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A Cidade Para o Idoso - Um espaço

adequado ao idoso
Portal do Envelhecimento
27/07/2005

Artigo de Silvana Serafino Cambiaghi


Comentário SACI: Leia outras matérias da série: A Cidade Para o
Idoso - Envelhecer em nossas cidades é um grande desafio A Cidade
Para o Idoso - Espaços edificados para o idoso: condições de conforto

Silvana Serafino Cambiaghi*

A eficácia de nossa interação com o ambiente depende de nossas


próprias capacidades e de como estão projetados, ambientes e
objetos que nos rodeiam.

Ao longo de nossa vida vamos mudando nossas características e


nossas atividades. Quando somos crianças, nossas próprias
dimensões nos impedem de alcançar ou manipular uma série de
objetos, às vezes, por segurança ou, às vezes, porque a criança não
foi pensada como usuário. Quando adultos nos encontramos em
inúmeras situações que nos dificultam temporariamente de nos
relacionarmos com o ambiente, como gestação, fraturas, torcicolos,
carregando pacotes muito grandes ou pesados, entre outros. Quando
alcançamos uma certa idade nossa força e resistência decrescem, os
sentidos ficam menos aguçados e a memória decai.

Também é possível mesmo que não freqüente, ao longo da vida, se


adquirir alguma deficiência, sejam elas física, psíquica ou sensorial.
Com certeza, vivemos em um ambiente criado por seres humanos
para seres humanos e devemos afirmar que, qualquer problema de
interação com o ambiente, está motivado pela inadequação deste as
nossas necessidades e não por um desajuste das nossas capacidades
ao meio.

O crescimento da população idosa em grandes metrópoles como São


Paulo vem acrescentar a necessidade de uma atenção especial às
pessoas, que no decorrer da vida adquiriram limitações.

Na cidade de São Paulo, segundo Sposati (2.000), "A população com


mais de 70 anos, em 1.996, significa 3,5% dos habitantes da cidade
com 346.426 moradores mostrando um crescimento de cerca de 16%
entre 1.991 e 1.996, o que é bastante significativo. De fato a cidade
envelhece, pois em 90 distritos essa faixa aumentou, isto é, em 94%
dos distritos. Ela só reduziu no Belém, Pari, República, Bom Retiro,
Sé e Brás."[1]

Identificar a maior parte das possíveis necessidades e de dificuldades


de usabilidade[2] dos indivíduos nos extremos da vida, desde uma
total dependência quando crianças até a idade avançada, aonde suas
características e necessidades divergem do homem dito "Padrão".

Os idosos apresentam na maioria das vezes algum tipo de restrição


física, seja parcial ou não, visual, auditiva, locomotora, diminuição da
estabilidade, lentidão das reações defensivas, ou seja, indivíduos que
embora apresentem quaisquer dessas patologias coabitam,
trabalham, dormem, estudam e fazem suas refeições nos mesmos
ambientes das outras pessoas, mas que não o fazem com relativo
conforto, segurança e satisfação.

Quando se pensa num programa de necessidades para um projeto de


arquitetura habitacional, não se pode deixar de mencionar uma ação
interdisciplinar. A experiência do profissional e a abordagem de vários
outros profissionais, com a visão específica de cada um, pode-se
chegar a resultados no mínimo satisfatórios de programas que
incluam idosos e pessoas com deficiência, como usuários destes
projetos.

Propostas de atendimento a esse programa devem levar em conta,


além das necessidades básicas dos usuários, o impacto das
características físicas e psicológicas sobre o desempenho, segurança
e satisfação desses usuários.

As pessoas mais velhas, que possam ter uma capacidade de reação


mais lenta e uma visão e audição deficiente em relação ao utilizador
médio, são igualmente mais suscetíveis em sentir os efeitos
negativos de concepção inadequada dos produtos e serviços. Cerca
de 20% dos cidadãos europeus têm 65 anos ou mais e este grupo
etário deverá aumentar para cerca de 25% da população em
2.020[3]. Tal fato, evidentemente, coloca problemas de acesso aos
bens e serviços a um número considerável de cidadãos europeus.

"Um bom design habilita, um mau design incapacita". Isto se aplica


principalmente aos idosos que podem tornar-se funcionalmente
dependentes devido à redução gradual das suas capacidades motoras
e sensoriais. O momento em que podem necessitar de ajuda técnica
e adaptações na sua casa depende em larga medida do projeto de
arquitetura que os circunda e dos produtos que utilizam. Nos casos
em que o projeto atende, satisfatoriamente, ao programa das
necessidades, a demanda de recursos voltados a itens especializados
pode ser reduzida ou mesmo evitada.
Os idosos são particularmente suscetíveis a influências ambientais,
sejam na climatização ou na temperatura alta ou baixa desses
ambientes, cores, formas, luminosidade, enfim, até mesmo são
influenciados em lares com os quais estão familiarizados. Portanto,
torna-se de extrema importância que o ambiente de convivência do
idoso seja o mais apropriado possível, sendo desta maneira, muito
mais fácil que os outros indivíduos que convivam com esse idoso se
adaptem com maior facilidade às mudanças de que uma situação
contrária.

As recomendações ergonômicas aliadas a antropometria para essas


habitações serão também de grande valia, pois poderão ser
referenciais importantes que nortearão dados pesquisados. O que se
busca é facilitar uma possível análise do pré-uso dessas habitações,
podendo até classificá-las como sendo eficientes e/ou eficazes
espacialmente.

A ciência e a tecnologia têm o propósito de criar condições para uma


existência mais prolongada. Não basta sobreviver: é necessário viver
e participar da civilização. Não basta simplesmente prolongar a
existência: é necessário dar maior qualidade de vida para estes anos
não mais tão dourados.

Vejamos as dificuldades encontradas em algumas atividades da vida


diária e na utilização dos ambientes pelos os idosos:

* Letras pequenas como lista telefônica e bulas de remédio, rótulos


em geral, cortar unhas, cozinhar;
* Entroncamento em corredores, disposição de mobiliários;
* Passagens para ambientes internos/ externos sem controle de
luminosidade;
* Pisos desenhados, claro/escuro.
* Ambientes com monotonia de cores ou excesso de padronagens.
* Pisos reflexivos, objetos ou lâminas d’água;
* Lidar com alterações de superfície como: pisos lisos, irregulares,
etc.
* Teclas de aparelhos eletrodomésticos e controle remoto (sintonia
fina).
* Levantar de locais baixos como sofás e vasos sanitários
* Subir e descer escadas e rampas muito íngremes, necessitando de
garda-corpo e corrimão.
* Manter o equilíbrio ao movimentar a cabeça: subir escadas, mexer
em armários baixos/altos.
* Movimentos amplo com pescoço e tronco, abaixar-se ou alcançar
objetos em armários altos ou baixos.

Existem também muitos riscos, tais como;


* Utilizar o banheiro à noite com a falta ou excesso de luminosidade.
* Tomar banho e vestir-se em pé, sem utilização de banquetas.
* Risco de fratura espontânea de vértebras em movimentos de
curvar-se e de rotação.
* Queda, falseamento dos joelhos
* Fratura aumentado quando associado à superfície e altura de queda

* Queda ao manipular objetos com ambas as mãos.


* Queimaduras na água quente do banho/ cozinhando.
* Sensações desagradáveis em ambientes ruidosos com múltiplo uso,
ex: lugares para assistir TV e conversar, jogar, podem desencorajar
os idosos, isolando-os.
* Detalhes podem passar desapercebidos como degraus, objetos no
chão, etc.
* Percepção de objetos como quinas de mesas e poltronas, só
percebe o objeto quando já está muito perto.

Recomendamos elementos referenciais para um melhor


dimensionamento desses espaços, mobiliários e equipamentos, sob
todos os aspectos ergonômicos de um universo arquitetônico de uma
habitação.

Em todos os ambientes;

* Necessidade de pisos antiderrapantes.


* Evitar presença de ambientes em níveis diferentes e degraus.
* Prever ambientes com portas de 0,80m de largura e que seja
possível uma área de giro de 1,50m nos cômodos, para circulação de
uma cadeira de rodas.
* Presença de campainhas de segurança nos quartos e banheiros.
* Instalação de dispositivos de segurança para gás e incêndio.
* Janelas e terraços com visão para o exterior, devendo seu peitoril
de alvenaria ser de no máximo 0,60m de altura do piso.
* Prever altura de tomadas, comandos e maçanetas de portas balcão
e janelas, caixas de luz e comandos do gás entre 0,40m e 1,20m do
piso.
* Iluminação de circulação e banheiros com sensor de presença.
* Eliminação de tapetes em locais de circulação, pisos
antiderrapantes, retirar fios de telefone, ou outros das áreas de
circulação, remover excesso de mobiliário, garantindo uma rota de
circulação livre de obstáculos;
* Planejar disposição de móveis de forma a evitar movimentos de
rotação principalmente em banheiros.

Áreas externas e salas;

* Prever para as áreas externas do projeto, local para caminhada


com largura suficiente para duas pessoas lado a lado, presença de
corrimãos e possibilidade de uso em dias chuvosos.
* Prever portas com no mínimo 0,80m de largura e maçaneta do tipo
alavanca.
* Os desníveis não devem ser maiores que 0,005m as soleiras devem
ser vencidos com rampas com inclinação inferior a 8,33%.
* Capachos devem ser aderentes ao piso.
* Fechadura na face superior da maçaneta do tipo alavanca.
* Necessidade de cadeiras com braços, presença de poltronas e
banquetas para elevar pés, sofás com apoio para cabeça, automação
dos equipamentos sempre que possível.
* Móveis com cantos arredondados e evitar tampos de vidro.

Cozinhas;

* Adaptação de cozinhas, considerando a possibilidade de


manipulação dos equipamentos tais como pias e fogões e adequando
os armários para que não seja necessário subir em escadas para e
utilizar coisas do dia a dia até mesmo sentada.
* Prever cômodo para despensa de alimentos evitando armários e
gabinetes muito altos e muito baixos.
* Metais de alavanca e monocomando.
* Timer para aquecedores e fogões
* Colocar tomadas na altura do balcão e interruptores de luz e
comandos domésticos entre 0,40m à 1,20m de altura do piso.

Área de Serviços;

* Prever local onde a pessoa sentada possa passar as roupas, bem


como para armazenamento das mesmas.
* Torneira de alavanca no tanque.
* Lava-roupa com porta e comandos frontais para que a pessoa
possa utilizá-la sentada.

Rampas e escadas;

* Fazer rampas e escadas com pisos antiderrapantes, patamares para


descanso, corrimãos contínuos e de boa empunhadura.
* Degraus com alturas e pisos constantes, demarcando com piso
diferenciado seu início e término.
* Iluminação de segurança nas escadas e rampas.
* Interruptores próximos ao início e término de escadas.

Dormitórios;

* Adequação do mobiliário do quarto com elevação de cabeceiras das


camas.
* Camas entre 0,46m e 0,54m para que a pessoa idosa levante com
facilidade.
* Instalação de interruptores, telefones e interfones, próximo à cama
da pessoa idosa.
* Armários firmes e com portas preferencialmente de correr.

Banheiros;

* Presença de banheiro em locais próximos e todos os pavimentos da


edificação.
* Instalar iluminação permanente e por sensor no percurso do quarto
ao banheiro.
* Metais de fácil manuseio e se possível de monocomando para
favorecer banhos freqüentes.
* Instalação de assento e barras de apoio no chuveiro bem como,
ducha de comando manual para adequação da temperatura.
* Pias com barras para apoio.
* Armários com local para guarda de pertences entre 0,40m e 1,20m
de altura do piso.
* Elevar o vaso sanitário à 0,46m de altura do piso com duchas para
higiene íntima, e barras de apoio.

Inúmeros idosos podem citar exemplos infindáveis de insegurança e


riscos em suas moradias, devido a um projeto negligente ou
inadequado.Deve-se prever sua utilização pelas pessoas devido às
mudanças ao longo de sua vida.

Caso este idoso passe a se tornar um usuário de cadeiras de rodas,


na maioria das vezes ele se vê impossibilitado de habitar na sua
própria casa. As barreiras ambientais excluem o idoso e são criadas
muitas vezes pela falta de formação de nossos profissionais em
prever as necessidades da adversidade.

Bibliografia

ALMEIDA PRADO, Adriana Romeiro de. A cidade e o idoso: estudo da


questão de acessibilidade nos bairros Jardim de Abril e Jardim do
Lago. Dissertação de Mestrado. Gerontologia - PUC, São Paulo, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR9050:


Acessibilidade de pessoas com deficiência a edificações, espaço,
mobiliário e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 1994. (última
revisão em 31 de maio de 2004)

CAMBIAGHI, Silvana Serafino; ORNSTEIN, Sheila Walbe. Como


construir banheiros com acessibilidade para pessoas com deficiência
física e idosos. Technè, São Paulo. n.75, p. 90-94, jun. 2.003.

CAMBIAGHI, Silvana Serafino. Dissertação (Mestrado). Desenho


universal: métodos e técnicas de ensino na graduação de arquitetos e
urbanistas. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de
São Paulo : s.n., 2004. 291 p. : 18 pranchas.

GROSBOIS, Luis Pierre. Handcap et construction: conception et


realisation: espaces urbains, batiments publics, habitations,
equipements et materiels adaptés. Paris: Publications du Moniteur,
1996.

PERRACINI, Mônica. Planejamento e adaptação do ambiente


construído para pessoas idosas. In: FREITAS, Elisabeth et alii.
Tratado de geriatria e gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara &
Koogan, 2002. p.798 – 807.

RASCHKO, Bettyann Boetticher. Housing interiors for the disabled &


elderly. New York: Van Nostrand Reinhold, 1991.

SPOSATI, Aldaíza (coord.). Mapa da exclusão/Inclusão social da


cidade de São Paulo 2000 dinâmica social dos anos 90. São Paulo:
POLIS, INPE, PUC/SP, 2000.

[1] SPOSATI, Aldaíza (coord.). Mapa da Exclusão/Inclusão Social da


cidade de São Paulo 2.000. Dinâmica social dos anos 90, São Paulo:
POLIS, INPE, PUC/SP, 2.000.p.45.

[2] Usabilidade - possibilidade de acesso e utilização de um ambiente


construído com autonomia e segurança.

[3] Fonte: EUROSTAT, 1996

*Silvana Serafino Cambiaghi é arquiteta formada em 1983, Mestre


em Desenho Universal pela FAU-USP, desenvolve um trabalho
Intersecretarial na Prefeitura do Município de São Paulo, sobre a
questão da acessibilidade ao meio físico. Membro do Grupo de
trabalho de Acessibilidade do CREA - SP. Membro da revisão da NBR
9050 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT sobre
Adequação de Edificações e Mobiliário Urbano. Consultora do Instituto
Paradigma. Co-Curadora da "Sala Especial de Acessibilidade ao Meio
Físico" na 3ª Bienal Internacional de Arquitetura. Jurada do Concurso
Internacional de estudantes sobre desenho universal no "D21
Student Design Competition". Docente dos cursos de Acessibilidade
na Fupam - FAUUSP e SENAC.

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