interliga os dois apa- O que fazemos é colocar um cir-
A seleção das estações
pode ser feita por tomadas relhos pode ter até 50 metros, sem cuito ressonante para sintonizar as
problemas. Quando falamos em qual- estações de ondas médias locais, uma
quer microfone, os sinais são envia- antena de pelo menos uns 5 metros e
dos aos outros transdutores. No fone um diodo para detectar os sinais. O
do receptor podemos, então, ouví-lo fone piezoelétrico é o elemento final
claramente. do circuito. Na figura 8 temos o cir-
O circuito não precisa de energia, cuito completo do rádio.
pois a eletricidade que corresponde A bobina é feita enrolando-se
ao sinal é gerada pelo próprio trans- 100 espiras de fio comum fino ou fio
dutor que funciona como microfone. esmaltado 26 ou 28 AWG num tubo
de PVC ou cabo de vassoura. Na
2. Rádio de Galena figura 9 vemos o aspecto final da
A sensibilidade de um transdutor montagem, feita numa base de plás-
piezoelétrico é tão grande que ele tico ou madeira.
pode transformar em som audível os O capacitor variável, onde é feita a
fracos sinais captados de uma esta- sintonia das estações, é aproveitado
ção próxima por um fio esticado. Este de um rádio transistorizado de AM
é o princípio de funcionamento dos fora de uso.
rádios de galena ou rádios de cristal, Uma opção interessante para quem
que não precisam de energia (pilhas não quiser usar esse componente con-
ou força) para funcionar. siste em se fazer diversas tomadas na
bobina e fazer a seleção das estações
11 por ligações nessas tomadas, con-
Circuito de transmissor para a faixa de FM
forme mostra a figura 10.
O diodo detector pode ser de qual-
quer tipo de germânio como o 1N34,
1N60, etc.
A antena consiste num pedaço
de fio esticado (mesmo encapado)
com pelo menos 8 metros de compri-
mento, e a ligação à terra é feita sim-
plesmente segurando-se na ponta do
fio-terra.
À noite, quando a propagação dos
sinais é melhor, até mesmo estações
distantes poderão ser captadas.

3. Transmissor
Na figura 11 ilustramos o circuito
de um pequeno transmissor para a
faixa de FM que usa um transdutor
piezoelétrico como microfone.
12 O alcance desse transmissor pode
Montagem do transmissor FM em PCI
chegar aos 50 metros em campo
aberto. A sensibilidade do microfone
é suficiente para que conversas nas
proximidades possam ser captadas
com facilidade.
Na figura 12 temos o modo de se
fazer a montagem desse transmis-
sor numa pequena placa de circuito
impresso.
A bobina é formada por 4 voltas de
fio esmaltado AWG 22 ou 24 ou mesmo
fio comum rígido fino. Como antena é
utilizado um pedaço de fio rígido de 15
a 30 cm de comprimento.
O trimmer é usado para fazer a sin-
tonia. Com uma pequena chave gira-

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dispositivos
d
mos o seu parafuso até captar o sinal 13 14
Aplicação de alta tensão Brincadeira com
em um ponto livre da faixa de FM. no transdutor o circuito

4. Gerador de Ruídos
Trata-se de um experimento muito
simples que mostra como converter
energia elétrica em som, produzindo
um forte ruído num transdutor.
O que fazemos é gerar alta tensão
com um transformador e aplicá-la
num transdutor, conforme exibe a
figura 13.
Esfregando a ponta do fio na lima,
é gerada uma corrente pulsante que
induz no secundário do transformador
uma alta tensão também pulsante. Os
pulsos aplicados ao transdutor geram
um forte ruído.
O transformador pode ser de qual-
quer tipo com primário de 110 V ou
220 V, que será ligado ao transdutor, e
secundário de 6 a 12 V com qualquer
corrente. 15
Circuito de sirene intermitente
Uma brincadeira que pode ser
feita com este circuito consiste em se
esconder o transdutor em algum lugar
(no quarto de um amigo) e acioná-lo
à distância durante à noite, conforme
sugere a figura 14.

5. Sirene
Na figura 15 temos um circuito de
uma sirene intermitente com base no
circuito integrado 4093.
Os tons podem ser ajustados em
P2 e P3 enquanto que a velocidade da
intermitência é ajustada em P3.
A montagem deste circuito numa
placa de circuito impresso é mostrada
na figura 16.

Conclusão
Os transdutores piezoelétricos
consistem em uma excelente alter- 16
Montagem do circuito em PCI
nativa para a reprodução de som e
mesmo como microfones, substituindo
os alto-falantes comuns.
Sua grande vantagem é que a alta
impedância permite que eles sejam
excitados diretamente pela saída de
circuitos integrados CMOS e seu ren-
dimento pode até ser maior.
Além disso, eles são menores e
mais sensíveis, podendo ser excita-
dos com muito menor potência, o que
é importante, principalmente nas apli-
cações em que a fonte de energia é
formada por pilhas e baterias. f

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dispositivos
d

Controle
de potência
usando SCRs
Existem diversos dispositivos
semicondutores da família dos tiristores
que se prestam ao desenvolvimento
de projetos de robótica, mecatrônica
e automação. De fato, a característica
principal desses dispositivos é justamente
poder controlar potência elevadas, alguns
em circuitos de corrente contínua ou
alternada, enquanto outros possuem
características de resistência negativa
que os tornam ideais para o disparo de
dispositivos de potência.
Neste artigo vamos descrever alguns
blocos de projetos que se baseiam em um
desses dispositivos, no caso SCRs, TRIACs, ram. Assim, mesmo que a corrente ini-
etc. Os blocos descritos são apenas alguns cial que disparou o SCR desapareça,
dos muitos que podem ser desenvolvidos o processo de realimentação mantém
pelo leitor imaginoso. o SCR ligado. Para desligar o SCR
temos duas possibilidades:
1. Estabelecendo um curto-cir-
Newton C. Braga cuito entre o anodo e o catodo
de modo que os dois transisto-
res deixem de conduzir, visto
que a tensão aplicada cai a
zero. Pressionando uma chave
O SCR em paralelo com o SCR pode-
SCR é o acrônimo de Silicon Con- Para disparar um SCR é preciso mos estabelecer esse curto,
trolled Rectifier ou Diodo Controlado aplicar uma tensão positiva à com- desligando o tiristor.
de Silício. Trata-se de um dispositivo porta. Tomando como base o circuito 2. Interrompendo a alimentação
semicondutor da família dos tiristores equivalente, vemos que essa corrente do circuito por um momento.
que têm o símbolo, estrutura e circuito de comporta polariza a base do tran- Neste caso, o SCR desliga
equivalente exibidos na figura 1. sistor NPN que, ao conduzir, reali- por falta de alimentação no
Como o símbolo do SCR sugere, menta o transistor PNP através de sua circuito.
trata-se de um diodo que possui um base. Dessa forma, com a condução Os SCRs comuns são dispositivos
terminal de disparo ou comporta. do transistor PNP, temos a realimen- muito sensíveis, podendo ser dispara-
Quando disparado, ele pode conduzir tação do NPN, travando o circuito no dos por correntes que vão de fração
a corrente num único sentido, determi- estado de plena condução, ou seja, de miliampère a alguns miliampères.
nado pelo diodo equivalente. os dois transistores equivalentes satu- Tipos comuns como os da série 106

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dispositivos
d
(TIC106, MCR106, C106, etc) podem 1 2
SCR: símbolo, estrutura Comportamento do SCR
controlar correntes de 3 a 4 ampères e circ. equivalente em circuito CA
a partir de correntes de disparo da
ordem de 100 μA com tensões entre
1 e 2 V.
Para saber mais sobre outros com-
ponentes da família dos tiristores,
sugerimos o nosso “Curso Básico de
Eletrônica”, livro publicado pela Edi-
tora Saber.

Usando o SCR
Os SCRs podem ser usados tanto
em circuitos de corrente contínua (DC) 4
Ativação da carga com retardo
como alternada (AC). Nos circuitos DC 3 de alguns minutos
Circuito chave liga-desliga com SCR
devemos lembrar que, após o disparo,
o SCR se mantém conduzindo mesmo
depois de desaparecer aquele. Nos
circuitos de corrente alternada (AC) o
comportamento é diferente. Uma vez
disparado, o SCR se mantém em con-
dução até o instante em que a tensão
do semiciclo passe por zero, conforme
mostra a figura 2.
Depois de disparar um SCR é pre-
ciso manter uma corrente mínima atra-
vés dele, para que ele se mantenha
em condução. Essa corrente é deno-
minada corrente de manutenção (hol- 1. Chave liga-desliga 2 V. Assim, se a carga precisar receber
ding current) e está na faixa de alguns com SCR 6 V, a alimentação do circuito deverá
miliampères para os SCRs comuns. Com o bloco ilustrado na figura 3, ser feita com pelo menos 2 V a mais.
Um outro ponto importante que é possível ligar e desligar uma carga No circuito dado como exemplo, que
envolve as características de um SCR, de corrente contínua a partir de dois opera com tensões de 6 a 150 V, o SCR
a ser considerado nos projetos é que, interruptores ou sensores separados. deve ser dotado de dissipador de calor,
ao conduzir, ocorre uma queda de Cargas até 3 A podem ser controladas e R1/R2 são selecionados pela seguinte
tensão da ordem de 2 V entre o seu por este circuito. tabela 1 (valores sugeridos).
anodo e catodo. Nos circuitos que Quando S1 é fechado por um ins-
operam com tensões altas, como os tante o SCR dispara, permanecendo 2. Chave com retardo
ligados à rede de energia, essa queda em condução mesmo depois que S1 SCRs de grande sensibilidade
pode ser ignorada. abra. Para desligar o circuito é preciso como os TIC106, MCR106, etc, podem
fechar S2 por um instante. ser disparados a partir de correntes
Blocos básicos usando SCRs Observe que a corrente de disparo muito baixas. Isso significa que resis-
Os blocos são baseados nos SCRs deste circuito (através de S1) é muito tências de valores elevados podem
mais comuns em nosso mercado, que baixa, dependendo apenas de R1, mas ser usadas numa rede RC para o dis-
são os da série 106. Para aplicações a corrente de desligamento (através paro com retardo.
que exijam maiores correntes do que de S2) é a corrente da carga. Quando Assim, usando um resistor de 100
esse dispositivo pode controlar, os escolher os sensores para esta aplica- k ohms, como no circuito apresentado
tipos da série TIC226 e mais elevados ção, leve em conta este fato. na figura 4, podemos ativar uma carga
são os indicados. Deve ser considerada ainda a queda com um retardo que pode chegar a
Lembramos que devem ser feitas de tensão através do SCR, da ordem de alguns minutos.
otimizações, com eventuais alterações
de valores de componentes, para casar T1
Valores sugeridos para R1 e R2
as características dos circuitos com as
cargas que devem ser controladas. O Tensão de
leitor deve fazer experiências até obter Alimentação R1 R2
o melhor desempenho. 6 a 12 V 1 a 10 k ohms 150 ohms a 4,7 k ohms
Também é importante saber que, 12 a 24 V 4,7 k a 47 k ohms 1 a 10 k ohms
quando controlando correntes inten- 24 a 48 V 10 k a 100 k ohms 4,7 k ohms a 47 k ohms
sas, o SCR deve ser montado em 48 a 100 V 22 k a 100 k ohms 10 k ohms a 47 k ohms
radiador de calor. 100 a 150 V 47 k a 150 k ohms 22 k ohms a 100 k ohms

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dispositivos
d
5 6 7
Circuito para uma aplicação Disparo do SCR com Disparo do SCR c/ pulsos negativos,
típica de chave de toque pulsos positivos fracos alternando a entrada do circuito

O tempo máximo que pode ser evitar essa captação de zumbidos, o um sinal positivo aplicado à sua base
obtido depende do resistor que está cabo até o sensor deve ter menos de (nível alto), a comporta do SCR está
limitado a uns 220 k ohms ou pouco 2 metros de comprimento ou então ser aterrada e com isso ele se mantém
mais, e pela qualidade do capacitor blindado. desligado. Quando o sinal de entrada
utilizado. Capacitores de valores ele- Para se obter um ajuste de sen- desaparece ou ainda vai ao nível
vados tendem a apresentar fugas e, sibilidade ao disparo pode ser ligado baixo, o transistor é cortado e, assim o
com isso, se comportam como divi- um trimpot ou potenciômetro de 100 k resistor R3 pode polarizar a comporta
sores de tensão, impedindo que a ohms a 1 M ohms entre a comporta e do SCR de modo a dispará-lo.
tensão necessária ao disparo seja o terra do circuito. Uma vez disparado, o SCR pode
alcançada. ser desligado através de S1. Os valo-
Para desligar o circuito é preciso 4. Disparo com res dos resistores podem ser altera-
pressionar S2 por um instante. Lembre- pulsos positivos dos em função da sensibilidade do
se que a corrente nessa chave é a SCRs de baixas sensibilidades, ou SCR e das características do sinal de
mesma da carga. ainda SCRs comuns podem ser dispa- entrada. Com os valores mostrados no
rados com sinais muito fracos, empre- circuito, ele é compatível com saídas
3. Chave de toque gando o circuito mostrado no bloco da TTL e CMOS.
utilizando SCR figura 6.
SCRs muito sensíveis como os O resistor de base do transistor 6. Proteção Crowbar
da série 106 podem ser disparados depende da fonte de sinal, podendo A finalidade deste circuito é ace-
até pela tênue corrente que circula ser alterado para se obter a melhor lerar a queima de um fusível quando
pelos dedos de uma pessoa, quando condição de disparo. Dependendo a corrente ultrapassa certo valor. A
esta toca em sensores. Esses SCRs da aplicação, esse resistor pode ter ação rápida do SCR é responsável
também podem ser disparados por valores tão altos quanto 1 M ohms. pela queima do fusível. Essa aplica-
sensores de elevada resistência como Da mesma forma, o resistor de 2,2 k ção é importante porque se a corrente
sensores de umidade, sensores de ohms, pode ter seu valor aumentado ultrapassa muito pouco certo valor, o
pressão feitos com esponjas conduto- para se obter maior sensibilidade. tempo que o fusível demora para se
ras, sensores de temperatura basea- Esse circuito dispara o SCR quando aquecer e queimar pode ser longo
dos em diodos polarizados no sentido um pulso positivo é aplicado à base demais para impedir que danos ocor-
inverso, e muito mais. do transistor. ram no circuito.
Para uma aplicação típica temos Na condição indicada, a corrente O circuito proposto é ilustrado na
o bloco visto na figura 5 em que o necessária ao disparo de um TIC106 figura 8 onde a corrente de disparo é
sensor X1 é formado por duas chapi- pode chegar a um valor tão baixo determinada pelo valor de R, segundo
nhas de metal que devem ser tocadas como 1 μA. Sensores resistivos de a seguinte fórmula:
simultaneamente. altas resistências podem ser usados
O capacitor ligado a este circuito, diretamente ligados na entrada deste R = V/I
com valores entre 1 nF, e 100 nF bloco.
serve para eliminar ruídos caso o fio Onde:
do sensor tenda a captá-los. Para 5. Disparo de SCR V é a tensão de disparo do
com pulsos negativos SCR, normalmente entre 0,8
Uma forma simples de se disparar e 1,2 V para os tipos da série
Atenção um SCR com pulsos negativos, por 106.
Nunca alimente esse circuito a partir da exemplo, aterrando-se a entrada do R é o valor do resistor de pro-
rede de energia usando fontes sem trans- circuito, é a indicada na figura 7. teção (volts)
formadores. O toque no sensor pode Nesta configuração, quando o I é a corrente de disparo
causar choques perigosos.
transistor está saturado, ou seja, com (ampères)

32 Mecatrônica Fácil nº40

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dispositivos
d
Quando o SCR dispara ele põe 8 10
Circuito de proteção crowbar Flip-flop RS usando SCR
em curto o circuito, fazendo com que
o fusível de proteção queime. Com a
abertura do fusível, a carga deixa de
receber alimentação.

7. Proteção contra
sobrecorrente
Em lugar de queimar um fusível,
podemos fazer com que o SCR atue
sobre um relé, cortando a alimenta-
ção do circuito que deve ser protegido.
Isso é conseguido com o circuito dado
na figura 9. 9
Circuito de proteção
Quando a corrente ultrapassa um contra sobrecorrente
certo valor que depende de R (ver cál-
culo no bloco anterior), o SCR dispara 11
Circuito de chave AC c/ SCR
e energiza o relé K1. Observe que a
carga está ligada nos contatos NF do
relé, o que significa que ela se mantém
alimentada quando o relé está dese-
nergizado.
Com o disparo do SCR, e conse-
qüentemente do relé, a carga é des-
ligada e o LED 1 acionado, avisando
que houve uma condição de sobre-
corrente. Os valores de R1 conforme
a tensão do circuito, são dados na
tabela junto ao diagrama.
Para rearmar o circuito basta desli- está no potencial de terra e o lado do Nas aplicações descritas nos pró-
gar e religar a alimentação, depois de SCR2 está com uma tensão positiva. ximos blocos, o circuito pode ser ali-
remover a causa da sobrecorrente, é No momento em que S2 é pres- mentado a partir do secundário de
claro. O SCR não precisa ser montado sionada, o SCR2 liga e com isso o um transformador e, em alguns casos,
em radiador de calor, uma vez que a capacitor é colocado em curto, des- diretamente a partir da rede de energia.
corrente no relé é muito baixa. carregando-se. A corrente de des- Devemos entretanto , observar que:
carga funciona como um curto-circuito 1. O SCR deve ser capaz de
8. Flip-Flop R-S entre o anodo e o catodo de SCR1, operar com o pico de tensão e
usando SCR desligando-o. Para ligar o SCR1 nova- a corrente presente no circuito.
Um problema notado nos blocos mente, basta pressionar S1. Agora, 2. Nas aplicações alimentadas
anterior é que uma vez disparado, com SCR1 ligado, o capacitor é colo- diretamente pela rede de ener-
o SCR assim se mantém indefinida- cado novamente em curto, desligando gia devemos tomar cuidado
mente mesmo depois que o pulso o SCR2. com os isolamentos, de modo
de disparo tenha desaparecido. Para O valor do capacitor a ser usado a evitar choques perigosos.
religar o circuito usando uma chave, neste circuito depende da aplicação 3. Se apenas um SCR for usado
esta chave deve ser capaz de manu- (características da carga e tensão de sem mais recursos (pontes)
sear a corrente da carga, o que pode alimentação), ficando normalmente apenas um dos semiciclos
ser inconveniente em algumas aplica- entre 1 e 10 μF. Capacitores polariza- será controlado. Teremos um
ções. dos não devem ser empregados nesta controle de meia onda.
A possibilidade de se ligar e desli- aplicação, porque eles se carregam e
gar cargas em circuitos com SCRs uti- descarregam com polaridades opos- 9. Chave AC simples
lizando sensores de baixas correntes é tas. Deve ser colocado um capacitor O circuito mostrado na figura 11
conseguida com o uso de um flip-flop despolarizado. pode ser utilizado para ligar e desli-
R-S, conforme exibido na figura 10. gar uma carga de corrente alternada,
O SCR1 é ligado pressionando-se SCRs em circuitos usando uma chave ou sensor com
momentaneamente S1 (que pode ser de corrente alternada baixa capacidade de corrente (menor
substituída por qualquer sensor). Para Os SCRs podem ser usados em cir- do que a carga que deve ser contro-
desligar o circuito é suficiente pres- cuitos AC também. Apenas devemos lada).
sionar S2 por um momento. Quando lembrar que eles desligam quando a O diodo serve para evitar que
SCR1 está ligado, o capacitor perma- tensão passa por zero nos finais de pulsos de disparo negativos sejam
nece carregado, já que o lado do SCR cada semiciclo. aplicados ao SCR, quando ele estiver

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dispositivos
d
12 13 com o circuito apresentado no bloco da
Chave AC de potência (onda completa) Chave AC de potência (II)
figura 12.
Usamos uma ponte de diodos para
obter uma tensão alternada pulsante
que só tenha pulsos positivos de
tensão e, com isso, tenha dois semi-
ciclos em cada ciclo para controlar. Os
diodos utilizados nesta ponte devem
ser capazes de trabalhar com a cor-
rente da carga e ter tensões de acordo
com a alimentação.
Os valores de componentes mos-
trados na figura são para a rede de
110 V. Alterações devem ser feitas pro-
porcionalmente se a tensão do circuito
14 15 for outra. O SCR deverá ser dotado de
Circuito para dimmer ou Dimmer de onda completa
controle de velocidade um radiador de calor. Veja que S1 pode
ser um sensor de baixa corrente.
Observamos ainda que se o cir-
cuito for alimentado pela rede, não
existindo isolamento, precauções
contra choques devem ser tomadas.

11. Chave AC de potência


de onda completa (II)
Uma outra forma de se obter um
controle de onda completa, com a
conexão da carga antes da ponte de
diodos, é a ilustrada na figura 13.
O princípio de operação deste
bloco é exatamente o mesmo do
inversamente polarizado. Isso poderia O SCR deve ser dotado de radia- bloco anterior, assim como as espe-
causar sua queima. dor de calor, de acordo com a intensi- cificações dos componentes usados.
Veja que, como apenas metade dade da corrente exigida pela carga. O SCR também deve ser montado em
dos semiciclos são conduzidos, a radiador de calor. Veja na tabela 2 o
carga recebe apenas metade da 10. Chave AC de potência SCR apropriado para a sua aplicação.
potência média para a qual foi especifi- de onda completa (I)
cada, quando alimentada diretamente A inconveniência de se contro- 12. Dimmer e controle
por uma rede de corrente alternada. lar apenas metade dos semiciclos da de velocidade
O valor do resistor R1 depende da tensão alternada da rede de energia O bloco exibido na figura 14 pode
tensão da rede. Os valores dados que ocorre com um SCR num circuito funcionar tanto como um controle de
junto ao diagrama são para SCRs da de controle comum, como o mostrado brilho para lâmpadas incandescentes
série TIC106. no bloco anterior, pode ser contornada ou de aquecimento para um elemento
resistivo, como controle de velocidade
T2 para um motor universal.
Características de SCRs comuns
Trata-se de uma das configurações
Corrente de Corrente Tensão mais tradicionais usando SCR, se bem
Tipo Vdrm Corrente manutenção de disparo de disparo que seja um controle de meia onda.
TIC106-Y 30 V 3,2 A 5 mA 60 μA 0,6 V Nesse circuito, quando começa um
TIC106-F 60 V 3,2 A 5 mA 60 μA 0,6 V semiciclo da tensão da rede de ener-
TIC106-A 100 V 3,2 A 5 mA 60 μA 0,6 V gia, o capacitor C1 carrega-se numa
TIC106-B 200 V 3,2 A 5 mA 60 μA 0,6 V velocidade que depende do ajuste de
TIC106-D 400 V 3,2 A 5 mA 60 μA 0,6 V P1 e R1. A constante de tempo desse
MCR106-1 30 V 4,0 A 5 mA 200 μA 1,0 V circuito, formado pelo potenciômetro,
MCR106-2 60 V 4,0 A 5 mA 200 μA 1,0 V resistor e capacitor, determinará então
MCR106-3 100 V 4,0 A 5 mA 200 μA 1,0 V o instante do disparo do SCR no semi-
MCR106-4 200 V 4,0 A 5 mA 200 μA 1,0 V ciclo.
MCR106-6 400 V 4,0 A 5A 200 μA 1,0 V Se o SCR disparar no início do
TIC126-B 200 V 8A 70 mA 5 mA 0,8 V semiciclo, teremos um ângulo de con-
TIC126-D 400 V 8A 70 mA 5 mA 0,8 V dução maior e com isso, maior potên-

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dispositivos
d
cia aplicada à carga. Se o disparo
for no final do semiciclo, o ângulo de
condução será menor, e a potência
aplicada também. Desta forma, pelo
ajuste de P1 podemos controlar a
potência aplicada à carga.
Veja que entendemos por ângulo
de condução, o ângulo durante o qual
o SCR conduz e não o ângulo de
retardo no disparo.
Na prática, será preciso encontrar
o valor ideal de C1 que proporcione o
controle na faixa de potências deseja-
das de modo a compensar as tolerân-
cias dos demais componentes. Isso
é necessário para que não ocorram
faixas de “ajuste morto” no potenciô-
metro.
A lâmpada néon poderá ser substi-
tuída por um diac, para melhor desem-
penho do circuito. O SCR deve ser
montado num radiador de calor.
Esse circuito tem suas vantagens,
podendo ser usado numa ampla gama
de aplicações, mas também possui
alguns pontos negativos como:
• A comutação rápida do SCR
gera ruídos que podem se
propagar pelo espaço ou pela
própria rede de energia, cau-
sando interferências em rádios e
televisores. Esse problema pode
ser evitado com o uso de filtros.
• Apenas os semiciclos positivos
são controlados, de modo que
a faixa de potências aplicada
à carga variará de 0 a 50%. O
bloco seguinte elimina esse
problema.

13. Dimmer de
onda completa
Na configuração de dimmer com
SCR também podemos fazer uso de
uma ponte de diodos para obter o con-
trole de onda completa, observe o cir-
cuito da figura 15.
O princípio de operação deste cir-
cuito é exatamente o mesmo do bloco
anterior, com a diferença apenas de
que a faixa de controle será próxima
de 0 a 100%.
Tanto este circuito como o anterior
podem operar na rede de 110 V como
220 V, havendo apenas necessidade
de se encontrar o valor ideal de C1
para a faixa ideal de controle. f

Mecatrônica Fácil nº40 35

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