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ESTUDO DOS PAVIMENTOS INDUSTRIAIS DE CONCRETO E PROJETO DE

JUNTAS

Jocerlando Carvalho Santos Júnior¹


Sérgio Carlos Salles Nascimento²

RESUMO: Os pavimentos industriais de concreto estão sujeitos a várias tensões e


deformações devido aos carregamentos e às variações de temperatura. Com isso torna-se
importante o cuidado com o seu dimensionamento e o projeto de juntas. Este artigo, elaborado
com base em pesquisas bibliográficas, apresenta importância na medida em que traz
informações sobre o comportamento dos pisos industriais e das suas juntas e tem como
objetivo discutir os tipos de carregamentos aplicados no piso, os tipos de juntas e as causas
para o aparecimento de fissuras, além de apresentar soluções para o bom desempenho do
pavimento e para o tratamento das juntas.

Palavras – chave: pavimentos industriais; juntas; fissuras.

1 INTRODUÇÃO

A construção de pisos de concreto em estacionamentos, depósitos, pistas de


rolamentos, pistas de aeroporto, dentre outros setores é uma opção cada vez mais utilizada
quando se busca a utilização de soluções econômicas e duráveis. Mas para se obter o
resultado desejado é preciso seguir algumas recomendações importantes (por exemplo: a
previsão de juntas e cura adequada do concreto), as quais farão diferença entre a boa e a má
execução no resultado da obra.
Os pavimentos rígidos são dimensionados para receber cargas, sejam elas distribuídas
ou pontuais (cargas na borda, no canto ou no interior das placas) ou móveis (rodas de veículos
ou de máquinas empilhadeiras). Além dessas cargas o efeito de temperatura e retração
também produz deformações (dilatações ou encurtamentos) nos pavimentos, causando
esforços na estrutura.
Essas tensões, se não forem devidamente tratadas, reduzem o tempo de vida útil do
pavimento. Dessa maneira faz-se necessária o planejamento de juntas que permitam a
movimentação das placas controlando as fissuras.
Este artigo, elaborado com base em pesquisas bibliográficas, apresenta importância na
medida em que traz informações sobre o comportamento dos pisos industriais e das suas
juntas e tem como objetivo mostrar quais são tipos de carregamentos sofridos pelo piso, as
causas para o aparecimento de fissuras e os tipos de juntas, além de definir os processos de
selagem delas.
A seguir será apresentada uma breve análise sobre os pavimentos rígidos.

___________________________

¹ Autor: Concluinte do Curso de Engenharia Civil – Universidade Católica do Salvador


E-mail: jocerjunior@hotmail.com
² Orientador do Artigo: Graduado em Engenharia Civil pela UFBa – Universidade Federal da Bahia, pós
graduado pelo LNEC – Lisboa e professor da Escola de Engenharia/UCSal
E-mail: sergiosallesn@gmail.com
2

2 PAVIMENTOS RÍGIDOS

De acordo com BAPTISTA (1976), pavimentos rígidos são aqueles em que o ligante é
constituído de cimento e sua espessura é função da resistência à flexão das lajes.
Para RODRIGUES (2006), a resistência do concreto irá determinar: a espessura do
concreto, a rigidez, a qualidade superficial, e também, indiretamente, irá influenciar as
deformações da placa, como o empenamento.
Da análise dos autores citados acima se pode concluir que quanto maior for a carga
dimensionada para a construção do piso, maior será a sua espessura.
Os pavimentos rígidos podem ser apoiados sobre pavimentos antigos, sejam eles de
concreto ou de asfalto, sobre a sub-base e sobre o solo.
Aqui serão apresentadas duas classificações de pavimentos rígidos: os pavimentos em
concreto simples e os estruturalmente armados.

2.1 PAVIMENTOS EM CONCRETO SIMPLES

Constituem-se em placas de concreto apoiadas sobre a fundação (subleito), nos quais


os esforços de tração e compressão são resistidos apenas pelo concreto. As placas são
separadas por juntas moldadas, de plásticos ou de madeira e por juntas serradas. Estas são
responsáveis por controlar a deformação causada pela retração, dilatação ou empenamento.
Os pavimentos em concreto simples podem possuir, ou não, barras de transferência e
armaduras em algumas placas, eventualmente exigidas pelo projeto para controle de
fissuração por retração ou devido ao formato irregular da placa. Essas placas, em que se
utilizam barras de transferência, possuem uma espessura maior do que as que não utilizam.
A NBR 7583 (1986) - “Execução de pavimentos em concreto simples por meio
mecânico” determina as exigências para a execução de pavimentos em concreto simples, por
meio mecânico, utilizados em pátios de estacionamentos, pisos industriais e docas portuárias.
Mostra também os materiais e os equipamentos utilizados e o processo de execução.
WESTERGARD (1926) estudou o comportamento dos pavimentos para uma carga
unitária aplicada em três pontos diferentes numa mesma placa: carga no centro, carga no
bordo e carga no canto e para isso desenvolveu seis equações para explicar cada ponto do
carregamento.

Figura 1 – Posicionamento das cargas para os três casos.


Fonte: BAPTISTA, 1976 – Pavimentação Vol. 3.
3

2.1.1 CARGA NO CENTRO

0,316.  l 
i   4 log  1,069 , (1)
h²  b 
Equação 1 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

Sendo b = a quando a ≥ 1,724.h

b  1,6a ²  h ² - 0,675h, quando a < 1,724.h


2
 
  1  a  a
Deflexão: i  1  ln    0,673     , (2)
8kl ²  2   2l   l 
 
Equação 2 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

2.1.2 CARGA NO BORDO

0,803  l a 


b   4 log    0, 666    0,034  , (3)
h²  a l 
Equação 3 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

0,431.   a 
Deflexão: b  1  0,82  , (4)
kl ²   l 
Equação 4 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

2.1.3 CARGA NO CANTO

0, 72
 
3.   1,722a  
x  1   , (5)
h²  l
   
Equação 5 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

   1,722a 
Deflexão: cp 1,205  0,69  , (6)
kl ²   l 
Equação 6 – Fonte: Modificado de Westergard (1925)

Para todas as equações citadas, σ e Δ são a tensão máxima na seção transversal da


placa e a deformação correspondente, P, k, l e a são a carga, o coeficiente de recalque, o raio
de rigidez e o raio de aplicação da carga, respectivamente.
As condições de aplicação de carga no centro da placa possuem condições mais
favoráveis quando se trata de esforços de carregamento. As cargas, ao atuarem no bordo e no
canto do piso, geram tensões que podem chegar a duas vezes mais que no primeiro caso. Já a
carga aplicada no bordo da placa, as tensões são aproximadamente 40% maior do que no
centro da placa.
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2.2 PAVIMENTOS EM CONCRETO ESTRUTURALMENTE ARMADO

As armaduras, nos pisos estruturalmente armados, possuem a função de resistir às


tensões neles desenvolvidas fazendo com que se diminua a sua espessura.
Quando comparados aos pavimentos de concreto simples, os pavimentos de concreto
armado possuem grandes vantagens como: menor espessura das placas, maior comprimento,
redução no número de juntas, grande durabilidade e pouca manutenção.
Ainda que seja composto por diversas placas, o uso de dispositivos eficazes de
transferência de esforços nas juntas como barra de transferência, é muito comum neste tipo de
pavimento, de modo que se possa considerar, para fins estruturais, como sendo uma placa de
grandes dimensões.
Os pavimentos em concreto armado são constituídos de duas malhas de armadura,
uma abaixo do plano médio, para resistir ao momento fletor e outra acima, para resistir à
retração. Possuem em média 15 metros de comprimento e de 14 a 16 centímetros de
espessura.
Assim como nos pavimentos em concreto simples foram feitos cálculos para
dimensionamento do piso quanto à aplicação de cargas móveis no interior, na borda e no
canto da placa e os resultados são apresentados na tabela a seguir.

Ponto de
Situação Aplicação M Sup. T Sup. As Sup M Inf. T Inf. As Inf.
KN.cm MPa cm²/m KN.cm MPa cm²/m
Veículo Rodagem
Simples Interior da Placa 0,00 0,00 2,27 368,98 0,98 0,00
Veículo Rodagem
Simples Borda da Placa 0,00 0,00 2,27 998,19 2,66 1,63
Veículo Rodagem
Simples Canto da Placa 657,49 1,75 2,27 0,00 0,00 0,00
Crítica 657,49 1,75 2,27 998,19 2,66 1,63
Tabela 1: Resultados de ensaio pra pontos de aplicação feitos em pisos com veículos de rodagem simples.
Fonte: Autor, 2009.

2.3 CAUSAS PARA O APARECIMENTO DE FISSURAS NOS PISOS

Os pavimentos estão sujeitos a ações diretas e indiretas impostas às placas. As ações


diretas constituem as ações móveis e as indiretas são a retração e o empenamento. Essas ações
geram fissuras nos pisos e serão explicadas a seguir.

2.3.1 AÇÕES MÓVEIS EM PISOS INDUSTRIAIS

As ações móveis que solicitam os pisos industriais normalmente são as empilhadeiras,


que, segundo RODRIGUES e CASSARO (1998), pela sua frequência de solicitação e pesos
por eixo, acabam por superar as solicitações de eventual trânsito de caminhões. No instante de
carga máxima, quase todo peso está concentrado no eixo dianteiro, sendo o eixo traseiro
considerado apenas como direcional. Além dos pneus, algumas empilhadeiras possuem rodas
5

rígidas. Nesse caso pode-se utilizar a aproximação de elevada pressão de enchimento.


RODRIGUES e CASSARO (1998) citam o valor de 1,75 MPa.

2.3.2 RETRAÇÃO

Existem três tipos de retração: a retração por secagem causada pela redução de
dimensões devido à perda de água, a retração autógena que é a redução de volume dos
produtos de hidratação ou ainda a retração plástica que ocorre antes da pega.
Segundo BAPTISTA (1976) a retração é o fenômeno que provoca diminuição do
volume de concreto e se processa desde que se inicia a pega do concreto. Pode ser controlada
lançando mão de juntas e cura adequada.
Conforme PINHEIRO e OLIVEIRA (2000):
O aparecimento de fissuras não depende somente do valor da retração, mas
também da deformabilidade do concreto, da sua resistência e do grau de
restrição à deformação. A cura é o procedimento mais utilizado no intuito de
se diminuir a fissuração por retração, evitando a perda de água para o ar
durante a secagem do concreto. A não realização da cura adequada faz com
que o concreto fissure antes de atingir a resistência mínima para resistir aos
esforços gerados pela retração.
Já RODRIGUES (2006) afirma que a retração é provocada pela diminuição do volume
e evaporação da água excedente do concreto. O fenômeno é inevitável e é a primeira causa
das fissuras nas placas. Estas podem ser reduzidas com cuidados na dosagem do concreto.
Com a análise dos autores pode-se afirmar que a maneira mais prática de se evitar a
fissuração por retração e, com isso obter a maior durabilidade do piso, é a realização da cura
adequada do concreto.

2.3.3 EMPENAMENTO

O empenamento é uma alteração na forma geométrica da placa devido à variação da


temperatura na sua espessura. Durante o dia a placa sofre uma deformação na parte central,
desprendendo-se do subleito e tendendo a se apoiar nos cantos ou bordos. Durante a noite
ocorre o contrário visto que a temperatura na face superior é menor que a temperatura na face
inferior, apresentando-se com os bordos levantados.
RODRIGUES (2006) afirma que todas as placas estão sujeitas ao empenamento sejam
elas finas, grossas, armadas, protendidas, ligadas a uma estrutura ou apoiadas em base elástica
e isso ocorre sempre que há uma diferença de temperatura entre as faces superior e inferior.
As figuras abaixo mostram o comportamento das placas durante o dia e à noite.
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Figura 2: Tendência de empenamento durante o dia. Figura 3: Tendência de empenamento durante a noite.
Fonte: PINHEIRO e OLIVEIRA (2000) - Projeto Fonte: PINHEIRO e OLIVEIRA (2000) - Projeto
estrutural de pavimentos rodoviários e pavimentos estrutural de pavimentos rodoviários e pavimentos
industriais de concreto industriais de concreto.

A aplicação de juntas serradas diminui a ocorrência de fissuras causadas pelo


empenamento uma vez que elas ajudam a movimentação das placas sem que haja contato
umas com as outras.
Em seguida será apresentado um breve comentário sobre as juntas e os seus tipos
aplicados em pavimentos de concreto e suas determinadas funções de aplicação.

3 JUNTAS

De acordo com PINHEIRO (2000) a função das juntas, nos pavimentos de concreto, é
promover a fissuração com geometria pré-definida a fim de garantir o funcionamento
estrutural previsto e manter o nível estético do pavimento.
Segundo RODRIGUES (2006) a função básica das juntas é permitir as movimentações
de contração e expansão do concreto, permitindo a adequada transferência de carga entre as
placas contíguas e garantindo o conforto do rolamento.
Da análise dos autores tem-se que as juntas constituem o ponto mais vulnerável do
piso e estão sujeitas a defeitos tanto no desempenho quanto na execução. Se não forem
projetadas e executadas corretamente as movimentações excessivas podem causar a perda do
material de selagem e até mesmo a ruptura das bordas denominada de esborcinamento.
As figuras 4 e 5 mostram as condições de trabalho das juntas com e sem dispositivo de
transferência de carga.

Figura 4: Juntas sem dispositivo de transferência de


carga. Figura 5: Juntas com Barras de transferência.
Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) -
Pavimentos Industriais de Concreto Armado. Pavimentos Industriais de Concreto Armado.
7

3.1 CLASSIFICAÇÃO DAS JUNTAS

As juntas estão divididas de acordo com a sua função e o método executivo e podem
ser classificadas em: junta longitudinal de construção, junta de expansão e juntas serradas.

3.1.1 JUNTA LONGITUDINAL DE CONSTRUÇÃO (JC)

Este tipo de junta permite a movimentação horizontal do piso e a transferência de


carregamentos verticais entre placas através de barras de transferência. Está localizada entre
duas faixas de concretagem (figura 6).

Figura 6 - Encaixe do tipo macho e fêmea.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Industriais de Concreto Armado.

BAPTISTA (1976) afirma que a junta serve para controlar as tensões devido ao
empenamento da placa por efeito da variação não uniforme da temperatura.
As juntas de construção são mais sensíveis a quebras devido ao acúmulo de argamassa
nas bordas e, por isso, devem ser reduzidas à menor quantidade possível. Para esse tipo de
junta devem-se utilizar encaixes do tipo macho e fêmea ou barras de transferência. O
mecanismo de transferência de carga do tipo macho e fêmea (figura 7) deve ser evitado em
pisos industriais devido à sua baixa capacidade de transferência de cargas, dificuldades na
execução e grande ocorrência de fissuras próxima das bordas.

Figura 7 - Encaixe do tipo macho e fêmea.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Industriais de Concreto Armado.

3.1.2 JUNTA DE EXPANSÃO (JE)

As juntas de expansão (figura 8) são utilizadas onde houver encontro do piso com
outros elementos estruturais como vigas baldrames, bases de máquinas, blocos de concreto e
alvenarias. Elas fazem com que o piso trabalhe independente das outras estruturas. Quando se
trata de pilares e de pequenas aberturas nos pisos normalmente utiliza-se junta do tipo
8

diamante (figura 9). Estas estão posicionadas ao redor dos pilares e tem a função de isolar o
piso deles.

Figura 8: Junta de expansão. Figura 9: Junta de expansão tipo diamante.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) -
Industriais de Concreto Armado. Pavimentos Industriais de Concreto Armado.

A utilização de juntas de expansão entre placas, conhecidas como Juntas de Dilatação


(JD), é feita apenas em casos especiais como em pistas com mudança de direção de tráfego,
comum em docas de recebimento de materiais. Neste caso, devem-se utilizar barras de
transferência com um dispositivo capuz (figura 10) que permite à barra movimentar-se
livremente no sentido de deslocamento do piso.

Figura 10: Junta de Dilatação com capuz.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Industriais de
Concreto Armado.

3.1.3 JUNTAS SERRADAS (JS)

BAPTISTA (1976) afirma que as juntas devem ser serradas num tempo que se evite a
formação de trincas, porém não logo após a distribuição e compactação do concreto para
evitar problemas de danificar a superfície da laje de concreto pela ação da máquina de serrar.
De acordo com RODRIGUES (2006) as juntas serradas são geralmente ortogonais à
maior direção da placa, sendo, portanto sujeitas às maiores movimentações em função da
retração do concreto. Após o período de cura inicial dá-se início ao corte das juntas.
Analisando as afirmações dos autores observa-se que os cortes das juntas criam
regiões enfraquecidas nas faixas de concretagem, por onde se desenvolverão fissuras quando
da movimentação horizontal das placas, evitando a fissuração de todo o piso.
9

As juntas serradas (figura 11) são utilizadas para permitir o equilíbrio das tensões
geradas pela retração do concreto e o seu espaçamento é função da taxa de armadura
empregada. São feitas com cortes no piso, em período de cura do concreto, a uma
profundidade de no mínimo 40 mm que deve ser maior do que 1/6 da espessura do piso e
menor do que ¼ da espessura do mesmo.

Figura 11: Junta Serrada.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Industriais de Concreto
Armado.

4 BARRAS DE TRANSFERÊNCIA

As barras de transferência (figura 12), como o próprio nome já diz, são utilizadas para
a transferência de cargas. São feitas com aço CA 25, possuem seção circular, maciças e lisas.
De acordo com BAPTISTA (1976) as barras de transferência são usadas na extensão
da junta para a transferência de cargas. Seu posicionamento deve ser no meio da espessura da
placa. Deverão ser lisas e untadas de graxa em uma das metades para assegurar, no concreto,
espaço para o movimento dos passadores.
RODRIGUES (2006) afirma que as barras constituem o principal e mais eficiente
mecanismo de transferência de cargas empregado nas juntas. Elas não devem aderir no
concreto em pelo menos um dos lados para permitir seu deslocamento quando da retração, e
para isso devem estar com pelo menos metade do seu comprimento lubrificada.
Com a análise dos autores tem-se que as barras constituem os mais eficientes
mecanismos de transferência de carga e para o seu melhor desempenho é necessário que se
lubrifique um de seus lados pra não aderir ao concreto quando ele sofrer retrações.
10

Figura 12: Detalhe de uma barra de transferência.


Fonte: Autor, 20009.

O uso de tubos nas barras de transferências para permitir o deslocamento quanto à


retração era muito utilizado, mas foi abolido devido às folgas que ficavam entre o tubo e a
barra de transferência. Quando da movimentação do piso essas folgas causavam fissurações
nas bordas das juntas.
O emprego das barras de transferência, utilizadas nas juntas transversais e
longitudinais, tem como prioridade garantir a durabilidade do pavimento. A tabela 2 abaixo
mostra o diâmetro das barras, comprimento e espaçamento a serem utilizados de acordo com a
espessura do piso.

Espessura do Pavimento Diâmetro das Barras Comprimento das Espaçamento


H(cm) (mm) barras (cm) (cm)
H ≤ 12,5 16 40 30
12,5 < H ≤ 15,0 20 40 30
15,0 < H ≤ 20,0 25 46 30
H > 20,0 32 46 30

Tabela 2 – Diâmetro das barras de transferência. (Fonte: Adaptada de Dimensionamento de pavimentos de concreto estruturalmente
armados. 1997).

Os dados da tabela foram obtidos com base nos pavimentos de concreto simples, aqueles em
que os esforços atuantes são resistidos apenas pela resistência à tração na flexão.

4.1 DIMENSIONAMENTO DAS BARRAS DE TRANFERÊNCIA

Atualmente, com a melhoria dos procedimentos de cálculo e com o advento de


tecnologias mais modernas, observa-se uma significativa redução na espessura dos pisos
estruturalmente armados como, por exemplo, 15 cm onde antes se utilizava 24 cm. As tensões
atuantes nas barras de transferência estão intimamente ligadas à espessura das placas através
do raio de rigidez relativo l:
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E  h³
4 , (7)
12.(1   ²).k
Equação 7 – Fonte: Modificado de Públio e Gasparetto (set/out - 99)

Onde:

E = módulo de elasticidade do concreto


h = espessura da placa de concreto
ν = coeficiente de Poisson do concreto, tomado como 0,15
k = coeficiente de recalque da fundação

Para avaliar a influência do raio de rigidez relativo na força aplicada nas barras de
transferência, pode-se comparar, por exemplo, uma carga P aplicada em uma junta, no mesmo
alinhamento da barra de transferência (figura 13). A tendência é que essa força distribua-se
com maior intensidade na barra em seu alinhamento, enquanto as barras vizinhas recebem um
esforço menor, proporcional à distância que se encontram do centro de aplicação de cargas. A
influência da carga se fará sentir até uma distância igual a 1,8 vezes o raio de rigidez relativo.
Ou seja, quanto maior for o raio mais barras estarão repartindo o esforço aplicado.

Figura 13 – Distribuição de esforços nas barras de transferência.


Fonte: RODRIGUES e GASPARETTO (1999) - Pavimentos Industriais de Concreto Armado.

O valor de a é igual a 1. Os valores de b são dados por:

n.x
bn  1  , (8)

Equação 8 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Sendo: n: número de barras carregadas de cada lado da força;


x: distância entre as barras;
l: raio de rigidez relativa da placa.

Desta forma, segundo FRIBERG (1940), o esforço atuante na barra mais solicitada
considerando a junta com 100% de eficiência será:
12

0,5P
Pa  n (Kgf), (9)
1  2  1 bi

Equação 9 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Quando a força estiver atuando próxima à borda livre, o esforço atuante na barra mais
solicitada será:

0,5 P
Pa  n (Kgf), (10)
1  1 bi
Equação 10 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Sendo: Pa: força na barra mais carregada;


P: força aplicada;
n: número de barras carregadas em cada lado da força;
b: coeficiente de cada barra calculadas pela equação 8.

Com a análise das equações 3 e 4 nota-se que a barra mais solicitada estará sempre
próxima a uma borda livre. Quando houver mais de uma força atuando na junta, o efeito na
barra deve ser superposto.
Esse modelo, proposto por Friberg (YODER & WITCZAK, 1975) admite que a placa
de concreto seja absolutamente rígida e, portanto o subleito acaba não recebendo esforços, o
que na realidade não ocorre; logo, as cargas nas barras assim avaliadas acabam sendo maiores
do que calculado.
Por exemplo, supondo uma junta com barras espaçadas a cada 30 cm, com eficiência
de 100%, isto é, que distribui igualmente os esforços nos dois lados da junta, e carga P
aplicada coincidentemente no eixo de uma barra. Se l = 80 cm, a barra mais solicitada estará
recebendo um esforço equivalente a 0,05P; se l = 50 cm, o esforço será 0,08P, ou seja, 60%
maior do que na placa mais rígida.
Quando uma carga Pa atua em uma barra imersa no concreto, conforme mostra a
figura 14 (HUANG, 1993), apresenta a seguinte rigidez:

Figura 14: Deformação da barra de transferência.

Fonte: Juntas em pisos industriais. Públio Rodrigues e Edson Gasparetto set/out – 99.
13

K .
 4 , (11)
4.E.
Equação 11 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

4
 .
 , (12)
64
Equação 12 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Sendo: β: rigidez relativa da barra mergulhada em concreto;


K: módulo de suporte da barra (podendo ser considerado, segundo Huang (1993),
6
igual a 0,41x10 MPa/m);
 : diâmetro da barra;
E: módulo de elasticidade da barra;
I: momento de inércia da barra dado pela equação 12.

A deformação da barra (y) é dada por


  Pa   (m), (13)
Equação 13 – Fonte: Modificado de Timoshenko (1925)

(2  z )
 , (14)
(4. ³.)
Equação 14 – Fonte: Modificado de Timoshenko (1925)

Sendo: z: abertura da junta;


 : coeficiente de dilatação térmica do concreto.

A tensão de suporte do concreto na face da junta é dada por:


     (MPa), (15)
Equação 15 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Com a análise das expressões observa-se que a deformação e a tensão, fixadas as


propriedades geométricas e mecânicas da barra, irão variar com a abertura da junta. A tensão
de apoio de uma junta de dilatação pode ser de 10% a 25% maior do que numa junta de
retração.
Nas juntas serradas, a abertura é função da retração hidráulica do concreto, dimensões
das placas e do tipo de pavimento empregado; por exemplo, os pisos estruturalmente armados
apresentam menor abertura de junta em função da restrição imposta pelas armaduras.
(RODRIGUES e GASPARETTO, 1999).
Segundo Huang (1993), a tensão de suporte máxima, para que não haja esmagamento
do concreto, é dada por:
14

 10   
adm     fck (MPa) (16)
 7,5 
Equação 16 – Fonte: Modificado de Friberg (1940)

Caso aconteça dessa tensão ser ultrapassada haverá o esmagamento do concreto em


contato com a barra e consequentemente o aumento da deformação. Quando ultrapassado o
valor da deformação que ocorre para a carga situada no interior da placa, a borda passa a ser
mais solicitada, devido à perda de eficiência da junta.
O processo de destruição passa a ser contínuo, devido à sub-base ser mais solicitada,
perdendo, com isso, a capacidade de suporte e aumentando a deformação na junta até que
ocorra o esgotamento da estrutura.

5 CUIDADOS NO PROJETO GEOMÉTRICO

Durante a fase de execução do projeto geométrico do piso são necessários alguns


cuidados que permitam a execução da obra, que se obtenha uma grande durabilidade do piso e
reduzam os custos de manutenção assegurando uma ótima utilização de acordo com o tipo de
equipamento a ser utilizado.
Alguns cuidados devem ser tomados quanto a isso, como mostram as notas abaixo:

5.1 A largura da faixa de concretagem deve ser consistente com os índices de planicidade
exigidos para o uso do piso;
5.2 Caso existam pilares na região do piso, preferencialmente, posicione juntas na direção de
seus eixos, posicionando a Junta diamante ao redor deles (figura 15);

Figura 15: Detalhe do posicionamento da junta no encontro com pilar.


Fonte: Autor, 2009.
15

5.3 As juntas devem ser alinhadas aos cantos internos do piso (figura 16);

Errado Certo
Figura 16: Alinhamento de juntas
Fonte: Juntas em Pisos Industriais (Rodrigues e Gasparetto, 1999)

5.4 O comprimento de uma junta de construção ou serrada deve ser no mínimo igual a 50 cm
de comprimento (figura 17);
5.5 As juntas não devem formar ângulos menores que 90º entre si (figura 17);
5.6 Uma junta de construção ou serrada deve sempre encontrar uma curva em ângulo igual a
90º (figura 17);

Referente ao item 5.5

Referente ao item 5.6

Referente ao
item 5.4

Figura 17: Detalhe geométrico


Fonte: Juntas em Pisos Industriais (Rodrigues e Gasparetto, 1999)

5.7 As juntas deverão ser sempre contínuas, atravessando toda a extensão do piso. Nunca
terminar uma junta no meio de outra placa (figura 18).

Figura 18: Detalhe de uma trinca causada pela não continuidade da junta.
Fonte: Juntas em Pisos Industriais (Rodrigues e Gasparetto, 1999).
16

6 SELAGEM DE JUNTAS

Os selantes (figura 16) são materiais plásticos utilizados na vedação das juntas do piso
permitindo a sua selagem. São de fundamental importância, pois impedirão a entrada de
materiais incompressíveis (areia, pequenos pedregulhos e outros) e a infiltração de água na
junta, que são prejudiciais ao desempenho do piso.
Os materiais incompressíveis impedem a movimentação livre das juntas. A infiltração
de água causa prejuízos à durabilidade do pavimento, pois se o piso não estiver isolado do
solo através de uma lona plástica, como é comumente utilizado nas obras, a infiltração
provocará uma erosão e prejudicará a continuidade de suporte requerida para o bom
desempenho do pavimento.
Os tipos de selantes mais recomendados para a aplicação nas juntas são os poliuretano,
polietileno e cortiças. Esses propiciam melhores condições de aderência com as paredes da
junta. O tarucel é utilizado como delimitador da altura da junta.

Figura 16 – Demonstração de selagem de junta.


Fonte: Juntas em pisos industriais (Rodrigues e Gasparetto, 1999)

Outro ponto importante refere-se ao intervalo de tempo entre a execução do piso e a


selagem da junta. Se esta for executada muito cedo, o concreto ainda estará retraindo e corre-
se o risco de deslocamento ou ruptura do selante, notadamente quando se trabalha com epoxy.
Na realidade, o concreto continua retraindo por muito tempo, sendo que a maior parte ocorre
no primeiro ano, função basicamente das condições climáticas, notadamente a umidade
relativa do ar.
Portanto, é recomendável que a selagem seja retardada o máximo possível, para evitar
que ocorram problemas com o selante.

7 CONCLUSÃO

Ao se executar um piso industrial devem-se tomar alguns cuidados, como foram


mostrados durante o desenvolvimento deste artigo, quanto ao seu dimensionamento e
execução na obra. É importante que o projeto de execução seja seguido corretamente para que
não haja um comportamento estrutural inadequado das placas, o esborcinamento das juntas e
consequentemente uma curta duração no tempo de vida útil do pavimento. O cuidado com o
processo de cura do piso irá determinar a sua durabilidade.
Por mais parecidas que sejam as características das obras a serem aplicados no piso
industrial existem variáveis que diferenciam as soluções adotadas de uma obra para outra.
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Por isso, o piso industrial deve ser pensado como um conjunto, que envolve estudo dos
materiais, formas de acabamento, índices de planicidade e nivelamento desejados,
manutenção, custos e usos.

REFERÊNCIAS

- AMERICAN CONCRETE INSTITUTE, ACI: Guide for Concrete Floor and Slab
Construction. Farmington Hills, MI, 1996.

- ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR7583: Execução de


Pavimentos de Concreto Simples por meio Mecânico. Agosto, 1986.

- BAPTISTA, Cyro de F. N. Pavimentação Volume 3. Editora São Paulo, Porto Alegre,


1976. Cap. 9, p 176-198.

- FRIBERG, B. F. (1940). Design of dowels in transverse joints of concrete pavements.


Transactions, ASCE, v. 105.

- RODRIGUES, Públio P. F. Pavimentos Industriais de Concreto Armado: Projetos e


Critérios Executivos. Instituto Brasileiro de Tela Soldada, IBTS, São Paulo, 2006 – 2ª
Edição. Caps. 4, 5 e 6, p 45-74.

- RODRIGUES, Públio P. F.; CASSARO, Caio F. (1998). Pisos Industriais de Concreto


Armado. São Paulo, IBTS.

- RODRIGUES, Públio P. F.; GASPARETTO, Wagner E. Juntas em Pisos Industriais de


Concreto. Revista Téchne, Set/Out-99.

- RODRIGUES, Públio P. F.; PITTA, Márcio R. Dimensionamento de Pisos de Concreto


Estruturalmente Armados. Instituto Brasileiro do Concreto. Revista do Ibracon, nº 19,
1997. p 11. Set/Dez.

- WESTERGARD, H. M. (1926). Stress in concrete pavements computed by


theorical analysis. Public Roads, v. 7, p. 25-35, Apr.

- YODER, E. J. & WITCZAK, M. W. Principles of Pavement Design. Ed. John Wiley and
Sons, N.Y. 1975.