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Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

O DIREITO PENAL BRASILEIRO NO ESTADO (SOCIAL E) DEMOCRÁTICO DE DIREITO.

A Constituição Federal de 1988 formalizou sob a ótica penal quatro princípios fundamentais:

a) O princípio da legalidade (art. 5º., XXXIX);


b) O princípio da igualdade (art. 5ª. Caput);
c) O princípio da humanidade da pena; e
d) O principio da responsabilidade pessoal. Cada um desses princípios merece um exame particularizado. Assim:

a) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.

Afirmar que princípio da legalidade é o eixo de todo o sistema penal é dizer pouco, se não se seguir a essa afirmação, o
balizamento da área de significado desse conceito .

Crime e pena só podem existir onde houver lei que obedeça, na sua formulação, aos trâmites determinados pela Constituição. É a
denominada reserva absoluta de lei, o que exclui a possibilidade de criação de figuras criminosas através de outras fontes do Direito : os
costumes, a jurisprudência, a doutrina ou os princípios gerais do Direito. Mas não é só. A lei deve ser anterior quanto ao crime e prévia,
no que diz respeito à cominação da pena, isto é, antes que ela surja, não há fato que receba a qualificação delituosa, nem previsão
punitiva possível.

É a consagração do princípio da irretroatividade da lei penal incriminadora; o que não impede, como reverso, a retroatividade da lei
penal que, de qualquer modo, favoreça o acusado ou o condenado, princípio também reconhecido em nível constitucional (art. 5º, XL, da
CF).

O princípio da legalidade não se exaure, contudo, do ponto de vista formal, apenas nessas duas conseqüências. Há algo mais: é
mister também que a lei defina o crime e igualmente, a pena.

Definir, nessa ótica, representa portanto, estruturar com clareza as condutas criminosas de modo que possam ser, com facilidade,
compreendidas por seus destinatários, e evitar a cominação de margens penais extremamente dilatadas. Se o legislador recorrer a
“cláusulas gerais”, tornando indefinida e imprecisa a definição do comportamento humano, ou se dá ao tipo “margens penais” alargadas
de forma a transformar o juiz em legislador, a arbitrariedade judicial poderá campear à solta.
O princípio da legalidade, além de interferir sobre as fontes e a interpretação da lei penal (a reserva absoluta da lei, a proibição da
analogia in mallam partem, e a proibição da retroatividade da lei penal incriminadora) e sobre a definição adequada do tipo (técnica
legislativa de formulação típica), dá ainda fundamento a quatro garantias do cidadão: garantia criminal, penal, processual e de execução
penal.

Por fim, conectado, direta e imediatamente, com os princípios da legalidade e da tipicidade, encontra-se o princípio do bis idem que
obsta a aplicação de mais de uma pena a um mesmo fato ou a aplicação de uma agravante já considerada no tipo básico.

b) PRINCÍPIO DA IGUALDADE.

O Princípio da igualdade no art. 5º, caput, da Constituição Federal apresenta uma íntima conexão com o princípio da legalidade.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
Entendia-se , por tradição, que a igualdade de todos perante a lei se referia, fundamentalmente, à exigência de igualdade na aplicação
da lei.

As leis deveriam ser cumpridas sem que se levassem em conta as pessoas que viessem a ser, por elas, alcançadas. Interpretou-
se, inicialmente a igualdade perante a lei como “exigência dirigida ao juiz legal e às autoridades administrativas no sentido de assegurar
formalmente uma igual aplicação da lei a todos os cidadãos.

Logo, verificou-se, no entanto, que o princípio da igualdade não se exauria na mera aplicação igualitária da lei. Embora a aplicação
igual dela constitua uma das dimensões do princípio da igualdade constitucionalmente tutelado, o princípio tem também outro endereço;
além do juiz e do administrador: o próprio legislador na medida em que o vincula à criação de um direito igual para todos os cidadãos.

Não basta, a igualdade perante a lei, ou seja, a igualdade sob o ângulo formal: é mister a igualdade através da lei ou melhor, a
igualdade em sentido material. Assim, por exemplo, uma lei fiscal que viesse a fixar igual alíquota de impostos sobre a renda para todos
os cidadãos seria formalmente igual, mas representaria profunda desigualdade quanto ao seu conteúdo na medida em que provocasse a
equiparação de todos os cidadãos, independentemente de seus rendimentos, se seus encargos, de sua situação, de seu patrimônio, etc.

Exemplo significativo do desrespeito ao princípio da igualdade, em matéria penal, diz respeito à Lei 8.072/90. Ao deixar de
etiquetar, como crimes hediondos, os delitos de igual denominação, no Código Penal Militar.

O legislador ordinário estabeleceu uma arbitrária diferença de tratamento entre o civil e o militar, diferença essa que se reflete não
apenas na cominação da pena, como também no regime prisional, nas causas extintivas de punibilidade e na própria individualização
punitiva.
c) PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DA PENA.

O princípio da humanidade da pena permite detectar, sob a ótica da dimensão histórica, uma gradativa propensão na humanização
das penas que tornaram-se, no transcorrer dos tempos, menos rígidas no seu tempo de duração e tiveram reduzidas, sobremaneira, sua
carga aflitiva.

Assim, de um lado, o princípio da humanização da pena está introjetado na proibição da tortura e do tratamento cruel ou degradante
(art.5º, III) e na proibição da pena de morte, da pena de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento ou cruéis (art.5º, XL, VII);
de outro lado, está refletido no processo individualizador da pena, na sua fase executória (art.5º, XLVI), no asseguramento aos presos do
respeito à integridade física ou moral (art.5º, LXIX), no direito ao preso de cumprir a pena em estabelecimentos distintos, de acordo com
a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado (art.5º, XLVIII); no asseguramento às presidiárias de condições para que possam
permanecer com seus filhos durante o período de amamentação”.
É óbvio que nesse enfoque, não se atribui à pena a finalidade única ou, mesmo, prioritária de ressocializar o condenado e de
conduzi-lo a uma subseqüente recondução à vida social.
Assim, um texto legal que proscreva toda e qualquer progressividade no cumprimento da pena privativa de liberdade, deixando o
recluso unicamente ao regime fechado, num estabelecimento prisional de segurança máxima, tem assim, um significado claro e preciso:
transforma a finalidade da pena numa resposta estatal que paga o mal causado com um outro mal, de igual ou superior intensidade, dela
eliminando não apenas qualquer intento ressocializador (que pode ter expressão até no sentido de evitar um processo dessocializador),
mas também o “mínimo ético” que é exigível na execução penal.

A exclusão do sistema progressivo, como ocorre no caso da Lei de Crimes Hediondos, conflita com princípio de conotação
constitucional na medida em que extrai da pena sua ótica ressocializadora para atribuir-lhe, com exclusividade, o caráter aflitivo. Para
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tanto, o legislador infraconstitucional não estava autorizado, pois o regime progressivo não é matéria que deva ser cogitada apenas no
âmbito penitenciário, porque é uma decorrência do princípio constitucional da humanização da pena.

d) PRINCÍPIO DA CULPABILIDADE.

O inc. XLV do art. 5º da Constituição Federal de 1988 consagrou, entre os princípios constitucionais, em matéria penal, o princípio
pessoal da responsabilidade penal. O que se busca, na realidade, significar com o caráter pessoal dessa responsabilidade ?. Antes de
tudo, a responsabilidade “significa a exigência de um autêntico injusto típico, de realização pessoal, direta ou imediata, ou de
colaboração pessoal num tipo de injusto, com sua parte tanto objetiva como subjetiva: quer dizer, trata-se da exigência de autoria ou de
participação.
“O princípio da responsabilidade pessoal, no campo penal, tem, no entanto, outras implicações. Com a expressão ‘pessoal’ o texto
constitucional, quer não só excluir toda forma de responsabilidade por fato de outrem (em direito penal responde-se apenas por fatos
próprios), mas também indicar como deve a responsabilidade penal ser entendida em relação aos fatos próprios: nullum crimen sine
culpa.”

“Ninguém pode ser castigado senão pelas conseqüências queridas (dolosas) ou previsíveis (imprudentes) de seus próprios atos.”

O fundamento dessa exigência culpabilística reside na própria função do Direito Penal: proteger bens jurídicos através da ameaça
do castigo, da dissuasão. Castigar a causa objetiva de resultados imprevisíveis e inevitáveis seria inútil, desnecessário e ineficaz.

6. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, DE CARÁTER PENAL, NÃO FORMALIZADOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

Não se pode analisar a Constituição como se fosse a simples reunião, num texto global, de títulos, capítulos e artigos que não
tivessem a uni-los um fio condutor, ora perceptível, ora não.
Os direitos e garantias fundamentais não se esgotam, contudo, nesse catálogo. Há outros fora dele, isto é, sem explícito registro
constitucional,. Isto não significa, contudo, que percam o seu nível constitucional e que , portanto, estejam desprovidos de seu caráter
positivo. O Texto dos §§ 1º e 2º do art. 5º da Constituição Federal são por demais explícitos:

a) os direito e garantias catalogados não excluem outros direitos e garantias que decorram do regime e dos princípios
adotados, pela constituição;

b) os direitos e garantias fundamentais, catalogados ou não, têm aplicação imediata.

Destarte, dos princípios fundamentais de caráter penal, formalizados na Constituição Federal e já explicitados, podem ser
extraídos outros tantos, de igual entonação constitucional e dotados da mesma carga de positividade. Tais princípios fundamentais serão
a seguir analisados:

a) PRINCÍPIO DA EXCLUSIVA PROTEÇÃO DE BENS JURÍDICOS.

O princípio também denominado princípio da ofensividade ou da lesividade centra-se na idéia de que o controle social penal só
deve intervir quando ocorrer lesão ou perigo de lesão a bens jurídicos concretos. Sob essa ótica, o princípio da exclusiva proteção de
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bens jurídicos, no Estado Democrático de Direito, constitui uma clara limitação ao poder punitivo desse Estado na medida em que,
circunscreve a atuação do mecanismo repressor à tutela de bens jurídicos relevantes, de natureza coletiva ou individual, e aos ataques
mais graves a esses bens.
A intervenção punitiva do Estado somente se legitima quando salvaguarda interesses ou condições que reúnam duas
características: em primeiro lugar, a da generalidade (deve tratar-se de bens ou condições que interessem à maioria da sociedade e não
a uma parte ou setor desta); em segundo lugar, a da transcendência (a intervenção penal somente se justifica para tutelar bens
essenciais para o homem e a sociedade : vitais).

O contrário é um uso sectário ou frívolo do Direito penal: sua perversão. Não seria admissível, numa sociedade democrática e
pluralista, um mecanismo de controle penal que se destinasse à tutela de bens desimportantes, de coisas de nonada, de bagatelas,
enfim, que se ativesse à composição de tipos que não lesionam, nem ponham em concreto perigo bens essenciais para a pessoa ou
para a vida em sociedade.

b) PRINCÍPIOS DA INTERVENÇÃO MÍNIMA, DA SUBSIDIARIEDADE E DA FRAGMENTARIEDADE.

Não basta que se demonstre ser o controle social penal um mecanismo formalizado, em face do princípio da legalidade, nem que
tal controle se realize a partir de fatos concretos, comissivos ou omissivos, que lesem ou ponham em perigo bens jurídicos fundamentais
para a pessoa humana ou para a sociedade em que está inserida.

“A tarefa do direito penal é precisamente a de intervir o mínimo possível para conseguir o máximo de liberdade”, o Direito Penal não
pode ser a prima ratio, nem única ratio para fazer face às tensões sociais: “é a última ratio, não a solução ao problema do crime, como
sucede com qualquer técnica de intervenção traumática, de efeitos irreversíveis; cabe apenas a ela recorrer em casos de estrita
necessidade, para defender os bens jurídicos fundamentais, dos ataques mais graves e somente quando não ofereçam garantias de
êxito às demais estratégias de natureza não penal.

O princípio da intervenção mínima encontra expressão em duas perspectivas diversas: o princípio da fragmentaridade e o princípio
da subsidiariedade.

O primeiro deixa patente que a intervenção penal não se destina a tutelar todo e qualquer bem jurídico, nem tampouco toda a ação
ou omissão que venha a lesá-lo, mas apenas os bens jurídicos fundamentais, de vital relevância e, ainda assim, contra os ataques mais
insuportáveis a esses bens.

Já o princípio da subsidiariedade põe em destaque o fato de que o Direito Penal não é o único controle social formal dotado de
recursos coativos, embora seja o que disponha, nessa matéria dos instrumentos mais enérgicos e traumáticos.

O princípio da subsidiariedade limita, portanto, o Jus puniendi na mediada em que só autoriza a intervenção penal se não houver
outro tipo de intervenção estatal menos lesiva e menos onerosa aos direitos individuais.

c) PRINCÍPIO DA EFETIVIDADE E FICÁCIA OU IDONEIDADE.

Não basta que o bem jurídico seja digno de tutela penal, nem tampouco que tenha necessidade dessa tutela. É mister verificar algo
mais, ou seja, se o mecanismo penal deve ser capaz de dar essa tutela.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

Uma sanção penal que resulte ineficaz, inidônea ou contraproducente é também desnecessária e portanto, acarretaria um mal
injustificável. Se o Direito Penal de um Estado social se legitima apenas enquanto protege a sociedade; perderá sua justificação se sua
intervenção se mostrar inútil, por ser incapaz de servir para evitar delitos.

d) PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.

Num modelo de Estado (Social e) democrático de Direito, sustentado por um princípio antropocêntrico, não teria sentido, nem
cabimento, a cominação ou a aplicação de pena flagrantemente desproporcionada à gravidade do fato.

O princípio da proporcionalidade exige que se faça um juízo de ponderação sobre a relação existente entre o bem que é lesionado
ou posto em perigo (gravidade do fato) e o bem de que pode alguém ser privado (gravidade penal). Toda vez que, nessa relação, houver
um desequilíbrio acentuado, estabelece-se, em conseqüência, uma inaceitável desproporção.

Tem, em conseqüência, um duplo destinatário: o poder legislativo (que tem de estabelecer penas proporcionais, em abstrato, à
gravidade do delito) e o juiz (as penas que os juizes impõem ao autor do delito tem guardar proporção à sua concreta gravidade).

Não há, em verdade, nenhum critério formalmente assente, mas tudo está a indicar que tal critério deve ser buscado num juízo de
adequabilidade entre a gravidade do preceito sancionatório e a danosidade social do comportamento incriminado.

A lei 8.072 provocou uma verdadeira ruptura do sistema de penas no Brasil, criando uma evidente situação de
desproporcionalidade entre os delitos contra a vida e a integridade física, de um lado e os delitos patrimoniais, de outro; aqueles punidos
com muita brandura e estes com fantástica severidade, numa inversão vesga de valores.

Na hodierna Lei 9.426/96, atribuiu-se a uma hipótese de receptação, praticado com dolo eventual, um preceito sancionatório
exacerbado, ao triplo, em relação a outra hipótese também de receptação realizada com dolo direto (vide, art.180, CP). Em outro
momento, através da lei 9.455/97, o legislador infraconstitucional novamente infringe o princípio da proporcionalidade, cominando,
agora, para conduta extremamente grave, como a tortura, um quantitativo penal por demais ameno.

O princípio da proporcionalidade não é endereçado apenas ao legislador, mas também ao juiz no sentido de que, no limite do
arbítrio, que lhe sobra, entre o mínimo e máximo cominados ao tipo, deve compor uma pena proporcionada às circunstancias, de
caráter objetivo e subjetivo, do delito praticado.

7. O MEMBRO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, O JUIZ E OS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, DE CARÁTER PENAL, FORMALIZADOS


OU NÃO, NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL.

A característica mais expressiva do moderno estado constitucional reside exatamente no fato de que a produção jurídica é
disciplinada por normas não apenas de caráter formal, mas também por normas de substância ou materiais de direito positivo.

Assim, graças ao novo modelo denominado “garantístico”, em contraposição ao modelo “positivista”, “o direito contemporâneo não
prevê somente as suas formas de produção, através de normas procedimentais sobre a formação das leis e dos outros atos normativos.

Em resumo, é mister que se questione o tipo de relacionamento que o promotor de justiça e o juiz deve manter com a Constituição
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e com as leis infraconstitucionais e o fundamento da legitimação da jurisdição e da independência do Ministério Público e do Poder
Judiciário. O Juiz, o Promotor e a Constituição devem ter, em verdade, uma relação de intimidade: direta, imediata, completa. Há um
nível de cumplicidade que os atrai e os enlaça. Na medida em que, de maneira explícita ou implícita, dá-se positividade constitucional
aos direitos fundamentais da pessoa humana, estabelece-se ao mesmo tempo, um sistema de garantias com, o objetivo de preservá-los.

O Promotor e o juiz passam a ser os garantidores desse sistema. Não podem, por isso, em face de violações ou de ameaças de
lesão aos direitos fundamentais constitucionalmente consagrados, permanecerem num estado de inércia ou de indiferença ou mesmo
admitirem que o legislador infraconstitucional se interponha indevidamente entre eles e a Constituição.

No paradigma garantístico, no entanto, o papel do promotor e do juiz é inteiramente diverso. “A sujeição do promotor e do juiz à lei
já não é de fato, como no velho paradigma juspositivista, sujeição à lei qualquer que seja o seu significado, mas sim sujeição à lei
somente enquanto válida, ou seja, coerente com a Constituição.

Daí deriva que interpretação ministerial e judicial da lei é também sempre um juízo sobre a própria lei, relativamente à qual o
promotor e o juiz tem o dever e a responsabilidade de escolher somente os significados válidos, ou seja compatíveis com as normas
constitucionais substanciais e com os direitos fundamentais por elas estabelecidos.

É a partir dessa nova compreensão do papel do promotor e do juiz no Estado Democrático de Direito, e, portanto, do
reconhecimento de sua função de garantidores dos direitos fundamentais consagrados na Constituição, que se busca, na atualidade,
fundamento à legitimação do Ministério Público, da jurisdição e da independência do Poder judiciário. O fundamento de ambos é
unicamente a intangibilidade dos direitos fundamentais.

Diante desse modelo garantístico, é na área penal, em particular, que se deve materializar a conexão Promotor-Juiz-Constituição.
Por comodidade, ou por amedrontamento, o promotor e o Juiz Penal se apartam, muitas vezes, do conteúdo substancial da Constituição
para repelir direitos ou garantias fundamentais ou para apegarem-se a uma legislação infraconstitucional que lhe é atritante.

E assim agindo, o promotor e o juiz penal perdem a perspectiva de suas dimensões constitucionais, o que representa um grave
perigo para o cidadão. Este, em síntese, é o modelo constitucional – penal defendido por Alberto Silva Franco e outros na sua
insuperável obra : “Código Penal e sua Interpretação Jurisprudencial”, que por nossa vez, adotamos na íntegra como paradigma a ser
perseguido enquanto operador e professor de Direito Penal.

II - APLICAÇÃO DA LEI PENAL

1. APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO TEMPO : A lei penal, como todas as leis, nasce , vive e morre. Cada artigo é uma
norma penal “per se”.

NASCIMENTO : Possui três momentos :

a) Sanção;
b) Promulgação;
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
c) Publicação.

VIDA : Com o viger.

MORTE : Parcial ou Total, com a sua revogação:

REVOGAÇÃO: a) ab-rogação ( total )


b) derrogação ( parcial ).

** A revogação pode ser ainda: Expressa ou tácita.

** As leis podem ainda ser excepcionais ou temporárias, que são auto -revogáveis.

** Uma lei só é revogada por outra lei posterior , salvo as leis excepcionais ou temporárias que são auto-revogáveis.

** A anterioridade da Lei é fixada pela data de sua promulgação. Damásio entende ser a data de sua publicação, eis
que , diz ele “... a lei publicada primeiro, subentende-se promulgada antes de outra”. Heleno Fragoso, entendia ser a
data de entrada em vigor. Tem prevalecido o entendimento de Damásio.

** A lei penal não se revoga por uso contrário ou por inexecução de seus mandamentos.

** Pode, porém, ocorrer que um crime iniciado sob vigência de uma lei, se consume sob a vigência de outra lei: ou
ainda, conduta praticada sob o viger da lei X, e condenação sob a vigência da lei Y. Surge ai os conflitos de Leis Penais
no tempo, e princípios para solucioná-los.

2. CONFLITOS DE LEIS PENAIS DO TEMPO :

** PRINCIPIOS:

A) IRRETROATIVIDADE:

1. Lei nova incriminadora.


2. Lei nova mais grave.

B) RETROATIVIDADE:

- Abolitio Criminis.
- Novatio Legis in Melius.

** O art. 5º, inciso XL da CF, fala apenas em “réu”, deixando, aparentemente, a entender que a lei nova não retroage
para beneficiar o condenado: Alcança sim !

** Considerando que o nosso sistema jurídico não adota o principio da repristinação da lei, é possível a aplicação de
uma lei ao caso concreto, não obstante cessada a sua vigência, não sendo esta uma lei excepcional ou temporária?

** Depende: Se a lei revogada for mais benéfica em face de outra posterior, sim ... Dês que claro o fato tenha ocorrido
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sob seu império. Se a lei revogada for mais gravosa, não! A essa qualidade, dá-se o nome de ULTRATIVIDADE.
Somente as leis mais benéficas e as excepcionais ou temporárias são ultrativas. A lei mais benéfica, além de ultrativa é
também retroativa. Estas duas qualidades da lei mais benéfica dá-se o nome de extra – atividade.

** O que se deve entender por lei mais benigna ? Somente a Lei Penal ?

** Não ! também a norma extrapenal quando exclui o tipo, ao suprimir a conduta incriminada. EX.: (A) praticou o crime
de “conhecimento prévio de impedimento ao casamento – art. 237 do CP. É norma penal em branco, de vez que é o
C.C. art. 183, I a VIII, quem define a conduta de “impedimento”. Ora, se o art. 183 do C.C. for ab-rogado, poderá
retroagir para beneficiar o autor do crime previsto no art. 237 do CP ? PODE !!

** OBS. Todavia, esse exemplo não prevalece nos casos de simples atualização de tabelas de preços. Não há se falar,
nestes casos, em “abolitio criminis” face a alteração da norma extrapenal (nova tabela de preços). Neste caso o preço
continua tabelado; o que alterou-se foi apenas o novo preço.

** O resultado mais benéfico deve ser apurado concretamente. Ex.: (A) praticou crime cuja pena é de detenção, de 1 a
2 anos. Vem a ser condenado a pena de 1 ano e 8 meses, em virtude de uma circunstância legal genérica. Não pode
obter o “sursis” por ser reincidente em crime doloso. Não poderá obter o LC eis que a pena é inferior a 2 anos. Após,
surge nova Lei, cominando para o mesmo crime pena de 2 a 3 anos de detenção. PERGUNTA-SE: Qual a Lei mais
benéfica neste caso ? Resposta: a posterior. Pela Lei anterior, teria que cumprir a pena integralmente; 1 ano a 8
meses. Pela nova Lei, ajustando-se a condenação, por exemplo, em 2 anos e 8 meses, poderá, após cumprir 1 ano, 4
meses e 1 dia (mais da metade da pena), obter o Livramento Condicional.

** A quem compete aplicar a Lei mais benéfica ?

A) Antes da sentença não há dificuldades: O Juiz do processo.


B) Após a sentença o Juiz da execução.
C) Tribunal somente se houver recurso do despacho do Juiz de primeira instância – art. 197 da LEP.

3. TEMPO DO CRIME – Art. 4º d o CP.

TEORIAS :

A) Atividade ( adotada pelo CP)


B) Resultado.
C) Ubiqüidade

** Pela teoria da atividade, um menor que, faltando um dia parta completar 18 anos, portanto para a maioridade penal,
atira em alguém, vindo essa pessoa morrer no dia seguinte quando o autor já era maior, será inimputável, eis que no
momento da ação era menor.

** Nos crimes permanentes, e nos crimes continuados quando dois ou mais delitos forem praticados durante a vigência
da lei posterior mais severa , a lei a ser aplicada será a mais severa. Tomando-se ainda como exemplo o caso do
menor acima, suponha que este pratique um seqüestro naquela data. Se preso no mesmo dia, será considerado
inimputável. Todavia, se o seqüestro perdurar até o dia seguinte, responderá pelo crime, eis que o seqüestro é crime
permanente. Sua consumação se prolonga no tempo.

Obs. : O princípio da atividade não se aplica para efeito da prescrição: aqui o termo inicial começa a fluir da data em
que o crime se consumou – art. 111, I, CP.

** Pode haver combinação de Leis para beneficiar ? A resposta é sim (Damásio, Mirabete). Ex.: 1º Lei – pena 5 a 15
anos + 360 dias-multa. 2º Lei – 10 a 20 anos + 300 dias-multa. Resultado: Aplica-se a pena da 1ª Lei + Dias-multa da 2ª
Lei. Contudo o tema é controvertido. STF entende não ser possível a combinação.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

4. APLICAÇÃO DA LEI PENAL NO ESPAÇO – Art. 5º.

PRINCÍPIOS:

1. TERRITORIALIDADE – prevê a aplicação da lei nacional ao fato praticado no território do próprio país.

2. EXTRATERRITORIALIDADE – adota 4 teorias, a saber:

A) Princípio da Nacionalidade – A Lei penal do País é aplicável a seus cidadãos onde quer que se encontrem.

B) Princípio da Defesa ou da Proteção – Leva em consideração o bem jurídico lesado pelo crime independentemente do
local de sua prática, ou da nacionalidade do autor.

C) Princípio da Justiça Penal Universal – Para a imposição da pena basta encontrar-se o criminoso dentro do território de
um país. Qualquer país. Irrelevante o “locus delicti”.

D) Princípio da Representação – ocorre quando o País onde se deu o fato não se interessa em puni-lo, ou não possui
previsão legal.

** O Brasil adota o PRINCÍPIO DA TERRITORIALIDADE como regra, e da EXTRATERRITORIALIDADE como


exceção.

1º - Territorialidade (regra): Art.5º do CP.


2º - Defesa ou Proteção: art.7º, I, “a”, “b”, “c”, “d”, e § 3º (exceção).
3º - Justiça Universal: art.7º, II, “a”, do CP (exceção).
4º - Nacionalidade: art.7º, II, “b”., do CP (exceção).
5º - Representação: art.7º, II, “c”, do CP (exceção).

** A extraterritorialidade de que cuida o art.7º do CP, pode ser:

A) Condicionada: Art.7º,II, “a”, “b”, “c” e § 3º.


B) Incondicionada: Art.7º, I, “a”, “b”, “c” e “d”.

** Conceito de extraterritorialidade, vide Damásio Vol. I, ou Mirabete, Vol. I.

** Conceito de território: Vide Damásio, Vol. I, ou Mirabete, Vol. I.

5. LUGAR DO CRIME – Art. 6º.

TEORIAS:

a) Da atividade
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
b) Do resultado
c) Da ubiqüidade (adotada pelo CP).

** O Brasil adotou a teoria da ubiqüidade para o lugar do crime. Basta que uma porção do crime tenha ocorrido em
nosso território para ser aplicada a Lei Brasileira.

** Excetua-se, naturalmente, os atos preparatórios que não pertençam à figura típica, e os posteriores à consumação .
Pôr não integrar o “iter criminis”.

** O lugar do crime e a teoria da ubiqüidade é de suma importância para aplicação da Lei nos chamados crimes à
distancia.

** Ex.: (a) coloca uma bomba na pasta de (b), para explodir na Argentina ou vice-versa ( vide art. 70, parágrafos 1º e 2º
do CPP, tocantemente ao tema competência).

** Não prevalece o princípio da ubiqüidade do art.6º do CP nos chamamos crimes conexos por não perfazerem uma
unidade. Ex.: Furto nos E.U.A e receptação no Brasil: no Brasil somente receptação; nos E.U.A o furto.

6. CONCURSO OU CONFLITO APARENTE DE NORMAS :

** As vezes, duas ou mais normas parecem regular o mesmo fato.

** Ex.: A mata B para furtar seus valores. Em que norma incriminadora se ajusta a conduta?

a) Homicídio qualificado pela conexão teológica do art.121, parágrafo 2º, inciso V, do CP?
b) Latrocínio – art. 157, parágrafo 3º, última figura?

** A primeira tarefa é verificar se há hipótese de conflito intertemporal de normas, pois se existir este conflito em virtude
da sucessão de normas no tempo, não há se falar em conflito aparente de normas.

** Afastada a hipótese do conflito intertemporal, poderemos estar diante de um “conflito aparente de normas”. Diz-se
aparente, porque não é verdadeiro.

** A questão é ainda de aplicação da Lei Penal.

** PRESSUPOSTOS: a) Unidade de fato.


b) Pluralidade de normas, aparentemente incidindo sobre o mesmo fato.

** São 4 (quatro) os princípios que resolvem os conflitos aparentes de normas (para alguns autores são apenas 3 (três):

1º ESPECIALLIDADE: Consiste na derrogação da NORMA GERAL pela NORMA ESPECIAL. A norma é especial
quando acrescenta na norma geral um ou vários requisitos especializantes.

** Ex.: O infanticídio (art.123), acrescenta ao Homicídio (art.121) vários requisitos especializantes: autora há que ser a
mãe da vítima; esteja sob a influência do estado puerperal, e que o ofendido seja recém-nascido.
Ex.: quando a injúria é praticada através da impressa, aplica-se art.22 da Lei 5.250/67 e, não art.140 do CP.

** Ex.: Latrocínio x Homicídio qualificado: O homicídio (art.121, parágrafo 2º, V) fala “... outro crime”, delito
indeterminado. Latrocínio (art.157, parágrafo 3º, final) contém um crime específico: morte para subtrair. Esta, então, é a
norma especial.

** Também a forma qualificada exclui a forma fundamental. O furto simples é excluído pelo furto qualificado, etc.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
2º) SUBSIDIARIEDADE: A figura típica subsidiária está contida na norma principal.

** Assim, a figura típica do crime de ameaça (art. 147), está incluída no tipo de constrangimento ilegal (art.146).

** A subsidiariedade pode ser : a) expressa


b) tácita.

EXPRESSA: Ocorre quando a norma, em seu próprio texto, subordina a sua aplicação à não-aplicação de outra, de
maior gravidade punitiva.

** Ex.: Art.132 ... No seu preceito secundário (sanção penal), diz: “... se o fato não constitui crime mais grave”, que pode
ser: tentativa de homicídio, etc.

** Ex.: Art.21,29,46 da LCP, 238,239,240,307 do CP.

TÁCITA: As elementares de um tipo penal estão contidas em outro tipo penal. Diz-se tácita ou implícita porque a norma
subsidiária não determina, expressamente, a sua aplicação sob a condição da não-ocorrência da infração principal.

** Ex.: O crime de dano (art.163) é subsidiário do furto qualificado pela destruição ou rompimento de obstáculo à
subtração da coisa (art.155, parágrafo 4º, I). Aqui os elementos típicos do dano funcionam como circunstância
qualificadora do furto.

** Ex.: O crime de ameaça (art.147), funciona como elementar do constrangimento ilegal (art.146).

** Ex.: O constrangimento ilegal, por sua vez, é subsidiário de vários delitos que têm como meios executórios a violência
física ou grave ameaça: extorsão, art.158; estupro, art.213, etc.

** Ex.: A omissão de socorro (art.135) funciona como qualificadora do homicídio culposo (art.121, parágrafo 4o.). Quem
culposamente atropela a vítima e não lhe presta socorro, causando-lhe a morte, não responde por 2 crimes (homicídio
culposo e omissão de socorro), mas por um só homicídio culposo, qualificado pela omissão de socorro, (só que neste
caso, à luz da lei 9.503/97 (CTB).

3º) CONSUNÇÃO: Quando uma conduta definida por uma norma incriminadora é meio necessário ou normal fase de
preparação ou execução de outro crime, bem como quando constitui conduta anterior ou posterior do agente, cometida
com a mesma finalidade prática atinente àquele crime.

** Ex.: A lesões corporais são consumidas pelo homicídio, se aquelas constituírem fase de realização deste. O crime
consumado consome ou absorve o crime tentado. O dano absorve o perigo. O furto consome a violação de domicílio,
etc.

** Ex.: A destruição da coisa, pelo autor do furto antecedente. O crime de dano, neste caso, será um pós fato impunível,
etc.

4º) ALTERNATIVIDADE: Indica que o agente só será punido por uma das modalidades inscritas nos chamados crimes
de ação múltipla, embora possa praticar duas ou mais condutas do mesmo tipo penal.

**Ex.: Se instigar alguém ao suicídio e, em seguida, prestar-lhe auxílio na prática do ato, o agente somente responderá
por instigação ou auxílio, e não pelas duas condutas.

**Ex.: art.150, 161, art.12 da 6.368/76, etc.


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
Obs. : Damásio entende que nestas hipóteses não há conflito ou concurso aparente de normas, uma vez que as
condutas descritas pelos vários núcleos se encontram num só preceito primário. Todavia o princípio da alternatividade
tem sido admitido por Nelson Hungria, Frederico Marques, Mirabete, dentre outros.

7. IMUNIDADES :

1) DIPLOMÁTICAS: Referem-se a qualquer delito e se estendem a todos os agentes diplomáticos (embaixadores,


secretários, pessoal técnico e administrativo das representações, aos familiares deles ... ONU, OEA, etc., quando
em serviço).

** Também possui imunidade o chefe de Estado estrangeiro que visita o País, bem como os membros de sua comitiva.

** Estão excluídos os empregados particulares dos agentes diplomáticos, ainda que originários do País destes.

** Os delitos cometidos no interior das representações Diplomáticas serão alcançados pela Lei Brasileira se praticados
por pessoas que não gozem de imunidade.

** As embaixadas não são mais consideradas extensão do território dos governos representados. Sua inviolabilidade,
contudo, é garantida por tratados internacionais. Não podem sofrer busca, apreensões, etc. Idem as repartições
consulares, por não pertencerem ao Cônsul, mas ao País que ele representa. Os Cônsules, conduto, não gozam de
imunidades.

2) PARLAMENTARES: A imunidade parlamentar, por não ser apenas um direito subjetivo do parlamentar, mas um
direito cujo titular é o próprio PARLAMENTO, é irrenunciável. Quando um parlamentar diz “que renuncia a sua
imunidade”, está “jogando para a platéia”. Somente renunciando ao próprio mandato.

** São de duas Espécies:

a) Imunidade Material ou Substantiva ( absoluta) – art.53 da CF.

** Estende-se a todos os crimes de opinião ou da palavra. Não responde por delitos contra a honra, (injúria, calúnia,
difamação), incitação ao crime, apologia ao crime, etc. O período coberto pela imunidade absoluta tem início com a
diplomação do Deputado ou Senador, e se encerra com o término do mandato. Não se comunica com co-autor ou
partícipe que não possua também imunidade.

b) Imunidade Formal ou Processual (relativa) – art. 53, parágrafo 1º da CF:

** O parlamentar não pode ser processado sem autorização da sua casa. Pode haver instauração de inquérito,
denúncia. Não pode a denúncia ser recebida pelo juiz sem autorização da casa parlamentar.

** Não pode ser preso, salvo em flagrante de crime inafiançável – art.53, parágrafo 1º, primeira parte, da CF.

** Não pode ser processado ainda que o fato tenha ocorrido antes do mandato. Se o processo já estiver em andamento
deve ser sustado até autorização.

** O curso prescricional fica suspenso enquanto durar o mandato.


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Deputados estaduais também possuem as mesmas imunidades – art. 27, parágrafo 1º da CF, somente em relação às
autoridades judiciárias Estaduais e locais.

** Se o crime for comum, o foro competente do Parlamentar Estadual é o TJ; porém, se o crime for eleitoral, por
exemplo, o foro é o TRE.

** Vereadores somente possuem a imunidade material, ainda assim quando no exercício do mandato, e no âmbito do
seu Município – art.29, VIII da CF.

** Os vice-governadores não tem foro privilegiado na CF. As constituições Estaduais fixaram o TJ.

** Os prefeitos gozam de prerrogativa de foro : devem ser julgados pelo respectivo TJ. Não possuem as imunidades
absolutas, ou referentes à prisão, processo ou para testemunhar. O STF e o STJ têm entendido que quando o crime for
federal a competência para processo e julgamento do prefeito desloca-se para o TRF, se eleitoral, TRE. Embora não
concorde com tal posicionamento, ele é assente naquelas côrtes.

** Os vice-prefeitos não gozam da nenhuma prerrogativa.

** A competência especial por prerrogativa de função não se estende ao crime cometido após a cessação definitiva do
exercício funcional. Ministros, Desembargadores, Procuradores, etc; que cometerem crimes após aposentarem-se,
exoneraram-se, etc., não gozarão de prerrogativa de foro, salvo se o crime tiver sido cometido quando ainda exerciam o
cargo.

** Não perde a imunidade o Parlamentar que estiver afastado das funções legislativas: Ministro, Secretários, etc.

** A imunidade parlamentar não se estende a co-autor que não goze da mesma imunidade – súmula 245 do STF.

III – O CRIME

1. TEORIA DO CRIME: “ Efetivamente, quando o juiz, o promotor de justiça, o defensor ou seja quem for se encontram
diante da necessidade de determinar se existe em um caso concreto, como por exemplo, a conduta de um sujeito que
se apoderou de uma jóia em uma joalheria, incubindo-lhe averiguar se essa conduta constitui ou não delito, a primeira
coisa que deve saber é que caráter deve apresentar uma conduta para ser considerada delito.

Pode argumentar-se que é delito a conduta do sujeito em questão, porque se ajusta ao preceituado no
art. 155 do CP, mas pode suceder que apesar de ajustar-se a esta disposição, no caso concreto o sujeito tivesse se
apoderado da jóia por engano, ou porque necessitava de dinheiro para a cirurgia de seu filho que corria perigo de vida,
ou que a jóia fosse sua e acreditasse que pertencia ao joalheiro, ou que a tivesse tomado para ameaçar o joalheiro de
que a destruiria se não lhe entregasse uma carta comprometedora com que este vinha lhe extorquindo dinheiro. Em
qualquer destas hipóteses, igualmente terá que dar uma resposta: o sujeito cometeu um delito ou não cometeu nenhum
delito?

Para dar esta resposta, será imprescindível saber que características deve ter um delito (aspecto
positivo) como primeiro e indispensável passo para poder averiguar se, em cada uma dessas hipóteses, de fato falta um
caráter delitivo (aspecto negativo) ou não chega a faltar.

Tudo isto nos indica que, para averiguar se há delito em um caso concreto, teremos que formular-nos
uma série de perguntas, ou seja, que não basta perguntar-nos “houve delito?” mas que o “houve delito?” deve ser
decomposto em um certo número de perguntas. Estas perguntas e suas respectivas respostas devem ocorrer numa
certa ordem, porque não tem sentido que perguntemos algumas coisas quando ainda não respondemos outras.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

Vimos que as perguntas, a que devemos responder para saber se em cada caso concreto houve
delito, são várias. Não conseguimos nada se pretendemos resolver tudo com uma única resposta a uma única pergunta
(há delito?) Daí que as perguntas tenham que ser a conseqüência de uma análise em que seja imperioso proceder por
passos sucessivos.

Quando queremos averiguar se o que temos diante de nós é uma zebra, antes devemos dispor de
conceito geral de zebra, isto é, do conjunto de caracteres que deve ter um ente para ser qualificado de “zebra”. Supondo
que este conceito geral fosse o de “cavalo listrado”, primeiro nos perguntaríamos se o ente que vemos é um animal e, só
no caso de uma resposta afirmativa, nos perguntaremos se reúne as características do conceito “cavalo” e, depois,
também, só no caso da resposta ser afirmativa, nos perguntamos se seu pêlo apresenta listras de cor mais escura. Não
fará sentido que nos perguntemos se um pato (que não responde ao conceito cavalo) ou uma pedra (que não responde
ao conceito animal) tem pêlo com listras de cor mais escura.

Deve ficar bem claro que quando afirmamos que o conceito ou a explicação que damos do delito é
estratificado, queremos dizer que se integra em vários estratos, níveis ou planos de análise, mas isto de nenhuma
maneira significa que o estratificado seja o delito: o estratificado é o conceito que do delito obtemos por via da análise.

Quando dizemos que a zebra é “um cavalo listrado”, teremos um conceito estratificado: será “zebra” o
ente que seja – antes de tudo – um “animal” (caráter genérico), que além disso seja “cavalo” e que seu pêlo sempre
apresente listras de cor mais escura (caracteres específicos). O “estratificado” será, pois, o conceito de zebra, mas não
a zebra. Assim, uma zebra não se “compõe” da soma de um animal, um cavalo e umas listras; estes não são elementos
da zebra, e sim de seu conceito obtido analiticamente. A zebra é uma unidade; os planos não estão na zebra, e sim na
sua análise, da qual obteremos o conceito.

Com o delito acontece o mesmo. O que haveremos de enunciar serão suas características
analiticamente obtidas, formando diversos planos, níveis ou estratos conceituais, mas o delito é uma unidade e não
uma soma de “componentes”.

Quando queremos averiguar o que é “delito” (isto é, quais são as características que deve ter um fato
para ser considerado delito), necessariamente devemos buscar a resposta no código penal. Ainda sem necessidade de
abrir o código penal, sabemos que os delitos não podem ser outra coisa que condutas humanas, pois carece hoje de
sentido falar de “delitos” que não sejam condutas humanas.

Afirmando que o delito é a conduta de um homem, sabemos que, entre uma infinita quantidade de condutas
possíveis, somente algumas são delitos. Para poder distinguir as condutas que são delito daquelas que não são,
recorremos à Parte Especial do Código Penal (arts. 121 em diante), onde dispositivos legais descrevem – assim
afirmamos provisoriamente – as condutas proibidas a que se associa uma pena como conseqüência. Não haverá delito,
pois, quando a conduta de um homem não se ajuste a algum destes dispositivos.

Quando uma conduta se ajusta a algum dos tipos legais, dizemos que se trata de uma conduta típica
ou, o que é o mesmo, que a conduta apresenta a característica de tipicidade.

Não obstante, somente com a característica da tipicidade não se individualiza suficientemente a


espécie delito, porque à medida que lemos atentamente o texto nos apercebemos de que nem toda conduta típica é um
delito, posto que nos arts. 13 a 28 há casos em que não há delito porque não há conduta (coação irresistível),
(inconsciência), outros em que não há delito porque não há tipicidade (algumas hipóteses de erro, cumprimento de
dever jurídico), em que pese haver conduta típica.

Com efeito, se reparamos nas hipóteses enumeradas no art. 23 (artigo que é necessário memorizar)
vemos que operam permissões para a realização de ações típicas. São os casos de estado de necessidade (art. 23, inc.
I), de legítima defesa (art. 23, inc. II) e de estrito cumprimento do dever legal ou exercício regular de direito (art.23, inc.
III). Tecnicamente, dizemos que em todos estes casos opera uma causa de justificação que exclui o caráter delitivo da
conduta típica.

Quando a conduta típica não está permitida, diremos que, além de típica, será também contrária à
ordem jurídica considerada como unidade harmônica, porque de nenhum de seus preceitos surge uma permissão para
realizá-la. Esta característica de contrariedade à ordem jurídica funcionando como conjunto harmônico – que se
comprova pela ausência de permissões – chamaremos de antijuridicidade e dizemos que a conduta é, além de típica,
antijurídica.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
Conseqüentemente, para que haja delito, não será suficiente que a conduta apresente a característica
da tipicidade, mas se requererá que apresente também um segundo caráter específico: a antijuridicidade.

Apesar disso, se lermos novamente o disposto nos arts. 13 a 28 do CP, veremos que há hipóteses de
que se deduz que nem toda conduta típica e antijurídica é um delito, porque se referem a condutas que são claramente
típicas, para as quais ninguém pode razoavelmente dizer que há uma permissão e, no entanto, ainda assim não
constituem um delito. Por exemplo, aquele que por sua incapacidade psíquica não pode compreender a antijuridicidade
de seu ato (o vulgarmente chamado “louco”), não comete um delito, mas sua conduta é típica e não se encontra
amparada por nenhuma causa de justificação (porque o louco – pelo mero fato de ser louco – não tem “permissão para
matar”). O “louco” realiza uma conduta típica e antijurídica, que não é delito.

Na doutrina, chamamos a conduta típica e antijurídica um “injusto penal”, reconhecendo que o injusto
penal não é ainda delito, e sim que, para sê-lo, é necessário que seja também reprovável, isto é , que o autor tenha tido
a possibilidade exigível de atuar de outra maneira, requisito que não se dá, por exemplo, na hipótese do “louco”(de
quem, em razão de sua incapacidade psíquica, não se pode exigir outra conduta). Esta característica de reprovabilidade
do injusto ao autor é o que denominamos culpabilidade e constitui a terceira característica específica do delito. Desta
forma esquemática construímos o conceito de delito como conduta típica, antijurídica e culpável.

Esta definição do delito como conduta típica, antijurídica e culpável nos dá a ordem em que devemos
formular as perguntas que nos servirão para determinar, em cada caso concreto, se houve ou não delito. Em primeiro
lugar, devemos perguntar se houve conduta, porque se falta o caráter genérico do delito então nos encontramos diante
de uma hipótese de ausência de conduta e não cabe formular qualquer outra pergunta.

Se estamos lidando com uma conduta típica, caberá então indagarmos se esta conduta é antijurídica,
porque em caso negativo não tem sentido perguntar-se pela culpabilidade, visto que o direito não se ocupa da
reprovabilidade das condutas que não são contrárias a ele (que estão justificadas).

Somente quando temos uma conduta típica e antijurídica (um injusto) é que tem sentido perguntar-se
se esta conduta é reprovável ao autor, isto é, se é culpável. Nos casos de inculpabilidade o injusto não é delito.

“Esta exposição igualmente abarcará, é claro, os casos em que estas características estão ausentes e,
portanto, em que não há delito (o chamado “aspecto negativo” do delito: ausência de conduta, atipicidade, justificação e
culpabilidade)”. Esta é a teoria do crime exposta por Eugênio Raul Zaffaroni e José Henrique Pieraveeli, que adotaremos
nestas notas de aula.

*** Crime é um fato jurídico. Não há distinção no direito brasileiro entre crime e delito.

*** Conceito: Para a teoria clássica, o crime é integrado pelo FATO TÍPICO, pela ANTIJURIDICIDADE e
CULPABILIDADE. É o conceito analítico, estratificado de crime ou delito, que adotamos, bem como, a maioria da
doutrina e jurisprudência.

** Para alguns doutrinadores, contudo, o crime é integrado pelo FATO TÍPICO e pela ANTIJURIDICIDADE. A
culpabilidade deixa de integrar o crime para figurar como juízo de reprovação: ou seja, pressuposto de aplicação de
pena ( Damásio, Mirabete, etc.). Não concordo, com a maioria da doutrina e jurisprudência: crime é o fato típico, ilícito,
culpável.

*** Sujeitos do crime : São dois. a) – Sujeito Ativo.


b) – Sujeito Passivo.

** Somente o ser humano pode ser sujeito ativo do crime. Apenas o titular de um direito pode ser sujeito passivo de
crime. Embora a Lei 9.605/98 preveja a possibilidade da pessoa jurídica ser responsabilizada criminalmente só o será
mediante o sistema de dupla imputação: quem prática a conduta é o Homem; ela apenas responde juntamente com o
homem, em concurso de pessoas, isoladamente, também dês que não se consiga identificar o autor da conduta
humana, mas se identifique o beneficiário como sendo a pessoa moral.

** Objetos do crime:
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

a) – Objeto jurídico: É o bem ou interesse protegido pela norma penal. Ex.: No homicídio a vida; no furto, o patrimônio.

b) – Objeto Material: É a coisa sobre a qual recai a ação do agente. No homicídio, o corpo da vítima; no furto, a coisa
alheia; no aborto o produto da concepção ( óvulo fecundado, embrião ou feto), etc. Podendo ser um bem material; ou
ainda, uma pessoa, no sentido corporal.

** Para que haja crime, em 1º lugar, é necessário a existência de um fato produzido por uma conduta humana ( positiva
– ação, ou negativa – omissão). Não pode ser qualquer fato: há que estar previsto em um TIPO PENAL . Primeiro
requisito do crime, portanto, é o FATO TÍPICO. O segundo requisito do crime é a ANTIJURIDICIDADE. Todo fato típico,
em principio, é antijurídico. O ônus de provar que a sua conduta não foi antijurídica (agiu acobertado por uma das
excludentes do art.23) cabe ao autor. Podemos então afirmar: “O fato típico, também será antijurídico, salvo prova
em contrário”. O terceiro requisito do crime é a culpabilidade. A culpabilidade é pessoal, incomunicável. Estudaremos
cada um dos requisitos do crime, estratificadamente, separadamente.

FATO TÍPICO:

***É composto pela CONDUTA(ação ou omissão); pelo RESULTADO (que segundo Damásio há que ser naturalístico –
portanto nem todo crime o possuiria -, e que segundo Mirabete há que ser jurídico – logo todo crime o possuiria); pela
RELAÇÃO DE CAUSALIDADE entre a conduta e o resultado ( causa e efeito); e finalmente pela TIPICIDADE.

a) CONDUTA:
1)AÇÃO: Atividade consciente dirigida a um fim.
2)OMISSÃO: Abstenção de atividade que o agente podia e devia realizar.

***Como se vê, de acordo com a teoria FINALISTA (que adotamos), em sendo a ação o primeiro elemento do FATO
TÍPICO, nela deve recair a análise da conduta do agente. Ou seja, deve-se indagar do conteúdo da vontade do agente
ao se analisar o fato típico e, não, deixar para fazer esta análise por ocasião da verificação da culpabilidade. Assim,
resumidamente, vejamos as diversas teorias para a conduta (ação).

– TEORIA NATURALÍSTICA OU CAUSALISTA: Para esta escola, basta que o comportamento seja voluntário (não
pode ser reflexo). Esta corrente considera a ação humana um processo mecânico regido pelas leis da causalidade. Não
se indaga neste momento (apreciação do Fato Típico), se era a intenção do agente, por exemplo, “matar alguém”. Esta
análise será efetuada por ocasião da verificação da culpabilidade, eis que o dolo e a culpa, de acordo com o
causalismo, não estão inseridos no fato típico, mas na culpabilidade. A pergunta seria: Fulano foi o causador da morte
de Beltrano? Se a resposta for sim: fato típico.

- TEORIA FINALISTA: Para esta escola, ao contrário do causalismo, ação é atividade psiquicamente dirigida.
Teleologicamente orientada para a consecução de fins pré-determinados. É preciso verificar, desde logo, se a conduta
tinha ou não, como fim, a realização do FATO TÍPICO. Não se trata ainda de um “fim culpável”. Mas de um “fim típico”.
Para o finalismo, o dolo e a culpa estão inseridos na AÇÃO, primeiro elemento do FATO TÍPICO. A pergunta seria:
Fulano quis matar Beltrano? Se a resposta for sim: fato típico. Ou então : Fulano, embora não querendo matar Beltrano,
conduziu-se com as condutas objetivas devidas ?

Ex. N.º .1) Se alguém, supondo estar atirando em um animal, termina por matar um homem, confundindo com aquele,
de acordo com o FINALISMO , não terá praticado um “FATO TÍPICO” eis que não teve a consciência de “estar matando
alguém”. Não agiu com dolo ou culpa.

** Como o dolo no finalismo está inserido na ação, primeiro elemento do fato típico, ausente aquele, ou o fato torna-se
atípico, ou poderá, conforme o caso, resultar em culpa, se o indivíduo não tomou as cautelas de praxe, agindo com
“imprudência” , “negligência” ou “imperícia”.

** Já para a escola Causalista, no mesmo exemplo, o indivíduo teria agido sem culpabilidade. Para esta escola, o dolo e
a culpa estão alojados na culpabilidade. Também não haveria crime. (Para Damásio haveria o crime. Para ele a
culpabilidade não integra o crime como um de seus requisitos).
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Os que defendem a teoria causalista, diz Damásio, “... não poderiam, por exemplo, falar em tipo culposo, eis que
estando o dolo e a culpa na culpabilidade, somente no exame da culpabilidade é que seriam distinguidos. Isso significa,
de um ponto de vista processual, que somente na sentença que absolvesse o réu, poderia ser reconhecido a existência
de crime culposo por ausência de previsão legal, v.g., um dano culposo, que não é previsto na norma penal.”

** Prossegue Damásio “... qual juiz receberia uma denúncia, que por exemplo, descrevesse um INEQUÍVOCO furto
culposo, não previsto em lei (alguém que por comprovado equívoco, mas com NEGLIGÊNCIA, apanhasse um objeto
alheio, e o levasse para casa?) Concordo plenamente com Damásio. Só não concordo quando ele afirma que a
culpabilidade não integra o crime. Também não concordo quando ele afirma que esta análise só seria efetuada na
sentença que absolvesse o réu. É exagero. Nada impediria que tal juízo fosse exercido por ocasião do oferecimento da
denúncia pelo promotor, ou por ocasião do seu recebimento pelo juiz.

**RESUMINDO O Ex. n.º1:

Finalismo: o fato seria atípico. Não haveria crime.


Causalismo: O fato seria inculpável. Também não haveria crime.

** Já a culpa que também integra o fato típico no finalismo, a finalidade da ação desenvolvida pelo agente é lícita
(atípica).

** O fato se tornará típico pela ausência das cautelas devidas. Suponha o exemplo anterior, e figure que o local onde o
caçador pretendia atirar no animal havia homens trabalhando ao derredor e tal circunstância era de seu conhecimento,
não tomando ele as cautelas devidas antes de efetuar o disparo. Vindo a matar alguém, estaremos diante de um
homicídio culposo.

** A finalidade do agente, no Ex. N.º1, era lícita (caçar), portanto atípica. Quando ele não tomou as cautelas devidas,
matando alguém acidentalmente, sua conduta passou a ser típica (portanto ilícita).

b) RESULTADO – Não se trata do resultado naturalístico dos crimes materiais. É um resultado JURÍDICO, para
adequar-se ao art.13 que exige um resultado. Todos os crimes ocasionam lesão, ou ao menos perigo de lesão ao
bem jurídico tutelado pela norma: físico (dano); fisiológico (lesão, morte); psicológico (temor na ameaça, o sentimento do
ofendido na injúria etc.)

** Damásio discorda, entendendo que o resultado há que ser o naturalístico, nos crimes que o comportam.

** Mirabete, contudo, entende que o resultado exigido pelo Legislador no art.13, é um resultado jurídico, do contrário
haveria contradição com o dispositivo. Fico com o entendimento do Mirabete. Contudo, para concurso, deve-se
considerar a posição de Damásio, pôr ser a mais aceita.

c) RELAÇÃO DE CAUSALIDADE – O CP adotou a teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non.

** Não distingue entre causa e condição: tudo quanto contribui in concreto para o resultado é CAUSA.

A crítica que se faz, é que a teoria da conditio “sine qua non” apresenta o perigo de um regresso infinito na cadeia
causal. Não há esse perigo: deve-se considerar somente a relação existente a partir da conduta do agente (ação
ou omissão) e o resultado típico.

** Art.13, parágrafo 1º.: causa superveniente relativamente independente – Ex.: (A) atira em (B) que ferido, é levado ao
hospital onde morre em razão de remédio venenoso que lhe foi ministrado por engano. (A) responderá apenas por
tentativa de homicídio e não pelo resultado morte de (B). É relativa, porque se não fora o disparo de (A), (B) não estaria
no Hospital. Contudo houve uma concausa (outra causa) superveniente (posterior) que por si só causou o resultado.

** A Causalidade nos crimes de omissão: dividem-se em omissivos puros e omissivos impuros ou comissivos por
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
omissão.

OMISSIVO PURO: Prescinde de nexo causal por ser de mera conduta. Ex.: omissão de socorro – art.135, 246, 269,
etc.

OMISSIVO IMPURO: Este necessita de um resultado para a sua configuração. O nexo causal nos crimes omissivos
impuros ou comissivos por omissão, é NORMATIVO entre a omissão e o resultado (art.13, parágrafo 2º).

** É o legislador quem diz as hipóteses em que esse nexo deve ser reputado presente: alíneas “a”, “b” e “c”, parágrafo 2º
do art.13 CP. Também denominado, doutrinariamente, como “Garantidor”.

Alínea “a”: cuida do dever legal originado em norma jurídica, penal ou extrapenal. Ex.: O C.C. art. 384, I e II, obriga os
pais a cuidarem dos filhos. Se podem fazê-lo e não o fazem, vindo o filho a sofrer lesões ou mesmo a morte, poderão
responder pelos danos causados: art.129 (lesão corporal) ou 121 (homicídio), dolosa ou culposamente, conforme tenha
ou não, querido o resultado.

Alínea “b”: é aquele que, mediante contrato escrito ou verbal, promessa, anúncio, norma administrativa, regulamento,
etc., assumiu, a título oneroso ou gratuito, a responsabilidade de intervir para evitar determinado resultado.

** Ex.: guia de alpinismo que não impede a queda; professor de natação que não impede o afogamento do aluno; salva-
vidas de plantão no local que não salva alguém que está se afogando; médico de plantão que não intervém operando o
paciente deixando que ele morra etc.

** Alínea “c”: É o agente que, produzindo o perigo no meio social, tem o dever jurídico de atuar para impedir o resultado
danoso. Ex.: Alguém vendo um deficiente visual tentado atravessar uma rua de tráfego intenso, propõe-se a auxiliá-lo.
No meio da rua, o “guia” ao perceber um caminhão que vem em sua direção, mesmo podendo salva-se e ao deficiente,
deixa-o lá e corre para o outro lado, vindo o deficiente a ser atropelado e morto. O “guia” responderá por homicídio.

** É importante figurar, contudo, que o omitente, para que cometa o crime por omissão, deve Ter tido a
POSSIBILIDADE de agir para impedir o resultado. Não basta, pois, o dever de agir: é necessário que tivesse a
possibilidade física de fazê-lo. Caso contrário não haverá crime. Suponha, pôr exemplo, que salva vidas veja
alguém afogando-se longe da praia, mas numa distância tal que mesmo que ele se dirigisse ao local do
afogamento, não conseguiria chegar a tempo de salvá-lo, vindo esta pessoa a morrer sem que o salva vidas
tenha envidado qualquer esforço, não haverá crime. Embora tivesse o dever jurídico de fazê-lo não havia
POSSIBILIDADE.

d) TIPICIDADE – É a correspondência entre o fato praticado pelo agente e a descrição de cada espécie de infração
contida na lei penal incriminadora. Para que se afirme que o fato concreto tem TIPICIDADE, é necessário que ele se
contenha perfeitamente na descrição legal; que haja perfeita adequação do fato concreto ao tipo penal previsto na Lei.

** Tipo é a descrição feita pela lei da conduta proibida.

** Tipicidade, é a correlação da conduta humana com o que está descrito no tipo.

** O tipo pode ser Básico (art.121, caput), ou derivado (art.121, parágrafos 1º e 2º), por exemplo.

** O tipo penal OBJETIVO incriminador possui alguns elementos na sua estrutura de suma importância, principalmente,
para análise de ERRO, denominados “elementos constitutivos do tipo”, ou simplesmente ELEMENTO OU
ELEMENTARES DO TIPO, a saber:

Elementos objetivos (ou descritivos) : Referem-se a materialidade penal; são representados pelo verbo (subtrair,
matar, obter, etc.), além de :

** tempo (durante a noite);


** lugar (em local ermo);
** forma de execução (por asfixia.) etc..
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** meio de execução (veneno, fogo, etc.)

** O elemento objetivo do tipo tem no verbo, sua parte mais significativa. Matar, subtrair, obter, etc.

Elementos Normativos: São de duas espécies.

JURÍDICOS: “documento”, “funcionário público”, “função pública”, “indevidamente” “casa”, etc. São jurídicos, porque é a
própria norma que lhes dá definição. Qualquer norma.

CULTURAIS: “mulher honesta”, “inexperiência da vítima – art.127”, “dignidade e decoro – art.140” etc. Caberá ao
aplicador da lei, tomando como base os valores sociais da época, definir o que se deve entender, por exemplo, por
“mulher honesta” de que fala a lei.

Elementos Subjetivos: Podem ser: tácito (dolo genérico) e expresso (especial fim colimado pelo agente com sua
conduta dolosa). Exemplos de elementos subjetivos expresso:

** “... se é intenção do agente – art.130, parágrafo 1º ...”;


** “... com o fim de ... art.131”;
** “... para si ou para outrem ... arts.155, 156, 157”;
** “... para fim libidinoso ... art.219”etc.

Ex.: Furto -Elementos objetivos: subtrair ...


-Elementos Normativos: coisa alheia móvel ... (jurídico).
-Elementos subjetivos tácito: dolo genérico (não há furto culposo). Expresso: “para si ou
para outrem ...”.

** Ausente, também, um desses elementos do tipo (nem todo tipo os possui a todos, o homicídio possui apenas
elementos descritivos ou objetivos), não haverá tipicidade, ou poderá operar-se desclassificação para outro tipo penal.

Ex.: Se faltar o elemento subjetivo “com o intuito de obter indevida vantagem econômica” no crime descrito no art.158, o
crime não será de extorsão. Poderá restar constrangimento ilegal, ameaça, lesões corporais.

** Contudo, no furto, sendo própria a coisa, ausente, portanto, o elemento normativo “alheia”, o fato será atípico.

ERRO DE TIPO – ART.20: Ocorre quando o agente labora em erro sobre algum, elemento do tipo, quer seja fático ou
normativo.

** Exclui sempre o dolo, mas permite a punição por crime culposo, se previsto em lei, se o agente agiu sem a cautelas
devidas – art.20, segunda parte.

** Excluindo o dolo, exclui também o crime, se o agente não procedeu com culpa.

** Efeitos do erro de tipo: Exclui sempre o dolo. Como o dolo é elemento subjetivo tácito do tipo, ausente este não há
crime, salvo se previsto tipo culposo, e tendo o agente agido com culpa.

FORMAS DO ERRO DE TIPO:

ESSENCIAL – Ocorre quando a falsa percepção impede o sujeito de compreender a natureza criminosa do fato. Ex.:
Matar um homem supondo tratar-se de um animal bravio. Abrir a porta de carro alheio, supondo estar entrando no seu
próprio carro etc.

** Pode ser ainda ESSENCIAL – INVENCÍVEL e ESSENCIAL – VENCÍVEL

ESSENCIAL – INVENCÍVEL: Ocorre quando não pode ser evitado pela normal diligência: o homem não sabe o que faz.
Se soubesse, não faria. Qualquer pessoa, empregando a diligência ordinária exigida pelo ordenamento jurídico, nas
condições em que se viu o sujeito, incidiria no mesmo erro. Não haverá crime. O fato será atípico, por ausência de dolo
ou culpa.

ESSENCIAL – VENCÍVEL: Ocorre quando pode ser evitado pela diligência ordinária, resultando em imprudência,
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
negligência ou imperícia. Qualquer pessoa, nas mesmas condições do agente, empregando a prudência normal exigida
pela norma jurídica, não cometeria o erro em que incidiu o agente. O agente responderá por crime culposo, se houver
previsão legal.

** EFEITOS DO ERRO DE TIPO ESSENCIAL:

a) Invencível: exclui o dolo e a culpa. Não há crime, por ausência de conduta (ação ou omissão), primeiro componente
do fato típico. Não haverá fato típico.

b) Vencível: exclui o dolo, mas não a culpa. Haverá crime culposo.

** Às vezes, o erro quanto ao elemento do tipo opera desclassificação para outro delito. Ex.: Sujeito injuria funcionário
público no exercício da função desconhecendo a qualidade pessoal da vítima (funcionário público). Não responde por
desacato do art.331, responde por injúria do art.140, crime que não exige qualquer qualidade da vítima.

ERRO DE TIPO ACIDENTAL:


** Não versa sobre elementos ou circunstâncias do crime. Incide sobre dados acidentais do delito ou sobre a sua
execução. Não impede o agente de compreender o caráter ilícito de seu comportamento. Não exclui o dolo. Haverá
crime.

** ESPÉCIES:

a) Erro sobre o objeto (indivíduo furta açúcar supondo estar furtando farinha).

b) Erro sobre a pessoa – art.20, parágrafo 3º.

c) Erro na execução – art.73.

d) Resultado diverso do pretendido – art.74.

e) Erro sobre o nexo causal (quem lança alguém de cima de uma ponte para matá-la por afogamento, responde pelo crime
se a pessoa vier a morrer, não por afogamento, mas por fratura).

Descriminantes Putativas - O agente erra sobre a existência de uma causa excludente de crime (supunha estar
agindo em legítima defesa, estado de necessidade etc.), quando na verdade não havia injusta agressão contra ele
(art.23, II c/c art.25), nem perigo atual (art.23, I c/c art.24).

** Incide em erro de tipo; ou, sobre a existência ou extensão destas mesmas causas (agente logo após receber um
soco, pensando estar agindo em legítima defesa, agride o seu oponente já tendo cessado a agressão daquele, errando,
eis que o Legislador exige “atualidade” na agressão injusta ou sua “iminência”, para reconhecer a excludente.
Neste último caso, estaremos diante do chamado erro de proibição (art.21).

** Mirabete entende que a hipótese prevista no Art.20, parágrafo 1º, não será erro de tipo: será sempre erro de
proibição.

** Damásio, contudo, entende que poderá ser erro de tipo ou erro de proibição, conforme o caso. Penso com Mirabete.
O art.20, § 1º, cuida de erro de proibição. Houve equivoco do Legislador.

ERRO DE PROIBIÇÃO – ART.21:

** Ocorre quando o agente ignora estar praticando fato contrário ao Direito. Não se trata de desconhecimento da lei
(vide art.3º. da LICC). Não exclui o crime, somente a culpabilidade (se inevitável), ou diminui a pena (se evitável).

** CONCEITO: O sujeito, por erro, supõe lícito o fato por ele praticado. Ele supõe inexistir a regra de proibição. Ex.:
Agente subtrai cheque preenchido de pessoa que lhe deve dinheiro em quantidade igual, supondo estar se quitando da
dívida. Erra sobre ilicitude do fato (proibição) eis que praticou crime – art.345.
No Erro de tipo o agente não sabe o que faz; se soubesse não faria.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
No erro de proibição o agente sabe o que faz; contudo supõe lícita, jurídica a sua conduta.

** FORMAS:

Escusável / Inevitável: Exclui a pena. Qualquer um incidiria. Falta-lhe potencial conhecimento da ilicitude. Faz querendo,
contudo, supondo lícita.

Evitável / Inescusável: a pena é atenuada de 1/6 a 1/3, na forma do art.21, caput, 3ª figura. Comete o erro por
leviandade, negligência, descuido etc.

RESUMINDO:

** O erro de tipo INEVITÁVEL, exclui o dolo e a culpa. Não responde por crime por ausência de fato típico. Não há dolo
nem culpa na conduta. Logo não há crime. Se for EVITÁVEL responde por crime culposo se houver previsão.

** O erro de proibição INEVITÁVEL não exclui o dolo, ou seja o fato típico, mas pode excluir a CULPABILIDADE (por
ausência de potencial conhecimento da ilicitude, que é um dos componentes da culpabilidade) e, em conseqüência,
também não haverá crime ou, se EVITÁVEL, diminui a pena, sem excluir a culpabilidade, mantendo por conseguinte o
crime.

TIPICIDADE DIRETA E INDIRETA : Na maioria das vezes, a adequação do fato à norma incriminadora se dá de forma
direta; outras vezes não. Ex. : se Tício atira em Caio, matando-o a adequação do fato ao tipo penal previsto no Art. 121
do CP, dá-se de forma direta. Contudo, hipotise que Tício atirou em Caio querendo matá-lo mas não conseguiu por
razões alheias à sua vontade. Ou ainda, Tício foi instigado por Técio a matar Caio. Ora, o tipo penal diz : “matar
alguém”, não, “tentar matar...” Também no caso de Técio, não existe o tipo “participar do crime matar alguém”. Para que,
no primeiro caso, Tício responda pelo crime, e no segundo, Técio também, eu necessito lançar mão de dois institutos
previstos na parte geral do Código Penal : Art. 14,II, que cuida da “tentativa” o Art. 29, que trata do “concurso de
pessoas”. São as chamadas “normas de reenvio”. Nestes casos a doutrina denomina de “Tipicidade Indireta”. Indireta
porque a adequação não se dá de forma direta entre o fato e o tipo penal.

FASES DA REALIZAÇÃO DO CRIME (ITER CRIMINIS). TENTATIVA, CONSUMAÇÃO, EXAURIMENTO. CRIME


IMPOSSÍVEL.

FASES DA REALIZAÇÃO DO CRIME: Na realização do crime há um caminho, um itinerário a percorrer entre o


momento da idéia da sua realização, até aquele em que se dá a consumação.

DO ITER CRIMINIS:

a) Fase interna (cogitação).

b) Fase externa: (atos preparatórios, atos de execução e consumação).

COGITAÇÃO: Não é punida, salvo se externada, em alguns casos especiais: ameaça – 147, incitação ao crime – 286,
de quadrilha ou bando – 288 etc.

ATOS PREPARATÓRIOS: Não são punidos em regra. Contudo, em alguns casos, o legislador transformou em tipos
penais especiais.

** Ex.: petrechos para falsificação de moeda – art.291, preparatório para o crime de falsificação – art.289;

** Art.253 que é preparatório para o crime descrito no art.252;

** Art.238 que é preparatório para o crime descrito no art.239 etc.

OBS: Há que, em regra, contudo, prevalecer o art.31.

ATOS DE EXECUÇÃO: São os atos dirigidos diretamente à pratica do fato típico, que poderá restar a final, TENTADO
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
OU CONSUMADO.

DA TENTATIVA – art.14, II: É a realização incompleta do tipo penal, por razões alheias à vontade do agente.

Pode ser:

a) PERFEITA – esgota os meios ao seu alcance.

b) IMPERFEITA – o agente é interrompido.

REQUISITOS DA TENTATIVA:

a) Conduta.

b) Não consumação por circunstâncias alheias a vontade do agente.

** Iniciada a prática dos atos executórios, a execução do fato típico pode ser interrompida:

I) Por desejo do agente (não há tentativa):

Desistência voluntária – Art. 15 CP

Arrependimento eficaz – Art. 15 CP

II) Por circunstâncias alheias à vontade do sujeito ativo – Art. 14,II.

** OBS: TENTATIVA: exceção à regra do art.14, parágrafo único: no art.352 o crime se consuma com a tentativa. Há
outros.
** TENTATIVA: inadmissibilidade

** - Crimes culposos.

** - Crimes preterdolosos.

** - Unisubsistentes.

** - Omissivos próprios.

** Crimes habituais.

** Contravenções penais.

** - Os crimes que a lei pune somente quando ocorrer o resultado. Ex.: participação em suicídio – art.122.

** - Os crimes de atentado, pois é inconcebível tentativa de tentativa. Ex.: evasão mediante violência contra a pessoa –
art.352; abuso de autoridade – Lei 4.898, art.3º etc.

DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA: art.15: embora o agente tenha iniciada a execução, não a leva adiante, desistindo da
realização típica (basta que não haja coação ao agente).

ARREPENDIMENTO EFICAZ: art.15: também não deve haver coação.

ARREPENDIMENTO POSTERIOR: art.16: (é redundante o termo posterior; arrependimento só pode ser posterior), é
causa obrigatória de diminuição da pena.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** No arrependimento posterior a reparação deve ser PESSOAL (não pode ser terceira pessoa), COMPLETA (comporta
novação da dívida), e VOLUNTÁRIA.

CRIME IMPOSSÍVEL – art.17: há duas espécies.

- Ineficácia absoluta do meio empregado: o meio empregado há que ser absolutamente ineficaz:

** Ex.: sujeito atira em direção à cama da vítima que acabara de levantar-se – TENTATIVA.

** Ex.: Ministra glicose à diabético, supondo ser veneno, matando a vítima – HOMICÍDIO, etc.

** Ex.: Ministra glicose, querendo matar, supondo ser veneno, a vítima não é diabética: crime impossível. Dispara arma
de brinquedo, supondo-a verdadeira: idem.

- Absoluta impropriedade do objeto: atirar em cadáver; praticar manobras abortivas em mulher que não está gravida,
etc.

** A impropriedade há que ser absoluta: Punguista que envia a mão num bolso da vítima, estando o dinheiro no outro
bolso – TENTATIVA DE FURTO, etc.

PUNIBILIDADE NO CRIME IMPOSSÍVEL: 3 teorias:

** Subjetiva: Pune pela tentativa.

** Sintomática: Pune se há indício de periculosidade.

** Objetiva: (adotada pelo CP), não pune.

CRIME PUTATIVO: O agente supõe, por erro, que está praticando uma conduta típica quando o fato não constitui crime.

CONSUMAÇÃO: Está consumado o crime quando o tipo está inteiramente realizado.

CRIME MATERIAIS: Ocorre com o evento (morte, subtração, lesões, danos, etc.).

CRIMES FORMAIS: Ocorre com a prática da conduta; independe do resultado pretendido ( obtenção da vantagem na
extorsão, temor da vítima na ameaça, etc.).

MERA CONDUTA: Ocorre com a simples ação ou omissão do agente (ato obsceno – 233, omissão de notificação de
doença – 269, condescendência criminosa – 320, etc.). A lei não exige nem prevê qualquer resultado.

CRIMES PERMANENTES: A consumação se prolonga no tempo. Ex. : Seqüestro, extorsão mediante seqüestro, etc.

CRIME COMPLEXO: Ocorre, em regra, quando os crimes componentes estão integralmente realizados (há exceções na
jurisprudência: latrocínio, por exemplo, que se consuma com a morte da vítima independentemente do furto ter se
consumado ou não – STF).

CRIME HABITUAL: Ocorre com a reiteração de atos (curandeirismo – 284, I, exercício ilegal da medicina – 282, manter
casa de prostituição.

CRIME CULPOSO: Ocorre com o resultado. Se o agente viola regra de cuidado mais não causa nenhum dano, é
atípico.

CRIME OMISSIVO PRÓPRIO: Ocorre no momento e no local onde o omitente deveria agir e não o fez.
CRIME OMISSIVO IMPRÓPRIO: Ocorre com o resultado derivado da sua omissão, não com a simples omissão.

CRIME QUALIFICADO PELO RESULTADO: Ocorre com a concretização do resultado acrescido ao tipo básico. Não
havendo este, responde o agente pelo tipo doloso antecedente, simples.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
EXAURIMENTO: Não se confunde com a consumação. Apenas aumenta o resultado lesivo do delito (recebimento da
vantagem indevida – art.317; recebimento do resgate art.159, etc.).

CONCURSO DE PESSOAS – PARTICIPAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA – CIRCUNSTÂNCIAS COMUNICÁVEIS E


INCOMUNICÁVEIS. PARTICIPAÇÃO NAS DIVERSAS ESPÉCIES DE CRIME.

CONCURSOS DE PESSOAS

CONCEITO: É a ciente e voluntária participação de duas ou mais pessoas na mesma infração penal. A expressão
“concurso de pessoas” não é sinônimo de co-autoria. É mais ampla, abrangendo autores principais e secundários de
toda ordem. O concurso de pessoas pode ocorrer deste a ideação até a consumação. Após haverá outro crime –
art.348, 349, etc.

ESPÉCIES DE CONCURSO DE PESSOAS:

a) Eventual.

b) Necessário:

- Condutas paralelas – 288 (quadrilha ou bando);


- Condutas convergentes – 235 (bigamia);
- Condutas contrapostos – 137 (rixa).

TEORIAS:

a) Monista – No concurso de pessoas haverá um só crime indivisível para todos que dele participar.

b) Pluralista – Há vários crimes, praticando cada agente um crime autônomo.

c) Dualística – Há um crime em relação aos autores e outro para partícipes.

** O CP adotou a teoria monista como regra no art.29; todos que participam do crime são autores – (art.29, caput);
adotou, ainda, a teoria pluralista, como exceção, em alguns casos na parte especial. Ex.: 317 X 333; 318 X 334; 124 X
126, etc. Não adotou a teoria dualística. No Art. 29, §1º , o crime continua o mesmo; a pena é que poderá ser menor.

** Pode haver participação e co-autorial unilateral.

** No concurso de pessoas o autor sequer necessita conhecer a cooperação prestada pelo co-autor ou partícipe . Basta
a adesão destes à conduta daquele.

REQUISITOS:

a) Pluralidade de agentes e de condutas.


b) Relevância causal de cada uma das condutas.
c) Liame subjetivo entre agentes.
d) Identidade de fato.

AUTOR: É aquele que pratica a conduta típica inscrita na lei, ou seja, realiza a ação principal. É o que mata, subtrai,
falsifica, etc.

** É a denominada teoria “Formal – Objetiva” de autoria. Adotada pelo CP, segundo a maioria dos autores.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

AUTORIA MEDIATA:

Autor mediato é aquele que consegue a execução do crime através de pessoa que atua sem culpabilidade:
inimputável, coação irresistível, obediência hierárquica. Neste casos não há se falar em concurso de pessoas: haverá
apenas um autor, mediato.

** Delitos próprios de mão própria não comportam autoria mediata. Ex.: adultério, vadiagem, deserção, etc.

** O CONCURSO DE PESSOAS PODE DAR-SE POR CO-AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO.

CO-AUTOR: é igual a um autor, exercendo papel determinante na prática do crime. Funda-se na divisão do trabalho;
cada autor colabora com a sua parte no fato, e por isso responde pelo todo.

** Há que haver na co-autoria a consciência de cooperação na conduta comum; inexistindo, não haverá
concurso de pessoas, restando a autoria colateral.

PARTICIPAÇÃO: É a atividade acessória daquele que colabora para a conduta do autor com a prática de uma ação
que, em si mesma, não é penalmente relevante. Somente passa a ser relevante quando o autor ou co-autores, iniciam
ao menos, a execução do crime.

FORMAS: Ajuste, Determinação, Instigação, Organização, Auxílio Material, Auxílio moral, Adesão sem prévio acordo
etc.

** A Doutrina, contudo, considera duas espécies básicas:

a) INSTIGAÇÃO: Faz nascer a idéia do crime, ou faz crescer idéia já existente. Deve dirigir-se a crime determinado.

b) CÚMPLICE: É o que contribui prestando auxílio ao autor ou co-autores (empresta arma etc.). Pode ocorrer por omissão:
empregado não tranca o cofre para facilitar o furto pelo autor, etc.

PARTICIPAÇÃO DE MENOR IMPORTÂNCIA : Art. 29, § 1º .

Ocorre quando a participação no crime é, concretamente, menor. Não é toda participação que é de menor importância.
Em alguns casos, é possível ao partícipe sofrer pena até maior que o autor ou co-autores. Ex. : Mandante do homicídio,
em alguns casos, poderá sofrer maior pena que o próprio executor.

Para que o partícipe possa fazer jus a diminuição da pena por ter reconhecida sua participação de menor importância,
esta deve, concretamente, ser avaliada. Ex. : Caio, ex-empregado de certa casa, presta informações sobre sua planta;
Tício, segurança, entrega cópia da chave do portão; Técio, dirige o carro e fica vigiando as redondezas, enquanto Célio,
mediante grave ameaça, subtrai bens de Marco. Célio é autor de roubo; Caio, Técio e Tício, partícipes do mesmo crime.
No caso acima, a participação de Caio é menor que a de Tício, que por sua vez, é menor que a de Técio. Caberá ao juiz
dosar.

PARTICIPAÇÃO DOLOSAMENTE DISTINTA : Art. 29 § 2º .

Conceito: é quando ocorre um desvio subjetivo entre os sujeitos, uma cooperação dolosamente distinta entre partícipe
e o autor que executa um crime mais grave do que o desejado por aquele.

** Exemplo: (Mirabete) – “A determina a B que dê uma surra em C”. Por sadismo, B mata C. Tal situação é resolvida
pelo art.29, parágrafo 2º. Do CP. Neste exemplo, A pretendeu participar de crime menos grave (lesões corporais).

** Se, contudo, o resultado mais grave era previsível por A, (por ter conhecimento, v.g., de que B era pessoa violenta), A
responderá por lesão corporal, com a pena aumentada até a metade.

** Se contudo, A manda B praticar lesão corporal em C, havendo previsibilidade da parte de ambos quanto ao
resultado mais grave, vindo C a morrer, ambos responderão por Lesões corporais seguida de morte.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** O parágrafo 2º, aplica-se também nas hipóteses de erro de tipo.

** Ex.: A, em concurso com B, praticam furto na repartição deste, funcionário público, desconhecendo A esta condição
pessoal de B (funcionário público).

A responderá por furto (art.155), e B por peculato – furto (art.312, parágrafo 1º). A quis praticar furto.

** Por derradeiro, diga-se que o parágrafo 2º refere-se apenas ao PARTÍCIPE e não ao CO-AUTOR; este quer sempre o
resultado mais grave.

** O concurso de pessoas pode atuar como uma circunstância qualificadora.

** Exemplos: Art.146, parágrafo 1º - constrangimento ilegal.


Art.150, parágrafo 1º - violação de domicílio.
Art.155, parágrafo 4º, IV – furto etc.

** Poderá atuar como uma agravante genérica.

Exemplos: Art.62, I – 62, II – 62, III e 62, IV

CIRCUNSTÂNCIAS COMUNICÁVEIS E INCOMUNICÁVEIS – ART.30.

** “Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime
– art.30”.

CIRCUNSTÂNCIAS: São elementos que apesar de não integrarem o tipo, por serem acessórios e acidentais, influem
sobre a pena, para agravá-la ou atenuá-la. Derivam de “CIRCUM STARE”, estar em círculo, em redor, em volta.

PODEM SER:

a) Objetivas (ou materiais).

b) Subjetivas (ou pessoais).

SUBJETIVAS: São incomunicáveis. Só dizem respeito à pessoa do agente.

** Ex.: A, reincidente, induz B a praticar delito. A agravante da recidiva não se estenderá a B.

** Todavia a circunstância mesmo pessoal, quando elementar do crime, se comunica, se for do conhecimento do
partícipe ou co-autor. (art.30). Funcionário no Peculato; estado puerperal no infanticídio, etc.

OBJETIVAS: São comunicáveis, sendo necessário, também, que ingresse com antecedência ou concomitantemente à
consumação, na esfera de conhecimento do partícipe ou co-autor.

** Referem-se ao fato e à vítima, não ao autor ou partícipe.

** Dizem respeito ao tempo (... durante a noite, ... em ocasião de incêndio);

** Ao lugar (... em local ermo, em casa habitada);

** Ao meio de execução (... emprego de veneno, fogo, explosivo);

** Às condições ou qualidades da vítima (... criança, enfermo, funcionário público etc.).

** Ex.: Mandante que encarrega pistoleiro de matar seu desafeto, não responderá pela qualificadora do homicídio por
asfixia (circunstância qualificadora objetiva ou material), se o autor do crime praticá-lo por esse meio, sem que o
mandante tivesse conhecimento prévio (contratou um pistoleiro, não um “esganador”) etc.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
Resumindo:

** As circunstâncias pessoais só se comunicam quando elementares do tipo e, ainda assim, sendo tal circunstância do
conhecimento do co-autor ou partícipe.

** As circunstâncias materiais ou objetivas se comunicam, requerendo, também, que seja do conhecimento prévio ou
concomitante do co-autor ou partícipe.

** Alguns doutrinadores acham supérflua a afirmação do legislador de que “as circunstâncias pessoais só se comunicam
quando elementares do crime”, haja vista que as circunstâncias pessoais que se comunicam, por serem elementares do
crime, já estão inseridas nos diversos tipos penais. Não são circunstâncias.

CONCURSO DE PESSOAS E EXECUÇÃO DO CRIME – ART.31.

** Somente há que se falar em concurso de pessoas, se o crime restar, pelo menos, tentado (Salvo as hipóteses em que
o legislador pune o simples ajuste etc., v.g., art.288, art.286 etc.
PARTICIPAÇÃO NAS DIVERSAS ESPÉCIES DE CRIMES.

CRIME CULPOSO – Comporta co-autoria. Não comporta participação.

** Não confundir concurso de pessoas em crime culposo, com culpa concorrente.

** Suponha que dois motoristas, ambos dirigindo veículos com imprudência, venham a causar a morte, culposamente,
de terceira pessoa. Neste caso não há se falar em concurso de pessoas: ambos responderão de per si por homicídio
culposo; não por homicídio culposo em concurso de pessoas.

CRIME OMISSIVO:

a) Próprio – Comporta participação. Ex.: paciente convence médico a não comunicar a autoridade competente a
moléstia de que é portador e cuja notificação é obrigatória. Não comporta co-autoria. Ex.: duas pessoas praticam
omissão de socorro, ambas respondem “per si”.

b) Impróprio – Somente comporta participação, devendo o agente instigado Ter o DEVER JURÍDICO de evitar o
resultado em uma das hipóteses previstas no art.13, parágrafo 2º.

** Quanto à co-autoria nos crimes omissivos impróprios, JESCHECK entende possível.

** Ex.: O pai e a mãe que deixando de alimentar o filho com o objetivo de matá-lo, vindo o resultado morte a ocorrer. A
Doutrina pátria, todavia, majoritariamente, entende não ser possível a ocorrência de co-autoria nos crime comissivos por
omissão. Co-autoria, dizem, “é divisão de trabalho ... não é possível dividir o nada fazer”. Concordo.

CRIMES PRÓPRIOS: Comportam tanto a participação quanto a co-autoria.

CRIMES PRÓPRIOS DE MÃO PRÓPRIA: Comportam somente participação.

** Faltando um dos elementos do FATO TÍPICO: Conduta (ação ou omissão, Resultado, Nexo de Causalidade e
Tipicidade, não há se falar em crime!

** Ex.: CAIO, querendo o resultado, atira em TÍCIO, matando-o.

1º componente do Fato Típico: A CONDUTA – (Tiro dolosamente disparado por Caio em Tício).
2º componente do Fato Típico: O RESULTADO – (Morte de Tício).
3º componente do Fato Típico: O NEXO DE CAUSALLIDADE – (Tício morreu em virtude dos ferimentos causados pelo
disparo efetuado por Caio).
4º componente do Fato Típico: A TIPICIDADE – (O fato descrito se amolda ao tipo penal previsto no art.121: “matar
alguém”).

** Logo, o fato típico, como primeiro requisito do crime, está completo. Nem pôr isso poder-se-á dizer que já há o crime.

** Caio praticou um fato TÍPICO que, em princípio, também será ANTIJURÍDICO se não houver excludente.. Será
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
também culpável, se não militar em seu favor, por exemplo a inimputabilidade, que é um dos componentes da
CULPABILIDADE.

ANTIJURICIDADE

O Estado não pode, embora deva, garantir a segurança e a incolumidade de todos os seus nacionais e
visitantes estrangeiros legais ou ilegais, em todas as circunstâncias da vida. Assim, embora previstas como crime,
algumas condutas, em situações especiais, deixam de ser, porque o sujeito, encontrava-se em perigo, ou algum bem
jurídico seu ou de terceiro.

Surgem, assim, as causas justificantes ou excludentes da antijuridicidade. Logo, embora típico, nem, sempre o
fato é ANTIJURÍCO. Da mesma forma, nem todo fato antijurídico (o autor responderá civilmente), é típico para efeito
criminal.

Quem pratica o fato protegido por uma das justificantes previstas no art.23 do CP, não comete crime por isso
que ausente um dos seus requisitos: a ANTIJURIDICIDADE (ou ilicitude como preferem alguns autores).

A decisão judicial que reconhece a causa justificante real (art.23, incisos I, II, III), também faz coisa julgada no
juízo civil. Significa que o autor não fica obrigado a indenizar a vítima ou vítimas.

CAUSAS DE JUSTIFICAÇÃO (EXCLUDENTES DE CRIME): art.23.

** São as seguintes as justificativas ou excludente de antijuridicidade ou ilicitude.

a) Estado de necessidade.

b) Legítima defesa.

c) Estrito cumprimento do dever legal.

d) Exercício regular de direito.

REQUISITOS PARA A EXISTÊNCIA DO ESTADO DE NECESSIDADE:

I. - Ameaça a direito próprio ou alheio. Qualquer Direito.

II. Existência de um perigo atual e inevitável não causado pela vontade do agente.

III. inexigilidade do sacrifício do bem ameaçado.

IV. Uma situação não provocada VOLUNTARIAMENTE pelo agente.

V. Inexistência de dever legal de enfrentar o perigo.

VI. Conhecimento da situação de fato justificante (elemento subjetivo).

Cuida-se de conflito de Direitos Lícitos. Pode ser invocado contra qualquer bem jurídico. Pode ser defensivo (quando
a conduta do agente dirige-se contra a própria fonte geradora do perigo), ou AGRESSIVO (quando a conduta do agente
é dirigida contra terceiro inocente).

O nosso CP dotou a denominada teoria unitária para o estado de necessidade. Tanto faz que o bem sacrificado seja
igual ou inferior ao bem protegido. O CPM adota a teoria diferenciadora. Se o bem sacrificado é inferior ao bem
protegido: excludente de antijuridicidade. Se igual, excludente de culpabilidade. No primeiro caso: não haverá reparação
civil; no segundo: haverá.

O CP prevê que quando o bem protegido for inferior (desproporcional) ao bem sacrificado haverá diminuição da pena
– art.24, § 2º. Cabe estado de necessidade contra estado de necessidade.

É possível o Estado de necessidade conviver com a legítima defesa, simultaneamente. Figure que indivíduo, para
defender-se de injusta agressão, lance mão de preciosa estatueta pertencente a terceiro, destruindo-a ao atingir o
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agressor, matando-o.

Teremos: 1. Com relação ao agressor legítima defesa real – art.25.

2. Em relação ao dono da estatueta – estado de necessidade real – art.24.

O Estado de necessidade, ao contrário da legítima defesa, cabe contra pessoas e coisas. Na legítima defesa só
cabe contra injusta agressão humana. Quando existir agressão humana, cuidar-se-á sempre de legítima defesa. Se o
homem utiliza-se de animal para praticar agressão e o sujeito abate o animal: estado de necessidade: se abate aquele
que açula o animal: legítima defesa.

** O Estado de necessidade putativo exclui a culpabilidade, (não a antijuridicidade), por erro de proibição ou erro de tipo
art.20, parágrafo 1º ou art.21, dependendo do caso concreto, e dependendo da orientação doutrinária a que se adote (
Damásio ou Mirabeti).

REQUISITOS PARA A EXISTÊNCIA DA LEGÍTIMA DEFESA:

I. Reação a uma agressão humana atual ou iminente e injusta.

II. Defesa de um direito próprio ou alheio.

III. Moderação no emprego dos meios necessário à repulsa.

IV. Elemento subjetivo (consciência de estar defendendo-se de agressão injusta).

Só cabe legítima defesa contra agressão humana injusta. Pode ser invocada para proteger qualquer bem jurídico,
dês que guardada a devida proporção e razoabilidade na repulsa.

Não é possível haver legítima defesa real contra alguém que por sua vez também age em legítima defesa real.
Um será injusto agressor. Ex.: ladrão sob ameaça, tenta subtrair bens da vítima, que reage disparando sua arma. O
ladrão, agora para não ser morto, dispara a sua arma matando a vítima. Poderá invocar legítima defesa? Não! Ele era o
injusto agressor desde o início.

Todavia é possível reconhecer-se a legítima defesa sucessiva. Quando o agressor, após cessar sua agressão.
Passa ser a vítima. Ex.: No mesmo caso acima, figure que no momento em que a vítima reagiu, o ladrão desista da
subtração e fuja. Inconformado, a vítima agora persegue o ladrão querendo mata-lo. Este, agora para não morrer,
dispara a sua arma matando o perseguidor. Poder-se-á reconhecer a legítima defesa real? Sim! O ladrão responderia
apenas por roubo tentado.

É possível reconhecer-se a legítima defesa real contra alguém que atua em legítima defesa putativa.

Ex.: Figure que alguém supondo estar prestes a ser roubado, saca seu revólver e dispara em direção a outrem
que jamais pretendeu roubar que, por sua vez, saca também o seu revolver e mata o agressor. Legítima defesa real,
que agir em legítima defesa putativa.

Não é possível haver legítima defesa real contra alguém que age em estado de necessidade. Neste caso a
agressão daquele que atua em estado de necessidade é justa; permitida pela lei. Poderá, contudo, ocorrer a legítima
defesa putativa – art.20, § 1º, CP.

A legítima defesa antecipada é tema controvertido. Menciona – a o Prof.: William Douglas Resinete. Ocorreria na
hipótese de ameaça grave, real. O ameaçado, então, não ficará aguardando a concretização daquela: se anteciparia,
v.g., matando aquele que ameaçou matá-lo. Em tese, perfeitamente possível.

Outra questão também controvertida é o da legítima defesa preordenada ou ofendínculos. Alguns entendendo
tratar-se de exercício regular de direito, outros legítima defesa preordenada. Fico com o segundo entendimento. Na
verdade quando o ofendínculo é instalado cuida-se de um exercício regular de direito; quando funciona, v.g., matando
alguém que saltou o muro de minha propriedade objetivando roubar ou furtar, cuida-se agora de legítima defesa
preordenada. Preordenada porque a repulsa foi prevista antes de ocorrer.
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OUTRAS QUESTÕES: ENVOLVENDO A LEGÍTIMA DEFESA:

a) Embriaguez do defendente: Pode. O fato de alguém encontrar-se embriagado não dá direito a outrem agredi-lo
injustamente.

b) Embriaguez do agressor: Dependerá do caso concreto. Em regra, contudo, pode.

c) Erro na execução: Na legítima, ocorrendo erro na execução, aplica-se a regra contida no art.20, § 3º, CP.

d) Em havendo a possibilidade de fuga, o defendente fica obrigado a empreende-la ao invés de repelir agressão
injusta? Não. A ninguém pode ser exigido a condição de covarde.

** (legítima defesa putativa – exclui a culpabilidade art.20, parágrafo 1º).

ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL:

Ao contrário do que faz tocantemente à legítima defesa e o estado de necessidade, o código não conceitua o
que sejam “estrito cumprimento do dever legal” e “exercício regular de direito”.

Cuidando–se da justificante do estrito cumprimento do dever legal, o agente há que atuar nos estritos limites da
norma autorizadora. Assim, a lei diz que o policial tem o dever de prender quem estiver em flagrante. Prender; não
agredir, torturar. A prisão é constrangimento. Que não é ilegal, neste caso, porque autorizada na lei. Se exceder a
autorização, responde pelo crime. Não há hipótese de alguém matar outrem no estrito cumprimento do dever legal.
Quando o policial mata perigoso bandido o fará sempre em legítima defesa, real ou putativa, própria ou de terceiro.
Nunca no estrito cumprimento do dever legal. Oficial de justiça que ingressa a força em casa alheia para executar
mandado judicial de despejo, apreensão, busca, etc., não comete violação de domicilio ou abuso de autoridade, porque
atua no estrito cumprimento do dever legal.

Há que haver previsão em norma legal (Lei, decreto...). E o agente não pode ultrapassar os limites da
autorização legal.

EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO:

Diferentemente do estrito cumprimento do dever legal, o exercício regular de direito é faculdade. Fica à
discrição do sujeito praticar ou não o ato; assim, se um particular flagrar alguém praticando crime, não tem dever, ao
contrário do policial, de prender o autor. Contudo, poderá faze-lo sem que com isso cometa o delito de constrangimento
ilegal. A lei permite.

O código civil prevê diversas hipóteses: retenção da bagagem do hospede devedor; poda de árvores que
ultrapassam propriedade vizinha, etc.

EXCESSO NAS CAUSAS JUSTIFICANTES:

- doloso: responde por dolo.


- Culposo: responde por culpa.

Obs. : O agente só responde pelo excesso causado dolosa ou culposamente. Ex. : Suponha que um indivíduo avance
contra mim para me agredir com uma arma. Para me defender, aplico-lhe violenta punhalada, deixando-o gravemente
ferido. Após, com raiva, aplico-lhe um ponta-pé no rosto, lesionando-o levemente. N o caso, responderei pelo excesso,
ou seja, lesão corporal leve – Art. 129, caput. A lesão grave foi causada em legítima defesa.

CULPABILIDADE :
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** Segundo uma corrente minoritária de doutrinadores encabeçada por Damásio e. Jesus, a culpabilidade não mais
integra o crime. Teria passado a ser juízo de reprovação. O crime segundo esses doutrinadores, seria composto do fato
típico e da antijuridicidade. Não é a melhor doutrina. Crime é o fato típico, antijurídico, culpável.

Conceito de Culpabilidade: É a reprovabilidade da conduta típica e antijurídica que incide sobre à pessoa do autor do
crime.

COMPONENTES DA CULPABILIDADE:

** Imputabilidade.

** Potencial consciência da ilicitude.

** Exigibilidade de conduta diversa.

a) IMPUTABILIDADE: É a condição pessoal de maturidade e sanidade mental que confere ao agente a capacidade de
entender o caráter ilícito do fato, ou de determinar-se segundo esse entendimento – o conceito é obtido por
exclusão. Na verdade a lei diz o que é inimputável – art. 26, caput; 27; 28, § 1º.

** Deve ser apreciada no momento da ação ou omissão. O código adotou o critério Biopsicológico de inimputável por
doença mental e embriaguez completa por caso fortuito ou força maior: doença + incapacidade de autodeterminar-se;
embriaguez + incapacidade de autodetermina-se. Para a menoridade – art.27, critério biológico puro.

** A imputabilidade é o primeiro componente da culpabilidade.

TEORIA DA “ACTIO LIBERA IN CAUSA” (ação livre na sua causa): Segundo esta teoria, pode ocorrer que o agente se
coloque propositadamente em situação de inimputabilidade para cometer o crime, realizando este no estado de
inconsciência.

Ex.: A mãe portadora de sono tumultuado, coloca seu filho pequeno na sua cama para, desejando matá-lo, o faça por
asfixia durante o sono.

Ex.: O agente responsável por estrada de ferro que se embriaga para dormir, e não muda o sentido da linha, desejando
que o trem descarrilhe causando a morte de desafeto seu que está dentro dele, no momento em que está dormindo etc.

** O sujeito utiliza de si mesmo para a prática do fato. Considera-se, nestes casos, para efeitos penais, o estado do
agente no momento em que se colocou no estado de inconsciência. Em síntese, esta é a teoria da “actio libera in
causa”, que quer dizer “ação livre na sua causa”.

** Não basta que o agente se tenha posto voluntária ou imprudentemente em estado de inconsciência. É necessário que
ele tenha querido (DOLO DIRETO) ou, ao menos, previsto o resultado, aceitando-o (dolo eventual).

OBS: No Rio Grande do Sul surgiu uma Escola entendendo que o motorista que atropelasse alguém causando-
lhe a morte e ficasse constatado que ele estava embriagado, deveria ser responsabilizado por homicídio doloso;
dolo eventual, eis que nesse caso dever-se-ia aplicar a teoria da “ACTIO LIBERA IN CAUSA”. Ou seja, o
acusador e o Juiz deveriam reportar-se ao momento em que o referido motorista começou a embriagar-se
sabendo que iria dirigir, tomando esse momento como se ele dissesse: Dana-se! Se eu matar alguém no
trânsito, tudo bem! Tal Escola, absurda, diga-se tem alguns adeptos no Ceará. Pouquíssimos, felizmente!

Nos casos supra, haveria homicídio culposo, claro.

** A lei brasileira não prevê a inimputabilidade pela embriaguez voluntária (preordenada ou culposa).
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** Na embriaguez preordenada, inclusive, atua uma agravante – art.61, II, “1”.

** Imputável: É o sujeito mentalmente são e desenvolvido, capaz de entender o caráter ilícito do fato, e de determinar-se
de acordo com esse entendimento.

** Critérios: a) Biológico puro: (art.27). b) Biopsicológico: (art.26). O Código Penal não adotou o critério psicológico puro
de outras legislações alienígenas.

b) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE: é a capacidade que possui o sujeito imputável de saber que está
praticando um fato contrário ao direito.

c) EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA: Será reprovável a conduta do sujeito se, na situação em que se
encontrava, lhe era exigível outra forma de agir. Conforme o Direito.

CAUSAS DE EXCULPAÇÃO (EXCLUDENTES DE CULPABILIDADE):

** Excluem a aplicação da pena e, em conseqüência, o crime: o fato não será reprovável, culpável. Também não haverá
crime. O juízo de valor deve incidir tomando-se como parâmetro o momento da ação ou omissão praticada pelo agente.

1 – (Pela existência de inimputabilidade):

a) art.26 caput, (doença mental, desenv. Mental incompl. Etc.).

b) art.27 (menores de 18 anos).

c) Art.28, parágrafo primeiro (embriaguez completa por caso fortuito ou força maior).

2 – (Pela ausência de potencial consciência da ilicitude):

a) art.21 caput, (erro de proibição inevitável).

b) Art.20, parágrafo primeiro (erro inevitável a respeito de fato que, se verdadeiro, seria uma descriminante.
Descriminantes putativas).

c) Art.22, segunda parte (obediência hierárquica).

3 – (Pela inexigibilidade de conduta diversa):

a) art.22, primeira parte (coação moral irresistível).

ESCUSAS ABSOLUTÓRIAS:

Conceito: São causas pessoais, que excluem a punibilidade apenas, não a culpabilidade.

** Também apresentam-se sob os dizeres é isento de pena; ... não é punível ... porém não afasta a culpabilidade.

** O fato continua típico, antijurídico e reprovável, portanto culpável. Cuida-se de política criminal somente. Não alteram
a estrutura do crime. Este continua existindo.

** Exclui somente a pena por questão de política criminal – art.181e artigo 348, § 2º, v.g.

2. CLASSIFICAÇÃO DAS INFRAÇÕES PENAIS :

Crimes instantâneos (furto etc.); permanentes (seqüestro etc.); instantâneos de efeitos permanente (homicídio, bigamia).

** crimes instantâneos: são aqueles cujo resultado fica logo definido e encerrado a partir de certo instante, como no
furto, por exemplo, que se consuma e termina com a subtração art.155.

** crimes permanentes: são aqueles em que a consumação, embora já realizada, continua acontecendo e se renovando
sem fim, prolongando-se no tempo.
Ex.: seqüestro: Consuma-se com o arrebatamento da vítima, prolongando-se o processo consumativo indefinidamente,
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até a libertação da mesma, art.159. Enquanto durar não ocorre prescrição -–art.111, III, CP.

** Pode ser efetuada prisão em flagrante.

** Crimes instantâneos de efeitos permanentes: se as conseqüências do crime instantâneo são duradouros, e não
podem mais ser alteradas pelo próprio agente, fala-se em crime “instantâneo de efeitos permanentes”.

** Ex.: homicídio – art.121; bigamia – art.235.

Crimes comissivos, omissivos puros e omissivos impróprios.

Crimes simples, qualificados e privilegiados.

** Crimes simples: segundo Nelson Hungria e Francisco de Assis Toledo: “É simples o crime que se identifica com um
só tipo legal”.

Ex.: lesão corporal – art.129.

** Crimes simples são ainda as formas básicas dos delitos, como no art.121, caput, (homicídio simples).

** Crimes qualificados: são crimes em que a Lei acrescenta alguma circunstância que agrava a sua natureza, elevando
os limites da pena.

** Não surge a formação de um novo tipo penal, mas apenas uma forma mais grave de ilícito.

** Ex.: - art.121, parágrafo 2º, I – homicídio qualificado.


- art.155, parágrafo 4º, etc.

** Crimes secundários ou derivados: dependem da existência do chamado crime pressuposto.

** Ex.: * Receptação – art.180 (necessário furto, roubo, estelionato, peculato,etc).


* Favorecimento pessoal – art.348.
* Favorecimento real – art.349.
* Uso de documento falso – art.304.

Crime vago.

** Crime vago: são aqueles em que o sujeito passivo é uma coletividade sem personalidade jurídica, como a família, o
público ou a sociedade. O correto seria dizer : sujeito passivo vago ou indefinido e não crime vago. O crime não é vago.

** Ex. Ato obsceno – art.233.


Art.273, art.210, art.209 etc.

** Crimes privilegiados: são aqueles em que o acréscimo ao tipo básico serve para diminuir a pena, como no art.121,
parágrafo 1º do CP.

d) crime progressivo e progressão criminosa.

** Crime progressivo: é aquele cujas etapas anteriores também constituem crimes, como no homicídio em relação às
lesões corporais, que são por este absorvidas.

** Progressão criminosa: Há progressão criminosa quando o agente prática um crime é depois, em nova resolução,
resolve praticar outro, mais grave, como lesões corporais –art.129, e homicídio – art.121, ou lesões – art.129, e estupro
– art.213.

e) crime habitual (284, I; 282, 229, 230).


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** Crimes habituais são os que exigem habitualmente, com a reiteração seguida da conduta, como no crime de exercício
ilegal da medicina – art282 ou no crime de manutenção de casa de prostituição – art.229.

f) crime profissional.

** Crime profissional é qualquer delito praticado por aquele que exerce uma profissão utilizando-se dela para a atividade
ilícita.

Ex. O aborto praticado por médicos ou parteiras;

** O furto qualificado com chave falsa ou rompimento de obstáculo por serralheiro etc.

** Não se deve confundir o crime profissional com criminoso profissional ou habitual, prática o crime como se exercesse
uma profissão (pistoleiro, por exemplo).

g) crime exaurido.

** Crime exaurido: ocorre quando após a consumação, o agente o leva a conseqüências mais lesivas.

** Ex.: o recebimento do resgate no crime de extorsão mediante seqüestro – art.159 – exaure o delito que se consumara
na aplicação da pena.

** O exaurimento não integra o “iter criminis”, que se esgota com a consumação.

h) crimes unisubsistente e plurissubsistente.

** Crime unisubsistente: O crime unisubsistente realiza-se com apenas um ato, ou seja, a conduta é una e indivisível.

** Ex.: Injúria (verba) – art.140, Ameaça (verbal) – art.147, uso do documento falso – art.304 etc.

** Tais crimes não permitem o fracionamento da conduta.

** É inadmissível a tentativa nestes delitos.

** Crime plurissubsistente: o crime plurissubsistente, ao contrário, é composto de vários atos que integram a conduta ou
seja, existem fases que podem ser separadas, fracionando-se o crime. São a grande maioria dos delitos.

** Ex.: Homicídio – art.121.


Furto – art.155.
Roubo – art.157 etc.

** Crime Material: há necessidade de um resultado externo à ação, descrito na lei, e que se destaca lógica e
cronologicamente da conduta. Este resultado deve ser considerado no seu sentido naturalístico do termo e não no seu
conteúdo jurídico. Todos os crimes provocam lesão ou perigo para o bem jurídico. Mas somente os crimes materiais
provocam um resultado, uma modificação no mundo exterior pelo movimento corpóreo do agente e a este mundo ligado
por uma relação de causalidade.

** Ex.: a morte da vítima no homicídio; Inutilizado, destruição, deterioração no Dano etc.

** Crime Formal: no crime formal não há necessidade de realização daquilo que é pretendido pelo agente. O resultado
está previsto no tipo penal. Só não há exigência que ele ocorra.

** O resultado jurídico previsto no tipo ocorre ao mesmo tempo em que se desenrola a conduta.

** Ex.: No delito de ameaça – art.147, a consumação dá-se com a prática do fato, não se exigindo que a vítima fique
intimidada.

** Na injúria – art.140 – é suficiente que ele existia, independentemente da reação psicológica do ofendido etc.

** A lei antecipa o resultado no tipo; por isso são chamados “crimes de consumação antecipada”.

** Crime de mera conduta: Crimes de mera conduta (ou de simples atividade) a lei não prevê qualquer resultado
naturalístico, contentando-se com a ação ou omissão do agente.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
** Há uma presunção de dano ou de perigo diante da prática da conduta.

** Ex.: Violação de domicílio – art.150, o ato obsceno – art.233, a omissão de notificação de doença – art.269, a
condescendência criminosa – art.320, e a maioria das contravenções.

1) crime complexo.

** Os crime complexos são aqueles que sofrem a fusão de mais de um tipo.

** Ex.: Roubo – art.157, no qual se findem o constrangimento ilegal – art.146, a subtração – art.155, e eventualmente
lesões corporais leve – art.129, caput.

** Os crimes complexos são em geral pluriofensivos por lesarem ou exporem a perigo a perigo de lesão, mais de um em
juridicamente tutelado.

** Assim no roubo, atinge-se a um só tempo o patrimônio, através da subtração; a liberdade individual por meio do
constrangimento ilegal; ou a integridade física, por meio de lesões corporais.

m) crimes comum, próprio e de mão própria.

** Crime comum (FRANCISCO DE ASSIS TOLEDO): Crime comum seria aquele delito em que o agente do fato pode
ser qualquer pessoa, não uma classe determinada de autores.

** Pela CF, art.52, I e II e 102, I, “b”, v.g., crime comum seria aquele diverso do crime de responsabilidade.
Contudo, não é este conceito que nos interessa aqui.

** Crimes próprios: são os que exigem do agente uma determinada qualidade, como a de mãe, no infanticídio, ou de
funcionário público, no peculato.

** O tipo penal limita o círculo do autor, que deve encontra-se em uma posição jurídica, como funcionário público etc.

** EX.: Art.312 e seguintes.


Art.269 – Médico.
Art.123 – Mãe da vítima.
Art.246 – Pai ou mãe.

** Crime próprio de mão própria: os crimes de mão própria (ou de atuação pessoal) diferem dos crimes próprios. O crime
próprio pode ser cometido valendo-se o agente de terceira pessoa para executá-lo. No crime de mão própria ninguém
pode pratica-lo por intermédio de outrem. No crime próprio pode haver por co-autoria e participação; no crime próprio de
mão própria só cabe participação, nunca co-autoria.

** Ex.: Falso testemunho – art.342.


Adultério – art.240.
Estupro incestuoso – art.213 c/c 226, II.
Deserção – art.187 do CPM.

n) crimes principais e crimes acessórios (180, 340, etc.).

** Crimes principais: os crimes principais independem de delito anterior.

** Ex.: Lesão.

** Crimes acessórios: os crimes acessórios, como a denominação indica, sempre pressupõe a existência de uma
infração penal ou anterior, a ele ligado pelo dispositivo penal que, no tipo, faz referência àquelas. Ex. : Receptação –
Art. 180 CP; Favorecimento Pessoal – Art. 348 CP, etc.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

3. CRIME DOLOSO E CULPOSO

CRIME DOLOSO – 18, I e parágrafo único: o dolo consiste no propósito de praticar o fato descrito na Lei.

** Existem três teorias que tentam explicar o dolo, a saber:

a) teoria da vontade: (Quem pratica a ação consciente e voluntariamente dirigida a produção do resultado).

b) teoria da representação: (Basta a simples previsão da ocorrência do resultado).

c) teoria do assentimento: (Basta que o agente consinta com o resultado, não precisa querê-lo diretamente).

** Segundo Damásio, o CP adotou a primeira teoria: da vontade.

** Mirabete entende que o CP adotou a primeira e a terceira: teoria da vontade para o dolo direto, e teoria do
assentimento para o dolo eventual. Concordo com Mirabete.

** A doutrina costuma elencar as seguintes espécies de dolo:

Dolo Direto – atira querendo matar.

Dolo Eventual – atira não querendo necessariamente, a morte. Contudo, SE acontecer, tudo bem.

Dolo Genérico – o tipo exige a vontade genérica de praticar o crime. Ex. : Homicídio.

Dolo Específico – o crime além do dolo genérico, exige que o sujeito objetive um fim de agir. O dolo específico é
atualmente repudiado pelos doutrinadores, que preferem a denominação “especial fim do injusto”, ou “elemento
subjetivo expresso”.

** Exemplo deste último: art.219 “... para fim libidinoso”, etc.

CRIME CULPOSO:

** Conceito: Conduta voluntária (ação ou omissão) que produz resultado ANTIJURÍDICO não querido, mais
PREVISÍVEL, e excepcionalmente PREVISTO, que podia, com a devida atenção ser evitado.

REQUISITOS:

Conduta voluntária – dirigia veículo sem qualquer coação.

Inobservância do dever de cuidado objetivo – viola sinal de trânsito fechado.

Resultado lesivo involuntário – choca-se com outro veículo, matando seu condutor cujo sinal estava aberto para ele.

Previsibilidade, excepcionalmente (na culpa) consciente), também previsão – sabe que não se pode violar sinal fechado
sob pena de causar dano a terceiro.

Tipicidade – está previsto no Art. 302 da Lei 9.503/97, o homicídio culposo de trânsito.

MODALIDADES DE CULPA:

IMPRUDÊNCIA – O agente age irresponsavelmente (dirigir veículo, por exemplo, sem saber dirigir.
IMPERÍCIA – O agente é inábil (motorista profissional que não sabe dirigir bem, apesar de habilitado. Há que ser
habilitado. Se não possuir habilitação, haverá imprudência).

NEGLIGÊNCIA – O agente dirige veículo sem tomar nenhum cuidado, apesar de dirigir em rua bastante movimentada.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

ESPÉCIES DE CULPA:

a) culpa inconsciente – Regra. O agente podia prever, mas não o faz.

b) culpa consciente – Exceção. O agente podia prever, chega a Ter uma previsão do resultado, mas acredita,
levianamente, que o impedirá.

CRIME PRETERDOLOSO – É espécie do gênero “crime qualificado pelo resultado”.

** No crime qualificado pelo resultado, este, o resultado, pode ser DOLOSO ou CULPOSO.

OS CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO PODEM OCORRER DAS SEGUINTES FORMAS:

a) DOLO no antecedente e DOLO no conseqüente: art.129, § 2º, III, CP, v.g. O agente tem dolo de lesionar de causar
a perda de membro, sentido ou função. Portanto dolo na conduta e dolo no resultado.

b) DOLO no antecedente e CULPA no conseqüente: art.129, § 3º, v.g. O agente queria apenas lesionar; o resultado
morte não era querido. Responde pela morte a título de culpa.

c) CULPA no antecedente e DOLO no conseqüente: art.302, § único, inciso, III, da Lei 9.503/97 (CTB), v.g. O sujeito
pratica a conduta culposamente (atropelar). Em seguida, dolosamente, omite socorro à vítima, VINDO ESTA A
MORRER.

d) CULPA no antecedente e CULPA no conseqüente: art.258, 2ª parte. Crime de perigo comum culposo seguido de
morte também culposa. O sujeito responderá culposamente tanto pela conduta quanto pelo resultado.

** Porém, somente ocorrerá hipótese de crime PRETERDOLOSO, quando o resultado excede CULPOSAMENTE a
intenção do agente.

IV - DAS PENAS: COMINAÇÃO. PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE. PENA DE MULTA.

PENA: É a perda de bens jurídicos imposta pelo órgão da Justiça a quem comete crime.

** A SANÇÃO penal é, em essência, RETRIBUITIVA e PREVENTIVA.

** Retribuitiva porque opera causando um mal ao transgressor.

** Preventiva porque retira do meio social o criminoso objetivando evitar que ele cometa novo delito

** O mal justo da pena, em retribuição ao mal injusto do crime praticado pelo agente, consiste na perda de bens
jurídicos, a saber:

a) A VIDA – pena de morte em tempo de guerra (CPM).

b) A LIBERDADE – pena de prisão

c) DIREITOS – restritivas de direitos.

d) O PATRIMÔNIO – pena de multa.

** Na aplicação da SANÇÃO PENAL, prevalece, dentre outros, os seguintes princípios:

a) LEGALIDADE – art.5º inciso XXXIX da CF, e art. 1º do CP.

b) PERSONALIDADE – art.5º, inciso XLV da CF.


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Dois são os sistemas penais existentes no mundo:

Duplo – Binário: Permite a aplicação de pena e medida de segurança sucessivamente. O Brasil adotou este sistema
até 1984.

Vicariante: Somente pena ou medida de segurança. No Brasil vige atualmente o sistema VICARIANTE . Após a
reforma da parte geral do CP, em 1984.

** PENA – Princípio da REPROVABILIDADE.

** MEDIDA DE SEGURANÇA – Princípio da PERICULOSIDADE.

DA PENA: Não existe mais, com a reforma de 1984, distinção entre Penas Principais e Penas Acessórias; todas são
Penas Principais.

** Na legislação Especial (CPM), ainda existem as penas acessórias. Algumas leis especiais também.

** ART.32: As penas são:

I. – Privativas de liberdade.

II. – Restritivas de direitos.

III. – De multa.

** A CF, art.5º, XLVI, alínea “b” c/c art.243, prevê uma outra espécie de pena (perda de bens), que inclusive, já foi
regulamentada por lei ordinária – Lei 8.257/91.

** A perda dos instrumentos do crime prevista no art.91, II do CP e 779 do CPP, não é pena. É conseqüência da
condenação.

PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE:

I. – Reclusão (crimes dolosos).

II. – Detenção (crimes dolosos e culposos).

** A pena de reclusão deve ser cumprida em regime:

I. – Fechado;

II. – Semi-aberto;

III. – Aberto (art.33, 1ª parte).

** A pena de detenção deve ser cumprida em Regime:

I. – Semi-aberto; ou

II. – Aberto (salvo necessidade de transferência para regime fechado – art.33, 2ª parte). A pena de detenção
jamais será cumprida, inicialmente, em regime fechado. Poderá, contudo, haver regressão para o regime
fechado.

** Diferenças entre a RECLUSÃO e a DETENÇÃO:

I. – Quanto à espécie de regime.

II. – Quanto ao estabelecimento penal (segurança máxima, média e mínima).

III. – Quanto à seqüência de execução no concurso material (art.69, caput), inicia-se pela reclusão.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
IV. – Quanto a incapacidade para o exercício do pátrio poder – art.92, II.

V. – Quanto à medida de segurança (art.97, caput).

VI. – Quanto à concessão de fiança (art.323, I, CPP).

VII. – Quanto à decretação da prisão preventiva (art.313, I e II, do CPP).

** O parágrafo 1º alíneas “a”, “b” e “c”, do art.33 informa os diversos regimes: fechado, semi-aberto e aberto.

a) Regime fechado a execução da pena se dará em estabelecimento de segurança máxima e médio (LEP – art. 87).

b) Regime semi-aberto a execução da pena se dará em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento adequado (LEP
– art.91).

c) Regime aberto a execução da pena se dará em casa de albergado ou estabelecimento adequado (LEP – art.93).

** O Juiz, já na sentença condenatória, deve determinar a espécie de regime para início de cumprimento da pena,
observadas as circunstâncias judiciais do art.59 (é o que manda o art.33, parágrafo 3º).

** Obedecendo a forma progressiva determinada no parágrafo 2º art.33, de acordo com o mérito do condenado,
o início do cumprimento da pena se dará da seguinte forma:

I. – Condenado a pena de RECLLUSÃO superior a 8 (oito) anos: Deverá começar, obrigatoriamente, a cumpri-la
em regime fechado (alínea “a”).

II. – Pena de RECLUSÃO superior a 4 (quatro) anos, até 8 (oito) anos, condenado NÃO REINCIDENTE, (poderá):
o condenado a pena de DETENÇÃO (REINCIDENTE), qualquer que seja a quantidade da pena (deverá),
desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto (alínea “b”).

III. – Pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de RECLUSÃO ou DETENÇÃO, condenado NÃO REINCIDENTE,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto (alínea “b”).

** Se o condenado a pena de RECLUSÃO for reincidente nas hipóteses II e III, inicia o cumprimento da pena em
regime fechado. Se o crime for hediondo ou assimilado, por força da lei 8.072/90, o condenado cumprirá a pena
em regime fechado, seja ou não reincidente.

** Ao condenado a pena de DETENÇÃO, ainda que REINCIDENTE, não se poderá aplicar, inicialmente, o regime
fechado; somente o semi-aberto, qualquer que seja a quantidade da pena – art.33, caput.

** A pena imposta por crime hediondo, como já afirmamos, de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e terrorismo deve
ser cumprida exclusivamente em regime fechado (art.2º, parágrafo 1º, da Lei 8.072). Consideramos inconstitucional esta
disposição legal. Contudo, tem tido larga aplicação. O próprio STF não considera esta lei inconstitucional.

REGRAS:

a) Regime fechado: No início do cumprimento da pena em regime fechado, o condenado será submetido a exame
criminológico de classificação para individualização da execução – art.34, caput.

b) Regime semi-aberto: Pode também ser submetido a exame criminológico de classificação para individualização da
execução. O art.35, caput, fala em “obrigatoriedade”, todavia, prevalece o art.8º, parágrafo, da LEP, que fala apenas
em “faculdade”. Prevalece a LEP, por ser lei especial.

c) Regime aberto: baseia-se na autodisciplina e senso de responsabilidade do condenado – art.36, caput.


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS

ART.43

I. – Prestação de serviços à comunidade.

II. – Interdição temporária de direitos.

III. – Limitação de fim de semana.

** As penas restritivas de direitos são AUTÔNOMAS e substituem as privativas de liberdade, observadas as


seguintes condições – art.44 do CP:

1ª) Se o crime for doloso, a pena há que ser inferior a 1 (um) ano – art.44, I.

2ª) Se o crime for culposo, e a pena for igual ou superior a um ano, a pena privativa de liberdade pode ser substituída
por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos, DESDE QUE EXEQÜÍVEIS
SIMULTANEAMENTE – art.43, parágrafo único.

3ª) Que o réu não seja reincidente – art.44, II.

4ª) Que a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as
circunstâncias indiquem a suficiência da substituição – art.44, III.

** ESSAS CONDIÇÕES DEVEM EXISTIR SIMULTANEAMENTE.

** As penas restritivas de direitos não podem ser cumuladas com as privativas de liberdade.

DA CONVERSÃO:

** A pena restritiva de direitos, obrigatoriamente, converte-se em privativa de liberdade, PELO TEMPO DA PENA
APLICADA, quando, nos termos do art.45:

a) Sobrevier condenação, por outro crime, a pena privativa de liberdade cuja execução não tenha sido suspensa (não
importa a época do outro crime, se antes ou durante o cumprimento da pena restritiva de direitos. Se for concedido
o SURSIS pela condenação, não há se falar em conversão).

b) Ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta ao condenado.

** A conversão se faz pelo total da pena original. Suponha uma condenação a quatro meses de detenção, substituída
por uma restritiva de direitos. Havendo conversão, por uma das razões acima elencadas, o condenado irá cumprir os
QUATRO MESES DE DETENÇÃO. O art.181 da LEP prevê outras hipóteses de conversão.

A PENA DE MULTA – ART.49:

** A quantidade dos dias-multa não é cominada pela norma penal incriminadora, que só faz referência a MULTA.

** Deve ser fixada pelo Juiz, variando de, no mínimo, DEZ-DIAS multa e, no máximo, TREZENTOS E SESSENTA DIAS-
MULTA (art.49, caput).

** O art.60, contudo, manda que o Juiz observe a condição econômica do réu, permitindo, no seu parágrafo 1º, que a
multa seja aumentada até o TRIPLO, dependendo da situação econômica deste.

** O valor do DIA – MULTA deve ser também fixado pelo Juiz na sentença, não podendo ser inferior a UM TRIGÉSIMO
DO SALÁRIO MÍNIMO MENSAL vigente ao tempo do fato, nem superior a CINCO VEZES ESSE SALÁRIO (art.49,
parágrafo 1º). Ex. : Suponha que sujeito de grandes haveres tenha praticado o crime de furto, Art. 155, caput do CP. O
juiz aplicou-lhe dois anos de reclusão e multa, nos termos seguintes :

1º) 360 dias multas – Art. 49, caput c/c Art. 60, caput.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
2º) Fixou o valor do dia multa em R$ 650,00 (cinco vezes o salário mínimo) : R$ 234.000,00 – Art. 49, §1º .

3º) Como ainda julgou insuficiente face a condição econômica do réu, a multa aplicada nos termos do Art. 49 e § 1º, o
juiz lançou mão do disposto no Art. 60 § 1º : triplicou este valor, resultado – R$ 702.000,00 de multa.

** A pena privativa de liberdade aplicada, até seis meses, pode também, ser substituída pela pena de multa,
desde que presentes os requisitos previstos no art.44, incisos II e III. Neste caso, a multa é outra além da que ,
eventualmente, o réu já tenha sido condenado, cumulativamente, com a privativa de liberdade, agora
substituída.

CONVERSÃO DA MULTA EM PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE :

** O art.51 do CP previa: “Multa converte-se em pena de detenção, quando o condenado solvente deixa de pagá-la ou
frustra a sua execução”. Atualmente, por força do que dispõe a Lei 9.268 de 01/04/1996, o art.51 passou a ter a seguinte
redação: “Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será considerada dívida de valor, aplicando-se-lhe as
normas da legislação relativa à divida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e
suspensivas da prescrição”. Portanto não há mais se falar em conversão de multa em pena privativa da liberdade
conforme previa antes o art.51 do CP.

O artigo 51 do CP, portanto, passou a ter a nova redação da Lei supra. Seus parágrafos estão revogados.

** Remição: para cada três dias de trabalho, o condenado irá remir um dia na pena – art.126, parágrafo 1º, da LEP.

** Se cometer falta grave (art.127 da LEP), o condenado perde DIREITO ao tempo remido, começando novo período a
contar da data da falta grave.

** Detração: art.42 - Prisão provisória (preventiva, flagrante, pronúncia, prisão civil, administrativa, ou internação em
hospital de custódia e tratamento ou simular), dês que pelo mesmo fato.

CIVIL:
a) Depositário infiel.

b) Inadimplente alimentar.

c) Administrativa: Atualmente, somente militar APLICAÇÃO DA PENA – ART.59 ...

V - APLICAÇÃO DA PENA.

** O Brasil adotou o chamado “SISTEMA TRIFÁSICO” defendido por Nelson Hungria – art.68.

1ª Fase: Fixação da Pena Base – art.68, 1ª parte, na forma do art.59.

2ª Fase: Apreciação das circunstâncias atenuantes e agravantes – art.68, 2ª parte.

3ª Fase: Apreciação das causas de diminuição e de aumento – art.68, 3ª parte.

** Concorrendo duas ou mais causas de aumento ou diminuição previstas na parte ESPECIAL do código, poderá o Juiz
limitar-se apenas a uma causa de diminuição ou de aumento, prevalecendo a que mais aumente ou diminua – art.68,
parágrafo único.

** se, contudo, as causas concorrentes estiverem localizadas na parte GERAL, sua aplicação será obrigatória.

** Na verdade, o Juiz necessita efetuar mais de uma operação na aplicação da pena, a saber:

1ª.) Pena base – art.59;

2ª.) Atenuantes e agravantes, se for o caso;


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
3ª.) Causas de diminuição e de aumento, se for o caso;

4ª.) Fixação do regime inicial a ser cumprido pelo condenado (fechado, semi-aberto ou aberto).

5ª.) Eventual substituição da pena privativa de liberdade (por restritiva de direitos ou multa).

6ª.) Eventual concessão do “sursis”.

VI - CONCURSO DE CRIMES :

a) Material.

b) Formal.

c) Crime continuado.

MATERIAL: Duas ou mais condutas e dois ou mais resultados (art.69). Pode haver apenas uma ação penal, ou várias,
se não houver liame processual (art.76 .... do CPP). As penas deverão ser posteriormente somadas para os efeitos do
Art. 75 do CP.

FORMAL :

a) PRÓPRIO: (art.70, 1ª parte), sistema de exasperação da pena. Divide-se em:

Homogêneo – dois homicídios culposos, v.g.


Heterogêneo – um homicídio e um lesão corporal, v.g.

b) IMPRÓPRIO: (art.70, Segunda parte), quando o agente com uma só conduta DOLOSA, causa dois ou mais
resultados querendo estes resultados, com desígnios autônomos.

** Ex.: amarra dois inimigos para obtê-los com um só disparo. Neste caso as penas serão somadas.

** Pode haver concurso formal de crimes doloso e culposo: art.73, 2ª parte e art.74 do CP.

CRIME CONTINUADO – ART.71:

** Requisitos:

a) Que o mesmo agente pratique duas ou mais condutas.

b) Pluralidade de resultados de crimes da mesma espécie (furto simples + furto simples; furto simples + furto
qualificado; furto simples + furto privilegiado, etc.). Tipos penais de mesma espécie são os que tutelam o mesmo
bem jurídico seja na forma simples, qualificada ou privilegiada, doloso ou culposo, tentado ou consumado. Alguns
autores entendem que crime da mesma espécie seriam os tutelados pelo mesmo objeto jurídico. Todos os crimes
contra o patrimônio, v.g. seriam da mesma espécie entre si, etc. Não concordo.

c) Nexo de continuidade delitiva, que deve ser apurado pela circunstância de TEMPO, LUGAR, MANEIRA DE
EXECUÇÃO, etc.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** OBS: O aumento pela continuação incide sobre o resultado da pena aumentada ou diminuída pela aplicação
das circunstâncias agravantes ou atenuantes, e não sobre a pena base.

** As penas de multa são aplicadas distinta e integralmente (art.72), para cada crime de “per si”.

ABERRATIO ICTUS: ART.73: Pode ocorrer também numa causa justificativa.

ABERRATIO DELICTI – ART.74: Resultado diverso do pretendido. Atira em agressor e acerta terceiro inocente, v.g.

** Se ocorrer também resultado pretendido, haverá concurso formal próprio (art.74, Segunda parte).

DO SURSIS – ART.77.

Espécies:

1) Simples – art.77, caput, na forma do art.78 e parágrafo 1º (mais rigoroso).

2) Especial – art.77, caput, na forma do art.78, parágrafo 2º (menos rigoroso).

3) Etário – art.77, parágrafo 2º, que poderá ser tanto na forma do art.78, parágrafo 1º ou parágrafo 2º. Deverá possuir
70 anos na data da sentença condenatória.

** Pena: somente as privativas de liberdade – art.80

** Reincidência: por si só não impede a concessão do “sursis” – art.77, I e 77, parágrafo 1º. Perdão judicial também
não.

** Damásio entende que o “sursis” deixou de ser incidentes na execução, para ser “pena restritiva de liberdade”. Face a
imposição de pena restritiva de direitos no primeiro ano do “SURSIS” simples.

DO LIVRAMENTO CONDICIONAL – ART. 83.

** A pena há que ser igual ou superior a 2 (dois) anos, além de:

A) Não reincidente em crime doloso: Após cumprir mais de 1/3 da pena (83, I).

B) Reincidente em crime doloso: Após cumpri mais da metade da pena (83, II).

C) Crime hediondo ou assemelhado, se o apenado não for reincidente específico em crime desta natureza (hediondo):
Após cumprir 2/3 da pena (83, V). Reincidente específico não terá direito ao LC.

OBS: Sendo Lei penal, a Lei 8.72/90 não deve retroagir para prejudicar casos anteriores. Assim, não deve prevalecer a
exigência de 2/3 de cumprimento da pena para casos ocorridos anteriormente à vigência da Lei 8.072/90, nem a
inaplicabilidade do LC, quando o outro crime ocorreu antes dela.

** Ex.: Uma extorsão mediante seqüestro (antes de 1990) + um latrocínio (após 1990). O condenado terá direito ao LC,
após cumprir 2/3 da pena.

** Quando a lei 8.072/90 fala em “cumprimento integral em regime fechado”, entenda-se: “enquanto não obtido o LC, o
condenado cumprirá a pena em regime fechado, sem direito a progressão no regime da pena”.

** Período da prova no LC: Será igual ao que resta para o seu término.

** Revogação: a) Obrigatória – art.86.

b) Facultativa – art.87.
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** Efeitos da revogação – art.88, gera 3 situações:

1ª) Revogação por condenação irrecorrível em virtude de crime praticado antes da concessão do LC: Computa-se
o tempo em que o apenado permaneceu cumprindo o LC. O condenado cumprirá apenas o restante do tempo daquela
pena. As duas penas podem ser somadas para efeito de novo LC (art.141 da LEP).

2ª) Revogação por condenação irrecorrível em virtude de crime praticado durante o período de prova: Não se
permite novo LC em relação a primeira pena (art.142 da LEP). Também não se desconta na pena anterior o tempo em
que esteve solto.

3ª) Revogação por Ter deixado o liberado de observar alguma das condições exigidas na sentença de
concessão do LC: Terminará de cumprir o restante da pena que estava suspensa; não terá o tempo em que esteve
solto computado; não obterá novo LC.

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE: Vide arts.89 e 90 que trata da extinção da punibilidade pela cessação do período de
prova. A extinção se dá no dia posterior ao término do período de prova; não na data da sentença que é meramente
declaratória, e pode ser prolatada depois.

VII - MEDIDAS DE SEGURANÇA.

**É espécie do gênero sanção penal. Na sua aplicação, deve ser observado o princípio da LEGALIDADE somente sendo
possível a imposição daquela que estiver prevista em lei.

** Presentemente, com o advento da CF/88, vige também o princípio da IRRETROATIVIDADE para a medida de
segurança. Diz o art.5º, XL da CF: “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Como a medida de segurança
está prevista em lei penal, logo esta há que ser anterior.

** A lei presume a PERICULOSIDADE dos inimputáveis, determinando a aplicação da medida de segurança àquele que
cometeu o ilícito e se encontra nas condições do art.26, caput. Neste caso a aplicação da medida de segurança é
OBRIGATÓRIA, não podendo o Juiz dispensá-la.

** Quanto ao semi-imputável (art.26, parágrafo único), a periculosidade não será presumida, mas real, podendo ser
reconhecida pelo Juiz que, em vez de aplicar a pena, a substitui pela medida de segurança.

** Ao plenamente imputável, ainda que demonstre periculosidade, a lei permite a aplicação somente da pena. Nestes
casos não há que se falar em aplicação de medida de segurança.

** Quem aplica é o Juiz do processo condenatório. O Juiz da execução somente em casos de doença superveniente
(após a sentença), já na fase de execução.

** Extinta a punibilidade (por qualquer meio), não se aplica medida de segurança nem subsiste a que tenha sido imposta
(art.96, parágrafo único).

** O inimputável a quem tenha sido aplicada medida de segurança somente se furtará a ela quando ocorrer uma causa
qualquer de extinção da punibilidade:

** INIMPUTÁVEL – pode ocorrer, por exemplo, a prescrição com base na pena em abstrato. Prescrição para medida de
segurança sempre será pela pena máxima abstrata cominada ao crime.

** SEMI-IMPUTÁVEL – a prescrição se dará tomando-se por base a pena concretizada substituída.

** Deve o Juiz fixar o prazo mínimo da medida de segurança inicialmente entre 1 e 3 anos, qualquer que tenha
sido o delito(art.97, parágrafo 1º).

** Não importa o número de delitos, sendo o agente inimputável, ou semi-imputável que necessite de tratamento,
o mínimo será de 1 ano, e o máximo de 3, inicialmente, de internação ou tratamento ambulatório, conforme o
caso.

EXECUÇÃO: A medida de segurança é executada, em princípio, por tempo indeterminado, fixado apenas o prazo inicial,
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
perdurando, todavia, enquanto não for averiguada, mediante perícia médica, a cessação de periculosidade.

** A perícia médica é realizada ao termo do prazo inicial, ou até mesmo antes por requerimento do MP, interessado, seu
procurador ou defensor (art.176 da LEP), e deverá ser repetida de ano em ano, ou a qualquer tempo se assim
determinar o Juiz da execução – art.97, parágrafo 2º.

** Computa-se na medida de segurança para efeito de cumprimento do prazo mínimo inicial, o tempo de prisão
provisória, prisão administrativa ou internação em qualquer dos estabelecimentos mencionados no art.42 do CP.

** Realizada a perícia e comprovada a cessação da periculosidade, o Juiz determinará a suspensão da execução da


medida de segurança.

** Da decisão que concede a liberação cabe agravo com efeito suspensivo - art.179 da LEP. Aliás cabe agravo de todas
as decisões do Juiz da execução – art.197 da LEP.

** A desinternação é condicional. A medida de segurança somente fica extinta após 1 ano – art.97, parágrafo 3º.

** Assim, deve ser restabelecida a situação anterior se o agente, antes de decorrido 1 ano, pratica FATO indicativo da
persistência de sua periculosidade.

** Não precisa ser crime; basta descumprimento de condições, recusa ou ausência a tratamento curativo.

** O MP pode requerer a internação, a desinternação e o restabelecimento da situação anterior (art.68, inciso II, alínea
“f” da LEP).

** Pode-se executar a medida de segurança imposta por sentença estrangeira, devendo esta estar homologada,
observando-se ainda o disposto no art.9º, II e parágrafo único, “b” do CP.

ESPÉCIES DE MEDIDAS DE SEGURANÇA

DETENTIVA – art.96, I c/c art.97, 1ª parte (internação em hospital de custódia e tratamento psiquiátrico, ou à falta, em
outro estabelecimento adequado).

RESTRITIVA – art.96, II c/c art.97, 2ª parte (tratamento ambulatorial).

** Em qualquer fase do tratamento ambulatorial, se a conduta do sentenciado revela necessidade de


providências para fins curativos, ele poderá ser internado (art.94, parágrafo 4º da LEP).

APLICAÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA:

INIMPUTÁVEIS: Absolvendo-se o réu em decorrência de sua inimputabilidade (art.26). é obrigatória a aplicação da


medida de segurança (art.97).

** SEMI-IMPUTÁVEIS: o Juiz deve aplicar a pena, com a redução prevista no art.26, parágrafo único, ou substituí-la
pela medida de segurança, se o sentenciado necessitar de especial tratamento curativo – art.98.

** Substituída a pena pela medida de segurança (no caso dos semi-umputáveis), produzirá esta todos os seus efeitos.
Passa o sentenciado à situação de INIMPUTÁVEL e, portanto, submete-se às regras previstas pelos arts.96 a 99.

** Inimputável ou semi-imputável o sentenciado, poderá o Juiz substituir a internação por tratamento ambulatorial se o
fato praticado constituir CRIME APENADO COM DETENÇÃO – ART.97. Não há se falar em tratamento ambulatorial
quando ao crime praticado pelo agente for cominada, abstratamente, pena de RECLUSSÃO.

** Constitui constrangimento ilegal, sanável por via de H.C., o recolhimento de pessoa submetida a medida de
segurança em presídio comum.

** É possível a substituição de pena por medida de segurança na 2ª instância, ainda quando em recurso exclusivo da
defesa.

INÍCIO DA EXECUÇÃO DA MEDIDA DE SEGURANÇA:

** Transitada em julgada a sentença que as aplicou, é indispensável a expedição da GUIA DE EXECUÇÃO, sem a qual
não se poderá promover a internação ou submissão a tratamento ambulatorial (arts.171 a 173 da LEP).
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Em curso a execução da medida de segurança, será efetuada, obrigatoriamente, exame de cessação de


periculosidade ao fim do prazo mínimo, repetido de ano em ano, ou , facultativamente, se assim determinar o Juiz da
execução (arts.97, parágrafo 2º, do CP e 175 e 176 da LEP). Estes prazos não são fatais ou peremptórios, não
constituindo a sua ultrapassagem constrangimento ilegal.

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DA MEDIDADE DE SEGURANÇA:

** Não há prazo de prescrição especifica para medida de segurança, regulando a matéria o parágrafo único do art.96 do
CP.

** Mas, segundo a orientação do STJ, se entre a data da imposição da medida de segurança e a captura do inimputável
decorrer tempo superior ao prazo mínimo de duração da medida de segurança fixada na sentença, a execução deverá
ser precedida de exame de verificação de cessação da periculosidade.

** Se a medida de segurança foi imposta em substituição a pena (semi-imputáveis, art.98), o prazo prescricional
regulam-se pelo tempo da pena substituída.

VIII - EFEITOS DA CONDENAÇÃO

EFEITOS DA CONDENAÇÃO:

** Condenação é o ato do Juiz através do qual impõe uma sanção penal ao sujeito ativo de uma infração.

** A condenação penal irrecorrível produz efeitos:

PRINCIPAIS: Imposição das penas privativas de liberdade (reclusão, detenção, prisão simples), restritivas de direitos,
pecuniária e eventual medida de segurança (art.387, III e IV, do CPP).

SECUNDÁRIOS: A par dos efeitos principais, a condenação penal produz outros efeitos secundários ou acessórios, de
natureza penal e extrapenal, a saber.

SECUNDÁRIOS DE NATUREZA PENAL:

a) É pressuposto da reincidência (CP, art.63).

b) Impede, em regra, o Sursis (art.77, I).

c) Causa a revogação do Sursis (art.81, I e parágrafo 1º)

d) Causa a revogação do LC (art.86).

e) Aumenta o prazo da prescrição da pretensão executória (art.110, caput, in fine).

f) Causa a interrupção da prescrição da pretensão executória quando caracterizar a reincidência (art.117, VI).

g) Revogação da reabilitação (art.95).

h) Tem influência na exceção da verdade nos crimes de calúnia e difamação (art.138, parágrafo, 3º, I e III).

i) Produz o impedimento de benefícios vários (arts.155, parágrafo 2º, 171, parágrafo 1º, 180, parágrafo 3º, primeira
parte, em relação ao segundo crime, etc.).

j) Causa o aumento da pena na contravenção de porte ilegal de arma (art.19, parágrafo 1º da LCP).
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

k) Constitui elementar da figura típica da contravenção de posse não justificada de instrumento de emprego usual na
prática de furto (art.25 da LCP).

l) A inscrição do nome do condenado no rol dos culpados (art.393, II do CPP).

m) O confisco (art.91, II. O confisco permitido pelo CP não incide sobre bens particulares do sujeito, mas sim sobre
instrumentos e produto do crime. Só é permitido em relação aos crimes, sendo inadmissível nas contravenções.

SECUNDÁRIOS EXTRAPENAL:

(EFEITOS CIVIS):

a) Obrigação de reparar o dano (art.91, I).

b) O confisco, previsto no art.91, II (obrigação para com o Estado).

c) Incapacidade para exercício do pátrio poder, tutela ou curatela (art.92, II).

(EFEITOS ADMINISTRATIVOS):

a) Perda do cargo ou função pública (art.92, I). Atualmente, por força do art.1º da Lei 9.268/96, que deu nova redação
ao art.92 do CP, o dispositivo passou a ter a seguinte previsão.

Art.92 – São também efeitos da condenação:

I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:

a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados
com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública;

b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a quatro anos nos demais casos.

c) Inabilitação para dirigir veículos (art.92, III).

(EFEITO POLÍTICO):

a) Perda do mandato eletivo (art.92, I).

** Podem ainda ocorrer efeitos indiretos de caráter trabalhista (justa causa rescisão de contrato de trabalho, etc.).

** Os efeitos da condenação podem ainda ser:

a) Genéricos: os elencados no art.91 (são automáticos).

b) Específicos: os elencados no art.92 (Não são automáticos, devendo o juiz declará-los motivadamente na
sentença – art.92, parágrafo único).

IX - DA AÇÃO PENAL

ESPÉCIES:

a) Pública Incondicionada – Art. 100, caput do CP.

b) Representação – Art. 100, § 1º,CP.

c) Pública Condicionada

d) Requisição do Ministro da Justiça – Art. 100, § 1º ,CP (2ºparte).


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

e) e) Privada Exclusiva – Art. 100, § 2º,CP

f) Privada Subsidiária da Pública – Art. 100, § 3º,CP e Art. 5º, LIX, CF.

g) Personalíssima – Arts. 236, § único e 240, § 2º, CP (apenas).

** A regra é a ação pública incondicionada – art.129, I da CF.

** Ação Pública Condicionada também é exercida pelo MP, mas depende, para a sua instauração, de representação do
ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, nas hipóteses previstas em lei.

** Tanto a representação, quanto a Requisição pelo Ministro da Justiça, são “Condições de Procedibilidade”. É
irretratável após a denúncia – arrt.102.

** Exemplos de crimes cuja ação penal somente se processa mediante representação: ameaça – art.147; violação do
segredo profissional – art.154; furto de coisa comum – art.156; lesões leves e culposas ( Lei. 9.099/95), etc.

** A representação pode ser feita por REQUERIMENTO ou por MANIFESTAÇÃO ORAL, que deve ser tomada a termo
perante a autoridade.

** A autoridade pode ser a POLICIAL, JUIZ, MINISTÉRIO PÚBLICO.

** A ausência de requerimento do ofendido, de representação ou requisição impedem a prisão em flagrante ou, no


mínimo, a limitam a 24 h.

** Pôr óbvio, também impede a propositura de ação penal.

AÇÃO PENAL, PRIVADA EXCLUSIVA – ART.100, parágrafo 2º DO CP:

** Somente pode ser movida pelo ofendido ou seu representante legal.

** Inicia-se com a queixa.

** No caso de morte do ofendido ou ausência judicial, o direito de oferecer queixa ou de prosseguir na ação passa ao
cônjuge, ascendente, descendente ou irmão, nesta ordem. O número é taxativo. Não comporta outras pessoas.

AÇÃO PENAL PRIVADA SUBSISIÁRIA DA PÚBLICA – ART.100, parágrafo 3º DO CP:

** Embora a ação penal continue de natureza pública, permite-se que o particular a inicie, quando o titular (MP), não a
propõe no prazo legal – art.5º, LIX, da CF.

** Quando é cabível? Quando ocorrer desídia do órgão Ministerial.

** Não caberá na hipótese do MP, por exemplo, requerer o arquivamento do feito.

AÇÃO PRIVADA PERSONALÍSSIMA:

** Em alguns casos a ação penal somente pode ser instaurada pelo interessado e mais ninguém!

** Exemplos raros:

a) Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento – art. 236.

b) Adultério - art.240.

** Neste casos, se o ofendido morrer, opera-se a extinção da punibilidade para o sujeito ativo do crime.

CRITÉRIO:

** Quando o Legislador silencia, após descrever o delito, a AÇÃO É PÚBLICA INCONDICIONADA.


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Quando for CONDICIONADA OU PRIVADA, o Legislador diz.

DECADÊNCIA DO DIREITO DE QUEIXA OU REPRESENTAÇÃO – ART.103 DO CP.

** Salvo disposição expressa em contrário, decai em 6 meses o direito de queixa ou representação – art.103.

** No que pertine, contudo, à Requisição Ministerial, não há prazo.

** Pode ser intentada em qualquer tempo, enquanto não operar a extinção da punibilidade pela prescrição, de vez que o
art.103 fala em “queixa”, “representação” e “ação privada subsidiária da pública” e, não em REQUISIÇÃO. O prazo
decadencial começa a fluir da data em que a vítima tomou conhecimento dofato. Exceto no caso do Art. 75, lei 9.099/95.
Aqui, o prazo decadencial começa a fluir da audiência preliminar, não na forma do Art. 103 do CP; segundo penso e
igualmente, Luiz Flávio Gomes.

X - EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

** O art.107 não esgota as hipóteses de extinção da punibilidade: art.312, parágrafo 3º; morte do ofendido no adultério;
anulação do primeiro casamento no crime de bigamia, etc, são outros exemplos de causas extintivas da punibilidade
não previstas no referido artigo.

** A extinção da punibilidade não se estende a prisão civil que não é pena, mas mera medida coercitiva.

PUNIBILIDADE :

Conceito – É a possibilidade jurídica do autor de um crime sofrer a imposição de uma sanção penal. Logo, extinta a
punibilidade, não há mais essa possibilidade.

MORTE DO AGENTE – ART.107, I : “mors omnia solvit” – a morte dissolve tudo.

** O Juiz à vista da certidão de óbito, ouvindo o MP, declarará extinta a punibilidade – art.62 do CPP.

** E se houver falsificação da certidão de óbito? O STF entende, contra a doutrina predominante, que não faz coisa
julgada.

** Contudo, o entendimento é que, declarada por sentença a extinção da punibilidade, ainda que com base em certidão
de óbito falsa, transitada em julgado, esta decisão é imutável. Faz coisa julgada material. Não se poderá mais punir o
sujeito.

** O STF entende que o CP fala em “Morte”. Se o sujeito não morreu não há se falar em extinção da punibilidade. Este
deve ser o entendimento a ser adotado para os concursos públicos de Juiz e Promotor. Defensor, não.

ANISTIA, GRAÇA OU INDULLTO – 107, II: A graça em sentido amplo, abrange a anistia, a graça em sentido estrito e o
indulto.

** ANISTIA: Exclui o crime, apagando a infração penal (art.48, VIII, CF).

** É competência exclusiva do Congresso Nacional. Pode ocorrer antes ou depois da sentença condenatória.

** Se antes, chama-se “própria”; depois, “imprópria”.

** Rescinde a condenação, ainda que transitada em julgado. Afasta a reincidência. Pode ser:

a) Geral

b) Restrita.

c) Condicionada (pode ser recusada).


Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
d) Incondicionada (sua recusa é inócua).

** Não afasta os efeitos civis.

** INDULTO: Pressupõe, em regra, uma condenação com trânsito em julgado. Contudo, pode ser concedido, em tese,
ainda que não tenha havido trânsito em julgado de sentença.

** Exclui apenas a punibilidade (a pena), e não o crime. É ato privativo do Presidente da República – art.84, XII, da CF.

** Não afasta a reincidência se já houver sentença com trânsito em julgado.

** GRAÇA: É o mesmo que indulto individual previsto no art.188 da LEP. Também é ato privativo do Presidente da
República.

ABOLITIO CRIMINIS – ART.107, III e ART.2º : A lei posterios deixa de considerar fato como crime.

PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA E PEREMPÇÃO – 107, IV:

DECADÊNCIA: A regra é 6 meses (art.103). Há casos, porém que a extinção da punibilidade opera em 1mês: adultério
(art.240, parágrafo 2º), 3 meses (crimes de imprensa). A regra, contudo, é 6 meses, conforme dispõe o Art. 103 do CP.

** A decadência inicia a contar na forma do art.10.

** Não se suspende nem se interrompe o prazo por motivo algum.

E na hipótese do ofendido ser menor de 21 e maior 18 anos?

** O direito de queixa ou representação pode ser exercido, simultaneamente, pelo ofendido e seu representante legal.

** Contudo, o assunto é controvertido:

1ª. Corrente: Existiria dois prazos: um para o menor e outro para o seu representante legal, contado da ciência de cada
um da autoria do fato.

2ª. Corrente: o prazo é um só, comum para o menor e seu representante legal.

** A primeira corrente prevalece na Jurisprudência; a segunda prevalece na doutrina. Defendo a Segunda corrente. Para
os concursos de Juiz e Promotor, todavia, deve prevalecer a primeira corrente.

PEREMPÇÃO: É a perda do direito de prosseguimento da ação penal de caráter exclusivamente privada por algum fato
previsto na LEI, geralmente por inércia do querelante. Ver casos no art.60 do CPP.

PELA RENÚNCIA AO DIREITO DE QUEIXA OU PELO PERDÃO ACEITO, NOS CRIMES DE AÇÃO PRIVADA – 107,
V: A renúncia há que ser antes da ação penal (art.104): após será perdão (art.105). COMUNICA-SE AOS CO-AUTORES
E PARTíCIPES. SOMENTE PODERÁ HAVER PERDÃO NA AÇÃO PENAL PRIVADA EXCLLUSIVA. (VER AINDA ARTS.
50/54 DO CPP).

RETRATAÇÃO DO AGENTE, NOS CASOS EM QUE A LEI A ADMITE – 107, IV: Cabe nos crimes de calúnia, e
difamação; falso testemunho ou falsa perícia – art.342, parágrafo 3º; nos crimes de calúnia, injúria e difamação por
meio de imprensa – Lei 5.250/67, art.26. Não se trata de mero pedido de desculpas.

** A retratação deve ser clara e incondicional. Não depende de aceitação do ofendido. Deve ser reduzida a termo
nos autos. Não se comunica aos co-autores. A sua natureza é de escusa absolutória.

CASAMENTO DO AGENTE COM A VÍTIMA art.107, VII: Nos crimes praticados contra os costumes previstos nos
capítulos I, II e III, do Título VI do CP (arts.213 a 220, estupro, etc.), o casamento da vítima com o agente extingue a
punibilidade. Se o crime está elencado no Capítulo IV, não. Ex.: estupro qualificado pela lesão grave – art.223, caput,
CP. Aqui a ação é pública incondicionada. Discute-se na doutrina, se na hipótese de lesões leves, face o que dispõe a
Súmula 608 do STF, também haveria a extinção da punibilidade previsto no art.107, VII. A resposta é sim. Por isso que,
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.
apesar de neste caso a violência ser real, e a ação penal pública incondicionada, o crime ainda estará incluído no rol
dos Capítulos I, II, III, do Título VI do CP. Embora meu entendimento seja no sentido de que esta súmula tenha sido
revogada pela lei 9.099/95 (Art.88).

CASAMENTO DA VÍTIMA COM TERCEIRO – 107, VIII: Não havendo violência real ou grave ameaça nos crimes contra
os costumes, o casamento da vítima com 3º também extingue a punibilidade se não houver requerimento daquela pelo
prosseguimento do CP, ou ação penal dentro de 60 dias contatos da data do casamento. O legislador fala em
VIOLÊNCIA REAL OU GRAVE AMEAÇA (art.107, VIII).

** Logo, se a violência for FICTA – art.224 – também aproveita ao agente. Assim o casamento da vítima com terceiro,
poderá provocar a extinção da punibilidade nos seguintes crimes: 215, 216, 217, 218; 219 (na modalidade “... fraude”), e
220; também os arts. 213, 214, 216 e 219, quando se tratar de violência ficta (art.224).

** A mulher, na hipótese do art.107, VIII, pode ser menor de 18 anos e, ainda assim, poderá requerer o prosseguimento
do inquérito ou ação penal.

PERDÃO JUDICIAL – 107, IX: Afasta a reincidência. É um favor da Lei. Não pode ser recusado. Não afasta os efeitos
civis. Terá seu nome lançado no rol dos culpados. Pagará custas. O STJ todavia, editou a súmula 18 onde diz que a
sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não sobreexistindo quaisquer efeitos
da condenação. Este deve ser a tese defendida para concurso de Juiz e Defensor. Promotor, não. Para concurso de
Promotor, a natureza da sentença que concede perdão judicial é condenatória, afastando o somente a reincidência, na
forma do art.120 do CP, e o cumprimento da pena – Art. 107, IX.

DA PRESCRIÇÃO :

** A prescrição extingue a punibilidade baseando-se na fluência do tempo.

** No sentido comum o verbo PRESCREVER, significa “preceituar, fixar”, etc. No sentido jurídico, quer dizer “ficar sem
efeito um direito, por ter decorrido certo prazo legal”.

** A prescrição é de ordem pública, devendo ser decretada de oficio ou a requerimento do interessado. Os arts.109 a
110 do CP tratam dos prazos da prescrição.

** Se ocorre antes do trânsito em julgado de sentença não forja reincidência; após forja. Atinge imediatamente o jus
puniendi do Estado.

** Se o réu ao tempo do crime era menor de 21 anos, terá seu prazo prescricional reduzido de metade – art.115.

** Também será reduzido, se na época da sentença tiver mais de 70 anos.

** Por outro lado, depois de transitado em julgado a sentença condenatória, o prazo da prescrição é aumentando de 1/3,
se o condenado é reincidente.

** Só ocorre esse aumento na prescrição da pretensão executória (art.110, in fine). O STJ entende que incide também o
aumento, se, superveniente ou retroativa. A reincidência deve ser declarada na sentença, caso contrário não haverá o
acréscimo no prazo.

** Na pena de multa, sendo a única cominada, ou a aplicada, o prazo da prescrição é de 2 anos – art.114.

** As penas restritivas de direitos prescrevem nos mesmos prazos dos previstos para as penas privativas de liberdade
substituídas – art.109, parágrafo único.

** Crimes imprescritíveis – vide art.5º, XLII e XLIV da CF.

** Interrupção dos prazos prescricionais – art.117. Uma vez interrompida, a prescrição volta a correr novamente por
inteiro do dia da interrupção.

** Excetua-se a interrupção provocada pelo início ou continuação do cumprimento da pena. Se o condenado está
cumprindo a pena não há se falar em correr prazo prescricional.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Se o condenado fugir da prisão ou for revogado o LC (e ele se evadir), o prazo da prescrição não volta a correr por
inteiro, mas apenas pelo tempo que restar da pena – arts. 113, 117, V, 117, parágrafo 2º. (Cesar Roberto Bittencourt
entende que os §§ 1º e 2º do Art. 117, foram revogados).

Ex.: Condenado inicia cumprimento da pena de 3 Anos. Após cumprir 2 anos e 2 dias foge. O prazo da
prescrição agora será de 2 anos (pena restante inferior a 1 ano). O mesmo critério no caso de revogação do LC,
quando o apenado foge para não ser recolhido. No caso do SURSIS, não. A prescrição regula-se pelo total da
pena suspensa.

** Suspensão do prazo prescricional – art.116. A Lei 9.271, de 17 de abril de 1996, no seu art.1º, dando nova redação
ao art.366 do CPP, introduziu nova causa de suspensão da prescrição ao dizer:

“Art.366 – Se o acusado, citado pôr edital, não comparecer, nem constituir advogado, ficarão suspensos o
processo e o CURSO DO PRAZO PRESCRICIONAL, podendo o Juiz determinar a produção antecipada das
provas consideradas urgentes e, se for o caso, decretar prisão preventiva, nos termos do disposto no art.312”.
Logo, além das causas suspensivas do prazo prescricional já previstos no artigo 116 do CP, deve-se acrescentar mais
esta que, apesar de prevista em norma processual, é de caráter material, portanto, penal. A diferença entre
SUSPENSÃO e INTERRUPÇÃO, é que na primeira o prazo reinicia a contar a partir do momento em que foi suspenso;
na Segunda o prazo começa a contar do zero. Também, a CF no Art. 53, § 2º; lei 9.099/95, Art. 89, § 6º, preveem outras
hipóteses de suspensão da prescrição não previstas no Art. 116, CP.

Ex.: A mata B no dia 01.01.80. No dia 01.05.85, ainda não havia denúncia recebida. A elege-se Deputado. A Casa
Legislativa não dá autorização para que A seja processado. O prazo prescricional fica suspenso. Terminado o mandato,
o Estado disporá de apenas 15 anos para processar A. Eis que quando o prazo foi suspenso, já haviam decorridos 5
anos da consumação do homicídio praticado por A. O homicídio, na forma do art.109, inciso I, prescreve em 20 anos.

Na mesma hipótese, se em 01.01.85, a denúncia tivesse sido recebida contra A, os 5 anos já decorridos seriam
interrompidos. Começaria a contar do zero : 20 anos.

** Início da contagem dos prazos para a prescrição da pretensão punitiva – art.111.

** Início da contagem dos prazos para a prescrição da pretensão executória – art.112.

ESPÉCIES DE PRESCRIÇÃO:

a) Prescrição da pretensão punitiva.

- propriamente dita ou abstrata.


- prescrição retroativa.
- prescrição superveniente.

b) Prescrição da pretensão executória.

PROPRIAMENTE DITA OU ABSTRATA : Ocorre da consumação do crime até o recebimento da denúncia ou da queixa,
ou a partir deste momento até a sentença – art.111.

** Regula-se pela pena máxima em abstrato (art.109). A contagem é efetuada na forma do art.10. Afastam-se os efeitos
secundários. É como se o crime nunca tivesse existido.

RETROATIVA: vide art.110, parágrafo 2º. – É a mesma superveniente (art.110, parágrafo 1º), só que as avessas, eis
que volta-se para períodos anteriores à sentença condenatória.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

** Regula-se pela pena em concreto, desde que haja trânsito em julgado para acusação ou seu recurso tenha sido
improvido, ou ainda o recurso mesmo que provido não altera os limites prescricionais previstos.

** É espécie do gênero prescrição da pretensão punitiva. Não há pena (efeito principal), nem inscrição no rol dos
culpados, fixação do pressuposto da reincidência, nem eventual pagamento de custas (efeitos secundários).

SUPERVENIENTE: Começa a contar a partir da sentença recorrível até a data do trânsito em julgado.

** Leva-se em consideração a pena concretizada (art.110, parágrafo 1º).

** Requer trânsito em julgado para o MP, seja por não ter havido recurso; seja por ter sido improvido, ou ainda, por
evidenciar-se que não haveria aumento no prazo prescricional mesmo se prosperasse o recurso do MP.

** Não pode estar transitada para a defesa. É também espécie do gênero prescrição da pretensão punitiva. Apaga os
efeitos principais e secundárias da condenação.

DIFERENÇAS ENTRE SUPERVENIENTE E RETROATIVA:

a) Superveniente – dirige-se para adiante, período pós sentença condenatória recorrível.

b) Retroativa – para períodos anteriores a sentença. Independe de recurso do réu, e do momento processual em que
é declarada.

** Há divergência se o Juiz de primeira instância pode declarar a prescrição retroativa, vez que esgotaria o Seu “munus”
com a sentença. A melhor doutrina entende que NÃO. É a nossa posição também. Contudo, a jurisprudência prevalente
entende que sim. Esta é a tese a ser adotada para concursos.

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA DA PENA: Ocorre após o efetivo trânsito em julgado da sentença
condenatória (para ambas as partes), verificado, ainda, a inexistência de prescrição retroativa ou superveniente.

** Regula-se pela pena em concreto, art.110, caput. Extingue apenas a pena. Permanecem os efeitos da condenação.

** O prazo começa a partir do dia em que transitou em julgado para a acusação, ou que revogou o sursis ou LC –
art.112, I.

MEDIDA DE SEGURANÇA E PRESCRIÇÃO: Prescrita a pena não se impõe medida de segurança – art.96, parágrafo
único.

** Imposta medida de segurança ao inimputável, o cálculo da prescrição será feito pelo máximo da pena cominada
abstratamente do fato praticado por ele.

SEMI-IMPUTÁVEIS:

** Antes da sentença (prescrição da pretensão punitiva propriamente dita ou abstrata), o princípio é o mesmo – art.96,
parágrafo único.

** Nos demais tipos, contudo (superveniente, retroativa e executória), há que se verificar se a sentença, antes de ser
efetuada a substituição da pena pela medida de segurança, indicou ou não o quantum da pena aplicada :

a) Se a sentença consignou a pena aplicável antes de fazer a substituição desta pela medida de segurança, a
prescrição regula-se pela pena substituída.

b) Se, contudo, o Juiz não indicou a pena aplicável, efetuando desde logo a substituição pela medida de segurança,
teremos que usar como índice a pena mínima cominada abstratamente ao crime. Não se poderá inferir que a pena
aplicável fosse superior ou inferior ao mínimo legal.

CONCURSO MATERIAL – art.69: a prescrição ocorre isoladamente para cada crime, como se concurso não houvesse –
art.119.
Direito Penal. GERAL Luciano Starepravo.

CONCURSO FORMAL: - art.70: a prescrição da pretensão punitiva propriamente dita opera para cada crime isolamento
tomando-se como base as penas abstratas cominadas a cada um dos crimes, como se concurso não houvesse –
art.119.

** Após sentença, a prescrição (superveniente, retroativa e executória), regula-se pela pena concretizada, sem o
acréscimo previsto no art.70, 1ª . parte, CP.

** Da mesma forma o crime continuado – art.71, na forma do art.119 (súmula 497 do STF).

PRESCRIÇÃO NO CASO DE CRIMES PREVISTOS EM LEIS ESPECIAIS

CRIMES DE IMPRENSA : Art. 41 da lei 5.250/67 : “a prescrição da ação penal, nos crimes definidos nesta lei, ocorrerá
dois anos após a data da publicação ou transmissão incriminada, e a condenação, no dobro do prazo em que for fixada
(...)§ 3º - No caso de periódicos que não indiquem data, o prazo referido neste artigo começará a correr do último dia do
mês ou outro período a que corresponderem que ocorrer a publicação.

CRIMES FALIMENTARES : Art. 199 do Dec. Lei nº 7.661/45 chamado Lei das Falências, estabelece : “A prescrição
extintiva da punibilidade de crime falimentar opera-se em dois anos”. § único “O prazo prescricional começa a correr da
data em que transitar em julgado a sentença que encerrar a falência ou que julgar cumprida a concordata”.

Casos de imprescritibilidade : Art. 5º, XLII e XLIV. Somente nestes casos.

XI - DA REABILITAÇÃO:

conceito: É a reintegração do condenado no exercício dos direitos atingidos pela sentença.

** Pode ser requerida após 2 anos da extinção da pena ou do término da execução (arts.93 a 95). Alcança quaisquer
penas.

** Ela não rescinde a condenação. Assim, vindo o reabilitado a cometer novo delito dentro do prazo do art.64, I, do CP,
será considerado REINCIDENTE.

REQUISITOS:

a) Tenha tido domicílio no País no prazo acima (dois anos).

b) Tenha dado, durante esse tempo, demonstração efetiva e constante de bom comportamento público e privado.

c) Tenha ressarcido o dano causado pelo crime ou demonstre absoluta impossibilidade de fazer até o dia pedido, ou
exiba documento que comprove a renúncia da vítima ou novação da dívida (art.94, caput, I, II, III do CP).

** Em alguns casos não há se falar em reparação do dano: ato obsceno, por exemplo. Vide arts.93 e seguintes do CP.