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BOSC, Yannick. Le Peuple Souverain et la Démocratie. Politique de Robespierre.

Paris: Éditions Critiques, 2019, 204 p.

Introduction.................................................................................................................... 1
Chapitre I – Le Peuple Français. Liberté, égalité, fraternité...........................................2
« Les liens indissolubles de la fraternité »..........................................................................2
La fraternité ou le contrat social..........................................................................................2
Les usages des principes de la Déclaration.......................................................................3
Chapitre II – Dans une république, les représentants du peuple souverain sont ses
commis.......................................................................................................................... 3
Robespierre républicain ?...................................................................................................3
Robespierre, le roi et le pouvoir exécutif............................................................................4
L’éxecutif et le législatif dans la république........................................................................4
Les commis du peuple souverain.......................................................................................4
La république est dans la mise en œuvre de la Déclaration [vazio]............................................................5

Chapitre III – La vertu politique, l’amour des lois et l’insurrection...................................5


Amour des lois, représentation et vertu..............................................................................5
Le nécessaire effort politique de législateur.......................................................................6
J’obéis à toutes les lois ; mais je n’aime que les bonnes...................................................6
L’amour de la liberte et des lois : l’affaire Simmoneau [vazio]...................................................................6

L’insurrection et l’amour de l’ordre......................................................................................7


Chapitre IV – Constituer un peuple souverain................................................................7
Déclarer, constituer.............................................................................................................7
Contourner le peuple souverain [vazio].............................................................................................7

Les conditions de la souveraineté populaire......................................................................7


Chapitre V – L’économie politique populaire: la démocratie pour contrôler le marché.. .8
Une notion politique............................................................................................................8
La république et l’économie................................................................................................8
La fonction de la république consiste à garantir le droit naturel à l’existence....................9
Mettre en œuvre une économie politique républicaine.......................................................9
Épilogue – L’anarchie du peuple souverain [vazio]............................................................................10

Introduction
Em 1799, no « lendemain » do golpe de Estado, Cabanis, um dos formuladores da
constituição durante o Consulat, define o verdadeiró sistema representativo como “le
peuple est souverain, mais tous les pouvoir dont sa souveraineté se compose sont
délégues"1. – 9
Robespierre, em outro sentido, nega esse caráter substitutivo. Já em 1790, ele afirma
que o representante é apenas aquele que possui “la charge sublime d’exécuter la
volonté générale; j’ai dit qu’on ne represente la Nation que quand on est spécialement
chargé par elle d’exprimer sa volonté."2 Apesar disso, ele é acusado, por exemplo por
Soboul, de ter aderido a uma ideia de democracia direta apenas por razões
estratégias, frente à pressão o movimento popular, o que estaria expresso na sua
defesado termo mandatário ao invés de representantes em 1793. – 12- (...) – “Si le
vocabulaire n’est pas fixé, les príncipes le sont. Dans tous les cas, les représentants
tels qu’il les conçoit ne correspondent pas aux représentants tels que nous les
connaissons aujourd’hui, c’est-à-dire des représentants qui ne sont pas des
mandataires." – 14 – Entretanto, tampouco a proposta da sans-culotterie [ou de
Robespierre] era uma democracia direta no sentido que falamos hoje. Essa
diferenciação entre democracia direta, democracia representativa e, muito mesmo,
democracia participativa, não existe durante a Revolução. O que tínhamos, sobretudo,
era o exercício da cidadania como controle sobre o poder delegado. – 15
“Robespierre n’a pas rédigé de traité dans lequel il aurait systématisé une théorie de la
démocratie et de la souveraineté populaire. Pendant la Révolution, ses discours
comme ses écrits sont des interventions politiques, liées à des situations spécifiques,
qui ont pour fonction de créer des rapports de force. Robespierre est un législateur.
Sont objectif n’est pas d’alimenter un débat d’idées, mais de – 19 – traduire en lois
l’aspiration à plus de justice et de les faire appliquer." - 20

Chapitre I – Le Peuple Français. Liberté, égalité, fraternité


« Les liens indissolubles de la fraternité »
Podemos ligar o termo fraternidade à guarda nacional, mas isso não deve ser
entendido como “fraternité de corps”. – 27 – (...) – Em 1789-1790, a Assembleia que
restringir o acesso à guarda nacional aos cidadãos ativos. Para Robespierre, isso
significa negar a autoridade da própria Assembleia ao produzir uma injustiça que
divide a nação em duas classes, o contrário da fraternidade. “Ce faisant, l’Assemblée
génère le désordre. Au contraire, l’ordre résulte du respect des droits de l’homme et du
citoyen." Para Robespierre, o direito de usar da força deve ser justo. Os franceses
tomaram primeiro em armas para defender seus princípios, “premier effort du
patriotisme”. Por isso, os soldados profissionais devem ser substituídos pelos cidadãos
armados. – 31 – “garde nationale comme le peuple armé pour défendre les droits de
l’homme et du citoyen contre toute violation, qu’elle vienne d’intérieur ou de l’extérieur
du pays". – 32

La fraternité ou le contrat social


Fraternidade está ligada, para Robespierre e Desmoulins, à liberdade e à igualdade. A
ordem dos termos não é uma hierarquia, mas “um enchaînement logique qui resulte
des príncipes expos és dans la Déclaration des droits, c’est-à-dire les príncipes du
droit naturel.” – 32 -Eles pensam a partir da tradução justnaturalista do século 18. Para
essa, a liberdade é a condição natural do homem, portanto é um direito natural.
1
Cabanis, Quelques considerations sur l’organisations sociale en général et particulièrement sur la
nouvelle constitution, p. 27 e 36.
2
18 mai 1790, OMR, t. 6, p. 364
Portanto, todo homem tem um direito igual à liberdade. “L’égalité est donc la
reciproque de la liberte: être libre consiste à n’être soumis au pouvoir d’aucun autre
homme et à ne soumettre aucun autre homme à son pouvoir.” Liberdade como não
dominação, como reciprocidade. Não apenas como algo individual, mas como uma
relação com o outro. A fraternidade é “la réciprocité mise em actes”. Essa noção
aponta como as leituras que costumam tratar os termos como separados está errada.
– 33
Essa noção de fraternidade tem consequências práticas que não escapavam aos
atores políticos da época. Segundo esse princípio, "les hommes ne forment une
société que si et seulement si, le droit à l’existence du plus faible d’entre eux est
garanti : car pour être libre il faut exister, non pas survivre mais mener une existence
digne." Caso contrário, não temos um estado social, mas um estado de guerra no qual
vale a lei do mais forte. – 35 – Estamos diante do que hoje chamamos de direitos
sociais, que já estavam expressos na Declaração de 1793 e implícitos na de 1789. –
36

Les usages des principes de la Déclaration


[Mas nem todos tinham a mesma leitura sobre esses princípios.] Para a maioria dos
membros da Assembleia Constituinte, proprietários que eram, a liberdade ilimitada de
comércio estava no interesse geral, pois permitiria que todos tivessem acesso às
subsistências. Fraternidade e liberdade ilimitada de comércio e propriedade
caminhariam juntas. 29 de agosto de 1789, três dias após a voto da Declaração, a
Constituinte decreta a liberdade ilimitada do comércio de grãos em nome da
fraternidade. – 38
Frente a isso, o que fazer diante das jacqueries camponesas que ocorrem na França
entre 1789 e 1790? Os camponeses são brigands ou patriotas? O critério de
diferenciação pode ser encontrado nos princípios declarados em 1789, conforme as
divergências de interpretação começam a se desenhar. Para maioria da Constituinte, a
propriedade, enquanto direito natural, é apenas a propriedade de bens materiais. – 43
– Para Robespierre e o movimento popular, o direito natural à propriedade é apenas à
propriedade no seu sentido mais geral – a propriedade de si, da vida, dos direitos. É
essa a propriedade sagrada e inalienável. A propriedade de bens materiais é limitada,
portanto, pelo direito à existência. É esse o sentido da transição para a maioria
parlamentar da Montanha: “Avant juin 1793 – le moment où les Montagnards trouvent
une majorité à la Convention - la loi reprime donc les ‘taxateurs’ et la paysannerie
insurge, après juin 1793 elle reprime les ‘accapareurs.” Définir essas categorias
políticas é uma questão de correlações de forças, pois são elas que irão distinguir
entre os brigands e os patriotas. - 44

Chapitre II – Dans une république, les représentants du


peuple souverain sont ses commis
Robespierre républicain ?
A tese do republicanismo oportunista de Robespierre e sua suposta defesa do sistema
real antes é uma invenção termidoriana inspirada na própria imprensa royaliste – 46 –
que afirmava que os ataques de Robespierre a Luís XVI escondiam seu desejo oculto
pelo trono. Esse é um dos argumentos utilizados contra ele para justificar 9 thermidor.
– 47 – Outra leitura de republicanismo tardia se baseia no fato de que Robespierre não
defendia o republicanismo em oposição à monarquia desde o início. Isso é verdade,
mas o republicanismo não tinha, no começo da Revolução, a conotação que tem hoje
de forma de governo. O republicanismo estaria “dans la mise en œuvre des principes
de la Déclaration des droits de l’homme et du citoyen. ” A noção de república era
neutra em relação à forma de organização de governo. O republicanismo era uma
defesa da liberdade e uma recusa da tirania. – 48 – Isso poderia significar uma
incompatibilidade com a ideia de monarquia, mas não necessariamente. – 49

Robespierre, le roi et le pouvoir exécutif


No seu discurso sobre o veto, Robespierre define assim a monarquia: “le mot de
Monarchie, dans sa véritable signification, exprime uniquement un État où le pouvoir
exécutif est confié à un seul."3 Ou seja, a monarquia tem uma conotação técnica nesse
momento, não possuindo a “dimension souveraine”. “Robespierre precise également
ici que le pouvoir exécutif est confié. Cette notion de confiance n’est pas employée par
hasard". Robespierre define o monarca da seguinte maneira: "l’homme [revêtu du
pouvoir exécutif] établi par la Nation, pour faire exécuter les volontés de la Nation"4.
Temos três elementos principais : "établis par la Nation", pois ele é um mandatário do
povo, logo as características e consequências da realeza são – 57 – deveres públicos
e não direitos pessoais; “faire exécuter”, pois o monarca tem o dever de executar e
não a faculdade, por isso o veto não é um direito do monarca, mas apenas o ato
através do qual “le dépositaire du pouvoir exécutif promet à la nation de faire exécuter
la loi et que le moyen qui en garantir l’éxecution [la sanction donc], ne peut être
l’obstacle”5; “volontés de la Nation”, pois essa é expressa pela Assembleia e a
autoridade real é estabelecida apenas conservar os direitos da nação. – 59

L’éxecutif et le législatif dans la république


Na medida em que a liberdade é a não dominação, o cidadão é aquele que governa e
é governado. – 61- (...) – Por isso, tampouco trata-se de reforçar o Legislativo contra o
Executivo. Para isso, segundo Robespierre, deve-se fundar a atuação do Legislativo
“non sur des príncipes aristocratiques, mais suivant les regeles éternelles de la justice
et de l’humanité. Appelez-y tous les Citoyens , sans autres distinction que celle des
vertues e des talents".6 – 63

Les commis du peuple souverain


Esse republicanismo tem raízes nos Levelers ingleses do século XVII e em Locke.
Para esta tradição, apenas o povo soberano pode julgar o exercício do poder de seus
mandatários. – 67 – É nessa linha que Robespierre traz o termo commettant
(comitente) no seu texto Lettres de Maximilen Robespierre à ses commettans - 68 –
direcionada não apenas a todos os franceses: “Les représentants du peuple français
appartiennent, en quelque sorte à tous les peuples.”7 Esse fideicomisso, não é um
contrato, mas uma relação assimétrica. O contrato é a Declaração – não entre
governantes e governados, mas entre os próprios cidadãos, criando um elo simétrico
entre os contratantes. “Les commis ont pour commission de mettre en œuvre le contrat
(la Déclaration) passé entre les citoyens.” – 69 – O mesmo vale para o rei. Ele também
é um comissário do povo, daí o uso do termo “poder executivo”, por Robespierre, ao

3
OMR, t. 6, p. 88
4
OMR, t. 6, p. 87
5
OMR, t. 6, p. 88
6
OMR, t. 6, p. 94
7
OMR, t. 5, p. 15
invés de rei. – 70 – (...) - “(…) proclamer la souveraineté du peuple ou de la nation
implique que le roi devient le commis du peuple souverain. Selon cette logique, la
Déclaration des droits républicanise la monarchie en affirmant la souveraineté de la
nation.” – 72
La république est dans la mise en œuvre de la Déclaration [vazio]
(…)

Chapitre III – La vertu politique, l’amour des lois et


l’insurrection
O discurso de Robespierre sobre a lei é, sobretudo, um discurso sobre a virtude dos
representantes e não sobre a obediência dos cidadãos. Não é o medo da repressão o
central, “mais um respect qui découle de l’amour que les citoyens leur portent. Lorsque
le peuple s’insurge, estime Robespierre, c’est par amour pour les lois – pour les
bonnes lois s’entend, car seules les bonnes peuvent être aimées – l’insurrection étant
une forme de retour à l’ordre, c’est-à-dire à la démocratie, la tyrannie des lois la source
du désordre.” – 81 – Essa expressão – "amour de la loi" – aparece em dois textos:
discurso sobre a guerra de 25 de janeiro de 1792 8; e no texto Deuxième lettre de M.
Robespierre, à M. Lafayatte, sur les lettres de M. Lafayette à l’Assemblée Nationale et
au roi, publicado no seu jornal Le Défenseur de la Constitution em 29-30 de junho de
1792.9 - 82 – Formulações semelhantes aparecem em: 16 de maio de 1791, ao tratar
da reeleição de membros da Constituinte10; 30 de maio de 1791, ao condenar a pena
de morte11; - 83 – 28 de agosto de 1791, contra um projeto de repressão contra os
regimentos em revolta12; 5 de fevereiro de 1794 (17 pluviôse an II), no seu Sur les
príncipes de morale politique…13. – 84 – Além de duas formulações que
complementam a compreensão do conceito: junho de 1792, em um artigo sobre o
respeito às leis e autoridades constituídas14; 2 de dezembro de 1792, no discurso
sobre as subsistências15. – 85

Amour des lois, représentation et vertu


[ler parte do discurso de Robespierre Sur les principles du gouvernement
révolutionnaire, de 25 de dezembro de 1793 (5 nivôse an II), que relaciona
democracia, repúbica, amour de la patrie e amour de l’égalité.16] – 89
A virtude pública dos representantes não é o respeito aos bons costumes, mas à
democracia. – 91 – O amor à pátria e às leis. Em Sur les príncipes de morale politique,
Robespierre usa os termos república e democracia indistintamente e afirma que
essência delas é a igualdade, logo o amor à pátria é o amor da igualdade. 17 Não é
mais possível republicanizar a monarquia. A tarefa é republicanizar a República. – 92
8
OMR, t. 8, p. 150
9
OMR, t. 4, p. 208-209 (Le Défenseur de la Constitution, n. 7)
10
OMR, t. 7, p. 387 (“l’amour de la paix, de l’ordre, des lois et de la liberté”)
11
OMR, t. 7, p. 436 (“la force des lois depend de l’amour et du respect qu’elles inspirent”)
12
OMR, t. 7, p. 683 (“en general il n’est pas vrai que les officiers aient montré plus d’amour pour les lois,
pour la constitution, pour la véritable discipline que les soldats”)
13
OMR, t. 10, p. 353 (a virtude polítique ”n’est autre chose que l’amour de la patrie et de ses lois”)
14
OMR, t. 4, p. 145 (Le Défenseur de la Constitution, n. 5 – "J’obéis à toutes les lois ; mais je n’aime que
les bonnes")
15
OMR, t. 9, p. 116 (“… il [le people français] n’est pas au pouvoir d’un insensé (…) de le soulever sans
aucune raison, contre les lois qu’il aime”)
16
OMR, t. 10, p. 353
17
OMR, t. 10, p. 352
(...)
“Dans son rapport Sur les príncipes de la morale politique, Robespierre retourne la
crainte sur laquelle repose le despotisme contre le despotisme lui-même. Il fait donc de
cette crainte (cette terreur) retournée contre le despotisme une émanation de l’amour
de l’égalité – la vertu – et caractérise le Gouvernement révolutionnaire – réglé sur les
principes du gouvernement démocratique dont l’essence est l’égalité - comme le
« despotisme de la liberté contrle la tyrannie »".18 – 94 – Isso não significa uma política
sistemática implementada pela Convenção ou pelo Comitê de Saúde Pública. O
“Terror” como sistema de governo é construção termidoriana.19 – 95

Le nécessaire effort politique de législateur


"De la part du magistrat, préférer l’intérêt public à l’intérêt particulier suppose un effort
politique. C’est la raison pour laquelle Robespierre estime que le magistrat est plus
spécifiquement concerné par l’amour des lois. À la différence de ses magistrats, le
peuple n’a pas d’effort politique à – 96 – fournir puisque la vertu lui est « naturelle », et
ce d’autant, dans le cas du peuple français, qu’il vient de briser « les chaînes du
despotisme, pour en faire des trophées à la liberté »".20 Ao povo, basta amar a si
mesmo.21 – (…) – Com isso, a lei apenas é legítima na medida em que é expressão da
virtude política, ou seja, justa e conforme o interesse de todos. A virtude do legislador
determina a natureza do respeito às leis. – 99

J’obéis à toutes les lois ; mais je n’aime que les bonnes


A citação do subtítulo vem de um texto de Robespierre em seu jornal, onde também
fala “La société a droit d’exiger ma fidélité, mais non le sacrifice de ma raison: telle est
la loit éternelle de toutes créatures cœur raisonnables."22 Ao invés de respeito como
mera obediência, um respeito como sentimento, o amor às leis – “l’adhésion du cœur
de l’esprit à la sagesse ou à la justice de la loi” 23. Esse sentimento é suscita pelas boas
leis, pois são feitas de acordo com o interesse geral. – 100 – (...) – Garantir o respeito
a lei pela força das armas é marca das leis fracas, “c’est-à-dire celles qui n’inspirent au
peuple ni l’amour ni le respect.” – 102 – Por isso Robespierre é contra a pena de
morte, nas suas palavras “vous verrez que la douceur des lois pénales y est toujours
en raison de la liberte, de la sagesse, de la douceur du gouvernemnt.” 24 A lei que tem
por princípio o interesse público, portanto, tem na sua força “la force de tous les
citoyens dont ele ele l’ouvrage et la propriété.”25
Com isso, temos três estágios de obediência à lei: tirania, na qual se impõe a
obediência; maioria faz as leis que se deve obedecer, mesmo sem amá-las; se
obedece às leis pois são amadas. O dever do legislador é caminhar rumo ao terceiro
estágio. – 103
L’amour de la liberte et des lois : l’affaire Simmoneau [vazio]
(…)
18
OMR, t. 10, p. 357
19
Vide Cesare Vetter, “« Système de terreur » et « système de la terreur » dans le lexique de la
Révolution française”
20
Rapport du 17 pluviôse na II-5 février 1794, OMR, t. 10, p. 355
21
Ibid, p. 356
22
Sur le respect dû aux lois et aux autorités constituées, OMR, t. 4, p. 145 (Le Défenseur de la
Constitution, n. 5, juin 1792)
23
Idem
24
Discurso de 30 de maio de 1791.
25
OMR, t. 9, p. 494
L’insurrection et l’amour de l’ordre
"L’amour des lois est donc une manifestation du patriotisme – l’amour du pays où on
est membre du souverain – et de la vertu politique – l’amour de l’égalité ou l’amour de
la liberté en tant qu’elle est réciproque. L’amour des lois résulte d’une norme politique
qui correspond à l’amour des principes constitutifs d’un ordre social juste, norme selon
laquelle il n’y a société que si et seulement si le droit à la liberté de tous les êtres
humains qui la compose est garantie, cette norme étant incompatible avec une
appropriation qui s’effectuerait au détriment de la liberté d’autrui."
Se o legisladores não tem esse amor às leis e vão contra o interesse geral, na medida
em que o povo tem naturalmente esse amor, pois é atributo da soberania, a
insurreição é justificada e legítima. – 113 – “Ce qui est généralement qualifié de
sédition ou de désordre par les autorités constituées n’est donc que le rapel de la
fonction de la loi: garantir la liberte de tous“ [vide citação que inicia seu discurso de 10
de maio de 179326].

Chapitre IV – Constituer un peuple souverain


O principal, para Robespierre, não é uma articulação técnica de diferentes poderes,
mas os princípios que permitem essa articulação. Esses princípios estão na
Declaração. - 115

Déclarer, constituer
Neste sentido, o dispositivo censitário da Constituição de 1791, a distinção entre
cidadãos ativos e passivos, é considerado “anticonstitutionnelles, antisociales”, ao
contradizer os princípios declarados. “Pour Robespierre - 118 –, la Déclaration est la
Constitution (...) la Déclaration fonde la société: c’est autor d’elle que l’on fait
communauté". Para o outro campo, a Declaração seria acessória à Constituição, daí a
legitimidade da distinção. – 119 – Diferente deste, para Robespierre a Declaração tem
sim uma função normativa – é lei. – 120
(...)
“Le processus constituant tel qu’il a existé pendant la Révolution française – il est la
Révolution française elle-même – engendre la constitution d’un peuple au sens où il le
constitue peuple. (…) le peuple qui a conscience de former un peuple politique – une
nation – c’est-à-dire qui a consciente d’être souverain. C’est ce peuple qui selon ses
termes est ‘naturellement vertueux’. Il est identifié par le côté gauche comme le peuple
qui conquiert sa liberté les armes à la main.” – 124
Contourner le peuple souverain [vazio]
(…)

Les conditions de la souveraineté populaire


A garantia dos direitos está no povo soberano e não na força do governo – 132 -, por
isso Robespierre sugere mandatos curtos e proibir sua cumulação – é necessário
reduzir o poder dos magistrados. – 133
(...)

26
OMR, t. 9, p. 495
Em seu relatório sobre a lei de 4 de dezembro de 1793 (4 frimaire na II), Billaud-
Varenne explica a organização do governo revolucionário. O conselho executivo, que
é eleito pela Assembleia, - 138 – fica responsável pela fiscalização das leis ordinárias
e presta contas ao Comitê de Saúde Pública. As leis revolucionárias ficam sob a
responsabilidade dos distritos, que ficam logo abaixo das comunas na hierarquia
administrativa. O poder executivo é descentralizado, enquanto o legislativo é
centralizado no Assembleia. Não podemos confundir os representantes em missão,
que são membros do Legislativo, com os “ancêtres des préfets” de Bonaparte – 139 -,
que representavam o Executivo como uma espécie de intendente do Antigo Regime.
Toda tentativa de transforma o Comitê de Saúde Pública em em “comitê de governo”
foi reiteradamente rejeitada pela Assembleia. Billaud-Varenne reitera que o entro do
governo é a Convenção frente à essa proposta formulada por Merlin de Thionville em
29.nov.1793 (9 frimaire an II). - 140

Chapitre V – L’économie politique populaire: la


démocratie pour contrôler le marché
O essencial dessa ideia é a noção de que o campo econômico está submetido ao
campo da política. – 143

Une notion politique


Em seu discurso de 10 de maio de 1793, Sur la Constituition, Robespierre utiliza a
expressão "economia política popular" pela única vez e a define como "placer dans la
vertu du peuple et dans l’autorité du souverain le contre-poids nécessaire des passions
du magistrat et de la tendance du gouvernement à la tyrannie" 27. Antes, ele havia
utilizado a expressão "economia política” aliada à expressão “boas leis” 28. “Economia
política”, “economia política popular” e “ordem social” designam a república, em
oposição à tirania. Rousseau havia utilizado a expressão “economia política popular"
ligada aos “direitos da humanidade” em oposição à “economia política tirânica”29. – 147

La république et l’économie
Os fisiocratas inventam a "ciência” econômica como ciência total capaz de determinar
a melhor constituição política e moralizar os homens. Para Say, em sua ficção Olbie,
"un bon traité d’économie politique doit être pour un peuple le premier livre de morale."
A economia substitui a política ao ser aquilo que gera o interesse enquanto regulador
das relações entre os indivíduos. Turgot e Condorcet seguem os fisiocratas na sua
ideia de um mercado sem tensões ou dominação. O mercado teria uma função
distributiva e equalizadora. – 154 – Um republicanismo de mercado oposto ao
republicanismo fundado no direito natural que defende Robespierre. A lei natural de
Condorcet não é uma moral política, mas “une physique du social dans laquelle
l’intérêt joue le même rôle que la gravitation dans la physique du monde matériel”. –
155

27
OMR, t. 9, p. 507. [nota 145: o texto de OMR omite o "politique" da expressão. Bosc buscou a citação
completa nas Œuvres choisies, t. 2, p. 155]
28
Sur le respect dû aux lois et aux autorités constituées, OMR, t. 4, p. 145 (Le Défenseur de la
Constitution, n. 5, juin 1792)
29
Discours sur l’économie politique (1755)
La fonction de la république consiste à garantir le droit naturel à
l’existence
Ao invés de liberdade como ausência de entraves, liberdade como não dominação e
reciprocidade – favorecendo a livre circulação ao invés da especulação. – 166

Mettre en œuvre une économie politique républicaine


Propriedade não como direito individual natural, mas como relação social. A
propriedade é uma coisa pública. Ao invés de ser deixada ao arbítrio dos interesses
privados, ela entra no campo político. Com isso, a república (associação de seres
humanos livre e iguais em direitos) tem o direito de estabelecer o direito à existência
como condição necessária da liberdade. Um direito igual à liberdade, porém, não
significa ausência de propriedade individual, apenas sua limitação pelo direito à
existência dos outros. A propriedade individual (que não é o mesmo que propriedade
privada exclusiva) é uma solução para garantir o direito à existência e contra a
concentração de terras – daí a venda de bens nacionais em pequenos lotes pela
Convenção dita montagnarde. – 168
Ao lado da propriedade individual, um domínio público que, segundo Saint-Just em
seu Institution républicaines, seria constituído pelos bens dos inimigos da república,
permitindo o financiamento da proteção social e das escolas. Poderia ser alugada aos
camponeses sem terra. Esse domínio não se confunde com os bens do Estado. Além
dele, haveria uma propriedade compartilhada. – 169 – (...) – Essa propriedade
compartilhada ocupava um lugar importante durante o século XVIII e consistia, em
parte, dos direitos de uso coletivos sobre as propriedades individuais, e, em outra, nos
bosques e etc. que pertenciam em comum à comunidade dos habitantes. Seu modo
de acesso e uso era regulado pelas comunidades das vilas. Entretanto, a partir do
século XVI, esses comuns foram crescentemente apropriados pelos senhores e
grandes proprietários. Durante a Revolução, a reivindicação dos comuns usurpados e
a abolição dos direitos senhoriais eram as duas principais demandas do movimento
camponês. – 171 – No começo da Revolução, Robespierre chama esses bens de
“patrimoine sacré du peuple”30. Isso apenas se torna possível com a lei de 10 de junho
de 1793 sobre a partilha ou manutenção dos comuns. – 172 – A decisão ficaria a
cargo das assembleias de habitantes (compostas por homens e mulheres) e não das
municipalidades. Ou seja, quem decide a forma da propriedade não seriam os
proprietários, mas os habitantes, excluindo da decisão em boa parte dos casos, na
prática, os grandes proprietários. – 173
(...)
“c’est le droit à l’existence politique – le fait d’être citoyen – qui constitue la principale
garantie du droit à l’existence matérielle : Robespierre l’explique au cours de la séance
du 23 octobre 1790 dans son intervention à la Constituante sur les droits politiques des
indigents : « […] je pense que personne n’a le droit, pas même le législateur, d’établir
des bornes au-delà desquelles on ne peut plus être citoyen. L’homme est citoyen par
la nature ; personne en saurait lui arracher ce droit, qui est inséparable de celui qu’il a
d’exister sur la terre. »31" - 177

30
OMR, t. 6, p. 223 (Motion de M. de Robespierre sur la restitution des biens communaux envahis par les
seigneurs, lors de la séance du 9 décembre 1789)
31
OMR, t. 6, p. 553
Épilogue – L’anarchie du peuple souverain [vazio]

(…)