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30/06/2010

A reunião temática sobre atração e fixação de doutores na Região Amazônica ocorreu na tarde do dia 17 de
junho, na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, coordenada pelo Acadêmico Horacio
Schneider, biólogo e vice-reitor da instituição.

O reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) José Seixas Lourenço considerou auspicioso para
a região o apoio da comunidade científica nacional. "Especialmente o trabalho da ABC, com o documento
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   , e da SBPC, que realizou sua última reunião anual em
Manaus". Foi proposta a geração de um documento a partir daquela reunião - um PAC da Amazônia - a ser
encaminhado aos candidatos a presidente.

Nilson Gabas Jr., diretor do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), propôs a criação de uma Portaria
Interministerial entre o Ministério de Ciência e Tecnologia e o Ministério do Planejamento, assim como
entre o Ministério da Saúde e o Ministério do Planejamento, para que haja reposição automática de pessoal
nos casos de aposentadoria e morte a partir de um banco de professores, o que agilizaria muito a
recomposição dos quadros das universidades. Para tanto, solicitou o apoio da Academia Brasileira de
Ciências (ABC) junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), ao que o presidente da ABC Jacob
Palis imediatamente acedeu, dizendo ser esta "uma boa briga".

         

O presidente da ABC destacou a importância de investir na busca de talentos nacionais, como a Matemática
vem fazendo com as Olimpíadas, e tratá-los de forma especial, menos burocráticas, pulando etapas. Para
Palis, a Região Norte precisa tratar melhor seus bolsistas e seus pesquisadores, "tem que haver um
diferencial para a Amazônia."

Para o membro afiliado da ABC Pedro Walfir, diretor de Pós-graduação da UFPA, o doutor na Amazônia é
um sobrevivente do cenário social, econômico e
político. "Concordo com o Prof. Palis quando ele diz que deve haver um modelo diferenciado. Muitos
nucleadores foram fixados quando havia adicionais regionais de 45%". Walfir chamou atenção para o fato
dos doutores ativos, fixados na região, estarem esgotados em sua capacidade de captação de recursos e de
orientação de mestrandos e doutorandos. "Temos que atrair graduandos para fazerem a formação aqui, é
mais fácil do que trazer doutores já com mais de 30 anos, em geral casados, com família."

O vice-reitor da UFPA afirmou que a moeda de troca corrente com jovens doutores nos programas existentes
é apenas de passagens e diárias. "Eles não têm recursos para fazer pesquisa. É preciso oferecer verba para
custeio e material permanente para que novos grupos possam se consolidar", argumentou Schneider (na foto
ao lado).

A experiência bem sucedida na Ufopa, iniciada em julho de 2008, hoje com vários convênios com as
agências CNPq e Capes, foi relatada pelo reitor José Seixas Lourenço. "Conseguimos montar uma boa
estrutura para atrair e fixar doutores em Santarém com muita divulgação, distribuindo grandes cartazes para
todas as universidades do país através da Andifes". Promoveram um concurso oferecendo bons salários e
conseguiram preencher todas as vagas com material humano de qualidade. Agora está em fase de construção
um belo condomínio residencial às margens do rio Tapajós, com prestações ao preço de um aluguel, para
que os professores tenham boas condições de moradia.

             

"O principal fator para tornar o trabalho na região mais atrativo é a vantagem financeira", disse o pró-reitor
de Pesquisa e Pós-graduação da UFPA Emmanuel Tourinho. Ele propôs uma estratégia de oferecimento de
uma bolsa extra, no valor de R$3 mil além de seu salário, a cinco mil pesquisadores. "O custo disso para o
Estado seria irrisório - corresponderia a 2,5% do orçamento anual de C&T".

Jacob Palis observou que o aporte total de C&T para esse ano será maior do que o considerado por
Tourinho, chegando a R$ 20 milhões, e que nesse quadro sua proposta de bolsas para doutores na Amazônia
comprometeria apenas 1% do orçamento total da União. Avaliou, porém, que a participação das FAPs nessa
ação seria ideal. "Não bastaria ser doutor: quem tivesse bolsa de produtividade e pesquisa do CNPq, o que
garante a qualidade do candidato, teria sua bolsa dobrada pela FAP do estado". Isso corresponderia a uma
avaliação externa de qualidade, a que Tourinho havia se referido como uma necessidade.

O reitor da Universidade Federal do Amapá (Unifap), José Carlos Tavares Carvalho, concordou com o
tratamento diferenciado para quem quiser trabalhar na Amazônia. Destacou que as áreas estratégicas com
carência de núcleos precisam atrair primeiramente líderes, com complementação salarial através das FAPs
ou, como faz a Embrapa, oferecendo 25% a mais no salário para quem vier para a região. Palis apontou que
a participação das FAPs nesse processo de atração é estratégica politicamente, "pois não interfere na política
pública nacional que é mais amarrada, evita bater de frente numa muralha do tipo 'ou faz pra todo mundo ou
não faz'..."

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Genética do INPA, Jorge Porto, membro do Conselho


Diretor da rede Bionorte, concordou e ainda acrescentou a participação desejável das instituições privadas -
universidades e empresas - no oferecimento de bolsas com enxoval. "Mas para tanto precisam ser
estabelecidos alvos estratégicos, com potencial de mercado, além de alvos fronteiriços, que são os
intimamente relacionados com inovação tecnológica."

Luis Carlos da Silveira, representante do Instituto Vale em Belém, comentou que a empresa está criando um
instituto tecnológico para atender demandas internas. Ele será o diretor do Instituto Vale para o
Desenvolvimento Sustentável, cujo processo de construção conta com U 
 
em diversos estados, para
ouvir o que a comunidade acha que é interessante fazer com relação ao desenvolvimento sustentável. "Essas
plenárias definirão as linhas de ação do Instituto". Concordou que a bolsa diferenciada deva ser dada pelos
estados ou por empresas privadas instaladas. "No nível federal fica difícil porque fere a isonomia vigente."

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A valorização do pesquisador produtivo também é importantíssima, na visão de Jofre Freitas, pró-reitor de


pesquisa e pós-graduação da Universidade Estadual do Pará (UEPA). Ele acha que as FAPs deveriam criar
uma bolsa diferenciada para esse profissional da região, que não tem produtividade suficiente para ser
bolsista do CNPq, mas que é muito mais dedicado do que os outros.

     
O Acadêmico Luiz Hildebrando Pereira da Silva, diretor do Instituto de Pesquisas em Patologias
Tropicais de Rondônia (Ipepatro) (à esquerda na foto, ao lado de José Seixas Lourenço, da
UFOPA), destacou que os sistemas produtivos da Amazônia precisam ser revistos - ou até induzidos - com
uma visão estratégica para a região. "A pecuária regional é de baixíssima rentabilidade, enriquecendo
pessoas de outros locais do mundo pela exportação. O foco em alimentos e biocombustíveis é fundamental
para o país, mas péssimo para a Amazônia, que precisa identificar e investir em suas próprias prioridades,
com planejamento correspondente."

            

O geógrafo e pesquisador do INPA Reinaldo Corrêa Costa apontou a necessidade de fortalecimento dos
grupos de pesquisa, "que são os núcleos de excelência das instituições, ágeis e flexíveis, pois resultam de
uma convergência de interesses". A química afiliada à ABC Cecília Nunez, pesquisadora do INPA, reiterou
a observação de Reinaldo. "Os grupos de pesquisa com bom nível que já estão estabelecidos precisam ser
estimulados". Ela concorda que é preciso aumentar o número de doutores, mas com alto nível. "A formação
básica é deficiente, o aluno que chega ao doutorado muitas vezes não está realmente preparado. Se o doutor
vai assumir uma nucleação em outro lugar ele tem que ter qualidade".

O vice-presidente da ABC para a Região Norte e diretor do INPA, AdalbertoVal, esclareceu que o Instituto
está tentando fortalecer os grupos de pesquisa e que, inclusive, a metade dos recursos destinados a esse fim
foram direcionados para os grupos de Botânica. "Antigamente o conhecimento sobre a Amazônia era 60%
brasileiro, hoje os temas mudaram e o país ficou para trás. É preciso reinserir a Amazônia no sistema de
C&T mundial, a Imunologia e a Farmacologia estão em alta e são fundamentais para a C&T amazônica."

   

A cooperação internacional é um recurso importante que pode envolver um recrutamento maciço de


pesquisadores no exterior. Para Jacob Palis, este é o momento certo, pois há disponibilidade dessa mão de
obra qualificada na Europa. É preciso criar os mecanismos.

"Temos a oferecer a magia desse país e da Amazônia em particular, aqui há um ambiente de otimismo, ao
contrário da Europa, onde o clima é pessimista". Em sua visão, o foco do recrutamento deve ser em jovens
pesquisadores estrangeiros. "Os jovens estão mais disponíveis e mais insatisfeitos. Um jovem doutor na
Europa ganha 2 mil euros, em nossos programas aqui oferecemos R$ 7.500, é bastante convidativo".

Izildinha Miranda, pró-reitora de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico da Universidade Federal Rural


da Amazônia (UFRA), está na Amazônia há 24 anos e avalia que os atrativos e os impedimentos para uma
fixação a longo prazo são os mesmos: a questão emocional, da vida em família e em sociedade, e nesse caso
o fato de vir para se integrar a um grupo de pesquisa já existente dá uma sensação maior de acolhida, que é
significativa nessas situações. "Tenho dúvidas sobre essa abertura, não sei se a Amazônia estaria pronta para
receber líderes estrangeiros."

O coordenador do Programa de Pós-graduação em Genética do INPA, Jorge Porto, membro do Conselho


Diretor da rede Bionorte, apoia a política de recrutamento internacional, tanto de pesquisadores jovens, que
considera mais inovadores, como de pesquisadores seniores, mais aglutinadores. Mas tem dúvidas
semelhantes às de Izildinha. "As instituições na região amazônica ainda não têm condições de infra-estrutura
para incorporar os estrangeiros. As fundações de apoio têm que ser fortalecidas para que haja
desenvolvimento institucional."

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Luiz Hildebrando contou sua história. Aposentou-se no Instituto Pasteur na França e foi para Rondônia
porque tinha interesse na malária, hepatite e arboviroses. "Lá não encontrei a prevenção contra estrangeiros
como existia no Amazonas e no Pará, além de ter 45% dos casos de malária no país". Criou então o Centro
de Pesquisas em Medicina Tropical, com um grupo de dez pessoas, para estudar a malária, a hepatite B e as
diarréias infantis. Começaram um mestrado atraindo estudantes do local. De 2001 a 2009 formaram dezenas
de mestres, já têm três doutores formados e outros em formação.

Criaram então o Instituto de Pesquisas em Patologias Tropicais de Rondônia (Ipepatro), primeiro como
laboratório de diagnósticos e depois como instituto de pesquisa. A atração de pesquisadores tem se dado pelo
interesse científico, porque no Brasil é atualmente a única instituição que oferece cursos de mestrado e
doutorado em Medicina Tropical, contando com um laboratório melhor equipado do que os de São Paulo.
Tem hoje 14 doutores dos quais só três foram formados lá. "Os outros vieram de São Paulo, Ribeirão Preto e
do estado do Rio Grande do Sul", contou Hildebrando. Até o final desse ano o Instituto será absorvido pela
Fiocruz, por determinação do Ministério da Saúde, atendendo a uma solicitação do grupo. "Com isso, o
salário dos profissionais será equiparado aos da Fiocruz, o que deve atrair bons cérebros para a região",
afirmou Hildebrando.

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Luis Carlos da Silveira, do Instituto Vale, apontou o gargalo que é transformar a experiência pequena e
individualizada de atração e fixação de recursos humanos na Amazônia numa experiência em larga escala.
"Me parece que a resposta é uma combinação de várias coisas que foram ditas aqui", observou. A primeira
coisa seria a avaliação externa."Não lidamos bem com isso, nossa cultura tem uma tradição negativa nesse
aspecto, de cartas marcadas. Mas esse elemento é fundamental para que os programas e instituições
regionais ganhem credibilidade e possam crescer". Outra das respostas seria a criação de institutos temáticos.
"Eles se somariam às iniciativas do passado, do INPA, do MPEG etc., que podem ser replicadas em novas
bases."

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Sandra Zanotto, afiliada da ABC e coordenadora do Programa de Pós-graduação em Tecnologia e Recursos


Naturais da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), destacou a imagem estereotipada e desinformada
da sociedade brasileira sobre a Amazônia. Val propôs peregrinação de pesquisadores da região amazônica
pelo Sul e Sudeste para divulgar a Amazônia, suas instituições e condições de trabalho.

Para Tavares, da Fapespa, a reunião foi de grande importância. Sugeriu que a ABC promova encontro com
os candidatos para apresentação da proposta e que esta seja encaminhadatambém para a Associação
Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino (Andifes). "Precisamos fortalecer esse
movimento de sensibilização sobre as necessidades da Amazônia para lutarmos em outras instâncias por
políticas visíveis para a região".

Ao final da reunião, os Acadêmicos coordenadores das duas sessões - Roberto Dall'Agnol (à direita da foto,
ao lado do assessor da ABC Marcos Cortesão) e Horacio Schneider - comprometeram-se a sintetizar as
principais propostas da reunião. Estas propostas servirão como base para o documento que será encaminhado
às autoridades federais, estaduais e à Andifes, como sugerido por participantes. O reitor da UFPA, Carlos
Edilson Maneschy, compareceu no final do evento para cumprimentar a todos.