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Comparação de perfís de força isocinética entre atletas de duas modalidades

diferentes (Andebol vs. Futsal)

Introdução

Força muscular é uma variável comprovadamente importante para a


performance humana na prática de actividade física, inclusive a práctica de
modalidades desportivas como o futsal e o andebol.

O andebol caracteriza-se como um jogo que engloba uma grande diversidade de


movimentos - com ou sem bola - concretizados com base em velocidade, habilidade,
força e capacidade de impulsão, e que depende do trabalho colectivo dos jogadores e da
sua luta directa com o adversário (Cercel, 1990).

Por sua vez a resistência muscular, a força/potência dos membros inferiores, a


agilidade e a flexibilidade são capacidades físicas consideradas essenciais para a prática
do futsal.(Bello,1998)

Fleck e Kraemer (2002) descreveram a força muscular como a quantidade


máxima de força que um músculo pode gerar num padrão específico de movimento
numa determinada velocidade de movimento.

Existem várias diferenças entre ações musculares concêntricas e excêntricas, que


se repercutem de maneira diferente no organismo humano, contrações musculares
concêntricas ocorrem quando há o encurtamento de um músculo envolvido em
determinado movimento, por sua vez contrações musculares excêntricas ocorrem
quando os músculos envolvidos no movimento se alongam de forma controlada. Pode
ainda ocorrer outro tipo de contração que é a isométrica, que ocorre quando um músculo
é activado e desenvolve força sem causar movimento numa articulação. (Fleck e
Kraemer, 2002)

A contração isocinética é um tipo de contração menos comum, geralmente faz-se


uso de um equipamento especial (dinamómetro isocinético). Difere da contração
isotónica, a fim de proporcionar uma sobrecarga muscular com uma velocidade
constante enquanto o músculo mobiliza a sua capacidade geradora de força através de
toda a amplitude de movimento. Qualquer esforço realizado durante o exercício
encontra uma força oponente relativa àquela que está sendo aplicada, teoricamente o
trabalho isocinético torna possível activar um maior número de unidades motoras, em
todo o arco de movimento. (Mcardle e Katch, 1997).

A avaliação da força muscular com recurso a dinamómetros isocinéticos tem


sido largamente divulgada e utilizada no diagnóstico de disfunções neuro-músculo-
esqueléticas (desequilíbrios musculares entre o membro dominante/não dominante, e os
agonistas/antagonistas) e também na reabilitação, no treino e na investigação, como
indicador da função e desempenho de certos grupos musculares, sendo a sua medição
feita maioritariamente, através do peak torque ou momento máximo de força (Dvir,
2004).

As vantagens de utilização do aparelho isocinético são: a resistência oferecida


variável, que permite ao paciente trabalhar num valor submáximo no arco de
movimento doloroso e num valor máximo nas amplitudes não dolorosas; não há carga
externa ao membro avaliado. Possibilidade de desenvolver velocidades de contração
muscular mais rápidas e semelhantes a algumas actividades desportivas; sendo a
principal vantagem que as mensurações são confiáveis, seguras, precisas, objectivas e
reprodutíveis.( Dvir, 2004. Davies, 1992.)

Quanto as desvantagens estão no preço elevado da aparelho. Outro aspecto é o


facto de que o aparelho isocinéticonão realiza o gesto/movimento (padrão motor)
especifíco de uma determinada modalidade desportiva. Portanto o esforço realizado não
envolve a energia cinética nas várias articulações, e sim numa única articulação, estando
o restante corpo sem deslocamento.( Dvir, 2004. Davies, 1992.)

Para além de outros parâmetros decorrentes de uma avaliação isocinética é sem


dúvida o peak torque a medida usada com maior frequência nos trabalhos científicos.
De acordo com a literatura, o peak torque tem-se revelado como uma variável bastante
precisa e altamente reprodutível, tornando-se uma medida de referência para todas as
avaliações isocinéticas. (Brown, 2000)
O desiquílibrio muscular entre músculos agonistas e antagonistas tem sido
sugerida como uma provável causa de lesões desportivas. (Magalhaes, Oliviera,
Ascensao, Soares, 2004)
O equílibrio muscular, determinado pela razão entre a musculatura agonista e
antagonista de cada movimento, é um elemento importante para a eficiência da
movimentação articular; o conhecimento desse parâmetro tem sido utilizado em
programas de prevenção de lesões musculares e articulares.(O’Sullivan, 2008)
O rácio isquio-tibiais concêntrico (concentric antagonist/agonist Ratio)
representa o racio mais antigo e o mais utilizado na literatura (O’Sullivan, 2008).
Numerosos estudos demonstraram que se situa de forma constantate,
independentemente da idade , do género e do membro ser dominante ou não, entre 50-
60 % a baixa velocidade angular (30º/s-60º/s) e entre 70-80% s média velocidade
(>180º/s). (Dvir, 2004. Brown, 2000)

Parâmetros de análise

Peak Torque

Representa o ponto de maior torque na amplitude de movimento. O torque ou


momento de força representa o resultado da força aplicada num ponto, multiplicada pela
distância do ponto de aplicação dessa força ao centro de rotação do eixo de movimento,
ou seja, T = F x d, medida em newton-metro (Nm). O peak torque pode, também, ser
expresso pela percentagem do peso corporal do indivíduo, com o objectivo de comparar
grupo de indivíduos. O torque e a velocidade angular de movimento são grandezas
inversamente proporcionais (em relação às contrações concêntricas), ou seja, quanto
menor a velocidade angular realizada, maior será o torque; quanto maior a velocidade,
menor o torque. (Dvir, 2004. Brown, 2000).

Relação de equilíbrio agonista/antagonista

É a divisão entre do valor do agonista e do antagonista, seja relacionado ao peak


torque, trabalho ou potência, expresso em percentagem. Portanto, representa a
proporção entre tais grupos, existindo para cada articulação. Normalmente é avaliada
nas velocidades angulares menores para o peak torque e trabalho e nas velocidades
angulares maiores para a potência. Mostra-se útil nos indivíduos que tiveram lesão do
aparelho locomotor. Por exemplo, no joelho a relação entre o peak torque dos
flexores/extensores é por volta de 60%, ou seja, o valor absoluto do peak torque dos
flexores (numerador) dividido pelo dos extensores (denominador) resulta num valor em
percentagem aproximado a 60. Portanto, a diferença entre os extensores (mais fortes) e
os flexores (mais fracos) é de sensivelmente 40%. (Dvir 2004, Brown 2000).

Trabalho

Representa a energia realizada no esforço muscular durante o movimento (produto do


torque pelo deslocamento angular); é expresso em joule (J). Existe o valor absoluto e
em percentagem do peso corporal. Quanto menor a velocidade angular, maior o
trabalho. (Dvir 2004, Brown 2000).
Procedimento

Amostra

Foram avaliados 18 atletas (9 praticantes de Andebol e 9 praticantes de Futsal),


todos eles representam o clube Módicus Sandim, quando da aplicação dos critérios de
exclusão reduziu-se a amostra para 16 atletas (8 de Andebol e 8 de Futebol). Os atletas
de futsal representam o clube na primeira divisão nacional referente à Federação
Portuguesa de Futebol, por sua vez os andebolistas actuam na segunda divisão nacional
zona Norte, competição da Federação de Andebol de Portugal.

No quadro 1 estão representadas as características demográficas e


antropométricas da amostra em causa.

Metodologia

O estudo em causa foi realizado no laboratório de biomecânica da Universidade


Fernando Pessoa. Foi entregue e consequentemente preenchido e assinado, um
consentimento informado aos atletas em que era apresentado todo o protocolo a seguir
na realização do teste.

Quanto ao protocolo em si, consistia numa activação geral, num tapete rolante da marca
Technoghym à velocidade de 8 km/h durante 8 minutos. De seguida, uma série de
alongamentos dos membros inferiores. Os atletas foram correctamente posicionados e
consequentemente estabilizados para a realização do teste no dinamómetro isocinético.
O dinamómetro isocinético em questão é o Biodex (r) System 4.
Resultados

Peak Torque extensão

Velocidade Variáveis Modalidade Média ( ) Desvio Padrão (s) p


(º/s)

PT_ext_D Futsal 208,68 ±23,76


Andebol 251,60 ±39,60
60º PT_ext_ND Futsal 218,83 ±29,03
Andebol 262,54 ±34,07
PT_ext_D Futsal 141,63 ±21,22
Andebol 174,91 ±22,36
180º PT_ext_ND Futsal 144,24 ±16,83
Andebol 173,33 ±18,97
PT_ext_D Futsal 116,01 ±14,64
Andebol 135,68 ±15,85
300º PT_ext_ND Futsal 113,19 ±18,46
Andebol 140,35 ±11,02

Peak Torque flexão

Velocidade Variáveis Modalidade Média ( ) Desvio Padrão (s) p


(º/s)

PT_fle_D Futsal 116,59 ±12,21


Andebol 134,38 ±22,66
60º PT_fle_ND Futsal 121,33 ±12,55
Andebol 133,26 ±18,28
PT_fle_D Futsal 89,84 ±16,60
Andebol 102,43 ±14,48
180º PT_fle_ND Futsal 90,33 ±9,48
Andebol 99,61 ±14,80
PT_fle_D Futsal 73,45 ±10,80
Andebol 81,93 ±11,17
300º PT_fle_ND Futsal 76,35 ±9,87
Andebol 83,36 ±9,34
PT BW Extensão

Velocidade Variáveis Modalidade Média ( ) Desvio Padrão (s) p


(º/s)

PT\BW_ext_D Futsal 313,06 ±26,28


Andebol 286,08 ±39,81
60º PT\BW_ext_ND Futsal 328,40 ±35,04
Andebol 298,76 ±36,65
PT\BW_ext_D Futsal 212,025 ±22,90
Andebol 199,41 ±27,70
180º PT\BW_ext_ND Futsal 216,39 ±18,41
Andebol 197,16 ±20,48
PT\BW_ext_D Futsal 167,69 ±23,04
Andebol 155,16 ±23,40
300º PT\BW_ext_ND Futsal 171,93 ±16,10
Andebol 159,90 ±15,21

PTBW Flexão

Velocidade Variáveis Modalidade Média ( ) Desvio Padrão (s) p


(º/s)

PT\BW_fle_D Futsal 174,99 ±14,87


Andebol 152,74 ±22,74
60º PT\BW_fle_N Futsal 182,24 ±16,39
Andebol 151,03 ±13,81
D
PT\BW_fle_D Futsal 134,15 ±20,11
Andebol 117,11 ±19,64
180º PT\BW_fle_N Futsal 135,68 ±12,17
D Andebol 113,71 ±19,38
PT\BW_fle_D Futsal 108,81 ±13,18
Andebol 93,94 ±17,61
300º PT\BW_fle_N Futsal 113,29 ±13,33
D Andebol 95,11 ±12,58
Velocidade Variáveis Modalidade Média ( ) Desvio Padrão (s) p
(º/s)

Racio Ag/Ant_D Futsal 56,14 ±5,40


Andebol 53,90 ±8,32
60º Racio Ag/Ant_ND Futsal 55,83 ±5,98
Andebol 50,81 ±3,08
Racio Ag/Ant_D Futsal 63,69 ±10,15
Andebol 58,83 ±6,54
180º Racio Ag/Ant_ND Futsal 63,08 ±7,43
Andebol 57,43 ±5,10
Racio Ag/Ant_D Futsal 65,48 ±8,29
Andebol 60,51 ±6,26
300º Racio Ag/Ant_ND Futsal 66,15 ±7,89
Andebol 59,34 ±3,51