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PARALISIA CEREBRAL
A PARALISIA CEREBRAL É UMA PERTURBAÇÃO DO
CONTROLO DA POSTURA E MOVIMENTO QUE RESULTA DE UMA
ANOMALIA OU LESÃO NÃO PROGRESSIVA QUE ATINGE O
CÉREBRO EM DESENVOLVIMENTO.
QUAIS SÃO AS CAUSAS DA PARALISIA CEREBRAL?
PRINCIPAIS CAUSAS DURANTE O PARTO
> Falta de oxigénio ao nascer;
> Lesões causadas por partos difíceis;
> Trabalho de parto demorado;
> Mau uso do fórceps, manobras obstétricas violentas;
> Os bebês que nascem prematuramente.
PRINCIPAIS CAUSAS DEPOIS DO NASCIMENTO
> Febre prolongada e muito alta;
> Desidratação, com perda significativa de líquidos;
> Infecções cerebrais causadas por meningite ou encefalite;
> Falta de oxigênio por afogamento ou outras causas;
> Sarampo;
> Traumatismo crânio-encefálico até os três anos de idade.
A PARALISIA CEREBRAL PODE SER CLASSIFICADA DE
ACORDO COM A NATUREZA DA PERTURBAÇÃO DO MOVIMENTO
QUE PREDOMINA.
Há quatro tipos básicos de paralisia cerebral:
Espástica — caracterizada por movimentos duros e difíceis,
Discinética ou atetóide — onde são comuns movimentos involuntários
e descontrolados;
Atáxica — cuja a Coordenação e equilíbrio são debilitados;
Mista — Além do distúrbio motor, obrigatório para a determinação de
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uma paralisia cerebral, o quadro clínico pode incluir também outras
manifestações.
A seguir uma ilustração sobre classificação, quadro clínico, etiologia e tipo:
O indivíduo com paralisia cerebral pode ter classificação grau 5,
alteração de tônus e movimento, atraso dnsm (desenvolvimento neuro-
sensório motor), tipo diplegia.
PARTES DO CORPO AFETADAS
A Paralisia Cerebral atinge diversas regiões do cérebro.
Dependendo de onde ocorre a lesão e da quantidade de células atingidas,
diferentes partes do corpo podem ser afetadas, alterando o tônus
muscular, a postura e provocando dificuldades funcionais nos
movimentos. Pode gerar movimentos involuntários, alterações do
equilíbrio, do caminhar, da fala, da visão, da audição, da expressão facial.
Em casos mais graves pode haver comprometimento mental.
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A INCLUSÃO
O movimento pela inclusão social teve seu maior impacto no Brasil
na discussão da política educacional, gerando um amplo debate sobre a
educação inclusiva. A igualdade de condições de acesso à escola e
permanência nela é garantida pela legislação brasileira, através da
Constituição Federal (BRASIL, 1988), do Estatuto da Criança e do
Adolescente (BRASIL, 1990), pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei nº 9.394/96) (BRASIL,1996), Parâmetros Curriculares
Nacionais (1998), Plano Nacional de Educação (2001) e através do
Decreto nº 6.094/2007 (BRASIL, 2007). Nesta legislação, reafirma-se a
garantia do acesso ao ensino regular e permanência nele e o
atendimento às necessidades educacionais especiais dos alunos,
fortalecendo seu ingresso nas escolas públicas.
Para garantir este acesso e permanência na escola regular, são
necessárias mudanças que possibilitem a organização das escolas para
eliminação das barreiras atitudinais, pedagógicas, de comunicação,
arquitetônicas, entre outras. A formação pedagógica é um aspecto crucial
para eficácia da inclusão.
Dentre as necessidades educacionais especiais destaca-se a
paralisia cerebral (PC), inserida na categoria das deficiências físicas,
segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais - Adaptações Curriculares
(PCNs). Este mesmo documento define a deficiência física como uma
variedade de condições não sensoriais que afetam o indivíduo em termos
de mobilidade, de coordenação motora geral ou de fala, como decorrência
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de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou ainda, de
malformações congênitas ou adquiridas (BRASIL, 1998).
Desta forma, é recomendável que a categorização da paralisia
cerebral seja acompanhada também de classificações funcionais, por um
sistema de classificação em cinco níveis baseado no movimento iniciado
voluntariamente, com ênfase no sentar, em transferências e em
mobilidade.
> O nível I inclui crianças e jovens que andam sem limitações;
> O nível II, limitações para andar por longas distâncias e no
equilíbrio;
> No nível III, a criança anda com dispositivo manual de mobilidade
(andador, muletas, bengalas).
> Crianças e jovens no nível IV geralmente são transportados em
uma cadeira de rodas manual ou motorizada.
> No nível V há limitação grave no controle de cabeça e tronco,
requerendo tecnologia assistente extensa e assistência física.
O ALUNO COM PARALISIA CEREBRAL NA ESCOLA
Tendo em vista que os acometimentos motores, cognitivos,
comportamentais e sensoriais variam amplamente na paralisia cerebral,
é importante considerar o impacto que esta patologia pode gerar na
criança que frequenta escola.
As limitações presentes nos alunos com deficiência física
(destacando-se a paralisia cerebral) podem incluir dificuldades para
andar, sentar-se, manter a cabeça posicionada adequadamente, falar,
utilizar as mãos para segurar objetos ou escrever, organizar a escrita
espacialmente no papel, ler textos escritos com letras pequenas, letra
cursiva, devido às dificuldades perceptivas.
As dificuldades podem incluir, ainda, utilizar o computador sem
adaptações, realizar atividades de vida diária como ir ao banheiro com
independência ou alimentar-se.
A dependência das crianças com deficiência física, nas atividades
de vida diária, tem impacto no contexto escolar e pode afetar sua
autoestima e limitar as experiências de interação social e participação no
intervalo e recreação.
Além disto, a limitação na mobilidade poderá manifestar-se
ampliada no contexto educacional, devido às barreiras ambientais e às
habilidades físicas requeridas nos ambientes da escola, sendo frequente
a sua exclusão do grupo no recreio e nas aulas de educação física.
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É relevante estudar as atividades e situação acadêmica destas
crianças, visando evitar ou minimizar os riscos de sua não permanência
e insucesso nas tarefas escolares diárias, tais como: manipular livros e
instrumentos para escrever, responder a questões sobre material
curricular, solicitar informações ou assistência, mover-se na sala de aula
e escola, concluir tarefas e seguir regras.
Para identificar as demandas acadêmicas e funcionais de crianças
com necessidades especiais, nos programas de inclusão escolar, têm
sido frequentemente utilizadas avaliações padronizadas, que permite
avaliar a participação e o desempenho de tarefas de crianças com
necessidades especiais na escola regular, os pontos fortes e limitações
da inclusão escolar, assim como verificar a eficácia dos programas de
intervenção na escola.
Indivíduos com PC, devem ter atendimento multiprofissional de
fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional.
Sabe-se que quanto maior a gravidade motora, mais limitada é a
participação no contexto escolar.
Na escola é importante identificar duas categorias: aspectos
facilitadores e barreiras ao processo de inclusão de crianças com
paralisia cerebral nas escolas.
✓ O QUE EU QUERO QUE MEU ALUNO APRENDA?
✓ O QUE EU QUERO QUE OS OUTROS ALUNOS APRENDAM?
✓ COMO EU QUERO QUE MEU ALUNO PARTICIPE?
✓ O QUE MEU ALUNO JÁ SABE E/OU CONSEGUE REALIZAR?
✓ COMO EU REFORÇO MEU ALUNO?
O desempenho de um aluno não será necessariamente o mesmo em
outro contexto. Além disto, acredita-se que interações sociais de uma
criança poderão ser muito diferentes em um ambiente estruturado como
a sala de aula, comparada com o ambiente recreio, que é menos
estruturado e, que a incapacidade de um aluno realizar determinadas
tarefas na escola pode estar relacionada com um ambiente com barreiras,
ou sem facilitadores, que pode restringir o desempenho do indivíduo;
outros ambientes mais facilitadores podem melhorar este desempenho.
Os recursos de tecnologia assistiva utilizados na prática pedagógica
dependerão das funcionalidades de cada estudante e de suas
necessidades educacionais específicas.
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São exemplos de recursos de tecnologia assistiva usados para
promover acessibilidade: um lápis engrossado, para facilitar a escrita, ou
de recursos de alta tecnologia, como o uso de computadores com
sistemas de comunicação alternativa.
Uma questão importante que deve ser lembrada é que nem sempre a
falta de recursos de acessibilidade está relacionada à questão financeira,
pois o professor pode utilizar recursos simples e conseguir garantir o
acesso do seu aluno na aprendizagem.
Dessa forma, duas questões tornam-se centrais nesse tópico:
(a) a identificação das peculiaridades educacionais de cada estudante
é fundamental para a escolha das estratégias e dos recursos didáticos e
pedagógicos;
(b) a promoção de acessibilidade nem sempre depende de alta
Tecnologia Assistiva (área do conhecimento e de atuação que desenvolve
serviços, recursos e estratégias que auxiliam na promoção de
acessibilidade às pessoas com deficiência), já que o professor pode
utilizar de sua criatividade para realizá-las.
EXEMPLO DE TECNOLOGIA ASSISTIDA:
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A pessoa com deficiência motora, muitas vezes, é discriminada e
excluída do ambiente educacional, pois a grande parte de professores
concebe que não há possibilidades de aprendizagem e que, atrelada à
deficiência motora, a pessoa possui também deficiência intelectual, o que
não é verdade para todos os casos. A segregação se torna ainda mais
grave quando a deficiência motora acomete consideravelmente a fala e
impede o uso da comunicação oral de forma fluente impedimento
bastante comum.
O professor, com apoio da equipe escolar (SRM, MONITOR,
COORDENAÇÃO), precisa realizar uma avaliação do seu aluno e da
situação na qual o sistema será utilizado para determinar o que será mais
útil e funcional, como bem destacam.
É importante que o professor e o monitor faça uma lista das
principais necessidades do aluno, para depois, juntamente com ele,
começar a construir os cartões que constituirão a prancha. Depois da lista,
ocorre o reconhecimento dos cartões pelo aluno. Assim, o professor
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expõe dois cartões, escolhe um dos dois e solicita que o aluno aponte. A
comunicação torna-se mais eficaz quando é estabelecida em contexto
educacional naturalístico, em situações reais de interação e em atividades
rotineiras.
Quais os recursos disponíveis na escola?
Antes de iniciar o trabalho pedagógico devemos conhecer os
recursos disponíveis na escola, desde as condições de acessibilidade
física, como rampas, banheiros adequados, sinalizações; assim como os
recursos que auxiliam a mobilidade do aluno, como cadeiras de rodas e
corrimões, devemos pensar nos materiais pedagógicos adequados, como
lápis e canetas ajustados à condição do aluno, alfabeto móvel, pranchas
com letras e palavras, computadores, teclados e mouses acessíveis,
acionadores, órtese de mão funcional para escrita e digitação, ponteiras
de boca ou cabeça.
E se não houver esses recursos?
Uma questão importante já mencionada é que alguns recursos
podem ser elaborados pelo professor, monitor... Dessa forma, não
precisamos esperar que as tecnologias assistivas apareçam em nossas
salas. Podemos confeccionar materiais interessantes e acessíveis e
compartilhar com os nossos colegas, como as pranchas em material
emborrachado e jogos.
No que se refere à apropriação do SEA (Sistema de Escrita
Alfabética) do aluno com deficiência motora, o professor / monitor também
não encontrará receitas prontas e precisa pensar em um currículo capaz
de revolucionar a sua práxis, atendendo às peculiares dos alunos.
É possível escrever com incoordenação manual e impedimentos de
locomoção?
A criança com deficiência motora apresenta a coordenação manual
e a locomoção impedidas, não vivenciam o brincar de escrever que é tão
importante. As situações cotidianas de interação com a leitura e a escrita
também precisarão ser garantidas para essas crianças cadeirantes ou
que apresentem distúrbios de coordenação manual. Dessa forma, se a
criança com deficiência não chega até o objeto escrito, o objeto vai
precisar chegar até as suas mãos. O que fazer? Essa aprendizagem
pode ser garantida, sobretudo porque a aprendizagem da leitura e da
escrita é conceitual e não mecânica.
Muitas alternativas de adaptação podem ser construídas para
promover acessibilidade ao aluno. > As pranchas de letras são indicadas
para o aluno que escolhe, letra a letra, enquanto um colega ou o professor
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registra a produção textual. Quando o aluno não consegue apontar a letra,
alguém faz uma varredura, apontando as letras, até que ele emita um
som, pisque o olho ou faça qualquer sinal previamente estabelecido entre
os parceiros comunicativos.
Há muitas maneiras de se escrever: se não for possível manejar um lápis,
então, se propõe uso de outro instrumento, como de letras em
emborrachado ou em madeira; teclado comum ou adaptado; ou mesmo
um escriba que anote letras indicadas em uma prancha.
Como fica o acesso à leitura?
A leitura pode ser facilitada, pois o único impedimento refere-se a
alterações de movimentos e a utilização da CAS pode ser suficiente para
o sucesso na leitura. A dificuldade de leitura pode se encontrar apenas no
formato de apresentação do texto. As pranchas podem ser construídas
com objetivos diversos e distintos, como pranchas de rotina, de contação
de história, pranchas de escolhas, dentre outros conteúdos curriculares,
como as pranchas a seguir.
Sugerimos, para reflexão acerca da importância da comunicação
alternativa, o filme “o escafandro e a borboleta”, por abordar a história de
uma pessoa que tem muitos impedimentos motores e que estabelece uma
forma de comunicação alternativa com o piscar de um único olho.
É possível alfabetizar um aluno com deficiência motora? Como?
Os sistemas de CAS (Comunicação Alternativa e Suplementar)
podem ser um grande aliado na alfabetização das crianças com
deficiência que têm impedimentos comunicacionais, seja de ordem
motora ou intelectual. Associado à figura representativa da mensagem
que se quer passar, os sistemas são compostos de palavras escritas.
Além disso, os cartões podem representar classes gramaticais distintas,
permitindo a formação de frases simples e complexas.
Dica para a realização das atividades de alfabetização, com
diferentes tipos de pareamentos dos cartões: (a) pictograma x pictograma
(somente com figuras); (b) Prancha em material emborrachado Prancha
da ferramenta Boardmaker, pictograma x palavra; (c) pictograma x sílaba;
(d) palavra x palavra; (e) suporte para exploração de textos; (f)
instrumentos para intepretação de texto; (g) oferecer ao aluno um material
para encaixar as sílabas; (h) retirar estímulo visual escrito e solicitar que
escreva a palavra correspondente ao pictograma apresentado.
O software Boardmaker, ferramenta de CAS do tipo PCS (símbolos
de comunicação pictográfia), disponibilizada pelo MEC para as salas de
recursos multifuncionais das escolas públicas, permite que se criem esses
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tipos de pareamento. Outra sugestão é deixar espaço no cartão
pictográfico para que o aluno possa inserir a escrita da imagem. Nesse
espaço deverá ter “velcro” ou “ímã” para que as sílabas possam ser
fixadas.
Exemplo de CAS (Comunicação Alternativa e Suplementar):
Bien plus que des documents.
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