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DICA 002 – DIREITO CIVIL TEMA: DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO

a) Fiquem atentos, pois a primeira coisa que pode ser perguntada é: quais são os seis
defeitos do negócio jurídico? E a resposta correta é: ERRO; DOLO; COAÇÃO;
LESÃO; ESTADO DE PERIGO; FRAUDE CONTRA CREDORES;

b) Prestem atenção: a SIMULAÇÃO continua sendo uma conduta abominada nos


negócios jurídicos, mas, no Código de 2002 deixou de ser trabalhada dentro do Capítulo
dedicado aos “defeitos do negócio jurídico”, que é o Capítulo IV do Título I (Do
Negócio Jurídico) do Livro III (Dos Fatos Jurídicos) da Parte Geral do CCB; a
simulação passou a ser causa específica de nulidade absoluta dos negócios jurídicos, se
desgarrando da Teoria dos Defeitos que conduz à nulidade relativa (ou anulabilidade)
dos negócios. Logo, a simulação não é mais um “defeito do negócio jurídico”, ainda que
represente patologia que o macula e propicia a invalidação pela nulidade absoluta;

c) Seguindo o raciocínio, podem perguntar qual é a conseqüência de um negócio está


viciado por um dos seus seis defeitos; e a resposta é: o negócio é anulável! Os defeitos
do negócio jurídico geram a A-N-U-L-A-B-I-L-I-D-A-D-E dos mesmos! Atenção com a
fraude contra credores! Boa parte da doutrina sustenta que não geraria a anulabilidade
mas sim a ineficácia relativa, opinião da qual, inclusive, frise-se, comungamos! Apesar,
o Código AFIRMA que a fraude gera anulabilidade e assim sendo, invalida o negócio!
Ajuizada a ação pauliana e reconhecida judicialmente a frauda, invalidado, anulado está
o negócio! Logo, se cair na sua prova, a fraude e todos os demais defeitos do negócio
jurídico geram a anaulabilidade! Vale a pena a leitura do art.171,II do CCB, c/c art.178;

d) Sendo causas de anulabilidade, os defeitos devem ser argüidos pelo interessado;


por refletirem matéria de interesse privado, o juiz não declarará de ofício e o MP não
requererá a invalidação negocial; a parte interessada tem que argüir e existe prazo
decadencial de 4 anos! Frise-se que tal idéia aos e aplica na simulação, a qual, sendo
causa de nulidade absoluta, é regida de modo exatamente oposto, sendo imprescritível e
incaducável e podendo ser declarada de ofício!

e) Por serem situações que afetam o interesse privado das partes, os defeitos do
negócio jurídico podem ser sanados, admitem sanatória, bastando que a parte favorecida
se coloque a disposição para readequar o negócio!

f) A sentença que declara a anulabilidade do negócio viciado não retroage, operando


apenas prospectivamente, ou, “ex nunc”, ao contrário do que acontece nas nulidades
absolutas, a exemplo da simulação, em que a sentença retroage, operando
prospectivamente e retrospectivamente, de modo “ex tunc”;

g) Se vocês tiverem que classificar os seis defeitos, saibam que cinco deles são vícios
da vontade ou vícios do consentimento (ERRO; DOLO; COAÇÃO; LESÃO; ESTADO
DE PERIGO) e apenas um deles é um vício social (FRAUDE CONTRA CREDORES).
Na fraude, não há defeito na vontade; o agende fraudador sabe exatamente o que está
fazendo e age de modo consciente; já nos demais vícios, a vontade externada na
celebração do negócio não é a vontade querida verdadeiramente pelo agente, que só a
expediu por está sendo vitima de uma afetação no seu querer, ora em razão de ERRO,
ora de DOLO, ora vítima de COAÇÃO, ora explorado em situação de LESÃO ou
ESTADO DE PERIGO;

h) Por fim, saibam que no CC/16 não existiam positivados os institutos da LESÃO e
do ESTADO DE PERIGO, inseridos no Novo Código e presentes nos arts. 156 e 157,
os quais vem sendo chamados de vícios especiais ou vícios excepcionais por alguns
doutrinadores; ambos são vícios da vontade, assim como o DOLO, o ERRO e a
COAÇÃO!

i) Sobre os defeitos do negócio jurídico, vale a pena ler no CCB os arts. 138 a 144
(ERRO); 145 a 150 (DOLO); 151 a 155 (COAÇÃO); 156 (ESTADO DE PERIGO);
157 (LESÃO); 158 a 165 (FRAUDE CONTRA CREDORES).