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PRÁTICA DE PROCESSO CIVIL

Roteiro de Sentenças

1. SENTENÇA CÍVEL

1.1. Conceito

O Código de Processo Civil contempla a matéria no Capítulo VIII,


Seção I, do Livro I Processo de Conhecimento. Os artigos fundamentais são
os artigos 458 a 466.

Sentença é o pronunciamento judicial que tem seu conteúdo nos artigos


267 e 269 do Código de Processo Civil, cujo efeito principal é pôr fim ao
procedimento em primeiro grau de jurisdição. Põe termo ao processo (artigo
162, § 1.º).

1.2. Classificação

1.2.1. Sentenças processuais típicas

São aquelas que atestam a inexistência dos pressupostos de


admissibilidade, do exame e de julgamento de mérito. São os pressupostos
processuais negativos e condições da ação.

a) Pressupostos processuais

São elementos imprescindíveis para a existência e validade da relação


processual ou, em outras hipóteses, a sua inexistência é imperativa para que a
relação processual exista validamente.

b) Condições da ação

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É o elo do direito material com o direito processual (legitimidade ad


causam, interesse de agir e a possibilidade jurídica do pedido).

As sentenças processuais típicas estão previstas no artigo 267, inciso


IV, V e VI, do Código de Processo Civil. Temos ainda os artigos 265, § 2.º
(ausência de capacidade postulatória), e 47, parágrafo único (falta de citação
de todos os litisconsortes).

1.2.2. Sentenças processuais atípicas

a) Perempção da instância (artigo 267, inciso II)

O processo fica parado por mais de um ano por negligência das partes.
Neste caso, o juiz deve intimar as partes para se manifestarem em 48 horas.

b) Abandono da causa (artigo 267, inciso III)

O autor fica inerte, e mesmo intimado para se manifestar em 48 horas,


continua inerte.

c) Perempção (artigo 267, inciso V)

De acordo com o artigo 268, parágrafo único, ocorre quando o processo,


por três vezes, é extinto sem julgamento de mérito, pelo fato do autor tê-lo
abandonado por mais de 30 dias, sem promover as diligências necessárias.

d) Convenção de arbitragem

É a adoção da Lei n. 9.307/96.

e) Desistência da ação (artigo 267, inciso VIII)

O autor abre mão do processo. Transcorrido o prazo para resposta, o


autor precisa da anuência do réu para a desistência.

f) Intransmissibilidade da ação (artigo 267, inciso IX)

É o caso de morte do autor ou de cessão de direitos incessíveis.

g) Confusão entre autor e réu (artigo 267, inciso X)

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É a regra do artigo 1.049 do Código Civil, pois as partes se tornam uma


só.

Temos a seguir as sentenças de mérito, que são todas as que não estão
entre as processuais típicas e atípicas. Estão previstas no artigo 269 do Código
de Processo Civil:

• Típicas (artigo 269, inciso I): o juiz acolhe ou rejeita o pedido do


autor.

• Atípicas (artigo 269, inciso II, III, IV e V):

- reconhecimento jurídico do pedido;

- transação;

- renúncia;

- decadência/prescrição.

De acordo com o pedido as sentenças podem ser:

• Declaratórias: a finalidade é declarar a existência ou não de uma


relação jurídica.

• Condenatórias: o objetivo é a aferição de uma lesão, estabelecendo


uma sanção correspondente.

• Constitutivas: trazem uma novidade ou modificação para o universo


jurídico.

• Mandamentais: o Estado-Juiz, ao sentenciar, desempenha ato de


autoridade, emitindo uma ordem a ser cumprida.

• Executivas lato sensu: aptas a levar à efetiva satisfação do credor,


independentemente do processo de execução.

Toda sentença forma um juízo de concreção ou subsunção. Trata-se de


uma operação lógica em que a regra abstrata vai ser aplicada ao caso concreto.

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Tal fenômeno é o silogismo, no qual a premissa maior é a Lei; a


premissa menor são os fatos e as circunstâncias do caso concreto; e a
conclusão é o dispositivo da sentença.

1.3. Requisitos da Sentença

São requisitos essenciais da sentença (artigo 458 do Código Penal):

• Relatório

É o resumo do processo e deve obrigatoriamente conter:

- o nome das partes;

- o resumo do pedido;

- o resumo da contestação, reconvenção ou exceção;

- os principais incidentes no andamento do processo.

• Fundamentação

Aqui o juiz analisa todos os pontos controvertidos alegados pelas partes.


É o ponto vulnerável da sentença e, por conseguinte, sempre expressa (artigo
93, inciso IX, da Constituição Federal) os motivos de acolhida ou não da
pretensão do autor.

• Dispositivo

É o decisum, acolhendo ou rejeitando o pedido do autor. É a conclusão


da sentença.

1.4. Observações

• A sentença em que faltar qualquer das três partes em qualquer dos


requisitos é nula.

• A sentença sem assinatura é nula ou inexistente.

• O relatório incompleto torna a sentença nula.

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• O relatório deve conter o nome expresso das partes, sob pena de


nulidade.

• É nula a sentença omissa a respeito de ponto relevante da defesa.


Todos os pontos da defesa devem ser atacados.

• A fundamentação não deve ser extensa e sim suficiente.

• A invocação da jurisprudência como razão de decidir não viola o


princípio da legalidade.

• O juiz não pode apenas aderir a uma das teses apresentada por
uma das partes ou pelo Ministério Público, sob pena de nulidade.

• Mesmo no caso de revelia, é indispensável a fundamentação da


sentença.

• É nula a sentença que:

− não julga a reconvenção;

− não julga a denunciação da lide;

− não aprecia a prescrição ou decadência;

− decide apenas um dos pedidos cumulados; rejeita o primeiro


pedido sucessivo, mas não aprecia o segundo;

− não aprecia pedido sobre litigância de má-fé;

− outorga de ofício direitos disponíveis não pleiteados.

1.5. Modelos de dispositivos

1.5.1. Separação judicial – revelia

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


DECRETO A SEPARAÇÃO DO CASAL FULANA e SICRANO, reconhecendo
culpado o cônjuge ..., e DECLARO cessados os deveres de coabitação e
fidelidade recíproca, e o regime matrimonial de bens, como se o casamento

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fosse dissolvido, e determino a partilha dos bens que o casal possui. Em


relação aos filhos, mantenho a guarda com o cônjuge virago, fixando
alimentos no montante de..., distribuindo-os entre a mulher e o filho em igual
proporção. A mulher voltará a usar o nome de solteira. Condeno o cônjuge
varão no pagamento das custas e despesas processuais, bem como em
honorários advocatícios, que fixo em (x salários mínimos). Após o trânsito em
julgado, expeça-se mandado de averbação ao Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais de (indicar o Cartório de acordo com a certidão de
casamento). Após, se o caso, à partilha. P.R.I.C.”

1.5.2. Conversão de separação em divórcio

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


CONVERTO EM DIVÓRCIO a separação judicial do casal FULANO e
SICRANA, fundamentando no artigo 35, da Lei n.º 6.515/77. Condeno a
requerida nas custas e despesas processuais, bem como em honorários
advocatícios que fixo em ... Após o trânsito em julgado, pagas eventuais
custas, expeça-se mandado de averbação ao Cartório de Registro Civil das
Pessoas Naturais do Município de São Paulo, arquivando-se os autos,
observadas as formalidades legais. P.R.I.C.”

1.5.3. Usucapião

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a presente ação de Usucapião ajuizada por
FULANO em face de SICRANO, para declarar o domínio do requerente sobre
a área descrita na inicial, conforme preceitua o artigo 550 do Código Civil.
Após o trânsito em julgado, servirá esta de título hábil para a matrícula junto
ao Cartório de Registro de Imóveis da Comarca. Oportunamente, expeça-se
mandado para registro, pagas as despesas pelo requerente. P.R.I.C.”

1.5.4. Impugnação ao valor da causa

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo
improcedente a IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA, interposta por
FULANO nos autos da ação ordinária que lhe move SICRANO, para manter

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o valor da causa em..., conforme exposto na inicial. CONDENO o


Impugnante no pagamento das custas e despesas processuais. Certifique-se
nos autos principais. P.R.I.”

2. SENTENÇA CRIMINAL

2.1. Conceito e classificação

A sentença criminal vem estabelecida pelo Código de Processo Penal no


Título XII, Da Sentença, sendo a matéria tratada pelos artigos 381 a 393.

Relembrando, conceituamos sentença como ato de prestação da tutela


jurisdicional no qual o juiz põe termo ao procedimento em primeiro grau,
decidindo ou não o mérito da causa.

A sentença penal pode ser classificada em sentenças definitivas ou em


sentenças com força de definitivas. As sentenças definitivas são todas as que
põem termo ao processo de primeiro grau. São decisões finais de primeira
instância. As decisões com força de definitivas são aquelas que influem sobre
a questão principal do litígio sem pôr termo ao processo. Entre as sentenças
definitivas temos as sentenças de absolvição ou de condenação e as decisões
terminativas. Essas últimas são aquelas que encerram o processo sem lhe
decidir o mérito.

Portanto, as sentenças definitivas no processo penal são:

• Sentenças de mérito:

- sentença de absolvição;

- sentença de condenação;

- sentença interlocutória mista (ex.: a sentença que


concede ou nega o livramento condicional);

- sentença terminativa de mérito.

• Sentenças processuais ou terminativas em sentido estrito.

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2.2. Requisitos

De acordo com o artigo 381 do Código de Processo Penal, a sentença


deve obrigatoriamente conter:

• Os nomes das partes ou, quando não for possível, as indicações


necessárias para identificá-las.

• A exposição sucinta da acusação e da defesa.

• A indicação dos motivos de fato e de direito em que se fundaram


a decisão.

• A indicação dos artigos de lei aplicados.

• O dispositivo.

• A data e assinatura do juiz.

Na realidade, a sentença possui três partes distintas – o relatório, a


fundamentação ou motivação, e o dispositivo ou conclusão – e é
inquestionável que precisa haver uma coerência lógica entre essas três partes.

2.3. Sentença Condenatória

A condenação, como já sabemos, visa um juízo de concreção, isto é,


visa transformar a sanção abstrata da lei em sanção concreta, impondo ao réu a
pena legalmente cominada para o crime que praticou. O conteúdo é o
pronunciamento jurisdicional de procedência da denúncia.

O objetivo maior é, além da decisão do litígio penal, através do


julgamento de procedência da pretensão punitiva estatal, estabelecer o título
penal executório, a fim de dar início ao processo de execução. Visa, portanto,
declarar existente o direito de punir em face à violação do preceito primário da
norma penal e ordenar a aplicação da sanção adequada na execução penal.

Para que a sentença penal condenatória subsista é indispensável que a


imputação reste amplamente demonstrada. O fato típico, antijurídico e

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culpável deve estar provado, por todos os meios lícitos admitidos pelo
sistema.

Uma vez provada a prática dos fatos delitivos atribuídos ao réu na


denúncia ou na queixa-crime, vai o juiz ao preceito primário da norma
incriminadora e ao preceito secundário sancionador, estabelecendo e
graduando as penas e sanções a ser impostas ao réu. Todas as circunstâncias
do delito são consideradas para a correta conexão entre a norma primária e a
secundária, para que sejam garantidos os princípios constitucionais,
principalmente o da ampla defesa.

O juiz não pode fugir, na sentença condenatória, dos limites que lhe são
traçados para a imputação. Os limites não dizem só respeito à pena principal
como também às penas acessórias e às medidas de segurança. Portanto,
embora o juiz possa dar definição jurídica diversa da que constar na denúncia
ou queixa, ainda que tenha de aplicar pena mais grave (artigo 383 doCódigo
PenalP), não pode ir além do delineamento traçado no pedido acusatório.
Inclusive, quanto às penas acessórias, sabemos que as mesmas são corolário
do julgamento do crime. É através da graduação da pena principal que temos a
base e o fundamento das penas acessórias.

A motivação da sentença condenatória é fundamental e precisa ser


precisa e clara, tanto no que diz respeito a imputação como na aplicação da
pena (principal e acessória).

Numa visão prática temos:

2.3.1. Relatório

Deve conter o resumo da peça acusatória, os principais incidentes do


processo e o conteúdo das alegações finais.

a) Resumo da peça acusatória

O juiz deve apresentar uma narrativa do fato e da qualificação jurídica


do mesmo, bem como o pedido e a causa de pedir de maneira harmoniosa.

"O réu foi denunciado pela Justiça Pública como incurso nas sanções do
artigo 000 do Código Penal, porque no dia 00/00/00, por volta das 00h00min,

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na Rua Tal, n.º 00, Bairro, deste Município e Comarca de São Paulo,
(descrever os fatos). "

Ex.: artigo 157, § 2.º, incisos I e II, do Código Penal – "... agindo em
concurso de agentes, com os adolescentes José de Tal e Fulano de Tal,
subtraiu para si, mediante grave ameaça, uma carteira contendo documentos
pessoais e R$ 500,00 (quinhentos reais) em dinheiro, pertencentes a Antônio
de Tal. Consta dos autos que o acusado e os adolescentes, enquanto
caminhavam pela mencionada Rua, depararam-se com vítima dentro do
veículo GM Monza, cor azul, placas HHH 0000 – São Paulo – SP,
estacionado, oportunidade em que o acusado entregou o revólver Taurus,
calibre 38, número de série obliterado, capacidade para cinco tiros, ao
adolescente José de Tal, determinando que atacasse a vítima. Os
adolescentes, então, aproximaram-se da vítima, subjugando-a com o uso da
arma de fogo, fazendo-a com que entregasse sua carteira e as chaves do
veículo. Enquanto isso o acusado permanecia nas imediações, vigiando
eventual aproximação de terceiros. Ocorre que a vítima conseguiu acionar o
sistema de segurança do veículo, impedindo que o mesmo fosse levado. Tal
ação motivou a fuga do acusado e dos adolescentes do local na posse da
carteira, documentos e dinheiro. Decorridos aproximadamente 30 minutos, o
acusado foi detido e preso em flagrante delito, na posse da carteira e
documentos da vítima, por Policiais Militares que, após receberem a
informação via rádio do assalto, diligenciavam pelas redondezas ."

b) Principais incidentes do processo

O juiz deve apresentar todas as fases do procedimento, demonstrando


que não ocorreu nenhuma nulidade ou vício, e que todas as regras processuais
foram rigorosamente obedecidas.

Recebimento da denúncia: "Denúncia recebida aos 00/00/00. O réu foi


citado aos 00/00/00, e interrogado aos 00/00/00. Defesa prévia foi ofertada
aos 00/00/00. Durante a instrução foram ouvidas as testemunhas arroladas
na denúncia (fls.), e as testemunhas de defesa (fls.). Encerrada a instrução,
abriu-se prazo para requerimentos de diligências (artigo 499 do Código
PenalP). O Representante do Ministério Público requereu a vinda de
certidões complementares (fls.). A defesa, nada requereu (fls.)".

c) Conteúdo das alegações finais

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O juiz não deve copiar, na sentença, as alegações finais das partes.


Precisa apenas, de maneira sucinta, apresentar as teses da acusação e da
defesa, para, na fundamentação, corroborá-las ou rebatê-las.

Da acusação: "O Representante do Ministério Público requereu a


condenação do réu, nos moldes da denúncia, ressaltando os maus
antecedentes e a reincidência, pugnando pela elevação da pena acima do
mínimo legal e fixação do regime inicial fechado para cumprimento".

Da defesa: "A defesa, por sua vez, pugnou pela absolvição,


argumentando que as provas colhidas são insuficientes para édito
condenatório e, subsidiariamente, pela desclassificação do delito, para a
forma tentada, uma vez que os bens foram recuperados pouco tempo após a
subtração".

d) Observações

• No relatório não deve o juiz estabelecer nenhum juízo de valor,


ou seja, não deve motivar nada. O juiz deve limitar-se apenas narrar
aquilo que aconteceu durante o procedimento, de maneira sucinta e
objetiva.

• O juiz deve indicar as folhas em que se encontram os principais


atos do processo.

• O relatório bem elaborado é aquele que pode ser lido e gera


compreensão da fundamentação, ou seja, o leitor não precisa ter
acesso aos autos para entender as motivações da decisão.

2.3.2. Fundamentação

A motivação da sentença é a parte fundamental, erigida a princípio


constitucional conforme o artigo 93, inciso IX, do Texto Constitucional, que
determina que todas as decisões do Poder Judiciário serão fundamentadas, sob
pena de nulidade. É na fundamentação que o juiz realiza o juízo de subsunção,
incidindo o fato à norma.

a) Preliminares da acusação

Muitas vezes o Órgão do Ministério Público, no bojo de suas alegações


finais, requer prestação jurisdicional que antecede o mérito. Pode, por

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exemplo, requerer uma nova definição jurídica ao fato, em face à prova


produzida, nos moldes do artigo 384 do Código de Processo Penal. Pode,
também, requerer a conversão do julgamento em diligência para oitiva de
novas testemunhas mencionadas no curso da instrução.

"Requereu o Órgão do Ministério Público, em preliminar de alegação


final, a conversão do julgamento em diligência, para que sejam ouvidas
outras duas testemunhas, não arroladas na denúncia, mas que foram
referidas no curso da ação penal pelas testemunhas FULANO (fls. x) e
BELTRANO (fls. y). Não é caso de acolhermos a preliminar do parquet tendo
em vista que o conjunto probatório é suficiente para prolação de édito
condenatório."

b) Preliminares da defesa

A defesa, muitas vezes, requer preliminar de nulidade do processo,


visando o restabelecimento de fases do procedimento.

"Requereu a defesa, em preliminar, a nulidade do feito por não ter


apresentado defesa prévia. Impossível acolhermos a preliminar, ante o fato
do tríduo legal ter sido regularmente concedido, tendo, porém, a defesa
deixado de se manifestar no prazo concedido. Rejeito a preliminar por não
haver fundamento para que seja acolhida."

c) Autoria

O juiz precisa estabelecer a responsabilidade pelo crime, quer através de


uma autoria singular, quer através de uma autoria coletiva, na qual diversas
pessoas, simultaneamente, participaram da idealização e da execução do
delito.

"A autoria está presente, na medida em que todas as testemunhas


ouvidas neste juízo foram unânimes em confirmar os fatos e a efetiva
participação do acusado no delito. Vejamos." (Faz-se um pequeno resumo da
fala das testemunhas).

d) Materialidade

A prova material, através do exame de corpo de delito, direto ou


indireto, é indispensável para a condenação do réu.

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"A materialidade está consubstanciada pelo laudo (de exame de corpo


de delito; auto de apreensão de arma de fogo, ou drogas; auto de
constatação; auto de entrega; auto de avaliação dos bens; exame químico
toxicológico; exame na arma de fogo que atestou estar a mesma apta para
disparo, etc.)."

e) Teses da acusação

Na análise das provas, o órgão do Ministério Público apresenta suas


teses, para embasar o seu pedido, como, por exemplo, quando requer a
condenação do réu com base no depoimento de uma testemunha apenas, ou
mesmo quando requer a inversão do ônus da prova em delitos patrimoniais.

"Requereu o órgão do Ministério Público a condenação do réu por


furto qualificado, sob a alegação de que, muito embora as testemunhas não
tenham presenciado referida subtração, pois a casa estava desvigiada quando
o meliante ali adentrou, através da tese da inversão do ônus da prova. É
caso, realmente, de acolhermos a inversão do ônus da prova, a atribuirmos a
autoria ao réu, pois a 'res furtiva’ foi encontrada na sua casa e o mesmo não
apresentou nenhuma versão verossímil para tal fato."

f) Teses da defesa

A defesa, quanto ao mérito, também apresenta teses, pleiteando não só a


absolvição, como também a aplicação da tentativa, por exemplo, ou a
minimização da pena pela confissão.

"A fala da defesa não prospera, na medida em que alega ausência de


provas. As provas não são somente os depoimentos dos Policiais Militares,
que afirmam a participação do acusado, bem como houve o reconhecimento
pessoal nesta audiência. Afirmam, ainda, os Policiais Militares que eles
mesmos fizeram a apreensão da 'res furtiva'. Portanto, as provas colhidas nos
autos, são suficientes a embasar édito condenatório, estando a fala da defesa
desprovida de fundamentação fática."

2.3.3. Aplicação da pena

A aplicação da pena é feita com base no artigo 68 do Código Penal, no


critério trifásico, onde na primeira fase são consideradas as circunstâncias

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judiciais, na segunda fase as circunstâncias agravantes e atenuantes, e na


última, as causas de aumento e de diminuição.

a) Critério trifásico

a.1. Primeira fase

As circunstâncias judiciais estão estabelecidas no artigo 59 do Código


Penal, cabendo ao juiz verificar para cada réu todos os quesitos ali elencados.

"Na aplicação da pena para o réu FULANO DE TAL, verifico que o


mesmo não possui antecedentes, possui conduta social regular, não tendo
sido visto elementos gravosos de sua personalidade, nem motivos,
circunstâncias ou conseqüências do crime que possam aumentar a pena base,
de forma que mantenho a mesma no seu patamar mínimo, a saber, quatro (4)
anos de reclusão, por incurso no ‘caput’ do artigo 157 do Código Penal."

a.2. Segunda fase

Na segunda fase são consideradas as circunstâncias agravantes (artigos


61 a 64) e as circunstâncias atenuantes (artigos 65 e 66). Muito embora não
haja uniformidade, o ideal é que o juiz agrave no princípio, para depois
atenuar, pois se primeiro atenuar, a pena já está no mínimo, e só agravará, o
que em nada beneficia o réu.

"Agravo a pena do réu em face a sua reincidência (artigo 61, I), em um


(1) ano, porém, diminuo a mesma para o patamar mínimo, pela incidência da
circunstância atenuante da sua menoridade (artigo 65, I), remanescendo a
pena no seu patamar mínimo de quatro (4) anos de reclusão, pelo roubo
acima mencionado."

a.3. Terceira fase

Na terceira fase são considerados os aumentos e a diminuição de pena,


os concursos (artigos 69 a 71) e, por fim, a tentativa.

"Tendo em vista o fato do roubo praticado ter sido praticado pelo réu
com emprego de arma, conforme já amplamente demonstrado acima e em
concurso de três pessoas, aumento a pena do roubo, na terceira fase, em um
terço (1/3), totalizando cinco (5) anos e quatro (4) meses de reclusão."

"Tendo em vista também ter restado demonstrado que o roubo foi


apenas tentado, conforme entendimento do próprio órgão do Ministério

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Público, diminuo a pena de metade, em face ao iter criminis' percorrido pelo


agente, já que o réu foi preso na esquina da casa assaltada (artigo 14, II,
parágrafo único)."

b) Regime de cumprimento da pena

O juiz considerará o regime de cumprimento da pena nos moldes dos


artigos 32 e seguintes do Código Penal.

"O réu é reincidente (fls. x), o crime praticado é de extrema gravidade,


trazendo alta temibilidade social, sendo inclusive equiparado a hediondo, de
forma que o regime de cumprimento será integral fechado."

c) Apelo em liberdade

O juiz, na sentença, deve estabelecer se o réu aguardará o recurso solto,


ou deverá ser recolhido, dando ou não efeito suspensivo à sua decisão.

"O réu, que já vem cumprindo prisão cautelar, foi condenado a uma
sentença, em regime fechado, de sete anos de reclusão, de forma que nada
justifica que venha aguardar solto eventual recurso interposto pela defesa.
Dessa forma, deverá iniciar o cumprimento de pena no regime indicado, não
podendo apelar em liberdade."

d) Benefícios ao réu

“Aplico ao réu os benefícios dos artigos 77 e seguintes do Código


Penal, isto é, a suspensão condicional da pena pelo período de dois (2) anos,
devendo, no primeiro ano de cumprimento, prestar serviços à comunidade,
cujos critérios serão estabelecidos pelo Egrégio Juízo das Execuções Penais
da Comarca, em regular audiência admonitória.”

e) Aplicação de pena de multa nas duas fases

A pena de multa vem estabelecida nos artigos 49 e seguintes do Código


Penal, adotando, fundamentalmente, um critério bifásico, considerando-se, na
primeira fase, as circunstâncias judiciais e a dosimetria da pena privativa de
liberdade, e na segunda fase, a condição econômica do réu. O juiz pode, ainda,

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aplicar uma terceira fase, e multiplicar até o triplo, caso a multa, ainda que no
máximo, se torne ineficaz (artigo 60, § 1.º).

“Na aplicação da pena de multa, considero na primeira fase as


circunstâncias judiciais favoráveis, de forma que mantenho a mesma no
patamar mínimo de dez (10) dias-multa, considerando, porém, o fato do réu
ter confessado, ter excelente condição econômica, além de ter sido juntado
aos autos comprovante de rendimentos (fls. x), de forma que aumento a
segunda fase de 1/30 para 1/10 do salário mínimo, totalizando a pena de
multa em um salário mínimo da época dos fatos, corrigindo-se
monetariamente quando do cumprimento.”

e.1. Observações

• Por se tratar de concurso público, obviamente o candidato deve


ultrapassar as preliminares, já que o objetivo do examinador é
verificar se o candidato sabe fundamentar e aplicar pena. A
preliminar só pode ser acolhida se for parcial, não comprometendo a
decisão meritória da sentença no concurso.

• A motivação do juiz, subsumindo o fato à norma, é imperiosa sob


pena de nulidade. Deve realçar a autoria e a materialidade.

• Caso o juiz deixe de apreciar algumas das teses da defesa, o


processo estará eivado de nulidade.

• A dosimetria da pena deve ser feita na fundamentação. No


dispositivo deve apenas conter o resumo dessa dosimetria. Em alguns
Estados, é orientação para o concurso que a dosimetria seja feita no
dispositivo, o que não é o mais correto, uma vez que dosimetria
também é fundamentação, porque exige valoração do juiz, sendo
ainda que o réu não recorre do dispositivo, já que o mesmo apenas
retrata tudo o que foi estabelecido na fundamentação.

• O juiz deve deixar clara a adoção do critério trifásico, pois caso


misture as fases, incidirá em nulidade da sentença.

• O critério de aplicação da pena é individualizador, sendo que para


cada réu deve apresentar particularmente o critério trifásico.

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f) Dispositivo

O dispositivo é a parte final da sentença que contém o resumo, com


qualificação completa do réu, condenação total, parcial, ou absolvição, a pena
cominada a cada tipo, os benefícios concedidos ao réu, o regime do
cumprimento, a incidência imediata ou não da condenação e, para alguns
Estados, as custas e as despesas processuais.

f.1. Modelo de sentença condenatória

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de
fls., para CONDENAR, como de fato condeno, FULANO (nome completo,
RG, data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação), à pena
de -x- de reclusão e -y- dias multa, em regime fechado, não podendo apelar
em liberdade, por incurso nas sanções do artigo -x- do Código Penal. Após o
trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no Rol dos Culpados. Expeça-se
mandado de prisão. P.R.I.C.”

f.2. Modelo de sentença de pronúncia

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, com
fundamento no artigo 408 do Código de Processo Penal, PRONUNCIO
FULANO (nome completo, RG, data e local de nascimento, nacionalidade,
estado civil, filiação), para que seja submetido a julgamento pelo Egrégio
Tribunal do Júri da Comarca, por incurso nas sanções do artigo -x-, do
Código Penal. Por não possuir bons antecedentes, ante a notícia de já ter
cumprido pena, não poderá aguardar o julgamento em liberdade.
Recomende-se o réu na prisão em que se encontra. P.R.I.C.”

f.3. Modelo de sentença de desclassificação

“Ante o exposto e tudo mais que dos autos consta, com fundamento no
artigo 410 do Código de Processo Penal, opero a desclassificação do delito
do artigo -x- do Código Penal, para o artigo -y-, do mesmo Código.
Decorrido o prazo para recurso, faça as anotações de praxe, inclusive no
Distribuidor. Lavrado o termo de retificação e ratificação, reabra-se o prazo
para defesa e indicação de testemunhas, exceto as já inquiridas,
prosseguindo-se, após, com o rito dos artigos 499 e seguintes do Código de
Processo Penal.”

17
18

“... Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,
JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de
fls., para CONDENAR, como de fato condeno, FULANO (nome completo,
RG, data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação), à pena
de -x-, em regime ... por incurso nas sanções do artigo -y- do Código Penal.
Após o trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no Rol dos Culpados.
P.R.I.C.”

f.4. Modelo de sentença condenatória (crime culposo com suspensão


condicional da pena)

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de
fls., para CONDENAR, como de fato condeno, FULANO (nome completo,
RG, data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação), à pena
de -x-, por incurso nas sanções do artigo -x-, do Código Penal, aplicada a
suspensão condicional da pena, conforme dispõe os artigos 77 e seguintes do
Código Penal, pelo período de dois (2) anos, devendo prestar serviços
comunitários no primeiro ano de cumprimento, cujos critérios serão
estabelecidos pelo Egrégio Juízo das Execuções Penais da Comarca, em
regular audiência admonitória. Após o trânsito em julgado, lance-se o nome
do réu no Rol dos Culpados. P.R.I.C.”

f.5. Modelo de sentença Substituição da pena de prisão pela de


multa

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de
fls., para CONDENAR, como de fato condeno FULANO (nome completo, RG,
data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação), à pena de
-x- de prisão simples, em regime aberto e -y- dias-multa. Substituo a pena de
prisão pela de multa, estabelecendo-a em -z- dias-multa, totalizando as penas
em - - dias-multa, cada um no valor de 1/30 dos salário mínimo vigente à
época dos fatos, corrigindo-se monetariamente quando do seu cumprimento.
Após o trânsito em julgado, lance-se o nome do réu no Rol dos Culpados.
P.R.I.C.”

f.6. Modelo de sentença Substituição da pena por multa

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de

18
19

fls., para CONDENAR, como de fato condeno Fulano (nome completo, RG,
data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação) à pena de
três meses de detenção, substituindo-a pela pena de multa, nos termos do
artigo 60, § 2.º, do Código Penal, pela pena de --- dias-multa, cada um no
valor de 1/30 do valor do salário mínimo vigente à época dos fatos,
corrigindo-se monetariamente quando do seu cumprimento. Após o trânsito
em julgado, lance-se o nome do réu no Rol dos Culpados. P.R.I.C.”

f.7. Modelo de sentença Prestação de serviços à comunidade

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO PROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia de
fls. x, para CONDENAR como de fato condeno, Fulano (nome completo, RG,
data e local de nascimento, nacionalidade, estado civil, filiação), à prestação
de serviços à comunidade pelo prazo de -x- meses, na forma acima
estabelecida. Oficie-se ao (Entidade onde os serviços serão prestados),
intimando-se o condenado para iniciar o cumprimento da pena. P.R.I.C.”

2.4. Sentença Absolutória

Dificilmente, num concurso público, cairá uma sentença puramente


absolutória, tendo em vista que o examinador tem que verificar se o candidato
sabe condenar e aplicar o critério trifásico de pena. O que poderá cair num
concurso é uma sentença parcialmente condenatória e parcialmente
absolutória.

A sentença em questão absolve o réu da causa, declara infundada a


acusação e sem procedência a pretensão punitiva.

A grande preocupação do juiz é utilizar adequadamente as disposições


do artigo 386 do Código de Processo Penal.

Diz o mencionado dispositivo processual: "O juiz absolverá o réu,


mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça:

I - estar provada a inexistência do fato;

II - não haver prova da existência do fato;

III - não constituir o fato infração penal;

19
20

IV - não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal;

V - existir circunstância que exclua o crime ou isente o réu de pena;

VI - não existir prova suficiente para a condenação".

O juiz, ainda, adotará três medidas fundamentais:

• mandará por o réu em liberdade, se obviamente não estiver preso


por outro processo;

• ordenará a cessação das penas acessórias, provisoriamente


aplicadas;

• aplicará medida de segurança, se cabível.

Vejamos as hipóteses de absolvição:

• Estar provada a inexistência do fato. Aqui o juiz deve ter certeza


absoluta, através de provas cabais, de que o fato embasador da
denúncia nunca existiu.

• Não haver prova da existência do fato. É o caso de um estelionato


em que está demonstrada a autoria, porém o meio empregado é
ineficaz para induzir ou manter a vítima em erro, em face a uma
grosseira adulteração de documento. Nesse caso, não há prova de que
o fato existiu.

• Não constituir o fato infração penal. É a ausência de tipicidade


para a conduta. Temos como exemplo uma lesão corporal, em que
não há lesão nenhuma, já que nem podemos visualizar o machucado.

• Não existir prova de ter o réu concorrido para a infração penal. É


a hipótese, na qual, no concurso de pessoas, não há indícios de que
um dos agentes tenha praticado o delito. É o caso do furto em que
quatro pessoas são denunciadas, porém, quanto a uma das pessoas,
não há qualquer prova de que tenha concorrido, havendo condenação
das outras três.

• Existir circunstância que exclua ou isente o réu de pena. É a


hipótese, por exemplo, da incidência do artigo 26, caput, do Código
Penal, no qual o réu é absolutamente inimputável em razão de
oligofrenia, por exemplo.

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21

• Não existir prova suficiente para a condenação. São todas as


demais hipóteses por exclusão, na qual há dúvida, aplicando-se o
princípio in dúbio pro reo.

2.4.1. Dispositivos de sentenças absolutórias

a) Absolvição sumária (Júri)

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, com
fundamento no artigo 411 do Código de Processo Penal, reconhecendo a
ocorrência da legítima defesa, na forma dos artigos 19, II, e 21, do Código
Penal, ABSOLVO FULANO (nome completo, RG, data e local de nascimento,
nacionalidade, estado civil, filiação), da acusação que lhe é feita do
cometimento do delito do artigo -x- do Código Penal. Recorro de ofício ao
Egrégio Tribunal de Justiça, conforme dispõe o artigo 411, parte final, do
Código de Processo Penal, e determino a remessa dos autos, após o decurso
do prazo para eventual recurso. P.R.I.C.”

b) Insuficiência de provas

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta,


JULGO IMPROCEDENTE a pretensão punitiva estatal através da denúncia
de fls. x, para ABSOLVER, como de fato absolvo, FULANO DE TAL, da
imputação que lhe é feita do cometimento do delito disposto no artigo 157, §
2.º, incisos I e II, do Código Penal, fazendo-o com base no artigo 386, inciso
VI, do Código de Processo Penal. P.R.I.C.”

c) Absolvição por inimputabilidade com aplicação de medida de


segurança

“Ante o exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, DECLARO
ABSOLUTAMENTE INIMPUTÁVEL, na forma do artigo 26 do Código Penal,
FULANO DE TAL (qualificar), e JULGO IMPROCEDENTE a pretensão
punitiva estatal através da denúncia de fls. x, ABSOLVENDO-O da
imputação da prática do delito disposto no artigo 000, do Código Penal, com
fundamento no artigo 386, inciso V, do Código de Processo Penal, e
IMPONHO-LHE MEDIDA DE SEGURANÇA, conforme dispõe o artigo 96,
inciso I, do Código Penal, consistente em internação, por, no mínimo, três (3)
anos, conforme artigo 97, § 1.º, em hospital de custódia e tratamento

21
22

psiquiátrico. Expeça-se mandado de captura e, transitada esta em julgado,


expeça-se carta de guia. P.R.I.C.”

Ação Anulatória de Casamento

A mulher “A” ingressou com inicial de ação de anulação de casamento,


alegando ignorar a condenação de seu marido pela prática de crime de
falsificação de documento público.

Segundo o relato da inicial, o casamento aconteceu no dia 5.1.1998,


tendo seu marido praticado o fato típico e antijurídico no mês de janeiro do
mesmo ano. A condenação definitiva, porém, ocorreu apenas em junho de
1999, tendo transitado em julgado em setembro de 1999.

A mulher, por conseguinte, aguardou o trânsito em julgado para intentar


ação em fevereiro do ano 2000. Requer a mulher, portanto, o desfazimento do
vínculo conjugal com a anulação do casamento, a partilha dos bens pelo
regime da comunhão parcial de bens, a guarda dos filhos, a condenação do réu
no pagamento de pensão alimentícia para os dois filhos menores impúberes e
para a requerente, no importe de 40% dos vencimentos líquidos do varão.
Requer ainda a fixação de visitas.

O varão “Y” contestou a ação, alegando, em preliminar, falta de


interesse de agir, já que sua condenação foi posterior à celebração do
casamento, não tendo a mulher interesse de agir. Alegou, ainda,
impossibilidade jurídica do pedido, sob o argumento de que a hipótese não se
subsume no texto legal, pois o crime em questão não é inafiançável. No
mérito, afirma o varão, que a mulher não provou a insuportabilidade da vida
em comum, até porque conviveu normalmente com o requerido até que
ocorresse o trânsito em julgado da sentença criminal. Requer o varão a
improcedência da ação e condenação da mulher na verba sucumbencial.
Requer, alternadamente, em caso de procedência, a guarda dos dois filhos e a
condenação da mulher no pagamento de alimentos para os filhos no importe
de 25% dos seus ganhos líquidos. Requer, ainda, a improcedência do
pagamento de pensão alimentícia para a mulher, pois entende que a igualdade
constitucional não autoriza a condenação em alimentos.

22
23

O Juiz saneou o processo, alegando que as preliminares seriam


apreciadas na sentença, designando audiência de instrução e julgamento. Na
audiência, as partes não arrolaram testemunhas, tendo sido ouvido apenas o
depoimento pessoal de cada uma delas, corroborando cada qual a inicial e a
contestação.

Em alegações finais, as partes reiteram manifestações anteriores,


requerendo o varão a conversão do julgamento em diligência para a realização
de estudo social nos filhos, a fim de melhor decidir o Juiz sobre a guarda dos
infantes.

Sentencie.

Ação de Nulidade de Casamento

O representante do MP ingressou com uma ação de nulidade de


casamento alegando que chegou ao seu conhecimento, por meio de
atendimento ao público, que os cônjuges A e B, na qualidade de irmãos,
teriam se casado. Afirma o representante do parquet que o varão A foi
adotado pelo casal Y e Z e se casou em fevereiro de 1963 com a mulher B,
filha natural do casal Y e Z. Narra em sua inicial que a filha B do casal Y e Z
contava com três anos de idade quando adotaram o menino A, que contava
com seis anos de idade. Afirma representante do MP que o casamento
realizado em 1963 é nulo por infringir o impedimento absoluto do inc. V do
art. 183 do CC. Requer a procedência da ação, a declaração de nulidade do
casamento com a aplicação de retroatividade de todos os efeitos, não
aplicando o regime de comunhão universal, mas sim a dissolução dos bens
como uma sociedade civil, nos moldes do art. 1.363 do CC, ante a
impossibilidade de aplicação de qualquer preceito de família para o casal.
Requer, ainda, o cancelamento do registro civil e do registro de imóveis para
os bens imóveis comuns do casal. Ante a inexistência de filhos, deixa de
requerer disposição sobre guarda e visita.

O casal A e B contestou, alegando, em preliminar, ilegitimatio ad


causam ativa do MP para intentar ação de nulidade de casamento. Ainda em
preliminar, requer a impossibilidade jurídica do pedido ante a não incidência
do inc. V do art. 183 do CC, já que o adotado se casou com filho antecedente e
não superveniente dos pais. Requer, ainda em preliminar, falta de interesse de

23
24

agir, alegando que o pedido é inadequado diante da não incidência de qualquer


norma legal sobre a hipótese em questão. Já em matéria de mérito, requer a
prescrição diante do fato do casamento ter sido realizada há mais de vinte
anos, com aplicação do art. 177, caput, do CC. Ainda no mérito, requerem as
partes a aplicação da putatividade, com pedido alternativo, sob a alegação de
que estavam de boa-fé e que ocorreu um erro de direito (error in iuris) no
presente caso, pois desconheciam completamente a norma do art. 183, inc. V,
do CC, sendo o fato de total responsabilidade da Serventia extrajudicial.
Requerem, portanto, em caso da não manutenção do casamento, a aplicação da
putatividade em todos os seus efeitos, ficando ao arbítrio do julgado o alcance
da disposição.

As partes, tanto o autor quanto os réus, requereram o julgamento


antecipado da lide ante o fato da matéria ser exclusivamente de direito e ser
desnecessária a dilação probatória.

Sentencie.

Ação de Separação Judicial Litigiosa

Mulher A ingressou com ação de separação judicial litigiosa alegando


que seu marido, B, praticou grave violação dos deveres do casamento,
consistindo no fato do mesmo tolher sua liberdade pessoal para prática dos
atos cotidianos. Afirma que o marido, apesar de bom pai e cumpridor de seus
deveres, proíbe sua livre circulação em shopping centers e supermercados por
ser um indivíduo extremamente ciumento, de forma que a mulher só pode sair
acompanhada de um de seus dois filhos, menores púberes (14 e 15 anos de
idade). Imputa ao réu, portanto, o descumprimento do dever de mútua
assistência imaterial do art. 231, inc. III, do CC, c.c. o art. 5.º, caput, da Lei n.
6.515/77. Requer, portanto:

a) a guarda dos dois filhos (art. 10 da LD);

b) pensão alimentícia para si, no montante de 10% dos rendimentos


líquidos do varão (art. 19 da LD);

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c) pensão alimentícia para os filhos, no montante de 20% dos


rendimentos líquidos do varão, até que os mesmos completem a maioridade ou
formem-se em curso universitário;

d) a manutenção do nome de casada, ante o fato dos filhos só terem o


nome do pai;

e) o desfazimento do condomínio pleno existente entre os cônjuges,


tendo em vista que são casados desde 1973, portanto, casados sob o regime da
comunhão universal de bens;

f) a fixação de visitas apenas nos finais de semana.

O marido B contestou o pedido, alegando, em preliminar, carência de


ação por falta de interesse de agir. Afirma que a hipótese não se subsume no
art. 231, inc. III, do CC. Requer, ainda, em preliminar, a extinção do processo
por impossibilidade jurídica do pedido, tendo em vista que o art. 5.º, caput,
exige grave violação no dever do casamento, sendo que a hipótese em questão
não possui qualquer gravidade, até porque alega não ser verdadeira. No
mérito, afirma que sua conduta é escorreita e que a mulher quer a separação
por estar interessada em outro homem. Pede, portanto, a improcedência da
ação e condenação da requerida nos ônus sucumbenciais.

O varão B reconviu a ação em face de sua mulher, A, alegando que a


mesma descumpriu gravemente os deveres do casamento, pois abandonou o
lar e está sendo infiel nos moldes do art. 231, inc. I e II, do CC. Afirma que a
mulher, após ter abandonado o lar, tendo passado apenas noventa dias,
conheceu outro homem e passou a ter encontros amorosos com ele, de
maneira notória, fato de conhecimento dos filhos, pois muitas vezes o homem
passou a pernoitar no novo domicílio da mulher. Requer, por conseguinte:

a) a guarda dos filhos (art. 10, caput, da LD);

b) a concessão de visitas livre para a mãe;

c) a volta do uso do nome de solteira da mulher (art. 17, caput, da LD);

d) a não concessão de pensão alimentícia para a mulher, ante o fato de a


mesma ter dado causa à separação (art. 19 da LD);

e) a dissolução da comunhão universal de bens, com aplicação do § 3.º


do art. 5.º da LD.

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26

A mulher contestou, alegando, em preliminar, a exceptio nom adimpleti


contractus, requerendo a imediata extinção da reconvenção. Alegou, no
mérito, a não verdade das alegações do varão, pleiteando a condenação do
mesmo em litigância de má-fé.

O Juiz concedeu apenas alimentos provisórios aos filhos pelo varão ante
o fato dos mesmos estarem residindo com a mãe, no montante de 20% dos
seus vencimentos líquidos. A mulher agravou o despacho do Juiz requerendo a
fixação de alimentos para si, pois alega que o casamento é antigo e que não
tem suporte para sobreviver. O tribunal não concedeu a liminar e não chegou a
decidir o mérito. Foi designada audiência de tentativa de conciliação, que
restou infrutífera. O feito foi instruído, tendo as testemunhas da mulher
corroborado os fatos alegados na inicial e as testemunhas do varão
corroborado os fatos narrados na reconvenção.

Em alegações finais, as partes reiteraram as manifestações anteriores,


tendo apenas o patrono da autora requerido o desentranhamento do documento
juntado pelo varão na audiência de instrução, no qual os filhos declaram que
preferem residir com o pai. O representante do MP, em sucinto parecer,
opinou pelo não acolhimento de nenhuma das preliminares, e no mérito, em
tese, não defendida por nenhuma das partes, na aplicação do § 1.º do art. 5.º da
LD, por entender que até a data do ingresso da ação, o casal já estava separado
de fato há mais de um ano e que não poderia mais discutir a hipótese de culpa,
muito embora nenhuma prova tenha sido produzida no sentido da análise do
lapso temporal. Entende que a guarda deve ficar com a mãe, com direito de
visitas ao pai nos finais de semana, a fixação de alimentos na base de 30% dos
rendimentos líquidos do varão, a concessão de pensão à mulher na base de
10% como dívida de valor.

Sentencie.

Sentença Criminal

Fulano de Tal está sendo processado como incurso nas sanções dos arts.
171, caput, combinado com o art. 14, II e 180, caput, na forma do art. 69,
todos do CP, porque no dia 4.5.1989, por volta das 19:55h, no Posto São
Paulo, situado na Av. Rebouças, em Sumaré, tentou obter para si vantagem
ilícita em prejuízo de Nivaldo Antonio Foffano, proprietário do referido posto,

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27

procurando induzir em erro os empregados frentistas do estabelecimento


mediante meio fraudulento.

Segundo consta dos autos, o acusado foi até o posto pilotando uma
motocicleta e pediu que ela fosse abastecida. Após, deu em pagamento o
cheque 410, da conta titulada por José Souza, sacado contra o Banco
Bradesco, agência Sumaré, no valor de R$ 33,00. O cheque era furtado, e o
preenchimento e emissão não eram do titular da conta.

Os empregados da vítima suspeitaram da origem da cártula, pois em


dia anterior dois cheques da mesma conta haviam sido apresentados naquele
posto, e havia informações de que eram furtados. Enquanto o acusado
aguardava o troco, a polícia foi acionada e o deteve.
O acusado admitiu que recebera o cheque de Édson, em pagamento de
uma dívida. Declarou à polícia que o documento estava em branco e que foi
ele mesmo quem o preencheu, mas a perícia grafotécnica determinou que o
preenchimento foi de autoria de terceira pessoa, não identificada.
O cheque era produto de roubo praticado contra o titular da conta. O
acusado sabia que o cheque era produto de crime, e ainda assim o recebeu, em
proveito próprio.
Obs.: Os fatos foram comprovados e um dos frentistas reconheceu o
acusado.

Sentenciar.

Sentença

Questão extraída da Prova de Sentença da Magistratura do Distrito


Federal (26.8.2000).

Elaborar sentença demonstrando conhecimento técnico-jurídico,


fundamentando com clareza e concisão as questões de direito processual e
material, aplicando os posicionamentos doutrinários e jurisprudencial.

27
28

RELATÓRIO

Vistos etc,

O representante do Ministério Público denunciou Libertino do Monte


Pascoal, brasileiro, solteiro, músico, filho de Antônio do Monte Pascoal e Ana
Maria da Silva Pascoal, natural de Brasília–DF, nascido em 8 de agosto de
1979, por infração ao que se dispõe no art. 214 c/c art. 224 do Código Penal e
art. 9.º da Lei n. 8.072/90, fazendo narrar:

No dia 25 de maio de 2000, por volta de 3:00h, na QE 130, Conj. AZ,


casa 01, Guará V, nesta capital, ao voltar de um forró– onde fora contratado
pelo pai da menor Fernanda Diadorin, seis anos de idade, para tocar guitarra
no seu salão de baile –, burlando a vigilância dos genitores da criança, de
quem era hóspede, para satisfazer a sua concupiscência, adentrou no quarto,
deitou na cama da menina, a apalpou, roçou e tocou na sua “genitocrural”.
No interrogatório judicial, retratou-se da confissão contida no auto de
prisão em flagrante, asseverando ter sido seviciado a que confessasse; que é
sonâmbulo, não praticou ato libidinoso com a criança e que, ao deitar na cama
da menor, pensava fosse da sua irmã, de onze anos, com quem queria transar;
de ofício, foi submetido a exame de insanidade mental; laudos de Exame de
Corpo de Delito ad cautelam e de atentado violento ao pudor, com registros de
escoriações e equimoses na face lateral esquerda do corpo, nas regiões lateral
do cotovelo e terço médio do antebraço, e ausência de sinais de prática
libidinosa. Defesa prévia, fl. 49, alegando inocência. No sumário foram
ouvidas três testemunhas comuns. Na fase do art. 499 do Código de Processo
Penal, esclarecida a folha penal, restou certificado a existência de condenação,
em 15 de fevereiro de 1998, com trânsito em julgado, pela prática da
contravenção penal ‘porte de arma’.
Em alegações finais, o representante do Ministério Público, postulando
pela condenação, aduz que o acusado, perante a autoridade policial, em
detalhes, descreveu a sua conduta, não merecendo crédito a retratação de que
foi surrado a que confessasse, por ser essa, invariavelmente, a alegação dos
réus confessos; que as lesões corporais constatadas no Laudo de Exame de
Corpo de Delito foram resultantes da força empreendida pelos policiais para
contê-lo, por haver resistido à prisão, conforme afirmado pelas testemunhas,
que também confirmaram os fatos, sendo uma farsa a alegação de
sonambulismo, posto que, sequer havia dormido quando deitou na cama da

28
29

vítima e tocou em sua genitália; que, no exame pericial de insanidade mental,


foi constatada a sua imputabilidade e que apresenta periculosidade; que restou
caracterizado o crime de atentado violento ao pudor consumado, não
merecendo guarida a tese de que, embora houvesse deitado com a menor, com
ela não praticou ato libidinoso, porquanto, ao deitar na cama da criança,
pensava estar com sua irmã, menor de 11 anos de idade, com quem queria
manter relações sexuais; que é irrelevante o alegado erro quanto às menores,
visto que, em quaisquer das hipóteses, ocorreria a violência presumida. Pela
defesa, em preliminares, argüindo a nulidade do processo, alega que não foi
atendida a condição da ação que exige, nos crimes contra os costumes, queixa
da vítima ou do seu responsável, vez que no atentado violento ao pudor, com
violência presumida, a ação deve ser de iniciativa privada, somente lavrando
auto de prisão em flagrante, quando requerido, por escrito ou oralmente, a
instauração do inquérito policial, e, nos autos, não existe qualquer forma de
queixa; que a denúncia é inepta porque lastreada em confissão obtida
mediante sevícia, ao ser preso em flagrante. No mérito, alega que é impossível
admitir a autoria, por ter sido espancado a que confessasse, e pela minudência
de detalhes, o que demonstra ter sido o texto criado na fase investigatória,
comparando-o com as declarações prestadas pela vítima e seus representantes;
que o pai da vítima, diante da negativa do acusado de haver nela tocado,
mandou que fosse embora, e, no dia seguinte, por vingança, após discussão e
mútua agressão, chamou a polícia, sendo questionável a tardia defesa da honra
da filha, ressaltando, que das declarações da menor, restou contrariada a
autoria e, mesmo fossem incriminadoras, não podem prosperar, diante das
restrições ao testemunho infantil; que nos laudos psicológico e psiquiátrico
contidos no exame de insanidade mental depreende a existência de diferenças,
e que, por já haver estado internado em clínica de repouso, embora não
afetado psiquiatricamente, existe comprometimento psicológico de fundo
neurológico, o que explica alguma atitude confusional distorcida; que, mesmo
tivesse praticado os atos libidinosos, restaria configurado o ato
contravencional, perturbação da tranqüilidade, e não o delito capitulado. Ao
final, se não acolhidas as preliminares, pede pela absolvição por ilegitimidade
do Ministério Público para promover a ação penal, ou que se desclassifique a
sua conduta para a contravenção prevista no art. 65 da Lei das Contravenções
Penais.
É o relatório.

Decido:

29
30

Sentença

Ação regressiva de reparação de danos causados em veículo: Catuaba


do Brasil Indústria e Comércio Ltda. contra AutoRun Concessionária do
Sistema Anhanguera – Bandeirantes S/A.

Diz a autora que, no dia 15 de julho de 1999, o veículo de sua


propriedade, a saber, um Gol MI, cor branca, ano 1997, placas DBO 1667,
conduzido por Álvaro da Costa, transitava pela Rodovia Anhanguera, km 124,
município de Somália, quando veio a atropelar um animal canino de cor
marrom, que atravessava o fluxo de veículos no sentido canteiro central –
acostamento, causando danos em seu veículo no montante de R$ 2.117,28.

Entende a requerente que o evento ocorreu por culpa exclusiva da


operadora AutoRun, posto que a ela cabe o policiamento do tráfego. Toca,
ainda, à Concessionária a fiscalização e segurança, que é fator primordial para
comodidade dos usuários. Cabe também à operadora as providências para
evitar o trânsito de animais nas estradas de rodagem.

Requer a condenação ao pagamento dos prejuízos sofridos no montante


de R$ 2.117,28, corrigido monetariamente desde o desembolsoe acrescido das
cominações legais e honorários advocatícios a serem fixados pelo Juízo.

Contestação: Levantou preliminar de ilegitimidade passiva "ad


causam", sob o argumento de que não atua sobre a guarda dos animais.
Colecionou julgados. No mérito, aduz que se portou dentro dos parâmetros
legais e contratuais no sentido de proporcionar garantia de segurança aos
usuários, com a inspeção e retirada de animais da pista, não tendo se omitido
no tocante à sua obrigação legal e contratual. Também aduziu que não houve
comprovação do nexo de causalidade entre o evento e os danos alegados pela
autora. Não houve reclamação por parte do motorista à Concessionária, o que
causa estranheza. Ademais, o Boletim de Ocorrência elaborado de forma
unilateral não se presta à comprovação da ocorrência do acidente relatado.
Também o croqui do boletim de Ocorrência não foi sequer descrito pelo
policial, permanecendo apenas os dizeres "local prejudicado". Impugnou o
valor pleiteado. Aguarda a improcedência do pedido.

30
31

SENTENCIE.

Sentença

JOAQUIM TUCANO, já qualificado nos autos, foi denunciado pela


Justiça Pública como incurso nas sanções do art. 214, c. c. o art. 224, "a", art.
69 (três vezes), todos do CP, c. c. o art. 1.º, inc. VI, da Lei n. 8.072/90, porque
no dia 21.9.1999, por volta das 7:30 horas, defronte à Escola Municipal do
Jardim Paraisópolis, situada na Rua 14, n. 400, no Município de Jundiapeba,
nesta Comarca, mediante violência presumida, constrangeu L.A.N.G., de nove
anos, C.A.N., de 10 anos, e D.D.E., de doze anos, a permitir que com elas
praticasse atos libidinosos diversos da conjunção carnal.

Consta dos autos que o acusado dirigiu-se até o portão de entrada da


escola, onde deparou-se com as vítimas, ocasião em que agarrou L., tentando
beijá-la na boca e passando a mão por suas nádegas e seios, mesmo diante da
resistência dela. Em seguida, constrangeu C. e D. a permitir que ele as
beijasse na boca, passando a mão nos seios, nádegas e órgão genital delas,
mesmo diante da resistência das mesmas, que tentavam se desvencilhar do
acusado. A Guarda Municipal foi acionada e prendeu o acusado em flagrante
delito no interior da Escola.

SENTENCIE.

OBSERVAÇÕES:

• Instaurou-se o incidente de insanidade mental, tendo concluído o senhor


perito pela inimputabilidade do acusado.

• Na fase inquisitiva, o réu confessou espontaneamente.

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• Em Juízo, afirmou que já foi processado por estupro e que já esteve


internado em clínica para tratamento psiquiátrico

• As vítimas confirmaram que o réu as agarrou e tentou beijá-las na boca, na


frente das outras pessoas. Também a Diretora da Escola afirmou que viu o
réu passar a mão nas meninas, e que todos confirmaram, na Delegacia, que
era o réu o autor dos atos libidinosos ocorridos na escola.

Sentença

No dia 13.2.1991, na empresa SS S/A, situada na Rua Dez, n. 20, nesta


Comarca, NEURI DA SILVA SOUZA, MARCELO HENRIQUE DA SILVA
e mais dois indivíduos não- identificados, previamente ajustados e prestando-
se mútuo auxílio, subtraíram a quantia de R$ 8.000,00 em dinheiro, e mais
aproximadamente R$ 3.150,00 em cheques de clientes, bem como as folhas de
cheques de ns. 520355 a 520391, do banco Itaú S/A, agência Taquaral-
Campinas, pertencentes à referida empresa de propriedade de João Correia
Fernandes, mediante grave ameaça de morte exercida com arma de fogo,
impossibilitando qualquer resistência da vítima e de seus empregados.

Consta dos autos que os quatro meliantes chegaram num automóvel, e


que um dos indivíduos, não-identificado, ficou aguardando no carro e, um
outro, também não-identificado, rendeu o porteiro da empresa, enquanto os
dois indiciados adentraram e, apontando armas de fogo, dominaram a vítima e
alguns funcionários e, sempre sob ameaça de morte, mandaram que a vítima
abrisse o cofre de onde foi retirada a res furtiva já descrita.

Após isso, levaram a vítima e um funcionário até o banheiro e


ordenaram que lá permanecessem. Em seguida, evadiram-se do local no
automóvel que aguardava do lado de fora.

Os indiciados foram reconhecidos pessoalmente pela vítima, e


fotograficamente por Vagner Aparecido Silveira da Silva, Milton Sabino, João
Pereira e Paulo da Silva.

Foram denunciados por infração do art. 157, § 2.º, incs. I e II, na forma
do art. 29, caput, ambos do CP.

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Questão: Presumindo-se que todos os fatos foram devidamente


comprovados, sentencie.

Sentença

Ação declaratória de nulidade de título cumulado com perdas e danos:


JOSÉ DA SILVA contra SOUZA E SOUZA S/A.

Da alegação do autor

Alega o autor que foi surpreendido com uma notificação do Cartório de


Protestos de Títulos, intimando-o para pagamento da duplicata n. 0054-C,
emitida pela ré, no valor de R$ 930,00 (novecentos e trinta reais), vencida em
3.6.1996.

Referido título originou-se da compra de uma furadeira-fresadora, no


valor de R$ 5.580,00 (cinco mil, quinhentos e oitenta reais), que seria paga
através de cheques pré-datados emitidos pelo autor, no valor de R$ 1.395,00
(um mil, trezentos e noventa e cinco reais) cada.

Um dos cheques foi colocado em cobrança e foi pago pelo banco.

Em razão do procedimento irregular da ré, contatou o autor com a


mesma, sendo que esta informou ao autor que necessitava de uma garantia
“mais real” de pagamento. Em razão disso firmou-se um contrato de compra e
venda com reserva de domínio.

Como já havia sido pago um dos cheques (R$ 1.395,00), ficou acertado
que os dois últimos (R$ 1.395,00 cada) seriam substituídos por outros três
cheques de R$ 930,00 (novecentos e trinta reais) cada, obrigando-se a ré a
devolver dois cheques no valor de R$ 1.395,00 (um mil, trezentos e noventa e
cinco reais). No entanto, não devolveu tais cheques e colocou-os em cobrança,
e os mesmos foram pagos pelo banco.

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Assim sendo, o autor não pagou as duas últimas duplicatas, já que ficou
evidenciado o pagamento a maior no valor de R$ 930,00(novecentos e trinta
reais). Por esse motivo o cheque foi protestado.

Da contestação da ré

A ré confirmou o fato da entrega dos cheques no valor total de R$


5.580,00 (cinco mil, quinhentos e oitenta reais).

Informou que é praxe fazer contratos de compra e venda com reserva de


domínio, razão do inadimplemento de muitos compradores, entre os quais o
autor, que, inclusive, possui várias execuções judiciais em andamento, além de
vários pedidos de falência contra a empresa SILVA LTDA, de sua
propriedade.

Realmente o autor compareceu na sede da ré, ocasião em que insistiu


para que os cheques ficassem sob sua guarda (da ré), sendo os débitos e
créditos acertados futuramente, quando dos demais pagamentos. Ao acertar os
demais pagamentos, que foram efetivamente desmembrados em três
duplicatas mercantis no valor de R$ 930,00 (novecentos e trinta reais) cada, as
quais ficariam em carteira, após a compensação de dois dos referidos cheques,
compensariam os valores e futuramente acertariam os débitos e créditos. Após
a compensação de um dos cheques de R$ 1.395,00 (um mil, trezentos e
noventa e cinco reais), pagou a duplicata n. 54-A, ficando a requerente com
um saldo de R$ 465,00 (quatrocentos e sessenta e cinco reais), que foi
depositado em nome da empresa Silva Ltda., a pedido do próprio requerente.
Os demais pagamentos seriam da mesma forma.

Observa que a soma das três duplicatas de R$ 930,00 (novecentos e


trinta reais) cada, mais a entrada de R$ 2.790,00 (dois mil, setecentos e
noventa reais) resulta no valor da máquina adquirida. Porém, tal não ocorreu,
pois o autor deixou de pagar as duplicatas ns. 54-B e 54-C, já que os cheques
emitidos foram devolvidos “sem fundos”.

Assim é que a requerente deve duas duplicatas no valor de R$ 930,00


(novecentos e trinta reais) cada uma, sendo uma delas a que foi protestada, e
que ora se discute.

Ambas as partes requereram o julgamento antecipado, por não haverem


provas a produzir.

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SENTENCIE.

Sentença

ADEMIR SOUSA SEGUNDO, já qualificado nos autos, foi denunciado


pela Justiça Pública como incurso nas sanções do artigo 329 e 163, inc. III,
combinado com o art. 69, todos do CP, porque no dia 13 de outubro de 1997,
por volta das 02:30 horas, na Rua Olívio Franceschini, n.º 1333, parque São
Miguel, em Hortolândia, opôs-se a execução de ato legal, mediante violência a
funcionários competente para executá-lo, e ainda ocasionou prejuízos a dois
veículos de propriedade do Município de Hortolândia.

Consta dos autos que o acusado, durante uma Festa de Rodeio,


desentendeu-se com Edequias, chegando às vias de fato. Guardas Municipais
intervieram a fim de apartar a briga e, ante a insistência do acusado, foi-lhe
dada voz de prisão em flagrante, resistindo ao ato legal, agrediu os Guardas
Municipais com socos e pontapés. Foi algemado e colocado na viatura Gol, o
qual teve o painel e o teto danificados, em razão dos chutes dados pelo
acusado. Em seguida, colocado em outra viatura, uma Veraneio, desferiu
chutes contra o vidro traseiro, derrubando-o, contudo sem quebrá-lo.

Observações:

• Na fase judicial o réu disse que foi agredido pelos policiais quando
de sua prisão.

• Os Guardas Municipais disseram que fizeram a prisão do réu e que o


mesmo ocasionou danos na Viatura.

• Nenhuma outra testemunha foi ouvida, além dos Guardas que


fizeram a prisão.

• A defesa alegou que a Guarda Municipal não tem poder de polícia


para fins de segurança pública. Alegou, ainda, falta de provas.

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Sentença

JAQUELINE EVELIN LUIZ, representada por SIRLEI LUIZ , propôs


ação indenizatória por danos morais e estéticos em face da PREFEITURA
MUNICIPAL DE HORTOLÂNDIA.

Alega a autora que no dia 21 de janeiro de 1996, domingo, encontrava-


se na praça pública municipal denominada "Praça dos Namorados", quando,
ao sentar-se em um banco de cimento, este veio a tombar prensando a mão da
requerente embaixo. Em razão do esmagamento do polegar direito, houve a
necessidade de amputação deste.

Entende que houve responsabilidade civil objetiva por parte da ré,


conforme dispõe o art. 159 do CC, fazendo jus a indenização, pelo dano físico,
bem como no reembolso em dobro das despesas efetuadas com o tratamento,
conforme dispõe o art. 1.537 do CC.

Requereu a citação da parte ré para os termos da presente, a qual


aguarda seja julgada procedente, para vê-la condenada no pagamento de uma
pensão vitalícia equivalente a um salário mínimo retroativo à data do evento,
bem como a indenização cumulativa em parcela única, a ser fixada pelo Juízo,
compreendendo esta a reparação do dano físico, estético e moral, bem como
seja determinado o pagamento em dobro de todas as despesas médicas,
hospitalares e farmacêuticas efetuadas.

A Municipalidade contestou: Levantou preliminar de ilegitimidade de


parte, aduzindo que a manutenção da praça incumbe a NN JACUBA, em
razão da cessão de direitos.

Denunciou à lide a empresa N.N. JACUBA EMPREITEIRA E


COMÉRCIO DE MATERIAIS LTDA.

No mérito, entende que a teoria da responsabilidade objetiva não é


absoluta. Demonstrada a culpa da vítima, exclui-se o dever de indenizar.

Aduz que os bancos do jardim são instalados de modo que ficam


encaixados em dispositivos próprios e que, havendo uso regular, não ocorrem

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acidentes do tipo que ocorreu com a autora. Deduz que a autora sentou-se no
encosto, o que fez com que o banco virasse. Assim, não houve culpa, nem da
municipalidade e nem da empresa contratada. No entanto, se alguma culpa
houve, é de responsabilidade da empresa contratada, por força do contrato
existente.

Alega que não há nos autos a prova do mencionado dano, bem como de
que a menor sofrerá perda da capacidade laborativa. Não exerce nenhuma
atividade laborativa a não ser aquelas próprias de sua idade. A perda da
capacidade laborativa somente poderá ser avaliada quando atingir idade para
tanto. Não se demonstrou a ocorrência dos danos pleiteados. Entende a
contestante que a lesão sofrida pela menor não chega a ferir a estética, sendo
quase imperceptível, não causando constrangimento ou sofrimento psíquico
moral.

Também citada, a denunciada respondeu a ação: Levantou preliminar de


ilegitimidade de parte, aduzindo que somente realiza serviços, sendo que a
fiscalização era da Municipalidade, portanto somente a ela deve ser imputada
a responsabilidade.

No mérito, alega que houve culpa da autora no evento, excluindo-se a


ilicitude do ato, não podendo falar-se em indenização civil.

Entende que não houve dano para a autora e, mesmo que tivesse havido,
não seria cabível a cumulação de indenização por três modalidades de danos.
Alega que não houve dano à estética e nem mesmo o constrangimento ou
sofrimento psíquico e moral. Aguarda a improcedência da ação.

Sentença

Paulo da Silva, já qualificado nos autos foi denunciado pela Justiça


Pública como incurso nas sanções do art. 80, caput, do Código Penal, porque
no dia 7 de dezembro de 1994, por volta das 02:00 horas, na Rua Sete, Bar do
Quinze, no Jardim São Bento, no município de Hortolândia, nesta Comarca,
foi surpreendido por guardas municipais, em patrulhamento de rotina,
trazendo consigo uma pedra de "crack" e um talonário de cheques contendo
sete folhas, do Banco Banespa, agência Campos do Jordão e da conta titulada
por Daniel Araújo Prado e outro.

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Na ocasião, o acusado confessou a aquisição do talonário de pessoa não


identificada, pagando dez reais.

Observações:

• Primário com maus antecedentes.

• Na fase inquisitiva o réu disse que havia adquirido um talonário de


cheques de um "trombadinha" no Largo do Rosário, em Campinas,
pagando R$ 10,00 em moeda corrente.

• Em Juízo tornou-se revel.

• Os Guardas Municipais disseram que encontraram o réu e este


confessou que havia comprado uma folha de cheque e iria revendê-la.

• A vítima D.T. confirmou que foi assaltado por dois homens, que lhe
subtraíram o relógio e talonário de cheques, sendo este último
encontrado em Sumaré.

• A defesa manifestou-se alegando ausência de provas, e que o


talonário de cheques não foi encontrado com o réu.

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