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TRANSLATION TRADUÇÃO

JOLANTA WAWRZYCKA JOLANTA WAWRZYCKA

‘Latin me that, my trinity “Latin me that, my trinity


scholard.’ scholard”.
(FW 215, 26) (Finnegans Wake, 1999, p.
215)

When I first saw the entry Ao deparar-me pela pri-


‘vulgar language’ in Clongowes meira vez com o verbete “lin-
Wood College’s Punishment guagem vulgar” no Livro das
Book, I was bemused by the Punições em Clongowes Wood
offence and I remember thinking College, fiquei estupefata com a
that, by forgoing the standard ofensa. Lembro-me de pensar
language, little Jim Joyce had just que, ao abrir mão do uso da
committed his first official act of língua padrão, o pequeno Jim
intralingual translation. We Joyce havia acabado de cometer
cannot know what word(s) he o seu primeiro ato oficial de
used, though Father Bruce tradução intra-linguística. Não
Bradley suggests that ‘it is há como sabermos que pala-
possible to speculate about the vra(s) ele usou, apesar do Padre
vulgarity uttered by the seven- Bruce Bradley ter sugerido que
year-old James Joyce’ based on “é possível especular-se sobre a
‘Christopher Roche’s punishment vulgaridade proferida por James
earlier that year… for calling a Joyce aos sete anos de idade”
boy a vulgar name “stink”’1. com base “na punição de Chris-
Stephen thinks of Rody Kickam topher Roche um ano antes [...]
as a nice fellow but ‘nasty Roche por ter referido-se a um menino
was a stink’ (P 4); he grapples pelo nome vulgar ‘fedorento’”.
with ‘stink’ as he does with Stephen considerava Rody Kic-
‘suck,’ ‘kiss’, ‘belt’ or God / kam um rapaz gente boa, mas
Dieu. We see a novice translator “o sujismundo do Roche era um
unwittingly performing metem- fedorento” (BRADLEY 1982,
psychotic translations by consi- p. 152). Ele atém-se a “fedo-
dering, separately, words as the rento” assim como a “chupar”,
verbal ‘bodies’ in search of their “beijar”, “pancada” ou Deus /
‘souls’ or meanings. Skeat in Dieu. O que vemos aqui é um
hand, young Joyce, auto-langua- tradutor inexperiente que fazia
ged into college Stephen, wades traduções metempsicóticas in-
through words ‘so familiar and so voluntariamente, que via pala-
foreign’ (P 205), breaking away vras como “corpos” verbais

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from the confines of English into separados de suas “almas” ou


the sophistication of multilinguis- significados. Versado em Skeat,
ticity: ‘ivory, ivoire, avorio, ebur’ o jovem Joyce, auto-linguajado1
(P 193). When we first meet na língua de Stephen universi-
Bloom, he too performs a series tário, vadia por palavras “tão
of metempsychotic translations familiares e tão estrangeiras”
during his morning conversation (DEANE 2000, p. 205), des-
with Molly in Calypso, a process vencilha-se dos confinamentos
he continues throughout the day. do inglês e vai de encontro à
Languaging, wording, punning sofisticação da multilinguismo:
and riddling are at the heart of “ivory [marfim], ivoire, avorio,
Joyce’s artistic endeavour from ebur” (DEANE 2000, p. 193).
the start when, as a novice poet of Ao encontrarmo-nos com
nine, he gave his first poem a Bloom pela primeira vez, nota-
Latin title ‘Et Tu, Healy’. mos que também ele faz várias
traduções metempsicóticas du-
rante a sua conversa matinal
com Molly no Calypso, pro-
cesso ao qual ele dá prosse-
guimento durante o dia. O
“linguajar”, o fraseio, os jogos
de palavras e as charadas estão
presentes, desde o princípio, na
essência das empreitadas artís-
ticas de Joyce quando ele, um
poeta inexperiente de nove
anos, deu ao seu primeiro
poema um título em latim, “Et
Tu, Healy”.
My task is to situate Joyce Minha tarefa aqui é situar
and his work in the context of Joyce e seu trabalho no contex-
translation – a tall order, consi- to da tradução – uma tarefa de
dering Joyce’s own immersion in ordem superior quando conside-
translation, his considerable ramos a imersão do próprio
investment in supervising and/or Joyce na tradução, o seu consi-
authorising translations of his derável investimento em super-
own works and the issue of visionar e/ou autorizar tradu-
reception / translation of his ções do seu próprio trabalho e a
oeuvre throughout the world. The questão da recepção / tradução
last area has been well covered das suas obras pelo mundo
recently in the two-volume The afora. Esse último ponto encon-
Reception of James Joyce in tra-se muito bem documentado
Europe (2004). The two other no estudo em dois volumes The
topics are amply covered under Reception of James Joyce in
the umbrella of Joyce and Europe (2004). Os outros dois

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‘language’, with a host of studies pontos estão bem documenta-


devoted to rhetorical, stylistic, dos sob os verbetes Joyce e
linguistic and narrative considera- “língua / linguagem”, numa
tions. Translation, yet another vasta gama de materiais dedica-
species of preoccupation with dos a considerações retóricas,
language, a deeply hypolectic estilísticas, lingüísticas e narra-
one, to use Fritz Senn’s term,2 tivas. A tradução, apesar de
will serve in this chapter as a mais um tipo de preocupação
context for tracing Joyce’s com questões da linguagem, é
performative engagement with profundamente hipoléxica2,
language(s) and for defining para fazer uso do termo cunha-
Joyce’s translatorial, mediatory do por Fritz Senn (1995). Ela
and inter-linguistic ethics of nos servirá, neste capítulo, de
being-in-the-world – silence, contexto para traçar o envolvi-
exile, cunning and all. From the mento performativo de Joyce
earliest translation exercises at com a(s) língua(s) e para definir
school Joyce was learning to a ética tradutória, mediadora e
decode cryptograms of cultures inter-linguística de estar no
and ideologies, scripts whose mundo – silêncio, exílio e astú-
protean nature yielded the poly- cia. Desde os seus primeiros
idiomatic language of Ulysses exercícios de tradução na esco-
and, eventually, ‘the monstrous la, Joyce aprendia a decodificar
idiolect of FW’.3 By writing from criptogramas de culturas e ideo-
and through translation, and later logias, escritos cuja natureza
through and across languages, enganosa abriu espaço para a
Joyce cast English into relief, linguagem poli-idiomática de
making his ‘text’ a site of Ulysses e, eventualmente, ao
competing idioms / idiolects and “idioleto monstruoso de Finne-
linguistic conventions / traditions, gans Wake” (RABATÉ 1991, p.
an apex of the modernist attitude 117). Pelo fato de escrever a
that challenges the hegemony of partir da tradução por meio
national languages, cultures and dela e, mais tarde, por meio das
ideologies. Thus the context of línguas e através delas, Joyce
translation emerges as a crucial deu trégua à língua inglesa ao
critical tool that positions Joyce at transformar o seu “texto”, um
the crossroads of European lugar de disputa de idiomas /
literary and linguistic traditions idioletos e tradições / conven-
embedded in wider contexts of ções lingüísticas, no ápice da
cultures, religions, histories and atitude modernista, a qual desa-
political systems. fia a hegemonia de línguas,
culturas e ideologias nacionais.
Por isso, o contexto da tradução
emerge como uma ferramenta
crítica crucial que posiciona
Joyce na encruzilhada de

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tradições européias lingüísticas


e literárias, inserida em contex-
tos mais amplos de culturas,
religiões, histórias e sistemas
políticos.
Joyce’s relationship with A relação de Joyce com a
translation falls into several cate- tradução enquadra-se em diver-
gories: mandatory school transla- sas categorias: traduções obri-
tions; translatorial sorties into gatórias; ataques tradutórios
self-acquired languages (Dano- militares a línguas autoadquiri-
Norwegian and German); ambas- das (norueguês-dinamarquês e
sadorial translations (of Haupt- alemão); traduções de cunho
mann, Synge and Yeats); autho- diplomático (de Hauptmann,
rial self-translations; or collabo- Synge e Yeats); traduções de si
rative translations of his own mesmo como autor; ou tradu-
works. Then there is also the issue ções colaborativas das suas pró-
of ‘language direction’: into prias obras. Além disso, há tam-
English from Latin or French or bém, sempre presente, a questão
German; from English into Dano- da “direção da língua”: do la-
Norwegian or Italian; and, in case tim, francês ou alemão para o
of school translation exercises inglês; do inglês para o norue-
that were at the core of his early guês-dinamarquês ou italiano;
language training, both into and e, no caso dos exercícios de
from English. tradução escolares presentes na
base do seu treinamento em
línguas quando mais novo,
tanto traduções para o inglês
como a partir do inglês.

Latin: ‘The Morrow Thee Latim: “A Vós O Amanhã


A Kid Shall Bring’ Uma Criança Trará”

Horace/(Joyce 1898 Quoted (Horácio/Joyce 1898.


in JJ 50) Citado em Ellmann 1982, p. 50)

From Clongowes through Em Clongowes, em Belve-


his Belvedere and University dere3 e, depois, na universidade,
years, Joyce, schoolboy and stu- Joyce teve de demonstrar a sua
dent, had to demonstrate his Latin proficiência em latim. Curran
proficiency. Curran confirms both corrobora a afirmação de Joyce
the breadth of learning that boys de que tanto a extensão do
received as well as the immersion ensino que os garotos recebiam
in Latin and ‘Thomistic dicta’4 assim como a imersão em latim
that Joyce would later claim to e as doutrinas de Tomás de
forge Stephen’s aesthetic theory. Aquino (CURRAN 1970, p. 39)

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Indeed, the wider ‘translation’ forjaram a teoria estética de


context of Joyce’s Jesuit educa- Stephen. De fato, o contexto de
tion was delineated by Latin, “tradução” mais amplo da
from morning salutations, Laude- educação jesuíta de Joyce foi
tur Jesus Christus, to night bene- delineada pelo latim, desde ora-
dictions, Deo Gratias5 and daily ções matinais, Laudetur Jesus
classroom efforts dedicated Ad Christus, a bendições noturnas,
Majorem Dei Gloriam. In addi- Deo Gratias (Ibid.) e esforços
tion, there was Italian which diários em sala de aula dedica-
Joyce began to study when he dos Ad Majorem Dei Gloriam.
was nine (L I 132). His Belvedere Além disso, havia também o
language scores in Latin, French italiano que Joyce começou a
and Italian have been reproduced estudar aos nove anos de idade
and widely discussed,6 but it is (GILBERT 1966, p. 132). As
worthwhile to emphasise the suas notas na escola de Belve-
sheer breadth of his dynamic dere em latim, francês e italiano
immersion in inter-linguistic já foram divulgadas e ampla-
contexts. His Belvedere examina- mente discutidas4, mas é opor-
tions called for translations from tuno enfatizar a inclusiva exten-
Ovid, Virgil, Cicero, Horace, são da sua imersão dinâmica em
Mme E. de Pressensé, Florian, contextos inter-linguísticos. Os
Lamartine, Racine, Corneille, de seus exames em Belvedere
Amicis, Tasso, Machiavelli, to envolviam traduções de Ovídio,
name just a few.7 The range Virgílio, Cícero, Horácio,
expanded as Joyce entered the Madame de Pressensé, Florian,
Royal University: examinations Lamartine, Racine, Corneille,
show that he had to translate de Amicis, Tasso, Maquiavel,
from, among others, Dante, entre muitos outros (MAC-
Molière, Voltaire, Hugo and CARVILL 1992). O número
George Sand.8 We also recall the aumentou depois que Joyce
fun Joyce / Stephen and his ingressou na Royal University:
friends had with mock Latin. And pesquisas mostram que ele teve
English, both the source and the de traduzir Dante, Molière,
target language of Joyce’s Voltaire, Victor Hugo e George
translations, is more than just a Sand, entre outros (Ibid., pp.
‘silent’ agent or a catalyst; it 256–347). Vale lembrarmos
became a catch-all for the litter of também como Joyce / Stephen
linguistic residue that would divertiam-se com seus amigos à
morph, via Ulysses, into Wakese. custa de um latim inventado. E
o inglês, tanto a fonte quanto o
alvo das suas traduções, é mais
do que um mero agente
“silencioso” ou um catalisador;
ele torna-se um “balaio” que
comporta o resíduo linguístico

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que o transformaria, por meio


de Ulysses, em Wakese5.
In addition, the context of O contexto da tradução,
translation invites a look at ademais, requer um olhar sobre
Joyce’s language engagement in o envolvimento da língua de
terms of process, the doing of a Joyce em termos de processo, o
translation, and, regardless of the fazer da tradução. Em detrimen-
outcome, what matters is the to dos resultados, o que importa
prolonged intellectual oscillation é a prolongada oscilação inte-
between two sets of linguistic and lectual entre dois conjuntos de
cultural parameters – a trans- parâmetros linguísticos e cultu-
relation – which allows for a re- rais – uma trans-relação – que
forging of the foreign-language permite um re-forjar dos con-
concepts in one’s own mother ceitos da língua estrangeira na
tongue. I call this process trans- língua-mãe. Chamo esse pro-
semantification or re-languaging, cesso de trans-semantificação
in contrast to Jakobson’s ‘rewor- ou re-linguajar, em oposição a
ding’,9 in order to bring to focus “re-palavrear” (JAKOBSON
the profound complexities of 1992, p. 145), com vistas a
processes connoted by Über- ressaltar as profundas comple-
setzen, transfere, traduit, tradurre, xidades dos processos sugeridos
µ!"#$%&'(, )*+*,-./01, por Übersetzen: transfere, tra-
t2umaczy3, µ!"#$%&'(, duit, tradurre µ!"#$%&'(,
)*+*,-./01, t2umaczy3, et cetera. )*+*,-./01, t2umaczy3,
Trans-semantification refers to µ!"#$%&'(, )*+*,-./01,
the transference of a literary work t2umaczy3, et cetera. Trans-
of art into another language and semantificação refere-se à
denotes the complexity of literary transferência de uma obra de
re-languaging which, in spite of arte literária para outra língua e
replacing lexical surface of a denota a complexidade do re-
literary work, manages to attend linguajear literário, que, a
to sound, rhythm and semantic despeito da troca da superfície
coloration of words, phrases and lexical de uma obra literária, dá
syntactical units of the original as conta do som, ritmo e coloração
it also takes cognisance of semântica das palavras, frases e
cultural references embedded in unidades sintáticas do original à
lexical structures (e.g. names, medida que leva em conta as
rhetorical formations, stylistic referências culturais presentes
repetitions, colloquialisms or nas estruturas lexicais (por
invectives) by scrupulously re- exemplo, nomes, formações
fostering them in the target lan- retóricas, repetições estilísticas,
guage even – or particularly – at coloquialismos ou expressões
the risk of busting the normative injuriosas) por meio de re-forjá-
boundaries of that language. las com precisão na língua alvo,
Trans-semantification means that até mesmo – ou preferivelmente

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the very literariness of a literary – sob o risco de romper com


work is carried across and re- barreiras normativas daquela
created in another language.10 língua. Trans-semantificação
significa que a literariedade de
uma obra literária é trans-
portada juntamente com ela e
re-criada em outra língua
(WAWRZYCKA 2007, p. 34).
Joyce’s early experiences As primeiras experiências
with decoding and re-fostering de Joyce com decodificação e
meaning forged an acute linguis- re-desenvolvimento de signifi-
tic consciousness and intuition. cados incutiram nele consci-
His June 1898 translation of ência e intuição lingüísticas
Horace’s Ode III, 13 (JJ 50–1), is agudas. Shork avalia a tradução
assessed by Schork as a de Joyce de junho de 1898 da
‘commendable exercise’ and Ode III 13 (ELLMANN 1982,
‘decent English verse’,11 while pp. 50-51) de Horácio como um
Sullivan praises this meritorious “exercício louvável” e “versos
‘schoolboy exercise’ as remark- decentes em inglês” (SCHORK
able for the accuracy of 1997, p. 144), enquanto Sulli-
expression, grace, accuracy, sense van aprecia os seus meritórios
of language and faithfulness to “exercícios escolares” como
the spirit of Horace.12 This marcantes por precisão em
translation, Joyce’s earliest extant expressão, graça, senso de
piece of writing, is of great value linguagem e fidelidade ao espí-
for the glimpse it offers of young rito de Horácio (SULLIVAN
Joyce’s ‘exhibition of skill’13 and 1963, p. 75-76). Essa tradução,
linguistic introspection. It is o texto mais antigo existente de
through Latin that Joyce formu- Joyce, é de grande valor pelo
lated his early aesthetics, quite relance que proporciona da
likely resulting from the expe- “exibição de habilidade” (Ibid.,
riences of that Galvanic cardiac p. 76) e introspecção lingüística
condition, ‘the enchantment of the de Joyce quando jovem. Foi por
heart’, that accompanies the meio do latim que Joyce
victory of wrenching out words / formulou seu primeiro senso
phrases from one language and estético, algo que, muito prova-
rendering them felicitously in velmente resultou de um pro-
another. blema cardíaco galvânico, “o
encanto do coração”, que
resulta do êxito do ato de
arrancar palavras / frases de
uma língua e, triunfantemente,
colocá-las em outra língua.

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As a young artist in search Como um jovem artista


of style, Joyce, following Symons em busca de um estilo, Joyce,
and Moore, also turned to French seguidor de Symons e Moore,
literature, translating Verlaine and também se voltou para a litera-
Maeterlinck, most notably, tura francesa e traduziu Verlai-
Verlaine’s ‘Les sanglots longs’. ne e Maeterlinck, e, de modo
The poem’s actual title is notável, “Les sanglots longs” de
‘Chanson d’autumne’, from the Verlaine. O título do poema na
1866 volume of Poèmes satur- verdade é “Chanson d’autum-
niens (‘les sanglots longs’ is the ne” do volume Poèmes Satur-
first line). Joyce rendered the niens de 1866 (“Les sanglots
second stanza of the poem with a longs” corresponde ao primeiro
fair degree of fidelity even if one verso). Joyce traduziu a segun-
misses Verlaine’s word ‘Mono- da estrofe do poema com um
tone’ (which, luckily, resurfaces razoável grau de fidelidade,
in Joyce’s Paris poem sent to mesmo sem se dar conta da
Byrne and later published as song palavra “Monotone”, usada por
xxxv in Chamber Music). Stanzas Verlaine (a qual, por sorte,
one and three, however, though reaparece no poema de Joyce,
faithful in spirit, qualify as an “Paris”, enviado a Byrne e
‘interpretive translation’, to use a depois publicado como canção
Poundian term which will be XXXV em Chamber Music).
discussed later in this essay. No entanto, a primeira e a
Verlaine’s cadences inflected terceira estrofes, apesar de fiéis
Joyce’s, even if by 1902 Joyce em espírito, podem ser vistas
would insist in a letter to Lady como uma “tradução interpre-
Gregory that ‘there was no poetry tativa”, para fazer uso do termo
in French literature’ (JJ 115). de Pound que será discutido
Notably, it was through French neste ensaio. As cadências de
that Joyce also tackled an ambi- Verlaine influenciaram e modi-
tious writing project on Ibsen ficaram as de Joyce, por mais
which carried him into new que, por volta de 1902, Joyce
linguistic territories. houvesse insistido em carta à
Lady Gregory que “não há
poesia na literatura francesa”
(ELLMANN 1982, p. 115). É
importante observar que foi por
meio do francês que Joyce
também empreendeu um proje-
to ambicioso sobre Ibsen, o qual
o conduziu a novos territórios
linguísticos.

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Dano-Norwegian: Norueguês-Dinamarquês:
‘The Medium Of Hardly “O Meio Das Traduções
Procured Translations’ (Sh 32 ) Raramente Obtidas”

J. F. Byrne witnessed J. F. Byrne testemunhou


Joyce’s 1899 self-tutoring as seções autodidatas de Joyce
sessions at the National Library na Biblioteca Nacional6 onde
where Joyce was ‘cramming Joyce “debruçava-se sobre a
himself with the Norwegian língua norueguesa” e escavava
language’, working his way “pilhas de livros sobre Ibsen,
through ‘a pile of books on Ibsen inclusive algumas de suas
including some of his plays, a peças, uma gramática e um
Norwegian dictionary and a dicionário de noruguês”, tudo
Norwegian grammar’, all a part of isso era parte do processo de
the process of preparing ‘Ibsen’s preparar o “Novo Drama de
New Drama’.14 Stephen, too, we Ibsen” (BYRNE 1953, pp. 58 e
remember, studied Danish 62). Stephen também, como nos
walking along the canal with his recordamos, estudava dinamar-
‘Danish grammar’ (SH 209). His quês enquanto caminhava pelo
new linguistic venture resulted in canal com a sua “gramática do
a moment of ‘radiant simul- dinamarquês” (SPENCER
taneity’ (SH 33) when he 1963, p. 209). A sua nova
‘encountered through the medium empreitada lingüística culminou
of hardly procured translations num momento de “simul-
the spirit of Henrik Ibsen’ and taneidade radiante” (Ibid., p.
‘understood that spirit instan- 33) ao “encontrar, a partir do
taneously’ (SH 32). Kenner meio de traduções raramente
pointed out that Joyce, ‘by obtidas, o espírito de Henrik
reading [Ibsen] in the original Ibsen” e, assim, “compreendeu
could find a writer congenial to aquele espírito instantanea-
his own preoccupations with mente” (Ibid., p. 32). Kenner
setting language significantly in ressalta que Joyce, “por ter lido
action’ and gain the kind of Ibsen no original, pôde
‘thematic immersion in language encontrar um escritor congenial
that defies translation’,15 an às suas próprias preocupações
immersion which may well have por meio de colocar a língua em
fuelled Joyce’s imperative to ação de modo significante” e
study Dano-Norwegian, especi- pôde conquistar um tipo de
ally since Ibsen’s works were “imersão temática na língua que
accessible in English. Joyce contesta a tradução” (KENNER
reciprocated Ibsen’s message of 1951, p. 78), uma imersão que
appreciation of the April 1900 pode ter servido de incentivo
essay in Fortnightly Review para a determinação de Joyce
eleven months later in his March para estudar norueguês-dina-

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1901 letter to Ibsen in Dano- marquês, principalmente quan-


Norwegian, trusting that Ibsen do as obras de Ibsen tornaram-
would be able to ‘decipher’ his se disponíveis em inglês. Joyce
meaning (L I 51). The sophis- respondeu à mensagem de
tication of Joyce’s letter is apreciação de Ibsen relativa ao
remarkable for the beginner (who, ensaio de abril de 1900,
thirty-five years, later would publicado no Fortnightly Re-
actually speak ‘good Danish’ (JJ view, onze meses depois em
694)). As Ellmann aptly put it, carta a Ibsen em março de 1901
‘Before Ibsen’s letter Joyce was escrita em norueguês-dinamar-
an Irishman; after it he was a quês, com fé de que Ibsen
European’ (JJ 75). poderia “decifrar” a sua mensa-
gem (GILBERT 1966, p. 51). A
sofisticação da carta de Joyce é
impressionante para um inician-
te na língua (que, trinta e cinco
anos depois, passaria a se
comunicar com um “bom dina-
marquês” (ELLMANN 1982, p.
694)). Nesse respeito, pondera
Ellmann com muita pertinência:
“antes da carta a Ibsen, Joyce
era um irlandês. Depois dela,
ele se tornou um europeu”
(Ibid., p. 75).

Silesian German: Alemão Silesiano:


‘Asterisks Mark Where The “Os Asteriscos Correspondem
Text Has Proved A Excertos Intraduzíveis”
Untranslatable’
(Jja Ii 530) (Groden 1977-1979, p. 32)

Douglas Knight, in his dis- Douglas Knight, ao discu-


cussion of the Augustan zeal for tir o zelo augustiniano pela
translation in the context of tradução no contexto de
Pope’s Homer, delineates a few Homero do papa, delineia
sine qua non attributes of the alguns atributos sine qua non
translator: he should be an artist do tradutor: ele deve ser um
and a scholar-linguist, ready to artista e um lingüista, sempre
‘range into areas of new insight’ pronto para “embarcar em
if he is to ‘speak to his world’ or novas áreas do discernimento”.
open ‘the door for another mind’; No caso de ele “falar para o seu
he has to be ‘profoundly a mundo” ou abrir “uma porta
member of his own world… alive para outra mente”, ele tem de
to the struggles and dilemmas of ser “profundamente um mem-

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his culture, or his work will lack bro do seu próprio mundo (...)
the urgency which good atento às dificuldades e aos
translation needs in order to dilemas da sua cultura, pois,
compensate for the many kinds of caso contrário, ao seu trabalho
loss which takes place between faltaria a urgência que requer
original and version’.16 For the uma boa tradução para
Augustans, translation served ‘as compensar os vários tipos de
a corrective to that provinciality perda que ocorrem entre o
of mind which would take as original e uma versão”
gospel anything an age seems (KNIGHT 1959, p. 197). Para
satisfied with’ and the validity of os augustinianos, a tradução
translation rested in its ability to servia “como um corretivo para
provide ‘the necessary foil for o provincialismo da mente que
immediate experience’. Pope set toma por evangelho tudo o que
out to translate Homer with ‘a apraz a certa idade” e a validade
willingness to take the alien world da tradução baseava-se em sua
seriously’ and an ability to bring habilidade de fornecer “o realce
that world ‘into living relation necessário para a experiência
with all the accepted and imediata”. O papa empenhou-se
unquestioned attitudes of his own a traduzir Homero “determina-
world’, which fostered ‘the do a levar o mundo do estranho
flowering of a poetic maturity not a sério”, com uma habilidade
possible without both these earlier para trazer a aquele mundo
steps’.17 “uma relação viva com todas as
atitudes aceitas e inquestioná-
veis do seu próprio mundo”, a
qual apadrinhou com “o flores-
cimento de uma maturidade
poética que não seria possível
sem os passos anteriores” (Ibid.,
pp. 200–201).
Knight’s words serve well to As palavras de Knight
illuminate the dynamics of young servem para trazer luz à
Joyce’s immersion in translation. dinâmica da imersão do jovem
In summer of 1901, eleven years Joyce na tradução. Durante o
before Gerhart Hauptmann verão de 1901, onze anos antes
received the Nobel Prize, Joyce de Gerhart Hauptmann receber
had translated his Vor o prêmio Nobel, Joyce traduzira
Sonnensufgang as Before Sunrise a sua obra Vor Sonnensufgang
(JJA II) and, apparently, Michael como Before Sunrise (“Antes
Kramer (L I 389), though that do Nascer do Sol”, GRODEN
manuscript has vanished. Ellmann 1977-1979 II) e, aparentemente,
suggests that Joyce read Michael Kramer (GILBERT
Hauptmann in the original for the 1966, p. 389) acreditava que
Ibsenian problem-themes and to aquele manuscrito estava

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improve his grasp of German (JJ desaparecido. Ellmann acredita


87–8), ‘a language which until que Joyce lera Hauptmann no
then he had disliked and avoided’ original devido aos problemas-
(JJ 76). But the sheer labour on temas ibsenianos e para melho-
Joyce’s part of ‘transluding from rar o seu comando do alemão
the Otherman’ (FW 419.24), of (ELLMANN 1988, pp. 87–88),
anchoring himself in Mullingar to “uma língua que, até então, ele
produce an almost spotless havia repugnado e evitado”
manuscript penned in copper- (Ibid., p. 76). Mas o árduo
plate, points to more that just a trabalho de Joyce de “translu-
language exercise. Kennerian ding from the Otherman”
‘thematic immersion in language’ (BISHOP 1999, p. 419), de se
afforded Joyce access to concepts ancorar em Mullingar a fim de
that indeed ‘defied translation’, produzir um manuscrito
and heightened his sense of the impecável, como gravura em
poet as ‘the intense centre of the metal, revela mais do que um
life of his age… capable of mero exercício linguístico. A
absorbing in himself the life that “imersão temática [kenneriana]
surrounds him’ (SH 67). Critics, na língua” abriu as portas para
like Robert Spoo, see Joyce’s que Joyce tivesse acesso a
early critical writings as a means conceitos que de fato “confron-
of inserting himself into the tavam a tradução” e acentua-
discourse of self, history, vam a sua percepção do poeta
Romantic aesthetic theory;18 como “o centro intenso da vida
Joyce’s early translations could do seu tempo (...) capaz de
be seen in the same light, absorver nele mesmo a vida que
especially since in 1904 Joyce o circunda” (SPENCER 1963,
offered his Hauptmann p. 67). Alguns críticos, como
translations to W. B. Yeats for a Robert Spoo, vêem os primeiros
possible staging by the Irish escritos críticos de Joyce como
Literary Theatre. After Yeats’ um modo de inserir-se no
rejection (L II 58), the texts rested discurso do eu, da história, na
dormant until 1928 when Ezra teoria da estética romântica
Pound asked to see those (SPOO 1994, pp. 58-60). Pode-
‘juvenile indiscretions,’ informing se pensar nas primeiras
Joyce that ‘the noble Gerhardt traduções de Joyce de modo
[sic]’ was struggling with Ulysses semelhante, principalmente
in ‘choimun’.19 In 1937 Joyce porque, em 1904, Joyce
arranged to have his translation of ofereceu as suas traduções de
Before Sunrise autographed by Hauptmann a W. B. Yeats com
Hauptmann and wanted to be vistas a uma possível encenação
introduced to him (L I 389). Right no Teatro Literário Irlandês7.
after Joyce’s death there was an Após a recusa de Yeats
attempt to publish Before Sunrise (ELLMANN 1966a, p. 58), os
to aid the Joyce family in Zurich. textos foram deixados de lado

Scientia Traductionis, n.8, 2010


75 TRANSLATION

Joyce’s representative in the US, até 1928, quando Ezra Pound


Maria Jolas, was approached with pediu para ver aquelas “indis-
the task and remarked that ‘Joyce crições juvenis” e avisou a
did very few translations and it Joyce que “o nobre Gerhardt
reveals an interesting facet of his [sic]” estava debatendo-se con-
mind [my emphasis] that he tra Ulysses em “choimun”8
should have done this one at such (READ 1970, p. 235). Em
an early age.’20 1937, Joyce conseguiu um
autógrafo de Hauptmann em
sua tradução de Before Sunrise
e quis ser apresentado a ele
(GILBERT 1966, p. 389). Logo
após a morte de Joyce, houve
uma tentativa de publicar
Before Sunrise para ajudar a
família de Joyce em Zurique.
Maria Jolas, a representante de
Joyce nos EUA, responsabili-
zou-se por isso e ressaltou que
“Joyce fez poucas traduções e
isso revela uma faceta interes-
sante de sua mente [minha
ênfase], o fato de ele ter feito
essas traduções quando era
ainda tão jovem” (cf. citado em
PERKINS 1978, p.13).
At such an early age Joyce Ainda tão jovem, Joyce já
was already establishing a ‘trans- desenvolvia um “contexto de
lation context’ for his future tradução” para os seus trabalhos
works and, although he had never futuros mesmo que nunca
articulated any translating princi- houvesse articulado quaisquer
ples, a closer look at Before princípios tradutórios. Um olhar
Sunrise reveals aspects of his mais de perto em Before
modus operandi, including a Sunrise revela aspectos do seu
humbling admission by the modos operandi. O jovem tra-
nineteen-year-old translator: dutor de dezenove anos de
‘asterisk mark where the text has idade reconhece humildemente:
proved untranslatable’ (JJA II “os asteriscos correspondem a
530). Tymoczko observes that the excertos intraduzíveis” (GRO-
distance between the source and DEN 1977-1979 II, p. 530).
the receiving culture greatly Tymoczko observa que a
influences the ‘impetus to distância entre as culturas fonte
simplify’.21 The Hauptmann ma- e receptora em muito influen-
nuscript indicates three instances ciam o “ímpeto de simplificar”
where Joyce simplified by (TYMOCZKO 1999, pp. 23-

Scientia Traductionis, n.8, 2010


76 JOLANTA WAWRZYCKA

excising passages (JJA II 464, 24). O manuscrito de Haupt-


496 and 497). Not all omissions mann indica três instâncias em
were caused by Joyce’s difficul- que Joyce usou de simplificação
ties with Hauptmann’s Silesian cortando algumas passagens
dialect which he largely rendered ( GRODEN 1977-1979 II, pp.
in Anglo-Irish idiom; rather, as 464, 496 e 497). Nem todas as
noted by Perkins, the omissions omissões são decorrentes das
occur ‘where there are suspension dificuldades de Joyce com o
points in the dialogue’ in standard dialeto silesiano de Hauptmann,
German and where Joyce appears o qual ele traduziu em dialeto
to have pared down Hauptmann’s irlandês anglófono. Conforme
inherently elliptical and evasive observa Perkins, as omissões
dramatic language.22 Joyce’s aparecem “onde há trechos do
translatorial errors, departures diálogo em suspenso” em
from the original syntactic alemão padrão e onde Joyce
arrangements, or reliance on parece ter reduzido a linguagem
paraphrase and ellipsis allow dramática inerentemente elípti-
Perkins to highlight the value of ca e evasiva de Hauptmann
the translation process as a (PERKINS pp. 29-30). Os erros
whetting stone for Joyce’s artistic tradutórios de Joyce, os desvios
maturation manifest in his decorrentes de arranjos sintá-
handling of Hauptmann’s drama- ticos do original ou uso exces-
tic idiom and in his eventual sivo de paráfrases e elipses
mastery of gnomic / elliptical permitem que Perkins enfatize o
diction. valor do processo da tradução
como o maior estímulo para o
amadurecimento artístico de
Joyce notável ao observar-se
como ele lida com o dialeto
dramático de Hauptmann e
como domina a dicção gnômica
/ elíptica.
But it is important to add Mas é importante acres-
that translation of a play usually centar que a tradução de uma
presupposes stage production and, peça, de modo geral, pressupõe
like performances, productions uma produção encenada e,
‘aspire to the status of versions’ como as performances, as
rather than definitive or produções “aspiram ao status de
23
normative units. Rather than as versões” ao contrário de unida-
a translation sensu stricto, Joyce’s des definitivas ou normativas
Hauptmann is best viewed as a (HOLLANDER, p. 226). Ao
version whose ‘total constellation contrário de uma tradução senso
of visual and aural elements from stricto, o Hauptmann de Joyce é
out of which the words of the mais bem visto quando como
text’ would emerge before an uma versão cuja “constelação

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77 TRANSLATION

audience in the actual production. total de elementos visuais e


To translate a play means to aurais a partir da qual as
recast it ‘in the ways of a palavras do texto” emergiriam
theatrical world for which it was diante de uma platéia no
never made’, that is, ‘from the momento da produção. Traduzir
language of one theatre to that of uma peça significa reconstruí-la
another’ and entails ‘linguistic “nos moldes de um mundo
transformation… from virtual teatral para o qual nunca fora
rewriting, through editing, cutting antes feita”, ou seja, “a partir da
and the like, to dialectal substi- linguagem de um teatro para a
tutions and matters of handling de outro”. Isso envolve uma
allusions and references unfami- “transformação lingüística (…),
liar to the audience’.24 This desde uma reescritura virtual,
process captures the essence of por meio de edições, cortes e
translation as a literary perfor- outros, a substituições dialetais
mance so central to the modernist e modos de lidar com alusões e
experiment and so well antici- referências estranhas ao públi-
pated in Joyce’s translation of co” (Ibid., pp. 226–7). Esse
Hauptmann. Translation as a processo captura a essência da
literary mode can engender a new tradução com uma performance
work or medium, as Hollander literária, tão central para o
illustrates in reference to Pound’s experimento modernista e tão
translation of Seafarer: ‘Going bem antecipado na tradução de
from one dialect of a language to Hauptmann feita por Joyce. A
another that is either historically tradução como um modo
or geographically or even literário pode gerar um novo
sociologically removed… there is trabalho ou meio, conforme
always the temptation to try to exemplifica Hollander ao refe-
blur the distinction between the rir-se à tradução de Seafarer
two, to carve a new “dialect” out escrita por Pound: “Ir de um
of the larger expanse of the dialeto em uma língua para
inclusive language.’25 Pound took outro dialeto histórico ou
the blurring and carving quite far geograficamente isolado (...)
when he defined the idea of sempre incorre na tentação de
‘interpretive translation’ by tentar mascarar as diferenças
stating that in ‘cases where the entre os dois e desenvolver um
‘translater’ [sic] is definitely novo ‘dialeto’ a partir das
making a new poem, [translation] vastas possibilidades disponí-
falls simply in the domain of the veis na língua receptora” (Ibid.,
original writing.26 For Hollander, p. 211). Pound levou longe o
this ‘heuristic kind of translation’ mascaramento e o desenvolvi-
functions ‘more as a process of mento de um novo dialeto ao
teaching than as a finished… definir a idéia de “tradução
object’.27 Undeniably, the interpretativa” por meio da
translation process ‘taught’ Joyce afirmação de que em “casos nos

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78 JOLANTA WAWRZYCKA

plenty about writing: from honing quais o tradutor cria um novo


his stylistic and syntactic skills to poema, [a tradução] inclina-se
refining his extraordinary seman- para o domínio da escrita
tic / lexical intuition. That Joyce’s original”9. Para Hollan-der, esse
writing, in turn, ‘teaches’ about “tipo heurístico de tradução”
its own textual production, and funciona “mais como um pro-
that readers translate Joyce’s cesso de ensino do que como
works as they read them, is by um (...) objeto terminado”
now one of the many cardinal (HOLLANDER, p. 213). É
reading principles formulated by inegável que o processo de
Fritz Senn in his decades-span- traduzir muito “ensinou” Joyce
ning opus chiselled into Dislo- sobre escrever: desde afiar as
cutions: Reading as Translation suas habilidades estilísticas e
and into Inductive Scrutinies. sintáticas a refinar a sua
From such readerly concepts as extraordinária intuição semân-
provective analysis, dynamics of tica / lexical. O fato de que a
dislocution or anagnostic escrita de Joyce, por sua vez,
reading, Senn’s brand of “ensina” sobre a sua própria
translatorial criticism demands produção textual e de que
from readers the same mental leitores traduzem as obras de
acuity and investment as does Joyce do modo como as lêem é,
Joyce’s brand of translational hoje em dia, um dos princípios
writing. cardinais de leitura formulados
por Fritz Senn em suas obras
que abrangeram décadas de
trabalho: Dislocutions: Reading
as Translation e Inductive
Scrutinies. A partir de conceitos
de leitura, como análise de
“sobre-provenção”10, dinâmica
de deslocução ou leitura anag-
nóstica, o tipo de crítica
tradutória de Senn requer o
mesmo investimento e a mesma
acuidade mental que o tipo de
escrita tradutória de Joyce.

Maestro Di Color Maestro Di Color

Sustained critical studies of Estudos críticos propria-


the ‘Italian Joyce’ have done mente embasados sobre o
much to reclaim the importance “Joyce italiano” empenharam-
of Italy, of its language, literature se em muito para reivindicar a
and culture in Joyce’s work. importância da Itália, de sua
McCourt’s portrait of língua, de sua literatura e sua

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79 TRANSLATION

‘Tarryeasty’ contextualises cultura no trabalho de Joyce. A


Joyce’s day-to-day life in a city retratação de “Tarryeasty” feita
where the dialect of Triestino por McCourt contextualiza a
absorbed not only other Italian vida cotidiana de Joyce numa
dialects but also a plethora of cidade onde o dialeto triestino
European languages. This absorvia não só os outros diale-
multilingual city was home to tos italianos como também a
translators / interpreters working pletora das línguas européias.
in ‘araba, croato, czeca, ebraica, Essa cidade poliglota era a casa
francese, greca, illirica, inglese, de tradutores / intérpretes que
polacca, slovena, tedesca, trabalhavam em “árabe, croata,
28
ungarese’, while the families of tcheco, hebraico, francês, gre-
Joyce’s students frequently spoke go, ilírica, inglês, polonês, eslo-
four different languages. Trieste veno, tedesco, húngaro” (MC-
also boasted a newspaper called Il COURT 2000, p. 51) e era
Poliglotta, which published comum que as famílias dos
articles in Italian, English, alunos de Joyce falassem quatro
German, French and Spanish.29 In línguas diferentes. Trieste tam-
this environment, Joyce’s immer- bém se orgulhava de um jornal
sion in translatorial milieu was chamado Il Poliglotta, o qual
complete, in spite of his initially publicava artigos em italiano,
‘crippled Italian full of ulcers’30 inglês, alemão, francês e
and ‘covered with wounds and espanhol (Ibid.). Nesse contex-
scabs’.31 Italian also became the to, era completa a imersão de
target language of Joyce’s Joyce no âmbito tradutório, em
ambitions as a translator: from his detrimento do seu “italiano
articles for Il Piccolo della Sera [inicialmente] aleijado, cheio de
and his lecture at the Università úlceras” (BRUNI 1979, p. 12),
Popolare, to translations of “coberto de feridas e sarnas”
George Moore’s Celibates (JJA I (BENCO 1930, p. 376). O
534–90)32 and of J. M. Synge’s italiano também se tornou umas
Riders to the Sea with Nicolò das línguas-alvo das ambições
Vidacovich. In a ‘genuine de Joyce como tradutor: desde
collaborative effort’, Joyce and seus artigos para Il Piccolo
Vidacovich translated ‘separate della Sera e a sua palestra na
sections before combining their Univesità Popolare a traduções
results and collectively de Celibates de George Moore
completing their final version, (GRODEN 1977-1979 I, pp.
Vidacovich offering his superior 534-90) (vide ZANOTTI 2001,
translating experience and his p. 411-30) e de Riders to the
perfect Italian, Joyce drawing on Sea de J. M. Synge com Nicolò
his familiarity with Synge’s Vidacovich. Num “esforço
Hiberno-English’. The resulting colaborativo genuíno”, Joyce e
translation is ‘remarkably true to Vidacovich traduziram “seções
the original’ because it captures separadas antes de comparar os

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80 JOLANTA WAWRZYCKA

successfully ‘Synge’s difficult resultados e completar a versão


rhythms and sounds’ and renders final coletivamente. Vidacovich
the flow of West-of-Ireland ofereceu a sua experiência
English as a simple and natural superior em tradução e o seu
language without the use of any italiano perfeito, enquanto
particular Italian dialect Joyce contribuía com a sua
33
equivalent. Lobner, however, familiaridade com o inglês-
registers the presence of ‘Tuscan irlandês de Synge”. A tradução
idioms and proverbial sayings’ resultante desse processo é
designed to render Synge’s “notavelmente verdadeira ao
double-edged English idiom cast seu original” porque captura
in Gaelic syntax.34 Interestingly, com êxito “os ritmos e sons
the manuscript draft contains difíceis de Synge” e traduz a
changes in spellings of the names fluência do inglês do oeste da
presumably to aid stage Irlanda numa linguagem sim-
pronunciation: ‘Mauria’ with a ples e natural, sem fazer uso de
thicker ‘ó’ superimposed on the qualquer dialeto italiano equi-
‘au’, Mória, ‘Bartley’ overwritten valente (MCCOURT 2000, pp.
by ‘i’ and ‘á’, Bártli, and 134-135). No entanto, Lobner
‘Cathleen’ altered to ‘Cathlín’ faz menção à presença de
(JJA II). Generally, Joyce, unlike “expressões idiomáticas e pro-
many purists, did not keep the vérbios toscanos”, projetados
original names in translation: he tais quais com o intuito de
was fond of Italianising not only exprimir o arranjo do inglês
his own name but also the names bivalente na sintaxe gaélica de
of historical / literary figures in Synge (LOBNER 1989, p. 10).
his articles and lectures. Thus we É interessante observar que a
encounter Guglielmo Gladstone versão em manuscrito apresenta
and Giovanni Mitchell (JJA I alterações na soletração de
680), or Oliviero Cromwell and nomes próprios. Pode-se presu-
Gualtiero Lynch (JJA I 692). And mir que isso seja para auxiliar a
whereas Joyce convinced the pronúncia dos atores no palco:
Italian Grand Guignol Company ‘Mauria’ com um ‘ó’ sobre-
to produce the play in 1909 (L I posto sobre o ‘au’, tornou-se
67), it flopped because, according ‘Mória’; ‘Bartley’ substituído
to one reviewer, its brevity, speed por ‘i’ e ‘á’, tornou-se ‘Bártli’;
of action and its grotesqueness ‘Caltheen’ foi modificado para
did not allow the Italian audiences ‘Cathlín’ (GRODEN 1977-1979
‘to argue, to reflect, to think’.35 II). De modo geral, Joyce,
Joyce was wiser three years later diferentemente de muitos
when he wrote to seek Yeats’ puristas, não manteve os nomes
consent to publish rather than originais na tradução: ele
produce The Countess Cathleen gostava de italianizar o seu
in his and Vidacovich’s próprio nome assim como os
translation (L I 71). Judging from nomes de figuras históricas e

Scientia Traductionis, n.8, 2010


81 TRANSLATION

Joyce’s letters, his ownership in literárias em seus artigos e


the translation is unclear (L II palestras. E assim, deparamo-
298; L I 71; L I 99), though Carla nos com Guglielmo Gladstone e
Marengo refers to it as the Giovanni Mitchell (GRODEN
Vidacovich–Joyce translation 1977-1979 I, p. 680) ou Olivie-
when noting ‘the lyrical qualities ro Cromwell e Gualtiero Lynch
of the first version’ of Yeats’ (GRODEN 1977-1979 I, p.
play.36 692). Joyce tentou convencer a
companhia de teatro italiana
Grand Guignol a produzir a
peça em 1909 (GILBERT 1966,
p. 67), mas falhou porque, de
acordo com um crítico, a con-
cisão, a velocidade de ação e os
aspectos grotescos da peça não
permitiriam que o público
italiano “contra-argumentasse,
refletisse e pensasse” (MC-
COURT 2000, pp. 134-135).
Joyce era um homem mais
maduro, porém, quando três
anos depois, escreveu a Yeats
pedindo-lhe consentimento para
publicar, ao invés de produzir,
The Countess Cathleen em sua
tradução de Vidacovich (GIL-
BERT 1966, p. 71). Nem
mesmo analisando-se as cartas
de Joyce é possível saber com
clareza o poder de Joyce sobre
essa tradução (ELLMANN
1966a, p. 298; GILBERT 1966,
pp. 71 e 99), apesar de Carla
Marengo referir-se à tradução
Vidacovich–Joyce ao observar
“as qualidades líricas da pri-
meira versão” da peça de Yeats
(VAGLIO 1988, p. 198-199).
As early as in 1915, in Em 1915, em Zurique, a
Zurich, Joyce’s own new play peça mais nova originalmente
Exiles generated offers of escrita por Joyce, Exiles, rece-
translation into French and beu pedidos de traduções para o
Russian (L I 85). In 1918, he francês e o russo (GILBERT
briefed Miss Weaver on his plans 1966, p. 85). Em 1918, ele
to have A Portrait translated into informou Miss Weaver sobre os

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82 JOLANTA WAWRZYCKA

both Danish (L I 116) and French seus planos de solicitar tradu-


(L I 120) and he was already at ções de A Portrait para o dina-
work to have his serialised marquês (GILBERT 1966, p.
Ulysses translated into Italian, as 116) e para o francês (GIL-
evidenced by his correspondence BERT 1966, p. 120). Ele já
with Linati (L I 121, 132; L II estava trabalhando para ter a
456) who later also translated sua tradução de Ulysses publi-
Exiles. Joyce’s well-documented cada em série para o italiano,
and ‘fierce desire for publicity’37 conforme evidenciado em sua
was matched by his equally fierce correspondência com Linati
desire to be translated which saw (GILBERT 1966, p. 121 e 132;
him brokering, overseeing and ELLMANN 1966a, p. 456),
participating in the process. quem, mais tarde, traduziu
Exiles. O “desejo ardente [e
bem documentado] por publici-
dade” (BULSON 2004, p. 312)
correspondia ao seu desejo
igualmente ardente de ser
traduzido, o qual o mostrou
mediador, supervisor e partici-
pante de todo o processo.

‘…Avec la Collaboration de ‘…Avec la Collaboration de


l’Auteur’ l’Auteur’

If the existence of trans- Se a existência de tradu-


lations and self-translations publi- ções e auto-traduções publica-
shed during Joyce’s lifetime – the das durante a vida de Joyce – a
German Ulysses in 1927, the versão alemã de Ulysses em
French in 1929, Anna Livia 1927, a francesa de 1929, Anna
Plurabelle in 1931 – could Livia Plurabelle em 1931 –
provisionally guide other trans- poderiam guiar provisoriamente
lators as to what the author might outros tradutores quanto ao que
or might not have found accep- o autor consideraria aceitável
table, Fritz Senn cautions that ou não, Fritz Senn alerta que
there is ‘no evidence that Joyce’s “não há evidência de que a
supervision entailed a careful supervisão de Joyce inclui-se
examination of every word’.38 um exame cuidadoso de cada
Joyce’s correspondence, however, palavra” (SENN 1984, p. 3). As
demonstrates aspects of his correspondências de Joyce, no
engagement, such as his laborious entanto, demonstram aspectos
combing ‘word for word through do seu envolvimento, como a
the German translation for the 1st sua combinação laboriosa de
100 pp. It is all right now. But it “palavra por palavra por meio
was a hard work.’39 Joyce and da tradução alemã para as

Scientia Traductionis, n.8, 2010


83 TRANSLATION

Georg Goyert faced enormous primeiras 100 páginas. Tudo


time pressure from Rheinverlag está certo agora. Mas foi muito
and Joyce felt that, ‘as they trabalhoso” (BANTA e SIL-
announce the translation comple- VERMAN 1987, p. 70). Joyce e
tely “revised by the author” they Georg Goyert enfrentaram uma
must allow me time or I shall be grande pressão de prazo Rhein-
obliged to publish a disclaimer’.40 verlag e Joyce sentia que, “por
eles dizerem-me que se trata de
uma tradução completa-mente
‘revisada pelo autor’, eles têm
de me dar mais tempo ou senão
eu serei obrigado a publicar
uma reclamação” (Ibid.).
Joyce’s involvement with O envolvimento de Joyce
the French Ulisse was even more com Ulisse francês foi ainda
taxing since it included mediation mais exigente, pois incluiu a
between both the translators and mediação entre o duo de tradu-
the Beach–Monnier duo. The tores Beach–Monnier. Essa “cu-
‘curious history’ of the French riosa história” (‘curious histo-
translation culminated in what ry’) sobre a tradução francesa
Joyce labelled the ‘Trianons culminou no que Joyce chamou
Treaty’ (L III 173). In the end, all de “O Tratado de Trianon”
three translators were honoured (ELLMANN 1966b, p. 173).
on the Ulisse titlepage: ‘Traduit No fim, todos os três tradutores
de l’anglaise par M. Auguste foram homenageados na folha
Morel assisté par M. Stuart de rosto de Ulisse: “Traduzido
Gilbert. Traduction entièrement do inglês por M. Auguste Morel
revue par M. Valery Larbaud com o auxílio de M. Stuart
avec la collaboration de l’auteur.’ Gilbert. A tradução foi comple-
By December 1930, Joyce, with tamente revisada por M. Valery
his ‘passion for extending other Larbaud e teve a colaboração do
languages as he had extended autor.”11 Em dezembro de 1930,
English, was hard at work on the Joyce, com a sua “paixão por
French version of Anna Livia estender outras línguas, como o
Plurabelle’, convinced that fizera com o inglês, estava
‘[t]here is nothing that cannot be trabalhando a duras penas com
translated’ (quoted in JJ 632). It Anna Livia Plurabelle”, estava
is interesting to note the convencido de que “não há
collaboration process: nada que não se possa traduzir”
(conforme citado em ELL-
MANN 1982, p. 632). É
interessante observar o processo
de colaboração:

Scientia Traductionis, n.8, 2010


84 JOLANTA WAWRZYCKA

while Joyce smoked in an armchair enquanto Joyce fumava sentado em


Léon read the English text, Soupault uma poltrona, Léon lia o texto em
read the French, and Joyce… would inglês, Soupault lia em francês e
break into the antiphony to ask that the Joyce (...) era capaz de interromper a
phrase be reconsidered. Joyce then antífona para pedir que a frase fosse
explained the ambiguities he had reconsiderada. Joyce, logo em
intended, and he or one of his seguida, explicava as ambigüidades
collaborators dug up an equivalent. que ele havia arquitetado e ele ou um
Joyce’s great emphasis was upon the dos seus colaboradores pensavam
flow of the line, and he sometimes num equivalente. Joyce insistia na
astonished them… by caring more for fluência das falas e muitas vezes os
sound and rhythm than sense. But one surpreendia (…) por se importar mais
or the other would insist upon rigor of com som e ritmo do que com
this kind, too’. (JJ 632–3; my emphasis) significado. Mas, por vez ou outra,
ele insistiria nesse tipo de rigor de
igual forma” (ELLMANN 1983, pp.
632–633; minha ênfase).

Joyce’s youthful, program- A proclamação jovem e


matic proclamation of ‘silence’ – programática de Joyce de “si-
or, in this context, his tacit years lêncio” – ou, nesse contexto, os
of linguistic / translatorial appren- seus anos tácitos de aprendi-
ticeship; ‘exile’ – translatorial life zado linguístico / tradutório;
in Pola, Trieste, Rome, Zurich “exílio” – vida tradutória em
and Paris; and ‘cunning’ – the Pola, Trieste, Roma, Zurique e
synthesis of all languages via Paris; e “astúcia” – a síntese de
poly- and meta language of the todas as línguas por meio da
Wake, also seem remarkably to poli e meta língua de Wake,
describe the stages of his também parecia relevante
translatorial existence. Cunningly, (remarkably) descrever as eta-
too, the Wake comes close to pas da sua existência tradutória.
rendering translation superfluous, Com astúcia, também, Wake
for one would have to decide aproxima-se de tornar a tradu-
which ‘language’ to translate ção algo supérfluo, pois tem-se
from, as I remember Fritz Senn de decidir a partir de que
remark in 1986. For Umberto “língua” traduzir, de acordo
Eco, it is pointless to translate the com o que recordo da observa-
Wake because ‘it is already ção de de Fritz Senn em 1986.
translated’. Eco’s close analyses Para Umberto Eco, é inútil
of Joyce’s French and Italian traduzir Wake porque “já está
‘Finneganian’ illustrate Joyce’s traduzido”. As análises minu-
unprecedented push for languages ciosas de Eco do francês e do
to express the hereto un- italiano “finneganianos” exem-
expressible.41 And if readers of plificam a afinidade incom-
the Wake can afford to be parável de Joyce com línguas
sweepingly ‘panoramic scholars’, para expressar o até aqui in-
translators are in the minority of exprimível (ECO 2001, pp.
‘thwarted mini-glossers’42 as they 108-111). E, caso leitores de

Scientia Traductionis, n.8, 2010


85 TRANSLATION

join Joyce in creating parallel Wake possam pagar o preço de


poly- and metalanguages. We serem amplamente “estudiosos
have it on David Pierce’s autho- panorâmicos”, os tradutores
rity that the Dutch bilingual fazem parte daqueles “explica-
edition of the Wake adapts ‘the dores frustrados” (SENN, p.
Dutch language to the language of 232) à medida que se juntam a
the Wake rather than the other Joyce na criação de poli e meta-
way round’.43 As translation línguas paralelas. De acordo
studies grapple with ‘problems’ com David, a edição holandesa
of ‘translating’ the Wake, Joyce is bilíngue de Wake adapta “a
having the last laugh after all: we língua holandesa à língua de
are busy explicating his works – Wake ao invés de fazer o
one hundred years and counting – inverso” (PIERCE 2006, p.
and we have yet adequately to 112). Enquanto os estudos da
situate Finnegans Wake in the tradução armam-se contra os
context of translation. “problemas” de “traduzir”
Wake, Joyce é quem ri por
último: estamos ocupados em
explicar as suas palavras – um
século e por aí vai – e ainda
estamos por situar Finnegans
Wake no contexto da tradução.

Coda: the psycho-politics of Coda: A psico-política da


translation tradução

Modernists were intensely Os modernistas estavam


concerned with translation, con- muitíssimo preocupados com a
vinced that ‘the establishment of tradução, convencidos de que
personal and cultural identity “o estabelecimento de uma
requires engaging with the identidade pessoal e cultural
multiple Others of foreign langua- requer envolvimento com os
ges and traditions’.44 As a result muitos Outros das línguas e
of multiple textual / linguistic tradições estrangeiras” (YAO
practices, translation partakes of 2002, p. 194). Como resultado
historicity by incorporating onto- dessas múltiplas práticas textu-
logical and deeply political ques- ais e lingüísticas, a tradução
tions about who does the trans- compartilha da historicidade
lating, why and when. For Vicki por meio de incorporar questões
Mahaffey, Joyce’s fierce focus on ontológicas e profundamente
‘the local’ is not unlike Yeats’ políticas sobre quem traduz, por
conflation of national experience que e quando. Para Vicki Ma-
into the local one. Both Yeats and haffey, o foco impetuoso de
Joyce ‘trained their microscopes’ Joyce naquilo que é “local” não
on the ‘individual moment – in é muito diferente da fusão de

Scientia Traductionis, n.8, 2010


86 JOLANTA WAWRZYCKA

life and in language’ as they both Yeats da experiência nacional


‘honoured the precision of their com a local. Tanto Yeats quan-
words and the art of their do Joyce “treinaram os seus
arrangement making it imperative microscópios” no “momento
for their readers, too, to exercise individual – em vida e em
precise local control in their linguagem”, pois ambos “hon-
reading’.45 In response to a long raram a precisão das suas
history of oppression, Irish palavras e a arte da harmonia
writers developed experimental dessas ao tornar imperativo
writing where wordplay acquires também para os seus leitores o
political dimensions and ‘emerges exercício do controle local
as a local, germicidal version of a preciso durante a leitura” (MA-
larger, more overtly political HAFFEY 1998, pp. ix–x). Em
iconoclasm’.46 In the guise of resposta a uma longa história de
wordplay and riddling, meaning opressão, escritores irlandeses
proliferates and subverts the desenvolveram um tipo de
symbolic authority of language as escrita experimental em que o
law. To riddle, Mahaffey reminds jogo de palavras adquire dimen-
us, is also to explain, to fill with sões políticas e “emerge como
holes, to puncture, to corrupt: ‘If uma versão local e germicida de
we riddle a container, it will uma maior, de iconoclasmo
spring leaks’, releasing the político mais amplo” (Ibid., p.
content of such representations of 4). Sob o disfarce dos jogos de
containment as ‘imperialism, palavras e charadas, o signifi-
patriarchy and highly conven- cado prolifera-se e subverte a
tional art forms’.47 Acts of trans- autoridade simbólica da língua
lation, thus, become encounters como lei. Fazer charadas, lem-
with riddling, with a multitude of bra-nos Mahaffey, é também
proliferating lexical / semantic explicar, encher de buracos,
choices, with writing both perfurar, corromper: “se desafi-
through and outside an acquired armos um barril a uma charada,
language whose authority is ele vai esguichar de seus vaza-
inevitably shattered. If acts of mentos”, liberar o conteúdo
translation enabled Joyce to dessas representações de con-
transcend the hegemony of trole, como “imperialismo,
English, they also plunged him patriarcado e formas de arte
into a deeply intimate psycho- muito convencionais” (Ibid., p.
relationship with it, for one can 5). Atos de tradução, nesse
hardly imagine a more hypolectic aspecto, tornam-se encontros
involvement with language than com charadas, com uma multi-
translation. Like Joyce’s foreign plicidade de escolhas lexicais e
language word-lists or his Paris, semânticas em proliferação,
Pola and Trieste notebooks, trans- com a escrita através e por fora
lations became vehicles of trans- de uma língua adquirida cuja
ference of the ‘private’ and ‘local’ autoridade é invariavelmente

Scientia Traductionis, n.8, 2010


87 TRANSLATION

into the ‘political,’ as they infused despedaçada. Se atos de tradu-


the agency of his English, ção permitiram que Joyce trans-
‘traduced into jinglish’, (FW 275 cendesse à hegemonia do in-
F6), with poly- and metalingual glês, eles também o imergiram
dimensions of self-referentiality, numa psico-relação íntima com
bursting and rippling and riddling o inglês, pois é difícil imaginar
ad infinitum. um envolvimento mais hipolé-
xico com uma língua do que a
tradução. Como as listas de
palavras de línguas estrangeiras
de Joyce ou os seus cadernos de
Paris, Pola e Trieste, as tradu-
ções tornaram-se veículos de
transferência do “privado” e
“local” para o “político” à me-
dida que infundiram a agência
do inglês dele, “traduced into
jinglish” (BISHOP 1999, p.
275, nota de rodapé n. 6), com
dimensões poli e metalinguais
de auto-referenciação, arrombos
e agitações e charadas ad
infinitum.

Tradução de Alinne Balduíno Fernandes


alinnef@gmail.com

Fonte: Wawrzycka, Jolanta. “Translation.”


In James Joyce in Context, ed. John McCourt.
Cambridge: Cambridge UP, 2009, pp.125-136.

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88 JOLANTA WAWRZYCKA

Notes Notas [da Tradutora]

1. Bruce Bradley, SJ, James 1. Em inglês, Jolanta Wawrzycka


Joyce’s Schooldays (Dublin: Gill and transforma o substantivo “language” em
MacMillan, 1982), p. 152 n. 95. verbo, “auto-languaged”, o qual traduzi
2. Fritz Senn, Inductive Scruti- como “auto-linguajado”, de “auto-
nies, ed. Christine O’Neill (Dublin: Lil- linguajar”.
liput Press, 1995), p. 228. 2. Para Senn, o ato de “entender”
3. Jean-Michel Rabaté, James [to understand] está relacionado a
Joyce, Authorized Reader (Baltimore: palavras em seu nível mais básico. O
Johns Hopkins University Press, 1991), autor faz menção às palavras legere em
p. 117. latim e legein e lexis em grego. A função
4. C. P. Curran, Under the Re- que sublinha o ato de ler seria, portanto,
ceding Wave (Dublin: Gill and Mac- entender, ou ainda, ler e entender como
Millan, 1970), pp. 39, 80. See also Fran atos concomitantes. Essa concomitância
O’Rourke’s essay in this volume. de ler e entender Senn cunha como
5. Ibid. “hipo-lexis” [“hypo-lexis”].
6. See exam results for 1894–8 in 3. Clongowes Wood College,
Bradley, James Joyce’s Schooldays, pp. internato jesuíta perto de Kildare,
110–11, 116–17, 130–1, 140–1. Irlanda e Belvedere trata-se de uma
7. Full lists can be found in Eileen escola jesuíta em Dublin, Irlanda.
MacCarvill, ‘The Collection of Exami- 4. Vide os resultados dos exames
nation Papers and University Calendars’, escolares de Joyce dos anos de 1894 a
Zurich James Joyce Foundation 1992. 1898 em BRADLEY 1982, pp. 110–11,
8. Ibid., pp. 256–347. 116–17, 130–1, 140–1.
9. Roman Jakobson, ‘On Linguis- 5. Ou, em português, quiçá,
tic Aspects of Translation’, in Rainer “revenês”, a língua inventada por Joyce
Schulte and John Biguenet, eds., Theo- em Finnegans Wake (Finnicius Revém,
ries of Translation (Chicago: University na tradução de Schuller).
of Chicago Press, 1992), p. 145. 6. National Library of Ireland.
10. Jolanta Wawrzycka, ‘“Tell Us Atualmente acessível em ‘www.nli.ie’.
in Plain Words”: Textual Implications of 7. The Irish Literary Theatre, um
Re-Languaging Joyce’, Joyce Studies in precursor do Abbey Theatre, foi fundado
Italy 10 (Rome: Bulzoni Editore, 2007): por W. B. Yeats, Lady Gregory, George
34. Moore e Edward Martyn em 1899, tendo
11. R. J. Schork, Latin and Roman apresentado grande quantidade de peças
Culture in Joyce (Gainesville: Univer- de seus fundadores e outros escritoires.
sity Press of Florida, 1997), p. 144. 8. “Choimun”, ao ser pronun-
12. Kevin Sullivan, Joyce among ciado, revela o modo como Joyce brin-
the Jesuits (New York: Columbia Uni- cava com a palavra “German” (alemão)
versity Press, 1963), pp. 75–6. [nota da tradutora, correspondência
13. Ibid., 76. pessoal com a autora em 15/09/2010].
14. J. F. Byrne, Silent Years: An 9. Vide ed., Pound/Joyce, p. 200.
Autobiography with Memoirs of James 10. “provective analysis” de Senn.
Joyce and our Ireland (New York: Far- “Provection” deriva do latim pro-vehere,
rar, Strauss and Young, 1953), pp. 58, “ir além dos limites”, em que pro indica
62. o movimento de ir adiante e veh(ere)
15. Hugh Kenner, ‘Joyce and Ib- significa “transmitir ou carre-
sen’s Naturalism’, The Sewanee Review gar”. “Provective” refere-se a excesso,
59 (Winter 1951): 78. aumento, intensificação, hipertrofia,
16. Douglas Knight, ‘Translation: amplificação (cf. SENN 1995, pp. 30 e
The Augustan Mode’, in Reuben A. 40). Essa é uma característica bastante
Brower, ed., On Translation (Cam- aparente no estilo de Joyce para leitores

Scientia Traductionis, n.8, 2010


89 TRANSLATION

bridge: Harvard University Press, 1959), familiarizados com Ulysses, principal-


p. 197. mente no episódio “Cyclops” [nota da
17. Ibid., pp. 200–1. tradutora, correspondência pessoal com
18. Robert Spoo, James Joyce and a autora em 15/09/2010].
the Language of History: Dedalus’s 11. “Traduit de l’anglaise par M.
Nightmare (Oxford: Oxford University Auguste Morel assisté par M. Stuart
Press, 1994), p. 58–60. Gilbert. Traduction entièrement revue
19. PJ 235. par M. Valery Larbaud avec la collabo-
20. Quoted in Jill Perkins, Joyce ration de l’auteur”.
and Hauptmann (San Marino, CA:
Huntington Library, 1978), p. 13.
21. Maria Tymoczko, ‘Post-Colo- Referências
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23. John Hollander, ‘Versions, Trieste. The Bookman: a review of
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Brower, ed., On Translation, p. 226. 1930.
24. Ibid., pp. 226–7. BISHOP, J. (ed.). Finnegans
25. Ibid., p. 211. wake. London: Penguin, 1999.
26. Read, ed., Pound/Joyce, p. BRADLEY, B. James Joyce’s
200. schooldays. Dublin: Gill and
27. Hollander, ‘Versions, Inter- MacMillan, 1982.
pretations, Performances’, p. 213. BRUNI, A. F. Joyce stripped
28. John McCourt, The Years of naked in the Piazza, in POTTS, W. (ed.),
Bloom: James Joyce in Trieste, 1904– Portraits of the artist in exile:
1920 (Dublin: Lilliput Press, 2000) p. 51 recollections of James Joyce by
and n. 4. Europeans. Dublin: Wolfhound Press,
29. Ibid. 1979.
30. Alessandro Francini Bruni, BULSON, E. Joyce reception in
‘Joyce Stripped Naked in the Piazza’, in Trieste: the shade of Joyce, in
Willard Potts, ed., Portraits of the Artist LERNOUT, G. e VAN MIERLO, W.
in Exile: Recollections of James Joyce (eds.). The reception of James Joyce in
by Europeans (Dublin: Wolfhound Europe. 2 vols. London: Thoemmes
Press, 1979), p. 12. Continuum, 2004.
31. Silvio Benco, ‘James Joyce in BYRNE, J. F. Silent years: an
Trieste’, The Bookman; a Review of autobiography with memoirs of James
Books and Life (1895–1933), 72, 4 (New Joyce and our Ireland. New York:
York, Dec. 1930): 376. Farrar, Strauss and Young, 1953.
32. See Serenella Zanotti, ‘An CURRAN, C. P. Under the
Italianate Irishman: Joyce and the Lan- receding wave. Dublin: Gill and
guages of Trieste’, JJQ 38.3–4 (2001): MacMillan, 1970.
411–30. DEANE, S. (ed.). Portrait of the
33. McCourt, The Years of Bloom, artist as a young man. London: Penguin,
pp. 134–5. 2000.
34. Corinna del Greco Lobner, ECO, U. Experiences in
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Scientia Traductionis, n.8, 2010


90 JOLANTA WAWRZYCKA

35. Quoted in McCourt, Years of ELLMANN, R. (ed.). Letters of


Bloom, p. 136. James Joyce. Vol. 2. New York: Viking
36. Carla Marengo Vaglio, Press, 1966a.
‘Yeats’ The Countess Cathleen: Vidaco- ______________ (ed.). Letters of
vich and Joyce’s Translation’, in Joyce James Joyce. Vol. 3. New York: Viking
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tore, 1988): 198–9. ______________ (ed.). Selected
37. Eric Bulson, ‘Joyce Reception letters of James Joyce. New York:
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Scientia Traductionis, n.8, 2010


92 JOLANTA WAWRZYCKA

JOLANTA WAWRZYCKA é professora da Radford University


(Virgínia, EUA), onde ensina Teoria e Crítica Literária e Literatura
Anglo-Irlandesa, dirigindo também um programa de estudos de verão no
exterior, na Irlanda e na Itália. Fez a sua graduação e concluiu o seu
mestrado em Filologia Inglesa, em 1980, na Universidade de Wroclaw,
Polônia, sua terra natal. Em 1987 obteve o título de doutora em Inglês na
Southern Illinois University at Carbondale, nos EUA, com um major em
Literatura Britânica Moderna. Sua tese se intitulou “The Labyrinth
Patterns in the Language of Fiction: James Joyce's Finnegans Wake and
José Donoso's El obsceno pájaro de la noche in Terms of Hermeneutic
Phenomenology.” É proficiente em polonês, inglês e russo, e tem o
francês, o italiano, o espanhol, o português e o latim como línguas de
leitura e pesquisa. A despeito de ter a Literatura Britânica e Irlandesa
Modernas como o seu foco de pesquisa, também tem interesse e publica
sobre Teoria e Crítica Literária Moderna e Antiga, Estudos da Tradução,
Linguística e Estudos Culturais, trafegando por áreas afins tais como
Filosofia, História, Semiótica, Colonialismo, Feminismo, Literatura
Latino-Americana, Fenomenologia e Hermenêutica. Já publicou sobre
Milan Kundera e Roland Barthes; editou, com Marlena Corcoran, o livro
Gender in Joyce (Florida UP, 1997); traduziu do polonês ao inglês o
longo ensaio de Roman Ingarden sobre tradução, seu “On Translations”
(Analecta Husserliana, Vol. XXXIII: 139-192); e publicou extensamente
em periódicos especializados a respeito de Joyce e sua obra JJQ, JJLS,
Joyce Studies in Italy e Papers on Joyce. Contribuiu cinco capítulos de
livros sobre Joyce/tradução, incluindo seu ‘Translation’ (Joyce in Context.
Ed. John McCourt, Cambridge UP, 2008), texto que estabelece a tradução
como uma area de pesquisa no universe joyceano, e que publicamos em
inglês-português neste número de Scientia Traductionis. Para mais
informações sobre sua atuação profissional, pode-se visitar o seu site
http://www.radford.edu/jolanta/ e entrar em contato por e-mail:
jolanta@radford.edu.

Gustavo Althoff
gualthoff@gmail.com
Universidade Federal de Santa Catarina

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