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UNICAP

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

A INSTITUIÇÃO FAMILIAR

AUGUSTO LIMA
EDUARDO FRANKLIN
JOÃO ZARZAR
JOÃO NEIVA
MARIA DO CARMO AMORIM
NATHALIA VILELA

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Curso: Direito
Professora: Sandra Carla
Equipe: AUGUSTO LIMA, EDUARDO FRANKLIN, JOÃO ZARZAR, JOÃO NEIVA, MARIA
DO CARMO AMORIM, NATHALIA VILELA

A INSTITUIÇÃO FAMILIAR

Recife
2010

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Sumário
Introdução............................................................................................................................4
Abordagem Teórica sobre instituições Sociais....................................................................5
A família como Instituição Social........................................................................................8
Analise critica da família a partir do filme “Quanto vale ou é por quilo?.........................12
Conclusão...........................................................................................................................15
Referências.........................................................................................................................16

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Introdução

O presente trabalho tem como objetivo passar ao leitor através da diversificação dos
tempos, os conceitos, valores e características das instituições e fazê-lo entender como
se pode uma instituição de maneira tradicional mudar, visando e atendendo ao
desenvolvimento social moderno.

Foi abordada a instituição familiar como uma das instituições sociais mais
importantes, mostrando suas finalidades e conexões, seguido de uma reflexão critica
tirada sobre o filme “Quanto vale ou é por quilo” produção brasileira de 2005; que faz
uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo
marketing social.

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Abordagem Teórica sobre instituições Sociais.
No cotidiano é comum ouvir-se menção à palavra instituição como uma
organização bastante formal e concreta. Uma igreja, uma escola, uma prefeitura,
circundadas por uma alta grade de metal são consuetudinariamente invocadas como
instituições. Contudo essa nomenclatura do senso comum não encontra amparo na
terminologia científica da Sociologia.
As instituições sociais são conjuntos de valores, normas, papéis que contribuem
para a realização de funções sociais. Tais conjuntos são referentes a campos específicos
de atividade e de necessidades humanas e que se manifestam através de práticas
sociais que perduram através do tempo pela adesão que encontram na maioria dos
membros da sociedade. Os modos de comportamento institucionalizados são
salvaguardados por normas e sanções.
Durkheim define instituições como “toda a crença, todo comportamento instituído
pela coletividade”. É uma definição criticada pois confunde-se com sua outra definição
de fato social. Certo é para a sociologia moderna que instituições sociais englobam fatos
sociais.
Para Pérsio Santos de Oliveira instituição social é uma forma de organização, ou
organismo social, que tende a durar independentemente da vontade de seus integrantes.
É também definida como um conjunto de regras e procedimentos produzidos,
reconhecidos, aceitos e sancionados pela sociedade e que têm grande valor social; são
os modos de pensar, de sentir, e de agir que cada pessoa encontra preestabelecidos na
sociedade, e cuja mudança se faz muito lentamente, com dificuldade.
Como um corolário da própria definição de instituições sociais nota-se que elas
são ficções intelectuais. Logo, não são diretamente observáveis e portanto precisam ser
estudadas de maneira indireta. Esse estudo é feito através da observação de grupos
representativos, eles sim concretos e portanto diretamente observáveis. Cada elemento
representativo possui suas próprias especificidades, contudo apresentam também
pontos em comum. Através deles é possível extrair padrões e portanto enriquecer o
conhecimento acerca da instituição social em questão.
As instituições sociais regulam uma vasta quantidade de funções sociais
necessárias à própria sobrevivência da sociedade. As sociedades institucionalizam
processos para educar crianças, para relacionar-se com outras sociedades, para trocar
bens e serviços, para procriação, etc. As instituições portanto,estabelecem o modo
socialmente aceito de satisfazer determinadas necessidades humanas. Claro que uma
mesma instituição poderá apresentar-se diferentemente dependendo da cultura dessa
sociedade.
Sobre o aspecto da origem das instituições sociais Villa Nova alega que é um
assunto controverso e que termina por recair em conjecturas e teorias não baseadas em
fatos. Mesmo a teoria de Marx e Angels sobre a influência determinante dos fatores de
produção sobre a superestrutura moral, política, jurídica funciona mais como um
postulado do que uma tese científica. Contudo é possível encontrar teorias mais ricas
sobre a origem como as de Berger e Luckmann em sua obra A Construção Social da
Realidade. Segundo eles o ser humano apresenta um déficit biológico natural de forças

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físicas naturais. Diferentemente de outros animais o homem usando meramente seus
dons físicos naturais não conseguiria sobreviver. Ele precisa, portanto, desenvolver com
seu intelecto um mundo cultural para suplementar suas aptidões físicas
subdesenvolvidas. Assim surgem as instituições sociais, como um abrigo, como um meio
para preencher as lacunas deixadas pelos impulsos instintivos, servem portanto como
uma ponte entre o homem e o ambiente natural.
Existem inúmeras instituições sociais, algumas das mais importantes são as seguintes:
1. Instituições econômicas: regulam a produção, distribuição e consumo de bens e serviços.
2. Instituições políticas: regulam e controlam o acesso ao poder político, expresso pelo
governo.
3. Instituições educacionais: regulam o modo de transmissão de normas, valores, símbolos.
4. Instituições familiares: regulam e controlam a reprodução, parentesco, tradições.
5. Instituições culturais: regulam áreas como religião, tradições históricas.
6. Instituições de recreação: regulam o modo de alívio de tensões acumuladas em
decorrência das frustrações geradas pelas restrições da vida social.
As instituições não existem isoladas umas das outras. Todas elas possuem uma
interdependência mútua, de tal forma que uma modificação numa determinada instituição
pode acarretar mudanças maiores ou menores nas outras. Como exemplo disto, podemos
buscar o caso da escravidão no Brasil. A escravidão mostrou-se como uma instituição que
existiu no Brasil até 1888. Com a mudança da lei, ocorreu uma modificação básica na
instituição econômica do país, os trabalhadores passaram a receber salário pelo trabalho
realizado a um empregador.
As instituições familiares a religiosas e a educativas sofreram influências de
processos modificadores e necessitaram reorganizar seu sistema de status, seus padrões
de comportamento e suas normas jurídicas em relação aos acontecimentos. Uma
instituição não existe isolada das outras. Todas possuem uma interdependência, de forma
que, uma modificação em determinada instituição pode acarretar mudanças maiores ou
menores em outras.
A importância de cada instituição social é relativa. Nas sociedades tribais, por
exemplo, as instituições econômicas são menos importantes do que as instituições da
família e da religião. Nas sociedades urbano-industriais do presente, as instituições
econômicas, devido ao capitalismo apresentam uma importância maior do que nas
sociedades tribais.
Um ponto importante a ser frisado sobre as instituições sociais é que apesar de
representarem padrões comportamentais elas não são de maneira alguma estáticas. As
instituições se consolidam pela tradição, contudo a alta velocidade das mudanças
sociais, implicam em constante alteração nesses costumes e refletem portanto nas
instituições sociais.
Ora, a configuração da instituição familiar brasileira contemporânea apresenta
inúmeras diferenças em relação à mesma instituição há apenas uma ou duas décadas.
Esses fatores explicam a tendência atual dos sociólogos de dar menos ênfase ao

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tratamento das instituições como “coisa”, como uma realidade estável e dar mais ao
aspecto dinâmico. Instituições sociais são, portanto, utilizadas como um mapa para a
partir delas fazer-se uma leitura dos processos sociais.

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A família como Instituição Social
A análise da família enquanto instituição e sua importância para a sociedade e
para os indivíduos encontra como primeiro obstáculo a sua devida conceituação. Para
alguns sociólogos família é a primeira e mais importante instituição social à qual o
indivíduo faz parte, e de suma influência na sua formação.
Segundo, Aécio Amaral, família é uma construção social que varia segundo as
épocas, permanecendo, no entanto, aquilo que se chama de “sentimento de família”. É
entendimento semelhante ao exposto por. Marcus Abílio que considera como família “um
grupo social composto de indivíduos que se relacionam cotidianamente gerando uma
complexa trama de emoções.” Nota-se nessas definições um claro afastamento da ideia
de identidade familiar baseada unicamente em laços de sangue.
Numa perspectiva funcional, a família sempre foi parte essencial no
desenvolvimento social de seus membros, é no seio familiar que o individuo é orientado,
recebendo a educação, os valores e principalmente a ética, princípios indispensáveis
para que o mesmo seja capaz de se desenvolver com solidez de caráter e honestidade
na sociedade e em outras instituições,como a escola, que depois da família segundo
estudiosos é o segundo meio social mais determinante na formação cívica das pessoas.
Essa visão contudo mascara algumas críticas feitas à instituição familiar, que levam a
próxima visão.
Na perspectiva do conflito a família também é central para a sociedade, contudo
ela enfatiza não a forma como a instituição beneficia a coletividade mas como ela
perpetua as desigualdades. Essa visão afirma, por exemplo, como já dizia Engels, que a
origem da família esta na necessidade humana de constituir herdeiros para que os então
proprietários passassem seus bens aos filhos e com isso mantenham sua linhagem
sobre a mesma classe social, mantendo sua riqueza confinada onde já estava.
Entretanto, a organização familiar vem passando por várias alterações,
influenciada por transformações culturais e socioeconômicas. Podemos, pois, afirmar
que, então, era o casamento e o parentesco que constituíam os pilares da instituição
familiar; o chefe inquestionável da família era o marido-pai (autoridade marital), o mesmo
que escolhia os cônjuges dos seus filhos (casamento de razão); as famílias tinham, em
média, cinco ou seis filhos, dos quais um morria antes de atingir um ano de idade
(família de dimensão grande, plurigeracional, alargada e numerosa); a mulher era
socializada num sistema de valores que privilegiava a anti-paixão, pois havia que
preservar a castidade e evitar que engravidassem antes do matrimônio; a sexualidade
estava circunscrita ao casamento e era destinada, sobretudo, à reprodução; o
casamento era indissolúvel, excepto por morte (estabilidade estrutural) ; as crianças
eram olhadas como adultos em miniatura, podendo mesmo participar desde muito cedo
nas atividades econômicas do agregado familiar (familismo). Toda a vida social e
econômica estava organizada em função do casal, de acordo com a repartição das
tarefas .

Este ambiente de segurança herdada, vivido nas sociedades tradicionais e onde a


crise parecia não existir, era muito devedor, como foi referido, aos valores religiosos que
apareciam, ao mesmo tempo, como fundadores, legitimadores e unificadores da própria

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cultura. Então, a sabedoria e a experiência de que as pessoas idosas eram
reconhecidamente depositárias, constituíam um elemento realmente vital, tanto para a
família como para a sociedade. Os idosos eram considerados como o elo de ligação
entre o passado e o futuro, num quadro de vida sincronizado pela sucessão geracional.
Nesta perspectiva, a família era o lugar privilegiado da atividade econômica e o garante
de muitos serviços – educativos, recreativos, protetores, religiosos, etc..
A modernidade veio alterar, significativamente, os paradigmas dominantes nas
sociedades tradicionais, aumentando a produção verdadeiramente sociológica de
trabalhos sobre a família. Segundo Jeni Vaitsman a instituição família apresentou
grandes mudanças a partir do século XIX. O casamento, especialmente, foi o receptor da
maioria destas transformações. Sai de cena a união por contrato, escolhida pelos pais
dos conjugues e tem lugar o casamento por amor e a escolha dos parceiros pelos
próprios indivíduos.
Com o advento do capitalismo e da industrialização, a família passou a representar
um refúgio ante as ameaças do mundo. Ela diminuiu em números de membros, tornou-
se patriarcal, hierarquizada, coma divisão do trabalho sendo sexualmente definida e
dicotomizada em publico versus privado.
A instituição família sofre rupturas com as novas maneiras de encarar a própria
sexualidade e a própria relação amorosa. Novas exigências são impostas pela
sociedade moderna e muitos valores são colocados em xeque. A mesma enquanto uma
instituição social está sendo ressignificada.
Algumas das manifestações desse processo de mudança são as diferentes formas
como a família se apresenta atualmente. Apesar de a maior parte das famílias ainda ser
constituída de um casal para criar os filhos muitas novas configurações emergem
conforme mostra o gráfico:

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Nota-se acima o crescente número de famílias de mãe solteira. Os especialistas
afirmam que essa condição tende a levar a família a um estado de pobreza uma vez que
a mãe tem menos tempo para trabalhar e para cuidar da própria escolaridade. Por conta
disso os filhos terminam por viver em piores condições e têm eles próprios uma
escolaridade comprometida, o que levará a baixa remuneração quando se tornarem
adultos. Um estudo divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
afirma que 35% das famílias brasileiras são chefiadas por mulheres. O “Pnad 2009 –
Primeiras análises: Investigando a chefia feminina de família”, analisou 21.933.180
residências que identificam a mulher como sua principal responsável. Em 2001, elas
eram líderes de 27% dos domicílios.
O estudo mostra, no entanto, que o fato das mulheres,nas últimas décadas, terem
alcançado mais escolaridade e aumentado, consequentemente, sua participação no
mercado de trabalho está relacionado ao aumento do número de famílias chefiadas por
elas. “Apesar do avanço das mulheres no mercado de trabalho, os dados ainda
evidenciam as distâncias existentes entre homens e mulheres no que diz respeito à
participação, à ocupação e à renda”, diz o relatório.
Outro número que também cresce é o de casais que vivem juntos sem casarem,
ainda que com filhos, situação chamada de coabitação. Sociólogos afirmam que essa
situação tende a desencorajar o casamento pois os indivíduos (principalmente o homem)
tendem a se acostumarem com um sentimento de baixo comprometimento. Uma terceira
forma de família também crescente atualmente é a formada por casais homossexuais.
Nota-se que muitas das características preconizadas em famílias heterossexuais como
suporte mútuo, colaboração financeira, auxílio em caso de doença estão presentes
nessas famílias. Outro fator importante é que formas de igualdade e intimidade
inexistentes em formas tradicionais são encontradas nas famílias homossexuais, isso
porque esse tipo de casal esteve historicamente sempre à margem dos demais tipos e
por conta disso precisava instituir suas próprias regras, longe de tradições
conservadoras.
A Constituição Federal de 1988 trata com especial atenção do instituto da família
conforme visto em seu Art. 226: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do
Estado”, ou seja, a constituição reconhece a família como a espinha dorsal do próprio
Estado e ao menos se propõe a salvaguardá-la. Vale ressaltar que o número crescente
de divórcios tende a questionar se essa proteção esta sendo efetiva, apesar de que os
motivos para esse fenômeno não serem apenas devido à ação estatal.
Outra instituição de importante atuação na família é a educação. A sociedade
contemporânea vive uma crise de valores éticos e morais sem precedentes. Atualmente,
o sistema educacional brasileiro promove reflexões e discussões entre os educadores
sobre questões como falta de “limites”, desrespeito em sala de aula, desmotivação dos
alunos, entre outros. Observam-se professores cansados, e, muitas vezes, doentes
física e mentalmente. Outros convivem com o sentimento de frustração, por planejarem
projetos educacionais carregados de intencionalidade, mas não vivenciarem seus bons
resultados.
A escola não pode assumir sozinha toda responsabilidade de situações de
conflitos existentes nas relações sociais, mas deve envolver a família nas ações que

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contribuam para fortalecer os padrões de conduta necessários à convivência humana.
Os novos contextos familiares produzem, às vezes, insegurança, por romper com
um paradigma de família no qual o pai exercia o papel do chefe, responsável pela
sobrevivência dos filhos; a mãe, de cuidadora dos filhos e do ambiente da casa. Essas
questões, inevitavelmente, exigem a revisão e reconstrução de papéis e da conjuntura
familiar.

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Analise critica da família a partir do filme “Quanto vale ou é por quilo?
Observa-se durante o filme a evolução da estrutura familiar. Isso já começa a
ser visto no inicio do filme quando uma senhora, que estava presente na festa de
aniversario de Dona Judite, encontra-se sentada desfrutando da festividade. Ela tem
bem ao seu lado uma criança, vale ressaltar que tal criança é negra, que
aparentemente considera como filha,entretanto o contexto nos leva a chegar a outra
conclusão.
A criança se encontra isolada no canto da parede, não se envolve com as
demais pessoas, permanece todo o tempo com a cabeça baixa, como um tipo de sinal
de submissão, apenas se move e ergue a cabeça quando a sua “mamãe”, é assim
que a senhora intitula a se mesma, lhe pede para pegar um refrigerante. Em outro
momento, bastante semelhante, vemos Dona Mônica observando uma outra criança
fazendo serviços domésticos e concluindo por meio disso que a menina era “ muito
prendada”.
Dona Mônica pensa de imediato em pegar a criança para “criar”, diz a ela que
será uma boa mãe, que fará comida boa todos os dias, e que a menina tem muita
sorte de ter encontrado uma família como a dela que a trata como uma filha, porém na
verdade a vê como uma domestica, e mais tarde até pior que isso, como um objeto de
troca usado para quitar uma divida com Dona Noêmia. Podemos fazer inclusive um
certo paralelo entre Dona Mônica e a senhora citada no começo do parágrafo com os
antigos senhores de escravos do período do Brasil escravocrata, com a diferença de
que na época costumava-se dizer que iria se comprar um escravo no intuito de que
ele lhe servisse, hoje o intuito continua sendo o mesmo, porém não se compra o
escravo, “pega-se para criar”.
Interessante observar que essa atitude se aproxima com o conceito de família
adotado na antiguidade onde todos os agregados da residência, incluindo escravos e
até animais eram considerados como parte da mesma. Inclusive segundo a etimologia
da palavra família esta vem do latim “famulus” que significa grupo de servidores,
dependentes e escravos. Note-se portanto que em sua origem a família abrangia um
valor bastante amplo em relação à atualidade.
Podemos então concluir que o conceito de família usado por ambas as
personagens é incorreto, visto que tal conceito, na nossa sociedade, remete uma ideia
de relações harmoniosas, onde cada membro cuida e zela pelo bem do outro, e
mesmo havendo uma hierarquia familiar, pois tradicionalmente os filhos são até certa
idade submissos aos país, não há o sentimento de “posse” de um sobre outro.
Uma outra cena na qual tal evolução é observada é a que Candinho ao chegar
em casa é repreendido por sua sogra, devido ao fato de estar desempregado fazendo
assim com quem ela tenha que trabalhar preparando encomendas de doces e
salgados para poder sustentar toda a família. Ora, a mais ou menos cem anos atrás
uma situação dessas jamais seria permitida pela sociedade. O Modelo de família
regente na época era nuclear ou patriarcal, formada por Pai, Mãe e Filhos, onde o
homem era o cabeça da família, o pilar principal que sustenta toda a estrutura, e cabia
a ele a responsabilidade de tomar todas as decisões e suprir todas as suas
necessidades. Jamais se imaginaria e nem ao menos se admitira um homem ser
sustentado por uma mulher, sendo esta ainda por cima sua sogra, como se não
bastasse estar vivendo embaixo do teto da mesma, como ocorre na situação de

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Candinho. Hoje, isto já é corriqueiro e comum em nossa sociedade, uma vez que nas
ultimas décadas as mulheres tem ganho cada vez mais espaço, seja na sociedade, no
mercado de trabalho e inclusive na política.
Após a cena supracitada, uma outra, que também mostra de forma clara a
evolução da estrutura familiar, começa a se desenvolver. Nela vemos Candinho
conversando com sua esposa, esta por sua vez tenta convencê-lo de que a solução
para os problemas econômicos da família seria Candinho investir na imagem, na
aparência de sua esposa, comprando para ela uma nova tinta de cabelo, pois ela
acredita que uma boa aparência é a “chave” para se tornar uma celebridade. Assim
como na situação anterior, esta não seria de modo algum aceita pela sociedade
existente ate meados do século XX. Naquela época não se cogitava a possibilidade de
uma mulher desejar se tornar uma celebridade, exibindo seus atributos físicos,
expondo-se a mídia. As mulheres de tal período eram educadas e ensinadas, desde a
sua infância, a serem “verdadeiras” donas de casa que não necessitavam aprender
mais nada além de cozinhar, costurar e tomar conta de uma casa. Deviam ser leais a
seus maridos submetendo-se e abaixando a cabeça para tudo aquilo que por ele era
determinado.
A família de Candinho aproxima-se portanto de uma família “tradicional”, fator
revelado principalmente pela característica de sua esposa estar relegada à vida
doméstica e ao trato da criança. Isso é também denunciado pela falta de importância
aparente que a esposa dá à sua escolaridade e formação profissional. Em vez de
procurar aumentar seu grau acadêmico buscava formas mais imediatistas e evidentes
de ascensão social como a melhora da imagem física afinal ela já se conformara com
a ideia de que seu esposo seria a fonte de sustento econômico para a família.
Não se concebia uma mulher falar de trabalho com seu esposo, muito menos
levantar a ideia de ajudá-lo nas despesas caso fosse necessário, já que tais assuntos
cabiam única e exclusivamente a ele. Hoje, muito pelo contrario, as mulheres tem
garantido cada vez mais o seu lugar no mercado. Muitos chegam ate mesmo a
acreditar que elas estão “dominando” o mercado, posto que sua ascensão tem sido
muito rápida e num curto período de tempo.
Sentindo-se pressionado por sua sogra, esposa e filho que estava para nascer,
Candinho decide executar um serviço para o dono de um mercadinho próximo de
onde ele morava. Tal serviço consistia em assassinar dois jovens que haviam
assaltado o mercadinho. Candinho, embora bastante receoso a principio, mata os dois
garotos podendo assim suprir as necessidades econômicas de sua família, mesmo
que temporariamente.
A atitude de Candinho, vista pelos olhos da sociedade é uma atitude fria e cruel,
contudo para ele era a única forma de sustentar a família. O filme nos mostra um certo
grau de semelhança entre Candinho, após ter cometido o crime, e os Capitães do
Mato do período da escravidão. Estes eram pessoas geralmente negros alforriados,
sem instrução e que viam como alternativa para o seu sustento e o da sua família a
captura de escravos fugitivos, ou seja, é uma luta de pobres contra pobres, a favor
das classes hierarquicamente superiores.
Eis ai a semelhança, pois em ambos os casos, ainda que em períodos
históricos totalmente diferentes, estavam dispostos a fazerem qualquer coisa para
manter a estabilidade econômica de sua família, mesmo que para isso fosse preciso

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“sujar” as mãos de sangue. Vemos com tudo isso o quanto a questão econômica
influencia nas decisões familiares, pois sem duvida alguma o meio em que Candinho
vivia somado a situação econômica por ele apresentada, contribuiu consideravelmente
para as decisões que ele tomou.
Depois de ter cometido tal ato, Candinho começa a ver naquele tipo de serviço
uma forma viável de sustentar sua família. Suas atitudes levam a crer que ele se
conformou com a ideia de que qualquer meio é valido, inclusive ser um assassino de
aluguel, para se de obter o dinheiro que precisava. Prova disso é que, próximo ao final
do filme, ele aceita, a mando de Ricardo, assassinar Arlinda. Percebe-se que no
momento em que Candinho vai matá-la ele não esta mais tão receoso como estava da
primeira vez que o havia feito.
Acrescido a isso há o momento em que ao chegar em casa, com o dinheiro que
havia ganho pelo crime, afirma para a sua sogra que havia conseguido um emprego.
Isso nos leva a concluir que ele realmente estava convencido de que os serviços que
estava executando seriam, a partir de então, sua forma fixa de sustento. Sua mulher e
sogra não demonstram ter o menor interesse em saber onde ele conseguiu o dinheiro,
todavia ficam muito alegres e contentes chegando até mesmo a beber para
comemorar. Mostra-se com isso que elas também partilham da visão de que não
importa de onde veio o dinheiro, não importa o que teve de ser feito para obtê-lo,
contanto que o consiga. Com isso vemos mais uma vez o quanto as questões
econômicas e sociais vividas por um determinado grupo, influenciam em sua
personalidade e seus conceitos.
Por meio de todas essas comparações entre passado e presente, constata-se
claramente que o conceito de família é muito relativo, sendo influenciado por diversos
fatores, dentre eles: o tempo,o meio e as condições em que se vive. Logo não cabe
dizer, como é tão comum hoje, “A família esta em crise”, tendo em vista que tal
afirmação é feita tendo-se por base a família patriarcal, que é tida por muitos como o
modelo correto de família, mas que na verdade é apenas um dos diversos modelos.

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Conclusão
Por fim, chega-se a conclusão da mútua relação existente entre as várias
instituições, sejam elas econômicas, políticas, educacionais, familiares, culturais e
recreativas. Não são estáticas. Caso haja alguma modificação em alguma delas, poderá
ocasionar grandes ou pequenas mudanças nas restantes, pois, estão correlacionadas.
Modificam-se também de acordo com a evolução da sociedade. Quanto à
importância, pode considera-se como algo relativo, ou seja, cada instituição diferenciar-
se de acordo a sua magnitude. Em comparação observa-se esse fato nas sociedades
tribais e capitalistas, enquanto que a primeira coloca no topo da hierarquia institucional a
família e a religião, a segunda põe no topo da escala os interesses econômicos.
Desta forma, há duas perspectivas para a instituição da família, são elas:
funcionalista e conflito. Sendo que, a primeira afirmava que a família era o centro da
sociedade, promovia a ascensão social de seus membros e o trabalho social coletivo é
muito forte. Enquanto, a segunda afirmava que a instituição não beneficiava a
coletividade, mas difundia as desigualdades entre os indivíduos. Pois, para existir o rico,
necessariamente, tem que existir o mais fraco, ou seja, o pobre.
Acontece que, atualmente cresce o número de famílias que deixam faltar os
vínculos afetivos, a aproximação de seus membros, e a união entre eles, dentre outros.
No que diz respeito à análise crítica do filme Quanto Vale Ou é Por Quilo?
Constatasse que o descaso é corrente em pleno século XXI, existindo pessoas que
pegam crianças para “criar” com o intuito de usá-las para serviços domésticos e até
mesmo como moeda de troca de favores. Fato este existente no período da escravidão.
No filme são explicitas as consequências do desemprego quando se tem
obrigações financeiras à realizar: a entrada no mundo do crime, discriminações por parte
da família, insatisfação pessoal.

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Referências
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UFC, Fortaleza, 2001.
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MACIONIS, JOHN J.; Sociology. Edição 12, 2007
CAMPELO, Maria Adélia; A FAMÍLIA – O elemento chave de um mundo em transformação
SIMIONATO, Marlene Aparecida Wischral; OLIVEIRA, Raquel Gusmão; Funções e
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Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE);
http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/familia.html; último acesso em 15/11/2010

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