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CONCORDE: O avião supersônico

Imagine fazer em apenas 3 horas uma viagem que geralmente demoraria 8 horas.
Mágica? Que nada: essa era a capacidade técnica do Concorde, um avião supersônico
que começou a ser produzido na década de 60 como o futuro da aviação comercial,
mas foi abandonado no final de 78 — para a infelicidade de quem acreditava piamente
no sucesso do projeto, que, na época, foi apresentado como uma revolução no
transporte aéreo.

O interesse comercial por aeronaves supersônicas surgiu na década de 40, quando o


piloto de testes Chuck Yeager, da Força Aérea dos Estados Unidos, se tornou a primeira
pessoa a quebrar a barreira do som utilizando um Bell X-1. Experimental, o veículo
atingiu o Mach 1 (cerca de 1,5 mil km/h), mas jamais poderia ser usado
comercialmente, em virtude do uso excessivo de combustível.

Porém, o protótipo acendeu uma lâmpada na cabeça dos engenheiros americanos, que
passaram a pesquisar formas de criar aviões supersônicos capazes de transportar
passageiros com maior agilidade. Vários países participaram dos estudos primordiais,
mas só três potências firmaram um acordo para desenvolver um produto de verdade:
a União Soviética, a França e o Reino Unido.

A exótica parceria fazia sentido: um projeto tão ambicioso era caro demais para que
um único país o custeasse sozinho. O contrato, dessa forma, tinha fins econômicos.
Porém, a atual Rússia resolveu construir seu próprio modelo — o Tupolev TU-144 —,
enquanto os franceses e os britânicos passaram a trabalhar no Concorde.

Mais rápido que o som

O primeiro protótipo da aeronave foi concebido através de parcerias com uma série de
empresas — a Rolls-Royce, por exemplo, ficou a cargo dos motores, enquanto outras
companhias terceirizadas cuidaram da missão de aprimorar os sistemas de voo, o
desenho das asas e pneus especiais que pudessem suportar um calor extremo. Nascia
assim o primeiro avião comercial a atingir o Mach 2, equivalente a 2.469 km/h. O
diferencial do Concorde, porém, era manter tal velocidade durante um tempo muito
maior.

Pelo menos 16 companhias reservaram unidades do veículo antes mesmo de ele ficar
pronto — no total, 70 exemplares do Concorde já estavam reservados durante seu
desenvolvimento. Contudo, o projeto passou a esbarrar em alguns problemas, como o
aumento inesperado dos custos de fabricação. Inicialmente, acreditava-se que cada
um custaria 70 milhões de libras para ser produzido, mas esse valor saltou para 1,3
bilhão de libras depois que alguns cálculos foram refeitos.

Além disso, ambientalistas protestaram contra o alto consumo de combustível do


Concorde (ele usava 6,7 mil galões por hora, enquanto um Boeing 747 bebia apenas
3,6 galões) e seu potencial poluente. Para completar, entidades reguladoras baniram
voos supersônicos comerciais por conta do barulho ensurdecedor que o Concorde
fazia ao decolar e pousar. No fim, apenas duas companhias insistiram em usar o avião:
a British Airways e a Air France.

A conclusão é de que apenas 20 versões finais do Concorde foram produzidas, das


quais somente 14 entraram em atividade. As passagens para uma viagem através do
invento eram caras demais, e ele só fez sucesso entre empresários ricaços e
entusiastas de aviação civil. Seu primeiro voo comercial foi em 1976 e o último, em
2003. A crise do petróleo, as dificuldades financeiras das cias aéreas em manter os
beberrões e a queda de seu principal rival — o supracitado Tu-144 — fizeram com que
as empresas desistissem do Concorde.

Uma verdadeira lenda

Apesar dos problemas enfrentados, o Concorde virou um mito no mundo da aviação


civil. Por conta das diferenças do fuso horário e por ser mais rápida do que a rotação
da Terra, a aeronave era capaz de pousar antes do horário de decolagem quando
partia da Europa. Para você ter uma ideia, no dia 19 de dezembro de 1985, um
Concorde e um Boeing 747 decolaram ao mesmo tempo — o primeiro de Boston e o
segundo, de Paris. O Concorde chegou em Paris, ficou 1 hora no solo e voltou para
Boston 11 minutos antes do pouso do Boeing.

Apenas um acidente fatal foi registrado com o invento: em julho de 2000, uma peça de
uma das unidades da Air France se desprendeu durante a decolagem, fazendo com
que a aeronave sofresse uma falha e um incêndio em um de seus motores. O piloto
tentou fazer um pouso de emergência, mas, mesmo assim, todos morreram. Contando
com mais quatro falecimentos no solo, a tragédia resultou em 113 mortes.