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5,56 x 45 mm

http://armabellica.com.br/556-x-45-mm/
POSTED 20/07/2018 ALFREDO ANDRÉ
O calibre 5,56 x 45 mm que conhecemos hoje é muito diferente do calibre que foi
desenvolvido originalmente. A evolução dos calibres de fuzis de assalto tende a levar um
calibre menor se comparado com um calibre convencional de fuzis. Menos propelente, com
um projétil mais leve e de tamanho menor, tem se um calibre que satisfaz o alcance estimado
com uma velocidade maior. O calibre 5,56 x 45 mm percorre esse caminho. Ele se torna mais
leve, menor ainda para gerar um calibre de alta velocidade, onde é justamente nesse quesito
se aposta a sua eficácia.

Origens
O conceito de um projétil de alta velocidade surgiu com o programa SCHV – Small Caliber
High Velocity, algo como calibre pequeno de alta velocidade. O conceito é simples. Um
projétil de menor calibre e mais leve, usaria uma quantidade de propelente para impulsioná-lo
a velocidades supersônicas ou quase isso. Com o diâmetro menor, maior seria a pressão
atrás do projétil leve, levando então a uma velocidade tão grande que a letalidade resultaria
pela energia cinética.

Visando aprofundar nos estudos desse tipo de calibre, em 1957, o CONARC – Continental
Army Command, coloca como requisito desse novo calibre que ele fosse .22 e tivesse um
alcance efetivo de 457 metros. Esses requisitos vieram do programa SALVO realizado entre
1952 e 1956 onde se buscava diferentes tipos de projéteis. Ao pegar uma carabina M1 e
trocar o calibre .30 carbine por um calibre .22, notaram que o projétil tinha um desempenho
que ninguém esperava. O projétil saía a uma velocidade extremamente alta com uma
trajetória plana. E assim optaram por seguir esse caminho. Na época somente duas
empresas se interessaram pelo pedido do CONARC. Estavam então a ArmaLite com o .222
Special e a Winchester com o .224 Winchester LMR.

Naquela altura do campeonato custaria muito tempo e dinheiro começar um calibre novo a
partir do zero. Uma opção mais rápida e econômica seria trabalhar em cima de um calibre já
pronto. Se por um lado agiliza e economiza, por outro lado abre a chance de gerar problemas
no futuro j que os pontos negativos podem não ser observados no início. Pois bem, o calibre
usado como base foi o .222 Remington, com um projétil de 55 grains. Era um calibre
destinado à caça e famoso por sua precisão e velocidade do projétil. Levando em conta o
requerimento do CONARC de um calibre .22, foi o calibre ideal para isso.
.222 Remington.

Tanto a ArmaLite como a Winchester usaram o .222 Remington para as suas propostas de
calibre. A Winchester trabalha em cima desses valores e cria o .224 Winchester. Já a
ArmaLite trabalha em cima criando o .222 Remington Special. Enquanto que o projétil da
ArmaLite pesava 55 grains, o da Winchester pesava 53 grains. Partindo de um mesmo
calibre, isso facilitaria a comparação entre os calibres, pois caso fossem diferentes, poderia
haver confusão e comparações errôneas.  Embora fosse um projetista de armas de fogo, foi
Eugente Stoner, que mais tarde criaria o AR-10 e AR-16/18, que fez os cálculos do peso do
projétil e quantidade de propelente para se chegar ao .222 Remington Special.
Da esquerda para a direita, o .222
Remington, o .223 Remington e o .222 Remington Magnum.

Aqui acontece um acordo de cavalheiros. A Winchester usava um propelente que gerava


muita pressão interna, de tal ordem que deveria usar outro propelente. Porém esse
propelente necessitava de maior carga, portanto, tinha que aumentar o tamanho do cartucho.
A ArmaLite consentiu com isso. Entretanto, o fuzil AR-15, por exemplo, poderia disparar os
dois calibres já que as dimensões eram quase iguais ao passo que o fuzil da Winchester
somente poderia disparar a sua munição. Como o .224 winchester tinha o projétil colocado
mais a fundo na cápsula para não exceder o tamanho do cartucho, ele apresentava um
rendimento menor.

5,56 x 45 mm M193
O calibre .222 Remington Special se mostrou melhor que o concorrente da Winchester. Uma
alteração de nome ocorre também. O .222 Remington Special tinha uma balística e
dimensões muito parecias com o .222 Remington Magnum. Para evitar confusões, em 1959 a
ArmaLite altera o nome para .223 Remington. Em 1963 a força aérea o denomina 5,64 mm
(isso mesmo, 5,64) e no mesmo o ano o exército altera novamente, agora para 5,56 x 45 mm.

A primeira versão do calibre foi o M193 como um projétil de 55 grains coberto por uma camisa
de cobre. O projétil tinha um efeito maior que o esperado. Em um cano de 508 mm, o projétil
saía a 995 metros por segundo, onde gerava uma energia cinética de 186 kgfm na boca do
cano. Essa energia vai caindo à medida que o projétil vai se distanciando e perdendo
velocidade.

5,56 x 45 mm M193.

A título de comparação. A 300 metros de distância, um projétil que tenha energia entre 10 e
15 kgfm tem a letalidade de parar um soldado inimigo. O 5,56 x 45 mm M193 tem a energia
de 68 kgfm. A 500 metros sua energia cai a 30 kgfm, o que é mais do que suficiente para
abater um alvo. Como o projétil tem uma trajetória mais plana em virtude de sua grande
velocidade, ele mantém uma precisão sem ter que alterar a graduação da mira, como ocorre
nos fuzis de calibres mais pesados. Para ventos laterais mais um ponto positivo. A 300
metros e com um vento de 20 km/h o M193 se desloca 48 cm. Nessa mesma distância e
velocidade, o projétil do AK-47, 7,62 x 39 mm, se desloca 60 cm.

Isso é muito útil porque o curto recuo faz aumentar a precisão e controle. Em velocidades
altas e trajetórias planas, uma pequena rajada de 3 a 5 disparos (mais que isso a arma fica
incontrolável com precisão zero) faz gerar uma concentração maior de disparos. Daí a
vantagem de uso de regime automático com o 5,56 x 45 mm.

O M193 gera uma pressão de 52.0002 Psi. A câmara do cano, o cano e a cápsula do
cartucho precisam trabalhar com esses valores. Entretanto, há uma determinada tolerância
onde esses elementos podem aguentar até 55.000 Psi. Isso não quer dizer que o calibre pode
ser usado com o valor máximo, mas sim em um momento ou outro. Quanto maior a pressão
fora do padrão regular, maior é o desgaste natural do fuzil.

Pode ser até comum as pessoas associarem o .223 e o 5,56 x 45 mm como iguais quando na
verdade não o são. Aqui há que se ter muito cuidado. Embora com dimensões praticamente
iguais, as duas munições tem valores diferentes. O 5,56 x 45 mm é levemente maior em
tamanho e gera uma pressão maior que o .223. As pressões que aqui falamos, de ordem
geral, gira em 55.000 Psi para o .223 Remington enquanto que o 5,56 x 45 mm trabalha com
62.000 Psi. E faz todo o sentido se lembrarmos que para fazer um projétil sair do cano a uma
velocidade supersônica (ou quase), mais energia seria necessária e, portanto, maior a
pressão demandada. Cabe dizer que usar uma munição 5,56 x 45 mm em uma arma .223 é
correr um grande risco porque ela não está preparada para essa carga de pressão. Usar o .
223 em uma arma não traz risco ao soldado, porém haverá uma grande deficiência em
alcance e precisão.

5,56 x 45 mm M855
A origem do M855 é mais interessante por duas razões que são contrárias ao que se pensa.
Primeiro, nunca foi a seleção direta da OTAN e não foi um calibre novo para a OTAN e sim
um segundo calibre padrão. A história dessa versão é interessante e merece ser contada.

Com o uso do 5,56 x 45 mm no Vietnã e o interesse de outros países por esse calibre em
programas de fuzis paralelos, não dava para ignorar a necessidade de um calibre mais leve
que permitisse um maior poder de fogo e controle no regime automático. Embora a OTAN
ainda mantivesse (e dependesse) do 7,62 x 51 mm, ela achou por melhor adotar um 2º
calibre para uso juntamente com o 7,62 x 51 mm. Desta forma, em junho de 1976 a OTAN
emite um MOU – Memorandum of Understanding (algo como memorando de entendimento)
para o novo calibre leve. A ideia era criar uma série de testes para vários candidatos de
calibres. E esses testes seriam fiscalizados por vários membros dos países pertencentes a
OTAN. A 1ª parte da avaliação seria técnica quanto às características das munições e depois
uma fase prática com testes em campo, como precisão, treinamento, confiabilidade, como
reage com o fator humano e segurança. No começo não foi nada fácil porque cada país
apresentou seus requisitos. Depois as condições de testes variaram entre os países. A OTAN
teve de criar uma comissão para intermediar todos eles, organizando e estipulando valores
comuns para todos, visando minimizar ao máximo confusões e atritos.
Dimensões do 5,56 x 45 mm M855.

A Europa não queria um calibre imposto sem consulta, como foi o caso do 7,62 x 51 mm onde
foi posto praticamente à força quando, na época, existiam calibres com um desempenho até
melhor, mas que foram praticamente ignorados. O 7,62 mm não foi um calibre inútil, já que
ele cobria grandes distâncias com energia de sobra. E a Europa não achava ruim o 5,56 mm
porque era leve e com controle satisfatório no regime automático.

Para tanto, foram ofertados o alemão 4,73 x 33 mm. Tratava-se de uma munição caseless,
onde o projétil ficava a todo o momento dentro da cápsula, gerando uma munição de tamanho
menor. Essa munição havia sido desenvolvida para o fuzil HK G11. A versão ofertada
conseguia 940 m/s em um cano de 540 mm. Ela não passou das primeiras análises técnicas
porque a alta cadência de disparo do G11 fazia o cano esquentar a tal ponto que a munição
sofria o efeito cookoff, quando a munição é deflagrada automaticamente pela temperatura do
cano sem ação externa.

O calibre inglês 4,85 x 49 mm tinha um projétil de 48 grains, isso gerava um projétil a 900 m/s
em um cano de 518 mm. A título comparativo, o M193 gerava 975 m/s em um cano de 508
mm. A Inglaterra, mais uma vez, tinha desenvolvido um bom calibre com características
satisfatórias. Mas não levou em consideração o fato que, até então, milhões de fuzis
M16/M16A1 estavam nos estoques dos EUA e converter todas as armas custaria uma fábula
de dinheiro. Sem falar nos outros países da OTAN que usavam outros fuzil no calibre
americano.

Os americanos eram mais pragmáticos. Sabiam que o mundo, além de deles, usavam armas
em 5,56 x 45 mm M193 e, do nada, substituir esse calibre por um novo seria um grande
problema não só logístico como financeiro. A ideia deles era de ter um calibre que não
obrigasse a conversão de qualquer arma ao passo de que poderia ser usado em fuzis
anteriores sem perder a letalidade e capacidade combativa. Desta forma, o novo calibre
deveria ser inter operável.

Os EUA já pesquisavam então a capacidade de aumentar a potência do 5,56 x 45 mm para


acertar alvos a 800 metros (transfixando um capacete nessa distância) usando o projétil
XM777. Nesse ínterim, a FN (Fabrique National Herstal) já pesquisava uma forma de
aumentar o alcance da sua munição com seu fuzil FNC e sua metralhadora leve Minimi, além
de diminuir os grandes efeitos dilacerativos das feridas causadas pelo projétil quando não
acertava partes vitais do alvo. Que fique claro, um único calibre teria um maior alcance
porque a Minimi trabalharia com maior alcance pelo seu papel.

Para isso os belgas desenvolveram o projétil SS109. Tratava-se um projétil mais pesado, com
62 grains e mais cônico para quando acertar o alvo não tombar tão facilmente como o M193.
O projétil tinha uma base de chumbo e na ponta uma parte cônica de aço, tudo isso revestido
por cobre. Essa ponta de aço serve como perfurante contra proteções balísticas. A forma de
reduzir o efeito de tombamento do projétil quando acertava o corpo humano era alterando o
passo de raiamento. O M16A1 tinha um cano com 1:12, ou seja, a cada 12 polegadas (304
mm), o projétil dava uma volta em seu eixo longitudinal. O SS109 usava um cano de 1:7, ou
seja, o projétil dava uma volta a cada 7 polegadas (177 mm). A soma desses fatores
resultava em um projétil mais estável.

É por isso que projéteis SS109 perdem eficácia e letalidade quando disparos de canos de
1:12. Como você tem uma rotação maior, ele sai mais lento e pesado por causa do projétil
mais pesado. O calibre 5,56 x 45 mm usa a alta velocidade para gerar a energia cinética para
o dano.
5,56 x
45 mm M855.

Cabe recordar que SS109 belga e o XM777 americano eram idênticos. E desta forma, fizeram
testes comparativos para ver qual seria o melhor para a OTAN. Curiosamente, para simular
capacetes da Alemanha Oriental nas avaliações, usaram capacetes americanos com 3,5 mm
de espessura. O campo de teste ficava em Hammelburg, da então Alemanha Ocidental. Os
testes mostraram que o projétil XM777 tinha maior capacidade de letalidade e incapacidade
do alvo, enquanto que o SS109 tinha maior estabilidade e capacidade de penetração contra
material balístico.

Em outubro de 1980, foi adotado o 5,56 x 45 mm SS109 como segundo calibre padrão da
OTAN, ou seja, 5,56 mm OTAN. Nos EUA, o cartucho passa a ser designado como 5,56 x 45
mm M855. Para diferenciar do M193 e evitar problemas, os M855 tem a ponta pintada de
verde, não acrescentando nada à balística da munição.

As características balísticas não aumentaram tanto se comparadas com o M193. Com um


projétil de 62 grains, a pressão gerada era de 55.000 Psi. Há um limite máximo de 58.000 de
Psi tolerados em casos extremos, de não uso contínuo. Isso permite ao projétil uma trajetória
plana com maior alcance de até 800 metros. Mas que fique claro, esse valor pode alterar com
as condições climáticas e outras variáveis. Por ter uma rotação maior e projétil mais pesado,
o M855 não sofre tanto com o vento transversal. Ele mantém energia final a distâncias
maiores se comparado com o M193. A velocidade inicial é menor, é de 920 m/s em virtude do
passo de raiamento e do projétil um pouco mais pesado. Não usaram um propelente diferente
para o M855.

Todo fuzil com cano 1:12 pode, sem problemas, disparar a munição com SS109, mas haverá
uma perda de eficácia. A munição M855 só é recomendada ser usada em canos 1:12 em
situações de emergência. Como não há o mesmo desempenho, a letalidade cai muito, de tal
ordem que o alcance efetivo é de 90-150 metros. Embora visto como um ponto deficiente,
pode ser visto como uma vantagem de usar o 5,56 x 45 mm como base para um novo calibre
porque pode ser usado em fuzis mais antigos sem a necessidade de conversão mas de forma
limitada.

Uma característica a ser notada do calibre 5,56 x 45 mm é a capacidade de penetração. Ao


contrário do que se pensa, há uma distância necessária para que o projétil se estabilize e
assim tenha o maior aproveitamento. A distâncias inferiores a 25 metros, a capacidade de
penetração com danos é mínima. E acima de 200 metros a capacidade de penetração
começa a cair. Isso é importante dizer que porque a curta distâncias acontecem os combates
CQBs e, por isso, soldados armados com carabinas tem reclamado da falta de capacidade de
derrubar o inimigo nesses combates. Se com o M193 isso já é ruim, com o M855 é pior, ainda
mais se levarmos em conta que é a munição usada atualmente por quase todos os exércitos.

Somente a título comparativo. Em distâncias de até 50 metros, o M855 não transfixa um


carro, 51 mm de espessura de parede ou um tonel de 200 litros. Isso ocorre porque nessa
distância não há tempo do projétil se estabilizar com a velocidade. Como ele sai muito rápido,
ele não se estabiliza em menos de 25 metros devido à rotação muito rápida. Após essa
distância, o projétil tem diminuição da rotação sem tanto stress, permitindo uma penetração
pelo projétil mais estável.

5,45 x 45 mm M855A1
Os combates no Iraque e Afeganistão mostraram um problema. A questionada decisão de
substituir os fuzis de assalto por carabinas fez surgir a reclamação de que já era esperada. A
munição M855 não estava fazendo o efeito desejado. Como a carabina era muito usada em
CQBs, a distância era um problema para que o projétil estabilizasse e tivesse o efeito
desejado. Para piorar a situação, em áreas abertas onde os combates aconteciam a média
distância, o M855 perdia alcance e precisão. E mesmo assim, havia constantes reclamações
sobre a letalidade, onde os soldados alegavam que o inimigo continuava lutando mesmo
depois de alvejado.

O problema, além do curto comprimento do cano da carabina (lembrando que o M855 foi
desenvolvido para canos maiores), era o projétil. O uso de uma base de chumbo com um
penetrador de aço fazia alterar a gravidade do projétil levemente. Essa sutil diferença era
suficiente para que o projétil não tombasse quando impactasse no alvo, como no M193.
Explicando melhor. Quando o projétil acerta o corpo humano, assim que ele entra no corpo
ele tomba ou se desfragmenta, gerando o dano no tecido humano. Com o M855, ocorria de o
projétil passar pelo corpo sem tombar ou transfixar, gerando ferimentos mínimos ao inimigo.
5,56 x 45 mm M855A1.

Em 2007 uma nova munição é desenvolvida para sanar esse problema. A começar pelo
projétil. Levemente maior, ele tinha a base feita de cobre e não mais de chumbo. E o
penetrador de aço é maior e em forma de seta. Dando uma melhor estabilidade ao projétil.
Para a nova munição, decidiu usar um novo tipo de propelente SMP 842. Esse propelente
realiza uma queima que gera menos chamas na boca do cano. Além disso, contém
substâncias químicas que diminuem a fuligem resultante da deflagração, ajudando, em tese,
combater as panes por sujeira ou evitar a ferrugem interna no orifício de captação dos gases
no cano. E o principal, esse propelente gerava uma pressão maior, fazendo com que o projétil
alcançasse uma velocidade maior que a M855, chegando a 950 m/s. Detalhe. A ponta não é
verde e sim na cor cobre. Ela é parte independente do projétil.

No final de 2009 essa munição passa a ser distribuída para as tropas. De imediato notaram a
diferença. O fuzil apresentava um leve recuo maior, porém, mantinha o mesmo alcance da
M855. O que a M855A1 dava era maior letalidade, maior velocidade e maior precisão para o
mesmo alcance. Foi notada uma diminuição nas chamas na boca do cano, o que ajudou
muito nas operações noturnas ou com pouca luminosidade.

A penetração foi o destaque. Conseguiam derrubar o inimigo mesmo usando vestimentas


balísticas ou escondido atrás de obstáculos que a M855 não conseguiria penetrar.  E
finalmente, a curtas distâncias, o inimigo passa a ser neutralizado. O M855 necessitava de 19
cm para tombar assim que atingisse o alvo. Porém, muitas vezes ele passava sem tombar ou
desfragmentar. Com o M855A1, o projétil tomba ou desfragmenta em 7,5 cm assim que
atinge o alvo, gerando maiores dano e, assim, imobilizando o inimigo. Quando falamos de 7,5
cm, falamos da distância percorrida dentro do corpo.

Intersecção dos projéteis 5,56 mm. À


esquerda o projétil da munição M855. Note o projétil de chumbo. À direita o projétil M855A1. Note a
flecha de aço.

Porém, a partir de 2012, os primeiros relatos de problemas começam a aparecer. Como a


M855A1 gera uma maior potência, mais stress é injetado em todo o fuzil. Surgem os
primeiros canos com a alma raiada danificada. Isso ocorre porque a pressão maior atrás do
projétil faz gerar uma fricção muito maior se comparada com a M855. Como os gases
geravam mais pressão, mais pressão era enviada ao transportador do ferrolho onde o ferrolho
tem ressaltos que se quebram e chegando até mesmo a rachar o transportador do ferrolho. A
pressão interna na câmara do cano é maior que o esperado. Não existe um nº exato ainda,
mas as pressões oscilam entre 54.000 e 62.000 PSI. Isso com o tempo começam a afetar o
cano, fazendo a precisão cair de forma acentuada.

A coisa é pior quando vista em carabinas M4/A1 já que a distância entre o transportador do
ferrolho e o orifício de admissão é menor, sem falar no cano menor. Muitos dos soldados
passaram a usar a M4A1 no regime automático, fazendo com que o stress fosse aumentado,
propiciando mais dano à carabina. Que fique claro, isso não quer dizer que esses problemas
acontecem no 1º disparo. Todos esses problemas são efeitos de um desgaste prematuro.
Todo fuzil tem um desgaste natural com o uso do tempo. Uma munição mais forte apenas vai
acelerar esse processo. O problema é que o xabú acontece antes do esperando e o soldado
só percebe isso quando ele está em combate.

A culpa não é do fuzil ou da carabina. Essas armas foram feitas para agirem com um
determinado valor de Psi de pressão. Se você usa uma munição com uma pressão maior,
apenas vai desgastar o fuzil precocemente. Não há muito que fazer na impossibilidade de se
trocar o grupo do ferrolho e cano, sempre ficará limitado às pressões do calibre original.
Mudando isso somente com a alteração de uma nova munição. Em maio de 2017, em
resposta ao senado americano, o exército admite que a M855A1 não consegue perfurar as
modernas vestimentas balísticas. Questionado, disse que uma alternativa seria a volta do
7,62 mm OTAN. Mas ficou a dúvida se seria um uso desse calibre por parte do exército ou a
substituição de toda munição, o que demandaria um novo fuzil de assalto.

As 3 munições 5,56 x 45 mm.

Curiosidade
O calibre 5,56 x 45 mm foi acusado de ser uma violação às leis da Convenção de Haia
quanto à munição da infantaria. Segundo tal convenção, é proibido usar calibres militares em
que eles “explodem” dentro do corpo, ou seja, usar artifícios para que o projétil se divida,
fazendo com que cada pedaço faça outras lesões nos tecidos internos. Isso aconteceu por
causa das grandes lesões feitas pelo 5,56 x 45 mm M193. A bem da verdade, o projétil não
se dividia. Ocorre que o projétil tinha tanta velocidade e energia que, ao bater em um pedaço
mais duro e extenso de osso, este se quebrava todo e os vários pedaços quebrados se
tornavam em pequenos projéteis dentro do corpo. Isso gerava outras lesões nos tecidos,
dando a falsa impressão de que o projétil se dividia ou “explodia”.