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alodinia/

DESVENDANDO OS MISTÉRIOS DA DOR – ALODÍNIA

23, maio, 2010

Uma dor que aparece quando a roupa encosta na pele ou passamos


suavemente a mão na pele ou no cabelo, quando recebemos o famoso “golpe
de ar”. Você não imaginaria que isso podia causar dor. E pode sim, muita dor.
Chamamos esse fenômeno de Alodínia: outra dor. Separando as palavras
temos “Alo / Allo” que significa “outro” e “Dinea / Odyne” que significa “dor”.
Português e Grego ao mesmo tempo.

As sensações descritas com a alodínia são chamadas de bizarras, aberrantes,


perversas ou anormais, porque não se espera causar tanta dor com um
estímulo que normalmente não causa. Pode queimar, arder e espalhar a dor
com muita rapidez ou de forma espontânea. Mesmo que a pele esteja normal
ou anormal. E depois dizem que depilação dói.

Estamos falando de um problema no sistema nervoso, mais precisamente


nos neurônios sensitivos (que geram as nossas sensações como dor, tato,
pressão, temperatura), que acontece em doenças, patologias e lesões que
envolvem o sistema nervoso: neuralgia do trigêmio, diabetes, síndrome
complexa de dor regional, enxaqueca, fibromialgia, lesão medular, lesões de
nervos por hérnias de disco. Para lembrar um pouco sobre a dor dos nervos,
veja novamente a postagem sobre isso. http://dorescronicas.com.br/quando-
a-dor-cronica-e-nos-nervos…/

Esses tais neurônios sensitivos que sofreram lesão são capazes, do nada, de
disparar estímulos elétricos através do sistema nervoso autônomo (sistema
que manda nele mesmo) para os neurônios vizinhos não lesionados, que
certamente estavam dormindo naquela hora. Claro que eles vão acordar
reclamando e por isso também disparam esses estímulos elétricos. Eu
também iria disparar, além de xingar e jogar um travesseiro. Vida que segue.

Além disso, o sistema nervoso tem que se acostumar com a nova situação
dos seus neurônios sensitivos. Para isso tem uma ferramenta altamente
especializada chamada plasticidade (cidade de plástico????). Isso foi
brincadeira. A plasticidade do sistema nervoso é quando ele consegue
organizar novamente cada bagunça que é criada nas mais de 100 bilhões de
cômodas (neurônios). Infelizmente as lesões no sistema nervoso na maioria
das vezes são irreversíveis e por isso deixa a pessoa mais propensa a ter
alodínia.

:. Porque a pele recebe toda a culpa?

Na pele temos vários receptores (sensores) de tato, temperatura, pressão,


vibração. Pela lesão no sistema nervoso, os nervos responsáveis pelos
sensores de tato (fibra A beta) ficam super sensíveis. Isso é explicado por um
fenômeno da plasticidade chamado brotamento ou sprouting, onde os
neurônios que moram na medula resolvem fazer suas malas, totalmente
insatisfeitos e tornam-se imigrantes ilegais. Eles moravam nos quartos IV e V
da medula e mudaram para os vizinhos do I e II, mas só de forma superficial,
aparentemente de férias. Lembrando que a medula tem 10 (X) quartos, mas
6 no prédio de trás (lâminas do corno posterior). É melhor chamar de prédio
do que de corno. Há! Por essa chegada forçada do IV e V, os vizinhos do I e II
simplesmente evadem o local. Chamamos isso de atrofia das fibras C ou mais
popularmente de inserção forçada de UPP. HEHE. Relembre as fibras na
postagem sobre a velocidade da dor: http://dorescronicas.com.br/a-
velocidade-da-dor/

:. De quem é a culpa então?

Lembram que a fibra C é responsável por perceber estímulos nocivos,


térmicos? Como não têm mais, as fibras C atrofiaram, agora qualquer
estímulo na pele provoca dor, pois a fibra A beta manda no local e informou
que prevalece no recinto pela evasão da fibra C.

Tudo pode ser muito simples (roubei do “explain pain”):

- Quando as coisas que costumavam doer, agora doem ainda mais =


hiperalgesia, ou seja, o aumento da dor num local que já estava doendo.

- Quando as coisas que não doíam antes, agora doem = alodinia

:. A culpa é do sistema nervoso. Quem se dá mal é a pele.

Para explicar a dor que se espalha na alodínia, vamos usar o termo chamado
efapse. Significa que os estímulos dolorosos foram espalhados através de um
emaranhado de outros nervos além do seu próprio. Esses outros nervos vão
para outros lugares também. Às vezes, podemos ter um estímulo de dor na
mão, ele ser aumentado pela alodínia e se espalhar até o rosto,
principalmente pela proximidade entre a representação cortical (desenho no
cérebro) da mão e face.

É isso ai.

Para os profissionais de saúde: http://www.molecularpain.com/content/4/1/49

Quem tiver essas sensações da alodínia deve procurar um médico ou


fisioterapeuta especialista em dor. Quantos existe??? Muito poucos. Então
recomendo os que estão nos centros de tratamento da dor.

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Até a próxima.

Abraços.

Artur Padão Gosling – Pada